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domingo, 24 de janeiro de 2016

Presidenciais 2016: os discursos finais


O eleitorado português que, em 4 de Outubro, deu apenas uma maioria relativa à coligação formada pelo PSD e pelo CDS, entregou a presidência da República com 52% dos votos validamente expressos (votos em branco e nulos excluídos), passados menos de quatro meses, a Marcelo Rebelo de Sousa, o candidato presidencial oriundo dessa área política.


24 Jan, 2016, 22:55

"Fiz questão de me dirigir ao país, esta noite, a partir da Faculdade de Direito de Lisboa, casa da liberdade, de pluralismo, de abertura de espírito. Não foi uma opção política, foi uma escolha afectiva", começou por explicar o Presidente eleito, no meio de enormes aplausos.

Reconhecendo que esta faculdade lhe deu muito, diz ser um gesto simbólico para com a instituição onde é professor catedrático.

"É o povo quem mais ordena. Foi o povo que quis dar-me a honra e eleger-me Presidente da República de Portugal", afirma Marcelo, garantindo que não abdicará de se reger pelas suas convicções e ideias.

Depois cumprimenta os restantes candidatos, dizendo que não eram seus "adversários" mas seus "oponentes" e sublinhando a coragem de se terem apresentado na corrida presidencial.

Marcelo expôs, de seguida, as marcas da sua presidência:
  1. "Fomentar a unidade nacional". "Unir aquilo que as conjunturas dividam e estreitando a relação entre todos" porque "quanto mais coesos formos mais fortes seremos".

  2. "Reforçar a coesão social, pessoal e territorial por imperativo da Constituição e por convicção pessoal". Marcelo promete ser "politicamente imparcial", mas assevera que "não deixarei de ser socialmente actuante".

  3. "Promover convergências políticas", defendendo que é necessário prmover a cultura de compromisso e de consenso.

  4. "Incentivar o frutuoso relacionamento entre órgão de soberania e os agentes políticos, económicos e sociais"

  5. "Conciliar a justiça social com o crescimento económico e a estabilidade financeira". Portugal precisa de crescer de forma sustentada. O Presidente deve ser "o primeiro a querer que o Governo governe com eficácia e que a oposição cumpra o seu papel". "Crescer de forma sustentada, gerar emprego, corrigir as injustiças sociais que a crise agravou", tudo objectivos a alcançar sem comprometer a necessária estabilidade financeira. Porque no "tempo que aí vem", defende Marcelo, "ou crescemos economicamente de forma sustentada, criando justiça social, combatendo a pobreza e a desigualdade (...) ou só contribuiremos para a agravar as tensões sociais e políticas".

Marcelo Rebelo de Sousa acredita que "os próximos cinco anos não serão um tempo perdido", mas de "recuperação e futuro". Finalizou o discurso de vitória dizendo que "é hora de seguir a história, honrar a memória e arrancar para um futuro à medida dos nossos sonhos".

O Presidente eleito rematou o seu discurso com estas palavras: "É hora de refazer Portugal! Viva Portugal!"

No fim, o hino nacional ecoou na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.


Paulo Portas, Pedro Passos Coelho e António Costa já reagiram à vitória do Professor do Marcelo Rebelo de Sousa.


24 Jan, 2016, 22:23

António Sampaio da Nóvoa, um dos candidatos da área socialista reconhecidos por António Costa, reconheceu a derrota nas eleições presidenciais, tendo defendido que, "pela primeira vez na nossa história, um cidadão independente esteve perto de disputar a segunda volta numas eleições presidenciais (...) Mas, em democracia, as eleições ganham-se por um voto e perdem-se por um voto".

Depois cumprimentou o vencedor, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmando que ele é, a partir de agora, o seu Presidente. "Também agora, neste momento, quero contribuir para esta união em torno do novo Presidente da República, sem hesitações, sem reticências, com uma profunda convicção democrática", acrescentou.

O candidato assumiu a "inteira responsabilidade" por não ter chegado à segunda volta, elogiando o trabalho dos seus apoiantes: "Nesta noite, temos de estar orgulhosos do que fizemos, da marca de cidadania que deixamos. Sabemos que não temos dias fáceis pela frente, nem em Portugal, nem na Europa, nem no mundo."
"Temos de estar à altura deste tempo, com a força tranquila de convergências internas para melhor nos afirmarmos no exterior", afirmou.


24 Jan, 2016, 21:48

Marisa Matias, a candidata do Bloco de Esquerda, reconheceu que Marcelo Rebelo de Sousa ganhou as eleições e anunciou que já o felicitou pela vitória, acrescentando:
Em democracia o mais precioso que temos é mesmo a decisão dos portugueses e das portuguesas. Um dos objectivos desta candidatura era conseguir uma segunda volta, e esse objectivo não foi conseguido. No entanto, os resultados também demonstraram uma enorme onda de esperança que está a crescer no nosso país”.

Questionada sobre o que correu mal para que Marcelo tenha vencido à primeira volta, Marisa diz que não terá sido na sua candidatura.


24 Jan, 2016, 21:02

Maria de Belém Roseira, a outra candidata da área socialista reconhecida por António Costa, como assumiu a derrota eleitoral e foi a primeira candidata presidencial a saudar "o candidato eleito, Marcelo Rebelo de Sousa, novo Presidente da República", tendo acrescentado:

"A eleição do Presidente da República é um momento nuclear para a democracia e para a República.

As eleições presidenciais que agora se concluem revelam uma forte e progressiva abstenção que precariza o funcionamento da democracia.
"


24 Jan, 2016, 21:55

Edgar Silva, o candidato do PCP, admite que o resultado obtido fica longe do desejado e agradece aos portugueses e portuguesas que lhe confiaram o voto.


Vitorino Silva também reagiu ao seu resultado.


24 Jan, 2016, 22:36

Paulo Morais, o professor da universidade Lusófona que era candidato presidencial, embora assumindo que o seu resultado ficou aquém do esperado, garante que continuará a defender as causas a que está associado.


24 Jan, 2016, 21:43

Henrique Neto, um candidato presidencial antigo deputado do PS, mas marginalizado, primeiro, por José Sócrates, e agora por António Costa, saudou "o novo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, na esperança de que ele nos surpreenda" e pediu "que ele como presidente da República possa ser um factor positivo das mudanças profundas que o país precisa" porque "o futuro do país nos próximos meses e anos, não vai ser fácil".


Jorge Sequeira reconhece que "os resultados não são satisfatórios".

Cândido Ferreira afirmou que "os partidos políticos deviam funcionar como cerne da democracia", mas lamentou que "persistam em afunilar o sistema democrático".


As declarações dos 10 candidatos no filme completo do dia das eleições aqui.


Eleições presidenciais 2016 em directo





Direcção-Geral da Administração Interna (DGAI) — resultados globais do escrutínio em directo.


Os resultados no território nacional aqui. Clicar em cada distrito (ou região autónoma) do mapa interactivo. Depois pode escolher-se o concelho e até a freguesia.



segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Maria de Belém vai candidatar-se à Presidência da República

LUSA/Miguel A. Lopes


De manhã, no Palácio de Justiça, em Lisboa, aonde foi entregar as listas de candidatos por Lisboa às legislativas de 4 de Outubro, António Costa tinha sublinhado: "Temos um calendário de prioridades e aquilo que neste momento nos empolga são as eleições legislativas. Acho que estarmos aqui todos, e a doutora Maria de Belém, é um bom sinal de que o que nos está a concentrar a todos são mesmo as eleições legislativas."
Ao seu lado, Maria de Belém explicou a sua presença, assim: "Estou aqui para integrar, como membro suplente, as listas para deputados."

Mais tarde, Maria de Belém assumia o propósito de entrar na corrida presidencial de 2016 em nota enviada à agência Lusa:
Comuniquei ao Secretário Geral do Partido Socialista a intenção de me candidatar à Presidência da República.

A prioridade para o Partido Socialista, neste momento, são as eleições legislativas, como sempre afirmei.

No entanto, para evitar especulações e pelo respeito que me merecem as muitas pessoas que me têm manifestado o seu apoio, entendi dever divulgar a minha decisão.

Apresentarei publicamente a minha candidatura após as eleições legislativas de 4 de Outubro.

Maria de Belém Roseira nasceu no Porto, tem 66 anos, é jurista e integrou os dois governos liderados por António Guterres como ministra da Saúde (1995-1999) e na pasta da Igualdade criada propositadamente para ela no segundo governo (1999-2001). Foi presidente do PS entre 2011 e 2014.

Confrontado com o anúncio da candidatura de Maria de Belém à Presidência da República, António Sampaio da Nóvoa disse estar "surpreendido com muito agrado", mas garantiu que continuará na corrida mesmo que o PS venha a apoiar a sua antiga presidente.

"Posso garantir até uma outra coisa, posso garantir que vou ganhar, que esta candidatura tem uma dinâmica de vitória muito forte, tem uma dinâmica de vitória que sinto nas pessoas, no que me têm dito e na maneira como têm estado com esta candidatura, e eu estou absolutamente convicto de que os portugueses querem a partir de 2016 um presidente de um tipo novo e estou convencido de que essa decisão vai recair na escolha da minha candidatura e da minha pessoa como presidente da República", acrescentou Nóvoa.

Até agora, só o Livre/Tempo de Avançar é que apoia oficialmente Sampaio da Nóvoa, depois de um referendo interno realizado no final de Junho.

