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sábado, 8 de junho de 2019

A vingança é um prato que se serve frio


Ouvido na comissão parlamentar de inquérito à gestão e recapitalização da Caixa Geral de Depósitos, em 28 de Março deste ano, Vítor Constâncio afirmou que o Banco de Portugal não tinha conhecimento prévio das operações de crédito dos bancos.

Constâncio, que foi governador do Banco de Portugal (BdP) na década 2000-2010, declarou aos membros da comissão parlamentar de Inquérito sobre a Caixa Geral de Depósitos neste vídeo:


Claro que [o BdP] só tem conhecimento delas [operações de crédito] depois [dos bancos as realizarem], como é óbvio. É natural! Essa ideia de que pode conhecer antes é impossível”.

Entretanto o jornal Público obteve cópia da correspondência trocada entre a Fundação José Berardo e o BdP, em 2007, quando Berardo comunicou ao supervisor financeiro a pretensão de adquirir uma participação qualificada no Banco Comercial Português com uma linha de crédito da Caixa Geral de Depósitos.

O artigo 102 do Regime Geral das Instituições de Crédito obrigava José Berardo a comunicar ao Banco de Portugal que pretendia adquirir uma participação qualificada no Banco Comercial Português superior a 5% e inferior 10% do capital social e dos direitos de voto, nos termos do Aviso do Banco de Portugal 3/94. Berardo cumpre essa exigência em 19 de Junho de 2007:




No entender do Banco de Portugal, os elementos que acompanhavam a carta de Berardo verificavam cabalmente todos os números e pontos do Aviso do Banco de Portugal 3/94, excepto o ponto 13. Eis o que dizia este ponto:
1.º A comunicação a efectuar nos termos dos nºs 1 e 2 do artigo 102.° do Regime Geral deve ser acompanhada, pelo menos, dos seguintes elementos de informação:
(…)
13 - Descrição das fontes e forma de financiamento da aquisição da participação;
Por isso o Banco de Portugal solicita descrição detalhada em 2007/07/18:
solicitamos a V. Exas. que nos habilitem com uma descrição detalhada das fontes e forma de financiamento da aquisição da participação em apreço, nos termos previstos no ponto 13 do n.º 1.º do Aviso do Banco de Portugal n.º 3/94, nomeadamente com a cópia das condições contratuais da linha de crédito aberta junto da Caixa Geral de Depósitos.




Berardo responde a 7 de Agosto de 2007:
a aquisição das acções será feita com recurso a fundos disponibilizados pela Caixa Geral de Depósitos, através de Contrato de abertura de crédito em conta-corrente, celebrado em 28 Maio de 2007, até ao montante de € 350.000.000,00 (trezentos e cinquenta milhões de euros) pelo prazo de cinco anos.




Depois de conhecer pormenorizadamente as fontes e forma de financiamento da operação de crédito, o Banco de Portugal comunica que o seu Conselho de Administração deu luz verde à aquisição das acções:
informamos V. Exas. que o Conselho de Administração do Banco de Portugal, em sessão de 21 Agosto de 2007, deliberou não se opor à detenção pela Fundação José Bernardo de uma participação qualificada superior a 5% e inferior a 10% no capital social do Banco Comercial Português SA e inerentes direitos de voto.




Resta dizer que o Aviso do Banco de Portugal n.º 3/94, publicado quando o Ministério das Finanças era tutelado por Eduardo Almeida Catroga, foi revogado em 04-12-2010 quando governava neste país José Sócrates.


*


José Sócrates vence com maioria absoluta as eleições antecipadas de 2005, convocadas depois da dissolução da Assembleia da República pelo presidente Jorge Sampaio.
Começa por nomear um independente para o cargo de ministro das Finanças. Luís Campos e Cunha, porém, sai 130 dias depois de tomar posse, em divergência com José Sócrates por causa da mudança da administração da Caixa Geral de Depósitos exigida pelo primeiro-ministro, o que obrigava ao pagamento de indemnizações aos gestores.

Campos e Cunha foi substituído por Fernando Teixeira dos Santos que tinha sido secretário de Estado do Tesouro e das Finanças no primeiro governo de António Guterres. Ora uma das primeiras medidas do novo ministro foi precisamente substituir a equipa de gestão da Caixa nomeada pelo anterior governo. Carlos Santos Ferreira assume a presidência numa administração onde entra um Armando Vara sem qualificações para o cargo, um típico boy socialista.

O objectivo primordial de José Sócrates é controlar a comunicação social e a banca. No início de 2007, já tem Vítor Constâncio na presidência do Conselho de Administração do Banco de Portugal e Carlos Santos Ferreira na presidência do Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos.
Este último terá proposto a José Berardo ser o testa-de-ferro do banco público na aquisição de uma participação qualificada no capital social e nos direitos de voto do maior banco privado português. E, no final desse ano, Santos Ferreira muda-se da Caixa para o Banco Comercial Português, levando consigo Armando Vara.

Em 2008, ocorre a crise do crédito de risco, que ficou conhecida como a crise do subprime, com a falência do banco Lehman Brothers nos Estados Unidos da América.
José Sócrates e Teixeira dos Santos tinham deixado descontrolar os défices com o consequente aumento da dívida pública. As taxas de juro dos empréstimos pedidos pelo Estado aumentaram substancialmente levando o país a não conseguir financiar-se nos mercados internacionais. Em 2011, Teixeira dos Santos vê-se obrigado a pedir a intervenção do Banco Central Europeu e do FMI.



2:29-3:00 Berardo confirma que teve almoços com Santos Ferreira mas nega que este tenha sugerido a compra de títulos do BCP;
8:54-10:54 Berardo diz que pretendeu vender as acções do BCP quando começaram a desvalorizar mas os bancos não estavam interessados na alienação dos títulos.

Concomitantemente o valor das acções do Banco Comercial Português pertencentes a Berardo cai abruptamente, mas a Caixa não o deixa vender esses títulos. Quando o valor dos títulos já não cobre o empréstimo que lhe fora concedido, a operação de crédito de 350 milhões de euros torna-se mais um dos vários negócios ruinosos feitos pela Caixa.
Em 2018, chega a hora dos contribuintes capitalizarem o banco público com 3,9 mil milhões de euros.

Entretanto os portugueses são informados pela comunicação social que José Berardo pertence ao conjunto dos maiores devedores da Caixa Geral de Depósitos, mas não possui património pessoal que lhe permita pagar a dívida. E procuram saber quem era o governador do Banco de Portugal, em 2007, e o que conhecia sobre a aquisição de acções do Banco Comercial Português com crédito da Caixa Geral de Depósitos dando como garantia as próprias acções.
Acontece que Vítor Constâncio está amnésico. Quanto ao partido Socialista, primeiro emudeceu e depois teve de aprovar uma nova audição parlamentar ao ex-governador.

Quem terá divulgado as quatro cartas publicadas pelo jornal Público? Esta correspondência está arquivada tanto no Banco de Portugal como na Fundação José Berardo.

Carlos Costa, governador do Banco de Portugal desde 2011 e administrador da Caixa Geral de Depósitos responsável pelo departamento Internacional e Marketing no período 2004-2006, foi enxovalhado pelos socialistas na comunicação social por ter participado em algumas reuniões do Conselho Alargado de Crédito da CGD em que outros administradores falaram de créditos de risco.

José Berardo foi escolhido para bode expiatório dos devedores da Caixa Geral de Depósitos mas, na audição parlamentar, riu-se dos idiotas dos contribuintes que pagaram a sua dívida ao banco público. A seguir foi massacrado pelos políticos "à portuguesa", desde o primeiro-ministro António Costa até ao presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa.

Quer a fuga tenha partido de alguém próximo de Carlos Costa ou de José Berardo, os socialistas, com António Costa e Vítor Constâncio à cabeça, estão neste momento a engolir um prato muito frio.





quarta-feira, 22 de junho de 2016

Os "buracos" financeiros da CGD - II


Além destes "buracos" financeiros da CGD, pode ficar-se a conhecer mais seis casos aqui.

Entretanto Maria Luís Albuquerque, ministra das Finanças em Outubro de 2015, e com base nos dados de que o governo PSD-CDS dispunha sobre a CGD à data das eleições legislativas, tem dúvidas sobre a necessidade do banco público requerer uma recapitalização de 4000 milhões de euros, referindo que "por cá e em Bruxelas comenta-se que o Governo tenciona integrar o Novo Banco na CGD".

Em comunicação ao País esta tarde, o actual ministro das Finanças, Mário Centeno, negou que o plano de recapitalização da Caixa sirva para resolver o Novo Banco.


quinta-feira, 16 de junho de 2016

Os "buracos" financeiros da CGD - I


António Costa considera que a comissão parlamentar de inquérito proposta por Pedro Passos Coelho "destrói valor" numa altura em que o banco público precisa de um plano de recapitalização que vai injectar 4 mil milhões de euros, pelo menos, saídos totalmente dos bolsos dos contribuintes.

Este artigo do Público, que republicamos com a devida vénia, analisa algumas dívidas e imparidades associadas que exigem a recapitalização da CGD:


"Adivinhem quem lixou a Caixa

João Miguel Tavares

16/06/2016 - 00:15

Com Armando Vara, a Caixa transformou-se num imenso caldeirão onde os mais variados interesses se foram servir.

José Sócrates foi eleito primeiro-ministro em Março de 2005. Quatro meses e meio depois (Agosto de 2005) correu com o anterior presidente da Caixa Geral Depósitos, que não chegou a aquecer o lugar (Vítor Martins, 10 meses no cargo), e nomeou Armando Vara administrador, com a responsabilidade de gerir as participações financeiras da CGD em várias empresas estratégicas. Sete meses depois, a comunicação social anunciava que os seus poderes haviam sido “reforçados”. Cito o PÚBLICO de 9 de Março de 2006: “Armando Vara assumiu agora as direcções de particulares e de negócios das regiões de Lisboa e do Sul, assim como a direcção de empresas da zona Sul. Entre as suas competências estão ainda a coordenação das participações financeiras do banco público, EDP (4,78%), PT (4,58%), PT Multimédia (1,27%), BCP (2,11%) e Cimpor (1,55%).”

