sábado, 13 de julho de 2013

O melhor banqueiro do mundo é português


A revista britânica Euromoney acaba de considerar António Horta Osório como o melhor banqueiro do mundo.

Horta Osório foi convidado pelo governo inglês, em Março de 2011, para ser director executivo do Lloys Bank quando o banco ficou sob intervenção estatal e, depois de alguns problemas de saúde por excesso de trabalho, conseguiu fazê-lo regressar aos lucros.

Nascido em Portugal, educado no colégio S. João de Brito e licenciado em Gestão e Administração de Empresas pela Universidade Católica Portuguesa, António Horta Osório já havia relevado excepcionais qualidades humanas a par das suas qualidades profissionais.



12 Jul, 2013, 20:40


sexta-feira, 12 de julho de 2013

O debate do Estado da Nação


A economia

O primeiro-ministro Passos Coelho discursou esta manhã no parlamento na abertura do debate do Estado da Nação.

O relançamento da economia não se pode resolver por decreto. Equilibram-se as contas da Administração Pública para diminuir as taxas de juro dos empréstimos e reduzem-se os benefícios sociais dos trabalhadores e os impostos sobre os lucros para atrair empresários dispostos a investir.

Depois espera-se, esclarece-se as mistificações que os partidos da oposição vão criando enquanto aguardam pelo poder e vai-se alimentando a esperança das pessoas com os primeiros ténues sinais de recuperação:

12/07/2013 - 14:38

No final, ainda mostrou determinação em conduzir o governo até ao fim da legislatura: "Os portugueses julgarão os meus falhanços e os meus sucessos, mas vão fazê-lo, como é normal em democracia, quando o meu mandato tiver terminado".


Seguro

António José Seguro entrou para a licenciatura em Organização e Gestão de Empresas, no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), mas desistiu deste curso na área da economia e passou para outro na área de ciências sociais: Relações Internacionais, na universidade Autónoma de Lisboa.
No âmbito do compromisso de salvação nacional, o líder do PS vai ter de discutir as suas propostas de relançamento da economia portuguesa com os chefes dos nossos credores.

Hoje Passos Coelho convidou-o a sentar-se à mesa com a troika e Seguro propôs "um diálogo entre os partidos políticos que o quiserem", mesmo que não tenham assinado o memorando, ou seja, fugiu à responsabilidade:

12 Jul, 2013, 12:48


Os Verdes

Os Verdes consideram que o governo tem obrigação de não pagar aos credores e obrigar estes a continuar a emprestar dinheiro ao País. Como Passos Coelho não consegue fazer este milagre, discordam das políticas implementadas pelo governo e vão apresentar uma moção de censura.
E Passos responde que é "bem-vinda" porque "mostrará a maioria coesa":

12/07/2013 - 11:59


Portas

O ministro de Estado e Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, pediu a demissão deste cargo na terça-feira 2 de Julho, uma hora antes de Maria Luís Albuquerque tomar posse como ministra das Finanças, tendo apresentado esse pedido como irrevogável.

Enquanto PS, PCP e BE se ufanavam de ter derrubado o governo e se preparavam para festejar a demissão do primeiro-ministro, nessa noite, Passos Coelho declarava ao País que recusava aceitar a demissão de Portas, que não se demitia e tudo faria para manter a coligação.

No sábado cumpria a promessa: Portas recebia o cargo de vice-primeiro-ministro com a responsabilidade pela coordenação da política económica, pela negociação com a troika e pela reforma do Estado e metia no governo mais dois ministros do CDS.

Tendo o CDS recebido apenas 12% dos votos contra 39% do PSD, os portugueses arrasaram Portas nas caixas de comentários dos jornais on-line e no domingo receberam-no silenciosamente no Mosteiro dos Jerónimos enquanto aplaudiam o primeiro-ministro e o Presidente da República.

Depois de receber os partidos com assento parlamentar no início da semana, Cavaco Silva ignorou esta remodelação governamental e, numa comunicação ao País quarta-feira 10 de Julho, depois de explicar as consequências de antecipar eleições legislativas para Setembro, propôs um acordo a médio prazo entre os partidos que subscreveram o memorando da troika para um compromisso de salvação nacional.

Hoje coube ao ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros encerrar em nome do Governo o debate do Estado da Nação, onde procurou defender o que é indefensável — a remodelação governamental:

12 Jul, 2013, 13:45

No final do discurso de Portas, Passos Coelho teve de vir defendê-lo do protesto do Bloco de Esquerda e consertar a reputação política do seu ministro, recordando que comunicou ao País que não aceitava a demissão do ministro de Estado e Negócios Estrangeiros, ao mesmo tempo que a bancada do PSD repetia as palavras do Presidente da República de que "o actual Governo se encontra na plenitude das suas funções":

12/07/2013 - 15:22


"Temos presidente"


O subdirector de informação da SIC, José Gomes Ferreira, crê que os portugueses estão cansados das tricas políticas e também aplaude a solução do Presidente da República para o País — um acordo a médio prazo sobre três temas cruciais perspectivando um compromisso de salvação nacional.
Só lamenta que Cavaco Silva não tenha imposto um prazo limite, por exemplo, quatro semanas, para os partidos que assinaram o memorando com a troika chegarem a esse acordo.

A argumentação bem fundamentada das suas opiniões merece-nos este registo:


10.07.2013 21:55


No comunicado de hoje o Presidente deu-lhe razão, referindo-se a "prazo muito curto". Além de relembrar os assuntos onde é preciso chegar a acordo, Cavaco Silva começou o duro trabalho de mentalizar os políticos portugueses que têm de pôr em primeiro lugar o interesse nacional:

“1 – O Presidente da República recebeu ontem, em audiência, os líderes do Partido Social Democrata, Dr. Pedro Passos Coelho, do Partido Socialista, Dr. António José Seguro, e do CDS-Partido Popular, Dr. Paulo Portas, com vista a explicitar melhor os termos do compromisso de salvação nacional que, na sua comunicação ao País, considerou ser a melhor solução para os problemas nacionais, numa perspetiva imediata e de médio prazo.

O Presidente da República transmitiu aos líderes partidários elementos adicionais que devem ser tidos em conta na definição em concreto dos termos do compromisso.

2 – Os líderes dos referidos partidos manifestaram a disponibilidade para iniciarem, o mais brevemente possível, conversações com vista a um compromisso de salvação nacional que permita a conclusão, com sucesso, do Programa de Assistência Financeira e o regresso aos mercados, e que garanta a existência de condições de governabilidade, de sustentabilidade da dívida pública, de crescimento da economia e de criação de emprego.

3 – O Presidente da República considera que as negociações entre os partidos devem ser concluídas num prazo muito curto.
”


quinta-feira, 11 de julho de 2013

Função pública manifesta-se no parlamento contra 40 horas semanais


Esta tarde a Assembleia da República debatia, na generalidade, as propostas do governo sobre o aumento do horário de trabalho para 40 horas semanais e a requalificação na função pública, com a presença do secretário de Estado da Administração Pública, Hélder Rosalino.

Durante o debate, dezenas de pessoas ligadas a vários sindicatos da função pública interromperam os trabalhos parlamentares lançando balões, cartões amarelos e vermelhos sobre as bancadas, e gritando "demissão", enquanto fora do parlamento os líderes dos sindicatos da CGTP, Mário Nogueira e Ana Avoila, faziam declarações para a comunicação social.

Depois de ter repetido várias vezes “façam favor de sair, façam o favor de se retirarem”, a presidente da Assembleia da República criticou o protesto e admitiu rever as regras de acesso às galerias:
“Nós não fomos eleitos para ter medo, para ser coagidos, não fomos eleitos para não ser respeitados e provavelmente temos de reconsiderar as regras de acesso às galerias.”
No final, Assunção Esteves pediu a continuação dos trabalhos com uma frase de Simone de Beauvoir: "Não podemos permitir que os nossos carrascos nos criem maus costumes."



11/07/2013 - 19:08

11 Jul, 2013, 17:20

11 Jul, 2013, 20:18


Comunistas e bloquistas conseguiram recriar a tensão social do Verão quente de 1975, que ficou célebre pelo processo revolucionário em curso (PREC).

Muitas pessoas não sabem o que foi o PREC. Foi uma época em que vigorou em Portugal a lei da selva. As leis não se cumpriam, as ordens das chefias não se cumpriam, tanto no sector público como no privado. Enfim, mandava quem gritava mais alto nas ruas.

