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quinta-feira, 25 de junho de 2015

A concessão do oceanário de Lisboa - I


A Sociedade Francisco Manuel dos Santos propôs comprar a Oceanário de Lisboa SA, a concessionária pública que gere o oceanário, por 34 milhões de euros. Fica ainda a pagar uma renda pela concessão do oceanário durante 30 anos, atingindo a proposta global 124 milhões de euros.




"O Oceanário não passa para privados. O Oceanário era propriedade da Parque Expo e, por decisão do Governo, passou para património do Estado. Continuará a ser. O processo de privatização é da entidade concessionária, da empresa que gere," esclarece Luís Marques Guedes, ministro da Presidência.

A infra-estrutura continuará a ser património do Estado. O que vai ser privatizado é a sociedade que a gere, a Oceanário de Lisboa SA., cujo capital será vendido por 34 milhões de euros à Sociedade Francisco Manuel dos Santos (SFMS), a holding que controla o grupo Jerónimo Martins.
Pela concessão do oceanário, que terá 30 anos de vida, a SFMS ficará a pagar uma renda anual de 3 milhões de euros, elevando a proposta global pelo oceanário de Lisboa aos 124 milhões de euros.

Situado no Parque das Nações, o oceanário é um dos activos que o Governo escolheu concessionar para reduzir a dívida da Parque Expo, a sociedade criada para a Expo'98 e actualmente em liquidação, depois de ter anunciado a sua extinção em 2011.
A Parque Expo transferiu o Oceanário para o Estado pelo valor de 54,2 milhões de euros, o que permitiu à empresa liquidar esse montante em dívida ao Estado.

O Orçamento do Estado para 2015 previa receitas de 40 milhões de euros com a concessão do oceanário, que em 2014 gerou lucros de 1,49 milhões e recebeu quase 987 mil visitantes (+7% que no ano anterior).

Além da Sociedade Francisco Manuel dos Santos do grupo que controla o Pingo Doce, concorreram o grupo espanhol Aspro Parks — proprietário do parque de diversões aquáticas Aqualand, em Alcantarilha, no Algarve, entre outros parques europeus —, a empresa portuguesa Mundo Aquático, gestora do parque Zoomarine, no Algarve, o grupo francês Compagnie des Alps — gestor de mais de uma dezena de parques de lazer, museus e áreas de esqui — e a espanhola Parques Reunidos, que gere 56 parques na Europa, nos Estados Unidos e na Argentina.

A Sociedade Francisco Manuel dos Santos é liderada por José Soares dos Santos, que é licenciado em Biologia Marítima. Estava já a desenvolver a criação de uma Fundação para os oceanos e o oceanário de Lisboa vai ser uma peça essencial desse projecto.




*


É impressionante a quantidade de dívida que se deixou acumular em tudo o que são empresas públicas, nas grandes e nas pequenas, até na Parque Expo, a demonstrar que os políticos em quem temos votado nas últimas décadas foram uma nulidade como gestores.

A venda do capital da concessionária do oceanário vai proporcionar ao Estado um encaixe que fica aquém das expectativas do Governo registadas no OE 2015.
No entanto, se atendermos a que a renda que o concessionário privado fica a pagar anualmente é o dobro dos lucros da empresa no ano passado, acaba por parecer um bom negócio para o Estado.

Os comentadores, que analisaram os dados já divulgados, têm a mesma opinião:

Edgar Rodrigues @ Facebook
07:57
Em 2014 o oceanário obteve 1,5 milhões de euros de lucro (foi o maior lucro de sempre). 1,5 × 30 = 45 milhões de euros.
Se pelos 30 anos de concessão pagarem 3 milhões de euros ao ano, resulta em 90 + 34 = 124 milhões de euros. Se assim for, parece-me um bom negócio para o Estado.


domingo, 15 de setembro de 2013

"Portugal sempre teve bons funcionários públicos"


Alexandre Soares dos Santos, presidente do conselho de fundadores da Fundação Francisco Manuel dos Santos, fez o encerramento do 2º encontro "Presente no futuro" — com o tema "Portugal europeu, e agora?" —, no liceu Pedro Nunes, em Lisboa. Dessa intervenção desassombrada, quiça subversiva na perspectiva dos políticos portugueses de todos os quadrantes, destacamos:

"Se o destino de Portugal passa inevitavelmente pela afirmação no espaço europeu, tem de saber fazer representar os seus interesses ao mais alto nível nos vários fóruns da Europa.(...)
Portugal tem que investir na formação e preparação dos seus representantes, sejam eles governantes, militares, técnicos ou embaixadores.

"[Isso passa por perceber o que é a globalização, e esses representantes] têm que perceber o que é a Europa, têm que perceber que o Mundo de hoje não é, de maneira nenhuma, o Terreiro do Paço.
Têm de perceber de uma vez por todas que os aparelhos partidários devem acabar imediatamente com a destruição contínua e sistemática da nossa administração pública operada com nomeações políticas e amiguismos.

Portugal sempre teve bons funcionários públicos, que a política baixa e os interesses políticos rasteiros se foram encarregando de eliminar ou mesmo de destruir."

Sobre a revisão da Constituição:
"Não temos tempo a perder, é fundamental revermos a nossa Lei Fundamental, a Constituição e reflectirmos todos, mas todos, com profundidade e seriedade, se a ideia de sociedade que nela se encerra é a que mais nos capacita para assumirmos o nosso lugar no espaço europeu".

Questionado pela Lusa sobre as normas que, em seu entender, devem ser alterados na Constituição, respondeu:
"Adaptar a nossa Constituição aos tempos de hoje, que são completamente diferentes dos tempos de 1976 ou lá quando é que isso foi feito. Nós temos que ter uma actualização permanente.
Não me estou a referir aos chumbos [do Tribunal Constitucional]. Eu não tenho nada a ver com política, o meu discurso foi virado para Portugal, temos que adaptar tudo, como eu disse, reciclar a administração pública — os generais, os embaixadores — e apercebermo-nos que somos cidadãos do mundo".

A ideia pode estar nesta proposta de revisão constitucional de António Barreto, presidente do Conselho de Administração da Fundação Francisco Manuel dos Santos.


