domingo, 11 de janeiro de 2015

Manifestação histórica em França contra o terrorismo islamita


Depois do ataque ao jornal satírico Charlie Hebdo na quarta-feira, do tiroteio contra os polícias em Montrouge, na quinta-feira, e do sequestro num supermercado kosher em Vincennes pelo atirador de Montrouge, na sexta, que provocaram um total de 17 vítimas, a manifestação contra o terrorismo islamita levou, este domingo, cerca de 4 milhões de pessoas para a rua por toda a França.

A marcha em Paris reuniu mais de 1 milhão de pessoas, tornando-se o acontecimento mais importante desde a Libertação em 1944.
Quase cinquenta chefes de Estado e de governo estiveram hoje presentes em Paris para homenagear as vítimas dos atentados no Charlie Hebdo, em Vincennes e Montrouge. Na fila da frente desfilaram Angela Merkel e David Cameron, mas também Mahmoud Abbas e Benjamin Netanyahu.



A estátua alegórica da Praça da República, em Paris, foi o local privilegiado pelos manifestantes desde quarta-feira à noite.
AFP/Loic Venance


Os manifestantes prestaram homenagem às 17 vítimas dos atentados com o lema "Eu sou Charlie".
AFP/Joel Saget


No percurso da Praça da República à Praça da Nação, em Paris, os franceses agitaram as bandeiras tricolores e cantaram a "Marselhesa".
AFP/Jean-François Monier


A manifestação teve início às 15:30, mas uma hora antes já a Praça da República estava cheia.
AFP/Bertrand Guay


O mar de gente da Praça da República visto do céu.
AFP/Kenzo Tribouillard


A manifestação em Paris durou até às 21h.
AFP/Bertrand Guay


François Hollande recebeu cerca de 50 dirigentes mundiais no Palácio do Eliseu que depois incorporaram a marcha de Paris.
AFP/Dominique Faget


Na primeira fila: o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu, o ex-presidente francês Nicolas Sarkozy, o presidente do Mali, Ibrahim Boubacar Keita, o presidente francês François Hollande, a chanceler alemã Angela Merkel e o presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas.
AFP/Philippe Wojazer


Imagens aéreas da manifestação republicana
Le Monde.fr | 11.01.2015


Le Monde.fr | 11.01.2015 à 16h47


Outras cidades francesas também se associaram a esta manifestação histórica:



25 mil pessoas desfilaram em Reims.
AFP/François Nascimbeni


60 mil manifestaram-se em Marselha.
AFP/Anne-Christine - Poujoulat


Uma maré humana de 300 mil pessoas desfilou em Lyon.
AFP/Jean-Philippe Ksiazek


100 mil manifestaram-se em Bordéus.
AFP/Nicolas Tucat


Mais de 100 mil manifestantes em Rennes.
AFP/Jean-François Monier


A multidão que se manifestou junto ao mar Mediterrâneo, em Nice.
AFP/Valery Hache


*

Nos últimos tempos houve uma escalada de ataques islamitas em França. Depois do caso ocorrido em Joué-lès-Tours, em que um jovem entrou no comissariado com uma faca na mão a gritar "Allahu Akbar" (Deus é grande), ferindo três polícias antes de ser baleado, o primeiro-ministro Manuel Valls alertou para a singularidade da época actual em França: "Nunca experimentámos um perigo tão grande em matéria de terrorismo."
Valls pediu aos franceses para reagirem ao fenómeno do envolvimento dos jovens com a jihad: "Temos mais de mil pessoas envolvidas na jihad na Síria ou no Iraque, mais de 300 estão lá, 56 ou 57 morreram, isto mostra o grau de envolvimento (...). Muitos foram para lá, muitos querem ir, muitos têm regressado felizmente. Isto deve desafiar a sociedade francesa."

Na Alemanha, os líderes do movimento Pegida pretendem denunciar a islamização da sociedade, a ausência de direitos humanos para as mulheres muçulmanas e a existência de sistemas alternativos de justiça impiedosos como a sharia, mas os políticos alemães têm procurado associar os activistas anti-islão aos neonazis.
Na sua mensagem de Ano Novo, a chanceler Angela Merkel disse que os apointes do Pegida têm “ódio nos seus corações”, mobilizando os alemães contra as manifestações do movimento e fazendo gorar a manifestação de Berlim.

