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sábado, 31 de dezembro de 2022

Humor "Não TAPes os olhos"


O Correio da Manhã revelou na véspera de Natal que Alexandra Reis, a nova secretária de Estado do Tesouro que tomou posse a 2 de Dezembro, recebeu uma indemnização de 500 mil euros quando, em Fevereiro, saiu da TAP cessando antecipadamente funções.

O montante da indemnização resultou de um acordo entre a TAP e Alexandra Reis que, em Junho, foi nomeada presidente da NAV. Esta empresa, tal como a TAP, tem a tutela conjunta dos ministérios das Finanças e das Infraestruturas e Habitação.



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Público, Bartoon 31-12-2022



O pagamento e o valor da indemnização foi uma surpresa porque a informação dada pela TAP à CMVM indicava que Alexandra Reis renunciou ao cargo: "Alexandra Reis, vogal e membro do Conselho de Administração e Comissão Executiva da TAP, apresentou hoje renúncia ao cargo, decidindo encerrar este capítulo da sua vida profissional e abraçando agora novos desafios".

A TAP é uma empresa intervencionada pelo Estado cujo plano de reestruturação exige a injecção de 3,2 mil milhões de euros.
Aliás os contribuintes ofereceram à empresa os últimos 990 milhões de euros como prenda de Natal: o despacho para a transferência desta quantia foi assinado pelo ministro das Finanças em 26 de Dezembro, depois de Alexandra Reis ter pedido escusa no processo.

sábado, 22 de janeiro de 2022

Um "ISTO É GOZAR COM QUEM TRABALHA" imperdível


Sempre reconheci a competência e honestidade de Rui Rio durante a dúzia de anos em que geriu a Câmara Municipal do Porto. Vi-o aceitar o convite de António Costa, então presidente da Câmara Municipal de Lisboa, para assistir às festas de Santo António e, posteriormente, retribuir o convite do autarca lisboeta para os festejos do São João no Porto.

Nessa época (2011-2015) o governo Passos Coelho-Portas empenhava-se no cumprimento do acordo firmado entre José Sócrates e a troika constituída pelo Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional.
Acordo esse que resultara do pedido de assistência financeira que o seu ministro das Finanças fora constrangido a fazer porque, esvaziados os cofres do Estado, já não havia dinheiro para pagar aos militares que eram os primeiros funcionários públicos a receber os salários. Aliás, no início de 2011, José Sócrates já não conseguia obter mais empréstimos bancários e regressara de mãos vazias de um périplo pelo Qatar e pelo Abu Dhabi.

Pareceu-me uma traição de Rio. No entanto, o país precisava de profundas reformas que provocam sempre sofrimento e a melhor maneira de as fazer seria num governo de bloco central formado por PS e PSD. Convinha que os presumíveis futuros líderes desses partidos desenvolvessem relações cordiais.

Contudo a chegada de António Costa a primeiro-ministro, no final de 2015, seguiu uma via original: começou por uma facada nas costas de António José Seguro que tinha aguentado estoicamente três anos de oposição ao governo PSD-CDS e prosseguiu com o afastamento da coligação entre sociais-democratas e centristas — que voltaram a ganhar as eleições legislativas de 2015, mas sem maioria absoluta — através de um acordo parlamentar com o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português. Estes partidos extremistas de esquerda não só defendiam a saída de Portugal da União Europeia e da NATO, como também apostavam numa economia marxista com nacionalização das instituições bancárias e grandes empresas.

Apesar deste início pouco auspicioso, o governo António Costa foi-se aguentando graças a ter encontrado os cofres cheios — o que permitia satisfazer as exigências despesistas das muletas parlamentares — e do Banco Central Europeu ter passado a comprar dívida dos países europeus profundamente endividados. O crescimento económico do país tornou-se, porém, anémico e começámos a ser ultrapassados pelos antigos países socialistas da Europa de Leste.

Entretanto Rui Rio ganhou as eleições dentro do PSD, mas foi António Costa quem venceu as legislativas de 2019, embora com maioria relativa a exigir o apoio do PCP.

A inoperância da justiça portuguesa é um terrível bloqueio para a economia. As empresas sabem que investir em Portugal vai ser problemático se tiverem de recorrer aos tribunais pois vai levar uma eternidade até obterem a resolução dos litígios.

A morosidade da Justiça só agrada aos corruptos que desviaram elevadas quantias das empresas públicas ou privadas que geriam porque lhes permite usufruir dos seus roubos em liberdade já que as sentenças levam décadas até transitarem em julgado.
E pelos vistos também agrada a António Costa pois, em 2 de Maio do ano passado, numa entrevista ao DN, JN e TSF, quando o entrevistador afirmou que o "líder do PSD diz-se disponível para fazer pactos para as grandes reformas em Portugal", o primeiro-ministro retorquiu agastado: "Um cata-vento tem uma grande vantagem sobre o dr. Rui Rio: é que um cata-vento ao menos tem pontos cardeais, o dr. Rui Rio não tem. O dr. Rui Rio diz coisas que nem tem noção, presumo eu, do que está a dizer em matéria de Justiça."

"Este Governo, e em particular este Partido Socialista, devia ser o primeiro a aprender e a desejar que houvesse reforma na Justiça. É no enquadramento que lhe fazem sobre a Operação Marquês e o engenheiro José Sócrates que ele dirige as primeiras palavras desagradáveis, praticamente insultos, à minha pessoa. Perante um caso como a Operação Marquês e muitos outros a resposta não devia ser insultar a oposição, mas de abertura para reformarmos a Justiça em Portugal", respondeu Rui Rio.

Mas não eram "praticamente insultos". Eram mesmo insultos e do nível mais grosseiro que alguma vez saiu da boca de um primeiro-ministro português. Santa ingenuidade de Rui Rio que continua agarrado à ideia do bloco central, pensei. Erro meu. Simplesmente Maio de 2021 não era o tempo para António Costa receber a resposta que merecia.

Rui Rio é um maestro que conduz meticulosamente a orquestra, como explicou no debate do passado dia 13 de Janeiro entre os nove candidatos de partidos com representação parlamentar: nos primeiros dois anos deve diminuir-se o IRC para atrair investimento; a riqueza assim criada distribui-se pelas famílias nos dois últimos anos da legislatura através da diminuição do IRS.
Com um sorriso manhoso estampado na face, Costa tentou anular este princípio básico da economia — primeiro criar riqueza, depois distribuí-la — apresentando um fetiche — o OE 2022.