Antes da sua intervenção de encerramento no encontro "Presente no Futuro", o empresário Alexandre Soares dos Santos defendeu que os políticos têm a obrigação de transmitir uma mensagem de esperança e incentivar os portugueses a colaborarem no desenvolvimento do País, criticando os cortes repetidos dos salários por serem desmotivantes e criarem um problema social:


15/09/2013 - 14:13


quarta-feira, 14 de março de 2012

2012: aumento salarial de 2% na Jerónimo Martins


Alexandre Soares dos Santos no Grande Jornal da RTP Informação:



"Nos últimos quatro meses do ano passado, a Jerónimo Martins teve de criar um fundo de 3 milhões de euros para acudir a 2 mil funcionários em dificuldades. Foi praticamente todo gasto. (...)
A responsabilidade social de uma empresa justifica-se quando as pessoas precisam dela.
(...)
A empresa teve 240 milhões de euros de lucros no ano passado. Este ano vamos aumentar porque 70% dos resultados da Jerónimo Martins foram feitos na Polónia.
(...)
Só tenho o total de impostos da holding. Mas devo pagar mais impostos em Portugal porque na Polónia a taxa dos impostos é muito mais baixa do que aqui.
(...)
Nós trabalhamos a um prazo de 10 anos. E neste prazo Portugal vai ser 5% da Francisco Manuel dos Santos. O tempo em que a Sociedade Francisco Manuel dos Santos dependia da Jerónimo Martins acabou. A quarta geração da minha família decidiu que temos de diversificar e para isso temos de nos deslocar para o exterior. Por diversas razões: políticas fiscais constantes, defesa da iniciativa privada e facilidade no financiamento. A Holanda oferece isto, por isso foi decidido transferir a Sociedade Francisco Manuel dos Santos SGPS para Sociedade Francisco Manuel dos Santos BV.
(...)
Não queira saber o que pagamos a advogados por causa das constantes mudanças fiscais em Portugal. E pior do que isso é o não cumprimento pela fiscalidade daquilo que foi julgado em tribunais contra o governo. É de loucos! Dizem-nos que temos de pagar, pomos em tribunal, ficamos à espera 10 a 12 anos. Uma empresa não pode estar à espera 10 a 12 anos por uma decisão.
(...)
Quando se chega a um País precisamos de saber se aceitam ou não a iniciativa privada. Aqui em Portugal metade do tempo só se diz mal da iniciativa privada. Depois vamos ver com os advogados que tipo de política fiscal existe. Pode-se favor acordos de longo prazo, ou não, com o governo, em que eu assumo responsabilidades e o governo colombiano também. Aqui não há diálogo.
Há uns anos consegui convencer o presidente da Unilever a trazer a sede da empresa para Portugal, para dar empregos a portugueses e permitir-lhes ter uma visão global do mundo. Estiveram cá dois anos a discutir e nunca houve uma decisão. Foram-se embora.
Outra vez fui procurado por uma empresa dinamarquesa fabricante de pregado. Perguntei-lhes porque vieram ter connosco. Disseram que queriam ter um sócio português porque em Portugal as coisas são muito complicadas, estavam em Sines há quatro anos para obter um terreno.
(...)
Já falei uma vez com Álvaro Santos Pereira e, contrariamente ao que se diz, gostei muito dele. Sabe o que pretende fazer, facilita o diálogo e tenho muita dificuldade em compreender porque é tão atacado.
A administração pública está infiltrada de políticos e já não tem a carreira que caracterizava o funcionalismo público. É preciso limpar tudo, recomeçar do zero, seleccionando os melhores e pagando bem àqueles que merecem.
(...)
Sobre o corte dos subsídios, não percebi porque é que não tiraram aos privados. Em relação à minha empresa, não vai haver cortes salariais, nós vamos aumentar os salários. Temos lucros. Se os lucros dependem das pessoas que estão, eles têm de ter parte dessa melhoria.
Para aqueles que são no-managers o prémio passou de 250 para 300 euros que será pago no mês de Abril. (...) O aumento salarial será, pelo menos, 2%.

A política da Jerónimo Martins não é fazer despedimentos. Se a crise agudizar, há outras maneiras: podemos recorrer à Polónia, já foi feito ao contrário; posso começar por cortar o meu salário porque equivale ao de vários operários; pode cortar-se o salário de todo o sector manager da companhia.
Mas não vai ser necessário porque temos um balanço financeiro muito forte, a dívida da Jerónimo Martins são 200 milhões, o que em 10 mil milhões de vendas não é nada.

Vamos continuar a investir em Portugal num campo que vai ser uma surpresa quando anunciarmos, lá para Maio, se Deus quiser."


quarta-feira, 7 de março de 2012

"Onde é que uma reforma de 3 ou 4 mil euros é milionária?"


Na apresentação de resultados de 2011, ano em que os lucros da Jerónimo Martins aumentaram 21%, atingindo 340 milhões de euros, Alexandre Soares dos Santos defendeu os seus pontos de vista com a frontalidade habitual:

"O segundo ponto muito importante é que se acabe de uma vez por todas com esta mania nacional dos salários dos ricos, dos salários dos quadros, e coitadinhos de nós que temos de viver com mil euros por mês, ou menos, porque é isso que Deus Nosso Senhor decidiu há uns milhares de anos. Não é nada disso.
Temos de ter políticas salariais onde as pessoas que trabalham numa companhia, sejam quadros ou não, sintam que o produto do trabalho também vai para eles. As companhias têm de ter políticas de remuneração que demonstrem coerência desde a maior responsabilidade até à menor responsabilidade. Todos nós na empresa, vocês nos vossos jornais não são quadros nem deixam de o ser, são responsáveis. A senhora é responsável por chegar à RTP e passar a mensagem que ouviu e não aquela que vai criar. Se todos nós cumprirmos isso, sentimo-nos motivados. E se vir que o seu trabalho é razoavelmente remunerado, quer mais. Todos nós temos o direito e o desejo de viver melhor.
Em Portugal não existe isso. Repare: chamam reformas milionárias às de um tipo qualquer que trabalhou toda a vida e tem uma reforma de três ou quatro mil euros. Onde é que isto é milionário? E andou toda a vida a descontar para essa reforma. Ele não está a roubar ninguém! Está a ter a reforma que o Estado disse que teria se descontasse.
Temos de incentivar as pessoas a mais e a melhor. Temos de nos deixar desta porcaria de populismos, que temos de andar de autocarro, e essas coisas. Cada um anda como quiser. Porque é que um ministro tem de viajar de classe económica? Não é isso o que interessa a este país. O que interessa é que os governantes usem o dinheiro dos nossos impostos a nosso favor."




*

Notícias que falem em pensões, desencadeiam sempre fóruns com uma centena de comentários. Eis uma amostra representativa das várias tendências:


dfviegas 07 Março 2012 - 14:14
3000€ é demais
3000€ de reforma é demais quando os descontos devidos foram por um valor muito menor, e esse direito de reforma é devido aos últimos 5 anos de trabalho.
3000€ de reforma é muito quando os políticos se reformaram com 8 anos de parlamento e não descontaram o devido tempo para terem direito à ela.
Voar em executiva é muito quando o Estado não tem dinheiro para pagar salários e para isso tem de roubar os subsídios de Natal e férias.
Ter carros de alta cilindrada é muito quando tem de se cortar em metade dos subsídios de Natal de todos os trabalhadores para pagar essas mordomias.

Meireles 07 Março 2012 - 14:17
Problema antigo
Portugal tem um problema tremendo por resolver, que é o de tudo ter sido nivelado por baixo. Talvez resquícios de um “xuxialismo” (que comeu tudo e não deixou nada) cujos dirigentes, sem nada fazer de útil, comeram, beberam e passearam toda a vida.
Em Portugal vive-se o momento do "tiro ao rico". E isto é tão mais ridículo, quanto é o facto do tipo que ganha 500 euros, achar que o que ganha 600 é rico e deve ser abatido.
Com esta palermice de mentalidade, não tarda que fiquemos como uma espécie de Albânia do Ocidente.
Todos os tipos que dão emprego a milhares de pessoas são hoje objecto de um ódio incompreensível. Voltamos ao PREC, mas pior, mais ressabiado.

