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quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Reviver o passado no estádio 1º de Maio


No dia 1 de Maio de 1975, o Estádio baptizado com esse nome foi palco de um dos muitos momentos tensos que marcaram esse ano.

O País tinha um governo provisório onde se evidenciavam os ministros sem pasta Álvaro Cunhal, Mário Soares e Francisco Sá Carneiro, dirigido por um simpatizante comunista, o General Vasco Gonçalves.

No Alentejo, os comunistas haviam desencadeado o movimento Reforma Agrária com ocupação das herdades dos distritos de Évora e Beja, controlavam também o distrito de Setúbal e procuravam implantar-se no Norte. A Intersindical dominava as ruas de Lisboa com as suas manifestações que mobilizavam centenas de milhares de adeptos enquadrados pelos tractores e reboques apinhados de trabalhadores rurais alentejanos.
Em 11 de Março foram decretadas as nacionalizações da banca, da CUF, da Siderurgia Nacional e de outros grupos empresariais.

No entanto, os eleitores chamados a eleger os deputados da Assembleia Constituinte, em 25 de Abril, deram a vitória ao Partido Socialista de Mário Soares com mais de 2 milhões de votos.

Com apenas 700 mil votos, o PCP preparava-se para ganhar na rua o que havia perdido há alguns dias nas urnas. Em 1 de Maio, a delegação socialista deparou-se com os portões do estádio fechados pela justificação de que o espaço já se encontrava repleto. E quando Soares contornou o edifício para aceder à tribuna, a entrada foi-lhe novamente negada.


15/11/2015 - 00:01

José Maria de Freitas Branco, militante comunista, então com 20 anos, tinha sido convocado para a segurança da tribuna e, nessa condição, interveio no segundo momento. O seu testemunho, recolhido pelo Público no passado mês de Julho, dá uma versão dos acontecimentos diferente da narrativa de Mário Soares.


*


A exactidão das palavras e dos actos estará algures entre as duas versões. É, porém, verdade que a classe média desceu à rua — a manifestação na alameda Dom Afonso Henriques ficou célebre — e que Soares se transformou no seu paladino e no defensor da economia de mercado contra a economia marxista. Disso dependia a sua sobrevivência política, que ficou assegurada após o golpe abortado de 25 de Novembro de 1975, e a sua ascensão a primeiro-ministro em resultado das eleições legislativas de 25 de Abril do ano seguinte.

Passou-se há 40 anos a divisão da esquerda portuguesa. Uma divisão que, ironia do destino, outro político socialista, António Costa, teve de sanar também para sobreviver politicamente e realizar a ambição de ser primeiro-ministro. Só que, agora, após perder eleições, pondo em causa a descida dos défices públicos, a recuperação económica do País e, consequentemente, os interesses dos portugueses.

Estes acontecimentos são-me particularmente dolorosos: no 1º de Maio de 1974, o meu pai e eu subimos a avenida Almirante Reis, depois percorremos parte da Almirante Gago Coutinho, virámos para a Rio de Janeiro e entrámos no estádio no meio de uma multidão auto-disciplinada, sem megafones, sem bandeiras partidárias, na mais genuína manifestação de liberdade, igualdade e fraternidade que ocorreu em Portugal.

Depois surgiram os partidos políticos, geraram-se as clientelas que destruíram a indústria, a qualidade do ensino público e o prestígio do professorado, substituiu-se o mérito pelo facilitismo e pela cunha, com os interesses daquela gentinha que pulula nos pântanos partidários a sobreporem-se ao interesse nacional e ao desenvolvimento do País em benefício de todos os portugueses de boa vontade.

Outro desabafo:

Veríssimo Silva
15/11/2015 14:46
Temos aqui reproduzido pelo dr. Mário Soares que o inimigo do PS é o PCP e o BE e não a Coligação.
Não queremos voltar a viver em 2015 o que vivemos em 1975, porque o General Ramalho Eanes está na reforma e o Coronel Jaime Neves já faleceu.


domingo, 10 de maio de 2015

A entrevista de Sampaio da Nóvoa ao Público


António Nóvoa, 60 anos, antigo reitor da Universidade de Lisboa e actual candidato presidencial deu uma longa entrevista ao público da qual destacamos este excerto:



"Não vai ter comissão de honra, nem comissão política?
Comissão de Honra, no sentido tradicional, não. Mas é evidente que a partir de certa altura queremos divulgar os nomes de muitas pessoas que estão a dar apoio a esta candidatura. Esta é uma candidatura republicana. Não fazemos convites. Quem quiser vir, que venha. Até agora há um grupo de cerca de 12 pessoas, mais operacional, que se encontra quase diariamente. É gente na casa dos quarenta e poucos anos, totalmente voluntárias. Duas ou três vão deixar os empregos para se juntarem a isto a tempo inteiro. Para a semana abriremos a sede. Depois há um conjunto de pessoas com que me reúno, tomo pequeno-almoço, almoço, telefono, sempre de um modo informal. Não gostaria muito que ganhasse organicidade. Quando anunciei a minha candidatura no dia 29 desliguei-me da Universidade. Agora também não tenho salário. Achei que o devia fazer. Iria viver a campanha a achar que devia estar a dar uma aula...

Tirou uma licença?
Sem vencimento.

Quando vier a ter apoios partidários como é que vai ser? Vão integrar-se nessa forma de fazer campanha que defende?
Fico contente por utilizar o “quando”, eu teria tendência a utilizar o “se” [Risos]. Se vier a ter, as pessoas terão de funcionar no interior destas dinâmicas. É uma característica pessoal: a pior coisa que me podem fazer é tentar encostar-me à parede. Há muita arrogância no poder em Portugal. As pessoas a mim levam-me por bem, mas constrangendo-me é impossível. Eu vou fazer o possível dos impossíveis. Com uma entrega total. Mas quem vai fazer isto são os portugueses.

Já sabe quanto vai custar a campanha?
Temos um cálculo. Queremos fazer uma campanha com poucos custos. Não teremos um aparato centralizado que depois terá de colocar outdoors nas rotundas todas do País. Depois de termos analisado todas as campanhas anteriores, para fazermos uma campanha séria, que chegue às pessoas, precisamos de cerca de um milhão e meio de euros. É um bocadinho menos do que se gastou em campanhas anteriores. Se este processo correr bem, se tiver os níveis de votação que pensamos que venha a ter, a subvenção do Estado cobrirá esse valor. Teremos de recolher alguns donativos, eu terei de recorrer às poucas poupanças que tenho. Não é líquido que se possa pedir um empréstimo… Se correr mal, o risco é meu e estou cá para isso.

Diz-se um homem de esquerda. Nunca houve maiorias de coligação à esquerda. Acha que o sistema político está demasiado inclinado ao centro?
Acho que mais do que inclinado ao centro, criou-se uma convicção de que só se podia governar ao centro. É o famoso “arco da governação”, que eu acho uma coisa verdadeiramente insuportável, até porque é um conceito que logo à partida exclui 20% dos portugueses. A inevitabilidade do centro é a inevitabilidade de certas políticas. Sou completamente contrário a isso. As sociedades são de uma enorme pluralidade e essa pluralidade deve ser respeitada ao limite. Daqui decorre uma segunda questão central: a capacidade de fazer entendimentos. A partir do respeito pela diversidade, temos de ter a capacidade de fazer os entendimentos que resultem da vontade popular.

Sente-se capaz, como Presidente, de pôr os partidos a falar e a fazer entendimentos?
É a história da minha vida. Sempre o fiz na Universidade. Eu não faço consensos para vivermos a nossa vidinha o melhor possível, faço consensos em torno de projectos. Sinto-me muito capaz disso. É talvez de todas a coisas a que faço melhor. Essa amálgama do centro é uma coisa muito irritante em Portugal.

Daria posse a um Governo minoritário?
Claro. Não vejo nenhum drama nisso, desde que seja possível encontrar entendimentos e equilibrios que permitam encontrar estabilidade na governação. É muito importante haver estabilidade e que os portugueses sintam que o Presidente garante essa estabilidade. Mas estabilidade, para mim, não é ficar tudo na mesma.

Cavaco Silva já fez saber que não dará posse a um Governo minoritário. Se vencer as eleições à primeira volta, embora só tome posse a 9 de Março, vai estar a assistir ao processo de formação do Governo e às negociações do Orçamento de fora. Tem disponibilidade, depois de eleito, para ajudar o Presidente actual, caso ele lhe peça?
Em democracia, os mandatos cumprem-se até ao último dia. O Presidente tem um órgão próprio de aconselhamento, que é o Conselho de Estado. Contudo, se o Presidente entender que ouvir-me nesse contexto pode ser-lhe útil, estarei sempre disponível, como sempre estive. Mas a responsabilidade pertence ao actual Presidente.

Consegue ver-se a dar posse a um Governo do Bloco Central?
Consigo. Se me pergunta se esse é o meu ponto de partida, não é. Espero que seja claro para toda a gente que o meu ponto de partida é o da crítica das políticas de austeridade.

Ouviu Carvalho da Silva dizer que ainda não existem candidatos que ponham em causa a austeridade?
Não, não ouvi. A primeira parte do meu discurso de apresentação de candidatura é toda sobre isso, uma crítica das políticas de austeridade. Fi-lo de maneira intencional, poderia ter começado pelos poderes presidenciais. Quis deixar essa marca na minha declaração de candidatura. Isso para mim é muito claro. Quando se fala em Portugal de Bloco Central o que se fala é em tornar inevitáveis essas políticas de austeridade. Não sou favorável a isso. Mas o Presidente tem de tirar as conclusões da vontade das pessoas. Eu não posso substituir-me a essa vontade. Se num determinado momento resultar que essa é a única possibilidade, é evidente que terá de se encontrar uma solução.

