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terça-feira, 14 de março de 2017

Rocha Andrade e as transferências para offshores


A comissão de inquérito do Parlamento Europeu aos Panama Papers vai pedir informações ao secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Fernando Rocha Andrade, sobre as transferências para offshores não processadas no sistema central do fisco português, em especial as relacionadas com o Panamá.

Na audição do passado dia 1 de Março no parlamento, o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Fernando Rocha Andrade, afirmou que 97,7% de todas as transferências para o Panamá, em 2014, não haviam sido processadas pelo sistema informático central do fisco. Não identificou, porém, as instituições financeiras que realizaram as transferências ocultas, invocando o sigilo bancário.

Imediatamente Nuno Melo, eurodeputado do CDS, entregou um requerimento na comissão de inquérito do Parlamento Europeu aos Panama Papers (PANA) solicitando que o governante esclareça sobre “as datas concretas, beneficiários e operações relativas às transferências para o Panamá”, envie todos os documentos na posse do Governo sobre estes fluxos financeiros e explicite quais são as entidades financeiras envolvidas.
Nuno Melo pretende saber, também, se “essas operações foram legais ou ilegais” e por que motivo as declarações não foram transferidas para o sistema central do fisco.

Tendo a comissão aceite o requerimento, aguarda-se agora os esclarecimentos de Rocha Andrade.

O Público guardou em arquivo as estatísticas das transferências para offshores entre 2011 e 2014, divulgadas no Portal das Finanças em Abril de 2016.
Comparando com as estatísticas, já corrigidas com os valores das transferências ocultas, publicadas no mesmo Portal em Dezembro de 2016, o Público elaborou esta infografia com as transferências ocultas em vermelho (clicar em cada ano):





Portanto mais de um quarto do valor das transferências ocultas entre 2011 e 2014 teve como destino o Panamá — exactamente 2610 milhões de euros. Em segundo lugar surge Hong Kong com 2029 milhões de euros.


*


Dois dias depois de noticiar que, entre 2012 e 2014, houve transferências ocultas de 7800 milhões para o Panamá através do BES, o jornal Público dá aos seus leitores um valor profundamente inferior — agora foram apenas 2610 milhões de euros para o Panamá e através de toda a banca.

Embora a primeira versão se tenha baseado em fontes doutro órgão de comunicação social, era preciso informar os leitores que o Portal das Finanças divulgou, em Dezembro de 2016, documentos excel com os valores das transferências totais dos ordenantes com NIF’s 45 e 71 (os multimilionários) e dos outros ordenantes.
Além disso, o jornalista do Público que escreveu a notícia resumida neste post havia guardado as estatísticas publicadas na fonte oficial, em Abril de 2016, por ordem de Rocha Andrade. Portanto era possível calcular o valor das transferências ocultas para o Panamá através de toda a banca.

Então a fonte do Jornal Económico é falsa? Só sabemos que Hong Kong foi o segundo destino das transferências ocultas — exactamente 2029 milhões de euros —, além de que os socialistas sempre protegeram Ricardo Salgado. Em vésperas da medida de resolução aplicada ao BES, o presidente executivo fez transferências vultuosas que poderão ter ajudado o Haitong International Holdings Limited, com sede em Hong Kong, a comprar o Banco Espírito Santo de Investimento (BESI) presidido por José Maria Ricciardi.

Este comentário significa que acredito nas estatísticas mandadas publicar por Rocha Andrade? Não, mas são importantes porque é a versão oficial. Não acredito por duas razões.

Por um lado, Rocha Andrade tutela a Autoridade Tributária com quem a Galp está em litígio judicial e não teve pudor em viajar para França, por ocasião do Euro 2016, a convite da petrolífera portuguesa, acto que mereceu este comentário ao constitucionalista Jorge Miranda: “É inadmissível. É uma falta de ética espantosa. [Fernando Rocha Andrade] devia demitir-se (...) É espantoso que ao fim de 40 anos de democracia ainda exista um caso destes”.

Por outro lado, os documentos em excel divulgados no Portal das Finanças, acima ligados, permitem calcular como valor total das transferências para offshores, em 2015, exactamente 8885 milhões de euros, mais do dobro dos valores totais das transferências, publicadas por ordem de Rocha Andrade, em qualquer um dos anos de 2012 a 2014 (neste ano foi aplicada uma medida de resolução ao BES, o maior banco privado português!) e que estão correctamente inseridos na infografia (confirmei).

Não, não foi por receio de que os socialistas ganhassem as eleições porque todas as sondagens mostravam que a coligação Passos/Portas não estava muito longe da maioria absoluta.

Mesmo em Novembro, depois da aceitação do governo Costa no parlamento, os documentos assinados com comunistas e bloquistas e as primeiras medidas tomadas demonstravam que Costa havia comprado barato o apoio da extrema-esquerda.
No caso do PCP foi pela cedência dos transportes públicos, essenciais para este partido paralisar Lisboa e Porto quando quiser. O apoio do BE foi obtido com a anulação dos exames finais dos 4º e 6º anos, indispensável não só para manter a ignorância dos filhos dos portugueses que não têm vaga em escolas públicas de qualidade, ou não podem pagar colégios privados, mas também para aliviar a carga de trabalho sobre o professorado que votou em massa nos bloquistas.


sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Teste a sua literacia financeira


A literacia financeira é cada vez mais importante, por isso, a Gallup realizou um inquérito para a Standard&Poor’s Ratings Services, no âmbito do Global Financial Literacy Survey. São apenas cinco questões sobre inflação, poupança e investimento.

Os resultados obtidos no nosso país foram preocupantes. Em 142 países, Portugal ocupa a 111ª posição, depois de países como o Iraque, o Chade ou a Nigéria.

Os portugueses ficaram entre os últimos nos conhecimentos financeiros, com as mulheres a revelarem as maiores dificuldades na compreensão do funcionamento das poupanças e investimentos.

Para saber se tem os conhecimentos financeiros que precisa, faça este teste (em inglês). O Negócios fez uma infografia em português:



"Só 26% dos portugueses que responderam a estas questões no inquérito da S&P conseguiu acertar em todas as respostas. No Iémen só 13% o fizeram, já na Noruega, Dinamarca e Suécia, 71% conseguiram responder acertadamente. A nível mundial, um terço deu as cinco respostas certas."


Os mapas seguintes fazem parte do Relatório Literacia Financeira no Mundo (PDF) (em inglês), onde também se pode consultar a posição dos 142 países.





