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quinta-feira, 27 de junho de 2013

Quadros de uma greve geral


Como habitualmente, sentiram-se os efeitos da greve sobretudo nos transportes públicos e nos serviços da administração pública.


27 Jun, 2013, 13:38


27 Jun, 2013, 13:39


No sector privado a adesão foi reduzida. Em Viana do Castelo, parou a linha de montagem da fábrica de armas da belga Browning que emprega 400 trabalhadores. Mas nas quatro fábricas da multinacional alemã Enercon, que produz aerogeradores e torres eólicas, nenhum dos 1400 trabalhadores aderiu à greve.

27 Jun, 2013, 13:42


Em Lisboa, o metro esteve fechado e os comboios parados, mas 50% dos autocarros da Carris circularam pela cidade. Um automobilista que passava criticou o churrasco dos grevistas da Carris e estes correram atrás do carro para sová-lo.
Melhor correu a paralisação na Volkswagen Autoeuropa. A administração da empresa antecipou-se à greve e criou um dia de não produção.

27/06/2013 - 14:35


Quando um piquete de greve tentou impedir, cerca das 6h30, a saída dos autocarros da estação da Carris na Musgueira, o Corpo de Intervenção da PSP retirou-os a pulso da estrada. Elementos do grupo queixaram-se de violência.

27/06/2013 - 12:16

Impedir de trabalhar os motoristas da Carris que não quiseram aderir à greve, não é também violência? É, e uma forma bem mais dolorosa. Vive-se de dia, não deixa marcas visíveis, mas fica oculta no profundo da mente e revive-se, à noite, em pesadelos.

27.06.2013 13:43


As manifestações das centrais sindicais dividiram-se no Rossio: a da UGT seguiu para o Terreiro do Paço, a da CGTP prosseguiu até à Assembleia da República e daí um grupo de 200 anarquistas avançou pelas Amoreiras para ir bloquear a Ponte 25 de Abril. Como bloquear auto-estradas é crime, foram cercados pelo Corpo de Intervenção da PSP, identificados, viram as mochilas ser revistadas e receberam notificações para comparecerem em tribunal.




No entanto, a maior manifestação ocorreu nas praias da linha de Cascais:

27.06.2013 23:46


Os trabalhadores por conta própria foram trabalhar:

27.06.2013 14:01


sábado, 10 de novembro de 2012

Até ao meu regresso


O último discurso de Francisco Louçã, enquanto líder do Bloco de Esquerda (BE), abriu a oitava convenção do bloco.
Em cerca de 25 minutos, Louçã elogiou os mortos, enumerou as vitórias do BE — a liberalização do aborto, o casamento gay, a protecção dos toxicodependentes —, louvou os deputados socialistas que se juntaram ao bloco para levar, ao Tribunal Constitucional, um pedido de fiscalização do corte dos subsídios de férias e de Natal aos funcionários públicos e pensionistas, e lançou farpas contra os 4 mil milhões desaparecidos no BPN e contra o rotativismo político entre o PS e o PSD:


E terminou com estas palavras:

"Hoje tenho uma certeza, não há despedidas aqui. A mim ninguém me vai perguntar para onde vou, porque estou aqui, sou daqui."


À noite, no encerramento do comício internacional "Vencer a troika" promovido pelo seu partido em Lisboa, é que fez um discurso incendiário que vai dar brado na Europa:

"Há duzentos anos, quando Napoleão se sagrou imperador, Beethoven decidiu colocar em cima da sua secretária uma imagem de Brutus e rasgou uma dedicatória que tinha feito a Bonaparte da sua sinfonia "Eroica". Hoje podemos perguntar onde estão os 'Beethovens' da Europa, dessa cultura insubmissa, dessa democracia irredutível, quem toma nas suas mãos a resposta, que povo é que se defende? E veremos esta semana, na semana que entra, a força dessa Europa que fala por todos, pela cultura e pela democracia.

Quando Merkel diz que os países endividados, a quem impuseram a dívida que faz mais dívida, devem perder a soberania e, portanto, perder o direito dos seus parlamentos decidirem sobre os impostos, que é o fundamento do contrato da eleição, o povo só pode defender-se.

O que hoje sabemos e dizemos ao povo português é que somos credores da banca alemã, que quem toma emprestado a zero por cento, e nos cobra a quatro, são os agiotas. E que Merkel, que cá estará na segunda-feira, é a intermediária de um negócio usurário, é uma assaltante e vangloria-se desse assalto. Segunda-feira a Europa vai responder em Lisboa à visita da imperatriz e à exibição dos seus apoderados e dos seus valetes.

Disseram-me que a senhora Merkel se vai encontrar com o Governo no Forte de São Julião da Barra. Eu lembro-me que houve um Presidente norte-americano — e tanto protesto houve contra ele que merecia muito bem — que veio a Portugal e chegou a falar perante o parlamento, com o protesto de muitos deputados que lá estavam. Ela está refugiada em São Julião da Barra.
São Julião da Barra é um forte que foi construído para impedir os piratas de entrar no Tejo, quem é que imaginava que os piratas iam para dentro do Forte de São Julião da Barra, alguém imaginava? Se é para isso, podia ter mandado um postal ilustrado.

Mas há uma forma simpática de ver as coisas: enquanto a Merkel está presa dentro do forte com Passos Coelho e Paulo Portas, a liberdade está nas ruas de Lisboa. E vamos fazer ouvir essa liberdade, essa é a liberdade da Europa, é quem luta por todos, é quem vai à luta.
É claro que Merkel tem uma virtude, e não me levem a mal por vos falar da virtude da Merkel, é que ela não esconde nada, cada dia que passa é mais violenta e mais arrogante.
(...)
Há uma resposta que é uma esquerda unida, para uma Europa unida, para proteger o emprego de todos, contra a finança. Um banco central europeu subordinado à economia, desvalorizar o euro, emitir moeda, controle financeiro, euro-obrigações, orçamento para o emprego.
E essa luta vai-se fazer nas praças de Barcelona e de Madrid, de Paris, de Atenas e de Berlim.
(...)
O bloco de Esquerda apresentou um programa para a reestruturação da dívida. (...) E apresentámos três propostas: impor a redução do pagamento de juros da nossa dívida a 0,75% porque queremos poupar na despesa e no défice os 4750 milhões que estamos a pagar a mais, tirando a salários e a pensões.
Propusemos, em segundo lugar, a troca dos títulos por metade do seu valor em obrigações do tesouro a 30 anos indexadas ao crescimento do PIB. A economia que vive é aquela que se defende.
E em terceiro lugar exigimos o abatimento dos juros para que a dívida ao BCE e ao FMI seja já reduzida para metade.
(...)
Na segunda-feira, este País que acorda responderá à Merkel. Serão muitos, essa força que exigiu ”Que se lixe a troika” para recuperar a Europa e Portugal. E na quarta-feira teremos uma greve geral. Greve geral ibérica, greve geral na Grécia, em Malta, em Chipre, com tanta luta que se lhe junta em Itália e em França. E como acabaram de ouvir, este é o nosso piquete pela Europa. Portugal, Espanha, Grécia, Malta, Chipre, Itália e França em greve é o piquete pela Europa.
(..)
Se a vida serve para juntar, que se saiba e que se grite, há uma esquerda na Europa, há uma esquerda na Europa. Boa noite, boa Europa.
"


