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sábado, 8 de junho de 2019

A vingança é um prato que se serve frio


Ouvido na comissão parlamentar de inquérito à gestão e recapitalização da Caixa Geral de Depósitos, em 28 de Março deste ano, Vítor Constâncio afirmou que o Banco de Portugal não tinha conhecimento prévio das operações de crédito dos bancos.

Constâncio, que foi governador do Banco de Portugal (BdP) na década 2000-2010, declarou aos membros da comissão parlamentar de Inquérito sobre a Caixa Geral de Depósitos neste vídeo:


Claro que [o BdP] só tem conhecimento delas [operações de crédito] depois [dos bancos as realizarem], como é óbvio. É natural! Essa ideia de que pode conhecer antes é impossível”.

Entretanto o jornal Público obteve cópia da correspondência trocada entre a Fundação José Berardo e o BdP, em 2007, quando Berardo comunicou ao supervisor financeiro a pretensão de adquirir uma participação qualificada no Banco Comercial Português com uma linha de crédito da Caixa Geral de Depósitos.

O artigo 102 do Regime Geral das Instituições de Crédito obrigava José Berardo a comunicar ao Banco de Portugal que pretendia adquirir uma participação qualificada no Banco Comercial Português superior a 5% e inferior 10% do capital social e dos direitos de voto, nos termos do Aviso do Banco de Portugal 3/94. Berardo cumpre essa exigência em 19 de Junho de 2007:




No entender do Banco de Portugal, os elementos que acompanhavam a carta de Berardo verificavam cabalmente todos os números e pontos do Aviso do Banco de Portugal 3/94, excepto o ponto 13. Eis o que dizia este ponto:
1.º A comunicação a efectuar nos termos dos nºs 1 e 2 do artigo 102.° do Regime Geral deve ser acompanhada, pelo menos, dos seguintes elementos de informação:
(…)
13 - Descrição das fontes e forma de financiamento da aquisição da participação;
Por isso o Banco de Portugal solicita descrição detalhada em 2007/07/18:
solicitamos a V. Exas. que nos habilitem com uma descrição detalhada das fontes e forma de financiamento da aquisição da participação em apreço, nos termos previstos no ponto 13 do n.º 1.º do Aviso do Banco de Portugal n.º 3/94, nomeadamente com a cópia das condições contratuais da linha de crédito aberta junto da Caixa Geral de Depósitos.




Berardo responde a 7 de Agosto de 2007:
a aquisição das acções será feita com recurso a fundos disponibilizados pela Caixa Geral de Depósitos, através de Contrato de abertura de crédito em conta-corrente, celebrado em 28 Maio de 2007, até ao montante de € 350.000.000,00 (trezentos e cinquenta milhões de euros) pelo prazo de cinco anos.




Depois de conhecer pormenorizadamente as fontes e forma de financiamento da operação de crédito, o Banco de Portugal comunica que o seu Conselho de Administração deu luz verde à aquisição das acções:
informamos V. Exas. que o Conselho de Administração do Banco de Portugal, em sessão de 21 Agosto de 2007, deliberou não se opor à detenção pela Fundação José Bernardo de uma participação qualificada superior a 5% e inferior a 10% no capital social do Banco Comercial Português SA e inerentes direitos de voto.




Resta dizer que o Aviso do Banco de Portugal n.º 3/94, publicado quando o Ministério das Finanças era tutelado por Eduardo Almeida Catroga, foi revogado em 04-12-2010 quando governava neste país José Sócrates.


*


José Sócrates vence com maioria absoluta as eleições antecipadas de 2005, convocadas depois da dissolução da Assembleia da República pelo presidente Jorge Sampaio.
Começa por nomear um independente para o cargo de ministro das Finanças. Luís Campos e Cunha, porém, sai 130 dias depois de tomar posse, em divergência com José Sócrates por causa da mudança da administração da Caixa Geral de Depósitos exigida pelo primeiro-ministro, o que obrigava ao pagamento de indemnizações aos gestores.

Campos e Cunha foi substituído por Fernando Teixeira dos Santos que tinha sido secretário de Estado do Tesouro e das Finanças no primeiro governo de António Guterres. Ora uma das primeiras medidas do novo ministro foi precisamente substituir a equipa de gestão da Caixa nomeada pelo anterior governo. Carlos Santos Ferreira assume a presidência numa administração onde entra um Armando Vara sem qualificações para o cargo, um típico boy socialista.

O objectivo primordial de José Sócrates é controlar a comunicação social e a banca. No início de 2007, já tem Vítor Constâncio na presidência do Conselho de Administração do Banco de Portugal e Carlos Santos Ferreira na presidência do Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos.
Este último terá proposto a José Berardo ser o testa-de-ferro do banco público na aquisição de uma participação qualificada no capital social e nos direitos de voto do maior banco privado português. E, no final desse ano, Santos Ferreira muda-se da Caixa para o Banco Comercial Português, levando consigo Armando Vara.

Em 2008, ocorre a crise do crédito de risco, que ficou conhecida como a crise do subprime, com a falência do banco Lehman Brothers nos Estados Unidos da América.
José Sócrates e Teixeira dos Santos tinham deixado descontrolar os défices com o consequente aumento da dívida pública. As taxas de juro dos empréstimos pedidos pelo Estado aumentaram substancialmente levando o país a não conseguir financiar-se nos mercados internacionais. Em 2011, Teixeira dos Santos vê-se obrigado a pedir a intervenção do Banco Central Europeu e do FMI.



2:29-3:00 Berardo confirma que teve almoços com Santos Ferreira mas nega que este tenha sugerido a compra de títulos do BCP;
8:54-10:54 Berardo diz que pretendeu vender as acções do BCP quando começaram a desvalorizar mas os bancos não estavam interessados na alienação dos títulos.

Concomitantemente o valor das acções do Banco Comercial Português pertencentes a Berardo cai abruptamente, mas a Caixa não o deixa vender esses títulos. Quando o valor dos títulos já não cobre o empréstimo que lhe fora concedido, a operação de crédito de 350 milhões de euros torna-se mais um dos vários negócios ruinosos feitos pela Caixa.
Em 2018, chega a hora dos contribuintes capitalizarem o banco público com 3,9 mil milhões de euros.

Entretanto os portugueses são informados pela comunicação social que José Berardo pertence ao conjunto dos maiores devedores da Caixa Geral de Depósitos, mas não possui património pessoal que lhe permita pagar a dívida. E procuram saber quem era o governador do Banco de Portugal, em 2007, e o que conhecia sobre a aquisição de acções do Banco Comercial Português com crédito da Caixa Geral de Depósitos dando como garantia as próprias acções.
Acontece que Vítor Constâncio está amnésico. Quanto ao partido Socialista, primeiro emudeceu e depois teve de aprovar uma nova audição parlamentar ao ex-governador.

Quem terá divulgado as quatro cartas publicadas pelo jornal Público? Esta correspondência está arquivada tanto no Banco de Portugal como na Fundação José Berardo.

Carlos Costa, governador do Banco de Portugal desde 2011 e administrador da Caixa Geral de Depósitos responsável pelo departamento Internacional e Marketing no período 2004-2006, foi enxovalhado pelos socialistas na comunicação social por ter participado em algumas reuniões do Conselho Alargado de Crédito da CGD em que outros administradores falaram de créditos de risco.

José Berardo foi escolhido para bode expiatório dos devedores da Caixa Geral de Depósitos mas, na audição parlamentar, riu-se dos idiotas dos contribuintes que pagaram a sua dívida ao banco público. A seguir foi massacrado pelos políticos "à portuguesa", desde o primeiro-ministro António Costa até ao presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa.

Quer a fuga tenha partido de alguém próximo de Carlos Costa ou de José Berardo, os socialistas, com António Costa e Vítor Constâncio à cabeça, estão neste momento a engolir um prato muito frio.





sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Eclipsam-se mais 500 milhões de euros à sombra do BPN


O Banco Português de Negócios (BPN) estava na situação de ruptura de pagamentos quando as suas acções foram nacionalizadas em Novembro de 2008, sob o pretexto de salvaguardar os interesses dos depositantes e a estabilidade do sistema financeiro — Lei 62-A/2008.

Transmitidas as acções para o Estado, através da Direcção-Geral do Tesouro e Finanças, passou a actividade do banco a reger-se pelo regime jurídico do sector empresarial do Estado.
A gestão do BPN foi atribuída à Caixa Geral de Depósitos (CGD), pela lei acima referida, com a incumbência de definir objectivos de gestão de modo a acautelar os interesses dos depositantes, os interesses patrimoniais do Estado e dos contribuintes e a defesa dos direitos dos trabalhadores.
As operações de crédito realizadas pela CGD a favor do BPN até à data da aprovação desses objectivos de gestão por Teixeira dos Santos, então ministro das Finanças, beneficiavam de garantia pessoal do Estado:
Artigo 2.º
Nacionalização do Banco Português de Negócios, S. A.
(...)
9 — As operações de crédito ou de assistência de liquidez que sejam realizadas pela Caixa Geral de Depósitos, S. A., a favor do BPN no contexto da nacionalização e em substituição do Estado, até à data da aprovação dos objectivos de gestão previstos no n.º 7, beneficiam de garantia pessoal do Estado por força da presente lei.

