segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

A aritmética não se comove


"Estão a ver o filme?"
por JOÃO CÉSAR DAS NEVES hoje

Fala-se da crise há anos. Ouvem-se muitas teorias, protestos, fúrias e desânimos, mas no essencial ainda permanece enorme ilusão. As reacções ao recente estudo do FMI mostram acima de tudo profundo irrealismo face à real situação do país.

O texto Rethinking The State-Selected Expenditure Reform Options, pretende "reformar a despesa em Portugal, perante a questão de fundo da dimensão e funções do Estado" (p. 6). Chegámos finalmente a questão decisiva. Após ano e meio de medidas pontuais de emergência, tocamos nas reformas estruturais, discutidas há décadas e sempre adiadas. Perante um contributo tão importante para o nosso problema essencial, a grande maioria das reacções foi extravagante. É caso para perguntar se esses comentadores têm andado por cá ultimamente.

Todos sabemos que o país está na "unidade de cuidados intensivos", ligado à máquina da ajuda externa para sobreviver. Todos concordamos que temos uma crise grave e fundamental, que exige medidas profundas. Mas, logo a seguir a este consenso, grande quantidade dos analistas envereda por uma ilusão cómoda, para evitar enfrentar a realidade. Muita gente está plenamente convencida que a crise se deve a um punhado de maus (corruptos, incompetentes, esbanjadores) e, pior, que basta eliminá-los para tudo ficar normal. Nas actuais circunstâncias esta fantasia é irresponsabilidade criminosa. Num momento tão decisivo e doloroso, acreditar em tolices dessas só aumenta o sofrimento de tantos, prejudicando a urgente solução do problema.

Portugal tem uma dívida nacional externa bruta total quase duas vezes e meia superior ao produto e dívida pública bem acima do que produzimos. Não há corrupções, incompetências e desperdícios que cheguem para justificar uma coisa destas. Quem fez isso não foram os ricos, políticos, ladrões. Tem de ser a vida comum e os hábitos dos cidadãos honestos a gerá-lo. Muitos nos lembramos como estávamos há 20 anos, e como tudo melhorou tão depressa. Muito disso foi mérito e crescimento sólido, mas a euforia empolou e foi-se para lá do razoável. Agora a situação nacional não se resolve só eliminando gorduras. É preciso cirurgia profunda e estrutural. Não é sina nacional, até porque vimos igual noutras zonas. Mas tem de ser feito.

A maioria das críticas olha, não para a situação nacional, mas para os interesses afectados. Falam então em "direitos adquiridos", sem notar que esse é outro nome da doença. Existem direitos básicos que o país tem de garantir a todos. Nesses não se pode tocar, nem ninguém quer que se toque. Mas grande parte dos supostos direitos não foram de todo adquiridos, mas atribuídos irresponsavelmente com dinheiro alemão. Foi bom recebê-los e custa a deixar, mas não há alternativa. Se quisermos um dia lá chegar de forma sustentável.

Cortar 4000 milhões de euros de forma permanente à despesa pública não é a solução. Apenas o primeiro passo para Portugal voltar a ser um país sério. Temos de viver com as nossas possibilidades. Durante uns tempos até um pouco abaixo, para aliviar as dívidas de se ter vivido demasiado tempo acima delas. A correcção não é o fim do mundo: pouco mais de 5% da despesa total prevista no Orçamento para 2013. Pode-se negar, insultar, protestar, mas a aritmética não se comove.

Isto não é novidade. Aliás todos o dizem há décadas. Perdemos a conta aos relatórios, estudos, programas de Governo e discursos de Estado em que foi repetida a necessidade de reformas estruturais. Esse é outro consenso. Quando uma das instituições mais experientes e reputadas neste tipo de reformas analisa a situação e sugere medidas concretas, será razoável tratar isso como um disparate? Uma imposição externa? Uma aleivosia? Será que não estão a ver o filme?

Perante o estudo do FMI há duas atitudes razoáveis. Pode-se aceitar e também é sensato discordar. Afinal é só um estudo técnico externo, nem sequer um programa político. Mas quem recusa tem de apresentar cortes alternativos de valor equivalente. Senão diz só uma tolice ociosa de quem não está a ver o filme.

naohaalmocosgratis@ucp.pt



A reacção pública:


Anónimo 21.01.2013/04:22

Se eu sou um comentador económico e político e vivo com um salário bem gordinho, atribuído por uma empresa do Estado que se financia com recursos públicos na sua maioria, e tem sido assim há anos, agora vem você me dizer que devo concordar em perder o meu posto, o meu salário em nome de coesão social? Você concordava?


Alberto 21.01.2013/07:39

Tem razão JCN. Não há outro caminho. O regime pós 25 Abril foi completamente imprudente e mentiu. O problema é que não é só de comentadores, mas também de políticos que antes disseram uma coisa e agora dizem outra.
Confiança: é a palavra chave. Quem nos tira deste buraco? O voto? Aquele que é condicionado por comentadores em todas as TV's e por candidatos escolhidos a dedo entre os maus exemplos dos Partidos? Que venha o rei ou, pelo menos, uma nova República que assuma uma nova Constituição.


É verdade 21.01.2013/09:42

Alguém tem que alertar o povo que precisamos mudar de vida. São os líderes deste país que precisam fazer o trabalho de instituir boas práticas na administração pública e em todos os sectores da sociedade.
Precisamos de um um Estado auto-sustentável, caso contrário seremos uns falhados, aos altos e baixos como sempre estivemos, sem valorizar o mérito. Talvez no futuro tenhamos que mudar para um governo presidencialista, mais reduzido e mais eficaz, com uma nova Constituição concisa e livre de "verborreia". Força JCN!


Quem fez a Crise? 21.01.2013/10:51

"Portugal tem uma dívida nacional externa bruta total quase duas vezes e meia superior ao produto e dívida pública bem acima do que produzimos. Não há corrupções, incompetências e desperdícios que cheguem para justificar uma coisa destas. Quem fez isso não foram os ricos, políticos, ladrões. Tem de ser a vida comum e os hábitos dos cidadãos honestos a gerá-lo. Muitos nos lembramos como estávamos há 20 anos, e como tudo melhorou tão depressa."
A minha vida melhorou mas não me endividei. Quem fez este brutal défice? Foi o cidadão comum, que pagava tudo a crédito, mas pagava? Não, de certeza que foram os políticos, agora pagamos nós, cidadãos comuns honestos, obras do Estado e tropelias de banqueiros amigos do Estado. Não é justo.


Anónimo 21.01.2013/11:38

Caro amigo, estou a 100% consigo. A começar na Constituição, passando por políticos, ladrões e corruptos, tudo precisa de ser varrido!
Mas o principal é educar o Povo e fazer-lhe ver que embora nos custe muito, não podemos continuar a viver acima das nossas possibilidades, sustentando por exemplo Estados parasitas, como Cabo Verde e Guiné-Bissau e ainda por cima ter de os gramar por cá, roubando, drogando e fazendo filhos para o RSI. O tempo das grandezas imperiais já lá vai e há que pôr a casa em ordem.
Só há um problema: as pessoas não gostam de ouvir as verdades! Deixem de vender ilusões ao Povo. Acha que os interesses instalados aceitam que, de repente, se lhes diga que acabou a bagunça? Tire o cavalinho da chuva!


Mudar o filme eleitoral 21.01.2013/12:47

1) NÓS NÃO ESCOLHEMOS QUEM "ELEGEMOS"! Não podemos continuar a confiar o País à actual classe política. Temos de a trocar por outra, mais séria e competente. É urgente iniciar o debate sobre o sistema eleitoral, praticamente o único na Europa em que os eleitores não podem eleger (e logo escrutinar) os políticos INDIVIDUALMENTE. Este sistema de listas "fechadas" origina VENCEDORES ANTECIPADOS. Em cada eleição, há dezenas de candidatos que sabem que vão ser deputados, independentemente das preferências dos eleitores — chamam-lhes LUGARES ELEGÍVEIS. Este sistema protege as oligarquias partidárias do escrutínio democrático e torna-as impossíveis de desalojar totalmente do parlamento pela via dos votos.

2) NEM TEMOS MANEIRA DE LHES NEGAR O VOTO! O actual sistema eleitoral é uma CHANTAGEM: ou votas no partido e apanhas também com estes "boys", ou vais votar para outro lado. Mas mesmo que não votes, o parlamento enche-se na mesma com 230 deputados e o "boy" é eleito de qualquer forma. Este sistema anula o direito de se negar o voto aos partidos e a políticos individuais. Quando se vota em listas cuja ordem já foi decidida pelos próprios políticos, a democracia é um LOGRO. Quando a ida de determinado candidato para o parlamento não depende das escolhas dos eleitores, tem de depender de alguma outra coisa. E qualquer que seja essa outra coisa, já não é democracia.

3) A RENOVAÇÃO DOS PARTIDOS NUNCA É INTERNA: o sistema eleitoral também impede o eleitorado de fazer a sua parte na renovação dos partidos, ao abafar os sinais que votos nominais transmitiriam sobre quem deve subir nas estruturas partidárias (porque tem votos), e quem deve ir embora (porque ninguém vota nele). Esta situação nunca será desbloqueada sem que a eleição dos deputados passe a ser nominal. Há maneiras simples de o fazer, contra as quais não é fácil "construir" argumentos contra. A mais simples, que pode ser feita sem prejudicar uns partidos em relação a outros, é passar de LISTAS FECHADAS E BLOQUEADAS para LISTAS ABERTAS — assim chamadas porque a ordem de atribuição de lugares é em função de quem tem mais votos.

4) ABRIR AS LISTAS ELEITORAIS À ORDENAÇÃO PELOS VOTOS. A maioria dos países europeus usam o sistema de listas ABERTAS que confere aos eleitores o verdadeiro escrutínio da democracia, pois só vai para o parlamento quem os portugueses quiserem. Se a população em peso exigir essa modernização, os políticos terão dificuldade em arranjar argumentos contra. É garantido que os políticos bloquearão a medida numa primeira fase: não querem submeter-se ao escrutínio duma democracia genuína. Mas se a seguir houver manifestações a exigi-la, terão de ceder. Depois, tentarão "eternizar" o processo de negociações entre bancadas. E tentarão "conter" o escrutínio, por exemplo "inventando" uma lista nacional — fechada e bloqueada, claro.