Vimos entrar para o desempenho de funções docentes gente que mal sabia escrever, que lá se foi mantendo e que acabou por entrar para os quadros das escolas.
Vimos morrer pessoas nos corredores do Hospital de Santa Maria por falta de assistência do pessoal hospitalar.
Vimos empresas irem à falência por instigação à greve dos extremistas de esquerda. O jornal República, que tantos anos lutou contra a ditadura, foi um dos casos.

Não queremos voltar a essa época tenebrosa. Nessa altura o PS esteve do lado certo. Desta vez não, depois de cerca de 12 anos quase ininterruptos de regabofe, os socialistas já não são capazes de viver longe dos cofres do Ministério das Finanças, nem que para isso seja preciso rebentar com o País.

Criticámos Assunção Esteves por ter beneficiado das prerrogativas excessivas concedidas aos juízes do Tribunal Constitucional. Mas reconhecemos o direito de Assunção Esteves, e dos outros deputados, ao respeito quando estão a trabalhar e repudiamos estas manifestações da esquerda radical acarinhadas pelos socialistas.

Somos funcionários públicos, mas exigimos que o número de horas de trabalho semanal seja idêntico na função pública e no sector privado.
Na situação económica e financeira em que o País se encontra, esse número de horas só poderá ser 40 horas semanais. Funcionário público que não o reconheça vai perder o respeito dos trabalhadores portugueses que labutam 40 horas semanais para retirar o País do abismo para onde foi lançado por políticos incompetentes e corruptos vindos de todos os partidos políticos portugueses.


PS rejeita acordo para salvação nacional


O partido socialista discorda politicamente da decisão do Presidente da República de não convocar eleições para Setembro.
O PS decidiu não apoiar, nem fazer parte de um governo até Junho de 2014, data do fim do Programa de Ajustamento Financeiro — que os socialistas negociaram com a troika CE/BCE/FMI e também assinaram — proposta implicitamente por Cavaco Silva para realização de eleições antecipadas:



10 Jul, 2013, 21:49


Aproveitando as boas sondagens, os socialistas podem insistir em eleições antecipadas em Setembro, não se importando com a instabilidade que vão provocar e a consequente subida das taxas de juro dos empréstimos que o Estado vai continuar a pedir para financiar a dívida pública e os empresários para financiar as suas empresas.

Mas que fique claro, eleições antecipadas serão pagas com mais reduções dos salários na função pública e das pensões e mais impostos sobre todos os portugueses, em geral.

Para o cidadão comum tanto faz que estejam no poder os boys rosa ou os laranja. Veja-se o caso de Alberto Martins: este senhor advogado que veio ler a reacção dos socialistas foi um péssimo ministro da Justiça, no segundo governo de José Sócrates, e ficou famoso por ter permitido o pagamento indevido de 72 mil euros à mulher e por uma ambulância do INEM, em serviço de urgência a uma idosa com suspeitas de estar a sofrer um enfarte, ser obrigada a abandonar a rua onde se encontrava para deixar passar o seu carro.

Para os portugueses o que interessa é baixas taxas de juro nos empréstimos que o Estado e as empresas têm de contrair para se financiarem. O que queremos é o bem-estar do País pois isso acarreta bem-estar para a população.

Já para aqueles que vivem da política não é indiferente estar o partido socialista ou o partido social-democrata à frente das sondagens.
Mas nem PS, nem PSD vão ter maioria absoluta em futuras eleições e, portanto, terão sempre de fazer coligações com outros partidos.
Ora o PS não pode coligar-se com o PCP ou com o Bloco de Esquerda porque são partidos que defendem a saída de Portugal da zona euro, o que é inaceitável porque é a região com recursos humanos mais qualificados e, consequentemente, a mais rica do mundo. Perder o euro, seria perder todo o bem-estar que uma moeda forte proporcionou aos portugueses na primeira década do seculo XXI. Houve excessos que o programa de assistência financeira procurou corrigir.
E o PSD não pode coligar-se com o CDS enquanto for dirigido pelo irresponsável Paulo Portas que atirou o País para uma crise política durante a vigência de um programa de assistência financeira.

Portando PS e PSD vão ter mesmo que se coligar em resultado de eleições, quer ocorram em Setembro de 2013, quer em Junho de 2014. Se os socialistas querem eleições em Setembro é unicamente para impedirem o PSD de capitalizar o facto de ter levado o País de regresso aos mercados fianceiros e obterem mais alguns lugares nas autarquias e no parlamento, o País que se lixe.

Se Seguro e os socialistas puserem o interesse partidário acima do interesse nacional e insistirem em eleições legislativas antes do fim do Programa de Assistência Financeira — Junho de 2014 — para continuarem com as suas promessas irrealistas a fim de obterem mais mandatos nas autarquias e mais lugares no parlamento, podem estar seguros que o eleitorado culto, pelo menos, dar-lhes-á nessas eleições a resposta que tal atitude merece.


quarta-feira, 10 de julho de 2013

Comunicação do Presidente da República ao País - I


Num discurso de grande clarividência, Cavaco Silva rejeita a remodelação governamental e propõe um acordo de médio prazo entre os três partidos que subscreveram o Programa de Assistência Financeira — PSD, PS e CDS — que consubstancie um compromisso de salvação nacional.

O ambicioso Portas não hesitou em prejudicar a recuperação da credibilidade externa do País, que tantos sacrifícios tem custado às famílias portuguesas, para dominar o governo. Perdeu.
As hostilidades contra Cavaco nas páginas do defunto Independente, acabam de ter o seu epílogo. O presidente de um partido que teve apenas 12% dos votos expressos em Junho de 2011 não podia exigir o cargo de vice-primeiro-ministro. A vingança é um prato que se serve frio. Mereceu.
As sondagens dão cerca de 9% ao CDS. As próximas eleições legislativas provavelmente vão decorrer em simultâneo com as eleições para o parlamento europeu. Se a votação no CDS descer significativamente, os centristas não lhe perdoarão e a carreira política de Portas chega ao fim.

No entanto, Cavaco Silva nunca morreu de amores por Passos Coelho e não lhe perdoa o corte que infligiu à sua pensão. Mesquinho como é, pode estar a congeminar um golpe palaciano onde Passos é substituído pelo cavaquista Paulo Rangel. A ver vamos.

Não gostamos de Cavaco Silva, nem dos cavaquistas, pois foram, entre outros desmandos, os responsáveis pelo buraco BPN, com a complacência, claro, dos socialistas José Sócrates, Teixeira dos Santos e Victor Constâncio.
Mas temos de reconhecer que os três partidos que compreendem a inevitabilidade da aplicação do Programa de Assistência Financeira — PSD, PS e CDS — e, em consequência, assinaram o memorando com a troika, têm de chegar a um acordo nos assuntos enumerados pelo Presidente da República e apoiar este governo até 2014 e todos os governos que saiam das eleições legislativas que ocorram durante a vigência do compromisso de salvação nacional.

Aqui fica a comunicação:





"Boa noite,

Na semana passada, todos fomos confrontados, de forma inesperada, com uma grave crise política. Os efeitos fizeram-se sentir de imediato no aumento das taxas de juro e na deterioração da imagem externa de Portugal.

Desse modo, os Portugueses puderam ter uma noção do que significa associar uma crise política à crise económica e social que o País atravessa.

Num quadro desta gravidade, impõe-se que todos actuem de forma serena e ponderada, avaliando com bom senso e sentido de responsabilidade quais as soluções que, pela sua credibilidade e pela sua consistência, melhor servem o interesse nacional.

Esta crise política é diferente de todas as outras que Portugal conheceu no passado. Ocorre num momento em que estamos vinculados a um exigente Programa de Assistência Financeira estabelecido com a União Europeia e com o Fundo Monetário Internacional, instituições que nos têm vindo a emprestar os recursos necessários ao financiamento do Estado.

Assumimos o compromisso de pôr em prática, até Junho de 2014, um conjunto de medidas visando a redução do desequilíbrio das contas públicas e a adopção das reformas que garantam a melhoria da competitividade da produção nacional.

O Programa de Assistência Financeira permanece em vigor, sendo a sua execução rigorosa uma condição indispensável para a nossa credibilidade no plano externo e para a obtenção dos financiamentos de que o País precisa.

Em face da perda de credibilidade e de confiança gerada pelos acontecimentos da semana passada, diversas vozes, de vários quadrantes, têm considerado que a actual crise política só poderá ser ultrapassada através da dissolução da Assembleia da República e da convocação de eleições antecipadas para finais de Setembro.

Ouvi os partidos políticos com representação parlamentar e os parceiros sociais, que manifestaram opiniões muito divergentes sobre esta matéria.

