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sexta-feira, 27 de março de 2020

COVID-19: Carta Aberta ao Primeiro-Ministro (Ordem dos Médicos, Ordem dos Farmacêuticos e Ordem dos Enfermeiros)


Reproduzimos na íntegra a Carta Aberta da Ordem dos Médicos, da Ordem dos Farmacêuticos e da Ordem dos Enfermeiros em que solicitam ao primeiro-ministro António Costa que seja fornecido aos profissionais de saúde o equipamento de protecção de que carecem e realizados os testes laboratoriais para despistagem precoce da COVID-19 (o negrito é meu):


Lisboa, 25 de Março de 2020
Sua Excelência
Exmo. Senhor Primeiro-Ministro
Distinto Senhor Dr. António Costa,

A situação de crise de saúde pública internacional provocada pelo novo coronavírus representa um desafio ímpar a nível económico e de organização dos sistemas de saúde para qualquer país, independentemente do ponto de partida. Portugal não é certamente excepção e, precisamente pelas carências que já antes enfrentávamos, não podemos descurar a antecipação de todas as medidas possíveis para preparar o país e os seus vários sectores para a pandemia que estamos a viver.

O primeiro caso de COVID-19 no nosso país foi noticiado no dia 2 de Março, o que nos deveria ter proporcionado uma margem de manobra superior à de outros Estados que foram confrontados com o surto mais cedo e em fases em que a informação sobre as medidas a tomar era mais incipiente. Infelizmente, é entendimento da Ordem dos Médicos, da Ordem dos Enfermeiros e da Ordem dos Farmacêuticos que o Governo, e o Ministério da Saúde em particular, não têm estado a acautelar medidas básicas e que podem comprometer todo o esforço de combate a este surto, de que é exemplo máximo a escassez de equipamentos de protecção individual.

Às três associações profissionais continuam a chegar milhares de relatos de situações muito difíceis que os nossos profissionais de saúde estão a enfrentar no terreno sem estar devidamente acautelada a protecção das suas próprias vidas, dos seus familiares e dos seus doentes. De resto, a falta de equipamentos de protecção individual está a contribuir para que entre o número de infectados, ou de pessoas colocadas em quarentena por contacto com caso positivo, estejam muitos profissionais de saúde.

Não estaríamos a cumprir o nosso papel de associações de interesse público, em defesa dos direitos dos nossos doentes e dos médicos, enfermeiros e farmacêuticos, se não transmitíssemos a V. Exa. a preocupação real de, quando atingirmos o pico da pandemia, não dispormos nos nossos hospitais e centros de saúde de um número profissionais de saúde suficiente, em virtude de terem adoecido. Neste momento são várias as falhas de segurança, faltando desde máscaras, a luvas, fatos de protecção e desinfectantes alcoólicos, o que é extensível à rede de farmácias.

A este propósito, atente-se a uma notícia vinda a público no dia 24 de Março, de Espanha, com o director do Centro de Emergências e Alertas de Saúde do Ministério da Saúde espanhol a admitir que aquele país conta com mais de 5400 profissionais de saúde com COVID-19 por os stocks de equipamentos de protecção individual não terem sido suficientes. Os casos de COVID-19 entre profissionais de saúde representam em Espanha 12% do total de infecções, contra 8% em Itália e 4% na China.

Complementarmente ao acima exposto, gostaríamos também de lhe transmitir uma outra preocupação relacionada com os profissionais de saúde com exposição a SARS-CoV-2 e as orientações existentes para testagem dos mesmos. Na verdade, a Orientação 013/2020, publicada pela Direcção-Geral da Saúde no passado dia 21 de Março, mesmo nos casos de alto risco de exposição, apenas prevê uma vigilância activa do profissional, e, só perante febre ou sintomas respiratórios compatíveis com COVID-19, serão iniciados os procedimentos de caso suspeito, como a realização de exames laboratoriais.

Esta aplicação conservadora dos testes, tanto nos profissionais como nos casos suspeitos entre cidadãos, vai em sentido contrário ao que se tem feito em países que têm publicado alguns artigos com os bons resultados no controlo do surto através desta metodologia, como Islândia, Alemanha, algumas zonas de Itália ou Coreia do Sul. Os primeiros dados, agora consolidados, de que a infecção pode ser assintomática em muitos dos cidadãos reforça a importância de testar mais pessoas na fase de mitigação em que nos encontramos.

