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quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

Trump e o tratado de Tordesilhas

Numa longa conferência de imprensa convocada para anunciar um investimento de 20 mil milhões de dólares por Hussain Sajwain, empresário dos Emirados Árabes Unidos, para a construção de novos centros de dados visando o desenvolvimento da inteligência artificial, o presidente-eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou (50:10) na sua residência em Mar-a-Lago, na Florida:



"As pessoas não sabem se a Dinamarca tem qualquer direito legal sobre ela [a Groenlândia], mas se tiverem, devem abandoná-lo, porque necessitamos dela para a segurança nacional."

Depois de ter dito que queria que o Canadá fosse o 51º estado dos EUA, Trump recusou (53:10) nessa conferência que os EUA tencionassem anexar o Canadá usando força militar, mas sim força económica, porque perdem anualmente "200 mil milhões de dólares" nas trocas comerciais com o Canadá, sobretudo na importação de automóveis e laticínios.


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Há cerca de 500 anos, o nosso rei João II e os Reis Católicos Fernando e Isabel dividiram o mundo por um meridiano que permitia a Portugal ficar com o Brasil (ainda não descoberto oficialmente) e todo o leste até aos confins da Ásia — tratado de Tordesilhas (1494).

Imaginem que a Terra é uma tangerina com 24 gomos. Reparem no Árctico: Rússia é a casca de 10,5 gomos, o Alasca de 2 gomos.
By Quentin Bernard - Own work, CC BY-SA 4.0

No anterior mandato, Trump já falara na compra da Groenlândia, transformar o Canadá no 51º estado deve ser ideia do inteligente Musk — com estes territórios, os EUA passam a ser a casca de 10,5 gomos. Os restantes 3 gomos (Reino Unido, Noruega) pertencem à NATO, onde mandam os EUA.

Conclusão: Estados Unidos e Rússia dividem as reservas de petróleo do Árctico nos próximos séculos com um novo tratado de Tordesilhas. Entretanto o petróleo acabará, mas o desenvolvimento das energias renováveis — acredito mais que será a fusão nuclear — permitirá substituí-lo.


quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

Putin anuncia operação militar no Donbass


Numa declaração televisiva, o presidente da Federação Russa acaba de anunciar a realização de uma operação militar especial no território das repúblicas do Donbass cuja independência foi reconhecida pelo parlamento russo na passada terça-feira:


"As repúblicas populares de Donbass recorreram à Rússia com um pedido de ajuda. A este respeito, de acordo com o artigo 51, parte VII da Carta da ONU, com a decisão do Conselho da Federação da Rússia e em conformidade com os tratados ratificados pela Assembleia Federal, em 22 de Fevereiro de 2022, de amizade e assistência mútua com as Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk, decidi realizar uma operação militar especial.
O objectivo é proteger as pessoas que foram submetidas a torturas e genocídio pelo regime de Kiev durante 8 anos. Para isso, visaremos a desmilitarização e a desnazificação da Ucrânia e processaremos aqueles que cometeram inúmeros massacres, inclusive contra os cidadãos russos."

Putin sublinhou que a Rússia não planeia ocupar a Ucrânia, mas esclareceu que a resposta de Moscovo seria "instantânea" se alguém tentasse impedir esta operação militar especial.


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O artigo 51 do capítulo VII da Carta da ONU, referido por Putin, prevê o direito dos países de se empenharem na legítima defesa, incluindo legítima defesa colectiva, contra um ataque armado.

Este artigo foi citado pelos Estados Unidos da América para justificar a legalidade da sua intervenção na Guerra do Vietname entre 1959 e 1973: "Os Estados Unidos argumentaram de forma convincente que, embora o Vietname do Sul não seja um Estado soberano independente ou membro das Nações Unidas goza, no entanto, do direito de autodefesa, e os Estados Unidos têm o direito de participar na sua defesa colectiva." (The Charge of Criminal Conduct in Vietnam B.1. §4).

Agora é a Rússia que invoca o artigo 51 para justificar uma operação militar. E numa região onde a população russa é maioritária. No entanto, o artigo 51 é considerado de difícil aplicação com justeza na vida real.

Terminada a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) conseguiu estabelecer regimes socialistas, não só em parte da Alemanha, mas também em todos os países europeus do Leste. Face a esta ameaça, os países europeus ocidentais e os Estados Unidos criaram uma organização militar, a NATO, em Abril de 1949.

Com a integração da Alemanha Ocidental na NATO, em Maio de 1955, foi a vez da URSS e aliados socialistas se sentirem ameaçados e criarem uma aliança militar — o Pacto de Varsóvia.

O decorrer do tempo, porém, veio demonstrar que economias estatizadas acabam por definhar. O Pacto de Varsóvia desfez-se e a União Soviética implodiu em Dezembro de 1991.

Assinatura dos Acordos de Belovezh — que declararam a cessação da URSS e estabeleceram a Comunidade de Estados Independentes (CEI) como sucessora — pelos líderes de três das quatro repúblicas que tinham assinado o Tratado de 1922 que criou a URSS: todos sentados, o presidente ucraniano (segundo à esquerda), o presidente do parlamento bielorrusso (terceiro à esquerda) e o presidente russo Boris Yeltsin (segundo à direita). Bielorrússia, em 8 de Dezembro de 1991.


França, Alemanha e Itália são economias fortes que podiam disponibilizar fundos para financiar o desenvolvimento das economias dos países europeus do bloco de Leste. Não só estes, mas até os países — Estónia, Letónia e Lituânia — que se declararam independentes em relação à União Soviética solicitaram a entrada na União Europeia. Serem os Estados Unidos a arcar com despesas militares desses países foi um aliciante para começarem também a aderir à NATO a partir de 1997.
Em 1997, três países do antigo Pacto de Varsóvia — Polónia, República Checa e Hungria — foram convidados, convertendo-se em membros da NATO em 1999. Eslováquia, Roménia, Bulgária, três repúblicas socialistas soviéticas — Estónia, Letónia e Lituânia — e Eslovénia aderiram na cimeira de Istambul de 2004. Albânia e Croácia em 2009, o Montenegro em 2017 e a Macedónia do Norte em 2020. A NATO passou de 16 para 30 membros.
Repúblicas que pertenciam à URSS: na Europa, Estónia, Letónia, Lituânia (passaram para a NATO), Bielorrússia, Moldávia e Ucrânia; na Ásia, Geórgia, Azerbeijão e Arménia.
(Ver comparação das forças militares da Rússia e dos Estados Unidos actualizada; ver valores das forças militares da maioria dos Estados Membros da NATO actualizados)


A cimeira de Bucareste, em Abril de 2008, foi a cereja em cima do bolo para a NATO, de tal modo que comentou efusivamente na declaração final (§23): "A NATO congratula-se com as aspirações euro-atlânticas da Ucrânia e da Geórgia para a adesão à NATO. Concordámos hoje que esses países se tornarão membros da NATO".