Gostaríamos de saber o que faria em algumas situações concretas. A primeira é: assinaria o Acordo de Parceria Transatlântica para o Comércio (TTIP)?
Antes deixe-me esclarecer um ponto. Um candidato a Presidente tem de ir um bocadinho mais longe do que nas suas funções enquanto Presidente, O Presidente não tem funções legislativas, nem executivas, e tem de respeitar isso até ao limite, mas um candidato não pode responder a tudo dizendo que não tem nada para dizer… Vou responder a algumas questões por essa razão. Em relação ao Tratado Transatlântico tenho algumas reservas sobre a maneira como está a ser negociado. Creio que podemos estar de novo perante uma situação que já nos aconteceu antes com a União Europeia, que é aderirmos a um espaço comercial mais amplo para o qual a nossa economia pode não estar preparada. Estamos sempre a jogar um jogo, como nós percebemos hoje em relação ao Euro, que parece aberto, de iguais, mas onde uns têm umas armas e os outros têm armas diferentes. Depois tenho a sensação de que sempre que estão em jogo tratados em que intervêm os Estados e grandes grupos económicos, quase sempre são os interesses económicos privados que acabam por prevalecer. Ou porque têm melhores advogados, consultores ou influência. Quase nunca, ou nunca, estas coisas resultam a favor do público ou dos Estados.

Se houver um novo tratado europeu, pondera convocar um referendo?
Pondero, sim. O Presidente não pode convocar um referendo por iniciativa própria, pode criar condições para que isso aconteça. Se houver nos próximos anos uma revisão dos tratados, temos obrigação de fazer um debate muitíssimo maior e mais informado. O Presidente deve sinalizar perante os partidos que não ratificará um tratado se não houver um amplo debate na sociedade. E em casos de tratados que afectem de forma significativa a soberania nacional o Presidente pode dizer que entende que devem ser submetidos a referendo. O meu entendimento é que se o Presidente é chamado a ratificar é porque pode escolher entre ratificar ou não. Se não, não vale a pena… Alguém traz um carimbo e assina pelo Presidente. O que se verifica hoje é que a nossa adesão à Europa foi sendo feita de forma pouco informada.

Mário Soares promovia debates com as célebres presidências abertas. Vai fazer o mesmo?
Julgo que os portugueses precisam de um Presidente mais próximo, mais presente, que as ouça mais, que seja capaz de perceber os seus problemas. A minha ideia é ter presidências descentralizadas, onde eu posso estar um mês num lugar, outro mês no outro, mas é claro que é preciso ponderar com muito cuidado, porque se isto tem custos é melhor ninguém se meter a fazê-lo. A dimensão da coesão social — da pobreza, da luta contra as desigualdades, contra a austeridade que está a massacrar o povo português — e da coesão territorial — a desertificação, o despovoamento, aldeias inteiras que estão a desaparecer — são duas áreas centrais da minha acção presidencial.

Defende a renegociação da dívida “até ao limite do possível”. Como é que isso pode ser feito?
O limite nós não sabemos nunca. Quem está na ciência sabe que nunca fazemos o que é possível, porque isso já os outros fizeram. Nós vamos tentar descobrir uma coisa impossível, que nunca ninguém fez até agora.

Daí a pergunta: vendo o que se está a passar com a Grécia, não é impossível?
Vai ser obviamente um processo duro e difícil. Há compromissos que foram assumidos e nós, honradamente, temos de cumprir. Mas não precisamos de o fazer de forma passiva, ordeira, e como bons alunos. Podemos fazê-lo explicando em todos os lugares, dentro e fora de Portugal, fazendo alianças com outros países em situação idêntica, tentando criar as condições mais vantajosas, para que o problema - uma dívida insustentável - possa ganhar a possibilidade de ser renegociada. Sem isso resta-nos o caminho de sermos um país pobre, onde há cada vez menos capacidade competitiva, onde há cada vez menos jovens, que vai de ano para ano piorando nas suas condições sociais. Mas há muita coisa que vai acontecer nos próximos meses ou anos e nós não conseguimos sequer imaginar agora.

Para já, os credores estão a fechar a porta a Varoufakis e a Tsipras...
Acho que o jogo ainda não chegou ao fim… Está a tirar conclusões do processo grego que eu ainda não sou capaz de tirar. Vamos ter de seguir o que se segue na Grécia. Sabemos uma coisa: as duas últimas grandes eleições na Europa, na Grécia e no Reino Unido, deram uma vitória considerável a correntes que, sendo completamente diferentes, têm ambas um grande cepticismo em relação a esta Europa. É um pouco triste o que vou dizer agora e até me custa, eu que sou um europeísta de sempre: a União Europeia conseguiu esta coisa extraordinária que é transformar-nos a todos em eurocépticos. De facto, o que está a acontecer não pode deixar de nos trazer uma enorme descrença em relação à União Europeia. Alguma coisa vai ter de mudar, e seriamente. Este problema não é meramente financeiro, é político. Estamos a falar de política, na Europa.

Mas a esquerda não conseguiu, até agora, nenhuma alternativa à austeridade…
A palavra-chave da sua pergunta é “até agora”. Por isso é que estamos aqui e agora, para poder construir um projecto de mudança em Portugal e darmos um contributo para a mudança na Europa.

Sente que é essa a sua responsabilidade?
Completamente. Dou-me a este projecto, com todos os riscos no plano pessoal, com uma enorme crença de que posso contribuir para uma mudança de fundo da política em Portugal, Se nós acreditássemos que esta Europa não vai mudar, e que as políticas de austeridade são uma inevitabilidade ficávamos em casa a protestar contra qualquer coisa...

Numa entrevista recente disse que na crise de 2013, com as demissões de Portas e Gaspar, devia ter havido uma renovação da legitimidade democrática. Com eleições?
Sim.

Em que se baseava?
No princípio constitucional do regular funcionamento das instituições democráticas. Havia uma quebra forte de confiança no programa político, com a demissão do ministro que tinha sido o seu protagonista, como a demissão do principal parceiro da coligação. Havia também uma quebra de confiança grande entre o que tinham sido as políticas do Governo e a percepção dos portugueses sobre o que lhes havia sido prometido na campanha eleitoral. Na minha opinião, em alturas dessas, o Presidente deve dar a voz aos portugueses. Uma parte do que se passa em Portugal hoje- o desânimo, a crispação, a animosidade que se sente na sociedade - tem a ver com a situação económica, obviamente, mas tem a ver também com a quebra de confiança no sistema político e com o facto de, na altura própria, os portugueses não terem sido chamados a renovar a legitimidade democrática do Governo.

Acha que este Governo tem menos legitimidade?
O Governo tem uma legitimidade do ponto de vista da votação que é inequívoca. Tem maioria no Parlamento, o Presidente tomou a decisão que tomou, mas há uma legitimidade que vai para além disso, que tem a ver com a confiança dos portugueses.

O Presidente é o comandante supremo das Forças Armadas, sector onde é muito visível o desencanto com o rumo da democracia. O facto de não ter um passado partidário pode favorecer a simpatia desse sector?
Não tenho nunca, em nenhuma circunstância, um discurso anti-partidos. 48 anos chegaram, não precisamos de mais. Sou crítico em relação a certas modalidades dos aparelhos partidários e do seu funcionamento. A Constituição é, agora, como se compreende, o meu livro de cabeceira [risos]. Depois de a ler muitas vezes, cada vez me vou apercebendo melhor que não é por acaso que lá está previsto que os Governos vêm de projectos partidários e os Presidentes de projectos individuais. Porque, de algum modo, essa candidatura pessoal dá uma independência (que eu não digo que quem venha de um partido não tenha) na qual os sectores militares certamente se revêm com alguma simpatia.

Nunca militou num partido, mas teve uma passagem por um partido revolucionário, a LUAR. Pode contar-nos como foi essa experiência?
Nunca me filiei. Participei durante alguns meses nalgumas sessões. Sempre fui muito desalinhado. Nessa mesma altura, no ano de 1974, colaborei com associações de moradores, comissões de trabalhadores e promovi uma das primeiras candidaturas independentes às autárquicas. Chamava-se, se não estou enganado, TMUPA, Trabalhadores Moradores Unidos para as Autarquias, para a assembleia de freguesia da Parede [em 1976]."

O leitor interessado pode ler a entrevista integral aqui.


*


A candidatura de Sampaio da Nóvoa diz-se apartidária mas teve o beneplácito de Mário Soares. Portanto tem o apoio encapotado do PS porque secretário-geral deste partido que não subscrever os interesses do antigo presidente da República terá a sorte de António José Seguro, ou seja, será substituído. Contudo esta duplicidade não parece incomodar Nóvoa.

Outra estranheza é a naturalidade com que o candidato encara uma previsão de despesas de campanha da ordem do 1,5 milhões de euros, dizendo que se paga com a subvenção do Estado e de donativos. Ora o montante da subvenção depende do número de votos que conseguir obter. Mesmo com o apoio explícito da comunicação social de esquerda — a começar pela mãe da António Costa, a jornalista Maria Antónia Palla, que esteve presente na sessão de lançamento da candidatura no Teatro da Trindade —, como é que o candidato sabe antecipadamente que vai ter um milhão de votos? Se não tiver, quem vai pagar a sua campanha eleitoral?

Contudo o que mais me pasma é o radicalismo político de Sampaio da Nóvoa que se insurge contra os partidos do chamado arco da governação e chega ao ponto de dizer que se está a marginalizar 20% dos portugueses. Quererá Nóvoa que os votantes naqueles partidos, mais os eleitores que votam branco/nulo, se submetam à vontade dessa minoria?

Também defende uma aliança com a Grécia. Será que desconhece que se trata de um país onde está enraizado o hábito de não pagar impostos e que tem vivido egoisticamente nas últimas três décadas, primeiro à custa de subsídios a fundo perdido da União Europeia, e depois de empréstimos?

De pasmar também a simpatia de Nóvoa pelos militares, tornada numa elite do funcionalismo público e paga principescamente...

Nóvoa é uma invenção de Mário Soares e a estratégia do ex-presidente é simples. O PS não vai ter maioria absoluta. Por isso é preciso colocar em Belém um radical de esquerda que dê posse a um governo socialista minoritário, que se entretenha a animar as hostes da extrema-esquerda com diatribes contra a austeridade, mas vá obtendo delas a anuência para portarias, leis e outra legislação que requeira aprovação parlamentar.