No momento em que Portugal atravessa uma das fases mais críticas da história do seu regime democrático, é meu dever, em primeiro lugar, esclarecer os Portugueses sobre as consequências da realização de eleições antecipadas na conjuntura que vivemos.

Falta menos de um ano para o fim do Programa de Ajustamento a que nos comprometemos com as instituições internacionais e que temos vindo a executar desde Junho de 2011, com pesados sacrifícios para os Portugueses.

Iniciar agora um processo eleitoral pode significar um retrocesso naquilo que já foi conseguido e tornar necessário um novo programa de assistência financeira. Os sacrifícios dos Portugueses, em parte, teriam sido em vão.

Durante mais de dois meses teríamos um governo de gestão limitado na sua capacidade de tomar medidas e de defender o interesse nacional. Nas últimas eleições para a Assembleia da República, entre o anúncio da dissolução do Parlamento e a posse do Governo mediaram 82 dias.

Por outro lado, os Portugueses devem ter presente que a realização de eleições antecipadas, mesmo se estas ocorressem no mês de Setembro, implicaria que o Orçamento do Estado para 2014 só entrasse em vigor, na melhor das hipóteses, em finais de Março do próximo ano.

O Orçamento do Estado de 2014 e o momento da sua entrada em vigor são determinantes para que Portugal possa regressar aos mercados e obter os meios financeiros indispensáveis ao financiamento da economia e do Estado e para encerrar com êxito o actual Programa de Ajustamento.

A falta de Orçamento do Estado agravaria, de forma muito significativa, o risco de Portugal ter de recorrer a um novo programa de assistência financeira. Este novo programa seria provavelmente mais exigente e teria condições mais gravosas do que aquele que actualmente está em vigor, com reflexos directos – e dramáticos – no dia-a-dia das famílias. Além disso, não há sequer a garantia de que os parlamentos nacionais dos diversos Estados europeus aprovassem esse segundo resgate financeiro.

Existe uma outra razão, que a generalidade dos Portugueses desconhece, e que desaconselha a realização de eleições a breve trecho. Em 2014 irão vencer-se empréstimos a médio e a longo prazo, que contraímos no passado, no valor de 14 mil milhões de euros. Ora, um dos nossos credores, o Fundo Monetário Internacional, impõe, nestas situações, uma regra: com um ano de antecedência relativamente à data de vencimento dos empréstimos, o Estado devedor tem de possuir os meios financeiros necessários para efectuar o reembolso. Em palavras simples: Portugal tem de assegurar, nos próximos meses, a totalidade dos meios financeiros para proceder ao pagamento dos empréstimos que se irão vencer em 2014.

Por outro lado, a realização imediata de eleições legislativas antecipadas poderia comprometer a conclusão positiva da 8ª e da 9ª avaliações da execução do Programa, previstas para este mês de Julho e para final de Setembro, o que pode conduzir à suspensão da transferência para Portugal das parcelas dos empréstimos que nos foram concedidos.

Um cenário de eleições legislativas, no actual contexto, seria extremamente negativo para o interesse nacional. A terem lugar proximamente, as eleições iriam processar-se num clima de grande instabilidade financeira e seria muito elevado o grau de incerteza e a falta de confiança dos agentes económicos e dos mercados no nosso País.

Os sinais de recuperação económica surgidos recentemente iriam regredir e o investimento, que tão decisivo é para a retoma do crescimento e para a criação de emprego, continuaria adiado.

Com o acentuar da incerteza própria de um acto eleitoral nesta conjuntura, seria difícil reconquistar a confiança dos mercados a tempo de concluir com êxito o Programa de Ajustamento, em Junho de 2014.

O risco de termos de pedir um novo resgate financeiro é considerável. No caso de um segundo resgate, a posição de Portugal ficaria muito desvalorizada tanto na União Europeia como junto de outros países com os quais mantemos um intenso relacionamento económico.

Além destas razões de ordem económica e financeira, existem também motivos de natureza política que desaconselham a realização imediata de eleições antecipadas.

As eleições, se tivessem lugar já no próximo mês de Setembro, processar-se-iam num clima de grande tensão e de crispação entre as diversas forças partidárias, como os Portugueses têm vindo a observar. Isso tornaria muito difícil a formação, após o acto eleitoral, de um governo com consistência e solidez.

No momento actual, as eleições legislativas antecipadas comportam o sério risco de não clarificarem a situação política e, pelo contrário, podem contribuir para a tornar ainda mais confusa, mais precária e mais instável.

Era da maior importância que os partidos políticos adoptassem, desde já, uma atitude de maior abertura ao compromisso e ao trabalho em conjunto para a resolução dos complexos problemas que Portugal terá de enfrentar no futuro.

Portugueses,

Tendo exposto ao País o que penso da actual situação e as razões pelas quais considero ser indesejável a realização imediata de eleições legislativas, quero apresentar agora o meu entendimento sobre a solução que melhor serve o interesse nacional.

No contexto das restrições de financiamento que enfrentamos, a recente crise política mostrou, à vista de todos, que o País necessita urgentemente de um acordo de médio prazo entre os partidos que subscreveram o Memorando de Entendimento com a União Europeia e com o Fundo Monetário Internacional, PSD, PS e CDS.

É esse o caminho que deveremos percorrer em conjunto. Darei o meu firme apoio a esse acordo, que, na actual conjuntura de emergência, representa verdadeiramente um compromisso de salvação nacional. Repito: trata-se de um compromisso de salvação nacional.

O Presidente da República não pode impô-lo aos partidos, até porque um acordo desta natureza e deste alcance só terá consistência e solidez se contar com a adesão voluntária, firme e responsável das forças políticas envolvidas.

Terão de ser os partidos a chegar a um entendimento e a concluir que esta é a solução que melhor serve o interesse dos Portugueses, agora e no futuro.

Com a máxima clareza e com toda a transparência, afirmo que esse compromisso deve assentar em três pilares fundamentais.

Primeiro, o acordo terá de estabelecer o calendário mais adequado para a realização de eleições antecipadas. A abertura do processo conducente à realização de eleições deve coincidir com o final do Programa de Assistência Financeira, em Junho do próximo ano.

Em segundo lugar, o compromisso de salvação nacional deve envolver os três partidos que subscreveram o Memorando de Entendimento, garantindo o apoio à tomada das medidas necessárias para que Portugal possa regressar aos mercados logo no início de 2014 e para que se complete com sucesso o Programa de Ajustamento a que nos comprometemos perante os nossos credores.

A posição negocial de Portugal sairia reforçada, evitando novos e mais duros sacrifícios aos Portugueses.

Em terceiro lugar, deverá tratar-se de um acordo de médio prazo, que assegure, desde já, que o Governo que resulte das próximas eleições poderá contar com um compromisso entre os três partidos que assegure a governabilidade do País, a sustentabilidade da dívida pública, o controlo das contas externas, a melhoria da competitividade da nossa economia e a criação de emprego.

É essencial afastarmos do horizonte o risco de regresso a uma situação como aquela que actualmente vivemos.

Estou consciente das dificuldades políticas de alcançar este acordo, reconheço a dimensão do esforço que os dirigentes partidários terão de fazer, mas não tenho dúvidas de que ele constitui a solução que melhor serve o interesse nacional e que garante, a qualquer governo, as condições necessárias para enfrentar os problemas do País.

Desde que exista, à partida, vontade e espírito de cooperação entre os partidos que subscreveram o Memorando de Entendimento, e desde que estes coloquem o interesse nacional acima dos seus próprios interesses, creio que não será difícil definir o conteúdo em concreto desse entendimento. Mais ainda, um acordo desta natureza não se reveste de grande complexidade técnica e poderá ser alcançado com alguma celeridade, podendo recorrer-se a uma personalidade de reconhecido prestígio que promova e facilite o diálogo.

Darei todo o apoio a esse compromisso patriótico, na convicção de que ele irá contribuir, de modo decisivo, para a confiança externa e interna e será um factor de esperança para todos os Portugueses.

Irei contactar de imediato os responsáveis dos partidos que subscreveram o Memorando de Entendimento para analisarmos a solução que proponho.

Portugueses,

Chegou a hora da responsabilidade dos agentes políticos. As decisões que forem tomadas nos próximos dias irão condicionar o futuro dos Portugueses durante vários anos.

O que está em causa é demasiado grave e demasiado importante. A existência de um compromisso de médio prazo é a solução que melhor serve quer o interesse nacional quer o interesse de todos os partidos, que poderão preparar-se para o próximo ciclo político tendo dado mostras aos Portugueses do seu sentido de responsabilidade.