Acontece, porém, que tanto o orçamento de 2016, como todos os seguintes, apresentaram medidas miraculosas para o relançamento da economia que nunca produziram os resultados anunciados. E também orçamentaram verbas chorudas para a saúde que depois eram cativadas debaixo do nariz dos deputados bloquistas e comunistas que fingiam não reparar que António Costa era um mestre da ilusão.

O programa ISTO É GOZAR COM QUEM TRABALHA do humorista Ricardo Araújo Pereira na SIC foi o tempo perfeito para Rio responder às grosserias e aos passes de mágica de Costa. Apreciem:



Mergulhando primorosamente no espírito do programa, o líder do PSD foi dizendo ter conhecido "um santo milagreiro" que lhe ofereceu uma "cópia" do Orçamento de Estado para 2022 apresentado pelo primeiro-ministro. “Aquilo tem novidades que não saiem cá para fora mas eu já soube...” E começou a elencá-las:

“Três médicos de família por cada cidadão”
“Cirurgias mesmo quando o utente não precisa”
“Aumento das pensões”
“Promoção: viagem de Lisboa para São Francisco ao mesmo preço de Madrid para São Francisco”
“Viagem a Marte de Costa com a líder do PAN”
“Oferta de um faqueiro e de um trem de cozinha a todos os deputados que votarem o orçamento”

Até Ricardo Araújo Pereira foi apanhado de surpresa: “Algumas dessas ideias devíamos ter nós lembrado delas”.

É uma lição de como um político inteligente e educado pode, sem ofender, desmontar o OE 2022, que mais não era senão um chorrilho de falsidades construído para iludir o eleitorado. Aliás António Costa tinha tanta intenção de o cumprir como cumpriu os anteriores orçamentos de Estado.


quinta-feira, 10 de junho de 2021

Humor Português


Celebrou-se hoje o Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas.

A genialidade de Luís de Camões, o nosso poeta maior falecido em 10 de Junho de 1580, sobrevive à campanha daqueles que, aproveitando o homicídio do afro-americano George Floyd, em Maio de 2020, no Minnesota, Estados Unidos, procuraram denegrir as obras e conspurcar os monumentos erigidos em memória de insignes heróis e prosadores Portugueses.



Público, Bartoon 10-06-2021



terça-feira, 4 de julho de 2017

Humor militar


O Exército divulgou na quinta-feira, dia 29 de Junho, que dois paiolins dos Paióis Nacionais de Tancos tinham sido assaltados, havendo o furto de armamento de guerra.
Em entrevista à SIC, o chefe do Estado-Maior do Exército, general Rovisco Duarte, declarou que "estes roubos podem acontecer em qualquer país e em qualquer Exército, desde que haja vontades e capacidades":


01.07.2017 16h07


No entanto, a dimensão e gravidade do furto não era conhecida até que o jornal El Español publicou, na madrugada de 2 de Julho, a lista do material roubado.







A lista dos materiais desaparecidos (pdf) — 1450 munições de 9 milímetros, 18 granadas de gás lacrimogéneo, 150 granadas de mão ofensivas, 44 granadas foguete anti-carro, além de 22 bobinas de fio utilizado para activação por tracção, 102 unidades de carga explosiva, 264 unidades de explosivo plástico, ... — permite concluir que os ladrões entraram nas instalações com um veículo pesado, uma camioneta, pelo menos, pois só os lança-granadas pesam mais de 100 kg. Além do tempo e do pessoal necessário para transportar todos os equipamentos, vigiar e deixar o local sem alarme.

O assalto à base militar de Tancos está a gerar preocupação a nível mundial, com embaixadas de vários países da NATO, como a Espanha e os Estados Unidos da América, e forças anti-terroristas europeias a pedirem informações sobre a localização do armamento roubado e sobre as diligências feitas pelas autoridades portuguesas para encontrar o material.

A Corifa, uma empresa de Ourém, diz que efectuou obras de reparação em dez paióis, um paiolim e em 900 dos 2500 metros da vedação exterior da base de Tancos há um mês, mas... já se sabia que seria necessária nova reparação e foi anunciado novo concurso no Diário da República. Os ladrões anteciparam-se.

A estratégia de António Costa de desvalorizar a gravidade da situação deu azo à criatividade dos humoristas nacionais e estrangeiros:




Público, Bartoon de 3 de Julho de 2017


O jornal espanhol El País dedicou hoje este artigo ao roubo, donde destacamos:
Como se mostra, as deficiências da base de Tancos não eram segredo. Os assaltantes, mais de uma dúzia, tinham lido no Diário da República de 19 de Junho o anúncio de um concurso para a reparação no lado norte, leste e sul da cerca da base no valor de 316.000 euros. Em caso de dúvida, os ladrões não entraram pelo oeste.

Chegaram num camião, esburacaram a vedação e seguiram em direcção aos vinte paióis, mas só visitaram aqueles que tinham o material que necessitavam (1500 balas, 150 granadas, 40 lança-granadas, explosivos, fusíveis, conectores, ...), deixando tudo o resto. Encontrar iogurtes no frigorífico lá de casa, seguramente, levaria mais tempo.
Levavam uma lista de compras em que tudo era grátis. Carregaram à mão caixas pesadas, andando 500 metros para a frente e para trás e, concluída a tarefa, saíram como haviam chegado. Nem um tiro, nem um "alto", nem um "ai"!

Se depois de conhecer o Exército que toma conta de Tancos, o Índice Global de Paz para 2018 não der o primeiro prémio a Portugal, será uma injustiça a exigir pegar em armas.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Humor trágico





Bartoon de 20 de Junho de 2017 do jornal Público, publicado inicialmente em 10 de Agosto de 2016


A 17 de Junho de 2017 deu-se, no concelho de Pedrógão Grande, um devastador incêndio que matou 64 pessoas e causou um elevado número de feridos. É considerado como a maior tragédia em Portugal desde a queda da ponte Hintze Ribeiro, em Março de 2001, que provocou 59 mortes.

O fogo deflagrou ao início da tarde de sábado numa área florestal em Escalos Fundeiros, uma aldeia portuguesa do município de Pedrógão Grande, tendo alastrado aos municípios vizinhos de Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos, todos no distrito de Leiria.





Hoje, as elevadas temperaturas e o vento que sopra forte estão a provocar o alastramento do incêndio que lavra no concelho de Góis, distrito de Coimbra, o que já obrigou à evacuação de várias aldeias.



*


O XIX Governo Constitucional herdou um défice público de 11% e um país que vendia dívida pública a taxas de juros exorbitantes. Baixou o défice para 3% e conduziu Portugal de regresso aos mercados financeiros.