Mas dentro do PS, e também na sociedade, há nomes sonantes por detrás da candidatura do ex-reitor da Universidade de Lisboa: Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio, os três ex-presidentes da República vivos.
No seu périplo pelo País, Nóvoa sempre foi recebido pelos líderes distritais do PS ou por presidentes de câmara socialistas, como narra o Observador:
Há muito que o ex-reitor da Universidade de Lisboa anda na estrada e tem sido sempre recebido pelos líderes distritais do PS ou por presidentes de câmara igualmente socialistas. Primeiro, fez-se acompanhar por Pita Ameixa, deputado socialista eleito pelo círculo de Beja, quando foi petiscar à feira da Ovibeja. Depois, rumou ao norte do país para almoçar com o presidente da Câmara de Fafe, o socialista Raul da Cunha. No caminho encontrou-se com Domingos Bragança em Guimarães, tomou uma breve refeição com João Azevedo em Mangualde e reuniu-se com Gil Nadais em Águeda. Tudo presidentes de câmara socialistas. Quando chegou a Paredes de Coura aproveitou para almoçar com o também autarca socialista Vítor Pereira. Neste caminho para Belém ainda houve tempo para parar, por exemplo, em Águeda, Melgaço e Viana do Castelo, outros três quartéis-generais socialistas. Tudo somado, desde que se fez à estrada, o ex-reitor já andou por 13 terras socialistas, num total de 17 apeadeiros.

Aliás, o coordenador de uma secção do concelho de Cascais esclareceu-se junto da direcção nacional sobre o que fazer durante a visita do candidato presidencial àquele concelho em Julho, tendo enviado depois aos militantes um e-mail intitulado “Definição de apoio do PS a candidaturas à Presidência da República nunca antes de Outubro”, onde a ordem era clara e vinha de cima:
Recebemos a informação institucional do PS de que tais noticias [sobre avanço de Maria de Belém] são infundadas e que o PS continua sem candidato oficial, o qual deverá ser definido no próximo mês de Outubro. Até lá, as estruturas do PS continuam a ver com muita simpatia a candidatura do Prof. Sampaio da Nóvoa e seguindo com muita atenção as diversas actividades que a candidatura deste candidato promove no País.


*


É verdade que, gerir os interesses financeiros da gentinha que se apinha dentro de cada partido político português com representação parlamentar, é um enorme pesadelo para o respectivo presidente ou secretário-geral. Exceptua-se o PCP onde os militantes sabem que o melhor modo de arranjar um tachito bem remunerado é obedecer à voz do chefe e esperar pacientemente na fila.

Mesmo assim, António Costa está a revelar uma notória incapacidade de liderança também na questão das presidenciais.
Sampaio da Nóvoa era um desconhecido fora do meio universitário. Foi uma directriz de Costa que levou as bases do PS a darem visibilidade à candidatura de Nóvoa, um apoio implícito que agora vai lançar a confusão no seio do eleitorado socialista e deixar Maria de Belém, bem mais agradável para o eleitorado do centro que o antigo simpatizante da LUAR, a concluir a corrida presidencial na segunda posição.

Mais uma vez, o candidato preferido de Mário Soares vai ficar em terceiro lugar numas eleições presidenciais — aconteceu em 2006 com a candidatura do próprio e, em 2011, com a de Fernando Nobre.

Já o PSD e o CDS estão a gerir com mais cuidado a questão espinhosa das eleições presidenciais de 2016, onde dificilmente um candidato oriundo deste espaço sairá vencedor.

Desde 2009 que a facção cavaquista do PSD tem Paulo Rangel como candidato a primeiro-ministro e agora andará a aliciar Rui Rio para as presidenciais.
Se Passos Coelho se soubesse opor aos desígnios desta facção e tivesse o golpe de asa de apoiar a candidatura suprapartidária de Henrique Neto — um empresário profundo conhecedor da economia nacional, com os pés bem assentes na terra, socialista mas ostracizado pelo aparelho do PS —, este poderia caçar votos no campo do eleitorado socialista masculino — ou não estejamos num País latino — e, reunindo a estes os votos sociais-democratas e centristas, ganhar a eleição presidencial.

A opinião dos outros:

AMLG
17:17
Esta criatura representa bem o partido. Uns janotas pendurados toda a vida no dinheiro dos portugueses. Sem que tenham feito alguma coisa útil para o País. Uns espertalhões que nós, palermas, alimentamos a palha doirada toda a vida (certamente já há 20 anos com aquelas reformas milionárias vitalícias).

Anónimo
17:48
O País enterrado há 30 anos num pântano do qual não consegue sair e, como putativos candidatos presidenciais, aparecem umas figuras que não só ajudaram ao enterro, como não expressam qualquer ideia estratégica de como o País de lá sairá. Valha-nos Santo Ambrósio!

Pitonisa
17:53
O Sampaio da Nóvoa e os que se apressaram em dar-lhe apoio podem meter o rabinho de molho! Sou simpatizante do PSD mas nas presidenciais voto em Maria de Belém porque dá mais estabilidade que o espalha-brasas do Marcelo.

Agora sim!
18:10
Esta convenceu-me de que realmente vivo numa república das bananas... Estas pessoas que vivem isoladas dentro dos partidos (sem terem vida cá fora) não têm mesmo a noção do ridículo!

surpreso1
18:11
Do banco de suplentes, para jogar à frente. Estás feito, Costa!

abelavida
18:18
Que há para comentar? Nada.
Oxalá tenhamos Rio a candidato.

Américo Silva
18:31
Sampaio da Nóvoa não convence. Ninguém o conhece, nem diz coisa com coisa. Com Maria de Belém, a esquerda caviar tem sarna e o trio bancarrota — Soares, Sampaio e Vítor Constâncio — vai dar música noutra freguesia.

mmmpinto
21:59
Bastou ver hoje as televisões, onde apareceu mais uma imagem do PS, à saída também de mais uma das suas reuniões, estando Costa ladeado por Ferro e Roseta, com uns tantos a fazer grupo, para imaginar o que espera a Nação deste "velho mobiliário"!
Quanto à Senhora que se pretende candidatar à suprema magistratura da Pátria, é melhor começar a rezar para que Deus nos proteja.

Pois é...
22:26
O Nóvoa vai ficar, apenas, com os votos do PCP, BE e LIVRE!


domingo, 21 de junho de 2015

Entrevista de Henrique Neto ao Jornal i


Numa longa entrevista concedida ao Jornal i na sua casa em Lisboa, sem a presença de assessores ou conselheiros, o candidato presidencial Henrique Neto alerta que os partidos estão a fazer promessas que podem não conseguir cumprir.


Henrique Neto por uma nova república.


Se for eleito, será o primeiro Presidente da República que não é doutor nem professor e que foi operário...
E que não é de nenhum partido...

Vai utilizar essas características como trunfos na campanha?
Vou, claro. O facto de ter sido operário ou não ser doutor, não creio que seja uma questão muito relevante do ponto de vista político. Mas não ter o apoio de partidos tem um significado. Um dos grandes problemas da democracia portuguesa, nos últimos 20 anos, foi os partidos terem cerceado a liberdade dos cidadãos e essa menor participação das pessoas tem como consequência a degradação da vida pública, nomeadamente do ponto de vista ético, do ponto de vista do crescimento da corrupção, dos interesses, da relação promíscua entre os negócios e a política.

É de prever que, se for eleito, tenha uma relação difícil com os partidos.
Espero que não. Se os partidos políticos compreenderem que têm em Belém um Presidente que não vai fazer cedências e que não vai assistir impávido e sereno a políticas que são prejudiciais para o interesse nacional, como tem acontecido, tentarão acertar o passo com aquilo que o Presidente considerar necessário. Não se trata de dirigir a política portuguesa, mas de evitar erros que sejam prejudiciais para a economia ou para o prestígio de Portugal no mundo.

Cavaco Silva não tentou evitar esses erros?
Não. A última intervenção que fez no 10 de Junho é a prova disso. Eu tenho uma grande preocupação com a questão dos comportamentos. Há comportamentos desviantes, há comportamentos pouco correctos na sociedade portuguesa — e na política em particular — que têm de ser mudados. Nesta última intervenção, o Presidente da República fez aquilo que já tinha sido iniciado pelo primeiro-ministro quando elogiou Dias Loureiro. O Presidente reincidiu de duas formas: por um lado, chamando “pessimistas profissionais” àquelas pessoas que, no fundo, avisaram a Presidência da República e o governo, durante os últimos anos, dos erros que estavam a ser cometidos nas finanças públicas, no endividamento, nas PPP...

Criticou os profissionais da descrença e os profetas do miserabilismo.
Sim. Aqueles que se bateram por um país mais decente são acusados de pessimismo. Ao mesmo tempo, pessoas que tiveram um papel relevante no empobrecimento, com uma política financeira trágica para o país, como foi o caso do ministro Teixeira dos Santos, são condecoradas. E, por exemplo, o prof. Campos e Cunha, que teve um acto de coragem logo no início da governação, porque teve a hombridade e a coragem de sair quando se apercebeu de que o governo estava a caminhar no sentido contrário ao interesse nacional, foi esquecido.