*

Como professor catedrático do Instituto Superior de Economia e Gestão, Louçã sabe que a Economia é um domínio do conhecimento que obriga ao estudo e ao trabalho, algo que enfada muitos dos seus compatriotas.
Ora Louçã ambiciona o poder e para o alcançar precisa obter votos, muitos votos.

Dizer que Sócrates duplicou a dívida pública em seis anos dá votos? Não.
Dizer que Sócrates, quando deixou de conseguir dinheiro nos meios financeiros ocidentais, foi pedir empréstimos aos comunistas chineses que lhos concederam a juros usurários de 6,7% dá votos? Não.
Dizer que esgotada a possibilidade de obter dinheiro no Qatar, Sócrates foi mendigar à porta da França, da Alemanha e do FMI que o obrigaram a assinar um memorando que ia pôr o País a pão e água, dá votos? Não.
O povinho até gostava dos espectáculos de luz e som de Sócrates, das distribuições de computadores nas escolas para os miúdos se viciarem nos videojogos, dos diplomas do 12º ano nas Novas Oportunidades para as pessoas sonharem que iam arranjar um emprego bem pago, sentadas numa secretária a rabiscar papéis, e daquelas leis que permitiam obter licenciaturas com as experiências de vida. E enquanto não houve cortes nos salários e pensões e um desemprego galopante, nem se preocupou com essa questão da dívida pública.

E tornar a chanceler Merkel no bode expiatório da delapidação de Sócrates, dizendo que é uma assaltante e uma agiota, dá votos? Dá, então vamos a isso.
O povinho até detesta o espírito de organização dos alemães, a persistência na persecução de resultados, o empenho no trabalho e a aversão à fraude.

A ideologia marxista-leninista sempre criou ditaduras que limitam a iniciativa individual e atrofiam as economias dos países onde foi aplicada quando estes não dispõem de recursos naturais.
Se o BE chegasse ao poder, deixávamos de pagar os juros da dívida mas perdíamos a ajuda financeira que recebemos da Comissão Europeia. Pior do que isso, perdíamos o acesso aos empréstimos de que vamos precisar para relançar a economia depois do tremendo ajuste financeiro por que o País está a passar desde o início de 2011 e que vai durar cerca de uma década. Saíamos da Zona Euro e regressávamos ao escudo.
Deixando de poder adquirir tudo o que actualmente é importado — automóveis, telemóveis, computadores, televisores, fornos microondas, máquinas de lavar roupa, frigoríficos, ... — , ficávamos com um nível de vida semelhante ao de Cuba.
É pena ver um homem inteligente e culto como Louçã, escravo daquela ideologia e a recorrer à mentira, à demagogia e ao insulto.

É verdade que Portugal está infestado de políticos corruptos e é preciso fazer algo. Mas actrizes ignorantes e médicos defensores de clubes de cannabis a coordenar o bloco, mesmo que a prazo — em Novembro de 2014 vamos assistir ao regresso apoteótico de Francisco Louçã para disputar as legislativas do Outono de 2015 — só irão acelerar a decadência.

É verdade que o País precisa da voz do BE para denunciar a corrupção e apresentar propostas como a do orçamento de base zero, por exemplo.
Mas não precisa de um BE a governar com o apoio da escumalha que odeia o estudo e o trabalho, que vive do RSI ou do comércio ilegal. A governar contra aqueles que, nas classes média e média-baixa, incentivam os filhos a ascender socialmente através da educação e exigem rigor e exigência na escola pública. A defender a bandalheira criada por socialistas, comunistas e bloquistas invejosos que acicatam os miúdos a desrespeitar os professores que os obrigam a estudar e a aprender e incitam os pais a olharem todos os empresários como criminosos só pelo facto de serem mais abastados.
Do que o País precisa é de um governo de pessoas competentes e incorruptíveis, sem agendas revolucionárias, não ligadas a partidos políticos, sem ambições de poder e que efectivamente desejem o desenvolvimento do País.


sábado, 29 de setembro de 2012

A CGTP encheu o Terreiro do Paço e deixou ameaças



Perante um Terreiro de Paço com milhares de pessoas, o líder da CGTP, Arménio Carlos, apresentou como soluções para a crise económico-financeira a criação de um escalão de IRS acima dos 33% que, afirmou, geraria receitas de mil milhões de euros.
Outra medida seria aumentar em 10% a taxa dos rendimentos dos grandes accionistas das Sociedades Gestoras de Participações Sociais (SGPS) o que, pelos seus cálculos, permitiria arrecadar uma receita de 1,6 mil milhões de euros.
E deixou ameaças:
"A CGTP não aceitará qualquer medida que tenha como finalidade a redução dos salários e pensões, nem um cêntimo que seja. (...)
Se não ouvirem o povo a bem, irão ouvir a voz do povo a mal.
"
No final convocou uma greve geral em data a anunciar após negociações com a UGT.



Para a manifestação de Lisboa partiram 123 autocarros do Porto com cerca de 6500 pessoas. Nada de original: era o método usado durante a ditadura salazarista para fazer manifestações de apoio ao regime.

*

Começou a época das manifestações e greves sucessivas que vão deprimir ainda mais a economia e o PIB e, em consequência, exigir mais medidas de austeridade.
Vamos entrar num processo iterativo austeridade ⇒ recessão ⇒ greves ⇒ aumento do défice ⇒ austeridade.

Se os governos de Portugal, Espanha, Grécia e, eventualmente, Itália perderem o controle da situação financeira dos respectivos países, vai ocorrer uma cisão da Zona Euro, com os países do Norte e centro da Europa a conservarem o euro e os do Sul a passarem para uma nova moeda mais desvalorizada — o seuro.
E as populações desses países passam a usufruir da tecnologia da idade da pedra lascada, a única que tal moeda poderá comprar.