Para gerir os activos problemáticos do BPN, foi constituída em Setembro de 2010 uma entidade — Parvalorem — com capital social detido a 100% pelo Estado, através da Direcção Geral do Tesouro e Finanças.
Em 17 de Junho de 2011, quatro dias antes da tomada de posse do Governo de Passos Coelho, ainda foi celebrado um contrato relativo a um Programa de Emissões de Papel Comercial garantido pela República Portuguesa até ao máximo de 1 milhar de milhão de euros, com transmissão de posição contratual para a Parvalorem.

Impunha o programa de assistência financeira externa acordado com a troika FMI/CE/BCE pelo último governo Sócrates que fosse resolvida a situação do BPN. No entanto, a troika deixou a opção entre a privatização do banco ou a sua falência ao governo de Passos Coelho. Tendo este optado por uma privatização polémica e onerosa para os contribuintes, foram estendidas as garantias prestadas pelo Estado com a introdução da seguinte norma na primeira alteração à Lei do Orçamento do Estado para 2012:
Artigo 103.º-B
Garantias prestadas no âmbito da nacionalização
do Banco Português de Negócios, S. A.


1 — As garantias prestadas pelo Estado no âmbito do disposto no n.º 9 do artigo 2.º da Lei n.º 62-A/2008, de 11 de novembro, mantêm-se válidas e eficazes em caso de transmissão das relações jurídicas garantidas que tenham ocorrido ou venham a ocorrer em virtude da privatização do Banco Português de Negócios, S. A., sem necessidade de quaisquer formalidades.

Hoje, a Parvalorem vai financiar-se em 500 milhões de euros, através de uma emissão de papel comercial subscrita pela CGD. O juro, à taxa de 2,142%, será pago em 27 de Junho de 2014, data do reembolso da emissão.
No balanço que integra o comunicado da emitente, é revelado que, no final de 2013, a Parvalorem tinha empréstimos obrigacionistas no valor de 3,3 mil milhões de euros.

De acordo com o Negócios, no relatório da oitava e nona avaliações do programa de ajustamento, a troika deixou claro que a CGD terá de ser ressarcida dos empréstimos aos veículos que ficaram com os activos problemáticos do BPN à medida que estes foram gerando proveitos.

*

Noticiou, ontem, o mesmo jornal que o empresário da construção Aprígio Santos e a mulher acumularam dívidas de cerca de 600 milhões de euros a várias instituições financeiras. Sendo o BCP o maior credor do casal — reclama o pagamento de uma dívida de 251 milhões de euros —, logo em segundo lugar surge o Estado que, através da Parvalorem, é credor de 143 milhões de euros.
Mais um devedor encalacrado da lista negra da Parvalorem. Podem os contribuintes esperar sentados que os activos problemáticos do BPN gerem proveitos.

Em resumo: os 500 milhões que a Parvalorem arrecada, hoje, vão somar-se aos 3,3 milhões dos empréstimos obrigacionistas que já figuram nas suas contas. Daqui a um par de anos um governo do PS ou do PSD irá meter esta verba num orçamento de Estado e aí estarão os diligentes contribuintes portugueses a desembolsar mais uns milhares de milhão de euros para contentamento dos compadres Dias Loureiro e Ferro Rodrigues, do melómano Duarte Lima, do aprendiz de banqueiro Oliveira e Costa, do atento governador Vítor Constâncio, do presidente Cavaco Silva e outros que tais.
O buraco negro criado em Novembro de 2008 não pára de se agigantar. Será que, nos próximos actos eleitorais, vamos continuar a votar nos políticos portugueses?


quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Há jornais que andam a precisar de aumentar a tiragem


Numa entrevista ao semanário Expresso publicada no sábado passado, José Sócrates recorda o período que culminou com o pedido de resgate em Abril de 2011, referindo-se ao então e ainda responsável pelas Finanças na Alemanha como "aquele estupor das Finanças, o Schäuble" e acusando-o de ter atentado contra os interesses de Portugal à revelia da própria chanceler Merkel:

"A Merkel está do outro lado com aquele estupor das Finanças, o Schäuble, que foi agora corrido. Todos os dias esse filho da mãe punha notícias contra nós. E ligávamos para o gabinete da Merkel e ela, com quem me dava bem, dizia que vinha do gabinete do ministro das Finanças. No jantar, ela pô-lo ao lado para o comprometer. Disse: 'Devo ser a única na Alemanha que acha que vocês não precisam de ajuda'."

Após um pedido de reacção da comunicação social portuguesa, a declaração da Embaixada da Alemanha em Lisboa surgiu clara e seca:

A Alemanha sempre foi um parceiro fiável e tem apoiado Portugal na superação da crise financeira. Assegurar a estabilidade da moeda comum, bem como emergir desta crise de forma fortalecida, com maior crescimento e emprego, foram e continuam a formar o interesse comum de ambos países.

O Governo federal da Alemanha tem sempre apoiado o seu parceiro português nas necessárias e frequentemente difíceis medidas adoptadas. Para tal, a Alemanha deu desde o início — e de forma resoluta — o seu grande contributo aos fundos de resgate europeus e aos fundos estruturais da União Europeia.

Também no futuro Portugal poderá continuar a contar com a Alemanha.





Recordemos alguns factos daquele período negro da nossa história recente:

O presidente executivo do BPI, Fernando Ulrich, já tinha avisado em Maio de 2010:
"O dia em que batermos na parede não está muito longe. Talvez por semanas. E bater na parede significa, por exemplo, a intervenção do FMI. Lamento mas o país tem que saber.
(...)
Tirem já o C do PEC, o c é para esquecer. O principal problema de Portugal não é apenas de tesouraria, mas sim o facto de não nos conseguirmos financiar.

Não se trata de um problema de preço, mas sim de acesso ao crédito. Um problema que não sabemos hoje quando se vai resolver. Por isso mesmo, sugiro ao Governo que não publique cenários macroeconómicos sem explicar como estes se vão financiar.

Portugal tem dificuldade em financiar-se e não sabemos quando vai deixar de ter, ou se vai deixar de ter, só saberemos se conseguirmos financiamento quando o BCE deixar de comprar.
"

Em Janeiro de 2011, a consagrada revista britânica The Economist noticiava sob o título This little piggy went to the market:
"PORTUGAL atingiu a meta de vender um total de 1,25 mil milhões de euros em obrigações com maturidade em 2014 e 2020, em 12 de Janeiro, e ambas as ofertas tiveram excesso de procura. Mas Portugal pagou um alto preço para torná-los tão atraentes, o rendimento dos títulos de Junho de 2020 foi um enorme 6,7%."

Nesse funesto dia 12 de Janeiro, Paul Krugman, prémio Nobel da Economia, comentou esta emissão de obrigações do tesouro (OT) no seu blogue sob o sugestivo título "Leilões de obrigações de Pirro".

Fundos internacionais, como o PIMCO, gabavam-se que lhes eram oferecidas OTs portuguesas, mas recusavam comprá-las.

Na viagem aos Emiratos Árabes Unidos, disfarçada de viagem à procura de investimento económico, Sócrates teve de pagar a estadia principesca mas não conseguiu vender nem uma única OT.

Técnicos de Bruxelas vieram a Portugal observar a contabilidade do Estado, em Fevereiro de 2011, e aperceberam-se que havia muita dívida escondida debaixo do tapete. Daí as alterações aos défices de anos anteriores que o governo de José Sócrates foi obrigado a fazer sob a capa de alteração de forma na contabilidade europeia para salvar a face.

No início de Abril de 2011, os banqueiros portugueses recusaram-se peremptoriamente e em bloco a comprar mais OT’s. Foi o fim.

Nem Merkel, nem nenhum chefe de governo dos países da União Europeia confiava em José Sócrates.




Foi o ministro das Finanças Teixeira dos Santos quem pôs fim à agonia ao declarar que Portugal tinha de pedir ajuda financeira ao FMI porque estava à beira da bancarrota. Sócrates vingou-se do ministro, que até então lhe havia feito todas as vontades prejudicando o País, dando ordem ao ministro da Economia Vieira da Silva, que se comportava como um mero comissário político, para o eliminar das listas de deputados para as eleições legislativas de Junho de 2011.

O PEC4 não ia adiantar nada. Apenas filões de ouro ou jazidas de petróleo teriam salvado o País do resgate. Sócrates só vai conseguir enganar os portugueses distraídos ou os analfabetos.

Sem este trapaceiro vingativo, os portugueses escusavam de ser lembrados pela Alemanha do “seu grande contributo aos fundos de resgate europeus e aos fundos estruturais”, ou seja, que grande parte do empréstimo a Portugal vem dos bolsos dos contribuintes alemães a uma taxa de juro média de 3,2%.

Sócrates arrecadou muito dinheiro através de familiares, mas ficou sem o poder. E indivíduos desta espécie precisam de poder, precisam de andar todos os dias na primeira página dos jornais.
Pôr um microfone à frente deste indivíduo só vai dar asneira. Mas parece que há jornais que andam a precisar de aumentar a tiragem, nem que para isso seja preciso descredibilizar o País.


sexta-feira, 6 de abril de 2012

Portugal pediu assistência financeira há um ano


Há um ano, depois de um pedido de empréstimo, apenas a 6 meses, concedido a uma taxa de juro — próxima de 6% — que a estagnada economia portuguesa não podia pagar, Teixeira dos Santos decidiu pôr fim à lenta agonia financeira do País e obrigou José Sócrates a pedir a intervenção externa.