Mas o Presidente não fez nenhuma referência a Dias Loureiro.
Mas em relação ao Dias Loureiro, quem é que não sabia o passado dele quando o Presidente da República o fez membro do Conselho de Estado? E depois manteve-o lá, mesmo depois de estar a ser investigado pela Procuradoria-Geral da República. Este Presidente presidiu durante estes anos a uma das mais trágicas situações que o nosso país viveu em cem anos. Uma crise com proporções trágicas. Com cortes de pensões, cortes de ordenados, desemprego elevado. Isso tudo foi consequência de uma governação aventureira e o Presidente da República assistiu a tudo isto calado. E muitas vezes até enganou os portugueses, como aconteceu no caso do BES, sobre a PT... Tudo coisas que aconteceram e a que um Presidente não pode assistir como se não fossem com ele.

Acha que o Presidente da República devia ter mais poderes? Cavaco Silva tentou, por exemplo, que os partidos fizessem compromissos e nunca o conseguiu.
Isso só serviu para desvalorizar a palavra do Presidente. O Presidente poderia, em vez de dizer “entendam-se”, apresentar uma base estratégica de acordo, semelhante àquela que eu apresentei, a dizer para onde é que o país vai nos próximos 10 ou 15 anos. É provável que os partidos tivessem mais dificuldades em não se entender.

O Presidente não está a ultrapassar os seus poderes se apresentar uma estratégia que condiciona as políticas dos governos?
O governo só a segue se quiser. Os portugueses lêem essa estratégia e julgam se quem tem razão é o Presidente ou os partidos. E isso era importante, porque todo o poder, desde o 25 de Abril, tem estado entregue aos partidos. Tudo passa pelos partidos. Se esse caminho tivesse resultado e estivéssemos numa situação próspera como, por exemplo, a Irlanda, era sinal de que os partidos estariam a fazer um bom trabalho, mas não é isso que acontece. O país está a viver uma crise que não vai passar de um dia para o outro.

Os programas da coligação e do PS têm boas soluções para ultrapassar a crise?
Os programas são até relativamente parecidos.

Preferia que ganhasse o PS?
Naturalmente.

Algumas pessoas do PS reagiram à sua candidatura com alguma agressividade e até com algum desprezo. O ex-ministro Santos Silva escreveu que “os bobos estão a ocupar a cena”.
O PS, infelizmente, mantém em cena pessoas que se desacreditaram na governação. As pessoas podem ter muito boa vontade em relação ao partido, e eu tenho, mas contra a realidade é muito difícil esgrimir argumentos. São factos — e contra factos não há argumentos.

Nunca deu sequer o benefício da dúvida a Sócrates. Desde que ele chegou à liderança do partido que o critica.
Não. Não dei. Eu sabia o que se estava a passar, conhecia suficientemente a personagem para saber que ele tinha características que não eram próprias de um primeiro-ministro. Se as políticas fossem diferentes, eu teria apoiado. Se em vez de tanta auto-estrada se tivesse apostado na via férrea, eu teria apoiado.

Tem alguma convicção sobre se José Sócrates é culpado ou inocente?
Não faço ideia se vai ser condenado na justiça, mas sei que é culpado pela forma como conduziu o país e o prejuízo que o país teve por meros actos de governação. Foi a maior destruição de riqueza do Portugal moderno. Não há sobre isso nenhuma dúvida. É evidente que um primeiro-ministro corrupto é uma coisa impensável.

Concorda com o discurso do PSD de que Sócrates é o culpado pela crise que o país atravessa?
Concordo porque é uma evidência. Claro que o PSD tem objectivos ideológicos em reduzir o valor do trabalho, em favorecer os sectores da sociedade mais privilegiados. Eu sei disso. Mas isso foi muito facilitado pela situação em que o país foi deixado pelos governos anteriores.

E também concorda que o país está melhor do que em 2011?
O país está melhor do ponto de vista da credibilidade das finanças públicas, da credibilidade internacional, mas isso deve-se essencialmente a acções do Banco Central Europeu, e não tanto deste governo. E essa maior credibilidade pode ser alterada de um momento para o outro, seja por causa da situação da Grécia, seja pela subida de juros.

Os partidos estão a fazer promessas que não sabem se têm condições para cumprir?
Não tenho a certeza que, quer a coligação, quer o PS, as possam cumprir, principalmente porque eles baseiam tudo na gestão da situação como existe e não numa alteração da situação, nomeadamente a situação económica. Para mim é impensável que o país possa continuar a crescer 0,5 ou 1% mais 12 anos, em cima de 12 anos em que não cresceu praticamente nada.

Teria consequências complicadas?
Se isso acontecer, os portugueses vão ter enormes dificuldades. Não sei o que pode acontecer e fico preocupado porque nem a coligação nem o PS apresentam ideias claras para o crescimento da economia. O PS espera que a economia cresça através de alguma animação do mercado interno. Eu tenho muitas dúvidas dessa animação. Não acredito que Portugal possa resolver os seus problemas antes de ter 60% do PIB em exportações.

É possível acabar com a austeridade nos próximos anos?
Se houver crescimento económico digno desse nome, à volta dos 3% ou 4%, como acontece na Irlanda, é fácil fazer toda essa reposição. Se não crescer, não vai ser fácil. E, portanto, as promessas são baseadas numa certa manipulação dos dados existentes.

Os partidos são geralmente optimistas nas campanhas. Sempre foi assim.
Há muitos anos que são optimistas. E se o optimismo tivesse demonstrado a sua validade, todos quereríamos dar razão ao Presidente da República ou aos partidos. Optimistas devem estar os irlandeses, a crescer a 4% ao ano. Tiveram políticas que, no fundo, eram aquelas que eu sempre defendi. Fiz duas moções aos congressos do PS, há 15 anos, em que dei a Irlanda como exemplo a seguir. Quinze anos depois, basta olhar para a economia irlandesa.

No PS diz-se que foi crítico de António Guterres porque ele não o convidou para o governo. Jorge Coelho diz que “ao não o ter convidado, o Guterres arranjou um inimigo para a vida inteira”.
Esses ditos do Jorge Coelho e de outros provam a mediocridade de quem os diz. Eu não podia ser ministro, mesmo que quisesse. E disse isso ao Guterres. Mas não é isso que conta. O que conta é o que eu disse e escrevi. Eles têm de julgar se o que eu disse, ao longo de 15 anos, estava certo ou errado. Fiz propostas, estão escritas.

Nunca pensou em sair do PS quando estava isolado? Sócrates tinha o apoio de 90% dos militantes...
Não, não. Continuei porque tenho razão. Se eu tivesse estado calado, como outros que agora são candidatos, não me candidatava agora à Presidência da República. Se eu tivesse ficado a assistir ao descalabro do país sem dizer nada, ia candidatar-me para quê? A minha candidatura baseia-se na convicção de que tive razão e gostaria, nesta campanha, que as pessoas me dissessem onde é que eu errei.

O facto de ter sido deputado e dirigente do PS e de ter conhecido a política por dentro foi determinante para a opinião que tem hoje sobre os partidos?
Foi. Dois anos depois de estar no parlamento, eu já dizia que não queria continuar. As cartas estão viciadas no parlamento. Disse isso, mas agora dizem que eu queria continuar. O que é espantoso é que as pessoas julgam-me a mim com os critérios que eles próprios têm. Como a única coisa que querem é ocupar lugares, acham que toda a gente tem a mesma motivação. Eu não tenho.

Não vale a pena ser deputado? Não se consegue mudar nada?
Vale a pena, se verdadeiramente se representar os portugueses. Se houver uma relação directa entre o eleitor e o eleito. Se o eleitor puder escolher o seu deputado e o deputado souber que, se não defender os interesses dos seus eleitores, não vai ser reeleito.

O Presidente da República deve impor aos partidos uma reforma no sistema político?
Impor, não posso. Vou defendê-la com convicção. Vou bater-me por isso.

Os partidos nunca a conseguiram fazer e provavelmente não a vão fazer tão cedo?
Não, mas o Presidente da República tem de ter sempre como seu aliado o povo português, e o povo português já percebeu isso muito bem, daí que surjam por todo o lado grupos de cidadãos. Os partidos políticos, em Portugal, não representam os cidadãos. Por isso é que os cidadãos andam a encontrar outras formas de representação.

Será uma espécie de candidato do povo?
Sim, quando digo que os poderes do Presidente são suficientes é porque acho que a aliança com o povo permitirá ao Presidente, sem populismo e sem demagogia, convencer os governos a enveredar por políticas mais de acordo com o interesse nacional.

Qual é o seu eleitorado natural?
Não sei. Na minha candidatura tenho pessoas do PS, do CDS e do PSD.

Mas é uma pessoa de esquerda.
Sou. Continuo a considerar-me uma pessoa de esquerda, mas também considero que a maioria dos problemas que o país tem não são de esquerda nem de direita. Os erros que foram cometidos não são de esquerda nem de direita. O desemprego não é de esquerda nem de direita. Eu tenho apoio de gente do CDS.

Não tem é os chamados notáveis consigo. Não conseguiu convencer mais pessoas?
Tenho alguns. O Mira Amaral, o Medina Carreira. Tenho muitos que me apoiam na sombra. Reconheço que a minha candidatura pode causar alguma estranheza, porque as pessoas estão tão habituadas a que quem manda são os partidos que não concebem que fora dos partidos se possa fazer seja o que for.

Sampaio da Nóvoa tem o apoio dos três ex-Presidentes. Isto é uma vantagem?
Sim. É legítimo que os portugueses sejam influenciados por isso. Claro que convido os mesmos portugueses a pensarem que foram os três Presidentes do sistema que nos conduziu até aqui. Se quiserem continuar nesse sistema, se quiserem continuar com esta desgraçada promiscuidade entre os negócios e política, é continuarem...

