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sexta-feira, 8 de maio de 2015

Resultados da componente específica da PACC 2015


O Instituto de Avaliação Educativa (IAVE), responsável pela elaboração das provas que compõem a Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades (PACC), divulgou os resultados da componente específica da PACC, que se realizou entre os dias 25 e 27 de Março de 2015. Fica assim concluída a última etapa da PACC do ano escolar 2014-2015 que, como previsto, teve uma componente comum e uma componente específica.

Realizaram a componente específica os candidatos que foram aprovados na componente comum que decorreu a 19 de Dezembro de 2014 e cujos resultados foram divulgados em 26 de Janeiro.

Em nota divulgada no Portal do Governo, o Ministério da Educação e Ciência (MEC) afirma (o negrito é meu):
O domínio de capacidades básicas tais como o raciocínio lógico e a capacidade de comunicação em língua portuguesa são transversais à leccionação de todas as disciplinas. Para garantir a qualidade do ensino dos nossos alunos, é importante que os candidatos a seleccionar e recrutar como professores demonstrem o domínio dessas capacidades básicas. Por outro lado, é fundamental o domínio dos conhecimentos e capacidades específicas e essenciais para a docência em cada grupo de recrutamento e nível de ensino. Como sempre temos dito, não se pode ensinar bem o que não se sabe muito bem.

Sendo a qualidade da docência fundamental para a qualidade do sistema educativo e, por conseguinte, do sucesso na aprendizagem dos alunos, o Ministério da Educação e Ciência tomou uma série de medidas no sentido de garantir que sejam os candidatos melhor preparados a ensinar os nossos alunos. A Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades é parte fundamental de um conjunto de medidas, no qual se enquadra também:

- a obrigatoriedade de realização de exames de Português e de Matemática para admissão aos cursos de licenciatura de Educação Básica;

- o reforço da componente científica nos cursos de formação inicial — através de alterações introduzidas no decreto-lei das habilitações para a docência;

- a formação contínua de professores.

É fundamental que, à medida que se renovem os quadros docentes das escolas, o que irá acontecer de forma acelerada na próxima década, se garanta a entrada de uma geração de professores altamente preparada e qualificada. É ambição do Ministério da Educação e Ciência que esta prova seja também um incentivo a uma maior exigência na formação inicial dos candidatos a professores.

Apresentamos a tabela de resultados da PACC, no ano escolar 2014-2015:



O número de candidatos admitidos à realização da componente específica da prova foi 1565, para um total de 2338 inscrições válidas a 24 disciplinas distintas.
E por que existem mais inscrições do que professores inscritos? Porque cada candidato pôde inscrever-se em mais do que uma prova, consoante os grupos de recrutamento para os quais tem habilitação profissional. Por exemplo, se um candidato tem habilitação profissional para leccionar Português (nível 2) e Francês, então podia fazer as provas das duas disciplinas.

As provas específicas, cujos enunciados e critérios de classificação se encontram aqui, realizaram-se em estabelecimentos de ensino da rede pública, em Portugal, e em outros estabelecimentos fora do território nacional.
Foram classificadas 2153 provas, porque houve 176 faltas, 6 desistências e 3 provas anuladas. Estas provas foram classificadas na escala de 0 a 100 pontos, sendo aprovados os candidatos que obtiveram uma classificação igual ou superior a 50 por cento da cotação total.
A reprovação de um candidato impede-o de candidatar-se a um lugar nas escolas no próximo ano lectivo, mas não o impede de realizar novas provas nos anos subsequentes.

Em comunicado de imprensa, o IAVE destaca, numa análise preliminar dos resultados, que as médias globais se situam entre os valores 41,8 da Educação Especial 2 e 88,2 da Educação Especial 3, distribuindo-se da seguinte forma:
  • igual ou superior a 70: Artes Visuais (nível 1 e 2), Educação Especial (1 e 3), Electrotecnia, Informática e Música;
  • entre 60 e 69: Alemão, Educação Pré-Escolar, Espanhol, Filosofia, Geografia, Inglês e Matemática (nível 2);
  • entre 50 e 59: Economia, Educação Física, Francês, História, Matemática (nível 1) e Português (nível 1);
  • entre 40 e 49: Biologia e Geologia, Educação Especial 2, Física e Química e Português (nível 2).

No universo dos candidatos que realizaram as diversas provas específicas registam-se as seguintes taxas de aprovação:
  • superiores a 90%: Artes Visuais (níveis 1 e 2), Educação Especial (1 e 3), Educação Pré-escolar, Electrotecnia, Geografia, Informática e Música;
  • entre 70% e 90%: Alemão, Educação Física, Espanhol, Filosofia, Francês, Inglês, Matemática (nível 2) e Português (nível 1);
  • entre 50% e 70%: Biologia e Geologia, Economia, História e Matemática (nível 1);
  • inferiores a 50%: Educação Especial 2, Física e Química e Português (nível 2).


*


Biologia e Geologia surge em quarto lugar nas disciplinas com pior classificação média, 48,8 numa escala de 0 a 100 pontos, sendo 42,3% os candidatos que reprovaram.

O resultado obtido em Educação Especial 2 (apoio a crianças e jovens com surdez moderada, severa ou profunda, com graves problemas de comunicação, linguagem ou fala), com a média de 41,8 pontos e uma taxa de reprovação de 100%, ainda foi pior, mas só houve um candidato a fazer a prova.

No entanto, o que é grave e necessita de reflexão é o que se passou nas disciplinas Física e Química e Português, ambas do 3º ciclo e ensino secundário.
Mais de metade dos 106 candidatos (60,4%) que fizeram o exame de Português e dos 68 candidatos (63,2%) que fizeram a prova de Física e Química ficaram reprovados. Foi também nestas duas disciplinas que a classificação média das provas foi mais baixa: 46,2 e 44,4, respectivamente.
Física e Química é também a disciplina onde os alunos costumam ter piores resultados nos exames do ensino secundário.

Em 2006, a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa deixou de receber inscrições para a licenciatura em ensino da Física e Química porque a quase totalidade dos alunos, depois de anos de sucessivas reprovações, pedia transferência para universidades privadas tipo Lusófona. Aí licenciavam-se rapidamente e com elevadas classificações, o que lhes permitia passar à frente dos candidatos oriundos de universidades públicas nos concursos do ministério da Educação.
Trata-se de um dos cursos mais difíceis, a par das engenharias, porque para aprender Física tem de ser-se, à partida, um profundo conhecedor de Matemática.

Recordemos que os professores com mais de 5 anos de serviço não são obrigados a fazer a PACC. Mas se fossem obrigados, não seria de esperar por melhores resultados porque o problema já vem de longe.
Ora são estes docentes que na próxima década vão ocupar os lugares nos quadros das escolas, pelo que as expectativas do ministro Nuno Crato de que “à medida que se renovem os quadros docentes das escolas, o que irá acontecer de forma acelerada na próxima década, se garanta a entrada de uma geração de professores altamente preparada e qualificada” vão ser goradas.
Vai levar quatro décadas, tantas quantas houve de declínio na escola pública, para que esta volte a ter a elevada qualidade que desfrutava antes do 25 de Abril.

Arquivamos outras opiniões recolhidas nos comentários à notícia no Público, jornal que sempre se manifestou contra a PACC, e que por acaso, ou talvez não, teve de corrigir o texto que revelava um profundo desconhecimento do conteúdo das provas específicas e dos grupos de recrutamento a que se destinavam. Ei-las:

manuel vieira
lisboa 07/05/2015 20:03
Que rico panorama. Será que Mário Nogueira tem alguma coisa a dizer? Claro que tem, vai defender que estes senhores não deviam ser sujeitos a provas de avaliação de conhecimentos.
  • Jose Antonio Fundo
    Professor e Ilustrador, Porto 08:57
    É pá! Trocar assim alhos com bugalhos é de uma acrobacia intelectual própria de quem percebe zero do assunto. Ainda bem que não lhe fizeram a prova!
  • CARS
    11:23
    Meu caro José,
    Ninguém diria que é professor porque, em interpretação de comentários, deixa um pouco a desejar. Ser professor é muito mais do que dizer "sou professor", é ter conhecimentos necessários para leccionar sem ter receio de ser avaliado nos seus conhecimentos.
  • manuel vieira
    lisboa 11:58
    Resposta para o senhor professor:
    1. Lembro-lhe que eu não sou seu aluno, logo contenha-se.
    2. Percebo alguma coisa, tenho sete netos que são o meu barómetro do estado do ensino.
    3. Tenho duas filhas que são professoras.
    4. Picou-se por eu ter mencionado o inútil Mário Nogueira?
    5. Durante toda a minha vida profissional fui avaliado. Quem não deve, não teme. Fique bem.

Paulo Alexandre
07/05/2015 22:16
Grupo 910 significa "Domínio Cognitivo e Motor"; Grupo 920 - Domínio da Audição e Surdez; Grupo 930 - Domínio da Visão.
Erro grave por parte do Público. Os números atribuídos aos grupos nada têm a ver com o nível de ensino, mas sim com os diferentes domínios.