Acontece que, se este desiderato se concretizasse, a Rússia ficava com tropas, tanques e aviões de guerra da NATO em número muito superior ao das suas forças armadas na fronteira europeia, ou seja, excepto na fronteira finlandesa e bielorrussa, ficava sitiada.

Quando a União Soviética instalou mísseis em Cuba, em 1962, os Estados Unidos protestaram, e com razão, apesar de existir mais de 140 km de mar entre os dois países, além de disporem da Base Naval de Guantánamo na ilha. E os soviéticos tiveram de retirar os mísseis.

Em Novembro de 2013, teve início em Kiev, a capital da Ucrânia, uma onda de manifestações e protestos — Euromaidan (praça do Euro) — desencadeados pela decisão do governo de não assinar o acordo de associação Ucrânia-União Europeia e preferir estreitar os laços com a Rússia e a União Económica da Eurásia.
Os confrontos com a polícia deram origem à formação de milícias paramilitares de extrema-direita que preferiam a integração do país na rica União Europeia. Em Fevereiro de 2014, estes grupos ocuparam e ergueram barricadas na Maidan (praça central) de Kiev, efectuaram um golpe de Estado e procederam à eleição de um governo por votação de braço no ar.

O relacionamento com a Rússia deteriorou-se, não obstante ambos os países terem tido origem na Kievan Rus' (Rússia de Kiev) — uma federação de povos eslavos orientais, bálticos e fínicos no leste e norte da Europa, entre 862 e 1240, até à invasão mongol comandada por Batu Khan, neto de Gengis Khan — que teve Kiev como capital.

Kievan Rus' de 1054 a 1132. É o embrião histórico da Rússia, Bielorrússia e Ucrânia que recebeu a capital Kiev.


O pomo da discórdia foi a península da Crimeia. Conquistada pelo Império Russo em 1783, aí foram instaladas as bases navais da Frota do Mar Negro em 1790. Após a Guerra Civil Russa (1917–1921) ficou integrada na república socialista soviética Russa até que, inopinada e ilegalmente, Nikita Khrushchev decidiu transferi-la para a sua congénere Ucraniana, em 1954.

A seguir à implosão da União Soviética, em Maio de 1992, o parlamento da Crimeia adoptou uma declaração de independência (pág.194-195), anulada ao fim de poucos dias pelo parlamento ucraniano por entre ameaças de que a península ou seria ucraniana ou despovoada.
Em 1997, o ambiente político tornou-se mais favorável e foram assinados vários Tratados entre a Ucrânia e a Rússia que garantiam à Rússia o uso das suas Bases Navais na Crimeia. Estes acordos seriam postos em causa se a Ucrânia aderisse à NATO conforme prometido na cimeira de Bucareste de 2008.

Com mais de 75% da população a ocidente dos Montes Urais, a Rússia possui o maior e o mais populoso território do continente europeu, mas tem acesso difícil ao oceano Atlântico: a costa setentrional, banhada pelo oceano Glacial Ártico, está gelada quase todo o ano e a saída pelo mar Báltico é estrangulada entre a Dinamarca e a Suécia. As bases navais do Mar Negro são essenciais.

Cercada por terra e por mar pela NATO, a Rússia terá começado a sentir-se a rã dentro de uma panela com água a aquecer em fogo lento.

Se a Euromaidan criou o problema, então ao eliminar temporariamente a legalidade, permitiu resolver o imbróglio. Em Março de 2014, a Rússia invadiu a Crimeia, criando condições para a realização de um referendo. A população da Crimeia é maioritariamente russa, logo o referendo não só concedeu a independência à Crimeia — num processo que a Rússia considera análogo à independência do Kosovo (2008) em relação à Sérvia, após os ataques aéreos da NATO, em 1999 —, mas também permitiu a sua incorporação na Rússia com o estatuto de República da Crimeia.

Percentagem da população, por oblast (província), que tem o russo como língua materna.
Caro leitor, se dispuser de uma hora, assista a esta excelente palestra do professor John Mearsheimer.

Nas províncias do Donbass, a maioria da população também tem o russo como língua materna e foi esmagada pelo crescimento do nacionalismo ucraniano. Tratados como uma minoria étnica e linguística uma lei de Julho de 2019 obrigou a conversão das escolas de língua russa para língua ucraniana, até Setembro de 2020, mas concedeu mais três anos às minorias polacas, húngaras e romenas ocidentais para se adaptarem ao ucraniano como língua de instrução , revoltaram-se contra as tentativas de discriminação por parte de líderes políticos de extrema-direita e lutam há 8 anos pela independência, numa guerra com 13.000 mortos, contra as forças armadas ucranianas.

Os Acordos de Minsk de 2015, assinados pelo Grupo de Contacto Trilateral sobre a Ucrânia — composto pela Ucrânia, Rússia e a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) —, impuseram um cessar-fogo e previam a realização de eleições locais em Donetsk e Lugansk.
Aquando das eleições locais na Ucrânia, em Outubro de 2015, os líderes dessas regiões separatistas tentaram implementá-las, mas o Grupo aconselhou o seu adiamento para serem adequadamente preparadas, tendo pedido à Rússia para exercer a sua influência. Assim aconteceu, sendo as eleições sucessivamente adiadas até que os líderes locais deram o prazo de 2017 para eleições, ou sob os acordos de Minsk ou de forma independente.
As eleições acabaram por se realizar em Novembro de 2018, saindo vitoriosos os líderes separatistas. Então a Ucrânia declarou que era impossível implementar os acordos de Minsk.

Há cerca de três meses, a Rússia exigiu que a NATO rescindisse o compromisso de 2008 com a Ucrânia e a Geórgia — duas repúblicas da União Soviética até Dezembro de 1991 — de que um dia se tornariam membros e disse que aquela aliança militar devia prometer não implantar armas em países que fazem fronteira com a Rússia que possam ameaçar a sua segurança. A resposta da NATO foi um retumbante não. Obviamente os russos tinham de aventurar-se a saltar da panela antes de ficarem cozidos.



domingo, 25 de dezembro de 2016

In Memoriam Alexandrov Ensemble


Um avião, que partiu de Moscovo com 92 pessoas, caiu no Mar Negro dois minutos depois de descolar do aeroporto de Sochi, na Rússia, onde aterrara para reabastecer de combustível.

A bordo seguiam 64 elementos — cantores, músicos da orquestra e bailarinos — do famoso Alexandrov Ensemble que iam actuar na festa de Ano Novo de uma base aérea de Latakia, província do litoral da Síria.

Os destroços do avião foram encontrados a 1,5km de Sochi, a uma profundidade entre 50 e 70m. Não há sobreviventes.

