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segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Um fantoche no ministério da Educação


Merece reflexão este artigo publicado no Observador sobre a eliminação dos exames no final do 1º ciclo que transcrevemos com a devida vénia:


"Afinal, quem manda na Educação?

Alexandre Homem Cristo ✉ Email
30/11/2015, 7:17

Já não há exame do 4.º ano: o PS aprovou a precipitação e escolheu a cedência ao PCP e ao BE, satisfazendo reivindicações sindicais e tornando irrelevantes tanto o seu programa como o seu ministro.

Não houve debate. Não houve discussão pública. Não houve período de transição. Não houve demoras — nem se esperou que o novo ministro se ajeitasse na cadeira da 5 de Outubro. Por iniciativa do PCP e do BE, no primeiro dia do governo de António Costa, o parlamento aprovou a eliminação do exame do 4.º ano. E o mais curioso é que ninguém estranhou. Afinal, são eles, PCP e BE, quem define o rumo político quando se trata, como é o caso, de uma questão que não consta das “posições conjuntas” que o PS assinou? O que fez o PS da sua promessa eleitoral, agora inserida no Programa do XXI Governo (p. 105), de “reavaliar a realização de exames nos primeiros anos de escolaridade” — já reavaliou ou reavaliaram por si? E o que pensa o ministro sobre este tema?

Recorde-se que, quando Nuno Crato introduziu os exames no 4.º ano, o país dedicou horas a escrutinar a decisão e ainda mais horas mergulhado em comparações internacionais. Agora que é para os eliminar, não se consulta ninguém, não se executa um balanço dos seus efeitos, não há um minuto de debate público, não se admite uma observação, não se anuncia uma política integrada para a educação na qual encaixe essa eliminação. O PCP e o BE resolveram, o PS acenou, a Fenprof aplaudiu. Não há, portanto, outra interpretação possível: o PS aprovou a precipitação e escolheu a cedência ao PCP e ao BE, satisfazendo reivindicações sindicais e tornando irrelevantes tanto o seu programa como o seu ministro. Vai ser sempre assim?

A pergunta não é de pormenor, até porque a hierarquia política é apenas metade do problema. A outra metade está no perigo de tomar decisões sobre aspectos estruturais do sistema educativo — sector para ao qual se está sempre a pedir mais consensos e cautelas, e menos reformas e mexidas — em cima do joelho, sem ponderar consequências ou estudar alternativas. É que, nos moldes excessivos em que foi tomada, sem garantir um mecanismo de aferição e monitorização dos desempenhos escolares no 1.º ciclo, a eliminação dos exames do 4.º ano é um erro.

Há boas razões para defender a manutenção dos exames, assim como há boas razões para pretender a sua eliminação. Mas uma coisa é acabar com exames cujas notas têm influência na avaliação final e no percurso dos alunos. E outra coisa (inaceitável) é deixar um vazio de avaliação externa que impeça a monitorização das aprendizagens no 1.º ciclo, esquivando-se a substituir esses exames por provas de aferição — que não contam para a avaliação final, mas que servem para acompanhar a evolução dos alunos. Alguém sabe qual é o plano? Alguém percebe o que fica no lugar dos exames eliminados? Não se sabe, não se percebe.

Ora, é uma irresponsabilidade governar nestes termos, porque é impossível levar a cabo políticas públicas de educação sem monitorização dos resultados escolares — leia-se, sem a existência de uma avaliação externa (com ou sem impacto na nota final dos alunos). Gostem ou não PCP/BE disso. Porque é esse tipo de monitorização que permite avaliações internacionais (como o PISA da OCDE), que diagnostica as dificuldades de aprendizagem dos alunos a tempo de as corrigir, que possibilita o aperfeiçoamento das metodologias e do currículo, que facilita o apoio das escolas e dos professores aos alunos. Ou seja, a avaliação externa é um instrumento imprescindível para o sucesso escolar e para a promoção de igualdade, protegendo os alunos que mais precisam da escola para ultrapassar barreiras sociais e económicas. E, sem essa avaliação externa, a governação na educação converte-se numa navegação às cegas.

O PS sabe tudo isto. Ou, pelo menos, sabia-o nos tempos de Maria de Lurdes Rodrigues. Esperemos que não o tenha esquecido e que alguém emende o rumo. Mas os factos são o que são e, entre cedências perigosas, irrelevâncias políticas e precipitações desastradas, a legislatura começa mal na educação. Sobretudo porque, na sua base, arranca com uma incerteza inquietante: afinal, quem manda na educação?"


*


Afinal, quem manda na educação? O polvo PCP e o seu tentáculo na educação — a Fenprof. O ministro é apenas o fantoche de serviço no último piso do edifício da avenida 5 de Outubro.
O que é espantoso é que um investigador com espírito de iniciativa, como demonstra nesta entrevista, e um currículo nada despiciendo se disponibilize para assinar de cruz o que outros estão a decidir por ele.

Outras opiniões:

ana rebelo
30 Nov 2015
Perfeito, nem mais. Quem manda na educação vão ser estes comunas e a fenprof. O menino Tiago é apenas decorativo.
É uma gente que não quer ser avaliada, ponto. Um escândalo como as coisas se passaram!

José Mendes
30 Nov 2015
O fim do exame da 4ª classe já foi amplissimamente(?) debatido quando há muitas dezenas de anos deixou de ser a graduação oficial dos portugueses.
Estamos muito longe dessa longínqua época da iliteracia oficial que se dava por satisfeita com o “ler, escrever e contar”.
Crato revoltado com a sua própria revolta, arrependido de ter estado do lado do fim do país do “povo na sua tranquilizante ignorância e nós, muito acima na altivez do bacharelato” ou por revivalismo patético tirou do baú o bolorento exame da 4ª classe.
Pela terceira vez se fez o debate nacional e por três vezes se concluiu pela aberração da medida.
Acabou, uma vez mais, essa bandeira e barreira, esse muro do atraso que protege uns poucos da concorrência dos que não são filhos de Algo.
Em boa verdade Crato nunca conseguiu repor o que o tranquilo movimento da terra já derrubou há muito. Decretou e ninguém respeitou. A estupidez não é respeitável nem por decreto.
  • Cristina Duarte
    30 Nov 2015
    Comparar estas provas com o exame da 4ª classe de antigamente é pura demagogia!
  • Marisa Pinheiro
    30 Nov 2015
    A velhice merece todo o respeito mas não o paternalismo da compaixão. Mas para isso somos nós, os velhos, quem nos devemos dar ao respeito e ter orgulho em não provocar a compaixão.
    E depois de o ler, duas ou três vezes, sente-se que o senhor Mendes esmola a compaixão. Vem sempre com o passado, com aquilo que vulgarmente nos acusam de dizer: no meu tempo, assim e assado.
    É completamente ridículo e digno de compaixão vir invocar o exame da quarta que eu fiz, em 1954, com uma grande professora que me propôs para o exame de admissão, nesta análise. Todas as raparigas da minha aldeia, mesmo as que se levantavam às cinco para irem dar de comer ao gado, andaram na escola comigo.
    Agora numa discussão que se centra sobre se o modo de avaliação, absolutamente necessário para recolha informativa sobre a bondade dos modelos implementados, vir invocar “esse muro do atraso que protege uns poucos da concorrência dos que não são filhos de Algo” é doentio e merece compaixão, não contra-opinião.


segunda-feira, 13 de julho de 2015

Os resultados dos exames nacionais 2015


Os quadros seguintes apresentam as classificações médias obtidas nos exames nacionais de 2015 e foram elaborados a partir da informação divulgada pelo Júri Nacional de Exames.
Remetemos os encarregados de educação que desejam conhecer os resultados dos seus educandos para o sítio na Internet do respectivo agrupamento de escolas/escola não agrupada.

Começamos pelos resultados dos exames do Ensino Básico 3º ciclo divulgados em 9 de Julho:




O quadro seguinte foi elaborado a partir dos resultados dos exames do Ensino Secundário divulgados hoje:




O leitor pode seleccionar, neste calendário, a disciplina e a data para obter os enunciados e os critérios de classificação dos exames nacionais de 2015.

O Júri Nacional de Exames (JNE) divulgou também dois estudos sobre a distribuição das classificações dos exames:


Os quadros acima apresentam as classificações médias dos exames realizados pelos alunos internos, ou seja, os que frequentam as aulas durante o ano lectivo inteiro e obtêm aproveitamento para ir a exame, mas também as suas classificações médias de frequência.
Há alguns alunos que anulam a matrícula por terem baixo aproveitamento, ou frequentam cursos profissionais, ou estudam por sua conta e risco. Todos estes alunos são externos ao sistema de ensino e autopropõem-se a exame.
O estudo divulgado para o ensino secundário permite comparar os resultados dos examinandos internos e externos em 2013, 2014 e 2015.