João César das Neves 21.01.2013/13:04

O meu artigo pode resultar incompreensível sem um esclarecimento. Quando digo que "Muita gente está plenamente convencida que a crise se deve a um punhado de maus (corruptos, incompetentes, esbanjadores) e, pior, que basta eleiminá-los para ficar tudo normal." referia-me, naturalmente ao consulado desse bêbado conhecido por Sócrates. Eu próprio defendi em vários artigos essa teoria e exigi a demissão do falso filósofo.
Mas atenção! As coisas agora são completamente diferentes. Agora, "Nas actuais circuntâncias esta fantasia é uma irreponsabilidade criminosa." Porquê? Porque antes quem gamava eram os corruptos, incompetentes e esbanjadores a agora já "Não há corrupções, incompetências e desperdícios que cheguem para justificar uma coisa destas. Quem fez isso não foram os ricos, políticos e ladrões. Tem de ser a vida comum e os hábitos dos cidadãos honestos a gerá-lo."
Portanto, muita atenção ao ler o artigo para não se gerar confusões: há uma época em que o endividamento é provocado pelos ricos, políticos e ladrões — é a época do famigerado Sócrates — e depois uma segunda época em que o endividamento aumentou e é provocado pela vida comum e os hábitos dos cidadãos honestos — é a época do meu querido Coelho. Perceberam? Ou querem que faça um desenho?


Anónimo 21.01.2013/13:54

«A essência do fanatismo reside no desejo de obrigar os outros a mudar. Nessa tendência tão comum de melhorar o vizinho, de corrigir a esposa, de fazer o filho engenheiro ou de endireitar o irmão, em vez de deixá-los ser. O fanático é um grande altruísta. Está mais interessado nos outros do que em si próprio. […] O fanático morre de amores pelo outro. Das duas uma: ou nos deita os braços ao pescoço porque nos ama de verdade, ou se atira à nossa garganta em caso de sermos irrecuperáveis.» [Amos OZ, "Contra o Fanatismo", 2007: 22-3]


Arnestino Trocaletra 21.01.2013/15:33

Caro Irmãozinho das Neves Altíssimas, concordo com quase tudo o que diz, mas acho que o Irmãozinho se recusa a ver o filme todo. Tem neste artigo uma tese improvável quando recusa que "muita gente está plenamente convencida que a crise se deve a um punhado de maus (corruptos, incompetentes, esbanjadores)". Se recusar liminarmente esta tese nunca chegará a compreender o que se passou e continua a passar neste país.
Todos quantos dirigiram o país são responsáveis pela má gestão e imprevidência que nos trouxe até aqui. E a corrupção também não pode ser escamoteada. A solução é eliminá-los? Com certeza que isso é importante, mas não fisicamente. O que é preciso é mudar os sistemas, alguns vertidos na Constituição, que estimularam a desgraça.


joao americo oliveira ram 21.01.2013/16:46

O PACIENTE É SEMPRE O MESMO: "Agora a situação nacional não se resolve só eliminando gorduras. É preciso cirurgia profunda e estrutural. Não é sina nacional, até porque vimos igual noutras zonas. Mas tem de ser feito. Cortar 4000 milhões de euros de forma permanente à despesa pública não é a solução. Apenas o primeiro passo para Portugal voltar a ser um país sério."
Tudo bem, caro professor. O que não parece bem, mas sim hipocrisia, é fazer a "cirurgia" em cima dos salários dos trabalhadores e dos benefícios dos aposentados. Esses já foram objecto de todas as "cirurgias" anteriores, feitas pelo actual governo. Já não aguentam mais. Que o cirurgião chefe, encontre outros pacientes, entre os poderosos. Um pouco de coragem não faz mal a ninguém.

Maria do Vale 21.01.2013/17:25

Ex.mo Sr. joao americo oliveira ram,
Sabe que a maioria da conta pública são salários e pensões? Aconselho-o a ler e a informar-se mais um pouco para evitar comentários que o possam fazer passar por ignorante ou calino.


Liberal 21.01.2013/17:09

Bravo ao professor João César das Neves, este é um dos únicos portugueses que aqui se atreve a dizer aquilo que tem que ser dito.
Basta de aumentos de impostos, o Monstro tem que levar uma banda gástrica, e imediatamente.


domingo, 20 de janeiro de 2013

Mais uma experiência penosa com videojogos


A dependência de videojogos é tão grave como qualquer outra dependência do jogo ou do consumo de substâncias psicotrópicas.
Muitos dos casos de adição aos videojogos são consequência da descontrolada distribuição de computadores e acesso à Internet promovidos pelas ministras da Educação dos governos de José Sócrates. Feito através das escolas, mas sem o adequado envolvimento de professores na informação que devia ter sido prestada aos pais, deu origem a experiências penosas de alunos e suas famílias.
Aqui fica mais um caso divulgado pelo jornal PÚBLICO na série de artigos sobre o uso exagerado dos computadores e da Internet pelos alunos que devemos ler.


"Ele ia estudando, mas sempre com o computador aberto ao lado"
20/01/2013 - 08:25

"Na primeira pessoa, Isabel Jordão, 52 anos, conta a experiência do filho de 18 anos:

Esta brincadeira do jogo online começou quando o meu filho tinha 17 anos. Era um jogo renovável, tinha de se pagar mensalmente cinco ou seis euros, mas não era o valor em si que me incomodava. O problema é que, a certa altura, ele não fazia mais nada senão jogar.

Na realidade ele começou a jogar com a conta de outro amigo. Eles vão à descoberta destes jogos na Internet e conversam uns com outros sobre as novidades. Como ele queria jogar mais e ter a conta dele, paguei-lhe a mensalidade. Mas avisei-o de que teria de continuar a cumprir as suas obrigações escolares e outras responsabilidades.

Ele ia estudando, mas sempre com o computador aberto ao lado e, de vez em quando, lá ia mexendo nas teclas. Eu via aquilo e dizia-lhe que tinha de separar as águas, primeiro estudava, depois jogava.

Aos poucos, comecei a perceber que o estudo estava a ser posto de lado e, a certa altura, era só jogo, Internet e computador.

Chegou a um ponto em que eu disse: "Mas o que é que se passa? Que jogo é este?" Era um jogo que se passava num castelo, num ambiente medieval, com elementos que viviam lá e que tinham tarefas. O meu filho era um deles, tinha funções e não podia morrer.

Tinha de reagir às situações, e tinha de estar sempre atento ao que se passava. Se se desligava, corria o risco de lhe acontecer algo. Ele ia para a cama com o computador, adormecia com o computador ao lado. Era horrível. Quando eu estava a conversar com ele, ele nem ouvia. Dizia-me: "Espera aí um bocadinho que eu não posso morrer". Era uma aflição.

Chegou a pedir-me mais um euro ou dois para comprar botas e um escudo para se defender de uma luta que lá ia ter. E entrou no campo da chantagem. Se eu lhe dizia que não lhe renovava mais o jogo, porque ele não estava a cumprir as suas responsabilidades, ele dizia que não ia à escola. Chegou a este ponto.

Não ia sair connosco para ficar a jogar, na escola o rendimento baixou. Deitava-se tarde porque ficava a jogar com jovens de outros fusos horários e para se levantar de manhã era um problema muito grande.

Foi um ano e tal nesta luta terrível. Foi para o psiquiatra e para o psicólogo. Tentámos sempre contrariá-lo, tentámos fazer-lhe ver que ele não dominava o jogo, era o jogo que o dominava a ele. Tanto batalhámos, tanto batalhámos que lá conseguimos que ele se desligasse.

Hoje, passado um ano, esta guerra acabou. Hoje, com 18 anos, ele já reconhece que eu tinha razão, que o jogo o tinha dominado.

Antes desta febre dos jogos, ele utilizava de forma correcta e positiva a Internet, por exemplo para trabalhos escolares. De repente a situação virou e ele refugiou-se no computador. Isto também depende do temperamento dos miúdos, porque eu sempre tentei que os meus filhos se interessassem por desporto, por exemplo. Mas ele tem alergias e, como não podia fazer natação, desinteressou-se.

Felizmente, hoje já sai, vai passear. Continua a navegar na Internet, mas de forma razoável. Foi uma luta muito dura, de grande sofrimento. Mas eu ganhei. E ele também."


quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Prossegue a reorganização da rede escolar


O Ministério da Educação e Ciência (MEC) anunciou a criação de 67 novos agrupamentos escolares resultantes do ordenamento da rede educativa, iniciado pelo primeiro Governo Guterres com a aprovação do DL 115-A/98, concluindo o essencial deste processo.

No total são doze os novos agrupamentos com mais de três mil alunos. Uma das novas unidades orgânicas, o Agrupamento de Escolas São Vicente/Telheiras e o Agrupamento de Escolas Virgílio Ferreira, em Lisboa, tem 3953 alunos, sendo a maior unidade criada pela revisão da rede escolar hoje divulgada.

No extremo oposto temos o agrupamento em Vouzela com 802 alunos e o de Viana do Alentejo com 807 alunos, os dois únicos novos agrupamentos com menos de mil alunos.

O MEC diz, em comunicado de imprensa, que a criação das novas unidades orgânicas se baseou nos seguintes princípios essenciais:
  • Reforçar o projecto educativo e a qualidade pedagógica das escolas, através da articulação dos diversos níveis de ensino, do pré-escolar ao secundário;
  • Possibilitar aos alunos a realização de todo o percurso escolar no âmbito de um mesmo projecto educativo, se assim o desejarem;
  • Facilitar o trabalho dos professores, que podem assim contar com o apoio de colegas de diversos níveis de ensino;
  • Ajudar a superar o isolamento de algumas escolas;
  • Racionalizar a gestão dos recursos humanos e materiais das escolas, dando-lhes o melhor aproveitamento conjunto possível.

Os novos agrupamentos entram em funcionamento logo que as novas Comissões Administrativas Provisórias (CAP) sejam nomeadas.


terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Calcule o seu rendimento líquido mensal em 2013


Ontem foi publicado o Despacho 796-B/2013 com as tabelas de retenção na fonte de IRS para 2013, por isso tornou-se possível fazer a simulação do salário ou pensão líquida mensal.
Aqui ficam os simuladores da PricewaterhouseCoopers (PwC) para usar em computadores com o Microsoft Excel:

  • Sector privado
    Como os trabalhadores podem optar pelo pagamento de 50% do subsídio de férias e de Natal em duodécimos, o simulador PwC privado permite calcular o rendimento líquido com ou sem diluição destes subsídios.
    Para saber quanto receberá, basta inserir o seu salário mensal bruto, o estado civil e o número de dependentes.
    No final, compare com o que recebia em 2012.

    Nota: apesar das tabelas de retenção na fonte já terem sido publicadas, o Governo permite que as empresas do sector privado apenas as apliquem no salário de Fevereiro, mês em que também poderá ter início o pagamento dos duodécimos.

  • Função pública
    Os trabalhadores não podem optar. O simulador PwC publico, mostra que, para contribuintes solteiros ou casados 2 titulares com rendimento mensal bruto superior a 1850 Euros, a diluição do subsídio de Natal não absorve na totalidade o aumento do imposto mensal (retenções na fonte de IRS e sobretaxa).

