Mostrar mensagens com a etiqueta Líbia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Líbia. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 23 de maio de 2017

Terror em Manchester


Ontem à noite, pelas 22:35, ocorreu uma explosão em Manchester no final de um espectáculo da cantora pop norte-americana Ariana Grande que decorreu na Manchester Arena.

A polícia de Manchester apenas quantificou o número de vítimas já na madrugada desta terça-feira — 19 vítimas mortais e cerca de 50 feridos —, informando no tweet que estavam a tratar a situação como um "incidente terrorista" até prova em contrário:



O ataque foi perpetrado no átrio de entrada da Manchester Arena, estando cerca de 21 mil pessoas nas imediações quando ocorreu a explosão que envolveu um dispositivo caseiro cheio de porcas e parafusos. O grupo terrorista Estado Islâmico já reivindicou o ataque.

Várias zonas ficaram interditas, afectando os transportes na cidade. A estação de comboios de Vitória, que comunica com a Arena, foi encerrada.





A polícia de Manchester actualizou o número de vítimas, esta manhã, subindo para 22 mortos e 59 feridos.

"Temos estado a tratar isto como um incidente terrorista e acreditamos, nesta etapa, que o ataque foi conduzido por um homem. A prioridade é estabelecer se actuou sozinho ou como parte de uma rede.

O atacante, podemos confirmar, morreu na arena. Acreditamos que o atacante carregava consigo um dispositivo explosivo improvisado, que detonou, causando esta atrocidade
”, afirma o comunicado da polícia, em que as autoridades pedem às pessoas para não especular.

A nossa prioridade é trabalhar com os serviços secretos britânicos e de contra-terrorismo para encontrar mais detalhes sobre o indivíduo que conduziu este ataque”, acrescentam as autoridades.



Entretanto a comunicação social começou a divulgar a identidade de algumas vítimas, entre as quais uma criança de 8 anos, e do bombista suicida. Chama-se Salman Abedi e tem 22 anos. A polícia de Manchester confirmou, com reticências:



Nascido em Manchester em 1994, Salman Abedi é o segundo mais novo dos quatro filhos de um casal de refugiados líbios que vieram para o Reino Unido para escapar ao regime do coronel Muammar Gaddafi.

Abedi frequentou a escola local e foi para a universidade de Salford, em 2014, onde estudou gestão antes de desistir. Usava vestes islâmicas e costumava rezar numa mesquita local que, no passado, foi acusada de angariação de fundos para os jihadistas.

O irmão mais velho, Ismail Abedi, foi professor na escola do Corão da mesquita de Didsbury. Segundo o imã, Salman havia-lhe mostrado recentemente "o rosto do ódio" quando deu uma palestra alertando para os perigos do chamado Estado Islâmico.

A mãe, Samia Tabbal, de 50 anos, e o pai, Ramadan Abedi, um agente de segurança, nasceram em Trípoli mas terão emigrado, primeiro para Londres e, mais tarde, para a zona de Whalley Range, no sul de Manchester.

Pensa-se que, em 2011, após a derrota de Gaddafi, os pais retornaram para a Líbia, mas as viagens que Salman Abedi fez para o país de origem da família estão agora a ser objecto de investigação.

Alguns dissidentes de Gaddafi que eram membros do Grupo Islâmico Líbio de Combate (LIFG), entretanto ilegalizado, viveram nas proximidades dos Abedi em Whalley Range.

Entre eles, encontrava-se Abd al-Baset Azzouz, pai de quatro filhos, que deixou Manchester para dirigir uma rede terrorista na Líbia supervisionada por Ayman al-Zawahiri, o sucessor de Osama bin Laden na liderança da Al-Qaeda. Azzouz, 48 anos, especialista em bombas, foi acusado de dirigir uma rede da Al-Qaeda no leste da Líbia, em 2014.

Outro membro da comunidade líbia em Manchester, Salah Aboaoba, disse ter angariado fundos para o LIFG, em 2011, justamente na mesquita de Didsbury. Na época, o porta-voz da mesquita negou veementemente a reivindicação: "Esta é a primeira vez que ouço falar do LIFG. Não conheço Salah".

Agora, Mohammed Saeed El-Saeiti, o imã da mesquita de Didsbury, apontou Salman Abedi como um extremista perigoso: "Salman mostrou-me o rosto de ódio depois do meu discurso sobre o Ísis (...) Não é uma surpresa para mim".