26 Set, 2012, 20:43
Madrid viveu mais uma noite de protestos contra as medidas de austeridade do governo do Partido Popular (direita) de Mariano Rajoy eleito com maioria absoluta em Novembro de 2011.

26 Set, 2012, 20:47
Grécia viveu a terceira greve geral de 2012 e a primeira depois das eleições do passado mês de Junho que deram a vitória à Nova Democracia (direita) de Antonis Samaras.


quinta-feira, 22 de março de 2012

Rescaldo de mais uma greve geral


A greve afectou sobretudo os sectores dos transportes públicos, educação e autarquias. Foi a que teve menor adesão, menos manifestantes e maior violência.



Em Lisboa e Oeiras a polícia interveio quando os piquetes de greve tentaram impedir a saída dos carros de recolha de lixo:



Uma marcha com manifestantes da CGTP desceu a Avenida Almirante Reis tendo atirado ovos às instalações das instituições bancárias, ao longo do caminho até à Praça do Rossio.
No largo do Chiado, junto à esplanada da Brasileira, os polícias carregaram sobre os manifestantes da Plataforma 15 de Outubro quando estes lhes atiraram chávenas e pedras. Rapidamente se multiplicaram os insultos e as agressões e até jornalistas foram engolidos pela refrega — uma fotógrafa da France Press e um fotojornalista da Lusa — de que resultaram três feridos ligeiros e um detido:


22 Mar, 2012, 21:53

A carga policial sobre a fotógrafa da Agence France Press que vai ficar como ícone desta greve geral


No final, o discurso do secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, em frente ao Parlamento, em que criticou o aumento da precariedade e às alterações das leis do trabalho:


sexta-feira, 25 de novembro de 2011

A greve geral



A greve geral vista do estrangeiro



Fotogaleria da manifestação em Lisboa


Na manifestação que decorreu em frente à Assembleia da República registaram-se momentos de tensão quando foram arremessadas garrafas de vidro contra a polícia e derrubadas as grades colocadas no início da escadaria. O corpo de intervenção da PSP deteve sete pessoas que tentaram forçar o cordão de segurança criado em frente da escadaria do Parlamento. Dos detidos, dois são cidadãos de nacionalidade estrangeira.





quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Uma bofetada de luva branca





"Tenho muito respeito pelo Dr. Mário Soares: ele foi o primeiro-ministro que enfrentou, por duas vezes, situações muito difíceis para Portugal, que envolveram empréstimos externos efectuados com o apoio do FMI.
E o Dr. Mário Soares aplicou um programa extremamente restritivo e de austeridade. Ele sabe como é difícil aplicar este tipo de medidas mas, como mais ninguém, tem noção como é indispensável produzir estas alterações para sairmos da situação em que estamos e cumprir com as obrigações externas que o País tem.

Agora o Dr. Mário Soares, como qualquer cidadão português, tem o direito de exprimir as suas diferenças de ponto de vista sobre as opções políticas que são tomadas.
A mobilização dos portugueses para a reflexão e para a acção política é positiva, nunca ninguém me ouvirá desincentivar a mobilização seja do que for.
Mas, se reconheço a importância das pessoas se mobilizarem e de se exprimirem, também reconheço que aquilo que é bem importante nesta altura para Portugal, é encontrar uma saída para a crise que resulta do nosso trabalho. Portanto, cabe-me a mim tentar mobilizar os portugueses para a acção de todos os dias contribuírem também para a transformação da sociedade portuguesa."


Passos Coelho, em reacção ao apelo de Mário Soares para a mobilização dos portugueses,
na véspera da greve geral


terça-feira, 22 de novembro de 2011

"A nação dos direitos"


"Esta semana, ao que tudo indica, vai haver greve geral. Segundo dizem porque certos segmentos dos trabalhadores por conta de outrem não querem perder os seus direitos. Os aderentes irão com esta greve perder um dia de ordenado sem ganhar absolutamente nada em troca.

Os dirigentes sindicais mostram serviço a quem os sustenta. A economia perde. Lá pelas bandas dos bancos de investimento (os ditos "mercados") diminuirá a diferença de percepção que distingue Portugal da Grécia. É caso para dizer que praticamente todos perdem. Mas faz parte do folclore.

Os trabalhadores têm alguma razão. Por razões que não são facilmente compreensíveis, os direitos de alguns parecem mais sagrados do que os de outros. As empresas sentadas em cima de confortáveis PPP alegam os seus "direitos adquiridos" e, até agora, têm levado a melhor. Os senhores da energia continuam confortavelmente sentados nos seus "direitos adquiridos" contratuais. Outros exemplos existem. É caso para perguntar porque só os cidadãos pagam os desmandos orçamentais. Sobretudo quando aqueles que deles mais beneficiaram se colocam agora confortavelmente longe da factura.

Mas, afinal, de que direitos estamos a falar? Para o conjunto da totalidade dos cidadãos, olhando para a evolução das contas externas desde o 25 de Abril, trata-se do direito a consumir mais do que aquilo que se produz. Podemos discutir, ponto a ponto, os muitos temas que estão em cima da mesa. Mas no final das contas, quando agregamos todos esses "direitos", tudo vai dar simplesmente a isto.

Mas, será que estes "direitos" existiam mesmo? No papel, sim. Na realidade, o benefício efectivo do valor monetário dos mesmos variou ao longo do tempo. As leis, os ACT e demais panóplia da contratação laboral expressam para os trabalhadores direitos cujo benefício efectivo depende das condições em que o empregador opera. Se forem excessivos, o empregador perde competitividade. Se for privado, reduz postos de trabalho, havendo uma apropriação de riqueza por parte de quem mantém o emprego em detrimento de quem o perde. No caso limite existe insolvência e lá se vão os direitos. Se o empregador for público, não reduz a força de trabalho, passando o sobrecusto para os trabalhadores do sector privado que o terão de pagar através de mais impostos. Uns pagam os "direitos" excessivos dos outros, assistindo-se assim a uma transferência de riqueza entre grupos.

