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quinta-feira, 30 de julho de 2015

As 25 maiores fortunas portuguesas valem 15 mil milhões de euros


Parte significativa da riqueza nacional é controlada pelas 25 famílias mais ricas de Portugal.



29/07/2015 - 19:59


Um estudo efectuado pela revista Exame concluiu que o valor das 25 maiores fortunas de Portugal ascende a 14,7 mil milhões de euros, o que equivale a 8,5% do Produto Interno Bruto (PIB) português de 2014.

Nas primeiras quatro posições da lista permanecem os mesmos nomes que já figuravam em 2013: Américo Amorim, que é o homem mais rico do país, Alexandre Soares dos Santos, Belmiro de Azevedo e a família Guimarães de Mello.

A única diferença está no valor das fortunas face a 2013. Apesar de se manter à cabeça da lista, o dono da Corticeira Amorim vê a sua fortuna diminuir, assim como a família Guimarães de Mello. Em sentido ascendente seguiram as fortunas de Soares dos Santos e de Belmiro de Azevedo.

Com uma fortuna avaliada em 2,5 mil milhões de euros, a revista calcula que Américo Amorim, apesar de manter a primeira posição, perdeu 800 milhões com a queda da cotação da Galp Energia em bolsa.

Pelo contrário, tanto a fortuna de Soares dos Santos como a de Belmiro de Azevedo terão subido 100 milhões no último ano devido à valorização em bolsa das suas acções. O dono da Jerónimo Martins, que detém a cadeia de supermercados Pingo Doce, viu a riqueza atingir os 1,8 mil milhões. O fundador do grupo Sonae, que tem negócios no comércio a retalho, telecomunicações e comunicação social, aumentou a fortuna para os 1,4 mil milhões.

Já a família Guimarães de Mello, dona do Grupo José de Mello, Brisa e CUF, e com investimentos na Efacec e EDP, regista uma ligeira queda dos 1,2 mil milhões de euros calculados em 2013 para 1,18 mil milhões.

Os donos da Mota-Engil — António Mota e irmãs — saíram do top 10 devido à queda da cotação desta empresa de construção em bolsa.

Pior aconteceu com a família Espírito Santo devido ao colapso do Grupo Espírito Santo: saiu da lista. Mesmo a maior accionista do grupo, Maria do Carmo Espírito Santo Silva, que ocupava a 10.ª posição em 2013, deixou de figurar na lista da Exame.


*

Não estamos a falar de ricaços com fortunas baseadas na posse de pinturas valiosas, ferraris, herdades, castelos ou ilhas, mas de empresários que detêm acções de empresas que criaram ou expandiram. E têm forçosamente de deter um número significativo de acções dessas empresas para poderem tomar decisões de gestão. De actos gestionários incorrectos, deriva a falência das empresas com graves perdas tanto para os empresários como para os trabalhadores que vêem desaparecer os respectivos empregos.

Claro que os empresários não se distinguem apenas por uma hábil gestão que dê lucro às empresas: há os que têm consciência social e outros não, como foi referido no fórum do Público:


info
29/07/2015 21:00
É muito bom ter pessoas tão ricas em Portugal, apesar do desemprego recorde e um salário mínimo miserável. Já agora, caros ilustres e ricos personagens, quando morrerem, onde vão meter a vossa fortuna?
  • incorporeo
    Portugal 29/07/2015 21:41
    Não estou a perceber muito bem a relação que faz entre uma coisa e outra, mais a morte dos ditos.
    Já sequer se apercebeu que qualquer um destes "ricalhaços" criou, nas suas empresas, uma infinidade de postos de trabalho? E quanto aos impostos pagos pelos ditos, acha que eles ousariam sequer fugir aos impostos, com a responsabilidade social que têm aos ombros? A riqueza é distribuída: pelos salários dos trabalhadores e pelos impostos devidos ao Estado.
    Os gajos morrem mas as empresas ficam. E os postos de trabalho também. Essa é a herança que deixam. É bom ou é mau?
  • Mortiço
    29/07/2015 23:17
    A holding da Pingo Doce é sediada no Luxemburgo, o mesmo ocorrendo decerto com outras empresas dessa gente. Em consequência, por favor não fale em responsabilidade social. Portugal é dos países mais pobres da Europa e está entre aqueles em que a renda é menos equitativa.
  • tripeiro
    Neste Verão: socas, galochas ou havaianas? Consulte a Princesa Bobone 30/07/2015 00:32
    Pois é, senhor Mortiço, mas, quando aparecem medidas para tornar o sistema fiscal mais competitivo e atractivo para as empresas, lá vem o senhor a berrar que deviam era baixar o IRS e não o IRC.
    Mas concordo que esperar responsabilidade social de grupos como o Jerónimo Martins é muita areia para a camioneta de qualquer um. Só fazem aquilo a que são mesmo obrigados por lei, se pudessem não fazer nada, era o que faziam.
  • PSG
    Lisboa 30/07/2015 01:34
    Menos impostos para as empresas e toca a aumentar a TSU dos trabalhadores por conta de outrem. E para resolver o problema do desemprego, nada como acabar com o SNS e deixar a malta que andou a gastar dinheiro em viagens para a Republica Dominicana a morrer nos corredores dos hospitais. E porque não fechar as escolas? Nada melhor que ter analfabetos para poder pagar salários cada vez mais baixos, e gente sem ambições para perpetuar a exploração. Um povo pouco produtivo pelo menos serve para isso.
  • Mortiço
    30/07/2015 06:02
    Tripeiro, eu não berro. Eu escrevo.
  • incorporeo
    Portugal 30/07/2015 18:09
    Tripeiro: é óbvio que apenas fazem aquilo a que estão obrigados por lei. Eu também e acho que a maioria dos contribuintes. E nem me refiro a benefícios fiscais por conta de donativos.
    O que me quis referir foi à dimensão social que estes senhores têm, ao fazer aquilo a que estão obrigados por lei. Um patrão cumpridor além de criar postos de trabalho, dá segurança aos seus empregados, mantendo as contribuições para a SS em dia e pagando os salários contratados. Qualquer empregador tem uma responsabilidade social, a qual será tanto maior quantos mais trabalhadores tiver. Acho que é óbvio...
    Suponhamos que o Grupo Sonae entra em falência. Quantos trabalhadores irão ficar prejudicados por isso? É sobre esta responsabilidade social que me refiro.