Os bastidores desse dia que ficou na história da economia portuguesa:






quinta-feira, 22 de março de 2012

"A comichão do BPN"


"21 Março 2012, 23:30 por Pedro Santos Guerreiro | psg@negocios.pt

A comissão de inquérito do BPN vai revolver tudo para concluir nada.

Políticos do PS e do PSD vão inquirir políticos do PSD e do PS — mas nenhum quer pratos limpos, só roupa suja. As únicas comissões que funcionaram no BPN foram as comissões milionárias pagas por debaixo da mesa a gentis enriquecidos. Eles andam aí.

O BPN é um caso de polícia e um caso de política. Foi arma de arremesso nas eleições, foi infamemente gerido por gente do PSD, depois mal digerido por gente do PS, afectou a imagem (e a sensibilidade) de Cavaco Silva. O processo de destruição já foi analisado noutra comissão de inquérito, que também remexeu muito, revelou algo e teve de eficácia nada. Esta nova comissão analisará o pós-escândalo: as decisões de nacionalização, a gestão política e delegada na Caixa Geral de Depósitos, e a privatização que, aliás, está ameaçada e pode muito bem não acontecer. Vejamos cada uma destas fases.

Portugal está hoje cheio de gente que diz que a nacionalização foi um erro. Não foi erro nenhum. Não naquelas circunstâncias. A discussão que se pode ter não é se o BPN devia ter sido ou não nacionalizado, mas se a opção antes proposta por Miguel Cadilhe (que pedia 600 milhões de euros ao Estado) foi bem ou mal chumbada. Uma vez chumbada, a nacionalização tornou-se inevitável. A operação pode ter tido aproveitamento político subsequente mas José Sócrates e Fernando Teixeira dos Santos fizeram, naquelas circunstâncias, bem.

É hoje fácil falar contra. Na altura, na precisa altura da decisão, além do PCP e do Bloco de Esquerda, só me lembro de três vozes contra: Henrique Granadeiro, Henrique Neto e Nicolau Santos. Só estes têm plena autoridade para falar disso agora. Os outros que agora enchem o peito calaram-se. E calaram-se bem. Porque a situação era muitíssimo arriscada. O risco de corrida aos bancos era real. Se ler o testemunho do John Authers, do "Financial Times", nas páginas seguintes sobre o que viu naquele final de 2008 em Inglaterra mas não pôde noticiar para não propagar o pânico, encontrará a descrição que muitos jornalistas de economia, incluindo no Negócios, então tiveram. O risco sistémico não foi uma invenção. O pânico esteve à beira da deflagração. Que ministro das Finanças correria o risco de dinamitar uma corrida aos bancos? Nenhum.

Seguiu-se uma gestão de um filho enjeitado pela Caixa. Aqui o pecado é político: tanto tempo para quê? Para manter uma arma política do PS contra o escândalo do Freeport? Se não foi, parece. E assim se manteve um banco zombie, consumindo cada vez mais dinheiro e destruindo cada vez mais a marca. E mantendo condições de concorrência desleal no mercado.

Da privatização aqui escrevi: um mau negócio mal feito, em que o BIC aproveitou a pressão da troika para a venda rápida e impôs tudo o que queria. Porque, apesar do simulacro do Montepio, o Estado só tem uma alternativa: fechar o banco. Liquidá-lo. O BPN não vale nada enquanto marca. É apenas um negócio imobiliário. E as negociações arrastam-se ainda com tanto desinteresse que talvez os accionistas do BIC, Amorim e Isabel dos Santos, não estejam sequer interessados nele, mas noutro: o controlo da Galp, também paralelamente negociado com o Governo.

Esta triste e interminável história já custou aos portugueses acima de dois mil milhões de euros, mais do que o corte dos salários da Função Pública e pensões. Pode custar ainda outro tanto nos veículos que estão em recuperação, e mais 600 milhões agora da Caixa. A conta total pode passar os cinco mil milhões. Presos? Nem um. E só um preventivo.

A história do BPN não é uma saga, é uma chaga. E isto não é comissão, não é sequer uma comichão, é uma sarna, é um arrepio de unhas a raspar na ardósia, é um escândalo de regime que devia ser encerrado numa urna inviolável de vidro à entrada da Assembleia da República para que eleitores nunca se esquecessem e eleitos sempre se lembrassem. Aqui se faz o BPN, aqui não jaz o BPN."


A opinião dos outros:

VMBraga 22 Março 2012 - 00:57
O BPN não é o Citi
O BPN nunca deveria ter sido nacionalizado, porque não era um banco sistémico. Nos EUA desde 2008 mais de 200 bancos foram a falência e não vejo o governo nacionalizar nenhum deles. Eles arriscaram com o Lehman Brothers, um banco sistémico, e correu mal mas isso não quer dizer que todos sejam sistémicos e, portanto, que devam ser salvos. Bancos mal administrados devem ir a falência como uma empresa normal. Os depósitos devem ser garantidos até um certo montante e mais nada. A Irlanda esta falida porque salvou um banco não sistémico e hoje toda a gente sabe que foi um erro.

Se o jornalismo fosse livre, os nomes já estavam nas páginas dos jornais e nas televisões
22 Março 2012 - 07:25
Liberdade acabou!
Conquista da liberdade em Portugal com o 25 de Abril foi um embuste para colocar a maçonaria no poder? Pagamos taxas de áudio e tv! "Somos livres" entre aspas! Se o jornalismo fosse uma ferramenta de divulgação sem intervenção de censura, os nomes já estavam publicados há muito! Os "gentis enriquecidos" não eram filhos de pais incógnitos! Tinham nome!

Almiro Tojal 22 Março 2012 - 12:17
Um regime
Temos sido saqueados e estamos a pagar para dois gangs, o socialista e socrático dos varas e das PPP’s, rendas e negociatas, e o cavaquista dos isaltinos, miras, hortas, dias loureiros, duartes limas, o das negociatas dos bancos que levaram à falências e das pescas que estoiraram e da agricultura que destruiram. A cambada que acumula reformas por meses de trabalho enquanto o povo morre à míngua. Isto é que é o fascismo, ainda não viram?

Bodas 22 Março 2012 - 12:24
Ui, VMBraga, tanta asneirinha
Nós não vivemos nos "States". Nós não somos despedidos de um dia para o outro. Nós não temos todos seguros de saúde, and so on... Meu caro, sou bancário, dos pequeninos, claro, e te garanto: se o BPN tivesse fechado portas, com o dinheirinho da malta a ir todo para o galheiro, como estava o povo na altura, no dia a seguir tínhamos filas em todos os Bancos, com o pessoal a querer o dinheiro em nota. Não existiu qualquer falência e, mesmo assim, foram muitos os que deixaram de ter contas em Bancos.


Atento 22 Março 2012 - 12:44
Ora vamos lá ver
Caro PSG,
Eu também fui contra a nacionalização só do BPN e explico: já que estamos a falar do sector financeiro da SLN porque é que ficou de fora a companhia de seguros adjacente, a saber, a Real Seguros? É que esta companhia estava bem financeiramente e já que estamos a falar de um caso de polícia, afirma PSG e eu concordo, a reprivatização da mesma seria rentável e serviria para atenuar os eventuais, certos, prejuízos decorrentes da nacionalização do BPN.
Donde concluo que o processo de nacionalização foi feito de modo a garantir que os activos bons ficariam ao serviço dos accionistas da SLN e os prejuízos e roubos seriam de todos... Enfim foi uma PPP com a SLN.

Não tenho por adquirido que o plano Cadilhe não fosse possível, até porque a voz do Governador do Banco de Portugal levantou-se contra, mas na comissão de inquérito esse mesmo Governador disse que nada viu, sabia e fez, logo a conclusão pode estar errada.
Mas PSG afirmar que no Governo anterior a única alternativa, depois do chumbo do plano Cadilhe, era a nacionalização do BPN parece-me, e desculpe, uma defesa a mais uma medida desse governo, que se veio revelar ruinosa e que todos deviam ter antecipado o resultado final, incluindo PSG.
E ainda lhe acrescento outra má medida: considera, ou não, ruinoso o aval do Estado aos 400 milhões de euros para o BPP, que na altura todos sabiam que não iriam ser pagos, e que esse dinheiro serviu para alguns dos clientes mais sonantes poderem ir buscar o que lá tinham enquanto os outros ficaram a arder?

Mantemos no horizonte que o BPN é um caso de polícia.
Assim, e concordando com o âmago do seu artigo e até com algumas, quase todas, conclusões que tira do processo de reprivatização, deixe-me dizer-lhe que ao ler o mesmo fico com a sensação que esta forma de reprivatizar é mais grave que a nacionalização. Por maioria de razão estou convicto que o mais grave foi o roubo, e a reprivatização fica em pé de igualdade com esta nacionalização, ruinoso para o Estado e ainda serve alguns interesses privados.
Também não dou por adquirido que existiria uma corrida aos bancos e que o risco era sistémico, existem bancos muito maiores e com maior posição no mercado (BCP, BES, BPI, DB, Santander). Mas a existir, bastava o Governo ter anunciado que todos os clientes BPN passariam a ser clientes CGD, mantinham a garantia dos mesmos nos limites actuais e a esses clientes criariam, nos primeiros três meses, tectos de levantamento de activos. Basicamente foi isto que a CGD fez ao transferir verbas para o BPN.
Sobre a Gestão, desde a nacionalização à reprivatização, concordo consigo, sobre as considerações políticas também. A verdade, o Sr. PSG também a disse: julgados e condenados 0, mesmo 0. E nós vamos continuar a pagar.