O XXI Governo Constitucional tomou posse no dia 26 de Novembro de 2015 numa cerimónia presidida pelo presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, e pelo presidente da assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues no Palácio da Ajuda, em Lisboa.
Faz hoje 1 ano, 6 meses e 25 dias.

Lavra um incêndio em Pedrógão Grande que provocou 64 mortos numa tarde. O Verão de 2017 começa amanhã.



domingo, 9 de abril de 2017

Humor alcoólico


Peça em três actos

Acto I

Cenário: algures na Europa do Norte

Época: início da Primavera de 2017, pouco antes de 19 de Março

Personagem: Jeroen Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo (conselho dos ministros das Finanças da zona euro)

"Na crise do euro, os países do norte da zona euro mostraram-se solidários para com os países em crise. Como social-democrata, considero a solidariedade da maior importância. Mas quem a exige [solidariedade] também tem obrigações. Eu não posso gastar o meu dinheiro todo em álcool e mulheres e pedir-lhe, de seguida, a sua ajuda. Este princípio é válido a nível pessoal, local, nacional e até a nível europeu", diz Dijsselbloem.

Acto II

Cenário: Washington/Lisboa

Época: pouco depois de 19 de Março de 2017

Personagem: ministro dos Negócios Estrangeiros/primeiro-ministro

"São declarações muito infelizes e, do ponto de vista português, absolutamente inaceitáveis", diz o ministro dos Negócios Estrangeiros Augusto Santos Silva.

"Pelos vistos, o presidente do Eurogrupo continua, passados estes anos todos, sem compreender o que verdadeiramente se passou. O que se passou com países como Portugal, Espanha ou Irlanda não foi termos gasto dinheiro a mais. O que aconteceu foi que nós, como outros países vulneráveis, sofremos os efeitos negativos da maior crise mundial desde os tempos da grande depressão e as consequências da Europa e a sua união económica e monetária não estar suficientemente habilitada com os instrumentos que nos permitissem responder a todos aos choques que enfrentamos", explicou.

"Está manifesto que o senhor Djisselbloem não tem nenhumas condições para permanecer à frente do Eurogrupo", acrescentou.

"Numa Europa a sério, o senhor Dijsselbloem já estava demitido neste momento. Não é possível que quem tem uma visão xenófoba, racista e sexista possa exercer funções de presidência de um organismo como o Eurogrupo", reforçou o primeiro-ministro António Costa, acrescentando: "[Portugal] não tem lições a receber do senhor Dijsselbloem em coisa nenhuma".

"A Europa faz-se com aqueles que acreditam na igualdade dos povos, aqueles que se respeitam uns aos outros, aqueles que admiram um esforço extraordinário de países do norte da Europa que tiveram depois da guerra e que também respeitam o esforço dos países do sul da Europa, que têm feito nos últimos anos para conseguirem corrigir as situações das suas finanças públicas", rematou António Costa.

Acto III



Cenário: Hotel Pueblo Camino Real, Los Álamos, Torremolinos

Época: Páscoa de 2017, pouco antes de 8 de Abril

Personagens: cerca de 800 estudantes portugueses finalistas do 12º ano de escolaridade, polícias espanhóis, dois agentes da PSP destacados para Torremolinos, dono do hotel, secretário de Estado das Comunidades.

Os estudantes portugueses pagaram cerca de 650 euros pela viagem com estadia de 7 noites. Deitam-se às 6h, passam a manhã a dormir e não deixam limpar os quartos. Depois de dois dias de bebedeira, encontram o bar fechado. Alguns começam a cometer actos de vandalismo no hotel. A polícia é chamada repetidas vezes para controlar os distúrbios. Os estudantes acabam por ser expulsos do hotel horas antes do fim da estadia.

Os jovens destruíram azulejos, lançaram colchões pelas janelas, esvaziaram extintores nos corredores do hotel e até atiraram um televisor para uma banheira”, narra o jornal espanhol El País, citando a polícia local.

Os desacatos no hotel provocaram danos de milhares de euros”, diz a polícia espanhola.
O comportamento [dos estudantes expulsos] extrapolou o aceitável”, reconhece fonte da direcção nacional da PSP.

"Nunca havíamos passado por nada igual", desabafa o dono do hotel que avalia os prejuízos em 50 mil euros.

A agência que organizou a viagem tinha seguro, mas o hotel entende que o seguro não é suficiente para cobrir os danos”, diz o secretário de Estado das Comunidades José Luís Carneiro.

"O Diretor é uma pessoa super arrogante, fomos mal servidos no que toca a refeições, estivemos lá 6 noites e não mudaram as toalhas de banho, não limparam quartos nem mudaram as camas. As funcionárias eram mal humoradas, foi prometido bar aberto e cortaram o álcool no 3º dia. Fomos mal tratados e insultados.", diz a estudante Sofia Marinho.

"Este hotel aproveitou o facto de sermos jovens e estarmos numa viagem de finalistas para nos tratar como animais. Não nos mudavam as toalhas de banho nem os lençóis, entravam no nosso quarto de manhã cedo a gritar para nos levantarmos porque queriam limpar e se não nos levantássemos acabavam por não limpar nesse dia, a comida era extremamente repetitiva, principalmente à base de fritos. Não me senti de maneira nenhuma num hotel de quatro estrelas e apesar de termos pago, o bar aberto foi-nos retirado e os horários não cumpridos", acrescenta a estudante Inês Sousa.

"O hotel não cumpriu com o que estava acordado. O bar aberto estava incluído nas condições da estadia e foi cancelado durante um dia inteiro e depois durante alguns dias após as 20h”, reclama um estudante não identificado, especificando:
No segundo dia não foi permitida a venda de bebidas alcoólicas e foi também a partir desse dia que foi colocado um segurança à entrada do hotel para revistar qualquer finalista que entrasse com bebidas".

Cai o pano.


Bartoon, jornal Público


sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Humor bancário público



Em 2011, o governo Passos Coelho nomeou José de Matos para presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos (CGD), tendo-lhe atribuído a remuneração mensal de 19.259 euros.

António Domingues, recentemente nomeado pelo governo Costa para esse cargo do banco público, vai receber mais de 30.000 euros, ou seja, tem um aumento de 50%.


Cartoon do Negócios


Entretanto a nova administração da CGD já decidiu baixar para metade a taxa de juro dos depósitos dos seus clientes.



sábado, 18 de junho de 2016

Humor bancário




Bartoon, jornal Público


Passos Coelho declarou que o PSD defende a comissão de inquérito na CGD para gerar confiança dentro do sistema financeiro e sistema bancário português.