Para os trabalhadores, no seu conjunto, os ditos "direitos" nunca foram efectivos. Os dias de férias, os 14 meses de remuneração e demais "regalias" sempre existiram no papel. Mas o seu efectivo benefício económico não. Parte deles era pago através do endividamento externo do País (em dólares). Como esse era difícil de obter, em grande medida devido à falta de produtividade e crescimento da economia, o país entrava em ruptura de pagamentos. Aí entravam em força o FMI (1978 e 1982) e as massivas desvalorizações do escudo. Na realidade, até se poderia pagar 16 meses de salário: desvalorizando-se depois a moeda a inflação decorrente se encarregava de destruir os "direito" ao correspondente poder de compra. A cada "conquista" seguia-se nova desvalorização. Como no papel os direitos se acumulavam, havia quem glorificasse as "conquistas" dos trabalhadores. Por isso, muitos (que não compreendem as implicações bancárias e financeiras de tal opção) defendem agora a saída de Portugal do euro. Com uma desvalorização do Escudo de 30% em relação ao euro não seria necessário mexer nos impostos da maneira "brutal" que agora surge nem eliminar subsídios a ninguém, assim se "mantendo" no papel os privilégios, conquistas e direitos adquiridos que a desvalorização se encarregaria de anular.

Mas, de 1985 para cá as coisas mudaram. A Europa inundou-nos de fundos. Depois, veio a adesão ao euro e ao endividamento fácil. Portugal não produzia o suficiente para fazer face ao que consumia. Mas não havia problema: a Europa fiava. Mas a festa acabou. Os banqueiros da Europa que nos fiavam deixaram de o fazer. Os apelos aos contribuintes alemães para que sustentem a nossa sociedade de consumo não surtem efeito. Não vale a pena ter ilusões. Como disse em 1976 o então primeiro-ministro Mário Soares: "Temos de viver com aquilo que temos". É pouco, face aos padrões de consumo europeus, eu sei. Mas é o que há.

Neste contexto, parece despropositada a realização de uma greve geral onde se juntam os trabalhadores dos sectores público e privados a lutar pelos seus "direitos" que, de forma formal, como agora imposta pelo OE, ou informal, através de uma saída do euro, vão inevitavelmente desaparecer. Os portugueses vão ter de sofrer uma perda de poder de compra de forma a adaptar os hábitos de consumo à sua produção efectiva. Os instrumentos agora utilizados via OE impõem uma determinada forma de repartir essa perda entre os diversos agentes económicos. Mas, seguramente, não é a única.

As próximas "lutas", para fazerem sentido, isto é para permitirem a quem as trava sofrer menor perda de poder de compra do que a situação actual lhe reserva, terão de ser travadas entre classes corporativas opostas. A "guerra" actual não se trava pelo tamanho do bolo, mas sim pela sua repartição. Trava-se formalmente entre as empresas privadas e seus trabalhadores, mas a verdadeira questão que se encontra em cima da mesa é o "trade-off" entre mais "direitos" e mais desemprego (ganhando aqueles que se mantêm no activo) ou menos "direitos" e mais perdedores via desemprego. Trava-se também na repartição das perdas entre os trabalhadores dos sectores público e privado, nos diferentes níveis de qualificação, onde existem gritantes assimetrias (nos dois sentidos).

Trava-se entre as gerações que beneficiaram dos desmandos do passado recente e os mais novos a quem se pretende deixar a correspondente factura para pagar todo o resto da respectiva vida contributiva (excepto para os que optem por nada pagar, emigrando). Trava-se entre contribuintes e pensionistas. Trava-se entre os trabalhadores do sector público que trabalham e aqueles que nada fazem, contribuindo para a redução do poder de compra dos primeiros. E será dos cidadãos contra o Estado, exigindo uma efectiva reforma da Administração Pública que reduza o custo (logo, perda de "direitos") que aquele impõe a todos os cidadãos a fim de suportar uma máquina ineficaz e que alberga excessivo desperdício e recursos falsamente empregues. Esta é, aliás, a única reivindicação colectiva que hoje faz sentido. E ninguém mais do que os sindicatos da Função Pública deveria estar na linha da frente, na defesa dos direitos daqueles que verdadeiramente trabalham no Estado e que são hoje sobrecarregados pelo fardo de sustentar aqueles que por lá pouco ou nada contribuem com o seu trabalho.


Paulo Pinho

Professor da Universidade Nova de Lisboa"


quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A greve geral - II


A mão que embala o berço é mais um artigo de opinião sobre a greve geral a convocar para um saudável debate. Arquivam-se as diferentes perspectivas:


Jrcoelho 24 Novembro 2010
Incongruências
Concordo em parte com a sua opinião, mas não com a desistência.
Vejamos:
Quando faço um seguro de vida, pago periodicamente para que, numa infelicidade, a seguradora me disponibilize uma verba pré-contratada. Portugal também deveria cobrar a cada banco uma verba proporcional ao total de depósitos a prazo do mesmo para que, em caso de infelicidade, não sejam outra vez os contribuintes a pagar o que deveria ter sido pago pelos bancos.
Quanto esforço e privações se poderiam poupar com esta simples medida? E com outras de igual justeza?
Não existe execução das garantias prestadas pelo financiamento extraordinário aos bancos? Estão-lhes a ser imputados os custos deste financiamento?


Jtpacheco 24 Novembro 2010
Excelente editorial
Resta dizer que esta nossa impotência não resulta de nenhum poder malévolo e desproporcionado dos mercados: pusemo-nos a jeito. Somos devedores compulsivos, crédito-dependentes e agora queixamo-nos quando o nosso dealer diz que não nos vende fiado.
Os mercados não são uma entidade abstracta e demoníaca. São sobretudo os gestores de poupanças a decidir a quem emprestam os fundos que lhes estão confiados. Se aplicarmos as nossas economias num PPR, por exemplo, não queremos ter a certeza que os gestores desse fundo vão rentabilizá-lo emprestando a quem têm a certeza que o reembolsa e em condições proporcionais aos riscos que correm?


JCG24 Novembro2010
PSG é um jovem
Que, se já os tiver, não terá muito mais que uns 30 anitos. Pergunto-me como é que um indivíduo com essa idade é director de um jornal com a relevância que tem o que dirige. É claro que o rapaz não parece burro, mas é óbvio que não teve tempo para provar o pão que o diabo amassou. Para ter experiência, é preciso ter experimentado. E PSG, que julgo reivindicar-se como jornalista, tornou-se num opinador. E opina sobre tudo e mais alguma coisa, mas sempre com prosápia. A prosápia dos ignorantes, que pensam que sabem do que falam e, se não forem burros, só com o tempo tomarão consciência de que estavam enganados.