A sede do semanário satírico francês Charlie Hebdo foi atacada em 7 de Janeiro de 2015, no mesmo dia em que Soumission, escrito por Michel Houellebecq, chegou às livrarias. Justamente o escritor que foi satirizado no número do Charlie Hebdo saído nessa quarta-feira trágica, no cartoon publicado na primeira página.


A última edição do Charlie Hebdo, publicada em 7 de Janeiro de 2015.
AFP/Bertrand Guay

Mas por que motivo os cartoonistas assassinados assestaram os seus lápis contra o escritor, transformando-o no mago Houellebecq?
Porque, no livro, o islamismo triunfa e dá um Presidente muçulmano à França. Trata-se de um islamismo suave, chegado ao poder pela via democrática, sem confrontos.
Um islamismo que deriva de uma hipotética incompetência dos dois grandes partidos republicanos da direita e da esquerda que teriam conduzido o País para um pântano onde chafurda uma classe branca, afortunada, educada, dominante, que se submete aos medos que criou no povo e ao inimigo que deixou instalar dentro das fronteiras.
Um islamismo politicamente correcto que cria o partido da Fraternidade Muçulmana oportunisticamente aliado ao Partido Socialista para vencer a extrema-direita. Seria muito natural, descreve Houellebecq, que os muçulmanos em França tivessem um partido que os representasse com os valores tirados do Islão, o que obrigaria à refundação do sistema educativo francês sobre uma base islâmica e reconduziria as mulheres ao seu papel doméstico e procriador.

Mas os cartoonistas do Charlie Hebdo não morreram em vão. Quase 4 milhões de franceses perderam o medo e, insubmissos, manifestaram-se em defesa dos valores da República.
Dezenas de dirigentes políticos mundiais aliaram-se ao povo, deliberadamente ou para atenuar a revolta libertada e participaram na marcha de Paris contra o terrorismo islamita. Na primeira fila François Hollande e Angela Merkel. Ladeados por Mariano Rajoy (Espanha), David Cameron (Reino Unido), Jean-Claude Juncker (Comissão europeia) e Matteo Renzi (Itália). A Europa Unida com Paris a ser hoje a capital. Ninguém se importou com a ausência de Barack Obama.

Esta manifestação veio reforçar os valores da República Francesa — Liberdade, Igualdade, Fraternidade é o seu lema — e da sociedade europeia, aberta e laica que erradicou a pena de morte e onde tudo é tolerado excepto a prática ou a apologia da violência. Quem escolher a França para viver, não importa qual o país de origem, a cultura ou a religião professada, terá de aprender a respeitá-los. Parafraseando o provérbio “Em Roma, sê romano”, poder-se-á concluir que “Na Arábia Saudita, sê árabe” mas “Na Europa, sê europeu”.


quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

O ataque ao jornal francês Charlie Hebdo


A sede do semanário satírico Charlie Hebdo, em Paris, foi alvo de um ataque terrorista, havendo 12 mortos, entre os quais se contam o director e caricaturista Charb e outros jornalistas do grupo de fundadores, e dois polícias.

A reconstituição dos acontecimentos deste dia trágico, passo a passo, com base numa infografia do BFMTV, testemunhos e vídeos (actualizados):

Pelas 11:20, um Citroën C3 preto com vidros fumados parou junto da sede do jornal satírico Charlie Hebdo, localizado na Rue Nicolas Appert, no 11.º bairro de Paris. Dois homens com a cara coberta saíram do carro e entraram no número 6 do edifício, onde estão os arquivos do jornal.