REUTERS/Stringer
AFP PHOTO / Jacques Demarthon

Fundado em 1928 pelo compositor Alexander Vasilyevich Alexandrov, o Alexandrov Ensemble chamou-se inicialmente Coro do Exército Vermelho, tendo começado com 12 soldados artistas — um octeto vocal, um acordeonista, dois bailarinos e um recitador.
Cinco anos depois já contava com 300 elementos, reunindo um coro exclusivamente masculino, uma orquestra e um conjunto de bailarinos. Posteriormente foi reduzido para cerca de 80 artistas. A partir dos anos noventa passou a incorporar elementos femininos.

Alexander Alexandrov dirigiu o coro durante 18 anos. Sucedeu~lhe o filho, Boris Alexandrov, que conduziu o coro entre 1946 e 1987. O actual director, Valery Khalilov, seguia a bordo do avião que caiu no Mar Negro. Apenas três dos cantores do coro não seguiam a bordo.

O repertório actual continha mais de duas mil obras entre canções folclóricas, música sacra e trechos de óperas, sendo as interpretações musicais acompanhadas por danças e acrobacias. Em algumas das peças que executavam, o coro era dividido em contratenores, primeiros tenores, segundos tenores, barítonos, primeiros baixos, segundos baixos e baixos profundos.



Concurso Eurovisão da Canção 2009, Moscovo


Kalinka (Калинка), canção do folclore russo escrita em 1860 por Ivan Larionov.
Maestro: Igor Raevskiy
Solista: Vadim Ananyev (não embarcou no avião)


O último concerto no Teatro Bolshoi, em Moscovo


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Pessoas colocam velas num cais de Sochi, Rússia, para homenagear os passageiros e tripulantes do avião Tu-154 militar russo que caiu no Mar Negro.
REUTERS/Maxim Shemetov


sábado, 2 de maio de 2015

In Memoriam Maya Plisetskaia



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"Nasci em Moscovo. No reino de Estaline. Depois vivi sob Khrushchev, Brezhnev, Andropov, Chernenko, Gorbachev, Ieltsin... E terei de congratular-me, não renascerei.
Viver a nossa vida... E eu vivi-a. Não esqueço aqueles que foram bons para mim.
Nem aqueles que morreram, esmagados pelo absurdo. Vivi para a dança.
Nunca soube fazer mais nada. Obrigada por esta natureza graças à qual me mantive firme, não me deixei quebrar, não capitulei."

in Maya PLISETSKAIA, Moi, Maya Plisetskaia, Gallimard, colecção “Témoins”, 1995 (tradução)


Estaline mandou fuzilar o seu pai e deportar a mãe para o Cazaquistão por ser a mulher de um "inimigo do povo". Se uma tia materna não tivesse lutado pela sua tutela, teria sido educada num orfanato. Tornou-se na melhor bailarina da segunda metade do século XX. Ninguém conseguiu ainda substituí-la: foi a última prima ballerina assoluta do Teatro Bolshoi.



Música: Piotr Tchaikovski, Лебединое озеро/Lebedinoye ozero (Lago dos cisnes)
Coreografia: Marius Petipa
Odette, rainha dos cisnes/Odile, cisne negro: Maya Plisetskaia (entra aos 19:30)
Príncipe Siegfried: Nikolai Fadeyechev
Teatro Bolshoi, Moscovo, União Soviética, 1957



Música: Ludwig Minkus, Don Quixote
Coreografia: Marius Petipa
Teatro Bolshoi, Moscovo, União Soviética, 1959


Música: Ludwig Minkus, Don Quixote
Coreografia: Marius Petipa
Kitri/Dulcineia: Maya Plisetskaia
Basilio: Maris Liepa
Teatro Bolshoi, Moscovo, União Soviética, 1968

Música: Sergei Prokofiev, Ромео и Джульетта/Romeo i Dzhul'yetta (Romeu e Julieta)
Teatro Bolshoi, Moscovo, União Soviética, 1961



Música: Piotr Tchaikovski, Лебединое озеро/Lebedinoye ozero (Lago dos cisnes)
Coreografia: Marius Petipa
Príncipe Siegfried: Valery Kovtun
Teatro Bolshoi, Moscovo, União Soviética, 1973


Música: Georges Bizet-Rodion Shchedrin, Carmen Suite
Coreografia: Alberto Alonso
Don José: Alexander Godunov
1974


Música: Camille Saint-Saëns, Le Carnaval des animaux - Le Cygne
Coreografia de "La Mort du cygne": Michel Fokine
Teatro Bolshoi, Moscovo, União Soviética, 1975


Música: Maurice Ravel, Boléro
Coreografia: Maurice Béjart
Ballet du XXe siècle, 1975


Música: Gustav Mahler, Sinfonia No 5 mov 4 - Adagietto
Coreografia de "La mort de la rose": Roland Petit
Jeunesse: Valery Kovtun
1978


Música: Georges Bizet-Rodion Shchedrin, Carmen Suite
Coreografia: Alberto Alonso
Don José: Alexander Godunov
Escamillo: Sergei Radchenko
Teatro Bolshoi, Moscovo, União Soviética, 1978


A homenagem do Teatro Bolshoi, Moscovo, Rússia


quarta-feira, 8 de abril de 2015

A visita de Tsipras a Moscovo


Visita de Alexis Tsipras a Moscovo criou a promessa de mais cooperação económica entre a Grécia e a Rússia, em especial na área da energia. O primeiro-ministro grego reiterou a sua oposição às sanções da União Europeia (UE) contra a Rússia enquanto Putin reafirmou que as contra-medidas russas impostas à UE continuarão a abranger a Grécia.


08/04/2015 - 16:31


Na conferência de imprensa nesta quarta-feira em Moscovo, Tsipras mencionou a “preocupação de responsáveis europeus relativamente a um recomeço de relações com a Rússia”, para sublinhar que a Grécia “é um Estado soberano” e “pode ter uma política externa multifacetada” garantindo, porém, que a Grécia “respeita os seus compromissos perante as organizações internacionais de que é parte”.
O primeiro-ministro grego acrescentou: “A Grécia não é um pedinte que anda de país em país a pedir-lhes que resolvam o seu problema económico, uma crise que não diz apenas respeito à Grécia mas é uma crise europeia”. Putin confirmou que Tsipras não pediu ajuda financeira.

No campo da cooperação económica, Putin e Tsipras falaram de possíveis parcerias na área da energia, turismo e investimento russo na Grécia através das privatizações. Em especial, falaram do gasoduto que Moscovo pretende construir para fornecer gás à Europa via Turquia e que poderia passar pela Grécia. No entanto, nada ficou acordado, ficando dependente de questões técnicas.