Dentro da União Europeia, vemos que Portugal está na mesma banda da Bulgária e de Chipre, estando os três países apenas acima da Roménia.


*


Acontece que Portugal tem um rendimento per capita superior ao dos países europeus do leste, ao passo que este inquérito revela uma literacia financeira bastante inferior à desses países. Como a cultura das populações influencia o desenvolvimento económico dos países, o prognóstico para o nível de vida das próximas gerações de portugueses só pode ser mau.

Outros comentários à notícia no Negócios:

Anónimo
19 Novembro 2015 - 23:57
Esta é explicação do sucesso da demagogia da esquerda em Portugal.

Anónimo
20 Novembro 2015 - 06:06
Nem entendem que só há austeridade quando há BANCARROTA.

Prof. Pardal
20 Novembro 2015 - 08:51
É verdade. Portugal faz muito pouco por dar formação nesta área aos seus cidadãos.
Deveria começar bem cedo na escola mas a realidade é que podem concluir uma vida inteira de estudos até ao doutoramento sem nunca se falar de finanças.

Anónimo
20 Novembro 2015 - 13:15
Ora aqui está a explicação para haver tanta gente a votar na Esquerda e não sairmos da cepa torta...

Henrique Costa
20 Novembro 2015 - 14:36
Grande novidade, se assim não fosse a esquerda não tinha tantos votos... e a direita tão poucos...


sexta-feira, 3 de julho de 2015

A Grécia em default parcial - I c. A dívida grega


A Grécia pretende negociar com os seus credores da Zona Euro para obter um acordo antes que o governo endividado fique sem dinheiro. Veja nesta página interactiva do Wall Street Journal quanto a Grécia deve e quando.

A unidade dos gráficos é o milhar de milhão de euros.

O FMI concedeu empréstimos à Grécia que ascendem a 21 mil milhões de euros, dos quais 1,6 mil milhões venceram em 30 de Junho e não foram pagos.

O BCE emprestou 27 mil milhões de euros, mas poderá ser preciso adicionar os 89 mil milhões de euros emprestados aos bancos gregos ao abrigo da Assistência de Emergência de Liquidez (ELA) — fixa desde domingo, 28 de Junho, o que obrigou ao encerramento dos bancos — que, por enquanto, são um risco do banco central grego.

A dívida aos investidores privados é apenas 34 mil milhões de euros porque, aquando do segundo resgate à Grécia, assumiram a perda de aproximadamente metade dos empréstimos.
Pior estão os Estados-membros da Zona Euro que emprestaram 53 mil milhões aos gregos no primeiro resgate, em 2010.

Depois do segundo resgate, em 2012, quem ficou a suportar a fatia de leão dos empréstimos foi o Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF), o antigo fundo de resgate do euro, que entrou com 131 mil milhões de euros.

Se o governo liderado por Alexis Tsipras mantiver o encerramento dos bancos e o controle de capitais na Grécia até 20 de Julho, conseguirá aguentar a banca grega com liquidez mas, nessa data, quando Atenas falhar o pagamento de 3,5 mil milhões de euros ao BCE, o país entra em bancarrota.








quinta-feira, 25 de junho de 2015

A Grécia à beira da bancarrota - III b. As propostas finais


Com 30 de Junho a aproximar-se — dia em que termina o programa de resgate e, além disso, expira o prazo para a Grécia reembolsar quase 1,5 mil milhões de euros ao FMI —, adensa-se a tensão nas negociações entre os representantes do Governo grego e as instituições da troika FMI/BCE/CE.
Além de reuniões do conselho dos ministros das Finanças da Zona Euro — o Eurogrupo — há reuniões mais restritas para tentar desbloquear as negociações e chegar a um acordo que satisfaça o Governo grego e os credores.
Um interessante diário minuto-a-minuto desta quinta-feira aqui.

Ao início da tarde, as instituições apresentaram uma nova proposta e os ministros das Finanças da Zona Euro interromperam as negociações até que o lado grego refaça a sua proposta. Logo a seguir, começou a Cimeira dos líderes europeus.
O Eurogrupo tem uma reunião decisiva no sábado.


*


Actualização em 26 de Junho

Na quinta-feira à tarde as instituições apresentaram ao Eurogrupo uma proposta que continha algumas cedências em relação à proposta grega, mas continuava a exigir mais cortes nas pensões e menos aumento de impostos. Está resumida nesta infografia do Negócios:






sexta-feira, 5 de junho de 2015

In Memoriam Portugal Telecom





A PT SGPS entrou na bolsa de Lisboa em 1995 a valer 2,37 euros. Depois de anos de prémios e reconhecimento, chegou a ter o estatuto de cotada mais valiosa da praça portuguesa. A valorização de 40,36% registada em 2009 foi a última subida anual. Nessa altura valia cerca de 2000 milhões de euros.

Em Julho de 2010, Henrique Granadeiro, presidente do conselho de administração, e Zeinal Bava, presidente executivo, venderam a participação na brasileira Vivo à espanhola Telefónica por 7,5 mil milhões de euros.
Em Janeiro de 2011, Granadeiro e Bava fazem um desastroso acordo com a brasileira Oi a quem entregam a PT Portugal, dona do Meo e dos activos valiosos, em troca de uma participação de 25,58% no capital da Oi.

Em 2014, a Rioforte — holding não-financeira do Grupo Espírito Santo (GES) — entra em falência e descobre-se que Granadeiro e Bava tinham aplicado cerca de 900 milhões de euros da PT SGPS em títulos de dívida daquela holding do GES.
Foi precisamente devido ao default da Rioforte que a PT SGPS baixou da fasquia dos 1000 milhões de euros em bolsa.

A venda da PT Portugal ao grupo francês Altice foi concluída pela Oi, em 2 de Junho deste ano, por 5,7 mil milhões de euros, dos quais 4,9 mil milhões de euros “em caixa”.

Passados 20 anos, a PT SGPS perdeu praticamente 80% do seu valor, estava no sexto ano consecutivo de perdas e os accionistas aprovaram a mudança de nome para Pharol. Hoje chegou ao fim.





A empresa liderada desde o final de Maio por Palha da Silva é hoje bem diferente. Além da alteração de nome para Pharol e da transferência da sede, de Picoas para as Amoreiras, a empresa tem actualmente como única actividade a gestão de uma posição na brasileira Oi e uma carteira de dívida da Rioforte.