Jose Antonio Fundo
Professor e Ilustrador, Porto 08:56
Como é evidente, tais diferenças demonstram desadequações e diferenças nos graus de dificuldade das provas. Dificilmente se pode julgar um grupo de professores num tão alargado conjunto de conhecimentos por um teste escrito. Os testes escritos são um processo muito pouco exacto de avaliação. São populares porque são fáceis de aplicar. Estas provas provam pouco. Quem duvidar disso percebe pouco de educação. O professor é muito mais do que a ciência que ensina. Ser professor é uma ciência em si mesmo e sobre isso houve zero perguntas.
  • tripeiro
    Alguém informe a Princesa44 sobre os horários de visita em Évora 09:43
    Foi pena ter-se limitado a dizer que os testes não são adequados para avaliar o domínio das matérias e não ter dito qual é a alternativa.
  • Miguel S.
    Trondheim 10:27
    Concordo José, em certa medida. E, como refere o tripeiro, não sei como tornar as provas mais representativas do que pretendem avaliar. No entanto, procurar desvalorizar o básico — um professor deve dominar os conteúdos científicos que vai ensinar — serve apenas para perpetuar a mediocridade do sistema.
  • No Mercy
    11:12
    Pois, é extremamente difícil avaliar "setôres" através de testes escritos. Mas os "setôres" têm imensa facilidade em avaliar alunos através de testes escritos, o que não deixa de ser curioso...
    Pois, o "setôr" "é muito mais do que a ciência que ensina". E o aluno? E, já agora, se mal pergunte, o que é que a classe de "setôres" fez para que os testes não fossem apenas escritos e houvesse uma bateria de testes que avaliassem as múltiplas competências necessárias ao ensino?
  • Sousa da Ponte
    12:01
    @ Tripeiro: Um licenciado num curso de ensino foi submetido a mais de uma centena de provas e testes, onde teve positiva a todos. Esta prova vale mais do que isso tudo junto? A alternativa existe: é a avaliação aos professores em exercício.
    @ Miguel: Tem toda a razão. Mas se um professor não sabe os conteúdos científicos que vai ensinar, a culpa não é dele: é de que o certificou sabendo que ele não sabia. E a mediocridade do sistema continua a ser perpetuada nas universidades e ESEs de onde saíram estes professores.
    @ No Mercy: Está a deitar para o lixo 4 ou 5 anos de estudos superiores quando pergunta "(...) houvesse uma bateria de testes que avaliassem as múltiplas competências necessárias ao ensino?" Essa bateria de testes existe e os professores superaram-nas. Vale a PAAC mais do que as provas todas prestadas em 4 ou 5 anos?
    Relativamente aos testes que os professores fazem aos alunos, esses só valem ~70% da avaliação e os alunos não condensam um ciclo de ensino numa única prova. Fazem vários testes apropriados a cada disciplina.
    Dito isto, pergunto: Há professores mal preparados, medíocres ou que não deviam sequer ser professores? Há, sim, senhor! E há-os porquê? Porque há instituições que os formam assim. O que faz o Nuno Crato quanto a isso? Nada! É forte com os fracos e fraco com os fortes!
  • tripeiro
    Alguém informe a Princesa44 sobre os horários de visita em Évora 12:19
    Sousa da Ponte,
    Eu não estou aqui a defender o sistema de avaliação de professores — com o qual não concordo, a avaliação nestes moldes é para ser feita nas universidades, e se alguma coisa está a falhar, é aí, e o ministério da Educação não pode descartar as suas responsabilidades na matéria —, mas tão somente a pôr em causa a afirmação do José de que os testes não são adequados para avaliar (penso que ele não se está a referir a este caso em concreto da avaliação de professores, mas à avaliação em geral).
    E quanto a mim, o problema na qualidade do ensino não está ao nível cientifico, mas sim pedagógico. Penso que todos nós tivemos professores que eram autênticas nódoas e não era por causa dos conhecimentos científicos.
  • José Cid Adão
    12:32
    Caro Sousa da Ponte,
    Infelizmente a verdade é que, em muitos casos, ter sido aprovado a centenas de exames durante 5 anos pouco valor tem.
    De quem será a culpa? Dos estabelecimentos de ensino que facilitam para assim conseguirem mais alunos/clientes? Ou dos próprios professores que, na altura, conscientemente fizeram a escolha de estudar numa universidade de fraca qualidade, mas com boas notas garantidas?
    Sinceramente não sei, mas a culpa não é de certeza dos alunos de agora. Dou mais valor a um exame, por mau que seja, se for igual para todos, do que a uma avaliação feita durante 5 anos mas que foi diferente de professor para professor. Acho por isso que todos os professores deviam ser sujeitos aos exames.
  • No Mercy
    12:39
    1. O Sousa da Ponte tem razão numa coisa, quando faz as perguntas e dá as respostas: "Há professores mal preparados, medíocres ou que não deviam sequer ser professores? Há, sim, senhor. E há-os porquê? Porque há instituições que os formam assim. O que faz o Nuno Crato quanto a isso? Nada! É forte com os fracos e fraco com os fortes!"
    2. O Sousa da Ponte não tem razão noutras. Precisamente porque muitos dos tais testes que os "setôres" fazem, terem sido feitos por instituições medíocres, é que contam pouco. Acresce que lá por se fazerem testes em inicio de carreira não devia obstar, nem obsta nos países que têm uma Educação a sério, que eles se façam ao longo da vida profissional. Nos EUA, os professores estão em constante avaliação. Faça o mesmo cá e vai ver a resposta das corporações...

No Mercy
11:08
Eu só não compreendo é porque é que estas avaliações não são feitas a todos os "setôres". Não compreendo a discriminação que é feita em relação à avaliação. Ou será que alguém tem dúvida que se estas avaliações fossem feitas a todos os "setôres" os resultados seriam, em percentagem, semelhantes?
Será que esta gente não percebe que, se querem ter uma Educação Pública competente, têm que ter Professores, e não "setôres"? Mas esta gente acha que se melhora a qualificação dos alunos com a medíocre qualificação que existe entre a classe que "ensina"? Podem criar as políticas que quiserem, enquanto a mediocridade da matéria-prima for a que é, jamais passaremos da cepa torta!

Hugo
12:44
Acho este governo corrupto e ignóbil, mas esta é das poucas coisas que acertou e deveria fazer regra para todo o serviço público, que deveria reger-se pela qualidade e não pela complacência e mediocridade. Aliás deveria fazer provas obrigatórias de x em x anos para confirmar que os professores têm capacidade e competência para continuar com as responsabilidades atribuídas, com eventual progressão ou regressão na carreira a verificar-se na folha salarial.
A administração pública não pode, nem deve, ser comparada com o privado, porque no privado as consequências estão limitadas à respetiva organização e na administração pública afeta-nos a todos. A avaliação por prova escrita deveria ser regra, além de que deveria ser evitada qualquer avaliação subjetiva.

Aliocha
13:04
Depois do facilitismo progressivo que reinava há anos na Educação e que culminou no ex-governo socrático (o ex-primeiro-ministro era um exemplo vivo disso!), era preciso um novo rumo. Alguma coisa tinha que ser feita.
Custa sempre mais endireitar o que muito entortou ao longo do tempo. Criaram-se hábitos arreigados de "laissez-faire, laissez-passer". Com todos os seus defeitos e podendo ser melhorados, estes testes, doa a quem doer, são um crivo.
A melhor forma de melhorar a qualidade no ensino é ter bons professores e exigir mais dos alunos, a começar na disciplina e passando pela diversificação de escolas.
  • Maria Manuela Granés Gonçalves
    15:49
    Muito Bem!


terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Resultados da componente comum da PACC 2015


O Instituto de Avaliação Educativa (IAVE) divulgou ontem em comunicado de imprensa os resultados da componente comum da Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades (PACC) realizada no dia 19 de Dezembro de 2014.

A componente comum da PACC tem 32 perguntas de resposta múltipla e pede a construção de um texto sobre um tema dado — este ano foi a qualidade e utilidade da informação que circula na Internet e nas redes sociais que aí cresceram. O leitor interessado pode ler um enunciado da prova (o outro altera apenas a ordem das respostas) e consultar as respostas correctas e os critérios de classificação.

A lista de candidatos aprovados pode ser consultada aqui. O resultado individual de cada candidato só pode ser consultado pelo próprio.

A nota introdutória do comunicado do IAVE esclarece de imediato o objectivo desta prova e o modelo onde se inspira (o negrito é meu):
Reitera-se a informação veiculada aquando da publicação de resultados da aplicação do ano escolar transato, realçando que a PACC não visa substituir o valor probatório da formação inicial dos candidatos, não pretende avaliar conhecimentos específicos no domínio pedagógico, nem compete, do ponto de vista dos resultados que apresenta, com quaisquer outros mecanismos de formação e avaliação dos candidatos eventualmente desenvolvidos ou a desenvolver em contexto profissional.

Como se encontra expresso na legislação que enquadra a PACC, a componente comum visa avaliar a capacidade para mobilizar o raciocínio lógico e crítico, bem como a preparação para resolver problemas em domínios não disciplinares. Neste contexto, está implícita a capacidade para consultar e interpretar informação disponibilizada em diferentes suportes, textos, tabelas, gráficos ou outros. Considera-se ainda essencial avaliar a capacidade de comunicar corretamente em língua portuguesa, que é transversal a todos os grupos de docência.

A componente comum da PACC replica um modelo validado internacionalmente e está ancorado em provas similares, desenvolvidas pelo Australian Council for Educational Research (ACER), organização com larga experiência no desenvolvimento de provas para fins de certificação profissional, e parceira da OCDE no estudo PISA, durante mais de uma década.

A componente comum da PACC visa avaliar conhecimentos e capacidades transversais a diversas dimensões profissionais, também relevantes para a docência, e que se consideram essenciais para o exercício da profissão. Com a aplicação desta prova, o Ministério da Educação e Ciência pretende valorizar a profissão docente e, do mesmo modo, a escola pública, que passa a dispor de critérios de seleção que valorizam os docentes que evidenciam os conhecimentos e as capacidades que agora se avaliam.

