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sábado, 5 de outubro de 2019

Sabe como se converte os votos em deputados?


A campanha eleitoral terminou. Resta a ameaça dos socialistas de processarem Joaquim Gustavo Elias por difamação, porém, vai ser esquecida na noite de domingo.
Em primeiro lugar porque é verdade que António Costa meteu férias no rescaldo dos incêndios de Pedrógão Grande e do roubo do armamento de Tancos.
Por outro lado, a última coisa que o primeiro-ministro quer, durante o governo da geringonça 2.0, é ter de ouvir a comunicação social recordar os 115 mortos dos trágicos incêndios de 2017 sempre que noticiasse mais uma audiência do processo.

Portanto aproveitemos este sábado de reflexão antes do dia das eleições legislativas 2019 para percebermos como é feito o apuramento dos resultados eleitorais, quer nas eleições presidenciais, quer nas eleições legislativas.

Depois de uma campanha eleitoral tão tensa, será um prazer visionar este vídeo bem humorado, mas rigoroso, da responsabilidade do parlamento português:





Como vê, caro leitor, a Matemática é fundamental até para converter votos em deputados e não tem que ser um assunto enfadonho.


sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Teste a sua literacia financeira


A literacia financeira é cada vez mais importante, por isso, a Gallup realizou um inquérito para a Standard&Poor’s Ratings Services, no âmbito do Global Financial Literacy Survey. São apenas cinco questões sobre inflação, poupança e investimento.

Os resultados obtidos no nosso país foram preocupantes. Em 142 países, Portugal ocupa a 111ª posição, depois de países como o Iraque, o Chade ou a Nigéria.

Os portugueses ficaram entre os últimos nos conhecimentos financeiros, com as mulheres a revelarem as maiores dificuldades na compreensão do funcionamento das poupanças e investimentos.

Para saber se tem os conhecimentos financeiros que precisa, faça este teste (em inglês). O Negócios fez uma infografia em português:



"Só 26% dos portugueses que responderam a estas questões no inquérito da S&P conseguiu acertar em todas as respostas. No Iémen só 13% o fizeram, já na Noruega, Dinamarca e Suécia, 71% conseguiram responder acertadamente. A nível mundial, um terço deu as cinco respostas certas."


Os mapas seguintes fazem parte do Relatório Literacia Financeira no Mundo (PDF) (em inglês), onde também se pode consultar a posição dos 142 países.





Dentro da União Europeia, vemos que Portugal está na mesma banda da Bulgária e de Chipre, estando os três países apenas acima da Roménia.


*


Acontece que Portugal tem um rendimento per capita superior ao dos países europeus do leste, ao passo que este inquérito revela uma literacia financeira bastante inferior à desses países. Como a cultura das populações influencia o desenvolvimento económico dos países, o prognóstico para o nível de vida das próximas gerações de portugueses só pode ser mau.

Outros comentários à notícia no Negócios:

Anónimo
19 Novembro 2015 - 23:57
Esta é explicação do sucesso da demagogia da esquerda em Portugal.

Anónimo
20 Novembro 2015 - 06:06
Nem entendem que só há austeridade quando há BANCARROTA.

Prof. Pardal
20 Novembro 2015 - 08:51
É verdade. Portugal faz muito pouco por dar formação nesta área aos seus cidadãos.
Deveria começar bem cedo na escola mas a realidade é que podem concluir uma vida inteira de estudos até ao doutoramento sem nunca se falar de finanças.

Anónimo
20 Novembro 2015 - 13:15
Ora aqui está a explicação para haver tanta gente a votar na Esquerda e não sairmos da cepa torta...

Henrique Costa
20 Novembro 2015 - 14:36
Grande novidade, se assim não fosse a esquerda não tinha tantos votos... e a direita tão poucos...


quarta-feira, 10 de junho de 2015

Variações sobre o encontro internacional de Matemática no Porto


Vai decorrer na cidade do Porto um encontro internacional de Matemática que reune cerca de mil professores e investigadores.

O encontro internacional de Matemática do Porto tem início às 17 horas desta quarta-feira, prolongando-se até sábado, e o programa inclui três oradores portugueses: Rui Loja Fernandes, que já ensinou no IST e actualmente trabalha na Universidade de Illinois, Irene Fonseca, professora da Universidade de Carnegie Mellon, e André Neves, do Imperial College, Londres, que em 2011 foi o primeiro matemático português a receber do Conselho Europeu de Investigação uma bolsa de mais de um milhão de euros.



O gabinete de imprensa da Universidade do Porto (UP) destaca que este encontro foi organizado pela Sociedade Americana de Matemática (AMS), pela Sociedade Europeia de Matemática (EMS) e pela Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM), sendo a primeira reunião conjunta destas sociedades de Matemática. Haverá sessões na Faculdade de Ciências da UP, no Seminário do Vilar e na Casa da Música.

Para o ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, que é também matemático e será um dos oradores da cerimónia de abertura, o encontro, “tendo mais de mil participantes, testemunha a vitalidade e a internacionalização da investigação matemática no nosso país e mostra a capacidade da Sociedade Portuguesa de Matemática e dos centros de matemática portugueses para reunir matemáticos europeus e norte-americanos na troca e debate de resultados de investigação”.



O que é que as obras do escritor Jorge Luis Borges, do pintor Salvador Dalí ou do compositor Olivier Messiaen têm a ver com Matemática?

A resposta será dada, a partir das 21 horas na Casa da Música, pelo professor da Universidade de Oxford, Marcus du Sautoy, na conferência Os Matemáticos Secretos integrada no encontro e destinada ao grande público.

Sautoy pensa que “de forma subconsciente, os artistas esboçam as mesmas estruturas que fascinam os matemáticos”. Por exemplo, a forma do Universo é similar à da biblioteca assim descrita por Borges: “A Biblioteca é ilimitada e periódica. Se um eterno viajante a atravessasse em qualquer direcção, comprovaria ao fim dos séculos que os mesmos volumes se repetem na mesma desordem (que, reiterada, seria uma ordem: a Ordem)”.


Salvador Dalí, La Cara de la Guerra (A Face da Guerra), 1940. Óleo sobre tela, 100 cm × 79 cm. Museum Boijmans Van Beuningen, Roterdão, Países Baixos. É um fractal.


Salvador Dalí, El sagrament de l'Últim Sopar (O Sacramento da Última Ceia), 1955. Óleo sobre tela, 268 cm × 167 cm. National Gallery of Art, Washington, Estados Unidos da América. A ceia decorre no interior de um dodecaedro.



O dodecaedro é um dos 5 sólidos platónicos


Para Sautoy, que considera a Matemática como a ligação entre a ciência e a arte, Borges, com a sua Biblioteca de Babel, Dalí, com as obras O Sacramento da Última Ceia ou A Face da Guerra, e Messiaen com o seu Quarteto para o Fim do Tempo, composto no campo de concentração de Gorlitz, são matemáticos secretos.




Logo após a conferência de Sautoy, realizar-se-á um concerto pela Orquestra Clássica da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.


*

Descendo do público adulto para o infantil, este excerto do filme Frozen dos estúdios de animação da Disney induz as simetrias radiais ou os fenómenos periódicos na mente dos mais pequenos:





sexta-feira, 15 de agosto de 2014

100º aniversário do canal do Panamá


A primeira tentativa de construir um canal para ligar o oceano Atlântico ao oceano Pacífico começou em 1881 quando uma empresa francesa liderada por Ferdinand de Lesseps, construtor do canal do Suez, iniciou as escavações no istmo do Panamá.

