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quinta-feira, 4 de setembro de 2014

João Ferreira do Amaral e Francisco Louçã na Edição da Noite da SIC


O tecido económico português tem enfraquecido lentamente desde 1974 devido a opções políticas, quer por parte de sindicatos, quer de governantes sem visão, mais preocupados com interesses pessoais e partidários do que com interesses nacionais. A partir do início do século XXI, o crescimento económico estagnou e os défices público, externo e da balança de pagamentos começaram a dar sinais de descontrolo. Sem políticos íntegros e capazes de implementar reformas estruturais e sem um eleitorado capaz de entender a necessidade destas, ia acentuar-se a decadência e tornar-se visível o empobrecimento.

Os primeiros sinais surgiram em 2003 quando o governo Barroso decidiu congelar os salários na função pública durante dois anos.

Com a insatisfação popular a crescer, José Sócrates obteve uma maioria absoluta nas eleições legislativas de 2005 com a proposta de um choque tecnológico.
Em Agosto desse ano, o governo Sócrates decidiu congelar as carreiras na função pública, mais criadoras de despesa que os aumentos salariais, e incentivar a imigração, primeiro a oriunda de países africanos e do Brasil, depois a da índia e do Paquistão, para ir desvalorizando lentamente os salários no sector privado. Ao mesmo tempo incentivou a informatização da sociedade, provocando uma chuva de computadores sobre as administrações públicas e os alunos de todas as idades, a construção de hospitais e auto-estradas com recurso a parcerias público-privadas (PPP) e desencadeou o desenvolvimento das energias renováveis através da importação de turbinas eólicas dinamarquesas e de contratos milionários a favor dos produtores de energia eléctrica. A economia não reagiu mas a corrupção e a dívida pública cresceram desmesuradamente e o País perdeu o acesso aos mercados financeiros.
Aí Sócrates teve de passar a medidas mais drásticas: com o PEC 3 cortou os salários na função pública, em Janeiro de 2011, e com o PEC 4 pretendia estender esses cortes às pensões, em 2012. Obrigado a pedir empréstimos à China com juros agiotas de 6,7% e voltando de mãos vazias da viagem aos Emiratos Árabes Unidos, teve de pedir assistência económica e financeira à troika BCE/CE/FMI e pediu a demissão.

Os cortes das pensões acabaram por ser introduzidos através da contribuição extraordinária de solidariedade (CES), já pelo governo Passos Coelho, que manteve o congelamento das carreiras na função pública e procurou diminuir a despesa pública incentivando, quer as aposentações, quer as rescisões de funcionários. Foram feitas algumas reformas estruturais através de maior exigência na escola pública, da alteração do subsídio de desemprego, diminuição do número de freguesias, incentivo financeiro às uniões de concelhos (nem um aceitou), corte de subsídios às fundações, renegociação de contratos ruinosos com PPPs e com produtores de energia eléctrica, reformas que desencadearam enorme celeuma e contestação da parte dos visados. Houve desvalorização dos rendimentos da população, o País tornou-se ligeiramente mais competitivo e foi retomado um grande projecto industrial — o projecto portuário e industrial de Sines criado por Marcello Caetano e defendido durante anos, em vão, pelo socialista António Brotas.
No entanto, são reformas suaves e restritas que levam tempo a produzir resultados. É preciso esperar anos para haver qualificação dos trabalhadores e surgirem os empresários e os investidores estrangeiros capazes de desencadear o desenvolvimento económico necessário para satisfazer o aumento de nível de vida exigido pela população.