Quanto às sanções da UE à Rússia, na sequência da reintegração da Crimeia no território russo, Tsipras disse, mais uma vez, que não concorda e que o ambiente hostil entre o Ocidente e a Rússia poderia “levar a uma nova Guerra Fria”.
Por seu lado, Putin lembrou que 50% das exportações gregas para a Rússia eram produtos agrícolas e que a Grécia foi um dos países mais afectados por estas sanções. “Infelizmente não podemos fazer excepções” e levantar sanções a apenas alguns membros da UE, disse Putin, acrescentando que a solução seria o fim das sanções da UE à Rússia para que a Rússia levantasse as suas próprias sanções.

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A montanha pariu um rato. Tsipras foi a Moscovo jogar a carta russa para pressionar nas negociações com a zona Euro e conseguir desbloquear a última tranche da ajuda financeira à Grécia. Regressou de mãos vazias: Putin só dará dinheiro aos gregos em troca de património público vendido em privatizações e não levanta o embargo aos produtos agrícolas gregos.


quarta-feira, 21 de maio de 2014

Rússia e China fecham negócio do gás natural


A Rússia vai fornecer 38 mil milhões de metros cúbicos por ano à China, a partir de 2018. Acordo estava a ser negociado há dez anos e o negócio envolve 400 mil milhões de dólares.



May 21

Sob os aplausos dos presidentes Vladimir Putin e Xi Jinping, os responsáveis pelas empresas estatais russa Gazprom e chinesa China National Petroleum Corp (CNPC) assinaram, em Xangai, um acordo pelo qual a Rússia vai fornecer 38 mil milhões de metros cúbicos por ano à China, a partir de 2018, durante 30 anos.
O gás será transportado através de um novo gasoduto ligando os campos de gás da Sibéria aos principais centros da China.

Este negócio irá cobrir uma parte importante das necessidades energéticas chinesas, que atingiram 170 mil milhões de metros cúbicos no ano passado, mas representa apenas 25% dos mais de 160 mil milhões comprados pelos países da União Europeia nesse ano.

Quanto ao preço por mil metros cúbicos, ficou no segredo dos deuses. No entanto, a estação de televisão Russia Today estima, e os analistas concordam, que o preço final rondará os 350 dólares (255 euros) por mil metros cúbicos, não muito longe do valor médio pago pelos países da União Europeia que é 380 dólares (277 euros).

Embora a União Europeia (UE) continue a ser o mercado mais importante para o gás russo, este negócio permite à Rússia diversificar os destinos das suas exportações depois do arrefecimento das relações entre Moscovo e a UE causado pelo golpe de estado na Ucrânia.

A China tinha a possibilidade de lançar um projecto de gás em Sichuan ou de importar gás natural liquefeito dos Estados Unidos, de modo que o acordo foi considerado na Rússia como uma enorme vitória política do presidente Vladimir Putin.
Este admitiu que as negociações foram difíceis e descreveu-o como um contrato histórico: "É, de facto, um acontecimento histórico para o sector do gás da Rússia e da União Soviética. É o maior contrato da história do sector do gás da antiga URSS".

A Gazprom planeia construir uma nova fábrica de gás natural liquefeito (GNL) perto de Vladivostok, na costa do Pacífico, mas não tem a infra-estrutura necessária para fornecer o gás. O gasoduto para a China vem resolver o problema, posicionando o terminal de Vladivostok perto dos principais compradores de GNL do Japão e da Coreia do Sul, bem como do mercado em crescimento na costa leste da China.

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Quem não ficou propriamente radiante com o acordo foi o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, devido ao peso do gás russo nas compras de energia dos países da UE.

Tanto mais que, no início da semana passada, Vladimir Putin escreveu a alguns líderes europeus, sublinhando não ter recebido nenhuma proposta concreta para o pagamento da dívida da Ucrânia à Rússia pelo fornecimento de gás. Trata-se de uma dívida de 3,5 mil milhões de dólares da Ucrânia à Gazprom e a empresa está a exigir que aquele país efectue o pré-pagamento de 1,6 mil milhões de dólares pelo fornecimento de Junho.
Se não houvesse avanços, alertou Putin, as torneiras do gás russo iriam fechar-se em 1 de Junho, com o consequente corte no fornecimento para os países-membros da UE que recebem gás pelos gasodutos que atravessam o território ucraniano, o que corresponde a metade do gás fornecido à UE.

"Enquanto decorrerem as negociações a três [UE, Ucrânia e Rússia], o fornecimento de gás não deve ser interrompido. Conto com a Rússia para manter esse compromisso", escreveu Durão Barroso em resposta.

Mas são os credores quem decide. É a vida!


quinta-feira, 17 de abril de 2014

Os sírios festejam o dia da independência


Para quem só lê a imprensa portuguesa pode parecer surreal este vídeo da Reuters que mostra uma multidão na capital síria a apoiar o presidente Bashar al-Assad durante as celebrações do Dia da Independência.

April 16

"Hoje viemos torcer pelo presidente Bashar Hafez al-Assad e dizer-lhe que estamos com ele e que vamos votar nele. Queremos dizer-lhe que estaremos com ele, não importa o que acontecer", diz Nirmin Mansour, uma jovem residente em Damasco.
A Síria conquistou a sua independência da França em 17 de Abril de 1946 e este dia é tradicionalmente marcado com comemorações em todo o país.

Há dois anos que uma guerra civil está a dilacerar a Síria e já morreram mais de 150 mil pessoas, um terço das quais eram civis.
A Rússia conseguiu evitar uma intervenção militar dos EUA em finais de 2013 mas a guerra civil prossegue.

A política externa americana contemporânea de dominar política e economicamente um país situado numa região estratégica, sob a capa da defesa de valores como a democracia, e empurrá-lo para uma guerra civil quando parte significativa da população resiste à dominação, tem de ser denunciada.
A imposição da democracia por meio de uma revolução contra o governo de um País serve, em geral, para criar e instalar no poder uma nova oligarquia ainda muito mais corrupta.


quarta-feira, 16 de abril de 2014

A secessão da Ucrânia - III


Ontem, um dia depois de terminado o prazo do ultimato dado pelo governo provisório criado pelo Maidan, em Kiev, aos manifestantes pró-russos que ocuparam os edifícios governamentais em dez cidades do leste da Ucrânia, o exército ucraniano recebeu ordens para iniciar uma operação para recuperar as zonas controladas pelos pró-russos.
Os blindados ucranianos entraram em Kramatorsk e recuperaram um aeródromo nos arredores da cidade mas, depois de serem rodeados por manifestantes pró-russos, alguns militares depuseram as armas e juntaram-se aos pró-russos.

Hoje, seis desses blindados surgiram com bandeiras russas em Slaviansk, cidade vizinha de que os pró-russos assumiram o controlo no domingo.
O ministério da Defesa do governo provisório de Kiev declarou que esses blindados faziam parte de uma coluna que entrou em Kramatorsk, onde foi “bloqueada por habitantes”, e foram capturados por “um grupo russo de sabotadores terroristas”.


