terça-feira, 16 de abril de 2013

Os políticos não querem servir o País, mas servir-se do País


O artigo que a seguir transcrevemos, com a devida vénia à ASJP, vem demonstrar, mais uma vez, que o maior problema de Portugal são os nossos políticos porque não querem servir o País, mas servir-se do País. Já vai sendo tempo dos portugueses perceberem o estado a que chegámos:


"Secretário-geral do Parlamento sai após tentar mexer na gestão do pessoal

16 Abril 2013, 00:01 por
Elisabete Miranda | elisabetemiranda@negocios.pt, Nuno Aguiar | naguiar@negocios.pt


Cabral Tavares sai apenas dez meses depois de ocupar ocargo, em colisão com partidos e dirigentes.

João Cabral Tavares, secretário-geral da Assembleia da República (AR), apresentou sexta-feira a sua demissão, no seguimento de um braço-de-ferro com os partidos políticos e a restante estrutura parlamentar, em torno da orgânica e da gestão de pessoal, sabe o Negócios. Fonte oficial do gabinete da Presidente da Assembleia confirmou a saída de Cabral Tavares do Parlamento, mas não quis comentar as razões que estiveram por trás dessa decisão.

O secretário-geral tinha em mãos dois dossiês polémicos. Estava a preparar um plano de reestruturação orgânica da Assembleia da República que passaria pela redução do número de dirigentes do Parlamento, com o objectivo de alcançar poupanças adicionais. Além disso, pretendia exigir aos partidos mais limitações na entrada de novo pessoal (assessores, por exemplo) para os quadros da AR, definindo um período para autorizar essas novas admissões. Segundo apurou o Negócios, este conjunto de regras já estão previstas na lei orgânica da Assembleia, mas não estavam a ser cumpridas pelos partidos.

As alterações teriam de passar pelo Conselho de Administração da AR, onde todos os partidos, assim como um representante dos funcionários parlamentares, têm assento. O problema é que as medidas estavam a ser muito mal recebidas, tanto pelas bancadas parlamentares, como por alguns dos trabalhadores da AR.

A demissão teve origem num diferendo. O secretário-geral tinha ideias que não eram adequadas à estrutura da Assembleia, que não dá para mudanças drásticas. Isto não é uma fábrica”, afirma ao Negócios José Lello, representante do PS no Conselho de Administração. “Ele queria fazer alterações fundamentais a uma casa que já reduziu muito a despesa e que funciona muito bem. Claro que os líderes parlamentares se abespinharam.

A própria Assunção Esteves, que sempre desejou uma reforma orgânica da AR, parecia não concordar totalmente com o modelo de reestruturação que o secretário-geral queria implementar.

Ao Negócios, fonte oficial do gabinete da Presidente da Assembleia da República confirmou apenas a demissão de Cabral Tavares, sem esclarecer quais as razões que deram origem à saída. “O secretário-geral acordou com a Presidente o seu regresso ao lugar de origem por razões particularmente representadas, sem ligação ao orçamento de despesas dos partidos, cuja definição, aliás, entra na competência da lei e não entra na competência do secretário-geral”, esclareceu o gabinete. Contudo, como referido anteriormente, o Negócios sabe que a saída foi precedida por uma divergência com as estruturas parlamentares.

Legislatura conturbada de Assunção Esteves

A demissão de Cabral Tavares ocorre apenas dez meses depois deste ter sido nomeado por Assunção Esteves, mais um capítulo numa legislatura que está a ser muito conturbada, no que diz respeito à entrada e saída de funcionários do gabinete da presidente da Assembleia da República.

A relação de Assunção Esteves com os funcionários parlamentares tem sido difícil, tendo-se saldado já na saída de nove pessoas do seu gabinete no espaço de menos de dois anos. Alguns dos funcionários não chegaram a resistir um mês no cargo, devido a incompatibilidades com a presidente e o seu estilo de gestão."

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Esta amostra de comentários à notícia revela que alguns eleitores já estão a aperceber-se do estado a que chegámos:


Zé Luís 16 Abril 2013 - 00:25
Querem luxo e dinheiro fácil à custa dos contribuintes, carros de alta cilindrada, boas almoçaradas, assessores, viagens e dinheiro com fartura para os partidos. Devia haver uma recusa ao pagamento de impostos.

Anónimo 16 Abril 2013 - 01:43
Agora deviam convidar este Sr. para vir à televisão explicar às pessoas o que se passou exactamente, para todos ficarem a saber!

GATUNOS 16 Abril 2013 - 09:15
Mais um que foi à vida. Tentou mexer na "mierda" em que se transformou o parlamento e fo_deu-se. O PS, PSD, CDS, BE, PCP fizeram-lhe a cama... pois para estas gentes a austeridade é só para o povo.

jupiter2001 16 Abril 2013 - 10:08
"Isto não é uma fábrica", vejam bem o desprezo que esta gente tem pelo dinheiro dos contribuintes.

não se pode mexer 16 Abril 2013 - 10:22
Para quê 3 governos, 333 deputados no Continente e ilhas, 308 câmaras, 1770 vereadores, 30.000 carros, 40.000(?) fundações e associações, 500 assessores em Belém, 1284 serviços e institutos públicos, relação 1 praça/1 graduado nas forças armadas?
Há 78 oficiais generais, 5146 oficiais superiores e outros, 9296 sargentos, 4018 cabos, num total de cerca de 35.000 militares. Promoções aos montes. Eles são a ponta do iceberg do problema.
Viram o espectáculo nas eleições da ma_Madeira? O que interessou foi o que cada partido ganhou ou perdeu. Seguiu-se o beija-pata. O país pode esperar? Não, não e não.
Um exemplo: A Madeira em igualdade com o continente teria 6 deputados e não 47. Para a AR ter um número de deputados equivalentes à Alemanha teria de reduzir mais de 60%.

Barbadão 16 Abril 2013 - 10:27
Não há dúvida que os partidos são a vergonha do nosso país!

vat69 16 Abril 2013 - 10:39
E assim vamos. Os que parecem querer fazer alguma mudança nas mordomias obscenas dos parasitas dos últimos 40 anos, afastam-se e só lá ficam os ruminantes, a remoer os fracos recursos do país como se a relva fosse um recurso inesgotável...
Não é de hoje que ouço a expressão "pessoas sérias e competentes não se metem na política".

Anónimo 16 Abril 2013 - 14:49
Sabiam que na Assembleia da República existe um adicional à remuneração de 80% sobre a tabela salarial da Função Pública? Ou seja, um funcionário que seja transferido de um outro serviço, para a AR, mesmo que vá desempenhar exactamente as mesmas funções que desempenhava anteriormente, passa a ter um adicional de 80% sobre o seu vencimento base.
Existem vários outros serviços e organismos do Estado que também têm adicionais à remuneração base para os seus funcionários, se bem que nenhum deles chega aos 80%.
Este é um dos casos que exemplificam a existência de vários estados dentro do próprio estado.
Serviços e organismos que devido a jogos de poder entre ministérios, devido à sua importância estratégica ou protecção política ou ao seu poder reivindicativo, conseguiram benesses e privilégios de que não gozam a grande maioria dos FP. Não seria mais importante e justo identificar e uniformizar todas estas situações antes de se começar a cortar salários e benefícios às cegas? Porque, senão, continuarão a existir FP de primeira e FP de segunda...


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