Entretanto os socialistas manipulam a justiça — "E o juiz Carlos Alexandre que se cuide...", ameaçou Soares —, conseguem arquivar os processos contra José Sócrates e todos os políticos a contas com a justiça, bem como contra Ricardo Salgado que lucrou com as PPPs de Guterres e de José Sócrates, mas foi pródigo em donativos para as campanhas eleitorais.

Controla-se a opinião pública através da comunicação social detida pelos empresários do regime e de um aumento fictício dos salários conseguido pela diminuição da taxa social única dos trabalhadores. A segurança social vai ficar descapitalizada? Far-se-á cair a responsabilidade sobre o governo que vier reparar os estragos. No final, os socialistas engordam o pé-de-meia na banca suíça e o fundo de maneio das fundações e quem vai pagar a conta são os funcionários públicos e os pensionistas.

Existe apenas um senão: há quatro décadas que, em Portugal, os presidentes da República são eleitos com os votos do centro-esquerda ou do centro-direita, mas sempre recolhendo os votos do eleitorado do centro.
Sampaio da Nóvoa pertence à extrema-esquerda. Aposto, para rejúbilo dos bolsos da classe média, em como a estratégia de Mário Soares vai ser mais um fracasso.

A opinião dos outros:


Diógenes de Portugal
10/05/2015 10:40
PARTE 1: Pelo curriculum, pelo modo brilhante como dirigiu a Universidade de Lisboa, por ter renunciado ao salário para se dedicar à candidatura, Sampaio da Nóvoa destaca-se da mediocridade da classe política portuguesa. A sua candidatura merece todo o respeito e toda a atenção. Contudo, há aspectos das suas declarações políticas que acho inquietantes e desejo que ele possa esclarecê-las satisfatoriamente.
  • manuel vieira
    lisboa 10/05/2015 19:30
    Pode fazer o favor de me elucidar sobre:
    1. Quais são as suas fontes para dizer que ele foi um óptimo reitor?
    2. Conhecia o cavalheiro de algum lado?
    3. Onde é que eu posso verificar a renúncia ao vencimento?
    4. Porquê, ou em quê, ele se distingue da restante classe política? Da extrema-esquerda não me parece que esteja assim tão distante.
  • Diógenes de Portugal
    10/05/2015 21:08
    Caro Manuel Vieira,
    Sim, conheço profissionalmente Sampaio da Nóvoa da Universidade de Lisboa. É pessoa de carácter irrepreensível. Dirigiu a universidade de forma consensual. Reformou vários serviços da universidade, com economias significativas para o orçamento. Administrou sem défices e com orçamentos progressivamente reduzidos. Foi o principal impulsionador da maior reforma do sistema universitário português no último século, com a fusão das antigas Universidade de Lisboa e Universidade Técnica de Lisboa. São muito raros os políticos de quem se possa dizer algo parecido. Com poucas excepções, a norma na classe política é a demagogia e, às vezes, a má administração, as dívidas contraídas para ganhar eleições e a corrupção.
    Para o caso de ter pensado que o meu comentário teve objectivos políticos, sugiro-lhe que leia os meus outros comentários a esta notícia. Verá que tenho reservas relativamente à candidatura de Sampaio da Nóvoa. Sou agnóstico relativamente a ideologias políticas. Aprecio os políticos mais pelo bom senso do que pelas crenças. Em particular, não tenho simpatia pela extrema-esquerda nem pela extrema-direita porque, entre outras coisas, têm histórias de mau convívio com a liberdade.
    Caro Manuel Vieira,
    "3. onde é que eu posso verificar a renúncia ao vencimento?" As licenças sem vencimento são publicadas no Diário da República.
  • manuel vieira
    lisboa 11/05/2015 12:41
    Muito obrigado pelos seus esclarecimentos.

Diógenes de Portugal
10/05/2015 10:41
PARTE 2: Dizer que se é contra a austeridade porque sim, não passa de uma fantasia. Se a casa de uma família for destruída num terramoto e a casa não estiver segura, a família terá um período de austeridade. Se alguém perdeu o emprego e passou a viver do subsídio de desemprego, então essa pessoa passará por um período de austeridade. Se um país for à bancarrota por causa de políticas irresponsáveis, então esse país passará por um período de austeridade. Deve discutir-se como minimizar a austeridade, mas dizer que se é contra não resolve o problema. Quando se está doente, a doença não desaparece por dizermos que somos contra ela.

PARTE 3: Aprecio muito que Sampaio da Nóvoa queira valorizar a diversidade política. Contudo, convém lembrar que os partidos que representam os 20% de que fala na entrevista se auto-marginalizaram.
Entre 25 de Abril de 1974 e 25 de Novembro de 1975, esses partidos ou os seus antecedentes ou movimentos afins, fizeram tudo para construir uma ditadura comunista em Portugal. Depois disso, alguns deles deram origem à organização terrorista FP25 que assassinou pessoas. Embora o PCP se tenha demarcado do terrorismo depois de 25 de Novembro de 1975, as declarações dos seus dirigentes e as relações privilegiadas com outros partidos que governavam ditaduras mostram que o PCP sempre conviveu mal com a democracia e a liberdade.
Se em Portugal existissem partidos fascistas que representassem 20% do eleitorado, Sampaio da Nóvoa teria o mesmo entusiasmo pela diversidade?

PARTE 4: Nas democracias parlamentares, o objetivo é ter governos que tenham o apoio maioritário do parlamento. Periodicamente, o eleitorado elege novo parlamento de onde resulta novo governo e novas políticas. A unanimidade não é capaz de tomar decisões suficientes para governar um país. Sampaio da Nóvoa sabe certamente isso do tempo em que foi reitor da Universidade de Lisboa.
Os 20% de que fala na entrevista são insuficientes para elegerem uma maioria parlamentar e defendem políticas que tornam impossível um consenso com partidos que representam os outros 80%. Um exemplo óbvio são as relações internacionais, onde uns defendem a saída do euro, da União Europeia e da Nato e os outros defendem a participação nestas instituições.

Marco Oliveira
10/05/2015 12:38
Gostaria de saber onde estava o Sampaio da Nóvoa, quando o Sócrates produzia esta dívida colossal. Não me lembro de ter lido, ou ouvido, nenhuma crítica, ou alerta, durante a governação Sócrates, alertando para o buraco em que nos estava a meter. Agora "acordou" contra a austeridade consequência da governação Sócrates? Estranho, muito estranho...
  • Daniel Silva
    10/05/2015 14:02
    Se calhar é porque existe gente que ainda tem memória e sabe que o estado actual do país não se deve exclusivamente ao Sócrates! Pelo contrário, depois deste Governo e Presidente, o Sócrates até foi o menor dos nossos males!
  • Luis Marques
    Javali profissional, Manchester 10/05/2015 14:31
    Vistas tão curtas, caro Daniel. É pena que não se consiga distinguir os efeitos das causas.
  • manuel vieira
    lisboa 10/05/2015 19:21
    Nada estranho. Que diabo, as eleições são só este ano.

Diógenes de Portugal
10/05/2015 17:06
Como eleitor, avalio as candidaturas e atribuo-lhes pontos. Voto na que obtiver mais pontos, a menos que todas chumbem.
Candidatura que ponha em causa a liberdade, a democracia parlamentar ou os compromissos internacionais chumba liminarmente. Declarações de fé na esquerda ou na direita são irrelevantes.
Pela vontade de promover entendimentos, a rejeição da violência, a promessa à mãe de não dizer mal de ninguém e a declaração de liberdade de costumes, Sampaio da Nóvoa ganha pontos.
Pela declaração de que teria dissolvido a Assembleia da República em 2013 perde pontos, por promover a instabilidade. A passagem pela LUAR terá sido um devaneio da juventude. Há outros aspectos a considerar na entrevista que precisam de mais do que 800 caracteres para serem comentados. Por enquanto, não chumba.
  • Marco Oliveira
    10/05/2015 17:51
    Diógenes,
    Diga-nos como vai a sua classificação, ou seja, quantos pontos tem este candidato, quantos tem o Rui Rio, o Marcelo Rebelo de Sousa, etc. Estará muito renhida a disputa?
  • ana cristina
    consultora, lisboa 10/05/2015 17:56
    Eu também gostava de conhecer a sua pontuação para o conjunto dos candidatos e putativos candidatos. Gostei dos seus argumentos muito claros sobre o Nóvoa. É de tornar a análise abrangente a outros. O Henrique Neto?
  • Diógenes de Portugal
    10/05/2015 19:26
    Caros,
    Muito obrigado pelo interesse. A esta distância, a classificação é mais qualitativa do que quantitativa. Além disso, os possíveis candidatos estão a fazer percursos diferentes que é difícil comparar. Aprecio pouco declarações solenes e bonitas que qualquer um poderia repetir. Prefiro ir observando como reagem, e lembrar como reagiram, em certas circunstâncias.
    Tive o privilégio de observar a acção de Sampaio na Nóvoa como reitor da Universidade de Lisboa, onde mostrou excelentes qualidades. Aprecio, em particular, a sua invulgar capacidade para promover entendimentos. Acho, contudo, a sua pré-campanha com demasiados floreados e pouco conteúdo.
    Henrique Neto tem menos exposição pública. Li recentemente uma entrevista dele interessante e com conteúdo. Despertou positivamente a minha atenção.
    À direita, há menos pressão para pré-candidaturas temporãs. Por isso, os possíveis candidatos estão a resguardar-se, o que é legítimo. Sendo comentador, M. R. Sousa diz demasiadas coisas para ser avaliado como candidato. E Rui Rio diz poucas.
    Por enquanto, nenhum dos quatro chumba.
  • Marco Oliveira
    10/05/2015 23:06
    Diógenes,
    Obrigado pela sua informação, mas, por favor, assim que tiver uma lista com certa consistência, partilhe connosco o ranking da mesma.


quarta-feira, 29 de abril de 2015

Henrique Neto considera anormal tantos políticos a contas com a justiça


O candidato presidencial Henrique Neto considerou anormal um país com a dimensão de Portugal ter tantos políticos e altos quadros do Estado envolvidos em casos judiciais.