Vara permaneceu três anos como administrador da Caixa Geral de Depósitos, até sair em 2008 para a vice-presidência do Millenium BCP, com o dobro do salário, o sucesso que se conhece e um pedido de licença sem vencimento para poder continuar nos quadros da Caixa. Ainda em representação da CGD, Vara foi administrador não-executivo da PT, desempenhando um papel decisivo na oposição à OPA da Sonae em 2006, devido aos poderes mágicos da golden share. Justiça lhe seja feita: não se pode dizer que a CGD tenha sido um tacho para Armando Vara. Foi muito pior do que isso: a Caixa transformou-se num imenso caldeirão onde os mais variados interesses se foram servir, cabendo a Vara decidir quem enchia a gamela. (Ouvido no âmbito da Operação Marquês a propósito do empreendimento de Vale do Lobo, Armando Vara recusou tal ideia, tendo declarado que estas decisões nunca eram aprovadas por uma só pessoa, mas por um colectivo da CGD.)

E que gamelas encheu a Caixa nos últimos anos? O Correio da Manhã teve acesso a uma auditoria recente e revelou a lista dos maiores credores do banco. A lista está ordenada por exposição ao risco de crédito, mas eu prefiro ordená-la pelas imparidades já registadas — e aí o cenário é simultaneamente desolador e esclarecedor.

No topo da lista está o grupo Artlant, que tencionava construir em Sines um daqueles megaprojectos PIN pelos quais o engenheiro Sócrates se pelava: uma “unidade industrial de escala mundial” para a produção de 700.000 toneladas/ano de um componente do poliéster, que levaria à “consolidação do cluster petroquímico da região de Sines”, segundo um comunicado do Conselho de Ministros de Junho de 2007. José Sócrates chegou a lançar a primeira pedra em Março de 2008 e agora cabe-nos a nós apanhar os calhaus: 476 milhões de dívida, 214 milhões em imparidades.

Em segundo lugar (imparidades: 181 milhões; exposição: 271 milhões) estão as Auto-estradas Douro Litoral. São 79 quilómetros adjudicados em Dezembro de 2007 e cada milímetro de alcatrão deve hoje três euros e meio à CGD — ou seja, a mim e a si, caro leitor.

Em terceiro vem o famoso empreendimento de Vale do Lobo, o tal com o qual o Ministério Público está a tentar agarrar José Sócrates, e que tem uma astronómica dívida de 283 milhões (imparidades: 138 milhões). Segue-se um grupo imobiliário espanhol que não conheço (Reyal Urbis), mas que fiquei com muita vontade de conhecer, e dois nossos velhos conhecidos: o grupo Espírito Santo e o grupo Lena, todos com dívidas acima dos 200 milhões. Digam-me: com uma lista destas, alguém se espanta por a Caixa estar a precisar de quatro mil milhões? Eu não."


*


Contas por alto, só aqui temos mais de 1,6 mil milhões de dívidas enfiadas na contabilidade da CGD já associadas a enormes imparidades. No lugar do actual primeiro-ministro socialista eu também sentiria desconforto com a comissão parlamentar de inquérito proposta por Passos para obter esclarecimentos sobre o processo de recapitalização e a gestão do banco público desde o ano 2000.

A opinião dos outros:

OldVic
Gestor de grupos de herbívoros 16/06/2016 07:53
Uma das coisas que mais irrita nesta questão é a conversa fiada de todos os que andaram a criticar o sector financeiro privado e a recomendar nacionalizações enquanto este desastre silencioso se desenrolava nas nossas costas no “exemplar” banco público. E, aparentemente, ele tem que continuar a ser público, seja qual for o custo dessa “honra”. Está mais do que demonstrado que merecemos o país que somos.
  • Liberal
    Lisboa 16/06/2016 13:00
    Não percebe amigo OldVic, é público logo é bom, faz muita falta (aos Varas de certeza), é uma "referência", estabiliza o sistema financeiro, regula os mercados, permite intervenções... Melhor só Deus!

Francisco Tavora
Lisbon, Portugal - Lisbon, Portugal 16/06/2016 18:49
O artigo não está completo. Faltou mencionar que a passagem de Vara para o BCP foi acompanhada de um empréstimo da CGD à Investifino para comprar acções do BCP, dando como garantia do empréstimo as próprias acções que a Investifino comprou com o dinheiro emprestado. Esse negócio, necessário para assegurar o apoio a Vara no BCP, também deixou uma monumental imparidade.


sábado, 8 de agosto de 2015

Os cartazes da campanha do PS


Os cartazes da campanha de António Costa para as legislativas 2015 estão a revelar-se um monumental fiasco.

A polémica em redor dos cartazes do PS começou com um outdoor onde o partido anuncia que “é tempo de confiança”, mostrando a imagem de uma mulher a virar a página de um céu carregado de nuvens negras.




Inspirado nos cartazes de igrejas evangélicas, não só foi ridicularizado nas redes sociais mas também recebeu críticas negativas no interior do próprio partido. E despertou a criatividade dos humoristas para irem buscar os fantasmas que assombram os corredores socialistas, a começar pelo líder António José Seguro, afastado por uma golpada dos socratistas,



e pelo próprio José Sócrates:



António Costa também não foi esquecido:




Mas o pior estava para vir com a nova série de cartazes.





Eu não estou desempregada desde 2012. Não me podem envolver desta maneira. Aqueles dados são mentira”, diz Maria João Pinto, a jovem de 29 anos cuja fotografia aparece neste cartaz do PS associada à frase “Estou desempregada desde 2012″.

Estou revoltadíssima”, desabafa, esclarecendo que, desde 2012, já esteve desempregada e também já trabalhou. Mas não esteve desempregada desde 2012, nem estava quando, na quinta-feira da semana passada, tirou as fotografias para a campanha eleitoral do PS. Tinha suspendido o subsídio de desemprego — que recebia apenas desde 2014 — para poder abrir actividade e passar recibos à Junta de Freguesia de Arroios onde prestava serviço na área da comunicação.

Na manhã desse dia 30 de Julho, último dia em que esteve na Junta, foi chamada ao gabinete da presidente Margarida Martins, ex-líder da Abraço e candidata independente nas listas do PS, que lhe pediu para tirar “uma foto para a campanha do António Costa”.
Apanhada de surpresa, tanto pelo pedido como pelo aparecimento do fotógrafo logo a seguir ao almoço, deixou-se fotografar, pensando tratar-se de uma fotografia para usar em cartazes com muitas caras, e esperou pelo pedido de autorização para a utilização da foto: “Foi uma autorização para uma fotografia, mas pensei que haveria o processo a seguir.

Os comentários dos amigos na sua página do Facebook, onde tem publicadas poucas fotos do rosto, alertaram-na para o facto de que tinha a cara espalhada pelo país.

Questionada se a autorização verbal não levaria a pressupor que estava disposta a ceder os direitos de imagem, reitera que não assinou o documento necessário para que o PS pudesse usar a sua fotografia: “Não foi um consentimento. Foi-me tirada uma fotografia, mas nunca pensei que não haveria o passo a seguir que era dizerem-me para o que era e pedirem-me para assinar um papel de cedência de imagem.
Explica que não autorizou a utilização dada à fotografia, nem nunca autorizaria se soubesse como seria utilizada, justificando: “Eu não me exponho e eles expõem-me em outdoors gigantes” e ainda por cima com “uma frase falsa.”

Dois outros cartazes também têm fotografias de trabalhadores da mesma Junta cuja vida não corresponde à história pela qual dão a cara nos cartazes.



Francisco Garcês, o jovem que neste cartaz diz ter sido “obrigado” a emigrar em 2012, mora em Lisboa e trabalha na mesma Junta de Freguesia de Arroios.




Adelaide, a senhora que diz estar “desempregada há 5 anos sem qualquer subsídio ou apoio” neste cartaz, também trabalha na mesma Junta de Freguesia de Arroios através de um programa do Centro de Emprego.

No entanto, o mais caricato neste cartaz do partido socialista da campanha das legislativas 2015 é que refere uma situação de desemprego ocorrida há 5 anos, portanto em 2010 quando o país era gerido pelo... governo socialista de José Sócrates. Um verdadeiro tiro nos pés da equipa de António Costa!


*





Os cartazes onde as histórias contadas não correspondiam às pessoas foram zurzidos em todo o espectro político. Depois de ter ensaiado, em vão, outras saídas, o PS acabou por pedir desculpas públicas, em especial às pessoas implicadas em cartazes do partido que não deram autorização para a sua cara ser usada naquela campanha.

Agora só falta António Costa pedir desculpa pelo governo socialista de José Sócrates ter imposto cortes aos salários da função pública em Janeiro de 2011 e igualmente pretender cortar as pensões em 2012.

A opinião dos outros:


Luis Marques
Javali profissional, Manchester 07/08/2015 23:24
É nos pequenos pormenores que se vê o que realmente valem as organizações e partidos. Num país com 600 mil desempregados, não conseguiria o PS arranjar algum que quisesse dar a cara, contar a sua história? Num país com milhares de pessoas com falsos recibos verdes, não seria possível encontrar algum disponível?
O PS ao proceder desta forma, ao utilizar caras que não têm qualquer correspondência com a realidade descrita, gozam com quem vive essas situações na pele e só demonstram o desprezo que têm pela população portuguesa e a facilidade com que mentem e tentam enganar os portugueses.
O PS está muito preocupado com os desempregados? Até pode estar, mas aparentemente tem mais que fazer que procurar e falar com eles. Já vi candidatos a associações de estudantes de secundárias menos amadores.