A polícia atacou a casa da família às 11:30 desta manhã. De acordo com moradores da rua, 2 helicópteros e pelo menos 30 polícias camuflados, com equipamentos anti-motim e escudos, participaram no ataque.
Removeram a cerca de madeira entre duas propriedades. Colaram uma tira preta na porta e provocaram uma explosão. A porta soltou-se das dobradiças e as janelas tremeram. O ataque durou 90 segundos.

"Não os vi trazer ninguém para fora da casa. Acredito que estava vazia”, disse um vizinho.


*


Depois dos movimentos da Primavera árabe derrubarem os governantes da Tunísia e do Egipto para elegerem regimes islâmicos, começou uma revolta na Líbia, em 17 de Fevereiro de 2011, mas o ditador líbio Muammar Kadhafi resistiu.

Dez dias depois, foi criado um Conselho Nacional de Transição para administrar as áreas da Líbia sob controle dos rebeldes, prontamente reconhecido pela França, em 10 de Março, como o representante legítimo do povo líbio.

As forças pró-Gaddaffi responderam militarmente aos ataques rebeldes na Líbia ocidental — a cidade de Zawiya, a 48 km de Tripoli, foi bombardeada por aviões da força aérea e conquistada por tanques do exército — e lançaram um contra-ataque ao longo da costa na direcção leste, até Benghazi, o centro da rebelião.

Tanto o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, como o Conselho de Direitos Humanos da ONU condenaram estas acções militares, sob a acusação de violarem o direito internacional, tendo este último organismo expulsado a Líbia, atitude incentivada pela própria delegação da Líbia na ONU.

Em 17 de Março, o Conselho de Segurança da ONU aprovou a Resolução 1973 com 10 votos a favor dos membros permanentes Estados Unidos, França e Reino Unido e, ainda, da Bósnia-Herzegovina, Colômbia, Gabão, Líbano, Nigéria, África do Sul e Portugal e 5 abstenções dos restantes membros (Rússia e China, membros permanentes, e ainda Índia, Brasil e Alemanha).
Esta resolução sancionou o estabelecimento de uma zona de exclusão aérea e o uso de "todos os meios necessários" para proteger os civis dentro da Líbia.

Dois dias depois, a NATO começou a destruir as defesas aéreas da Líbia quando jactos militares franceses entraram no espaço aéreo da Líbia e atacaram alvos considerados inimigos.
Em seguida, entraram em acção as forças americanas. Mais de 8000 militares americanos foram destacados para a área em navios de guerra e aviões. A ofensiva aérea americana incluiu vôos de bombardeiros B-2 Stealth, cada bombardeiro armado com dezasseis bombas de 0,9 tonelada, saindo e retornando à base no Missouri, Estados Unidos.

Em 22 de Agosto, os rebeldes entraram em Trípoli e ocuparam a Praça Verde, rebaptizada Praça dos Mártires em homenagem aos seus mortos. Os últimos combates ocorreram na cidade de Syrte, onde Gaddafi foi capturado e morto em 20 de Outubro de 2011. Pelo menos 30 mil líbios morreram na guerra civil.

A seguir começou a segunda guerra civil da Líbia, agora entre as milícias armadas dos diferentes grupos rebeldes, o mais poderoso dos quais é o Estado Islâmico.

Passado algum tempo, formaram-se as máfias líbias que enchem embarcações frágeis com imigrantes, oriundos de países africanos a sul do Saará, e enviam-nos para Itália. Iniciava-se a invasão islâmica da Europa pelo corredor ocidental.

Quem foram os políticos responsáveis pelo Conselho de Segurança da ONU ter sido favorável à intervenção militar na Líbia que não só desestabilizou este país, como também a União Europeia?
Em 2011, a França era presidida por Nicolas Sarkozy.
No Reino Unido governava o primeiro-ministro David Cameron.
A presidência dos Estados Unidos estava nas mãos de Barack Obama e na Secretaria de Estado alinhava Hillary Clinton.

Quantas mais crianças e jovens vão ter de morrer até conseguirmos perceber que o pior tipo de ditadura é o terror promovido pelo fanatismo islâmico?


segunda-feira, 20 de abril de 2015

O êxodo africano para a Europa - III


Hoje mais um barco com 300 imigrantes clandestinos lançou um pedido de socorro, informou a Organização Internacional das Migrações (OIM).