Confrontado com os difíceis problemas de engenharia colocados pela geologia e hidrologia da região, com a malária, a febre amarela e outras doenças relacionadas com o clima tropical e a selva do Panamá e altamente pressionado pelos pequenos aforradores que haviam enterrado as poupanças no financiamento da obra, Lesseps foi obrigado a desistir da construção de um canal ao nível do mar, tendo contratado, em 1887, o engenheiro Gustave Eiffel para planear um canal de eclusas.
Demasiado tarde, as obras tiveram de parar em 1889 quando a empresa faliu. Com o aprofundar do escândalo, Ferdinand de Lesseps passou de herói do Suez a arguido num processo de corrupção que envolveu bancos, deputados, ministros e até a comunicação social.

Em 1894, foi criada uma nova empresa francesa para gerir os activos e terminar a construção do canal. Não logrando obter financiamento, nem dos investidores privados, nem do Estado, as escavações voltaram a parar em 1898 e a empresa procurou vender os activos por 109 milhões de dólares aos Estados Unidos. Depois da comissão americana que visitou as obras ter proposto, em 1901, a construção de um canal inter-oceânico na Nicarágua, os Estados Unidos conseguiram concertar a compra dos direitos e das instalações aos franceses por 40 milhões de dólares.

Faltava resolver o problema da concessão com a Colômbia, país ao qual pertencia a província do Panamá e cujo senado recusou um tratado com os Estados Unidos. O apoio americano a separatistas panamianos deu origem à nova República do Panamá, em Novembro de 1903, com a qual estabeleceram um tratado, em Fevereiro de 1904, que lhes conferia direitos absolutos e eternos sobre a zona do canal. Dois meses mais tarde completaram a compra das acções e dos activos da nova empresa francesa que deu uma indemnização de 10% da receita aos obrigacionistas da antiga empresa de Lesseps, ficando os accionistas a ver navios.

Os franceses haviam escavado 23 milhões de metros cúbicos de terra, gasto 287 milhões de dólares e sacrificado a vida de 20 mil trabalhadores.

Retomadas as obras em 1904, os americanos tiveram de retirar mais 183 milhões de metros cúbicos, sobretudo, no corte Culebra cuja escavação foi uma epopeia. Mesmo recorrendo a comportas e barragens para resolver os problemas de engenharia, beneficiando de uma organização do trabalho adequada e dispondo de equipamento tecnologicamente mais avançado, os custos ascenderam a 386 milhões de dólares e, por doenças e acidentes, morreram mais de 5 mil trabalhadores. Muito menos, porém, que no tempo dos franceses porque já havia sido estabelecida a relação da malária e da febre amarela com os mosquitos que propagam estas doenças e foi criada uma rede sanitária à volta das instalações.

Em cada extremidade do canal foi construído um sistema de comportas para elevar os navios até ao lago Gatún, um lago artificial criado 26 metros acima do nível do mar para reduzir o trabalho de escavação do canal. Cada comporta tem 33,5 metros de largura. Finalmente o canal foi inaugurado em 15 de Agosto de 1914.

Inauguração do canal do Panamá no dia 15 de Agosto de 1914: o SS_Ancon percorre o canal.


Em 1977, foi assinado um novo tratado com o Panamá que aboliu gradualmente os direitos absolutos adquiridos pelos Estados Unidos da América em 1903, com o canal a passar para o controle total do Panamá em 1 de Janeiro de 2000.
O canal continua a ser crucial para os Estados Unidos da América, não só em termos do comércio entre a costa leste e oeste, mas também numa perspectiva de estratégia militar. É considerado pela Sociedade Americana dos Engenheiros Civis como uma das sete maravilhas do mundo moderno.

Esta infografia do Público mostra o trajecto dos navios ao longo do canal, os três conjuntos de comportas actuais e a nova faixa de comportas que está em construção e deve ser inaugurada em 2015:




terça-feira, 12 de agosto de 2014

In Memoriam Robin Williams















Robin Williams

(21 de Julho de 1951 - 11 de Agosto de 2014)


Peter Weir, Dead Poets Society (Clube dos Poetas Mortos), 1989 — cena "Carpe diem" onde é citado o poema "To the Virgins, to Make Much of Time" de Robert Herrick (1591–1674).


Peter Weir, Dead Poets Society (Clube dos Poetas Mortos), 1989 — cena "What will your verse be?" onde é citado o poema "O Me! O Life!" de Walt Whitman (1819–1892).


Peter Weir, Dead Poets Society (Clube dos Poetas Mortos), 1989 — cena "Dead Poets Society"


Peter Weir, Dead Poets Society (Clube dos Poetas Mortos), 1989 — cena "O Captain! My Captain!"


terça-feira, 1 de julho de 2014

O aumento de capital do BCP


Está a decorrer um aumento de capital no Millennium bcp acompanhado por uma enorme especulação fomentada tanto pela banca como pelos pequenos accionistas que jogam nas bolsas. Os aventureiros experientes estão a ganhar muito dinheiro, enquanto os inexperientes arriscam-se a perder quantias avultadas.
Como docente de Matemática sempre trabalhei em sala de aula de acordo com um código de ética e vou justificar as afirmações do parágrafo anterior usando conteúdos do 7º ano de escolaridade.

A regra do aumento de capital é a seguinte:

Cada conjunto de 4 acções dava direitos de subscrição de 7 novas acções ao preço de 0,065 euros cada uma, ficando o accionista com 11 acções depois do aumento de capital.

Para simplificar o cálculo, pensamos que

1 acção dava um direito para comprar 1,75 novas acções ao preço de 0,065 euros, ficando o accionista com 2,75 acções.

Na sessão de bolsa de hoje, 1 de Julho, as acções já iam negociar sem direitos e, portanto, era esperada uma cotação X bastante inferior aos 0,1909 euros do fecho anterior. Na verdade

0,1909*1 + 0,065*1,75 =

0,1909 + 0,11375 =

0,30465 =

X =

X*2,75

X*2,75

X*2,75

0,1108 euros

valendo o direito destacado da acção 0,1909 — 0,1108 = 0,0801 euros se os accionistas preferirem vender os direitos em bolsa, em vez de usá-los para subscrever novas acções.
A cotação de abertura hoje foi 0,1151 euros. Até aqui tudo bem.




Ao longo da sessão a cotação foi subindo e muita gente aventurou-se no intraday animando essa subida. Repentinamente, nos minutos finais, foi transaccionado 1 milhar de milhão de acções¹, mais que todas as acções transaccionadas durante a sessão, ao preço de 0,1406 euros, levando a cotação a subir a pique. Só fundos de investimento têm capacidade de investir um montante superior a 140 milhões de euros. Isto significa que a cotação Y de fecho de ontem — acção com direito — deveria ter sido

Y + 0,065*1,75 =

Y + 0,11375 =

Y =

0,1406*2,75

0,38665

0,2729 euros

Uma subida vertiginosa de 43% da mesma acção é, obviamente, pura especulação.
Poderá manter-se durante uns dias e alastrar para os direitos que serão negociados em bolsa entre 4 e 14 de Julho, ou poderá esfumar-se já no decorrer desta semana. Mas, inexoravelmente, a cotação das acções vai cair com fragor num futuro próximo. E a dos direitos vai acompanhar porque

Y + 0,065*1,75 =

Y — X =

direito =

X*2,75

X*1,75 — 0,065*1,75

(X — 0,065)*1,75



Referências
  1. Em comunicado divulgado no dia 7 de Julho pela CMVM, o BCP informa que, na sequência de transacções efectuadas nos dois primeiros dias deste mês, a BlackRock passou a deter 1.005.912.628 acções do banco.
    A BlackRock é a maior gestora de activos do mundo.


quarta-feira, 21 de maio de 2014

Campeão do mundo em cálculo mental tem negativa a Matemática

actualizado em 23 Mai, 2014, 10:24


Em 2013/14, o Campeonato Internacional de Cálculo Mental, SuperTmatik, que decorre online, envolveu 256 mil estudantes de 61 nacionalidades diferentes, tendo o estudante português conquistado o primeiro lugar na categoria seis, entre mais de 36 mil participantes, com um tempo de resolução de 42,5 segundos para as questões que lhe foram apresentadas.