Do comunicado do IAVE de 9 de Julho, destacamos as seguintes informações:
À semelhança do que se verificou no caso das provas finais do 1.º e do 2.º CEB de 2015, as classificações médias das provas finais do 3.º CEB mantêm-se estáveis quando comparadas com os resultados de anos anteriores e sem variações com relevância assinalável.
Tendo como referência os resultados de 2014, a maior variação é de cinco pontos percentuais (numa escala de 0 a 100%) e, se se considerar o período compreendido entre 2010 e 2015, não ultrapassa 10 pontos percentuais: na disciplina de Português, as classificações médias foram 57% em 2010, 51% em 2011, 54% em 2012, 49% em 2013 e 56% em 2014; na disciplina de Matemática, as classificações médias foram 51% em 2010, 44% em 2011, 54% em 2012, 44% em 2013 e 53% em 2014.
(...)
Quando considerados os resultados por domínio nas disciplinas de Português e de Matemática, também não se verificam oscilações estatisticamente relevantes em relação aos resultados das provas de 2014. Apresentam-se seguidamente os valores da classificação média em relação à cotação por domínio.

Português — Leitura: 70% (63% em 2014); Educação Literária: 52% (53% em 2014); Gramática: 42% (51% em 2014); Escrita: 67% (62% em 2014).

Matemática — Números e Operações: 55% (51% em 2014); Geometria: 42% (44% em 2014), Álgebra: 49% (55% em 2014); Organização e Tratamento de Dados: 67% (73% em 2014).

O comunicado do Ministério da Educação e Ciência dá algumas estatísticas relativas à logística:
No processo de classificação das provas finais do 3.º ciclo estiveram envolvidos 4557 professores classificadores do 3.º ciclo do ensino básico, cujo empenhado trabalho foi fundamental para um rigoroso cumprimento dos prazos previstos para afixação das pautas. Na totalidade das provas finais do 3.º ciclo do ensino básico estiveram ainda envolvidos cerca de 10 000 docentes vigilantes e pertencentes aos secretariados de exames das escolas, cujo papel e desempenho foi fundamental para que a 1.ª fase tenha decorrido sem problemas de maior.

As provas finais do 3.º Ciclo do Ensino Básico de 2015 foram realizadas em 1279 escolas localizadas em Portugal Continental, nas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira e nas escolas no estrangeiro com currículo português.

O MEC salienta que as provas de avaliação externa têm como principal objetivo orientar alunos e professores no seu trabalho e, simultaneamente, as escolas, o IAVE e o MEC. A todos cabe uma reflexão, uma análise e uma resposta não precipitada, que conduza a melhorar o ensino destas importantes disciplinas e os seus resultados.

Do comunicado do IAVE sobre os resultados do Ensino Secundário, destacamos as seguintes informações:
Os resultados dos exames finais nacionais de 2015, tendo por referência o universo dos alunos internos, revelam um quadro de relativa estabilidade na generalidade das disciplinas.

Considerando a natureza pública das provas e a interferência que este fator exerce na sua conceção e na variação anual dos resultados, qualquer análise deve ter em conta uma série temporal mais longa, que permita uma comparação de resultados de 5 ou mais anos.

Não obstante a estabilidade dos programas, é de salientar que, por um lado, nas disciplinas trianuais (12.º ano), 2015 é o primeiro ano em que os conteúdos do 10.º ano integram obrigatoriamente o objeto em avaliação, fator que pode explicar as oscilações de maior amplitude nos resultados observados entre 2014 e 2015. Por outro, a conceptualização das provas, tendo em conta o carácter público dos itens, não pode permanecer cristalizada nos mesmos conteúdos e capacidades, sob pena de excluir, da avaliação externa, partes significativas do currículo. As provas são objeto de consultorias e de auditorias de especialidade, quer por professores do ensino secundário, quer por professores do ensino superior, bem como de parecer prévio pelas entidades representadas no Conselho Científico. No geral, as provas foram consideradas adequadas, tanto no que respeita à sua relação com os documentos curriculares, como em relação ao público-alvo.
(...)
Uma nota especial para os resultados das disciplinas de Matemática A e de Biologia e Geologia.

No caso da Matemática A, a introdução, pela primeira vez, de conteúdos do 10.º ano é um fator que explica parcialmente a evolução positiva dos resultados, quando comparados com 2014. Adicionalmente, a conceção das provas de 2015 teve em conta diversos pareceres de especialistas, que incluem as entidades com assento no Conselho Científico, que consideraram que o peso que tinha vindo a ser atribuído ao cálculo era excessivo, que a prova deveria conter pelo menos um item de modelação matemática e mobilizar capacidades relacionadas com o conhecimento de conceitos e procedimentos, como já acontecera em diversas provas de anos anteriores. Foi nestes itens (itens 1. a 4. do Grupo I) que se observou uma melhoria considerável dos resultados.

No que respeita à prova de Biologia e Geologia, cuja conceção é em tudo semelhante às provas de 2013 e 2014, verificou-se que os alunos não dominam conteúdos curriculares essenciais que foram avaliados em itens que apelavam sobretudo ao conhecimento e à compreensão simples de conceitos e cujos resultados ficaram aquém do que seria expectável. São exemplos de itens com um resultado inferior ao expectável, tendo por referência provas de anos anteriores, os itens 4., 5. e 7. do Grupo IV.

O comunicado do Ministério da Educação e Ciência relativo ao Ensino Secundário acrescenta algumas estatísticas:
Os exames finais nacionais do ensino secundário foram realizados em 649 escolas em Portugal continental e nas regiões autónomas dos Açores e da Madeira, bem como nas escolas no estrangeiro com currículo português. Na 1.ª fase, obrigatória para todos os alunos, foram registadas 344 017 inscrições, tendo sido realizadas 319 409 provas, o que corresponde a cerca de 93% das inscrições.
(...)
Nesta 1.ª fase dos exames finais nacionais, 7289 docentes pertencentes à bolsa de professores classificadores do ensino secundário e 10 000 docentes vigilantes contribuíram para este processo de avaliação externa.

As classificações obtidas na 1.ª fase evidenciam, na generalidade, uma melhoria relativamente ao ano anterior.

Analisando os dados relativos aos alunos internos, verifica-se uma média das classificações inferior a 9,5 valores apenas na prova de Biologia e Geologia (702), com 8,9 valores. Registou-se uma melhoria superior a meio valor na classificação média de exame dos alunos internos em nove das 22 disciplinas. Em seis das 22 disciplinas, a média das classificações reduziu mais de meio valor.

Tendo em consideração as disciplinas com um maior número de alunos internos, destaca-se a subida da classificação média nas disciplinas de Matemática A (635) (2,8 valores), Matemática Aplicada às Ciências Sociais (835) (2,3 valores) e Economia A (712) (1,1 valores) e a descida da classificação média na disciplina de Biologia e Geologia (702) (2,1 valores).

Com exceção das disciplinas de Alemão (501) e Inglês (550), com maioria de alunos autopropostos, os alunos internos obtêm classificações mais elevadas do que as alcançadas por aqueles, à semelhança dos anos anteriores. As diferenças mais significativas, entre os resultados dos alunos internos e dos autopropostos, observam-se nas disciplinas de Geometria Descritiva A (708) e de Matemática A (635), com 4,7 e 5,2 valores de diferença, respetivamente. Pelo contrário, verifica-se nas disciplinas de Física e Química A (715) e de Biologia e Geologia (702) a diferença mais baixa entre os resultados dos alunos internos e dos autopropostos, com 1,3 valores.
(...)
O Ministério da Educação e Ciência (MEC) salienta a importância dos exames serem um referencial no processo de avaliação dos alunos, devendo manter-se com um grau de exigência global semelhante ao longo dos anos. Foi exatamente isso que foi indicado na carta pública de solicitação enviada pelo MEC ao Instituto de Avaliação Educativa (IAVE), a entidade independente responsável pela elaboração das provas. Terminada a 1.ª fase de exames e conhecidos os resultados dos alunos, será necessário que o IAVE e organismos responsáveis do MEC tornem a proceder a uma análise pormenorizada das provas e resultados, tendo em vista avaliar em que grau se tem atingido, ou não, o objetivo preconizado.



segunda-feira, 14 de julho de 2014

Os resultados dos exames nacionais 2014


Actualização: resultados de 2015 aqui.

*

Os quadros seguintes apresentam as médias obtidas nos exames nacionais de 2014, bem como do ano anterior, e foram elaborados a partir da informação divulgada pelo Júri Nacional de Exames.
Remetemos os encarregados de educação que desejam conhecer os resultados dos seus educandos para o sítio na Internet do respectivo agrupamento de escolas/escola não agrupada.

Começamos pelos resultados dos exames nacionais do Ensino Básico - 3º ciclo, hoje divulgados pelo Júri Nacional de Exames (JNE):




O quadro seguinte foi elaborado a partir dos resultados dos exames do Ensino Secundário - 1ª Fase divulgados em 11 de Julho:



O leitor pode consultar os enunciados e os critérios de classificação dos exames nacionais de 2014 aqui.

O Júri Nacional de Exames (JNE) divulgou também dois estudos sobre a distribuição das classificações dos exames:

Aqueles quadros apresentam as classificações médias dos exames realizados pelos alunos internos, ou seja, os que frequentam as aulas durante o ano lectivo inteiro e obtêm aproveitamento para ir a exame.
Mas há alguns alunos que anulam a matrícula por terem baixo aproveitamento, ou frequentam cursos profissionais, ou estudam por sua conta e risco. Todos estes alunos são externos ao sistema de ensino e autopropõem-se a exame. Este facto aumenta a importância dos estudos divulgados para o ensino secundário porque podemos comparar os resultados dos examinandos internos e externos.