    Portanto os funcionários públicos com rendimentos brutos mensais superiores a 1850 Euros, mesmo com o pagamento do referido subsídio em duodécimos, vão auferir rendimentos líquidos inferiores aos que auferiam em 2012.

  • Pensionistas
    Também não podem optar. O simulador PwC pensoes, que já reflecte o impacto da contribuição extraordinária de solidariedade (CES) aplicada às pensões superiores a 1350 euros, permite saber o valor da pensão líquida que irão receber em 2013.



Actualização em 18 de Janeiro com o comunicado do Ministério das Finanças sobre a CES:

Para obter o rendimento líquido que receberá ao fim do mês, os pensionistas terão de subtrair três parcelas à pensão bruta:
  • a retenção de IRS aplicada sobre o valor bruto da pensão;
  • a CES;
  • a retenção da sobretaxa especial:
    sobretaxa = 3,5% x (pensão bruta - retenção de IRS - CES - 485€).
Além dos valores e limites, a única diferença em relação a 2012 é que a CES passa a aplicar-se a todos os rendimentos provenientes de pensões, independentemente da natureza da entidade pagadora, incluindo as pensões dos bancários que foram objecto de transferência para a Segurança Social no final de 2011.

O comunicado faz ainda algumas considerações sobre a justiça e a constitucionalidade da CES, realçando que a esmagadora maioria (92%) dos pensionistas permanece isenta da CES. Com efeito, do universo de cerca de 3,4 milhões de pensionistas em Portugal, tem-se:

______________________________
Pensões inferiores a 1350 euros
Pensões superiores a 1350 euros
Pensões superiores a 5030 euros
**das quais
**SS
**CGA
______________________________
Total

____________________
cerca de 3.100.000
cerca de * 300.000
2.430

965
1.465
____________________
3.400.000

_________
92,0%
8,0%
0,1%



_________
100,0%


*

domingo, 13 de janeiro de 2013

Mário Soares foi internado no Hospital da Luz


De acordo com uma nota do grupo Espírito Santo Saúde ontem publicada, o fundador do PS e antigo presidente da República "foi admitido no Hospital da Luz cerca das 13h00 de hoje com um quadro de indisposição. Depois de ter sido observado, durante a tarde estão a ser feitos exames complementares de diagnóstico e a situação clínica está estável".


A reacção da opinião pública:


Anónimo 12/01/2013 18:04
O SNS, o serviço do Estado, o serviço filho do Arnaut, são bons para o povão e para defender em discursos demagógicos.
Quando o mal aperta, que se lixe o socialismo e o discurso de esquerda: toca a ir para um grande grupo capitalista (Espírito Santo, pois então) e para um dos hospitais mais caros do país. Afinal os privados sempre são melhor que o Estado Social, não é Dr. Soares?
Espero francamente que melhore, mas nunca irá curar-se das suas principais doenças: hipocrisia, vaidade e prepotência.


Anónimo 12/01/2013 18:59
Que Nosso Senhor se compadeça da sua alma.


Anónimo 12/01/2013 19:18
Mas este Sr. não acredita na qualidade dos serviços públicos que tanto defende? Curioso...


Anónimo 12/01/2013 19:55
Tanta preocupação com um indivíduo que fez tão mal ao País.


Anónimo 12/01/2013 19:57
Então um Socialista não vai para um Hospital do Estado?


Silva 12/01/2013 23:48
Então não foi internado nos hospitais do SNS?


ruber 13/01/2013 00:37
Espero que recupere rapidamente. Portugal deve-lhe muito. O Dr. Mário Soares é um dos poucos políticos com P grande que temos. Mesmo agora, na reserva, é bom ler as suas crónicas, continua a ser um homem com ideias e com uma cultura que muita falta faz aos políticos que lhe sucederam.


Anónimo 13/01/2013 02:57
Por que carga de água não foi para um hospital público?


Anónimo 13/01/2013 02:58
É no mínimo estranho que alguém com um discurso em favor do Estado Social se vá enfiar no hospital de um grande grupo privado que apenas visa o lucro...


Anónimo 13/01/2013 08:31
Parece-me que o Hospital da Luz é privado, porque não recorreu ao SNS? Mais uma prova destes "políticos profissionais" tão amigos do POVO.
Tratando-se de um ser humano (mesmo deste tipo), que melhore e se deixe de andar a debitar asneiras... Já devia ter idade para ter juízo.


Anónimo 13/01/2013 08:59
Não tem dinheiro para a taxa moderadora, pobrezito.


gomesdacosta 13/01/2013 11:35
O facto de ir para o hospital mais caro do país, pertencente ao grande capital e maior grupo privado na saúde (Espírito Santo), apenas se deve a ele querer ver in loco como o privado é muito pior que o público e a demonstrar, como sempre disse, que é preciso acabar com os interesses do grande capital e com aqueles que querem destruir o SNS.
É, portanto, um acto de abnegação comovente e heróico, que só poderia vir de quem sempre se salientou pela coerência, honestidade intelectual e modéstia.


Anónimo 13/01/2013 12:00
No Hospital da Luz? Com uma gripe? Mas isso é muito "Privado"! Então os hospitais públicos não são bons?
Que interessante esta esquerda portuguesa. A rapariga de Palmela também se reforma com 40 e tal anos. Uma decisão coerente com o partido comunista. Então e o cartão do partido? Também se reformou?
Coração à esquerda e carteirinhas à direita, não é verdade?


Anónimo 13/01/2013 12:07
Boas melhoras, mas porque foi para o Hospital da Luz? Como defensor do SNS, devia ter ido para o Hospital de Stª. Maria que é o hospital da sua residência.
Lá vai o Gaspar aumentar os nossos impostos para pagar a conta.


In Memoriam Aaron Swartz




Aaron Swartz
8 de Novembro de 1986 - 11 de Janeiro de 2013


Aaron Swartz foi um dos elementos do Grupo de Trabalho RSS-DEV que desenvolveu o RSS-1.0. Fazemos eco destas palavras da declaração da sua família:

"A curiosidade insaciável, criatividade e brilho de Aaron, a sua empatia reflexiva e capacidade para o amor altruísta e ilimitado, a recusa em aceitar a injustiça como inevitável, estes dons tornaram o mundo, e as nossas vidas, muito mais brilhantes. Estamos gratos pelo tempo em que estivemos com ele, por aqueles que o amavam e se conservaram leais, e por todos os que continuam o seu trabalho por um mundo melhor.

O compromisso de Aaron para com a justiça social era profundo e definiu a sua vida. Ele foi determinante para a derrota de um projecto de lei de censura da Internet, lutou por um sistema político mais democrático, aberto e responsável; e ajudou a criar, construir e preservar uma série estonteante de projectos académicos que estenderam o alcance e a acessibilidade do conhecimento humano. Ele usou as suas capacidades prodigiosas como programador informático, não para enriquecer, mas para tornar a Internet e o mundo um lugar mais justo e melhor. A sua escrita profundamente humana tocou mentes e corações ao longo de gerações e continentes. Ele ganhou a amizade de milhares e o respeito e apoio de mais alguns milhões de pessoas.

A morte de Aaron, não é apenas uma tragédia pessoal, é o produto de um sistema de justiça repleto de intimidação e exagero persecutório. As decisões tomadas por funcionários no Ministério Público do Massachusetts, EUA, e no MIT contribuiram para a sua morte. O Ministério Público dos EUA seguiu uma matriz excepcionalmente dura de acusações, conduzindo potencialmente a mais de 30 anos de prisão, para punir um suposto crime que não teve vítimas. Entretanto, e ao contrário do JSTOR, o MIT recusou-se a defender os princípios mais estimados por Aaron e pela sua comunidade.

Hoje, sofremos pelo homem extraordinário e insubstituível que perdemos."


sábado, 12 de janeiro de 2013

Cavaco Silva critica corte das pensões douradas


No requerimento de fiscalização sucessiva do OE 2013 que enviou ao Tribunal Constitucional, o presidente da República argumenta que os cortes de rendimentos — subsídio de férias e CES — sobre os portugueses que vivem de uma pensão ou reforma são um "imposto de classe" ilegal face à Constituição.
Em especial, Cavaco Silva manifesta-se contra a Contribuição extraordinária de solidariedade (CES) sobre as

  • pensões superiores a 3750 euros: corte de 10% sobre a totalidade;
    • têm um corte cumulativo de 15% sobre o montante que exceda 5030,64 euros (doze vezes o IAS) mas não ultrapasse 7545,96 euros (dezoito vezes o IAS);
    • têm um corte cumulativo de 40% sobre o montante que exceda 7545,96 euros.

nos seguintes termos:
Um qualquer "estado de necessidade" financeiro ou fiscal não parece autorizar:

a) A criação de "impostos de classe" portadores de um esforço fiscal desigualitário ou excessivo em face das demais categorias de cidadãos (...).

b) Que as pensões de nível médio ou superior, por se reportarem a uma minoria (embora expressiva) de pensionistas, possam ser submetidas a um agravamento tributário profundamente desigual e até exorbitante, já que os direitos fundamentais, com relevo para os direitos, liberdades e garantias, valem universalmente para todos os cidadãos (...) e são, tal como sustenta Dworkin, "trunfos" contra as maiorias passíveis de legítima invocação em juízo, em benefício de setores minoritários da sociedade.

Segundo fonte do Tribunal Constitucional, agora está quase tudo nas mãos do presidente deste tribunal, indicado pelo PS:
"(O presidente) elabora um memorando, onde formula as questões prévias e de fundo a que o Tribunal deve dar resposta. Memorando esse que é sujeito a debate, onde é fixada a orientação do Tribunal sobre as questões a resolver. Depois, o processo é distribuído a um juiz relator, que preparará o projecto de acórdão."

Ora no discurso de posse, a 11 de Outubro, o juiz-conselheiro Sousa Ribeiro referiu premonitoriamente que o TC seria chamado "a proferir decisões de controlo de constitucionalidade que são aguardadas com redobrada expectativa e provocam um impacto compreensível. Ninguém espere que, nessa actividade, o Tribunal Constitucional desfigure as linhas do seu rosto".
E terminou de modo sibilino: "Por forte que seja a estridência do ruído externo, ela não perturbará a serena fidelidade a estes nossos traços identitários".


*

Ouçamos a opinião pública:


antoniopestana 11.01.2013 - 12:28
Retirar privilégios não é inconstitucional, porque a Constituição diz que todos os cidadãos devem ser tratados por igual, independentemente da sua profissão, religião, classe, raça...
Um imposto de classe faz todo o sentido num país onde existem privilégios de classe!
A indignação de Cavaco apenas teria algum sentido se ele tivesse igualmente criticado os privilégios de classe na altura em que estes foram atribuídos aos funcionários públicos, mas o seu governo foi precisamente o que mais privilégios concedeu a essa classe...