O insólito é que este aluno teve nota negativa em Matemática no final do segundo período do presente ano lectivo.

José Martinho Gaspar, seu antigo professor, reconhece que "o João Bento tem, de facto, algumas dificuldades, que passam em primeiro lugar pelo Português, em especial pela interpretação, e creio que é esse o grande entrave a que ele seja um bom aluno a Matemática".

O seu actual professor, António Percheiro, sublinha que "no ano lectivo 2012/2013 o João ganhou o campeonato ao nível do Agrupamento de Escolas, como aluno de 5º ano, e concorreu a nível Internacional mas não obteve um resultado de destaque".
No entanto, "foi a sua perseverança e gosto pelo cálculo mental" que fez com que o João, este ano lectivo, tenha voltado a concorrer e conquistado o primeiro lugar a nível mundial. "Aliás, o João melhorou bastante desde a conquista deste troféu. Conseguiu agora um teste muito positivo, o que lhe abre muito boas perspectivas para uma nota positiva no final do ano".

João Bento, que tem 12 anos e diz gostar "mais ou menos" da disciplina Matemática, recorda que "desde pequenino que treinava e fazia muitas contas com os familiares, tipo contas de somar, dividir e multiplicar, tudo de cabeça". Agora o título de campeão do mundo "vai servir de motivação para subir a nota”, porque “não fica lá muito bem a um campeão do mundo em cálculo mental ter depois negativa a Matemática".

*

Mais um exemplo a mostrar que bases sólidas na língua portuguesa são necessárias para obter êxito nas outras disciplinas. Aluno que não domine a língua materna, não consegue interpretar o que lê e não tira proveito do estudo.

Este caso também põe em evidência algo que há muito se sabe, que é a influência determinante do estímulo da família no sucesso escolar. Os nossos alunos de etnia cigana, por exemplo, podem ter negativa a Matemática, e noutras disciplinas, mas ninguém os bate no domínio do cálculo mental porque, de tão imprescindível que é nas actividades comerciais dos respectivos agregados familiares, é muito valorizado e incentivado entre os mais novos.

A terceira conclusão que se pode retirar desta história é que concursos nas escolas, como este, com prolongamento a nível nacional e internacional, exames nacionais, rankings de escolas e rankings de universidades são um estímulo para as crianças, para os jovens e mesmo para os adultos. Há que reconhecer que o ser humano é um animal competitivo que se sente entusiasmado pelos elogios, pelas palmas e pelos prémios, sendo de acarinhar as contendas leais.
Muitas crianças e jovens têm potencial intelectivo que não conseguem desenvolver por causa de ideologias educativas que os amarram ao facilitismo e os condenam à mediocridade, não lhes permitindo desenvolver os seus dotes naturais e sobressair do rebanho. Que a história do João da Silva Bento, e da escola que lhe permitiu competir lealmente, sirva de reflexão.


quinta-feira, 3 de abril de 2014

Físico português distinguido com prémio internacional


Um físico português foi distinguido com o prémio Jovem Cientista em Relatividade Geral e Gravitação de 2014, atribuído pela Sociedade Internacional de Relatividade Geral e Gravitação.



Participantes na conferência New frontiers in dynamical gravity que decorreu no Centro de Ciências Matemáticas da Universidade de Cambridge, em 24-28 Março 2014.
Nesta fotografia Jorge Santos está ao centro, atrás de Stephen Hawking, e usa chachecol. Outros conferencistas portugueses: Oscar Dias (Universidade de Southampton e Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa) e Carlos Herdeiro (Universidade de Aveiro).


Jorge Eduardo Santos tem 32 anos, licenciou-se em Engenharia Física Tecnológica, em 2005, no Instituto Superior Técnico e, entre 2006 e 2010, fez o doutoramento em Física Teórica no Departamento de Matemática Aplicada e Física Teórica da Universidade de Cambridge, famoso devido ao físico britânico Stephen Hawking.
Desde Setembro de 2013 é professor na Universidade de Cambridge (Reino Unido) e investigador na Universidade de Stanford (Califórnia, Estados Unidos).

Este prémio reconhece “contribuições extraordinárias de cientistas em fase inicial das suas carreiras”, no domínio da teoria da relatividade geral de Einstein. A investigação de Jorge Santos sobre os buracos negros, apresentada na conferência New frontiers in dynamical gravity que decorreu na Universidade de Cambridge, entre 24 e 28 de Março de 2014, contribuiu para o prémio agora recebido.

*

Um buraco negro é uma região do espaço da qual nada, nem mesmo objectos que se movam com a velocidade da luz, podem escapar. São criados pela deformação do espaço-tempo causada por uma estrela supergigante que, terminada a sua vida, sofreu um colapso gravitacional, tornando-se extremamente densa. Os buracos negros podem ser detectados por meio da interacção gravítica com a matéria na sua vizinhança.




Depois de um buraco negro se formar, ele pode continuar a crescer, absorvendo massa da vizinhança. Se absorver outras estrelas e se fundir com outros buracos negros, pode transformar-se num buraco negro supermassivo com milhões de massas solares. Parece que existem buracos negros supermassivos no centro da maioria das galáxias.


Simulação de nuvem de gás depois de uma aproximação do buraco negro no centro da Via Láctea
Os restos da nuvem de gás são mostrados em vermelho e amarelo, com a órbita da nuvem a vermelho. As estrelas que orbitam o buraco negro também são apresentadas, juntamente com as linhas azuis das órbitas. Esta visão simula as posições esperadas para as estrelas e para a nuvem de gás no ano de 2021.
ESO/MPE/Marc Schartmann

Buraco negro preso em flagrante num homicídio estelar
Esta simulação de computador mostra uma estrela a ser retalhada pela gravidade de um buraco negro supermassivo. Parte dos destroços estelares cai no buraco negro e outra parte é ejectada para o espaço a altas velocidades. As áreas em branco são as regiões de maior densidade, as cores progressivamente avermelhadas correspondem a áreas de menor densidade. O ponto azul aponta a localização do buraco negro.
O tempo decorrido corresponde ao intervalo de tempo que leva uma estrela semelhante ao Sol a ser rasgada por um buraco negro um milhão de vezes mais massivo que o Sol.
NASA; S. Gezari, da Universidade Johns Hopkins; e J. Guillochon, da Universidade da Califórnia, em Santa Cruz


segunda-feira, 24 de março de 2014

Voo da Malaysian Airlines despenhou-se e não há sobreviventes


"A Malaysia Airlines lamenta profundamente ter de assumir, sem margem para dúvidas, que o voo MH370 está perdido e que ninguém a bordo sobreviveu. Tal como ouvirão na próxima hora do primeiro-ministro da Malásia, temos de aceitar que todas as provas sugerem que o avião caiu no sul do oceano Índico."

Foi esta a mensagem que a Malaysia Airlines enviou hoje às famílias dos 227 passageiros e 12 tripulantes do voo MH370 desaparecido no passado dia 8 de Março, quando seguia de Kuala Lumpur para Pequim. A companhia aérea teve a sensibilidade de fazer contactos pessoais ou por telefone, mas a alguns familiares foi enviado um SMS.
A notícia foi um golpe terrível para as famílias dos 153 passageiros chineses, ao destruir a esperança a que muitos se tinham agarrado de que o avião havia sido sequestrado e levado para algum local remoto onde os passageiros poderiam ainda estar vivos, dando lugar a actos de desespero.


March 24

Pouco depois, pelas 22:00 (14:00 em Lisboa), o primeiro-ministro da Malásia, Najib Razak, comunicava em conferência de imprensa:

"Esta noite, falei com representantes do Air Accidents Investigation Branch (AAIB) [Departamento de Investigação de Acidentes Aéreos] do Reino Unido. Informaram-me que a Inmarsat, a empresa britânica que fornece dados de satélite e que indicou a existência dos corredores norte e sul, tem estado a fazer novos cálculos a partir dos seus dados. Usando um tipo de análise nunca antes utilizado numa investigação deste género, eles conseguiram fazer luz sobre a rota do MH370.