Henrique Neto falava aos jornalistas após ter sido recebido pelo presidente do PS, Carlos César, na sede nacional do partido, no Largo do Rato, em Lisboa.
O encontro, que durou mais de uma hora, decorreu de forma cordial segundo as palavras do candidato presidencial, tendo-se centrado na análise do sistema político.

Henrique Neto, militante socialista e antigo deputado do PS, lamentou que a maior parte dos portugueses esteja "desiludida com a vida política, com os partidos e com as instituições" na sequência "de escândalos sucessivos".

No entanto, Henrique Neto considerou "que não é normal que um país tão pequeno tenha em prisão preventiva, já condenados, ou à espera [de decisão judicial] um primeiro-ministro, ministros [de vários executivos], um antigo líder de uma bancada parlamentar, directores-gerais e outros altos quadros do Estado", tendo ainda acrescentado:
"Nenhum outro país europeu, mesmo nos maiores, tem um conjunto tão grande de pessoas a contas da justiça como temos em Portugal. Isto não desacredita apenas os partidos, mas também todos os portugueses no plano internacional. Os partidos têm de ser muito claros sobre o que é necessário fazer para dar meios à justiça para cumprir a sua função e, em segundo lugar, têm de deixar claro ao povo que vão mudar e que as relações pecaminosas entre política e negócios serão denunciadas e não voltarão a acontecer."

Confrontado com algumas das suas críticas ao então primeiro-ministro José Sócrates, Henrique Neto esclareceu:
"Já disse montes de vezes — e volto a repetir — que as minhas posições não têm nada de pessoal. Bati-me durante seis anos, porque os governos [socialistas] então em funções cometiam erros graves e tomavam decisões autoritárias que favoreciam grupos económicos.

[Nesse período] havia demasiados socialistas que não reagiam e o PS é um partido de valores e da ética. Portanto, insurgi-me contra aquilo que continuo a considerar um desvio inaceitável do PS. Teria preferido que houvesse energias dentro do PS para fazer a mudança, mas não houve, paciência. Sem deixar de ser socialista, sem deixar de ser militante do PS, apresento-me [na corrida a Belém] como independente."

Questionado sobre um eventual apoio do PS à uma candidatura presidencial do ex-reitor da Universidade de Lisboa Sampaio da Nóvoa, Henrique Neto afirmou que esse tema não foi abordado no encontro com Carlos César, alegando que os socialistas "têm os seus órgãos próprios, os quais decidirão aquilo que devem fazer". E concluiu:
"Apenas disse que a minha candidatura presidencial avançou autonomamente dos partidos porque já um clima de suspeição e de descrença face aos partidos políticos. A minha candidatura é independente dos partidos."


*


Entretanto a brigada do reumático já escolheu o candidato presidencial do PS, nem mais nem menos o falso independente Sampaio da Nóvoa:

Tanto Mário Soares em 2006, como Fernando Nobre em 2011, que foi incentivado secretamente por Soares a concorrer às presidenciais desse ano para tirar votos a Manuel Alegre, ficaram em terceiro lugar nas eleições presidenciais respectivas. Pode ser que igual destino esteja reservado a Nóvoa. A reacção dos leitores do Público no Facebook não podia ser pior.



terça-feira, 9 de dezembro de 2014

O Príncipe - I


Eram 9:07 quando Ricardo Espírito Santo Salgado entrou na sala onde ia ser inquirido pela Comissão de Inquérito parlamentar à gestão do BES-GES, acompanhado por assessores e pelo seu advogado, Francisco Proença de Carvalho.

Era a sua primeira intervenção pública desde que deixou a presidência do Banco Espírito Santo (BES), desde que o Banco Espírito Santo (BES) desapareceu e desde que foi constituído arguido no processo Monte Branco por suspeita de evasão fiscal, burla e corrupção.

Ricardo Salgado começou por citar um provérbio chinês: “O leopardo quando morre deixa a sua pele e um homem quando morre deixa a sua reputação.”


Em seguida, durante cerca de hora e meia, leu um longo depoimento sobre a sua versão dos factos que levaram ao desaparecimento do Banco Espírito Santo (BES), o segundo maior banco privado português, que era controlado por um intrincado sistema de holdings sediadas no Luxemburgo:


09/12/2014 - 12:17

Peço e agradeço a Vossa compreensão para o tempo que esta minha intervenção inicial vos tomará.

Neste momento cabe‐me apenas enunciar os factos que antecederam a situação vivida até 13 de Julho, data em que cessei as funções de membro do Conselho de Administração do BES e de Presidente da respectiva Comissão Executiva.

Ficará para mais tarde a minha interpretação dos mesmos. E para a História, o juízo definitivo sobre o acerto das actuações do poder político e regulatório, que é constitucional e legalmente o objecto da competência da Assembleia da República.
(...)

Durante semanas e meses a fio, a minha família e eu próprio fomos julgados sumariamente na opinião pública com acusações de ilegalidades, de fugas em escassas semanas de centenas de biliões de euros destinados a enriquecer‐nos em off‐shores, de fortunas pessoais escondidas na Ásia, de mansões em Miami e de castelos na Escócia.

Tudo histórias totalmente falsas mas que acabaram por ocultar a verdade dos factos.

Em 22 anos de presidente da Comissão Executiva do BES, terei certamente tomado decisões que poderão não ter sido as mais adequadas.

Mas quero acreditar que os meus últimos seis meses e treze dias à frente do Banco – qualquer que seja o juízo formulado – não são mais reveladores sobre a acção das equipas que liderei do que um histórico de 22 anos, nacional e internacionalmente reconhecido e o exercício da profissão durante mais de quarenta anos, dezoito dos quais no estrangeiro.

Depois destaca que a crise do GES não se pode dissociar da crise que afectou, desde 2007, a economia mundial, a economia europeia e, naturalmente, a "frágil economia portuguesa". E recorda o colapso do Lehman Brothers, aproveitando para criticar a actuação do governo dos EUA por não dado apoio financeiro ao banco norte-americano:

O caso Lehman — banco de investimento especializado e global, mas pequeno em termos da economia norte-americana — teve efeitos devastadores que hoje motivam, generalizadamente, juízos críticos que recaem sobre a actuação dos reguladores e dos supervisores, à época.

E também sobre a omissão do Governo dos EUA que preferiu não intervir, por considerações políticas, assim detonando uma crise sem precedentes que o forçaria depois a lançar triliões sobre a economia.

Nomes tão diversos como Tim Geithner, Paulson, Kaletsky e Martin Wolf apontam a falência do Lehman como uma decisão com consequências trágicas, designadamente a nível do risco sistémico.

O que se passou com o Lehman deve ser retido na evocação do percurso do BES, pois este, embora centrado na economia portuguesa, tinha um peso relativo maior nesta — com cerca de 20% de quota de mercado; 2 milhões de clientes no retalho; 25,5% de quota nas empresas e 30% de quota no comércio externo.

Recorda previsões falhadas da OCDE para os países da periferia da zona euro, lembra projecções do FMI e cita a descida dos ratings da República iniciada em 16 de Março de 2011 pelas agências de rating, e a sua colocação pela Moody´s, em 5 de Julho, dois níveis abaixo do nível de investimento, com "consequências imediatas: a paralisação dos fluxos de capital do exterior que deixaram de investir na dívida pública portuguesa, na dívida dos bancos e na dívida privada em geral, determinando a queda da Bolsa de Valores e a quebra acentuada do investimento imobiliário, acarretando uma drástica desvalorização dos activos das empresas e das instituições de crédito."

E criticou o Governo e a troika por não aceitarem, das medidas então propostas pelos bancos, "senão a transferência para o Estado de liquidez correspondente a cerca de 50% dos Fundos de Pensões e mesmo essa sem que a Comissão Europeia autorizasse o Estado a cumprir, nos termos fixados, a obrigação assumida de recomprar aos bancos os créditos sobre o próprio Estado e autarquias".

Até que lança uma pergunta, para poder enumerar as várias emissões de dívida e aumentos de capital do banco e explicar porque não recorreu aos fundos da troika:

Mas como é que o BES viveu os anos da crise em 2012 e 2013? Conseguiu romper o fechamento dos mercados internacionais e colocar dívida.
(...)

O que fica dito – com dez aumentos de capital desde 1992 e acesso ao mercado externo em 2012 e 2013 – explica a escolha de não recorrer à recapitalização por meio da ajuda do Estado com fundos da Troika.

O BES conseguia obter capital e crédito sem diluir o capital, pois: recorria ao mercado, com preferência para os accionistas; trazia mais capital externo para Portugal; e não contribuía para a dívida pública.

E sobretudo podia fazê-lo porque quase não tinha a exposição à dívida grega, italiana e irlandesa, como sucedera com bancos nacionais.

Estas as razões da escolha feita. E não — como tem sido dito — por temer que a intervenção do Estado desvendasse segredos, manobras ou situações questionáveis.

Depois passa a narrar a sua versão dos acontecimentos ocorridos nos últimos meses, começando pela descoberta do buraco financeiro de 1300 milhões de euros na Espírito Santo International (ESI), a holding de topo do GES:


09/12/2014 - 10:15

A partir do início do novo século, e sobretudo a partir de 2007‐2008, reconheço, como já o fiz publicamente, problemas de organização, de financiamento, de perfis de gestão e de controlo de um Grupo essencialmente concentrado na área financeira.

Um grupo que necessitava de encontrar novas estruturas e novos modelos de governação para a área não financeira.

Em 2009, na ressaca da crise mundial, foi criada a RIOFORTE, com um capital de 1,3 mil Milhões de €, pensada para ser a holding única da área não financeira e cotada na Bolsa.
(...)

