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domingo, 25 de agosto de 2013

Morreu o economista António Borges



António Borges no Centro Champalimaud, em Lisboa, de que foi administrador. Este centro faz investigação nas áreas das neurociências e do cancro.


António Borges nasceu no Porto, em 18 de Novembro de 1949, numa família com ancestrais que abraçaram a causa liberal e, por isso, foram agraciados com pequenos títulos nobiliárquicos após as lutas liberais e que era proprietária de uma herdade no concelho alentejano de Alter do Chão.

Terminou a licenciatura em Economia e Finanças, em 1972, no Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras, actual ISEG da Universidade de Lisboa.

Começou por ser assistente do professor Alfredo de Sousa naquele instituto e depois passou para o Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE). Com as universidades transformadas pelo 25 de Abril em centros de activismo e contestação, este professor estimula-o a prosseguir os estudos no estrangeiro. Em 1975, é aceite no programa de doutoramento da Universidade de Stanford e vai viver para a Califórnia, Estados Unidos, obtendo o grau de Doutor em Economia em 1980.

Nesse ano recebe uma proposta para ser professor de Economia no Institut Européen de l'Administration des Affaires (INSEAD), Fontainebleau, França, uma das melhores escolas de gestão fora dos Estados Unidos. Em 1985 torna-se Director do Programa MBA do INSEAD e, três anos mais tarde, uma reportagem sobre as melhores escolas de MBA da Europa na revista Fortune dá-lhe projecção internacional.

A proximidade de Portugal, que nunca visitara enquanto viveu nos Estados Unidos, leva-o a retomar contactos no meio universitário português e começa a vir a Lisboa uma vez por mês dar aulas na Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa, sendo descrito pelos alunos como um professor excepcional tanto no domínio científico como pedagógico que conseguia tornar simples assuntos de grande complexidade.
Por outro lado, por morte do pai, em 1988, e da mãe, em 1990, os irmãos entregam-lhe a gestão da herdade da família em Alter do Chão e, tendo de se debruçar sobre entes como trigo, vacas e cavalos, acaba por desenvolver uma paixão pela agricultura e criar uma forte ligação ao País.
Em 1990 aceita o cargo de vice-governador do Banco de Portugal e regressa com a família. No entanto, um conflito com Braga de Macedo, então ministro das Finanças de Cavaco Silva, leva-o a bater com a porta no Banco de Portugal, em 1993.

Retorna ao INSEAD para cumprir dois mandatos de reitor, entre 1993 e 2000, durante os quais procede à internacionalização desta escola de negócios, lançando o campus de Singapura, na Ásia, e eleva-a ao nível das escolas de negócios de Harvard e Stanford.

Inicia, então, uma carreira na área financeira como um dos vice-presidentes da Goldman Sachs International, em Londres, de 2000 a 2008.
Em 2003 por afirmar numa entrevista, "Se olharmos para o BCP, que tem uma belíssima rentabilidade na sua actividade normal, apercebemo-nos de que tem um problema de capital, porque consumiu muito, numa política de expansão e, depois, viu-se obrigado a fazer marcha-atrás", entra em conflito com o presidente do banco Jardim Gonçalves que retalia, recusando os serviços da Goldman. O facto de que o BCP teve de recorrer a verbas da troika recentemente veio, porém, provar que estava mesmo descapitalizado.

Entretanto ocorreu o congresso do PSD de 2005 e Borges, militante deste partido desde a sua fundação, é tentado a apresentar uma moção de estratégia.
"Quando foi discursar, parecia um líder político norte-americano, óptimo ar, bom aspecto e muitíssimo bem preparado, era mesmo o melhor de todos os que ali estavam. Fez um discurso excelente, sobre a sociedade portuguesa, a economia, a ética, mas faltou-lhe a componente emocional e não gerou adesão. A assistência não procurava um líder científica e intelectualmente brilhante, esperava por alguém com uma ideia de força, com empatia com a multidão", recorda um delegado, e sem o apoio das concelhias não se ganham congressos. Álvaro Barreto conclui: "Ele não é um político. Não se pode faltar à verdade, mas, muitas vezes, não se deve dizer a verdade toda".
Borges não é, realmente, um político. É um economista que, em 2006, afirma: "A situação económica do país é desastrosa e tenho sérias dúvidas sobre a competência de alguns membros do Governo. Os encargos com as PPP e o excesso de dívida do país vão rebentar em 2013, 2014". Manuel Pinho, ministro da Economia de José Sócrates, exige imediatamente um pedido de desculpas público e, na ausência deste, cancela todos os contratos do governo com a Goldman. Mas, na verdade, os maiores encargos com as PPP vão começar a pesar sobre os ombros dos contribuintes a partir de 2014.