António Costa defende, em alternativa a uma comissão de inquérito à CGD, o acesso dos deputados ao "conjunto de informação que ao longo dos anos as instituições de supervisão, quer portuguesas, quer europeias, têm obtido sobre a Caixa Geral de Depósitos".
"Talvez isso ajude a que tudo se encaminhe no bom sentido de nada ficar por saber mas não se perturbar a estabilidade do nosso sistema financeiro e em particular a Caixa Geral de Depósitos, que é o grande pilar da estabilidade do nosso sistema financeiro."


*


A opinião dos outros:

Criador de Touros
18 Junho 2016 - 15:16
António Costa não está interessado em investigar a Caixa. Porquê, a gente imagina...

Anónimo
18 Junho 2016 - 16:57
Passos fez o que tinha de ser feito: emprestou dinheiro com juros a todos os bancos que pediram ajuda (o BES não o fez e já se sabe porquê), deu-lhes tempo para se reestruturarem, devolveu a confiança ao país e pôs a economia a crescer... O resto fizessem os bancos!
Se Passos estivesse no poder, era isso que continuaria a fazer. Por isso foi afastado por via de um golpe apoiado pela oligarquia do país, de que faz parte a banca: esses querem dinheiro dos contribuintes para se recapitalizarem e para resolverem os seus problemas...
A banca em Portugal só sobrevive à mesa do orçamento, por isso foi preciso pôr no poder o derrotado poucochinho! Passos, se não tivesse sido impedido de governar, ter-lhes-ia feito o mesmo que Bordalo Pinheiro, ou seja, o mesmo que fez a Ricardo Salgado!

jupiter20001
18 Junho 2016 - 17:09
Se disser que a CGD é o pilar da bandalhice bancária portuguesa, talvez acredite!

Ambrósio
18 Junho 2016 - 20:46
Para além do ridículo que é defender que não se saiba a verdade, é curioso que agora o governador do Banco de Portugal até merece referência positiva. Algum tempo atrás, era um alvo a abater.


quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Humor bancário


"Ninguém ficará surpreendido que os contribuintes paguem um preço [pelo Banif]", afirmou António Costa no parlamento.

Negócios, Cartoon SA 17-12-2015




Público, Bartoon 17-12-2015




sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Humor eleitoral - II






Bartoon 06/10/2015 do Público




Bartoon 07/10/2015 do Público




Bartoon 08/10/2015 do Público




Bartoon 09/10/2015 do Público



sábado, 8 de agosto de 2015

Os cartazes da campanha do PS


Os cartazes da campanha de António Costa para as legislativas 2015 estão a revelar-se um monumental fiasco.

A polémica em redor dos cartazes do PS começou com um outdoor onde o partido anuncia que “é tempo de confiança”, mostrando a imagem de uma mulher a virar a página de um céu carregado de nuvens negras.




Inspirado nos cartazes de igrejas evangélicas, não só foi ridicularizado nas redes sociais mas também recebeu críticas negativas no interior do próprio partido. E despertou a criatividade dos humoristas para irem buscar os fantasmas que assombram os corredores socialistas, a começar pelo líder António José Seguro, afastado por uma golpada dos socratistas,



e pelo próprio José Sócrates:



António Costa também não foi esquecido:




Mas o pior estava para vir com a nova série de cartazes.





Eu não estou desempregada desde 2012. Não me podem envolver desta maneira. Aqueles dados são mentira”, diz Maria João Pinto, a jovem de 29 anos cuja fotografia aparece neste cartaz do PS associada à frase “Estou desempregada desde 2012″.

Estou revoltadíssima”, desabafa, esclarecendo que, desde 2012, já esteve desempregada e também já trabalhou. Mas não esteve desempregada desde 2012, nem estava quando, na quinta-feira da semana passada, tirou as fotografias para a campanha eleitoral do PS. Tinha suspendido o subsídio de desemprego — que recebia apenas desde 2014 — para poder abrir actividade e passar recibos à Junta de Freguesia de Arroios onde prestava serviço na área da comunicação.

Na manhã desse dia 30 de Julho, último dia em que esteve na Junta, foi chamada ao gabinete da presidente Margarida Martins, ex-líder da Abraço e candidata independente nas listas do PS, que lhe pediu para tirar “uma foto para a campanha do António Costa”.
Apanhada de surpresa, tanto pelo pedido como pelo aparecimento do fotógrafo logo a seguir ao almoço, deixou-se fotografar, pensando tratar-se de uma fotografia para usar em cartazes com muitas caras, e esperou pelo pedido de autorização para a utilização da foto: “Foi uma autorização para uma fotografia, mas pensei que haveria o processo a seguir.

Os comentários dos amigos na sua página do Facebook, onde tem publicadas poucas fotos do rosto, alertaram-na para o facto de que tinha a cara espalhada pelo país.

Questionada se a autorização verbal não levaria a pressupor que estava disposta a ceder os direitos de imagem, reitera que não assinou o documento necessário para que o PS pudesse usar a sua fotografia: “Não foi um consentimento. Foi-me tirada uma fotografia, mas nunca pensei que não haveria o passo a seguir que era dizerem-me para o que era e pedirem-me para assinar um papel de cedência de imagem.
Explica que não autorizou a utilização dada à fotografia, nem nunca autorizaria se soubesse como seria utilizada, justificando: “Eu não me exponho e eles expõem-me em outdoors gigantes” e ainda por cima com “uma frase falsa.”

Dois outros cartazes também têm fotografias de trabalhadores da mesma Junta cuja vida não corresponde à história pela qual dão a cara nos cartazes.



Francisco Garcês, o jovem que neste cartaz diz ter sido “obrigado” a emigrar em 2012, mora em Lisboa e trabalha na mesma Junta de Freguesia de Arroios.




Adelaide, a senhora que diz estar “desempregada há 5 anos sem qualquer subsídio ou apoio” neste cartaz, também trabalha na mesma Junta de Freguesia de Arroios através de um programa do Centro de Emprego.

No entanto, o mais caricato neste cartaz do partido socialista da campanha das legislativas 2015 é que refere uma situação de desemprego ocorrida há 5 anos, portanto em 2010 quando o país era gerido pelo... governo socialista de José Sócrates. Um verdadeiro tiro nos pés da equipa de António Costa!


*





Os cartazes onde as histórias contadas não correspondiam às pessoas foram zurzidos em todo o espectro político. Depois de ter ensaiado, em vão, outras saídas, o PS acabou por pedir desculpas públicas, em especial às pessoas implicadas em cartazes do partido que não deram autorização para a sua cara ser usada naquela campanha.