Agora dois economistas, Francisco Louçã e João Ferreira do Amaral, acabam de publicar o livro "A Solução do Novo Escudo" onde admitem um choque financeiro profundo e drástico, o mais radical que um País pode sofrer — a passagem de uma moeda forte para uma moeda fraca. O livro é o mapa da passagem. Ouçamos com atenção as suas opiniões:

00:47 04.09.2014


Passar do euro para o novo escudo implica uma desvalorização cambial elevada que vai incrementar as exportações e diminuir drasticamente as importações. Porquê? Porque os produtos importados encarecem e vão provocar inflação que desvaloriza os salários. Torna-se, por isso, mais atractivo investir na produção agrícola e relançar a indústria para produzir bens transaccionáveis que se possam exportar para países com moeda forte como é o euro. E cria-se emprego.
A via das desvalorizações salariais, seguida até agora, afecta igualmente a produção de bens transaccionáveis ou não transaccionáveis. É certo que a desvalorização cambial vai provocar uma desvalorização salarial mas incentiva a produção de bens transaccionáveis, em detrimento da produção dos bens não transaccionáveis e das profissões associadas — escriturários, sociólogos, psicólogos, relações públicas, advogados, professores, artistas, ... E como o País não dispõe de matérias-primas, nem de recursos energéticos, vai ser preciso qualificar os trabalhadores, único recurso disponível. No futuro, essa qualificação poderá permitir uma melhoria dos salários. Estas são as vantagens.

Passemos às desvantagens. Os produtos importados — não só os medicamentos e os combustíveis, mas também os produtos alimentares, roupas, automóveis, frigoríficos, fogões, fornos microondas, máquinas de lavar roupa, smartphones, computadores, televisores, enfim, quase tudo — tornam-se muito caros e vão desaparecer dos supermercados e das lojas de electrodomésticos e produtos electrónicos. Vamos ter escassez de comida e de equipamentos electrónicos domésticos e uma inflação galopante que vai desvalorizar os salários e as pensões.

Sob esta chicotada brutal, e sem hipótese de retrocesso, os portugueses vão ser mais rigorosos nos estudos, na escolha da profissão e exigir o fim da incompetência, do peculato e da corrupção na política. Vai surgir uma emigração em massa para os países do norte e centro da Europa, para os Estados Unidos, Canadá, Brasil, Austrália e até para os países africanos e da América latina que vai canalizar dinheiro do estrangeiro para o nosso País. Mas perdemos as verbas que continuamos a receber da União Europeia (UE) e corremos o risco de perder para ela engenheiros, médicos e os técnicos mais qualificados.

Os ricos vão manter o nível de vida graças aos milhões de euros guardados em contas na Suíça, no Luxemburgo e nos offshores britânicos e americanos.
Pelo contrário, as classes média e média-baixa vão ver as suas poupanças, actualmente guardadas em euros nos bancos portugueses, serem convertidas em escudos e ficarem reduzidas a quantias de valor bastante inferior. De um dia para o outro, acordam num país com um nível de bem-estar semelhante ao da Roménia, da Bulgária, da Ucrânia ou de Marrocos.

O livro estuda dois cenários: saída do euro com o acordo da UE, isto é, financiada por um empréstimo da UE, e cenário de saída sem empréstimo UE. Obviamente o primeiro é completamente irrealista.
Portugal não conseguiria regressar ao nível de vida que actualmente desfruta na Zona Euro senão daqui a várias décadas de enormes privações e trabalho duro. A ditadura levou de 1926 a 1974 a desenvolver a economia portuguesa, ou seja, 48 anos. É uma ilusão pensar que, em democracia, o crescimento económico e a produção de bens, que substituam os que não conseguiremos importar com o novo escudo, poderão ocorrer rápida e milagrosamente.
O povo judeu foi obrigado por Moisés a fazer uma travessia de 40 anos do deserto do Sinai para expurgar vícios e costumes perniciosos. Quando regressaram à pedregosa e árida Palestina olharam-na com uma terra onde corria o leite e o mel. O que João Ferreira do Amaral e Francisco Louçã propõem é que o povo português faça a sua travessia do deserto. A recompensa será a reconquista da soberania.


sábado, 10 de novembro de 2012

Até ao meu regresso


O último discurso de Francisco Louçã, enquanto líder do Bloco de Esquerda (BE), abriu a oitava convenção do bloco.
Em cerca de 25 minutos, Louçã elogiou os mortos, enumerou as vitórias do BE — a liberalização do aborto, o casamento gay, a protecção dos toxicodependentes —, louvou os deputados socialistas que se juntaram ao bloco para levar, ao Tribunal Constitucional, um pedido de fiscalização do corte dos subsídios de férias e de Natal aos funcionários públicos e pensionistas, e lançou farpas contra os 4 mil milhões desaparecidos no BPN e contra o rotativismo político entre o PS e o PSD:


E terminou com estas palavras:

"Hoje tenho uma certeza, não há despedidas aqui. A mim ninguém me vai perguntar para onde vou, porque estou aqui, sou daqui."