Com base nesta nova análise, a Inmarsat e a AAIB concluíram que o MH370 voou ao longo do corredor sul, e que a sua última posição foi a meio do oceano Índico, a oeste de Perth [Austrália].

É um local remoto, longe de qualquer sítio onde seja possível aterrar. Por isso, é com profunda tristeza e pesar que, de acordo com estas novas informações, somos obrigados a concluir que o voo MH370 acabou no sul do oceano Índico.

Amanhã daremos uma conferência de imprensa com mais pormenores. Entretanto, iremos informando sobre novos desenvolvimentos, mal eles existam. Partilhamos esta informação num espírito de transparência e de respeito pelas famílias — dois princípios que sempre regeram a nossa investigação.

A Malaysia Airlines já falou com as famílias dos passageiros e da tripulação sobre este desenvolvimento. Para eles, as últimas semanas foram dilacerantes; sei que estas novas notícias ainda são mais duras. Peço aos media que respeitem a sua privacidade e que lhes dêem o espaço de que precisam neste momento difícil."


Chris McLaughlin, vice-presidente da Inmarsat confirmou que a empresa passou os últimos seis dias a rever os dados do voo 370, em estreita colaboração com a Boeing e outros peritos envolvidos na investigação e concluiu que o avião deve ter voado para o sul: "A nossa série de medidas dos sinais recaem sobre a pista sul já prevista, após a provável última curva". Acrescentou que esta análise admitiu a hipótese de que o avião manteve aproximadamente a mesma velocidade e a mesma direcção nas últimas horas de voo, tendo sido submetida à AAIB. "O que ainda não se pode dizer é o que aconteceu no final, quando o avião ficou sem combustível. Não temos nenhuma maneira de saber se se despenhou ou planou", concluiu.

Portanto começa a tomar forma a ideia de que o Boeing 777 voou cerca de sete horas com o piloto automático, emitindo sinais para um satélite de hora a hora, o último dos quais foi recebido às 8:11. E só se desestabilizou quando o combustível se esgotou.

Já o motivo porque o avião alterou radicalmente a trajectória de voo, depois do último contacto de voz do co-piloto com a torre de controlo pelas 1:19, permanece envolto em mistério. É que esta inversão da rota não é executada manualmente usando os controles do cockpit, é inserida num computador do cockpit antes ou depois da descolagem. A ocorrência de um incêndio a bordo pode ser uma explicação plausível.
O mistério ficará esclarecido com as gravações contidas nas caixas negras do avião e, por isso, todos os esforços se concentram na sua recuperação do fundo do oceano. O Comando do Pacífico dos Estados Unidos vai enviar um navio com um sonar capaz de detectar os pings de uma caixa negra a uma profundidade de 6 km.


*


Usando o efeito Doppler relativístico, a Inmarsat analisou pequenas variações na frequência dos sinais emitidos pelo avião e captados por um seu satélite geoestacionário sobre o oeano Índico. Esta análise permitiu inferir a trajectória do avião e calcular a localização final.
Eis uma brevíssima explicação do efeito Doppler:


Quando um seixo cai num lago, propagam-se ondas circulares à superfície da água. Nesta animação as circunferências rosa representam ondas sonoras emitidas pela sirene de um carro. Enquanto o carro está parado, as frentes das ondas são simétricas.

Quando o carro começa a mover-se, cada onda é emitida a partir de uma posição um pouco mais à esquerda do que a onda anterior. Para um observador à frente do carro, cada onda leva menos tempo a chegar até ele que a onda anterior. As ondas "acumulam-se", o tempo entre a chegada de frentes de ondas sucessivas diminui, logo a frequência aumenta (som agudo). Para um observador atrás do carro, as ondas "apartam-se", o tempo entre a chegada de sucessivas frentes de onda aumenta, logo a frequência baixa (som grave).
Em conclusão: para um observador a sirene soa mais aguda quando o carro se aproxima e mais grave quando o carro se afasta — é o efeito Doppler.






Avião em repouso. Emite pings com a frequência f.
O satélite vai receber a frequência f, esteja onde estiver.


Avião está a mover-se para a direita. Emite pings com a frequência f.
Como a fonte está em movimento, o centro de cada nova frente de onda está ligeiramente deslocado para a direita. Portanto as frentes de onda começam a acumular-se no lado direito (em frente do avião) e a apartar-se no lado esquerdo (atrás do avião). Se o satélite estiver na frente do avião vai receber uma frequência maior que f, se estiver por trás vai receber uma frequência menor que f.





Simulador do efeito Doppler
Ponha o avião S a emitir ondas electromagnéticas circulares (start emission). Depois desloque o avião (clicar e arrastar).
Observe a variação de frequência das ondas detectadas pelo satélite O.



terça-feira, 11 de março de 2014

As emissões de dívida pública explicadas às crianças


O Estado tem de pagar os salários dos funcionários públicos — professores, médicos, juízes, polícias, militares, governantes, deputados, autarcas, ... —, as pensões dos pensionistas, os abonos de família, subsídios de desemprego e um rendimento mínimo a quem não tem nenhum rendimento. Tem ainda de pagar o funcionamento das instituições públicas e os juros anuais dos empréstimos que pediu. Tudo isto são despesas.

Por outro lado, o Estado cobra impostos: são as receitas.

Quando as despesas são superiores às receitas, o Estado fica com um défice e é obrigado a pedir um novo empréstimo com um prazo de dois, cinco, dez ou mais anos, ou seja, a lançar uma emissão de dívida pública.

A dívida pública chama-se certificados de aforro ou obrigações do tesouro conforme é comprada por pequenos ou grandes investidores.
Os investidores — os mercados — que comprarem a dívida recebem um juro anual e a quantia emprestada ser-lhes-á devolvida ao fim do prazo combinado.

Em 2011, Portugal teve de interromper as emissões da dívida de longo prazo porque os défices dos anos anteriores eram muito elevados e, em consequência, as taxas de juro exigidas pelos investidores eram muito altas, mais de 6.7%. Foi pedir um resgate à troika que concedeu um empréstimo a 3,2% mas exigiu que o País diminuísse as despesas, ou seja, cumprisse um plano de ajustamento económico e financeiro.

Este plano vai terminar no próximo dia 17 de Maio e no futuro há três vias para Portugal: pode pedir um novo resgate, o que não vai ser preciso porque o défice público baixou para metade, pede um programa cautelar à troika, ou consegue regressar em pleno aos mercados.
Esta terceira opção é arriscada porque as taxas de juro rondaram 5%, neste início de 2014, e 80% dos investidores que compram as emissões de dívida pública portuguesa são estrangeiros, o que torna difícil renegociar a dívida se for necessário.

Tudo isto está admiravelmente explicado neste vídeo do Público:



11/03/2014 - 12:43


quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Uma tempestade com ondas de longo período


Anteontem, uma enorme onda galgou os muros da marginal na foz do Douro, no Porto, varrendo duas dezenas de automóveis e derrubando pessoas que aí se encontravam.




06.01.2014 23:33
Foz do Douro, no Porto


Forte ondulação ocorreu em toda a orla costeira portuguesa, do Norte ao Algarve, sendo registadas outras ondas massivas em vídeos amadores.
Bombeiros e Polícia Marítima não tiveram mãos a medir. A Autoridade Nacional de Protecção Civil emitiu na tarde desse dia novo aviso à população para precipitação, vento forte, neve e agitação marítima, nomeadamente para a ondulação de noroeste, que poderia atingir 16 metros na costa da região Norte e Centro e de 14 a 15 metros na região Sul.
Toda a costa de Portugal continental foi posta sob alerta vermelho — o mais grave da escala do Instituto Português e da Atmosfera (IPMA) — devido à agitação marítima.