Um soldado ucraniano tira a espingarda em cima de um veículo de combate, quando rodeado por manifestantes pró-Rússia em Kramatorsk, província de Donetsk, no leste da Ucrânia, em 16 de Abril de 2014.
REUTERS/Marko Djurica


Um homem armado pró-russo fala com militares ucranianos num blindado rodeado pela população local, em Kramatorsk, em 16 de Abril de 2014.
REUTERS/Maks Levin


Militares ucranianos num blindado ucraniano com a bandeira russa em Slaviansk, em 16 de Abril de 2014.
REUTERS/Gleb Garanich


Os blindados que entraram em Slaviansk foram bem recebidos pelos populares nas ruas que diziam: "O exército está com o povo!". Na véspera, o clima era de tensão na cidade, devido à proximidade do exército ucraniano que avançou sob ordens do governo provisório de Kiev.

Na cidade de Donetsk, capital da província do mesmo nome, onde o edifício regional do governo está ocupado desde há dez dias, a câmara foi tomada esta quarta-feira por homens armados, com o rosto coberto por passa-montanhas negros, que exigem um referendo sobre a secessão e começaram a levantar barricadas, embora permitindo a entrada e saída de pessoas. "A polícia não interveio. Esta situação é surreal. Exigem que o Parlamento adopte uma lei sobre referendos locais", disse à Reuters o porta-voz do município, Maxim Rovinski.





Entretanto a diplomacia russa mantém-se extremamente activa. O Presidente russo, Vladimir Putin, disse à chanceler alemã, Angela Merkel, numa conversa telefónica divulgada em comunicado do Kremlin, que a Ucrânia está "à beira de uma guerra civil". Mas os dois dirigentes têm “esperança” de que da reunião de amanhã entre os representantes da Ucrânia, Rússia, EUA e União Europeia, em Genebra, possa sair um “sinal claro” de regresso a um “quadro pacífico”.
No comunicado, o Kremlin considera as acções do exército ucraniano no leste do país como "um recurso inconstitucional à força contra manifestações pacíficas". Putin sublinhou a importância de estabilizar a economia ucraniana e de manter o fornecimento de gás russo à Europa.

Noutra conversa, agora com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, o Presidente russo disse que "esta escalada brutal é consequência das políticas irresponsáveis de Kiev, que tem ignorado os direitos e interesses jurídicos da população russófona". E considerou "inaceitável" o uso da força contra "movimentos civis de protesto".

O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, afirmou, por sua vez: "Os ucranianos devem, eles próprios, chegar a um acordo porque as origens da crise jazem profundamente dentro do próprio Estado ucraniano ao não realizar conversações com as forças políticas de outras regiões. Caso contrário, não haverá nenhuma maneira de sair da crise". Lavrov defende uma solução federal para a Ucrânia que foi recusada pelo secretário de Estado norte-americano John Kerry.


APRIL 16, 2014


Amanhã todas as atenções estarão viradas para Putin durante a sessão de perguntas e respostas na televisão russa, um evento que se tornou uma instituição nacional ao longo de mais de uma década e que dura, em média, quatro horas. O presidente costuma falar sobre assuntos tradicionalmente caros aos russos comuns, como sejam a delapidação do parque habitacional, a ineficiência das autoridades locais e a inflação.
Mas este ano já foi anunciado que Putin fará uma extensa avaliação das sanções aplicadas à Rússia pelos EUA e pela UE após o referendo na Crimeia e a incorporação desta república autónoma ucraniana na Federação Russa.



Percentagem da população que indica o russo como língua materna no censo de 2001. Depois da República Autónoma da Crimeia, a província de Donetsk é a região com maior percentagem



domingo, 8 de dezembro de 2013

O fim da ilusão


Depois de semanas de protestos contra o presidente Viktor Ianukovich por ter recusado assinar um acordo de cooperação com a União Europeia e pretender aprofundar os laços comerciais com a Rússia, mais de 200 mil ucranianos saíram hoje à rua pedindo a demissão do Governo.

Além dos líderes da oposição, esteve presente na manifestação a filha de Iulia Timochenko que leu uma mensagem da antiga primeira-ministra condenada a sete anos de prisão por alegado abuso de poder. "O nosso objectivo é a demissão imediata do Presidente da Ucrânia. Vá-se embora!", afirmou Evguénia Timochenko durante a leitura da mensagem. "Demissão! Demissão!", ecoou a multidão.

Mais do que a liberdade de expressão ou a libertação dos presos políticos na Ucrânia é o natural desejo de melhorarem a situação económica das suas famílias que leva os ucranianos a manifestarem-se nas ruas.

Há desigualdades sociais, económicas e culturais entre os países do Norte e do Sul da União Europeia. Mas a região continua a ser a mais rica a nível mundial, exercendo uma imensa atracção sobre as populações dos países europeus do Leste.
Mesmo assim, ver uma multidão de 200 mil pessoas aplaudir o derrube da estátua do líder revolucionário Lenine no centro de Kiev é um acontecimento inesperado. O fim do sonho socialista.

Claro que a União Europeia rejubila com a ideia de incorporar a Ucrânia na sua zona de influência e o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, aproveitou para telefonar este domingo a Ianukovich, defendendo a necessidade de se encontrar uma solução política para esta situação.


08 Dez, 2013, 20:43


Estão a estudar nas escolas portuguesas muitas crianças e adolescentes filhos de imigrantes ucranianos que vieram à procura de um futuro melhor no nosso País.

Defendem as políticas seguidas pelos governos de Iulia Timochenko que dizem ser viradas para os mais desfavorecidos e lamentam não poderem matricular os filhos nas universidades ucranianas por não disporem das quantias necessárias para pagarem os subornos exigidos pelos funcionários administrativos dessas instituições.

Elogiam o Estado Social que encontraram no nosso País, mas criticam a falta de disciplina e trabalho nas aulas do nosso ensino público o que impede os filhos de obterem classificações nos exames do 11º e 12º anos que lhes permitam a entrada nas nossas universidades públicas.
Consultam os rankings das escolas e esforçam-se por inscrever os filhos nas escolas públicas onde os alunos obtêm melhores resultados nos exames nacionais. Agora anseiam pelo cheque-ensino e sonham com a possibilidade de poderem inscrever os seus filhos em escolas privadas.

São pessoas muito agradáveis no trato, educadas e respeitadoras e, além do desejo de ascensão social por mérito que demonstram, sensibiliza-nos a consideração que os professores lhes merecem. Algo que, infelizmente, se perdeu na sociedade portuguesa e nos empobrece.


sábado, 7 de setembro de 2013

O conflito sírio divide o G20



A cimeira de 2013 do G20 decorreu no salão de mármore do palácio Constantino (Strelna), S. Petersburgo.