Apercebendo-se do engano, seguiram para o número 10. Ameaçada, uma jornalista que ia a entrar digitou o código de acesso. De imediato iniciaram o massacre, matando o recepcionista. Depois subiram ao primeiro andar, entraram na sala onde decorria a reunião semanal da equipa do jornal, e mataram oito jornalistas — entre os quais os quatro caricaturistas famosos Wolinski, Cabu, Charb, Tignous —, o polícia encarregado da protecção do director Charb e um visitante.
Testemunhas dizem que os dois encapuzados saíram do jornal a gritar "Allahu Akbar! Le prophète est vengé!" (Deus é grande! Vingámos o profeta!). Já na rua ainda dispararam alguns tiros. Depois recarregaram as Kalashnikov, entraram no carro e viraram à direita para a Allée Verte.

07/01/2015 - 12:24


13/01/2015 - 19:14


Sede do semanário satírico Charlie Hebdo na Rue Nicolas Appert, em Paris, onde ocorreu o massacre.
AFP/Philippe Dupeyrat


REUTERS/Philippe Wojazer

Na Allée Verte, que é um beco estreito, depararam com uma patrulha da polícia. Saíram do carro e abriram fogo. O carro patrulha recuou.


AFP/Anne Gelbard

Chegados finalmente ao Boulevard Richard Lenoir, saíram novamente do carro e alvejaram o carro patrulha, tendo ferido um dos polícias que depois mataram a sangue frio, indiferentes ao seu pedido de clemência. No momento da fuga gritaram: "Eh! On a vengé le prophète Mohammed! On a tué le Charlie Hebdo!" (Eh! Vingámos o profeta Maomé! Matámos o Charlie Hebdo!) Este confronto ficou registado em imagens que chocaram o mundo:


AFP


REUTERS


BFMTV 07/01/2015 - 13:38
Foi cortado o instante da execução do polícia Ahmed Merabet. Video integral aqui.

Na Rue de Meaux, no 9.º bairro, os dois homens abandonaram o carro em que seguiam e roubaram um Renault Clio cinzento. Antes de fugirem, informaram o condutor: "Se os jornalistas te fizerem perguntas, só tens de dizer que é a Al-Qaeda do Iémen."
A polícia perdeu-lhes o rasto em Pantin, um subúrbio no nordeste de Paris. Atrás deles deixaram 12 mortos.

Algumas horas mais tarde, a polícia difundiu o nome de três suspeitos: os irmãos Cherif e Saïd Kouachi, de 32 e 34 anos, e Hamyd Mourad de 18 anos.


*

Os caricaturistas mais conhecidos...


Wolinski
REUTERS/Vincent Kessler


Cabu
AFP/Joel Saget


Tignous
AFP/Alexander Klein


Charb, caricaturista e director
AFP/Francois Guillot


...e os seus últimos cartoons:








O cartoon de Charb foi premonitório.


Após o massacre ser conhecido, caricaturistas de todo o mundo sentaram-se a uma mesa com uma caneta, lápis ou pincel na mão, para prestar homenagem aos seus ídolos perdidos:



A liberdade no lápis
Na!


O nosso 11 de Setembro
Ruben L.


Covardes
Xavier Gorce


Obsoleta
Anónimo


Nunca vencidos
Lucille Clerc

Ver outros cartoons aqui.


Celebrando o 25º aniversário do Hubble com os Pilares da Criação


Para comemorar os 25 anos (1990-2015) de exploração do Universo a partir da órbita em torno da Terra, as câmaras do Telescópio Espacial Hubble foram usadas para revisitar a sua imagem mais icónica. O resultado é esta visão mais nítida e ampla da região designada por Pilares da Criação, fotografada pelo Hubble, pela primeira vez, há vinte anos:



2014 Hubble WFC3/UVIS Image of M16
Nome do objecto: M16, Nebulosa da Águia, NGC 6611
Constelação: Serpente
Distância: 6500 anos-luz
Crédito: NASA, ESA e equipa do Hubble Heritage
Data da exposição: Setembro de 2014
Tempo de exposição: 30,5 horas
Cores: A imagem é composta por exposições distintas captadas pela Wide Field Camera 3 (WFC3) do Telescópio Espacial Hubble. Foram usados vários filtros para amostrar diversos comprimentos de onda na banda do visível. A cor resulta da atribuição de um matiz (cor) diferente a cada imagem monocromática associada a um filtro individual.
Fonte: Hubblesite.org

2015-01


São três estruturas altaneiras onde estão a formar-se estrelas. Com uma altura de 5 anos-luz, estes pilares de gás hidrogénio frio misturado com poeiras estão situados na Nebulosa da Águia (M16), a cerca de 6500 anos-luz de distância da Terra e na direcção da constelação da Serpente.