Vivemos tempos extraordinários, em que todos temos de tomar decisões com base em muito pouca informação, mas temos já uma certeza: antecipar, proteger e testar são três metodologias sem as quais nunca poderemos obter os melhores resultados para Portugal e para os portugueses.

Continuaremos a dar todo o apoio e colaboração à Autoridade Nacional de Saúde e ao Governo, como tem acontecido desde a primeira hora. E, acima de tudo, continuaremos empenhados em servir Portugal, tratando e salvando a vida dos portugueses, garantindo o capital humano necessário para que possamos desempenhar a nossa missão com os melhores resultados possíveis.

Precisamos da sua ajuda. Ajude-nos a proteger todos aqueles profissionais que cuidam de nós.

Muito obrigada.

Atentamente,

O Bastonário da Ordem dos Médicos, Dr. Miguel Guimarães

A Bastonária da Ordem dos Farmacêuticos, Prof.ª Doutora Ana Paula Martins

A Bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Enf.ª Ana Rita Cavaco


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Pressuroso, o primeiro-ministro António Costa, logo acorreu ao Hospital Curry Cabral, em Lisboa, para ouvir Fernando Maltez, director do serviço de infecciologia, dar a garantia: “Não tivemos, até à data, falta de equipamento de protecção individual”, acrescentando, logo a seguir que não se deve “confundir a falta de equipamento com a racionalização dos equipamentos”, os quais “devem ser usados de acordo com as necessidades”.
O relato de um enfermeiro deste hospital confirma o que disse Fernando Maltez: “Não, nunca faltou, mas houve esse receio e por isso a disponibilidade do material era feita a conta-gotas. Actualmente estão é a racionar os equipamentos de protecção individual e é sugerido que se use mais tempo para evitar o desperdício”.

O busílis da questão está nas palavras: enquanto o médico utiliza o termo racionalizar, que significa "usar o raciocínio", o enfermeiro escolhe a palavra "racionar" cujo significado é "impor uma ração, uma pequena quantidade".

Uma enfermeira-chefe de um hospital da zona da Grande Lisboa que não é uma das unidades de primeira linha para o combate ao coronavírus, mas trata doentes suspeitos de COVID-19 nos seus serviços, descreve o que, na prática, significa racionar:
Tinha doentes suspeitos e que aguardavam pelos resultados. Mas tinham de ser tratados, medicados e os meus enfermeiros precisavam de equipamento de protecção, nomeadamente máscaras. Pedi ao armazém 50 máscaras. Não tive resposta. Liguei, disseram que não podiam dar. Falei com o chefe acima de mim. Não obtive resposta. Tive de enviar mail à administração a explicar a situação e só aí houve autorização para me darem as máscaras”, diz, acrescentando que só lhe deram 20. Voltou a ligar e disseram-lhe que no dia seguinte arranjavam mais 10.

Este tem sido o meu dia-a-dia. Passo horas e horas a tentar agilizar o equipamento que a equipa precisa. Não peço material só porque sim. Pedi material para proteger os profissionais de Saúde”, contou, sublinhando que no seu hospital há cerca de 14 profissionais de saúde infectados.
Para um turno de oito horas esta enfermeira-chefe disponibiliza dois respiradores de partículas FFP2: “São as que protegem o profissional de saúde e o doente ao mesmo tempo”, explicou.

Aliás, a falta de material é algo constante nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS): “Agora fala-se de falta de máscaras, luvas e fatos. Pois, antes da COVID-19 já havia e continua a existir falta de caixotes do lixo, por exemplo, ou de serviços de limpeza para prevenir as infecções”, desabafa esta enfermeira.

Também no Hospital distrital de Santarém, onde uma médica internista foi infectada há uma semana, obrigando vários médicos, doentes, enfermeiros e outros profissionais de saúde a ficar de quarentena, o material é racionado:
Não se pode dizer que não há. Há é pouco e tem de ser usado mais tempo. Há falta de máscaras FFP2 que são as recomendadas para esta situação. Na falta destas usam-se as máscaras cirúrgicas. Também há poucas protecções para os pés e pernas”, explicou a mesma enfermeira, informando que estão a fazer turnos de 12 horas, mas as folgas ainda estão a ser cumpridas.