Do comunicado de hoje do Ministério da Educação e Ciência, ainda destacamos as seguintes informações:
Na 1.ª chamada das provas finais do 3.º ciclo de 2014, a qual é obrigatória para todos os alunos, foram realizadas 195 596 provas, referentes às disciplinas de Português (91), de Matemática (92) e de Português Língua Não Materna (93 e 94). Salienta-se uma diminuição significativa da taxa de reprovação das disciplinas de Português e de Matemática em, respetivamente, 3 e 4 pontos percentuais, relativamente ao ano transacto.

A média das classificações da 1.ª chamada das provas finais de ciclo dos alunos internos é, na disciplina de Português, de 56% (desvio padrão de 16) e, na disciplina de Matemática, de 53% (desvio padrão de 23), sendo ambos os resultados superiores ao ponto de corte de aprovação dos 50%.

Em termos gerais, estas classificações evidenciam uma subida significativa em comparação com os resultados do ano anterior, observando-se uma variação de 7 e 9 pontos percentuais, respetivamente, nas provas de Português (91) e de Matemática (92).

Na prova de Português (91), observou-se que 69% dos alunos obtiveram uma classificação igual ou superior a 50%, sendo que 53% dos alunos obtiveram classificação igual ou superior a 50% na prova de Matemática (92).

No processo de classificação das provas finais do 3.º ciclo estiveram envolvidos 5154 professores classificadores do 3.º ciclo do ensino básico, cujo trabalho contribuiu para o cumprimento dos prazos previstos para a afixação das pautas.

Na totalidade das provas finais do 3.º ciclo do ensino básico estiveram ainda envolvidos cerca de 10 000 docentes vigilantes e pertencentes aos secretariados de exames das escolas, cujo papel e desempenho foi fundamental para que a 1.ª chamada tenha decorrido sem problemas de maior e um baixo número de ocorrências graves.

As provas finais do 3.º ciclo foram realizadas em 1259 escolas localizadas em Portugal continental, nas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, e nas escolas no estrangeiro com currículo português.

Do comunicado de 11 de Julho do Ministério da Educação e Ciência, destacámos as seguintes informações:
Os exames finais nacionais do ensino secundário foram realizados em 644 escolas em Portugal Continental e nas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, bem como nas escolas no estrangeiro com currículo português.

Nesta 1.ª fase dos exames finais nacionais, obrigatória para todos os alunos, foram registadas 350 543 inscrições, tendo sido realizadas 321 955 provas, o que corresponde a cerca de 92% das inscrições.

Entre as 23 disciplinas sujeitas a exame nacional, a que registou um maior número de provas realizadas foi a de Português (639), com 70 953 provas, logo seguida pela de Biologia e Geologia (702), com 51 953 provas e de Física e Química A (635), com 50 863 provas.

No processo de classificação das provas estiveram envolvidos cerca de 7000 docentes pertencentes à Bolsa de Professores Classificadores do ensino secundário, cujo esforço e profissionalismo permitiram o cumprimento dos prazos previstos para a afixação das pautas. Na totalidade das provas dos exames nacionais do ensino secundário estiveram ainda envolvidos cerca de 10 000 docentes vigilantes e pertencentes aos secretariados de exames das escolas, cujo papel e desempenho foi determinante para que esta 1.ª fase tenha decorrido sem problemas relevantes e com um baixo número de ocorrências graves.

As classificações da 1.ª Fase dos exames finais nacionais evidenciam, na generalidade, uma melhoria relativamente aos anos anteriores.

Relativamente aos alunos internos podemos referir que se verificam médias das classificações inferiores a 95 pontos em três disciplinas, Física e Química A (715), Matemática A (635) e Matemática B (735), com 92 pontos, no caso das duas primeiras, e 93 pontos no caso da última.

Globalmente registou-se um aumento da classificação média em treze disciplinas e uma redução nas restantes. Tendo em consideração as disciplinas com um número de alunos internos superior a 2500, aquelas em que é possível estabelecer comparações estatisticamente mais significativas, destaca-se:

  • A subida da classificação média nas disciplinas de Biologia e Geologia (702) (26 pontos), Português A (18 pontos), Física e Química A (715) (11 pontos) e Geografia (719) (11 pontos).
  • A diminuição da classificação média nas disciplinas de Economia A (712) (9 pontos), História e Cultura das Artes (724) (7 pontos), História A (623) (7 pontos) e Matemática A (635) (5 pontos).

Com exceção da disciplina de Alemão (501), os alunos internos obtêm classificações mais elevadas do que as alcançadas pelos alunos autopropostos, à semelhança dos anos anteriores. As diferenças mais significativas observam-se nas disciplinas de Geometria Descritiva A (708) e de Matemática A (635), respetivamente com 45 e 44 pontos. Pelo contrário, verifica-se nas disciplinas de Física e Química A (715) e de Biologia e Geologia (702) a diferença mais baixa entre os resultados dos alunos internos e dos autopropostos, respetivamente com 9 e 6 pontos, situação justificada pelo facto de nestas disciplinas a percentagem de alunos que realizam o exame para melhoria de classificação ser habitualmente muito elevado, contribuindo para uma melhoria dos resultados globais dos alunos autopropostos.

Quanto à percentagem de provas com classificação superior ou igual a 95 pontos, destacamos as disciplinas de Geografia A (719), Português (639) e Biologia e Geologia (702) com, respetivamente, 67,5%, 67% e 62% de provas com classificação acima de 95 pontos. Em contrapartida, às disciplinas de Matemática A (635), Física e Química A (715) e Economia A (712), observam-se os números mais baixos de classificações inferiores a 95 pontos com, respetivamente, 35%, 41% e 47% das provas.

Relativamente às taxas de reprovação pode salientar-se a diminuição significativa da taxa de reprovação das disciplinas de Biologia e Geologia (702) e de Física e Química A (715) em, respetivamente, 8 e 5 pontos percentuais. Em contrapartida, observa-se um aumento desta taxa de, respetivamente, 4 e 3 pontos percentuais nas disciplinas de História A (623) e de Economia A (712).

Actualização

Decidiu também o Instituto de Avaliação Educativa (IAVE) divulgar um comunicado sobre Resultados dos Exames Nacionais Ensino Secundário 2014 − 1.ª Fase, onde realça, a respeito da média da disciplina Matemática A, as profundas diferenças entre o grupo de alunos internos e o grupo de autopropostos:
(...)
Considera-se também relevante desmistificar o quadro de alarme social criado em torno da chamada «quebra histórica dos resultados na disciplina de Matemática A». Este cenário, aliás já observado em 2013, em torno de uma alegada quebra acentuada nos resultados, situação que a análise factual dos mesmos se encarregou de desmentir, é, em 2014, também completamente desprovido de qualquer relação com a realidade.

Como atrás referido, na disciplina de Matemática A observou-se uma descida de 5 pontos (0,5 valores em 20). Variações desta amplitude são estatisticamente irrelevantes e sem qualquer significado, ou seja, nem permitem inferir a existência de uma prova com acrescido grau de dificuldade, de uma prova mal concebida, sem validade de conteúdo ou, muito menos, uma qualquer regressão na capacidade global dos alunos avaliados, por comparação com anos anteriores.

No entanto, muito desse «alarme» foi alicerçado na divulgação de uma média total de 7,8 valores. Este indicador, que resulta do cálculo da média dos resultados do total de alunos, internos e autopropostos, revela-se inadequado para caracterizar o desempenho da população de alunos em análise, pelo que a sua divulgação é desprovida de sentido. Os alunos internos são os que completaram o seu percurso escolar regular, frequentaram as aulas até ao final do ano letivo e obtiveram uma classificação final que legitimou a sua presença no exame: ou seja, tiveram o aval dos respetivos professores para a realização do exame final. Os alunos autopropostos, ou a sua larga maioria, a avaliar pelos resultados, são os que, antecipando a sua reprovação em sede de avaliação interna, optam por anular a matrícula: ou seja, muito provavelmente, não teriam, no final do ano letivo, o aval dos seus professores para a realização do exame.

Os números falam por si: a média dos alunos internos foi 92 pontos; a dos alunos autopropostos não foi além de 48 pontos. Esta situação, com maior ou menor amplitude na diferença de resultados, é transversal à totalidade das disciplinas com mais de 2500 alunos internos sujeitos a exame nacional e é recorrente de ano para ano.
(...)


quarta-feira, 21 de maio de 2014

Começou a época de exames de 2014 — Matemática 4º e 6º anos


Actualização em 12 de Junho
Resultados provisórios aqui. Os alunos que não obtenham aprovação final numa ou em ambas as disciplinas podem ter um acompanhamento extraordinário até 4 de Julho e repetir as provas em 9 e 14 de Julho para Português e Matemática, respectivamente.