Ruben
30/07/2015 11:25
Só ganância! O grande problema de haver tanta pobreza.
  • Enganador
    30/07/2015 15:28
    Quantas dezenas ou centenas de milhar de empregos é que estes Senhores não criaram ao longo das suas longas décadas de trabalho?
  • Ruben
    30/07/2015 16:10
    Óbvio que "dão" emprego a milhares de pessoas. Como é que eles conseguiriam tal fortuna se não conseguissem explorar as pessoas?
  • Ruben
    30/07/2015 16:22
    Talvez não me tenha expressado bem. O problema não está, como é evidente, na criação de emprego por parte destes senhores. O problema está na acumulação de riqueza. As pessoas que acumulam grande riqueza são as mais gananciosas. Querem acumular os seus bens e os dos vizinhos. E este é o grande problema, a causa da pobreza. Só existe pobreza porque existe riqueza e esta só existe porque há muita gente gananciosa.
  • incorporeo
    Portugal 30/07/2015 19:08
    O Ruben não gosta de acumular riqueza. Está no seu direito! Faz colecção de selos?
  • Ruben
    30/07/2015 19:32
    Incorporeo, faço colecção de conhecimento. É o que procuro sempre. Riqueza? A minha riqueza são os meus princípios, não os bens materiais que acumulo. Para quê ter a mais e mais se isso faz falta a outras pessoas? Não seja mais um egoísta. Pode acumular o máximo de riqueza possível, mas quando for velho vai perceber que a sua vida foi em vão. A sua casa estará cheia de coisas boas e bonitas, mas o senhor estará velho, feio e vazio.
  • incorporeo
    Portugal 30/07/2015 20:04
    Ok, Ruben, uma resposta sábia, a sua! O investimento no Conhecimento é mais valioso que ouro, e concordo com isso! Outro investimento que acho sensato fazer, pois potencia a eficácia do nosso trabalho, é em ferramentas. Se considerarmos que o Conhecimento é também uma ferramenta, estou a ser redundante. Quanto a acumular por acumular, isso é uma atitude doentia bem reconhecida.
    Não acho que estejamos a falar disso. Acumular dinheiro? Isso não tem lógica! Dinheiro parado não rende! O dinheiro investe-se em algo para gerar mais-valias. E essas mais-valias podem gerar postos de trabalho. Obviamente que toda esta riqueza estaria em nome de titulares, que são os noticiados. E não me refiro a aquisição de futilidades. Isso considero indigência, vistas curtas e novo-riquismo. É o que mais há!
  • Gota
    Um dia despertarão. Esperemos que não seja da pior maneira possível... 30/07/2015 21:44
    Caro Ruben, o seu comentário em resposta ao caro incorporeo é tão, mas tão humano, demonstra uma capacidade de compreensão tão para além do comum, que, se me permite, a partir deste momento, sou sua admiradora! Digo isto com o máximo respeito e confesso que gostaria de vir a ser como o caro Ruben mostra ser!
  • Ruben
    30/07/2015 22:56
    Senhor Incorporeo, subscrevo o seu último comentário. Cumprimentos.