O agravamento da crise em 2011, retardou a cotação em Bolsa e atingiu, especialmente em 2012 e 2013, a área não financeira, dificultando a reconversão de uma realidade muito diversificada e geograficamente dispersa.

Na área não financeira, há que dar especial enfoque ao problema descoberto na ESI, no âmbito do Exercício Transversal de Revisão das Imparidades dos Créditos Concedidos (designado por ETRICC), iniciado pela PWC, em 14 de Outubro de 2013, e concluído em 14 de Março de 2014 .

Esta auditoria envolveu uma interacção das equipas do GES e do BES que disponibilizaram toda a informação à PWC. Fruto desta interacção, em finais de Novembro de 2013, foi reportado que haveria um passivo não registado na ESI.

Esta circunstância afectava, naturalmente, a dívida directa e indirecta do Grupo, em parte titulada por papel comercial colocado no mercado nacional e internacional.

Ao tomar conhecimento deste problema, eu próprio, todos os órgãos do Grupo, bem como a equipa financeira do Banco, encarámos as dificuldades da sua superação, e de forma consciente e realista procurámos as soluções adequadas.

Ainda nesta altura foi também solicitada à ESFG, a pedido do BdP, que fossem preparadas demonstrações financeiras consolidadas proforma da ESI, com referência a 30 de Setembro de 2013, e que as mesmas fossem objecto de análise por auditor externo, a KPMG.

O Conselho Superior [formado pelos representantes dos cinco ramos da família Espírito Santo], na tarde de 3 de Dezembro de 2013, reuniu com o BdP para discutir a situação financeira da ESI e apresentou propostas para uma resolução de curto/médio prazo.

Nessa reunião, os representantes do BdP ouviram‐nos e saímos dela com a sensação de que as soluções propostas iriam ser analisadas com ponderação, para posterior desenvolvimentos e negociações, com vista a proteger os interesses de todas as partes envolvidas, em especial dos investidores e dos clientes do Banco.

Ora, no próprio dia, e passadas cerca de 2 horas, por carta recebida pelas 19h, o Senhor Vice-Governador do Banco de Portugal impunha o reembolso de todo o papel comercial até ao fim do mês de Dezembro — ou seja, em escassas semanas —, sob pena de constituição de uma provisão.

Em face da óbvia inexequibilidade de tal exigência, o Grupo concentrou-se num plano para resolução da situação, consciente dos riscos reputacionais resultantes da deterioração ou da percepção de deterioração da posição financeira da ESI.

Esta situação de sobre-endividamento traduzia, também ela, os efeitos da crise na área não financeira, carecida de um plano rápido e eficaz para garantir a sua viabilização, salvaguardando sempre a área financeira.
(...)

Em 10 de Dezembro de 2013, a ESFG apresentou um Plano ao BdP, através de carta dirigida ao Senhor Vice-Governador do BdP.

Prossegue a narrativa, descrevendo o Plano de Recuperação então proposto para o GES que pressupunha um apoio financeiro ao grupo de 2500 milhões de euros:

Depois de uma análise que foi muito ponderada — já que ela exigia, além de dados firmes, a convergência de todos os ramos do Grupo e o acordo de sócios estrangeiros, como o Crédit Agricole, em algumas das suas componentes — acertou-se um Plano de Recuperação, com os seguintes pontos essenciais:

• Objectivo central: reduzir a área não financeira, reforçar a sua sustentabilidade e, acima de tudo, continuar a proteger o que estava em primeiro lugar, os direitos dos clientes e dos accionistas do BES e também da ESFG;
• Prazo de execução: cinco anos. Muito menos do que os 31 anos de pagamento da dívida pública previstos no quadro do Memorando para Portugal;
• Acções:
1ª: aumentar o capital do BES, a fim de respeitar Basileia III e reforçar a posição do Banco junto dos clientes e accionistas;
2ª: aumentar o capital da RIOFORTE, bem como da ES IRMÃOS, através de capitais que estavam disponíveis para serem investidos por terceiros, ficando o conjunto destas duas holdings com 100% da ESFG e dando tempo para a venda de posições da área não financeira.
RIOFORTE e ESI tenderiam a fundir-se no final do processo;
3ª: venda de activos e de participações não estratégicas na área não financeira, sem ser em velocidade tal que fizesse cair a pique o valor desses activos.
(...)

Antes, porém há ainda uma questão prévia que se impõe: seria o GES efectivamente viável, que justificasse a elaboração de um Plano de Recuperação?

Ou essa recuperação seria só o salvar de uma Família e dos seus aliados, à custa dos outros?

A resposta está no ETRICC, ou seja na auditoria que a PwC realizou, a pedido do BdP, à área não financeira do GES e que finalizou em 14 de Março de 2014.

No referido documento, a PwC concluiu que o GES era económica e financeiramente viável e a dívida sustentável num prazo até 2023.
(...)

E a PwC confirma, no mesmo relatório, que o valor da RIOFORTE era de 1.708 M€, mesmo com a provisão de 700 Milhões de € na ESFG, de que adiante se falará e que foi determinada pelo BdP.

A mesma auditoria, a páginas 32, concluiu que a RIOFORTE não tinha qualquer imparidade.
(...)

Em 31 de Dezembro de 2013, a exposição do BES ao GES era de 1,9 mil M€, atendendo ao papel comercial do GES colocado em clientes do BES.

Em face do que o BdP definiu o chamado «ring‐fencing», ou barreira protectora, determinou uma provisão de 700M€ de acordo com a KPMG a ser registada na ESFG e uma acelerada redução da exposição, com reembolso do papel detido pelos clientes — observe-se que a PWC entendia inicialmente que uma provisão de 400M€ seria suficiente.

O GES, e em especial o BES, foram tentando enfrentar ao mesmo tempo quatro desafios:
• 1º: Realizar o aumento de capital do BES;
• 2º: Preparar e lançar o aumento de capital da RIOFORTE e recorrer a uma linha de crédito de médio prazo intercalar no montante de 2,5 mM€ — que não fosse financiada pelo Grupo ESFG;
• 3º Acelerar as vendas na área não financeira; e
• 4º reembolsar rapidamente papel comercial do GES, colocado pelo BES.

Tudo num clima mediático de permanente debate acerca do Grupo, do banco, da supervisão, de visões superficiais que reduziam a realidade à identificação do GES como um conjunto de empresas não viáveis, à separação teórica entre clientes do GES e do BES e à ideia de que a resolução de todos os problemas passaria pela discussão da liderança do Banco.

Ricardo Salgado passa a esmiuçar o relacionamento do BES com o BdP, no qual distingue duas fases. Na primeira, o BdP iniciou um processo de pressão no sentido da mudança de gestão do BES:


09/12/2014 - 10:23

A primeira de Dezembro de 2013 a Março de 2014 é marcada pela exigência da provisão de 700 M€, pela imposição do reforço do capital do BES, pela carta de 25 de Março, e pela intensificação do reembolso do papel comercial do GES colocado no BES.

Esta intervenção acrescentou‐se à supervisão permanente do BdP no BES, já anteriormente estabelecida.

Foi como se imagina uma fase muito difícil para o BES e para o GES, patente, designadamente, na correspondência trocada, mas em que foi possível, com um esforço considerável, reduzir a exposição do Grupo aos clientes do BES em mais de mil milhões de euros, num período de apenas 5 meses — como aliás foi aqui reconhecido pelo Senhor Governador do BdP.

Isto enquanto os activos do Grupo e do Banco sofriam pela repercussão mediática de cada passo, de cada diligência, de cada divergência pontual.

Por outro lado, e a par das iniciativas que o GES e o BES estavam a realizar com vista a resolver os problemas a que me referi, o BdP, de forma vaga e imprecisa, iniciava um processo de pressão — que o Senhor Vice-Governador designou por “persuasão moral” — no sentido da mudança de governance do BES.

Esta “persuasão moral” verificou-se mais pelas notícias, comentários e juízos de valor surgidos na imprensa, do que por indicação que nos tivesse sido directamente transmitida pelo BdP.

Quero deixar bem claro que era minha firme intenção preparar um novo modelo de governance com a minha saída de funções executivas do BES.

Aliás, o Senhor Governador disse-me de forma clara que desejava, para manter a estabilidade do Grupo BES, que fosse eu próprio a liderar essa transição e a mudança de governance.

Assim, solicitei ao Dr. Rui Silveira e ao Dr. Daniel Proença de Carvalho que fosse elaborado um projecto de alteração dos Estatutos, para uma nova governance do Banco, a propor ao BdP e a submeter a uma posterior Assembleia Geral, naturalmente, a realizar após o aumento de capital do Banco e com vista à minha saída da Administração Executiva.

Em conversas tidas com o Senhor Governador, foi-me manifestado o desejo do BdP de que a mudança de governance e a saída da família dos órgãos de Administração ocorresse ainda antes do aumento de capital.

O que eu considerei imprudente e mesmo de risco elevado.

Em 31 de Março, enderecei uma carta ao Sr. Governador do BdP, apontando pela terceira vez o risco sistémico que derivaria de uma ruptura desordenada na Administração do Banco, em vez de uma transição controlada que salvaguardasse a confiança do mercado, que até aí se mantivera, tal como veio a confirmar-se pelo sucesso do aumento de capital.

Nessa carta reafirmei textualmente o seguinte, cito: “Quero dizer claramente a V. Ex.ª que estou inteiramente disponível, no quadro de um saudável e cooperante relacionamento com o BdP, para encontrar uma solução construtiva de Governance, com forte incidência numa maior profissionalização e independência executiva do Banco. Não serei eu que por qualquer motivação pessoal dificultará essa desejável evolução.”

Tal carta é também revelada ao Senhor Presidente da República e ao Governo, na pessoa do Senhor Primeiro-Ministro, que a devolveu, e à Senhora Ministra das Finanças. É igualmente comunicada ao Senhor Presidente da Comissão Europeia.

Nesse momento, optou-se por adiar as alterações de governance para depois do aumento de capital do Banco.