No Hospital do Barreiro, “actualmente há equipamento, mas desaparece rápido, porque há cada vez mais casos suspeitos”, explica uma enfermeira desse hospital. “O problema é que na primeira triagem (onde se faz a selecção de doentes com sintomas de COVID-19) apenas há mascaras cirúrgicas e devia, talvez, existir logo outro equipamento. As máscaras FFP2 são apenas para usar noutro patamar da triagem, no terceiro, em que são vistos os doentes já com suspeitas de COVID-19”, diz.
Ora “quando se tira um doente de uma ambulância e ele não vem referenciado como doente com suspeita de COVID-19, quando o tiramos para as nossas macas podemos estar logo a ser contaminados”, explicou, dizendo que, nesta fase, não é usada a máscara FFP2, nem o restante equipamento de protecção. Portanto: “Há equipamento mas só para ser usado em determinadas circunstâncias” muito limitadas.

No Centro Materno-Infantil do Norte (CMIN), no Porto, a enfermeira Helena Mota afirma que não houve nenhum caso de grávidas infectadas com a COVID-19, mas “se acontecer, o bloco está completamente preparado: há uma sala específica para receber essas doentes infectadas, dotada de todo o material necessário”.

A pergunta que os políticos deviam de fazer, e estão a iludir, é esta: quando existir uma afluência muito maior o equipamento chega?

Esses picos são imprevisíveis. Por exemplo, ontem, até às 16 horas, no hospital de São José, em Lisboa, estava tudo calmo e o material parecia não faltar. Mas, após esta hora, houve uma maior afluência de doentes com sintomas suspeitos de COVID-19, e, segundo relatou ao jornal PÚBLICO um profissional deste hospital, o equipamento para proteger o pescoço e a protecção para os pés entraram em ruptura.

Mesmo no Hospital do Litoral Alentejano, que é a região do país que menos casos tem (30 casos confirmados hoje) e onde existem materiais (desinfectantes, máscaras cirúrgicas), não há testes laboratoriais em número suficiente para testar todos os doentes porque estão a ser racionados: um médico afirma que só têm direito a 20 ou 30 por dia.
Instalaram uma unidade COVID-19 em parte do piso da ortopedia, onde estão três suspeitos da doença. Passaram a operar só doentes urgentes e oncológicos. Há cerca de uma semana o conselho de administração enviou uma directiva aos trabalhadores para recomendar-lhes que evitassem expor o hospital nas redes sociais (por exemplo, publicarem fotos) para não alarmarem a população.

Parece que a grande preocupação é evitar por todos os meios que as pessoas saibam o que realmente está a passar-se no Serviço Nacional de Saúde.

Ninguém refere, por exemplo, que a ordem dos Médicos já teve de criar um protocolo para que os médicos possam decidir quais são os doentes com COVID-19 que vão ter o direito de aceder a um ventilador e os que vão morrer sem tratamento.

Em Itália, o departamento de protecção civil da região de Piemonte teve de preparar um documento que vai decidir quais são os doentes que devem ser deixados morrer em caso de falta de camas nas unidades de cuidados intensivos:
"Os critérios para o acesso à terapia intensiva em casos de emergência devem incluir idade inferior a 80 anos ou pontuação no Índice de Comorbidade de Charlson [que indica quantas outras condições médicas o paciente possui] inferiores a 5."

Em Espanha, o critério para acesso à terapia intensiva ainda é mais drástico. O espanhol Óscar Haro, director desportivo da equipa de Moto GP LCR Honda, revelou que os médicos lhe pediram, em lágrimas, permissão para deixar morrer o pai, por falta de ventiladores:
"Não entendo como uma pessoa que trabalha desde os 15 anos, sempre a descontar para pagar impostos, morre porque não há ventiladores, porque não o podem continuar a tratar, pois há uma lei que diz que com mais de 75 anos já não interessa cuidar das pessoas e deixam-nas morrer."