É claro que PSG tem um encosto ideológico: o neoliberalismo e o seu papa — os mercados. Ora era desejável que PSG, em vez de se especializar em palpites avulso, fosse mais jornalista, na acepção clássica do termo, ou seja, dar notícias, pesquisar fundamentos, mostrar os diversos ângulos de visão dos problemas.

Eu fiz greve e não foi pela simpatia e credibilidade que me merecem os dirigentes sindicais e, muito menos, por não querer trabalhar, como alguns alarves defecam, pois já trabalho há anos suficientes para serem mais anos que muitos desses alarves terão de vida.
Fazer greve é o meu pequeno contributo, é, para já, a parte que me cabe, é dizer que estou disponível para ajudar o povo, em geral, a também ter organização e, tendo-a, ter algum poder para contrabalançar e refrear o poder daqueles que acham que são donos do país e de tudo o que nele existe e que destilam, alarvemente, uma visão neo-feudal da sociedade, em que eles serão os nobres e os restantes habitantes os servos da gleba que, quem estudou alguma coisa sobre esse tempos sabe, estavam abaixo dos javalis e dos veados no conceito desses senhores.

Quando Belmiro de Azevedo, o filho do carpinteiro de Marco de Canavezes, desabafa que não vale a pena investir recursos no país e os transfere para o exterior, faz falta que algum jornalista lhe lembre como, com que trabalho e com que consumidores, é que BA se tornou num dos mais ricos entre os portugueses.
Mas compreendo que os jornalistas queiram conservar o seu empregozito.


Pjota 24 Novembro 2010
Discurso positivo precisa-se
Recorrer ao FMI nesta fase até seria uma medida de racionalidade económica. Para quê pedir emprestado a 7% se podemos ter a 5%?
Por outro lado o FMI não vem cá fazer nada que não estejamos já a fazer.
O país é o mesmo de há um ano ou dois, quando os défices eram bem menores. Entretanto não houve nenhuma hecatombe, o que há é especulação dos mercados que, depois das commodities e da bolha imobiliária, se viraram para a dívida soberana dos países.
Enquanto a UE for só monetária e nada económica, enquanto não houver determinação política a nível europeu para travar politicamente este processo, não temos dimensão nem peso internacional para fazermos grande coisa.
No entanto, há muita coisa que podemos fazer cá dentro. Em primeiro lugar devemos evitar o pessimismo e a desistência, que nunca foram bons conselheiros e, por outro lado, devemos pôr os olhos nas pequenas e médias empresas que, apesar do contexto e das dificuldades continuam a lutar todos os dias para produzir, para manter os empregos e, sempre que possível, para exportar.
Perante esta tenacidade não temos o direito de desistir. Devemos apoiar no que estiver ao nosso alcance, devemos encontrar uma atitude positiva que coloque a crise no seu devido contexto, sem ficarmos derrotados à partida. Há alguma coisa que possamos fazer? Então mãos à obra porque, se há 500 anos tivéssemos dado ouvidos aos Velhos do Restelo, nunca teríamos saído da barra do Tejo.


leonel47 24 Novembro 2010
Sem políticos profissionais
O mal é haver políticos profissionais, ou seja, gente que não produz nada e vive à nossa conta.
Os partidos deviam acabar porque actualmente não há ideologias, direita e esquerda estão a juntar-se ao centro. Ora agora és tu e depois sou eu.
Os partidos estão obsoletos, são coisa do passado porque não se renovam nem se adaptam às necessidades do povo. O que é a obediência partidária, senão uma forma de pequenas ditaduras que dominam os seus adeptos e dá lugar à aparição dos iluminados, uma classe dentro do próprio partido que determina quem entra, ou não, nesse restrito grupo?

O número de deputados devia ser reduzido, as benesses dos políticos acabarem e 2 ou 3 reformas milionárias desaparecerem. Os ladrões de milhões deviam ver confiscados todos os bens, até aqueles que foram postos em nome de terceiros, deviam pagar os prejuízos, serem presos com penas exemplares. Todos os que têm o registo criminal sujo não deviam concorrer a lugares públicos. Como se podem eleger corruptos?

As eleições deviam ser nominais, para nós vermos a cara de quem realmente nos representa e chamá-los à responsabilidade. Em que leis votam e como.
É por isso que vou votar em Fernando Nobre, porque é o único independente que já deu provas de ajuda ao próximo, que criou um organismo para dar assistência aos desgraçados que não têm nada e só por isso merece o meu voto e da minha família e somos, pelo menos, seis.
Fala-se tanto da baixa produção. Já se esqueceram de quem pagou para abater barcos de pesca e quase acabou com o sector, pagou aos agricultores para não produzirem, quantos desempregados é que isso provocou? Porque é que ninguém fala nisso, memória curta dos comentadores?
Muito fica para dizer, mas talvez noutra ocasião.
Fica o lema: acabem com os partidos políticos e com os políticos profissionais.


carlos.gaspar 24 Novembro 2010
O PSG está doente
O PSG tem acordado com suores nocturnos e medo de uma nova ordem de poderes instituídos em Portugal e na Europa. Eu cá espero somente mais do mesmo… venha quem vier.:D
Chamar a isto uma greve é uma pobre desculpa para a má organização e ignorância do conceito de greve.

Uma greve é uma forma de protesto em que o trabalhador diz, ao patrão ou estado que controla parcial ou totalmente os seus rendimentos, que está farto da exploração e decide parar de trabalhar até que sejam mudadas as condições.
Por isso, tal como aconteceu em França, as greves deveriam ser de tempo indeterminado e não de um dia como estes sindicatos pobres de espírito e enganadores dos seus associados determinaram.
A greve só termina quando uma das duas partes envolvidas, patrões/governo e trabalhadores, quebre e ceda a exigências ou se sente desmotivado e volte a trabalhar apesar da perda de regalias.

Se esta greve durasse quinze dias ouviríamos a Ministra do Trabalho, Helena André, com um discurso diferente ao de hoje, onde impera a calma, a inflexibilidade e a certeza de que amanhã tudo voltará ao normal.