08 Jan, 2014, 14:09
Leça da Palmeira

07/01/2014 - 15:19


Era a chegada a Portugal da tempestade Hércules que está a provocar um frio glacial nos Estados Unidos e forte agitação marítima na Grã-Bretanha, França e Espanha:



08/01/2014 - 09:28


No entanto, o que confere a estas ondas um potencial altamente destrutivo não é apenas a altura. Na segunda-feira, os ondógrafos de Leixões e Sines mediram a passagem de ondas de 13,5 e 15 metros, respectivamente. Nada que não tenha acontecido noutros anos.

Segundo Fernando Veloso Gomes, professor da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e especialista em Hidráulica Costeira, estas ondas têm um período muito mais longo do que noutros temporais de Inverno.
Num temporal “normal” de Inverno, a duração de uma onda ronda os 10 a 12 segundos. Anteontem, algumas tinham períodos superiores a 25 segundos.
Vimos pessoas nos vídeos online a falar em tsnunami e, embora não seja comparável, há aqui um paralelo com as ondas de longos períodos que caracterizam esses fenómenos”, explica o investigador, lembrando que estas avançam costa adentro, não em altura, mas em comprimento, como se viu no Porto ou na Póvoa de Varzim, onde o mar venceu o longo areal e inundou a marginal, cumprindo esta, literalmente, o nome de Avenida dos Banhos.

O tenente Quaresma dos Santos, da Divisão de Oceanografia do Instituto Hidrográfico, concorda com esta fundamentação. O efeito foi potenciado também pelo “empilhamento da massa de água junto à costa”, por força dos ventos de sudoeste dos últimos dias que criaram uma maré meteorológica, fazendo subir o nível do mar de 1 a 1,5 m acima do expectável. Assim explica que as ondas se estendam praia acima e sejam capazes de galgar quebra-mares e outras estruturas, como os muros nas marginais, com os efeitos visíveis um pouco por toda a orla costeira do país.

Contudo estes especialistas alertam que tempestades como esta sempre existiram, embora com uma periodicidade média larga. O que nos impressiona são os estragos cada vez maiores que causam.
Mas isso, notam ambos, resulta da ocupação de cada vez mais espaço junto ao mar com estruturas de lazer e restauração que acabam por ser muito danificadas ou destruídas por estes temporais.

No caso dos bares e restaurantes, Veloso Gomes é peremptório: “Se os queremos lá, que as vistas são bonitas, que estejam — desde que não seja o contribuinte a pagar a sua reposição”.
O professor da Universidade do Porto acrescenta que não se podem pôr fitas a impedir o acesso das pessoas a todo o lado onde haja risco, mas acentua a necessidade de as educar para o risco que o mar representa: “Felizmente, não tivemos mortos”, ao contrário do que aconteceu na Galiza (três vítimas) e em França (uma).

As pessoas têm de ter a noção que estamos numa costa atlântica, que pode ser muito energética”, corrobora o especialista do Instituto Hidrográfico, procurando também educar a população.


Carlos Antunes, professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, calcula que a massa de uma destas ondas, com apenas 8 m de altura, atinge 80 000 toneladas:

"A razão do potencial destruidor das ondas deste último temporal é o facto, pouco habitual, de terem sido ondas de longo período, na ordem dos 20 s (atípico), correspondendo a um comprimento de onda de cerca de 600 m. Estas ondas são ondas de fortíssima energia que atingem a costa a uma velocidade de 30 m/s. Feitas as contas, para uma altura de 8 m, estas ondas correspondiam a uma massa de água de cerca de 80 000 m³ numa extensão de 100 m de onda. Uma autêntica parede de água demolidora. Devido à sua forte energia, e ao facto de as praias terem no inverno uma configuração dissipativa, estas ondas têm um longo espraio, sobre-elevando (ou empolando) a superfície do mar (apenas localmente junto à costa), com grande alcance de galgamento.
Ao contrário do que o IH diz, não houve sobre-elevação meteorológica. O Marégrafo de Cascais registou sobre-elevações muito baixas da ordem de apenas alguns cm, pelo simples facto de não termos tido uma depressão barométrica (ao contrário de outras tempestades). Se isso tivesse acontecido em conjugação (acompanhado de uma depressão), os impactos e estragos seriam muito maiores.
Um outro facto, que terá confundido os que afirmaram ter havido uma sobre-elevação, é o de ter acontecido em marés ainda vivas com 3,5 m de altura.
"

E prevê:

"Já esta nova tempestade no Atlântico Norte, prevista para a próxima semana (dia 13) terá um impacto menor que a desta semana, pois estas ondas virão com períodos menores, os típicos 14-15 s. (...) Outra razão, para o menor impacto, é chegar num dia de marés intermédias, 3,2 m de altura em PM (preia-mar) e a altura das ondas também será ligeiramente menor.
Também não haverá sobre-elevação meteorológica, pois a PA
(pressão atmosférica) estará nos 1020 hPa.
Com períodos de 14 s, terão comprimentos de onda de 300 m e uma velocidade de 22 m/s, correspondendo a metade do volume de água, comparativamente às ondas do passado de dia 7. Ou seja, estas ondas terão metade da energia potencial e menos 1/3 da velocidade das ondas de dia 7.
Contudo há que ter muita atenção e cuidado junto das praias, pois, como estas perderam grandes quantidades de areia, haverá menos resistência à rebentação e ao espraio das ondas, prevendo-se naturalmente algum galgamento e destruição das estruturas mais expostas.
"


Propagação das ondas (a azul) em águas profundas. A animação demora 3 períodos e mede 1 comprimento de onda.
A trajectória de seis das partículas de água (a azul claro) mostra que há transporte de matéria. A velocidade de propagação das ondas é muito maior que a velocidade do fluxo de partículas de água.


Uma onda é uma perturbação que viaja através da matéria, ou do espaço, com transferência de energia. As ondas transferem energia de um ponto para outro, muitas vezes sem deslocamento permanente das partículas do meio, ou seja, muitas vezes não há transporte de massa.

A expressão matemática da propagação das ondas — função de onda — é

ψ(x,t) = a sen (2
π x/λ - 2π t/T)

onde
____________________
ψ = função de onda
x = espaço
t = tempo


________________________
a = amplitude (metade da altura da onda)
λ = comprimento da onda
T = período da onda (tempo ao fim do qual o fenómeno se repete)

Portanto, no caso das ondas desta tempestade

ψ(x,t) = 4 sen (2
π x/600 - 2π t/20)

Infelizmente muitos docentes de Matemática e de Física dos ensinos básico e secundário têm esquecido a função de transmitir estes conhecimentos aos seus alunos e aos encarregados de educação: é preciso voltar a ensinar.



A Storm is Coming, Miguel Oliveira, Porto, Portugal


terça-feira, 8 de outubro de 2013

Nobel da Física 2013 para os teóricos do bosão de Higgs



"Os conceitos básicos do bosão de Higgs", lição de David Barney e Steven Goldfarb, físicos do CERN


À entrada do centro de controle do Laboratório Europeu de Física das Partículas (CERN) está uma pedra onde foi gravada a representação matemática do Modelo Padrão da física das partículas, incluindo o mecanismo de Brout-Englert-Higgs.

A pedra do Modelo Padrão no CERN

A linha superior descreve as forças: a electromagnética e as nucleares forte e fraca. A segunda linha descreve como essas forças actuam sobre as partículas fundamentais da matéria, ou seja, sobre os quarks e os leptões. A terceira linha descreve como essas partículas obtêm a massa do bosão de Higgs e a quarta linha permite ao bosão de Higgs actuar.