Teófilo Cubillas 07 Março 2012 - 14:22
Ironia
Não me importava nada de ter como patrões as pessoas que aqui destilam ódio contra o Soares dos Santos.
Mas é assim a vida. Só chegam a patrões os Soares dos Santos, Belmiros, Nabeiros e semelhantes.
Quem me dera ser empregado destes "treinadores de bancada". Não duvido que, se tivessem supermercados, pagariam 5.000 euros mensais aos operadores de caixa. Que pena não passarem da teoria à prática...

josedomingos 07 Março 2012 - 14:22
Convém que desçamos à terra do real
Oh senhor Alexandre Soares dos Santos, o senhor é, sem dúvida, um respeitável empresário de sucesso, mas terá de fazer algum esforço e descer ao país real.
Ao país das reformas de miséria — isto não são lugares-comuns, nem choradeiras, mas simplesmente factos pungentes — e ao país da fome, no sentido mais literal do termo.
O planeta em que o senhor Alexandre Soares dos Santos vive e se movimenta é diferente, muito diferente do de muitas centenas de milhares de portugueses, que vivem na pobreza.
Muitos deles na tal pobreza envergonhada, que é a pior de todas, sendo, em variadíssimos casos, por uma gestão ruinosa das suas vidas e dos seus orçamentos familiares, sendo que muitos outros foram apanhados nas malhas implacáveis da crise e do desemprego.
Quem sou eu para emendar o senhor Alexandre Soares dos Santos, empresário que respeito, mas será curial que não argumente de um modo tão ligeiro, face a algumas realidades que são trágicas.
Sei que o faz, a partir das coordenadas racionais da sua vida de empresário, que prova que a visão daquilo que é antigo se pode bater com igual êxito e vencer muitas miragens modernas; e sei também, porque conheço, que trata humanamente os colaboradores das suas lojas, mesmo os mais subalternos; porém, convém, por vezes, que desçamos à terra do real, a que sei que não é alheio, mas de que não saboreia o sabor amargo.

desempregado 07 Março 2012 - 14:28
Coitadinhos!
Sr. Alexandre Soares, não se trata de achar muito ou pouco, trata-se de olhar para a desgraça de salários/reformas que estão à sua volta e imperar o bom senso!
Eu, hoje, após 20 anos a trabalhar fiquei sem emprego porque a minha Empresa não consegue aguentar a crise.
Eu, que sempre paguei impostos, nunca pedi subsídio algum, vou agora ser humilhado e tratado como coitado pelos serviços do IEFP e SS.
Eu, pai de família, vou ficar em casa a olhar para as paredes.
Eu também merecia estar noutra situação e com melhor situação económica, mas para enriquecer alguns, outros têm que viver com menos.
Já agora, dê o exemplo e pague mais que 500€ aos seus funcionários e faça contratos justos com os seus fornecedores. Ah, e volte a pagar IRC em Portugal!

João Campos 07 Março 2012 - 14:29
Concordo com Alexandre Soares dos Santos
Quem tem qualificações, capacidade de trabalho e oportunidades de trabalho deve ser bem remunerado. O país está a ficar cheio de demagogos e de populistas, e a "malta" vai atrás desse discurso. Se não tivermos capacidade para remunerar bem os quadros, eles acabam por emigrar, e aí vamos ficar muito mais pobres. "When you pay peanuts, you get monkeys!"

Anonimo 07 Março 2012 - 14:31
Resposta
Uma reforma de 3000 euros é milionária num país com um salário médio abaixo dos 800 euros. Países muito mais ricos e com salários médios muito superiores e sem problemas orçamentais, como a Suíça, optam pelo plafonamento das pensões no limite superior.
Nós sabemos que o que interessa ao Sr. é que os governantes usem os nossos impostos a SEU favor. Mas infelizmente não os usam a favor de quem os paga. Pela minha parte já deixei há muito de ir à porcaria das suas mercearias rascas e caras.

Francis Obikwello 07 Março 2012 - 14:32
Gente podre
Ainda dizem que o comunismo não deixou marcas na sociedade portuguesa. Pode dizer-se que hoje em dia prevalece um sentimento mesquinho de inveja numa significativa camada da população.
Foi passada sub-repticiamente a mensagem de que, se estamos na situação que estamos, deve-se aos "ricaços portugueses" que exploram indecentemente os pobres dos trabalhadores. Embora possa parecer estranho, quem me dera a mim que em Portugal houvesse 1000 tipos como o Soares dos Santos.
Convençam-se de uma coisa: quantas mais pessoas geradoras de riqueza um País tiver, melhor vivem as pessoas. A igualdade não existe. Tirem isso da vossa cabeça.
Experimentem juntar 5 pessoas e dêem a cada uma mil euros. Vejam o que sucede passado 1 ano. Uns terão multiplicado o dinheiro, outros terão o mesmo dinheiro, outros menos e outros ainda estarão na miséria.

janjos 07 Março 2012 - 14:45
Reformas de miseráveis
Concordo em parte com ele, mas será o que aqui disse se aplica nas empresas dele? Quanto vão receber os seus colaboradores sobre os resultados obtidos de mais 21% em ano de crise? Como é a sua tabela salarial? Gestores bem pagos e os restantes a prazo e com salário mínimo? Se for como o pagamento dos impostos que em vez de os pagar na totalidade em Portugal os passa para Holanda...
Sim, ele que não venha meter os dedos nos olhos dos portugueses porque deixa menos dinheiro em Portugal. O ignorante vem com a mesma cantilena de nos enganar.
Claro que as reformas só são milionárias porque são comparadas com as de pessoas que descontaram 30 anos e como ficaram desempregadas tiveram que meter a reforma e nem o equivalente ao salário mínimo recebem. A grande maioria reformada aos 65 anos recebe abaixo do salário mínimo e ele em tempo de crise aumenta os lucros em 21%.
E a maioria dos portugueses quanto ganham? Estes homens têm que desenvolver o país e dar emprego mas acordem pois não levam o dinheiro para a cova.

abelavida 07 Março 2012 - 15:01
Carreira contributiva versus reforma
A questão é tão simples como isto: tem de haver uma efectiva relação entre a carreira contributiva e a reforma.
Foram feitos ajustes nesse sentido mas só para as gerações futuras. Muitos casos do passado e presente continuam a sobrecarregar a segurança social de forma injusta.
Mas grave são as regalias de reforma dadas a políticos e afins.
Também não discordo que, tal como em outros países, exista um valor de reforma máximo pago pelo Estado. Esse valor deveria ser indexado ao salário mínimo. Poderia ser, por exemplo, 6 salários mínimos.

bcarlos 07 Março 2012 - 15:36
Atenção, para ganhar 3000 ou 4000 euros de reforma, é porque também fez descontos para isso
Esta esquerda que existe em Portugal que é contra tudo, mas que em alguns casos são meninos de bem armados em "esquerda caviar", é que nos quer fazer crer que as pessoas que descontaram para a Seg. Social sobre valores altos e pagaram altos impostos (ou seja, ajudaram na educação deles), não têm direito a ganhar 3000 ou 4000 euros de reforma.
Mas para pagar subsídios a torto e a direito e a quem não se devia pagar, aí estão eles na primeira fila a apoiar.
É por estas e por outras que o País está como está!