Quanto aos mercados não dormirem, é verdade, pois quem anda a dormir é o PSG e todos nós. Nunca teve a curiosidade de se perguntar o porquê de no mundo só existirem 4 países que não têm dívidas e não serem esses os credores da dívida do mundo? Estamos a dar ouvidos demais aos bancos centrais e ao banco mundial, não acha? Faça contas…
Tome lá um comprimido para a insónia:





jomaneca 24 Novembro 2010 - 17:03
Não concordo, Sr. Director
Eu sou um dos que não fez greve e sente vergonha por isso. No entanto, não concordo minimamente com o seu parecer.
Já tenho gostado das suas opiniões, mas a verdade é que, quando as coisas aquecem, a sua condição social vem ao de cima.
Então o Dr. não acha que é uma das poucas maneiras, de que dispõe esta gente que fez greve, de mostrar a sua indignação? O Sr. não é leigo e sabe muito bem, embora não diga, o que está por detrás desta grande crise.


republicano 24 Novembro 2010 - 19:55
Uma vazia
As pessoas que participaram na greve deviam sentir vergonha. Querem destruir Portugal.
Dar uma facada à nação num momento em que mal nos aguentamos de pé? Enquanto outros se matam para produzir, para vos pagar os salários, vocês só querem mama?
Vão protestar porquê? Não percebem que o país está falido?


quarta-feira, 24 de novembro de 2010

A greve geral - I


É preciso não ferir a susceptibilidade das pessoas que vêem nesta greve geral o único meio de corrigir os erros governativos acumulados nas últimas décadas e olham o salário hoje perdido como um investimento para melhorar o seu futuro e dos seus filhos.

É preciso explicar às pessoas que interessa obter conhecimentos e não coleccionar diplomas sem valor, a não ser na função pública, que a riqueza do país só aumenta com o crescimento da produtividade e esta depende do saber e da experiência.

É preciso acabar com nepotismos e compadrios e passar a valorizar o mérito.

É preciso criar movimentos cívicos que exijam aos políticos competência e respeito por um código de ética e provoquem uma revolução dentro dos partidos políticos, se necessário obrigando-os a uma travessia do deserto.

Só com a mudança da mentalidade dos políticos se poderá transformar a mentalidade da população.



Um artigo de opinião sobre a greve publicado no JN, Em que século vive Carvalho da Silva?, decidiu bulir com a sensibilidade das pessoas, provocando uma torrente de comentários onde se focam várias facetas da questão:


jbssm 24 Novembro 2010
Produtividade ... essa palavra mágica em Portugal para se lixar o povo
Olhe lá, Sr. jornalista. Quem é que acha que é mais produtivo, um empresário têxtil Alemão, com formação, que produz 1 produto de luxo, por hora, e ganha 2000 € por mês, ou um Português, sem formação porque ninguém achou que a tinha que dar, que produz 5 produtos a preço de competição com a China, por hora, a ganhar €450 por mês? E quem é que realmente trabalha mais?
Querem produtividade? Então deixem de pagar salários míseros e dêem formação aos funcionários em vez de comprar Ferraris.


jrcoelho 24 Novembro 2010
Preso por ter cão, e preso por não ter
Se fazemos greve, não adianta nada e só empobrecemos o país.
Se não fazemos greve, somos apáticos, não nos importa o futuro do país, estamos alheios às políticas praticadas ou, pior, estamos de pleno acordo com as atrocidades praticadas pelos últimos governos.


JCG 24 Novembro 2010
Conversa de papagaio
Pelo que me tem sido dado ler e ouvir, CL não tem os instrumentos analíticos nem a experiência de vida necessária para dizer outra coisa senão esse papagueio sobre a produtividade do trabalho em Portugal.
Ainda recentemente o jornal Expresso trazia a lista das medidas preconizadas por cerca de 30 VIP’s da gestão e da administração e, como seria de esperar, não vinha lá o essencial. Pressupor o contrário seria pedir a essa gente capacidade de auto-análise e de autocrítica que são capacidades que não têm. Para eles, os culpados do mau funcionamento da economia são sempre os outros.

E quais são os pontos negros para este camponês, migrado para a cidade, que conjuga a circunstância de trabalhar há mais de 47 anos, mandado por outros, com a de ter adquirido algumas capacidades de distanciação e de análise sobre as peças em que entra e os papéis que tem representado neste teatro?
Má ou deficiente organização e gestão do trabalho. Inexistência de conceitos e práticas de gestão nas organizações, ainda que toda a gente encha a boca com expressões modernaças sobre estas coisas.
Isto muito mais que aquilo que frequentemente também se invoca, que é a baixa escolaridade (e uso este termo de propósito) dos portugueses, pois o que mais encontro são situações de trabalhadores que, tendo escolaridade universitária, são tratados, laboralmente falando e a nível de processos de organização do trabalho, como se fossem analfabetos.

E qual a causa das deficiências apontadas? Elementar: basta atentar nos processos de selecção e reprodução dos dirigentes, desde os cargos de topo até aos mais baixos.

Os sindicatos poderiam fazer alguma coisa neste domínio? Podiam, mas os sindicatos padecem dos mesmos défices organizacionais que as restantes organizações, por isso como é que podem aconselhar alguém a fazer aquilo que eles próprios não fazem e deviam fazer? Eu, por exemplo, trabalho num sector em que os dirigentes dos sindicatos se comportam como autênticos patrões, um deles até quer (e já deve ter traficado alguma coisa para o conseguir) levar a coisa à letra, ou seja, ser mesmo patrão, criar uma empresa no sector em que é dirigente sindical.

É altura de começarmos a falar mas é da baixa escolaridade e deficiente preparação dos dirigentes para as funções que exercem. É preciso denunciar os inquinados, corruptos, inadequados processos de selecção e reprodução de dirigentes.

É claro que, quanto à greve de hoje, não lhe auguro qualquer impacto. A greve é uma manobra de estratégia e as estratégias servem para prosseguir objectivos. Mas quais são os objectivos estratégicos no caso presente? Uma enorme confusão!


MPombal 24 Novembro 2010
PC e Cª a controlar
Este Sr. Carvalho é um óptimo marcador de greves. Basta que não consiga o que quer e lá vai uma greve. Desta vez foi ajudado por todos os outros sindicatos porque, só desta vez, os seus associados se sentiram ameaçados com cortes salariais. Nunca ouvi os sindicatos reclamarem para que os aumentos salariais não fossem feitos em %, situação gravosa para os que ganham menos, já que o aumento é menor, cavando sempre mais o fosso entre as classes.
Como os políticos, também estes dirigentes sindicais estariam muito melhor nas estrelas...


jbssm24 Novembro2010
"Este Sr. Carvalho é um óptimo marcador de greves"
Estranho. Tendo em conta que Portugal teve apenas 6 greves gerais em 36 anos. Acho que o seu conceito de "óptimo marcador de greves" não é muito, digamos, produtivo. Há que aumentar os padrõezinhos.