Antonyjunior 11.01.2013 - 18:24
Os Baronatos Tremem
Em todas as esquinas da imoralidade se ouvem gritos de revolta!
Berra a esquerdalha que, por o ser, se julga dona deste portugalito.
Berram os escavacados porque acreditam que são uma elite.
Uns e outros berram, barafustam, revoltam-se porque este portugalito lhe retira aquilo que nunca deviam ter recebido!
Para encher o bolso, esquerdalha e escavacados são um só, com um único propósito: colocar quem ganha menos a pagar a crise! A isto chama-se pouca vergonha, pequenez, imoralidade, não ter vergonha nas ventas!
Ah grande Passitos, grande enrabador de coronéis! Pode perder no tribunal dos amigos, mas ao menos tentou!

aoluar 11.01.2013 - 19:26
No que respeita aos cortes nas pensões, alguns, dos que mais se queixam, dizem que estão apenas a receber o que descontaram ao longo da sua vida de trabalho. Não é verdade!
Descontaram para ter reformas, mas não deveriam ser aquelas reformas que hoje recebem.
Quantos não tiveram ordenados extraordinariamente elevados no último ano, já que era esse o valor que servia de base ao cálculo da reforma? Estão neste caso muitos dos técnicos que passaram através dos "clientelismos" e "amizades" por altos cargos em empresas municipais, bancos do estado e empresas estatais.
E os que acumularam prestações de trabalho em várias entidades em simultâneo? É só pesquisarem nos últimos vinte ou trinta anos e somarem. Iriam ter muitas surpresas...

JATavares 11.01.2013 - 19:27
A inveja nacional muito característica dos portugueses, não avaliou bem a situação e eis agora que vem a troika dizer que são as pensões mais baixas as que custam mais dinheiro ao Estado e daí propor, desde já, baixar ainda mais essas pensões.
Evidentemente que existem muitas injustiças na atribuição de pensões, tal como existem nos salários, talvez mais aqui que nas pensões.
Ora o que deve unir os portugueses é a defesa intransigente das pensões grandes, pequenas e médias pois as pensões resultam dos descontos para esse efeito realizados pelos trabalhadores e até há bem pouco tempo a Segurança Social tinha superavit.
O Estado tem usado a seu belo prazer o dinheiro sagrado da Segurança Social, mete tudo no mesmo saco, inclui-o nas receitas e é isso que além de imoral está errado. A Segurança Social devia ser gerida por uma equipa independente, rigorosamente independente, constituída à margem dos partidos pois estes inquinam tudo onde tocam, além disso convém não esquecer: todos os portugueses que trabalham pagam para a Segurança Social/CGA.
Pouco mais de metade dos portugueses entram no jogo do voto, muitos por não acreditarem nos méritos da partidocracia, outros por não se reverem em nenhum dos partidos com assento na AR e só uma minoria de portugueses são militantes/filiados nos partidos.
Vamos abrir os olhos e não nos deixemos dividir. Se quiser cortar despesas o Passos Coelho tem muito por onde cortar não precisa de roubar reformados ganhem eles 400 ou 1400 euros.

bugzilla 11.01.2013 - 19:39
JATavares não diga disparates. Os reformados não ganham aquilo que descontaram, ganham aquilo que os outros descontam actualmente. O que descontaram para poucos anos de reforma serviria.
Em todo o caso, as reformas são um custo social que não deve suportar luxos, as reformas devem ter um limite. Não se trata de inveja, se tiverem um limite a minha será certamente cortada, trata-se de justiça e de pura matemática. Pegue numa calculadora e contabilize o que desconta para ver para que é que dá.
O Estado deve proteger socialmente os mais fracos e não financiar mordomias.

00SEVEN 12.01.2013 - 07:36
E tudo se pode resumir numa frase muito simples, esperneie quem esperneie, da esquerda à direita:
"O que tem que ser tem muita força porque Portugal está falido!"
Divirtam-se a escrever porque é um bom passatempo.

quartocrescente 12.01.2013 - 19:31
É evidente que Cavaco não quer ver reduzidas as suas pensões, nem as de sus muchachos.
Enquanto se aumentaram os impostos sobre o Zé Povinho, esteve tudo bem. Enquanto se aumentaram preços de gasolina, EDP, gás e alimentos, tudo bem.
Como não o afectava a ele, tudo bem. Mas mexer nas pensões milionárias, já lhe toca.
São todos farinha do mesmo saco. Porca miséria.

xpto30 12.01.2013 - 20:03
É inadmissível. O Presidente Cavaco foi o primeiro a criar o "monstro".
Temos uma realidade incontornável: somos só 10 milhões e dispomos de um "monstro" desproporcionado.
Pedem retoma económica para manter o "Monstro" através dos impostos às empresas. Como é óbvio, nunca vamos conseguir essa retoma, nessa dimensão, porque somos muito pequenos.
E depois vem o Presidente com estas crises existenciais. Não há paciência. Somos de facto ingovernáveis. E não é de agora...


sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

A segunda série de notas de euro – “Europa”





Vai iniciar-se este ano a introdução da segunda série de notas de euro – a série "Europa" – na Zona Euro. As notas da nova série entrarão em circulação de forma gradual ao longo de vários anos e por ordem crescente das denominações: €5, €10, €20, €50, €100, €200 e €500.

Em 10 de Janeiro de 2013, Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu (BCE), divulgou o desenho completo da nova nota de €5, durante um evento realizado no Museu Arqueológico de Frankfurt am Main. Esta nota entrará em circulação, em toda a Zona Euro, em 2 de Maio de 2013.


sábado, 5 de janeiro de 2013

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Cavaco Silva requer fiscalização sucessiva do OE 2013


O Presidente da República requereu hoje ao Tribunal Constitucional a fiscalização da constitucionalidade das seguintes normas da Lei do Orçamento do Estado para 2013:

  • Artigo 29º — suspensão do pagamento do subsídio de férias aos funcionários públicos;

  • Artigo 77º — suspensão do pagamento de 90% do subsídio de férias aos pensionistas;

  • Artigo 78º — criação de uma contribuição extraordinária de solidariedade (CES) para os pensionistas com reformas superiores a 1350 euros.

Se estes artigos fossem considerados inconstitucionais, a despesa do Estado aumentaria, segundo o Negócios, 1,8 mil milhões de euros. Como a eliminação destas medidas teria um impacto positivo nas receitas fiscais, o impacto líquido seria 1,4 mil milhões de euros, ou seja, o défice de 2013 subiria 0,8% do PIB (Produto Interno Bruto).


terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Mensagem do Ano Novo 2013 de Cavaco Silva


Um discurso inteligente:




"Boa noite,

A todos desejo um Bom Ano Novo.

O ano de 2012 foi particularmente difícil para os Portugueses.

O desemprego, em especial entre os jovens, atingiu uma dimensão preocupante.

Muitas famílias foram obrigadas a reduzir as suas despesas do dia-a-dia, mesmo em bens essenciais a uma vida digna.

Muitas pequenas e médias empresas encerraram as suas portas, devido à quebra da procura de bens e serviços.

Temos urgentemente de pôr cobro a esta espiral recessiva, em que a redução drástica da procura leva ao encerramento de empresas e ao agravamento do desemprego.

De acordo com as previsões oficiais, as dificuldades das famílias não irão ser menores no ano que agora começa.

O Orçamento do Estado para 2013, aprovado pela Assembleia da República, visa cumprir o objetivo de redução do défice acordado com as instituições internacionais que nos têm emprestado os fundos necessários para enfrentar a situação de emergência financeira a que Portugal chegou no início de 2011.

A execução do Orçamento irá traduzir-se numa redução do rendimento dos cidadãos, quer através de um forte aumento de impostos, quer através de uma diminuição das prestações sociais.

Todos serão afetados, mas alguns mais do que outros, o que suscita fundadas dúvidas sobre a justiça na repartição dos sacrifícios.

Por minha iniciativa, o Tribunal Constitucional irá ser chamado a pronunciar-se sobre a conformidade do Orçamento do Estado para 2013 com a Constituição da República.

O Orçamento entrou hoje em vigor, no primeiro dia do ano de 2013. Se tal não acontecesse, o País ficaria privado do mais importante instrumento de política económica de que dispõe e as consequências para Portugal no plano externo seriam extremamente negativas.

Portugueses,

São muitos, e cada vez mais, os que se interrogam sobre a razão dos sacrifícios que lhes são exigidos e se esses sacrifícios serão realmente necessários e úteis.

Os cidadãos anseiam saber se vale a pena o esforço que estão a fazer e se, no final, o País chegará a bom porto.

É essencial que todos compreendam que as dificuldades que Portugal atravessa derivam do nível insustentável da dívida do Estado e da dívida do País para com o estrangeiro.

A dívida do Estado ultrapassa o total da produção nacional durante um ano. Os juros absorvem 20% do total dos impostos que são cobrados.

Enquanto se mantiver esta situação, em que as despesas do Estado são maiores do que as receitas arrecadadas, vamos acumulando dívida à dívida já existente e o montante dos juros vai subindo.

Por outro lado, a dívida externa do País é mais do dobro da produção anual, implicando o pagamento ao estrangeiro de um montante de juros muito elevado.

Esta situação é insustentável e limita, de forma drástica, as possibilidades de financiamento do País.

Para corrigi-la, Portugal está a executar o programa de assistência financeira negociado pelo Governo anterior com a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional.

Deixar de honrar os compromissos internacionais que subscrevemos não é uma opção credível.

Tentar negociar o perdão de parte da dívida do Estado não é uma solução que garanta um futuro melhor. Poderia criar uma ilusão momentânea, mas, no final, estaríamos numa situação dramática, pior do que aquela em que nos encontramos. Ninguém de bom senso pode desejar essa situação para o nosso País.

Por isso, temos de cumprir as obrigações internacionais que assumimos.

Temos de equilibrar as contas públicas e reduzir a dívida externa. Enquanto não o fizermos, a nossa independência financeira será sempre limitada.

Mas não podemos ignorar que, em 2012, ficou claro que um processo de redução do desequilíbrio das contas públicas acompanhado de um crescimento económico negativo tende a tornar-se socialmente insustentável.

O próprio objetivo de equilíbrio das contas públicas torna-se mais difícil de alcançar, porque a austeridade orçamental conduz à queda da produção e à obtenção de menor receita fiscal. Segue-se mais austeridade para alcançar as metas do défice público, o que leva a novas quedas da produção e assim sucessivamente.

É um círculo vicioso que temos de interromper.

Precisamos de recuperar a confiança dos Portugueses. Não basta recuperar a confiança externa dos nossos credores. Temos de trabalhar para unir os Portugueses e não dividi-los.