O mecanismo de Brout-Englert-Higgs foi proposto pela primeira vez em 1964, em dois artigos publicados de forma independente, o primeiro pelos físicos belgas Robert Brout (falecido em 2011) e François Englert, e o segundo pelo físico britânico Peter Higgs. Explica como a força nuclear fraca é muito mais fraca do que a força electromagnética e ficou conhecido como o mecanismo que confere massa às partículas fundamentais. Peter Higgs sublinhou que o mecanismo exigia a existência de uma partícula nunca vista, a que hoje chamamos o bosão de Higgs.

Muitas experiências no CERN e noutros laboratórios já tinham verificado pormenorizadamente as duas primeiras linhas. O Large Hadron Collider (LHC) do CERN permitiu verificar que o bosão de Higgs existe e actua conforme previsto nas duas últimas linhas, confirmando a teoria.

Simulação de uma colisão de protões na qual é produzido um bosão de Higgs


Passado um ano sobre esse memorável acontecimento, são consagrados os físicos que desenvolveram o trabalho teórico sobre o bosão de Higgs: o Prémio Nobel de Física 2013 foi atribuído conjuntamente a François Englert e Peter W. Higgs "pela descoberta teórica de um mecanismo que contribui para a compreensão da origem da massa das partículas subatómicas, e que recentemente foi confirmado através da descoberta da partícula fundamental prevista, pelas experiências ATLAS e CMS no Large Hadron Collider do CERN".

François Englert (esquerda) e Peter Higgs no CERN, durante o anúncio da descoberta do bosão de Higgs, em 4 de Julho de 2012.

E o CERN festejou:
"Estou felicíssimo que o prémio Nobel deste ano tenha ido para a física das partículas", diz o director-geral do CERN Rolf Heuer. "A descoberta do bosão de Higgs no CERN, no ano passado, que valida o mecanismo de Brout-Englert-Higgs, marca o culminar de décadas de esforço intelectual de muitas pessoas no mundo."


Foi no CERN que, em 1990, Tim Berners-Lee criou os dois softwares essenciais — o editor-navegador para produzir e ler o hipertexto dos documentos HTML guardados em computadores da Internet, chamado WorldWideWeb, e o programa para enviar a informação, chamado servidor — que geraram a Web.
São estes investigadores que projectam e constroem os mais avançados detectores de partículas do mundo que têm permitido desenvolver a imagiologia, revolucionando os meios de diagnóstico em medicina.


quarta-feira, 4 de setembro de 2013

O que são swaps?


Os contratos swaps são produtos financeiros associados a empréstimos bancários e servem para cobrir riscos.
Este excelente vídeo do jornal PÚBLICO explica o que são os contratos swaps e porque são problemáticos os contratos assinados por algumas empresas públicas:



04/09/2013 - 13:51


No caso da empresa Metro do Porto, num empréstimo de 77 milhões de euros houve perdas de 450 milhões de euros.
Os 15 swaps desta empresa — a segunda que acumula mais perdas potenciais — foram contratados entre 2003 e 2009. Obviamente que os dois secretários de Estado do Governo, Paulo Braga Lino, director financeiro da Metro do Porto entre 2006 e 2011, e Juvenal Silva Peneda, administrador executivo da empresa entre 2004 e 2008, foram muito correctamente demitidos em Abril.





De uma análise preliminar à carteira de derivados, o Banco Santander de Negócios destacava-se das restantes contrapartes pelo risco elevado das suas transacções e pelo seu valor de mercado”, revelava o relatório do IGCP entregue na comissão parlamentar de inquérito aos swaps. Em Junho de 2012, das perdas potenciais de 3,3 mil milhões de euros associadas aos contratos swaps, os produtos vendidos pelo Santander tinham implícitas perdas potenciais de 1,4 mil milhões de euros, ou seja, 42%.

Por isso este relatório do IGCP tinha um dossier específico para o Santander onde era tratado, em particular, o swap contratado em 2007 pelo Metro do Porto, considerado “particularmente nocivo”.
Em Setembro de 2012, o contrato estava associado a um valor de mercado de 450 milhões de euros negativos. Logo no primeiro dia da operação, o contrato já tinha um valor negativo de cerca de 100 milhões de euros. “O valor do mercado actual (cerca de 450 milhões de euros negativos) compara com um resultado máximo possível desta operação para o Metro do Porto de cerca de 34 milhões de euros positivos”, acrescenta o relatório do IGCP.

Elucidativo!


sábado, 13 de julho de 2013

A esperança de Malala


"Vamos travar uma luta global contra a iliteracia, a pobreza e o terrorismo. Vamos pegar nos nossos livros e nos nossos lápis, são as nossas armas mais poderosas.
Um aluno, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo. A educação é a única solução. Educação primeiro.
"
Malala Yousafzai, 16 anos



Em Outubro do ano passado, foi atacada pelos talibãs quando regressava da escola tendo levado um tiro na cabeça.
Ontem, fez 16 anos e discursou na sede da ONU, apelando à tolerância e ao acesso à educação para todas as crianças.

Que a sua voz seja ouvida pelas crianças e adolescentes portugueses que conversam e brincam dentro das salas de aula das nossas escolas públicas, em vez de prestar atenção ao que os seus professores se esforçam por lhes ensinar, desperdiçando os recursos que o Estado gasta na sua educação:



12/07/2013 - 23:04


quinta-feira, 2 de maio de 2013

Explosão solar


Ocorreu uma ejecção de massa coronal, exactamente no bordo do Sol, em 1 de Maio de 2013, formando uma onda gigantesca. Estas ejecções podem disparar mais de um milhar de milhão de toneladas de partículas no espaço a velocidades superiores a um milhão de quilómetros por hora.
Habitualmente interferem com as redes de telecomunicações, perturbando gravemente as comunicações, o que não sucedeu desta vez porque a ejecção não foi dirigida para a Terra.

Este vídeo foi obtido com radiação no ultravioleta extremo pelo Solar Dynamics Observatory (SDO), da NASA, e abrange cerca de duas horas e meia de filmagem.


domingo, 26 de agosto de 2012

Os americanos chegaram à Lua?


Os projectos de pesquisa subjacentes às viagens espaciais tripuladas, ou não tripuladas, para outros planetas do sistema solar empreendidos por russos e norte-americanos e a investigação realizada no Laboratório Europeu de Física das Partículas (CERN) fizeram progredir extraordinariamente o conhecimento científico no domínio da Física, Química, Biologia, Medicina e Engenharias — Electrotecnia, Computadores e Telecomunicações —, pondo à disposição das populações dos países mais desenvolvidos medicamentos, materiais e máquinas que permitiram elevar a qualidade de vida nestas sociedades a um nível completamente imprevisível há meio século.
A Web, por exemplo, é uma das pontas deste icebergue.

Infelizmente muitas pessoas no nosso País, e noutros países europeus meridionais, não só ignoram a existência destas pesquisas como pensam que o governo tem o dever de lhes proporcionar o acesso a todos os avanços tecnológicos daí resultantes quase gratuitamente, não sentindo qualquer dever de contribuírem, por sua vez, para um progresso futuro através do estudo, projecto ou produção de novos aparelhos.
Por vezes até se chega ao absurdo de exigir que alguns dos países que se destacam nesta investigação — Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul, Alemanha, França, ... —, lhes propiciem meios financeiros para poderem importar e usufruir esses dispositivos, indo desenterrar prejuízos causados na segunda guerra mundial ou invocando as receitas obtidas na venda desses produtos, esquecendo que existem outros mercados no planeta Terra.

Esta reflexão vem a propósito do seguinte comentário a uma das notícias relativas à morte de Neil Armstrong:

Anónimo, Portogal. 26.08.2012 17:29
Ridiculo
A NASA ter falseado muitas imagens de forma amadora, que serão aquela nódoa para aquela empresa. Ainda hoje tenho dúvida de que tenham lá ido.


Começamos pela frase que o comentador gostava de ter escrito:
Anónimo, Portugal. 26.08.2012 17:29
Ridículo
A NASA tem falseado muitas imagens de forma amadora, que serão uma nódoa para aquela empresa. Ainda hoje tenho dúvida de que tenham lá ido.