*

Hoje os alunos dos 4º e 6º anos do ensino básico fizeram as provas de Matemática, tendo considerado os exames fáceis:

21 Mai, 2014, 13:32

Além dos professores e dos pais, os alunos da Escola Básica de Mafra (posição 298 do ranking das escolas 2013) tiveram também o ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, à espera deles no final do exame:

21 Mai, 2014, 20:29


A prova nacional de Matemática do 4º ano – Matemática 42 – decorreu da parte da manhã, em dois momentos distintos.
No primeiro caderno, os alunos encontraram 13 questões sobre
  • a simetria de reflexão, a relação de ordem crescente, o sentido da rotação, a noção de múltiplo de um número, as relações de igualdade e de ordem, usando a operação adição;
  • a noção de número fraccionário, a planificação de sólidos geométricos, a representação de números fraccionários por pontos de uma recta, a operação multiplicação com uso de unidades de medida de capacidade;
  • a interpretação de um pictograma com cálculo mental de um quociente por 10, a noção de divisor de um número, o cálculo da área de uma figura plana, usando a noção de área do rectângulo e a operação subtracção, e um problema final envolvendo a noção de multiplicação como uma soma de parcelas iguais,
todas muito fáceis, com 3 de escolha múltipla. Valia 50% da pontuação.
O segundo caderno do exame tinha 11 perguntas sobre
  • a noção de sequência, um problema envolvendo as operações multiplicação, subtracção e divisão, a noção de multiplicação de um número natural por um número fraccionário, a noção de paralelismo;
  • o algoritmo da subtracção, a noção de operação divisão e seu algoritmo, unidades de tempo, um problema envolvendo a noção de números pares e ímpares e as operações adição e multiplicação;
  • as noções de triângulo e lados geometricamente iguais de um triângulo, a interpretação de um gráfico de barras, usando a noção de moda, e um problema final envolvendo as operações adição e subtracção e unidades de medida de comprimento,
todas fáceis, com 2 de escolha múltipla.

Se o leitor estiver interessado em conhecer as respostas, vai encontrá-las nos critérios de classificação que também dão orientações sobre a correcção das provas.

A prova nacional de Matemática do 6º ano – Matemática 62 –, que decorreu da parte da tarde, teve uma estrutura semelhante.
No primeiro caderno, onde era permitido o uso da calculadora, os alunos tinham de responder a 5 questões sobre
  • a noção de média, a adição de números fraccionários representados por fracções, usando as noções de mínimo múltiplo comum e de fracções equivalentes;
  • o cálculo do volume de uma peça formada por um cubo e um cilindro, usando a noção de valor aproximado às unidades no resultado, o cálculo da área da figura plana complementar ao círculo inscrito num rectângulo, usando a noção de valor aproximado às décimas no resultado, e um problema final envolvendo a noção de divisão e um cálculo de acréscimo de preço, usando uma percentagem,
questões de dificuldade mediana. Valia 31% da pontuação.
O segundo caderno do exame tinha 19 perguntas sobre
  • a representação de números fraccionários numa recta, usando a noção de origem e de fracções equivalentes, a simetria de rotação, o cálculo mental de produtos e quocientes de números racionais representados por dízimas, as noções de sequência e de perímetro;
  • um problema envolvendo a noção de múltiplo, os critérios de divisibilidade por 2, 3 e 5 e ainda a decomposição de um número em factores primos, o cálculo de uma expressão numérica com números racionais representados por fracções, usando a noção de fracção irredutível no resultado, a noção de polígono;
  • a relação de ordem num conjunto de números racionais representados por dízimas, a noção de inverso de um número, um problema envolvendo a noção de medida de uma área e a relação entre as áreas do triângulo e do paralelogramo, um problema envolvendo a adição de números racionais representados por fracções e a relação de ordem;
  • o quociente de potências com a mesma base, um problema de proporcionalidade directa, usando a noção de escala, a construção de um triângulo, usando régua graduada e transferidor, a construção de um diagrama de caule-e-folhas, com cálculo de uma frequência relativa;
  • a classificação de um triângulo quanto aos lados, sabendo que a ângulos iguais se opõem lados iguais, um problema envolvendo multiplicações e uma subtracção de números racionais representados por dízimas, um problema envolvendo a planificação de um prisma, com cálculo do número de vértices, e um problema final envolvendo a decomposição da fronteira de um rectângulo que contém outro, usando a noção de perímetro,
questões fáceis ou de dificuldade mediana, com 6 de escolha múltipla. Valia 69% da pontuação.

Para a prova Matemática 62, o Ministério da Educação e Ciência também disponibiliza aqui os dois cadernos da prova, bem como as respostas nos respectivos critérios de classificação.


*

Os resultados destes exames serão conhecidos no próximo dia 12 Junho. O exame de Matemática conta apenas 30% para a nota final da disciplina.
Os alunos que reprovarem vão ter actividades de recuperação e repetir as provas na 2ª fase que vai decorrer nos dias 9 e 14 de Julho. É por isso que as provas da 1ª fase acontecem durante o período de aulas.

Como os exames levaram várias escolas a fechar, o ministro da Educação e Ciência lembrou que os estabelecimentos de ensino tiveram muito tempo para preparar este dia.
A Confap, uma confederação de pais, também insiste na necessidade de encontrar alternativas ao fecho das escolas nos dias das provas dos 4º e 6º anos. Para Jorge Ascensão é "uma questão de planeamento e que compete a todos, nomeadamente às escolas e ao ministério, envolver também as famílias, é para isso que servem os conselhos gerais, não faz sentido que, por qualquer razão, as escolas tenham de fechar".
Sem dúvida! Voltamos a recordar que os agrupamentos de escolas/escolas não agrupadas podem, durante um ou dois dias, substituir as actividades lectivas por outras actividades escolares de carácter formativo envolvendo os seus alunos — ponto 2.4 do Despacho 8248/2013 que divulgou o calendário escolar há quase um ano.

Teria sido uma medida de boa gestão os directores terem programado essas actividades — visitas de estudo, passeios, marchas pela paz, conversas com eurodeputados e intercâmbios europeus, torneios desportivos interescolas, ... — para os alunos dos 5º, 7º, 8º e 9º anos nos dias das provas nacionais dos alunos dos 4º e 6º anos, porque estas provas envolvem apenas 15 mil docentes, em mais de 60 mil docentes dos 2º e 3º ciclos, em vez de as realizarem noutros dias como sempre acontece, levando a novas interrupções das aulas.
Mas parece que muitas direcções de agrupamentos de escolas/escolas não agrupadas se esquecem que estão a receber suplementos remuneratórios para fazerem uma gestão eficiente e procuram esconder os erros de planeamento, criando polémicas e complicando a vida às famílias dos alunos.


segunda-feira, 19 de maio de 2014

Começou a época de exames de 2014


Actualização em 12 de Junho
Resultados provisórios aqui. Os alunos que não obtenham aprovação final numa ou em ambas as disciplinas podem ter um acompanhamento extraordinário até 4 de Julho e repetir as provas em 9 e 14 de Julho para Português e Matemática, respectivamente.

*

Cerca de 220 mil alunos dos 4º e 6º anos do ensino básico apresentaram-se hoje nas escolas para fazerem as provas de Português, com a alegria que transparece neste vídeo:


19 Mai, 2014, 13:26


A prova nacional de Português do 4º ano decorreu da parte da manhã, em dois momentos distintos.
No primeiro caderno, os alunos tinham de ler dois textos, um informativo sobre a sobrevivência das espécies e as técnicas de dispersão das sementes, da revista Quero Saber, com perguntas de interpretação, e outro narrativo retirado do conto “Uma semente de Girassol”, de Teresa Saavedra, também com perguntas de interpretação e apenas sete questões de gramática, muito fáceis, algumas de escolha múltipla.
No segundo caderno do exame, inteiramente reservado a uma composição, os miúdos deviam dar seguimento ao conto descrevendo o pássaro e o girassol e imaginando um diálogo entre ambos depois da transformação da floresta.

O leitor interessado em conhecer as perguntas e respectivas respostas, encontra aqui os dois cadernos da prova Português 41, com as respostas nos critérios de classificação.

A prova nacional de Português do 6º ano – Português 61 –, que decorreu da parte da tarde e num único momento, teve uma estrutura semelhante e ainda menos perguntas de gramática, apenas seis, muito fáceis, com duas de escolha múltipla. O texto informativo foi adaptado de uma tradução de "O Cavalo – Uma homenagem" de Moira C. Harris e foi escolhido para texto narrativo “O Cavalo da Noite” de Urbano Tavares Rodrigues, com supressões.
Na composição, os miúdos tinham de imaginar que pertenciam ao clube «Amigos dos Animais» e eram convidados a escrever um texto de opinião sobre a importância de os animais selvagens viverem em liberdade.

*

O exame de Português conta apenas 30% para a nota final da disciplina. Os alunos que reprovarem vão ter aulas de recuperação e repetir as provas na 2ª fase que vai decorrer nos dias 9 e 14 de Julho. É por isso que as provas da 1ª fase acontecem durante o período de aulas.

Alguns agrupamentos interromperam as actividades lectivas para garantir espaços, silêncio e a disponibilidade de professores vigilantes, sendo os respectivos directores obrigados pelo MEC a pedirem autorização às associações de pais.