Esculpidos pela radiação ultravioleta de alta energia e erodidos pelos ventos ionizantes oriundos do aglomerado de estrelas jovens e massivas da M16, estes pilares cósmicos serão fatalmente destruídos.

"A neblina azulada fantasmagórica em torno dos bordos densos dos pilares é matéria que aquece e se evapora no espaço. Apanhámos esses pilares num momento muito especial e efémero da sua evolução", explicou Paul Scowen da Universidade Estatal do Arizona que, com o astrónomo Jeff Hester, obteve a imagem de 1995.
"Estes pilares representam um processo activo muito dinâmico. O gás não está a ser passivamente aquecido e a afastar-se suavemente para o espaço. Na realidade, os pilares gasosos estão a ser ionizados (um processo pelo qual electrões são arrancados dos átomos) e aquecidos pela radiação oriunda de estrelas de grande massa. E em seguida estão a ser erodidos pelos ventos intensos das estrelas (barragem de partículas carregadas) que actuam como jactos de areia sobre os topos destes pilares".

As primeiras características detectadas pelos astrónomos Paul Scowen e Jeff Hester em 1995 foram as flâmulas de gás que pareciam flutuar para fora dos pilares. Os astrónomos tinham debatido anteriormente o efeito que estrelas próximas e de grande massa teriam sobre o gás circundante de berçários de estrelas.
"Há apenas uma coisa que pode iluminar uma vizinhança como esta: estrelas massivas que emitem radiação ultravioleta suficientemente potente para ionizar e fazer brilhar as nuvens de gás", continua Scowen. "As regiões nebulosas de formação de estrelas, como a M16, são anúncios de néon interestelares que dizem: 'Acabámos de fazer aqui um punhado de estrelas de grande massa.' Foi a primeira vez que obtivemos evidência observacional de que o processo erosivo, não só a radiação mas também a remoção mecânica do gás das colunas, estava realmente a ser visto."

O ambiente turbulento de formação de estrelas dentro da M16, cujos pormenores espectaculares foram captados neste instantâneo Hubble em luz visível, é provavelmente semelhante ao ambiente onde nasceu o nosso Sol. Há evidência de que o sistema solar em formação foi temperado com estilhaços radioactivos provenientes de uma supernova nas proximidades. Isto significa que o nosso Sol fazia parte de um aglomerado que incluiu estrelas com massa suficiente para produzir radiação ionizante de alta energia, como se vê na Nebulosa da Águia.
"Essa é a única forma que a nebulosa, da qual o Sol nasceu, podia ter sido exposta a uma supernova tão rapidamente, no curto período de tempo que representa, porque as supernovas só provêm de estrelas de grande massa, e essas estrelas só vivem algumas dezenas de milhões de anos", explicou Scowen. "Isto significa que, quando olha para o ambiente da Nebulosa da Águia ou de outras regiões de formação de estrelas, está a olhar exactamente para o tipo de ambiente em que o nosso Sol se formou.", conclui o astrónomo.



Hubble Revisits the Famous
Comparação da imagem de 1995 (à esquerda) com a imagem actual (à direita) que foi captada com filtros na banda do visível e representada em azul, verde e vermelho.

2014 Hubble WFC3/UVIS Image of M16 (Cropped)
Os pilares são banhados por radiação ultravioleta oriunda de um aglomerado de estrelas jovens e massivas situadas fora da parte superior da imagem. Observam-se flâmulas de gás saindo dos pilares à medida que esta radiação intensa aquece e faz evaporar o gás. As regiões mais densas dos pilares sombreiam a matéria abaixo delas, protegendo-a desta potente radiação que é ionizante.
As cores na imagem realçam a luz emitida pelos átomos ionizados. A emissão do oxigénio está representada em azul, as emissões do hidrogénio e do nitrogénio estão representadas em verde, e a do enxofre em vermelho.