MCA
Cidadã da finis terræ 07:52
Precisamos mesmo, como país, de estoirar dinheiro em campanhas eleitorais? É tudo uma mentira pegada, jogos de cintura, lixo nas ruas, sorrisos plásticos, braços no ar bem ensaiados e cronometrados...
Já estamos todos fartos disso. Parem de fazer de todos os cidadãos parvos.

Aliocha
08:23
Que vergonha! Isto assim é o descrédito total! O PS só perde com este tipo de campanha. Como votar num partido que engana às escancaras? O que não enganará, depois, nos bastidores?
Por mim, já tinham acabado as campanhas de folclore na caça ao voto. Já que desperdiçam dinheiro, ao menos sejam inteligentes!


sexta-feira, 5 de junho de 2015

In Memoriam Portugal Telecom





A PT SGPS entrou na bolsa de Lisboa em 1995 a valer 2,37 euros. Depois de anos de prémios e reconhecimento, chegou a ter o estatuto de cotada mais valiosa da praça portuguesa. A valorização de 40,36% registada em 2009 foi a última subida anual. Nessa altura valia cerca de 2000 milhões de euros.

Em Julho de 2010, Henrique Granadeiro, presidente do conselho de administração, e Zeinal Bava, presidente executivo, venderam a participação na brasileira Vivo à espanhola Telefónica por 7,5 mil milhões de euros.
Em Janeiro de 2011, Granadeiro e Bava fazem um desastroso acordo com a brasileira Oi a quem entregam a PT Portugal, dona do Meo e dos activos valiosos, em troca de uma participação de 25,58% no capital da Oi.

Em 2014, a Rioforte — holding não-financeira do Grupo Espírito Santo (GES) — entra em falência e descobre-se que Granadeiro e Bava tinham aplicado cerca de 900 milhões de euros da PT SGPS em títulos de dívida daquela holding do GES.
Foi precisamente devido ao default da Rioforte que a PT SGPS baixou da fasquia dos 1000 milhões de euros em bolsa.

A venda da PT Portugal ao grupo francês Altice foi concluída pela Oi, em 2 de Junho deste ano, por 5,7 mil milhões de euros, dos quais 4,9 mil milhões de euros “em caixa”.

Passados 20 anos, a PT SGPS perdeu praticamente 80% do seu valor, estava no sexto ano consecutivo de perdas e os accionistas aprovaram a mudança de nome para Pharol. Hoje chegou ao fim.





A empresa liderada desde o final de Maio por Palha da Silva é hoje bem diferente. Além da alteração de nome para Pharol e da transferência da sede, de Picoas para as Amoreiras, a empresa tem actualmente como única actividade a gestão de uma posição na brasileira Oi e uma carteira de dívida da Rioforte.

A capitalização bolsista da Pharol corresponde agora a pouco mais de 400 milhões de euros, aproximadamente metade do valor investido na dívida da Rioforte.


*


Os pequenos accionistas, que enterraram as poupanças na PT SGPS, fazem o velório:

tojornais
02 Junho 2015 - 16:02
Grande Sócrates, conseguistes fazer mais um grande negócio para Portugal com esta venda da PT aos teus amigos da Oi brasileira. Devias de apodrecer aí na gaiola. Regado com gasolina super e atear um fósforo. E andam estes bastardos dos socialistas a apregoar banha da cobra. Falem das auto-estradas e das PPP, desses negócios bem manhosos.

SALAZAR
02 Junho 2015 - 22:01
Se o Salazar cá estivesse, nada era assim. Andava tudo na ordem e hoje eramos um dos países mais ricos do mundo. A "Finlândia" da Europa do Sul.
Hoje com a fantochada dos PS e PSD e o 25 de Abril somos o cu da Europa.


04 Junho 2015 - 18:13
Eu ainda não consegui entender isto. Afinal a Pharol é que detém uma participação na Oi ou é a Oi que detém a Pharol? Afinal o que diabo foi vendido para a Altice? A Altice é dona da Pharol ou a Oi é que é a dona da Pharol ou nem uma coisa nem outra? Alguém me elucide, por favor.

Anónimo
04 Junho 2015 - 18:35
"Jé", a história é assim:
A PT Portugal pertencia à PT SGPS (que estava cotada em Lisboa). Com a integração entre os activos da PT SGPS e da OI, a OI ficou com a totalidade da PT Portugal e a PT SGPS ficou com uma participação (25,58%) na OI mais a dívida de 900M da Rioforte. Agora a OI vendeu a PT Portugal à Altice e a PT SGPS muda de nome para Pharol que, tirando a dívida, não tem nenhum activo em Portugal.

portulord
05 Junho 2015 - 03:38
O engraçado é que, neste momento, a dívida da RIOFORTE (896 milhões de euros que corresponde a 3162 milhões de reais) dava para comprar mais de 60% das ações da OI que neste momento, se considerarmos a média de 6,75 reais para cada uma das 856 milhões de acções, vale 5830 milhões de reais.
E mais engraçado é que venderam a PT Portugal à Altice por 17.000 milhões de reais, ou seja, quase 3 vezes o valor da OI.
Pergunto: ninguém vai preso em Portugal por terem feito este negócio? Concluindo, isto foi mesmo uma pharolada.

labareda
05 Junho 2015 - 10:26
O Fim da PT ficou marcado quando Sócrates resolveu que ia usar o Fundo de Pensões da PT para tapar o Défice de 2010...
Interveio directamente na venda da óptima VIVO. Depois, com ajuda do Camarada (e também ladrão) Lula, meteu a PT num buraco chamado OI. Tudo sob aplausos da parolada accionista. Agora o Estado é responsável por mais essas pensões e acabamos todos na miséria a cantar o Grândola...

J. SILVA
05 Junho 2015 - 10:55
A PT SGPS vale menos de metade do empréstimo à RioForte. Mas sejamos realistas, o que levou a empresa a esta degradação foi a entrada na OI e a pseudo fusão. A RioForte foi um pretexto para os brasileiros nos tratarem com atrasos de vida com a conivência dos bandidos que a geriram.

portulord
05 Junho 2015 - 19:39
Mas afinal quanto vale hoje cada acção da Pharol?
Será que o Jornal de Negócios não poderia colocar uma calculadora, como faz com os dividendos, em que se pudesse verificar em tempo rápido o valor indexado á OI? Ou seja, nº de acções da oibr3 (277.730.251), da oibr4 (565.035.885), colocava-se o valor de cada uma e somava-se. Desse total, a Pharol tem 25,58% e o quociente pelo nº de acções da Pharol que são 896.512.500 dava-nos o valor da acção sem o investimento na Rioforte.


sábado, 16 de maio de 2015

Em defesa da língua portuguesa


Em 1990, o então primeiro-ministro Cavaco Silva começou a abrir a cova onde José Sócrates, outro primeiro-ministro de má memória, enterrou a nossa língua materna.
Mas há sempre quem diga não à perda de uma pedra basilar da nossa identidade nacional e lute contra a divergência da cultura portuguesa em relação às outras culturas latinas, recusando o acordo ortográfico de 1990 — a última degradação imposta à língua portuguesa:


José Pacheco Pereira 16/05/2015 - 05:34

Uma geração de apátridas da língua, todos muito destros em declamar que a “a nossa pátria é a língua portuguesa”, minimizam a nossa identidade e a nossa liberdade. É como se estivéssemos condenados a escrever como se urrássemos em vez de falar.

À memória do Vasco Graça Moura

Não sei se são válidos ou não os argumentos jurídicos que discutem a data da aplicação efectiva do Acordo Ortográfico [AO], se nestes dias, ou em 2016. Isso não me interessa em particular, a não ser para registar a pressa suspeita em o aplicar contra tudo e contra todos. Mas uma coisa eu sei ao certo: é que o desprezo concreto do bem que ele pretende regular, a língua portuguesa, é evidente nessa mistura sinistra de inércia, indiferença e imposição burocrática com que se pretende obrigar os portugueses a escrever de uma forma cada vez mais abastardada.

Na sua intenção original, o Acordo pretendia ser um acto de política externa, uma forma de manter algum controlo sobre o português escrito pelo mundo todo, como forma de garantir uma réstia de influência portuguesa num conjunto de países que, cada vez mais, se afastam da centralidade portuguesa, em particular o Brasil. Se é um “acordo” é suposto que seja com alguém. No entanto, desse ponto de vista, o AO é um grande falhanço diplomático, visto que está neste momento em vigor apenas em Portugal, com promessas do Brasil e Cabo Verde, esquecimento em Moçambique, Guiné Bissau, S. Tomé e Timor-Leste, e recusa activa em Angola. Nalguns casos há protelamentos sucessivos, implementações adiadas e uma geral indiferença e má vontade. Para além disso, nenhuma implementação do AO, vagamente parecida com a pressão burocrática que tem sido feita em Portugal, existe em nenhum país, a começar por aquele que parecia ser o seu principal beneficiado, o Brasil. Ratificado ele foi, aplicado, não.

Mas com o mal ou a sorte (mais a sorte que o mal) dos outros podemos nós bem, mas ele revela o absurdo do zelo português num AO falhado e que nos isolará ainda mais. Onde os estragos serão mais significativos é em Portugal, para os portugueses, e para a sua língua. É que o Acordo Ortográfico não é matéria científica de linguistas nem, do meu ponto de vista, deve ser discutido nessa base, porque se trata de um acto cultural que não é técnico, e como acto cultural em que o Estado participa, é um acto político e as suas consequências são identitárias. Não me parece aliás que colha o historicismo habitual, como o daqueles que lembram que farmácia já se escreveu “pharmácia”, porque as circunstâncias políticas e nacionais da actualidade estão muito longe de ser comparáveis com as dos Acordos anteriores.