Não foi revelado o que estipula o protocolo português. Não se sabe se é apenas um critério de idade ou se é aplicado o Índice de Comorbidade de Charlson e, nesse caso, outras doenças do paciente registadas no Cartão de Cidadão também serão consideradas.

Quer saber qual é o seu Índice de Comorbidade de Charlson? Encontra a resposta aqui.


terça-feira, 10 de março de 2020

O que é a COVID-19 (Coronavirus Disease 2019)?


O que já se sabe sobre a doença causada pelo novo coronavírus que surgiu na China e se está a disseminar por todo o mundo?


Plataforma informática dos casos de COVID-19 do Center for Systems Science and Engineering (CSSE) da Johns Hopkins University aqui.


Vamos apoiarmo-nos na informação do Centers for Disease Control and Prevention (CDC), o principal instituto nacional de saúde pública dos Estados Unidos.
O CDC é uma agência federal dos Estados Unidos, sob tutela do Departamento de Saúde, focada no controle e prevenção de doenças, especialmente doenças infecciosas. A partir de 2013, os laboratórios de biossegurança de nível 4 do CDC contam-se entre os poucos que existem no mundo, sendo um dos dois únicos repositórios oficiais (o outro situa-se na Rússia) de varíola, uma doença erradicada em 1980 graças a uma campanha mundial de vacinação.



Esta é uma imagem do Severe Acute Respiratory Syndrome Coronavirus 2 (SARS-CoV-2) que causa uma doença chamada Coronavirus Disease 2019 (COVID-19).


Origem e disseminação do vírus

Os coronavírus são uma grande família de vírus comuns em pessoas e em muitas espécies diferentes de animais, incluindo camelos, gado, felinos e morcegos. Os coronavírus dos animais podem, raramente, infectar pessoas e depois disseminar-se entre pessoas como aconteceu com o SARS-CoV na China, em 2003, o MERS-CoV na Arábia Saudita, em 2012, e agora com este novo vírus chamado SARS-CoV-2.

Tal como o SARS-CoV e o MERS-CoV, o vírus SARS-CoV-2 também é um betacoronavírus, um tipo de vírus proveniente de morcegos. As sequências de ARN de pacientes dos EUA são semelhantes às publicadas inicialmente pela China, sugerindo uma provável emersão recente e única deste vírus a partir de um reservatório animal.

O surto iniciou-se em Wuhan, província de Hubei, na China, com o epicentro num grande mercado de marisco e animais vivos, sugerindo a disseminação de animal para pessoa. Em seguida, o número crescente de pacientes sem exposição a mercados de animais pôs em evidência a disseminação de pessoa para pessoa. Esta disseminação de pessoa para pessoa transbordou para fora de Hubei e, posteriormente, para fora da China.
Actualmente, em alguns destinos internacionais, parece ocorrer uma disseminação comunitária, ou seja, não se sabe como, ou onde, algumas pessoas infectadas tiveram contacto com o novo coronavírus.

Gravidade da doença

O quadro clínico completo da COVID-19 não é totalmente conhecido. As doenças relatadas variaram de muito leves (incluindo algumas sem sintomas relatados) a graves, incluindo casos fatais.
Um relatório elaborado na China sugere que as doenças graves ocorrem em 16% dos casos. Pessoas idosas e pessoas de todas as idades com graves problemas de saúde subjacentes — como seja doenças cardíacas, pulmonares e diabetes, por exemplo — parecem estar em maior risco de desenvolver uma COVID-19 grave.

Avaliação de risco

Surtos de novas infecções por vírus entre as pessoas são sempre uma preocupação de saúde pública. O risco destes surtos, para a generalidade das pessoas, depende das seguintes características do vírus:
  • a velocidade de disseminação entre as pessoas;
  • a gravidade da doença resultante e
  • as iniciativas clínicas, ou outras, disponíveis para controlar o impacto do vírus (por exemplo, vacinas ou medicamentos para tratar a doença).
O facto desta doença ter causado enfermidades graves, incluindo enfermidades que resultam em morte, é preocupante, especialmente porque também mostrou uma disseminação sustentada de pessoa para pessoa. São dois dos critérios de uma pandemia. À medida que a disseminação comunitária é detectada em cada vez mais países, aproximamo-nos do cumprimento do terceiro critério de pandemia — disseminação mundial do novo vírus.