O discurso de Sampaio da Nóvoa também é claramente contra essas relações de promiscuidade...
Era melhor que ele viesse dizer que defendia isso. Mas eu gostaria de o ter visto a distanciar-se, falando alto e grosso, durante os últimos 12 anos. Ele não nasceu agora. Como, aliás, as elites portuguesas em geral. Os últimos 15 anos foram uma destruição permanente de riqueza, atraso, endividamento, empobrecimento. Só não viu quem não quis.

Sampaio da Nóvoa tem essa fragilidade?
Acho que sim.

Surpreende-o o apoio do PS a Sampaio da Nóvoa?
O PS não quer enfrentar a realidade. O PS teve seis anos desgraçados. O normal teria sido que viesse outra equipa, que limpasse a casa dos erros do passado e se apresentasse de cara limpa. Isso não aconteceu e temos as mesmas pessoas. A dificuldade que o PS está a ter em subir nas sondagens tem a ver com isso. Foram fracos, não se distanciaram.

E não tem que ver com o facto de Sócrates estar preso preventivamente?
Se for condenado ou se for acusado, isso causa um rombo no PS, mas causa porque foram fracos e não se distanciaram. Não souberam distinguir o bem do mal. Não há nada mais básico na sociedade e no ser humano do que a distinção entre o bem e o mal. O PS não reconhece o mal ou não distingue o mal do bem. Mas eu prefiro que a campanha se faça à base dos problemas do país. Se dependesse de mim, esse tema não entraria na campanha, porque os problemas do país são muito sérios. Eu já apresentei uma estratégia para o país...

Esse não é o papel dos partidos?
O que pretendo é dizer aos portugueses que o país tem soluções e que não é verdade que não haja soluções ou que só haja uma solução. Há muitas. Devem ser os governos a assumir essas soluções.

Mas tendo uma posição crítica em relação a quase todos os governos, não é previsível que tenha uma relação conflituosa com o próximo?
Creio que não. Ao longo da minha vida, nunca deixei de dizer aquilo que pensava, mas procuro sempre o consenso e pontes de compreensão. O grande problema dos partidos é que eles cortaram as pontes com a sociedade. Um dos grandes objectivos que eu tenho é trazer os empresários para a definição de políticas. É impensável que os empresários estejam tão afastados da vida política. São eles que criam a riqueza. Os partidos chamam economistas para fazerem os programas, mas não chamam empresários. Como se explica isto?

Há um preconceito em relação aos empresários?
Há. É que os empresários sabem mais, têm mais experiência, podem provar o que fizeram, e os políticos não podem. Ou melhor, os políticos só podem provar que nos conduziram até esta desgraça.


*


Henrique Neto sabe que a reanimação da economia do País não se pode fazer à custa do consumo interno porque as pessoas, se tiverem maior disponibilidade financeira, vão desatar a adquirir produtos importados — roupas de marcas estrangeiras, televisores de plasma, consolas de jogos, smartphones americanos, sul-coreanos ou japoneses, automóveis alemães, ...

Além de ser um bom avaliador de políticas económicas, Neto também sabe apreciar caracteres e no de José Sócrates destacava-se a prepotência, a aldrabice, a ostentação e a ausência de escrúpulos, pelo que nada de bom se podia augurar da sua governação.

Sendo um operário que estudava à noite e acabou por se tornar um empresário, conhece as tentações mas também as dificuldades por que passam as pequenas e médias empresas que, será bom não esquecer, constituem a maior parte do tecido empresarial português e, por isso, podem ser grandes criadoras de emprego em Portugal.
E, ao contrário dos outros deputados socialistas, nunca idolatrou José Sócrates, nem alienou a sua liberdade de opinião para conservar o lugar na assembleia da República ou ganhar prebendas, optando por defender o desenvolvimento económico do distrito que o elegeu para o parlamento.

Henrique Neto nunca aceitará que os partidos políticos façam promessas falsas ao eleitorado. Até agora é, sem dúvida, o melhor candidato presidencial.

Um comentário à entrevista resume os últimos 40 anos da política portuguesa:


SIULUX • há 3 horas
Não sou e nunca serei socialista, mas votaria em Henrique Neto! Porque ele também quer eliminar a gangrena de Portugal como escrevi há anos:

QUARTA-FEIRA, 31 DE MARÇO DE 2010
A nossa luta: erradicar a gangrena de Portugal!
Como já escrevi há mais de 30 anos, Portugal nunca foi capaz de se libertar dos "bufos e dos chulos" que haviam servido Salazar e a ditadura, mas pior que esses foram os parasitas e sanguessugas "perfilhados", adoptados e "paridos" pela democracia, desde 25 de Abril de 1974.

Primeiro foi a democracia "proletária" da foice e do martelo que meia dúzia de gatos pingados conseguiram, graças às conivências e complacências dos mentores do PREC, COPCON e dos larápios da propriedade privada que, para compensar a descolonização cobarde, se apropriaram de milhares de hectares de terrenos de cultivo, a pretexto de uma reforma agrária igualitária. Era a única forma de contentar os "operários" que se armavam em revolucionários e erguiam o punho ameaçador, quando o PC e os partidos esquerdistas precisavam de capangas para intimidar os "reaccionários".

Depois tivemos uma década de "mama" comunitária com a adesão à, então, CEE e os governos do PSD liderados por Cavaco Silva, em que alguns "laranjinhas" puderam entrar para a função pública, saneando e vingando-se dos "comunas" e dos otários que o compadrio reinante havia premiado.

Finalmente, e depois da travessia do deserto, surgiram os "boys" cor-de-rosa a reclamar "jobs" ao engenheiro Guterres e, aí sim, foi o descalabro total, como o próprio reconheceu ao fugir como um rato no meio de um pântano de promiscuidade e opacidade.

Se alguém pensou que os "meninos e as meninas" do partido da rosa estavam fartos, enganou-se porque, com o golpe de Estado constitucional do Presidente Sampaio e a consequente eleição de um "boy" genuíno e com pedegree "apparatchick", foi fartar vilanagem, como provam as escutas "casuais" deste caudilho "sui generis" engendrado pelo socialismo da chupeta e da esmola, com que o "general" foi matando a fome aos inúteis e aos "boys" que, por falta de bestunto e de "canudo", nunca conseguiram arranjar assento à mesa dos "eleitos" da grande confraria PS.

É esta promiscuidade e a consequente opacidade que há mais de 35 anos vem gangrenando o Estado e saqueando impunemente a república portuguesa, para mal do nosso futuro.

Agora, face a esta ameaça fatal, ou exercemos corajosamente a nossa responsabilidade e erradicamos de vez este problema cultural e social ou nos acovardamos e nos tornamos cúmplices da morte lenta da pátria-mãe, que nunca foi merecedora de filhos tão degenerados.

Hoje, sob pena de não conhecermos os arcos-íris de amanhã, é nosso dever lutar para erradicar a gangrena de Portugal.


segunda-feira, 11 de maio de 2015

Cinco ideias de Henrique Neto


Henrique Neto pede um compromisso entre os partidos com uma estratégia de desenvolvimento do País a longo prazo.




"O grande défice da política portuguesa é a falta de estratégia", afirma Henrique Neto, "o país está a navegar à vista desde a entrada no euro".
Para o resolver, o candidato presidencial defende que os partidos se unam em torno de um objectivo, assumido como "desígnio nacional", para construir e consensualizar uma estratégia de desenvolvimento, assegurando que se concentram esforços nas prioridades nacionais que forem definidas durante o tempo necessário para que a economia ganhe velocidade.

"Uma economia da dimensão de Portugal não pode sobreviver se exportar apenas 40% do PIB", considera este empresário do sector de moldes. É preciso aumentar o peso das exportações no PIB para 60% no prazo de cinco anos, através da definição de políticas sectoriais em conjunto com os empresários.

Critica os "interesses organizados", entre classe política e empresários, com o lançamento de projectos que serviram para "dar encomendas" às empresas. E exemplifica: "Há mil postos de carregamento para apenas 300 carros eléctricos, auto-estradas onde não anda quase ninguém", as PPP ou o computador Magalhães.

O novo porto de contentores do Barreiro, anunciado em Fevereiro pelo Governo, merece a sua discordância: "Está-se a pensar fazer um porto no Barreiro, que não serve para nada. No momento em que todas as grandes cidades estão a tirar as grandes infraestruturas para fora, nós queremos fazer um grande porto no Barreiro. Para que serve? Em que estratégia é que se insere?"
Ainda antes do anúncio, a Ordem dos Engenheiros veio alertar para a possibilidade de os custos da obra chegarem aos 827 milhões de euros, muito acima dos cerca de 600 milhões avançados pelo Executivo.
Segundo lhe explicou Sérgio Monteiro, secretário de Estado dos Transportes, "é um investimento privado". "Se existe investimento privado interessado no porto, era interessante que dissessem qual é o objectivo".

Ao mesmo tempo defendeu o investimento no terminal de contentores de Sines, que considera poder ser um grande motor de investimento estrangeiro, atraindo novas indústrias para o País. "Já perguntei ao primeiro-ministro porque não foi aprovado o investimento de 130 milhões da PSA no alargamento do cais do porto de Sines. E há ainda o investimento no cais seguinte, o Vasco da Gama".
O porto de Sines é um cavalo de batalha de outro socialista, António Brotas, antigo professor do Instituto Superior Técnico, com ideias em que os seus correlegionários nunca prestaram atenção.
Henrique Neto garante: "Se for Presidente, os custos e objectivos dos grandes investimentos terão de ser bem explicados ao País."

