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terça-feira, 16 de abril de 2019

Uma visita à Catedral de Notre-Dame de Paris


Recordemos os tempos áureos da Catedral de Notre-Dame de Paris numa visita gravada em directo por uma equipa do jornal Le Monde, em Março de 2017.

Começamos por identificar algumas partes notáveis da catedral:

Plan.cathedrale.Paris.png
Plano da catedral de Notre-Dame de Paris pelo arquitecto Viollet-le-Duc, 1856.
Da esquerda para a direita, identifica-se a fachada oeste com os três portais, segue a nave principal flanqueada pelas naves laterais duplas, o transepto (nave transversal) com os portais norte e sul e, finalmente, o coro e a abside rodeados pelo duplo deambulatório.


Notre-Dame de Paris 2013-07-24
Peter Haas / CC BY-SA 3.0.
Fachada oeste da Catedral de Notre-Dame de Paris em 2013.
Apresenta, de baixo para cima, o piso dos três portais, a galeria dos reis, o piso da rosácea oeste e, no topo, um último piso de colunatas coroado pela galeria das Quimeras (animais nos ângulos da balaustrada), ligando as duas torres.

Notre-Dame de Paris 2009-04-28
Zuffe / CC BY-SA
Fachada sul da Catedral de Notre-Dame de Paris em 2009.
Distingue-se, da esquerda para a direita, os arcobotantes da nave, a rosácea sul do transepto e, finalmente, os arcobotantes do coro. O braço sul do transepto é encimado por um frontão ricamente decorado e perfurado por uma clarabóia que iluminava o seu sótão.

Notre-Dame tsj
Jean-Christophe Windland / CC BY-SA
Fachada norte da Catedral de Notre-Dame de Paris em 2013.
Da esquerda para a direita, vê-se os arcobotantes do coro, o braço norte do transepto e os arcobotantes da nave. A rosácea norte é encimada por um frontão semelhante ao do braço sul do transepto, mas com uma clarabóia diferente, bem como três óculos.

Agora já podemos ver o vídeo da visita:




Num trajecto nunca acessível aos outros visitantes da catedral, Philippe Villeneuve, arquitecto-chefe dos Monuments Historiques, inicia a visita no terraço coroado pela galeria das Quimeras e situado entre os dois campanários (04:00 a 05:00). Estes são os passos seguintes:

  • Travessia do sótão no sentido oeste-leste até chegarem à base da flecha. O corredor transversal seguia, à esquerda, para a clarabóia do braço norte do transepto (19:45 a 20:13). Viram à direita para a clarabóia sul (21:10 a 21:55).
  • Descem a escada para o terraço das janelas altas, sob os arcobotantes do coro, e percorrem-no integralmente no sentido directo. Villeneuve explica como as forças exercidas pela abóbada e pelos arcobotantes se equilibram (25:06 a 26:27).
  • Descem a escada do braço norte do transepto para entrarem na tribuna do coro. Villeneuve chama a atenção para o belo pavimento marmóreo do coro, para uma abóbada sexpartida de ogivas (42:00 a 42:35) e para os vitrais medievos das rosáceas norte e sul do transepto. Percorrem a tribuna no sentido retrógrado e observam a rosácea sul (47:43 a 48:22).
  • Sobem duas escadas do braço sul do transepto para entrar na galeria sob a rosácea sul. Na frente está a magnífica rosácea norte (50:30 a 51:15).

A parte emocionante é o percurso efectuado sobre as abóbadas da nave e sob o tecto da Catedral (9:00 a 22:00), através da sua famosa estrutura em madeira — la charpente — feita de grossos barrotes extraídos de cerca de dois mil carvalhos que cresciam à volta de Paris, por isso considerada, numa visão romântica, “a floresta de Notre-Dame”. Madeiros com mais de 800 anos que no passado dia 15 de Abril foram reduzidos a cinzas.

No entanto, as abelhas (50:00) sobreviveram.


Rozeta Paryż notre-dame chalger.jpg
Krzysztof Mizera / CC BY-SA 4.0
Rosácea norte da catedral de Notre-Dame de Paris, uma obra-prima da arquitectura gótica.


domingo, 25 de dezembro de 2016

In Memoriam Alexandrov Ensemble


Um avião, que partiu de Moscovo com 92 pessoas, caiu no Mar Negro dois minutos depois de descolar do aeroporto de Sochi, na Rússia, onde aterrara para reabastecer de combustível.

A bordo seguiam 64 elementos — cantores, músicos da orquestra e bailarinos — do famoso Alexandrov Ensemble que iam actuar na festa de Ano Novo de uma base aérea de Latakia, província do litoral da Síria.

Os destroços do avião foram encontrados a 1,5km de Sochi, a uma profundidade entre 50 e 70m. Não há sobreviventes.

REUTERS/Stringer
AFP PHOTO / Jacques Demarthon

Fundado em 1928 pelo compositor Alexander Vasilyevich Alexandrov, o Alexandrov Ensemble chamou-se inicialmente Coro do Exército Vermelho, tendo começado com 12 soldados artistas — um octeto vocal, um acordeonista, dois bailarinos e um recitador.
Cinco anos depois já contava com 300 elementos, reunindo um coro exclusivamente masculino, uma orquestra e um conjunto de bailarinos. Posteriormente foi reduzido para cerca de 80 artistas. A partir dos anos noventa passou a incorporar elementos femininos.

Alexander Alexandrov dirigiu o coro durante 18 anos. Sucedeu~lhe o filho, Boris Alexandrov, que conduziu o coro entre 1946 e 1987. O actual director, Valery Khalilov, seguia a bordo do avião que caiu no Mar Negro. Apenas três dos cantores do coro não seguiam a bordo.

O repertório actual continha mais de duas mil obras entre canções folclóricas, música sacra e trechos de óperas, sendo as interpretações musicais acompanhadas por danças e acrobacias. Em algumas das peças que executavam, o coro era dividido em contratenores, primeiros tenores, segundos tenores, barítonos, primeiros baixos, segundos baixos e baixos profundos.