Avaliação de risco em 9 de Março de 2020:

  • Para a maioria das pessoas, o risco imediato de ser exposto ao vírus que causa a COVID-19 é baixo. Não há ampla circulação do vírus na maioria das comunidades nos Estados Unidos.
    [Na maioria das comunidades, em Portugal, também não]
  • As pessoas em locais onde foi relatada disseminação comunitária contínua do vírus causador da COVID-19 têm um risco elevado de exposição.
    [Em Portugal, isto sucede nos distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Vila Real e Bragança e no concelho de Lisboa]
  • Os profissionais de saúde que cuidam de pacientes com a COVID-19 têm um risco elevado de exposição.
  • Contactos próximos com pessoas infectadas com o SARS-CoV-2 também têm um risco elevado de exposição.
  • Os viajantes que regressam de locais internacionais onde a disseminação comunitária está a ocorrer também têm um risco elevado de exposição, com o aumento do risco dependente do país/região.

Orientações de viagem

Os destinos internacionais dividem-se por três níveis de risco:
Aviso - Nível 3, Evite viagens não essenciais
Ampla transmissão comunitária
  • China
  • Irão
  • Itália
  • Coreia do Sul
Alerta - Nível 2, Precauções aprimoradas
Transmissão comunitária sustentada — precauções especiais para viajantes de alto risco
  • Japão
Atenção - Nível 1, Precauções habituais
  • Hong Kong

Viajantes provenientes de países com ampla transmissão comunitária que regressam aos Estados Unidos [Apelamos aos viajantes que regressam a Portugal para que implementem uma quarentena similar]
Fique em casa durante 14 dias a partir do momento em que deixou uma área com ampla disseminação comunitária contínua (Aviso - Nível 3) e pratique o distanciamento social.

Siga estas etapas para monitorizar a saúde e praticar o distanciamento social:
  1. Meça a temperatura com um termómetro duas vezes por dia e monitorize a febre. Observe também tosse ou dificuldade em respirar.
  2. Fique em casa e evite o contacto com outras pessoas. Não vá trabalhar ou à escola durante esse período de 14 dias [período de incubação médio]. Discuta a situação profissional com o seu empregador antes de retornar ao trabalho.
  3. Não use transporte público, táxi ou carro compartilhado durante o tempo em que pratica o distanciamento social.
  4. Evite lugares superlotados (tais como centros comerciais e cinemas) e limite as actividades em público.
  5. Mantenha distância de outras pessoas (cerca de 2 metros).

Destaques da resposta do CDC

Uma parte importante da função do CDC durante uma emergência de saúde pública é desenvolver um teste para o patógeno e equipar os laboratórios de saúde pública estaduais e locais com capacidade de teste.
  • O CDC desenvolveu um teste rRT-PCR para diagnosticar a COVID-19. O teste consiste numa Reacção em Cadeia da Polimerase com transcrição reversa (RT-PCR), em tempo real, que permite detectar pequenas quantidades do ARN viral.
    • Trata-se de uma técnica de laboratório em que ARN é convertido em ADN pela enzima Transcriptase Reversa (RT), e depois o ADN é amplificado por Reacção em Cadeia (desencadeada pela enzima) Polimerase (PCR). A reacção de amplificação é monitorizada por fluorescência durante a PCR (isto é, em tempo real), não no final como na PCR convencional. Daí chamar-se rRT-PCR.
    • Na noite de 8 de Março, 78 laboratórios de saúde pública estaduais e locais nos 50 Estados e no Distrito de Columbia foram verificados com sucesso e estão a usar os testes de diagnóstico da COVID-19.
    • Combinado com outros reagentes que o CDC adquiriu, existem kits de teste suficientes para testar mais de 75.000 pessoas.
    • Além disso, dois laboratórios do CDC estão a realizar testes para o SARS-CoV-2, podendo testar aproximadamente 350 amostras por dia.
  • O CDC também está a desenvolver um teste serológico para a COVID-19. Estes testes medem a concentração de anticorpos no sangue que são proteínas específicas produzidas em resposta às infecções. Esta resposta imunológica vai permitir detectar infectados que tiveram poucos sintomas ou foram assintomáticos.