Numa entrevista de Abril de 2008, António Borges deu esta resposta espantosa a uma pergunta sobre direitos adquiridos:

"Silva Lopes dizia há algumas semanas que Portugal é uma sociedade de direitos adquiridos e que foi por isso que se fez a Revolução Francesa. Mas a questão dos direitos adquiridos é também corporativa e, nesse sentido, não parte do Governo.
Não acho. Os nossos políticos têm apresentado muito habilmente este problema dos direitos adquiridos como sendo um problema dos sindicatos, dos trabalhadores, dos professores. Mas o problema principal dos direitos adquiridos é dos patrões. Aí é que estão os direitos adquiridos.
"

No final de 2008, porém, a crise financeira internacional obrigou a Goldman Sachs a reportar perdas líquidas de mais de 4,5 mil milhões de euros com os seus investimentos e António Borges a reconhecer: "O capitalismo tem sempre um desafio ético, que, se não for assegurado, se torna num sistema selvagem, que ninguém deseja. Como é baseado no interesse de cada um dos participantes, na interacção desses interesses, todos temos uma tentação natural a agir de acordo com os nossos interesses directos, em prejuízo dos restantes". Mas continua a defender: "Não existe alternativa à economia de mercado. Estamos a viver alguns limites, que sempre existiram, o que impõe aos responsáveis maior prudência na forma como olham para as empresas".

Manuela Ferreira Leite é eleita presidente do PSD e Borges aceita ser vice-presidente da Comissão Política Nacional do partido entre 2008 e 2010.

No Verão de 2010, foi-lhe diagnosticado um cancro do pâncreas. Dias antes tinha aceitado o convite do então director-geral do FMI, Dominique Strauss-Kahn, para ser seu número dois em Washington e director do Departamento Europeu do FMI abrangendo a Rússia, a Ucrânia e a Turquia. Borges colocou o lugar à disposição de Strauss-Kahn, mas o socialista francês manteve o convite.
O cancro do pâncreas é um dos mais mortíferos, tendo um prognóstico extremamente mau com uma taxa de sobrevivência ao fim de um ano de 25% e ao fim de cinco anos apenas 6%. Mesmo assim, Borges desempenhou as suas funções no FMI durante um ano, até Novembro de 2011.

Por influência do ministro das Finanças Vítor Gaspar, seu antigo aluno, Passos Coelho convidou António Borges como consultor para as privatizações, as renegociações das parcerias público-privadas e a reestruturação do sector empresarial do Estado e do sector bancário inscritos no memorando de entendimento com a troika. O contrato, assinado em Fevereiro de 2012 entre a Parpública e a empresa ABDL L.da, uma sociedade por quotas entre António Borges e Diogo Lucena, seu amigo desde os tempos na universidade de Stanford, fixa o pagamento à referida sociedade de uma verba mensal de 25 mil euros.
No exercício destas funções, de novo a frontalidade de António Borges provocou hostilidades, sobretudo da parte dos trabalhadores de empresas do sector empresarial do Estado, como a RTP, que criticaram o montante dos seus honorários, apesar de alguns apresentadores da estação televisiva receberem salários bem superiores e não terem a mínima relevância a nível internacional.
Contudo Borges chocou a opinião pública em Setembro do ano passado quando defendeu a descida da taxa social única (TSU) para as empresas, compensada por um aumento da dita taxa para os trabalhadores, ou seja, pela redução salarial dos trabalhadores.

Integrou as administrações de várias empresas como o Citibank Portugal, Petrogal, Vista Alegre, BNP Paribas. a Sonae e, por último, a Jerónimo Martins, ao serviço de quem esteve, em Março, na Colômbia a auxiliar o arranque dos negócios do grupo Soares dos Santos naquele país.

Há algumas semanas partiu para Singapura, onde continua a funcionar o pólo que aí criou quando era reitor do INSEAD. 

De regresso, manteve as reuniões agendadas, continuou a responder aos e-mails e seguia acreditando na capacidade da economia portuguesa para responder ao choque. Na quinta-feira foi internado no hospital da Cruz Vermelha onde faleceu hoje de madrugada aos 63 anos.


quarta-feira, 29 de agosto de 2012

O submarino RTP


Em entrevista à TVI, António Borges, conselheiro do Governo para as privatizações, admitiu que o Governo deverá optar por encerrar a RTP2 e concessionar a gestão dos restantes canais da RTP a um grupo privado, em vez de privatizar a empresa:
"O encerramento RTP2 é quase inevitável, em qualquer dos cenários que se põem em cima da mesa, porque é um serviço que custa extraordinariamente caro para uma audiência muitíssimo limitada".

Sendo esta a solução adoptada, o operador privado que ganhar a concessão receberá os cerca de 2 mil trabalhadores da empresa e os equipamentos da RTP, mas terá liberdade para gerir a empresa, ou seja, se entender que tem funcionários a mais, pode avançar com uma redução de pessoal.