Concurso Eurovisão da Canção 2009, Moscovo


Kalinka (Калинка), canção do folclore russo escrita em 1860 por Ivan Larionov.
Maestro: Igor Raevskiy
Solista: Vadim Ananyev (não embarcou no avião)


O último concerto no Teatro Bolshoi, em Moscovo


*
Pessoas colocam velas num cais de Sochi, Rússia, para homenagear os passageiros e tripulantes do avião Tu-154 militar russo que caiu no Mar Negro.
REUTERS/Maxim Shemetov


segunda-feira, 14 de março de 2016

In Memoriam Nicolau Breyner




Nicolau Breyner
(Serpa, 30 de Julho de 1940 - Lisboa, 14 de Março de 2016)


Um grande actor que no "Senhor Feliz e Senhor Contente" — uma rábula que permanece tão actual — fez-nos rir da política à portuguesa.





sexta-feira, 10 de julho de 2015

In Memoriam Omar Sharif



Omar Sharif
(1932-2015)



Lawrence da Arábia, cena "Poço de Ali"
Realizador: David Lean
Sherif Ali: Omar Sharif
1962


Lawrence da Arábia, cena “Aqaba. Aqaba, a partir de terra”


Lawrence da Arábia, cena “Nada está escrito”


Doutor Jivago, cena "Tentativa de suicídio"
Realizador: David Lean
Dr. Yuri Jivago: Omar Sharif
1965


Doutor Jivago, cena "Strelnikov — A vida íntima está morta"


Doutor Jivago, cena "Partida de Lara"


Doutor Jivago, cena "Morte de Jivago"


quarta-feira, 10 de junho de 2015

Variações sobre o encontro internacional de Matemática no Porto


Vai decorrer na cidade do Porto um encontro internacional de Matemática que reune cerca de mil professores e investigadores.

O encontro internacional de Matemática do Porto tem início às 17 horas desta quarta-feira, prolongando-se até sábado, e o programa inclui três oradores portugueses: Rui Loja Fernandes, que já ensinou no IST e actualmente trabalha na Universidade de Illinois, Irene Fonseca, professora da Universidade de Carnegie Mellon, e André Neves, do Imperial College, Londres, que em 2011 foi o primeiro matemático português a receber do Conselho Europeu de Investigação uma bolsa de mais de um milhão de euros.



O gabinete de imprensa da Universidade do Porto (UP) destaca que este encontro foi organizado pela Sociedade Americana de Matemática (AMS), pela Sociedade Europeia de Matemática (EMS) e pela Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM), sendo a primeira reunião conjunta destas sociedades de Matemática. Haverá sessões na Faculdade de Ciências da UP, no Seminário do Vilar e na Casa da Música.

Para o ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, que é também matemático e será um dos oradores da cerimónia de abertura, o encontro, “tendo mais de mil participantes, testemunha a vitalidade e a internacionalização da investigação matemática no nosso país e mostra a capacidade da Sociedade Portuguesa de Matemática e dos centros de matemática portugueses para reunir matemáticos europeus e norte-americanos na troca e debate de resultados de investigação”.



O que é que as obras do escritor Jorge Luis Borges, do pintor Salvador Dalí ou do compositor Olivier Messiaen têm a ver com Matemática?

A resposta será dada, a partir das 21 horas na Casa da Música, pelo professor da Universidade de Oxford, Marcus du Sautoy, na conferência Os Matemáticos Secretos integrada no encontro e destinada ao grande público.

Sautoy pensa que “de forma subconsciente, os artistas esboçam as mesmas estruturas que fascinam os matemáticos”. Por exemplo, a forma do Universo é similar à da biblioteca assim descrita por Borges: “A Biblioteca é ilimitada e periódica. Se um eterno viajante a atravessasse em qualquer direcção, comprovaria ao fim dos séculos que os mesmos volumes se repetem na mesma desordem (que, reiterada, seria uma ordem: a Ordem)”.


Salvador Dalí, La Cara de la Guerra (A Face da Guerra), 1940. Óleo sobre tela, 100 cm × 79 cm. Museum Boijmans Van Beuningen, Roterdão, Países Baixos. É um fractal.


Salvador Dalí, El sagrament de l'Últim Sopar (O Sacramento da Última Ceia), 1955. Óleo sobre tela, 268 cm × 167 cm. National Gallery of Art, Washington, Estados Unidos da América. A ceia decorre no interior de um dodecaedro.



O dodecaedro é um dos 5 sólidos platónicos


Para Sautoy, que considera a Matemática como a ligação entre a ciência e a arte, Borges, com a sua Biblioteca de Babel, Dalí, com as obras O Sacramento da Última Ceia ou A Face da Guerra, e Messiaen com o seu Quarteto para o Fim do Tempo, composto no campo de concentração de Gorlitz, são matemáticos secretos.




Logo após a conferência de Sautoy, realizar-se-á um concerto pela Orquestra Clássica da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.


*

Descendo do público adulto para o infantil, este excerto do filme Frozen dos estúdios de animação da Disney induz as simetrias radiais ou os fenómenos periódicos na mente dos mais pequenos:





sexta-feira, 15 de maio de 2015

O Terminal de Cruzeiros do porto de Leixões


"Ah, todo o cais é uma saudade de pedra!"
in Álvaro de Campos, Ode Marítima



Fernando Guerra


O novo Terminal de Cruzeiros do porto de Leixões “é uma obra delicada”, diz Brogueira Dias, presidente da Administração dos Portos do Douro e Leixões (APDL). “Aquilo está fundado em cima de estacaria”, mas “as estacas, no início, tiveram que funcionar ao contrário, porque, como tinha muito volume metido debaixo de água, a impulsão obrigou-as a funcionar como se fossem tirantes, para segurar o edifício”.