Agora só falta António Costa pedir desculpa pelo governo socialista de José Sócrates ter imposto cortes aos salários da função pública em Janeiro de 2011 e igualmente pretender cortar as pensões em 2012.

A opinião dos outros:


Luis Marques
Javali profissional, Manchester 07/08/2015 23:24
É nos pequenos pormenores que se vê o que realmente valem as organizações e partidos. Num país com 600 mil desempregados, não conseguiria o PS arranjar algum que quisesse dar a cara, contar a sua história? Num país com milhares de pessoas com falsos recibos verdes, não seria possível encontrar algum disponível?
O PS ao proceder desta forma, ao utilizar caras que não têm qualquer correspondência com a realidade descrita, gozam com quem vive essas situações na pele e só demonstram o desprezo que têm pela população portuguesa e a facilidade com que mentem e tentam enganar os portugueses.
O PS está muito preocupado com os desempregados? Até pode estar, mas aparentemente tem mais que fazer que procurar e falar com eles. Já vi candidatos a associações de estudantes de secundárias menos amadores.

MCA
Cidadã da finis terræ 07:52
Precisamos mesmo, como país, de estoirar dinheiro em campanhas eleitorais? É tudo uma mentira pegada, jogos de cintura, lixo nas ruas, sorrisos plásticos, braços no ar bem ensaiados e cronometrados...
Já estamos todos fartos disso. Parem de fazer de todos os cidadãos parvos.

Aliocha
08:23
Que vergonha! Isto assim é o descrédito total! O PS só perde com este tipo de campanha. Como votar num partido que engana às escancaras? O que não enganará, depois, nos bastidores?
Por mim, já tinham acabado as campanhas de folclore na caça ao voto. Já que desperdiçam dinheiro, ao menos sejam inteligentes!


sexta-feira, 10 de julho de 2015

A Grécia em default parcial - II b. A proposta de reformas


A última proposta do governo grego cede nas taxas do IVA e nas pensões, mas calendariza pouco e quantifica ainda menos. Nas despesas militares, recusa os cortes exigidos pela troika.
Em troca deste pacote de austeridade, pede um novo empréstimo aos parceiros do euro de "pelo menos" 53,5 mil milhões de euros.




Vejamos um resumo da lista de medidas e promessas que o Governo do Syriza/Anel enviou ontem à noite a Bruxelas:

IVA — O Governo de Atenas já havia cedido na intenção inicial de fixar as receitas adicionais do IVA em 0,74% do PIB, subindo até aos 0,93% na proposta de 26 de Junho. Agora diz que aceita implementar uma reforma no IVA que represente receitas adicionais equivalentes a 1% do PIB, o valor pretendido pelos credores.
  • Na taxa mínima de 6% ficam medicamentos, livros e teatro.
  • Os hotéis passam de uma taxa de 6,5% para 13%, já incluída na proposta de 26 de Junho e aceite pelos credores, sendo que nesta taxa intermédia ficarão também os alimentos básicos, energia e água (excluindo esgotos).
  • Para restaurantes, transportes e tratamento de esgotos a taxa de IVA vai subir dos actuais 13% para 23%.
Quanto ao desconto de 30% na taxa de IVA que beneficia as ilhas, será eliminado mas de forma faseada, com as ilhas mais ricas a serem as primeiras a ficar com a taxa do resto do país e as mais remotas a ficarem isentas. No entanto, o agravamento fiscal nas demais será acompanhado de compensações à população local com impacto fiscal neutro.
As novas taxas de IVA nos hotéis e nas ilhas só serão introduzidas em Outubro, depois de terminada a época alta do turismo.

IRC — Aumento da taxa de IRC de 26% para 28% em 2016, como desejava a troika, mas Atenas admite um agravamento para 29%, se a receita fiscal derrapar.

IRS — A proposta mistura todos os impostos e é vaga nas alterações ao IRS. Diz que pretende introduzir mudanças nos impostos que recaem sobre os automóveis, ganhos de capital, agricultores e trabalhadores por conta própria.
Em 2016, terminarão os subsídios ao gasóleo agrícola e, em 2017, será iniciado o processo de eliminação dos benefícios aos agricultores.
Sobre os privilégios fiscais dos armadores, previstos na constituição grega, o documento diz apenas que devem ser abolidos.
Se a receita fiscal derrapar, aumento das taxas de imposto sobre as famílias de 11% para 15%, para rendimentos inferiores a 12 mil euros, e de 33% para 35% acima desse valor.

Outras taxas e impostos — Introdução de taxa sobre a publicidade na televisão e anúncio de concurso público para a atribuição de licenças de televisão. Alargar o âmbito da aplicação da taxa suplementar sobre iates (com mais de 5 metros), que sobe de 10% para 13%. Aumento das taxas sobre o jogo online.

Pensões — A nova proposta de Atenas antecipa em três anos, para 2022, o fim processo de aumento da idade legal da reforma para os 67 anos, aproximando-se da proposta da troika. O governo grego promete legislar nesse sentido ainda neste mês, com o objectivo de poupar até 0,5% do PIB, ainda em 2015, valor que sobe para 1% em 2016. Promete ainda criar "fortes desincentivos" às reformas antecipadas.
Propõe legislar no sentido de eliminar gradualmente o complemento solidário para idosos — na Grécia chama-se EKAS —, iniciando o processo nos 20% de pensionistas do topo. Pretende concluir esse processo em Dezembro de 2019, tal como pretendido pelos credores. No entanto, quer iniciar essa eliminação apenas a partir de Março de 2016, ao contrário da pretensão da troika de que o processo comece de imediato.
Promete subir as contribuições dos pensionistas para o sistema de saúde de 4% para 6%, em média, incidindo também sobre as pensões complementares.

Função Pública — O Executivo de Atenas prevê a criação de um quadro de mobilidade no último trimestre deste ano. Promete reduzir a massa salarial até 2019, ajustando salários e efectivos a uma meta, mas não quantifica.
Promete alinhar os suplementos salariais — acordos de licença, ajudas de custo, subsídios de deslocação e regalias — com as melhores práticas da União Europeia, a partir de Janeiro de 2016.

Defesa — Nas despesas militares, a proposta do Governo grego propõe cortes de 100 milhões de euros em 2015 e de 200 milhões em 2016, recusando ceder aos credores que exigiam poupanças de 400 milhões. Os cortes de custos serão obtidos através da redução do número de efectivos e das compras.