info
30/07/2015 00:26
O que eu quero dizer, Incorporeo, é que, o que tem de vantagem ser rico? E muito rico? Aumenta a felicidade, proporcionalmente à fortuna? O que conta, é a obra e a herança social dessa pessoa. Ela vale 3 mil milhões enquanto viva? E quantas pessoas beneficiou, se apenas pagou um mísero salário mínimo, porque é exigido por lei? Se a obra deixada é essa, só os amigos do champanhe o lembrarão. Os outros, esquecê-lo-ão, assim que tiver a terra sobre si.
  • Gota
    Um dia despertarão. Esperemos que não seja da pior maneira possível... 30/07/2015 09:56
    Excelente comentário, caro info! Obrigada por me ajudar a consolidar a ideia de que ainda existem pessoas dotadas de humanidade. Parabéns pela sua sensibilidade!
  • Enganador
    30/07/2015 11:30
    O que é melhor, 100 000 salários mínimos ou 100 000 desempregados? Já para não dizer que, por vezes, muita gente nem o salário mínimo merece...
  • Mortiço
    30/07/2015 12:06
    E tem a certeza que a opção é essa? Imagina o que é viver com salário de fome como única perspectiva de vida?
  • Gota
    Um dia despertarão. Esperemos que não seja da pior maneira possível... 30/07/2015 14:43
    Tem toda a razão, caro Enganador. Eu, por, exemplo, conheço muitos ricos com salários milionários a quem faria muito bem recorrer à sopa dos pobres pois não merecem, com toda a certeza, nem um salário mínimo!
  • Enganador
    30/07/2015 15:25
    A Gota desta vez até tem uma gotinha de razão... Muitos ricos não merecem o dinheiro que têm, e muitos pobres mereceriam muito mais. Mas o inverso também é verdade...
    Pessoas são pessoas e deve ser criticadas ou congratuladas pelas suas acções e não simplesmente pelo dinheiro que têm ou não. Não tenho a menor duvida que alguém que controla e faz prosperar um império económico da dimensão dos destes senhores contribui muito, mas mesmo muito, para melhorar a vida no rectângulo. Quantos empregos (com salário mínimo ou superior) não criaram? Podiam fazer mais? Possivelmente. Mas também não vejo ninguém a fazer melhor.
  • Gota
    Um dia despertarão. Esperemos que não seja da pior maneira possível... 30/07/2015 16:13
    O problema, caro Enganador, não é tão linear quanto parece. Ninguém enriquece apenas às custa do seu trabalho, e estes senhores, para terem a fortuna que têm, exploraram — o termo é mesmo este — desde o desgraçado que cultiva a terra até ao consumidor final. Por exemplo, no Pingo Doce, são colocadas novas etiquetas, em produtos frescos, sobre as anteriores que definiam o prazo de validade, com novo prazo de validade!
    A criação de emprego de que o caro fala não é mais do que um dos muitos meios que esta gente tem para enriquecer à custo do trabalho, do esforço e do sacrifício de muita gente. Não há ricos sem que milhares de pobres tenham sido "atropelados" no decurso desse enriquecimento!
    PS: Obrigada pela "gotinha"! :-)
    incorporeo
    Portugal 30/07/2015 18:21
    Minha cara Gutta, que mudou para Gota, olá!
    Passemos agora às "hostilidades": que dados tem para fazer uma afirmação tão categórica e porventura tão aziada, de que, em absoluto, quem é rico foi necessariamente explorador? Resta saber o que entende por "explorador".
    Se eu tenho empregados a trabalhar para mim, pago-lhes segundo o contrato definido. Se consigo tirar mais-valias significativas do trabalho da minha empresa, o que acha que devo fazer? Aumentar os salários? Não necessariamente! Talvez investisse na expansão da empresa e na criação de mais postos de trabalho, pois os trabalhadores que contratei inicialmente não darão conta do trabalho acrescido. Onde está a injustiça? Se eu cumpro com os contratos laborais, pago os impostos devidos e crio mais postos de trabalho, onde é que errei?
    Essa, aliás, é uma falácia de "acomodado", e desculpe o termo. Um empreendedor é uma pessoa com ambições de realização, e geralmente este tipo de gente não se acomoda por muito tempo ao trabalho para um empregador: quer criar algo seu. É uma questão de atitude! Há outras pessoas que se acomodam ao seu salário e não têm mais ambições que receber o seu salário no final do mês e, com sorte, serem promovidas a um cargo de maior responsabilidade dentro da empresa. Provavelmente irão ganhar mais, como será de esperar. Estes últimos será que irão gerar grandes fortunas? Só com o salário mensal, mais uns bónus por bom desempenho? É óbvio que não! Mas têm emprego! Esta é a condição do assalariado. Que não tem mesmo nada a ver com a atitude de um empreendedor. É injusto só para quem vê de fora! ORA!
  • Gota
    Um dia despertarão. Esperemos que não seja da pior maneira possível... 30/07/2015 18:44
    Como tem passado, caríssimo incorporeo? Fazia já algum tempo que o caro não vinhas para estas bandas! Espero que esteja tudo bem consigo.
    Posto isto, abramos então as "hostilidades". O problema, a meu ver, não reside nos contratos e/ou no cumprimento dos mesmos e sim na duplicidade de critérios. Uma pessoa que tenha empregados, se for uma pessoa humana e criteriosa, jamais lhes pagará o salário de miséria que é o salário nacional. Procurará que os seus empregados tenham um salário digno que lhes permita viver e não sobreviver. Acha o caro incorporeo que alguém, nos dias de hoje, consegue viver com dignidade com um salário mínimo? Uma pessoa que emprega tem de ter essa noção. Antes do lucro deverá estar a humanidade, o respeito a todos os níveis pelo outro. Caso contrário, é exploração. Querer conseguir o máximo de lucro através dos seus empregados com SM, sabendo que não é possível viver com apenas isso, é exploração. Caríssimo, para que uma meia dúzia tenha o que não lhes faz falta, são milhares aqueles que passam a sua vida sem o mínimo de que necessitam!
  • incorporeo
    Portugal 30/07/2015 18:51
    Além do mais, quem somos nós para JULGAR o modo como certas pessoas adquiriram as fortunas que possuíam? Sem indícios fortes ou evidências comprovadas de abuso e exploração, tal exercício resulta apenas de má-fé, despeito, inveja e algum problema mal resolvido com a sua realização pessoal. Digo eu!
    Mais pertinente seria, porventura, avaliar a dimensão ética de certos negócios envolvendo empreendedores cujas fontes de rendimento são menos claras, como a filha do Zedu. Mesmo assim, são suposições sem base de sustentação, e recusar negociar com base nessa suposição é arriscado. Tão arriscado como negociar com o Demo. E, no entanto, tais negócios fazem-se! A indústria do Armamento também cria postos de trabalho. E não é o mesmo que vender amendoins da China.
  • Gota
    Um dia despertarão. Esperemos que não seja da pior maneira possível... 30/07/2015 18:55
    Eu sei que o sofrimentos dos outros não nos dói, mas, ora bolas, se eu não consigo viver com o SM, por que é que hei-de achar que os outros conseguem? Não se discute aqui a capacidade das pessoas serem empreendedoras ou não. O que está em causa é sermos incapazes de achar que, o que não é bom para nós, há-de ser bom para os outros! Eu não consigo viver com € 500. Por que carga de água o meu semelhante há-de ser diferente de mim? € 500 é um salário de miséria, e isto, meu caro incorporeo, é um facto!
    Caro incorporeo, para que quereria eu uma fortuna enorme, que jamais teria tempo de gastar por muitas vidas que tivesse, sabendo que os meus empregados passavam dificuldades todos os meses das suas longas vidas de trabalho com o SM? É uma questão de humanidade! De compreensão! Somos todos um! Na diarreia e na morte, como disse por aqui algures um belíssimo comentador, somos todos iguais! Além disso, seria bom não esquecer que tudo o que nos acompanhará na morte serão apenas as atitudes, jamais os bens. Para mim não há qualquer dúvida. Quem enriquece pagando salários de miséria é explorador e não merece a minha consideração! Tenho dito! ;-)
  • incorporeo
    Portugal 30/07/2015 19:24
    Bem, cara Gota, é, no fim de contas, uma questão de ética pessoal e de alguma solidariedade. Infelizmente não está, em absoluto, nas mãos do empreendedor, pagar aquilo considerado justo pelo colaborador. E vamos partir do princípio, algo utópico, de que todas as partes estão de boa-fé.
    A gestão de uma empresa tem destas coisas. Parece que há um grande lucro, mas há imensas despesas para pagar, e a mais-valia final é escassa. Perante todo este conjunto de factores, é preciso ter alguma racionalidade e pragmatismo. Pois de contrário a empresa vai à falência, e o colaborador, que ia ser pai no mês seguinte, vai para o desemprego. Fim da utopia!
    Acho que está uma coisa mal explicada no artigo: A riqueza pessoal de cada um dos fulanos não é líquida. Inclui também todo o património que permite a geração de riqueza. Frota automóvel, instalações, etc! Não estamos a falar daquelas figuras forretas, dos livros infantis, que guardavam debaixo do colchão a fortuna toda! Isso é patetice! Todos sabemos, ou devíamos saber, que uma riqueza parada não gera mais-valias. É até um ensinamento bíblico, através da parábola dos Talentos. A riqueza, para quem sabe gerir, gera mais riqueza. E beneficia não só o próprio como todos os que com ele participem.