Speeding 24 Novembro 2010 - 14:51
Sugestão
Fica aqui uma sugestão às Centrais Sindicais: criem uma empresa modelo.
Criem a empresa e mostrem ao País como as empresas devem funcionar aplicando as regras e princípios que defendem.
Como o resultado será com certeza surpreendente, não faltarão seguidores. Por outro lado, mais do que "conversa", podem pôr em prática os vastíssimos conhecimentos de gestão e economia.
Fica o desafio.


Jamnf 24 Novembro 2010
E que tal ver as coisas por outro prisma?
Seria interessante fazer-se uma análise séria e profunda sobre os impactos das acções dos sindicatos em prol da defesa dos trabalhadores...
Quantas empresas são levadas a fechar depois dos sindicatos exercerem as suas reinvidicações/pressões? Sempre em defesa dos postos de trabalho, claro...
E, claro, os sindicalistas tem sempre o seu posto laboral garantido no próprio sindicato, obviamente, ao contrário da grande maioria daqueles que dizem defender. Até ao dia em que acabarem todas as empresas (utopia, não é?) e aí acaba-se a razão da sua existência...
Sindicatos, sim! Mas modernos, leais, esclarecidos e com objectivos claros e inseridos na realidade que (n)os rodeia.


pimp10 24 Novembro 2010
Outro facho que tem a mania que é Deus
Speeding:
Não é preciso ir muito longe. Basta ver as notícias dos trabalhadores que tomam para si a gestão das empresas em que trabalham e que o patrão levou à falência. E são vários casos de sucesso!

Na primeira noite, eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem: pisam as flores, matam nosso cão e não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles, entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada
.”

Eduardo Alves da Costa, No caminho com Maiakovski, 1968


Lerinho 24 Novembro 2010
Oh Camilo,
Cada um vende o peixe que lhe dá jeito!

Como aumentar a produtividade num pais de baixos salários onde o saldo da balança comercial é crónica e sucessivamente negativo há décadas?
Se houver produtividade há consumo e se houver consumo há produtividade.
Se o saldo é negativo, se os salários são baixos e insuficientes para estimular o crescimento pelo consumo, temos de recorrer ao endividamento e neste caso estamos a aumentar a nossa dívida externa, que por sua vez vai ser paga por mais impostos!

Diga-me como aumentar a produtividade, se o grosso da mais valia que se cria é para alimentar o monstro da despesa pública?

Se não os têm.... arranje-os e nessa altura, diga aos Srs. políticos que a culpa é deles e de quem lhes dá crédito. Quanto aos sindicalistas, por mais demagogos ou palermas que sejam, só se fazem notar quando os políticos já fizeram a m*rd* toda. O resto é conversa de café. Faça um país prosperar e os sindicatos viram dinossauros... Desaparecem.


Zap 24 Novembro 2010
Acerca de produtividade e de outras larachas camilianas
Muitos invejam o nível de vida sueco, um dos mais altos do mundo, conseguido com trabalho e com massa cinzenta.
Um país com pouca população, cerca de oito milhões, que tem várias multinacionais de prestígio embora agora, na UE, a propriedade dessas empresas já não seja exclusivamente sueca. Empresas como a Volvo, a Saab, a Scania, a Electrolux, a Ericsson, a Ikea, etc.

Claro que isto não caiu do céu, antes deriva de muita ciência teórica e prática. Desde o século XVII que a Suécia tem tido cientistas e pensadores de renome mundial. Nomes como: Emanuel Swedenborg (1688-1772), o Leonardo Da Vinci sueco; Torbern O. Bergman (1735-1784) que introduziu a nomenclatura binomial dos sais e a classificação dos minerais segundo a composição química, que hoje usamos, respectivamente, na Química e na Mineralogia; Carolus Linnaeus, conhecido por Lineu (1707-1778), o pai da taxonomia dos seres vivos, expressa em latim; Anders Celsius (1701-1744), que criou a escala de temperaturas Celsius, usada internacionalmente; Olof Rudbeck (1630-1702), anatomista que descobriu o sistema linfático humano; Pehr Kalm (1716-1779), botânico e explorador; S. August Arrhenius (1859-1927), o químico que introduziu os conceitos de ácidos, bases e sais. E muitos outros cientistas, alguns prémios Nobel nascidos no século XIX e XX, mas citei alguns famosos mais antigos, para se ver que o saber sueco não é de agora, nem de nenhuma escola económica ou política moderna, mas sim de séculos.
Durante os últimos quatro séculos o país conheceu várias guerras, vários reis e vários regimes, monarquias absolutas, democracias e ditaduras. Mas sempre com desenvolvimento científico e tecnológico, incluindo Alfred Nobel (1833-1896) o engenheiro químico que dá o nome aos prémios, descendente de cientistas e de industriais célebres.

E Portugal, o que fez nesses séculos que tivesse deixado marca indelével no mundo da ciência? Nada.
Portanto, meus caros, a riqueza feita com trabalho exige muito conhecimento científico e tecnológico, não é com leis, com papelada e revoluções que lá iremos. Nem com tretas de retórica e jogatina de casino. Se querem ser mais ricos e ter bem estar à moda sueca, estudem, queimem as sobrancelhas, dêem trabalho ao cérebro, descubram, investiguem, inovem, inventem, passem menos fins de semana na borga e ponham o vosso saber a produzir tecnologia e a exportá-la.
E verão que a produtividade aumentará fortemente e com ela os salários e as prestações sociais. Uma máxima para os aprendizes de gestão: produtividade é directamente proporcional à quantidade e qualidade da ciência incorporada nos bens e serviços produzidos.