O estudo inicial previa, para os duplos pisos 2 e 3, uma área comercial e um espaço de restauração, respectivamente, para mais facilmente atrair a atenção dos habitantes da área metropolitana do Porto.

No entanto, a APDL optou por assumir uma parceria com a Universidade do Porto para aí instalar o seu Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR), um pólo de ciência e tecnologia do mar, que irá ocupar “cerca de 40%” do edifício e acolher aproximadamente 200 investigadores.
Foi feito um contrato de concessão por 50 anos e a Universidade paga uma renda relativamente a isso. Mitiga um bocadinho as dificuldades também de investimento, contribuindo para a sustentabilidade do investimento”, explica Brogueira Dias. Esta decisão facilitou a candidatura aos fundos comunitários, sendo o custo global, orçado em cerca de 50 milhões de euros, dividido em partes iguais entre a APDL e Bruxelas.

Após concurso público, a obra foi adjudicada ao consórcio formado pela Ferreira - Construção e OPWAY - Engenharia, por contrato¹ celebrado em Setembro de 2011 no valor de 24,9 milhões de euros.



O convite a Luís Pedro Silva para projectar o terminal de cruzeiros do porto de Leixões surgiu depois de o arquitecto, mestre em Planeamento e Projecto do Ambiente Urbano pelas faculdades de Arquitectura e Engenharia da Universidade do Porto, ter integrado a equipa da empresa que foi escolhida pela APDL, em 2003, para definir o novo plano estratégico daquele porto.

O objectivo então definido era "ligar o desenvolvimento comercial e a aposta no turismo marítimo com a socialização do porto”, diz este arquitecto. Luís Pedro Silva não vê a arquitectura como “um problema de autoria”, mas antes de “resposta a um conjunto de circunstâncias”, que começam no cliente e no programa e passam pelo lugar e pelo contexto. “A arquitectura é a síntese destes vários factores, que depende mais da pergunta que eles fazem do que do modo como se lhes responde.

A primeira etapa, concluída em Abril de 2011, foi a construção de um novo cais de acostagem, que já foi projectado por si. Seguir-se-iam um porto de recreio e depois a nova estação de passageiros.

O desenho inicial do edifício surgiu em 2006 e o arquitecto considera que não tem “nada de transcendente”.


Temos um braço que vem ao navio, outro que vai à curva do molhe, outro que leva à cidade e depois outro que cai dentro do edifício”, resultando o projecto da “síntese destes movimentos e fluxos”.
Tinha de haver uma cobertura para abrigar as pessoas, uma parede para suportar uma rampa, uma pala para abrigar os autocarros... Esses elementos vêm mais ou menos laminados e, quando chegam aqui, não se descaracterizam – levam a que as formas, e aquilo que se lê entre o fechado e o aberto, seja assim mesmo”, explica Luís Pedro Silva.




O edifício é composto por cinco pisos e dois mezaninos, a que se junta a cobertura, e foi construído sobre estacas.

Situado a 1,6 m abaixo do nível do mar, o piso -1 integra um biotério do CIIMAR (um aquário com animais e algas), um parque de estacionamento (90 lugares), uma área técnica e equipamentos de apoio ao porto de recreio.




O piso 0 é o piso da recepção aos visitantes. Integra um amplo átrio, iluminado por luz natural e com um espelho de água ao centro, a partir do qual o edifício sobe em hélice, tendo mesmo uma rampa helicoidal até à cobertura.

O piso 1 é a sala de embarque, com os serviços de check-in, alfândega, fronteira e uma sala de espera com cafetaria. Daqui, os turistas têm uma ligação directa tanto aos navios como aos autocarros estacionados no parque exterior – a APDL espera 125 mil passageiros só até final do corrente ano.

Os pisos 2 e 3, bem como os respectivos mezaninos que duplicam a sua área, estão quase integralmente afectos aos serviços do Pólo do Mar, com cerca de uma centena de salas e gabinetes que deverão acolher os técnicos e investigadores de áreas como a oceanografia, a microbiologia, a nutrição, a ecofisiologia, a toxicologia, a robótica, etc...



No piso 3 encontra-se um dos espaços mais ousados da construção com uma parede envidraçada a abrir para uma vista panorâmica sobre o oceano Atlântico. É uma galeria de divulgação científica que está apoiada por um pequeno auditório revestido a veludo azul, equipado com uma régie e máquinas de projecção mas que pode acolher os eventos mais diversos e será partilhado entre a Universidade do Porto e a APDL.
Há ainda um pequeno restaurante a partir do qual se pode sair novamente para a rampa exterior que leva à cobertura.

A cobertura é um anfiteatro ao ar livre, resguardado da nortada, que pode acolher 1800 pessoas e proporciona uma vista admirável sobre o mar, a linha de costa e o Parque da Cidade.




O revestimento interior e exterior do terminal contém um milhão de azulejos tridimensionais produzidos pela Vista Alegre. Vidrados, os azulejos hexagonais difundem de forma variável a luz do sol ao longo do dia e das estações do ano, conferindo-lhe “iridescência para conseguir uma certa variedade cromática”.

Este terminal de cruzeiros do porto de Leixões pode vir a revolucionar a relação dos habitantes das cidades de Matosinhos e do Porto com este porto de mar situado 4 km a Norte da foz do rio Douro. Diz Luís Pedro Silva: “Espero que a obra seja bem acolhida, bem usufruída, que sirva quem cá esteja dentro e quem cá venha.