A tabela seguinte contém as estatísticas da realização da prova:



Resultados globais

A prova foi classificada na escala de 0 a 100 pontos, sendo aprovados os candidatos que obtiveram uma classificação igual ou superior a 50 pontos.
A cotação atribuída aos 32 itens de escolha múltipla corresponde a 80% da cotação total, sendo os restantes 20% atribuídos ao item de produção de um texto com um número de palavras entre 250 e 350.

No conjunto das 2490 provas classificadas foram aprovados 1636 candidatos (65,7% do total). Portanto ficaram reprovados os restantes 854 candidatos (34,3%), ou seja, mais de um terço dos candidatos avaliados reprovou na PACC.

A média das classificações foi 56,2 pontos e a mediana da distribuição dos resultados foi 56,5 pontos, o que significa que metade dos candidatos obteve uma classificação superior a este valor.


A distribuição dos resultados por classes de pontuação mostra que os resultados negativos concentram-se no intervalo 30-9,9 pontos (10,9%) e no seguinte, 40-49,9 pontos (18,6%).
Os resultados iguais ou superiores a 50 pontos evidenciam uma concentração na classe 50-59,9 pontos (classe com maior número de candidatos: 23,1% do total) e na classe seguinte, 60-69,9 (com 21,9%). A percentagem de candidatos na classe 80-89,9 pontos é inexpressiva (5,9%) e raros (0,8%) são os candidatos que alcançam ou ultrapassam os 90 pontos.

Resultados por item

No que se refere à classificação do item de produção de um texto, cuja cotação é 20 pontos, a pontuação média obtida pelos candidatos foi 10,2 pontos.


Verificou-se que 22,4% dos candidatos, quase um quarto, não ultrapassaram os 5 pontos, dos quais 21,9% foram classificados com zero pontos. A principal razão para a atribuição da pontuação nula foi o não cumprimento do limite mínimo de 150 palavras (77%), a segunda razão foram respostas em branco (18%).
Com uma classificação entre 10 e 14,9 pontos registaram-se 40,4% dos textos e com uma classificação igual ou superior a 15 pontos ficaram 24,8%.

Finalmente consideramos os parâmetros «ortografia», «pontuação» e «sintaxe». No que se refere à ortografia, apenas em 34,7% das respostas não se registaram erros; na «pontuação», a percentagem de respostas sem erros sobe para 36,4%. O parâmetro «sintaxe», à semelhança de aplicações anteriores da PACC, é o que evidencia melhor desempenho, sendo 49,1% a percentagem de respostas sem erros.


*

O IAVE identificou dois subgrupos de candidatos que conseguiram resultados substancialmente diferentes: os 1946 candidatos que realizaram a prova pela primeira vez (78,2% do total) e os 544 que já tinham realizado uma das duas aplicações anteriores (21,8% do total).

No subconjunto de candidatos que fizeram a prova pela segunda vez, os resultados são piores, por exemplo, a taxa de reprovação foi 53,1%. Apesar de constituírem um pequeno grupo, são os responsáveis pelo empobrecimento dos resultados globais, como pode observar-se nesta tabela do IAVE:

Resultados globais e por tipologia de candidato


Donde se conclui que a sua reprovação no ano passado não terá sido causada pelo ambiente de contestação criado em 18 de Dezembro de 2013, e repetido em 22 de Julho de 2014, pelo sindicato afecto ao PCP — a Fenprof —, mas por uma deficiente formação académica.

A componente comum da PACC é uma prova de cultura geral, portanto igual para todos os candidatos. Em Fevereiro será realizada a componente específica da PACC que difere consoante a disciplina que o candidato a professor pretende leccionar e o respectivo grupo de docência.

Agora já são pais de alunos e cidadãos descomprometidos que vêm defender a PACC para as caixas de comentários dos jornais on-line, como sucedeu no Público:

Bruno
26/01/2015 21:37
É triste de pensar que estes profissionais poderiam um dia vir a ser professores dos meus filhos. Que o desemprego os mantenha bem longe do ensino. Se tivessem vergonha na cara (que não têm) nem falariam mais da palavra greve. Agora entende-se porque não queriam ser avaliados...

JP
27/01/2015 11:46
É de uma tremenda hipocrisia que, perante estes números (e os do ano passado), as organizações sindicais e o tal Conselho Científico do IAVE (que mais parece um Conselho Acrítico) continuem a afirmar que a prova não tem qualquer utilidade prática. Uma prova elementar, em que são necessárias apenas algumas capacidades de interpretação/compreensão, análise e cálculo simples (somar, subtrair, multiplicar e dividir) para passar, ter esta taxa de reprovação, é um indicador claro de que muitos candidatos a professores não têm competência para estar à frente de uma sala de aula.
É preciso actuar ao nível da formação, sim. Mas negar que é preciso actuar ao nível em que esta prova actua, é completamente desonesto.

jorge
Groningen 27/01/2015 12:24
Avante com esta avaliação! Quem não tem competência: Requalificação ou rua. Abaixo os sindicatos, acredito que quem tem dois dedos de testa percebe as suas reais motivações.
NB: Eu sou professor.
  • JJ
    27/01/2015 13:10
    E com certeza estará no top 10 dos melhores professores da atualidade!!!
  • jorge
    Groningen 27/01/2015 14:07
    Caro JJ: Pelo menos não tenho receio de ser posto à prova. Mais: Exigo ser posto à prova. Aqui onde lecciono sou regularmente posto à prova, tanto em termos de actividades lectivas como em termos de investigação. E é assim que deve ser. Para quem se queixa desta prova em particular: A prova por si não justifica o nível de iliteracia gritante do nosso corpo docente.

Jan Wolf
27/01/2015 14:45
A questão de fundo: a qualificação dos professores deveria ser garantida através da certificação dos cursos na A3ES. Uma avaliação rigorosa dos cursos que dão acesso à carreira docente levaria, seguramente, ao encerramento da sua maioria, em particular no ensino privado e politécnico.
Como isto é, na prática, impossível de fazer, resta criar avaliações adicionais que permitam perceber a qualificação dos professores para exercer o cargo. O que fica claro desta avaliação é que, ao contrário da ideia que querem fazer passar os professores e as suas associações e sindicatos, esta qualificação não está a ser garantida e os filtros são necessários.


segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Resultados da Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades 2014


O Instituto de Avaliação Educativa (IAVE) divulgou esta segunda-feira, 4 de Agosto, os resultados da Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades (PACC) que estão registados no quadro seguinte:




O leitor pode consultar os enunciados e os critérios de classificação das provas aqui.

Esta prova, instituída pelo DReg 3/2008, integra, de acordo com a última redação dada pelo DReg 7/2013, uma componente comum e uma componente específica.

A PACC destina-se aos candidatos detentores de uma qualificação profissional para a docência, ainda não integrados na carreira, que pretendam concorrer a concursos de selecção e recrutamento de pessoal docente da educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário.

No ano escolar em curso apenas foi aplicada a componente comum em dois momentos: no dia 18 Dezembro de 2013 e no dia 22 de Julho de 2014.

No primeiro momento a prova foi inviabilizada em algumas escolas devido a desordens e contestada pela Fenprof nos tribunais. Só depois de ter ganho as providências cautelares nas instâncias superiores, o ministério pode marcar um segundo momento de avaliação em Julho que também deu azo a protestos violentos da Fenprof. Por isso, não foi possível realizar a componente específica de cada grupo de recrutamento.

Para rebater alguns argumentos esgrimidos pelos contestatários, o IAVE escreve na nota introdutória (o negrito é meu):

Como nota prévia, convirá realçar que a PACC não visa substituir o valor probatório da formação inicial dos candidatos, não visa avaliar conhecimentos específicos no domínio pedagógico nem compete, de um ponto de vista dos resultados que apresenta, com quaisquer outros mecanismos de formação e avaliação dos candidatos eventualmente desenvolvidos ou a desenvolver em contexto profissional.

Como expresso na legislação que enquadra a PACC, a sua componente comum visa avaliar a capacidade para mobilizar o raciocínio lógico e crítico, bem como a preparação para resolver problemas em domínios não disciplinares. Neste contexto, está implícita a capacidade para consultar e interpretar informação disponibilizada em diferentes suportes, textos, tabelas, gráficos, entre outros, considerando-se ainda como essencial avaliar a capacidade, transversal a todos os grupos de docência, de comunicar corretamente em língua portuguesa.

A componente comum da PACC replica um modelo validado internacionalmente e está ancorado em provas similares desenvolvidas pelo Australian Council for Educational Research (ACER), organização com larga experiência no desenvolvimento de provas para fins de certificação profissional e parceira da OCDE no estudo PISA desde 2000.

Os conhecimentos e as capacidades que a componente comum da prova visa avaliar são transversais a muitas profissões, designadamente técnicas, especializadas e altamente qualificadas, tal como é o caso da docência. A inclusão de um item que visa avaliar a capacidade de comunicação sob a forma de produção escrita (item 33), dimensão também transversal a muitos domínios profissionais, assume, na área da docência, uma relevância incontornável.

Com a aplicação desta prova, o Ministério da Educação e Ciência pretende valorizar a profissão docente e, do mesmo modo, a escola pública, que passa a dispor de critérios de seleção que valorizem os docentes que evidenciam os conhecimentos e as capacidades que agora se avaliam.

A prova foi classificada na escala de 0 a 100 pontos, ficando aprovados os candidatos que obtiveram uma classificação igual ou superior a 50% da cotação total.