No coração das dificuldades do País está um problema fulcral: a falta de crescimento da nossa economia.

É aí, no crescimento económico, que temos de concentrar esforços. Caso contrário, de pouco valerá o sacrifício que os portugueses estão a fazer.

A nossa economia tem sofrido impactos muito negativos vindos do exterior, que estão fora do nosso controlo e não foram previstos aquando da negociação do acordo de assistência financeira.

É o caso da recessão na Zona Euro e, em particular, a crise económica que afeta Espanha, o principal destino das nossas exportações.

Para alcançar o crescimento são particularmente importantes os apoios da União Europeia ao investimento e à competitividade, assim como a melhoria das condições de financiamento das empresas junto do sistema bancário.

As nossas empresas pagam pelos empréstimos taxas de juro muito superiores às suas congéneres da União Europeia.

Temos argumentos – e devemos usá-los com firmeza – para exigir o apoio dos nossos parceiros europeus, de modo a conseguir um equilíbrio mais harmonioso entre o programa de consolidação orçamental e o crescimento económico.

Em mais de 25 anos de pertença à União Europeia, mostrámos ser um parceiro credível do processo de integração.

É do nosso interesse, mas também do interesse da União, que a coesão e a solidariedade não sejam meras palavras de circunstância. É nas alturas difíceis que se testa a solidez do projeto europeu.

Na situação em que o País se encontra, os agentes políticos e sociais têm de atuar com grande sentido de responsabilidade.

A resolução dos problemas nacionais pressupõe diálogo e consenso, entendimentos feitos a pensar nos Portugueses e no País como um todo.

Devemos ter presente que o programa de assistência financeira foi apoiado por partidos que representam 90% dos deputados à Assembleia da República, deputados eleitos num sufrágio que teve lugar há pouco mais de um ano e meio.

O País não está em condições de se permitir juntar uma grave crise política à crise económica, financeira e social em que está mergulhado.

Iríamos regredir para uma situação mais penosa do que aquela em que nos encontramos.

Devemos, pois, trabalhar em conjunto e unir esforços para encontrar as soluções que melhor sirvam o povo português.

O ano 2013 vai ser um ano difícil.

Mas pode ser também um ano em que se comece a alterar a tendência negativa que se verifica na produção nacional e no emprego, um ano em que o clima de confiança melhore e o investimento das empresas comece a crescer.

Desejo que, com sentido patriótico, e a pensar acima de tudo nos Portugueses, o Governo, as forças políticas e os parceiros sociais trabalhem ativamente para que, já em 2013, se inicie um ciclo de crescimento da economia.

Se todos fizerem bem o que lhes compete, é possível que o crescimento seja uma realidade no ano que agora começa.

Pela minha parte, tenho esperança que isso aconteça.

Sei que temos a solidariedade de vários países da União Europeia, países que reconhecem o nosso esforço e consideram que, para bem de toda a União, Portugal deve e merece ser ajudado.

Diversos gestores de empresas estrangeiras, com quem tenho contactado, apontam Portugal como um país onde vale a pena investir, um destino com grandes potencialidades.

Tenho encontrado jovens empresários de grande mérito, com espírito inovador, que exportam aquilo que produzem e que devem ser incentivados pelas entidades públicas e apoiados pelo sistema bancário.

Os parceiros sociais, com quem tenho dialogado frequentemente, demonstram possuir uma visão realista e moderna das relações empresariais e laborais, e estão preparados para responder às exigências dos tempos que vivemos.

Mas a minha esperança funda-se, acima de tudo, no modo como os Portugueses têm reagido às adversidades e aos sacrifícios.

O povo português tem dado mostras de um sentido de responsabilidade que deveria servir de exemplo para os nossos agentes políticos.

Os Portugueses estão conscientes de que vivem tempos difíceis, mas não têm baixado os braços na hora em que é necessário ajudar os que mais precisam.

É com emoção que vemos o extraordinário espírito de solidariedade e de entreajuda do nosso povo.

Os Portugueses merecem um tempo melhor, para si e para os seus filhos, para as novas gerações.

Com esperança num tempo melhor, desejo a todos os Portugueses um Bom Ano Novo."



A opinião dos outros:

vasco 00:08
Cavaco virou à esquerda, para o lado dos xuxas, porque a xuxa está a acabar...

surpreso 00:10
Rosnando e lavando as mãos. Igual de Sócrates a Passos...

Anónimo 09:02
"Cavaco virou à esquerda, para o lado dos xuxas, porque a xuxa está a acabar..."
Não! Ele fê-lo por cobardia simples. Ele fê-lo porque sabe muito bem que, se ele não o fizesse, alguém faria. Ele fê-lo porque sabe que, se o tribunal constitucional acaso chumbar o orçamento, e há fortes possibilidades disso, ele teria que se demitir: o seu juramento é, primeiro, o de salvaguardar a Constituição, e não o de fazer a vida fácil ao Governo.
Ao Governo compete apresentar um orçamento credível que não viole os princípios da Constituição. Aí está porque o orçamento é enviado para o tribunal constitucional pela mão deste presidente. Aí está também a razão pela qual esta decisão apenas é tomada depois do orçamento ser promulgado. Em tempos de crise, parece que ter uma constituição não dá jeito.


Concerto de Ano Novo




Uma noite com Danny Kaye e a New York Philharmonic (1981)

I Parte
Johann Strauss II, abertura de "Die fledermaus" (maestro Zubin Mehta)
Johann Strauss II,"Tritsch-Tratsch Polka"
Rossini, abertura de "La gazza ladra"
Tchaikovsky, abertura & danças de "O Quebra Nozes"
Johann Strauss II, excerto de "Die fledermaus"
Verdi, marcha triunfal de "Aida"

II Parte
M. Merrick, marcha "Look Sharp"
Beethoven, excerto da sinfonia n.º 5, último movimento
Rimsky-Korsakov, "O Voo do Moscardo"
Ponchielli, Danza Delle Ore de "La Gioconda"
Schubert, excerto da sinfonia n.º 9, scherzo
Beethoven, excerto da sinfonia n.º 8, primeiro movimento
Leroy Anderson, "Fiddle-Faddle"
Tchaikovsky, marcha de "O Quebra Nozes"
J. Bellak, "Carnival of Venice"
John Sousa, "Stars and stripes Forever"


Feliz Ano Novo 2013


photo
Folgazões escrevem o número 2013 com faiscadores durante as celebrações de rua do Hogmanay (último dia do ano) em Edimburgo, Escócia.
REUTERS/David Moir

Austrália festeja o início de 2013
Sydney em festa com a chegada do novo ano
Sydney em festa com a chegada do novo ano


1:01
Fogo-de-artifício sobre a Harbour Bridge e a Opera House durante as celebrações de 1 de Janeiro de 2013 em Sydney, Austrália. (ver em ecrã completo)


Indonésios celebram chegada de 2013 na mais importante zona de negócios de Jacarta
A chegada de 2013 na zona de negócios de Jacarta, Indonésia.


Fogo-de-artifício junto das Petronas Twin Towers durante as comemorações do Ano Novo 2013 em Kuala Lumpur, Malásia.
REUTERS/Syamsul Bahri Muhammad


Espectáculo de luz durante a cerimónia de contagem regressiva do Ano Novo 2013, no Palácio de Verão em Pequim, China.
REUTERS/China Daily

Fogo-de-artifício brota do maior arranha-céus de Taiwan durante as celebrações de 1 de Janeiro de 2013 em Taipei, Taiwan.
REUTERS/Pichi Chuang


1:21
Fogo-de-artifício explode sobre o Victoria Harbor, em Hong Kong. Este espectáculo pirotécnico foi lançado a partir de terra e do mar, envolvendo o Hong Kong Convention Center, onde a Grã-Bretanha passou a soberania da cidade para a China em 1997. Foi o maior fogo-de-artifício do primeiro de Janeiro dos últimos seis anos no quinto centro mundial de negócios financeiros.



31.12.2012 20:40


31.12.2012 20:35
As cidades de Moscovo e Dubai celebram a chegada de 2013. O espectáculo pirotécnico no Dubai foi centrado no maior arranha-céus do mundo, o Burj Khalifa. O emirato do Dubai pertence aos Emiratos Árabes Unidos, uma federação de monarquias absolutistas cuja economia assenta nas exportações de petróleo e gás natural.



1:10
A Europa também recebeu 2013 com fogo-de-artifício.


01.01.2013 10:12
Actualizamos este artigo com o fogo-de-artifício no Funchal, Portugal.


Chegou 2013


Feliz Ano Novo para todos nós...




... com este Coro di zingarelle — La traviata, de Giuseppe Verdi.


terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Mensagem do Natal 2012 de Passos Coelho



25.12.2012 21:00


Texto integral aqui.

*

Actualizado em 26 Dezembro com a mensagem no Facebook:

"Amigos,

Este não foi o Natal que merecíamos. Muitas famílias não tiveram na Consoada os pratos que se habituaram. Muitos não conseguiram ter a família toda à mesma mesa. E muitos não puderam dar aos filhos um simples presente.

Já aqui estivemos antes. Já nos sentámos em mesas em que a comida esticava para chegar a todos, já demos aos nossos filhos presentes menores porque não tínhamos como dar outros. Mas a verdade é que para muitos, este foi apenas mais um dia num ano cheio de sacrifícios, e penso muitas vezes neles e no que estão a sofrer.

A eles, e a todos vós, no fim deste ano tão difícil em que tanto já nos foi pedido, peço apenas que procurem a força para, quando olharem os vossos filhos e netos, o façam não com pesar mas com o orgulho de quem sabe que os sacrifícios que fazemos hoje, as difíceis decisões que estamos a tomar, fazemo-lo para que os nossos filhos tenham no futuro um Natal melhor.

A Laura e eu desejamos a todos umas Festas Felizes.

Um abraço,
Pedro.
"


Esta mensagem afectiva foi mal recebida. A quase totalidade das famílias portuguesas viu os seus rendimentos diminuírem em 2012, ou sabem que vão ser reduzidos no próximo ano. Muitos, ao ficarem desempregados, tiveram de emigrar. E não querem afecto, querem dinheiro.

Além de que ouviram dizer, e querem acreditar, que confiscando os bens aos 10 mil portugueses ricos, os 10 milhões de pobres e remediados ficavam ricos...
O que não sabem é que em 11 de Março de 1975 isso aconteceu. As maiores empresas foram nacionalizadas e os empresários fugiram para o Brasil. O resultado foi o País ter gasto parte das reservas de ouro, que Salazar obrigou os nossos avós a poupar, no pagamento das cargas de trigo que chegavam aos portos, porque o PCP estava no Governo e era exigido ao país pagamento com dinheiro à vista. E em 1977 tivemos de recorrer ao FMI.