É um problema da nossa identidade como portugueses que está em causa, na forma como nos reconhecemos na nossa língua, na sua vida, na sua história e na sua proximidade das fontes vivas de onde nasceu: o latim. Não é irrelevante para o português e a sua pujança, a sua capacidade de manter laços com a sua origem no latim e assim comunicar com toda a riqueza do mundo romano e, por essa via, com o grego, ou seja, o mundo clássico onde nasceu a nossa cultura ocidental. Esta comunicação entre uma língua e a cultura que transporta é posta em causa quando a engenharia burocrática da língua a afasta da sua marca de origem, mesmo que essas marcas sejam “mudas” na fala, mas estão visíveis nas palavras. As palavras têm imagem e não apenas som, são vistas por nós e pela nossa cabeça, e essa imagem “antiga” puxa culturalmente para cima e não para baixo.

O AO é mais um passo no ataque generalizado que se faz hoje contra as humanidades, contra o saber clássico e dos clássicos, contra o melhor das nossas tradições. Não é por caso que ele colhe em políticos modernaços e ignorantes, neste e nos governos anteriores, que naturalmente são indiferentes a esse património que eles consideram caduco, ultrapassado e dispensável. Chegado aqui recordo-me sempre do “jovem” do Impulso Jovem aos saltos em cima do palco a dizer “ó meu isso não serve para nada”, sendo que o “isso” era a história. Esta é a gente do AO, e, como de costume, encontram sempre sábios professores ao seu lado, os mesmos que vêem as suas universidades a serem cortadas, em nome da “empregabilidade”, da investigação nas humanidades e em sectores como a física teórica e a matemática pura, teorias sem interesse para os negócios. “Ó meu, isso não interessa para nada!”.

Mas estamos em 2015 e hoje o português de Portugal está sitiado e numa situação defensiva. Não é no Brasil que o português está em risco, nem em Angola, Cabo Verde, Moçambique ou Timor. Aí os riscos do português são os riscos de sempre e vêm da extensão da colonização, da sua relação com as línguas autóctones, dos crioulos que gerou, e do modo como penetrou nas elites e no povo desses países, se é ou não a língua de cultura ou a língua da administração e do Estado. E não é certamente no Brasil que o português está na defensiva, bem pelo contrário, é no Brasil que o português está num momento particularmente criativo.

Quer se goste quer não, a locomotiva da língua portuguesa não é a academia portuguesa, mas a pujança do povo e da sociedade brasileira, a sua criatividade e dinamismo. E isso fará com que o português escrito no Brasil esteja sempre para lá de qualquer AO, como aliás aconteceu no passado e vai acontecer no futuro. É o mais fútil dos exercícios, até porque enquanto o português de Portugal for para o português do Brasil como o latim é para o português, ainda tem um papel. Se abastardamos o português de Portugal, nem esse papel teremos, a não ser escrevermos um “brasileiro” mais pobre que não serve de exemplo a ninguém.

A vitalidade do nosso português está nos seus grandes escritores, Miranda, Camões, Bernardes, Vieira, Herculano, Camilo, Eça, todos conhecedores do seu Virgílio, do seu Horácio, do seu Ovídio, mesmo do seu escolar Tácito, César ou Salústio. Todos lidos, estimados e estudados no Brasil, que por eles faz muito mais do que nós alguma vez fizemos, por exemplo, com Machado de Assis. E é também por isso, que a maioria dos escritores portugueses contemporâneos recusa o AO, como quase toda a gente que está na escrita e vive pela escrita e é independente da burocracia do estado. Todos sabem que o português permite todas as rupturas criativas, dos simbolistas ao Sena dos Sonetos a Afrodite Anadiómena – “E, quando prolifarem as sangrárias,/ lambidonai tutílicos anárias,/ tão placitantos como o pedipeste”, – ao “U Omãi Qe Dava Pulus” de Nuno Bragança. Criativamente a nossa língua vernácula suporta e bem tudo, menos que seja institucionalizada com uma ortografia pobre e alheia à sua história.

O futuro do português como língua já está há muito fora do nosso alcance, mas o português que se fala e escreve em Portugal, desse ainda podemos cuidar. É que é em Portugal que o português está em risco, está na defensiva, e o AO é mais uma machadada nessa defesa de último baluarte. É em Portugal que um Big Brother invisível, que se chama sistema educativo, retira todos os anos centenas de palavras do português falado, afastando das escolas os nossos escritores do passado e substituindo-os por textos jornalísticos. É em Portugal que uma linguagem cada vez mais estereotipada domina os media, com a substituição dos argumentos pelos soundbites, matando qualquer forma mais racional e menos sensacional de conversação. É em Portugal que formas guturais de escrita, nos SMS e nos 140 caracteres do Twitter, enviados às centenas todos os dias por tudo que é adolescente, ou seja também por muitos adultos, se associa à capacidade de escrever um texto, seja uma mera reclamação a uma descrição de viagem. É neste Portugal que, em vez de se puxar para cima, em nome da cultura e da sua complexidade, em nome da língua e da sua criatividade, em nome da conversação entre nós todos que é a democracia, se puxa para baixo não porque os povos o desejem, mas porque há umas elites que acham que a única pedagogia que existe é a facilidade.

E é neste Portugal que uma geração de apátridas da língua, todos muito destros em declamar que a “a nossa pátria é a língua portuguesa”, minimizam a nossa identidade e a nossa liberdade, que vem dessa coisa fundamental que é falar e escrever com a fluidez sonora do português, mas também com a complexidade da sua construção ortográfica. É como se estivéssemos condenados a escrever como se urrássemos em vez de falar."



quarta-feira, 29 de abril de 2015

Henrique Neto considera anormal tantos políticos a contas com a justiça


O candidato presidencial Henrique Neto considerou anormal um país com a dimensão de Portugal ter tantos políticos e altos quadros do Estado envolvidos em casos judiciais.

Henrique Neto falava aos jornalistas após ter sido recebido pelo presidente do PS, Carlos César, na sede nacional do partido, no Largo do Rato, em Lisboa.
O encontro, que durou mais de uma hora, decorreu de forma cordial segundo as palavras do candidato presidencial, tendo-se centrado na análise do sistema político.

Henrique Neto, militante socialista e antigo deputado do PS, lamentou que a maior parte dos portugueses esteja "desiludida com a vida política, com os partidos e com as instituições" na sequência "de escândalos sucessivos".

No entanto, Henrique Neto considerou "que não é normal que um país tão pequeno tenha em prisão preventiva, já condenados, ou à espera [de decisão judicial] um primeiro-ministro, ministros [de vários executivos], um antigo líder de uma bancada parlamentar, directores-gerais e outros altos quadros do Estado", tendo ainda acrescentado:
"Nenhum outro país europeu, mesmo nos maiores, tem um conjunto tão grande de pessoas a contas da justiça como temos em Portugal. Isto não desacredita apenas os partidos, mas também todos os portugueses no plano internacional. Os partidos têm de ser muito claros sobre o que é necessário fazer para dar meios à justiça para cumprir a sua função e, em segundo lugar, têm de deixar claro ao povo que vão mudar e que as relações pecaminosas entre política e negócios serão denunciadas e não voltarão a acontecer."

Confrontado com algumas das suas críticas ao então primeiro-ministro José Sócrates, Henrique Neto esclareceu:
"Já disse montes de vezes — e volto a repetir — que as minhas posições não têm nada de pessoal. Bati-me durante seis anos, porque os governos [socialistas] então em funções cometiam erros graves e tomavam decisões autoritárias que favoreciam grupos económicos.

[Nesse período] havia demasiados socialistas que não reagiam e o PS é um partido de valores e da ética. Portanto, insurgi-me contra aquilo que continuo a considerar um desvio inaceitável do PS. Teria preferido que houvesse energias dentro do PS para fazer a mudança, mas não houve, paciência. Sem deixar de ser socialista, sem deixar de ser militante do PS, apresento-me [na corrida a Belém] como independente."

Questionado sobre um eventual apoio do PS à uma candidatura presidencial do ex-reitor da Universidade de Lisboa Sampaio da Nóvoa, Henrique Neto afirmou que esse tema não foi abordado no encontro com Carlos César, alegando que os socialistas "têm os seus órgãos próprios, os quais decidirão aquilo que devem fazer". E concluiu:
"Apenas disse que a minha candidatura presidencial avançou autonomamente dos partidos porque já um clima de suspeição e de descrença face aos partidos políticos. A minha candidatura é independente dos partidos."


*


Entretanto a brigada do reumático já escolheu o candidato presidencial do PS, nem mais nem menos o falso independente Sampaio da Nóvoa:

Tanto Mário Soares em 2006, como Fernando Nobre em 2011, que foi incentivado secretamente por Soares a concorrer às presidenciais desse ano para tirar votos a Manuel Alegre, ficaram em terceiro lugar nas eleições presidenciais respectivas. Pode ser que igual destino esteja reservado a Nóvoa. A reacção dos leitores do Público no Facebook não podia ser pior.



quarta-feira, 11 de março de 2015

A entrevista de António Costa à RTP


A estação de televisão pública decidiu fazer uma série de entrevistas a todos os líderes partidários. O primeiro entrevistado foi António Costa, líder do PS, com a entrevista a ser conduzida por Fátima Campos Ferreira:

11 Mar, 2015, 22:33


António Costa começou por ser confrontado com a recente declaração polémica que fez perante investidores chineses – a quem agradeceu o contributo para que Portugal esteja agora melhor do que há quatro anos –, tendo dito que "não é por achar que este Governo é péssimo que deixo de achar que o meu país é fantástico".
"Não me expressei de forma correcta nessa intervenção que fiz, mas também ninguém tem dúvidas de que faço oposição ao Governo", esclareceu.