Esta é uma foto do kit de teste laboratorial do CDC para o SARS-CoV-2. Os testes do CDC são fornecidos aos laboratórios estaduais e locais de saúde pública dos EUA, ao Departamento de Defesa e a laboratórios internacionais seleccionados.

O leitor interessado poderá encontrar informação actualizada no website da agência federal CDC.

Agora vamos ver um vídeo produzido pela empresa privada que Ryan Haynes e Shiv Gaglani começaram a construir quando eram estudantes de Medicina na Johns Hopkins University.
Fora da sala de aula, eles descobriram que as visualizações eram uma maneira mais eficaz de aprender Medicina. O que começou por ser uma ferramenta para ajudar Shiv, Ryan e os colegas transformou-se na actual Osmosis, uma plataforma abrangente que ajuda pessoas de todo o mundo a entenderem a saúde mais profundamente.

Centenas de milhares de médicos e estudantes de Medicina aprendem por vídeos de animação produzidos por esta empresa. Este narra a história da COVID-19 — causas, sintomas, diagnóstico, tratamento, patologia (seleccione as legendas em português):



  • Em 6:36 mostra-se que a perigosidade do SARS-CoV-2 é uma consequência da sua velocidade de disseminação R₀.
  • 7:40 O teste de diagnóstico consiste numa Reacção em Cadeia da Polimerase com transcrição reversa (RT-PCR), em tempo real, que permite detectar pequenas quantidades do ARN viral.
  • 7:55 O tratamento está focado em cuidados de suporte — fornecimento de líquidos, oxigénio e suporte ventilatório.
    Mas há três medicamentos eficazes em laboratório: cloroquina, um anti-malárico, ritonavir, um anti-viral usado contra o HIV, e remdesivir, um antiviral previamente usado contra o ébola.
    Este último foi administrado ao primeiro doente com COVID-19 nos Estados Unidos no 11º dia da doença, porque o seu estado clínico estava a piorar, e o doente começou a melhorar no dia seguinte. Estão a ser efectuados ensaios clínicos em larga escala na China.
  • 8:37 Como não é possível produzir uma vacina nos próximos meses, a prevenção consiste em evitar a transmissão entre pessoas ou isolar os doentes.
  • 10:37 Breve resumo
  • 11:37 Dedicatória ao Dr. Li Wenliang

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Para os negacionistas fica aqui uma imagem arrepiante dos cuidados intensivos do hospital de Cremona, na Itália, o segundo país com mais mortes por COVID-19, onde os médicos trabalham entre 12 e 14 horas por dia e dizem estar a viver num cenário de guerra:



As imagens foram captadas com câmara oculta pelo programa televisivo Piazzapulita.


quinta-feira, 17 de abril de 2014

O naufrágio do Sewol


A guarda costeira sul-coreana divulgou um vídeo do resgate dos passageiros do ferry Sewol que naufragou no mar. São imagens dramáticas do navio parcialmente submerso na água e dos barcos que se aproximaram dele para retirar os passageiros, alguns pendurados nas vedações do navio, outros esbracejando na água.


April 16

16 Abr, 2014, 20:57


O naufrágio do ferry sul-coreano que transportava 462 pessoas, das quais apenas 174 foram salvas até agora, poderá ser o maior desastre marítimo do país em mais de vinte anos.
Estando o mar calmo, é mais um grave desastre, neste ano de 2014, em que não se vislumbra a causa da tragédia. Alguns sobreviventes dizem que ouviram um estrondo antes do desastre. Estranhamente no país que, com os EUA e o Japão, sabe projectar e produzir os mais avançados dispositivos electrónicos, os ferries não possuem equipamentos para detectar rochas submersas ou corrigir erros de navegação.