"O operador vai ficar, evidentemente, com as obrigações de cumprir o serviço público e continuar a receber pelo serviço público um apoio do Estado com a diferença que esse apoio será, seguramente, inferior aquele que a RTP recebe hoje". Poderá ser 140 milhões de euros, que é a receita da taxa audiovisual (TAV) cobrada aos portugueses nas facturas da electricidade. "A RTP tem custado 200 a 300 milhões de euros por ano ao Estado, é mais do dobro", sublinhou.
"[É a solução] mais atraente porque não se vendia a empresa, mantinha-se a propriedade do Estado e a gestão era entregue a um operador privado que, provavelmente, estará em melhores condições para gerir o negócio". "O Estado não é bom gestor, muito menos de televisão", o que explica "os montantes astronómicos que têm sido gastos todos estes anos com a RTP".



Lamenta-se o encerramento da RTP2 porque era o canal de televisão português onde se podia visionar programas de elevado nível cultural. Sendo certo que se dirigia a uma faixa do público que 38 anos de ensino facilitista não deixou crescer, não se pode ignorar que as minorias cultas precisam de ser estimuladas.

Dito isto, passemos em revista as verbas recebidas pela RTP conforme notícia publicada no jornal de um grupo da comunicação social que parece estar interessado na concessão — a Cofina.

De acordo com os dados da Direcção-Geral do Tesouro e Finanças, desde 2009, o Estado pagou 488 milhões de euros à RTP em indemnizações compensatórias, valor que inclui o IVA. E os relatórios e contas da RTP demonstram que, após devolução do IVA ao Estado, essas indemnizações ascenderam a 399 milhões de euros.

Além das indemnizações compensatórias, o Estado tem injectado dinheiro na RTP através de transferências de capital, conforme acordado no plano de saneamento financeiro da empresa pública de televisão, que atingiram 597,2 milhões de euros.
Só no corrente ano, o Estado viu-se obrigado a injectar 348,3 milhões de euros para pagar empréstimos financeiros.

Mas a RTP ainda recebe, pelo serviço público prestado, a taxa do audiovisual que os portugueses pagam mensalmente na factura da electricidade. Segundo os relatórios e contas da empresa, de 2009 a 2011 recebeu 376 milhões de euros.



RTP
________________________________
Indemnizações compensatórias (c/IVA)
Transferências de capital
Contribuições do audiovisual
________________________________
Total


2009
_________
143,1
62,4
115,3
_________



2010
_________
145,9
120,3
109,6
_________



2011
_________
109,5
66,2
151,1
_________



2012
_________
90,0
348,3
?
_________


milhões de €
Total s/IVA
___________
398,7
597,2
376,0
___________
1371,9


Se, no ano corrente, a contribuição do audiovisual atingir os 140 milhões de euros profetizados por António Borges, a RTP custou aos contribuintes, desde 2009, cerca de 1500 milhões de euros, ou seja, o equivalente a três submarinos.


Os comentários a esta notícia revelam que os funcionários da RTP não vão poder contar com a solidariedade dos contribuintes:

Roedor 24 Agosto 2012 - 12:51
Para que serve a RTP?
Sorvedouro de impostos para quê?
Serve para garantir alguma isenção na informação? Pelo contrário, tem sido manipulada pelos sucessivos governos.
Por mim, podem/devem privatizá-la ou encerrá-la. Não é nenhum drama. São menos tachos a distribuir.
Só lamento a perda de empregos mas na situação em que estamos não vejo alternativas.

Corrupção 24 Agosto 2012 - 13:02
O mesmo orçamento de Estado...
... serve para pagar os prejuízos das empresas públicas que são geridas de forma danosa, mas não dá para pagar os subsídios aos reformados e aos funcionários públicos.
E os maus gestores ainda recebem remunerações milionárias, mais viatura, mais despesas de representação e outras benesses.
É assim na RTP, nas Estradas de Portugal, etc.
E estes sugadores de dinheiro são mantidos para dar tachos aos amigos, pagos em "ouro".

Mario Dias 24 Agosto 2012 - 13:45
É um desastre financeiro
Como é possível deixar que este tipo de situações aconteça num País que se diz democrático?
Pagar ordenados superiores aos das empresas privadas, e facturar à totalidade dos Portugueses, mesmo àqueles que nunca ligam a televisão nos canais dito públicos.
A democracia, a meu ver, tem neste caso um grande defeito.
Entreguem esse fardo financeiro a quem deixará de facturar uma factura tão dolorosa a todos os Portugueses.

Carlos Gomes 24 Agosto 2012 - 14:35
Contra o despesismo... Privatizar, privatizar!
Alguém ainda precisa de mais provas de que as empresas públicas servem em primeiro lugar a incompetência e os compadrios?
Quanto menos Estado, melhor!