(actualizado em 23 de Julho)


Nota:
  1. Ver aqui os contratos desde 500 mil euros da adjudicante APDL


sábado, 2 de maio de 2015

In Memoriam Maya Plisetskaia



———






"Nasci em Moscovo. No reino de Estaline. Depois vivi sob Khrushchev, Brezhnev, Andropov, Chernenko, Gorbachev, Ieltsin... E terei de congratular-me, não renascerei.
Viver a nossa vida... E eu vivi-a. Não esqueço aqueles que foram bons para mim.
Nem aqueles que morreram, esmagados pelo absurdo. Vivi para a dança.
Nunca soube fazer mais nada. Obrigada por esta natureza graças à qual me mantive firme, não me deixei quebrar, não capitulei."

in Maya PLISETSKAIA, Moi, Maya Plisetskaia, Gallimard, colecção “Témoins”, 1995 (tradução)


Estaline mandou fuzilar o seu pai e deportar a mãe para o Cazaquistão por ser a mulher de um "inimigo do povo". Se uma tia materna não tivesse lutado pela sua tutela, teria sido educada num orfanato. Tornou-se na melhor bailarina da segunda metade do século XX. Ninguém conseguiu ainda substituí-la: foi a última prima ballerina assoluta do Teatro Bolshoi.



Música: Piotr Tchaikovski, Лебединое озеро/Lebedinoye ozero (Lago dos cisnes)
Coreografia: Marius Petipa
Odette, rainha dos cisnes/Odile, cisne negro: Maya Plisetskaia (entra aos 19:30)
Príncipe Siegfried: Nikolai Fadeyechev
Teatro Bolshoi, Moscovo, União Soviética, 1957



Música: Ludwig Minkus, Don Quixote
Coreografia: Marius Petipa
Teatro Bolshoi, Moscovo, União Soviética, 1959


Música: Ludwig Minkus, Don Quixote
Coreografia: Marius Petipa
Kitri/Dulcineia: Maya Plisetskaia
Basilio: Maris Liepa
Teatro Bolshoi, Moscovo, União Soviética, 1968

Música: Sergei Prokofiev, Ромео и Джульетта/Romeo i Dzhul'yetta (Romeu e Julieta)
Teatro Bolshoi, Moscovo, União Soviética, 1961



Música: Piotr Tchaikovski, Лебединое озеро/Lebedinoye ozero (Lago dos cisnes)
Coreografia: Marius Petipa
Príncipe Siegfried: Valery Kovtun
Teatro Bolshoi, Moscovo, União Soviética, 1973


Música: Georges Bizet-Rodion Shchedrin, Carmen Suite
Coreografia: Alberto Alonso
Don José: Alexander Godunov
1974


Música: Camille Saint-Saëns, Le Carnaval des animaux - Le Cygne
Coreografia de "La Mort du cygne": Michel Fokine
Teatro Bolshoi, Moscovo, União Soviética, 1975


Música: Maurice Ravel, Boléro
Coreografia: Maurice Béjart
Ballet du XXe siècle, 1975


Música: Gustav Mahler, Sinfonia No 5 mov 4 - Adagietto
Coreografia de "La mort de la rose": Roland Petit
Jeunesse: Valery Kovtun
1978


Música: Georges Bizet-Rodion Shchedrin, Carmen Suite
Coreografia: Alberto Alonso
Don José: Alexander Godunov
Escamillo: Sergei Radchenko
Teatro Bolshoi, Moscovo, União Soviética, 1978


A homenagem do Teatro Bolshoi, Moscovo, Rússia


segunda-feira, 27 de abril de 2015

O sismo no Nepal


O Nepal foi atingido por um sismo de magnitude 7,8 na escala do Momento, no sábado dia 25 de Abril, que provocou mais de 2 mil vítimas.

A devastação deixada pelo sismo em Katmandu, a capital, ficou registada em vídeo por um drone. Palácios, templos e estátuas construídos entre os séculos XII e XVIII foram reduzidos a escombros:


Kishor Rana/Reuters 27/04/2015 - 15:51


A torre Dharahara — um minarete com 62 m de altura e nove pisos, edificado no séc. XIX — colapsou, sepultando cerca de 200 visitantes. Permitia desfrutar de uma vista panorâmica sobre o vale de Katmandu e era património mundial da UNESCO, em conjunto com as praças Durbar (do palácio real) de Katmandu, de Bhaktapur e de Patan.












O País está localizado na cordilheira dos Himalaias que se formou em resultado da colisão da placa tectónica indiana com a placa euro-asiática, há cerca de 40 milhões de anos. Oito das dez maiores montanhas do planeta, entre as quais o monte Everest que fica na fronteira com a China, estão situadas no Nepal.





Animação ampliada aqui. Clique em Motion e deslize a seta para ver o movimento das placas tectónicas nos últimos 150 milhões de anos.
Clique em Maps e seleccione Boundaries e Names para ver a posição actual das placas. O sismo no Nepal resultou do movimento — convergente (seleccione Velocity) — entre as placas indiano-australiana e euro-asiática.


quinta-feira, 2 de abril de 2015

terça-feira, 24 de março de 2015

In Memoriam Herberto Helder




Herberto Helder diz "Fonte II"
(23 Nov 1930 - 24 Mar 2015)


No sorriso louco das mães batem as leves
gotas de chuva. Nas amadas
caras loucas batem e batem
os dedos amarelos das candeias.
Que balouçam. Que são puras.
Gotas e candeias puras. E as mães
aproximam-se soprando os dedos frios.
Seu corpo move-se
pelo meio dos ossos filiais, pelos tendões
e órgãos mergulhados,
e as calmas mães intrínsecas sentam-se
nas cabeças filiais.
Sentam-se, e estão ali num silêncio demorado e apressado
vendo tudo,
e queimando as imagens, alimentando as imagens
enquanto o amor é cada vez mais forte.
E bate-lhes nas caras, o amor leve.
O amor feroz.
E as mães são cada vez mais belas.
Pensam os filhos que elas levitam.
Flores violentas batem nas suas pálpebras.
Elas respiram ao alto e em baixo. São
silenciosas.
E a sua cara está no meio das gotas particulares
da chuva,
em volta das candeias. No contínuo
escorrer dos filhos.
As mães são as mais altas coisas
que os filhos criam, porque se colocam
na combustão dos filhos, porque
os filhos estão como invasores dentes-de-leão
no terreno das mães.
E as mães são poços de petróleo nas palavras dos filhos,
e atiram-se, através deles, como jactos
para fora da terra.
E os filhos mergulham em escafandros no interior
de muitas águas,
e trazem as mães como polvos embrulhados nas mãos
e na agudeza de toda a sua vida.
E o filho senta-se com a sua mãe à cabeceira da mesa,
e através dele a mãe mexe aqui e ali,
nas chávenas e nos garfos.
E através da mãe o filho pensa
que nenhuma morte é possível e as águas
estão ligadas entre si
por meio da mão dele que toca a cara louca
da mãe que toca a mão pressentida do filho.
E por dentro do amor, até somente ser possível
amar tudo,
e ser possível tudo ser reencontrado por dentro do amor.