A maioria dos passageiros a bordo do ferry eram alunos de uma escola secundária perto de Seul que estavam a fazer uma visita de estudo à ilha Jeju, a cerca de 100 km ao sul da península coreana.
Tal como sucedeu no Costa Concordia, os passageiros receberam instruções para se manterem nas cabines e, consequentemente, foram arrastados para o fundo do mar quando o navio naufragou. Para controlar o pânico, as companhias de navegação estabelecem directrizes no sentido de dividir as pessoas e acabam por as empurrar para a morte.
O comandante do ferry também foi um dos primeiros a abandonar o navio mas, pelo menos, está envergonhado pela sua atitude.


April 17


sábado, 27 de julho de 2013

Esperança - II


Portugal conquistou 111 pontos, a melhor pontuação de sempre, nas 54ª Olimpíadas Internacionais de Matemática, que decorrem na Colômbia, tendo ficado em 36.º lugar na classificação por países, num total de 97 países participantes.

Todos os elementos da equipa portuguesa receberam distinções, animando a nossa esperança:
  • Miguel Moreira, aluno do 11.º ano na Escola Secundária Rainha D. Amélia, em Lisboa, conquistou uma medalha de ouro, tendo ficado na posição 30ª entre 528 participantes.
  • Miguel Santos, da secundária de Alcanena, 12.º ano, Francisco Andrade, da secundária do Padrão da Légua, 10.º ano, Luís Duarte, da secundária de Alcains, 12.º ano, e David Martins, da secundária de Mirandela, 11.º ano, conquistaram medalhas de bronze.
  • Nuno Santos, aluno do 10º ano do Colégio Nossa Senhora do Rosário, no Porto, recebeu uma menção honrosa.

Estes alunos e os seus professores de Matemática merecem parabéns pelo trabalho desenvolvido. As palavras finais de apreço vão para as famílias dos alunos pela sabedoria com que os educaram e que agora vêem a recompensa.



29 Jul, 2013, 21:03


Nos resultados por países temos a assinalar o primeiro lugar da China, seguida pela Coreia do Sul, Estados Unidos da América, Rússia e Coreia do Norte.

O gráfico seguinte mostra a evolução dos quatro países melhor classificados, desde o ano 2000, e também a de Portugal. Reconhecendo à China o mérito de manter, em geral, o primeiro lugar, é preciso realçar o extraordinário desempenho da Coreia do Sul, um pequeno país com área próxima da de Portugal e o quíntuplo da população que se bate com a China, a Rússia e os Estados Unidos tendo já alcançado um primeiro lugar.




Nos últimos anos as equipas portuguesas têm vindo a melhorar significativamente os resultados, graças ao trabalho que está a ser desenvolvido por alguns professores de Matemática com os seus alunos mais promissores e pela Sociedade Portuguesa de Matemática. A selecção e preparação dos alunos está a cargo do Projecto Delfos, do Departamento de Matemática da Universidade de Coimbra.

No entanto, Portugal ficou atrás de muitos países europeus — Reino Unido, Ucrânia, Itália, França, Bielorrússia, Hungria, Roménia, Países Baixos, Alemanha, Croácia, Sérvia e Eslováquia — alguns dos quais nunca dispuseram dos recursos financeiros que foram canalizados para a educação no nosso País sem produzirem resultados perceptíveis.
Não podemos fingir que tudo está bem com os resultados dos nossos alunos quando vemos equipas de países com um nível de vida muito inferior ao nosso, como sejam o Vietname, o Irão, a Tailândia, o México, a Turquia, a Indonésia e a Índia, a ultrapassarem a equipa portuguesa.

As consolas de jogos, os telemóveis, o Facebook não produzem resultados, servem apenas para desperdiçar tempo e recursos financeiros, há que ter consciência desse facto e alertar os pais dos nossos alunos.
Grande também é a responsabilidade dos directores das escolas que preferem criar grupos de compadrio que os apoiem na manutenção no cargo em vez de investirem nos resultados dos alunos das suas escolas.

Compare-se os salários mínimos dos países europeus mencionados para não haver dúvidas. Os professores, os pais e os alunos têm um longo caminho a percorrer até Portugal conseguir apresentar resultados compatíveis com o bem-estar que as famílias portuguesas ainda desfrutam.





sábado, 16 de março de 2013

A Europa perde única fábrica de máquinas multibanco


A japonesa Talaris tenciona fechar até Junho a fábrica de Torres Vedras, única na Europa a produzir máquinas multibanco (ATM).