A prova tinha 32 itens de escolha múltipla correspondentes a 80% da cotação total, sendo os restantes 20% atribuídos à produção de um texto com um número de palavras compreendido entre 250 e 350.

No que se refere à produção do texto, a pontuação média obtida pelos candidatos foi 10,8 pontos (em 20 pontos).
Na classificação deste texto, foram considerados vários parâmetros entre os quais a ortografia, a pontuação e a sintaxe. Verificou-se que 62,8% das provas apresentaram um ou mais erros ortográficos, 66,6% um ou mais erros de pontuação e 52,9% um ou mais erros de sintaxe.




A lista de candidatos aprovados pode ser consultada aqui, mas não são divulgadas as classificações individuais.
Apenas os candidatos aprovados nesta prova poderão concorrer ao concurso de selecção e recrutamento de pessoal docente para o ano lectivo 2014/2015.




Actualização em 7 de Agosto

O resultado relativo aos erros ortográficos apresentados nas provas deu origem a uma polémica pelo facto de ser obrigatório usar o novo Acordo Ortográfico. Hoje o IAVE respondeu:

Na sequência das últimas notícias produzidas acerca dos erros ortográficos identificados no processo de classificação da Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades, o IAVE procedeu a um estudo detalhado dos resultados correspondentes ao item de resposta extensa orientada [o texto que era preciso escrever], a partir de uma amostra significativa dos textos cujas classificações apresentavam descontos por erros ortográficos.

Feita esta análise, o IAVE concluiu “que 90% dos erros estão relacionados com os seguintes aspectos da ortografia: uso incorrecto da acentuação (cerca de metade do valor total), troca de vogais, troca de consoantes ou uso incorrecto de consoantes, aplicação incorrecta do plural e registo incorrecto de formas e de conjugações verbais”.

Apenas “os restantes 10% dos erros ortográficos registados” decorrem do incumprimento do Acordo Ortográfico. “Desta feita, o IAVE considera, a partir da comparação com os restantes erros identificados, nomeadamente com os de acentuação, que o valor obtido representa uma percentagem residual e sem expressividade na totalidade das ocorrências de erros ortográficos registados.


terça-feira, 22 de julho de 2014

Concluída prova de avaliação de conhecimentos e capacidades de 2013/2014


Em conferência de imprensa, o ministro da Educação e Ciência pronunciou-se sobre a legalidade da realização da prova de avaliação de conhecimentos e capacidades (PACC) obrigatória para os candidatos a professores ou professores com menos de 5 anos de serviço.



22/07/2014 - 20:19

No comunicado emitido ao fim da tarde, o Ministério já havia lamentado as tentativas de desinformação dos candidatos através de declarações falsas de dirigentes de alguns sindicatos que afirmaram que a prova estaria suspensa. Tal como havia sido reafirmado ontem pelo Ministério da Educação e Ciência (MEC), os pedidos de decretamento provisório de providências cautelares feitos ao Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa e ao Tribunal Administrativo e Fiscal de Coimbra e de Beja foram indeferidos, e as correspondentes resoluções fundamentadas foram entregues pelo MEC ontem.

Estavam inscritos para a prova desta terça-feira todos os 4120 docentes sem vínculo e com menos de cinco anos de serviço que não puderem realizar a prova em 18 de Dezembro por razões alheias à sua vontade, tendo comparecido 2745 docentes e faltado 1325 a esta segunda chamada.
O ministério garante que a prova “será aplicada nos concursos de selecção e recrutamento de professores”, portanto quem recusou fazê-la não poderá dar aulas no ano lectivo 2014/2015.

Na conferência de imprensa das 20:00, o ministro reafirmou que a prova foi realizada em 87 das 88 escolas, de modo que esta primeira etapa da PACC está concluída — a excepção é a escola secundária Oliveira do Douro, em Gaia.

Lamentou alguns incidentes ocorridos à porta de escolas, em particular a invasão da escola secundária Rodrigues de Freitas, no Porto, mas salientou que este incidente não prejudicou a realização da prova. Considerou-os como incidentes que não dignificam a função docente mas com os quais a esmagadora maioria dos professores não se identifica.

Será estudada uma solução para os professores da escola de Gaia de modo a que não sejam prejudicados. Para já, serão “admitidos condicionalmente a concurso”, explicou Nuno Crato, depois o Júri Nacional da Prova irá analisar “caso a caso”.

Ficou assim concluída a realização da PACC do ano escolar 2013/2014 que, excepcionalmente, contou apenas com a componente comum.


Vídeos anexados em 23/07/14:

Manifestações não conseguiram impedir a realização da PACC


A prova de avaliação de conhecimentos e capacidades (PACC) estava marcada para as 10:30 desta terça-feira e era obrigatória para os professores que trabalham a contrato a prazo, com menos de 5 anos de serviço, e que concorreram ao concurso nacional de professores.
A Fenprof decidiu impedir a realização da prova, recorrendo aos tribunais mas, não tendo logrado obter nenhum decretamento provisório, resolveu convocar plenários sindicais para as 88 escolas onde iria decorrer a prova, durante o horário desta, para dar aos professores vigilantes um pretexto legal para faltar, aproveitando ao mesmo tempo para pressionar os que quisessem ir trabalhar chamando-lhes “carrascos” e outros termos insultuosos.

Conhecedor da forma de actuar deste sindicato, e para dar o direito de fazer a prova aos professores que assim o desejassem, o Ministério da Educação e Ciência (MEC) tinha dado instruções aos directores dos agrupamentos/escolas não agrupadas para que os plenários sindicais não se realizassem nas escolas durante o exame.
Entretanto foi organizado um movimento intitulado Boicote&Cerco para, pela via das arruaças, impedir a realização da prova nas escolas onde não se realizassem plenários sindicais.

Note-se que a PACC é uma prova elementar cujo objectivo é afastar do concurso nacional quem não seja capaz de ler, escrever com correcção gramatical e sintáctica e interpretar a informação contida em textos, tabelas e gráficos, como o leitor pode comprovar lendo a prova de hoje ou analisando ambas as provas aqui.

Para a prova de hoje foram convocados todos os professores que não fizeram a prova em 18 de Dezembro por motivos alheios à sua vontade. Aqueles que, nesse dia, entraram nas salas, provocaram desacatos e impediram a realização da prova não foram convocados.
Por isso são incoerentes histórias, como a de Sónia Lourenço, que diz ser professora desde 2006 mas ainda não tem cinco anos de serviço. Afirma que no dia 18 de Dezembro deslocou-se à Escola Secundária Alves Martins, em Viseu, para realizar a prova, apresentando o nome inscrito na folha de presenças de uma das salas. Mas diz que não fez a prova porque foi impedida pela polícia e agora não foi convocada.

A prova decorreu com serenidade na quase totalidade das 88 escolas. O Público relata alguns incidentes.

Na Escola Secundária Passos Manuel, em Lisboa, a prova decorreu com tranquilidade e todos os professores que quiseram fazê-la, conseguiram realizá-la.

Na Escola Básica dos 2º e 3º ciclos Manuel da Maia, em Lisboa, os manifestantes gritaram palavras de ordem através de um megafone que reproduz o som de sirenes da polícia, acompanhado por cornetas e apitos, tentando impedir a realização da prova pelo ruído.

O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, manifestou-se à porta da Escola Básica dos 2º e 3º ciclos Quinta de Marrocos, em Lisboa. Para o líder sindical a realização da prova é “uma falta de respeito perante os professores e simultaneamente perante os sindicatos”, porque “não é assim que se promove o diálogo social, com medidas desta natureza”. A resposta estava na participação nos plenários que estavam a decorrer nas escolas e “na recusa de grande parte dos professores” convocados para vigiar as provas. Por sua vez, Manuel Grilo, o dirigente da Fenprof¹ que ia dinamizar o plenário sindical dentro da escola, ameaçou que “se a prova se realizar fora da lei serão retiradas todas as consequências jurídicas”.
Nesta escola realizaram a prova cerca de 50 professores. Apesar de muitos dos professores convocados para a vigilância terem optado por participar no plenário que decorreu no ginásio da escola desde as 9:00, a sua ausência não foi suficiente para adiar a realização do exame. “Poucos colegas foram fazer vigilância, mas também eram precisos muito poucos, apenas oito”, reconheceu Manuel Grilo.

Na Escola Secundária Diogo de Gouveia, em Beja, os professores que iam prestar provas decidiram entrar para as salas precisamente às 10:30, hora a que devia começar a prova.
Cerca de “metade dos professores não fizeram a avaliação” disse um dos convocados que veio de Aljustrel e afirma ter sido empurrado pelo sub-director da escola quando se levantou e pediu para beber água. A troca de palavras entre alguns professores, numa das salas escolhidas para a prova, foi motivo para o enunciado de exame ser recolhido por “não estarem reunidas as condições para ser feita”, ao mesmo tempo que era chamada a PSP para “identificar um a um, os professores que não queriam fazer a avaliação”, revela Jorge Simão, dirigente da Fenprof.
Os professores que aceitaram fazer a avaliação foram separados dos que recusaram e transferidos para outras salas.

Na Escola Secundária D. Manuel I, também em Beja, quem entrou para a sala e se recusou a fazer a prova ficou retido na escola até terminar a avaliação e avisado de que não podia utilizar o telemóvel. “Houve tentativas para retirar o aparelho das mãos de quem o tinha” conta uma das professoras convocadas para fazer o exame.
Por precaução, a direcção desta escola ordenou que o portão fosse fechado a cadeado para impedir entradas e saídas. Dois agentes da PSP à paisana permaneceram no interior das instalações durante a realização da prova.