Atento 22 Março 2012 - 13:14
Posso consultar?
Caro Bodas,
Concordo com a 1ª parte do seu post. De facto não somos os "States".
Sobre a 2ª e o risco sistémico, sou daqueles que não tem por adquirido que existisse mas, antes de me dar a sua opinião pessoal sobre as asneiras que os outros escrevem, faço-lhe dois pedidos:
  1. Se possível, diga-me qual as fontes que consultou para afirmar que o risco sistémico era inevitável?
  2. Onde posso ler a estatística do número de pessoas que deixaram de ter conta bancária no auge da Crise do BPN em 2008? Ou de 2008 para cá?
Não duvido das suas afirmações mas, na minha incultura, gosto de aprender e mudar de opinião, se justificado, e certamente a acusar os outros de escreverem asneiras, sei que terá dados seguros, mais que a sua experiência pessoal, que eu possa consultar de modo a que concorde consigo. É que os dados que eu tenho são: só existiu corrida a dois bancos — BPN e BPP — a outra banca teve mais trabalho, é verdade, mas fecharem contas bancárias não me pareceu e até me recordo de declarações do Dr. Ulrich e do Dr. Ricardo Salgado em sentido contrário.

Legru 22 Março 2012 - 15:02
Complicado
Há duas situações neste processo do BPN que não consegui ainda entender:
  1. Porque se nacionalizou o BPN e não a SLN, detentora do capital?
  2. Após a nacionalização não seria mais razoável a integração deste banco na CGD?
É que pelo preço que vai ser vendido, penso que para a CGD seria perfeitamente comportável, contribuiria para a sua expansão e evitar-se-ia que este banco venha a ser "ponta de lança" de actividades obscuras vindas de estrangeiros.

Miguel Guerreiro 22 Março 2012 - 16:50
E o auditor?
Por que razão não atacam a BDO?
A PWC fez reservas às contas de fazer corar alguém com um escaldão. Mudaram de auditor para a Deloitte. Esta repetiu as reservas e ainda acrescentou novas. Mudaram para a BDO. Estes silenciaram tudo. E o BdP a ver...
O auditor passa por entre as gotas da chuva? A imprensa deixa? Por menos faliu a Andersen.


sexta-feira, 21 de outubro de 2011

"Explicação, responsabilização, expiação"


"21 Outubro 2011 | 12:02
Fernando Braga de Matos - fbmatos1943@gmail.com


(Onde o autor, presumindo que o primeiro-ministro não é um discípulo do divino marquês e que o conselho de ministros não é um lugar de deboche onde se praticam exercícios retirados de ilustrações de Sacher-Masoch, com Gaspar ao chicote, conclui que o País tem mais buracos que um queijo suíço e que muitos o fabricaram e não apenas Sócrates, o não-filósofo, pelo que sugere que os responsáveis sejam investigados, expostos em pelourinho e vilipendiados pela sofrida populaça).

Antes de mais, nesta história do orçamento terrorista de 2012, confidencio aos meus estóicos leitores, as duas principais sensações imediatistas que me assaltaram: em primeiro lugar, se o primeiro-ministro sentiu um murro no estômago, eu senti um pontapé nas partes baixas; em segundo lugar, ocorreram-me enormes saudades do inesquecível Teixeira dos Santos a apresentar o Orçamento do Estado às tantas da noite, ainda estremunhado, com umas "pens" esquecidas no gabinete e uns gráficos perdidos no Mercedes de apoio, comparando-o com um insuportável Gaspar, a explicar tudo e a chegar a horas, quando umas boas aldrabices eram muito mais tranquilizadoras.

Mas o dito orçamento Boris Karloff realmente necessitava de uma explicação, pois a surpresa do desvio colossal já parecia digerida e até se dizia que o corte de meio subsídio de Natal já ia para as folgas, ou não fosse verdade que o anterior dono da loja roubava no peso. A explicação veio, e, realmente, chegar-se a seis meses com 70% da receita exaurida e ter que se descortinar 7.000 milhões em 2012 deixa aterrorizado o mais coriáceo dos pagadores de promessas, se é que o são realmente. Mas quais consumos intermédios ou quais gorduras?! O que se vê, e já me parecia a mim, um simples observador com acesso exclusivamente a informação e opinião pública disponíveis, é que o País já há muito seguia "socialisticamente" em roda livre e, nos últimos tempos, com um vendedor de banha da cobra a dirigir os destinos das gentes, enganando tudo e quase todos. Já o venho escrevendo há anos, iluminado embora pelo Espírito Santo. Agora, temos que suportar e confiar que realmente a economia dê o golpe de rins lá para 2013 e que, até às próximas eleições, que o PSD patrioticamente vai perder, se faça a reforma do modelo económico, do Estado e das contas públicas, para regenerar o País em 10 anos.

Entretanto, quando aparecem as pessoas muito justamente perplexas, indignadas e tolhidas, acorrem uns encantadores de serpentes, com soluções fantásticas como a do investimento sem dinheiro e a de renegociar, já, o acordo que Sócrates assinou, em nome do Estado, há seis meses, como se isso dependesse de nós. Entretanto, passa-se por alto que, se o dinheiro da "troika" não entrasse, era a economia que parava, desde o abastecimento de gasolina a alimentos nos supermercados, passando por pagamentos de salários e pensões. A venda da ilusão de caminho alternativo aos que perderam as alternativas é cruel e criminosa.

E volto a perguntar: não se via tudo há muito, mesmo sem as demonstrações gráficas de Medina Carreira, os avisos de Cavaco ou as denúncias do Tribunal de Contas? Não se achava estranho o milagre da Madeira, mesmo quando os fundos já escasseavam? Não se via que o dinheiro despejado a jorros tinha muitos bolsos ávidos, muitos "boys", muita auto-estrada para lado nenhum, muitos aeroportos de Beja, muitos Paulos Campos, muitos BPN vígaros e supervisores vesgos, muitos varas a receber robalos, muitas quimeras ferroviárias para transportar espanhóis a banhos, muitos cavernícolas de Foz Côa, muitas obras de arte tipo urinol nas rotundas, muitos direitos adquiridos, muitos ricos a ganhar salário mínimo, muitas Fundações sem fundo? Era necessário ser-se génio para, estando no Governo ou fora dele, saber que os défices se transformam em dívidas e estas, um dia, têm que se pagar com juros, até que os credores se cansem e mandem à m… um país onde, ainda há pouco tempo, havia tantos desempregados como "baixas" ao trabalho e que os trabalhadores alemães torçam o nariz quando se lhes exige (sim, exige!) solidariedade europeia?

Um hábito terrível que os portugueses têm, interiorizando a ideia, é o de falar de dinheiro do Estado, esse grande pai adorado que tantos querem omnipresente, sem pensarem que os fundos são deles próprios, enquanto contribuintes. Adoram ver os recursos nas mãos desse patrão, mesmo que os vejam delapidados, na esperança que alguma coisa lhes caia em sorte, na mesa do orçamento, e, na passada, desistem de os monitorizar, desculpando a ladroagem, a incompetência, o vil engano. Vozeiam, mas desculpam, quando não premeiam mesmo.
Agora chegamos aqui. Quem foi que nos trouxe a este lugar? E essa gente fica impune?"

*

Resposta:
Legislação já temos — Lei n.º 34/87. Agora, senhores magistrados do Ministério Público, façam o vosso trabalho. E se o senhor Procurador-geral da República ou o Conselho Superior do Ministério Público vos bloquear, denunciem as situações.


terça-feira, 31 de maio de 2011

Um epitáfio


O Finantial Times fez ao líder do PS um notável epitáfio:

"Quer José Sócrates, primeiro-ministro de Portugal, ganhe ou perca a eleição geral de 5 de Junho, a sua campanha eleitoral já fez história política."


naolivre 30 Maio 2011
Foi o F.T. que...
... classificou, em 2009, Teixeira dos Santos como o pior da zona euro. E os portugueses reelegeram o governo, com as consequências sabidas. A solução é tirar poder ao socialismo e ao comunismo. Na Europa os povos mais prósperos e menos desiguais têm governos à direita da social-democracia. Por cá, com o socialismo, a desigualdade aumentou 5 x mais do que na UE. Foi da crise? Abram os olhos enquanto é tempo, já em 2009 era tarde!


vic999 30 Maio 2011
Talvez...
... o povo português tenha atingido uma maturidade política suficiente para perceber que não é mudando os intervenientes que muda as condições de vida. O povo não é estúpido.


danny1williams30 Maio2011
Não Livre, PS, PCP ou BE?

E com o actual CDS e PSD seria livre?
Claro que não, não são coisas novas.
A economia cartelizada e oligopolizada, irresponsabilidade, corrupção e o peso do Estado não foram só PS. Era bom...
Portugal tem que mudar de paradigma e isto não é só um problema de socialismo ou comunismo.

Agora é urgente mudar de partido mas amanhã, com a oposição actual, poderemos voltar a ter o mesmo discurso outra vez o que é desesperante.

A fraude BCP por ex. é defendida pelo maçom Soares, e o PS Sócrates e Guterres viram e calaram... Mas a opus dei é que beneficiou directamente... chama-se corporativismo e interessa a todas as máfias, menos a Portugal.
Não há partidos a tocar nisto.