No programa de recuperação económica de António Costa, a primeira prioridade é a estabilização dos rendimentos para que “as pessoas saibam qual é o salário ou a pensão que vão receber no mês seguinte”. Promete, em consequência, a reposição integral dos salários da função pública e a reposição integral das pensões que serão pagos com a receita resultante do aumento da actividade económica que vai conseguir pelas vias enunciadas nas outras prioridades e também com um aumento do salário mínimo nacional.

A segunda prioridade é assegurar melhores condições de capitalização das empresas que diz ser possível conseguir “melhorando a procura interna, pois pensar que vamos crescer só com as exportações é uma ilusão”, criando um instrumento de capitalização — um banco de fomento —, mobilizando fundos comunitários e “reorientando o investimento que tem sido atraído pelos vistos Gold e tem sido alocado essencialmente à compra de casas para o investimento produtivo num fundo gerido pelo Estado”.

A terceira prioridade de Costa é o desemprego. Propõe um programa de integração dos jovens licenciados nas empresas com "recursos disponibilizados pela União Europeia ao nível da Garantia Jovem" e, para absorver a mão-de-obra pouco qualificada, propõe a redução da taxa do IVA na restauração para 13% e a reanimação do sector da construção civil através da reabilitação urbana que pensa financiar com “verbas de eficiência energética” e uma “pequena parte das reservas do fundo da estabilização financeira da Segurança Social“.

Sobre a questão da Grécia, António Costa considera que "a atitude do Governo é incompreensível (...) Em vez de, com inteligência, ter procurado beneficiar a economia portuguesa com uma maior flexibilização da austeridade, foi agravar e prosseguir a martirização dos gregos, agravando a austeridade dos outros".
"Precisamos de reforçar a política de coesão para que o euro gere prosperidade para todos. Sabemos hoje que uma crise no euro prejudica mais uns do que outros, temos de corrigir isso", afirmou.
"Não podemos olhar para a Europa e para realidade política como se fosse tudo finanças públicas. Estamos hoje rodeados de factores de instabilidade gravíssimos na Europa e é inaceitável e perigoso haver uma lógica como se houvesse bipolarização entre gregos de um lado e alemães do outro. Temos é de nos unir todos em defesa da Europa", defendeu o líder socialista.
"Esta radicalização austeritária tem vindo a promover os extremismos", referiu ainda, dando como exemplo o caso da esquerda na Grécia da direita em França.

No final, António Costa justificou a forma intempestiva como reagiu às perguntas de uma jornalista que o questionara no meio da rua, vinda “detrás de um carro”, sobre o caso da carreira contributiva do actual primeiro-ministro, Passos Coelho, dizendo que tem uma “reacção quase visceral à política de casos”.

Sobre o caso Sócrates, Costa reiterou que o PS respeita “a separação de poderes, o funcionamento do sistema de Justiça e a garantia de presunção de inocência”, acrescentando que, como “camarada e amigo”, deseja o melhor ao ex-primeiro-ministro.

O líder socialista disse que não está preocupado pelo facto do PS não ter subido nas sondagens acima do resultado obtido por António José Seguro porque considera que “está numa maratona e não numa corrida de 100 metros”. Negou estar parado, tendo dito que "no final deste mês temos economistas que nos apresentarão um estudo macroeconómico do país para os próximos quatro anos" e comprometeu-se a apresentar o programa de Governo no próximo dia 6 de Junho.


*


Sobre a primeira prioridade de António Costa, registamos a sua promessa de reposição integral dos salários da função pública. Não esquecemos que foram os primeiros cortes salariais na função pública da história da democracia e começaram a ser aplicados em Janeiro de 2011 pelo governo do seu "camarada e amigo" José Sócrates.
Registamos também a promessa de reposição integral das pensões mais elevadas porque as pensões inferiores a 4611 euros por mês já estão a ser pagas integralmente pelo actual governo, desde Janeiro de 2015, em cumprimento de uma decisão do Tribunal Constitucional. Não esquecemos que o pedido de assistência financeira à troika BCE/CE/FMI, em Abril de 2011, derivou do facto das oposições terem reprovado o PEC 4 cuja medida de austeridade mais gravosa, a implementar em Janeiro de 2012, era justamente... o corte das pensões.

Quanto à segunda prioridade, a capitalização das empresas, tenciona ir buscar o financiamento aos vistos Gold — mais uma argolada de Costa pois está a reconhecer, implicitamente, mérito ao achado de Portas — “esquecendo” que já abrangem o investimento produtivo. O problema é que os chineses não estão interessados em criar empresas, querem é comprar casa em Portugal para poderem entrar e circular na União Europeia.

Finalmente a terceira prioridade, combater o desemprego, fez-me lembrar a promessa dos 150.000 empregos de José Sócrates, em 2005. A reabilitação urbana é uma boa ideia proposta por todos os políticos que tem um senão, o enorme financiamento que exige. Ir buscar uma “parte das reservas do fundo da estabilização financeira da Segurança Social”, ainda que pequena, vai pôr em risco o pagamento das actuais pensões e requer mais reduções nas futuras pensões...

Quanto à sua “reacção visceral à política de casos”, poder-se-á classificar como uma óptima reacção de autodefesa face aos inúmeros episódios em que está envolvido, alguns bem gravosos, — o caso mais famoso é "A cobertura descoberta", aprofundado aqui, e o último ocorreu na passada segunda-feira quando entregou no Tribunal Constitucional, com 46 dias de atraso em relação ao prazo legal, a sua declaração de rendimentos — que fazem do “distraído” Passos Coelho um menino de coro.

Enfim, um chorrilho de promessas para atrair os votos dos incautos. No entanto, António Costa só conseguirá enganar aquela parte da população que era analfabeta no domínio económico e financeiro e nada aprendeu com as medidas de austeridade que começaram a ser implementadas em Janeiro de 2011 pelo governo socialista de José Sócrates.


terça-feira, 10 de março de 2015

As contribuições de Passos Coelho para a Segurança Social


Grande alarido está a provocar na comunicação social o caso das contribuições para a Segurança Social de cerca de 100.000 trabalhadores independentes que não cumpriram os seus deveres contributivos, e não foram notificados desse facto por aquela instituição, porque aparece envolvido o nome do primeiro-ministro actualmente em funções.
Dívidas contraídas há mais de uma década — 2000 a 2004, no que diz respeito a Passos Coelho — que prescrevem ao fim de cinco anos e, por isso, as anteriores a 2002 até já tinham sido apagadas do sistema informático, em 2006, durante o primeiro governo de José Sócrates.

Um caso bem aproveitado por muitos politicantes para atirar pedras ao actual primeiro-ministro sem olharem para os respectivos telhados de vidro. Felizmente ainda vão surgindo alguns artigos de opinião que procuram analisar o assunto com imparcialidade, zurzindo aquilo que consideram censurável, como este que a seguir transcrevemos com a devida vénia:


"Uma campanha suja

João Miguel Tavares 10/03/2015 - 06:54

Acredito profundamente que quem está na vida pública tem obrigações de transparência e de probidade muito superiores ao comum dos mortais.

Eu tenho leitores devotos que me cobram o silêncio: “Então agora que Pedro Passos Coelho anda a ser investigado você está caladinho, não é?”; “Sobre José Sócrates fartava-se de falar, mas sobre o actual primeiro-ministro nem uma palavra, não é?”; “Escrever textos sobre Zeinal Bava está muito bem — e sobre Passos Coelho?”. Certos leitores ainda me conhecem bastante mal e têm fraca memória: aconselho-os a recuarem seis meses e a lerem o que escrevi sobre Pedro Passos Coelho e o caso Tecnoforma.

Mas atenção, fogosos leitores: tal não significa que mal um novo escândalo espreite na comunicação social deva ir tudo a eito, e que aquilo que é diferente passe a ser tratado como igual, mandando às malvas os critérios na avaliação de cada caso. O caso Tecnoforma é mais grave do que o caso da Segurança Social. O caso PT é mais grave do que o caso Tecnoforma. O caso BES é mais grave do que o caso PT. E o caso Sócrates, a provar-se, é o mais grave deles todos. Dito isto, é verdade que muito boa gente precisa de fazer um esforço para abandonar os dois pesos e as duas medidas, Presidente da República incluído: reduzir a falta de pagamento continuado à Segurança Social por parte de um primeiro-ministro a “um certo cheiro de campanha pré-eleitoral” é um comentário de uma infelicidade confrangedora.

No meu caso, e no que diz respeito às exigências reputacionais dos políticos portugueses, o padrão não muda consoante a cor partidária — acredito profundamente que quem está na vida pública tem obrigações de transparência e de probidade muito superiores ao comum dos mortais. Nesse sentido, é óbvio que a mais recente trapalhada de Passos Coelho não bate certo com a imagem de um político que sempre manteve um discurso moralista a propósito da crise, e que nunca se cansou de acentuar a necessidade de todos cumprirem as obrigações contributivas que têm para com o país. O seu discurso, sublinhe-se, está certíssimo — e é por estar tão certo que ele não pode vir depois sabotar com as suas acções a solidez da pregação.

Mais: da direita à esquerda, continua a haver por aí uma lamentável confusão acerca do que deveria ser o escrutínio da actividade pública de um primeiro-ministro. Há mesmo quem se apresse a falar, a propósito deste caso, em “campanha suja” e em lamentar por antecipação aquilo que para aí vem. Mas é preciso não entressachar conceitos. Já houve algumas campanhas sujas em Portugal, uma das quais tendo como alvo o próprio José Sócrates — basta relembrar, em 2005, as insinuações de homossexualidade, a propósito de uma alegada relação com Diogo Infante. Campanha suja é isso.