Luís 24 Agosto 2012 - 14:40
Para Carlos,
As empresas públicas estão parasitadas pelos partidos, que as sugam até ao tutano. Livrando-nos do PSD/PS as empresas públicas e as privadas começam logo a produzir 10x mais do que hoje produzem, pois ficam desparasitadas.
O PSD e o PS são os únicos responsáveis pela gestão do bem público nos últimos 38 anos, que tão mal tem sido gerido.

Carlos Gomes 24 Agosto 2012 - 14:47
Caro Luís,
Estou totalmente de acordo consigo. O problema é que o PSD e PS, que não são confiáveis, são os únicos partidos com capacidade de governação. Os outros são de fugir, oscilando entre a incompetência e a demagogia. Como a classe política é o pior que temos em Portugal, quanto menos Estado melhor.

Maria das tetas secas 24 Agosto 2012 - 14:55
Cruelmente, o povo a passar fome, e a RTP casa pornográfica, continua no seu gamanço legalizado, com o apadrinhamento dos políticos e dos media
(...)
Até um pastor com a 4ª classe sabe como gerir essa chularia. O Relvas não fodde, nem sai de cima, virou uma bola de trapos dos media.
Já se sabe que o PS é defensor da corrupção do poder local e central. Agora tu ganhaste as eleições dizendo que ias privatizar a RTP e fundir municípios e freguesias do tempo em que andávamos de mula...
Tudo tretas, já passou mais de um ano e não fizeste nada, viraste apenas um alvo dos media, que se sentem acossados.

Sois todos uns pulhas, tenho nojo dos impostos e taxas via EDP andarem a sustentar essa casa de puutas... E depois querem que paguemos impostos. Seus f.d.p. Deviam estar a reduzir 50% da carga fiscal para atrair investimento, aumentar o consumo, aumentar o emprego.

Os Xuxas que defendem a manutenção da Porno TV que a paguem.
E eu até estava a pensar começar a passar facturas nos meus negócios, mas isto vai ser treta e vão continuar a sugar os contribuintes.
Ver salários por mês das Porno Stars (com 10% destes valores já eram muito bem pagas):

______________________
Catarina Furtado
Fernando Mendes
Malato
Jorge Gabriel
João Baião
Sílvia Alberto
Sónia Araújo
Nuno Santos
José Rodrigues dos Santos
Carlos Daniel
J. Adelino de Faria
Tânia Ribas
Fátima Ferreira
Maria Elisa
______________________
Total

___________
30.000€
20.000€
20.000€
18.000€
15.000€
15.000€
14.000€
14.000€
13.000€
12.000€
12.000€
10.000€
10.000€
7.000€
___________
280.000€

NB: para além disto ainda ganham em publicidade, filmes, festas, livros, etc.


RTP2, sempre! 24 Agosto 2012 - 15:11
E no futuro?
Vamos pagar menos na factura eléctrica quando o saque estiver consumado? Vamos ter direito aos filmes de qualidade, séries de qualidade, documentários excepcionais, como passam na RTP2? Ou ficamos reduzidos à programação de atrasados mentais tipo TVI/SIC/RTP1?

ZÉ POVO 24 Agosto 2012 - 21:02
Façam as contas
A RTP custa por ano ao Estado, além da taxa incluída na factura da electricidade, 250 milhões de euros por ano.
Isto representa um quarto de um vencimento de todos os funcionários públicos e reformados.
Eu pergunto se os contribuintes estão dispostos a manter esta situação, tirando o benefício de ver o Preço Certo, as novelas brasileiras, a Volta à França, etc. Se não querem concessioná-la, fechem-na ou ofereçam-na aos trabalhadores com o passivo incluído. Já estou farto de pagar todos os meses para tantos peditórios.

Joao Matos 24 Agosto 2012 - 21:21
Só rir
Mas que serviço público? A RTP só faz programas da treta. As vedetas são pagas a peso de ouro. Mas alguém liga ao Malato, ao Baião, ao Gabriel e Cª Lda.?
Já aqui disse e repito, a RTP gasta um milhão de euros por dia. Com o país assim, vamos continuar com esta palhaçada?

*

Como era expectável, os funcionários da RTP receberam hoje o apoio dos partidos políticos da oposição:

Carlos Zorrinho, líder da bancada do PS, considerou "completamente inadequada" a solução de fechar a RTP2 e concessionar a RTP1, no final de um encontro com a Comissão de Trabalhadores e o Conselho de Redacção da RTP.
E deixou a promessa que, mesmo que ela passe no crivo do chefe de Estado, os socialistas voltarão a criar uma empresa pública logo que regressem ao poder:
"O PS, uma vez tendo o poder e mandato para isso, reporá aquilo em que acredita e sempre acreditou, ou seja, garantirá a existência de um serviço público prestado por uma empresa com propriedade pública".