E você, Não Livre, é pseudo liberal e de nada disto fala...
A vida é feita de coisas concretas e simples, não é de missas. De missas estamos fartos, quaisquer que sejam!


furox 30 Maio2011
Qual dos dois?
É engraçado que nas opiniões aqui dadas, andam todas em redor do Sócrates, ou a favor ou contra. Rara é a que apela ao voto no PSD/Passos Coelho, pelos méritos do programa ou pelo carácter e personalidade do líder...
De facto este é que é o problema: para uns, não existe confiança na alternativa a Sócrates (senão essa alternativa ganharia até a maioria absoluta), para outros, apesar de tudo reconhecem ainda em Sócrates, face às alternativas, o mais capacitado para governar, apesar dos inúmeros erros e aldrabices.
Eu penso que a oposição não se deve queixar do Sócrates mas sim da liderança que escolheu. Se a oposição ao Sócrates não ganhar, será uma derrota incrível. Mas acima de tudo penso, também, que o país perderá seja qual dos dois vencer.


Mamartins 30 Maio 2011
Engº?
Em Portugal, o exercício de uma profissão relacionada com a Engenharia está regulamentada por uma Lei da República. Foi criada uma Ordem para aplicar essa regulamentação.

Uma das regras diz que só podem usar o título de Eng. quem está inscrito na Ordem. Ora já foi afirmado que José Sócrates não está inscrito.

LOGO: Deixem de uma vez por todas de o chamar Eng.! Assina: um verdadeiro Engenheiro.


PJMMoreira 30 Maio 2011
O estado social(ista)
O que o FT não sabe é que, desde António Guterres, os socialistas trabalham para criar um país de dependentes do Estado Social. É com os votos dos boys, dos subsídio-dependentes, dos que vivem à custa da Administração, seja Central ou Local, que se ganham as eleições neste país da treta.
Não é, com certeza, quem trabalha e paga impostos que vai votar neste lunático. O drama é que são cada vez são mais os que recebem e menos os que contribuem. O fim da linha está próximo mas até lá a ignorância, o egoísmo e mesquinhez do português vai garantir que mentirosos compulsivos como o Sr. Sócrates continuem a ganhar eleições, para castigo deste país com 868 anos de história.


duartefsantos 30 Maio 2011
Qual a surpresa?
Qual a surpresa? O "Dr." Alberto João Jardim não ganha eleições, há mais de 30 anos, exactamente com as mesmas políticas do Sr. "Eng" José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa?


vaidavalsa 30 Maio 2011
Será que o povo quer a volta da ditadura?
Imaginem o que irá acontecer se chegarmos à banca rota, com os militares, como quase aconteceu recentemente, a não receberem os seus vencimentos.
Não sou contra a ditadura se ela for inevitável e, assim, se matar a fome do povo e assegurar a segurança pública, quando um levantamento social se instalar, com invasões da propriedade alheia, quebras e outros tipos de violência. Não seriam suficientes seis meses, como dizia Manuela Ferreira Leite, mas umas dúzias deles.
Porém, custa muito, depois de atingirmos a democracia, ainda que mal exercida, voltarmos atrás, sairmos do euro, aumentarmos a pobreza e a exclusão social.
Temos que pagar a dívida externa. Honrar os compromissos. Aumentar a competitividade. Excluir, politicamente, quem nos colocou nesta situação neste últimos 6 anos.
Será que este povo é mais burro que os outros citados no Financial Times? Essa é a pergunta que nos fazem e que devemos ter em mente.


quinta-feira, 5 de maio de 2011

5 de Maio de 2011, portugal


A conferência de imprensa conjunta após o acordo entre as autoridades portuguesas e a troika FMI/BCE/CE sobre o programa de ajustamento económico, com os seguintes oradores:

  • Jürgen KRÖGER, Chefe da missão da Comissão Europeia
  • Rasmus RÜFFER, Chefe da missão do Banco Central Europeu
  • Poul THOMSEN, Chefe da missão do Fundo Monetário Internacional



05/05/2011 | 11:00


A tareia recebida pelo Ministro das Finanças Teixeira dos Santos:


2011-05-05 21:43:30


E a reacção dos cidadãos lusos:


espaco1999 05 Maio 2011 - 14:34
Eng? Socrates, se tivesses vergonha...
...estavas é caladinho.
És um vendedor de banha da cobra", um aldrabão que passou 12 anos em governos a gozar com a cara dos portugueses. A herança que deixas é um país completamente manietado, sem presente e sem futuro à vista. Voltaste a transformar Portugal num país de emigração, tu que prometeste criar 150.000 postos de trabalho.
Dizias que tudo estava bem quando tudo estava mal. Dizias que já estávamos a sair da(s) crise(s), quando cada vez o País se atolava mais na crise. Por cada degrau que dizias que o país subia, ele afundava dois.
Depois de tudo, ainda atrasaste o pedido de auxílio, dizendo que te recusavas a governar com o FMI, fazendo aumentar ainda mais os sacrifícios que causas aos portugueses.
Eng? Sócrates, tu és psicopata e tens atrás de ti um grande bando de alienados e dependentes que manipulas a teu bel prazer. Tu, e esses seguidores, são a desgraça do País. Se isso fosse possível, deveriam ser vocês a pagar os custos da crise sózinhos. Da minha parte, não tenho qualquer responsabilidade. Sempre estudei, trabalhei, paguei os meus impostos. Nunca vivi de expedientes. Eng? Sócrates, devias ser preso e julgado. Tem vergonha, ou procura um bom psiquiatra.


francisgodinho 05 Maio 2011 - 15:18
Criar uma deliberação na assembleia — Lei 17/2003
São necessárias 35.000 assinaturas para se fazer discutir assuntos na assembleia, certo?
É começar-se a fazer algo no sentido de serem apuradas responsabilidades dos dirigentes nos últimos 20 anos, enriquecimentos ilícitos, contratação por empresas anteriormente dependentes, compras de imobiliário, decretos-lei com favorecimentos descarados, etc. Pode não se conseguir colocá-los atrás das grades mas pode ser que se consiga irradiá-los da política. E sou mais apoiante da direita (PSD) do que de esquerda, mas acho que temos de ser todos honestos.
Peça-se conselhos à Islândia e se veja como eles estão a tentar construir um país novo baseado numa nova Constituição feita por "não-políticos" mas elementos do povo mesmo. Vamos mudar isto!


quarta-feira, 27 de abril de 2011

"Obrigado, senhor ministro"


"Obrigado, senhor ministro
27 Abril 2011, 11:53 por João Cândido da Silva | joaosilva@negocios.pt

O desempenho de Fernando Teixeira dos Santos está muito longe de ter sido o que qualquer português desejaria.
Iniciou o mandato como ministro das Finanças com a tarefa de endireitar as contas públicas e ajudar a estimular o crescimento da economia. Falhou nas duas frentes.


O impulso reformador inicial do Governo socialista e o objectivo de colocar em ordem as finanças públicas começaram a ceder terreno no momento em que os interesses eleitorais começaram a falar mais alto. E o ministro das Finanças foi cúmplice na festa.

"Em 2008, quando o calendário começava a corrida em direcção às legislativas do ano seguinte, Fernando Teixeira dos Santos escolheu a pior conjuntura para descer a taxa normal de IVA. (…)

Em 2009, quando a meta política prioritária do primeiro Executivo de José Sócrates deixou de ser, definitivamente, a boa governação e foi substituída pelo objectivo de ganhar as eleições, o ministro das Finanças deu o aval a que se aplicasse a poção mágica que já tinha dado frutos em ocasiões anteriores e com outros protagonistas.

O aumento dos funcionários públicos vinha mesmo a calhar, porque o seu peso eleitoral impõe respeito quando chega a hora de praticar a caça ao voto. E o mesmo sucedeu quando o pretexto da crise internacional assentou como uma luva para justificar a generosidade dos cofres do Estado. Keynes teria ficado de cabelos em pé se soubesse que uma pequena economia com um endividamento externo em alta imparável e uma baixa taxa de poupança interna se serviu do seu nome para fundamentar mais despesa, mais dívidas e, no fim de tudo isto, mais recessão.

Os números são pouco simpáticos para Teixeira dos Santos e a pressão actual para que haja maior transparência na contabilização dos compromissos que os contribuintes têm que carregar sobre os ombros não os tem melhorado. Pelo contrário. De cada vez que o Eurostat abre a boca, o défice dá um salto e a dívida pública faz de macaco de imitação. Como currículo de um ministro das Finanças, não é brilhante.

Qualquer pessoa tem direito ao seu momento de redenção. Fernando Teixeira dos Santos soube aproveitá-lo. Se o primeiro-ministro se viu forçado a abandonar o seu patriotismo delirante e impedido de continuar a assistir, impávido, ao naufrágio nacional, de PEC em PEC, foi porque o ministro das Finanças decidiu, por uma vez, impor a sua vontade e obrigar José Sócrates a fazer o inevitável pedido de ajuda externa. Apesar de tudo o resto, que não é bom, obrigado senhor ministro.
"


quinta-feira, 21 de abril de 2011

Teixeira dos Santos, bode expiatório dos erros de Sócrates

Nota do gabinete do ministro de Estado e das Finanças




O ministro das Finanças que, em 9 de Outubro de 2010, traçou o limite de 7% para as yields da dívida soberana, defendendo o recurso ao FMI quando este limite fosse aproximado, não foi convidado para participar nas listas de candidatos a deputados do PS.
Pretende-se limpar a imagem de José Sócrates tentando responsabilizar o ministro das Finanças pelo odioso das medidas de austeridade que aí vêm.