Combate à corrupção — Atenas promete publicar um plano estratégico contra a corrupção até ao final do mês de Julho e alterar a legislação de declaração de rendimentos e financiamentos dos partidos políticos. Promete combater o contrabando de combustíveis e fraudes no IVA e promover os pagamentos electrónicos.

Reformas estruturais — O Governo grego compromete-se a implementar uma série de reformas em diversas áreas com a colaboração da OCDE: reforma do Estado e da sua relação com empresas públicas e fornecedores, aumento da regulação, das auditorias e da transparência.
A saúde e as obras públicas são áreas prioritárias onde o Governo grego promete combater o desperdício e a corrupção.
Também na administração fiscal — um dos maiores problemas da Grécia é a forte fuga aos impostos — o Governo promete implementar reformas, inclusive criar uma agência autónoma para cobrar impostos.

Sector financeiro — Alterações nas leis de insolvência, com o objectivo de incentivar o pagamento de dívidas, e medidas para atrair investidores estrangeiros.

Privatizações — O governo grego admite avançar não só com as privatizações que estão em curso, como também com as que estão previstas, e não mexer nos respectivos cadernos de encargo.
Admitem agora avançar com a privatização da rede eléctrica (ADMIE), como pretende a troika, mas acrescentam que poderão apresentar uma alternativa "com resultados equivalentes em termos de concorrência" até Outubro deste ano.
O Governo grego também promete alienar os activos pertencentes ao fundo de desenvolvimento helénico (HRADF), para onde se prevê que seja transferida a participação estatal no operador de telecomunicações OTE.

Metas orçamentais — A proposta mantém o compromisso de apresentar excedentes orçamentais primários (receitas superiores às despesas, excluindo o serviço da dívida) equivalentes a 1%, 2%, 3% e 3,5% do PIB para os anos compreendidos entre 2015 e 2018.


O que foi já feito para aliviar a dívida grega?

A Grécia obteve em 2012 o maior perdão de dívida detida por privados de que há registo, depois de bancos e casas de investimento terem aceite um corte (hair-cut) de 53,5% no valor nominal das obrigações do tesouro vendidas pelo Estado helénico.

Os Estados-membros da Zona Euro nunca aceitaram perdoar dívida. Contudo, já aliviaram por duas vezes as condições de reembolso dos empréstimos a Atenas e, em Novembro de 2012, admitiram voltar a fazê-lo, de novo, se os governos gregos cumprissem o programa de ajustamento acordado, o que o governo do Syriza recusou fazer a partir do início deste ano.

As taxas de juro cobradas à Grécia são praticamente iguais à taxa a que o FEEF, o fundo de resgate do euro (que tem rating máximo), consegue financiamento nos mercados, tendo sido oferecido um prazo de carência de 10 anos para o pagamento de juros, ou seja, a Grécia só pagará o primeiro euro de juros aos europeus em 2022.

Ao mesmo tempo, os prazos de maturidade dos empréstimos foram prolongados para cerca de 30 anos. Trata-se de condições mais favoráveis do que as aplicadas aos outros países do euro que foram resgatados — Irlanda, Portugal e Chipre.





*


O governo liderado por Alexis Tsipras pretende receber 53,5 mil milhões numa mão enquanto estende a outra mão cheia de promessas para começar a cumprir em 2016, um ano depois de terem sido eleitos.

Mexer nos privilégios fiscais dos armadores gregos? Fica a intenção, sem data marcada.
Reduzir em 400 milhões as despesas militares? Nem pensar, possivelmente metade disso, e só lá para o próximo ano.
Combate à corrupção? Até os partidos recebem empréstimos da banca, que é pública, Syriza incluído, e nada fizeram sobre o maior problema da sociedade grega. Agora vão congeminar um plano estratégico que talvez seja publicado no final de Julho, seis meses depois de terem sido eleitos.
Incompetência, fraqueza e hipocrisia. Cedência em toda a linha aos interesses instalados na Grécia.

Qual vai ser a reacção dos líderes da Zona Euro? Já se sabe que François Hollande aceita a proposta grega e Angela Merkel, entalada entre Obama e Hollande, não tem outro remédio senão condescender.

Depois da insensata revolução democrática conduzida por políticos franceses, ingleses e americanos que levaram à destruição da paz na Síria e da estabilidade social e política nos países do Norte de África, todos percebemos a importância geopolítica da fronteira Sul da Europa.
Merkel foi a primeira a compreender. A Alemanha não colaborou nas operações militares da NATO para derrubar Gaddafi quando este já deixara, há muito tempo, de proteger o terrorismo.

Dos quatro países europeus meridionais, a Grécia destaca-se como o paredão de defesa dos países europeus centrais, não só contra a perigosa imigração islâmica africana, mas também asiática através do conturbado médio oriente.
Dos russos, desconfiam Barack Obama, a traumatizada Merkel, que nasceu, cresceu e viveu mais de 40 anos no território alemão situado para além da cortina de ferro, e os países bálticos.

A União Europeia precisa de velar pelos gregos para que não façam demasiadas asneiras e deixem o País derrapar para uma situação caótica que abra brechas na segurança europeia.
No entanto, aceitar chantagens nunca resolveu problemas. É preciso que os gregos entendam que têm de cumprir as regras da Zona Euro e não podem exigir aos parceiros do euro um tratamento privilegiado em detrimento das populações dos países bálticos — Estónia, Letónia e Lituânia —, da Eslováquia e de Portugal que têm salários mínimos e pensões mais baixos.

Nas longas filas para levantar 60 euros nas caixas multibanco, os gregos começavam a entender. Se esta proposta — cheia de promessas que o governo de Tsipras, apoiado na estrondosa vitória do 'não' no referendo, não tem a mínima intenção de cumprir — for aceite na reunião de amanhã dos ministros das Finanças da Zona Euro, o problema grego vai renascer aquando da primeira avaliação da troika ao cumprimento do memorando que posteriormente será assinado.

Que esperança podem ter os povos europeus de deixarem de ser explorados pelas elites privilegiadas que pululam na sociedade helénica?
O peso dos países que têm um nível de vida inferior ao dos gregos não será suficiente, por si só, para refrear as artimanhas gregas.
Todavia há países da Zona Euro que prevêem a necessidade de aprovação parlamentar antes de haver a negociação formal sobre o memorando de entendimento — Alemanha, Áustria, Finlândia, Holanda e Estónia (Eslováquia não requer aprovação parlamentar). Portanto podem contar ainda com a oposição dos políticos finlandeses, holandeses e alemães, sobretudo, do fisicamente deficiente, mas intelectualmente vigoroso ministro das Finanças alemão.