A capitalização bolsista da Pharol corresponde agora a pouco mais de 400 milhões de euros, aproximadamente metade do valor investido na dívida da Rioforte.


*


Os pequenos accionistas, que enterraram as poupanças na PT SGPS, fazem o velório:

tojornais
02 Junho 2015 - 16:02
Grande Sócrates, conseguistes fazer mais um grande negócio para Portugal com esta venda da PT aos teus amigos da Oi brasileira. Devias de apodrecer aí na gaiola. Regado com gasolina super e atear um fósforo. E andam estes bastardos dos socialistas a apregoar banha da cobra. Falem das auto-estradas e das PPP, desses negócios bem manhosos.

SALAZAR
02 Junho 2015 - 22:01
Se o Salazar cá estivesse, nada era assim. Andava tudo na ordem e hoje eramos um dos países mais ricos do mundo. A "Finlândia" da Europa do Sul.
Hoje com a fantochada dos PS e PSD e o 25 de Abril somos o cu da Europa.


04 Junho 2015 - 18:13
Eu ainda não consegui entender isto. Afinal a Pharol é que detém uma participação na Oi ou é a Oi que detém a Pharol? Afinal o que diabo foi vendido para a Altice? A Altice é dona da Pharol ou a Oi é que é a dona da Pharol ou nem uma coisa nem outra? Alguém me elucide, por favor.

Anónimo
04 Junho 2015 - 18:35
"Jé", a história é assim:
A PT Portugal pertencia à PT SGPS (que estava cotada em Lisboa). Com a integração entre os activos da PT SGPS e da OI, a OI ficou com a totalidade da PT Portugal e a PT SGPS ficou com uma participação (25,58%) na OI mais a dívida de 900M da Rioforte. Agora a OI vendeu a PT Portugal à Altice e a PT SGPS muda de nome para Pharol que, tirando a dívida, não tem nenhum activo em Portugal.

portulord
05 Junho 2015 - 03:38
O engraçado é que, neste momento, a dívida da RIOFORTE (896 milhões de euros que corresponde a 3162 milhões de reais) dava para comprar mais de 60% das ações da OI que neste momento, se considerarmos a média de 6,75 reais para cada uma das 856 milhões de acções, vale 5830 milhões de reais.
E mais engraçado é que venderam a PT Portugal à Altice por 17.000 milhões de reais, ou seja, quase 3 vezes o valor da OI.
Pergunto: ninguém vai preso em Portugal por terem feito este negócio? Concluindo, isto foi mesmo uma pharolada.

labareda
05 Junho 2015 - 10:26
O Fim da PT ficou marcado quando Sócrates resolveu que ia usar o Fundo de Pensões da PT para tapar o Défice de 2010...
Interveio directamente na venda da óptima VIVO. Depois, com ajuda do Camarada (e também ladrão) Lula, meteu a PT num buraco chamado OI. Tudo sob aplausos da parolada accionista. Agora o Estado é responsável por mais essas pensões e acabamos todos na miséria a cantar o Grândola...

J. SILVA
05 Junho 2015 - 10:55
A PT SGPS vale menos de metade do empréstimo à RioForte. Mas sejamos realistas, o que levou a empresa a esta degradação foi a entrada na OI e a pseudo fusão. A RioForte foi um pretexto para os brasileiros nos tratarem com atrasos de vida com a conivência dos bandidos que a geriram.

portulord
05 Junho 2015 - 19:39
Mas afinal quanto vale hoje cada acção da Pharol?
Será que o Jornal de Negócios não poderia colocar uma calculadora, como faz com os dividendos, em que se pudesse verificar em tempo rápido o valor indexado á OI? Ou seja, nº de acções da oibr3 (277.730.251), da oibr4 (565.035.885), colocava-se o valor de cada uma e somava-se. Desse total, a Pharol tem 25,58% e o quociente pelo nº de acções da Pharol que são 896.512.500 dava-nos o valor da acção sem o investimento na Rioforte.


terça-feira, 2 de junho de 2015

Saiba qual é o melhor município para viver, visitar e fazer negócios


Esta infografia do Negócios permite-lhe descobrir em que lugar está o seu município no ranking dos melhores concelhos para viver, para visitar e para fazer negócios:





Lisboa continua a ser o melhor município, sendo o primeiro classificado nas necessidades específicas dos públicos-alvo relacionados com cada uma das dimensões talento, turismo e investimento, ou sejam, a qualidade de vida, a experiência no acolhimento aos turistas e as vantagens dadas aos investidores. Seguem-se o Porto e Braga.
Os lugares do fundo da tabela continuam a ser ocupados por municípios do interior ou das ilhas mais remotas do arquipélago dos Açores.

O estudo de 2015 foi feito pela consultora Bloom Consulting e o City Brand Ranking tem como objectivo medir o valor da marca dos municípios, podendo cada um deles consultar uma análise mais fina do seu desempenho junto daquela empresa.

Para elaborar este ranking, a Bloom Consulting cruza dados estatísticos que já existem, como a população, a percentagem de criação de novas empresas ou as dormidas por habitante, com as pesquisas que são feitas na Internet sobre todos os 308 municípios portugueses — a que chama Digital Demand.

As dimensões que são alvo de medição estão indicadas na imagem seguinte e a metodologia usada na sua medição é explicada pormenorizadamente pela consultora neste pdf.





sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

O seu município dá-lhe desconto no IRS?


O prazo para a entrega do IRS de 2014 começa na próxima segunda-feira 2 de Março e estende-se até ao fim de Maio.

As câmaras municipais recebem 5% da colecta de IRS dos residentes no concelho mas podem prescindir parcial ou totalmente dessa quantia a favor dos munícipes.
Há 78 concelhos que devolvem parte do imposto aos seus residentes, mas só 13 decidiram devolver a totalidade. Veja quais são nesta infografia do Negócios:





Uma crítica pertinente, ressalvando que Alcácer do Sal (distrito de Setúbal) e Vila Viçosa (distrito de Évora) têm governos locais CDU:

RioSado
27 Fevereiro 2015 - 17:01
É uma vergonha. Toda a península de Setúbal e Alentejo em cinzento... É um cinzentão! Parece que os "amigos" da CDU não sabem que podem devolver IRS aos munícipes! Se a isto juntarmos o IMI também na taxa máxima (o caso onde resido, Setúbal), interrogamo-nos como é possível esta gente ainda ganhar eleições. Só mesmo numa zona de país com um povo muito estúpido...