À noite, no encerramento do comício internacional "Vencer a troika" promovido pelo seu partido em Lisboa, é que fez um discurso incendiário que vai dar brado na Europa:

"Há duzentos anos, quando Napoleão se sagrou imperador, Beethoven decidiu colocar em cima da sua secretária uma imagem de Brutus e rasgou uma dedicatória que tinha feito a Bonaparte da sua sinfonia "Eroica". Hoje podemos perguntar onde estão os 'Beethovens' da Europa, dessa cultura insubmissa, dessa democracia irredutível, quem toma nas suas mãos a resposta, que povo é que se defende? E veremos esta semana, na semana que entra, a força dessa Europa que fala por todos, pela cultura e pela democracia.

Quando Merkel diz que os países endividados, a quem impuseram a dívida que faz mais dívida, devem perder a soberania e, portanto, perder o direito dos seus parlamentos decidirem sobre os impostos, que é o fundamento do contrato da eleição, o povo só pode defender-se.

O que hoje sabemos e dizemos ao povo português é que somos credores da banca alemã, que quem toma emprestado a zero por cento, e nos cobra a quatro, são os agiotas. E que Merkel, que cá estará na segunda-feira, é a intermediária de um negócio usurário, é uma assaltante e vangloria-se desse assalto. Segunda-feira a Europa vai responder em Lisboa à visita da imperatriz e à exibição dos seus apoderados e dos seus valetes.

Disseram-me que a senhora Merkel se vai encontrar com o Governo no Forte de São Julião da Barra. Eu lembro-me que houve um Presidente norte-americano — e tanto protesto houve contra ele que merecia muito bem — que veio a Portugal e chegou a falar perante o parlamento, com o protesto de muitos deputados que lá estavam. Ela está refugiada em São Julião da Barra.
São Julião da Barra é um forte que foi construído para impedir os piratas de entrar no Tejo, quem é que imaginava que os piratas iam para dentro do Forte de São Julião da Barra, alguém imaginava? Se é para isso, podia ter mandado um postal ilustrado.

Mas há uma forma simpática de ver as coisas: enquanto a Merkel está presa dentro do forte com Passos Coelho e Paulo Portas, a liberdade está nas ruas de Lisboa. E vamos fazer ouvir essa liberdade, essa é a liberdade da Europa, é quem luta por todos, é quem vai à luta.
É claro que Merkel tem uma virtude, e não me levem a mal por vos falar da virtude da Merkel, é que ela não esconde nada, cada dia que passa é mais violenta e mais arrogante.
(...)
Há uma resposta que é uma esquerda unida, para uma Europa unida, para proteger o emprego de todos, contra a finança. Um banco central europeu subordinado à economia, desvalorizar o euro, emitir moeda, controle financeiro, euro-obrigações, orçamento para o emprego.
E essa luta vai-se fazer nas praças de Barcelona e de Madrid, de Paris, de Atenas e de Berlim.
(...)
O bloco de Esquerda apresentou um programa para a reestruturação da dívida. (...) E apresentámos três propostas: impor a redução do pagamento de juros da nossa dívida a 0,75% porque queremos poupar na despesa e no défice os 4750 milhões que estamos a pagar a mais, tirando a salários e a pensões.
Propusemos, em segundo lugar, a troca dos títulos por metade do seu valor em obrigações do tesouro a 30 anos indexadas ao crescimento do PIB. A economia que vive é aquela que se defende.
E em terceiro lugar exigimos o abatimento dos juros para que a dívida ao BCE e ao FMI seja já reduzida para metade.
(...)
Na segunda-feira, este País que acorda responderá à Merkel. Serão muitos, essa força que exigiu ”Que se lixe a troika” para recuperar a Europa e Portugal. E na quarta-feira teremos uma greve geral. Greve geral ibérica, greve geral na Grécia, em Malta, em Chipre, com tanta luta que se lhe junta em Itália e em França. E como acabaram de ouvir, este é o nosso piquete pela Europa. Portugal, Espanha, Grécia, Malta, Chipre, Itália e França em greve é o piquete pela Europa.
(..)
Se a vida serve para juntar, que se saiba e que se grite, há uma esquerda na Europa, há uma esquerda na Europa. Boa noite, boa Europa.
"