Cercear regalias obscenas, recalcular pensões exorbitantes, corrigir situações injustas que se desenvolveram à sombra de anteriores governos, criminalizar a corrupção e punir quem a praticou, com certeza.
No entanto, não gastar mais do que aquilo que se produz, tanto tem de ser regra para as famílias como para os países. Quem não quiser pagar dívidas, que não as faça.


segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Natal 2012





Katherine Kennicott Davis, The Little Drummer Boy

Come, they told me, pa rum pum pum pum
A new born King to see, pa rum pum pum pum
Our finest gifts we bring, pa rum pum pum pum
To lay before the King, pa rum pum pum pum,
rum pum pum pum, rum pum pum pum,

So to honor Him, pa rum pum pum pum,
When we come.

Little Baby, pa rum pum pum pum
I am a poor boy too, pa rum pum pum pum
I have no gift to bring, pa rum pum pum pum
That’s fit to give the King, pa rum pum pum pum,
rum pum pum pum, rum pum pum pum,

Shall I play for you, pa rum pum pum pum,
On my drum?

Mary nodded, pa rum pum pum pum
The ox and lamb kept time, pa rum pum pum pum
I played my drum for Him, pa rum pum pum pum
I played my best for Him, pa rum pum pum pum,
rum pum pum pum, rum pum pum pum,

Then He smiled at me, pa rum pum pum pum
Me and my drum.


domingo, 23 de dezembro de 2012

BPN, o buraco negro


23.12.2012 10:59

Impressionante o desfilar, na reportagem da SIC, dos montantes dos empréstimos concedidos pelo BPN a diversos clientes que foram enfiados nas três empresas veículo do "mau banco" — Parvalorem (4 mil milhões de euros), Parups (1,5 mil milhões) e Parparticipada (150 milhões) — e vão a caminho do contencioso por incumprimento.

Impressionante o método: a SLN vendia as acções aos clientes, depois recomprava-as com valorizações e os clientes "pagavam" os empréstimos.

Impressionante a lista de empresas devedoras: a Casa do Douro, a CNE - Cimentos Nacionais e Estrangeiros, o Vitória Futebol Clube, o Boavista Futebol Clube, ... , e a própria SLN (1000 milhões de euros), dona do BPN, que entretanto mudou o nome para Galilei.

Impressionante a lista de figuras públicas: Oliveira e Costa, Luís Caprichoso, Arlindo de Carvalho, Dias Loureiro, Duarte Lima, Almerindo Duarte, Joaquim Coimbra, Fernando Fantasia, Cardoso Cunha, o arquitecto do Freeport Capinha Lopes, ...
Muitos deles ministros, secretários de Estado, líderes parlamentares e figuras gradas do PSD durante os governos de Cavaco Silva e membros da comissão de honra da sua candidatura a Belém.

Como é possível que dois milhões de eleitores tenham escolhido para presidente da República Portuguesa uma pessoa que, no mínimo, não sabe escolher os seus colaboradores e faz investimentos ao arrepio da ética?
Sendo verdade que os outros candidatos também vieram a revelar inadequação para o cargo, não teria sido preferível termos anulado os boletins de voto?

E o então governador do Banco de Portugal, o socialista Vítor Constâncio, por que razão não apoiou o vice-presidente António Marta que pretendia fiscalizar o BPN?

É que a maior fraude alguma vez perpetrada no nosso pobre país criou um buraco negro que vai ascender a 7 mil milhões de euros, quase o dobro do corte de quatro mil milhões na despesa pública exigido pela troika a partir de 2014.
E dizia Teixeira dos Santos, o ministro das Finanças de José Sócrates, que a nacionalização do BPN, em Novembro de 2008, não prejudicaria os interesses do Estado ou dos contribuintes...


sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

MEC entrega 206 milhões de euros a privados


No primeiro semestre deste ano, o Ministério da Educação e Ciência (MEC) atribuiu 206,5 milhões de euros a cerca de 400 entidades privadas.

O maior subsídio foi atribuído ao Colégio Liceal Santa Maria das Lamas, no Norte, que tem cerca de 80 turmas financiadas pelo Estado e recebeu 3,5 milhões de euros.
Actualmente, os colégios com contrato de associação recebem 85 mil euros/ano por cada turma.

O segundo lugar pertence a uma escola profissional da zona de Lisboa, a Cooptécnica Gustave Eiffel, que recebeu 2,7 milhões.
As escolas profissionais de nível secundário situadas em Lisboa recebem financiamento dos ministérios da Economia e da Educação. Nas outras regiões são subsidiadas através do Fundo Social Europeu.

A legislação exige que a listagem dos subsídios dados a privados no primeiro semestre seja divulgada até ao final de Setembro. O MEC só publicou em 3 de Dezembro a listagem das transferências efectuadas no primeiro semestre de 2012.
Mas fez publicar também os subsídios atribuídos no primeiro e segundo semestre de 2011, bem como no primeiro e segundo semestre de 2010 pelo extinto Ministério da Educação.

*

Entre as entidades subsidiadas pelo MEC figuram as associações de pais que recebem os subsídios para darem actividades de enriquecimento curricular aos alunos do 1º ciclo, em geral, aulas de Inglês ou de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), porém, muitas delas são fictícias. Nunca vimos os (poucos) pais sócios ou o MEC inspeccionarem a contabilidade destas associações.

Muitos negócios se têm feito, e continuam a fazer, à sombra da educação neste pobre País!


Saiba quantas freguesias perde cada concelho


O projecto de Lei Reorganização Administrativa do Território das Freguesias, aprovado esta sexta-feira no Parlamento, determina uma redução de 1176 freguesias.
A seguinte infografia do Negócios mostra quantas freguesias vai perder cada concelho:





A maior redução do número de freguesias ocorreu nos distritos de Lisboa e Porto.

Se o leitor desejar conhecer quais as freguesias que serão agregadas no concelho onde nasceu, ou reside, poderá consultar o anexo I do projecto de lei: na coluna A encontra as freguesias agregadas, na coluna D são identificadas todas as freguesias que resultam da aplicação da lei e na coluna E figura a sede.


sábado, 1 de dezembro de 2012

O abandono escolar varia na relação inversa da taxa de desemprego dos jovens


"As lágrimas das carpideiras

DAVID JUSTINO 30/11/2012 - 15:45

A divulgação dos valores da taxa de abandono escolar precoce por parte da Comissão Europeia mereceu um pequeno destaque por parte de alguns órgãos de comunicação social, cujos títulos variaram entre “atingiu 23,2% em 2011” e “o terceiro pior registo” da União Europeia.

Nestas situações recorre-se sempre a alguns “especialistas” que, na maior parte dos casos, tendem a carregar com cores mais sombrias os títulos já de si negros do nosso atraso educativo. Houve mesmo quem antecipasse: “A elevada taxa de abandono escolar que se regista no país vai crescer ainda mais no futuro”, atendendo à situação social de muitas famílias e dos seus filhos.

Fora dos títulos ficou a conclusão da Comissão Europeia de que Portugal foi o país onde, nos últimos cinco anos, se verificou a maior baixa deste indicador: de 39,1% registados em 2006, passou-se para 23,2%. Em qualquer outro contexto, esta teria sido a notícia e o título não poderia traduzir outra coisa senão tão inusitado desempenho.

O segundo tipo de comentários que ouvi e li prendia-se com as razões dessa baixa acentuada do abandono escolar precoce: uns atribuíam o fenómeno à escolaridade obrigatória de 12 anos, outros ao aumento da oferta pública de ensino profissional. Ou seja, centravam nas medidas de política educativa a razão desta redução do abandono. Quem direta ou indiretamente se associou a essas medidas até se poderia sentir recompensado por, de alguma forma, ter contribuído para tal resultado. Só que manda a prudência e o rigor que não nos precipitemos, nem a apanhar as lágrimas das carpideiras nem a recolher os louros dos campeões.

Proponho-vos um exercício de reflexão em torno do Gráfico 1, onde se representa a evolução das taxas de abandono e as do desemprego jovem. Dele poderemos concluir que a referida taxa de abandono tem vindo a baixar de forma sustentada desde 2002 e que o seu comportamento está na relação inversa com a taxa de desemprego dos jovens com menos de 25 anos.


Gráfico


O segundo gráfico destaca essa relação que sugere a hipótese explicativa: quanto mais alta a taxa de desemprego menor será a taxa de abandono. O que é que isto significa?

Em primeiro lugar, permite-nos concluir que o efeito do mercado de trabalho sobre a escolarização é considerável. Se existem oportunidades de inserção precoce no mercado de trabalho, especialmente em períodos de rápido crescimento económico e de criação de postos de trabalho, as expectativas de abandono do sistema de ensino tendem a aumentar. Caso contrário, em períodos de escassas oportunidades e elevadas taxas de desemprego, os jovens tendem a prolongar a sua escolarização, mantendo-se até mais tarde no sistema de ensino.

Esta elevada sensibilidade da escolarização às oportunidades de inserção precoce no mercado de trabalho é característica saliente na sociedade portuguesa, onde até há não muitos anos se denunciavam as situações de trabalho infantil. Esse fenómeno era uma consequência do baixo valor da escolarização e da incapacidade de o sistema de ensino responder com ofertas adequadas e valorizadas à atração do emprego precoce. Mesmo que o retorno marginal de mais um ano de escolaridade fosse dos mais elevados no quadro europeu, a sua utilidade social não era reconhecida.

O problema era ainda mais grave: tratava-se de um abandono sem que os jovens adquirissem as competências mínimas para uma inserção qualificada no mercado de trabalho. A segunda metade da década de 1990 é um bom exemplo de como baixas taxas de desemprego dos jovens coincidiram com uma inversão da tendência de redução do abandono. Porém, era um abandono desqualificado e este era um dos principais fatores de reprodução das desigualdades de rendimento. Curiosamente foi dos períodos em que mais se falou da igualdade de oportunidades, da educação para a igualdade social e do sonho de um dia todos poderem ter um curso superior.

Atualmente, os tempos são outros: o elevado desemprego entre os jovens sustenta a redução do abandono e o aumento da escolarização. Se assim é, então faça-se um esforço por proporcionar uma escolarização qualificante, mantendo a aposta no ensino vocacional, independentemente do modelo mais ou menos alemão ou mais ou menos compulsivo, apesar das carpideiras..."


sexta-feira, 30 de novembro de 2012

“Vem aí a troika!”




"Vem aí a Troika! é uma obra de ficção, passada num país chamado Portugalândia, onde podem existir líderes corruptos e incompetentes, interesses financeiros obscuros e grupos de interesses que se estão nas tintas para o país, provocando a bancarrota do Estado e a vinda da Troika. Qualquer semelhança com factos, entidades ou pessoas reais é mera coincidência.