ACarvalho 07 Março 2012 - 15:37
13.500 colaboradores
O Pingo Doce tem 13.500 colaboradores.
Os senhores aí a mandar filetes quantos colaboradores têm? Quantos empregos criaram?
Por favor...

SwedishChef 07 Março 2012 - 15:39
Não meto os pés no Pingo Doce há mais de 8 meses
Este Sr. e os Belmiros passam a vida nas notícias como se fossem os heróis.
Mas afinal o que é a distribuição? É sobretudo emprego manual, pouco qualificado e mal pago. É esmagar as margens e asfixiar os fornecedores/produtores nacionais. É a falência dos pequenos negócios numa luta desigual. Estão no top-10 dos maiores importadores. E ainda por cima só pagam cá os impostos dos quais não podem fugir. Qual é o valor acrescentado desta gente?

António Lopes 07 Março 2012 - 15:41
Desta vez tem razão
Desta vez tenho que lhe dar razão. Vivemos um tempo sinistro onde o mérito passou a ser uma treta, afinal tanto leva o que se esforça como aquele que nada faz, é isso que querem? Será dessa forma que o País evolui? Não, obviamente! Nivelar por baixo é criminoso e levará a mais pobreza e menos riqueza para todos!
Hoje em dia parece que um pedreiro ou um médico devem ganhar o mesmo, apenas em nome da "crise", tudo porque se generalizou a mesquinhez e o apontar o dedo. Quem trabalha e tem mérito deve se recompensado por isso, só assim a sociedade evolui.

Oliveira 07 Março 2012 - 15:48
Muito bem, aplaudo!
Em nome da "crise" temos assistido ao surgimento de um discurso demagógico e populista contra "os benefícios" de alguns, esquecendo se esses "benefícios" resultaram de trabalho, esforço, anos de descontos, ... Se alguém estudou e tem formação, obviamente que deve ganhar mais; se alguém trabalha há 20 ou mais anos, obviamente que deve ganhar mais; se alguém descontou uma vida inteira de um ordenado bom, obviamente que terá uma pensão mais elevada. Caso contrário baixamos todos os braços e levamos todos o mesmo? Claro que não!
Por isso é também demagógico o discurso contra os "privilégios" da Função Pública, porque esquecem que milhares de pessoas com formação superior, com anos e anos de trabalho, não podem ser remunerados como "trolhas", sem desprimor para estes.
Uma Sociedade evolui com trabalho e recompensa do mérito, se "cortam" cegamente e não olham a cada caso, vamos mal e ninguém ficará bem no final.

Anonimo 07 Março 2012 - 16:02
Tem toda a razão
Tem razão o Sr. Soares dos Santos. Querem fazer deste país a 2ª Albânia da Europa nivelando tudo por baixo e deixar apenas uma casta de privilegiados à boa maneira da URSS.
Se uma pessoa foi obrigada a descontar durante 40 anos e pelos cálculos tem uma reforma de 2.000, 3.000 ou mais euros porque é que a não pode ter e porque é que está agora a ser roubado?
Na Suiça as reformas são menores porque criaram um tecto e por isso também não são obrigados a descontar sobre a totalidade dos vencimentos.
Aqui o mal foi não terem criado essa hipótese e permitirem que certas elites sem ter descontado os tais 40 anos tenham reformas com menos de 15 anos de desconto.

HLopes 07 Março 2012 - 16:02
Como é Triste...
É muito triste ver a estupidez, a inveja, a cegueira e a incapacidade de acrescentar valor que vai por este país. Na generalidade as pessoas estão mais interessadas em denegrir e deitar a baixo do que construir, evoluir, crescer pessoal e profissionalmente.
As invejas cegam e deixam-nos de dedo em riste a apontar tudo e todos. Em vez de contribuirmos para as soluções passamos o tempo à procura dos responsáveis dos problemas, sem que consigamos perceber que os responsáveis somos todos nós enquanto sociedade e somos todos nós enquanto sociedade que temos de resolver o nosso problema.

Anonimo 07 Março 2012 - 16:04
Porquê?
Certo. Terá razão nalgumas coisas, noutras nem por isso.
Se as horas de trabalho são as mesmas, se os preços são os mesmos, se os produtores são os mesmos, porque raio ganha, quem trabalha num supermercado "lá fora" o dobro do que ganha aqui?
Ou alguém acredita que se abrisse supermercados em Inglaterra, o Pingo Doce pagava 500 euros? E não venham dizer que a malta do Pingo Doce está de perna traçada todo o dia sem fazerem nenhum.
Porquê esta diferença?

Jolas 07 Março 2012 - 16:15
Reforma
As reformas de 3 ou 4 mil euros para quem trabalhou e descontou uma vida inteira não são de todo milionárias.
Agora para quem trabalhou apenas uns "anitos" e nunca os seus descontos justificaram um valor desses, isso sim é uma reforma milionária.

Napo£eao 07 Março 2012 - 16:20
A inveja
Em Portugal os portugueses aceitam e acham normal que os futebolistas do Benfica (essa equipa que até tem 1 português no plantel!) "ganhem" mensalmente pipas de massa. Agora se for um médico, um director ou um juiz... aqui d'el rei!

Anonimo 07 Março 2012 - 16:44
Reformas
Todas as reformas já atribuídas deveriam sofrer uma reavaliação. Deveria ser imposto um limite máximo. Há muitas injustiças, muita gente que descontou poucos anos e a quem foram atribuídos altos valores. Alguns políticos e ex-políticos sabem disso.

Apgfsilvasilva 07 Março 2012 - 16:45
Não deveria haver tectos salariais nem leis laborais
Que chorrilho de asneiras que até dói a alma!
Os trabalhadores do pingo doce da Holanda ganham mais que os portugueses porque são: dinâmicos, trabalhadores, organizados e possuem uma lei laboral que ao contrário de proteger os preguiçosos, invejosos e piegas protege os bons trabalhadores e incentiva os outros a serem melhores!
Cada um deve ganhar o que merece e não o que a lei "obriga" a pagar. O salário mínimo é a recompensa de todos pelo mau trabalho e mau carácter de alguns. Se leva a vida a ir fumar o cigarrinho e a beber a bica, na entrada do prédio do escritório, porque haverá de receber remuneração por esses tempos "mortos” que não beneficiam nem a empresa nem a saúde do trabalhador?
A corja que está sempre em greve, como se durante o resto do tempo fizesse alguma coisa, mina as empresas e reduz o salário de todos. Aquele amigo que está sempre a sussurrar ao seu ouvido em vez de trabalhar está a prejudicar a empresa e a prejudicá-lo a si. Chega de bebés chorões. chega de irresponsáveis, chega de piegas, se quiserem melhores ordenados trabalhem!
Eu quanto a mim dispenso a trampa das leis laborais e das protecções sociais e de toda essa trampa que só cria emprego para os tipos dos sindicatos, mina a confiança dos empresários, aumenta o volume do Estado, e reduz os salários de quem realmente quer trabalhar. Trabalhar, qualquer que seja a profissão, fazendo bem o que se faz ajuda a nossa realização como seres humanos.