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Quanto deve a Grécia, a quem e em que condições


A dívida pública da Grécia totalizava 315,5 mil milhões de euros no terceiro trimestre de 2014 (176% do PIB) e está nas mãos sobretudo de entidades oficiais, como os fundos de resgate do euro, os países da Zona Euro e o BCE.

O empréstimo do fundo de resgate do euro totaliza 45% da dívida e a Grécia só a partir de 2023 começará a pagar juros a uma taxa de cerca de 1,5%.

Os países da Zona Euro detêm 17% da dívida que só comecará a ser amortizada a partir de 2020, pagando a Grécia a taxa Euribor (actualmente quase zero) mais 0,5% de spread. Portugal emprestou 1,1 mil milhões de euros até pedir assistência financeira em Maio de 2011.

A fatia da dívida na posse do FMI é apenas 8%, variando a taxa de juro entre 3 e 4%.

Os investidores privados concederam à Grécia um perdão de 200 mil milhões de euros em Março de 2012, o maior perdão de dívida da história, e agora só detêm 17% da dívida pública grega. Veja os pormenores nesta infografia do Negócios:







No entanto, os gregos não estão satisfeitos com estas condições. Na proposta apresentada pelo ministro das Finanças grego na segunda-feira, em entrevista ao Financial Times, os títulos gregos detidos pelos estados-membros da Zona Euro e pelo respectivo fundo de resgate seriam trocados por obrigações indexadas ao crescimento da economia grega, permitindo que a Grécia não pagasse quaisquer juros nos anos em que a economia tivesse um mau desempenho.
Os títulos na posse do Banco Central Europeu (BCE) seriam trocados por obrigações perpétuas (sem data de vencimento).


*


Adicionando os empréstimos bilaterais com a participação no fundo de resgate do euro, os países da Zona Euro emprestaram 195 mil milhões de euros à Grécia.
No gráfico abaixo, os contribuintes mais expostos à dívida pública grega parecem ser os da Alemanha, com 60 mil milhões de euros, da França com 46 mil milhões e da Itália com 40 mil milhões.





No entanto, a capacidade de um país suportar uma perda mede-se em percentagem do PIB. Neste ranking, considerando o PIB nominal de 2013, a Alemanha cai para oitavo lugar, com uma exposição no valor de 2,2% do tamanho de sua economia, a França fica ex aequo e a Itália cai para sexto lugar com 2,5%. Entre empréstimos e garantias, Portugal concedeu, no total, 5 mil milhões de euros, o que corresponde a 3,2% do PIB português e lhe dá o primeiro lugar, sendo o país que mais perde se a Grécia recusar-se a pagar a sua dívida pública.

Correcção
Portugal não é o país que mais perde, mas sim a Eslovénia. Ver correcção do autor do artigo aqui.


quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

O ataque ao jornal francês Charlie Hebdo


A sede do semanário satírico Charlie Hebdo, em Paris, foi alvo de um ataque terrorista, havendo 12 mortos, entre os quais se contam o director e caricaturista Charb e outros jornalistas do grupo de fundadores, e dois polícias.

A reconstituição dos acontecimentos deste dia trágico, passo a passo, com base numa infografia do BFMTV, testemunhos e vídeos (actualizados):

Pelas 11:20, um Citroën C3 preto com vidros fumados parou junto da sede do jornal satírico Charlie Hebdo, localizado na Rue Nicolas Appert, no 11.º bairro de Paris. Dois homens com a cara coberta saíram do carro e entraram no número 6 do edifício, onde estão os arquivos do jornal.

Apercebendo-se do engano, seguiram para o número 10. Ameaçada, uma jornalista que ia a entrar digitou o código de acesso. De imediato iniciaram o massacre, matando o recepcionista. Depois subiram ao primeiro andar, entraram na sala onde decorria a reunião semanal da equipa do jornal, e mataram oito jornalistas — entre os quais os quatro caricaturistas famosos Wolinski, Cabu, Charb, Tignous —, o polícia encarregado da protecção do director Charb e um visitante.
Testemunhas dizem que os dois encapuzados saíram do jornal a gritar "Allahu Akbar! Le prophète est vengé!" (Deus é grande! Vingámos o profeta!). Já na rua ainda dispararam alguns tiros. Depois recarregaram as Kalashnikov, entraram no carro e viraram à direita para a Allée Verte.

07/01/2015 - 12:24


13/01/2015 - 19:14


Sede do semanário satírico Charlie Hebdo na Rue Nicolas Appert, em Paris, onde ocorreu o massacre.
AFP/Philippe Dupeyrat


REUTERS/Philippe Wojazer

Na Allée Verte, que é um beco estreito, depararam com uma patrulha da polícia. Saíram do carro e abriram fogo. O carro patrulha recuou.


AFP/Anne Gelbard

Chegados finalmente ao Boulevard Richard Lenoir, saíram novamente do carro e alvejaram o carro patrulha, tendo ferido um dos polícias que depois mataram a sangue frio, indiferentes ao seu pedido de clemência. No momento da fuga gritaram: "Eh! On a vengé le prophète Mohammed! On a tué le Charlie Hebdo!" (Eh! Vingámos o profeta Maomé! Matámos o Charlie Hebdo!) Este confronto ficou registado em imagens que chocaram o mundo:


AFP


REUTERS


BFMTV 07/01/2015 - 13:38
Foi cortado o instante da execução do polícia Ahmed Merabet. Video integral aqui.

Na Rue de Meaux, no 9.º bairro, os dois homens abandonaram o carro em que seguiam e roubaram um Renault Clio cinzento. Antes de fugirem, informaram o condutor: "Se os jornalistas te fizerem perguntas, só tens de dizer que é a Al-Qaeda do Iémen."
A polícia perdeu-lhes o rasto em Pantin, um subúrbio no nordeste de Paris. Atrás deles deixaram 12 mortos.

Algumas horas mais tarde, a polícia difundiu o nome de três suspeitos: os irmãos Cherif e Saïd Kouachi, de 32 e 34 anos, e Hamyd Mourad de 18 anos.


*

Os caricaturistas mais conhecidos...


Wolinski
REUTERS/Vincent Kessler


Cabu
AFP/Joel Saget


Tignous
AFP/Alexander Klein


Charb, caricaturista e director
AFP/Francois Guillot


...e os seus últimos cartoons:








O cartoon de Charb foi premonitório.