O jogo é uma sátira da dinâmica de poder, pressão e influência, que dominam a vida de uma sociedade democrática.

Cada jogador representa um mais ou menos obscuro grupo de interesses que através de manipulação política, social e económica, tenta ganhar poder, votos e dinheiro.

Ganha o jogador que obtiver mais pontos criando a sua teia de influências, gerando consensos políticos, vencendo eleições, acumulando dinheiro e títulos de depósito em paraísos fiscais (offshores).
"


É com estas palavras que a Tabletip Games apresenta o seu primeiro jogo de cartas que, mais do que uma forma de convívio divertida e inteligente, é uma via para pôr as pessoas a reflectir sobre a democracia portuguesa.





A Tabletip Games é uma editora de jogos de mesa portuguesa que começou este ano como um projecto de quatro amigos apaixonados por jogos, Pedro Santos, Marco Vala, Carlos Mesquita e André Pereira — dois professores, um antigo professor e um investigador do Instituto Superior Técnico — que pretendem impulsionar o mercado dos jogos de mesa em Portugal e, se possível, além fronteiras.

O projecto aposta em autores e ilustradores que tenham ideias originais e financiou-se por crowdfunding que é uma forma simples e recente de angariação de financiamento através de uma comunidade que partilha os mesmos interesses.


quinta-feira, 29 de novembro de 2012

A carta aberta de Soares


Reconhecemos a Mário Soares o mérito de ter encabeçado a luta contra a ditadura que o partido comunista tentou implementar em Portugal, entre 1974 e 1975. Mas a sua atitude louvável esgota-se nesse episódio.

Chegado ao governo do País, Soares entregou as colónias aos movimentos políticos dos guerrilheiros, sem acautelar os legítimos interesses dos portugueses que aí tinham todos os seus haveres. Depois dá asas à desmedida ambição de poder e à ganância.

Possuidor de uma cultura mediana — na época em que desempenhou as funções de primeiro-ministro era objecto do anedotário nacional a sua ignorância no domínio económico e financeiro e a sua dicção do francês, apesar dos largos anos que viveu em França —, e incapaz de conversar na língua de Shakespeare, decidiu candidatar-se à presidência do parlamento europeu e foi derrotado.

Em 1996, com a publicação do livro Contos Proibidos, escrito por Rui Mateus, os portugueses ficaram a conhecer a faceta hedionda de apadrinhamento do compadrio e da corrupção do antigo primeiro-ministro e presidente da República e a teia internacional que o apoiou.
Eliminámo-lo da lista de pessoas honradas e os empenhos que envidou para retirar o livro do mercado só reforçaram a nossa determinação.
Politicamente Mário Soares morreu então. Mas já era tarde. O nepotismo e a corrupção haviam criado raízes neste infeliz País condenado, primeiro, a uma década de estagnação, depois, ao empobrecimento e à bancarrota.

Não se apercebendo que já não era visto pelos portugueses como gente de bem, candidatou-se novamente à presidência da República em 2006 e, apesar de ter o apoio do partido socialista, recebeu a mais estrondosa derrota tendo ficado em terceiro lugar e atrás de Manuel Alegre, seu companheiro de luta política que atempadamente se havia candidatado mas não logrou receber apoio oficial do partido.

Entretanto (1991) criara uma fundação para perpetuar o seu nome — que acto ignóbil — e procurou sustentá-la, com sucesso, à sombra dos orçamentos de Estado, ou seja, à custa dos impostos cobrados aos portugueses. Só no triénio 2008-2010 a Fundação Mário Soares recebeu 1,2 milhões de euros do erário público.
Igual atitude assumiu a sua mulher, mas disfarçou a fonte de rendimentos sob o nome Pro Dignitate - Fundação de Direitos Humanos.
Compare-se com a atitude de António Champalimaud que criou uma fundação em nome dos pais, dedicada à investigação das doenças neurológicas e oncológicas, que não recebeu subsídios do Estado.

Com o País na situação de pré-bancarrota, aconselha José Sócrates, a quem nunca moderou os ímpetos despesistas, a pedir um empréstimo ao FMI e à União Europeia, mas não abdicou de uma só das suas imensas mordomias.

Enraivecido contra o Governo de Passos Coelho que, tentando corrigir o descalabro financeiro do País, decidiu cortar 30% nos subsídios concedidos a várias fundações, entre as quais estão as da família Soares, vem desenvolvendo uma guerra sem quartel contra o actual primeiro-ministro.

Hoje resolveu voltar a pedir a demissão de Passos Coelho, encabeçando a lista de signatários de uma carta aberta divulgada no PÚBLICO, onde se criticam as políticas do actual Governo mas não se apresenta uma alternativa viável.
Além de Soares, a carta é subscrita pelos deputados socialistas Ferro Rodrigues, João Galamba, Inês de Medeiros, Pedro Delgado Alves e Pedro Nuno Santos, e pelos bloquistas Fernando Rosas, Daniel Oliveira e Helena Pinto.
Carvalho da Silva, Medeiros Ferreira, Cipriano Justo, Bruto da Costa, Manuel Maria Carrilho, Pedro Abrunhosa, Valter Hugo Mãe, Pilar del Rio e Vítor Ramalho subscrevem também o texto.

Os subscritores são, portanto, deputados, antigos deputados, sociólogos, filósofos, escritores, jornalistas, sindicalistas, cançonetistas, actrizes, ... , da área socialista. Destacam-se apenas Teresa Beleza e Adelino Maltez, licenciados em Direito, João Ferreira do Amaral, economista, todos professores universitários de instituições do ensino superior público, Álvaro Siza Vieira, Eduardo Lourenço, João Cutileiro e Júlio Pomar, um arquitecto, um filósofo, um escultor e um pintor de indiscutível mérito.
Só um economista prestigiado. Nem um empresário de renome, da forja de um Salvador Caetano, daqueles que criam emprego que é o que as pessoas precisam.

Esperemos que não tenham sucesso, que seja apenas o estrebuchar do dinossauro moribundo. Porque com um governo apoiado por estes senhores, nada mais restava aos portugueses senão o que fizeram os gregos no auge da crise política — tentar salvar as parcas poupanças, em desespero, comprando dívida pública alemã.

*

Aqui fazemos eco da voz de alguns concidadãos:

Anónimo
12:06
Estes senhores deviam ter vergonha na cara. Estamos como estamos graças a eles (socialistas). Não votei neste 1º ministro e não concordo com as sua políticas mas é preciso ter "lata" para virem a público com cartas abertas... Tenham algum decoro e vergonha!

Anónimo
12:07
"70 personalidades". O que é que faz delas "personalidades" e não cidadãos? O que é que faz uma carta de "personalidades" mais válida que um abaixo assinado de 70 portugueses normais?

Anónimo
12:10
Curiosamente as pessoas que aqui são retratadas como signatários desta carta têm todas ligações mais ou menos fortes à esquerda e, portanto, são opositores políticos do governo. Não percebo o que é que torna esta carta tão importante.

Anónimo
12:15
Que pena Mário Soares não ter tido a mesma atitude perante José Socrates! Provavelmente não estávamos onde estamos! Estamos cheios de personalidades...

Anónimo
12:15
Quase todos gente de esquerda e artistas, em sentido literal e em sentido figurado... mas nada dizem quanto ao endividamento do País promovido pelos Governos Sócrates...
Valeram a pena as auto-estradas sem carros? Onde está o desenvimento daí advindo? E no Aeroporto de Beja, como vai a dinâmica daquilo?
Esta geração de Abril só teve o mérito de acabar com a ditadura, mas deveria ter muita vergonha na cara. Que País deixam aos jovens de hoje? Em 30 e tal anos de governação, de vários partidos, a justiça não funciona porque não dá jeito, o sistema de segurança social está falido e os políticos não têm coragem de o assumir frontalmente, a melhor via de se ter acesso a uma vida de sucesso é passar pelas jotas sem ter o mínimo de competência. Sem essa via, quem seriam Sócrates, Passos, etc?

Anónimo
12:15
Como é habitual, artistas e deputados do PS (que é quase um sinónimo) acham-se acima do conceito de eleições e da escolha popular. Sempre prontos a atalhar caminho para voltar à mama que nos trouxe até aqui. Também já se sabe que com esta direitinha complexada e sempre escondida a única resposta virá dos comentadores jornalísticos do costume.

Anónimo
12:16
Eu ainda me lembro do resultado das últimas eleições. Não me parece ter havido qualquer acto eleitoral entretanto, que justifique a demissão do actual primeiro ministro.
Muito mal andará a democracia deste país, se um grupo de "ilustres" acha que tem o direito de demitir o primeiro-ministro, achando que o resultado eleitoral não tem qualquer importância. E isto é válido, quer esteja no poder o PSD, o CDS ou o PS!

Anónimo
12:18
Estas personalidades poderiam ter utilizado esta carta para fazer um mea culpa, como por exemplo Mário Soares, cuja fundação continua a ser um sorvedouro de dinheiros públicos que não tem fim à vista.

Anónimo
12:27
70 "personalidades" são 70 votos. Ponto final.

Anónimo
12:29
O que é surpreendente é o Sr. Mário Soares não ter tido a mesma coerência em pedir a demissão do anterior Governo que nos conduziu à bancarrota.

Anónimo
12:36
Se viesse de independentes era bem visto, assim parece-me interessante e de analisar. Mário Soares quando esteve sob ajuda do FMI tomou medidas anti-populares (aumento da carga de impostos) e quem puder ouça entrevistas a comerciantes e outros populares dessa altura a queixarem-se que mudassem de política ou dessem o lugar a outros, pois ficaram sem dinheiro para alimentar os filhos. MS, entre outras tiradas, respondeu que "não se fazem omeletes sem ovos" e, como o país estava em crise, então havia que partir alguns. Memória para os políticos, todos, precisa-se urgentemente!

Anónimo
12:48
"O PCP e o Bloco de Esquerda têm sido os maiores defensores da demissão do governo e da realização imediata de eleições, mas esse cenário é claramente rejeitado pelos inquiridos: 70,2% discordam de tal proposta, enquanto 24,7 aceitam uma crise política como uma boa solução", escreve o Jornal de Negócios.
70% do país contra 70 "personalidades" bem instaladas.

Anónimo
12:54
Vamos promover um abaixo assinado e uma petição nacional (não de meia dúzia de socialistas ressabiados) para cortar integralmente o dinheiro dos nossos impostos que financia a fundação deste indivíduo que, com os seus comparsas Sócrates e Guterres, levou o país à falência. Já. Acorda Portugal!