Vieira da Silva, o incompetente ministro da Economia que não sabia o custo da energia eléctrica para as empresas, homem do aparelho socialista, cabeça de lista por Setúbal e responsável com José Sócrates pela elaboração das listas, ao invocar a necessidade de renovação para justificar o afastamento de Teixeira dos Santos dessas listas, revela agora uma absoluta hipocrisia.


sexta-feira, 1 de abril de 2011

O PR convocou eleições legislativas para 5 de Junho


Numa cimeira da UE, o primeiro-ministro compromete-se com um PEC IV que não fora previamente aprovado na Assembleia da República, nem sequer mostrado aos deputados e ainda menos ao Presidente da República.
É óbvio que esta atitude fazia parte de um plano para que o parlamento reprovasse o dito e lhe desse um pretexto para pedir a demissão, evitando ser obrigado a reconhecer que conduziu Portugal à segunda bancarrota* da sua história.




Aceite a demissão pelo Presidente da República, fica demitido o governo justamente no dia em que se sabe que o défice orçamental ascendeu a 8,6% em 2010, a 10% em 2009, a 3,5% em 2008 e 3,1% do PIB em 2007, ou seja, antes da crise financeira internacional o país já excedia o limite de 3% imposto por Bruxelas.
Tendo todos os partidos afirmado que a crise política não é resolúvel no actual quadro parlamentar, e ouvido o Conselho de Estado que se pronunciou favoravelmente e por unanimidade, o presidente decidiu dissolver a Assembleia da República e convocar eleições antecipadas para o próximo dia 5 de Junho.
E que faz o ministro das Finanças? Recusa o ónus de negociar a ajuda financeira externa para Portugal, em entrevista à TVI, e atira a responsabilidade do pedido para o PR.
O Governo "não tem legitimidade" para pedir ajuda, afirmou o ministro. "A única entidade que pode assumir compromissos pelo País é o senhor Presidente da República".

Livre de responsabilidades, Sócrates parte para eleições antecipadas confiando nas suas habilidades para convencer um eleitorado pouco qualificado e esclarecido a dar-lhe a maioria absoluta que lhe garantiria a carreira e a dos amigos.


* O país sofreu uma bancarrota parcial em 1891.


antiabrilada 31 Março 2011 - 22:17
Palavras premonitórias que se tornaram realidade
O velho ditador que, ao que consta, não era ladrão entendia que o Povo Português não estava preparado para viver em democracia. Dizia ele que “isso seria colocar o País nas mãos duma corja de chicos-espertos e ladrões que levariam o País à ruína”.
Palavras premonitórias? Sim! Palavras premonitórias que se tornaram realidade. Ele sabia bem a índole dos aboletados que se lhe seguiriam e de que hoje temos cabal conhecimento. Uma corja de ladrões. Daí esta democracia de ladrões, trafulhas e bandidos. É preciso pôr cobro a esta ditadura dos aboletados.
É preciso um Governo de salvação nacional e um Tribunal competente para investigar as fortunas dos aboletados feitas nestes últimos trinta e tal anos à custa do sangue e do suor do Povo, de modo a que o País possa recuperar, enquanto há tempo, o que lhe foi extorquido. Faça-se justiça.


ixelles 31 Março 2011 - 23:08
Falso
Oh Senhor Teixeira dos Santos, o governo têm legitimidade sim e pode pedir sim, não tem é credibilidade nenhuma, esse é que é o seu problema, aos caloteiros e aldrabões normalmente é o que acontece.


joaomotta 31 Março 2011 - 23:42
Cambada!
Já não há pachorra para aturar esta cambada. De facto Salazar (não, não era fã) sabia onde os "novos democratas" nos iriam conduzir e, também, qual era o seu sentido de "servir(em-se) do país".
Só resta uma alternativa, como tenho vindo a defender há vários anos: não votar até que o sistema eleitoral seja alterado para voto com cruz à frente dos deputados propostos pelos partidos.


espoliado 31 Março 2011 - 23:48
Muito bem "antiabrilada"!
Desde que o velho morreu ficámos entregues a esta corja parasitária e espoliadora do resignado povo tuga. Ter a “latosa” de dizer que o povo é soberano e é quem vai decidir os destinos do país nas anunciadas eleições de 5 de Junho, é o mesmo que dar a escolher o carrasco da execução a um condenado à morte.


varegue 01 Abril 2011 - 00:59
Já agora, para os fãs do Salazar:
Por que não, antes, o Marquês de Pombal? Esse sim, sabia como se recupera um país depois de um terramoto!


antiabrilada 01 Abril 2011 - 02:33
Crise? Qual crise? Alguém nota que a crise tenha atingido os aboletados?
Vem aí mais uma sessão do vira minhoto “ora agora viro eu, logo depois viras tu”, para a coisa ficar tal como está e como convém aos aboletados de sempre, que nestes últimos trinta e tal anos vêm sugando o sangue e o suor do Povo Português.
E adormecem o pagode com slogans eivados de hipocrisia como este que reza: “o povo é soberano e é quem decide”. Nesta trafulhice que é este estado de coisas, o Povo não decide nada. Já tudo está decidido! Ou são estes, ou são aqueles. Tanto faz que o parasita seja um piolho ou uma carraça. O sangue é sugado na mesma. E é isto que é imperioso acabar duma vez. Está provado, com trinta e tal anos de prova que a coisa está feita para beneficiar os mesmos.
Há que gritar alto e bom som: Basta! E exigir:
  • Um Governo de Salvação Nacional
  • Um Tribunal que faça o levantamento de quem enriqueceu na política nestes últimos trinta e tal anos, analise, julgue e decida se foi enriquecimento sem causa
  • Uma nova Constituição
  • Acabar com o financiamento do Estado aos Partidos Políticos. (É ignóbil que o Povo ainda por cima tenha que pagar a esta corja. Bem basta o que roubam, nada produzindo). Se querem ter um partido que o façam de sua conta e risco e com o seu próprio dinheiro.
Portugal ainda há de voltar a ser um País de que os Portugueses se orgulhem. Mas para isso há que dar um valente pontapé nos parasitas do sangue alheio. Se será sem dor ou com dor, o futuro nos dirá.

terça-feira, 29 de março de 2011

A dívida a engordar e a credibilidade do país a minguar


Mansamente e baixinho, para não assustar demasiado o povinho, o que os economistas sabiam e os contribuintes temiam acaba de ser anunciado pelo governo, perdão, pelo INE: o governo português não tinha incluído na contabilização do défice público os 2000 milhões de euros injectados no BPN para compensar os capitais próprios negativos.

Outro buraco que é preciso tapar, e ascende a cerca de 500 milhões de euros, deriva de empréstimos concedidos a empresas de transportes que correm o risco de incumprimento.

Estas alterações anulam o efeito benéfico da habilidade orçamental de enfiar o fundo de pensões da Portugal Telecom nas contas públicas e poderão ter levado o défice de 2010 a superar os 8% do PIB.

Mas Teixeira dos Santos já apontou o dedo ao Eurostat por esta situação: os contabilistas do ministério das Finanças são eficientes, criativos e recomendam-se, se há desvio nos cálculos relativamente ao compromisso de 7,3%, isso resulta de uma mudança nas normas contabilísticas da UE.

O Banco de Portugal, que ontem se manifestou indisponível para auditar o défice, lá tinha as suas razões...


sexta-feira, 11 de março de 2011

O PEC 4


Eis as medidas adicionais de austeridade apresentadas pelo ministro das Finanças Teixeira dos Santos para 2012 e 2013:

Medidas de redução da despesa: 2,4% do PIB (1,6% em 2012 e 0,8% em 2013)
  • Congelamento dos salários no sector público
  • Congelamento do indexante dos apoios sociais (IAS) e suspensão da aplicação das regras de indexação de pensões
    [Nota: já suspensos no ano corrente pelo art.º 67 do OE 2011]

  • Contribuição especial aplicável a todas as pensões
    (com impactos semelhantes à redução dos salários da Administração Pública)
  • Redução de custos com medicamentos e sub-sistemas públicos de saúde, aprofundamento da racionalização da rede escolar, aumento da eficiência no aprovisionamento e outras medidas de controlo de custos operacionais na Administração Pública
  • Redução da despesa com benefícios sociais de natureza não contributiva
  • Redução de custos no Sector Empresarial do Estado e nos Serviços e Fundos Autónomos: revisão das indemnizações compensatórias, dos planos de investimento e custos operacionais
  • Redução de transferências para autarquias e regiões autónomas
  • Redução da despesa de capital

Medidas de aumento da receita: 1,3% do PIB (0,9% em 2012 e 0,4% em 2013)
  • Revisão e limitação dos benefícios e deduções fiscais, designadamente em sede de IRS e IRC
  • Racionalização da estrutura de taxas do IVA
  • Actualização dos impostos específicos sobre o consumo
  • Conclusão da convergência no regime de IRS de pensões e rendimentos do trabalho
  • Combate à informalidade e evasão fiscal: controlo de facturas e cruzamento de declarações de volume de negócios com pagamentos automáticos

Portanto o impacto estimado das medidas adicionais de consolidação em 2012 e 2013 é de 3,7% do PIB (2,4% via despesa e 1,3% via receita).


As medidas anunciadas vão ter que ser aprovadas no parlamento.