Cheio de Comunas 07 Março 2012 - 16:52
Frustrados
A frustração e o ressabiamento da cambada comuna que aqui vem com insultos é bem demonstrativa da mentalidade reinante em 'Tugal'. Bem faz o Sr. Soares dos Santos em avançar a todo o gás na Polónia, que eles lá sabem o que é o comunismo e, à parte uns saudosistas burros, ninguém quer voltar ao passado. Embrulhem.

Nuno 07 Março 2012 - 16:54
Capitalista
Este sistema social e especialmente a Segurança Social dão-me náuseas. Vivemos num país onde todos tentam viver à custa dos demais mas só quem é apanhado é vilipendiado na praça pública. Sempre à boca pequena, porque não temos coragem de mudar o país e de nos mudarmos a nós mesmos.
Metemos todos no mesmo saco, onde o denominador comum é o dinheiro que ganham, não o seu mérito. O mérito não reconhecemos nunca porque a nossa mesquinhez é tudo o que nos resta. Foi o que sempre tivemos. A nossa sociedade está podre.

guardaabel 07 Março 2012 - 16:57
Os canalhas
Belmiro de Azevedo (Grupo Sonae) e Soares dos Santos (Grupo Jerónimo Martins) são responsáveis pelo encerramento de dezenas de milhares de pequenos negócios familiares, as estratégias agressivas das suas grandes superfícies são alimentadas pelo estrangulamento das pequenas e médias empresas do sector agro-alimentar, impõem-lhes baixos preços e ainda alimentam os seus planos de investimento à custa de prazos de pagamentos aos fornecedores próximos do absurdo. São estes os dois senhores que agora defendem os pequenos investimentos?
Compreende-se a sua preocupação com o aumento no consumo, só que no Pingo Doce até os amendoins da marca branca são importados da China, aliás, fala-se por aí muito mal das lojas chinesas mas ninguém diz que os maiores “comerciantes chineses” deste país são precisamente Belmiro de Azevedo e Soares dos Santos.
Não deixa de ser curioso ver os grandes empresários, monopolistas ou oligopolistas nos sectores em que investem, virem agora defender que “small is beautiful”. É evidente que não lhes interessa investimentos em tecnologia que signifiquem uma aposta no longo prazo ou em grandes projectos que impliquem a importação de tecnologia. Para eles é mais lucrativo importar tudo da China, desde amendoins a camisas baratas, do que importar a tecnologia do TGV de um país europeu, para eles é estrategicamente mais interessante apoiar pequenos investimentos de mão-de-obra barata que vá comprar aos seus hipermercados do que investir em empresas tecnológicas cujos quadros tenha padrões de exigência acima do oferecido pelos hipermercados Continente.
Isto significa aplicar ao país a lógica da cantina da grande fazenda africana, onde os trabalhadores mal recebiam os ordenados iam pagar as dívidas do mês anterior e comprar a crédito para o mês seguinte. Se Belmiro conseguisse converter o país numa imensa cantina colonial asseguraria ao grupo SONAE a possibilidade de continuar a crescer segundo um modelo de mão-de-obra pouco qualificada, seria a cantina de um país transformado numa imensa fazenda colonial.

BURRO IO 07 Março 2012 - 17:00
P’ro apgfsilvasilva
Sabe, eu até concordo consigo, desde que haja honestidade e vontade para tal. Creio que ainda não crescemos suficiente para tal. Existe muitos incompetentes a ganhar muito acima do salário mínimo e da razoabilidade dos salários portugueses. Existe também muitos ladrões muito bem colocados e remunerados e que falam em competitividade para distrair dos roubos e corrupções que grassam por aí. As estatísticas são feitas à medida de quem as pede.
Provavelmente na Holanda o escrutínio é maior e melhor, a população está melhor informada. Por aqui quanto menos souberem, melhor. A transparência não existe, por isso em vez de ofender quem trabalha, comece primeiro a exigir a quem de direito.

apgfsilvasilva 07 Março 2012 - 17:15
Obrigado, Sr. Soares dos Santos
Gostava de saber onde o guardaabel faz as compras! Não deve ser na mercearia da Felisberta onde o mesmo produto custa dez vezes mais que no pingo doce! Os mercados, caso não saiba, tendem a ajustar-se à procura e se a mercearia da esquina fechou é porque não era competitiva. Já a Dra. Manuela Ferreira Leite dizia que era incompreensível tantas empresas darem prejuízo durante tantos anos e continuarem abertas.
Eu cá sou liberal defendo o pingo doce ou outro qualquer que me permita comer e beber e ainda poupar uns troquinhos!
Já agora, o que me preocupa não são as mentalidades capitalistas nem as comunistas, nem as benfiquistas, nem as portistas, nem as cristãs, nem as budistas, quem realmente me preocupa são as mentalidades que nos coíbem de pensarmos por nós próprios e que nos sugam a vontade. Devo dizer que a maior parte de nós só precisa de um sofá e de uma televisão para ficar dormente.


rmopf2005 07 Março 2012 - 17:22
Para os comunas

A CIGARRA E A FORMIGA
(Versões alemã e portuguesa)

Versão alemã
A formiga trabalha durante todo o Verão debaixo de Sol. Constrói a sua casa e enche-a de provisões para o Inverno.
A cigarra acha que a formiga é burra, ri, vai para a praia, bebe umas bejecas, dá umas quecas, vai ao Rock in Rio e deixa o tempo passar.
Quando chega o Inverno a formiga está quentinha e bem alimentada. A cigarra está cheia de frio, não tem casa nem comida e morre de fome.
FIM

Versão portuguesa
A formiga trabalha durante todo o Verão debaixo de Sol. Constrói a sua casa e enche-a de provisões para o Inverno.
A cigarra acha que a formiga é burra, ri, vai para a praia, bebe umas bejecas, dá umas quecas, vai ao Rock in Rio e deixa o tempo passar.
Quando chega o Inverno a formiga está quentinha e bem alimentada. A cigarra, cheia de frio, organiza uma conferência de imprensa e pergunta porque é que a formiga tem o direito de estar quentinha e bem alimentada enquanto as pobres cigarras, que não tiveram sorte na vida, têm fome e frio.