Exigir transparência a propósito dos deveres fiscais de um primeiro-ministro ou analisar se os seus rendimentos são compatíveis com o seu nível de vida é uma outra coisa, bem diferente — é um dever dos cidadãos e da comunicação social, que demasiadas vezes, para minha grande tristeza, se esquece de fazer esse trabalho com o devido empenho. Ora, quem gosta de confundir as duas coisas nunca o faz com boas intenções. Porque se investigar, perguntar, chatear, escrutinar é uma “campanha suja”; se conhecer ao mínimo detalhe a forma como um candidato a primeiro-ministro cumpriu as suas obrigações para com o Estado que pretende dirigir é uma “campanha suja”; se exigir hombridade a um político profissional e uma conduta impoluta na sua vida pública é uma “campanha suja”; então dêem-me mais “campanhas sujas”, se faz favor. Elas são tudo aquilo de que Portugal precisa."


*

Entre os comentários do fórum desencadeado pelo artigo, há opiniões diferentes mas merecedoras de uma leitura atenta:

OldVic
08:46
Há nesta coluna muito que faz sentido e com o qual eu estou de acordo, mas tenho que me separar do autor quando considera que um político tem que ser medido com critérios diferentes do cidadão comum.
Um dos pilares do Estado de direito é a estrita igualdade perante a lei de todos os cidadãos. Tratar um político com mais rigor do que a lei exige é um ataque a esse estado de direito, da mesma maneira que, tratar um político com menos rigor do que a lei exige, o seria.
Não podemos, por um lado, combater o sistema “2 pesos, 2 medidas” e, por outro, usá-lo apenas para uma classe social, por muito popular que seja atirar pedras a essa classe social. Além disso, neste caso, Passos Coelho estava na companhia de mais de cem mil outros cidadãos. Seria interessante fazer um pequeno estudo estatístico para saber qual a percentagem dos portugueses que já esteve em incumprimento fiscal. Muito interessante.
  • luamar
    13:24
    Old Vic, por muito que lhe custe um político não é um cidadão como outro qualquer pois lida com a causa pública, nomeadamente com o dinheiro de todos os contribuintes. Durante a sua passagem pela vida pública um cidadão deve saber que vai ser escrutinado duma forma mais rigorosa. Se não pretende submeter-se a esse escrutínio, não entra na vida pública.
  • OldVic
    14:27
    Luamar, leve a sua teoria de que há cidadãos diferentes perante a lei a um tribunal e vai ver o que lhe dizem, por muito que lhe custe…
  • luamar
    14:40
    Há mais maneiras de penalizar, para além das legais. Aquilo que PPC fez — faltar aos pagamentos da SS quando o exige para os restantes cidadãos — será devidamente julgado pelos eleitores quando forem votar. Não confunda o direito com a justiça.
  • OldVic
    15:27
    Quanto ao seu último comentário, garanto-lhe que estou 95% de acordo, mas devo assinalar que, à data, Passos tem a sua situação regularizada e que estava na companhia de, pelo menos, 100.000 portugueses quando estava atrasado.
  • luamar
    16:32
    Os 100.000 portugueses que, à data, estavam atrasados não são o primeiro-ministro de Portugal! É que ser primeiro-ministro de um País pressupõe ter moral para exigir aos compatriotas o cumprimento dos deveres contributivos. O "desculpem lá qualquer coisinha" podia servir de desculpa aos 100.000 atrasados mas não ao primeiro-ministro.
  • OldVic
    17:13
    Estou um pouco confuso: agora fala de moralidade ou de legalidade? Está sempre a saltar entre as duas... E tenho que lhe repetir: Passos já pagou o que tinha a pagar. Faz parte dos que acham que não há perdão para quem erra, ou depende da cara do “cliente”?
  • luamar
    17:47
    Aqui não se trata de “clientes”. Do ponto de vista legal, PPC até pode já ter a situação fiscal regularizada.
    Mas há erros e erros... E um primeiro-ministro não pagar à SS, mesmo em Portugal, irá ter consequências eleitorais, por muito que você “se arranhe todo” para o desculpar.

Joao
09:31
No geral, concordo com o JMT. Venham então mais "campanhas sujas", da direita à esquerda, desde que seja para endireitar o país. Acho que é esse o espírito que deve unir os portugueses de bem.

Miguel S.
Trondheim 09:58
Os titulares de "altos cargos" (não só públicos) têm um dever adicional que vem com "a posição": o dever do exemplo. Independentemente das linhas políticas, de gestão ou económicas que adoptam e seguem, deveriam ser pessoas acima de qualquer suspeita fundamentada. Porquê? Porque são eles quem tem o poder de influenciar e de causar uma diferença na vida de milhões de pessoas.
Claro que os políticos não nascem por geração espontânea, são pessoas e, como qualquer pessoa, têm a personalidade moldada em grande medida pelo meio onde crescem. Em Portugal, a sociedade continua a privilegiar o chico-espertismo e a satisfação de interesses de curto prazo e de natureza pessoal.
Com o sistema actual, uma pessoa de real valor para o país — a minoria — não faz carreira política, não se mistura com a mediocridade reinante no sistema. Tem nojo dele.
O que sobra são as escolhas que aparecem no boletim de voto, os verdadeiros espelhos da maioria, secundados por narrativas e crónicas mais ou menos elaboradas e/ou omissas relativamente a factos, ao sabor de preferências pessoais. Quando o exemplo é este, avizinham-se muitas e sucessivas troikas, pois o exemplo que chega é o de meros "patos bravos", dignos representantes do povo. E tudo, sem qualquer ironia, muito democrático.
Resta saber se haverá, e quem iniciará, a mudança.

Luis Dinis
10:56
Não concordo mesmo nada consigo, MTavares.
Primeiro, o actual primeiro-ministro cumpriu com as suas obrigações fiscais, como eu ou você cumprimos. Por vezes com atrasos nas entregas das declarações ou nos pagamentos do IRS, mas pagando coimas e juros de mora. Já me aconteceu. E depois? A quem não aconteceu?
Segundo, em relação à segurança social o verdadeiro prejudicado pelo não pagamento de contribuições é o próprio em direitos futuros que perde.
Terceiro, há mesmo uma campanha suja contra o Passos Coelho em curso que foi lançada quando se chegou à conclusão que o famoso carisma não estava a dar uma para a caixa, as sondagens davam empate técnico, o país voltou a crescer e o Syrisa deu em miragem. Não acho nada infelizes as declarações do PR. Acho que são factuais.
  • A Rodrigues
    13:17
    Apenas um pormenor: É certo, no que respeita à SS, que Passos Coelho perde direitos futuros pelo não pagamento das contribuições (e perderia ainda mais num regime de capitalização). Mas o nosso sistema de SS assenta num regime de repartição, ou seja, pagam hoje os que estão no activo para benefício dos que já não trabalham. Se muitos optassem por não pagar o que lhes corresponde hoje, começaria a existir problemas de pagamentos para os que precisam e têm direito hoje de receber.


quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

As tramóias do socratismo na comunicação social


Um artigo de opinião que foca um triângulo perigoso: um primeiro-ministro socialista — José Sócrates — que incentiva o seu advogado — Daniel Proença de Carvalho — a comprar um grupo de comunicação social (dono do DN, do JN e da TSF) de que se torna presidente do conselho de administração e nomeia um amigo — Afonso Camões — para o cargo de presidente do conselho de administração da agência de notícias Lusa e, via Proença, para o cargo de director do JN.

A comunicação social permite controlar a mente do povo: daí o controlo da comunicação social ser um objectivo das ideologias extremistas, tanto de direita como de esquerda, mas nunca de um partido democrático de centro-esquerda como pretende ser o PS. A ler atentamente:


"Proença tem de se explicar
JOÃO MIGUEL TAVARES 20/01/2015 - 01:24

José Sócrates processou 14 jornalistas (repito: 14) do Correio da Manhã, tendo como advogado o mesmo Proença de Carvalho que actualmente manda no DN, no JN e na TSF.

Se eu ainda sei ler português, diria que o director do Jornal de Notícias, Afonso Camões, admitiu ontem em editorial que em Maio de 2014 avisou José Sócrates de que estava a ser investigado pela justiça. As palavras de Camões são estas: “Dizem que o avisei que ia ser detido. E que terá sido em Maio, quando eu integrava a comitiva do presidente da República à China e a Macau. Ora, se o avisei, e se foi em Maio, eu era administrador e presidente da Agência Lusa. Logo, não estava jornalista, muito menos director do nosso Jornal de Notícias. E, pelos vistos, nem sequer havia processo. É verdade: disse-me um jornalista do grupo empresarial da Coisa [o Correio da Manhã] que a prisão de Sócrates estava iminente.”

Se eu ainda sei ler português, o resultado de Afonso Camões afirmar que soube em Maio da investigação, de não desmentir que avisou Sócrates, e de denunciar que foi alvo de escutas, só pode ser este: Afonso Camões está a admitir que alertou José Sócrates e a supor que isso ficou registado na investigação. E esta admissão, quer ele queira, quer não, é muito mais relevante do que as suas queixas (justas, sem dúvida) a propósito de uma nova violação do segredo de justiça. Mais: esta admissão, quer ele queira, quer não, acaba por credibilizar a história que o seu odiado Correio da Manhã publicou na sexta-feira e no sábado, e que o jornal i entretanto já garantiu ter confirmado junto das suas próprias fontes. Uma história tão grave que convinha não ser alegremente ignorada pelo resto da comunicação social, como foi durante tanto tempo ignorada a história de Paris e da Octapharma. Uma história que, mais uma vez, tem Daniel Proença de Carvalho como protagonista.

Porque o problema vai muito além de Afonso Camões, que no citado editorial afirmou ter “mais de 40 anos” de amizade com José Sócrates. Eu diria que tão longa amizade o deveria ter desaconselhado de aceitar, em Março de 2009, o cargo de presidente do Conselho de Administração da Agência Lusa — mas isso se calhar sou eu que sou muito puritano. Só que entre o meu excesso de puritanismo e a absoluta mixórdia de interesses há-de existir um ponto de equilíbrio. E é nesse exacto ponto que Proença de Carvalho começa a perder o pé, e que começa a dever-nos uma boa explicação.