Sem a existência desse acordo, encontrar-se-ão naturalmente outras soluções no quadro do nosso sistema jurídico-constitucional.

No entanto, se esse compromisso não for alcançado, os Portugueses irão tirar as suas ilações quanto aos agentes políticos que os governam ou que aspiram a ser governo.

Recordo que o actual Governo se encontra na plenitude das suas funções e que, nos termos da Constituição, como disse, existirão sempre soluções para a actual crise política. Contudo, os Portugueses devem estar conscientes de que nenhuma dessas soluções dará as mesmas garantias de estabilidade que permitam olhar o futuro com confiança igual à da proposta que acabo de apresentar.

Depois de tantos sacrifícios que foram obrigados a fazer, depois de terem mostrado um admirável sentido de responsabilidade, os Portugueses têm o direito de exigir que os agentes políticos saibam estar à altura desta hora de emergência nacional.

Acredito que as forças políticas colocarão o interesse nacional acima dos seus interesses partidários, até porque todos estão conscientes da gravidade extrema da situação em que nos encontramos.

Quero, por isso, terminar manifestando a minha confiança no espírito patriótico das forças políticas e, acima de tudo, a minha esperança num futuro melhor para todos os Portugueses.

Boa noite."


domingo, 7 de julho de 2013

Vitória de Pirro


D. Manuel Clemente celebrou esta tarde a sua primeira missa como Patriarca de Lisboa.
A cerimónia, que decorreu na Igreja do Mosteiro dos Jerónimos, permitiu avaliar a reacção da população católica aos recentes acontecimentos políticos.

As centenas de fiéis que se encontravam no interior da Igreja, muitos vindos do Porto, reservaram aplausos para o bispo, para o primeiro-ministro Passos Coelho e para o presidente da República Cavaco Silva. Paulo Portas foi ignorado dentro da igreja e no exterior foi-lhe perguntado "se não tem vergonha na cara".



07 Jul, 2013, 20:23

07/07/2013 - 20:50


sábado, 6 de julho de 2013

Declaração de Passos Coelho elaborada em conjunto com Portas


Durante a leitura de uma declaração elaborada em conjunto com Paulo Portas, Passos Coelho anunciou ter proposto ao Presidente da República que Portas assuma o cargo de vice-primeiro-ministro com a responsabilidade pela coordenação da política económica, pela negociação com a troika e pela reforma do Estado.
O acordo que assegura a continuidade da coligação governamental PSD/CDS mantém Maria Luís Albuquerque como ministra de Estado e das Finanças e faz "alterações profundas na organização do Governo" não explicitadas.
PSD e CDS vão ainda apresentar um "manifesto de política europeia" que seja "a base de uma lista única" às eleições de Junho de 2014 para o Parlamento Europeu.

Eis a declaração:


06.07.2013 20:07


Pelo teor deste acordo, não vai haver governo Seguro-Portas até 2015. Como vivemos em regime de protectorado, Portas dixit, António José Seguro, licenciado em Relações Internacionais pela universidade Autónoma, deve ter ficado reprovado no exame da 61ª conferência Bilderberg, que decorreu entre 6 e 9 de Junho passado no Hertfordshire, Inglaterra, enquanto Paulo Portas, licenciado em Direito pela Universidade Católica Portuguesa, terá merecido aprovação.
Por outro lado, sabemos pelas sondagens que o eleitorado tem apreciado os passos de dança de Portas, um pé no governo, outro fora, e tem-se mantido fiel nos 10%. Pelo contrário, culpa Passos pela austeridade e retirou apoio ao PSD que desceu de 39 para 26%.
Portanto a coligação PSD-CDS mantém-se e Portas, com apoios externo e interno, até pôde exigir um governo bicéfalo dirigido pelos presidentes do PSD e do CDS.

As Finanças serão geridas pelo Banco Central Europeu através da social-democrata Maria Luís Albuquerque e a Economia pelo dirigente do CDS António Pires de Lima.

Os líderes do governo de coligação prometem que a troika abandona Portugal em Junho de 2014, que não haverá um segundo resgate e o governo manter-se-á estável até ao fim da legislatura.
Para que os socialistas não ultrapassem a votação que será recebida pelos partidos do governo, Portas exigiu ainda que PSD e CDS concorram em lista única às eleições de Junho de 2014 para o parlamento europeu.

Portas é um ambicioso desmedido, tendo já um largo palmarés: o centro de sondagens na defunta universidade Moderna, o negócio dos submarinos, o favorecimento do Banco Espírito Santo no caso Portucale. Agora com a coordenação dos fundos do QREN, outros casos vão surgir.

Aqui ficam as yields a 10 anos da dívida pública. Com suor e lágrimas os portugueses estavam a descer o monte Everest. Mas já é visível o efeito do pedido de demissão irrevogável de 2 de Julho.
Vamos esperar pacientemente pelos resultados da transferência do poder do PSD para o CDS e nas eleições legislativas de Setembro de 2015 ajustaremos contas com Portas.




Ambição desmedida - II


Paulo Portas recua na demissão. Deverá manter-se no Governo e com uma posição mais reforçada.

É grande a probabilidade de Paulo Portas ficar como vice-primeiro-ministro — mais um tacho com o seu séquito de boys — e do independente Álvaro Santos Pereira ser chutado do governo para que António Pires de Lima, dirigente do CDS, possa ficar com a Economia.
Jorge Moreira da Silva, o primeiro vice-presidente do PSD, também terá sido convidado para integrar o Governo ficando com a pasta dos Negócios Estrangeiros.

*

No intuito de não perderem votos, e deitar as mãos aos fundos do QREN, Portas e outros dirigentes do CDS começaram a imitar Seguro e a anunciar a necessidade de uma reforma económica. O conselho de ministros encarregou-o de propor um projecto.
É óbvio que onde Vítor Gaspar, um técnico afiançado pelo Banco Central Europeu, fracassou, e onde os técnicos da troika CE/BCE/FMI fracassaram, não era um politicozeco que nada percebe de economia nem faz ideia do que é um modelo estatístico que ia descobrir a fórmula mágica capaz de relançar a depauperada economia deste País.
Mas aceitou logo a incumbência porque enquanto se vê se as medidas que vão ser propostas pelo CDS funcionam, ou não, os interesses económico-financeiros que este partido representa vão deitar as unhas aos fundos do QREN que, com a saída de Vítor Gaspar do ministério das Finanças e do independente Álvaro Santos Pereira do da Economia caem nas mãos de Portas.

Como vivemos num regime de partidos políticos vamos dar uma olhadela pelo que temos:

No Bloco de Esquerda, quem percebia de economia — Francisco Louçã — já não está à frente do partido. Agora as propostas económicas bloquistas resumem-se ao não pagamento da dívida pública, à saída da zona euro e à legalização do cultivo de cannabis.
Com a moeda de reduzido valor cambial com que íamos ficar, passávamos a comer o que produzimos, e de certeza não iríamos morrer de fome, mas esfumava-se todo o bem-estar de que ainda desfrutamos: o carro ficava a apodrecer à porta, porque os credores defraudados não mais nos emprestariam dinheiro para comprar gasolina, e quando a máquina de lavar roupa avariasse sem possibilidade de conserto, voltávamos a viver as cenas bucólicas descritas por Camilo Castelo Branco sobre a lavagem da roupa no tanque ao som do coaxar das rãs.

Com o PCP o nosso futuro seria idêntico, mas sem o lenitivo da cannabis...

Sobre o PS de Seguro, o deputado que assistiu à distribuição de dinheiro pelas clientelas do partido, à derrapagem financeira do País e alinhou em todos os esquemas de José Sócrates — os contratos com os produtores de energia eléctrica, os contratos das PPP, ... —, esperando calmamente que aquele caísse para lhe ocupar o lugar, sem um assomo de pudor, estamos conversados.

Resta o PSD de Passos Coelho, que inicialmente tinha força eleitoral para impor um número reduzido de ministros e depor as pastas cruciais – Finanças, Economia, Saúde e Educação – na mão de independentes face aos inúmeros lobbies da sociedade portuguesa.
Que não aumentou notoriamente os rendimentos a classe baixa, tão beneficiada pelos socialistas através do rendimento social de inserção e daquele complemento solidário para idosos que duplicou as pensões dos pensionistas de 200 euros a partir dos 65 anos.
Que reduziu drasticamente os rendimentos dos outros extractos sociais, a classe média e alta, sobretudo as pensões douradas da classe alta com a contribuição extraordinária de solidariedade (CES) que o Tribunal Constitucional não declarou inconstitucional, classe alta que tem dinheiro e acesso à comunicação social, e revoltou as outras classes, daí a perda abrupta de eleitorado do PSD.
Que agora está nas mãos de Portas.