A televisão organiza emissões em directo que mostram a cigarra a tremer de frio e esfomeada ao mesmo tempo que exibem vídeos da formiga em casa, toda quentinha, a comer o seu jantar com uma mesa cheia de coisas boas à sua frente.
A opinião pública ‘tuga’ escandaliza-se porque não é justo que uns passem fome enquanto outros vivem no bem bom. As associações anti-pobreza manifestam-se diante da casa da formiga. Os jornalistas organizam entrevistas e mesas redondas com montes de comentadores que comentam a forma injusta como a formiga enriqueceu à custa da cigarra e exigem ao Governo que aumente os impostos da formiga para contribuir para a solidariedade social. A CGTP, o PCP, o BE, os Verdes, a Geração à Rasca, os Indignados e a ala esquerda do PS, com a Helena Roseta e a Ana Gomes à frente e o apoio implícito do Mário Soares, organizam manifestações diante da casa da formiga. Os funcionários públicos e os transportes decidem fazer uma greve de solidariedade de uma hora por dia (os transportes à hora de ponta) de duração ilimitada. Fernando Rosas escreve um livro que demonstra as ligações da formiga com os nazis de Auschwitz.

Para responder às sondagens o Governo faz passar uma lei sobre a igualdade económica e outra de anti-discriminação (esta com efeitos retroactivos ao princípio do Verão). Os impostos da formiga são aumentados sete vezes e simultaneamente é multada por não ter dado emprego à cigarra. A casa da formiga é confiscada pelas Finanças porque a formiga não tem dinheiro que chegue para pagar os impostos e a multa. A formiga abandona Portugal e vai instalar-se na Suíça onde, passado pouco tempo, começa a contribuir para o desenvolvimento da economia local.

A televisão faz uma reportagem sobre a cigarra, agora instalada na casa da formiga e a comer os bens que aquela teve de deixar para trás. Embora a Primavera ainda venha longe já conseguiu dar cabo de todas as provisões organizando umas "parties" com os amigos e umas "raves" com os artistas e escritores progressistas que duram até de madrugada. Sérgio Godinho compõe a canção de protesto "Formiga fascista, inimiga do artista".
A antiga casa da formiga deteriora-se rapidamente porque a cigarra está-se catando para a sua conservação. Em vez disso queixa-se que o Governo não faz nada para manter a casa como deve ser. É nomeada uma comissão de inquérito para averiguar as causas da decrepitude da casa da formiga. O custo da comissão (interpartidária mais parceiros sociais) vai para o Orçamento de Estado: são 3 milhões de euros por ano. Enquanto a comissão prepara a primeira reunião para daí a três meses a cigarra morre de overdose. Rui Tavares comenta no Público a incapacidade do Governo para corrigir o problema da desigualdade social e para evitar as causas que levaram a cigarra à depressão e ao suicídio.

A casa da formiga, ao abandono, é ocupada por um bando de baratas, imigrantes ilegais, que há já dois anos que foram intimadas a sair do País mas que decidiram cá ficar, dedicando-se ao tráfego da droga e a aterrorizar a vizinhança. Ana Gomes, um pouco a despropósito afirma que as carências da integração social se devem à compra dos submarinos, faz uma relação que só ela entende entre as baratas ilegais e os voos da CIA e aproveita para insultar Paulo Portas.
Entretanto o Governo felicita-se pela diversidade cultural do País e pela sua aptidão para integrar harmoniosamente as diferenças sociais e as contribuições das diversas comunidades que nele encontraram uma vida melhor.

A formiga, entretanto, refez a vida na Suíça e está quase milionária...
FIM


mferrer0 07 Março 2012 - 18:25
É sim...
É milionária porque exagerada em relação aos anos de trabalho e em relação aos descontos que fizeram para a CGA. O senhor, como privado e magnata, não precisa da sua reforma. Se, no entanto, observasse a reforma que os políticos auferem, e a que lhes seria devida, veria que eles se banqueteiam com dinheiro que não é deles.

dantaspt 07 Março 2012 - 18:38
Ao apgfsilvasilva
O teu comentário só merece uma resposta, tão estúpida como o teu comentário. Que tal acabar com as leis, e ser a lei do mais forte, se não me pagas o que mereço, dou-te um tiro. Tu vais para o cemitério, eu continuo a minha vida descansado, sabendo que um gatuno está a fazer tijolo.
Mas o teu comentário faz-me lembrar alguém que há uns anos disse algo parecido: "cada um tem o emprego que quer". Isso seria verdade, se não fosse uma barriga para alimentar e não houvesse quase 2 milhões de barrigas dispostas a ir trabalhar por uma simples tigela de sopa.
Só uma ignorância sem limites pode fazer aquele comentário. Gostava de saber onde tem andado desde o dia que começou a ter consciência de estar vivo.

rmopf2005 07 Março 2012 - 18:54
Objectivo das empresas
Para os comunas que ainda se doem do Sr. Alexandre Soares dos Santos ter mudado a sede para a Holanda, só tenho a dizer o seguinte: o objectivo das empresas é dar lucro para os donos/accionistas. Não é pagar impostos, que depois são desperdiçados para alimentar com RSI a preguiça de pessoas de 20 anos.
Como sempre disse, acabar o RSI. Quem tem alguma deficiência física vai para a reforma por invalidez, quem tem bracinhos para trabalhar que se mexa.
Não pode ser as pessoas que trabalham a pagar quem não quer trabalhar.

Anonimo 07 Março 2012 - 19:10
rmopf2005
E o objectivo das empresas é apenas o que interessa? Eu digo não. E porquê? Porque a empresa serve, ou deve servir, como qualquer outra coisa que existe na sociedade/humanidade para ajudar no florescimento e melhoria de todos.
Se estou a falar de comunismo? Claro que não, portanto parem com desculpas bazofiadas. Estou apenas a dizer que uma empresa tem responsabilidade social. Ponto. Se deve ser santa casa? Não. Se deve ser não social? Não.
O pior é que, de um lado, estão uns que querem tudo, mesmo que não precisem, e do outro, os que querem coisas sem trabalhar. Parem de puxar a brasa à vossa sardinha e trabalhem em parceria. Sabem o que é parceria? Tudo, menos situação de escravo e esclavagista!

rmopf2005 07 Março 2012 - 19:25
Para o Sr. anonimo das 19:10
Parceria? Mega lol, o povo só vê mesmo para o lado que lhe interessa!
Pois então vamos à parceria. Se a empresa definha porque não recebe dos clientes e precisa pagar os impostos a tempo e horas onde está a parceria dos funcionários? Um patrão pode ficar sem casa, sem carro, sem os móveis da casa, mas o funcionário não perde nada porque também não arrisca nada.
Paga-se pouco aos funcionários em Portugal porque:
  1. As empresas são roubadas pela ganância em impostos do Estado, alguma dúvida?
  2. Pagam-se os ordenados dos incompetentes que a lei não permite despedir.
  3. O empresário tem de ganhar para o risco do negócio, ou algum comuna duvida que existe risco? Se não se pagar às finanças, até nos vêm buscar a casa.
Portanto é de louvar a coragem de abrir uma empresa em Portugal.