"Gostaria de ser o candidato dos sectores da sociedade portuguesa que estão descontentes com o que se passou nos últimos 20 anos, que têm ideias para o país", diz.
Mas o que diferencia este empresário dos outros candidatos? "Porque sei daquilo que falo. Já vivi aquilo de que falo, nacional e internacionalmente. Tenho saber para o cargo, acumulado ao longo de anos. Se os portugueses conhecerem isso e avaliarem, acredito que possa ganhar as eleições."

Cinco ideias para o País

Unir os partidos numa estratégia para o país

É necessário construir e consensualizar uma estratégia de desenvolvimento para o País, assegurando que se concentrem esforços nas prioridades nacionais durante o tempo necessário para que a economia ganhe velocidade.

Aumentar o peso das exportações

Outra das prioridades é definir políticas sectoriais, em debate com empresários, que promovam o investimento privado, nacional e estrangeiro, com vista ao aumento das exportações para, pelo menos, 60% do PIB em cinco anos. Como o peso actual de 40%, a economia não é sustentável.

Combater interesses instalados

"Há demasiados compromissos entre política e negócios". Compete ao Presidente da República exigir que os grandes investimentos sejam explicados aos portugueses.

Reforma eleitoral com voto nominal

O empresário defende o voto nominal, em que os eleitores votam num deputado e não em listas. Mas também a incompatibilidade entre o exercício simultâneo da actividade política e a gestão ou defesa de interesses económicos.

Mais recursos para a Justiça

"Não percebo como é que todos os partidos não estão a dizer que a justiça precisa de mais recursos nesta fase. Os portugueses têm de acreditar que a justiça está a ser feita no sítio certo e não na rua."


domingo, 10 de maio de 2015

A entrevista de Sampaio da Nóvoa ao Público


António Nóvoa, 60 anos, antigo reitor da Universidade de Lisboa e actual candidato presidencial deu uma longa entrevista ao público da qual destacamos este excerto:



"Não vai ter comissão de honra, nem comissão política?
Comissão de Honra, no sentido tradicional, não. Mas é evidente que a partir de certa altura queremos divulgar os nomes de muitas pessoas que estão a dar apoio a esta candidatura. Esta é uma candidatura republicana. Não fazemos convites. Quem quiser vir, que venha. Até agora há um grupo de cerca de 12 pessoas, mais operacional, que se encontra quase diariamente. É gente na casa dos quarenta e poucos anos, totalmente voluntárias. Duas ou três vão deixar os empregos para se juntarem a isto a tempo inteiro. Para a semana abriremos a sede. Depois há um conjunto de pessoas com que me reúno, tomo pequeno-almoço, almoço, telefono, sempre de um modo informal. Não gostaria muito que ganhasse organicidade. Quando anunciei a minha candidatura no dia 29 desliguei-me da Universidade. Agora também não tenho salário. Achei que o devia fazer. Iria viver a campanha a achar que devia estar a dar uma aula...

Tirou uma licença?
Sem vencimento.

Quando vier a ter apoios partidários como é que vai ser? Vão integrar-se nessa forma de fazer campanha que defende?
Fico contente por utilizar o “quando”, eu teria tendência a utilizar o “se” [Risos]. Se vier a ter, as pessoas terão de funcionar no interior destas dinâmicas. É uma característica pessoal: a pior coisa que me podem fazer é tentar encostar-me à parede. Há muita arrogância no poder em Portugal. As pessoas a mim levam-me por bem, mas constrangendo-me é impossível. Eu vou fazer o possível dos impossíveis. Com uma entrega total. Mas quem vai fazer isto são os portugueses.

Já sabe quanto vai custar a campanha?
Temos um cálculo. Queremos fazer uma campanha com poucos custos. Não teremos um aparato centralizado que depois terá de colocar outdoors nas rotundas todas do País. Depois de termos analisado todas as campanhas anteriores, para fazermos uma campanha séria, que chegue às pessoas, precisamos de cerca de um milhão e meio de euros. É um bocadinho menos do que se gastou em campanhas anteriores. Se este processo correr bem, se tiver os níveis de votação que pensamos que venha a ter, a subvenção do Estado cobrirá esse valor. Teremos de recolher alguns donativos, eu terei de recorrer às poucas poupanças que tenho. Não é líquido que se possa pedir um empréstimo… Se correr mal, o risco é meu e estou cá para isso.

Diz-se um homem de esquerda. Nunca houve maiorias de coligação à esquerda. Acha que o sistema político está demasiado inclinado ao centro?
Acho que mais do que inclinado ao centro, criou-se uma convicção de que só se podia governar ao centro. É o famoso “arco da governação”, que eu acho uma coisa verdadeiramente insuportável, até porque é um conceito que logo à partida exclui 20% dos portugueses. A inevitabilidade do centro é a inevitabilidade de certas políticas. Sou completamente contrário a isso. As sociedades são de uma enorme pluralidade e essa pluralidade deve ser respeitada ao limite. Daqui decorre uma segunda questão central: a capacidade de fazer entendimentos. A partir do respeito pela diversidade, temos de ter a capacidade de fazer os entendimentos que resultem da vontade popular.

Sente-se capaz, como Presidente, de pôr os partidos a falar e a fazer entendimentos?
É a história da minha vida. Sempre o fiz na Universidade. Eu não faço consensos para vivermos a nossa vidinha o melhor possível, faço consensos em torno de projectos. Sinto-me muito capaz disso. É talvez de todas a coisas a que faço melhor. Essa amálgama do centro é uma coisa muito irritante em Portugal.

Daria posse a um Governo minoritário?
Claro. Não vejo nenhum drama nisso, desde que seja possível encontrar entendimentos e equilibrios que permitam encontrar estabilidade na governação. É muito importante haver estabilidade e que os portugueses sintam que o Presidente garante essa estabilidade. Mas estabilidade, para mim, não é ficar tudo na mesma.

Cavaco Silva já fez saber que não dará posse a um Governo minoritário. Se vencer as eleições à primeira volta, embora só tome posse a 9 de Março, vai estar a assistir ao processo de formação do Governo e às negociações do Orçamento de fora. Tem disponibilidade, depois de eleito, para ajudar o Presidente actual, caso ele lhe peça?
Em democracia, os mandatos cumprem-se até ao último dia. O Presidente tem um órgão próprio de aconselhamento, que é o Conselho de Estado. Contudo, se o Presidente entender que ouvir-me nesse contexto pode ser-lhe útil, estarei sempre disponível, como sempre estive. Mas a responsabilidade pertence ao actual Presidente.

Consegue ver-se a dar posse a um Governo do Bloco Central?
Consigo. Se me pergunta se esse é o meu ponto de partida, não é. Espero que seja claro para toda a gente que o meu ponto de partida é o da crítica das políticas de austeridade.

Ouviu Carvalho da Silva dizer que ainda não existem candidatos que ponham em causa a austeridade?
Não, não ouvi. A primeira parte do meu discurso de apresentação de candidatura é toda sobre isso, uma crítica das políticas de austeridade. Fi-lo de maneira intencional, poderia ter começado pelos poderes presidenciais. Quis deixar essa marca na minha declaração de candidatura. Isso para mim é muito claro. Quando se fala em Portugal de Bloco Central o que se fala é em tornar inevitáveis essas políticas de austeridade. Não sou favorável a isso. Mas o Presidente tem de tirar as conclusões da vontade das pessoas. Eu não posso substituir-me a essa vontade. Se num determinado momento resultar que essa é a única possibilidade, é evidente que terá de se encontrar uma solução.

Gostaríamos de saber o que faria em algumas situações concretas. A primeira é: assinaria o Acordo de Parceria Transatlântica para o Comércio (TTIP)?
Antes deixe-me esclarecer um ponto. Um candidato a Presidente tem de ir um bocadinho mais longe do que nas suas funções enquanto Presidente, O Presidente não tem funções legislativas, nem executivas, e tem de respeitar isso até ao limite, mas um candidato não pode responder a tudo dizendo que não tem nada para dizer… Vou responder a algumas questões por essa razão. Em relação ao Tratado Transatlântico tenho algumas reservas sobre a maneira como está a ser negociado. Creio que podemos estar de novo perante uma situação que já nos aconteceu antes com a União Europeia, que é aderirmos a um espaço comercial mais amplo para o qual a nossa economia pode não estar preparada. Estamos sempre a jogar um jogo, como nós percebemos hoje em relação ao Euro, que parece aberto, de iguais, mas onde uns têm umas armas e os outros têm armas diferentes. Depois tenho a sensação de que sempre que estão em jogo tratados em que intervêm os Estados e grandes grupos económicos, quase sempre são os interesses económicos privados que acabam por prevalecer. Ou porque têm melhores advogados, consultores ou influência. Quase nunca, ou nunca, estas coisas resultam a favor do público ou dos Estados.