Nas cimeiras do G20 discute-se habitualmente assuntos no domínio da economia e das finanças. Mas o uso de gás sarin no conflito militar desencadeado por vários grupos islâmicos sírios, apoiados por mercenários, contra o governo do presidente Bashar al-Assad, veio dar a primazia a este conflito na reunião do G20 em São Petersburgo, na Rússia.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, tinha fixado o uso de amas químicas na Síria como a linha vermelha que, a ser ultrapassada, levaria os EUA a desencadear uma intervenção militar contra aquele país.
Obama tem dito possuir provas que, no dia 21 de Agosto, foram mortos mais de 1400 civis com gás sarin nos arredores de Damasco e atribui a responsabilidade do ataque ao governo de Assad.
Também a União Europeia tem informações da ocorrência de um ataque com armas químicas, contabilizando cerca de 300 mortos, mas tem dúvidas sobre a autoria do ataque. Em conjunto com a Rússia e a China, está a fazer pressão para que os EUA não lancem ataques militares contra a Síria e seja alcançada uma solução política para a guerra civil neste país.
O papa Francisco escreveu a Vladimir Putin, Presidente russo e anfitrião da cimeira do G20, para pedir aos líderes mundiais que desistam da “fútil perseguição de uma solução militar” para a guerra na Síria e espera que o horror de 21 de Agosto incentive os líderes reunidos na cimeira do G20 a “procurar, com coragem e determinação, uma solução pacífica através do diálogo”.

Qualquer decisão do G20 sobre a Síria não tem carácter vinculativo. Mas se Putin obtivesse um consenso dos líderes presentes na cimeira de São Petersburgo no sentido de evitar uma acção militar, isso seria um triunfo político significativo. Daí ter iniciado a cimeira com estas palavras:

September 5, 2013 (01:24)

"Alguns participantes pediram-me para lhes dar tempo e a possibilidade de discutir outras questões de política externa que não estavam anteriormente na agenda, mas que são muito importantes e urgentes, sobretudo a situação na Síria. Proponho que o façamos durante o jantar, por isso não vamos colocar tudo em monte e assim, na primeira parte do nosso encontro, podemos discutir os problemas que inicialmente nos reuniram aqui, os problemas que são fundamentais para os países do G20."

Portanto o jantar de quinta-feira, servido na sala do trono do palácio de Verão do czar Pedro, o Grande, teve com prato principal a guerra na Síria e, a acreditar no jornal russo Izvestia, foi bastante movimentado e prolongou-se pela noite dentro: o Governo mudou a disposição dos lugares à mesa várias vezes, primeiro, Putin estava separado de Barack Obama por um único líder; depois, chegaram a ter cinco lugares entre os dois; finalmente, os líderes russo e norte-americano sentaram-se à distância de apenas dois lugares.

Os líderes do G-20 durante o jantar no palácio Peterhof.

O palácio Peterhof é a Versailles russa.


Mas Obama manteve-se firme na defesa dos interesses americanos e no final da cimeira anunciou que mantém os planos de guerra:

September 6, 2013 (1:42)

Fui eleito para acabar com as guerras, não para iniciá-las. Tenho passado os últimos quatro anos e meio, a fazer tudo o que posso para reduzir a nossa dependência do poder militar, mas o que também sei é que há momentos em que temos que fazer escolhas difíceis, se formos defender as coisas que nos preocupam e acredito que este é um desses momentos."





A fotografia de família da cimeira de 2013 do G20 no palácio Constantino.


E à margem da reunião do G20, Obama conseguiu que nove líderes de países do G20 — Arábia Saudita, Austrália, Canadá, França, Itália, Japão, Reino Unido, República da Coreia e Turquia — assinassem, em conjunto com os Estados Unidos, uma declaração em que condenam “de forma veemente o horrível ataque com armas químicas nos subúrbios de Damasco em 21 de Agosto” e assumem como provada a responsabilidade do regime de Assad nos ataques químicos aos arredores de Damasco.
O representante da Espanha na cimeira do G20 também assinou.

Os líderes da África do Sul, Alemanha, Argentina, Brasil, China, Índia, Indonésia, México, Rússia, bem como a União Europeia não assinaram.
Portugal já anunciou anteriormente que defende uma posição conjunta sob os auspícios das Nações Unidas, não tendo assinado este documento.

As estimativas apontam para que as reservas mundiais de petróleo se encontrem esgotadas dentro de 50 anos. Ora mais de 50% das reservas mundiais de petróleo bruto pertencem a cinco países do Médio Oriente — Arábia Saudita, Emiratos Árabes Unidos, Iraque, Kuwait, Irão —, CIA dixit, portanto os interesses dos Estados Unidos vão obrigar à desestabilização dos países cujos governos não consigam controlar para poderem enraizar-se na região.


(clicar para ampliar)


Actualização em 2013-09-10:
Segundo um comunicado da Casa Branca, são 33 os países que aceitaram assinar a declaração contra a Síria. Portugal também assinou e, como pequeno país que é, não constitui surpresa. A grande surpresa é a Alemanha, um país do G20 que, ao alinhar com a posição bélica de Obama e dos EUA, torna-a maioritária dentro do G20.
Claro que a proposta da Rússia de entregar a supervisão das armas químicas detidas pelo regime de Damasco a inspectores da ONU para posterior destruição, ontem feita após um deslize de John Kerry numa conferência de imprensa, e hoje aceite pela Síria, pode inviabilizar a intervenção militar planeada pelos EUA.


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O G20 é o Grupo dos Vinte ministros das Finanças e governadores dos Bancos Centrais das maiores economias industrializadas — 19 países e a União Europeia — e foi criado em 1999 para discutir problemas da economia global.
Os chefes de governo, ou os chefes de Estado, passaram a participar nas cimeiras desde a crise financeira de 2008, sendo a União Europeia representada pelo Presidente do Conselho Europeu e pelo Banco Central Europeu.
As economias do G20 representam mais de 80% do PIB mundial, 80% do comércio mundial (incluindo o comércio dentro da UE) e dois terços da população mundial.



Europa: Alemanha, França, Itália, Reino Unido, Rússia, União Europeia
América: Argentina, Brasil, Canadá, Estados Unidos da América, México
África: África do Sul
Ásia e Oceânia: Arábia Saudita, Austrália, China, Índia, Indonésia, Japão, República da Coreia, Turquia


sábado, 27 de julho de 2013

Esperança - II


Portugal conquistou 111 pontos, a melhor pontuação de sempre, nas 54ª Olimpíadas Internacionais de Matemática, que decorrem na Colômbia, tendo ficado em 36.º lugar na classificação por países, num total de 97 países participantes.