sábado, 9 de abril de 2011

Queremos governantes competentes


O que nos diz Alexandre Soares dos Santos, presidente do grupo empresarial Jerónimo Martins, sobre o pedido de ajuda financeira de José Sócrates? Que "vem muito tarde, muito tarde".
"Sabia-se há muito tempo que a situação económico-financeira de Portugal era muito má. E, quando se tem pela frente uma situação económica muito má, a única coisa que há a fazer é olhar para ela com seriedade e desenvolver um plano de ataque a essa mesma situação. E aquilo que se demonstrou ao longo deste tempo todo, foi que lançaram um PEC I, um PEC II, um PEC III e um PEC IV. Quando se lança PEC atrás de PEC significa que não há plano, significa que tudo é feito sobre o joelho, face às necessidades de tesouraria num determinado momento.
Evidentemente que isto só agrava o problema porque não atacamos, primeiro, o mal. Quando se nota a evolução da dívida portuguesa desde 2004 até hoje — em 2004 era 56% do PIB e hoje nem sabemos quanto é, há quem diga que é 92, mas há quem diga que é 140% — isto significa que nada foi feito e pretendeu-se fazer como a avestruz: meter a cabeça debaixo da areia e esperar pelo tempo melhor (...).
Criou-se à volta do FMI uma imagem de que a entrada dele é o fim deste país, quando a entrada do FMI é uma necessidade total. E porquê? Porque destruiu-se nestes anos todos a Administração Pública. Infiltrou-se, por todo o aparelho de Estado, incompetência, incúria e desleixo. E introduziu-se uma coisa horrível que foi a mentira. Lembra-se, em 2009, que nos disseram, em Agosto, que o défice era x e acabou por ser x, mais y e mais z? Não me venham dizer que, em Agosto, não se sabia qual era o défice, qualquer companhia sabe, em Agosto, quais são os resultados que vai ter no fim do ano.

Penso que vamos ter de negociar com o FMI e com a Comissão Europeia um plano de longo prazo de recuperação das Finanças portuguesas, porque há aspectos sociais terríveis no nosso país, neste momento, e não se podem ignorar. Um exemplo: tenho 1% da massa salarial do Pingo Doce penhorada pelos tribunais, de pessoal que não pôde pagar os seus compromissos e agora sou obrigado a entregar 30% desses salários aos tribunais. (...) Facilitou-se o crédito a esta gente para tudo: foram obrigados a comprar casa porque não havia arrendamento e agora, de um dia para o outro, vai-se-lhes buscar o dinheiro. (...)
Tem de haver um plano em que se recupere as Finanças porque sem Finanças sãs não há desenvolvimento mas, ao mesmo tempo, tem de se olhar com cuidado para os problemas sociais que este país está enfrentando e que nos podem levar a graves perturbações. (...)
Qualquer pessoa aceita qualquer plano desde que se lhe indique aonde esse plano nos vai levar e nós nunca fomos informados. Qual é o verdadeiro buraco das Finanças portuguesas? Há quem diga que não se podem fazer auditorias às contas. Qualquer pessoa na Comissão Europeia sabe exactamente qual é o buraco. Quem é que não tem direito a saber? O cidadão português. Paga os seus impostos e não tem o direito de saber como o seu dinheiro está a ser administrado e como é que o gastaram: isto é crime. (...)
Os juros altos vêm de não haver um plano que mostre aos credores para onde o país vai. Vai haver crescimento económico, ou não? Vai haver criação de emprego, ou não? Como se cria o emprego? Através do investimento. E como se cria o investimento? Através da confiança. E nada disto existe. A única coisa que existe é uma caça ao dinheiro para suprir as necessidades diárias do Estado.
(...)
[Embora a austeridade inicialmente se agrave] temos uma certeza, o dinheiro vão-nos emprestar. Agora depende da capacidade que Portugal tiver em fazer uma boa discussão: demonstrar que somos credíveis, verdadeiros e temos um plano que vamos implementar. E isto impõe aos partidos que pensem em Portugal e não pensem uns em tramar os outros. (...)
Não podemos continuar neste adiar permanente de resolver uma situação grave. Tem que haver um acordo entre Presidente da República, partidos políticos e governo em relação às medidas que têm de ser tomadas e um compromisso solene de as implementar. Uma sociedade só compreende o que tem de fazer desde que a chamem a participar. Há uma medida urgente, têm de iniciar as negociações com o FMI, acertar no plano e ir implementá-lo. A seguir, começar a discutir aquilo em que o governo que saia das eleições deve ter o apoio dos outros, de preferência por uma coligação.
Tem de haver, antes das eleições, a mesma coisa que o senhor Dr. Mário Soares fez com o professor Mota Pinto: acordaram, antes das eleições, quem iria ser o primeiro-ministro e quais as medidas a tomar e respeitaram; o senhor Dr. Mário Soares foi o mais votado, foi o primeiro-ministro. (...) Penso que, em nenhuma solução o senhor Eng. Sócrates pode entrar, porque o senhor Eng. Sócrates, até hoje, tem mentido e um primeiro-ministro não pode mentir ao país. (...)
Porquê existe uma grave crise económico-financeira em Portugal? Porque há uma crise política há muitos anos, que gerou uma crise social. Desapareceram os líderes (...) que tinham sentido de Estado, que punham o País à frente dos próprios partidos. Então começaram as jogadas partidárias, começaram a aparecer partidos com quadros que, de experiência de vida, não tinham nada e se instalaram como ministros, secretários de Estado, assessores e engordaram. (...)
Estes anos já provaram que governos minoritários não funcionam. Zapatero teve a dignidade de dizer: "Não me vou candidatar mais". O Eng. Sócrates devia ter a humildade de dizer, neste momento: "Peço desculpa, vou-me embora". E o partido socialista devia ter a coragem de indicar um bom candidato a primeiro-ministro. (...)

Neste País, actualmente, gostamos muito de pôr as culpas nos outros. Nós não temos culpa nenhuma. (...) O que é que estamos a fazer de errado, cada um de nós? Um país é aquilo que a sua sociedade quer. Se cada um de nós, nas nossas funções, as desempenharmos bem, o país será bom. Temos de olhar para nós e perguntar: O que é que posso fazer pelo meu país? A sociedade civil portuguesa tem pecado pela inércia — os empresários, as associações empresariais, a banca, os sindicatos. (...)
Quando se vota, não sei em quem estou a votar. Voto num tipo que penso vai ser o candidato a primeiro-ministro, mas eu devia saber quem eram os candidatos a deputado. Devia ser obrigatório cada candidato a deputado publicar o seu currículo: o que é que ele fez na vida? Para saber se vale a pena votar nesse senhor. (...)

A CIP tem de deixar de defender interesses pequenos para passar a defender a iniciativa privada em Portugal, no seu todo, apresentando projectos. Passamos a vida a queixarmo-nos: os agricultores queixam-se, os industriais queixam-se, todo o mundo se queixa. Criou-se a ideia que o Estado tem de pagar tudo e nós não temos de fazer nada. (...) Se falar ao povo português, dizendo que o Serviço Nacional de Saúde tem que ser pago por alguns, não pelos pobres, as pessoas compreendem. O que não se pode é andar permanentemente a oferecer saúde grátis, escolas grátis, é tudo grátis, você só tem direitos, não tem responsabilidades. Temos de alterar profundamente a nossa forma de pensar e devemos manifestar o nosso desacordo, dentro da lei. (...)