20/04/2015 - 12:58


"A OIM em Roma acabou de receber uma chamada a pedir ajuda para um barco em águas internacionais (...). A pessoa que ligou disse que havia mais de 300 passageiros no seu barco e que estava em risco de se afundar", disse a organização.
A OIM reencaminhou o pedido de ajuda para as autoridades marítimas mas estas afirmaram que "não têm os meios para os socorrer neste momento", disse o porta-voz desta organização, porque os recursos foram disponiblizados para o naufrágio de domingo de uma embarcação com cerca de 700 pessoas a bordo.
"A guarda costeira vai provavelmente tentar redireccionar navios comerciais", concluiu a OIM, sublinhando que essa solução pode revelar-se ineficaz devido à recusa de alguns desses navios em colaborar.

"Trata-se simplesmente de um pedido de socorro", suavizou pouco depois o porta-voz da OIM, Flavio di Giacomo, nas declarações à televisão RaiNews24, tendo acrescentado: "É muito prematuro falar de naufrágio. Muitas vezes os migrantes, quando ainda estão próximos da Líbia, chamam os guardas costeiros e as associações para lhes pedir ajuda." Embora isso "não queira dizer que não estejam numa situação desesperada".

Este excerto de uma notícia sobre a tragédia que está a ocorrer no mar Mediterrâneo é arrepiante:

As condições das viagens são cada vez piores — muitas vezes, os traficantes de pessoas deixam o barco, em piloto automático, os chamados “navios fantasma”. Os sobreviventes descrevem como nunca sabem para onde vão. Chegam a Malta ou à Grécia pensando que estão em Itália.

Ali, esperam-nos campos de acolhimento ou detenção e poucas perspectivas. Numa tirada especialmente chocante, o presidente da Câmara da ilha grega de Kos, perto da cidade turca de Bodrum, disse na semana passada que não dava nem uma garrafa de água aos refugiados que chegam à ilha, porque estes afastam os turistas.

Nas ilhas gregas, muito mais perto da costa turca do que as ilhas italianas da costa líbia, os refugiados chegam aos grupos de 40, 50 pessoas em barcos que deveriam levar no máximo dez. A escala de morte em cada naufrágio é menor. Mesmo assim, cemitérios em ilhas como Lesbos têm secções com campas de mortos no mar. A maioria está marcada com placas dizendo: “Afegão 1, Afegão 2” ou simplesmente “X, imigrante”, e a data em que foram encontrados. Ao fim de três anos, as campas são removidas.

Na travessia para Itália, são mais comuns navios maiores, mais velhos, que levam mais pessoas e muitas vezes param no meio do mar, e se viram com o peso da deslocação das pessoas para um lado quando é avistado um navio que poderá ajudar. Vários naufrágios aconteceram assim.


Enquanto surgiam as notícias de que novos barcos com imigrantes clandestinos tentam chegar à Europa, decorreu a cimeira europeia convocada de emergência para abordar o assunto.

Há duas posições antagónicas no seio da UE. Os países mais afectados pelo fluxo migratório do Magrebe e da África subsaariana, como a Itália, França, Espanha ou Malta, defendem uma solução colectiva para combater o problema. Outros Estados europeus, com o Reino Unido à cabeça, defendem a redução do financiamento das operações de resgate porque encorajam a imigração clandestina.

Reunidos de emergência no Luxemburgo, os ministros dos Negócios Estrangeiros e do Interior da União Europeia adoptaram algumas medidas extraordinárias. Segundo o ministro do Interior da Alemanha, Thomas de Maiziere, a Comissão aprovou:
  • Duplicar o financiamento e os meios dos programas de segurança e patrulhamento marítimo Triton e Poseidon e alargar a sua área de intervenção. Mas mesmo depois deste reforço, as duas missões terão menos recursos do que o anterior programa de vigilância Mare Nostrum que o Governo italiano custeava e que abandonou no ano passado.
  • Medidas para a penalização das redes criminosas que lucram com o transporte de imigrantes para a Europa, usando a experiência obtida na operação anti-pirataria Atalanta, em curso na costa da Somália, para lograr a “captura e destruição” das embarcações usadas no tráfico do Mediterrâneo.
  • Dar prioridade à investigação (policial e judicial) das redes contrabandistas.
  • Dar novos poderes à Frontex, a agência europeia de controlo das fronteiras europeias, no que diz respeito ao alojamento ou expatriamento de imigrantes clandestinos e refugiados. A agência poderá proceder ao repatriamento de imigrantes ou candidatos a asilo cujo processo seja “irregular”.
  • Adoptar um “mecanismo de realojamento de emergência” dos imigrantes que chegam à costa e criar um programa-piloto voluntário para a redistribuição de refugiados pelos países da UE.