Poema "Fonte II", A Colher na Boca, 1961


segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

In Memoriam Demis Roussos




(15 de Junho de 1946 – 25 de Janeiro de 2015)


Nasceu em Alexandria, no Egipto, no seio de uma família de origem grega, bafejado por um dom — a voz de tenor, poderosa e com um timbre rico em harmónios que lhe permitiam ressoar no espaço, tornando-a inconfundível. Voz bem trabalhada no coro da Igreja Ortodoxa grega de Alexandria, onde foi solista durante cinco anos.

Em 1961, a crise do Canal do Suez levou a empresa de construção civil do pai à falência e a família regressou a Atenas. Demis participou em pequenas bandas e passou a viver entre clubes nocturnos onde conheceu o baterista Loukas Sideras. O encontro com o compositor Vangelis Papathanassiou, no Verão de 1966, foi o ponto de viragem para uma carreira de solista: os três criaram uma banda de rock influenciada pela música clássica.


Rain and Tears, 1968


No final de Março de 1968, Demis partiu com Loukas para Londres mas ficaram retidos em Dover por ausência de visto de trabalho e tiveram de regressar a Paris onde viveram a greve geral de Maio de 1968. Mesmo assim conseguiram gravar a canção Rain and Tears, composta por Vangelis e cantada pela voz operática de Demis Roussos, que se tornou um sucesso europeu da banda, entretanto rebaptizada Aphrodite's Child. Seguiram-se os álbuns End of the World (1968), It's Five O'Clock (1969) e muitos concertos.
No entanto, Vangelis pretendia mais tempo de gravação e uma maior aproximação à música clássica, um sonho concretizado em 666, um álbum baseado em textos do Apocalipse de São João que, ao fim de três meses de cara gravação provocou o pânico na editora e levou à ruptura do grupo em 1971.

Um ano depois Vangelis conseguiu terminar sozinho o álbum, considerado uma obra-prima clássica, enquanto Demis, apoiado pela editora Phonogram, já havia iniciado uma carreira a solo que se tornou fulgurante ao longo da década de 1970.


Forever and Ever, 1973


Inspirando-se em temas populares, sucederam-se os êxitos We shall dance (1971) e Fire and Ice (1971). O ano 1972 foi preenchido com concertos em Espanha, Itália, Países Baixos, Grécia e Alemanha e uma actuação no Olympia, em Paris, onde cantou Velvet Mornings para 30 mil espectadores.
No ano seguinte foi a vez da primeira digressão pela América do Sul e da saída do álbum Forever and ever, com canções que se tornaram grandes sucessos como Forever and ever, My friend the wind, Lovely sunny days, My reason, When I was a kid, Goodbye my love, goodbye.
Sucedem-se as digressões internacionais e os álbuns My only fascination (1974), Souvenirs (1975), Happy to be (1976), The Roussos Phenomenon (1976), Ainsi soit-il (1977), demis Roussos (1978), Man of the world (1980), este último com sanções famosas como Lost in love e I need you.


Auf Wiederseh'n, 1973

My Friend The Wind, 1973


Em 1981, retoma a colaboração com Vangelis no single Race to the end, uma adaptação vocal do tema musical do filme Chariots of fire, e na banda sonora do filme icónico Blade Runner (1982), com a canção Tales of the Future (1982).

A sua voz de tenor, as suas canções e as túnicas coloridas que usava em palco marcaram a década de 1970 e o imaginário da minha geração.


sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

A Arábia Saudita tem um novo rei


A Arábia Saudita foi fundada em 1932 por Abdulaziz al Saud (1876-1953). É uma monarquia absolutista que tem como constituição o Corão, o livro sagrado do islamismo, a bandeira tem inscrita a shahada — Não há deus senão Alá e Maomé é o mensageiro de Alá —, a declaração de fé do islamismo, e possui a segunda maior reserva de petróleo do mundo.

O regime tem a pena de morte por decapitação e lapidação. É frequente a aplicação de penas de mutilação e de flagelação, tendo condenado recentemente um blogger a uma pena de 1000 chicotadas e 10 anos de prisão por defender o debate político e social.

No dia em que esta teocracia tem um novo rei com 79 anos, filho do fundador como todos os reis sauditas (seis) desde 1953, é esta figura esbelta e este discurso moderado que pretendo recordar:


September 20th, 2012

Ameerah al-Taweel sabe vestir-se e comportar-se com elegância, é inteligente e, sobretudo, é culta. É uma figura em que as jovens mulheres trabalhadoras da Arábia Saudita se revêem. Trabalhou na difusão da cultura islâmica e dedicou-se a projectos humanitários e caritativos da fundação do príncipe Alwaleed bin Talal bin Abdulaziz al Saud, com quem foi casada, e defende os direitos das mulheres no único País do mundo onde estão proibidas de fazer quase tudo, até de conduzir um automóvel.

O mentor da fundação é neto do fundador da Arábia Saudita, como o seu nome revela, mas tornou-se o árabe mais influente do mundo graças a investimentos bem sucedidos.
Em 1979, durante a crise do petróleo (1974-85), começou a negociar contratos de construção civil e transacções de propriedades, depois adquiriu um banco saudita e acabou a resgatar o americano Citibank. Hoje tem investimentos a nível internacional em vários sectores desde hotéis, comunicação social e entretimento, passando pela agricultura e retalho, até à petroquímica, aviação e empresas tecnológicas. É o líder do projecto da Torre Jeddah, o edifício mais alto do mundo que vai ultrapassar 1 km de altura, em construção na sua cidade natal à beira do mar Vermelho.