Anónimo
12:56
Era uma vez um condutor de um autocarro. Tinha-lhe sido dito que não podia continuar a acelerar porque havia uma parede na estrada. Um dia, ele viu a parede e disse que ia continuar a acelerar, porque a parede ia sair dali. Quando estava a 10 metros da parede, acelerou mais um pouco e disse que a parede ia sair dali. A parede não saiu.
Felizmente, o condutor salvou-se e foi para Paris. Os passageiros continuaram a pé, foi-lhes dito que só faltavam 10 anos de caminho. Ainda bem.

Anónimo
12:57
Só pessoas que tiveram regalias e que participaram no regabofe durante os últimos 20 anos, vêm agora, quando essas regalias são cortadas, pedir a demissão de um governo eleito democraticamente. Tenham vergonha! Façam propostas concretas ou então vão brincar com os vossos netos!

Anónimo
13:04
Agora que foram ao bolso deles, e ainda é pouco pelo que acumularam nestes anos todos, eis que vem um gajo que fez ainda pior reclamar que o povo está sofrendo.
Pena mais uma vez que os órgãos de comunicação publiquem manifestações destas, no mínimo, imorais pelo que representam estas pessoas que viveram e sugaram o Estado estes anos todos. Agora estão a perder beneficios e cortes nas fundações fantasmas que criaram. Tenham vergonham nessa cara e sofram como os outros com muito mais necessidades.

Anónimo
13:09
Apesar da grave crise, ainda vivemos num estado de direito. A decisão de apresentar demissão é uma prerrogativa do primeiro ministro (ou a consequência de uma iniciativa presidencial). Nenhuma iniciativa, de nenhum sector da sociedade portuguesa pode (ou deve) exigir a demissão do PM (apesar de poderem obviamente não estar de acordo e expressar a sua opinião e oposição ao governo).
Nas próximas eleições, os subscritores da carta que se mobilizem politicamente e se pronunciem, como qualquer cidadão, através do seu voto.

Anónimo
13:25
Está na hora de nós, os Portugueses com honra, virmos para a rua e dizer a estes senhores que eles não têm qualquer tipo de moral para exigir a demissão deste Governo.
Estes senhores, se tivessem vergonha na cara, deveriam era vir a público exigir que todos aqueles Governantes que nos últimos 15 anos nos levaram à banca rota fossem imediatamente julgados por danos causados à Nação Portuguesa.
Quanto a Mário Soares, em primeiro lugar, ele deveria lembrar-se de tudo aquilo que nos prometeu nos anos 80 e nunca cumpriu pois foi pedir ajuda ao FMI. E também deveria devolver todo o dinheiro que recebe dos Portugueses e abdicar dos inúmeros seguranças que tem à custa dos Portugueses. Meus senhores tenham vergonha pois durante os últimos 15 anos nunca fizeram nada.

ricardo.a.manso
13:32
Eu não li todos os comentários, mas acho que mais ou menos todos vão dizer a mesma coisa. Eu também sinto a crise na pele como todos os outros. Mas este governo não governa sozinho, primeiro é o FMI e depois a União Europeia. A mudança de governo não leva a nada enquanto estivermos a cumprir o memorando da troika.
Os culpados desta crise não são os governantes de agora, mas sim os do passado. Estamos sempre a procura da saída mais fácil, por isso queremos acreditar no que a oposição diz, mas se eles forem eleitos, vão ter as mesmas medidas do PSD, porque a troika manda. É fácil dizer que não queremos austeridade mas, na verdade, é preciso cortar e muito, principalmente no Governo, Mas, claro, é preciso moderação.

Anónimo
13:49
Não sou apologista de Passos Coelho nem adepto do PSD, mas tenho consciência de que o governo está a arrumar a casa. Temos que nos habituar a viver com menos nos próximos tempos, qualquer alternativa ao governo neste momento só irá fazer pior ou adiar as reformas que têm de ser feitas para tornar o país mais desenvolvido e com melhores condições económicas e sociais.

Anónimo
13:55
O Dr. Soares habitual e os subscritores residentes. Qualquer pessoa de bom-senso subscreveria o desejo da política ser diferente. A questão, que primeiramente é necessário colocar-se, é saber uma coisa simples: Quem financiaria, e em que termos, esse magnífico desejo?
O que está a tornar-se difícil explicar, é por que razão, sendo necessário cortar muito, e muito fundo, continua o governo a evitar cortar radicalmente nas Fundações, no BPN, e em tantas outras áreas que num momento de emergência deveriam, ser colocadas na gaveta, parafraseando uma expressão célebre do mentor de mais esta cartada. Não indo a fundo e rapidamente aos "anéis", corre-se o risco de ter que se ir, depois, aos próprios dedos.

Anónimo
14:07
Foi um governo eleito democraticamente pelos portugueses, em eleições livres onde só não votou quem se estava marimbando para o que pudesse acontecer, e tem maioria absoluta no parlamento, tal como define a constituição...
Daqui a 2 anos temos, novamente, eleições e nessa altura irá pagar por todos os erros que cometeu. O mal é que, com certeza, vai para o governo o PS que foi um dos principais obreiros desta desgraça toda.
De qualquer das maneiras será a vontade do povo, em eleições, que prevalecerá. Isto é viver em democracia. O tempo em que tínhamos um governo de mês a mês já passou e foi, também, uma época que contribuiu para este estado de coisas.

Anónimo
14:41
Cansado de ver o PS falar como se não tivesse nada a ver com isto. Ou será que estes gajos desgraçaram o país em apenas um ano e meio?

Anónimo
14:41
As personalidades políticas que "quase" afundaram o país querem mandar embora quem está a por isto no rumo certo? Essas personalidades é que devem ir fora deste país e emigrar de vez...

Anónimo
14:51
Porque é que o Dr. Mário Soares recusa criticar a desastrosa governação do (Engº) Sócrates e de Guterres? Aqui não há objectividade nenhuma.

Anónimo
14:57
Grande parte da responsabilidade da situação em que nos encontramos deve-se ao desgoverno de Mário Soares, quer como PM, quer com PR. Se há pessoas em Portugal que, devido aos seus telhados de vidro, deviam estar calados Mário Soares é um deles, senão o principal, quer pelos pedidos ao FMI, quer pela desvalorização da moeda e pelas toneladas de ouro do BdP que foram gastas de 1976 a 1978, exactamente quando ele era PM.
O governo está a fazer tudo o que devia? Claro que não. Mas estas atitudes não ajudam o país. Só destabilizam.

Anónimo
15:01
É por causa de senhores como estes que é a terceira vez que estamos com a troika à perna. Nunca tiveram coragem de resolver os problemas reais do país (constituição orientada para o socialismo, sectores protegidos na economia, obras publicas desnecessárias e megalómanas, país desindustrializado, crescimento económico nulo e estado social impossível de financiar com as receitas) para não perderem as eleições.
Agora querem que um governo eleito há ano e meio, com um programa de assistência para cumprir, com ministros independentes de partidos, e com coragem para fazer o que eles nunca quiseram, se demita? Se as coisas então como estão não é por culpa do governo mas dos cobardes que nos governaram, esses sim é que deviam ser castigados e ter vergonha de pôr os pés na rua.

Anónimo
15:06
Um àparte, sabem o que estes indivíduos têm em comum? Todos eles, de uma forma ou doutra, dependem do estado social, uns directamente, outros através de subsídios. Está aí algum empregado de uma empresa privada, ou proprietário de uma empresa privada?

Anónimo
15:14
Quando é que se começa por cima? Ou seja, a AR tem 230 deputados, 130 já é muito para um país tão pequeno como o nosso.
A redução das despesas deve começar por cima e não como está a ser feito. Se assim for, já o povo tem uma sensação de respeito para com o governo.

Anónimo
15:27
Estamos agora a pagar a factura dos 10 estádios construídos, as parcerias público-privadas, as centenas de quilómetros de autoestradas (Scuts) que agora estão às moscas, as dezenas de institutos que os portugueses nem sabem que existem, os administradores de empresas públicas que dão milhões de prejuízo por ano. Agora já sabem o porquê da nossa dívida pública ter duplicado nestes últimos seis anos...

Anónimo
15:29
"Personalidades" que pedem a demissão do primeiro-ministro são quase todos políticos ligados ao PS, PCP e BE. São os mesmos que pediriam a demissão de qualquer primeiro-ministro de direita, mas que ficaram caladinhos perante o desgoverno de Sócrates. Por mim, quem se demitia eram eles.
A somar a isto, grande parte deles são beneficiários de fundos do Estado para as suas fundações ou actividades profissionais, e estão chateados por se diminuírem os tachos e rendas. Porque é que o governo só cortou 30% na fundação Mário Soares e não 100%?

Anónimo
15:35
Gostaria de saber onde andaram os subscritores estes últimos anos. Uma personalidade disse que os governos socialistas só duravam, enquanto havia dinheiro dos outros para gastar... Tenho de admitir que é verdade!

Anónimo
15:40
Altamente democrático, este pedido!

Paulo Landeck
15:42
Para o Sr. Coelho,
Algumas das personalidades subscritoras da carta natalícia (representativa da vontade da esmagadora maioria dos portugueses), apenas vêm tirar crédito à mesma e dar apoio moral à continuidade deste senhor e de seus companheiros de crime no poder. Se há (e há) ilegitimidade de uns para a perpetuação do que está a ser um autêntico atentado às nossas liberdades e direitos básicos, também não é legítimo por parte de outros que encomendem Coelho demitido quando são, em parte, co-responsáveis pela situação negra em que se encontra o país.

Anónimo
15:55
Apoio esta iniciativa! Ponham lá o PS para lhes podermos dar na cabeça pela desgraça que fizeram nos últimos 16 anos.

Anónimo
16:00
Na verdade o país nunca foi governado por gente honesta, desde há muito tempo. Continua mal, muito doente, mas alguns destes artistas, que da vida difícil, se pouco sabiam, também já esqueceram, nada se pode esperar de razoável.
O país precisa de gente séria. Precisa de gente de trabalho. Gente que também seja capaz de produzir bons serviços para os outros.
Não precisa, seguramente, de calões, profetas, "politácios", "democrácios" e quejandos que viveram anos após anos de expedientes, através das diversas instituições que eles próprios criaram para seu benefício.

Anónimo
16:16
Governantes que nos últimos 38 anos (e não 15) nos levaram à banca rota, que sejam julgados não apenas nos actos eleitorais mas, sim, judicialmente, pelo menos, durante este século.
Visto ser quase impossível, a Alemanha que tome conta de Portugal.

Anónimo
16:26
Algum pudor, alguma vergonha e o mínimo de respeito pelos portugueses, levaria a que a maior parte destes senhores que viveram, década após década, à custa do erário publico (i.e. dos portugueses), se olhassem ao espelho e se calassem. Não lhes chega o que alegremente fizeram e/ou pactuaram?
Estes senhores não representam os portugueses, apenas representam os amigos e camaradas do avental e gamela. Calem-se sff, remetam-se à insignificância que merecem.