Que tipo de país queremos, um país assente na iniciativa privada ou no Estado? Se é assente na iniciativa privada, vamos começar por alterar a Constituição, dizendo que a iniciativa privada é bem recebida. Quando fui para a Polónia, reuni-me com os advogados e pedi-lhes a Constituição polaca, a política fiscal e a Justiça. (...)
Se o País quer a iniciativa privada, então vamos adaptar as nossas regras e controlar essa iniciativa privada por reguladores, mas não nomeados por partidos políticos. Temos de encontrar um sistema em que seja gente competente, imparcial e conhecedora que vai desempenhar essas funções. Depois vamos vender o nosso País aos investidores estrangeiros. Adaptação das leis laborais: você tem direito ao trabalho, não tem direito ao emprego.
(...)
[No que respeita aos projectos de investimento], a lei tem de ser muito clara: quer construir um hotel, sabe quais são as condições. Se não construir de acordo com a lei vai ser preso e o hotel vai abaixo. Responsabilizar as pessoas. Por que é que, em Portugal, há corrupção? A máquina burocrática é tal, que você tem de passar a vida a untar as pessoas ao longo do caminho. (...)
É uma pena que, para trabalhar, tenha de deixar o meu País, quando o meu País tem condições para ser um país a sério. Andamos simplesmente a brincar. A maior parte destes senhores que têm estado no governo deviam pedir desculpa, para não dizer mais, foi um crime o que eles fizeram.
[As pessoas que decidiram contratos lesivos, nomeadamente nas grandes obras públicas prejudiciais] deviam responder em tribunal. Uns não falam porque não podem, outros não falam porque têm interesses, vivemos numa sociedade de medo. (...)
Quem tem que mostrar o caminho é o senhor Presidente da República que, neste momento, tem uma obrigação muito especial: forçar ao entendimento entre os partidos políticos para que apresentem à Nação um programa de recuperação e não dizermos que é uma fatalidade vir o FMI. Tem que chamar os três ou os quatro partidos a Belém, todos juntos, e dizer-lhes: meus caros amigos, têm que se entender e têm x dias para me apresentarem o vosso plano, antes das eleições. E se não apresentarem, deve informar o País e fazer um governo de iniciativa presidencial. (...) Deve forçar os partidos a garantirem que, qualquer que seja o resultado das eleições, há um plano acordado e devem cumpri-lo. E quando os resultados das eleições vierem, o mais votado será o primeiro-ministro.
"



07-04-2011


É o discurso de um Homem que criou uma carreira internacional sem protecção política, uma carreira internacional baseada no mérito.
É um Homem que se sentiu obrigado a regressar ao país para assumir a responsabilidade de gerir uma empresa familiar que ficou sem timoneiro.
É um Homem que construiu o segundo maior grupo nacional de distribuição alimentar e lhe deu uma dimensão internacional.
É um Homem que soube criar postos de trabalho para muitas famílias portuguesas.
Saibamos ouvir e reflectir sobre as ideias que transmite nesta entrevista ao Negócios da Semana, um programa da SIC. Ou preferimos continuar a ser o país mais pobre da Europa ocidental e a calcorrear o mundo a mendigar empréstimos?

O maior problema do país é o tipo de pessoas que consegue fazer carreira política em Portugal: incompetentes, irresponsáveis, demagogos e aldrabões.
Precisamos de varrer estas gentes, que atulham os partidos políticos e vivem à sombra do Orçamento do Estado, na administração central ou local e nas empresas públicas nacionais ou municipais, porque conduziram o país à insolvência.
Se os 3,5 milhões de abstencionistas das últimas eleições legislativas anularem o boletim de voto escrevendo "Queremos governantes competentes", o Presidente da República não terá outra alternativa, senão empossar um governo de iniciativa presidencial formado por estadistas.


segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Ainda vale a pena investir em Portugal?


Alexandre Soares dos Santos, na conferência "Ainda vale a pena investir em Portugal?":




Para investir em Portugal é preciso acima de tudo, uma vez por todas, nós, portugueses, decidirmos que sociedade queremos, para onde queremos levar o nosso país, como é que queremos viver. Não é andarmos, por um lado, a dizer precisamos do investimento privado e por outro lado andar a insultá-lo a dizer que é a culpa de todos os males que existem neste país. E acusar-nos de não pagarmos impostos (...) quando a iniciativa privada é a única que cria emprego e os escândalos não são na iniciativa privada, são noutros sítios.
(..) a iniciativa privada, em larga maioria, são empresas sérias, conscientes da sua responsabilidade, que defendem os seus accionistas e não têm escândalos entre elas.
Portanto é fundamental que de uma vez por todas decidamos se queremos uma sociedade socialista ou se queremos uma sociedade em que a iniciativa privada é aceite como alguma coisa de útil para um país e que gere riqueza.

Temos também de ter em conta o que querem os partidos políticos. Os partidos políticos em Portugal limitam-se a uma luta entre eles, não têm a mínima consciência nem o mínimo sentido de Estado, preocupam-se com os seus problemas e depois queixam-se da iniciativa privada.
(...)
Depois há a crise política que leva a uma crise financeira e económica tremenda. Isto não se resolve na Assembleia da República, não são os partidos com a sua demagogia que resolvem estes problemas e que levam a que o país se torne interessante para investir (...) O montante que se gasta em advogados é uma quantia absolutamente louca, numa administração que não está disposta a dialogar como é o caso, por exemplo, na Holanda (...) as companhias discutem com o governo os impostos que vão pagar (...). Uma vez estabelecido, é cumprido. Aqui não, ninguém sabe como as coisas se fazem. A meio do caminho, quase a chegar ao fim do ano, vêm com uma nova lei sobre as SPGS. Porquê? Estão a convidar as pessoas para ir embora.

Agora no parlamento discute-se se há, ou não há, tectos salariais para aqueles que trabalham nas empresas públicas. Acho graça uma empresa com a dimensão da Caixa Geral de Depósitos com o presidente a ganhar 5000€. O que é que isto vai fomentar? Vai fomentar a corrupção no sentido dos cartões de crédito, de facturas que não têm nada a ver com a companhia a serem aceites. Ou então uma coisa mais grave ainda, a fuga dos talentos. Eu tenho muita pena de ver um Horta Osório e um António Borges a trabalhar lá fora porque no país não têm emprego. (...)
Agora vêm-nos dizer que a iniciativa privada também não deve aumentar os salários. Porquê? Se as empresas tiverem lucros por que não hão-de repartir os lucros com aqueles que trabalham? Qual é a razão de distribuir dividendos e não dar aumentos salariais? Entretanto o senhor ministro das Finanças diz que a iniciativa privada também tem de cortar salários.


*

A ideologia socialista estilo Venezuela, ou Líbia, é perigosa. Além do miserabilismo económico focado por Soares dos Santos, há que falar no empobrecimento cultural das crianças e adolescentes.
O socialismo português, ao defender o facilitismo no ensino, ao obrigar os professores a darem excessiva importância a projectos e actividades extra-escolares, muitas a resvalarem para a área da animação cultural, como passeios e festas sociais, em detrimento da transmissão de conhecimentos e correspondente aquisição de competências, está a empobrecer culturalmente a juventude e a empurrá-la para um nível de vida muito inferior ao dos outros países europeus.