*


Sob a capa do anonimato pode falar-se de realidades que o cultivo de relacionamentos equilibrados e as normas de boa educação — que nos coíbem de ofender os nossos interlocutores — nos impedem de dizer cara a cara.
Não é, porém, não falando destas realidades, que elas desaparecem da face da Terra, como muitos de nós gostaríamos que acontecesse. O que se segue são diálogos impiedosos que é preciso ler:

No Mercy
20/04/2015 14:44
O problema não está nas vagas de emigrantes, está nas razões que levam às vagas de emigrantes e essas estão nos países de origem, países soberanos, com uma respeitável autodeterminação e onde a Europa não pode intervir para resolver os problemas de pobreza, da miséria, da intolerância religiosa, das guerras, do tribalismo, da ignorância, da violência endémica e sistemática, etc e tal, de que esses países continuam (e continuarão) a padecer!
Enquanto não se perceber que isso da autodeterminação é conversa do séc. XX e que, manifestamente, ela não acrescentou nada a inúmeros povos, bem pelo contrário, não se resolve o problema de África! As simple as that!
  • Álvaro Aragão Athayde
    Engenheiro (aposentado), Coimbra 20/04/2015 15:05
    Não pode intervir? Então o que aconteceu no Iraque, na Líbia, na Síria, etc., foi o quê? Hipocrisia, é?
  • Gota
    Um dia despertarão. Esperemos que não seja da pior maneira possível... 20/04/2015 15:34
    Boa, caro Álvaro!
  • No Mercy
    20/04/2015 15:43
    Caro Álvaro,
    A frase é "a Europa não pode intervir para resolver os problemas de pobreza, da miséria, da intolerância religiosa, das guerras, do tribalismo, da ignorância, da violência endémica e sistemática, etc e tal, de que esses países continuam (e continuarão) a padecer!".
    Uma coisa é mandar uns aviões atacar uns alvos, outra bem diferente é "os problemas de pobreza, da miséria, da intolerância religiosa, das guerras, do tribalismo, da ignorância, da violência endémica e sistemática", não acha? E acha que as intervenções no Iraque, na Líbia, na Síria resolveram algum problema ou, sequer, resolveram o problema do terrorismo? Eu espero que o Ocidente tenha aprendido que não é possível resolver os problemas desses países, como está mais do que provado. A não ser recolonizando-os...

Luis Simões

20/04/2015 15:38
"Se países como a Itália, França, Espanha ou Malta — mais afectados pelo fluxo migratório do Magrebe e da África Subsariana — defendem soluções abrangentes para combater o problema, outros estados europeus, com o Reino Unido à cabeça, promovem a redução do financiamento das operações de resgate, que consideram encorajadoras da imigração clandestina." Têm todo o dinheiro do mundo para atiçar guerras e bombardeamentos mas contam tostões para resgatar as vítimas inocentes...
  • No Mercy
    20/04/2015 15:50
    O problema é que se puseres um Muro no meio do Mediterrâneo, podes conseguir que eles não entrem, mas não resolves os problemas que os fazem fugir dos países deles... A Europa e o ocidente vão ter que resolver a crescente disparidade de valores (e de tudo o mais) entre os países desenvolvidos e os países eternamente atrasados que rodeiam os países desenvolvidos — e que nunca serão outra coisa senão países atrasados.
    O séc. XX foi o séc. das independências, com a ausência de resultados para as populações que está à vista. O séc. XXI vai ter que encontrar solução para as independências que o séc. XX concedeu. As simple as that!
  • Luis Simões
    20/04/2015 16:01
    "A Europa e o ocidente vão ter que resolver a crescente disparidade de valores"? Que fiquem quietinhos e que deixem de interferir nos negócios internos alheios e principalmente que deixem de agredir e de bombardear países soberanos!
  • No Mercy
    20/04/2015 16:35
    Até aí concordo. É o que eu acho, cada um que se governe! Agora, não estejam à espera que os problemas nos outros países se vão resolver, porque não vão...
  • Luis Simões
    20/04/2015 16:46
    "não estejam é à espera que os problemas nos outros países se vão resolver, porque não vão..." Que não criem problemas seja a quem for, é o que eu espero!