Os representantes dos directores consideraram inevitável esta interrupção, mas esqueceram-se de acrescentar que os agrupamentos de escolas/escolas não agrupadas podem, durante um ou dois dias, substituir as actividades lectivas por outras actividades escolares de carácter formativo envolvendo os seus alunos — ponto 2.4 do Despacho 8248/2013 que divulgou o calendário escolar há quase um ano.
Teria sido uma medida de boa gestão os directores terem programado essas actividades — visitas de estudo, passeios, marchas pela paz, ... — para os alunos dos 5º, 7º, 8º e 9º anos nos dias das provas nacionais dos alunos dos 4º e 6º anos, porque envolvem apenas alguns docentes, em vez de as realizarem noutros dias, eliminando aulas como sempre acontece.
No entanto, parece que se esquecem que estão a receber suplementos remuneratórios para fazerem uma gestão eficiente e procuram esconder os erros criando polémicas e complicando a vida às famílias dos alunos.


quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Os resultados dos exames nacionais 2013 - II


Os quadros seguintes apresentam as médias obtidas nos exames nacionais de 2013, bem como do ano anterior, e foram elaborados a partir da informação divulgada pelo Júri Nacional de Exames.

O quadro seguinte foi elaborado a partir dos resultados dos exames do Ensino Secundário - 2ª Fase divulgados em 1 de Agosto:



O leitor pode consultar os enunciados e os critérios de classificação dos exames nacionais de 2013 aqui.

O Júri Nacional de Exames (JNE) divulgou um interessante estudo sobre a distribuição das classificações dos exames:


A informação divulgada pelo JNE incide sobre os resultados dos exames realizados pelos alunos internos, ou seja, os que frequentam as aulas durante o ano lectivo inteiro e obtêm aproveitamento para ir a exame.
Mas há alguns alunos que anulam a matrícula por terem baixo aproveitamento, ou frequentam cursos profissionais, ou estudam por sua conta e risco. Todos estes alunos são externos ao sistema de ensino e autopropõem-se a exame. Este facto aumenta a importância dos estudos mencionados porque podemos comparar os resultados dos examinandos internos e externos.

Do comunicado de 1 de Agosto do Ministério da Educação e Ciência, ainda destacamos as seguintes informações:
A 2.ª fase dos exames finais nacionais do ensino secundário decorreu com a habitual normalidade em 637 escolas de Portugal Continental e Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, bem como nas escolas no estrangeiro com currículo português.

Nesta 2.ª fase dos exames finais nacionais, que se destina a alunos que reprovaram na 1.ª fase ou que pretendam realizar melhoria de classificação, foram registadas 144 254 inscrições, tendo sido realizadas 135 720 provas, o que corresponde a cerca de 94% das inscrições.

As disciplinas que registaram um maior número de provas realizadas foram Matemática A (635), com 28 294 provas, Física e Química A (715), com 27 516 provas e Português (639), com 26 282 provas logo seguida pela disciplina de Biologia e Geologia (702), com 25 160 provas.

Verifica-se que 59% dos alunos que realizaram exame nacional de Matemática A (635) repetiram o exame na 2.ª fase. No caso da disciplina de Física e Química A (715), Biologia e Geologia (702) e Português (639) esta percentagem foi de, respetivamente, 52%, 49% e 37%.

Os exames da 2.ª fase, como tem sido habitual, apresentam resultados em regra ligeiramente inferiores aos observados na 1.ª fase, o que se explica, em grande parte, pelo facto de muitos dos alunos que os realizam serem os que tinham obtido resultados negativos na 1.ª fase.

(...)

De realçar que, considerando mais uma vez os resultados dos alunos internos, nas disciplinas com um maior número de provas realizadas (mais de 20 mil), os resultados da 2.ª fase são, em geral, muito similares aos registados na 1.ª fase. Nas disciplinas de Português, de Matemática A e de Biologia e Geologia as diferenças não vão além de 3 pontos. No entanto, no caso da disciplina de Física e Química A, a diferença tem maior amplitude, atingindo 11 pontos.


segunda-feira, 15 de julho de 2013

Os resultados dos exames nacionais 2013 - I


Resultados secundário - 2ª Fase: aqui

*

Os quadros seguintes apresentam as médias obtidas nos exames nacionais de 2013, bem como do ano anterior, e foram elaborados a partir da informação divulgada pelo Júri Nacional de Exames.
Remetemos os encarregados de educação que desejam conhecer os resultados dos seus educandos para o sítio na Internet do respectivo agrupamento de escolas/escola não agrupada.

Começamos pelos resultados dos exames nacionais do Ensino Básico - 2º ciclo, hoje divulgados pelo Júri Nacional de Exames (JNE):



O quadro seguinte foi elaborado a partir dos resultados dos exames nacionais do Ensino Básico - 3º ciclo:



O quadro seguinte foi elaborado a partir dos resultados dos exames do Ensino Secundário - 1ª Fase divulgados em 10 de Julho e em 11 de Julho:



O leitor pode consultar os enunciados e os critérios de classificação dos exames nacionais de 2013 aqui.

O Júri Nacional de Exames (JNE) divulgou dois interessantes estudos sobre a distribuição das classificações dos exames:


A informação divulgada pelo JNE incide sobre os resultados dos exames realizados pelos alunos internos, ou seja, os que frequentam as aulas durante o ano lectivo inteiro e obtêm aproveitamento para ir a exame.
Mas há alguns alunos que anulam a matrícula por terem baixo aproveitamento, ou frequentam cursos profissionais, ou estudam por sua conta e risco. Todos estes alunos são externos ao sistema de ensino e autopropõem-se a exame. Este facto aumenta a importância dos estudos mencionados porque podemos comparar os resultados dos examinandos internos e externos.

Do comunicado de 10 de Julho do Ministério da Educação e Ciência, ainda destacamos as seguintes informações:
Os exames finais nacionais do ensino secundário foram realizados em 637 escolas em Portugal Continental e nas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, bem como nas escolas no estrangeiro com currículo português. A realização dos exames finais nacionais de 2013 foi condicionada por vários fatores que são do conhecimento público, tendo o trabalho das escolas e das respetivas direções contribuído decisivamente para que o processo de exames tenha decorrido sem causar atrasos de maior em todo o calendário das provas e exames, bem como no concurso de acesso ao ensino superior.

Como as escolas não tiveram possibilidade de proceder à afixação da avaliação interna dos alunos, devido ao atraso de muitas reuniões de avaliação, os alunos realizaram os seus exames a título condicional, de acordo com a legislação em vigor. Apesar destas circunstâncias, é possível neste momento, realizadas as reuniões de avaliação e conhecidas as classificações internas, divulgar os resultados com informação desagregada em relação a alunos internos e autopropostos, seguindo a distinção habitual.

Tendo em conta a realização em data especial da 1.ª fase (2 de julho) de exames de Português (639) e de Português Língua Não Materna, inicial e intermédio, as pautas de classificação destes exames serão afixadas e divulgadas no dia 11 de julho. (...)

Nesta 1.ª fase dos exames finais nacionais, obrigatória para todos os alunos, foram registadas 275 293 inscrições, tendo sido realizadas 251 323 provas, o que corresponde a cerca de 91,3% das inscrições.

Entre as disciplinas consideradas nesta informação, a que registou um maior número de provas realizadas foi Física e Química A (715), com 52 591 provas, logo seguida pela disciplina de Biologia e Geologia (702), com 50 933 provas e de Matemática A (635), com 47 562 provas.

No processo de classificação das provas estiveram envolvidos 6315 docentes pertencentes à Bolsa de Professores Classificadores do ensino secundário.

As classificações da 1.ª fase dos exames finais nacionais evidenciam, na generalidade, uma tendência para a estabilidade dos resultados, como se tem observado em anos anteriores.

As classificações médias dos alunos internos nas 18 disciplinas cujos resultados são agora divulgados mostram variações iguais ou inferiores a um valor em 15 disciplinas, em relação a 2012.

No quadro de variações de reduzida amplitude atrás referido — situação de normalidade no contexto de provas públicas — regista-se que em duas disciplinas se observa uma média nacional inferior a 9,5 valores — Biologia e Geologia (8,4 valores) e Física e Química A (8,1 valores).

Globalmente, registou-se uma ligeira redução da classificação média em dez disciplinas e um aumento nas restantes. Tendo em consideração as disciplinas com um número de alunos internos superior a 2500, aquelas em que é possível estabelecer comparações estatisticamente mais significativas, destaca-se:

  • a diminuição da classificação média nas disciplinas de Biologia e Geologia (14 pontos), História A (12 pontos) e Geografia A (9 pontos);
  • a subida da classificação média nas disciplinas de Geometria Descritiva A (15 pontos) e Filosofia (13 pontos).

Como tem acontecido nos anos anteriores, com exceção das disciplinas de Alemão e de Inglês, os alunos internos obtêm classificações mais elevadas do que as alcançadas pelos alunos autopropostos. As diferenças mais significativas observam-se nas disciplinas de Geometria Descritiva A e de Matemática A, respetivamente 51 e 43 pontos.

A discrepância de resultados nos dois grupos de alunos explica o facto de o valor da média do total dos alunos se situar entre 3 e 23 pontos abaixo dos resultados alcançados pelos alunos internos, o que justifica o enfoque dado aos resultados dos alunos internos, em detrimento dos resultados totais.