Nelson Bernardo Gouveia
Arquitecto 30/07/2015 11:45
Parece-me que neste sistema para extrair um rico é necessário produzir umas dezenas de pobres.
  • incorporeo
    Portugal 30/07/2015 19:04
    Bem, essa é uma perspectiva de quem está próximo da meta final, mas nem por isso poderá ser a mais correcta. Vamos partir do princípio que todos eram pobres. Só que um deles tinha alguma capacidade de empreender. Vai daí, acabou por contratar os outros todos para fazer algo com mais-valias para o grupo. Definiu metas, objectivos, dominava a técnica do trabalho, deu instruções a cada um e cada um fez a sua parte.
    No fim, todos ganharam uma boa maquia. Os colaboradores propõem: "Dividimos por todos de forma igual." O empreendedor propõe: "Eu tive a ideia, organizei o trabalho e quero ser pago também por isso!"
    Qual acha que vai ser o desfecho da história?

Luís A.
30/07/2015 13:13
O autor faz batota para chegar ao número 8,5% da riqueza nacional. Não se pode comparar as 25 maiores fortunas, acumuladas ao longo de muitos anos, com aquilo que Portugal produz num só ano (PIB).
Para fazer a comparação de maneira honesta seria melhor somar a facturação por ano dessas 25 e comparar com o PIB. Ou então comparar o valor das 25 fortunas com o valor total de Portugal (Qual é? É possível calcular isso?).


quarta-feira, 1 de agosto de 2012

"Alvíssaras, estamos despedidos!"


"01 Agosto 2012 | 00:01
Pedro Santos Guerreiro - psg@negocios.pt


Hoje realiza-se o sonho de milhares de gestores e empresários. Hoje é um dia de libertação, dia em que eles podem entrar pelas empresas, fábricas e escritórios e bradar uma nova mensagem aos trabalhadores: "Senhoras e senhores, de hoje em diante seremos finalmente mais competitivos: estão todos despedidos!".

O brado é exagero, mas sintetiza a ironia demissionária de quem não conseguia demitir. As empresas não são competitivas? A culpa era da lei. Falta produtividade? Com despedimentos não seria assim. Mas hoje mata-se o bode expiatório: entra em vigor a nova legislação laboral.

O despedimento individual era um tabu. Era quase impossível de conseguir sem ser por mútuo acordo. Sem pagar compensações suficientemente elevadas. Isso pode acabar hoje. Pode... Depende do entendimento que os tribunais dêem aos conceitos agora alargados de justa causa. Os juristas têm desvalorizado este impacto, mas são suspeitos na matéria. O efeito psicológico está conseguido. E muitos despedimentos não chegam a tribunal. O primeiro impacto da lei está garantido: milhares de despedimentos. O resultado final será depois avaliado: milhares de contratações? Eis uma reforma estrutural, assinado: Álvaro Santos Pereira. Mas também Pedro Mota Soares. E João Proença.

Os despedimentos são um ponto focal na legislação que entra hoje em vigor: concentra atenções. Mas o maior impacto está assegurado através de outras medidas. Medidas que garantem que vamos todos trabalhar mais tempo e, indirectamente, ganhar menos dinheiro.

Vamos trabalhar mais sete dias por ano a partir de 2013: acabam três dias de férias e quatro feriados. As empresas vão pagar menos pelas horas extraordinárias, com quebras que, no caso das contratações colectivas mais extremas, ultrapassam os 50% face aos valores actuais.

Estas duas medidas não estavam no memorando com a "troika", mas parecem querer compensar o fim da descida da taxa social única. Segundo um estudo do Governo divulgado ontem pelo Negócios, o impacto destas quatro medidas (menos feriados, menos dias de férias, horas extras mais baratas e compensações mais baixas em caso de rescisão) resulta numa redução de 5,23% no custo por hora trabalhada.