*

Como professor catedrático do Instituto Superior de Economia e Gestão, Louçã sabe que a Economia é um domínio do conhecimento que obriga ao estudo e ao trabalho, algo que enfada muitos dos seus compatriotas.
Ora Louçã ambiciona o poder e para o alcançar precisa obter votos, muitos votos.

Dizer que Sócrates duplicou a dívida pública em seis anos dá votos? Não.
Dizer que Sócrates, quando deixou de conseguir dinheiro nos meios financeiros ocidentais, foi pedir empréstimos aos comunistas chineses que lhos concederam a juros usurários de 6,7% dá votos? Não.
Dizer que esgotada a possibilidade de obter dinheiro no Qatar, Sócrates foi mendigar à porta da França, da Alemanha e do FMI que o obrigaram a assinar um memorando que ia pôr o País a pão e água, dá votos? Não.
O povinho até gostava dos espectáculos de luz e som de Sócrates, das distribuições de computadores nas escolas para os miúdos se viciarem nos videojogos, dos diplomas do 12º ano nas Novas Oportunidades para as pessoas sonharem que iam arranjar um emprego bem pago, sentadas numa secretária a rabiscar papéis, e daquelas leis que permitiam obter licenciaturas com as experiências de vida. E enquanto não houve cortes nos salários e pensões e um desemprego galopante, nem se preocupou com essa questão da dívida pública.

E tornar a chanceler Merkel no bode expiatório da delapidação de Sócrates, dizendo que é uma assaltante e uma agiota, dá votos? Dá, então vamos a isso.
O povinho até detesta o espírito de organização dos alemães, a persistência na persecução de resultados, o empenho no trabalho e a aversão à fraude.

A ideologia marxista-leninista sempre criou ditaduras que limitam a iniciativa individual e atrofiam as economias dos países onde foi aplicada quando estes não dispõem de recursos naturais.
Se o BE chegasse ao poder, deixávamos de pagar os juros da dívida mas perdíamos a ajuda financeira que recebemos da Comissão Europeia. Pior do que isso, perdíamos o acesso aos empréstimos de que vamos precisar para relançar a economia depois do tremendo ajuste financeiro por que o País está a passar desde o início de 2011 e que vai durar cerca de uma década. Saíamos da Zona Euro e regressávamos ao escudo.
Deixando de poder adquirir tudo o que actualmente é importado — automóveis, telemóveis, computadores, televisores, fornos microondas, máquinas de lavar roupa, frigoríficos, ... — , ficávamos com um nível de vida semelhante ao de Cuba.
É pena ver um homem inteligente e culto como Louçã, escravo daquela ideologia e a recorrer à mentira, à demagogia e ao insulto.

É verdade que Portugal está infestado de políticos corruptos e é preciso fazer algo. Mas actrizes ignorantes e médicos defensores de clubes de cannabis a coordenar o bloco, mesmo que a prazo — em Novembro de 2014 vamos assistir ao regresso apoteótico de Francisco Louçã para disputar as legislativas do Outono de 2015 — só irão acelerar a decadência.