Taxa de juro da dívida a cinco anos atinge 8%


A yield da dívida pública portuguesa a cinco anos sobe 22 pontos base para 8%, superando a de emissões com maturidades mais longas. Um sinal de que os investidores descrêem da solvabilidade das contas públicas no curto prazo e esperam que o País vá recorrer à ajuda externa para se financiar.

A taxa de juro das obrigações a dez anos sobe 10 pontos base para 7,6% e na maturidade a dois anos a taxa sobe 15 pontos base para 6,52%.

A taxa de 8%, a mais elevada desde que Portugal aderiu ao euro, é atingida no dia da cimeira de líderes europeus em que se espera que seja alcançado um compromisso sobre alterações ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira. A decisão deverá ser anunciada no fim-de-semana de 24 e 25 de Março.
"Vamos esperar que esta reunião decorra", disse o ministro Teixeira dos Santos depois de anunciar medidas adicionais de corte orçamental equivalentes a 0,8 por cento do produto interno bruto em 2011 e 2,5 por cento no próximo ano. "Espero que os líderes europeus compreendam a gravidade da situação que estamos a enfrentar."

Em Espanha, pelo contrário, a tendência dos juros é de queda. Na maturidade de dez anos o governo espanhol vê o custo do seu financiamento descer 8 pontos base para 5,42% e a taxa a cinco anos recua 10 pontos para 4,44%.


myke 11 Março 2011 - 18:29
Pouca vergonha
Os meus bisnetos ainda vão ficar com dívidas feitas por esta escumalha.


1ab 11 Março 2011 - 18:46
Bisnetos?
Caro myke,
A última tranche da dívida deixada pela bancarrota de 1892, foi paga em 2001. Não sei se sabia mas é a verdade que muitos portugueses não sabem. Portanto só os bisnetos não chegam para pagar mais esta, vai muito para lá dessa geração!


terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A pedincha continua...



... e as mentiras também. O país caiu nas mãos de um mentiroso compulsivo:


sic 16 Jan 2011


O primeiro-ministro José Sócrates garante que a possibilidade de venda da dívida portuguesa ao Qatar, que tem um dos maiores fundos soberanos do mundo, não foi discutida:
"Não discutimos [a dívida], discutimos as oportunidades de investimento do Qatar em Portugal e a presença das empresas portuguesas [neste país]."


Carlos Morais. 16.01.2011 12:49 Via Facebook
O costume
Na linha tradicional do contrário do que afirma, no embuste e mentira que são uma característica da sua personalidade, eu não acredito. Por isso, para mim, Sócrates falou (pediu) mesmo no Qatar para a compra da dívida portuguesa. E assim vai continuar.
Não tem este governo uma linha definidora para resolver os problemas nem para lutar no sentido de sair da crise aguda em que nos encontramos. Agora a política, em termos actuantes, é pedir, pedir dinheiro em todo o lado. Ainda resta a Sócrates uma pequena chance: o prestígio que o nosso país possui, por esse mundo fora, mercê do seu passado e da sua história. Já não é como antes, mas ainda somos prestigiados e reconhecidos. Não graças a Sócrates, nem aos políticos de agora e de passado recente.
Sobre o artigo, para mim é o contrário do que ele afirma. É o seu género. É o costume!


sic 18 Jan 2011


O primeiro-ministro José Sócrates confirmou que o ministro das Finanças Teixeira dos Santos teve hoje de manhã reuniões com os responsáveis do principal fundo soberano do Abu Dhabi.


Jutland, Abrantes Portugal. 18.01.2011 15:10
Comprar dívida!
Mário Soares andava pelo estrangeiro de mão estendida na procura de financiadores. Agora o discurso é dizer-se que a China, Timor, Angola, etc. compram dívida portuguesa. Quantos portugueses compreendem esta linguagem?
O Estrangeiro interessa-se por Portugal por isso compra. Eles compram mas Portugal, vendedor, é nessa condição quem paga. O estrangeiro subscreve obrigações do tesouro que têm um vencimento e nessa data o tesouro português reembolsa, devolve os fundos e paga os juros a taxas na ordem dos 7%.
Por que não se promove o ajuste da taxa de juro dos Certificados de Aforro para valor apelativo para os aforradores portugueses? Estes compram e os juros ficam nas mãos de portugueses. Evita-se a saída de capitais.
Os bancos, há pois é! Transferência de poupanças da banca para o Tesouro Português. Lá vinha a falta de liquidez e crise na banca. Gerir o dinheiro e os interesses à sua volta não é coisa fácil. Boa tarde.
  • Observador, ao largo da RATARIA. 18.01.2011
    RE: Comprar dívida!
    Essa é fácil, eu respondo-te: não sobem os juros dos Certificados porque os sucateiros dos bancos faliam logo a seguir.
    De facto é triste que se ande a vender o País quando, por exemplo, em Itália (com grande dívida, mas "em casa") a maior parte da dívida contraída é dívida doméstica, que fica no próprio país; o mesmo no Japão, etc.
    Por cá os vigaristas do partido sucateiro preferem, quais traidores de Argel, pagar 7% aos estrangeiros do que 1% aos portugueses! É o espelho do que trafulhas conseguem fazer.
    • Jutland, Abrantes Portugal. 18.01.2011
      RE: RE: Comprar dívida!
      Faz a mesma leitura por outras palavras.
      Aos compradores estrangeiros dá um jeitão a crise portuguesa a 7%. Onde encontram melhor remuneração para suas economias? Portanto os portugueses que se cuidem porque amigos assim são amigos da onça — Sócrates e Teixeira dos Santos não sabem! Ainda se os fundos fossem para aplicar em meios de produção/investimento.
      O barco está à deriva.
      Empréstimos novos para pagar empréstimos a vencer/resgatar. Não valorizar as taxas dos C.A. é não querer fazer concorrência à banca. Não tem mal, quando for preciso fazem-se mais uns cortes, por exemplo nos abonos de família, as crianças inocentes nem dão por isso.
      Cavaco andou 5 (cinco) anos a poupar energias e a acumular experiência e conhecimento. Quando, e se, for reeleito, vai finalmente tomar conta dos desígnios deste tão mal tratado povo. Alguém acredita? Más recordações desde os tempos da sua governação absoluta. Nunca mais.
      Posso estar enganado. Alguém diga de sua justiça. Boa tarde.

Anónimo, Maia, Portugal. 18.01.2011 15:34
Abu Dhabi
Espero que o "vendedor" e a cambada tenham vendido algo... Pois uma noite no Emirates Palace Hotel custa entre 700 e 10.000 Euros.

Ilmério António, Aveiro. 18.01.2011 16:51
Chega!
Não é bota-abaixismo. É realismo: este homem não pode continuar a vender Portugal a retalho e não dar cavaco (salvo seja) ao Povo. Exijamos responsabilidades e tomada de posição à Oposição e ao PR!


quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Enquanto a orquestra toca, o Titanic afunda-se


A China comprou mil milhões de dívida a Portugal, pelo prazo de 18 meses, numa operação de venda directa em 5 de Janeiro. Embora o governo não confirme, consta que a dívida foi colocada à taxa de juro de 4,75%, portanto superior à que os mercados estão a cobrar nas emissões de Obrigações do Tesouro para prazos mais alargados. Por exemplo, a taxa das obrigações a três anos é cerca de 4,59%.
Trata-se de um péssimo precedente porque Portugal precisa este ano de 20 mil milhões de euros para financiar o défice orçamental de 2010 e a antiga dívida.

Parece que a China também licitou parte dos 599 milhões de euros de obrigações do tesouro a dez anos colocadas ontem, ajudando a descer a taxa de juro para 6,716%.
Este leilão foi considerado um sucesso por José Sócrates e Teixeira dos Santos porque na última emissão de 2010 a taxa atingiu 6,806%.
Na maturidade a quatro anos, foram colocados 650 milhões à taxa de juro 5,396%.



Paul Krugman, prémio Nobel da Economia, comentou no seu blogue:

"12 de Janeiro de 2011, 12:21

Concordo com Calculated Risk aqui: considerar um sucesso a capacidade de Portugal colocar obrigações a dez anos a uma taxa de juro de 'apenas' 6,7% diz alguma coisa do profundo desespero da situação europeia.
Se se pensar na dinâmica da dívida — os encargos dos juros crescentes sobre uma economia que provavelmente vai enfrentar anos de deflação para abater dívida — uma taxa de juro tão alta é pouco menos que ruinosa. Mas não é, de facto, tão má como as pessoas estavam à espera na semana passada; daí o sucesso.

Mais alguns sucessos e a periferia europeia estará destruída."