Os delegados sindicais não conseguiram demover metade dos colegas da Escola Secundária de Pinheiro e Rosa, em Faro, de realizarem o exame. Então os elementos do Boicote&Cerco começaram a tocar cornetas para impedirem a realização da prova. Alguns professores que estavam a fazer a prova queixaram-se do ruído, obrigando um agente da PSP a pedir aos manifestantes, pelas 11:30, para calarem as cornetas. “O ruído está a inibir as pessoas de realizarem a prova. Compreendemos a vossa situação, mas colocam em stress os vossos colegas e tem havido protestos face a isso“, sublinhou. "Calamos o buzinão?”, perguntou a dirigente sindical Ana Simões, a sorrir, acatando as ordens, mas ao mesmo anunciando que iria apresentar queixa por alegadas ilegalidades, na forma como decorreu o exame.

O incidente mais grave ocorreu, porém, na Escola Secundária Rodrigues de Freitas, no Porto. Os manifestantes que se encontravam à porta decidiram invadir a escola, pelas 10:45, obrigando os assistentes operacionais e a direcção da escola a barrar-lhes o caminho. A PSP entrou na escola e tentou dialogar com os manifestantes para evitar confrontos. Mesmo assim, noticia o Público, os manifestantes procuraram agredir as funcionárias e uma delas apresentava pequenos ferimentos nos braços e nas pernas. Com os corredores cheios de manifestantes, os funcionários e a polícia barraram as portas laterais e a escadaria que dava acesso às salas onde a prova foi realizada.
Por volta das 13:00, os manifestantes do movimento Boicote&Cerco que invadiram o estabelecimento de ensino, começaram a abandonar o local, depois da saída dos professores vigilantes e dos convocados que fizeram a prova.
"A prova foi uma palhaçada, mais díficil do que a primeira", opinou Andreia Silva, 29 anos, professora do 1.º ciclo que está desempregada há dois anos e que nos últimos tempos tem feito "limpezas para sobreviver". Espantosamente, Andreia diz que na sala da prova quase não se ouvia o barulho feito pelos manifestantes e que tudo decorreu calmamente.





22/07/2014 - 13:05
Na Escola Secundária Rodrigues de Freitas, no Porto, dos 51 inscritos apenas 30 compareceram para fazer a prova. Os manifestantes invadiram a escola, agrediram funcionários e tentaram perturbar o trabalho fazendo ruído com tampas de tachos e apitos, apesar da presença da polícia.


22/07/2014 - 12:15
Diz que queria fazer a prova, mas não levava caneta.


22/07/2014 - 13:22
Na Escola Secundária Tomás Cabreira, em Faro, compareceram 47 dos 60 convocados. Fizeram a prova em sossego, embora alguns dissessem que preferiam não a fazer. Já na Escola Secundária de Pinheiro e Rosa compareceram 35 dos 64 convocados, tendo uma das que compareceu entrado na sala e saído de imediato.


22/07/2014 - 13:10
O director da Escola Secundária D. Pedro V, em Lisboa, não permitiu a entrada dos sindicalistas e os 45 convocados fizeram a sua prova em sossego.


22/07/2014 - 13:14
A directora da Escola Secundária André de Gouveia, em Évora, não permitiu a entrada dos sindicalistas e a prova decorreu sem quaisquer incidentes.

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A notícia do Público gerou um fórum interessante de que destacamos estes comentários:


Pedro Almeida
Porto 22/07/2014 11:34
A grande questão é só uma e todo o ruído que os sindicatos, associações, movimentos e afins promovem serve como cortina de fumo para que se evite discuti-la: Existe algum modelo de avaliação com o qual os professores concordem? Ou o cenário ideal será o de "laissez faire, laissez passer" (em português corrente: "deixa andar assim e o último a sair que apague a luz") que se viveu até agora?
Como em qualquer função — pública ou privada — a avaliação não é uma ferramenta de discriminação ou expulsão. Serve para regular os mecanismos. Se for bem feita, muitos incompetentes (que os há, admitamos) serão afastados para dar lugar a outros mais preparados que até ficam excluídos por falta de vagas...

João Luis Martins
22/07/2014 14:31
Perrices corporativas com laivos de má-criação... Confrangedora a imagem que alguns (muito poucos) oferecem de uma classe essencial para o desenvolvimento de uma sociedade assente em padrões de vivência comunitária construtiva e pacífica.
Tenho muita pena, mas as atitudes excessivas de pedagogos desta natureza contribuem apenas e somente para a desacreditação profissional da docência. Discuta-se civilizadamente o tipo ou a forma de seleção que as contingências sócio-económicas impõem ao sistema de ensino, procurem-se consensos, façam-se propostas credíveis e acabem-se com critérios assentes em cunhas/amiguismo/favores e facilidades injustas e desequilibradas. Sejam crescidos!

CS
22/07/2014 14:49
Parte 1 - Esta prova de avaliação dos professores é ridícula. Mas também o é, a sucessiva recusa por parte destes, de medidas que avaliem o seu trabalho e competência.
Milhares de professores estão fora de um sistema de ensino, sem que lhes seja dada a oportunidade de ocupar um lugar. Já leccionei numa escola, e sei que temos profissionais de extrema dedicação e competência, mas também temos muitos, que apenas se arrastam até às escolas, e cujas aulas se resumem a comentar os últimos resultados desportivos com os seus alunos. No entanto, atingem o topo da carreira, são imunes ao despedimento, e pelo sistema actual, são sempre classificados com notas de bom para cima...
Parte 2 - Ora isto não pode continuar! Não acontece em nenhuma empresa (privada) deste país e é, em parte, responsável pelo estado calamitoso da educação em Portugal.
Foram feitas inúmeras tentativas de remediar este problema, por parte de vários ministros. Mas para os professores e, sobretudo, para os sindicatos a resposta é sempre pedir a saída do respectivo ministro, governo após governo, numa tentativa desesperada de manter as coisas tal como estão, por mais erradas que sejam. O que deveriam fazer era sentar-se à mesa, propor soluções reais e efectivas que promovessem a resolução deste problema e, assim, evitar soluções como a desta prova que não garantem de forma nenhuma o objectivo a que se propõem.
  • Esteves
    22/07/2014 16:20
    Ó CS "O estado clomitoso da educação em Portugal"??? Está burro ou quê??? Portugal tem obtido resultados melhores do que a Suécia, a Inglaterra e outros paises super desenvolvidos e graças à competencia dos nossos docentes... Anda a ver muita ficção... Ou é mais um desses freustrados que diz ser mau tudo o que é nacional... Ó CS, se a burrice pagasse imposto tinha de vender tudo para pagar o calote... Claramente vive em outro planeta...
  • Gutta Cavat Lapidem
    22/07/2014 16:39
    Caro Esteves, com esse linguajar, só faltava agora que dissesse que é professor!

anti comuna
22/07/2014 15:44
É realmente impressionante uma classe que não quer ser avaliada, que acha que são todos bons e iguais, que não reconhece o mérito. Isto é o retrato deste país de função pública controlado pelo PCP.
Queimam tudo por onde passam, vejo imagem de professores a protestar, não quero mesmo que nenhum deles ensine os meus filhos.
  • Gutta Cavat Lapidem
    22/07/2014 16:20
    Pois é! Eu também não gosto de ver isto. Chamem-me fascista, retrógrada, o que quiserem. Para mim um professor será sempre um ser humano equilibrado, sem picos desordeiros ou emocionais, um exemplo a seguir, aquela pessoa em quem o aluno confia, com quem o aluno debate, com que o aluno por vezes se abre para receber sempre conselhos sensatos, maduros, ou conselhos aparentemente banais mas que o aluno jamais esquecerá.
    Esta imagem dos professores a gritar, a lutar, a esbracejar, a boicotar, a exigir, e uma total ausência de ponderação, de reflexão, de compreensão, de "luta" pela inteligência apenas me permite pensar que as gerações educadas por estes docentes forçosamente serão mais violentas e menos inteligentes, mais dadas à força bruta do que ao raciocínio ponderado, mais abertas à luta social do que à reflexão sobre as atitudes sociais do indivíduo e à necessidade de mudar paradigmas!

OldVic
22/07/2014 16:40
É lamentável ver uns poucos membros de uma classe que é suposto formar cidadãos a recorrer à força e à violência verbal para condicionar a vasta maioria dos colegas que queria realizar a prova. É um sinal de que não compreenderam a regra de ouro da liberdade: ela acaba onde começa a liberdade dos outros. Está na hora de uma reciclagem cívica, com exame final e estágio a seguir.