No mesmo sentido se pronunciou Catarina Martins, previsível futura porta-voz do BE:
"O Bloco de Esquerda opõe-se a qualquer plano, seja ele de concessão ou de privatização do serviço público de rádio e de televisão”.

Inopinadamente, porém, foi de Marcelo Rebelo de Sousa que os funcionários da RTP receberam um apoio excepcional com este admirável escalpelo de dezanove minutos (07:20 a 26:10) no domingo, no Jornal das 8 da TVI:


Muito resumidamente:

O serviço público de rádio e televisão exigido na Constituição encontra-se concessionado a uma empresa pública gerida com capitais do Estado, mas nada impede que seja concessionado a uma empresa privada.

Esclarecido o aspecto legal, pôs várias questões:
  • A lei que irá regular a concessão vai ter de definir o que é o serviço público, mas não será fácil. Por isso convém que o presidente da República a mande passar pelo crivo do Tribunal Constitucional, se não os cidadãos recusam-se a pagar a contribuição audiovisual e vão para tribunal.
  • A argumento da despesa cai por quatro razões: durante um ano de governo podiam ter sido cortados os salários, os carros, as ajudas de custo, ... , diminuindo drasticamente as despesas na RTP; as indemnizações compensatórias têm sido reduzidas; a troika, que corta ferozmente as despesas do Estado, não incluiu a privatização da RTP no memorando; era possível privatizar a RTP1, o grande sorvedouro de dinheiro, e manter os outros canais para cumprir o serviço público, o que exigiria menos dinheiro aos portugueses do que a concessão.
  • É preciso saber quanto o governo vai cobrar ao concessionário. É que além dos 140 milhões de euros da taxa do audiovisual, serão dadas ao concessionário outras verbas muito avultadas — 6 minutos de publicidade, as transmissões dos jogos de futebol da liga portuguesa, da selecção e do campeonato do mundo já compradas, a possibilidade do despedimento de pessoal, ... — que não foram mencionadas por António Borges.
  • É inaceitável que a concessão possa ser dada a uma empresa estrangeira, portanto é previsível que seja entregue a um grupo português de comunicação social. Na eventualidade de aparecerem como administradores dessa empresa personalidades ligadas ao PSD ou CDS — António Carrapatoso, por exemplo — temos o serviço público de rádio e televisão convertido, durante os 15 ou 20 anos da concessão, num submarino de uma corrente político-ideológica no seio da sociedade.
E terminou sibilinamente:
"Não basta à mulher de César ser honesta, tem de parecer honesta”.


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

"Vaia con Dios, Pedro"


"19 Fevereiro 2012 | 23:31
Pedro Santos Guerreiro - psg@negocios.pt


Pedro Passos Coelho já fala como a sua nova eminência parda, António Borges. No Parlamento, criticou "a economia protegida, que protegeu alguns grupos económicos e que não democratizou o acesso à economia". Lindo. E agora, o que fará? Enfrentar uma vaia em Gouveia é nada ao pé desses silenciosos lóbis. É mais fácil não ter medo do povo que do polvo.

As declarações de Passos Coelho são acertadas: "más leis laborais", "mau financiamento público" e "economia protegida" alongaram-nos num estertor de uma década. Mesmo com abundância de liquidez e de crédito, a economia não cresceu — cresceram as margens de lucro de alguns grupos, muitos deles protegidos. Agora que o Governo já tratou das leis laborais e os mercados trataram do mau (e do bom) financiamento público, falta abrir os aloquetes dos cintos de castidade aos protegidos.

Quando se fala em sectores protegidos e "rendas monopolistas" toda a gente pensa na EDP (como antes se pensava na PT). Toda a gente e a "troika", que trouxe o assunto na algibeira na actual visita. Mas o Governo, que antes bramia vigorosamente contra a empresa, besuntou-se na sua privatização e já fez uma nova proposta para amortizar o défice tarifário que protege os subsídios às eólicas e os contratos de longo prazo da EDP, e agrava em até 15% os subsídios às indústrias na co-geração. Traduzindo: o lóbi da EDP vence o da Galp (e o dos cimentos, pasta e papel e têxteis). O que pensa Pedro Passos Coelho disso?

Mas há mais, muito mais do que a energia nesse imenso sector de empresas que são ou foram beneficiados por contratos protegidos das volatilidades dos mercados e da concorrência. Há construtoras como a Mota-Engil, concessionárias de auto-estradas como a Brisa, muitas criminosas parcerias público-privadas, SCUT e outras minas e armadilhas. Há falta de concorrência entre produtores e as grandes distribuidoras, como a Sonae e a Jerónimo Martins. Mesmo na banca, depois das desgraças agora visíveis nos créditos concedidos sobretudo no BCP e na Caixa, é preciso garantir que o novo crédito, se o houver, não tenha como destino solver as tesourarias dos mais influentes, mas sim salvar uma economia que está a ficar seca como um bacalhau ao sol.