É verdade que o País precisa da voz do BE para denunciar a corrupção e apresentar propostas como a do orçamento de base zero, por exemplo.
Mas não precisa de um BE a governar com o apoio da escumalha que odeia o estudo e o trabalho, que vive do RSI ou do comércio ilegal. A governar contra aqueles que, nas classes média e média-baixa, incentivam os filhos a ascender socialmente através da educação e exigem rigor e exigência na escola pública. A defender a bandalheira criada por socialistas, comunistas e bloquistas invejosos que acicatam os miúdos a desrespeitar os professores que os obrigam a estudar e a aprender e incitam os pais a olharem todos os empresários como criminosos só pelo facto de serem mais abastados.
Do que o País precisa é de um governo de pessoas competentes e incorruptíveis, sem agendas revolucionárias, não ligadas a partidos políticos, sem ambições de poder e que efectivamente desejem o desenvolvimento do País.


quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Chumbada mais uma moção de censura ao Governo


A moção de censura ao Governo, apresentada pelo PCP e BE, foi chumbada pelo PSD e CDS, com a abstenção do PS:



Portas, cabisbaixo, não respondeu às invectivas de Francisco Louçã que até fizeram Passos sorrir. É o político português típico: continua mais preocupado com o seu futuro político do que com o futuro do País.
Nojento.


quarta-feira, 18 de julho de 2012

Decadência





Actualmente é permitido que um adulto possua 2,5 gramas de cannabis para consumo diário.
O Bloco de Esquerda (BE) pretende ir mais longe e promover na sociedade portuguesa a discussão de um projecto de lei para legalizar o consumo e cultivo de cannabis.

Para completa satisfação dos actuais consumidores (e muitos mais, no futuro), o deputado e médico João Semedo pretende a "criação de clubes sociais de cannabis" que disponibilizarão aos seus associados, os quais deverão ter mais de 18 anos (não será excessivo?) e estar na posse de todas as capacidades (os que ficarem burn-out serão corridos?), "a quantidade necessária para o consumo médio individual durante 30 dias".
Mais se diz convicto que é "preciso dar um passo em frente" na "legalização do cultivo para consumo próprio", uma vez que "a descriminalização por si só não responde ao problema [do tráfico de estupefacientes]", e esclareceu que o objectivo do BE é fazer "uma abordagem centrada na saúde pública", protegendo os consumidores de cannabis ao afastá-los das "malhas perversas do tráfico" nos mercados clandestinos.

Prevemos que o próximo projecto-lei do BE, com a nobre intenção de proteger os consumidores de cocaína, seja a legalização do cultivo da coca, obrigando-se o Estado a extrair a droga da planta e purificá-la em empresas públicas, obviamente sem encargos para os consumidores.


domingo, 13 de fevereiro de 2011

Louçã está a pôr o carro à frente dos bois


Primeiro, Francisco Louçã deve tentar reduzir o número de deputados de 230 para 180, o que é permitido por este artigo da Constituição da República:
"Artigo 148.º
(Composição)
A Assembleia da República tem o mínimo de cento e oitenta e o máximo de duzentos e trinta Deputados, nos termos da lei eleitoral."

E que diz a Lei Eleitoral da Assembleia da República?
"Artigo 13º
Número e distribuição de deputados
1 — O número total de deputados é de 230."
Basta alterar dois algarismos no nº 1 deste artigo e basta o voto de metade dos deputados!
Proponha primeiro esta alteração, senhor deputado Francisco Louçã. Depois, que venha a moção de censura.

Que ninguém pense que os eleitores são tão fáceis de enganar como há meia dúzia de anos atrás. Vivemos na Idade da Web e hoje temos acesso a muita informação.
Sabemos que existem 18 distritos e duas regiões autónomas, portanto dando a cada um destes círculos eleitorais 5 mandatos, em média, concluímos que 100 deputados era mais do que suficiente para aprovar a legislação do país. É preciso não esquecer que as leis são elaboradas em escritórios de advogados associados aos partidos, os deputados limitam-se a aprová-las obedecendo às ordens das cúpulas partidárias.