Estamos entregues aos bichos!




O taxista que me prestou um serviço logo após o golpe de teatro de Portas, não teve dúvida em descrever a situação com estas palavras: “Quando o mar bate na rocha quem se lixa é o mexilhão”. O homem da rua, aquele anónimo com que nos cruzamos nas ruas do nosso país, não mordeu o isco!
Entretanto, nas caixas de comentários da comunicação social on-line, a esquerda radical procura empurrar o país para um banho de sangue.

Uma amostra dos comentários à notícia no Público:


Marco Carneiro 01:49
Com os movimentos cívicos que há, deixo aqui a ideia de incriminar Paulo Portas pelo prejuízo causado à nação para que a sua manha o levasse a conquistar mais poder. Há formas de o fazermos responder em tribunal? Já não se trata de uma questão de honra para um energúmeno deste calibre, mas seria importante julgá-lo pelo mal que causa à nação.

Anónimo 02:00
Este Portas tem uma birra, o país perde milhares de milhões de euros e volta como se nada fosse... É preciso muita cara de pau. Provavelmente um segundo resgate e talvez meses de sacrifício do povo português por... uma birra. Estas birras têm-se à porta fechada para não prejudicar o país!

Anónimo 02:06
É no que dá deixarem psicopatas com tanto poder. Revolução já, não há outra alternativa. OBS: e nada de cravos desta vez!

Anónimo 02:28
Portas, se querias defender os interesses de Portugal, não te tinhas demitido. Criares o problema que criaste e agora voltares (com poderes convenientemente reforçados) depois de teres deitado por terra a única coisa onde este governo começava a ter sucesso — a credibilidade nos mercados — pode-nos custar muito dinheiro.

Anónimo 02:56
Voltar tudo "ao mesmo" já era o esperado. Porém, esse "mesmo" é totalmente diferente: para o ano a troika estará cá outra vez; os mercados já nos avisaram de que a austeridade vai voltar a doer, se é que não vai doer mais; os gastos já são irreversíveis — sim, perderam-se milhões em poucos dias, durante esta semana; os juros impostos a Portugal são, a partir de agora, semelhantes aos pedidos à Grécia; e a própria União Europeia vai sofrer com esta derrocada política, económica e social.
Tudo isto por causa de uma aventura política: é verdade, em democracia qualquer político pode escolher o caminho e contestar o caminho que até aí percorreu, caso esteja insatisfeito. Mas, neste caso, uma decisão "irrevogável" acabará por ser sofrida por milhões de portugueses.
Maria Pereira

Anónimo 02:57
Saber recuar em nome de um bem maior é uma virtude e não um defeito. Com uma amostra assustadora do que poderia ser o início da iminente derrocada do país se o governo caísse agora, assim chegamos a mais um compromisso, algo que a esquerda já demonstrou vezes sem conta de que nem sabe o que significa.
Mesmo que seja contra a maré do politicamente correcto do "eleições já", mostra o político de excepção que é. Portas com toda a experiência que tem, e contra todo este jogo de intrigas e de gozo permanente de comentadores que só sabem discordar do mal actual, provou mais uma vez o que é saber negociar, até nas condições mais difíceis. Espero que este sacrifício produza bons frutos pois tudo o que já se experimentou não podia ser mais amargo, a máfia política do tal arco do poder.
  • Anónimo 06:12
    Deixe-se de lirismos. Isto foi só show. Não houve mortos nem feridos, pode guardar a guitarra do fado na sacola.

Flama
Lisboa 03:31
Os cronistas, os comentadores televisivos, os líderes políticos, os sindicalistas, todos esperavam a queda do Governo. Afinal essa é a política portuguesa normal, não é? Um ou dois artigos irados nos jornais, uma ou outra greve geral, umas manifestações fortes e um governo cai. Está esgotado, diriam.
Mas a Comissão Europeia/BCE/FMI não tem paciência para a política latina e este país e este Governo estão dependentes e aplicam políticas oriundas do estrangeiro. Desde que exista uma aparência de normalidade (ler coligação PSD/CDS com Passos Coelho como PM) é para manter. Em condições normais, quantos governos já teríamos tido? Comentadores e especialistas é necessário adaptar as previsões à nova realidade. Portas afinal fica? É que nem achei surpreendente...

Anónimo 04:21
O badameco conseguiu o que queria: os agiotas das agências de rating baixaram de imediato a nota a Portugal e os outros usurários já aumentaram as taxas de juro da dívida. Agora que assegurou mais uns trocos, já pode desfazer a sua decisão irrevogável. Não tem honra. Não tem vergonha. Deixa-o estar lá: fica bem entre os restantes palhaços; quando forem, que vão todos de uma vez. E é esta porcaria de políticos que pretende dar lições de seriedade aos seus iguais de governos anteriores? É este o comportamento de referência da social-democracia e da direita? É isto que propõem e defendem? Vão morrer longe, mas mesmo longe, para que não nos incomodem com o cheiro a podre.
  • Anónimo 05:32
    A esquerda é bem pior. Ao menos a direita não finge que está tudo bem enquanto rouba tudo ao povo.
  • Anónimo 07:42
    Este, deve ser, ou querer ser, mais um Costa Martins, ministro do trabalho em 1974.

Francisco 04:26
Melhor assim. Já baixaram os juros e a situação acalmou-se. Se se fizessem eleições e ainda por cima ganhassem os socialistas, aí é que era um desastre total já que eles não têm credibilidade nenhuma no estrangeiro. Até o alentejano Zorrinho, toda a vida habituado a carro de mula, anda agora de Audi A5 e VW Passat pagos com o dinheiro dos contribuintes. Renault Clio o Zorrinho não quis porque não era digno dele.
  • Anónimo 07:39
    Não se esqueçam. Quer queiram, quer não, o regabofe começou logo no dia 25 de Abril de 1974. Pesquisem na internet e ficarão mais esclarecidos.

Anónimo 08:12
Concordo que este governo é fraquíssimo e inclui pessoas com um passado suspeito, o que é ainda mais grave. Mas querem o quê? Voltar ao PS? Seria 1000 vezes pior e só quem não tiver o mínimo de memória pode ter esse desejo. O PS não só não governou, como roubou e permitiu que todos roubassem. Beneficiaram os ricos, e perdeu o país.
Quem exige a queda do governo, quer o quê? Por culpa do PS perdemos tudo e estamos todos a pagar por isso. Se fosse feita justiça, o PS já nem devia existir. Além disso, sejamos racionais. Ainda que houvesse eleições e o PS ganhasse, nunca teria a maioria absoluta, logo, precisaria de alianças, que seriam impossíveis de obter considerando que destruiu o país e fez tudo para destruir o governo que se seguiu. Esse cenário, seria passar do caos à anarquia.
  • Anónimo 10:19
    Tem razão, sim senhor(a)! Só uma observação: o PS e restante corja destruíram o país porque este povo hipócrita, sempre lhes passou cheques... em branco! E quer continuar a passar! Povo de m..da! E, claro, a corja não se faz rogada.

Observador 09:01
Só a percepção pública da pouca capacidade de Seguro, justifica não haver um clamor da população exigindo eleições. Sempre se disse que Seguro era o seguro de vida de Passos e está a confirmar-se.
O governo sai fragilizado deste episódio, terá que continuar com o programa de austeridade, cortes vários e não sei se terá força para isso. Poderá ser a vez dos ministros independentes (Crato, Macedo) baterem com a porta. Parece que se preparam para correr com Álvaro, pessoa séria e bem intencionada. De qualquer modo, são pormenores o que interessa é que a austeridade veio para ficar e melhor é esquecer planos de consumo, antes planos de poupança...
  • Joao Rodrigues
    Alto Alentejo 09:48
    Estamos agora a perceber que finalmente e como sempre são os melhores que se vão e os piores ficam. Nós, portugueses, temos dons: o do remorso e o do arrependimento que para nada servem, a não ser na Igreja.
  • Tiago 10:35
    De acordo. Ia tentar escrever qualquer coisa parecida mas acho que já nem capacidade para isso tenho. Sim, parece que Álvaro tem a cabeça a prémio e vai, mais cedo ou mais tarde, pelo mesmo caminho de Henrique Gomes. Apesar de tudo "prefiro" este governo com Portas do que sem Portas, mas se calhar já estou a desenvolver o síndrome de Estocolmo

jc
Cascais 09:33
Pobre país de fantoches. Governantes a fazerem figura de fantoches, senão pior. Oposição do auto proclamado arco da governação a fazer figura de fantoche palerma. Oposição do bota abaixo, da manif e da berraria e cuspidela a brincar à fantochada revolucionária. O resto dos fantoches, que cá ficaram por já não terem idade ou capacidades/aptidões para emigrar, a sonhar com a sua vidinha de volta!