Se houver um novo tratado europeu, pondera convocar um referendo?
Pondero, sim. O Presidente não pode convocar um referendo por iniciativa própria, pode criar condições para que isso aconteça. Se houver nos próximos anos uma revisão dos tratados, temos obrigação de fazer um debate muitíssimo maior e mais informado. O Presidente deve sinalizar perante os partidos que não ratificará um tratado se não houver um amplo debate na sociedade. E em casos de tratados que afectem de forma significativa a soberania nacional o Presidente pode dizer que entende que devem ser submetidos a referendo. O meu entendimento é que se o Presidente é chamado a ratificar é porque pode escolher entre ratificar ou não. Se não, não vale a pena… Alguém traz um carimbo e assina pelo Presidente. O que se verifica hoje é que a nossa adesão à Europa foi sendo feita de forma pouco informada.

Mário Soares promovia debates com as célebres presidências abertas. Vai fazer o mesmo?
Julgo que os portugueses precisam de um Presidente mais próximo, mais presente, que as ouça mais, que seja capaz de perceber os seus problemas. A minha ideia é ter presidências descentralizadas, onde eu posso estar um mês num lugar, outro mês no outro, mas é claro que é preciso ponderar com muito cuidado, porque se isto tem custos é melhor ninguém se meter a fazê-lo. A dimensão da coesão social — da pobreza, da luta contra as desigualdades, contra a austeridade que está a massacrar o povo português — e da coesão territorial — a desertificação, o despovoamento, aldeias inteiras que estão a desaparecer — são duas áreas centrais da minha acção presidencial.

Defende a renegociação da dívida “até ao limite do possível”. Como é que isso pode ser feito?
O limite nós não sabemos nunca. Quem está na ciência sabe que nunca fazemos o que é possível, porque isso já os outros fizeram. Nós vamos tentar descobrir uma coisa impossível, que nunca ninguém fez até agora.

Daí a pergunta: vendo o que se está a passar com a Grécia, não é impossível?
Vai ser obviamente um processo duro e difícil. Há compromissos que foram assumidos e nós, honradamente, temos de cumprir. Mas não precisamos de o fazer de forma passiva, ordeira, e como bons alunos. Podemos fazê-lo explicando em todos os lugares, dentro e fora de Portugal, fazendo alianças com outros países em situação idêntica, tentando criar as condições mais vantajosas, para que o problema - uma dívida insustentável - possa ganhar a possibilidade de ser renegociada. Sem isso resta-nos o caminho de sermos um país pobre, onde há cada vez menos capacidade competitiva, onde há cada vez menos jovens, que vai de ano para ano piorando nas suas condições sociais. Mas há muita coisa que vai acontecer nos próximos meses ou anos e nós não conseguimos sequer imaginar agora.

Para já, os credores estão a fechar a porta a Varoufakis e a Tsipras...
Acho que o jogo ainda não chegou ao fim… Está a tirar conclusões do processo grego que eu ainda não sou capaz de tirar. Vamos ter de seguir o que se segue na Grécia. Sabemos uma coisa: as duas últimas grandes eleições na Europa, na Grécia e no Reino Unido, deram uma vitória considerável a correntes que, sendo completamente diferentes, têm ambas um grande cepticismo em relação a esta Europa. É um pouco triste o que vou dizer agora e até me custa, eu que sou um europeísta de sempre: a União Europeia conseguiu esta coisa extraordinária que é transformar-nos a todos em eurocépticos. De facto, o que está a acontecer não pode deixar de nos trazer uma enorme descrença em relação à União Europeia. Alguma coisa vai ter de mudar, e seriamente. Este problema não é meramente financeiro, é político. Estamos a falar de política, na Europa.

Mas a esquerda não conseguiu, até agora, nenhuma alternativa à austeridade…
A palavra-chave da sua pergunta é “até agora”. Por isso é que estamos aqui e agora, para poder construir um projecto de mudança em Portugal e darmos um contributo para a mudança na Europa.

Sente que é essa a sua responsabilidade?
Completamente. Dou-me a este projecto, com todos os riscos no plano pessoal, com uma enorme crença de que posso contribuir para uma mudança de fundo da política em Portugal, Se nós acreditássemos que esta Europa não vai mudar, e que as políticas de austeridade são uma inevitabilidade ficávamos em casa a protestar contra qualquer coisa...

Numa entrevista recente disse que na crise de 2013, com as demissões de Portas e Gaspar, devia ter havido uma renovação da legitimidade democrática. Com eleições?
Sim.

Em que se baseava?
No princípio constitucional do regular funcionamento das instituições democráticas. Havia uma quebra forte de confiança no programa político, com a demissão do ministro que tinha sido o seu protagonista, como a demissão do principal parceiro da coligação. Havia também uma quebra de confiança grande entre o que tinham sido as políticas do Governo e a percepção dos portugueses sobre o que lhes havia sido prometido na campanha eleitoral. Na minha opinião, em alturas dessas, o Presidente deve dar a voz aos portugueses. Uma parte do que se passa em Portugal hoje- o desânimo, a crispação, a animosidade que se sente na sociedade - tem a ver com a situação económica, obviamente, mas tem a ver também com a quebra de confiança no sistema político e com o facto de, na altura própria, os portugueses não terem sido chamados a renovar a legitimidade democrática do Governo.

Acha que este Governo tem menos legitimidade?
O Governo tem uma legitimidade do ponto de vista da votação que é inequívoca. Tem maioria no Parlamento, o Presidente tomou a decisão que tomou, mas há uma legitimidade que vai para além disso, que tem a ver com a confiança dos portugueses.

O Presidente é o comandante supremo das Forças Armadas, sector onde é muito visível o desencanto com o rumo da democracia. O facto de não ter um passado partidário pode favorecer a simpatia desse sector?
Não tenho nunca, em nenhuma circunstância, um discurso anti-partidos. 48 anos chegaram, não precisamos de mais. Sou crítico em relação a certas modalidades dos aparelhos partidários e do seu funcionamento. A Constituição é, agora, como se compreende, o meu livro de cabeceira [risos]. Depois de a ler muitas vezes, cada vez me vou apercebendo melhor que não é por acaso que lá está previsto que os Governos vêm de projectos partidários e os Presidentes de projectos individuais. Porque, de algum modo, essa candidatura pessoal dá uma independência (que eu não digo que quem venha de um partido não tenha) na qual os sectores militares certamente se revêm com alguma simpatia.

Nunca militou num partido, mas teve uma passagem por um partido revolucionário, a LUAR. Pode contar-nos como foi essa experiência?
Nunca me filiei. Participei durante alguns meses nalgumas sessões. Sempre fui muito desalinhado. Nessa mesma altura, no ano de 1974, colaborei com associações de moradores, comissões de trabalhadores e promovi uma das primeiras candidaturas independentes às autárquicas. Chamava-se, se não estou enganado, TMUPA, Trabalhadores Moradores Unidos para as Autarquias, para a assembleia de freguesia da Parede [em 1976]."

O leitor interessado pode ler a entrevista integral aqui.


*


A candidatura de Sampaio da Nóvoa diz-se apartidária mas teve o beneplácito de Mário Soares. Portanto tem o apoio encapotado do PS porque secretário-geral deste partido que não subscrever os interesses do antigo presidente da República terá a sorte de António José Seguro, ou seja, será substituído. Contudo esta duplicidade não parece incomodar Nóvoa.

Outra estranheza é a naturalidade com que o candidato encara uma previsão de despesas de campanha da ordem do 1,5 milhões de euros, dizendo que se paga com a subvenção do Estado e de donativos. Ora o montante da subvenção depende do número de votos que conseguir obter. Mesmo com o apoio explícito da comunicação social de esquerda — a começar pela mãe da António Costa, a jornalista Maria Antónia Palla, que esteve presente na sessão de lançamento da candidatura no Teatro da Trindade —, como é que o candidato sabe antecipadamente que vai ter um milhão de votos? Se não tiver, quem vai pagar a sua campanha eleitoral?

Contudo o que mais me pasma é o radicalismo político de Sampaio da Nóvoa que se insurge contra os partidos do chamado arco da governação e chega ao ponto de dizer que se está a marginalizar 20% dos portugueses. Quererá Nóvoa que os votantes naqueles partidos, mais os eleitores que votam branco/nulo, se submetam à vontade dessa minoria?

Também defende uma aliança com a Grécia. Será que desconhece que se trata de um país onde está enraizado o hábito de não pagar impostos e que tem vivido egoisticamente nas últimas três décadas, primeiro à custa de subsídios a fundo perdido da União Europeia, e depois de empréstimos?

De pasmar também a simpatia de Nóvoa pelos militares, tornada numa elite do funcionalismo público e paga principescamente...

Nóvoa é uma invenção de Mário Soares e a estratégia do ex-presidente é simples. O PS não vai ter maioria absoluta. Por isso é preciso colocar em Belém um radical de esquerda que dê posse a um governo socialista minoritário, que se entretenha a animar as hostes da extrema-esquerda com diatribes contra a austeridade, mas vá obtendo delas a anuência para portarias, leis e outra legislação que requeira aprovação parlamentar.

Entretanto os socialistas manipulam a justiça — "E o juiz Carlos Alexandre que se cuide...", ameaçou Soares —, conseguem arquivar os processos contra José Sócrates e todos os políticos a contas com a justiça, bem como contra Ricardo Salgado que lucrou com as PPPs de Guterres e de José Sócrates, mas foi pródigo em donativos para as campanhas eleitorais.

Controla-se a opinião pública através da comunicação social detida pelos empresários do regime e de um aumento fictício dos salários conseguido pela diminuição da taxa social única dos trabalhadores. A segurança social vai ficar descapitalizada? Far-se-á cair a responsabilidade sobre o governo que vier reparar os estragos. No final, os socialistas engordam o pé-de-meia na banca suíça e o fundo de maneio das fundações e quem vai pagar a conta são os funcionários públicos e os pensionistas.