Píxide de al-Mughira, Espanha, Córdova, 968

Jarro em nome do sultão al-Malik al-Nasir Salah al-Din Yusuf, Síria, Damasco, 1259


Painel com cena de jardim, Irão, Isfahan, séc. XVII
Departamento das Artes do Islão, museu do Louvre


A fortuna acumulada permite-lhe espalhar a cultura islâmica e custear projectos filantrópicos a nível mundial.
Subsidiou a construção de centros de estudos islâmicos em universidades europeias e americanas e da ala islâmica do Metropolitan Museum of Art, em Nova Iorque. Foi o principal mecenas do novo departamento das Artes do Islão do museu do Louvre, em Paris.
Em 2002 doou 18,5 milhões de libras a famílias da Cisjordânia, depois de uma incursão de forças militares israelitas, e em 2004 contribuiu com 17 milhões de dólares para as vítimas do maremoto no oceano Índico.


sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Respirar outro mundo


Breathing Other World é o primeiro timelapse de Carlos Dias, um jovem médico veterinário que tem a paixão da fotografia e gosta de “respirar outro mundo” por Portugal e Espanha.

Exigiu mais de 9000 fotografias feitas entre Março de 2013 e Agosto deste ano, num percurso de um par de milhares de quilómetros por locais que considera especiais, como a Carrasqueira (6:08 a 6:28), em Alcácer do Sal, o Cabo Espichel, o Outeiro, em Leiria, a Nave de Santo António (0:48 a 1:19) e o Covão D'Ametade (1:44 a 1:55), no Parque Natural da Serra da Estrela, a Fraga da Pena (1:36 a 1:43), na Serra do Açor, as Buracas do Casmilo (5:48 a 5:59), em Condeixa-a-Nova, as Lamas de Mouro e Castro Laboreiro, no Parque Nacional Peneda-Gerês, o Naranjo de Bulnes (4:17 a 4:28), no Parque Nacional dos Picos da Europa, e o Miradouro de Piedraluengas (4:39 a 4:48) no Parque Natural da Montaña Palentina.

Um trabalho feito apenas com uma câmara DSLR, um tripé e um intervalómetro. A merecer o suporte de marcas para que possa adquirir o slider motorizado e um mecanismo de 3 vias de que tanto carece para poder produzir ainda melhores vídeos.

São sete minutos de beleza pura por 11 lugares na península Ibérica ao som de The Time To Run (Finale) do compositor Dexter Britain:



Carlos Dias | photography
Breve história de vida aqui.


terça-feira, 12 de agosto de 2014

In Memoriam Robin Williams















Robin Williams

(21 de Julho de 1951 - 11 de Agosto de 2014)


Peter Weir, Dead Poets Society (Clube dos Poetas Mortos), 1989 — cena "Carpe diem" onde é citado o poema "To the Virgins, to Make Much of Time" de Robert Herrick (1591–1674).


Peter Weir, Dead Poets Society (Clube dos Poetas Mortos), 1989 — cena "What will your verse be?" onde é citado o poema "O Me! O Life!" de Walt Whitman (1819–1892).


Peter Weir, Dead Poets Society (Clube dos Poetas Mortos), 1989 — cena "Dead Poets Society"


Peter Weir, Dead Poets Society (Clube dos Poetas Mortos), 1989 — cena "O Captain! My Captain!"


segunda-feira, 16 de junho de 2014

Cenas de Baile de Columbano vai a leilão por meio milhão de euros


Cinco painéis de grande dimensão pintados por Columbano em 1891 para o antigo Palácio do Conde Valenças vão ser leiloados.

Um conjunto de cinco painéis que Columbano Bordalo Pinheiro (1857-1929) pintou por encomenda do Conde de Valenças para o salão de baile do seu palácio, o actual Hotel Olissipo, em Lisboa, vai a leilão pela Veritas no próximo dia 25 de Junho, ficando em exposição a partir de dia 19.

Inicialmente o conjunto era composto por sete painéis com 250 centímetros de altura e uma pintura de tecto, encontrando-se hoje dois dos painéis (um deles assinado) numa colecção particular e a pintura de tecto conservada no antigo Palácio Valenças.




A Belle Époque
O período Império


A época de Luís XV
A época de Luís XIV

Uma quadrilha



O conjunto de painéis é descrito pormenorizadamente na obra Os Gatos de Fialho de Almeida (p.162-172):
20 de Janeiro de 1891

Columbano Bordallo acaba de mostrar a meia dúzia d’intimos, no seu atelier no pateo Martel, trabalhos de decoração executados por encomenda do conde de Valenças, para a sala de baile do mesmo senhor.
(…)
A pintura é a óleo, e consta d’um tecto que não podemos vêr, e foi pintado in situ, e de sete panneaux de cerca de tres metros d’alto e de largura diferente, que serão aplicados ás molduras d’estuque do salão de baile a que se destinam. (…) O primeiro panno é consagrado á dança de hoje: um par adolescente avança com dengosidade fin-de-siècle (…)
O retábulo segundo é a dança no Imperio. Ha um rapaz de perfil, expressão flagrante dos estoiradinhos d’esse tempo, calça colante, meia de seda, casaca de gola altíssima, bicorne, e bofes de renda em grandes folhos. A figurinha da mulher é deliciosa, com o vestido de corpinho curto, os braços descobertos, e o decote quasi horizontal, descobrindo peito e hombros sem provocação. (…)
Terceiro panno, em pleno Luiz XV. É um momento de gavota, surprehendido: o par avança num torneio de corpos gracil... (…)
Quarto retábulo, Luiz XIV. O costume de homem, severo, casaca azul e cabelleira d’anneis, canhões e bofes de renda, tricorne na mão esquerda, e o collete de grandes abas, cahindo, vermelho, té lhe encobrir as coxas de paralta. A figureta da mulher poisa a tres quartos, voltando de leve as costas a quem olha, e é a mesma anemia morena, o mesmo typo afusado e decadente das outras, com frescuras que lhe vem dos poucos anos, e nunca do circular sadio do bom sangue.
(…)
Finalmente o último trabalho da decoração é uma grande tela onde está pintada uma quadrilha, de que o espectador apercebe oito ou nove figuras. (…)

Igor Olho-Azul, leiloeiro da Veritas que vai levar estes cinco painéis à praça num só lote, estima um valor entre os 500 mil a 800 mil euros, o que é alto para o mercado nacional.
O preço mais alto que uma obra de Columbano atingiu em leilão foi em 2001 com os 310 mil euros de O Serão, um óleo sobre madeira de 1880.