Anónimo 10:12
O aplauso da caca? Olha a imagem escolhida pelo Público para a notícia. Mais de mil palavras, para quem quiser pensar... A apologia do palhaço rico, todo ele sorridente, como se ainda por cima a gozar com as caras do seu publicozinho português, depois das suas últimas investidas lamentáveis, que o revelam aos cidadãos como pouco mais que miúdo habituado a fazer o que quer, e a não ser contrariado, quem sabe por ainda pertencer à família do aviador Sacadura Cabral...
Maçom de direita? Faz imaginar que sim. Mas o melhor é ir à wikipedia inglesa e analisar os casos que lá vêm descritos sob o nome do artista. Não se entende como num país europeu ainda pode existir desta gente a representar cidadãos. Portugal não é Europa, é ainda e somente pseudo-Europa! Valha-nos o Passos Coelho!...

Anónimo 10:19
Já se percebe a jogada. A ideia disto tudo é pôr Pires de Lima na Economia, onde não incomodará os poderes instalados nomeadamente o sector da energia, telecoms, ... ao contrário do injustiçado e sempre desprezado Álvaro S. Pereira. É bem feito, estúpidos, queriam correr com ele, não foi? Agora tomem lá o que sempre quiseram: mais do mesmo.
Mas Portas ainda não percebeu que se sacrificou por causa disso. Politicamente acaba aqui, nesta jogada trapalhona que passa por cima dos interesses dos cidadãos e mostra o maior desrespeito pelos sacrifícios que estamos a fazer. Política pela política? Quem vive pela espada, morre pela espada. Venha outro.
  • Nuno Miguel Flórido 11:31
    Vitória imediata de Portas e dos poderes instalados. Mas, desta vez, julgo que o Portas vai pagar isto eleitoralmente muito caro. Como dizia o MST, o Portas não é a pessoa certa para se dar boleia...

Anónimo 10:32
Peço desculpa pelo comentário, mas Paulo Portas é a prostituta deste Governo. Vende-se por tão pouco, não tem carácter, um vendido político que se entrega a quem der mais. E é isto que governa o nosso País?
  • Anónimo 10:59
    Como diria o poeta, no país Palhaçal o portas é general!
  • Anónimo 11:03
    Não é mais nem menos que o resultado da liberdade. A máfia entrou na política, agora o povo que pague a factura. Cambada de gatunos!
  • Anónimo 11:05
    Está desculpado.
  • Anónimo 11:12
    Claro que está desculpado! Eu também concordo que o portas é prostituta!
  • Nuno Miguel Flórido 11:33
    Mais que desculpado

Anónimo 10:34
Batemos no fundo. É o fim da honra, dos valores e da seriedade na classe política portuguesa. O Dr. Paulo Portas colocou em causa o país no seu momento mais frágil em benefício próprio. Os juros da dívida disparam, as acções dos bancos caíram, a imagem exterior de instabilidade acentuou-se e assim se brinca com as vidas de 10 milhões de pessoas para se conseguir dinheiro e poder em nome pessoal. Resta-me esperar que os eleitores se lembrem deste jogada da próxima vez que voltarem às urnas.

Anónimo 10:58
Estamos a ser governados por meninos birrentos, o país assim não vai a lado nenhum, nem com a oposição. Só é possível haver algum rumo com a entrega do governo a pessoas capazes, sem serem políticos, mas sim gente que já tenha dado provas no seu trabalho de serem bons profissionais.

Anónimo 11:02
O Paulinho das Feiras mostrou, mais uma vez, que sacrifica tudo à sua ambição e que é um sujeito sem princípios. Todo o teatro foi para conseguir finalmente pôr as patas no pote do mel, ou seja do QREN. O tráfico de influências, esquemas escuros de financiamento aos partidos... Já todos estamos a ver o filme.

Coruja56
Operário de Construção Civil (não está no activo), Viseu 11:11
Considero que o Paulo Portas é uma criança. Por acaso já não é primeira vez que ele produz atitudes a esse nível. No entanto, algumas pessoas acreditam nele e ele tem resistido. A sua manutenção no alto cargo do CDS deve-se a influências que ele continua a ter e a um vazio de líderes nesta estrutura partidária. Neste momento, o CDS tem líderes e as pessoas presas ao Paulo Portas têm que o abandonar porque, assim, contribuem para uma desvantagem forte nas urnas nas próximas eleições. O CDS tem que fazer como eu disse num comentário que já publiquei: deitar o Paulo Portas no lixo, não serve para nada.

antonio azevedo 11:51
Este país vai de mal a pior. Temos um presidente de um dos partidos da coligação que se demite e dizendo que a sua demissão é irrevogável. Agora, e não tenho dúvidas nenhumas, pressionado pelo grandes grupos financeiros e imobiliários e outros poderes instituídos, volta atrás e a demissão já não é demissão. O que vai fazer acerca da descida do IRC, do IVA para a restauração, da mexida necessária no IRS, que investimentos vai fazer, etc. Provavelmente nada.
PERGUNTO: acham que o povo português acredita em qualquer destas caricaturas de governantes? Penso que não. Tive um avô, que me dizia que a palavra de um homem vale mais que qualquer documento escrito. Aí está, o documento nada vale. Mas também dizia que quem não tem palavra não é homem nem nada. Está provado.

Nuno Miguel Flórido 12:03
Estes dois indivíduos não têm condições para governar nem para serem lídere dos seus próprios partidos. Um já provou que não consegue comandar o governo e o outro é, enfim, mimado, egoísta, oportunista, sem palavra, com um ego maior que Portugal inteiro. Basta um ministro competente, com provas dadas, demitir-se agora, como o Paulo Macedo ou o Crato, que o governo rui como um castelo de cartas por dentro. Se se confirmarem as notícias, ainda vamos sentir falta de ti, Álvaro! Pelo menos és (eras?) um ministro bem intencionado!

Hurgan 13:30
Ai, Povo, Povo! De que tens medo? De que os mercados caiam, de que a dívida cresça? Mas então não é isso mesmo que está a acontecer? Nós, pobre povo, o que temos a perder com isso? Nada! Nós não temos nada! Não temos trabalho, não temos € no banco, não temos acções na bolsa, temos quase nada para comer, enfim, nós não temos mesmo nada a perder! ACORDA POVO! Recupera tudo aquilo que te retiraram antes que seja tarde demais! VAMOS TODOS PARA A RUA!

Anónimo 14:50
O Portas tem a coluna vertebral de uma minhoca, a consciência de uma alface e a boa-fé de uma víbora.

Anónimo 16:03
Portas é o cúmulo da pouca vergonha em Portugal. Pena que ele e os seus apaniguados não tenham de pagar os custos que causaram e continuarão a causar a todos os portugueses, que terão de pagar com língua de palmo, durante anos e anos, através de mais desemprego, menos salários e mais dívida. Um partido que obteve mais de 10% dos eleitorado (!) acha normal que o traidor seja premiado.
Como é que um País passou a estar nas mãos de um completo anormal que só pensa em si e não é sequer capaz de perceber o mínimo dos mínimos. Se tivesse oportunidade, faria mais mal ao país do que Sócrates. E, provavelmente, num só dia, fez pior do que Sócrates. Como é que tantas pessoas — os militantes e dirigentes do CDS-PP — aceitam tudo isso como se fosse banal e não criminoso. Por um tacho, a banalidade do mal.


terça-feira, 2 de julho de 2013

Comunicação de Passos Coelho sobre o pedido de demissão de Portas


O que é que se espera do comandante de um navio em plena tempestade? Que não abandone o leme.
Passos Coelho comunica que não se demite e que prossegue os contactos internos e internacionais para manter o País à tona da água:



02 Jul, 2013, 20:39


"O país foi surpreendido pelo pedido de demissão do doutor Paulo Portas, ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros e presidente do CDS-PP. Eu próprio tenho de manifestar a minha surpresa.