O Correio da Manhã afirma que Sócrates incentivou — havendo escutas que o confirmam — Proença de Carvalho a negociar a compra da Controlinveste, da qual o advogado acabaria por se tornar presidente do conselho de administração. Além disso, via Proença, Sócrates teria tido algum papel na escolha de Afonso Camões para dirigir o JN e na tentativa de pressionar a ERC, via Carlos Magno, para deliberar contra o Correio da Manhã devido às notícias de Paris e da Octapharma, como efectivamente veio a acontecer em Fevereiro de 2014.

Proença declarou ao i que, “por dever deontológico”, não pode falar das “entidades” que patrocina ou patrocinou “enquanto advogado”. Só que o problema já não está nos patrocinados, mas no patrocinador. Na sequência das referidas notícias, José Sócrates processou 14 jornalistas (repito: 14) do Correio da Manhã, tendo como advogado o mesmo Proença de Carvalho que actualmente manda no DN, no JN e na TSF. O mesmo Proença de Carvalho que desta vez não aceitou representar Sócrates, apesar de ter sido para o seu escritório que o motorista ligou ao ser preso. O mundo de Sócrates está a desmoronar-se — e é demasiado tarde para Proença simplesmente virar costas enquanto assobia para o lado."


Entre os comentários do fórum do Público, considero serem motivo de reflexão estes:

Luis Marques
IT Consultant, Manchester 20/01/2015 09:36
Proença de Carvalho é um homem e peras! Consegue ter tempo para ser administrador do JN, DN, TSF e ainda o moço de recados da Câmargo e Correia na Cimpor. Os dias dele devem ter umas 32 horas...

OldVic
20/01/2015 09:38
Quando tudo isto se esclarecer vamos precisar de uma enciclopédia para relatar os meandros destas questões. Talvez se possa usá-la no futuro como exemplo dos perigos de uma sociedade civil distraída e complacente.

Pedro M Areias
Mecânico de Motociclos 20/01/2015 14:52
João Miguel Tavares: Não leve a mal, mas já reparou no sítio em que está? O "polvo" Italiano é uma brincadeira de crianças comparado com Portugal das 'famílias'. Quando der por ela nem no Mac-Donalds arranja emprego. E atenção: sim, aconteceu comigo.

Albino Brás
20/01/2015 15:51
O ódio visceral de JMT tolda-lhe o raciocínio e pretende fazer o mesmo com o dos leitores. Mistura tudo. Se há escutas de Sócrates a convencer alguém, primeiro é preciso que existam, que sejam públicas e que digam exatamente o que o articulista pretende, e alguém que escreve, como JMT, tem sempre que ter cuidado com o que escreve.
Porque é que Proença tem que dar explicações do que fez como advogado ou como empresário? Porque JMT assim o entende? Tenha juízo. Parece que com a raiva que escreve o que está a desmoronar é o seu mundo. Tenha cuidado que, tal como nos desenhos animados, ainda lhe cai algum pedaço do céu na cabeça.
  • gomesdacosta
    20/01/2015 16:10
    Ao ler as suas ameaças veladas lembrei-me irresistivelmente daquela boutade: "quem se mete com o PS, leva". Essa mentalidade do "tenha cuidadinho com o que diz" é uma velha mania herdada directamente do Estado Novo para algum PSD e o PS em geral. Nem o Asterix vos vale...
  • Cassiano Pacheco da Cunha
    20/01/2015 18:33
    Este deve ser o mauzão cá do burgo... Que medo!

Luisa Marques
21/01/2015 06:22
JMT pode saber ler português mas só lê o que lhe convém! Se queria ser imparcial tinha citado também a parte em que Afonso Camões diz 'preto no branco' que quem o informou (sobre a prisão iminente de Sócrates) lhe disse também de onde tinha vindo a notícia...
Excerto do editorial de Afonso Camões sobre o ter (ou não) avisado Sócrates:
"É verdade: disse-me um jornalista do grupo empresarial da Coisa que a prisão de Sócrates estava iminente. Esse mensageiro cometeu um erro: quando se tem uma informação relevante, o primeiro dever de cidadão de um jornalista livre, pesados os seus direitos e responsabilidades, é para com os seus leitores. Ele deveria ter publicado a informação, que lhe veio, disse-me depois, por um seu camarada, diretamente da investigação, liderada pelo juiz Carlos Alexandre e pelo procurador Rosário Teixeira. Erro maior, criminoso, é ser verdade essa possibilidade: que a fuga de informação veio dos agentes da justiça, ou seja, de onde menos podemos admitir que se cometam crimes de violação do segredo de justiça."
Então isso não é grave? Violar o segredo de justiça não é grave JMT?
  • OldVic
    21/01/2015 07:52
    Está a dar como certa uma afirmação de uma parte interessada. Será prudente?


quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Quanto mais José Sócrates fala, mais se enreda


Na passada sexta-feira, o programa ‘Sexta às 9’, da RTP, divulgou nos vinte minutos iniciais uma investigação jornalística sobre os motivos da detenção de José Sócrates e de Carlos Santos Silva, seu amigo e presumível testa-de-ferro.

Há oito anos, o então primeiro-ministro justificou a compra de um par de apartamentos no luxuoso edifício Heron-Castilho com dinheiro oriundo da venda de outros apartamentos herdados pela mãe. Naturalmente, a reportagem começou pelos três apartamentos que Maria Adelaide de Carvalho Monteiro, mãe de José Sócrates, ainda detinha e que vendeu recentemente a Santos Silva:

28 Nov, 2014


Dois desses apartamentos estão situados no prédio número 27 da Rua Dr. António José de Almeida, na freguesia de Agualva, concelho de Sintra, um edifício construído há cerca de 50 anos. Cada um tem 80 m² de área e é composto por três assoalhadas, cozinha e uma casa de banho.
A escritura do primeiro andar esquerdo comprova que, no dia seguinte às eleições legislativas perdidas por José Sócrates, foi vendido por 100 mil euros.
Um mês depois, foi feita a escritura de venda do segundo andar esquerdo por 75 mil euros. Um apartamento idêntico ao anterior, mas menos degradado e ainda habitado por uma senhora idosa, diz o proprietário do terceiro andar esquerdo que mostrou a sua residência remodelada aos repórteres.

Como um apartamento com aquela área, situado num prédio construído há meio século, vale 40 mil euros, no máximo, no mercado imobiliário da zona, o valor real dos dois apartamentos não excede 80 mil euros. Tendo sido vendidos por 175 mil euros, mais do dobro do valor real, cria-se a suspeição que se tratou de uma forma de financiar a estadia de José Sócrates em Paris.

Em 2012, foi feita a escritura de venda de um terceiro apartamento, este com 155 m2 e situado no quarto andar do edifício Heron Castilho, em Lisboa, pelo preço de 600 mil euros, preço um pouco superior ao de outro apartamento com a mesma tipologia vendido no mesmo edifício, nesse ano. O DCIAP, que está a investigar os percursos sinuosos seguidos pelo dinheiro de uma conta do banco suíço UBS para chegar à conta da CGD do ex-primeiro-ministro, presume tratar-se de um negócio simulado.

José Sócrates tem afirmado que viveu em Paris graças ao empréstimo de 120 mil euros que pediu à CGD que, porém, foi quase completamente gasto na aquisição de um automóvel Mercedes no valor de 90 mil euros. Terão sido os 775 mil euros obtidos na venda destes apartamentos que lhe permitiram pagar parte do referido empréstimo e, sobretudo, financiar a vida faustosa que fazia em Paris.

O DCIAP suspeita também que os 25 milhões de euros depositados no banco suíço UBS em nome de Carlos Santos Silva provieram de "luvas" pagas a José Sócrates, relativas a obras públicas adjudicadas à empresa Lena Engenharia e Construções de que Santos Silva foi administrador até 2009.
No portal dos contratos públicos, criado em 2008, dos 196 milhões de euros ganhos desde então por esta empresa, 138 milhões derivaram de nove contratos celebrados com a empresa pública Parque Escolar. Cinco destes contratos foram assinados entre Maio e Julho de 2009, mas apenas foram publicados no portal pelo actual Governo, e contribuíram com a fatia do leão: 89 milhões de euros.








Em Paris, José Sócrates residiu sempre no 16º bairro, o mais luxuoso da capital francesa, tendo inicialmente alugado um apartamento. Mais tarde, fixou residência num apartamento situado no primeiro andar do número 15 da Avenue du Président Wilson, comprado por 2,8 milhões de euros e registado em nome de Carlos Santos Silva.



Avenue du Président Wilson, em Paris, que liga a Place de l'Alma à Place du Trocadéro. Ao fundo da fotografia, vê-se a Place d'Iéna que fica ao meio desta avenida.


Número 15 da Avenue du Président Wilson, em Paris


Número 15 da Avenue du Président Wilson, em Paris. O apartamento onde José Sócrates residia está situado no primeiro andar.


Entrada do número 15 da Avenue du Président Wilson, em Paris.


Este apartamento foi posto em venda por 3,95 milhões de euros, ou para arrendar por 7500 euros, há cerca de uma semana, na imobiliária Daniel Féau.







Depois de ver o programa ‘Sexta às 9’, o ex-primeiro-ministroe decidiu ditar uma carta ao seu advogado, por telefone, para enviar à RTP.