Estas pinturas têm um sentido declaradamente decorativo e este foi um trabalho que ocupou bastante o Columbano, que deixou uma ampla obra nesta área”, explica Pedro Lapa, actual director do Museu Colecção Berardo, em Lisboa. No entanto, considera que a obra decorativa de Columbano “não é tão consistente quanto a sua obra de pintor retratista” mas “estamos sempre a falar de um dos nomes maiores do século XIX português”.
O Columbano é um pintor com uma estrutura e uma personalidade própria, inimitável, profundamente idiossincrático, e isso é sempre de valorizar. É sempre um trabalho curioso e isto é importante”, prossegue Lapa, que gostava de ver estas obras “no espaço arquitectónico para o qual foram pensados”. “Idealmente eram boas até para um museu, o Museu Nacional de Arte Contemporânea — Museu do Chiado (MNAC) devia ter meios para chegar à praça e fazer uma aquisição, era o que aconteceria com o Museu d’Orsay, em Paris, ou a Tate, em Londres”.


domingo, 25 de maio de 2014

Humor: a dança da toalha


A dança do tacho, perdão, da toalha esplendorosamente executada por "Les Beaux frères":





sexta-feira, 4 de abril de 2014

In Memoriam Eugénia Lima


Eugénia Lima (1926-2014)


Natural de Castelo Branco, era filha de Mário António de Lima, um afinador de acordeões.

A primeira actuação profissional desta notável acordeonista aconteceu no Cinema-Teatro Vaz Preto, em Castelo Branco, quando tinha quatro anos.
Em 1935, tocou pela primeira vez na rádio, num programa de folclore da Beira Baixa da Emissora Nacional.
A partir de 1936, a carreira profissional de Eugénia Lima, então com dez anos de idade, parou pois as leis vigentes no País não permitiam a actuação de artistas menores em casas de espectáculos.

Tendo-lhe sido recusada a entrada no Conservatório Nacional de Lisboa, aos 13 anos, porque o acordeão não era ensinado naquele estabelecimento de ensino — o acordeão era o piano dos pobres —, dois músicos da Banda Militar de Castelo Branco foram os seus professores de música.

Aos 15 anos, com uma autorização especial emanada da Presidência da República, actuou no Casino do Estoril, com enorme sucesso, e não mais parou.

Em 1947 venceu o concurso de acordeonistas da Emissora Nacional e deslocou-se a França para realizar vários recitais a convite da então famosa fábrica de acordeões "Fratelli Crosio".

Aos 30 anos fundou a Orquestra Típica Albicastrense e aos 55 anos foi diplomada com o Curso Superior de Acordeão, na Categoria de Professora, pelo Conservatório de Acordeão de Paris. Actuou na Bélgica, Áustria, Venezuela, Brasil, Argentina, Canadá e Estados Unidos da América.

Ao longo da sua carreira, gravou mais de uma dezena de discos com temas populares, de diversos compositores, versões para acordeão e várias composições de sua autoria.







quinta-feira, 3 de abril de 2014

Como era Lisboa antes do terramoto de 1755?


Quatro quadros a óleo da segunda metade do século XVIII que representam paisagens antigas portuguesas estarão em exposição na Cordoaria Nacional durante a Feira de Arte e Antiguidades de Lisboa, entre os dias 5 e 13 de Abril.

Têm a dimensão 50X60cm e pertencem ao Antiquário AR-PAB de Álvaro Roquette e Pedro de Aguiar-Branco. Expostos pela primeira vez, o conjunto dos quatro quadros está à venda.

Os quadros mostram o Palácio da Ribeira, o Hospital Real de Todos-os-Santos e o Mosteiro dos Jerónimos, e também o Convento de Mafra, permitindo-nos ver a paisagem lisboeta tal como era antes do terramoto de 1755 que destruiu a cidade.











quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

A polémica em torno da colecção Miró


Nos últimos dias os opinantes culturais em o País é fértil têm inundado os jornais e as televisões com artigos e comentários inflamados contra a venda em leilão da colecção Miró pela Parvalorem.

O lote de 85 obras do artista catalão Joan Miró (1893-1983), composto por óleos, guaches, aguarelas, desenhos, colagens e uma escultura, foi adquirido pelo Banco Português de Negócios (BPN), em 2006, por 34 milhões de euros. José Oliveira e Costa, então presidente do BPN, obteve a colecção através de um empréstimo a Alejandro Agag Longo, genro do antigo primeiro-ministro espanhol Jose Maria Aznar, que se tornou incobrável.
Quando o BPN foi nacionalizado em 2008, a colecção passou para a Parvalorem, a empresa pública criada no âmbito do Ministério das Finanças para recuperar os créditos do BPN.

Cinco anos estiveram as obras guardadas nos cofres da Caixa Geral de Depósitos, em Lisboa. E, exceptuando as entidades que solicitaram o empréstimo de alguns quadros para figurarem em exposições no estrangeiro, ninguém se lembrou da importância cultural da colecção e veio para a comunicação social defender a sua permanência no País.