(...)

Do comunicado de 11 de Julho, destacamos:
Foram hoje divulgados os resultados das provas realizadas nos dias 17 de junho e 2 de julho. Esta divulgação permite garantir o cumprimento dos calendários definidos para a 2.ª Fase dos exames nacionais, bem como para a candidatura ao ensino superior.

Cumpre, pois, enaltecer o esforço e o profissionalismo de todos os intervenientes no processo de aplicação e de classificação das provas cujos resultados a seguir se apresentam.

O exame de Português (639) foi o que registou um maior número de provas realizadas (70807), das quais 70,8% correspondem a provas realizadas por alunos internos.

A classificação da prova de Português (639) registada no corrente ano letivo foi 9,8 valores (alunos internos), observando-se, em relação a 2012, uma descida de seis pontos (em 200). Esta variação não tem qualquer relevância estatística e inscreve-se no quadro de uma normal oscilação interanual de resultados num contexto de aplicação de provas públicas. A taxa de reprovação na disciplina de Português subiu ligeiramente, passando de 8%, em 2012, para 10%, em 2013.

(...)

Do comunicado de 15 de Julho, destacamos:
As provas finais dos 2.º e 3.º ciclos de 2013 foram realizadas, respetivamente, em 1126 e em 1284 escolas localizadas em Portugal Continental, nas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira e nas escolas no estrangeiro com currículo português. Estas provas realizaram-se com normalidade.

Na 1.ª chamada das provas finais dos 2.º e 3.º ciclos, a qual é obrigatória para todos os alunos, foram realizadas 224.368 provas, no 6.º ano de escolaridade, e 196.841 provas, no 9.º ano de escolaridade, referentes às disciplinas de Português (61 e 91), de Matemática (62 e 92) e de Português Língua Não Materna (63, 64, 93 e 94).

No processo de classificação das provas finais dos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico estiveram envolvidos 10.009 docentes destes níveis de ensino, correspondendo a 5380 professores do 2.º ciclo e 4629 professores do 3.º ciclo do ensino básico.

As classificações da 1.ª chamada das provas finais de ciclo dos alunos internos são, na disciplina de Português, 52% (2.º ciclo) e 48% (3.º ciclo). Na disciplina de Matemática, as classificações médias são 49% (2.º ciclo) e 44% (3.º ciclo).

Em termos gerais, estas classificações evidenciam uma descida em comparação com os resultados do ano anterior, observando-se variações cuja amplitude se situa entre 5 e 10 pontos percentuais. A maior descida ocorre na disciplina de Matemática do 3.º ciclo, cujo resultado é igual ao observado em 2011, havendo uma descida de 5 pontos percentuais na classificação média da prova do 2.º ciclo. Já no que se refere à disciplina de Português, as descidas foram de 7 pontos percentuais (2.º ciclo) e de 6 pontos percentuais (3.º ciclo).

(...)

terça-feira, 7 de maio de 2013

Regressam os exames ao 4º ano


Cerca de 107 mil alunos do 4º ano do ensino básico fizeram hoje o exame de Portuguêsparte I, parte II — e na sexta-feira farão a prova de Matemática.
De acordo com o Despacho normativo 24-A/2012, a classificação final a atribuir a cada uma destas disciplinas é a média ponderada entre a classificação no final do 3.º período e a classificação obtida na prova final, calculada de acordo com a seguinte fórmula e arredondada às unidades:

(3 Cf + Cp)/4 = CF
em que:

Cf = classificação de frequência no final do 3.º período;
Cp = classificação da prova final;
CF = classificação final.

Ou seja, a prova final de hoje vai pesar com 1/4 = 25% na classificação final de Português.
Os alunos que não conseguirem atingir 3, pelo menos, terão aulas de recuperação de forma a obterem a aprovação na segunda fase das provas, que se realiza entre 9 e 12 de Julho.



07 Mai, 2013, 13:34


Hoje em dia os alunos dispõem de esferográficas de variadas cores, como sejam roxo, azul ciano, verde, rosa, preto com brilho, ... , por isso era absolutamente necessário uniformizar a cor da esferográfica a usar no exame. Sendo a cor preta a que melhor contrasta com o branco da folha de papel, e também a que permite melhor qualidade de eventuais fotocópias, era a escolha óbvia.

Outro requisito que feriu a susceptibilidade de muita gente foi a obrigatoriedade dos alunos declararem que não estavam acompanhados de nenhum telemóvel. Numa época em que é habitual os miúdos virem para as aulas com toda uma parafernália de dispositivos electrónicos — telemóveis, calculadoras, smartphones, ipads, leitores de mp3 com os respectivos “phones”, canetas que fazem ruídos ou emitem luzes — o surpreendente é que a declaração pedida só incida sobre os primeiros.

Este vídeo e alguns comentários na imprensa online mostram que os problemas dos professores não são criados pelos alunos, mas por muitos pais que olham para a Escola como o local onde deixam os filhos a brincar enquanto estão a trabalhar e, não, como a instituição onde se adquire conhecimentos, sentido de responsabilidade e se presta provas.

Teorias pedagógicas que defendiam que as crianças e os adolescentes eram capazes de aprender tudo através dos telemóveis e dos computadores e os professores só serviam para atrofiar a criatividade dos jovens, também ajudaram a criar esta problemática mentalidade parental.

Mas o pior foi a distribuição de cerca de 500 mil diplomas do 6º, 9º e 12º anos através dos centros novas oportunidades e dos cursos com o mesmo nome.
Os pais de muitos dos nossos alunos foram diplomados por esse processo. Recentemente, ouvi uma mãe com o 12º ano confessar numa reunião de encarregados de educação de uma turma do 7º ano que não percebia nada da Física que a filha está a aprender, mas não tinha dúvida que a miúda raciocinava muito bem na matéria...
Só por este crime de empobrecimento do ensino e degradação da sociedade portuguesa, com muita gente a ficar diplomada mas não qualificada, já José Sócrates merecia ser julgado.

Quase quatro décadas depois, regressaram os exames ao 4º ano. O DL 139/2012, de 5 de Julho, vai ser um marco no ensino deste País. Agora o tempo é de esperança.


*

Opiniões recolhidas em notícia do Público:


Anónimo 07/05/2013 09:38
Aprovo estes exames e sou da opinião que o peso deles na nota final deveria ser maior. Os exames devem, de igual forma e obrigatoriamente, ser aplicados ao 9º ano e a todas as disciplinas.
Mas realmente o que eu gostaria mesmo de ver era que esta fórmula, ou seja, os alunos irem a outro local, vigiados por outros professores, fosse aplicada nos exames do secundário e ainda que o seu peso no cálculo da nota de candidatura à faculdade fosse muito maior. Sou, ainda, da opinião, que cada faculdade deveria fazer o exame da(s) respectiva(s) específicas! Se isto fosse aplicado, iríamos ter muitas surpresas e o fim de muitos negócios...

Anónimo 07/05/2013 10:04
É impressão minha ou os pais têm memória muito curta! Pressão e stress fazem parte da vida de qualquer um, ou nos habituamos a geri-los desde cedo ou damos em doidos. Basta ver a parte final da reportagem para perceber que fazem mais filmes os pais que os filhos "calma mãe, o exame só vale 25%".
25? E fazem um filme destes por uma "pressão" de 25%? Quando chegarem ao secundário e tiverem os exames nacionais estão todos a cortar os pulsos!

sveiga 07/05/2013 10:04
O meu filho foi hoje fazer o seu primeiro exame. Nada contra... Eu também fiz e noutra escola e tambem não morri. Mas os tempos são diferentes e hoje, tirar uma criança de 9 anos da sua escola e metê-la numa escola que não conhece e vigiada por professores que não conhece é uma violência desnecessária. O maior problema, contudo, é que este «stress» por que passam de nada servirá para eles. Estão apenas a ser cobaias para estabelecer «rankings» de escolas... Daí os nervos de professores e diretores de escola que passam para os miúdos. E isso é que é a parte mais lamentável deste processo todo, o que interessa é fazer «rankings» e não educar...

Anónimo 07/05/2013 10:10
É preciso desdramatizar isto tudo. Neste momento a minha filha está a fazer o exame, estou certo que tudo vai correr bem, mas se não correr não há problema. Como disse um dos professores do Agrupamento onde ela foi fazer o exame "isto é importante, mas não é de longe nem de perto o mais importante da sua vida, nem sequer da sua vida escolar".

Anónimo 07/05/2013 10:16
Fiz exame da 4ª classe com 9 anos, fiz exame do 9º ano com 14 e por aí em diante... Tive dores de barriga? Claro. Mas as maiores ainda estavam para vir, quando no IST tinha exames de 2 em 2 dias ou de 4 em 4. Não consigo compreender estes supostos "sacrifícios" dos pais. Não é nossa obrigação, como pais, dar a melhor educação possível aos nossos filhos? Não chega já de facilitismo?