Wolfgang Schäuble tornou-se o paladino dos contribuintes europeus que querem acabar com a exploração helénica e está a enfrentar corajosamente os americanos, assim como Christine Lagarde que se passou para o lado de Obama, apesar deste se ter recusado nos últimos anos a contribuir financeiramente para o FMI.
Tal como a directora do FMI, Schäuble defende a reestruturação da dívida grega mas à custa de um perdão pago... pelos gregos de maiores rendimentos e pela venda dos activos na posse do Estado helénico.

Por este caminho, ainda vamos ver uma manifestação de apoio dos ricos armadores gregos ao Syriza. É algo inacreditável ver a esquerda europeia a defender os contribuintes ricos da Grécia e a direita a pugnar para que os fundos europeus alimentados pelos contribuintes dos restantes 18 países do euro, alguns mais pobres que a Grécia, não caiam dentro dos bolsos das elites gregas. Estamos a assistir a uma completa inversão de valores políticos na Europa.





quarta-feira, 8 de julho de 2015

O Estado da Nação: os 7 pecados capitais e as 10 pragas do Egipto

08 Jul, 2015, 20:21

O líder parlamentar socialista tinha classificado o discurso do debate do Estado da Nação do primeiro-ministro como sendo "propaganda feita numa base totalmente irrealista". E acusou o Governo de ter feito um regresso ao passado, referindo "uma taxa de pobreza como há 15 anos e níveis de emprego como há 20 anos".

Ferro Rodrigues prosseguiu nas críticas trazendo para a discussão as privatizações feitas pelo actual Governo, a que pôs o rótulo de "vergonha", e os sete pecados capitais que António Costa atribuiu ao Governo, para o que pediu uma resposta ao primeiro-ministro.
Os sete pecados capitais do Governo, segundo António Costa

Primeiro pecado capital: A mentira eleitoral ao ter prometido não subir os impostos que subiu e não cortar pensões e salários como cortou.

Segundo pecado capital: O desemprego, a precariedade e a emigração que afastaram do mercado de trabalho 700 mil desempregados, mais de 200 mil desencorajados e que colocaram 90% dos novos contratos celebrados em contrato a prazo", além de terem feito "o país regressar aos anos 60 em termos de emigração".

Terceiro pecado capital: Asfixia da classe média

Quarto pecado capital: Pobreza e desigualdades que atingem 25% da população portuguesa, em especial a pobreza infantil, que "atinge 470 mil crianças".

Quinto pecado capital: Abandono da prioridade ao conhecimento, especialmente devido ao "desinvestimento" nas áreas da ciência, educação e cultura.

Sexto pecado capital: Ataque aos serviços públicos, em particular na área da saúde e justiça, e a incompetência na sua gestão, de que foram bem exemplo o caos no início do último ano lectivo" ou na questão dos tribunais.

Sétimo pecado capital: Quebra de mais de 25% no investimento, quer público, quer privado.

Passos Coelho começou por responder a Ferro Rodrigues apontando a "azia" socialista face aos "resultados que vão sendo divulgados sobre o desempenho económico de Portugal". Sobre as privatizações, Passos aconselhou Ferro Rodrigues a ter "atenção que o que chamou vergonha representou o dobro do encaixe financeiro que o PS tinha prometido".

Depois de Ferro Rodrigues ter acusado novamente o Governo liderado por Passos Coelho de não apoiar a Grécia nas negociações com os credores, o primeiro-ministro sugeriu que preste atenção ao que dizem "os antigos ministros das Finanças do PS sobre a Grécia", aludindo às declarações já proferidas por Campos e Cunha e Teixeira dos Santos que se manifestaram contra as pretensões gregas.

Mas o melhor do debate foi a resposta de Pedro Passos Coelho aos 7 pecados capitais de Costa. "Deixe-me falar das 10 pragas que o PS deixou a Portugal", disse o primeiro-ministro, antes de começar a enumerar:
  1. obras faraónicas, como as PPP e o TGV
  2. os PEC de má memória que não resolveram nada
  3. uma das maiores desigualdades entre os países da União Europeia
  4. défices orçamentais volumosos e ruinosos — o de 2010 atingiu 10%
  5. défices externos preocupantes
  6. completo desgoverno do sector empresarial do Estado;
  7. a nacionalização do BPN
  8. défice tarifário na electricidade
  9. endividamento galopante e
  10. desemprego estrutural acima dos 10%.


terça-feira, 7 de julho de 2015

Humor grego - III





Cartoon do jornal grego Ekathimerini



Anónimo
13:10
GREGOS, IDE COM A GRAÇA DIVINA, COMEI E BEBEI À FARTAZANA, E DEIXAI OS POBRES COITADOS DOS RESTANTES EUROPEUS SOZINHOS! (Oração de São Gregório aos caloteiros).

terça-feira, 30 de junho de 2015

Humor grego - I


Um britânico de 29 anos propõe pagar a dívida grega de 1,6 mil milhões de euros ao FMI, que venceu hoje, com recurso ao crowfunding. Em dois dias recolheu cerca de 466 mil euros.

Os presentes em troca de cada contribuição:
Por três euros recebe-se um postal de Alex Tsipras. Com seis euros obtém-se uma salada de queijo feta e azeite. Dez euros serão recompensados com uma garrafa de Ouzo e 25 euros com uma garrafa de vinho grego. Quem doar 160 euros, recebe um cesto com todos estes produtos gregos. Cinco mil euros dão direito a uma semana de férias para dois em Atenas. E os corações generosos que oferecerem 1 milhão de euros ganham a gratidão do povo grego.

A iniciativa termina dentro de seis dias e já serviu para uma alfinetada lusa:

nemo
30 Junho 2015 - 22:27
Agradeço que me informem com quanto é que já contribuíram estes generosos portugueses:

- António Luís Santos da Costa
- Catarina Soares Martins
- Jerónimo Carvalho de Sousa

Obrigado.


A Grécia à beira da bancarrota - III i. O default no empréstimo do FMI


A Grécia não pagou a dívida de 1,6 mil milhões de euros ao Fundo Monetário internacional (FMI) que vencia esta terça-feira, 30 de Junho. O FMI comunicou que o Governo de Atenas solicitou o adiamento da amortização do empréstimo e que a instituição declarou o pagamento em atraso.

O ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, já tinha confirmado esta manhã que a Grécia não ia pagar as quatro parcelas que deveriam ser reembolsadas hoje ao FMI.