Todos os elementos da equipa portuguesa receberam distinções, animando a nossa esperança:
  • Miguel Moreira, aluno do 11.º ano na Escola Secundária Rainha D. Amélia, em Lisboa, conquistou uma medalha de ouro, tendo ficado na posição 30ª entre 528 participantes.
  • Miguel Santos, da secundária de Alcanena, 12.º ano, Francisco Andrade, da secundária do Padrão da Légua, 10.º ano, Luís Duarte, da secundária de Alcains, 12.º ano, e David Martins, da secundária de Mirandela, 11.º ano, conquistaram medalhas de bronze.
  • Nuno Santos, aluno do 10º ano do Colégio Nossa Senhora do Rosário, no Porto, recebeu uma menção honrosa.

Estes alunos e os seus professores de Matemática merecem parabéns pelo trabalho desenvolvido. As palavras finais de apreço vão para as famílias dos alunos pela sabedoria com que os educaram e que agora vêem a recompensa.



29 Jul, 2013, 21:03


Nos resultados por países temos a assinalar o primeiro lugar da China, seguida pela Coreia do Sul, Estados Unidos da América, Rússia e Coreia do Norte.

O gráfico seguinte mostra a evolução dos quatro países melhor classificados, desde o ano 2000, e também a de Portugal. Reconhecendo à China o mérito de manter, em geral, o primeiro lugar, é preciso realçar o extraordinário desempenho da Coreia do Sul, um pequeno país com área próxima da de Portugal e o quíntuplo da população que se bate com a China, a Rússia e os Estados Unidos tendo já alcançado um primeiro lugar.




Nos últimos anos as equipas portuguesas têm vindo a melhorar significativamente os resultados, graças ao trabalho que está a ser desenvolvido por alguns professores de Matemática com os seus alunos mais promissores e pela Sociedade Portuguesa de Matemática. A selecção e preparação dos alunos está a cargo do Projecto Delfos, do Departamento de Matemática da Universidade de Coimbra.

No entanto, Portugal ficou atrás de muitos países europeus — Reino Unido, Ucrânia, Itália, França, Bielorrússia, Hungria, Roménia, Países Baixos, Alemanha, Croácia, Sérvia e Eslováquia — alguns dos quais nunca dispuseram dos recursos financeiros que foram canalizados para a educação no nosso País sem produzirem resultados perceptíveis.
Não podemos fingir que tudo está bem com os resultados dos nossos alunos quando vemos equipas de países com um nível de vida muito inferior ao nosso, como sejam o Vietname, o Irão, a Tailândia, o México, a Turquia, a Indonésia e a Índia, a ultrapassarem a equipa portuguesa.

As consolas de jogos, os telemóveis, o Facebook não produzem resultados, servem apenas para desperdiçar tempo e recursos financeiros, há que ter consciência desse facto e alertar os pais dos nossos alunos.
Grande também é a responsabilidade dos directores das escolas que preferem criar grupos de compadrio que os apoiem na manutenção no cargo em vez de investirem nos resultados dos alunos das suas escolas.

Compare-se os salários mínimos dos países europeus mencionados para não haver dúvidas. Os professores, os pais e os alunos têm um longo caminho a percorrer até Portugal conseguir apresentar resultados compatíveis com o bem-estar que as famílias portuguesas ainda desfrutam.





segunda-feira, 25 de março de 2013

Um paraíso fiscal em apuros


A Rússia manifestou consternação pelo modo como a Zona Euro estava a gerir a crise da dívida em Chipre, mas resistiu aos pedidos do presidente cipriota Nicos Anastasiades que solicitava uma prorrogação do empréstimo russo de 2011, no valor de 2,5 mil milhões, e uma redução da taxa de juro de 4,5% para 2,5%.
Moscovo queixava-se da discriminação de empresas que dependem de Chipre como centro offshore, mas não aceitou envolver-se num compromisso financeiro e estratégico que poderia criar atrito com a Europa.
Na semana passada, a Rússia também recusou uma oferta cipriota de participações nos bancos e nas reservas offshore de gás natural em troca de um novo financiamento de 6 mil milhões de euros, o que para a Reuters é um sinal de que Moscovo está relutante em se estender geopolítica e financeiramente.
O resgate europeu de 10 mil milhões de euros, acordado entre o Chipre e a troika, que mereceu a aprovação do Eurogrupo esta madrugada, satisfez Moscovo.

O acordo prevê o fecho do segundo maior banco do país, o Laiki Bank, com os activos recuperáveis e os depósitos garantidos — na UE os depósitos até 100.000 euros estão garantidos — a serem incorporados no Bank of Cyprus, o maior de Chipre. Os depósitos superiores a 100.000 euros, os accionistas e os detentores de dívida dos dois bancos vão contribuir para a recapitalização do Bank of Cyprus, pela aplicação de uma taxa até 40% que vai gerar 7 mil milhões de euros.
Segundo Jeroen Dijsselbloem, ministro das Finanças da Holanda, que preside actualmente ao Eurogrupo, a contribuição do Laiki representará 4,2 mil milhões de euros no total de 7 mil milhões.

No entanto, o primeiro-ministro Dmitry Medvedev criticou este acordo porque vai infligir pesadas perdas aos depósitos superiores a 100.000 euros nos dois principais bancos cipriotas. "Continua o roubo do que já tinha sido roubado", terá afirmado Medvedev numa reunião do governo.
Na verdade, acredita-se que pertence a russos a maior parte dos 19 mil milhões de euros em offshore e vindos de fora da UE, nos bancos cipriotas, pela última contagem do Banco Central Europeu, em Janeiro. Dos 38 mil milhões de euros em depósitos na banca cipriota, 13 mil milhões vieram de fora da UE.
Após a reunião com o primeiro-ministro Medvedev, o vice-primeiro-ministro Igor Shuvalov disse que as perdas para os investidores russos em Chipre ainda não eram claras mas a sucursal cipriota do VTB, o banco comercial russo, não seria afectada pelas medidas do governo cipriota. "O que está a acontecer é um bom sinal para aqueles que pretendem mover o seu capital para... os bancos russos", disse Shuvalov. "Nós temos bancos muito estáveis."

Depois de estarem sob fortes críticas, na semana passada, pela aprovação de um acordo que teria atingido os pequenos aforradores numa ilha mediterrânea que tinha um sistema bancário sobredimensionado, a Alemanha e os seus aliados mudaram de direcção e forçaram Anastasiades a aceitar enormes perdas para os grandes depositantes.