Após o massacre ser conhecido, caricaturistas de todo o mundo sentaram-se a uma mesa com uma caneta, lápis ou pincel na mão, para prestar homenagem aos seus ídolos perdidos:



A liberdade no lápis
Na!


O nosso 11 de Setembro
Ruben L.


Covardes
Xavier Gorce


Obsoleta
Anónimo


Nunca vencidos
Lucille Clerc

Ver outros cartoons aqui.


Saiba qual o IMI que o seu concelho vai cobrar em 2015


Esta infografia do Negócios mostra a taxa do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) aplicada em todos os concelhos do País em 2015.

A maioria das autarquias optou por manter inalteradas as suas taxas de IMI em 2015. Quase metade cobrará o mínimo, 0,3%, mas 11% das câmaras vão exigir 0,5% que é o valor mais elevado possível.
Mesmo mantendo as taxas, os proprietários vão pagar muito mais por causa da reavaliação dos imóveis e o fim da cláusula de salvaguarda, logo as câmaras vão aumentar a receita.





Tudo começa no "valor base dos prédios edificados". É composto pelo valor médio de construção, que o Governo decidiu voltar a manter nos 482,4 euros, e ainda pelo valor do terreno, que corresponde a 25% daquele montante, ou seja, 120,6 euros. Ao todo, são 603 euros por metro quadrado, um valor de 2010 que o governo Passos Coelho mantém congelado.

Este valor de base serve de referência para todo o país mas sofre majorações ou minorações, impostas pelas câmaras municipais, em função da zona onde o imóvel está inserido e as características próprias do imóvel. Fica assim fixado o "valor patrimonial tributário" do imóvel, sobre o qual recai a taxa de IMI que cada autarquia fixa anualmente.


*


A Assembleia da República discute amanhã uma petição da autoria da Plataforma Justiça Fiscal assinada por cinco mil cidadãos para que o IMI passe a ser igual em todo o País e a uma taxa reduzida de 0,2%.

Não vale a pena, porém, ter grandes esperanças na discussão de amanhã porque os autarcas não aceitarão facilmente perder a arbitrariedade de fixar a taxa de IMI a seu belo prazer. Além disso, cinco mil assinaturas não são nada.
Quase todos os cidadãos estão convencidos que o imposto vai parar aos cofres do Estado central, desconhecendo que é fixado pelas câmaras municipais, vai parar aos cofres das autarquias e depende das dívidas que os autarcas contraíram. É lamentável porque cidadãos desinformados deixam-se manipular e não sabem defender os seus legítimos interesses.

Felizmente há quem esteja bem informado e até conheça o Código do IMI, como se vê neste primeiro comentário:

Não esquecer
30 Dezembro 2014 - 12:57
Não esquecer de pedir nas finanças a reavaliação do imóvel (se ainda tem este valor a 615 euros) e também a actualização do coeficiente de vetustez. As finanças fazem-se de desentendidas e não actualizam NADA!

Anónimo
07 Janeiro 2015 - 15:56
O IMI serve para os presidentes de câmaras pagarem as despesas escandalosas, a todos os níveis.
Somos roubados de todas as maneiras e feitios. Vamos lutar para que haja avaliações justas e uma taxa fixa em todo o país.

NapoLeão
07 Janeiro 2015 - 16:03
Deputados incompetentes e sem espinha, obedientes aos seus "chefes" não têm coragem para rectificar uma injustiça chamada IMI e que castiga todas as Famílias que se esforçaram para ter um tecto!

Anónimo
08 Janeiro 2015 - 08:39
Vejo aqui comentários a dizer que o Estado mama, que o Estado rouba, etc, mas não vejo nenhum a dizer que nos concelhos onde o PCP tem predominância, os camaradas não são de modas e aplicam a taxa máxima, como é o caso do Seixal. Afinal quem rouba mais, o Estado ou as Câmaras comunistas?


segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Como ganhar com o investimento em painéis solares


A partir de três simulações feitas pelo Ministério do Ambiente, o Negócios produziu esta infografia sobre o investimento em energia solar numa habitação ou empresa:





O actual governo deixou de subsidiar as tarifas à microprodução, o que é uma decisão correcta.

No entanto, passou a favorecer a EDP: a empresa vende a energia ao consumidor/produtor a cerca de 0,16 euros por kWh, mas compra a energia injectada na rede a 0,037, ou seja, ganha 0,123 euros. Logo só interessa produzir para autoconsumo.

Mesmo assim, os 1522 kWh originados pelo conjunto de quatro painéis vão ser produzidos maioritariamente no Verão, quando as necessidades energéticas são mínimas. E injectados na rede nos períodos de menor consumo, por exemplo, quando não está ninguém em casa. Portanto é preciso analisar o modo de consumo energético familiar antes de investir.


segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Perceba como funciona o resgate do BES


O BES é dividido em dois, o bom para um lado, o mau para outro. Como está explicado nesta infografia:




O BES bom é recapitalizado com 4,9 mil milhões de euros do Fundo de Resolução, um fundo liderado pelo Banco de Portugal e pelo Ministério das Finanças e sustentado pelas contribuições dos bancos.
Mas este fundo foi criado em 2012 e ainda tem pouco dinheiro. Então o Estado vai emprestar-lhe 4,4 mil milhões de euros e os bancos entram com os restantes 500 milhões.

O BES mau fica com os activos tóxicos e com os actuais accionistas.


quinta-feira, 24 de julho de 2014

O retiro do Grupo Espírito Santo


As ligações entre o Grupo Espírito Santo (GES) e o Banco Espírito Santo (BES) são consubstanciadas pelas participações accionistas das holdings do GES nas empresas do grupo e pelos créditos concedidos pelo banco a essas empresas.

Esta infografia do Negócios é essencial para se perceber a estrutura do GES:




A situação financeira grave da ESI

Em 20 de Maio, o Banco Espírito Santo revelou no prospecto do aumento de capital que a auditoria do Banco de Portugal à Espírito Santo International (ESI) — a holding que controla o GES —, "apurou irregularidades nas suas contas e concluiu que a sociedade apresenta uma situação financeira grave".
Ricardo Salgado abordou o problema em entrevista ao Negócios, publicada a 22 de Maio, revelando que não estavam contabilizadas nas contas da ESI um montante de dívida que, mais tarde, se soube ascender a 1,2 mil milhões de euros.