*


A opinião dos outros:

Oespanhol 13 Janeiro 2011
Sabem muito
Este fretista de Wall Street, que tem muitos iludidos europeus como seguidores, segue a voz do coração americano face ao aumento da influência chinesa.
Estavam a fazer o dente e como um carneirinho da manada não caiu já, como aconteceu com a Irlanda e a Grécia, ficaram fulos e usam estes submarinos supostamente keynesianos para fazer fretes. Os nossos "amigos", que nos têm ajudado muito, queriam continuar sozinhos a festa com os Borges, Cavacos e Coelhos à cabeça em Portugal, e como ainda não foi desta, vão buscar os Krugman e Soros ao baú.
A aliança da Nova Ordem, disfarçada de fingida boa vontade, quer continuar a ter o monopólio do roubo dos periféricos.

naolivre 13 Janeiro 2011
Este não entende ...
... nada de economia. Sócrates, sim: enquanto houver possibilidade de 'engordar os boys' tudo está bem. Mas há outro país na Europa que tenha tantos deputados à esquerda da social-democracia? O povo está a pagar as consequências do esquerdismo fora de moda. Somos os mais pobres, mais desiguais e mais endividados. Conseguimos!

piroc 13 Janeiro 2011
Não é preciso ser Nobel ...
... para chegar a esta conclusão mas, por cá, Sócrates gaba-se de ter conseguido um grande feito, ao endividar-se a 6,7%. E o resto da manada (salvo poucas excepções) segue-lhe o raciocínio... Todos em direcção ao abismo!

danny1williams 13 Janeiro 2011
Não é preciso ser Nobel ...
... mas este senhor é, com mérito.
Não é como muitos economistas portugueses da treta, em posições de destaque, algumas até lá no estrangeiro.
E se agora critica Portugal como economista, sendo americano, também o fez e faz para as políticas americanas. Mas critica com fundamento. Certo ou errado, mas fundamentado.
E quando é assim, deve-se ouvir e tentar perceber o que ele diz, acho eu... É uma questão de racionalidade.

jpgjpg 13 Janeiro 2011
Do the markets believe Portuguese leaders? Not really.

Dr_House 13 Janeiro 2011
Ruinosas não são as taxas de juro, ruinoso é o sistema
Este Nobel até parece que descobriu a pólvora! Parece que não sabe, que os EUA e a maioria dos países europeus estão falidos. Só há 2 alternativas, ou continuamos na dança das dívidas e dos créditos ou rebentamos com o sistema e abrem todos falência. Mas já que este Senhor é um Nobel, eu gostaria é que ele apresentasse uma solução concreta para reformar o Sistema actual.

anti 13 Janeiro 2011 - 13:42
Claro que sim, pois a taxa de juro do euro está em 1% ...
... e com juros a 6.7%, que serão pagos a prazo, não há investimento suficiente. Sem investimento, porque estamos a pagar dívida e juros da dívida, não há crescimento e portanto cresce a dívida.
A taxa compromete o investimento necessário. Tudo para investimento e não para eliminar passivos e juros. Senão ainda será mais difícil sair do buraco!

nmcaf2000 13 Janeiro 2011 - 15:41
Krugman
Quem acompanha os escritos deste senhor há mais de 24h (o que deve ser o caso de apenas 1% dos comentadores e jornalistas) sabe que este comentário não é uma crítica à actuação do Estado Português, o qual seguiu exactamente as medidas de intervencionismo que o Paul Krugman defende, mas sim à falta de uma estratégia integrada de combate à especulação nos mercados de dívida soberana e políticas orçamentais/fiscais integradas ao nível da zona Euro.
6,7% é uma taxa insustentável no longo prazo, não é preciso ter um prémio Nobel para o perceber.
Já o aproveitamento ridículo que a imprensa faz de supostas "más notícias" é permanente. Ora vejam lá o destaque que se deu às opiniões do Paul Krugman sobre qual o método de combate mais eficaz à crise económica, num contexto de recessão internacional generalizada.
Para quem tiver tempo, vale a pena ler o blogue de Krugman.
Aconselho os jornalistas do Negócios a fazer o mesmo. E já agora, que deixem de ser parciais nas análises que fazem, o jornalismo é suposto ser isento.

JDMT2010 13 Janeiro 2011 - 15:53
É espantoso!
Ainda há quem duvide da causa do estado de desgraça e descrédito que sofre este pobre país... Ponham na cabeça que os Alemães fizeram ao longo dos últimos anos o seu trabalho de casa, vivendo com modéstia. Nós Portugueses andámos a alimentar ilusões, vivendo à grande e votando em governos irresponsáveis e corruptos. Veja-se o nosso parque automóvel, Mercedes, BMW's, Porsches, etc, tudo com gente nova rica, feia, pequena e peneirenta lá dentro.

10011949 13 Janeiro 2011 - 20:43
nmcaf2000
Partilho a sua opinião e felicito-o pelo comentário.
O nosso governo já nem quer saber se o juro é 6,7 ou 6,9 ou até 7,5%, quer é o financiamento, esquecendo-se que os juros são para pagar. Ora Krugman tem toda a razão.
Agora os portugueses deviam questionar-se: Portugal fazendo parte da União Europeia, porque é que para se financiar paga juros de 6,7% e outros pagam 3 ou 4%, sendo todos parceiros?


segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Os contribuintes vão pagar 2000 milhões de euros para o BPN


"Haverá, no final, um custo a suportar pelo Estado e pelos contribuintes que ainda hoje não é possível quantificar", anunciou Francisco Bandeira, presidente do BPN desde a sua nacionalização em Novembro de 2008, aos deputados da comissão parlamentar de Orçamento e Finanças. "Para já, reporta-se aos capitais próprios negativos do banco que são dois mil milhões de euros".


Sobre o desempenho da sua equipa de gestão disse que "a tarefa de retenção ou captação de depósitos tem sido uma tarefa impossível. (...)
Quando os clientes do papel comercial se manifestavam, os levantamentos de depósitos intensificavam-se. Travar a fuga de liquidez tornou-se um verdadeiro quebra-cabeças. E as taxas praticadas pela concorrência tornaram tudo ainda mais difícil.
[Por isso] as enormes dificuldades de liquidez têm sido supridas pela CGD."
Em resposta à pergunta irónica de Fernando Ulrich, presidente do BPI, na semana passada — "Esses depósitos que saíram do BPN, para onde foram? Uma das hipóteses, que eu considero, é terem saído para a Caixa Geral de Depósitos. É pura especulação, mas nesse caso o esforço financeiro da Caixa não é assim tão grande..." — , Francisco Bandeira revelou que, do total de fundos saídos do BPN desde a nacionalização, "apenas 15% foram para a CGD, uma percentagem muito aquém da quota de mercado natural da Caixa".

Francisco Bandeira disse que a criação de três veículos para assumirem os activos problemáticos do BPN — Parvalorem, Parups e Parparticipadas — se destinou a "tornar mais viável a venda do banco" mas, mesmo assim, "é imperioso regularizar capitais do banco".
Os créditos que foram para a "Parvalorem estão vencidos ou em contencioso. O mais seguro é que as imparidades venham a registar-se".
Do património imobiliário que está na Parups, "vai ser possível rentabilizar alguns activos. Mas vai demorar anos".
Quanto à Parparticipadas, deve "ficar sob a supervisão do Banco de Portugal [e os seus activos] serão alienados". Já foi contratado um banco de investimento para assegurar esta tarefa.
O gestor afirmou ainda que a transferência de activos do BPN para os veículos implicou "muitas centenas de actos materiais e jurídicos. Foi a maior e mais complexa operação do género no país. Feita com a prata da casa".

Estas três sociedades, o chamado bad bank, receberam activos de 3,9 mil milhões de euros e imparidades de 1,8 mil milhões assim distribuídos:
  • a Parvalorem recebeu activos, crédito malparado, de 2,5 mil milhões de euros, aos quais estão associadas imparidades de 1,5 mil milhões;
  • a Parups recebeu património imobiliário de 1,25 mil milhões, cujas imparidades são de 250 milhões;
  • a Parparticipadas recebeu activos de 150 milhões de euros que não têm imparidades associadas.

A injecção de capital de 500 milhões de euros, solicitada ao Estado, vai deixar o banco com uma situação líquida de 300 milhões de euros positivos porque 200 milhões destinam-se a anular as insuficiências de capital do banco, apesar da transferência dos activos problemáticos para os três veículos.


Desde a nacionalização saíram 3,4 mil milhões de euros dos depósitos no BPN, revelou o vice-presidente do banco, Norberto Rosa. Esta fuga de recursos de clientes obrigou a Caixa Geral de Depósitos a emprestar 4,78 mil milhões ao BPN, até ao final do ano passado.

José Lourenço Soares, administrador do BPN, considera que, se alguma vez se recuperar os 1100 milhões de euros emprestados à SLN, será de "pôr uma vela". Por isso é de opinião que nacionalizar toda a SLN, e não apenas o BPN, "seria muito pior para o Estado português e para os contribuintes. (...) Conheço muito bem a situação, mas não lhe posso dizer mais nada".


Continuação desta história aqui.

*

Entretanto a SLN, presidida por Fernando Lima Valadas Fernandes, também membro da comissão de honra da campanha Manuel Alegre 2011, fez uma "cirurgia plástica" e agora reapareceu com novo nome: Galilei.

Galileu Galilei, o grande físico pisano criador do método experimental, deve estar a dar voltas no túmulo.


A opinião dos outros:

JCRFG1966 10 Janeiro 2011 - 19:29
Procurem sff assistir à Comissão BPN no canal PARLAMENTO
É simplesmente impressionante assistir, desde o primeiro minuto, ao ataque de Hugo Velosa (PSD) à Administração BPN (CGD).
É incrível verificar como está muito mais agressivo agora, que quando teve na frente a anterior e fraudulenta administração e directores do BPN. A estratégia de branqueamento sobre o que se passou anteriormente é escandalosa, o alinhamento com as recentes declarações de Cavaco, depois de formalmente comprovado o seu envolvimento através da compra privada de acções a preço "especial para amigos", é total. Uma vergonha!
Um nojo esta podridão entre a política e os negócios e a forma como está a ser branqueada.

cmor 10 Janeiro 2011 - 20:07
Já agora...
... quem são os clientes com crédito malparado?