Agora começamos a entender-nos. Não estamos a falar de aumentar a produtividade, mas sim a produção. E estamos a falar da queda dos custos de trabalho para ser mais competitivo, indicador em que, segundo a OCDE, Portugal já acumula a maior queda de sempre, em termos reais.

"Desvalorização interna" é isto. Quando se ouve economistas, como Paul Krugman, dizerem que os salários dos portugueses têm de cair 20 a 30% face aos dos alemães, é isto. Já está a acontecer. Os salários líquidos já estão a descer, quando se aceitam novos empregos por menor remuneração do que aqueles que se perderam. E os custos médios do trabalho para as empresas já estão e vão descer, por redução das horas extras e indemnizações, e por diluição em mais horas de trabalho.

A economia está a ajustar-se do lado dos trabalhadores. Não chega. É preciso reduzir o tamanho do Estado e pagar dívidas para reduzir impostos. E é preciso ser justo, seja com rendas monopolistas, para baixar os outros custos além dos laborais, seja com situações de favor e nomeações políticas. Por exemplo, hoje é também o dia em que centenas de chefias do IEFP deixam de o ser. Para serem substituídas, renovadas ou extintas? O IEFP, que é um viveiro de "boys" (como o é a Segurança Social, o Fisco e outras direcções) vai manter o número de chefias, para distribuição de salários, ou reduzi-los?

A nova lei laboral é feita a pensar nas empresas. Baixa-lhes os custos. Promete libertação. Agiliza o mercado e, segundo os mesmos dados do Governo, terá um impacto positivo no emprego de 2,54% a curto prazo e 10,55% a longo prazo. E revelará a qualidade dos gestores em Portugal. Porque muita gente detesta despedir, está embrenhada com os trabalhadores na prosperidade ou salvação das suas empresas. Mas mais gente ainda detesta outra coisa: perder dinheiro. Ou o seu próprio emprego. Mas com esta lei laboral, ninguém nos agarra!"


terça-feira, 5 de junho de 2012

"O desemprego inevitável"


" 04 Junho 2012 | 23:30
Helena Garrido — helenagarrido@negocios.pt

E se o desemprego for o sinal da cura e não da doença da economia portuguesa? A troika manifesta-se, nesta quarta avaliação, muito preocupada com o desemprego. Lamentavelmente, este agravamento do desemprego pode ser o sinal de sucesso da tão desejada reestruturação da oferta.

A quarta avaliação do FMI, Comissão Europeia e BCE distingue-se das anteriores pela preocupação manifestada com o agravamento do desemprego, a mais negativa surpresa do programa de ajustamento a que Portugal está sujeito desde há um ano. No fim da semana passada, dia 1 de Junho, o ministro das Finanças, anunciou que o desemprego poderia atingir 16% da população activa no próximo ano, número nunca visto na história portuguesa recente.

As primeiras análises divulgadas ontem pelo ministro das Finanças parecem revelar que se está perante uma ruptura na relação entre emprego e produção. Ou seja, o emprego garantido pelo actual valor dos bens e serviços é inferior ao que seria previsível se a economia tivesse mantido a sua estrutura. Ou, dito ainda de outra forma, a recessão compatível com a actual taxa de desemprego teria de ser muitíssimo mais grave.

O que se passou para o desemprego aumentar assim? Um dos acusados está a ser, de novo, a rigidez do mercado de trabalho, parecendo ser esta a razão apadrinhada pela troika. O raciocínio é mais ou menos este: como os trabalhadores não aceitam ou as empresas não conseguem cortar salários, o despedimento é a alternativa. Em linguagem puramente económica isto quer dizer que, como o mercado não ajusta pelo preço (o salário), ajusta pela quantidade (menos trabalhadores, mais desemprego). Sendo este o diagnóstico, salta-se de imediato para a conclusão: é preciso flexibilizar ainda mais o mercado de trabalho para que o ajustamento se faça mais pela queda dos salários do que pela redução do emprego. E é exactamente isto que a troika quer quando diz que "são urgentemente necessárias mais medidas para melhorar o funcionamento do mercado laboral".

Assim como errou — tal como todos nós — nas previsões do desemprego, a troika está agora a errar na terapia. Boa parte dos economistas estava convencido que a legislação laboral portuguesa era muito rígida. Mas, ainda sem o novo Código do Trabalho em vigor, já temos o desemprego com uma dimensão surpreendente e cortes nos custos salariais que são incompatíveis com a teórica proibição de redução de salários. A realidade, com a sua violência, encarregou-se de mostrar que a legislação laboral já era suficientemente flexível, como aliás se disse durante praticamente toda esta última década. As empresas não despediam porque não precisavam ou porque o custo de despedir — financeiro e de imagem — era superior ao benefício que daí retiravam. Tudo mudou com uma conjuntura mais exigente, como aquela em que vivemos, e continuaremos a viver.

Portugal não precisa de mais alterações na legislação laboral. Está enganado quem pensa que é preciso reequilibrar os poderes a favor dos empregadores. Há muito tempo que os sindicatos não têm força no sector privado e a pouca que tinham no sector público estão a perdê-la nesta crise.