Por sua vez, a Rioforte — a holding que controla a área não financeira — apresentava, no final de 2013, uma dívida total de 7,3 mil milhões de euros, a maior parte da qual estava financiada através de papel comercial colocado em clientes de retalho e institucionais dos bancos detidos pelo ESFG, incluindo o BES.

O Espírito Santo Financial Group (ESFG) — a holding que controla a área financeira — informou, a 3 de Julho, que a sua exposição total ao Grupo GES era 2,35 mil milhões de euros. O ESFG explicou que o aumento nesta exposição tinha resultado da decisão que tinha sido tomada pelos seus corpos dirigentes de suportar o reembolso do papel comercial do Grupo GES detido por clientes de retalho das suas subsidiárias bancárias.

Pelo contrário, o BES revelava, em 10 de Julho, boas notícias: tinha uma exposição directa de 1,2 mil milhões de euros ao GES e, através dos clientes de retalho, de mais 853 milhões compensados por uma almofada de capital de 2,1 mil milhões de euros.
Apesar disso, o Banco de Portugal pressionou a entrada do novo presidente executivo Vítor Bento a 14 de Julho, ainda antes da apresentação das contas relativas ao primeiro semestre. A justificação desta pressa poderá estar numa notícia comunicada à CMVM, em 23 de Julho, e abordada na imprensa diária:

1. ES BANK (PANAMA) S.A.
A 17 de de Julho de 2014 a ESFG recebeu da sua subsidiária ES Bank (Panama) S.A.(“ESBP”), de que detém 100% do capital, a informação de que naquela data, a Superintendência de Bancos do Panama (SBP), a autoridade supervisora de bancos no Panamá, tinha assumido o controlo do ESBP, demitindo o Conselho de Administração do banco e dando um prazo de 30 dias (com a possibilidade de 30 dias adicionais) para o Banco resolver alguns problemas referentes aos seus clientes directos. O Banco continua a trabalhar com o regulador para conseguir uma solução adequada.

ESI pede gestão controlada

Foi no dia 18 de Julho que começou o recolhimento do GES quando a ESI pediu a gestão controlada no Luxemburgo e avisou a comunicação social através deste longo comunicado de imprensa (negrito meu):

A Espírito Santo International S.A (« ESI ») informa os seus credores que se candidatou ao regime de gestão controlada (gestion contrôlée), nos termos da lei do Luxemburgo.

A ESI constitui a holding de topo do Grupo Espírito Santo e detém 100% da Rio Forte que é responsável pela gestão dos negócios de imobiliário, turismo, agricultura, saúde e energia do Grupo Espírito Santo. Através da Rio Forte, a ESI detém uma participação indirecta (49%) na Espírito Santo Financial Group S.A que gere os interesses do Grupo no sector financeiro, nomeadamente no Banco Espírito Santo em Portugal, Banque Privée Espírito Santo na Suíça e na Tranquilidade.

Actualmente, a ESI não está em condições de cumprir as suas obrigações, devido à maturidade de uma parte significativa da sua dívida.

A ESI acredita que o regime de gestão controlada permitirá defender os interesses dos seus credores de forma transparente e ordenada sob o controlo dos tribunais e respectivos oficiais nomeados (comissaires) permitindo em particular um processo de gestão do valor dos activos para os credores mais adequado do que uma liquidação rápida e massificada.

Uma vez admitida neste regime, todas as acções judicias interpostas pelos credores serão suspensas (excepto certos acordos de garantia financeira válidos), de forma a permitir a implementação de um plano de gestão e liquidação de activos sob o controlo de um tribunal.

Os credores serão informados, em devido tempo e de forma apropriada, sobre os progressos realizados.

A família Espírito Santo perdia o controlo sobre a gestão da ESI mas ganhava tempo para vender activos — a seguradora Tranquilidade, por exemplo — e pagar aos credores.

O Negócios explica os cinco passos para pedir protecção de credores no Luxemburgo:

1. Uma sociedade com sede no Luxemburgo com dificuldade em fazer face aos seus compromissos financeiros pode requerer judicialmente a "gestão controlada" ("gestion contrôlée"), tendo em vista a sua reorganização e a venda dos seus activos de forma adequada. O pedido, a entregar pela gestão da sociedade, tem de ser acompanhado de uma justificação e de uma lista completa com os credores da sociedade.

2. A partir do momento em que é pedida a protecção de uma "gestão controlada", a sociedade fica impedida de "vender, constituir penhores ou hipotecas, emitir ou receber títulos mobiliários, sem autorização escrita do juiz encarregue da avaliação do pedido". Caso contrário, estas decisões serão nulas.

3. Caso o juiz aceite o pedido de protecção de credores, a sociedade passa a ser gerida por gestores judiciais. Além disso, caso determine que a sociedade está numa situação de suspensão de pagamentos, o tribunal pode fixar o momento em que essa situação teve início. A data de início de suspensão de pagamentos pode ser fixada nos seis meses anteriores ao momento em que foi pedida a "gestão controlada".

4. A prioridade dos gestores judiciais será fazer um inventário de todos os bens que ficam sob a "gestão controlada", bem como avaliar os activos e passivos da sociedade. Qualquer alienação, constituição de penhor ou hipotecas de bens, mobiliários ou imobiliários, emprestar ou receber quaisquer valores e fazer pagamentos terá de ser autorizada pela administração nomeada pelo tribunal.

5. Os gestores judiciais terão ainda de apresentar um projecto de reorganização dos negócios do grupo e/ou de venda de activos, tendo em conta a hierarquia dos credores. Estes serão informados sobre o plano apresentado que terá de ser aprovado pelo tribunal. Os credores terão 15 dias para se pronunciar sobre o projecto. O tribunal não poderá aprovar o plano se este não tiver o apoio da maioria dos credores da sociedade. MJG

Rioforte pede gestão controlada

Entretanto soube-se que a Portugal Telecom tinha investido 847 milhões de euros em papel comercial da Rioforte, cuja maturidade foi atingida na terça-feira 15 de Julho, tendo a holding falhado o reembolso.
No dia 22 de Julho a Rioforte, que também está registada no Luxemburgo, pediu gestão controlada ao abrigo da lei luxemburguesa:

A apresentação deste pedido está relacionada com as dificuldades substanciais ocorridas na sociedade que detém 100% do seu capital, a Espírito Santo International S.A. ("ESI") — a qual apresentou um pedido de natureza semelhante no passado dia 18 de Julho.
(...)