Mortiço
20/04/2015 16:21
Independentemente de qualquer conotação partidária, esta sucessão de tragédias são mais um sintoma da falência moral da civilização europeia. Claro que não vão ficar na história, porque como se diz "dos fracos não reza a história". Mas é de ter vergonha da geração que está no poder neste que já foi o continente dos direitos humanos (uma rotunda hipocrisia, certamente). Ouvindo hoje a entrevista do Durão Barroso me dei conta que ele usava exatamente a mesma argumentação da minha porteira, que não tem fama de ser das pessoas mais inteligentes. Pura demagogia, pura subserviência, fracasso moral total.
  • Luis Simões
    20/04/2015 16:47
    "esta sucessão de tragédias são mais um sintoma da falência moral da civilização europeia". E norte-americana, canadiana e australiana, enfim da NATO!
  • No Mercy
    20/04/2015 16:48
    "esta sucessão de tragédias são mais um sintoma da falência moral da civilização europeia"?
    ahahahahahahahahahhaahahahahahahahahahahhahahahhhah
    Oh migo, desça à Terra por uns instantes. Os náufragos não estão a fugir da Europa, estão a querer vir desesperadamente para a Europa — o tal sítio que o cavalheiro diz estar falido moralmente! Se a Europa, para onde estes desgraçados querem fugir, está falida em termos morais e civilizacionais, os países de origem destes fulanos estão o quê? Num zénite moral e civilizacional?
    ahahahahahahahahaahahahhahhahahhhhahhahahha
    Vocês são uns pândegos divertidos, taditos...
  • Mortiço
    20/04/2015 17:23
    No Mercy, o seu comentário ilustra exactamente o que eu escrevi. A Europa pode ser rica, mas é miserável de cultura, de política e moral. Gargalhadas é tudo o que lhe inspira a morte de centenas de seres humanos, precisamente daqueles que mais esperança depositavam na Europa?
  • No Mercy
    20/04/2015 18:12
    O cavalheiro pode tresler o que eu disse à medida da sua conveniência, mas o grotesco do seu comentário está ali, para quem quiser ver! E continua com "A Europa pode ser rica, mas é miserável de cultura, de política e moral" — que me sugere a seguinte pergunta: se é assim, porque é que aqueles desgraçados querem vir para cá e estão a fugir das terras deles?
    Mais, se a "Europa pode ser rica, mas é miserável de cultura, de política e moral", os paisecos de onde estes desgraçados fogem são o quê, referências da cultura, da política e da moral?
    ahahahahaahahahahahahhahhahaahahahahhhah
    E não, eu não me estou a rir daqueles desgraçados, cujas terras de muitos deles conheço, estou-me a rir de si e das suas teorias de quem vê o mundo a partir do sofá e pensa que sabe alguma coisa!

RA
20/04/2015 16:50
O problema não está na Europa, está no Norte de África. E o problema não é só da Europa, é de quem mais derrubou regimes no Norte de África e não ficou para arrumar a casa. A partir do momento que se meteram na Líbia, os EUA têm responsabilidade no assunto e a Europa é quem os tem de chamar a ajudar no assunto.
O problema também não é só dos países para onde os emigrantes vão. Os países onde, ao contrário da Líbia, não reina a desordem, têm de ser chamados a controlar as suas fronteiras! Marrocos, Egipto, Tunísia, ... , têm de ser responsabilizados e chamados a ajudar no problema e, em último caso, têm de ser sancionados pela apatia perante este gravíssimo problema.
Mais, o Reino Unido — país de política hipócrita com provas dadas em assuntos como a escravatura e a descolonização — que em nada ajuda nisto, também andou a largar bombas na Líbia. Não que discorde com a actuação na Líbia de Kadhafi, mas que fiquem a arrumar os restos. Largar só as bombas que estão quase fora de prazo, e depois ir embora, não chega. E os EUA (que nunca são esquecidos pelos antecedentes e procedentes) não são filhos únicos nesta saga; o Canadá também lá andou metido, não esquecer desses.


domingo, 19 de abril de 2015

O êxodo africano para a Europa - II


Um pesqueiro que transportava cerca de 700 emigrantes clandestinos emitiu um pedido de ajuda em águas territoriais líbias, tendo naufragado durante o resgate. Sobreviveram apenas 28 pessoas.