Mas também sabemos que a Constituição exige o acordo de dois terços dos deputados para fazer esta redução:
"Artigo 286.º
(Aprovação e promulgação)
1. As alterações da Constituição são aprovadas por maioria de dois terços dos Deputados em efectividade de funções."
Ora dois terços dos deputados estão nas mãos do PS e do PSD e nunca estes partidos, que nem sequer aceitam reduzir o número de deputados para 180, vão aceitar uma redução para 100.

Mas nós, eleitores anónimos, demos 13,2% ao Fernando Nobre, 4,2% ao José Coelho e 6% de votos em branco/nulos, ou seja, 13,2+4,2+6 = 23,4% dos votos.
Bom, é verdade que os políticos atiram para o caixote do lixo os votos brancos/nulos e dizem que demos 14,1% ao Fernando Nobre e 4,5% ao Coelho. Mas nós sabemos que é uma aldrabice legal.
Acontece que a lei eleitoral da Assembleia da República não nos deixa votar em candidatos fora das listas dos partidos. Também não adianta lançar novos partidos para a Assembleia da República, dentro de um par de anos já actuam como as "famílias" que lá estão e começam a pôr os interesses partidários à frente dos interesses nacionais.

É preciso delinear uma nova estratégia, talvez envergonhá-los ou pregar-lhes um bom susto.
Comecemos por envergonhá-los. Mas não vamos ficar em casa. Vamos anular o nosso voto escrevendo um gigantesco 100 deputados no boletim de voto. Serão 23,4% de votos nulos, sempre há-de causar alguma mossa aos incompetentes e inúteis que aprovam as nossas leis. Resta saber se têm vergonha na cara...

Quanto às razões fundamentais da moção de censura que o BE vai apresentar contra o Governo a 10 de Março que, segundo Francisco Louçã, vão ser "salvar o país e as gerações que estão a ser destruídas pelas medidas que o Governo apresenta para promover a facilidade dos despedimentos" e defender "uma geração de trabalhadores, jovens cientistas que vivem à procura da bolsa e trabalhadores qualificados que vivem à espera do recibo verde" só podemos concordar.


A opinião dos outros:

concorde 12 Fevereiro 2011
Tristeza
É uma tristeza a política em Portugal. Vale tudo para aparecer na TV. Este homem (já ouvi dizer que era inteligente) devia ser internado e tratado. Para bem dele e do país.

cad7 13 Fevereiro 2011 - 10:45
Louçã
É simplesmente um economista singular cujo curriculum académico excede largamente o curriculum de outros economistas tidos como referência, por exemplo, Cavaco. Pensa diferente e o seu pensamento deverá ser respeitado e, eventualmente, reflectido e combatido com argumentos e não aleivosias.
Para os seus detractores, direi apenas que num recente congresso onde pontificavam economistas liberais, Louçã foi o único economista português a merecer o convite da organização (liberal) para estar presente. Pode-se discordar dele, e eu discordo algumas vezes, mas insultos são dispensáveis e só demonstram a ignorância e insensatez de quem os produz.
Já agora, o que diz Louçã de errado quando afirma que Portugal é um país mais desigual que o Egipto? Onde está a estupidez de tal afirmação?
Vivemos com mais de 2.000.000 de pobres e outros tantos, mesmo a trabalhar, a caminho da pobreza, numa população de 10.000.000...
Os argumentos de Louçã podem não ser válidos e podem merecer discordância. Até aqui tudo bem. Mas a pobreza em Portugal é uma invenção dele?

joaopires5 13 Fevereiro 2011 - 10:58
Discordo em grande parte da política económica e de alguma política social do BE ...
... mas aqui Louçã tem razão. É preciso que este governo caia o mais rapidamente possível.
Só um presidente da República totalmente desumanizado pode prolongar a agonia em que vive o povo tuga.

almeida 13 Fevereiro 2011 - 11:37
O coveiro dos trabalhadores
O Estalinista Louçã, arauto do quanto pior melhor, está-se borrifando para os trabalhadores e funcionários públicos. Transformou-se num agente intermediário da direita a quem vai entregar de mão beijada o poder/governo para no dia seguinte aparecer aqui o FMI a exigir despedimentos em massa na função pública e redução maior em todos os vencimentos.
Passos e Portas não podiam ter melhor aliado do que o Estalinista Louçã que mais não é do que o coveiro dos que trabalham.