A Rioforte não está em condições de cumprir com as obrigações decorrentes de determinadas dívidas, cuja maturidade ocorreu desde 9 de Julho de 2014 e que se venceram após 16 de Julho de 2014.

Um processo de gestão controlada permitirá uma restruturação transparente e ordenada com vista à sustentabilidade financeira a longo prazo e, quando adequada, a negociação organizada dos seus activos, tudo no melhor interesse de todos os seus ‘stakeholders’, em particular os seus credores.

ESFG pede gestão controlada

Hoje, dia 24 de Julho, foi a vez do ESFG, que detém 20,1% do BES, fazer o pedido de protecção de credores divulgado num curto comunicado (negrito meu):

A Espírito Santo Financial Group S.A. apresentou aos Tribunais do Luxemburgo o pedido de gestão controlada (‘Gestion Contrôlée’), da empresa devido ao facto de não estar em condições de cumprir as suas obrigações no âmbito do programa do papel comercial, nem as obrigações relacionadas com as suas dívidas.

A Gestion Contrôlée é possível em situações em que existem perspectivas para os negócios da empresa que se encontra temporariamente em dificuldades e seja incapaz de cumprir as suas obrigações, de modo a permitir a sua reestruturação. Este procedimento deverá facilitar uma alienação faseada dos seus activos servindo melhor os interesses de todos os credores.

A partir do momento da indicação do Juízo até a sua decisão todos os procedimentos ou actos, mesmo os iniciados por credores privilegiados (incluindo credores com garantias e penhoras) são suspensos.

Uma após outra, as holdings do Grupo Espírito Santo foram apresentando o pedido de gestão controlada.

Com o pedido de protecção de credores da holding que controla o BES, o banco deixa de poder contar com os 700 milhões do ESFG para pagar aos clientes de retalho. Agora terá de ser o próprio BES a garantir o reembolso do papel comercial, o que vai aumentar os seus prejuízos.


sexta-feira, 9 de maio de 2014

Moody's sobe rating de Portugal




A agência de notação financeira Moody's elevou a classificação da dívida soberana de Portugal em um nível, de 'Ba3' para 'Ba2'. Colocou também este rating sob revisão para possível subida adicional.

Em 8 de Novembro, a Moody's tinha retirado o outlook 'negativo' para Portugal e hoje não lhe mexeu, mantendo-o em 'estável'. No passado dia 11 de Abril, foi a vez da Fitch elevar a perspectiva do rating de 'negativa' para 'positiva' e a Standard & Poor's anunciou hoje a subida da perspectiva de 'negativa' para 'estável'.

Tendo sido a primeira agência a colocar o rating de Portugal no nível de "lixo", em Junho de 2011, agora é também a primeira a elevar a notação financeira da dívida pública portuguesa.

No relatório, a agência justificou a subida do rating referindo três factores:

  • Melhoria da prestação orçamental e dívida pública numa tendência descendente
A situação orçamental de Portugal tem melhorado mais rapidamente do que o inicialmente previsto e o rácio da dívida pública face ao PIB começará a descer este ano, apesar de ser a partir de um nível muito elevado.
O défice orçamental foi reduzido em um ponto percentual do PIB acima do que estava previsto no ano passado, sinalizando assim o forte empenho do Governo na via da consolidação orçamental.
  • Saída do programa de assistência financeira e regresso aos mercados
O país irá concluir em breve o seu programa de assistência da UE/FMI, sem a necessidade de uma linha de crédito cautelar por parte do Mecanismo Europeu de Estabilidade. Portugal reconquistou o acesso aos mercados da dívida pública e, além do mais, o Governo conseguiu criar uma almofada financeira considerável.
  • Melhoria das perspectivas económicas
A retoma económica em Portugal está a ganhar dinâmica, com sinais de crescimento das exportações, continuando estas a ter um forte desempenho. A Moody’s está convicta de que o crescimento económico será sustentado no médio prazo, porque as autoridades portuguesas implementaram uma vasta gama de reformas estruturais.
Depois da contracção de 1,4% do PIB em 2013, a economia deverá crescer 1,2% este ano e 1,5% em 2015, de acordo com as estimativas da troika com que a Moody's concorda.

A Moody’s também subiu o rating da dívida da Parpública Participações Públicas, igualmente de ‘Ba3’ para ‘Ba2’, tendo iniciado uma revisão para uma possível subida adicional. Isto significa que estas empresas vão conseguir obter empréstimos nos mercados com taxas de juros mais baixas.
A revisão do rating para um possível upgrade reflecte a convicção da Moody’s de que a qualidade do crédito de Portugal pode melhorar ainda mais no curto prazo no caso de a agência concluir que Portugal conseguirá reduzir claramente o seu rácio bastante elevado da dívida pública (actualmente perto dos 130% do PIB), nos próximos anos.
Durante este processo de revisão, a Moody’s avaliará as próximas decisões do Tribunal Constitucional de Portugal no que respeita a medidas-chave do Orçamento do Estado para 2014. A Moody’s considera que estas decisões são importantes, porque as medidas contestadas dizem respeito a itens-chave da despesa do Governo no que toca às pensões e salários da função pública. No entender da Moody’s, alcançar e manter baixos défices orçamentais no médio prazo é difícil sem se tocar nestas áreas-chave da despesa.
Além disso, a agência pretende avaliar o plano orçamental de médio prazo recentemente apresentado pelo Governo e procurará esclarecer-se sobre a possibilidade de poder haver um consenso alargado quanto à necessidade de manter políticas orçamentais rigorosas para lá da actual legislatura.

Entre as três grandes agências de notação financeira, a Fitch é actualmente a que tem o rating soberano mais elevado para Portugal, pois está no primeiro nível de “lixo”. A S&P manteve-o hoje em 'BB', dois níveis abaixo, e a Moody's também tem de subir dois níveis para que a dívida soberana portuguesa deixe de ser considerada investimento especulativo, o chamado junk ou, em português, "lixo”.

Contudo, Kathrin Muehlbronner, vice-presidente da Moody’s, disse à Reuters que, se essa subida adicional de rating se materializar, será apenas um nível, portanto insuficiente para retirar a notação financeira de "lixo". "Para ter um rating no nível de 'investimento de qualidade' temos que assistir a um crescimento mais forte e ter a confiança que tal é sustentável", esclareceu Muehlbronner.