O que este desemprego quer dizer é que a economia portuguesa está a mudar. Está a mudar do sector da construção e dos serviços de baixo valor acrescentado para a indústria, para o que se exporta e para os serviços de valor mais elevado. E com esta mudança muitos vão ficar sem lugar no mercado de trabalho português. O que pode fazer o Estado? Muito pouco além de oferecer formação a quem quiser mudar de profissão. O sucesso da reestruturação da economia portuguesa significa, para muitos, para os menos qualificados, o desemprego em Portugal. "


domingo, 3 de junho de 2012

MEC vai redistribuir as vagas do ensino superior - I


O Ministério da Educação e Ciência (MEC) tenciona reduzir, pelo menos, 20% nas vagas dos cursos de formação de educadores de infância e de professores do 1º e 2º ciclos, no próximo ano lectivo.

Segundo notícia do Público, o projecto de despacho que prevê este corte foi enviado há algum tempo para o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas e para o Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos, para que se pronunciem sobre este assunto até amanhã, segunda-feira.

O MEC solicita às instituições de ensino superior que façam uma “redistribuição interna” para aumentarem as vagas nos cursos das áreas de Ciências, Matemática, Informática e Engenharia.

A formação de educadores de infância e de professores dos 1º e 2º ciclos decorre nas Escolas Superiores de Educação (ESE) do ensino superior politécnico, sendo a limitação das vagas para estes cursos justificada no projecto de despacho com o “excesso de oferta”. O critério aí proposto é a pouca empregabilidade, ou seja, a existência de mais licenciados desses cursos inscritos nos centros de emprego do que a média.

Embora não seja referido, também se sabe que o Índice sintético de fecundidade (número médio de filhos por mulher) tem decrescido, caindo para 1,35 em 2011, valor demasiado baixo para manter o número actual de vagas nos cursos da área da educação, mesmo que o desemprego nesta área não estivesse já acima da média.




Para manter a população actual o Índice sintético de fecundidade (número médio de filhos por mulher) deveria ser 2. Este índice caiu para valores inferiores a 2 em 1983 e seguintes.


*

Como é óbvio, Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof, critica uma medida que vai diminuir a sua clientela de professores desempregados, defendendo que o Governo tinha a obrigação de explicar este corte “sustentando-o com estudos”. Recebeu esta resposta muito pertinente:

Manuel Célio Conceição. 04.06.2012 00:20 Via Facebook
O senhor Nogueira quer estudos?
Aqui vai um. É de borla e acessível a todos [na Direcção-Geral da Administração Escolar]. Nas listas de educadores/professores que se candidatam às necessidades residuais há:

______________________________________
candidatos a educadores
candidatos a professores do 1º ciclo
candidatos a professores do 2º ciclo:
Português e Estudos Sociais-História
Português e Francês
Português e Inglês ­
Matemática e Ciências da Natureza ­
Educação Visual e Tecnológica ­
Educação Musical ­
Educação Física
______________________________________

__________
5 894
15 202

713
841
1 625
2 632
2 073
888
3 030
_________

Alguém acredita que vai ser possível contratar estas pessoas todas?
O senhor Nogueira precisa de mais evidências para perceber a medida do governo? Talvez não! Apenas precisa de nos lembrar que existe! Para quê?


quinta-feira, 17 de maio de 2012

A importância das chefias


Durante o "Dia Contacto" da Sonae, que reúne os estagiários escolhidos no âmbito do programa com o mesmo nome, foi-lhes pedido que escolhessem o que entendiam ser as prioridades numa empresa.

Eis o top 10 destes jovens:
  1. oportunidades de carreira
  2. desenvolvimento individual
  3. estabilidade
  4. remuneração salarial
  5. equilíbrio entre a vida pessoal e profissional
  6. reconhecimento
  7. qualidade das chefias
  8. formação
  9. clima de cooperação
  10. qualidade dos produtos
O director executivo da Sonae, Paulo Azevedo, não gostou e não esteve com papas na língua: a sua geração talvez escolhesse as mesmas referências, mas ele próprio "daria mais importância à qualidade das chefias".
Lembrou o seu primeiro chefe na empresa, Carlos Moreira da Silva, e que "a qualidade da chefia acaba por envolver diversos factores, como a preocupação com a qualidade da formação e novos desafios. (...) A estabilidade era aquela a que daria menos valor na fase em que vocês estão. (...) Não é boa ideia, em nenhuma organização, ter um mau chefe. A estabilidade não vale isso".

Paulo Azevedo começou a trabalhar na Sonae numa categoria inferior e foi subindo pouco a pouco no grupo até chegar a director executivo. É o mais novo dos três filhos de Belmiro de Azevedo.
O irmão mais velho, Nuno, dedicou-se à área sócio-cultural, trabalha na Fundação Belmiro de Azevedo e ocupa uma posição de menor relevo no grupo Sonae. Foi no website desta fundação que encontrámos palavras elogiosas para um professor do ensino primário:

"Belmiro de Azevedo estudou na Escola Primária de Tuías, onde foi aluno do Professor Carlos da Silva Andrade, uma das pessoas que mais o marcou na sua formação. Nas palavras de Belmiro de Azevedo, aquele "era um professor que exigia muito trabalho, muito rigor, muita disciplina e não tolerava o erro". Complementarmente, e relativamente a si próprio, define-se como "um viciado na educação e tinha muita facilidade em aprender. Fazia isso com pouco esforço, comparativamente com outros colegas. E, além do mais, assumi o rigor do professor. A certa altura era quase uma questão de saber se era o professor que era mais rigoroso comigo ou eu com ele. Éramos dois maníacos do rigor, do zero erros, da perfeição completa"."

Se houvesse muitos professores como este, não precisávamos de ler estas tristes notícias.


terça-feira, 8 de maio de 2012

"Histórias da carochinha para graúdos"


"Os portugueses estão habituados a esperar que alguém, de preferência o Estado, lhes arranje emprego. Falta-lhes capacidade de ir à luta, criar o seu próprio posto de trabalho e produzir riqueza. Vivem demasiado acomodados à sombra de direitos adquiridos. Esperam que alguém lhes resolva os problemas, enfronhados numa atitude resignada e fatalista.