Adquirida em 2012 pela multinacional japonesa Glory, teve em 2011 um volume de negócios de 26 milhões de euros e resultados líquidos de 429 mil euros (1,4 milhões de euros em 2010).
Dos 834 ATM fabricados, 700 foram exportados. Recentemente ganhou o concurso para assegurar o serviço de manutenção para a Caixa Geral de Depósitos durante três a cinco anos.

A empresa, que tem 200 trabalhadores espalhados pelo país — a maioria a fazer manutenção dos ATM —, pretende encerrar as instalações em Sintra e transferir para a fábrica de Torres Vedras a logística e a manutenção.
Nesta reestruturação tenciona encerrar a linha de produção que emprega 20 trabalhadores, e transferi-la para a China onde a mão-de-obra é mais barata, e passar o departamento de recursos humanos e o departamento financeiro para Espanha. O resultado, em termos de emprego, é um despedimento colectivo de 37 trabalhadores.

A Talaris alega que dentro de alguns anos a crise vai ter reflexos na produção de máquinas multibanco para o mercado nacional. Contrapõe o Sindicato das Indústrias Eléctricas do Sul e Ilhas (SIESI) que "a empresa está a usar a facilidade que existe em Portugal para fazer despedimentos colectivos para se deslocalizar".

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A questão é que o partido comunista que governa a China paga, em 2013, o salário mínimo de 180 euros em Shenzhen (noutros municípios ou províncias o salário mínimo ainda é mais baixo) para atrair investimentos estrangeiros e, obviamente, está a ser bem sucedido.
Se em Portugal se dificultar o despedimento colectivo, as empresas vão para a falência e saem igualmente de cá. Além de que o País não consegue captar investimento estrangeiro desde finais dos anos 90, com a consequente ausência de crescimento económico há uma década.

Pode concluir-se que o futuro dos trabalhadores portugueses vai ser auferir os salários de miséria dos chineses? Nas linhas de montagem de produtos, vai ser.
Mas se a geração que actualmente frequenta a escola trabalhar afincadamente e terminar a escolaridade obrigatória muito, mas mesmo muito mais qualificada que a geração dos seus pais, estes jovens podem tornar-se técnicos especializados, ou até projectistas, e aspirar a salários mais elevados.

Quem projecta produtos tecnologicamente avançados no mundo?
Nos Estados Unidos, e na indústria da informação, a Apple, a Hewlett-Packard, a Intel, a Microsoft, a Cisco, a Xerox, a Boston Dynamics, a aeroespacial Boeing, a produtora de maquinaria Caterpillar, na indústria automóvel, a General Motors e a Ford. O Canadá desenvolveu tecnologias extractivas e agora vem explorar concessões mineiras portuguesas.
Na Europa, temos a Finlândia com a Nokia, a Dinamarca com a Vestas — durante o governo Sócrates fomos o maior comprador das suas turbinas eólicas que vamos ter de pagar por meio de rendas elevadas aos produtores de energia eléctrica —, temos a França com as construtoras de automóveis, Renault, e de aviões, Airbus. Temos na Alemanha, e na indústria automóvel, a Volkswagen, a BMW, a Daimler, a Audi, na indústria eléctrica, a Siemens, a Bosch, a Miele, a gigante farmacêutica Bayer. No norte de Itália, a Fiat.
Na Ásia, o Japão com a indústria automóvel — Toyota, Nissan, Mitsubishi, Honda —, da informação — Fujitsu, Sony, Toshiba, Casio —, da fotografia e imagem — Canon, Nikon —. E a pequena Coreia do Sul, do tamanho de Portugal, tem um gigante na indústria automóvel, a Hyundai, e outro gigante na informação, a Samsung, que se bate no campo da inovação com a americana Apple.

Os portugueses especializaram-se em usar os produtos de alta tecnologia projectados nestes países e produzidos pelos trabalhadores chineses.

Acordar de um sonho é sempre doloroso. Mas se não quisermos continuar a empobrecer, é preciso acordar depressa e dar passos de gigante.