2014 Hubble WFC3/IR Image of M16 (Cropped)
Outra imagem dos Pilares da Criação. Captada com filtros na banda do infravermelho, está representada em azul e amarelo.
A radiação infravermelha consegue atravessar algumas das poeiras, permitindo ver através dos pilares, e até mesmo através da parede posterior da cavidade da nebulosa. Os filtros usados pelos astrónomos isolam a luz das estrelas recém-nascidas que são invisíveis na imagem anterior. Deste modo, os astrónomos podem ver as próximas gerações de estrelas assim que começam a emergir no berçário.
Esta imagem mostra que a razão por que existem os pilares é que os topos são muito densos e sombreiam o gás debaixo deles, criando as longas estruturas em forma de pilar. Já o gás entre os pilares foi soprado pelos ventos ionizantes oriundos do aglomerado central de estrelas situado acima dos pilares.




Saiba qual o IMI que o seu concelho vai cobrar em 2015


Esta infografia do Negócios mostra a taxa do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) aplicada em todos os concelhos do País em 2015.

A maioria das autarquias optou por manter inalteradas as suas taxas de IMI em 2015. Quase metade cobrará o mínimo, 0,3%, mas 11% das câmaras vão exigir 0,5% que é o valor mais elevado possível.
Mesmo mantendo as taxas, os proprietários vão pagar muito mais por causa da reavaliação dos imóveis e o fim da cláusula de salvaguarda, logo as câmaras vão aumentar a receita.





Tudo começa no "valor base dos prédios edificados". É composto pelo valor médio de construção, que o Governo decidiu voltar a manter nos 482,4 euros, e ainda pelo valor do terreno, que corresponde a 25% daquele montante, ou seja, 120,6 euros. Ao todo, são 603 euros por metro quadrado, um valor de 2010 que o governo Passos Coelho mantém congelado.

Este valor de base serve de referência para todo o país mas sofre majorações ou minorações, impostas pelas câmaras municipais, em função da zona onde o imóvel está inserido e as características próprias do imóvel. Fica assim fixado o "valor patrimonial tributário" do imóvel, sobre o qual recai a taxa de IMI que cada autarquia fixa anualmente.


*


A Assembleia da República discute amanhã uma petição da autoria da Plataforma Justiça Fiscal assinada por cinco mil cidadãos para que o IMI passe a ser igual em todo o País e a uma taxa reduzida de 0,2%.

Não vale a pena, porém, ter grandes esperanças na discussão de amanhã porque os autarcas não aceitarão facilmente perder a arbitrariedade de fixar a taxa de IMI a seu belo prazer. Além disso, cinco mil assinaturas não são nada.
Quase todos os cidadãos estão convencidos que o imposto vai parar aos cofres do Estado central, desconhecendo que é fixado pelas câmaras municipais, vai parar aos cofres das autarquias e depende das dívidas que os autarcas contraíram. É lamentável porque cidadãos desinformados deixam-se manipular e não sabem defender os seus legítimos interesses.

Felizmente há quem esteja bem informado e até conheça o Código do IMI, como se vê neste primeiro comentário:

Não esquecer
30 Dezembro 2014 - 12:57
Não esquecer de pedir nas finanças a reavaliação do imóvel (se ainda tem este valor a 615 euros) e também a actualização do coeficiente de vetustez. As finanças fazem-se de desentendidas e não actualizam NADA!

Anónimo
07 Janeiro 2015 - 15:56
O IMI serve para os presidentes de câmaras pagarem as despesas escandalosas, a todos os níveis.
Somos roubados de todas as maneiras e feitios. Vamos lutar para que haja avaliações justas e uma taxa fixa em todo o país.

NapoLeão
07 Janeiro 2015 - 16:03
Deputados incompetentes e sem espinha, obedientes aos seus "chefes" não têm coragem para rectificar uma injustiça chamada IMI e que castiga todas as Famílias que se esforçaram para ter um tecto!