Quando ontem propus ao senhor Presidente da República a doutora Maria Luís Albuquerque para ministra das Finanças, e os seus secretários de Estado, que incluem um membro do CDS [Paulo Núncio], e que tinha sido confirmado pelo senhor doutor Paulo Portas, os acontecimentos de hoje eram verdadeiramente impensáveis.

É agora claro para todos os portugueses que a ameaça de instabilidade política nas actuais circunstâncias comporta riscos para o país que ninguém pode desejar e que teria consequências muito graves. Seriam dois anos de um grande esforço de todos, de sacrifícios que todas as famílias conhecem que seriam deitados por terra. Seria recusar incompreensivelmente os primeiros sinais de viragem que estão finalmente a chegar de forma ainda tímida mas consistente, em particular no segundo trimestre deste ano.

Por tudo isto, e pelo facto de o senhor ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros ser presidente de um dos partidos que apoia o Governo, seria precipitado aceitar esse pedido de demissão. Não pedi, portanto, ao senhor Presidente da República a exoneração do senhor ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros.

Numa democracia madura, um Governo de coligação que goza do apoio de uma forte maioria dos representantes do povo não pode ser posto em causa a não ser por divergências de enorme gravidade.

Desde o início que sempre tentei transmitir a todos os portugueses, e a todos os agentes políticos, a necessidade imperiosa de colocarmos a prudência, a cabeça fria e o sentido de Estado acima de tudo o resto.

Quando começámos este caminho a situação era muito difícil e as dificuldades ainda não terminaram. Talvez agora todos estejam mais conscientes das exigências que circunstâncias tão delicadas como as nossas impunham. Mas são precisamente esses momentos definidores que mais apelam à serenidade.

Da minha parte poderão contar sempre com essa serenidade. Lucidez nos momentos de crise não é insensibilidade, mas um dever político comum a todos. Comigo o País não escolherá um colapso político, económico e social. Há muito trabalho pela frente e temos de colher os frutos do que semeámos com tanto esforço. O País está primeiro. Esta é uma questão de consciência e de convicção. Os tempos não exigem menos do que isto. E aqui o Primeiro-Ministro representa a esperança de todos os Portugueses de fechar o Programa de Ajustamento e construirmos uma sociedade mais próspera e mais justa.

Quero também dizer que precisamos de clareza. Isso significa que assumo como minha a missão de esclarecer todas as condições de apoio político junto dos partidos que suportam o Governo. Não depende apenas da minha vontade resolver definitivamente este problema, mas ambos os partidos têm a obrigação de não desiludir o país. Em conjunto, teremos de esclarecer o sentido do pedido de demissão do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros no contexto mais amplo possível: no contexto do nosso projecto comum e no contexto dos perigos que conseguimos evitar.

Essa clareza é também fundamental para manter a credibilidade e confiança internacionais que já conquistámos. Por essa razão irei manter a minha participação amanhã num encontro em Berlim que conta com os chefes de Estado e de Governo da União Europeia e onde continuarei a lutar pelos interesses de Portugal.

Nas próximas horas procurarei junto do CDS clarificar e garantir todas as condições de estabilidade para o Governo, e para o País, para prosseguirmos a estratégia de superação de crise nacional, agarrarmos um novo ciclo de prosperidade que os portugueses merecem e darmos sentido ao grande esforço e sacrifício de todos. É minha convicção que sejam quais forem as divergências que estão na base da actual crise, saberemos ultrapassá-las em nome do interesse de Portugal. Estamos cientes de que um Governo de coligação é um compromisso permanente.

É dessa clareza que falo e é essa clareza que espero.

Assumo essa missão com a mesma determinação que desde a primeira hora confrontei todas as adversidades.

Nesse sentido também eu serei claro. Não me demito. Não abandono o meu país. Abraço, como sempre abracei, o serviço ao meu País com a mesma dedicação e com a mesma esperança. Vivemos num tempo em que não nos podemos assustar diante das adversidades. Como poderia eu assustar-me quando à minha volta vejo exemplos de coragem de tantas centenas de milhares de portugueses.

Quando atravessamos os problemas colectivos que ainda temos para resolver, o primeiro-ministro tem que ser o baluarte da confiança e da tranquilidade. Tem que ser o referencial da persistência e do empenho democrático no único rumo que nos pode fazer sair de uma crise que se arrasta há mais de dez anos.

O primeiro-ministro tem de assegurar a responsabilidade e a energia necessárias para lutar contra todas as adversidades. Tem de representar a vontade colectiva que não se verga, nem desiste.

,Para tudo isto os portugueses podem contar comigo. Nem poderia ser de outro modo, quando os portugueses deram, e continuam a dar, provas de responsabilidade, energia e vontade de lutar.

Nós políticos e governantes temos de responder à altura. Porque, afinal de contas, o que está em causa não são as incertezas ou anseios dos políticos, quer estejam no governo, quer estejam na oposição, mas o interesse e o bem da nossa comunidade política. Todos desejamos um rápido regresso à estabilidade e à confiança.

Farei tudo, absolutamente tudo, para que assim seja.

Muito obrigado."


Ambição desmedida - I


"Todos sabemos que Portugal ainda está sob protectorado, ou seja, a nossa dívida e o nosso défice entregaram uma parcela da nossa soberania. Disse-o na a campanha eleitoral e não abandonei em nenhum momento esse critério. O meu principal objectivo é contribuir para que essa circunstância vexatória — o protectorado — seja apenas uma circunstância transitória.
Estou convencido que é do interesse de Portugal ter um só resgate, um só calendário para a saída da troika e um só pacote de ajuda financeira. Não vejo vantagem em voltarmos a estender a mão como pedintes, nem tão pouco em prolongar a permanência desses senhores entre nós.
"
Paulo Portas, declaração de 5 de Maio de 2013



Maria Luís Albuquerque não tem experiência profissional interna e muito menos traquejo a nível europeu para ser ministra das Finanças de um País que, por ter duplicado a dívida pública em meia dúzia de anos, se viu obrigado a pedir assistência financeira externa. Não serve, ponto final.

Esclarecido isto, passemos ao pedido de demissão do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros.

Paulo Portas sabe muitíssimo bem que uma crise política quando o País estava a menos de um ano de regressar aos mercados e de recuperar a sua soberania é deitar para o caixote do lixo todos os sacrifícios que os portugueses têm feito ao longo dos dois últimos anos.

Paulo Portas sabe muitíssimo bem que está a condenar o País a ter de pedir empréstimos com taxas de juros mais elevadas o que nos vai conduzir a um segundo resgate com as penosas medidas de austeridade que sempre estão associadas.

Mas ter sido convidado para a 61ª conferência Bilderberg, que decorreu entre 6 e 9 de Junho passado no Hertfordshire, Inglaterra, em conjunto com António José Seguro — o que perspectiva o apoio político e financeiro internacional a um governo de coligação entre o PS e o CDS —, toldou-lhe a visão.

Desde há alguns meses que Portas tem assumido um comportamento peculiar — um pé no governo, o outro pé fora — alimentando as ilusões de quem sonha com um fim rápido da austeridade, o que lhe tem granjeado simpatia popular e permitido ao CDS manter uma posição confortável nas sondagens. Ao contrário do partido de Passos Coelho sobre o qual tem caído o ónus do ferrão da austeridade.

Agora, num golpe de teatro decidiu encabeçar o natural descontentamento popular com a austeridade, numa tentativa aventureira de conquistar o voto do centro-direita. Há que conduzir o CDS ao segundo lugar e tornar-se o chefe da direita portuguesa. Que a situação económico-financeira do País se deteriore ainda mais, no momento em que vai decorrer a oitava avaliação do cumprimento do plano de assistência externa, é algo que não o preocupa. A sua carreira política está primeiro.


quinta-feira, 27 de junho de 2013

Quadros de uma greve geral


Como habitualmente, sentiram-se os efeitos da greve sobretudo nos transportes públicos e nos serviços da administração pública.


27 Jun, 2013, 13:38


27 Jun, 2013, 13:39


No sector privado a adesão foi reduzida. Em Viana do Castelo, parou a linha de montagem da fábrica de armas da belga Browning que emprega 400 trabalhadores. Mas nas quatro fábricas da multinacional alemã Enercon, que produz aerogeradores e torres eólicas, nenhum dos 1400 trabalhadores aderiu à greve.

27 Jun, 2013, 13:42


Em Lisboa, o metro esteve fechado e os comboios parados, mas 50% dos autocarros da Carris circularam pela cidade. Um automobilista que passava criticou o churrasco dos grevistas da Carris e estes correram atrás do carro para sová-lo.
Melhor correu a paralisação na Volkswagen Autoeuropa. A administração da empresa antecipou-se à greve e criou um dia de não produção.