Segundo Carlotta Sami, porta-voz da Agência para os Refugiados no Sul da Europa da ONU, quando os clandestinos viram o porta-contentores que ia salvá-los, dirigiram-se para um dos lados da embarcação, provocando o naufrágio. O papa Francisco lamentou a tragédia:

19 Abr, 2015, 20:25

O director do Navigate Group conta que o navio porta-contentores King Jacob, que navega sob bandeira portuguesa, foi chamado pelo Centro Coordenador de Buscas e Salvamento Marítimos de Itália para ir socorrer um pesqueiro em dificuldades a 27 km da costa líbia, tendo chegado ao local pelas 23:00. Lançando bóias salva-vidas, redes e jangadas ao mar, a tripulação conseguiu salvar 22 pessoas:


19/04/2015 - 18:11


Um dos tripulantes do navio revelou os meios usados nesta operação de salvamento:

19 Abr, 2015, 20:29

Com a chegada ao local de navios da marinha de Malta e de Itália, prosseguem as operações de salvamento. Em conferência de imprensa, o primeiro-ministro de Malta afirmou que está a desenrolar-se "a maior tragédia de sempre no Mediterrâneo", e lamentou que o seu país e Itália estejam "sozinhos nesta crise".
"Malta tem problemas com a imigração, mas ninguém deveria ter de morrer", disse Joseph Muscat. E acrescentou: "Se a União Europeia e o mundo continuarem a fechar os olhos, serão julgados da forma mais severa possível, tal como foram julgados no passado quando fecharam os olhos a genocídios enquanto os que viviam bem nada fizeram."

Por sua vez, o primeiro-ministro italiano Matteo Renzi pediu um Conselho Europeu extraordinário para discutir o problema da imigração ilegal no Mediterrâneo. François Hollande foi mais longe, não hesitando em classificar os traficantes de imigrantes clandestinos como terroristas:


*

São três as rotas mais usadas pelos imigrantes ilegais para tentarem chegar à Europa. E a de maior fluxo passa pela Líbia. Com a progressiva desintegração deste país e a chegada do tempo quente, aumenta o fluxo de emigrantes que sai da costa líbia com destino à ilha de Lampedusa:

19 Abr, 2015, 20:50

O comandante Paulo Vicente, porta-voz da Marinha portuguesa, fala da sua experiência em operações de salvamento como a que está agora a decorrer no Mediterrâneo.
Embora considere que, com melhor integração de várias entidades, se podia aumentar a eficácia deste tipo de operações, afirma que o problema da imigração ilegal não se consegue combater apenas no mar. É preciso ir à causa e aniquilar o fluxo migratório de milhões de pessoas que procuram a Europa o que exigirá acções a nível planetário:

19 Abr, 2015, 22:33

A democracia funciona bem nos países do Norte e do centro da Europa. Já no Sul do continente europeu nem sempre os eleitores têm consciência das consequências das escolhas que fazem, como sucedeu este ano na Grécia. E os acontecimentos decorridos nos últimos anos na Tunísia, no Egipto e na Líbia demonstram que as sociedades do Norte de África encontram-se num estádio de desenvolvimento cultural que ainda não lhes permite viver em democracia.

Só um poder autocrático conseguia manter a estabilidade na Líbia. Quando esse poder foi destruído, o Estado desintegrou-se e mergulhou no caos onde pululam redes de traficantes de emigrantes ilegais e terroristas.
Mal uma frágil embarcação repleta de emigrantes clandestinos se afasta umas dezenas de quilómetros da costa líbia, o mestre lança um pedido de socorro e todos ficam ansiosamente à espera que a Itália desencadeie uma operação de salvamento e um navio os vá buscar a águas territoriais líbias.
Se ocorrer um naufrágio e centenas de pessoas se afogarem, a Europa comove-se e assume a responsabilidade. Pois não foram alguns países europeus, com a França de Sarkozy à cabeça, os instigadores dos bombardeamentos da NATO que causaram a queda de Gaddafi?


Registamos este comentário à notícia do Público:

Álvaro Aragão Athayde
Engenheiro (aposentado), Coimbra 08:10
O Muammar Abu Minyar al-Gaddafi foi um autocrata. Mesmo à moda da cultura da terra dele foi um autocrata, sim. Mas foi um autocrata que fez obra, manteve a ordem, não se dobrou a determinadas exigências que lhe foram feitas e morreu... por ter sido o que foi. Quem o matou foram aprendizes de feiticeiro, aprendizes de feiticeiro que abriram as portas da anarquia e do caos, que é o que temos hoje. Quem quiser ser "missionário da democracia" tem que ser mais competente.