Alguém se atreve a duvidar da justeza deste diagnóstico quotidianamente repetido "ad nauseam" por empresários, professores universitários, consultores e jornalistas?

Ora vamos, por um instante, fazer de conta que a realidade existe — pode ser? Consultando as estatísticas, constata-se que temos já uma brutalidade de gente a trabalhar por conta própria ou em empresas familiares — nada menos que 42% de activos empregados em empresas com 9 ou menos trabalhadores. Por comparação, apenas 19% dos trabalhadores alemães e 11% dos americanos laboram em empresas dessa dimensão. Aparentemente, atitude empreendedora é coisa que não falta por cá.

Nada há de estranho, note-se, neste fenómeno, dado que, ao contrário do que se diz, os níveis mais elevados de iniciativa empresarial são registados nos países mais atrasados. O auto-emprego abrange 67% dos activos no Gana e 75% no Bangladesh, mas apenas 7% na Noruega, 8% nos EUA e 9% na França. Mesmo excluindo os camponeses, a probabilidade de alguém ser empresário é duas vezes maior nos países atrasados do que nos desenvolvidos.

A esmagadora maioria das pessoas dos países ricos emprega-se em organizações que agrupam centenas ou milhares de trabalhadores e jamais sonha criar a sua própria empresa. Isso é excelente, porque pouquíssimos dispõem de vocação ou competência para fazê-lo. Em contrapartida, nos países pobres muitos são forçados a criar o seu próprio negócio para fugirem ao desemprego.

O facto indesmentível é que, entre nós, o sector propriamente capitalista da economia jamais conseguiu criar postos de trabalho em quantidade (e, já agora, em qualidade) capaz de dar ocupação a uma parte substancial da força de trabalho nacional. Seja qual for a explicação, podemos estar certos de que esta proliferação de empresas anãs — que, espantosamente, se acentuou nas últimas décadas e, ainda mais espantosamente, alguns querem consolidar — é uma receita infalível para a improdutividade e a pobreza.

A promoção do empreendedorismo heróico individual é um anacronismo, que serve apenas para culpar os desempregados da sua própria infelicidade. O empreendedorismo relevante, que gera inovações úteis e desenvolvimento, é, no mundo contemporâneo, um fenómeno essencialmente colectivo. Steve Jobs nunca passaria de um amável biscateiro se não beneficiasse das invenções do Centro de Palo Alto da Xerox, se não dispusesse de uma plêiade de engenheiros formados por grandes universidades, se não houvesse um mercado de milhões de pessoas cultas e qualificadas ansiosas por utilizar os seus produtos e se não tivesse acesso a fontes de financiamento adequadas às necessidades de uma "start-up".

Por outras palavras, o que distingue as sociedades progressivas é a sua capacidade de orientar os instintos criativos dos cidadãos para actividades socialmente úteis e economicamente valiosas, pondo ao seu alcance um acervo de recursos humanos, tecnológicos e financeiros de grande nível.

Acresce que o empreendedorismo de maior sucesso tem origem em grandes empresas, usualmente em cooperação com outras. O sistema operativo da Microsoft foi um subproduto de um projecto da IBM. Em Portugal, as mais marcantes inovações das últimas décadas — o telemóvel pré-pago e a portagem electrónica — resultaram de iniciativas de grandes empresas (ainda por cima, públicas).

Não precisamos de exortações ao espírito empreendedor da população, meras histórias da carochinha para adultos. Não precisamos de mais empresas sem escala nem competências. Precisamos de melhores empresas e, sobretudo, de melhor empreendedorismo orientado para o desenvolvimento de actividades inovadoras e geradoras de emprego qualificado.

Padecemos de um excesso de empreendedorismo do tipo errado. Em contrapartida, o empreendedorismo do tipo certo não floresce em Portugal porque as empresas que dispõem dos indispensáveis recursos se dedicam a actividades de extracção de rendas económicas, enquanto as restantes não têm acesso ao financiamento de que necessitam para poderem expandir-se com a necessária rapidez. Cuide-se dessa deformidade, que o empreendedorismo cuidará de si próprio.


João Pinto e Castro
Director Geral da Ology e docente universitário

jpcastro@ology.pt "


terça-feira, 17 de abril de 2012

OGMA vai dar prémio médio de 1200 euros aos trabalhadores





A OGMA-Indústria Aeronáutica de Portugal comuniciou hoje que obteve lucros de 10,8 milhões de euros em 2011.
As receitas subiram 17,4% para 141,1 milhões de euros, sendo 94% alcançado fora de Portugal.

A administração decidiu que quase metade dos lucros obtidos no ano passado serão entregues aos trabalhadores e accionistas.
Aos 1500 colaboradores vão caber 1,8 milhões de euros o que significa um prémio, em média, de 1200 euros por trabalhador, acrescido ao salário do mês de Abril.
Já os accionistas recebem 3,2 milhões de euros. Como a empresa é detida em 65% pela brasileira Embraer e 35% pelo Estado Português, através de Empordef, ao Estado caberá 1,12 milhões de euros de dividendos.

"Para além das crescentes adversidades do mercado, o ano de 2011 também foi marcado pelo estreitamento das relações com os clientes em todos os continentes, e a nível interno, com uma gestão rigorosa de custos e com investimentos significativos em formação, melhoria de processos e novas tecnologias", disse Almir Borges, presidente da OGMA, no referido comunicado.