Dizer que a NASA falseou as imagens obtidas na Lua é semelhante a declarar como fraude esta fotografia de fraca qualidade da expedição do explorador norueguês Roald Amundsen tirada no Pólo Sul em 14 de Dezembro de 1911:

File:Aan de Zuidpool - p1913-160.jpg


Atente-se agora neste excerto de uma entrevista de Armstrong - pág. 84:
BRINKLEY: Houve alguma coisa na sua caminhada lunar e recolha de rochas e afins que o surpreendeu durante o tempo em que esteve na Lua, como, "Eu não esperava encontrar isto", ou "Eu não esperava que parecesse assim"? Ou, incluído nisto, a vista do resto do espaço, na Lua, deve ter sido uma experiência incrível.

ARMSTRONG: Fiquei surpreendido com uma série de coisas, e não tenho a certeza, não posso recordar todas agora. Fiquei surpreendido com a proximidade aparente do horizonte. Fiquei surpreendido com a trajectória da poeira que se chuta com a bota e que, mesmo que a lógica devesse ter-me dito que não devia haver, não houvesse poeira quando se pontapeia. Nunca se obteve lá uma nuvem de poeira. Isso é um resultado de se ter uma atmosfera, e quando não se tem uma atmosfera, não se tem quaisquer nuvens de poeira.
Estava absolutamente emudecido quando desliguei o motor de foguete e as partículas que estavam a sair radialmente a partir da parte inferior do motor caíram no caminho ao longo do horizonte, quando desliguei o motor apenas correram ao longo do horizonte e instantaneamente desapareceram, imagine, tal como se tivesse sido desligado há uma semana. Foi notável. Nunca tinha visto tal coisa. Nunca tinha visto nada parecido. E a lógica diz, que sim, que é esse o modo que deveria ser lá, mas não tinha pensado nisto e fiquei surpreendido.

São observações que não se inventam. Se puserem as pessoas a pensar naquilo que as rodeia, terá sido bem empregue o tempo gasto a escrever este artigo.


Neil Armstrong on the moon
Panorama Aldrin do local de pouso do módulo lunar Eagle com o comandante da missão Neil Armstrong sobre a superfície lunar.
Imagem: NASA


terça-feira, 14 de agosto de 2012

"Fantasias orçamentais"


"13 Agosto 2012 | 23:30
João Pinto e Castro — jpcastro@ology.pt


A cada dia que passa se torna mais evidente que sem crescimento económico é impossível controlar duradouramente o défice e estancar o endividamento. Tudo o resto é fantasia.

Mais gente acredita que há muito desperdício na gestão dos recursos públicos do que no milagre de Fátima, e é sem dúvida fundada essa crença. Vai daí, quase toda a gente supõe também que a sua eliminação não só é fácil como prontamente garantiria o equilíbrio das contas públicas. Ora, aí, já a opinião pública está a entrar no reino da fantasia.

Se, para o cidadão comum, sem outra referência que o seu magro salário, uma despesa de um milhão de euros é uma quantia mirabolante, que diremos então de um milhar de milhão? Ora, como qualquer rubrica dos gastos públicos se mede na escala dos muitos milhões, percebe-se a dificuldade que esse mesmo cidadão tem em entender a sua relevância relativa à escala do país como um todo.

Quase todas as pessoas que conheço, incluindo muitas dotadas de razoável instrução económica, estão persuadidas de que não só as Parcerias Público-Privadas (PPP) são responsáveis por uma grossa fatia da despesa nacional, como a sua renegociação permitiria de facto evitar sacrifícios adicionais à população. Daí a sua surpresa quando são informadas de que os encargos líquidos anuais do Estado com as PPP se ficam pelos 0,3% do PIB, o que corresponde a uma pequena parcela do investimento público médio anual nas últimas décadas.

Resulta daqui evidente a ilusão de que a muito badalada renegociação das PPP poderá contribuir para uma redução considerável do défice. E note-se ainda que, se, em alternativa à renegociação, se optar pelo lançamento de uma sobretaxa adicional, dificilmente se poderá esperar um ganho superior a 0,04% do PIB.

Seria de supor que estas constatações bastassem para pôr cobro à cruzada demagógica pela eliminação das "gorduras do estado". Em vez disso, o governo optou há dias por uma nova caçada aos gambozinos, agora centrada nos encargos com as transferências para as fundações.

Segundo o levantamento efectuado, quase metade dos encargos do estado teriam sido encaminhados para a "fundação do Magalhães", mas sucede que, provindo eles de contribuições das operadoras de telecomunicações que não podiam ter outro destino, não custaram afinal um cêntimo aos contribuintes. Como o grosso das transferências para fundações correspondem na verdade ao financiamento público do ensino superior, conclui-se que, além de os cortes possíveis se reduzirem a algumas dezenas de milhões de euros anuais (estamos outra vez na escala dos 0,01% do PIB), o essencial deles incidirá no financiamento de actividades culturais. Compreende-se: se os Mirós da colecção do BPN vão ser leiloados, que fica cá a fazer a Paula Rego?

Uma outra variante de fantasia orçamental — esta mais popular à esquerda — imagina que o défice se curaria milagrosamente com um imposto extraordinário sobre as grandes fortunas. É facto que algumas pessoas detêm colossais rendimentos e patrimónios e que o nosso injusto sistema fiscal não os taxa como deveria. O problema é que, sendo essas pessoas muito poucas, não se pode esperar daí a salvação da pátria.

Imagine-se, por absurdo, que em vez de taxar as grandes fortunas, se optava antes por expropriar o património dos vinte e cinco portugueses mais ricos, recentemente avaliado em 14,4 mil milhões. Parece (e é) muito dinheiro, mas a sua comparação com o PIB nominal português, que presentemente ronda os 180 mil milhões de euros, mostra que o impacto sobre as finanças públicas de uma medida tão extrema e tão difícil de aplicar se esgotaria num ano.

Em resumo, não se atinge o equilíbrio orçamental com passes de mágica. É justo que quem mais tem mais contribua para o aumento das receitas do Estado — o que decerto não tem acontecido —, mas não é por aí que se consegue a redução de 6 mil milhões de euros pretendida para 2013. Por outro lado, é importante que o estado use melhor os recursos colocados à sua disposição, mas ganhos de eficiência consistentes só se conseguem com trabalho sistemático, persistente e demorado, não com cortes precipitados ou com motivações obscuras. Se isso fosse fácil de fazer, decerto já estaria feito.

Já é suficientemente mau que uma gestão inepta das finanças públicas esteja a conduzir ao empobrecimento geral da população, da humilhação da classe média e da destruição de capacidade produtiva. Pior ainda, há sinais preocupantes de que iniciativas precipitadas impulsionadas por fanatismo ideológico e demagogia cega camufladas de combate às "gorduras do estado" estão a criar uma Administração Pública mais rígida, mais incompetente e mais ineficiente do que aquela que já tínhamos.

A cada dia que passa se torna mais evidente que sem crescimento económico é impossível controlar duradouramente o défice e estancar o endividamento. Tudo o resto é fantasia. Quando essa verdade for finalmente aceite, teremos perdido anos e destruído recursos e boa vontade numa escala sem precedentes.


Director-geral da Ology e docente universitário"



Kurrusivo 14 Agosto 2012 - 15:08
Bom artigo. Como sempre realista.
Mas JP Castro "esqueceu-se" de dizer afinal onde deve o Estado cortar, já que as "gorduras" afinal são peanuts...
Eu penso que não será neste momento possível (sem por em causa a própria estrutura do Estado/sociedade) fazer cortes que rendam milhares de milhões. Só pequenas (mas muitas, muitas, muitas) melhorias de eficiência de processos, de redução de papéis, vistos, licenças e outras burocracias, de gestão de recursos humanos, informatização dos serviços, etc, será possivel reduzir de forma séria e sustentada os gastos excessivos e, consequentemente, o deficit. Ou seja, a redução dos custos de operação será sustentada por uma redução dos funcionários que deixam de ser necessários devido aos ganhos de eficiência.
Como a redução de número de funcionários não interessa a ninguém (excepto ao contribuinte), o processo de melhoria de eficiência nunca arranca... Até ao dia que os Alemães ou Finlandeses cortem o financiamento deste circo. Depois, até os palhaços são mestres do trapézio!