Falta falar dos interesses protegidos no Estado. Incluindo as empresas públicas, precisamente aquelas que estão a drenar o crédito. No sábado, o "Público" mostrava: mais derrapagens em 2011 e incapacidade de cortar custos em 15%, como exigido. É escandaloso que nove meses depois de se lhes ter encostado a faca à garganta, haja empresas de transportes a correr atrás da cauda, fazendo muito pó sem sair do sítio. O que prova que elas só apresentarão planos de saneamento financeiro no último suspiro; e que têm cobertura política dos seus ministérios sectoriais (como a Economia) em desafio às Finanças. A derrapagem no sector dos transportes é maior que os salários que a função pública perde. É preciso dizer mais?

A criação do Conselho de Finanças Públicas e a aprovação da lei dos compromissos orçamentais promete acabar com esta forma de desprezo que se colectiviza, mas serão tentativas ridículas se não houver força política. É por isso que o primeiro-ministro tem de ler as suas próprias palavras, e as de António Borges, e ser conclusivo, afrontar, concretizar, chutar à baliza. Facilitar o despedimento não muda a economia, é preciso também tirar os empresários protegidos das "zonas de conforto" que solenemente patrocinámos. Portugal está cheio de boas empresas, grandes e pequenas, que querem competir em igualdade de circunstâncias. São essas, aliás, que andam a exportar deixando valor em Portugal. E que, querendo prosperar, poderão salvar o País da maior ameaça: a espiral negativa. E isso será muito pior que qualquer vaia."


*

A expressão 'vaya con dios' significa 'vá com Deus'.
Um bom artigo recebe, em geral, bons comentários. Eis uma amostra:


JCGX 20 Fevereiro 2012 - 13:40
Controlar o défice ou a despesa?
Em maré de crise profunda, talvez não seja a melhor altura para controlar o défice público, antes se deve controlar rigorosamente a despesa pública e relacionada.
Não percebo por que razão o Ministro que tem a tutela do Metro de Lisboa, por exemplo, não exige imediatamente à gestão uma lista exaustiva e detalhada dos gastos operacionais que sirva para fazer uma análise de cada elemento de despesa, de modo a avaliar a sua pertinência, cortando o que se possa cortar, sem prejudicar o nível de serviço. Bastava, por exemplo, exigir um balancete analítico com desenvolvimento de todas as contas que pesassem nos gastos operacionais totais mais que x por cento (0,1%, por exemplo).
Posto isto, a ordem seria para que o conjunto dos gastos não subisse nem mais um cêntimo ou que sofresse alguma redução, se possível em função da análise feita. Se o gestor não cumprisse seria incriminado judicialmente, com imediato despedimento e eventual mobilização de bens próprios para indemnizar o Estado.

Ouvi, recentemente, a seguinte história: um português, alfacinha, professor no secundário nos EUA foi recebido e condecorado por Obama, na sequência de ter ganho uma espécie de campeonato de mérito ou notoriedade nacional no âmbito do sistema de ensino.
Pois bem, o português, que emigrou jovem para os EUA, estudou e fez-se professor, foi eleito ou nomeado para gerir uma espécie de região escolar que tinha atingido um elevado grau de degradação e desequilíbrio financeiro e em poucos anos tornou essa região escolar num exemplo e referência de qualidade e sucesso.
Segundo palavras do próprio, quando assumiu o cargo, pediu imediatamente a todos os seus subordinados listas exaustivas e detalhadas das despesas. A seguir analisou cada lista com cada um dos responsáveis sob a sua alçada visando cortar tudo o que fossem despesas dispensáveis, tendo em conta o bom funcionamento das escolas e a qualidade do ensino. Assim, sem precisar de recorrer a aumento das receitas, equilibrou as contas e começou a ter um excedente financeiro para investir no aumento da qualidade das escolas da sua região.

Francisco70 20 Fevereiro 2012 - 14:21
Vamos ver
Enquanto era candidato a PM, PPC não se cansou de repetir o chavão “falar verdade e defender os interesses dos portugueses”. Passadas as eleições, PPC ainda em fase de aquecimento, continuou com o mesmo discurso, só que os tentáculos do polvo começaram a mexer-se e, passou a falar “meia verdade e a esquecer-se dos interesses dos portugueses”.
Neste momento começa a querer revelar-se igual a qualquer um dos anteriores, ou seja charlatão, pau mandado, ao serviço da máquina partidária e dos restantes lóbis deste país.
Dr. PPC, se quer ficar recordado para a história pelos melhores motivos, tem a oportunidade, que ainda nenhum teve, para sacudir essa corja de ladrões, caso contrário pode ficar recordado para a história sim, mas pelos piores motivos.