Depois descreve a segunda fase desse relacionamento, entre Março e Junho de 2014, quando decorre a escolha atribulada da futura gestão do BES, voltando a realçar a necessidade de um apoio financeiro estatal ou bancário ao GES e também de um aumento de capital da Rioforte, a holding da área não financeira:


09/12/2014 - 10:22

Desde 3 de Dezembro de 2013 que, antes mesmo do ETRICC 2 e da auditoria da KPMG, o GES havia, por escrito, formalizado a sua preocupação quanto ao risco sistémico derivado da relutância do BdP em entender a importância do Plano de Recuperação.

Os meses seguintes tornaram mais evidente ainda que para além do aumento do capital do BES e da alienação de participações – como as entretanto vendidas na ZON, Sodim e Cimigeste – ou preparadas para tanto como a ES Saúde, a ES Hotéis e a ES Viagens, era indispensável um apoio intercalar ao Grupo, que alguma banca aceitaria encarar mas fazia depender da posição do Governo.
(...)

Nova diligência do GES, em Abril, para sensibilizar para a impossibilidade de reconversão do Grupo em 6 meses e para o risco de contaminação do BES, deparou com a posição inabalável do Governo de rejeitar qualquer abertura a apoio estatal ou bancário ao GES. Fala-se então em montante muito inferior aos ulteriormente referidos após a resolução do BES.

Entre Março e Junho há, pois, uma situação contraditória: por um lado, o BdP e o GES falam de aumento de capital e de alteração estatutária com vista a uma nova gestão; por outro lado, o outro pilar da recuperação do GES e, mediatamente, do BES, ficava como que bloqueado.

E o bloqueamento seria total quando foi inviabilizado o private placement de um Fundo de Investimento Internacional disposto a tomar firme 70% de mil M€ do aumento de capital da RIOFORTE, conforme apresentação em 7 de Maio de 2014 à Comissão Executiva do BES.

Mais: até ao fim, ainda em 12 de Julho de 2014, em carta endereçada ao Senhor Governador, apresentámos investidores internacionais como a Blackstone & Weil que a nosso convite se encontravam em Portugal, que representavam outros investidores, entre eles, o KKR, e que haviam revelado disponibilidade para participar no reforço de capitais.

O Senhor Governador do BdP, no próprio dia 12, não manifestou abertura para receber os representantes daqueles investidores e em carta de 13 de Julho, referiu que concordava com tal solução, mas que haveria de ser apreciada pela nova administração.

Estes factos motivaram o desinteresse imediato dos referidos investidores.


09/12/2014 - 10:59

Todo este exercício dificílimo ocorre no contexto de um clima público intenso e por vezes dramatizador que leva a dois processos sucessivos de escolha da futura gestão do BES.

No primeiro, o CFO e uma Directora Coordenadora merecem aceitação inicial do BdP para CEO e CFO respectivamente, chegando o Senhor Governador do BdP a afirmar-me por telefone “será quem o Senhor Presidente entender”.

No segundo, perante aquele clima, no dia 20 de Junho suscitam-se dúvidas sobre a necessidade de avaliação da idoneidade daqueles gestores, que nunca antes fora questionada e que gozavam de prestígio considerável no sector bancário internacional (o dr. Amílcar Morais Pires, meu colega da comissão executiva, dedicado para CEO, estava há 28 anos no banco, nunca tinha sido questionada a sua idoneidade; a dra. Isabel Almeida era responsável pelo departamento financeiro de mercados e estudos) — sendo certo que haviam estado ligados, com mais um outro administrador executivo, ao sucesso do aumento de capital.

E tudo se adensa com o anúncio de uma auditoria forense, em 2 de Julho – auditoria ainda hoje não terminada.

Estes factos, só por si, desencadeiam nos investidores internacionais, que tinham acabado de subscrever o aumento de capital, em 16 de Junho, uma reação extremamente negativa manifestada numa quebra de confiança e na queda do valor das acções – GRÁFICO.

Isto obriga a ESFG a ter de propor novos nomes para CEO e CFO, nomes esses que viriam a ser aceites pelo BdP e cooptados pela gestão cessante, na última reunião do Conselho de Administração em que participei.

Assumo quer as primeiras escolhas do GES, que viriam a ser afastadas pelo BdP, quer as que lhe sucederam e foram por este aceites. E que transitariam para o Novo Banco.

É agora que Ricardo Salgado refere a questão da garantia dada pelo governo angolano ao BESA:

Quanto à posição do BES perante o BESA: limito-me a invocar as palavras do Senhor Governador neste Parlamento, em 18 de Julho de 2014, ou seja, já uma semana depois da minha saída, cito: “Importa salientar que o BdP não antecipa um impacto negativo relevante na posição do capital do BES resultante da situação financeira da filial do BESA. Tendo em consideração que a garantia do Estado de Angola cobre parte substancial da carteira de crédito e que existe uma forte interacção entre as autoridades de ambos os países, o BdP espera que a situação desta filial seja clarificada e sem impacto material no BES”. Esta declaração está disponível no site do BdP.

Repito: a 18 de Julho de 2014, seis dias depois de eu ter cessado funções.

Assim, a situação do BESA estava assegurada por uma garantia on first demand do Estado Angolano, tal como esclarece o Senhor Governador, que não foi questionada pelo próprio emitente nem até à data da cessação de funções da gestão do BES que obtivera tal garantia, nem até à medida de resolução que destruiu o BES.

Observe-se que o risco da extinção da garantia tinha sido referido na carta de 31 de Março, por mim endereçada ao Senhor Governador.

Outras questões melindrosas — as obrigações EUROFIN e o prejuízo de 3500 milhões de euros relativo ao primeiro semestre de 2014:


09/12/2014 - 10:59

Quanto ao tema das chamadas obrigações EUROFIN: tal como decorre da acta de 30 de Julho de 2014, do último Conselho de Administração, publicada na imprensa, relativamente às emissões de obrigações de cupão zero e prazo longo, verificou-se terem sido gerados ganhos por intermediários na ordem dos 780M€.

De acordo com a intervenção referida nessa mesma acta, da Senhora Dra. Inês Viegas da KPMG, cito: “face ao apurado, a KPMG reuniu com o Dr. Joaquim Goes e Dr. Manuel Freitas e o Departamento Financeiro de Mercados e Estudos, tendo este Departamento, após ter sido confrontado com toda a evidência, informado que as transações em questão foram efectuadas através da EUROFIN e que o valor retido por terceiras entidades foi utilizado para o pagamento de divida do GES detida por clientes do Banco.”
(...)

Peço que me escutem, Senhores Deputados: ninguém da administração do BES, do GES ou da família Espírito Santo obteve qualquer alegado benefício daqui decorrente, ao contrário do que foi repetidamente insinuado em alguns órgãos de comunicação social.

Além disso, o prejuízo registado nas contas e que é apresentado como o prejuízo “record”, detonador da medida de resolução, não corresponde a dinheiro que saiu do BES; a milhões a irem para o estrangeiro ou para off-shores como se escreveu; mas sim a provisões impostas ao Banco, num valor superior a 2MM€, contra o entendimento e a vontade de muitos administradores, tendo, a título de exemplo, um deles, exigido que ficasse registado em acta que considerava tal provisão injustificada e imposta ao Banco.

Marc Oppenheim, indicado pelo Crédit Agricole, pediu que, cito: “ficasse registado na presente Acta que, no seu entendimento, estas provisões traduzem um nível de conservadorismo que se afigura excessivo e que é, de facto, imposto ao Banco, podendo esta circunstância constituir um risco relativamente à percepção que os accionistas terão sobre a situação do Banco.”

A questão da PT ficou para o fim:

Por último quanto à relação do BES com a PT, que nasceu há décadas, da posição de accionista na sua antecessora Marconi, cumpre apontar alguns factos essenciais.

O BES foi accionista importante no impulso da Marconi e, através desta, como financiador no processo de reprivatização e consolidação do universo PT e sua projecção no Brasil, em África e na Ásia.

Desde 2000 e até 2014, existiu uma parceria estratégica entre PT, BES e CGD.

Desde 2002, a PT manteve aplicações de tesouraria no BES e no GES, sempre públicas e divulgadas nos relatórios anuais, submetidos ao parecer da Comissão de Auditoria, ROC e Auditores externos, sem qualquer reparo ou observações, bem como de resto pelo detentor da golden share e por maioria de razão do terceiro elemento da parceria e accionista da PT, a CGD.

Isto mesmo aconteceu com o relatório e contas de 2013, na sequência de todos os anos anteriores. Sendo certo que se impõe observar que anos houve, no início do século, com valores de aplicação até mais significativos do que os de 2013 e 2014.

Aqueles dados foram naturalmente facultados ao Banco avaliador dos activos na fusão com a Oi (Banco Santander Brasil), no âmbito do aumento de capital da Oi e, assim, vêem registados no prospecto do mesmo.

A título emblemático da aplicação recíproca de fundos da PT no BES e do BES na PT, mencionarei que foi o BES quem financiou a PT na aquisição das empresas brasileiras que, conjuntamente, com as empresas adquiridas pela Telefónica viriam a formar a VIVO.

Em Março, Abril e Maio de 2014 o investimento da PT na RIOFORTE estava — para além daquela prática nunca ter sido objectada pelo Estado ou CGD, desde 2002 — solidamente apoiado no programa ETRICC de 14 de Março de 2014, que, tal como a PwC, considerava que a RIOFORTE não tinha qualquer imparidade.

O depoimento de Ricardo Salgado termina com as seguintes considerações:

Peço desculpa por ter sido demasiado longo.

Mesmo evitando opiniões e não me pronunciando sobre o que se passou após a alteração da gestão do BES, com particular relevo para a sua resolução e divisão em dois bancos, senti ser meu dever explicar os acontecimentos, o pano de fundo e os meses intensíssimos vividos entre Outubro de 2013 e Julho de 2014.

Tentei ser factual e objectivo.

Apesar de saber que, mais de um ano de diária apresentação pública – em jornais, televisão e internet – como responsável e responsável todo poderoso por várias crises no BES, no GES e noutras áreas económicas, sociais e políticas já fez caminho no espírito de muitos portugueses e criou condições para juízos condenatórios imediatos e sem apelo, mesmo se apressados e injustos.