Sobre a residência em Paris, diz José Sócrates nessa carta:

"No primeiro ano vivi num apartamento arrendado; depois, de Setembro 2012 a Junho 2013 vivi no apartamento que me foi emprestado pelo meu amigo engenheiro Santos Silva, que o comprou para o restaurar, arrendar ou vender, que é a situação actual dele. Saí quando começaram as obras.
No princípio deste ano, depois de uns meses a viver com a família em hotéis, aluguei outro apartamento que mantenho actualmente como minha residência em Paris.
"

Quanto aos apartamentos vendidos pela mãe, o ex-primeiro-ministro refuta as acusações:

"A minha mãe vendeu, na altura com a ajuda do meu irmão, dois — não um, como afirma a peça — apartamentos por um preço total de 100 mil euros e não, como afirmam, um por aquele preço.
Em 2011, decidiu regressar a Cascais, de onde se mudara para Lisboa para ficar a viver perto de mim, porque, nesse ano, me desloquei para Paris e ela ficou sozinha em Lisboa. Daí o regresso a Cascais e a venda do apartamento em Lisboa. O preço por que vendeu foi o preço justo, que resultou de uma avaliação.
"

"É certo que é difícil eu falar. Estou preso. Mas não lhes faço o favor de ficar calado", termina a carta do ex-primeiro-ministro.

A estação televisiva respondeu-lhe imediatamente:

01 Dez, 2014, 20:16


"Ao longo de duas páginas, [José Sócrates] refuta vários factos. Logo a começar pela propriedade do apartamento de luxo em Paris, que a RTP mostrou por dentro pela primeira vez, explicando que está à venda há pouco mais de uma semana por cerca de 4 milhões de euros", noticia a estação.

O registo francês prova que está no nome de Carlos Santos Silva, também ele preso preventivamente por suspeita de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais. Em momento algum é dito que a casa pertence a José Sócrates.

Já sobre as casas vendidas pela mãe do ex-primeiro-ministro, a RTP reitera:

"Demonstrámos que dois dos três apartamentos que a mãe vendeu ao amigo Carlos Santos Silva foram escriturados por um preço duas vezes acima do preço do mercado. Ambos no Cacém, ambos com intermediação do advogado Gonçalo Trindade Ferreira, outro dos presos preventivos, que se assumiu como procurador de Maria Adelaide Monteiro, vendedora, e Carlos Santos Silva, comprador."

"O primeiro foi vendido no dia seguinte às eleições legislativas que ditaram a derrota de Sócrates. Custou 100 mil euros mas permanece vazio. O segundo foi escriturado um mês depois por 75 mil euros. Ainda é habitado pela mesma inquilina dos últimos 30 anos, apesar de não existir nenhum contrato de arrendamento registado nas finanças. Ao todo, os apartamentos foram vendidos por 175 mil euros", conclui a RTP.


*

José Sócrates gosta de falar, esquecendo-se de que há documentos escritos. Quanto mais fala, mais se enreda.
A estratégia é manter a dúvida sobre a sua culpa no espírito daqueles a quem distribuiu diplomas do 9º ou do 12º anos de escolaridade do 'Novas Oportunidades', que dificilmente conseguirão ler uma escritura de várias páginas e, muito menos, um registo predial em francês.
No entanto, ainda não é desta vez que José Sócrates consegue virar a opinião pública a seu favor, havendo até comentários à notícia a denotar que o português, mesmo quando assaltado, mantém o bom humor:


Jorge Artur Vieira@Facebook
01 Dezembro 2014 - 23:19
Estar preso afinal não deve ser assim tão mau. Visitas todos os dias, liberdade de comunicação para o exterior, e aquilo que não sabemos. Qualquer dia vai jantar com o director ao Fialho. Ai vai, vai.

Anónimo
01 Dezembro 2014 - 23:32
Amigo também lhe pagava os empréstimos e as despesas que ele tinha. Que sorte! É como o outro com o taxista que tinha a conta na Suíça. Mas os amigos que mais falta lhe fazem são os do DCIAP, da PGR e do STJ, com esses amigos é que não ia parar à cadeia, com os que ficaram, até eles vão para a cadeia.

Marlene Campos@Facebook
01 Dezembro 2014 - 23:34
O Sócrates não se cala porque gosta de se fazer de coitadinho. Já era assim há vários anos. Já não tenho paciência. Mas será que ainda alguém acredita nele? Existiram sempre grandes indícios da falta de honestidade deste homem. Por favor...

Anónimo
01 Dezembro 2014 - 23:41
Meses a viver em hotéis com a família?
E quanto custa viver assim?
De onde veio o dinheiro para pagar esse luxo pois de certeza que não seriam hotéis de 2 ou 3 estrelas.
Isto é que é roubar à grande e à francesa.

Anónimo
01 Dezembro 2014 - 23:52
Que se faça justiça, mas devia estar em liberdade a aguardar julgamento...

  • Anónimo
    02 Dezembro 2014 - 00:41
    Já devia estar, onde está agora, há muito tempo... Mas mais vale tarde do que nunca! E alguns como o Salgado e outros em breve estarão a fazer-lhe companhia! É a Campanha LIMPAR PORTUGAL em marcha.

wand
02 Dezembro 2014 - 08:15
A casa é do amigo, ele Pinto de Sousa (até o nome Sócrates é falso) vive em casa do amigo, muito amigo, e tem dinheiro para viver em Paris porque tem uma mãe que é muito rica e sustenta um homem de 57 anos que, por acaso, já foi primeiro-ministro de um País.
Surreal...

Lerinho
02 Dezembro 2014 - 09:24
Ora aí está!
Dêem-lhe corda que ele enforca-se sozinho... ou talvez não!
Cá para mim acho que vai arrastar uns quantos com ele. Vai uma aposta?

Joe Shit
02 Dezembro 2014 - 09:29
Li e ouvi as explicações do ex-primeiro ministro e fiquei sem perceber bem.
OK, a casa de Paris não é dele, é do amigo que lhe disse: oh pá vai lá viver, até eu fazer obras. Saiu da casa para um Hotel com a família (sic) até arrendar uma nova casa. Estudavam ele e o filho, tomava as refeições num restaurante de luxo.
Quando veio a Portugal almoçar com o Sr. Monteiro para falar de literatura (almoço que a sua secretária considerou urgente) foi ao Aviz.
Tinha um motorista, uma secretária e várias senhoras que lhe faziam as limpezas. Portanto tinha dinheiro!
Não ganhava do Estado como ex-ministro, era representante duma Farmacêutica. Portanto é só fazer contas segundo o método italiano, uma folha para as despesas e outra para os gastos e ver o saldo. Appassionata.

Sei do que falo
02 Dezembro 2014 - 09:58
A casa em Paris é do motorista que a comprou quando saiu do bairro da Boavista através do testa-de-ferro que é o amigo do prisioneiro 44.
Tanto o prisioneiro 44 como o amigo trabalhavam como testas-de-ferro para o motorista, esse sim, o grande corrupto da Administração Pública.
O prisioneiro 44 foi para Paris, não para estudar filosofia, mas para tratar dos negócios do motorista. O motorista como paga dos seus trabalhinhos, às vezes levava-lhe umas malitas com uns trocos lá dentro, assim para as necessidades mais básicas.
Alguém imagina aquela carinha de anjinho do 44 a fazer seja o que for em proveito próprio? Aquilo é a perfeição absoluta. Vai para o Céu.

Jaime
02 Dezembro 2014 - 10:13
Claro que era do amigo, que seguramente tinha muito interesse em investir em Paris.
Este gajo é um autêntico aldrabão. É como nos divórcios por arranjo, em que o marido que gere as empresas fica com as dívidas, e ela com tudo após o divórcio. E depois vivem juntos.
Este só se enterra. Pelo menos já se sabe que a casa não era alugada...

Não gosto do Sócrates, mas...
02 Dezembro 2014 - 13:41
Pergunto eu: era o Sócrates que estava na gestão, ou no departamento de contratação/concursos, da empresa pública Parque Escolar, quando esta fez os contratos de empreitada com o Grupo Lena? Era o amigo do Sócrates o único administrador do Grupo Lena, com poderes para dar milhões de euros em "luvas" pelos contratos feitos pelo grupo, quer em Portugal, quer na Venezuela? Há muita coisa para saber, ai há, há!

Preso 44 & Quadrilha do PS
02 Dezembro 2014 - 18:48
Só os anjinhos é que podem acreditar que as alegadas "luvas" das negociatas feitas durante o governo PS beneficiaram apenas o Preso 44! Mas alguém acredita que ele (se) governou sozinho? Quem aprovou os tão convenientes RERTs?
Fazer muita obra mantém o dinheiro a circular de forma a gerar "luvas". Eu sempre desconfiei dos políticos que fazem muita despesa, sobretudo em obras inúteis. Eis a razão do PS ser o campeão das PPPs, dos Swaps, da Parque Escolar, das Eólicas e dos ajustes directos. O preço de tudo isso foi a 3ª bancarrota.
Mas o PSD que não pense que aqui faz como Pilatos. Também tem muitos "telhados de vidro". E é por isso que este sistema político está PODRE e urge uma reforma do sistema eleitoral. A bem da democracia.

Anónimo
03 Dezembro 2014 - 02:39
Não há melhor forma dele compreender o que é a dívida, os juros e o seu pagamento, do que obrigá-lo a pagar aos portugueses tudo o que não era dele. Nós somos os credores da dívida dele, queremos o nosso dinheiro de volta e com juros!


  • 03 Dezembro 2014 - 12:26
    Também queremos o nosso dinheiro desviado por outros corruptos. Ou esqueceste que estamos a pagar o dinheiro que outros desviaram e estão longe, ou em casa, sem que nada lhes aconteça. A justiça tem que ser igual para todos, não só prender um para dizer que a justiça está a funcionar.
    Não foram os portugueses anónimos que viveram acima das possibilidades, foi esta gente que se dignou roubar aquilo que não era deles. A quem se provar o tal enriquecimento ilícito, que lhes seja retirado tudo o que levaram, e tenho quase a certeza que se pagava a dívida portuguesa.

Anónimo
03 Dezembro 2014 - 02:41
Título do jornal Libération, em França, diz tudo: "Sócrates, a queda de um oportunista sem ideologia". Nem mais.