segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Resultados da Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades 2014


O Instituto de Avaliação Educativa (IAVE) divulgou esta segunda-feira, 4 de Agosto, os resultados da Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades (PACC) que estão registados no quadro seguinte:




O leitor pode consultar os enunciados e os critérios de classificação das provas aqui.

Esta prova, instituída pelo DReg 3/2008, integra, de acordo com a última redação dada pelo DReg 7/2013, uma componente comum e uma componente específica.

A PACC destina-se aos candidatos detentores de uma qualificação profissional para a docência, ainda não integrados na carreira, que pretendam concorrer a concursos de selecção e recrutamento de pessoal docente da educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário.

No ano escolar em curso apenas foi aplicada a componente comum em dois momentos: no dia 18 Dezembro de 2013 e no dia 22 de Julho de 2014.

No primeiro momento a prova foi inviabilizada em algumas escolas devido a desordens e contestada pela Fenprof nos tribunais. Só depois de ter ganho as providências cautelares nas instâncias superiores, o ministério pode marcar um segundo momento de avaliação em Julho que também deu azo a protestos violentos da Fenprof. Por isso, não foi possível realizar a componente específica de cada grupo de recrutamento.

Para rebater alguns argumentos esgrimidos pelos contestatários, o IAVE escreve na nota introdutória (o negrito é meu):

Como nota prévia, convirá realçar que a PACC não visa substituir o valor probatório da formação inicial dos candidatos, não visa avaliar conhecimentos específicos no domínio pedagógico nem compete, de um ponto de vista dos resultados que apresenta, com quaisquer outros mecanismos de formação e avaliação dos candidatos eventualmente desenvolvidos ou a desenvolver em contexto profissional.

Como expresso na legislação que enquadra a PACC, a sua componente comum visa avaliar a capacidade para mobilizar o raciocínio lógico e crítico, bem como a preparação para resolver problemas em domínios não disciplinares. Neste contexto, está implícita a capacidade para consultar e interpretar informação disponibilizada em diferentes suportes, textos, tabelas, gráficos, entre outros, considerando-se ainda como essencial avaliar a capacidade, transversal a todos os grupos de docência, de comunicar corretamente em língua portuguesa.

A componente comum da PACC replica um modelo validado internacionalmente e está ancorado em provas similares desenvolvidas pelo Australian Council for Educational Research (ACER), organização com larga experiência no desenvolvimento de provas para fins de certificação profissional e parceira da OCDE no estudo PISA desde 2000.

Os conhecimentos e as capacidades que a componente comum da prova visa avaliar são transversais a muitas profissões, designadamente técnicas, especializadas e altamente qualificadas, tal como é o caso da docência. A inclusão de um item que visa avaliar a capacidade de comunicação sob a forma de produção escrita (item 33), dimensão também transversal a muitos domínios profissionais, assume, na área da docência, uma relevância incontornável.

Com a aplicação desta prova, o Ministério da Educação e Ciência pretende valorizar a profissão docente e, do mesmo modo, a escola pública, que passa a dispor de critérios de seleção que valorizem os docentes que evidenciam os conhecimentos e as capacidades que agora se avaliam.

A prova foi classificada na escala de 0 a 100 pontos, ficando aprovados os candidatos que obtiveram uma classificação igual ou superior a 50% da cotação total.




A prova tinha 32 itens de escolha múltipla correspondentes a 80% da cotação total, sendo os restantes 20% atribuídos à produção de um texto com um número de palavras compreendido entre 250 e 350.

No que se refere à produção do texto, a pontuação média obtida pelos candidatos foi 10,8 pontos (em 20 pontos).
Na classificação deste texto, foram considerados vários parâmetros entre os quais a ortografia, a pontuação e a sintaxe. Verificou-se que 62,8% das provas apresentaram um ou mais erros ortográficos, 66,6% um ou mais erros de pontuação e 52,9% um ou mais erros de sintaxe.




A lista de candidatos aprovados pode ser consultada aqui, mas não são divulgadas as classificações individuais.
Apenas os candidatos aprovados nesta prova poderão concorrer ao concurso de selecção e recrutamento de pessoal docente para o ano lectivo 2014/2015.




Actualização em 7 de Agosto

O resultado relativo aos erros ortográficos apresentados nas provas deu origem a uma polémica pelo facto de ser obrigatório usar o novo Acordo Ortográfico. Hoje o IAVE respondeu:

Na sequência das últimas notícias produzidas acerca dos erros ortográficos identificados no processo de classificação da Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades, o IAVE procedeu a um estudo detalhado dos resultados correspondentes ao item de resposta extensa orientada [o texto que era preciso escrever], a partir de uma amostra significativa dos textos cujas classificações apresentavam descontos por erros ortográficos.

Feita esta análise, o IAVE concluiu “que 90% dos erros estão relacionados com os seguintes aspectos da ortografia: uso incorrecto da acentuação (cerca de metade do valor total), troca de vogais, troca de consoantes ou uso incorrecto de consoantes, aplicação incorrecta do plural e registo incorrecto de formas e de conjugações verbais”.

Apenas “os restantes 10% dos erros ortográficos registados” decorrem do incumprimento do Acordo Ortográfico. “Desta feita, o IAVE considera, a partir da comparação com os restantes erros identificados, nomeadamente com os de acentuação, que o valor obtido representa uma percentagem residual e sem expressividade na totalidade das ocorrências de erros ortográficos registados.


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