Anónimo 07/05/2013 10:33
Preocupa-me imenso esta geração de pais, que não está preparada para educar os seus filhos. Que adultos frágeis e impreparados emocionalmente teremos no futuro? Estes pais estão tão pouco preparados que não compreendem que em todas as sociedades animais a tendência é para vencerem os mais fortes, os mais persistentes, os mais competentes... E é na educação e nos sistemas de identificação parentais que estes valores se transmitem! A escola finalmente está a tentar voltar a dar o seu contributo e os pais estão a tentar destruí-lo... infantilizando ad eternum os seus meninos!
  • Anónimo 07/05/2013 11:19
    Concordo plenamente! Estamos a caminhar para uma sociedade em que a criancinha tem sempre razão e pode fazer o que quiser, quando quiser! E depois chegam a adultos e não ententem que a vida tem os seus altos e baixos e nem sempre eles serão os protagonistas principais. Eu tive as minhas contrariedades em pequeno e acho que só me fizeram bem! Aprendi a dar valor às pessoas, a compreender que nem sempre podemos ter tudo o que queremos... Entristece-me quando vejo pais a tratarem os filhos como copos de cristal, nem os animais fazem isso aos seus e temos tanto a aprender com a Natureza.

Anónimo 07/05/2013 10:36
Concordo que tem que haver avaliações, mas não concordo em fazer com que os miúdos mudem de escola. Por que não se deslocam os professores?
  • Anónimo 07/05/2013 12:10
    Por ter que haver apenas um secretariado de exames por agrupamento e não vários. Simples.

Anónimo 07/05/2013 10:49
Alguém me explica o racional de haver exames no 4º ano? E até no 9º? O responsável pelo melhor sistema de educação do Mundo vem dizendo publicamente faz anos que parte do sucesso deve-se ao facto de no país dele, terem abolido testes e exames antes dos alunos chegarem ao secundário.
  • Anónimo 07/05/2013 11:18
    O racional é simples, avaliar. Quem é "O responsável pelo melhor sistema de educação do Mundo"?

Ivo Monteiro 07/05/2013 11:43
Apesar de ser apenas mais uma prova, e que este ano até só conta 25% para a nota (quem tiver um percurso estável e razoável até pode errar tudo), os professores e escolas "desaparafusaram" um bocado com a inovação, e criaram ondas de choque sobre os alunos. Alguns professores, que se calhar nunca o deveriam ter sido, também pressionam os alunos de forma incorrecta em vez de desdramatizar a situação.
Considero, no entanto, que mais uma vez a carga maior está a ser criada pela comunicação social. As notícias constantes sobre o tema, a procura da polémica para os grandes títulos em artigos que de polémicos nada têm, criam cargas emocionais excessivas nos alunos. Se calhar, e retirando os problemas pontuais que sempre acontecem aqui e ali, até está mesmo a correr tudo bem.

Anónimo 07/05/2013 11:47
Concordo com avaliações, agora também sou a favor da organização, que é coisa que no nosso país existe em muita baixa quantidade. Este processo é exemplo disso. Quem tem aulas, deixa de ter para os miúdos irem fazer exames, os que podiam fazer exames sossegados na sua escola sem chatearem ninguém têm que se deslocar para irem "chatear" os outros alunos. Pergunta, porque não foram os professores a deslocarem-se a essas escolas para vigiarem as provas? Claro com o ministério a arcar com as respectivas despesas... era muito caro? Então deixem-se estar sossegadinhos.
  • Anónimo 07/05/2013 12:41
    E quem dava as aulas aos alunos nas escolas, se os professores iam vigiar os exames?

Anónimo 07/05/2013 12:03
Isto acontece porque já mesmo os pais são da geração do "sabe deus". Sabe deus as qualificações, sabes deus os valores, enfim. Um espalhafato destes por causa disto, nao sei como é que no tempo dos avós as crianças aprendiam.

Anónimo 07/05/2013 12:27
No meio disto tudo a única coisa que acho mal é as crianças terem que se desdolcar às sedes de agrupamento. Exames do 4º ano não são novidade, pois antes também havia exame da 4ª classe e nunca ninguém morreu, o que não me parece bem é esta movimentação toda. Porquê ter que sair das próprias escolas. Quanto ao nervoso, acho que ficamos, nós pais, mais nervosos do que eles.
  • Anónimo 07/05/2013 12:42
    Parece-me obvio o porquê de não se realizarem nas escolas: a falta de escrúpulos e brio profissional de muitos professores, que anos a fio davam as respostas aos alunos, descredibilizando todo o processo.
  • Anónimo 07/05/2013 18:36
    Eu também me desloquei de escola para fazer exame da 4.ª classe e não morri por isso.

Anónimo 07/05/2013 12:59
Uma tempestade num copo de água, as crianças têm capacidade de enfrentar esta tarefa porque foram preparadas para tal, passar de ano sem exame, isso sim é vergonhoso. Reparem nas novas oportunidades, um aluno para chegar ao décimo segundo ano tem que estudar doze anos, nas novas oportunidade bastava ter o nono, mais três meses, e tinha o décimo sendo concluído. E depois criticamos Relvas e Sócrates.

Paulo 07/05/2013 13:05
Os exames do 1º ciclo, cumprindo o programa do Governo de identificar as dificuldades e lacunas na aprendizagem dos alunos mais precocemente, possibilitou também a consagração mediática de alguns diretores escolares e de representantes de pais, uns reclamando autonomia mas sem soluções para os problemas organizativos das suas escolas e outros que, falando por si, julgam representar todos.
Cinfães está na moda e o Sr. Jorge Ascenção também. Em particular este último. A sua estratégia, ao condicionar, pelas afirmações produzidas, o discurso seguinte, denota uma particular falta de competência, argumentos e segurança para o exercício do cargo que herdou e que parece utilizar como latifundiário de um território que não é seu. Estaremos atentos ao seu verdadeiro objetivo.
É verdade que a falta de escrúpulos de alguns professores, na aplicação das Provas de Aferição do 4º ano, que sobrepunham os efeitos dos resultados mais na sua avaliação do que na regulação do processo de aprendizagem dos alunos, obrigam a que se tomem medidas organizativas mais rigorosas. Bem haja quem teve coragem. A bem dos nossos filhos.
Paulo, encarregado de educação.

Anónimo 07/05/2013 13:32
Tanta parra e tão pouca uva! Os pais, acicatados talvez por alguns ditos professores, inventam tudo e mais alguma coisa para justificarem o insucesso da medida, que só peca por deixar de fora os alunos do ensino particular. Isto sim, é uma discriminação! Pois vão continuar a ter os seus próprios professores a apoiá-los e a ajudar.
Enquanto os meninos dos colégios não tiverem que se deslocar à escola pública para a realização de exames, os rankings das escolas estarão aldrabados, não serão correctos e põem em causa a seriedade de muitas escolas do ensino particular.

Maria 07/05/2013 13:49
Também me parece que são os pais que transmitem o stress às suas crianças. Este exame deve ser encarado com naturalidade e tranquilidade. Uma criança bem preparada e bem acompanhada pelos pais, olhará para esta experiência como mais uma etapa do seu crescimento.

Tiago Corvão 07/05/2013 15:54
Pois eu faço parte daquele grupo de pessoas que nunca teve que fazer qualquer exame na 4ª classe e, como tal, não estou a ver valor acrescentado na criação destes exames, não posso dizer que seja contra mas parece-me e mais uma vez que esta foi daquelas medidas do "tem que se fazer alguma coisa diferente para parecer que estamos a acrescentar valor".
Em vez de andarmos a introduzir exames de utilidade prática duvidosa, em vez de exigirmos mais aos nossos jovens porque não investirmos, ao invés, em dar-lhes um futuro em Portugal? Tanta exigência, tanta aposta na excelência do nosso sistema de ensino para depois termos um primeiro-ministro que se vira para o crescente número de jovens desempregados e lhes diz que podem sempre emigrar...
  • JP 16:24
    Eu também faço parte desse grupo e lembro-me que senti bem a diferença uns anos depois. E o mesmo aconteceu quando passei do básico para o secundário. Penso que se o nível de exigência fosse mais gradual, teríamos um melhor sucesso escolar e jovens mais preparados para recompor o país. É que o futuro não depende só do governo (que muda bastante regularmente). O futuro depende do que os portugueses são capazes de fazer e uma geração só é capacitada quando é formada para esse efeito.
    Falta em Portugal a educação para a iniciativa e para a vontade de empreender.


segunda-feira, 9 de julho de 2012

Os resultados dos exames nacionais 2012


Actualização: resultados de 2013 aqui.

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O quadro seguinte (clique para aumentar) foi elaborado a partir dos resultados dos exames nacionais do Ensino Básico - 2º ciclo, hoje divulgados pelo Júri Nacional de Exames (JNE).
Remetemos os encarregados de educação que desejam conhecer os resultados dos seus educandos para o sítio na Internet do respectivo agrupamento de escolas ou escola não agrupada.



O quadro seguinte foi elaborado a partir dos resultados dos exames nacionais do Ensino Básico - 3º ciclo:



O quadro seguinte (clique para aumentar) foi elaborado a partir dos resultados dos exames do Ensino Secundário - 1ª Fase:



O leitor que deseje conhecer os enunciados e os critérios de classificação dos exames nacionais de 2012, pode consultar esta página.