zeferinozacarias 13 Fevereiro 2011 - 15:49
Razão quanto à moção
Que a moção traga a remoção de todos os que desgovernam o País.
O resto, a comparação com o Egipto, é demasiado faraónico para o enquadramento. Este senhor não sabe parar, no momento oportuno, o seu exacerbado discurso.

cad7 13 Fevereiro 2011 - 19:34
Leio aqui ataques ...
... a Louçã, uns que reflectem a tempestividade da moção e outros que atacam a pessoa e rotulam-no de causador de todas as desgraças. É só fazer uma incursão na história para ver que tais afirmações, não têm nenhuma credibilidade.
Não foi ele que destruiu as pescas, a pecuária e a agricultura. Parece que foi um senhor de nome Cavaco Silva que, ao tempo, ao invés de proteger as cláusulas de salvaguarda que ainda hoje funcionam para alguns países da comunidade, mandou Álvaro Barreto trocar quotas por euros.
Outrora tínhamos 90.000 produtores de leite e agora temos 8.000 em crise. Outro exemplo, o porto de Peniche tem, se tiver, 10 traineiras na faina e antes tinha mais de 100. Claro está que agora adulamos a Pescanova...
Meus senhores, pode-se discordar de Louçã, mas imputar-lhe culpas que não tem é, no mínimo, caricato. Há muitas, mas muitas referências, que são um autêntico bluff. Até a Igreja se insurge contra os cretinos e não me parece que Louçã seja um deles.
Leio, ainda, aqui que Louçã é um estalinista, lol. Para este comentador, com todo o respeito, dir-lhe-ei que a LCI/PSR, de onde Louçã veio, era a única força política de esquerda que, conjuntamente com o PSD, tinha nos seus estatutos o direito de tendência, na mais clara alusão à democraticidade interna desses partidos.


terça-feira, 30 de novembro de 2010

Mais uma empresa pública


Para resolver o problema das parcerias público-privadas (PPP) o governo decidiu parir mais uma empresa pública e até já a baptizou Agência para o Investimento Público e Parcerias. Segundo o decreto-lei que a cria, funcionará como uma entidade de cúpula, coordenando os projectos que estão a ser desenvolvidos pelos vários ministérios.

Como sabemos, estas 116 PPP são umas parcerias muito peculiares em que os privados contraem empréstimos para financiar certos empreendimentos, em geral, obras públicas, mas fica acordado que os lucros, se os houver, são entregues aos privados e os prejuízos são da responsabilidade do Estado.

Além desta peculiaridade, bem gravosa para as contas públicas, estas parcerias têm também o defeito de nascer como cogumelos e nem precisam de chuva. "Em plena crise, o número de empresas públicas (…) subiu de 84 para 93, o número de gestores aumentou de 407 para 448 e a verba gasta em administrações cresceu de 35M€ para 39M€", escreve Paulo Portas na sua página do Facebook.
Lembra ainda o líder do CDS: "Para estudar as PPP's descontroladas o Estado tem universidades; para as controlar têm Secretarias de Estado, direcções-gerais e até já têm empresas públicas! Mais uma empresa do Estado, não, obrigado."

Francisco Louçã, coordenador do BE, vai mais longe defendendo "uma auditoria completa a estas parcerias que têm arruinado o País.
Sabemos que Portugal está a ser assaltado com taxas de 7,5% para a dívida pública nos mercados internacionais. Então não é um assalto quando os principais bancos portugueses e os seus parceiros nos estão a cobrar já há alguns anos 12% e 13% com contratos de PPP que vão até 2040?
", perguntou Louçã.