A OGMA é uma empresa criada em 1918 com o nome de Oficinas Gerais de Material Aeronáutico que, nas instalações em Alverca, se dedica à fabricação e manutenção de aeronaves.
Em 2003 o governo português decidiu privatizar a quase totalidade do seu capital o que veio tornar a empresa mais competitiva à escala mundial, permitindo a sua expansão para novos mercados.
Nos três anos seguintes o volume de negócios duplicou, o que conduziu, em 2005, à actual situação, em que o Estado português detém cerca de um terço do capital da empresa e o restante é privado.

É uma empresa qualificada no mercado da aviação tanto civil como militar. Tem a capacidade de entregar no mundo inteiro montagens e sub-montagens de Aeroestruturas e subconjuntos, sejam materiais metálicos ou compósitos, tais como fuselagens, asas, estabilizadores horizontais e verticais, portas, carenagens e outros importantes componentes da estrutura.
É ainda um centro de manutenção autorizado para os produtos de diversos fabricantes como sejam a Lockheed Martin, a Embraer e a Rolls-Royce, entre outros.

Actualmente existem quatro vagas em aberto na OGMA:
  • Operador Máquinas Ferramentas
  • Operadores de Processos Especiais
  • Mecânico de Motores
  • Engenheiro de Qualidade Produto Fabricação
podendo os CV ser enviados para o email rh_cv@ogma.pt.


segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Evolução do emprego público


Segundo o Boletim do Observatório do Emprego Público hoje publicado, a Administração Central portuguesa, mercê de restrições nas entradas e de elevado número de aposentações, reduziu em 4494 o número de postos de trabalho no primeiro semestre deste ano, passando a empregar 507 930 trabalhadores.
Esta redução de 0,9% não irá permitir atingir o objectivo de corte de 3,6% previsto no memorando assinado com a troika, pelo que terá de haver da parte do governo um esforço adicional nos próximos anos.





A educação absorve a fatia de leão do emprego público na administração central — nada mais, nada menos que 46,8% —, a que deve corresponder uma elevada responsabilidade na qualificação dos futuros trabalhadores para promover o relançamento da actividade económica:




No que respeita a Administração Local, as 308 câmaras municipais portuguesas empregavam 134 912 trabalhadores no final de 2009, notando-se um elevado nível de emprego, por cada 1000 residentes, das câmaras do Alentejo e Algarve:





terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Vão emigrar os licenciados de que o país mais precisa


Recentemente foi noticiado que a Alemanha quer contratar jovens licenciados portugueses e espanhóis.

A Alemanha não quer licenciados em Literaturas Modernas, Relações Públicas, Relações Internacionais, Sociologia, Antropologia, História, Filosofia, Direito, Ciências Políticas, Economia, Gestão, Educação pré-escolar, Ensino do 1º e 2º ciclos (pelo politécnico), Ensino do 3º ciclo e secundário (pelas universidades), Ciências da Educação e outros cursos análogos.
O que a Alemanha precisa é licenciados em Matemática e Computação, Física, Química, Engenharias Mecânica, Electrotécnica e Telecomunicações ou Informática e Computadores e em Enfermagem ou Medicina.

Isto significa que vamos assistir à emigração dos poucos licenciados que sabem produzir bens ou serviços de alto valor acrescentado para consumo interno ou exportação e cuja formação ficou cara aos contribuintes porque exige equipamentos onerosos que só as universidades públicas possuem.

E vamos ficar com aqueles que se formaram com o objectivo de entrar no funcionalismo público, em especial para o ministério da Educação, ou enveredar por uma carreira política e de que as empresas não necessitam e as Administrações Central e Local, ambas sobrelotadas, também não.
Os políticos entulharam, com este tipo de licenciados, os gabinetes ministeriais e os dos grupos parlamentares, os institutos, as agências e as fundações públicas, as empresas do sector empresarial do Estado e as empresas municipais, mas não conseguem empregar todos. Ainda podiam criar um novo estrato de funcionalismo público previsto nos artigos 255.º a 262.º da Constituição da República — as regiões administrativas —, mas os eleitores recusaram-no em referendo.
Só se 'esqueceram' da solução óbvia: diminuir o número de vagas no ensino superior para os cursos de que o tecido empresarial não precisa... Pois, mas isso ia mexer com o lobby mais poderoso do país a seguir à banca — o ‘eduquês’ — dono do ministério da Educação há três décadas e capaz de constranger o próprio ministro do Ensino Superior, Mariano Gago.

Regressando ao problema migratório, ainda há outra faceta que ninguém aborda por ser politicamente incorrecta: é a imigração proveniente de vários países africanos e do Brasil.
São, em geral, pessoas com reduzidas qualificações que desempenham tarefas em limpezas, obras públicas, estão desempregadas ou a receber o RSI.
A maior parte nem o próprio nome sabe escrever, enchem os cursos de alfabetização e as turmas B1, B2 e B3 (equivalentes aos 1º, 2º e 3º ciclos do ensino diurno) do curso Novas Oportunidades com o qual o Estado está a gastar rios de dinheiro, tanto no pagamento de vencimentos aos docentes como na sustentação de uma multiplicidade de empresas privadas, meras parasitas que vivem à sombra do orçamento do Estado.

Temos um país cuja dívida directa do Estado ascendia em Dezembro a 152 mil milhões de euros, cerca de 90% do PIB se este mantiver os valores de 2009, e que se prevê venha a sofrer a curto prazo uma intervenção do FMI porque o gráfico das taxas de juro da dívida soberana a dez anos parece o perfil do monte Everest.
Pois este país vai exportar licenciados de alto valor cuja formação custou cara ao erário público e continua a importar trabalhadores pouco qualificados a quem tem de dar uma formação básica.
Parece que os nossos políticos só vão aperceber-se deste contra-senso quando a tensão social se agudizar.