Francisco Tavares
22/07/2014 16:58
Nuno Crato está cheio de razão. Ele não podia fazer de outra maneira. Se é certo que todos os professores podem ter as habilitações para exercer a função docente, também é verdade que nem todos podem ser contratados por excesso de candidatos. Compreende-se pois que Crato queira escolher os melhores.
Mário Nogueira é que está errado, claramente errado. É lamentável, diria até inacreditável, o que se fez para impedir a prova.
  • The_Don
    22/07/2014 17:08
    Francisco Tavares, o Mário Nogueira está certo. Tem um poleiro de "histérico profissional". São 30 anos bem remunerado e não sabe fazer mais nada na vida. Agarra-se ao que tem.
    Surpreende-me é quem ainda segue essa figurinha medíocre. Aliás, um professor que sinta que é um profissional de excelência deve querer ser avaliado. Porque é a avaliação que permite separar o trigo do joio. Que permite separar um professor excelente de um que vai para a praia de Junho a Outubro e que falta quando lhe apetece. Sem avaliação, são iguais. É um estado de coisas que protege os medíocres e penaliza os excelentes.

agricultor
22/07/2014 17:22
São vários os equívocos em torno deste assunto. Primeiro, mais de 80% dos destinatários desta prova nunca mais vão leccionar na vida. Qual a lógica de avaliar aqueles que à partida têm probabilidade reduzida de leccionar excluindo os que efectivamente o farão de futuro. Depois, é mentira que professores não sejam avaliados, pesquisem por ADD. E, já agora, um pequeno "pormaior", só os contratados é que são sujeitos a esta avaliação. Resumindo, não estamos contra a prova, mas sim contra a forma e a discriminação que ela pressupõe.
A todos os que falam mal da classe docente, lanço um desafio: Enfrentem turmas de 30 alunos durante uma semana, só uma semana !!! e depois digam de vossa justiça. Hoje em dia, cerca de 30% do tempo útil de aula é "desperdiçado" com questões disciplinares.
  • carmocorreia47
    22/07/2014 19:06
    Não são os alunos, mas os pais que a ministra Lurdinhas conquistou quando perdeu os professores por ter começado a dar-lhe pancada. Paizinhos que em particular me diziam para ser exigente com os filhinhos, em reuniões de pais, motivadas por indisciplina, negavam tudo e defendiam as suas criaturas como se de tribunais se tratasse. Estas criaturas mentiam aos pais desbragadamente e eles acreditavam neles religiosamente. Por este motivo as aulas são autênticas touradas, em que os ministros e os pais através dos alunos e dos comissários políticos que capeiam pelos espaços públicos, não cessam de bandarilhar os pobres mártires da pátria que são os professores. Colocaram-nos no Coliseu e abriram a porta às feras para deleite da turba ignara, a população roída de inveja desejosa de sangue.

Joaquim Fernandes
22/07/2014 18:29
O Governo vai continuar a reconhecer qualidade às escolas particulares que tenham professores sem PACC a lecionar e continuar a financiá-las, ou, pura e simplesmente, se for coerente, vai impedir que professores sem PACC lecionem em qualquer estabelecimento de ensino por não lhes reconhecer habilitações suficientes ??? Curioso, ainda não ter ouvido esta pergunta!...
  • JP
    22/07/2014 19:08
    A pergunta que deveria estar a fazer é se o Estado deve financiar escolas particulares, ponto final. Esta prova não visa habilitar à docência, mas sim aceder ao concurso nacional. Não confunda as duas coisas.

Manuel F Sousa
22/07/2014 18:57
O que é curioso nisto tudo é que, depois de vermos de forma objetiva o que se passou, as conclusões, goste-se ou não delas, só podem ser as seguintes:
  1. A prova realizou-se na maioria esmagadora dos locais.
  2. A grande maioria dos professores abrangidos compareceu e fê-la.
  3. Os protestos ruidosos da Fenprof/CGTP não impediram nada e foram totalmente ineficazes.
  4. A aposta por parte de Mário Nogueira/Fenprof/CGTP num boicote generalizado dos Professores não se verificou.
  5. A imagem de radicalismo e violência destes protestos afastou grande parte dos professores que não se revêem neste tipo de ações (apesar de não concordarem com a prova).
  6. Mário Nogueira/Fenprof/CGTP são os grandes derrotados.
  7. O Público também perde.
  8. O Ministério ganha.

Joaquim Garcia
22/07/2014 19:15
Qual a legitimidade ética e moral daqueles que têm como função formar, ensinar e avaliar conhecimentos dos alunos e se recusam ser avaliados e se manifestam de forma imprópria e arruaceira?
  • Gutta Cavat Lapidem
    22/07/2014 19:22
    Exactamente!
  • Aliocha
    22/07/2014 19:52
    Os protestos parecem-me vir mais do exterior do que do interior da classe docente. Julgo que um número muito pouco significativo de professores adere a manifestações deste género. Todavia, como são notícia, o barulho abafa o comportamento da grande maioria.
  • Elizabeth Brianne
    A guerreira contra o poder oculto dos esbirros malignos 22/07/2014 20:15
    Qual é a legitimidade ética e moral que o Sr. tem de julgar aqueles que estão sujeito a uma ridícula prova de “quadrados e bolas” não a quererem? Estes professores com menos de 5 anos de serviço dificilmente vão lecionar, portanto perceba que os professores que ensinam os alunos deste país não a fazem, nem a fizeram, agora isso não os impede de serem solidários com esta palhaçada!
    Os professores não se recusam a serem avaliados, agora não têm de compactuar com uma prova que se deve fazer antes de entrar na Universidade e não depois de sair dela, era a mesma coisa que lhe pedisse a si para ir fazer o seu exame do 12.º ou do 9.º ano, esta prova avalia conhecimentos de matemática e português que devem estar consolidados antes de entrar numa universidade e não depois de sair dela!
    22/07/2014 20:57
    Já que se preocupa com a ética o que me diz a esta ideia das autarquias poderem contratar os docentes e serem premiadas por reduzirem o número de contratos? Sobre ética e moral havia muito a dizer, a forma imprópria e arruaceira faz parte da indignação a que estão sujeitos, nas manifestações (embora não sendo correto) não é normal? Ou queria uma manifestação tipo parada militar?
    22/07/2014 21:05
    Os professores são avaliados todos os anos. Existe um modelo de avaliação quer se concorde ou não com ele e é esse modelo é que deve ser avaliado, revisto e discutido, caso não haja consenso ou concordância e aí sim para a melhoria da qualidade do ensino e onde todos os professores, sem exceção efetivos e contratados devem estar sujeitos, pois fazem todos os mesmo e não deve haver privilégios, mas sim equidade, não deve haver um sistema de cotas, mas sim justiça e isenção e trabalhar-se nesse sentido.
  • Joaquim Garcia
    22/07/2014 21:05
    Respondendo à Sra. Elisabeth. Tenho a legitimidade de 25 anos de trabalho em que, não obstante a minha certificação académica de licenciatura e mestrado, sempre tive que apresentar resultados e ser submetido a avaliação pela sua consecução. Acredito que lhe pareça "bizarro" mas no mundo real, fora do sector público, qualquer profissional é avaliado sistematicamente e não se subsidia incompetência com dinheiros públicos.

Joaquim Garcia
22/07/2014 21:37
Respondendo à Sra. Elisabeth.
Minha Sra,
Eu não questiono as habilitações académicas dos professores pois não sou o empregador. Contudo nunca na minha vida profissional questionei os critérios e os métodos pelos quais fui avaliado. Respeitei-os simplesmente pois a determinação dos mesmos cabe ao avaliador e não ao avaliado, ao empregador e não ao empregado. Quando não concordei, como qualquer cidadão livre, percorri outros rumos... Faculdade essa que acredito não estar vedada também aos professores.
  • Luis Martins
    Lisboa
    22/07/2014 22:35
    Qual a legitimidade ética e moral de V.Exa que defende uma simples prova escrita igual para todas os professores seja um professor de Inglês, um Professor de Matematica, ou de Fisica-Quimica, ou de Ginática, ou de Filosofia, ou de Portugues etc etc...? Se os critérios e os métodos pelos quais V.Exa foi avaliado são iguais que que V.Exa defende nesta prova para os professores significa que a sua avaliação é igual para todos os empregados da sua empresa ou seja fazem todos fazem o mesmea prova escrita, seja a mulher da limpeza ou um gestor ou um simples empregado de escritorio ou mesmo um engenheiro, portanto a sua empresa deve ter uma avaliação ao nivel de uma sanita infectada pelo virus da imbecilidade.

Joaquim Garcia
22/07/2014 23:44
Respondendo ao Sr. Luis Martins.
Caro Senhor,
A impropriedade e os termos abjetos por si usados não merecem uma melhor atenção e, espero, não sejam o reflexo da maioria da classe docente.
Sem embargo, sempre lhe digo que, independentemente da valia da ferramenta de avaliação, sendo pai de dois alunos do secundário e enquanto cidadão me repugna o exemplo dado por aqueles que devem colaborar na formação da nova geração.
Quem discorda da prova ou da sua legitimidade é livre para expressar sua opinião e no limite não comparecer, se assim lhe aprouver. Não deve é prejudicar e impedir aqueles que decidiram submeter-se a tal prova manifestando-se de forma desordeira, ruidosa e inadequada à docência. Creio assim, que "a sanita infetada pelo vírus da imbecilidade" deve germinar, isso sim, na sua mente.


Referências:
  1. O salário dos dirigentes sindicais é pago pelo MEC.


sábado, 19 de julho de 2014

A moralidade deve estar acima da justiça?


Diz José Pacheco Pereira neste artigo de opinião:

A história mais recente e que me fez escrever este artigo foi a desfaçatez do truque que o Ministério da Educação usou para marcar os exames aos professores com três dias úteis de pré-aviso, caindo do céu da surpresa no fim de Julho, com grande estrondo. Na verdade, são teoricamente cinco dias, o mínimo exigido por lei, mas só teoricamente. O truque foi pré-assinar um despacho em segredo, no quinto dia divulgá-lo no Diário da República a contar do dia da sua assinatura, para que na prática faltassem, após o anúncio ser conhecido, apenas três dias úteis até ao exame, 17, 18, e 21 de Julho. Professores que já estavam a receber o subsídio de desemprego, que já estavam de férias, e que não sabiam que iam ter um exame para que é suposto prepararem-se, cai-lhes em cima uma data que é já praticamente amanhã. Nem o gado é suposto ser tratado assim, mesmo quando vai para o abate.