Standard & Poor’s sobe perspectiva de Portugal para 'estável'

Recorde-se que, na sequência da crise política iniciada com a demissão “irrevogável” de Paulo Portas, em Julho do ano passado, a S&P tinha baixado a perspectiva de Portugal para 'negativa'.

No relatório hoje divulgado, a S&P justifica a sua decisão de melhorar a perspectiva para 'estável' devido
  • ao desempenho orçamental de Portugal que superou as expectativas;
  • ao desempenho de Portugal no âmbito do programa de ajustamento da troika, acrescentando que o mercado laboral e a economia do País estão a recuperar mais depressa do que se esperava;
  • ao panorama económico de Portugal, que melhorou claramente, prevendo que o PIB deverá crescer em média 1,4% durante 2014 e 2015.

No entanto, deixa advertências, chamando a atenção para o facto de as necessidades financeiras para os próximos anos serem bastante elevadas. Além disso, a dívida bruta pública, actualmente em 129% do PIB, poderá também tornar-se insustentável se o País perder a sua dinâmica de crescimento:
Dados do banco central Português, o Banco de Portugal, indicam que a dívida bruta pública e do sector privado não financeiro ainda estava num muito alto 445% do PIB no final do ano de 2013, uma queda de apenas 0,5% face ao ano anterior e ainda 22% acima dos níveis anteriores à crise de 2008. Consideramos esta dívida como muito alta, especialmente tendo em conta a contracção contínua do crédito de Portugal e a inflação negativa actual.
Apesar da recente recuperação do mercado de trabalho, espera-se que o rácio do emprego como percentagem da população residente permanecerá deprimido a cerca de 43% para os próximos três anos, em comparação com mais de 49% em 2007-2008. Pensamos que a baixa taxa de emprego — a par com um perfil demográfico desfavorável — poderá restringir o potencial de crescimento da economia no médio a longo prazo.

Esta é a primeira actualização de rating da S&P para Portugal desde que o Governo decidiu não renovar o contrato com esta agência, passando as notações financeiras da agência a serem “não solicitadas”.

Segundo o calendário apresentado pelas agências, no cumprimento das novas directrizes da Comissão Europeia, a Moody's irá pronunciar-se de novo a 5 de Setembro, a Fitch a 10 de Outubro e a Standard & Poor's a 7 de Novembro. As agências não são, porém, obrigadas a apresentar relatório. Foi o que aconteceu com a Moody's que no dia 10 de Janeiro, a primeira data agendada para este ano, preferiu não se pronunciar.



quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Quatro anos de austeridade: quem pagou?


Nesta infografia o Negócios analisa as medidas de austeridade de 2011 a 2014.






No domínio das receitas, a contribuição extraordinária sobre o sector energético e o aumento da contribuição sobre o sector bancário são ridiculamente insignificantes.

Quer no domínio das despesas, quer no das receitas, quem está a pagar a austeridade são as famílias.


quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Saiba qual é o poder de compra do seu concelho


Baseada nos dados publicados há duas semanas pelo INE, esta infografia do Negócios mostra como se distribuía a riqueza em Portugal, em 2011. Mais escuro no litoral, mais claro no interior, ou seja, um País mais rico no litoral e mais pobre no interior.

Mais de metade do poder de compra dos 308 municípios portugueses estava concentrado nos 35 concelhos das áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto: 52% do poder de compra nacional para 44% da população.





O Indicador per Capita é o poder de compra per capita, ou seja, o poder de compra do município dividido pelo seu número de habitantes. Fez-se corresponder a média nacional a 100.

Nas dez primeiras posições do ranking do Indicador per Capita temos Lisboa, Oeiras, Porto, Sines, Faro, Cascais, Coimbra, São João da Madeira, Aveiro e Matosinhos.
Celorico de Basto, no distrito de Braga, é o município mais pobre. Igualmente pobres, mas acima estão Cinfães (Viseu), Ribeira da Pena (Vila Real), Tabuaço (Viseu), Vinhais (Bragança), Baião (Porto), Boticas (Vila Real), Ponta do Sol, Porto Moniz e Câmara de Lobos, os três na região autónoma da Madeira.

A Percentagem de Poder de Compra indica a percentagem do poder de compra total do País que está concentrado no município.
Por exemplo, Oeiras é um município que concentra 3,2% do poder de compra do País, Porto quase 3,6%, Sintra mais de 3,6% e Lisboa com 11% tem a fatia do leão.


segunda-feira, 7 de outubro de 2013

37 anos de democracia local


Nesta infografia o Negócios mostra pormenorizamente os resultados de todas as eleições autárquicas da 3ª República:





sexta-feira, 27 de setembro de 2013

33 anos de democracia local


Nestas infografias o Negócios analisa pormenorizamente os resultados de todas as eleições autárquicas da 3ª República.





Depois da queda do muro de Berlim e do fim dos regimes socialistas na Europa de Leste em 1989, a CDU vê reduzir a sua votação para metade.
A partir de 1997 o CDS sai do panorama autárquico e passa a sobreviver em coligações.
PSD e PS têm a hegemonia e o País fica bipolarizado.

Os eleitores não escolhem os governantes locais no respeito pelo princípio do mérito. De 1989 em diante, o eleitorado passa a usar as eleições autárquicas simplesmente para bater no partido do governo, dando a vitória ao maior partido da oposição:





sábado, 17 de agosto de 2013

O seu município é um dos 40 do país que devolve IRS a moradores?


Com a campanha para as eleições autárquicas prestes a arrancar, os eleitores têm de começar a preparar as perguntas com que irão confrontar os políticos caçadores de votos.

Uma das questões pode ser: Porquê este município não devolve IRS aos residentes?

Para rebater a argumentação de autarcas vitalícios e dissipadores do erário público, convém ao leitor estudar esta infografia do Negócios:





sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Saiba quantas freguesias perde cada concelho


O projecto de Lei Reorganização Administrativa do Território das Freguesias, aprovado esta sexta-feira no Parlamento, determina uma redução de 1176 freguesias.
A seguinte infografia do Negócios mostra quantas freguesias vai perder cada concelho:





A maior redução do número de freguesias ocorreu nos distritos de Lisboa e Porto.

Se o leitor desejar conhecer quais as freguesias que serão agregadas no concelho onde nasceu, ou reside, poderá consultar o anexo I do projecto de lei: na coluna A encontra as freguesias agregadas, na coluna D são identificadas todas as freguesias que resultam da aplicação da lei e na coluna E figura a sede.