Ricardo 14 Agosto 2012 - 16:06
Grão a grão
Pois o autor comete um erro comum, o de achar que não vale a pena olhar para as pequenas categorias de despesa. O facto é que um trabalho sistemático de poupança em pequenas categorias pode trazer enormes poupanças.
Felizmente, é esse o trabalho que o governo está a fazer. O problema é que esse é um trabalho exaustivo e demorado. Mas essencial de fazer não só agora, mas recorrentemente. É assim que as empresas especializadas em lean management, como a Toyota, fazem.


dis aliter visum 16 Agosto 2012 - 17:17
Grão a grão
Os apoios financeiros públicos recebidos pelas fundações não IPSS ascenderam a 817 milhões de euros no triénio 2008-2010.
A este montante acrescem 458 milhões de euros referentes a apoios financeiros públicos a fundações públicas de direito privado, abrangidas pelo regime jurídico das instituições de ensino superior.

Portanto fica claro que as fundações não IPSS — mesmo retirando as fundações públicas de direito privado que gerem instituições do ensino superior — recebem 272 milhões de euros/ano, em média, de apoios financeiros públicos.

O governo pretende cortar-lhes 200 milhões de euros/ano.
Espera-se que todos os portugueses dêem força ao governo para alcançar este resultado. Atendendo a que a estimativa do PIB é 171 mil milhões, no ano passado, — comparar dados do Banco de Portugal com os do FMI —, e ainda será menor no ano corrente pois estamos em recessão, estamos a falar de 0,12% do PIB.


quarta-feira, 4 de julho de 2012

CERN descobriu uma partícula nova que pode ser o bosão de Higgs


A energia é equivalente à massa pela célebre fórmula E=mc² de Einstein. A teoria do Big Bang sobre a criação do Universo supõe que, no início, só existia a energia que depois se converteu nas partículas elementares — quarks, electrões e neutrinos. Estas foram-se agregando sucessivamente: os quarks up e down agregaram-se em protões e neutrões, os protões e neutrões agregaram-se nos núcleos atómicos e, finalmente, os núcleos capturaram os electrões em orbitais e formaram os átomos.

No séc. XX foram descobertas novas partículas no vento solar e em resultado de colisões de protões nos aceleradores de partículas como os do CERN, e os físicos teóricos procuraram criar teorias explicativas.

Segundo a teoria do Modelo Padrão desenvolvida no início da década de 1970, há partículas constituintes da matéria e partículas que transportam as forças fundamentais — gravítica, electromagnética, nuclear fraca e forte — embora só consiga explicar as três últimas.
Existem 12 partículas elementares constituintes da matéria — os fermiões — distribuídas por três gerações, cada uma com dois quarks ("up" e "down" na primeira geração, "charm" e "strange" na segunda, "top" e "bottom" na terceira) e dois leptões ("electrão" e "neutrino-electrão" na primeira geração, "muão" e "neutrino-muão" na segunda, "tau" e "neutrino-tau" na terceira). Toda a matéria estável do Universo é feita de fermiões da primeira geração.
As forças fundamentais resultam da troca, entre as partículas constituintes da matéria, de quantidades discretas de energia levadas por outras partículas chamadas bosões: a força electromagnética é transportada pelo "fotão", a força nuclear fraca pelos "bosões W e Z" e a nuclear forte pelos "gluões".
Há ainda uma partícula especial chamada bosão de Higgs: é a partícula que concede massa às outras partículas através do campo que cria e com o qual as partículas interactuam, ganhando tanto maior massa quanto maior for o grau de interacção.
O vídeo seguinte recorre a desenhos animados para explicar esta teoria da Física das Partículas:



Durante o ano de 2011 e até 18 de Junho de 2012, foram realizadas colisões protão-protão no Large Hadron Collider (LHC) do CERN e os dados obtidos sugerem que foi criado o bosão de Higgs.

O Modelo Padrão prevê que, após ser produzido, o bosão de Higgs existe durante um curtíssimo intervalo de tempo, desintegrando-se em partículas secundárias.
Foram estudados cinco dos canais de decaimento mais relevantes do bosão. Três dos canais contêm pares de bosões no estado final: dois fotões (γγ) ou duas das partículas responsáveis pela interacção fraca (ZZ ou WW). Os dois outros canais contêm pares de fermiões: dois quarks bottom (bb) ou dois leptões tau (ττ).

A nova partícula observada tem uma massa de 125 GeV o que é compatível com o bosão de Higgs do Modelo Padrão. Agora é preciso aferir as suas propriedades: taxas de decaimento nos diferentes canais (γγ, ZZ, WW, bb e ττ), o seu spin e a sua paridade. Após conhecimento detalhado e preciso das propriedades desta nova partícula os investigadores poderão concluir se realmente se trata do bosão de Higgs do Modelo Padrão ou se é um resultado não previsto por esta teoria.


quinta-feira, 17 de maio de 2012

A importância das chefias


Durante o "Dia Contacto" da Sonae, que reúne os estagiários escolhidos no âmbito do programa com o mesmo nome, foi-lhes pedido que escolhessem o que entendiam ser as prioridades numa empresa.

Eis o top 10 destes jovens:
  1. oportunidades de carreira
  2. desenvolvimento individual
  3. estabilidade
  4. remuneração salarial
  5. equilíbrio entre a vida pessoal e profissional
  6. reconhecimento
  7. qualidade das chefias
  8. formação
  9. clima de cooperação
  10. qualidade dos produtos
O director executivo da Sonae, Paulo Azevedo, não gostou e não esteve com papas na língua: a sua geração talvez escolhesse as mesmas referências, mas ele próprio "daria mais importância à qualidade das chefias".
Lembrou o seu primeiro chefe na empresa, Carlos Moreira da Silva, e que "a qualidade da chefia acaba por envolver diversos factores, como a preocupação com a qualidade da formação e novos desafios. (...) A estabilidade era aquela a que daria menos valor na fase em que vocês estão. (...) Não é boa ideia, em nenhuma organização, ter um mau chefe. A estabilidade não vale isso".

Paulo Azevedo começou a trabalhar na Sonae numa categoria inferior e foi subindo pouco a pouco no grupo até chegar a director executivo. É o mais novo dos três filhos de Belmiro de Azevedo.
O irmão mais velho, Nuno, dedicou-se à área sócio-cultural, trabalha na Fundação Belmiro de Azevedo e ocupa uma posição de menor relevo no grupo Sonae. Foi no website desta fundação que encontrámos palavras elogiosas para um professor do ensino primário:

"Belmiro de Azevedo estudou na Escola Primária de Tuías, onde foi aluno do Professor Carlos da Silva Andrade, uma das pessoas que mais o marcou na sua formação. Nas palavras de Belmiro de Azevedo, aquele "era um professor que exigia muito trabalho, muito rigor, muita disciplina e não tolerava o erro". Complementarmente, e relativamente a si próprio, define-se como "um viciado na educação e tinha muita facilidade em aprender. Fazia isso com pouco esforço, comparativamente com outros colegas. E, além do mais, assumi o rigor do professor. A certa altura era quase uma questão de saber se era o professor que era mais rigoroso comigo ou eu com ele. Éramos dois maníacos do rigor, do zero erros, da perfeição completa"."

Se houvesse muitos professores como este, não precisávamos de ler estas tristes notícias.