João Ratão 20 Fevereiro 2012 - 14:24
Tendencioso
Pessoalmente acho que o Sr. Santos Guerreiro escreve bem. Tem as ideias razoavelmente arrumadas e sabe expô-las. Quanto à imparcialidade das suas análises e/ou comentários, é por demais evidente que tem uma agenda muito própria de interesses pessoais e/ou profissionais que lhe toldam o entendimento, deitando tudo a perder por causa do seu evidente facciosismo.
Não defendo Passos Coelho, assim como não defendi Sócrates. Entendo que o trabalho de governação deve ser analisado no termo da legislatura. Aí sim, devem-se fazer as contas e ver onde se esteve bem, onde se esteve mal e onde houve usurpação de poderes e enriquecimento ilícito ou, pelo menos, de legalidade duvidosa.
Quanto a Sócrates, estamos conversados. Nem se tornam necessários comentários. Mostrou à saciedade quem foi e ao que foi. Conseguiu tudo o que a nível pessoal se propôs. Façamos o mesmo em relação a Passos Coelho. Daqui a sensivelmente 3 anos, façamos o balanço. Depois sim, atiremos-lhe, ou não, todas as pedras que encontrarmos e estiverem disponíveis.
Quem julga um executivo ao fim de pouco mais que meia dúzia de meses de governação, das duas uma, ou não é sério e se encontra ressabiado, ou está a agir a soldo de alguém com finalidades nebulosas mas que se depreendem.

Anonimo 20 Fevereiro 2012 - 16:40
Agrava?
"e agrava em até 15% os subsídios às indústrias na co-geração" Agrava?
A co-geração dessas indústrias é uma fraude, e por essa fraude o Estado paga um subsídio astronómico ainda por cima ligado à cotação do petróleo. E você está com pena deles?

JCGX 20 Fevereiro 2012 - 16:52
Acho estes sítios muito interessantes...
... enquanto produtores de material analisável por sociólogos, psicólogos, psiquiatras e antropólogos. Espero que alguns investigadores se dêem conta da riqueza do material (comentários aparentemente espontâneos) que têm aqui ao dispor para fazerem uma radiografia de alguns extractos da espécie portuga.
Vejamos: normalmente a maior parte dos apontamentos são meras bojardas, todavia objectos interessantes para mapear o tipo de material que os seus autores acumularam na caixa craniana.
Também abundam os meros aplausos, os bravos, como em algumas assembleias em que há uns jumentos com o exclusivo papel de gritar uns bravos aos donos do jogo.
Este tipo de material reporta-nos para uma das características fortes do portuga, uma espécie de bipolarização: ser bájulo e subserviente com alguns que se pensa serem importantes e espezinhar outros que se julga inferiores.
Comentários que visem juntar algum valor acrescentado intelectual (VAI), ou seja, abordar os assuntos em concreto, explorar com seriedade e consistência os diversos ângulos de abordagem e produzir algum raciocínio original, é que é coisa muito rara.


segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Ainda vale a pena investir em Portugal?


Alexandre Soares dos Santos, na conferência "Ainda vale a pena investir em Portugal?":




Para investir em Portugal é preciso acima de tudo, uma vez por todas, nós, portugueses, decidirmos que sociedade queremos, para onde queremos levar o nosso país, como é que queremos viver. Não é andarmos, por um lado, a dizer precisamos do investimento privado e por outro lado andar a insultá-lo a dizer que é a culpa de todos os males que existem neste país. E acusar-nos de não pagarmos impostos (...) quando a iniciativa privada é a única que cria emprego e os escândalos não são na iniciativa privada, são noutros sítios.
(..) a iniciativa privada, em larga maioria, são empresas sérias, conscientes da sua responsabilidade, que defendem os seus accionistas e não têm escândalos entre elas.
Portanto é fundamental que de uma vez por todas decidamos se queremos uma sociedade socialista ou se queremos uma sociedade em que a iniciativa privada é aceite como alguma coisa de útil para um país e que gere riqueza.

Temos também de ter em conta o que querem os partidos políticos. Os partidos políticos em Portugal limitam-se a uma luta entre eles, não têm a mínima consciência nem o mínimo sentido de Estado, preocupam-se com os seus problemas e depois queixam-se da iniciativa privada.
(...)
Depois há a crise política que leva a uma crise financeira e económica tremenda. Isto não se resolve na Assembleia da República, não são os partidos com a sua demagogia que resolvem estes problemas e que levam a que o país se torne interessante para investir (...) O montante que se gasta em advogados é uma quantia absolutamente louca, numa administração que não está disposta a dialogar como é o caso, por exemplo, na Holanda (...) as companhias discutem com o governo os impostos que vão pagar (...). Uma vez estabelecido, é cumprido. Aqui não, ninguém sabe como as coisas se fazem. A meio do caminho, quase a chegar ao fim do ano, vêm com uma nova lei sobre as SPGS. Porquê? Estão a convidar as pessoas para ir embora.