Anónimo
08 Janeiro 2015 - 08:39
Vejo aqui comentários a dizer que o Estado mama, que o Estado rouba, etc, mas não vejo nenhum a dizer que nos concelhos onde o PCP tem predominância, os camaradas não são de modas e aplicam a taxa máxima, como é o caso do Seixal. Afinal quem rouba mais, o Estado ou as Câmaras comunistas?


terça-feira, 6 de janeiro de 2015

O drama grego novamente em cena - I


Os bancos alemães têm uma exposição à dívida da Grécia de cerca de 23,5 mil milhões de euros mas o risco sistémico é limitado porque os maiores bancos comerciais, o Deutsche Bank e o Commerzbank, detêm apenas uma pequena percentagem deste montante total, de acordo com dados recolhidos pela Reuters.

No entanto, o mesmo não se pode dizer do banco estatal de desenvolvimento KfW que emprestou 15 mil milhões de euros ao Estado grego, segundo o Bundesverband deutscher Banken (BdB), a entidade que representa os interesses dos bancos comerciais privados alemães.
O BdB revelou que, do crédito alemão à Grécia, 4,6 mil milhões foram para bancos, 3,6 mil milhões para empresas e particulares, e 15,2 mil milhões de euros para o Estado grego.

O Commerzbank tinha, no final de Setembro de 2014, cerca de 400 milhões de euros de exposição às empresas, bancos e dívida pública da Grécia, e o Deutsche Bank apenas 298 milhões de euros.

Por outro lado, um estudo elaborado pela JP Morgan, e citado pela Reuters, descobriu que o banco francês Crédit Agricole é o banco comercial europeu mais exposto à Grécia: a instituição, no final de 2013, tinha investido 3,5 mil milhões de euros no desenvolvimento da economia grega, dos quais 2,8 mil milhões no sector do transporte marítimo, e nada em dívida pública.

O maior banco da França, o BNP Paribas, tinha uma exposição à Grécia de cerca de 700 milhões, no final de 2013, tendo a maior parte dos empréstimos sido concedidos a empresas e nada em dívida do Estado grego, de acordo com dados fornecidos pelo próprio banco. Havia uma exposição adicional de mais 1,3 mil milhões de euros, mas é crédito concedido a empresas gregas não ligadas à situação económica grega, como sejam as empresas de transporte marítimo.
Por sua vez, a Société Générale tinha uma exposição de 300 milhões de euros a empresas gregas, mas não tinha dívida pública do país no final de Setembro.

"A exposição de crédito dos bancos alemães à Grécia é baixo", disse o presidente do BdB, Thomas Kemmer, em comunicado. "É por isso que, se a Grécia entrasse em insolvência, os efeitos directos sobre os bancos alemães poderiam ser superados. Até mesmo os efeitos de contágio que acompanhariam uma saída [da Zona Euro] poderiam ser melhor suportados do que há dois ou três anos."

Efectivamente, uma notícia do Wall Street Journal, de Fevereiro de 2010, três meses antes do primeiro resgate à Grécia ocorrido em Maio de 2010, apontava que a banca francesa e alemã, detinha, em conjunto, uma exposição à Grécia de cerca de 119 mil milhões de euros. Valor que subia até aos 900 mil milhões de euros, tendo em conta também a exposição à Irlanda, Portugal e Espanha.

No próximo dia 25 de Janeiro, os gregos vão escolher o próximo Governo e as sondagens mostram que o Syriza, um partido de extrema-esquerda, lidera as intenções de votos. Como este partido sempre disse ser contra a austeridade e querer uma segunda reestruturação da dívida pública grega, se vencer as eleições e não cumprir os compromissos financeiros assumidos com os parceiros europeus e internacionais, a Grécia poderá sair da Zona Euro.

A Alemanha, a maior economia europeia, já disse que há duas vias: a Grécia pode permanecer na Zona Euro após as legislativas desde que mantenha os compromissos assumidos pelo governo ainda em funções; se o futuro governo grego recusar cumprir os compromissos assumidos pelo Estado e insistir em reestruturar a dívida pública, a União Europeia está preparada para a saída da Grécia da Zona Euro.