Existe apenas um senão: há quatro décadas que, em Portugal, os presidentes da República são eleitos com os votos do centro-esquerda ou do centro-direita, mas sempre recolhendo os votos do eleitorado do centro.
Sampaio da Nóvoa pertence à extrema-esquerda. Aposto, para rejúbilo dos bolsos da classe média, em como a estratégia de Mário Soares vai ser mais um fracasso.

A opinião dos outros:


Diógenes de Portugal
10/05/2015 10:40
PARTE 1: Pelo curriculum, pelo modo brilhante como dirigiu a Universidade de Lisboa, por ter renunciado ao salário para se dedicar à candidatura, Sampaio da Nóvoa destaca-se da mediocridade da classe política portuguesa. A sua candidatura merece todo o respeito e toda a atenção. Contudo, há aspectos das suas declarações políticas que acho inquietantes e desejo que ele possa esclarecê-las satisfatoriamente.
  • manuel vieira
    lisboa 10/05/2015 19:30
    Pode fazer o favor de me elucidar sobre:
    1. Quais são as suas fontes para dizer que ele foi um óptimo reitor?
    2. Conhecia o cavalheiro de algum lado?
    3. Onde é que eu posso verificar a renúncia ao vencimento?
    4. Porquê, ou em quê, ele se distingue da restante classe política? Da extrema-esquerda não me parece que esteja assim tão distante.
  • Diógenes de Portugal
    10/05/2015 21:08
    Caro Manuel Vieira,
    Sim, conheço profissionalmente Sampaio da Nóvoa da Universidade de Lisboa. É pessoa de carácter irrepreensível. Dirigiu a universidade de forma consensual. Reformou vários serviços da universidade, com economias significativas para o orçamento. Administrou sem défices e com orçamentos progressivamente reduzidos. Foi o principal impulsionador da maior reforma do sistema universitário português no último século, com a fusão das antigas Universidade de Lisboa e Universidade Técnica de Lisboa. São muito raros os políticos de quem se possa dizer algo parecido. Com poucas excepções, a norma na classe política é a demagogia e, às vezes, a má administração, as dívidas contraídas para ganhar eleições e a corrupção.
    Para o caso de ter pensado que o meu comentário teve objectivos políticos, sugiro-lhe que leia os meus outros comentários a esta notícia. Verá que tenho reservas relativamente à candidatura de Sampaio da Nóvoa. Sou agnóstico relativamente a ideologias políticas. Aprecio os políticos mais pelo bom senso do que pelas crenças. Em particular, não tenho simpatia pela extrema-esquerda nem pela extrema-direita porque, entre outras coisas, têm histórias de mau convívio com a liberdade.
    Caro Manuel Vieira,
    "3. onde é que eu posso verificar a renúncia ao vencimento?" As licenças sem vencimento são publicadas no Diário da República.
  • manuel vieira
    lisboa 11/05/2015 12:41
    Muito obrigado pelos seus esclarecimentos.

Diógenes de Portugal
10/05/2015 10:41
PARTE 2: Dizer que se é contra a austeridade porque sim, não passa de uma fantasia. Se a casa de uma família for destruída num terramoto e a casa não estiver segura, a família terá um período de austeridade. Se alguém perdeu o emprego e passou a viver do subsídio de desemprego, então essa pessoa passará por um período de austeridade. Se um país for à bancarrota por causa de políticas irresponsáveis, então esse país passará por um período de austeridade. Deve discutir-se como minimizar a austeridade, mas dizer que se é contra não resolve o problema. Quando se está doente, a doença não desaparece por dizermos que somos contra ela.

PARTE 3: Aprecio muito que Sampaio da Nóvoa queira valorizar a diversidade política. Contudo, convém lembrar que os partidos que representam os 20% de que fala na entrevista se auto-marginalizaram.
Entre 25 de Abril de 1974 e 25 de Novembro de 1975, esses partidos ou os seus antecedentes ou movimentos afins, fizeram tudo para construir uma ditadura comunista em Portugal. Depois disso, alguns deles deram origem à organização terrorista FP25 que assassinou pessoas. Embora o PCP se tenha demarcado do terrorismo depois de 25 de Novembro de 1975, as declarações dos seus dirigentes e as relações privilegiadas com outros partidos que governavam ditaduras mostram que o PCP sempre conviveu mal com a democracia e a liberdade.
Se em Portugal existissem partidos fascistas que representassem 20% do eleitorado, Sampaio da Nóvoa teria o mesmo entusiasmo pela diversidade?

PARTE 4: Nas democracias parlamentares, o objetivo é ter governos que tenham o apoio maioritário do parlamento. Periodicamente, o eleitorado elege novo parlamento de onde resulta novo governo e novas políticas. A unanimidade não é capaz de tomar decisões suficientes para governar um país. Sampaio da Nóvoa sabe certamente isso do tempo em que foi reitor da Universidade de Lisboa.
Os 20% de que fala na entrevista são insuficientes para elegerem uma maioria parlamentar e defendem políticas que tornam impossível um consenso com partidos que representam os outros 80%. Um exemplo óbvio são as relações internacionais, onde uns defendem a saída do euro, da União Europeia e da Nato e os outros defendem a participação nestas instituições.

Marco Oliveira
10/05/2015 12:38
Gostaria de saber onde estava o Sampaio da Nóvoa, quando o Sócrates produzia esta dívida colossal. Não me lembro de ter lido, ou ouvido, nenhuma crítica, ou alerta, durante a governação Sócrates, alertando para o buraco em que nos estava a meter. Agora "acordou" contra a austeridade consequência da governação Sócrates? Estranho, muito estranho...
  • Daniel Silva
    10/05/2015 14:02
    Se calhar é porque existe gente que ainda tem memória e sabe que o estado actual do país não se deve exclusivamente ao Sócrates! Pelo contrário, depois deste Governo e Presidente, o Sócrates até foi o menor dos nossos males!
  • Luis Marques
    Javali profissional, Manchester 10/05/2015 14:31
    Vistas tão curtas, caro Daniel. É pena que não se consiga distinguir os efeitos das causas.
  • manuel vieira
    lisboa 10/05/2015 19:21
    Nada estranho. Que diabo, as eleições são só este ano.

Diógenes de Portugal
10/05/2015 17:06
Como eleitor, avalio as candidaturas e atribuo-lhes pontos. Voto na que obtiver mais pontos, a menos que todas chumbem.
Candidatura que ponha em causa a liberdade, a democracia parlamentar ou os compromissos internacionais chumba liminarmente. Declarações de fé na esquerda ou na direita são irrelevantes.
Pela vontade de promover entendimentos, a rejeição da violência, a promessa à mãe de não dizer mal de ninguém e a declaração de liberdade de costumes, Sampaio da Nóvoa ganha pontos.
Pela declaração de que teria dissolvido a Assembleia da República em 2013 perde pontos, por promover a instabilidade. A passagem pela LUAR terá sido um devaneio da juventude. Há outros aspectos a considerar na entrevista que precisam de mais do que 800 caracteres para serem comentados. Por enquanto, não chumba.
  • Marco Oliveira
    10/05/2015 17:51
    Diógenes,
    Diga-nos como vai a sua classificação, ou seja, quantos pontos tem este candidato, quantos tem o Rui Rio, o Marcelo Rebelo de Sousa, etc. Estará muito renhida a disputa?
  • ana cristina
    consultora, lisboa 10/05/2015 17:56
    Eu também gostava de conhecer a sua pontuação para o conjunto dos candidatos e putativos candidatos. Gostei dos seus argumentos muito claros sobre o Nóvoa. É de tornar a análise abrangente a outros. O Henrique Neto?
  • Diógenes de Portugal
    10/05/2015 19:26
    Caros,
    Muito obrigado pelo interesse. A esta distância, a classificação é mais qualitativa do que quantitativa. Além disso, os possíveis candidatos estão a fazer percursos diferentes que é difícil comparar. Aprecio pouco declarações solenes e bonitas que qualquer um poderia repetir. Prefiro ir observando como reagem, e lembrar como reagiram, em certas circunstâncias.
    Tive o privilégio de observar a acção de Sampaio na Nóvoa como reitor da Universidade de Lisboa, onde mostrou excelentes qualidades. Aprecio, em particular, a sua invulgar capacidade para promover entendimentos. Acho, contudo, a sua pré-campanha com demasiados floreados e pouco conteúdo.
    Henrique Neto tem menos exposição pública. Li recentemente uma entrevista dele interessante e com conteúdo. Despertou positivamente a minha atenção.
    À direita, há menos pressão para pré-candidaturas temporãs. Por isso, os possíveis candidatos estão a resguardar-se, o que é legítimo. Sendo comentador, M. R. Sousa diz demasiadas coisas para ser avaliado como candidato. E Rui Rio diz poucas.
    Por enquanto, nenhum dos quatro chumba.
  • Marco Oliveira
    10/05/2015 23:06
    Diógenes,
    Obrigado pela sua informação, mas, por favor, assim que tiver uma lista com certa consistência, partilhe connosco o ranking da mesma.


sábado, 9 de maio de 2015

Marcelo e Rui Rio revelam perfis para a presidência da República


Num debate em Santa Maria da Feira, Marcelo Rebelo de Sousa e Rui Rio deixaram visões diferentes sobre o que deve ser a Presidência da República.