ljeronim 24 Novembro 2010 - 20:21
Será séc. XXI, Portugal?
Caro Camilo, Carvalho da Silva deverá viver no séc. XXI.
No mesmo século em que, em Portugal, se retiram subsídios de maternidade e apoios sociais a quem ganha pouco mais de 600€, se aumentam os impostos sobre os rendimento baixos e médios mas se criam alterações à lei para que os quadros de topo das empresas públicas continuem a ganhar balúrdios.
No século em que sacrifícios são pedidos, mas uma familiar do primeiro-ministro e a esposa do vice-presidente do PSD entram para os quadros superiores da EPAL sem concurso público, em que um funcionário do PS, despedido por mútuo acordo, recebeu umas dezenas de milhares de euros para criar o seu posto de trabalho e, apesar de nem ter o 12º ano, é contratado como assessor de uma vereadora do PS com um vencimento acima dos 3 mil euros e ainda leva um prémio de 40 mil.
No século em que não há dinheiro para os pobres mas há para o TGV, em que o governo hipoteca o nome do País para proteger os interesses de investidores privados da PT e esta faz um negócio chorudo sem pagar um cêntimo de impostos, em que uma médica do concelho de Braga pode pedir licença sem vencimento no hospital público onde trabalhava e ir exercer medicina noutro hospital público ganhando 100€ por hora e com o seu posto de trabalho reservado (que luxo); em que juízes ainda recebem 700€ para pagar a sua casa mas os jovens nem direitos têm a ajudas no arrendamento e estudantes são postos a dormir ao relento por a CML não ter uma habitação para lhes ceder.
No século em que vereadores de algumas das principais câmaras do País, que recebem salários superiores a 3 mil euros, têm para usufruto casas pagas pelas câmaras e por aí fora. Já para não falar nos prémios chorudos de empresas públicas que têm dívidas de milhões de euros ou de entidades privadas (bancos e seguros) que já não se consideraram assim tão privadas para receberem apoios financeiros do Estado em 2009.
E você, Camilo, em que século vive?


sexta-feira, 8 de outubro de 2010

UGT e CGTP avançam para greve nacional




A UGT e a CGTP decidiram avançar com uma greve nacional, no dia 24 de Novembro.

"O empenho será total na mobilização dos trabalhadores e sociedade", prometeu Carvalho da Silva, líder da CGTP, acusando que "há uma pressão enorme para [diminuir] a retribuição do trabalho em que a precariedade do emprego" é um dos instrumentos.

Para João Proença, líder da UGT, "as medidas de austeridade são necessárias (...) o problema é se atingem todos ou alguns. Estas [medidas de austeridade] só atingem as pessoas de menores rendimentos".
"Houve alguma medida que atacasse as grandes fortunas ou as contas nos 'offshores'? Não é assim que se combatem as desigualdades", concluiu.

Ambos afirmaram que a queda do governo não é o objectivo da greve nacional, pretende-se mudanças legislativas.


myke 07 Outubro 2010
Vá façam greve
Se os privados se lembrarem de fazer greve aos impostos, vocês vão é comer palha.
Privados, vamos a isso, um mês não pagamos impostos.
Quero ver se eles continuam a fazer greve, se calhar greve de fome.


myke 07 Outubro 2010
Na minha empresa ninguém reduz o ordenado
Funcionários despeçam-se e venham trabalhar para aqui.
Força camaradas, o n/ salário médio é 750€.
Querem? Querem?
Vão é semear batatas.


tinytino 07 Outubro 2010
myke
Vexa. anda enganado e come a propaganda do bloco central sem espinhas. Não seja tão invejoso dos funcionários públicos que, na sua grande maioria, são quadros qualificados e, em relação à média europeia, ganham mal.
Não se esqueça de que na função pública estão os quadros administrativos do estado, os militares, os juízes e procuradores, os médicos, os enfermeiros, os professores universitários e investigadores de laboratórios nacionais. Esta gente é a nata produtiva do país.
O que o deveria preocupar são as resmas de pessoas com cartão do bloco central que pululam nas empresas públicas, nas parecerias com os privados, nos institutos públicos, nos ministérios, nas câmaras e nas juntas e que não produzem absolutamente nada e ganham bastante mais.
Digo isto à vontade. Não sou funcionário público. Ah, e outra coisa, se o governo baixar o ordenado da função pública a seguir vai baixar também o dos privados. Não se iluda.


myke 07 Outubro 2010
tinytino
E realmente indicou, sem dúvida, a nata produtiva.
Escolheu, mas acertou, basta ver a rapidez da justiça, da saúde e a presteza com que as nossas repartições funcionam.
Nas câmaras municipais põem a máquina a cem à hora — mas é a máquina do café.


AtomSmith 07 Outubro 2010 - 20:06
A nata produtiva
"Esta gente é a nata produtiva do país". Essa gente eu até acreditaria que não sabem produzir um parafuso como diz o zap.
E depois também há aqueles licenciados que saem da faculdade a acreditar que o Estado produz alguma coisa e que Cuba, Venezuela e Coreia do Norte são exemplos de prosperidade.
A fina nata da ignorância em Portugal.
Se organizarem uma contra-manifestação dia 24, a favor dos cortes na despesa, eu até vou.


Beagle 07 Outubro 2010 - 20:08
myke...
Goze, goze... porque ainda vai sobrar para o seu lado... e depois são aqueles com os quais vocês agora gozam, que depois vão gozar convosco!


AtomSmith 07 Outubro 2010 - 20:28
A verdadeira nata
A verdadeira nata produtiva está enfiada nas fábricas, dia e noite, a produzir qualquer coisa para exportar e aliviar o défice. Aqui cai o capachinho a esses vígaros comunistas pseudo defensores do trabalhador; o trabalhador que se mate na fábrica para subsidiar a função pública.


danny1williams 07 Outubro 2010 - 21:13
A questão é que em Portugal são (quase) todos vígaros...
A igreja com a opus dei
A maçonaria
Os partidos
As confederações e as ordens
Os sindicatos
Os lobbies mais variados

Como querem construir um país assim?

Os sindicatos só querem é função pública, segurança e aumentos anuais de 5%, ou mais. Fecham olhos a tudo o resto: incompetências crónicas, casas pias, roubos de banca, concursos públicos fraudulentos, privatizações de mão beijada... A consequência de tudo o resto é isto que se passa agora.

AtomSmith, que é da igreja radical: o que diz a igreja ao roubo criminoso que aconteceu no BCP, pela mão principal de dois opus dei’s? Que deveriam estar presos!

A crise actual é devida aos excessos de todos e da sua atitude corporativista e mafiosa. Ninguém respeita regras e a lei é só para alguns...

Na manifestação vão a casa do Socras e do Cavaco, e partam-lhes os vidros, que eles merecem o susto... E até pior.


myke 07 Outubro 2010 - 21:25
Beagle
Não se preocupe.
Eu já sou gozado há muitos anos. Trabalho há 40 anos. E todos os meses tenho salários para pagar (infelizmente pequenos para o que os meus funcionários merecem porque grande parte da fatia que eles produzem é para sustentar a classe privilegiada deste pais).
E os meus funcionários nunca fizeram greve.
Por isso vai ser difícil gozarem mais comigo. Andam há 40 anos a gozar.