Tentei sempre preservar a unidade do Grupo e da Família, até por sempre ter entendido que ninguém sai ileso de uma guerra familiar.

Um nome pode ser apagado da fachada de um banco, mas não pode ser apagado da História e de uma família com 145 anos ao serviço de Portugal.

Tentei evitar apreciações políticas. Recordo com gratidão o quanto estadistas tão diversos como o Sr. Dr. Mário Soares e o Prof. Cavaco e Silva foram essenciais para o nosso regresso a Portugal.

Recordo, com saudade, o Professor Ernâni Lopes que sempre considerou o GES um dos grupos estruturantes e centro de racionalidade da economia portuguesa.

E devo reconhecer que mesmo os revolucionários de Abril nunca se sentiram na necessidade de apagar um nome ainda quando mudaram um regime.

Sei que muitos perderam tudo com o desaparecimento do BES e a insolvência do GES.

Sei que o mais fácil em tempo de crise, de sofrimento, de revolta social é encontrar responsáveis e que a História é sempre tardia em reparar erros de apreciação e de julgamento.

Procurei explicar o que o Grupo, o Banco e todos os seus colaboradores tentaram fazer para evitar um desenlace fatal.

Sei como o Grupo aceitou sair da gestão do Banco, de forma pactuada, sem rupturas sistémicas. E como propôs pistas para se reconverter e não atingir o Banco.

Sei como o Banco conseguiu, no meio de um clima dramático, realizar um aumento de capital para muitos impossível.

Sei como tudo se fez para encontrar nomes para a futura gestão que pudessem ser aceites pelo BdP.

Sei como o tempo muito longo, o ambiente especulativo, as reticências quanto ao apoio ao Grupo e as sucessivas alterações de nomes na nova gestão dificultaram uma tarefa já de si muito complexa.

Sei como contribuímos para a criação de emprego em Portugal, com colaboradores de excelência, a quem aqui deixo uma palavra de reconhecimento profundo.

Sei que desde 1991, investimos em Portugal, com os nossos parceiros, mais de 8 B€.

Não apontei o dedo a ninguém, nem antes de Julho, nem depois da resolução do Banco.

Termino com um apontamento funcional que é também pessoal. Tendo, certamente acertado e falhado muito na minha vida, sempre em consciência me considerei idóneo para servir na sucessão daqueles que fundaram e prestigiaram o Grupo Espírito Santo.

Mas sempre tive a humildade de reconhecer que cabia a outros — na supervisão — o permanente julgamento da minha idoneidade.

Ao longo de 22 anos ninguém com poder para tal — e que nunca duvidei que existisse — a questionou. Até à própria aceitação como Presidente do futuro Conselho Estratégico. Até ao momento de saída de funções.

Perdoarão pois que ouse continuar a pensar que, modestamente, servi, com idoneidade, nas tarefas que me foram confiadas no exercício da minha profissão ao longo de quarenta anos, dentro e fora do País.

*

Será interessante comparar esta narrativa com a investigação realizada pela jornalista Cristina Ferreira, do Público, e publicada neste jornal sob os títulos "Crónica do fim do império" e "A recta final".


terça-feira, 25 de novembro de 2014

Longa vida ao juiz Carlos Alexandre - III


No artigo de opinião Uma semana difícil, publicado ontem no Diário de Notícias, Mário Soares começa por elogiar a demissao do ministro Miguel Macedo e, de seguida, critica desfavoravelmente a detenção de José Sócrates, declarando que "o País foi confrontado com um acontecimento que deixou todos os democratas imensamente preocupados".

"O que foi feito a um ex-primeiro-ministro com um anormal aparato fortemente lesivo do segredo de justiça não pode passar em vão", prossegue o antigo Presidente da República, que "também não pode passar em vão o espectáculo mediático que a comunicação social tem feito, violando também ela o segredo de justiça ao revelar factos que era suposto só serem conhecidos quando um juiz se pronunciasse".

Na manhã de hoje, Soares foi visitar José Sócrates ao Estabelecimento Prisional de Évora, com uma autorização especial do director da prisão, pois não se tratava de um dia de visita.

À saída disse aos jornalistas que está convicto da inocência de Sócrates, deixando transparecer a irritação que algumas perguntas lhe causavam:


26/11/2014 - 11:15


"Têm feito uma campanha contra ele que é uma infâmia. É a comunicação social que faz, mas são os tipos que estão por trás dela."

Para Soares, o inquérito que levou à detenção de Sócrates é "um caso político" orquestrado por “malandros que estão a combater um homem que foi um primeiro-ministro exemplar".
Contrariando o pedido de António Costa, para que o partido não se envolvesse "na apreciação de um processo que, como é próprio de um Estado de direito, só à Justiça cabe conduzir com plena independência, que respeitamos", afirmou:
"Todo o PS está contra esta bandalheira", apesar deste caso não ter "nada a ver com os socialistas".

Mário Soares declarou que Sócrates está preso sem ter sido apresentado a um tribunal, que não tem dúvida que o ex-primeiro-ministro será absolvido em tribunal, contestando ainda a decisão do juiz Carlos Alexandre de aplicar a José Sócrates a medida de prisão preventiva: "Diga a esse juiz que é muito estranho, que eu também sou jurista."

Da parte da tarde, José Sócrates dita, de uma cabine telefónica da prisão de Évora, uma carta — versão integral aqui — ao seu advogado para entregar ao Público.

Nela, garante que, “em legítima defesa”, irá, “conforme for entendendo”, “desmentir as falsidades lançadas sobre mim e responsabilizar os que as engendraram”.

A minha detenção para interrogatório foi um abuso e o espectáculo montado em torno dela uma infâmia; as imputações que me são dirigidas são absurdas, injustas e infundamentadas”. Depois queixa-se da “humilhação gratuita” que sofreu com a decisão do juiz Carlos Alexandre de o colocar em prisão preventiva, uma medida de coacção que considera ser “injustificada”, porém, “não raro, a prepotência atraiçoa o prepotente”.

Quase no final da declaração, alude à separação de poderes: “Este é um caso da Justiça e é com a Justiça Democrática que será resolvido.

Para logo referir “que este caso tem também contornos políticos” e agradecer a solidariedade de amigos e camaradas. Mas exige que a política não se misture no seu caso porque lhe seria prejudicial: “Este processo é comigo e só comigo. Qualquer envolvimento do Partido Socialista só me prejudicaria, prejudicaria o Partido e prejudicaria a Democracia.

*

Mário Soares consegue, no mesmo artigo de opinião, elogiar a demissão do ministro social-democrata Miguel Macedo durante o interrogatório do juiz Carlos Alexandre aos arguidos dos visto gold, e contestar a prisão preventiva decretada pelo mesmo juiz no que respeita ao socialista José Sócrates. Um exemplo de coerência e de respeito pela separação de poderes num Estado democrático...

É especialmente emocionante a certeza de Soares na inocência de José Sócrates sem ter visto qualquer uma das provas já recolhidas pelo ministério público durante o inquérito, apesar de explicarem a vida faustosa do detido e condizerem com a sua personalidade — esteve envolvido na construção de casas na Guarda quando era deputado em exclusividade, na duvidosa licenciatura da Independente, no aterro sanitário da Cova da Beira, no Freeport, nas casas da Braamcamp, na tentativa de controle da TVI e no assalto ao poder no BCP.

A certa altura lembrei-me de Salazar, nos últimos anos de vida quando recebia os seus antigos ministros em São Bento e ainda pensava que governava o País.



O juiz Carlos Alexandre à saída do Tribunal Central de Instrução Criminal na segunda-feira


A imediata reacção de Sócrates obriga, porém, a outra leitura. O aluno repete a defesa sustentada por Soares. O aluno segue os passos do mestre.

Desengane-se quem ver na atitude de Soares resquícios de senilidade. O antigo presidente da República está no pleno uso das suas faculdades mentais. Foi ele quem veio defender Ricardo Espírito Santo Salgado. Primeiro apoiou Seguro e depois atirou-o abaixo quando foi conveniente. É a mão por detrás dos socratistas, é ele o titereiro e António Costa, a marionete.

José Sócrates deu milhões de euros em apoios financeiros às fundações da família Soares — Fundação Mário Soares e Pro Dignitate - Fundação de Direitos Humanos —, logo há que defendê-lo.
Aliás, os contribuintes são os grandes beneméritos destas fundações, até pagam as obras no Convento do Sagrado Coração de Jesus, cedido pelo governo Guterres para sede da Pro Dignitate.

Ferro Rodrigues não é o líder da bancada parlamentar por acaso: foi integrado por José Sócrates depois de se demitir de secretário-geral do PS, tornou-se o elo de ligação com o PSD através do casamento do filho João Rodrigues com Joana Loureiro e acabou por converter-se no principal escudo de protecção de Dias Loureiro que devia ter sido constituído arguido no processo BPN, tão responsável era como Oliveira e Costa, mas nem foi beliscado.

Agora a justiça está demasiado activa e a pôr em perigo interesses inconfessáveis tanto no campo socialista como no social-democrata. É preciso apregoar que a justiça democrática está em perigo. Já foram escolhidos os alvos a abater: o procurador Jorge Rosário Teixeira e o juiz Carlos Alexandre.

Resta saber se o bonacheirão Zé povinho engole o anzol. Parece que não:


Mário Soares pede desculpa pelo engano
25 Novembro 2014 - 09:03
Mário Soares enganou-se já com a idade avançada que tem, ele queria dizer: que detenção de Sócrates "deixou os corruptos imensamente preocupados".

Anónimo
25 Novembro 2014 - 09:12
Não te preocupes que no teu funeral não será dado qualquer atenção mediática pelos meios de comunicação, pois estaremos todos a seguir a novela "Sócrates tenta fuga da prisão, ajudado pelo Ferro Rodrigues, António Costa, Pinto Monteiro e seus metralhas!"