Em Setembro de 2012, a Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC) sugeriu à Secretaria de Estado da Cultura a “incorporação em museu público da colecção de 85 obras de Joan Miró ou, em alternativa, a aquisição das melhores obras da referida colecção pelo Estado”.
No início do corrente ano, a DGPC pediu pareceres especializados sobre a guarda da colecção em Portugal aos directores do Museu Nacional de Arte Contemporânea, no Chiado, e do Museu Colecção Berardo, no Centro Cultural de Belém. Ambos foram favoráveis à permanência da colecção em Portugal e estavam dispostos a receber a colecção, com o segundo até interessado em adquirir algumas peças.

Agora que a Parvalorem decidiu a venda em leilão, Gabriela Canavilhas e mais quatro deputados do partido socialista (PS) vieram fazer alarido e esgrimir números para a praça pública. Criticavam a leiloeira porque estimou o valor da venda em 36 milhões de euros, mas a mesma Christie’s teria avaliado a colecção em 81 milhões de euros, em 2007, para a contratualização de um seguro. Canavilhas, enquanto ministra da Cultura do segundo governo Sócrates, nunca mexeu um dedo para expor e rentabilizar a colecção.

Na sequência de uma exposição dos cinco deputados do PS à Procuradoria-Geral da República, o Ministério Público avançou na segunda-feira com uma providência cautelar junto do Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa para suspender o leilão.
Mas o pedido de decretamento provisório foi indeferido porque se tratava de "um acto de gestão de uma sociedade anónima alheio ao uso de qualquer poder de autoridade pelo que não pode tal acto ser imputado à primeira entidade requerida, o Ministério das Finanças".

Quanto à Secretaria de Estado da Cultura, a segunda entidade requerida na providência cautelar, o tribunal confirmou que não foi cumprido o prazo de pedido de autorização de expedição das obras para Londres: "O despacho da autoria do senhor secretário de Estado da Cultura de 31/01/2014 que declara extintos os procedimentos administrativos de autorização de expedição das obras é manifestamente ilegal, permitindo a concretização da venda das obras na data anunciada, não obstante a ilicitude da sua expedição (...), ilicitude esta que é reconhecida por este membro do governo". No entanto, o leilão em Londres podia realizar-se.



04/02/2014 - 10:32


Como a colecção saiu ilegalmente do País e o assunto fora parar ao tribunal, a leiloeira decidiu suspender o leilão. As obras vão regressar a Portugal e Passos Coelho já reconheceu a borrada. O Ministério Público avançou, ontem, com uma segunda "providência cautelar com vista à suspensão das deliberações e actos referentes à alienação das obras de arte de Miró", que vai correr em paralelo com a providência que entrou segunda-feira no Tribunal.

Agora é a vez dos defensores da permanência da colecção em Portugal lançarem uma campanha de angariação pública de fundos com o objectivo de aquisição dos 85 Mirós e sua inclusão no património artístico nacional.
É que estas santas alminhas ainda não se lembraram que cada milhão de euros que não seja obtido pela Parvalorem é mais um milhão que alguém vai ter de pagar à CGD através de impostos ou de cortes nos salários e nas pensões.

Se cada defensor da cultura contribuir, em média, com 100 euros, são necessários 360.000 militantes para obter os 36 milhões de euros.
Não é fácil. A petição "Manifesto em Defesa da Língua Portuguesa, contra o Acordo Ortográfico" não recolheu nem metade desse número de assinaturas e era gratuita. Mas seria uma clara prova de coerência entre palavras e actos da elite cultural lusa.


*

Catálogo da Christie’s, leilão de 4 de Fevereiro de 2014.
Colecção Miró, p.113 a p.201. Principais obras:

La Fornarina (D’après Raphaël) (La Fornarina (Segundo Raphaël)), 1929. Óleo sobre tela. 146,5 x 114 cm.
2,4 a 3,5 milhões de euros

Peinture (Pintura), 1935. Óleo, têmpera, pincel, caneta e tinta e lápis sobre cartão. 76,5 x 65,5 cm.
2,4 a 3,5 milhões de euros

Peinture (Pintura), 1936. Óleo, alcatrão e caseína sobre masonite. 77,8 x 107,8 cm.
1,2 a 1,8 milhões de euros

Le chant des oiseaux en automne (O canto dos pássaros no Outono), 1937. Óleo sobre celotex. 122 x 91 cm.
1,8 a 3 milhões de euros





Painting (Pintura), 1953. Óleo sobre tela. 56,7 x 499 cm.
3 a 4,1 milhões de euros

Femme et oiseau (Mulher e pássaro), 1959. Óleo sobre tela. 115,5 x 88,2 cm.
1,5 a 2,1 milhões de euros

Écriture sur fond rouge (Escrita sobre fundo vermelho), 1960. Óleo sobre tela. 195 x 130 cm.
1,5 a 2,1 milhões de euros

Femmes et oiseaux (Mulheres e pássaros), 1968. Óleo sobre tela. 245,2 X 124,6 cm.
4,8 a 8,3 milhões de euros

Toile brûlée 3 (Tela queimada 3), 1973. Acrílico sobre tela com buracos queimados. 194,8 x 130,1 cm.
1,5 a 2,1 milhões de euros


Compare, caro leitor, com as melhores colecções mundiais:
  1. Museum of Modern Art (MoMA), Nova Iorque, EUA, colecção Miró (155 peças)
  2. The Metropolitan Museum of Art, Nova Iorque, EUA, colecção Miró (31 peças)
  3. Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, Madrid, Espanha, colecção Miró (177 peças)
  4. Fundació Joan Miró, Barcelona, Espanha, colecção Miró (cerca de 14.000 peças)
  5. National Gallery of Art, Washington, EUA, colecção Miró (105 peças)
  6. Tate, Reino Unido, colecção Miró (14 peças)
No website de cada museu, clicar em Joan Miró para apreciar toda a colecção.
No website da Fundació Joan Miró, clicar no separador Inici. Sugerimos Obres destacades (32 peças).