*

Decididamente esta gentinha que nos governa já perdeu, por completo, a vergonha na cara. E começa a pesar o silêncio do Presidente da República. Vejamos a opinião dos outros:


fpessoal 30 Novembro 2010 – 10:20
O povo deve exigir...
... saber quanto vai ganhar cada gestor, os objectivos a atingir e o modelo de actuação de mais esta agência. A comunicação social tem o dever de acompanhar o desempenho deste órgão. Esperemos, para nosso bem, que os 3 gestores sejam competentes e que tenham a autonomia e a independência necessárias para fazerem um bom trabalho.

danny1williams 30 Novembro 2010
Isto é mais do mesmo, estupidez, irresponsabilidade e traficâncias a caminho
Isto é mais uma despesa e burocracia, no início, e mais uma despesa no desmantelamento, no final. E no durante é um verbo de encher, mas muito pior, é um antro de irracionalidade e irresponsabilidade económica e corrupção.
Estes elefantes brancos são um sorvedouro e, em vez de acabarem, proliferam? Então não cortes os salários à função pública! Nem faças cortes no resto. Isto é tudo para estoirar...
Maldito Cavaco que se demitiu de ser presidente, mas quer ser reeleito. E o povo, vai com ele. A culpa do estado nacional é do povo, que elege disparates e continua neles. Entramos na animalidade de 4 patas. Credibilidade zero ao país. Isto não tem viabilidade, nem como país nem como povo.
Como eu percebo os investidores internacionais, andam atrás do aval do BCE... Mas isto muda! Basta o BCE e a UE caírem no real.

jpgjpg 30 Novembro 2010 - 10:48
Big jobs for the big socratic boys
É demais... Tenho asco. Como é que Cavaco e Passos Coelho assistem a isto tudo caladinhos?

Sr.Tuga 30 Novembro 2010 - 11:20
Prova cabal da incompetência da gestão pública!
Com milhares de funcionários públicos e centenas de funcionários na DGCI, FINANÇAS E MINISTÉRIO DA ECONOMIA, não existe ninguém habilitado para "gerir" estes assuntos?
Jobs, jobs, jobs, jobs...
Mais administradores, assessores, secretárias, motoristas, viaturas topo gama, gabinetes, cartão representação, gasóleo, despesas diversas...
O tuga paga tudo!

Olisipone 30 Novembro 2010 - 14:26
Incapazes!
É, de facto, necessária uma mudança total das políticas! Pois os erros repetem-se.
Devido sobretudo aos actos de Fé. Acredita-se em soluções falhadas, e continuam a aplicar-se apesar dos danos. Defendem-se os interesses dos empresários quando se é trabalhador ou desempregado, porque se acredita que um dia se há-de ser rico. Criam-se empresas no Estado que em vez de estarem vocacionadas para o Serviço Público estão vocacionadas para o Lucro. Fala-se muito das exportações mas ninguém fala das importações.
O que falta em Portugal é ensinar as pessoas a raciocinar.
Deixem a porcaria do futebol e de Fátima! Fechem a TV à hora da telenovela! Deixem de ser do Sporting ou do Benfica! Pensem!

jdiogenes 30 Novembro 2010 - 17:53
PPP (Padrinhos, Panhonas e Políticos)
Veja onde se enquadra!
A solução é simples, embora seja difícil de aplicar. Mas estamos numa situação de excepção e é como tal que o governo tem que actuar.
Quando uma determinada empresa não consegue fazer face aos seus encargos tem que negociar e, por vezes, o credor tem que abdicar de uma parte substancial da fatia, se sequer receber algum.
Neste caso concreto até se pode alegar, e será fácil provar, que ouve aproveitamento fraudulento por uma parte e incompetência pela outra, para não adjectivar de outra forma.
E depois, com calma, sentar no mocho, obviamente com cola nas mãos, os que facilitaram o assalto ao erário público e, logicamente, os que beneficiaram de forma fraudulenta.
Uma coisa tenho certa, com o actual PR, que faz parte do sistema, não vamos lá! Por isso nas próximas eleições não o podemos deixar lá continuar. Se deixarmos…

Utrera 30 Novembro 2010 - 20:20
Falta a LPM
E depois da Fundação PPP contrata-se a LPM para fazer a comunicação e a F5C para os eventos... Entre o Paixão Martins e o Luís Bernardo, fica tudo na família PS.