Agora no parlamento discute-se se há, ou não há, tectos salariais para aqueles que trabalham nas empresas públicas. Acho graça uma empresa com a dimensão da Caixa Geral de Depósitos com o presidente a ganhar 5000€. O que é que isto vai fomentar? Vai fomentar a corrupção no sentido dos cartões de crédito, de facturas que não têm nada a ver com a companhia a serem aceites. Ou então uma coisa mais grave ainda, a fuga dos talentos. Eu tenho muita pena de ver um Horta Osório e um António Borges a trabalhar lá fora porque no país não têm emprego. (...)
Agora vêm-nos dizer que a iniciativa privada também não deve aumentar os salários. Porquê? Se as empresas tiverem lucros por que não hão-de repartir os lucros com aqueles que trabalham? Qual é a razão de distribuir dividendos e não dar aumentos salariais? Entretanto o senhor ministro das Finanças diz que a iniciativa privada também tem de cortar salários.


*

A ideologia socialista estilo Venezuela, ou Líbia, é perigosa. Além do miserabilismo económico focado por Soares dos Santos, há que falar no empobrecimento cultural das crianças e adolescentes.
O socialismo português, ao defender o facilitismo no ensino, ao obrigar os professores a darem excessiva importância a projectos e actividades extra-escolares, muitas a resvalarem para a área da animação cultural, como passeios e festas sociais, em detrimento da transmissão de conhecimentos e correspondente aquisição de competências, está a empobrecer culturalmente a juventude e a empurrá-la para um nível de vida muito inferior ao dos outros países europeus.


sábado, 30 de outubro de 2010

Portugal de joelhos perante o BCE




"Se o problema das finanças públicas é muito grave, na verdade não é senão a ponta do icebergue. (...) De facto, o problema fundamental de Portugal é que está totalmente cortado o financiamento externo.
Falamos muito dos mercados, de acatar aquilo que os mercados nos dizem, é tudo uma ficção, porque estamos fora do mercado, não temos acesso ao mercado. O único acesso que temos ao financiamento é ao Banco Central Europeu (BCE) que (...) vai financiando a economia portuguesa através da banca.
(...)
E porquê? Porque nos endividámos a um ponto gigantesco, estamos totalmente dependentes de financiamento externo, temos uma dívida externa brutal a pagar a curtíssimo prazo (...) estamos de joelhos diante do BCE esperando que eles não alterem a sua política de ir mantendo a situação e nos ir permitindo viver.
A questão principal que se deve pôr é: como se chegou a esta situação? Desde há muitos anos que estamos com uma taxa de produtividade do investimento cada vez mais baixa. E o sistema financeiro português falhou por completo porque foi colaborante nesta tendência para um ritmo de investimento alto, em projectos cada vez menos produtivos, em geral, com grande desrespeito pelos interesses dos investidores
".

António Borges, presidente do European Corporate Governance Institute e director do departamento europeu do FMI, na conferência "Reformar o Sistema Financeiro".



surpreso 29 Outubro 2010
Tudo mentira!
Como António Borges assumiu o BCE empresta dinheiro barato aos bancos que o emprestam a alto juro a Portugal. "Os mercados" é um cartel de bancos portugueses, e outros, que nos exploram.


pjota 29 Outubro 2010
Na coluna das últimas notícias
[ironic mode on] Contudo, pode ler-se "Lucros do BES podem atingir 389 milhões de euros". O dinheiro dos nossos impostos sempre serviu para alguma coisa. Ainda bem. [Ironic mode off]


torga 24 Novembro 2010 - 14:32
Dinheiro pornográfico
Um banco pede emprestado ao BCE 500 milhões de euros. O BCE empresta o dinheiro e o banco paga 5 milhões (1%) para levar o dinheiro. Uns minutos mais tarde o banco vai ter com um país europeu e empresta-lhe os mesmos 500 milhões de euros, que foi buscar ao BCE. Contudo desta vez pede ao país 35 milhões (7%) em troca do empréstimo.
Este deve ser o transporte mais lucrativo do mundo. Em pouco tempo o banco ganhou 30 milhões de euros do nada. Este banco teve um lucro de 600%.
Esta é a verdadeira razão porque os juros da dívida soberana de qualquer estado fraco sobem e não vão parar porque os bancos sabem que esses estados sempre pagaram e nunca entraram em incumprimento. Se a Alemanha ou a França estivessem com as "calças na mão" alguém tem dúvidas que iam ao BCE buscar o dinheiro directamente a 1%, tal como assobiaram para o lado quando ultrapassaram os 3% de défice?