Paula Castilho Borges @ Facebook
25 Novembro 2014 - 09:22
Vergonhosa esta declaração. Mas uma democracia não é suposto ser um estado de Direito? Com uma verdadeira separação de poderes? Quando o Sarkozy foi detido para interrogatório será que também achou que a democracia francesa estava em perigo? Ou será que por democrata quer dizer socialista? E que este homem sempre confundiu democracia com PS... Ou será que tem medo que possa ser investigada a fortuna da família Soares? Diamantes de Angola + aeroporto de Macau + Emaudio para relembrar só alguns...

Pena
25 Novembro 2014 - 09:22
Sócrates devia apanhar 25 anos, com confiscação da fortuna e prisão de todos os coniventes envolvidos, inclusive a mãe dele, por envolvimento e obstrução à justiça, 10 aninhos para cada um.
Mas isto não são os EUA. É um país social-democrata e socialista de 3º mundo...
  • abelavida
    25 Novembro 2014 - 09:35
    Curioso este comentário. De facto a própria mãe de Sócrates está envolvida no processo. No mínimo por conivência.

Fernando Cunha @ Facebook
25 Novembro 2014 - 09:24
Num rasgo de "consciência", coisa rara actualmente, MS começa a ficar preocupado porque a Justiça está a actuar. Ai se eles começam a vasculhar a família Soares... Não esqueçam de ler um livro CONTOS PROIBIDOS. MEMÓRIAS DE UM PS DESCONHECIDO. Publicações Dom Quixote. Lisboa. 1996.

Manolo
25 Novembro 2014 - 09:29
Claro que está preocupado.
Hoje ex-primeiros-ministros, amanhã ex-presidentes da República.

Alea jact est
25 Novembro 2014 - 09:37
Quais democratas? Os verdadeiros não é, de certeza. O verdadeiro democrata vê TODOS os cidadãos iguais perante a lei. Não há distinção entre criminosos da política e criminosos comuns.

Anónimo
25 Novembro 2014 - 09:39
Impõe-se uma limpeza geral. É um imperativo nacional. Avaliem-se as fortunas e processem os seus detentores. Comecem pelos autarcas, que acumularam grandes fortunas à custa de corrupção e tráfico de influências. Passem para antigos membros do governo e deputados. Corram tudo a pente fino. Investiguem os actuais titulares de cargos públicos. O povo não pode suportar mais estes chupistas.
A quem trabalha só sabem cortar salários. Aos reformados cortam as pensões. A todos aumentam os impostos. Basta, mas basta mesmo!

Anónimo
25 Novembro 2014 - 09:53
Falou o bisavô do regime cleptocrático.

De democrata para democrata
25 Novembro 2014 - 09:55
Sou democrata e não fiquei nada preocupado. Acho que finalmente a justiça começa a funcionar e isso não é motivo de preocupação, a não ser para quem tenha telhados de vidro. A procissão ainda vai no adro.

Respeito pela democracia
25 Novembro 2014 - 10:08
Mário Soares é o maior corrupto deste regime que saiu impune do escândalo Emaudio. Basta ler o livro "Contos Proibidos" do ex-dirigente socialista Rui Mateus para entender tudo. Um Presidente da República em exercício a pedir dinheiro a troco de licenças de jogo e outras contrapartidas. Rui Mateus desapareceu de Portugal após a publicação do livro em Janeiro de 1996. O livro esgotou imediatamente no 1º dia de vendas e nunca foram feitas mais edições. Hoje está disponível na internet. Basta procurarem pelo título no Google. Os media branquearam completamente esse comportamento criminoso.
Estão agora a ensaiar o mesmo esquema mafioso com este tipo de afirmações. O que está em causa é se o Pinto de Sousa da Independente cometeu os crimes ou não. A Justiça acredita que sim. Aguardemos calmamente o desenrolar do processo e sem perturbar a investigação. Os verdadeiros democratas fazem isso.
  • Anónimo
    25 Novembro 2014 - 10:17
    Rui Mateus, um dos fundadores do PS, sofreu a tal limpeza estalinista, desaparecendo da história do partido, depois de entregar provas suficientes para pôr Soares, Almeida Santos, Melancia e a maior parte da família socialista atrás das grades. No PS é assim, quem se lixa são os honestos. Quem se mete com o gang leva.
  • Fernanda Correia
    25 Novembro 2014 - 10:28
    O livro de Rui Mateus foi imediatamente comprado por este mafioso Soares, exactamente como o seu colega Sócrates fez com a sua tese. Um para que ninguém o lesse e o escândalo não alastrasse e o outro para parecer importante e lido. Razões diferentes, mesmo modus operandi extremamente democrático e exemplar! O livro está na Net. Basta procurar no Google e descarregar. É um serviço à Pátria lê-lo. Este corrupto-mor devia ser preso e julgado antes que morra.

correiapinade031049
25 Novembro 2014 - 10:24
Ser democrata é aceitar que existam leis e regras. Ser democrata e político é saber aceitar a separação de poderes. Ser democrata é saber aceitar a prisão de um amigo, se ele prevaricou. Ser democrata é ter a consciência de que diz a coisa certa no momento certo, não dando cobertura aqueles que, muito democraticamente, roubam o que é dos outros.

PS=Partido Sujo
25 Novembro 2014 - 10:31
Soares, Paulo Campos, Jorge Coelho, Mário Lino, Almeida Santos, Carlos Melancia, Armando Vara, António Costa, ou seja, a maior parte da cúpula socialista agiu em causa própria quando foi o único partido que votou contra a criminalização do enriquecimento ilícito. Evitando assim estarem agora na companhia de Sócrates, que não criou estes esquemas sozinho. Muitos outros dentro do aparelho PS beneficiaram e ajudaram em esquemas de criminosos.

jose
25 Novembro 2014 - 10:31
O ministro Miguel Macedo demitiu-se porque era amigo de um arguido, e António Costa aplaudiu.
Agora eu pergunto: António Costa enquanto nº 2 de um Governo nos momentos em que esta corrupção se desenrolava não se demite da liderança do PS? Das duas uma, ou ele estava no governo e não viu nada (como um anjinho), ou então também mamou à grande e à francesa!

Anónimo
25 Novembro 2014 - 10:44
Só os anjinhos é que podem acreditar que as "luvas" das negociatas feitas durante o governo PS foram apenas para o Sócrates. Certamente outros nesse governo e no partido devem ter beneficiado disso. Os tão convenientes RERTs vieram desse governo PS. O que interessa é fazer muita obra para manter o dinheiro a circular de forma a gerar "luvas". Eu sempre desconfiei dos políticos que fazem muita despesa, sobretudo em obras inúteis. Agora percebe-se porque razão o PS foi o campeão das PPPs, dos Swaps, da Parque Escolar, das Eólicas e dos ajustes directos.
Mas o PSD que não pense que aqui faz como Pilatos. Também tem muitos "telhados de vidro". E é por isso que este sistema político está podre e urge uma reforma do sistema eleitoral.

O Chulo-Mor da Nação
25 Novembro 2014 - 11:37
É insultuoso como alguns o apelidam de "Pai da Democracia"! Para quem não sabe ele é o "Pai" das subvenções vitalícias dos políticos. Isso sim. E numa altura em que Portugal estava sob resgate do FMI. Não há ninguém que tenha "extorquido" tanto ao erário público como ele. Fez de Portugal uma "coutada" ao seu serviço e da sua M*ço**r*a.
O livro "Contos Proibidos" de Rui Mateus é bem revelador. Quem o quiser ler em PDF basta pesquisar na Net. O verdadeiro cognome que faz jus a este cavalheiro é o de "Chulo da Nação"! Onde é que já se viu alguém numa visita de Estado fazer um "desvio turístico" às Seychelles? E desde que lhe cortaram nos subsídios à sua Fundação sinistra e inútil, nunca mais parou de espernear e de "espumar" baboseiras.

Lourenco Aroso
25 Novembro 2014 - 11:37
Fortemente lesivo foi o saque que estes Socialistas fizeram ao país e isso sim, não pode passar em vão. Apertem com Sócrates e Salgado, façam o jogo de polícia bom e polícia mau, digam que um já anda a dar informações sobre o outro em troca de uma diminuição de pena e deixem o efeito dominó começar.
Espero sinceramente que, de uma vez por todas, a justiça Portuguesa actue e seja implacável com os verdadeiros criminosos que prejudicam toda a gente séria em Portugal. Quanto a Mário Soares, infelizmente, não há comentário possível.

Anónimo
25 Novembro 2014 - 11:40
A corrupção não deixa de ser um crime de sangue, devido aos roubos dos corruptos (sempre muito chorudos) muita gente se mata, vive na miséria e morre, tal a gravidade da corrupção.
Para mim, este tipo de corrupção destrói as empresas, o povo e o país, tal a sua gravidade. Para mim a corrupção, não deixa de ser um crime menos grave que um crime de sangue e tráfico de droga. Um crime que leva um pais à miséria é muito, mas mesmo muito grave.
Portugal está no estado em que está principalmente devido à corrupção dos nossos políticos e ex-políticos em lugares chave que levam as empresas a untar-lhes as mãos se querem ganhar contratos.
Todos os contratos deveriam de ser através de concursos públicos abertos ao público e consultados por todos (publicados).
Vamos pôr Portugal a ser um país rentável para todos.

T
25 Novembro 2014 - 13:20
Ontem assistimos a algo interessante: a generalidade dos opinadores profissionais, ex-políticos e/ou pseudo-jornalistas, muitíssimo preocupados com os detalhes da detenção, etc, mas zero preocupação com o facto de um político ter a possibilidade de levar um país à ruína, enriquecer escandalosamente e não ter acontecido nada que o impedisse. Será só incompetência, ou estarão com o rabo entalado?

zita
25 Novembro 2014 - 15:27
Não foram os democratas que se preocuparam, foram os corruptos. Eles já nem distinguem, coitados...
Onde é que está o espectáculo mediático na detenção? Só se viu um carro passar às escuras!