Segundo fontes de Bruxelas, Merkel deu instruções muito claras de que teria de ser obtido um acordo com a troika antes dos 17 ministros das Finanças do Eurogrupo serem convocados.
Para tal, um pequeno grupo liderado pelo presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy, e formado pelo presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, pela directora do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, pelo presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso e pelo presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, negociou com Anastasiades e o ministro das Finanças cipriota, Michael Sarris, durante o domingo.
Enquanto Pierre Moscovici, ministro das Finanças francês, declarava "Para todos aqueles que dizem que estamos a estrangular todo um povo ... Chipre é uma economia de casino que estava à beira da falência", Wolfgang Schäuble e os outros ministros das Finanças da Zona Euro aguardavam.
Com Merkel e o presidente francês François Hollande à espera, prontos para serem consultados a qualquer momento.

O Laiki e o Banco de Chipre não receberão nenhuma ajuda dos 10 mil milhões de euros que serão emprestados pela Zona Euro e pelo FMI.
"Sempre dissemos que não queríamos contribuintes a salvar bancos, mas antes bancos a salvar-se a si próprios. Será esse o caso em Chipre", congratulou-se a chanceler Merkel. "Este resultado é o correcto: põe o essencial da responsabilidade sobre os que causaram estes desenvolvimentos errados. É assim que deve ser."

Este acordo termina o status da ilha de Chipre como um centro financeiro offshore para russos e britânicos ricos, que era o desejo da Alemanha desde o início, e deixou a oposição alemã de centro-esquerda sem argumentos.
Além disso, reforça a imagem de Merkel como um negociador duro que só expõe os contribuintes alemães a resgates da Zona Euro em troca de compromissos de reforma.



Christine Lagarde e Jeroen Dijsselbloem no final das negociações.
Imagem: AFP

No entanto, este acordo tem riscos significativos. Depois de uma semana em que os bancos cipriotas estiveram fechados, o país enfrenta um ajustamento substancial na sua economia — o PIB deverá encolher cerca de 10% — e há o risco de fuga de capitais que pode fazer fracassar a recapitalização dos bancos.
Os dois bancos no centro da crise — o Laiki e o Banco de Chipre — têm sucursais em Londres, que permaneceram abertas durante toda a semana e não colocaram limites aos levantamentos. O Banco de Chipre detém 80% do russo Banco Uniastrum que também não colocou nenhuma restrição aos saques na Rússia.
Enquanto a população cipriota fazia fila nas caixas automáticas para retirar diariamente 1000, depois 260 e nos últimos dias apenas 120 euros, outros depositantes usaram uma série de técnicas para retirar dinheiro. Desde fundos concedidos às empresas para evitarem incumprimento em negócios, até transferências para o comércio de produtos humanitários, medicamentos e combustível para a aviação, houve de tudo.
"Estou confiante de que o programa irá funcionar, mas vamos ser honestos. Neste momento, não podemos dizer exactamente qual o impacto", afirmou o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso. "Vai depender do nível de implementação e no compromisso de Chipre."


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Irá o governo de Anastasiades implementar um programa que não queria?

A imagem de Merkel que, nas últimas semanas, aparecia em uniforme nazi nos cartazes das manifestações em Nicósia, vai sofrer danos fora da Alemanha e haverá um aprofundamento da divisão entre o Norte da Europa e o Sul.
Algo que faz lembrar a guerra civil nos Estados Unidos, em meados do séc. XIX, quando os Estados agrícolas do Sul saíram da União para não aceitarem a abolição da escravatura imposta pelo Norte industrial, porque a perda da mão-de-obra escrava ia prejudicar gravemente a sua economia.

Recordemos que há outros paraísos fiscais: o Luxemburgo (na Zona Euro), as Ilhas Cayman, Ilhas do Canal e Gibraltar (no Reino Unido, logo na UE), Andorra, Suíça, Liechtenstein, ... Muitos, se não a maioria deles, também têm um rácio Depósitos bancários/PIB muito alto.
E se o Reino Unido estará sempre fora da Zona Euro, já o Luxemburgo está no seu coração mas, claro, longe da falência.


sábado, 5 de novembro de 2011

A solidão do euro


Na cimeira anual do G20 a Zona Euro foi o bombo da festa e ninguém quis pôr um cêntimo no FEEF, nem sequer no FMI:


Barack Obama, Presidente dos Estados Unidos
“Eles vão ter em nós um parceiro forte, mas os líderes europeus compreendem que, em última análise, o mais importante é que a Europa dê um sinal forte de que apoia o euro.”

Angela Merkel, chanceler da Alemanha
“Quase nenhum país aqui presente disse que está preparado para apoiar o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF).”

Nicolas Sarkozy, Presidente de França
“Nunca quisemos mudar governos, nem na Grécia nem em Itália. Não é esse o nosso papel; não é essa a nossa ideia de democracia, mas é evidente que há regras na União Europeia e quem se auto-excluir do cumprimento dessas regras, estará a excluir-se da Europa.”

David Cameron, primeiro-ministro do Reino Unido
“Cada dia de crise na Zona Euro é um dia com efeitos arrepiantes no resto da economia mundial, incluindo a economia britânica. Não vou fazer de conta que todos os problemas da Zona Euro foram resolvidos. Não foram.”
“Nós, tal como o resto do mundo, precisamos que a Zona Euro resolva os seus problemas.”

José Manuel Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia
“Vejo esta situação como uma prova de quão importante é o processo de reformas em Itália para o próprio país e para a Zona Euro como um todo.”

Julia Gillard, primeira-ministra da Austrália
“A Europa precisa de pôr a sua própria casa em ordem.”

Stephen Harper, primeiro-ministro do Canadá
“Não vemos nenhuma razão para que o Canadá — ou, com franqueza, qualquer outro país — contribua para este apoio financeiro [ao FEEF].”

Jun Azumi, ministro das Finanças do Japão
“A crise na Europa está a causar uma crise global sistémica, incluindo na Ásia. Em vez da criação de um novo quadro de funcionamento global, toda a gente está à espera de que o Fundo Monetário Internacional se torne mais pró-activo.”


sábado, 24 de setembro de 2011

Uma aurora austral






Esta visão deslumbrante de uma aurora foi obtida a partir da Estação Espacial Internacional, enquanto atravessava o Sul do Oceano Índico em 17 de Setembro de 2011. O filme foi acelerado e abrange o intervalo de tempo 12:22 - 12.45 Eastern Time (hora da costa leste dos EUA, ou seja, menos 5 horas que em Portugal).

Embora as auroras sejam observadas frequentemente perto dos pólos, esta aurora apareceu em latitudes mais baixas devido a uma tempestade geomagnética causada por uma emissão solar.
A inserção de partículas com carga eléctrica no campo magnético da Terra distorce este campo criando uma região em redor do planeta chamada magnetosfera. Oriundas do Sol, as partículas percorrem as linhas de força da magnetosfera e são, em geral, deflectidas, mas algumas conseguem chegar à atmosfera terrestre através das cúspides polares e originam as auroras boreais e austrais.


Magnetosfera