Do comunicado do Ministério da Educação e Ciência, destacamos:

As Provas Finais do 2.º e 3.º Ciclos do Ensino Básico foram realizadas, respetivamente, em 1145 e 1328 estabelecimentos de ensino do continente e ilhas, bem como nas escolas no estrangeiro com currículo português. (...)

Realizaram as Provas Finais de Língua Portuguesa e de Matemática do 2.º Ciclo do Ensino Básico 111.767 e 112.631 alunos, respetivamente. Estiveram envolvidos na classificação das provas finais do 2.º Ciclo 6.178 professores.

No 3.º Ciclo, o número de provas realizadas foi 92.976, na disciplina de Língua Portuguesa, e 93.599 na disciplina de Matemática. Nas provas finais do 3.º Ciclo estiveram envolvidos 5.225 professores.

Segue-se os dados estatísticos mais relevantes relativos às Provas de Finais de Ciclo realizadas na 1.ª chamada pelos alunos internos, uma vez que os resultados da 2.ª chamada têm significado estatístico pouco relevante dado o reduzido número de alunos que as faz.

Sobre os Exames Finais Nacionais do Ensino Secundário, diz o comunicado:

Os Exames Finais Nacionais do Ensino Secundário foram realizados em 629 estabelecimentos de ensino do continente e ilhas, bem como nas escolas no estrangeiro com currículo português. Estas provas decorreram com toda a normalidade e sem quaisquer ocorrências de relevo, tendo as escolas e respetivos secretariados de exames e professores vigilantes realizado o seu trabalho com o habitual profissionalismo, que contribuiu de sobremaneira para que o processo de exames tenha decorrido desta forma.
No entanto, há que assinalar a existência de denúncias de eventuais fugas de informação relativas ao conteúdo parcial do enunciado da prova de Português (639). O processo de averiguação que, na sequência das referidas denúncias, foi desenvolvido pela Inspeção Geral de Educação e Ciência não encontrou quaisquer provas que permitissem concluir terem ocorrido as alegadas fugas de informação, pelo que as classificações desta prova foram homologadas.

No conjunto das 25 disciplinas sujeitas a exame nacional, foram registadas na 1.ª fase, 362.414 inscrições, tendo sido realizadas 324.048 provas, o que corresponde a cerca de 90% das inscrições, tendo em conta que pela primeira vez a 1.ª fase dos exames é obrigatória para todos os alunos.

A disciplina em que se registou um maior número de provas realizadas foi Português (639) — 72.534 provas —, logo seguida pelas disciplinas de Biologia e Geologia (702) — 51.244 provas — de Física e Química A (715) — 50.679 provas — e de Matemática A (635) — 49.246 provas.

No processo de classificação das provas estiveram envolvidos 6.806 docentes pertencentes à Bolsa de Professores Classificadores.

Uma análise preliminar dos dados estatísticos relativos aos Exames Finais Nacionais do Ensino Secundário, realizados na 1.ª Fase, e considerando os resultados dos alunos internos, permite constatar uma relativa estabilidade dos resultados de 2012, face aos registados no ano anterior. Na larga maioria das 23 disciplinas em que é possível estabelecer comparações, registaram-se variações próximas de 10 pontos (1 valor) ou mesmo muito inferiores (...).


domingo, 30 de outubro de 2011

Mudar o ensino - II


O governo de José Sócrates perdeu as eleições em 5 de Junho mas nestes quatro meses, apesar do empenho do ministro Nuno Crato, o ensino pouco mudou.

O Ministério da Educação fez uma rápida reorganização curricular em que
  • eliminou a Área de projecto, uma área curricular não disciplinar que mantinha dois professores na sala de aula para vigiar uma turma de alunos que se dedicava a fazer trabalhos sobre temas gerais — alimentação, droga, futebol, moda, ... — pelo método de navegação na Internet seguida de ‘copiar&colar’ e impressão a cores na fotocopiadora da Biblioteca/Centro de recursos;
  • diminuiu o número de tempos lectivos reservados às outras áreas não disciplinares;
  • aumentou o número de tempos lectivos em Português e Matemática;
  • substituiu as provas de aferição do 6º ano por provas de exames nacionais.
A carga horária semanal do 2º ciclo não sofreu a mínima alteração para os alunos, apenas há uma transferência de tempo das áreas curriculares não disciplinares para duas áreas disciplinares — Português e Matemática. Do lado dos docentes houve uma perda de 5 tempos lectivos de 45 minutos, distribuídos pelos 5º e 6º anos.
No 3º ciclo desapareceram 2 tempos lectivos de 45 minutos, um no 7º e outro no 8º ano, tanto nos horários dos alunos como dos docentes.

Se reduziu em alguns milhares o número de contratos docentes, foi porque
  • acabou com a redução de horário dos avaliadores internos no modelo de avaliação docente;
  • acabou com a redução de horário dos professores que prestavam serviço nas cinco Direcções Regionais de Educação no âmbito da avaliação docente;
  • não autorizou a criação de novas turmas no Novas Oportunidades (NO), um curso que diplomava mas não qualificava os alunos adultos.

Não deve surpreender, portanto, que o ministro Nuno Crato tencione fazer agora uma reorganização curricular mais profunda que leve a uma diminuição dos tempos lectivos dos alunos.
A separação de Educação Visual e Tecnológica (EVT) em duas componentes — Educação Visual e Educação Tecnológica — é bem-vinda porque não é mais difícil leccionar EVT que qualquer outra disciplina, não se justificando a existência do par pedagógico.
Os alunos só têm Introdução às Tecnologias de Informação e Comunicação no 9º ano. Começam, porém, a usar o computador como brinquedo durante a infância, demonstrando uma invejável velocidade de digitação quando chegam ao 5º ano. Nessa altura, o uso dos processadores de texto é estimulado pelos professores de Línguas e Humanidades e a folha de cálculo pelos docentes de Matemática. Se ITIC desaparecer, nem se vai notar.


Entretanto os directores das escolas continuam a defender a ideologia socialista, a impor a elaboração de documentos burocráticos que afasta os professores da preparação das aulas e a atrofiar os alunos entretendo-os com actividades de animação cultural, em geral exteriores à escola e com custos financeiros significativos para as famílias, que se mantêm no modelo de avaliação docente apesar do ministro Nuno Crato querer os professores concentrados no ensino dos alunos.


Mas na última reunião do departamento de Matemática e Ciências Experimentais vimos os docentes do quadro que se encontram nos primeiros escalões criticar o facto do coordenador do departamento e dos docentes de escalões mais elevados só se terem debruçado sobre as metas da ex-ministra Isabel Alçada, as actividades do projecto de escola e a criação de novas turmas do curso NO, em vez de se preocuparem com as aprendizagens dos alunos.

Foram eles que propuseram a organização do espaço esola, com a criação de um ambiente de trabalho dentro do edifício da escola, sem correrias nos corredores e ruído durante o período das aulas, em oposição ao ambiente de brincadeira, natural e bem-vindo durante os intervalos, nos pátios de recreio.

Foram eles que salientaram a importância das aprendizagens em Português na interpretação dos textos usados em todas as disciplinas e da Matemática no desenvolvimento da capacidade de abstracção.

Foram eles que alertaram para o facto de a economia só principiar a crescer quando as escolas começarem a lançar no mercado do trabalho alunos que desenvolveram hábitos de trabalho e que conseguem ler, escrever e interpretar textos, possuem conhecimentos de História e Geografia, sabem matematizar problemas da vida quotidiana e assimilaram noções elementares de Biologia, Química e Física.


Como se pode resolver este antagonismo?
Criando provas de avaliação de conhecimentos científicos e pedagógicos não só no acesso à carreira docente, mas também no acesso às carreiras de director de agrupamento de escolas, de inspector com funções administrativas e de avaliador externo.


terça-feira, 9 de agosto de 2011

Os resultados dos exames nacionais 2011 - Ensino Secundário - 2ª fase


Os resultados dos exames do ensino secundário - 2ª fase, por disciplina, recém divulgados pelo Júri Nacional de Exames mostram que, das seis disciplinas com mais de uma dezena de milhar de candidatos a exame, só duas — Biologia e Geologia, Geografia A — conseguiram obter média positiva.
Como é habitual as médias desceram na 2ª fase, excepto nos exames de Biologia e Geologia e de Português.

Relativamente à prova de Matemática A da 2ª fase, a Sociedade Portuguesa de Matemática reconheceu que era mais trabalhosa em termos de cálculos, mas considerou que é de "louvar que este enunciado não contenha qualquer item imediatamente acessível a alunos que estão a terminar o ensino básico (9º ano)" e que, "comparativamente a anos anteriores, os exames nacionais de Matemática A deste ano estabelecem padrões de exigência bastante mais adequados” contribuindo para que no próximo ano lectivo se possa ter "melhores referenciais, reguladores das práticas de ensino, com vista a uma maior qualidade dos conhecimentos matemáticos dos jovens que terminam os estudos secundários nas áreas de ciências, tecnologia e economia".

Nos dois quadros seguintes (clique para aumentar) pode-se comparar os resultados das 1ª e 2ª fases de 2011 e também os resultados deste ano com os de 2010:




Os resultados individuais serão afixados hoje nas escolas e poderão também ser consultados nos sítios da internet das escolas.