Porquê esta rapidez? A resposta é muito simples: para evitar que os sindicatos pudessem apresentar um pré-aviso de greve no prazo exigido pela lei — ou seja, o Governo faz um truque descarado e sem vergonha para contornar uma lei da República, que permite o exercício de um direito.

Pode-se ter o ponto de vista que se quiser sobre os exames exigidos a professores que já tinham as qualificações necessárias para ensinar e, nalguns casos, já ensinavam há vários anos. Esta é outra questão e sobre ela não me pronuncio. O Governo pode até ter razão em querer os exames e os professores não ter ao recusá-los. Aqui posso ser agnóstico sobre essa matéria. Não é sobre isto que escrevo, mas sobre o pequeno truque, habilidade, esperteza e os seus efeitos de dissolução social como norma de governação.

Esta prova, exigida em 18 de Dezembro aos professores contratados com menos de 5 anos de serviço, requer que se saiba ler, interpretar textos e escrever com correcção gramatical. Também é preciso saber interpretar informação contida em tabelas e gráficos. São conhecimentos que é suposto terem sido adquiridos e capacidades que é suposto terem sido desenvolvidas por qualquer pessoa que tenha a aspiração de ser professor num País que se pretende com futuro.

Mas há pessoas a trabalhar numa sala de aula sem terem estes requisitos? Há. E alguns, já pertencem aos quadros dos agrupamentos. Tiveram acesso e foram admitidos nos concursos para professores porque são sempre concursos documentais, ou seja, exigem apenas diplomas que atestem as habilitações exigidas por lei.

Não estão nas salas de aula a ensinar porque não têm qualificações para o fazer.

Estão a entreter alunos. Sabem relacionar-se bem com miúdos e graúdos, o que é muito fácil, basta concordar com tudo o que dizem e fazem. No final aprovam todos os alunos, portanto nunca são alvo de queixas por parte dos respectivos pais que nem sonham o tempo que os filhos estão a desperdiçar na escola.

Este é o estado a que chegámos. E não é só no ensino. São bem conhecidos dois casos na política: José Sócrates e Miguel Relvas. O primeiro arrecadou uma licenciatura em Engenharia Civil, na defunta universidade Independente, nunca reconhecida pela Ordem dos Engenheiros que exige um exame aos diplomados por universidades de qualidade duvidosa se quiserem ser considerados engenheiros. O outro aldrabou uma licenciatura em Ciência Política na universidade Lusófona, com a cumplicidade do então reitor.

Há alunos que não conseguem obter boas classificações nos exames nacionais correspondentes às provas de ingresso exigidas nas instituições de ensino superior público e, apesar das classificações do ensino secundário estarem inflacionadas, ficam com uma nota de candidatura que não lhes permite entrar nas vagas disponibilizadas.
Então vão arranjar um diploma às universidades privadas tipo Lusófona. Um diploma obtido com muita festa, pouco estudo e, sobretudo, recheado com uma gorda nota. De fazer arregalar os olhos a quem teve de estudar no duro em universidades públicas, menos pródigas nas notas, e que tem ficado para trás na lista ordenada de candidatos do concurso nacional para professores — uma minoria desprezada num país que, há décadas, deixou de se orientar pelo princípio do mérito.

Mesmo os cursos em Educação das universidades púlicas só têm disciplinas mais exigentes na licenciatura, os mestrados oscilam entre três e quatro semestres e são preenchidos com cadeiras de Pedagogia, Psicologia, Sociologia e Didácticas.
No ensino politécnico público, responsável pela formação dos educadores de infância e dos professores dos 1º e 2º ciclos, os cursos têm de ser facilitados por causa do percurso inicial escolhido pelos alunos:
É possível, neste momento, um professor do 2º ciclo fazer todo o seu percurso tendo reprovado a Matemática no 9.º ano de escolaridade, tendo passado o secundário sem ter Matemática. E depois ir para uma licenciatura em Educação e ir ensinar Português e Matemática aos alunos do 2.º ciclo”, revelou recentemente o ministro Nuno Crato.

Cursos fáceis que permitem o acesso a emprego bem remunerado — 1282 euros é a remuneração do professor contratado. Mesmo deslocados da residência, a pagar casa e deslocações é vantajoso numa perspectiva meramente financeira porque, quando não conseguem colocação em escolas públicas, apenas logram trabalhar como escriturários em empresas privadas que lhes pagam 500 euros. "Acaba por ser mais lucrativo trabalhar no ensino público, mesmo que seja ano sim, ano não", disse-me uma vez uma colega, "e não tenho de carregar caixas de fruta nos camiões quando faltar pessoal".

Para separar o trigo do joio, as melhores empresas do sector privado fazem testes aos candidatos a um emprego nas suas organizações. É isto que o Ministério da Educação e Ciência (MEC) quer fazer aos professores que precisa de contratar com a prova de avaliação de conhecimentos e capacidades (PACC).
Mas os sindicatos opõem-se. Enorme foi a procura dos cursos em Educação e descomunais as expectativas criadas. Profundos os sonhos desfeitos com a PACC. Os piores professores são, obviamente, os seus sócios mais fiéis.

Em 18 de Dezembro houve greves, boicotes, lágrimas e vidros de salas de aula partidos a pontapé por professores desesperados que tinham de fazer uma prova de avaliação de conhecimentos e capacidades.
Houve docentes que confessaram sentir dificuldade em resolver a prova que consideraram extensa e a exigir muito raciocínio. Mas duas boas alunas do 12º ano fizeram a PACC com um sorriso nos lábios.

Para evitar a repetição destes acontecimentos e conseguir contratar os melhores professores, o MEC marcou a nova data de realização da PACC para a próxima terça, 22 de Julho — Despacho 9316-A/2014 —, e só divulgou a notícia na manhã da passada quinta-feira, mas dentro do prazo legal.

Pacheco Pereira acha, porém, que o MEC perdeu a moralidade porque, ao reduzir o prazo de marcação da prova ao mínimo, evitou que os sindicatos "pudessem apresentar um pré-aviso de greve no prazo exigido pela lei". Nem uma palavra sobre o valor moral da sugestão dos sindicalistas para que os professores vigilantes faltem sob o pretexto de uma consulta médica ou um furo num pneu. E ainda vem dar força à mobilização da Fenprof no terreno, atirando a responsabilidade de eventuais incidentes para cima dos governantes.
Logo, para ter moralidade, o MEC devia baixar os braços, contratar candidatos sem qualificações, como tem sido feito até agora, e mandar para o desemprego quem estudou e se qualificou numa instituição de ensino superior prestigiada. Batemos no fundo.


quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

O dia em que a escola mudou


Hoje houve greves, boicotes, lágrimas e vidros de salas de aula partidos a pontapé por professores desesperados que tinham de fazer uma prova de avaliação de conhecimentos e capacidades (PACC).
Hoje houve docentes que confessaram sentir dificuldade em resolver esta prova que consideraram extensa e a exigir muito raciocínio.

E eis senão quando duas boas alunas do 12º ano fazem a PACC com um sorriso nos lábios:


18 Dez, 2013, 20:38

Víamos a insegurança de certos docentes nas suas áreas de especialização e a arrogância com que tentavam disfarçá-la, mas não imaginávamos que as insuficiências fossem tão profundas. Temos de reconhecer que, nas escolas portuguesas, há professores com conhecimentos e capacidades mais reduzidas do que alunos do 12º ano.

Hoje foi o dia em que os portugueses viram que alguns professores dos seus filhos vão nus. Nada será como dantes.


18 Dez, 2013, 20:52

Em entrevista à RTP, o ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, admitiu que as universidades e as escolas superiores de educação “têm características e critérios de exigências muito diferentes”. Tendo reconhecido que o sistema de formação de professores terá neste momento várias falhas, propõe corrigi-las, em diálogo com as instituições do ensino superior, através das seguintes medidas:

  • Introdução de exames em Português e Matemática para o ingresso nas Escolas Superiores de Educação (ESE) — ensino politécnico — e nos cursos via ensino nas universidades — ensino universitário;
  • Reforço dos currículos científicos nos cursos via ensino dessas instituições do ensino superior.

Sobre as melhorias detectadas pelo PISA, Nuno Crato considera que se devem a duas medidas do ministro David Justino (2002-2004):

As ESE formam os educadores de infância e os professores dos 1º e 2º ciclos, enquanto as universidades formam os professores do 3º ciclo e do secundário.
Os educadores de infância e os professores do ensino básico e secundário usufruem a mesma tabela salarial, logo devem possuir o mesmo nível cultural, sendo adequado exigir que façam a mesma componente comum da PACC. A prova da componente específica varia com o grupo de recrutamento conforme o anexo I do diploma que regulamenta a PACC.
O objectivo é dar às famílias a garantia que os seus filhos vão ter os melhores professores.


Reprovados!


A CGTP deslocou os seus sindicalistas e o PCP movimentou os seus funcionários para enquadrarem e coagirem os professores que se apresentaram hoje para fazer a prova de avaliação de conhecimentos e capacidades (PACC) ou para a vigiar.

Os professores podem não concordar com a prova mas tinham que fazê-lo em sede própria e não assumir atitudes violentas.