À noite, em entrevista à estação de televisão pública ERT, Yannis Dragasakis, vice-primeiro-ministro grego, avançou que a Grécia tinha apresentado um pedido ao FMI para que o pagamento das quatro parcelas de Junho, que deveriam ter sido reembolsadas hoje, fosse adiado para o fim de Novembro.

O comunicado de Gerry Rice, director de comunicação do FMI, é lacónico e fala apenas em atraso:
Confirmo que o reembolso de DES [Direitos Especiais de Saque, a unidade de conta do FMI] 1,2 mil milhões (cerca de EUR 1,5 mil milhões) devidos hoje pela Grécia ao FMI não foram recebidos. Informámos o nosso Conselho de Administração que a Grécia está agora em atraso e só poderá receber financiamento do FMI quando cumprir o pagamento em atraso.

Também posso confirmar que o FMI recebeu hoje um pedido das autoridades gregas de prorrogação da obrigação de reembolso da Grécia que vencia hoje, que irá para o Conselho de Administração do FMI em devido tempo.

Dentro de 15 meses, o FMI emite uma “declaração de não-cooperação” (até Setembro de 2016), podendo ser suspensa a assistência técnica à Grécia. As restrições prosseguem, com a suspensão dos poderes de voto do país no FMI ao fim de 18 meses. Se, ao fim de dois anos, a Grécia continuar sem pagar o empréstimo, pode ser expulsa da instituição.


*

As reacções à notícia vão desde comentários circunspectos a outros bem-humorados. Dois exemplos nos antípodas:

Anónimo:
30 Junho 2015 - 22:41
Está lá, é do FMI? Olhe, a gente não conseguiu SACAR o dinheiro aos UE, por isso tenham paciência, aguentem mais um tempinho que a gente vai continuar a bater nos bolsos deles a ver se saltam alguns Euros.

00SEVEN
30 Junho 2015 - 23:25
Uma garotada a espatifar o país!
Mas quem escolheu foram os gregos.
O default consumou-se há 25 minutos!
Só se alterarem os Bye-Laws do FMI, mas para isso precisam que os 188 países-membros deliberem sobre esta façanha grega!


sexta-feira, 26 de junho de 2015

O massacre na França, no Kuwait e na Tunísia - III


França, 8h00. Kuwait, 12h30. Tunísia, 13h30.

Um ataque islamista a uma estância turística na Tunísia matou 39 turistas e feriu mais 36.

Sousse, Tunísia, 26 de Junho de 2015.
REUTERS/Amine Ben Aziza


Um homem que se fez passar por turista abriu fogo com uma metralhadora Kalashnikov na praia junto a um hotel, por volta do meio-dia de hoje. Foi abatido pela polícia que procura possíveis cúmplices.

O hotel é o Riu Imperial Marhaba, em Sousse, sensivelmente a 150 quilómetros da capital do país, Tunes.
Segundo contou à Reuters um trabalhador deste hotel, que assistiu ao ataque, havia só um atirador, que abriu fogo junto à piscina do hotel: "Era só um atacante. Era um jovem vestido com calções como se fosse também um turista."

As vítimas mortais são turistas, sobretudo britânicos, alemães e belgas, segundo o Ministério do Interior tunisino, que tem estado a actualizar a estimativa do número de mortos. O assassino foi um estudante de Kairouan, uma cidade no centro do país que é uma das cidades santas do Islão.









Considerada o melhor exemplo de evolução democrática da Primavera Árabe, a Tunísia já tinha assistido a um ataque terrorista perpetrado por extremistas muçulmanos em Março que teve como alvo o museu Bardo, em Tunes. Morreram 22 pessoas, todos turistas.


*


Sousse é uma das principais cidades turísticas na Tunísia muito procurada pelas estâncias turísticas junto à praia. O país é visitado anualmente por seis milhões de turistas, a maior parte dos quais europeus, que procuram as praias e os locais históricos. Estes ataques dirigidos contra os turistas são uma catástrofe para a economia tunisina que tem no turismo uma importante fonte de receita.

Afastando os turistas, a economia tunisina entra em recessão, a população empobrece e, com o decorrer do tempo, acaba por aderir a ideologias extremistas como as professadas pelos radicais islamistas.

Cabe aos líderes europeus serem capazes de fazer fracassar o terrorismo do Estado Islâmico que, a par e concomitantemente com a imigração islâmica, são o maior perigo que a Europa enfrenta.

Merecem uma leitura estes comentários à notícia no Observador:

Luis Fonseca
26 Jun 2015
Vamos à guerra contra essa gente. Eles não querem saber de ninguém, estão em guerra connosco, que estamos à espera para lhes dar troco? Que invadam ainda mais a Europa?

Pedro de Almeida
26 Jun 2015
Luis Fonseca,
Calma, há que compreender a revolta dos pobres muçulmanos, humilhados e ofendidos pelo despudor dos ocidentais.
E, claro, há as desigualdades económicas gritantes, que contribuem para a sua revolta.
Como é que se sentiria se vivesse num país com um PIB per capita ainda inferior ao Grego (esses desgraçados esmagados pela austeridade neoliberal)?
Certamente também se sentiria revoltado, e com vontade de atacar resorts turísticos, não?
Por isso, nada de julgamentos apressados.
(Até porque, como todos sabemos, o Islão é uma religião de paz, e não são um ou dois jovens mais excitados que alteram esse facto. Temos de respeitar a cultura deles!)
  • David Pinheiro
    26 Jun 2015
    ;)

Daniel Teixeira
26 Jun 2015
Caro Pedro de Almeida,
Não deixa de ser curioso que noutras culturas com a mesma desigualdade social não se passe o mesmo – Não me lembro de ver nenhum Hindu ou Budista a matar e decapitar pessoas. Mais curioso ainda é a proclamação diária da religião da paz...

A Indocrinação é fácil de acontecer numa sociedade pouco educada – no entanto, olhando para todos estas sociedades e diferentes religiões o padrão é sempre o mesmo – Apenas no médio/próximo oriente isto acontece – qual o ponto em comum?
  • Nuno Gonçalves
    26 Jun 2015
    Daniel, eu sei que o sarcasmo é difícil de detectar através da escrita, mas está mais que presente no comentário do Sr. Pedro de Almeida.

Pedro de Almeida
26 Jun 2015
Daniel Teixeira,
Isso é um pensamento maldoso, que resulta de pensar demais e perder tempo a analisar realidades.
Não seja assim.
Escreva 100 vezes (à mão, num papel qualquer, fazer copy/paste num computador não serve) “O islão é uma religião pacífica”, e vai ver que se sente melhor.