09/05/2015 - 20:07


Marcelo Rebelo de Sousa vê o próximo Chefe de Estado como um gestor de consensos:
Aquilo que se vai exigir do Presidente da República, nomeadamente nos próximos anos, é uma gestão prudente, sensata, de pontes, de equilíbrios, a pensar nos consensos de regime. Essa gestão tem de ser feita ao centro, não pode ser feita nem à direita, nem à esquerda.” Além disso defende uma magistratura de afectos: “A recuperação dos portugueses para a política passa pelo afecto.

Sobre uma possível candidatura às presidenciais de 2016, afirmou: “Vê-se que tenho ideias sobre qual deve ser o magistério e a actuação do Presidente da República. Acho que, neste momento, já não é mau. É como o código postal, é meio caminho andado. Há coisas que não convêm que sejam feitas depressa demais.” E foi deixando alguns avisos dirigidos a alvos: “Não se pode prometer o que não corresponde às funções do PR.

Marques Mendes apontou defeitos ao regime: “As promessas eleitorais são o maior vício do nosso Estado de Direito (...) não há partidos virgens, todos têm pecados e pecados sérios. (...) Não vejo um programa eleitoral a ser cumprido e é melhor que cada um [PS e PSD] não atire pedras ao vizinho. É uma autêntica vergonha o discurso muito bonito do ‘só prometo o que posso cumprir’.
Considera que o sistema eleitoral não favorece a escolha dos melhores, nem valoriza o mérito. Falou do modelo alemão, do sistema misto, dos círculos uninominais, defendendo a escolha de pessoas e não tanto dos partidos nas eleições autárquicas. E concluiu:
Este modelo está esgotado e [dizê-lo] só é polémico junto dos responsáveis políticos, os cidadãos compreendem isso. Não têm coragem e está tudo dito.
Mudar o sistema eleitoral não é a solução mágica, é um choque de dentro para fora, é um sobressalto cívico que vai permitir que os partidos se reformem um pouco. Precisamos de apostar no mérito, na competência, na qualidade.

Saíram Marcelo Rebelo de Sousa e Marques Mendes e entrou Rui Rio. O ex-presidente da câmara do Porto evitou o tema presidenciais no debate, mas sempre foi revelando qual o perfil que defende para o futuro ocupante do palácio de Belém: “O próximo Presidente da República tem de atender mais às questões de regime do que até agora atendeu”, disse, acrescentando que “tem de ter uma zona de acção interventiva em torno das grandes reformas do regime”.

Durante o debate, foi dizendo que não simpatiza com o voto obrigatório, concorda com listas independentes às juntas de freguesia e câmaras, mas não à Assembleia da República. Vê “cada vez mais gente fraca na política”, um poder político enfraquecido e desacreditado, mas não vê um regime melhor do que o actual.


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Qual será o consenso entre estes dois pré-candidatos às presidenciais 2016 em que pensou e falou, com ironia, Marques Mendes? Como Marcelo Rebelo de Sousa e Rui Rio têm idades que diferem em cerca de 10 anos, pode avançar Marcelo primeiramente e, uma década depois, Rio.

Em relação a estes dois pré-candidatos às presidenciais 2016, temos um problema.

Ricardo Salgado estava a criar um império empresarial num triângulo com dois dos vértices em Angola e Brasil, apoiado em fundos portugueses. Financiou as campanhas de todos os presidentes da República deste canteiro à beira mar plantado, desde Soares e Sampaio até Cavaco. Marcelo tinha a companheira na administração do BES e contava, obviamente, receber idêntica regalia. Recompensaria os Espíritos Santos fazendo vista grossa sobre a actuação de Ricardo Salgado quando chegasse à presidência da República, como fizeram aqueles seus antecessores no cargo.
Mario Draghi, com a concordância de Carlos Costa e Passos Coelho, estragou-lhe o arranjinho. Passos preteriu Salgado em favor de José Maria Ricciardi para consultor financeiro e, posto ao corrente das manigâncias que se faziam no BES, está a impor um pouquinho mais de transparência e contenção aos políticos.
As disponibilidades financeiras de Ricardo Salgado já não são aquilo que eram. Ora uma campanha presidencial custa muito dinheiro. Agora, só com o apoio financeiro do PSD é que Marcelo poderá avançar. Para isso prestar-se-á a ser o encobridor de todas as trapaças da politicagem, exactamente como fez Cavaco Silva durante três décadas. Mas, ao contrário deste, e tal como vem fazendo aos domingos à noite, com inteligência, no programa de Judite de Sousa, na TVI, tenciona embalar e entreter os portugueses com "afecto".

Rui Rio encontrou delapidadas as finanças da câmara municipal do Porto e sanou o problema. Não podemos duvidar do seu equilíbrio e capacidade de gestão e era o nosso pré-candidato presidencial preferido.
Até que apareceu atrelado a António Costa que ainda não era o novo chefe da quadrilha socratista mas andava há meia dúzia de anos a fazer fretes ao Grupo Espírito Santo, e a outros grupos económicos, na câmara de Lisboa. Aliás, deixou aí uma dívida enorme apesar de Passos Coelho ter indemnizado a câmara pelos terrenos onde, há muitas décadas, foi construído o aeroporto de Lisboa.
Pouco depois, ouvimos Rio apoiar a regionalização que, num País tão pequeno, não faz sentido, serve apenas para criar uns milhares de empregos para a mais poderosa corporação portuguesa — a dos políticos.
Sem o apoio da gentinha da política à portuguesa, Rio não tem hipótese de ser primeiro-ministro ou presidente da República? Não tem.
Mas não apoiamos quem se apoie em políticos sem escrúpulos. Trabalhamos para informar com rigor quem nos lê, acreditamos na evolução da mentalidade do português comum. Temos esperança que o português venha a entender que só pensando, trabalhando, comportando-se e educando os filhos como o europeu dos países do Norte e Centro da Europa é que conseguirá ter um nível de vida próximo daquele que se desfruta na Alemanha, na Áustria, na Bélgica, na Dinamarca, na Suécia ou na Finlândia.


quarta-feira, 29 de abril de 2015

Henrique Neto considera anormal tantos políticos a contas com a justiça


O candidato presidencial Henrique Neto considerou anormal um país com a dimensão de Portugal ter tantos políticos e altos quadros do Estado envolvidos em casos judiciais.

Henrique Neto falava aos jornalistas após ter sido recebido pelo presidente do PS, Carlos César, na sede nacional do partido, no Largo do Rato, em Lisboa.
O encontro, que durou mais de uma hora, decorreu de forma cordial segundo as palavras do candidato presidencial, tendo-se centrado na análise do sistema político.

Henrique Neto, militante socialista e antigo deputado do PS, lamentou que a maior parte dos portugueses esteja "desiludida com a vida política, com os partidos e com as instituições" na sequência "de escândalos sucessivos".

No entanto, Henrique Neto considerou "que não é normal que um país tão pequeno tenha em prisão preventiva, já condenados, ou à espera [de decisão judicial] um primeiro-ministro, ministros [de vários executivos], um antigo líder de uma bancada parlamentar, directores-gerais e outros altos quadros do Estado", tendo ainda acrescentado:
"Nenhum outro país europeu, mesmo nos maiores, tem um conjunto tão grande de pessoas a contas da justiça como temos em Portugal. Isto não desacredita apenas os partidos, mas também todos os portugueses no plano internacional. Os partidos têm de ser muito claros sobre o que é necessário fazer para dar meios à justiça para cumprir a sua função e, em segundo lugar, têm de deixar claro ao povo que vão mudar e que as relações pecaminosas entre política e negócios serão denunciadas e não voltarão a acontecer."

Confrontado com algumas das suas críticas ao então primeiro-ministro José Sócrates, Henrique Neto esclareceu:
"Já disse montes de vezes — e volto a repetir — que as minhas posições não têm nada de pessoal. Bati-me durante seis anos, porque os governos [socialistas] então em funções cometiam erros graves e tomavam decisões autoritárias que favoreciam grupos económicos.

[Nesse período] havia demasiados socialistas que não reagiam e o PS é um partido de valores e da ética. Portanto, insurgi-me contra aquilo que continuo a considerar um desvio inaceitável do PS. Teria preferido que houvesse energias dentro do PS para fazer a mudança, mas não houve, paciência. Sem deixar de ser socialista, sem deixar de ser militante do PS, apresento-me [na corrida a Belém] como independente."

Questionado sobre um eventual apoio do PS à uma candidatura presidencial do ex-reitor da Universidade de Lisboa Sampaio da Nóvoa, Henrique Neto afirmou que esse tema não foi abordado no encontro com Carlos César, alegando que os socialistas "têm os seus órgãos próprios, os quais decidirão aquilo que devem fazer". E concluiu:
"Apenas disse que a minha candidatura presidencial avançou autonomamente dos partidos porque já um clima de suspeição e de descrença face aos partidos políticos. A minha candidatura é independente dos partidos."


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Entretanto a brigada do reumático já escolheu o candidato presidencial do PS, nem mais nem menos o falso independente Sampaio da Nóvoa:

Tanto Mário Soares em 2006, como Fernando Nobre em 2011, que foi incentivado secretamente por Soares a concorrer às presidenciais desse ano para tirar votos a Manuel Alegre, ficaram em terceiro lugar nas eleições presidenciais respectivas. Pode ser que igual destino esteja reservado a Nóvoa. A reacção dos leitores do Público no Facebook não podia ser pior.