É certo que fizeram entrar seis providências cautelares nos tribunais. O juiz do Tribunal Administrativo e Fiscal de Coimbra decidiu, na semana passada, que a prova que os professores contratados iam fazer "não causa danos irreparáveis".
Anteontem, mais uma sentença favorável ao Ministério da Educação e da Ciência (MEC). O Tribunal Administrativo e Fiscal de Beja pronunciou-se sobre a providência cautelar intentada pelo Sindicato dos Professores da Zona Sul, afecto à Fenprof, que solicitava a suspensão da eficácia do despacho do Governo que fixa a calendarização da PACC. E indeferiu-a: "Não é manifesta a violação que torne ilegal a existência da prova" e, consequentemente, o despacho alvo do pedido de suspensão.
Ontem o MEC terá recebido uma citação do Tribunal Administrativo e Fiscal do Funchal para contestar os argumentos do sindicato; hoje entregou a decisão fundamentada no tribunal do Funchal.
Restava à Fenprof acatar a lei. E, eventualmente, convocar uma greve dos professores vigilantes.

Enveredaram pela desobediência civil. Durante a prova houve berraria, apitos, megafones a debitarem palavras de ordem como “Professores unidos jamais serão unidos” — a imagem de marca das manifestações do PCP há quatro décadas —, cordões humanos a bloquear portões, usurpação do direito dos professores vigilantes não aderirem à greve, usurpação do direito dos professores avaliados à paz de espírito necessária para a realização da prova e invasão de escolas.

O exemplo que deram não podia ser pior: quando os alunos não concordarem com uma prova também vão querer assumir idêntico comportamento.
Não são docentes. São ditadores que apenas pretendem impor a sua vontade, nem que seja pela violência, com desprezo pela lei e pelos professores que pretendiam fazer a PACC.

Ainda não se sabe qual a classificação desses avaliados contrariados, mas muitos pais que tem filhos a estudar na escola pública, ao verem as fotografias publicadas em jornais e os vídeos nas televisões, já terão lavrado o veredicto: reprovados!



Escola Secundária Padre António Vieira, em Lisboa


Escola Secundária Infanta D. Maria, em Coimbra


Escola Secundária Infanta D. Maria, em Coimbra

18 Dez, 2013, 13:35
No Porto, manifestantes tentaram bloquear com faixas os portões das escolas. Na escola D.Pedro I, em Gaia, a polícia teve mesmo de intervir para permitir o acesso à escola.
Um dos docentes que fez a prova diz que não era difícil, mas reconhece que era extensa e exigia muito raciocínio. Ou seja, quem apenas souber debitar propaganda e demagogia não terá hipótese de ser aprovado.

18 Dez, 2013, 13:39
Sendo a escola secundária onde os alunos têm melhores resultados nos exames nacionais, a Escola Secundária Infanta D. Maria, em Coimbra, foi especialmente visada no boicote à prova e na noite de terça-feira dezenas de professores montaram um acampamento. Hoje os manifestantes gritaram palavras de ordem recorrendo a megafones e bloquearam a entrada aos docentes vigilantes e avaliados na escola. Foi necessária a intervenção da PSP para permitir o acesso à escola.

18 Dez, 2013, 13:46
Em várias escolas houve incidentes durante a prova.

18 Dez, 2013, 14:24
A maior violência, porém, ocorreu em Almada, concelho bastião do partido comunista desde 1974. Na Escola Secundária Emídio Navarro, o director teve de recorrer à PSP para impedir uma tentativa de invasão e depois a polícia de choque posicionou-se à entrada da escola. Furiosos, os docentes que iam ser avaliados partiram a pontapé os vidros das janelas nas salas onde ia decorrer a prova.


18 Dez, 2013, 14:24
Na maioria das escolas a prova decorreu sem incidentes. Como em Vila Nova de Gaia, no Agrupamento de escolas Dr. Costa Matos, por exemplo.
Filinto Lima, director deste agrupamento e dirigente da Associação Nacional de Dirigentes de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP) esperava que o Ministério da Educação e Ciência (MEC) e o da Administração Interna se estivessem a articular para “garantir a segurança nas escolas”: “Temos de respeitar o direito à greve dos professores que não queiram vigiar a realização das provas, mas também o de quem se inscreveu e quer realizá-la com serenidade. E isso tem de ser garantido com as forças de segurança, se necessário for”. Assim sucedeu. Um aplauso também para os directores que souberam gerir com integridade e prudência esta crise.


Ouvir os outros:

José Paulo
Neuchâtel 13:29
Não me pronuncio sobre o mérito da prova porque sinceramente não sei como reagir. Tenho, no entanto, que tomar uma posição sobre o a maneira como os Srs. professores reagiram à prova por este meu país fora. É assim, com atitudes de pura infantilidade, como, por exemplo, a menina que disse que o papá já pagou propinas e que por isso não aceita ser avaliada outra vez, é assim que se querem fazer respeitar? Sobretudo é esta a geração de educadores que queremos para os nossos filhos?
Gostava de saber qual seria a reacção dos senhores se um dia os estudantes decidissem não fazer um qualquer exame apenas porque o papá ou a mamã pagou pelos livros, pela alimentação e tudo o mais. Desculpem mas professores destes nem em Portugal nem em lugar nenhum do mundo. Só dão razão ao ministro, pensem bem.

JP 



13:31 

Acho irónico que os mesmos que estão contra qualquer tipo de prova de avaliação aos professores sejam os mesmos que por aí andam a pregar a qualidade do ensino público. Não digo que esta prova seja a forma mais adequada de fazer uma fazer uma pré-selecção dos candidatos, mas a haver uma prova, espera-se que sirva para melhorar a qualidade do ensino. No pior cenário, se a prova não cumprir o seu objectivo, ficará tudo inalterado. Mal é que não faz.
Quanto ao orgulho que impede os senhores professores de fazerem a prova, mais não me parece que uma ideia implantada pela corrente ideológica que actualmente inunda os media: está na moda ser-se contra tudo o que o governo faz e propõe. Pessoalmente, se me pedem para provar o que sei, faço-o com gosto. Mas isso sou eu, que devo ser anormal... 


  • Gutta Cavat Lapidem 


    14:46
    Não é anormal, não senhor. Faz é parte de uma minoria (muito mínima, passe a redundância) sensata!

Gutta Cavat Lapidem 


14:24 


Chamam-lhes incidentes. Eu chamo-lhes maus exemplos. Figurinhas tristes e maus exemplos foi o que fizeram e deram estes "professores". Pergunto-me, perante este lamentável cenário, se existirão, entre todos estes maus exemplos, algumas pessoas a quem se possa verdadeiramente chamar "professores". Que aprenderam hoje os alunos destes senhores? Apenas e unicamente que, para se conseguir o que se quer, vale tudo, até o mau comportamento cívico e social! Belos exemplos, sim senhor!

Bertold
14:46
Não se pode avaliar aqueles que avaliam? Havendo professores a concorrer a lugares públicos não é necessário um ranking que os distinga e ordene? Mal saiam das universidades são professores com direito automático a cargo e carreira?
Que raio de problema. Nenhum professor bem formado tem qualquer receio em ser avaliado, e querer meter nisto "honra", "vergonha", "humilhação" e outros sentimentos "cívicos" corresponde a aplicar mal os sentimentos. Quem lhes prometeu nos cursos que tiraram que iriam ser "amados" pelo Ministério? A terem amor será dos alunos e esses não se enganam com essas conversas fiadas. O Sr. "professor" Nogueira terá formado algum aluno? Mas gosta de "formar" professores...

Carlos Rafael
15:22
Avaliação de professores. Sinceramente, não consigo ver qual o problema. Na minha anterior actividade tinha que fazer provas e formações obrigatórias e tinha que ter aproveitamento para poder continuar a exercer a profissão. Inclusive para continuar a conduzir. Faz todo o sentido. Muitos sectores fazem o mesmo.
Não entendo estes professores. Ou melhor, entendo, estão por trás os DEMOS, os Vermelhos, os agitadores.
Gostei principalmente de ouvir professores a lamentarem-se que se sentiam como alunos. Como alunos? Que quer isso dizer? Que já atingiram o cume o zénite do conhecimento, que estão acima de qualquer tipo de aprendizagem, formação ou avaliação contínua?


*

Da parte da tarde, o secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário, João Grancho, lamentou os incidentes que ocorreram durante a manhã, em algumas escolas, e informou que o ministério vai agendar nova data para a realização da mesma.

A opinião dos outros:

Jose
14:09 

Este Grancho é um oportunista desqualificado. Há três anos atrás dizia no facebook "Pedro Passos Coelho conte comigo" e o Passos contou com um mandrião que ainda, no passado sábado, foi visto a negociar materiais para serem introduzidos na central de compras do MEC, é este tipo de gente que chegou a salto ao governo sem passar por eleições. É esta bandalheira que desgraça as pessoas que trabalham seriamente. Neste dia a notícia é que este grupo anti-social impôs aos portugueses mais qualificados um exame humilhante e que tem como objetivo o fim do ensino para todos. E não se pode matá-los?
  • 

Valter Miguel 


    14:13
    Só pode se primeiro os fizer sofrer um bocadinho... 



  • JP 


    14:26
    Como é que um exame tem como objectivo o fim do ensino para todos? Mas você lê o que escreve, ou está mais preocupado em debitar propaganda e demagogia?
    Como qualquer demagogo, argumenta mais frequentemente contra as pessoas do que contra os argumentos, o que mostra bem a sua estirpe. Dê-me um (só um basta!) argumento lógico que relacione a implementação de uma pré-selecção no concurso nacional de professores com o seu hipotético fim do ensino público, ou até com a perda da qualidade do mesmo. Consegue arranjar algum?
    E, sendo certo que as qualificações dos professores do ensino obrigatório são superiores à média nacional, é um bocadinho exagerado dizer que são os "portugueses mais qualificados".