27/06/2013 - 14:35


Quando um piquete de greve tentou impedir, cerca das 6h30, a saída dos autocarros da estação da Carris na Musgueira, o Corpo de Intervenção da PSP retirou-os a pulso da estrada. Elementos do grupo queixaram-se de violência.

27/06/2013 - 12:16

Impedir de trabalhar os motoristas da Carris que não quiseram aderir à greve, não é também violência? É, e uma forma bem mais dolorosa. Vive-se de dia, não deixa marcas visíveis, mas fica oculta no profundo da mente e revive-se, à noite, em pesadelos.

27.06.2013 13:43


As manifestações das centrais sindicais dividiram-se no Rossio: a da UGT seguiu para o Terreiro do Paço, a da CGTP prosseguiu até à Assembleia da República e daí um grupo de 200 anarquistas avançou pelas Amoreiras para ir bloquear a Ponte 25 de Abril. Como bloquear auto-estradas é crime, foram cercados pelo Corpo de Intervenção da PSP, identificados, viram as mochilas ser revistadas e receberam notificações para comparecerem em tribunal.




No entanto, a maior manifestação ocorreu nas praias da linha de Cascais:

27.06.2013 23:46


Os trabalhadores por conta própria foram trabalhar:

27.06.2013 14:01


terça-feira, 25 de junho de 2013

Entendimento entre sindicatos de professores e MEC põe fim à greve


25.06.2013 14:52


As negociações entre os sindicatos dos professores e o Ministério da Educação e Ciência (MEC) terminaram sem acordo, mas com a assinatura de uma acta de entendimento da qual resultou o fim da greve dos docentes às avaliações.

Nuno Crato, ministro da Educação, explicou em conferência de imprensa que mantém-se o aumento do horário de trabalho para as 40 horas e a mobilidade especial:


No caso da mobilidade interna, confirmam-se as declarações de ontem do secretário de Estado da Administração Escolar João Casanova de Almeida, passando os professores a poder ser colocados em escolas até 60 quilómetros, contados a partir da escola actual, em vez dos 200 quilómetros propostos pelo MEC.

Para reduzir ao mínimo os horários sem turmas — os chamados horários “zero” que, por não terem turmas, colocavam os docentes em mobilidade especial —, o Governo propôs outras medidas:
  • Actividades que serviam para completar horários, como a coadjuvação ao 1º ciclo, apoios e substituições, passam a ser incluídas nos horários zero.
  • Estes docentes poderão desempenhar funções fora das escolas, por exemplo, 280 professores vão trabalhar em comissões de protecção de crianças e jovens do Ministério da Solidariedade.
  • Os 100 minutos da direcção de turma permanecem na componente lectiva.
  • Os 6000 professores que pediram reforma em 2012 não vão ter componente lectiva atribuída no próximo ano lectivo, mesmo que ainda não tenham recebido resposta da CGA.

Mantém-se também a proposta do MEC, anterior à greve de 17 de Março, de que a aplicação da mobilidade especial será adiada para Fevereiro de 2015.

Aqui fica a entrevista do ministro da Educação na Edição da Noite da SIC:


25.06.2013 22:56



quinta-feira, 20 de junho de 2013

Entrevista a Nuno Crato no programa "De Caras" da RTP



19 Jun 2013


Sobre o programa de Matemática do ensino básico:

"O novo programa de Matemática, no que respeita aos conteúdos, é muito semelhante ao anterior, eu diria 99% semelhante ao anterior. O que acontece é que o programa anterior não confiava nos professores e estava recheado de recomendações pedagógicas, em meu entender caducas: tudo deve ser ensinado em contexto, tudo deve ser feito a partir de problemas, tudo deve ser feito a partir de situações de aprendizagem, desprezava a abstracção, desprezava o ensino sistemático. Do aspecto dos conteúdos era aceitável mas tinha um conjunto de recomendações pedagógicas muito dirigistas sobre os professores e, em meu entender, da equipa que fez o novo programa, em desacordo com a investigação psico-pedagógica mais recente.
O novo programa dá uma grande liberdade aos professores. Tem praticamente os mesmos conteúdos mas liberta o professor de todas as recomendações pedagógicas sobre a maneira como deve ensinar. O programa foi reajustado em aspectos mínimos e libertado da canga pedagógica e ideológica que tinha.
"

Sobre o centralismo do Ministério da Educação:

"Tenho-me verdadeiramente esforçado para reduzir o centralismo e a dimensão do Ministério da Educação, mas há muito mais a fazer. Por exemplo, a duração de cada tempo lectivo estava fixada, démos liberdade às escolas para fixar essa duração."

"Os pais já têm liberdade para escolher a escola para os seus filhos. Mas se a escola já estiver cheia, há uma prioridade para os que aí residem ou trabalham."


terça-feira, 18 de junho de 2013

Não pagar as PPP!





O relatório da comissão de inquérito às parcerias público-privadas (PPP), entregue ontem no Parlamento, afirma que “a utilização massiva de PPP em Portugal como forma de financiamento do Estado desvirtuou o seu objectivo fundamental: reduzir custos para o Estado e melhor satisfazer as necessidades públicas”.

Diz o relatório que os estudos encomendados pelo Estado, para suportar a celebração destes contratos, basearam-se “em cenários inflacionados e pouco realistas” e “o recurso excessivo às PPP teve por base a necessidade de os agentes políticos realizarem obra sem formalmente se endividarem” porque este tipo de encargos não tinha impacto na dívida pública nessa época.

Os contratos mais prejudiciais foram feitos no sector rodoviário, sendo a Lusoponte “um dos piores exemplos de concessões com portagem real que acarretam encargos para o Estado”. Neste caso, os acordos de reequilíbrio financeiro desta concessão já custaram aos contribuintes portugueses quase 847 milhões de euros.

A antigas auto-estradas sem custos para o utilizador (SCUT) renegociadas em 2010, durante o Governo de José Sócrates, também recebem fortes críticas: “A comissão considera inaceitável que o Governo à época tenha assumido e aceite crescimentos elevados de tráfego que não eram de todo previsíveis” e que, não se tendo concretizado, obrigaram à compensação financeira dos concessionários.
O relatório alude especificamente aos ex-secretários de Estado dos Transportes, Paulo Campos, e das Finanças, Carlos Costa Pina e “repudia politicamente” este último pela “desresponsabilização que evidenciou” na renegociação destas PPP.

A anterior gestão da Estradas de Portugal, liderada por Almerindo Marques, é acusada de conivência com a opção política de massificação das PPP. Por isso, os administradores devem também ser “chamados a assumir as responsabilidades”, especialmente no que toca à contratação de subconcessões rodoviárias, como a obra do Túnel do Marão, parada desde 2011, onde foram assumidos encargos que puseram em causa a sustentabilidade da EP, apesar dos alertas do Tribunal de Contas e da Inspecção-Geral de Finanças. O relatório refere uma “carta de conforto” enviada à empresa por Mário Lino e Teixeira dos Santos, dois ex-ministros de Sócrates, assegurando o cumprimento, por parte do Estado, dos compromissos financeiros.

Também o órgão que supervisiona o sector dos transportes é severamente criticado: o IMTT “acusou incapacidade em exercer na plenitude a sua função de regulador”, nomeadamente no que se refere às PPP do sector ferroviário.
Diz o relator que a PPP Poceirão/Caia “é um exemplo concreto de que o recurso às PPP serviu essencialmente como forma de financiamento do Estado para realizar obra e não para garantir os seus objectivos fundamentais: menos custos para o Estado e maior eficiência na necessidade pública”.

Mesmo com a última renegociação — feita pelo actual Governo com uma poupança de 300 milhões de euros ao longo da vida dos contratos —, as PPP vão sobrecarregar os contribuintes em mais de 12 mil milhões de euros, pelo que a comissão “entende, por força dos pedidos feitos por autoridades judiciais, enviar o relatório ao Ministério Público”.


18.06.2013 20:51


José Gomes Ferreira recorda que as PPP começam a ser pagas a partir de 2014 e vão ser um rombo financeiro. Terminando a legislatura em fins de 2013, é óbvio que Sócrates não acreditava na sua reeleição nessa data e tencionava deixar o ónus da dívida sobre o governo que lhe sucedesse.
"É lamentável que não haja um poder político com determinação para dizer assim: estes contratos têm de ser expropriados, passam para o Estado, inserem-se na dívida pública e não pagamos juros de contratos leoninos a ninguém mais".
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