O presidente francês secundou: "Os gregos são livres de decidir o seu destino. Dito isto, há determinados compromissos que foram assumidos e todos eles devem naturalmente ser respeitados." Contudo deixa aos gregos a decisão sobre a permanência no euro "porque é uma escolha que só a eles cabe". François Hollande sabe que os tratados europeus não prevêem a expulsão de países da Zona Euro.



Cartoon publicado no jornal "Ekathimerini"


*

Após a adesão da Grécia à União Europeia em 1981, os gregos usufruíram dos fundos estruturais europeus sem se preocuparem com a corrupção que grassava nos partidos políticos onde votavam, e também entre políticos e empresários, porque o dinheiro chegava para todos.

Passado o período de transição, os fundos diminuíram. Então “embelezaram” as contas públicas para poderem entrar na Zona Euro em 2001, gozarem dos benefícios da moeda única e acederem a empréstimos com taxas de juros reduzidas. A máquina administrativa do Estado engordou e prosperou, as prestações sociais multiplicaram-se e os gregos desfrutavam de um óptimo nível de vida.
A dívida pública crescia, mas ninguém se importava, até que as taxas de juro dos empréstimos pedidos para financiar os défices também começaram a crescer e a dívida grega tornou-se incontrolável. No final, o crédito cessou e o governo socialista de maioria absoluta do PASOK pediu assistência financeira externa em Maio de 2010, no valor de 110 mil milhões de euros.

O problema é que as ajudas financeiras vêm sempre associadas a medidas de austeridade e, apesar de ficarem longe de ter sido cumpridas, a Grécia passou a viver entre manifestações e greves. O governo do primeiro-ministro George Papandreou viu-se obrigado a pedir um segundo resgate de 130 mil milhões que só foi concedido em Fevereiro de 2012.

Este segundo resgate à Grécia impôs a perda de 53,5% da dívida soberana grega detida pelas instituições financeiras privadas, tendo sido responsável pelos elevados prejuízos da banca portuguesa em 2011.

Entretanto os deputados do PASOK fugiram em debandada, o governo deixou de ter apoio parlamentar, Papandreou pediu a demissão em Novembro de 2011 e a Grécia partiu para eleições antecipadas.

No dia 6 de Maio de 2012 foi a vez dos eleitores fugirem do PASOK e repartirem os votos pelos novos partidos que nasciam da instabilidade como os cogumelos nascem depois da chuva. Não foi possível formar um governo e os gregos tiveram de voltar às urnas em 17 de Junho desse ano.

O Syriza, um partido da esquerda radical, liderava as sondagens e já se imaginava no poder, mas foi o Nova Democracia, um partido de centro-direita, que voltou a ganhar as eleições e agora com um número de deputados suficientes para formar um governo de coligação com o socialista PASOK e a Esquerda Democrática.

No final de 2014, este governo de bloco central caiu porque não conseguiu eleger o Presidente da República e o país seguiu para novas eleições antecipadas.
Voltou a estar em cena a peça teatral estreada na Primavera de 2012: o Syriza lidera as sondagens referentes às legislativas do próximo dia 25 de Janeiro e as cotações dos bancos caiem nas bolsas mundiais para antecipar as perdas causadas por uma hipotética futura insolvência da Grécia.

O Syriza promete electricidade grátis para os mais pobres e subida do salário mínimo nacional para chegar ao poder. No entanto, estas medidas não assustam os investidores: serão pagas pela classe média grega com um aumento de impostos.
E se um governo do Syriza exigir um segundo perdão da dívida pública grega, os bancos da França e da Alemanha já diminuíram radicalmente a exposição à Grécia para superarem as consequências e as bolsas mundiais já estão a antecipar os prejuízos. A Grécia vai ficar isolada na Zona Euro, assumir a insolvência e sair.

Não acredito, porém, que tal situação venha a ocorrer: os gregos vão preferir a austeridade à fome e o Syriza, se ganhar as eleições, vai ser o filho rebelde da Zona Euro, sempre tentando equiparar robalos e douradas com audis e mercedes, mas cumprindo o suficiente para usufruir dos fundos estruturais europeus e manter o conforto de pertencer à família mais rica do planeta.


quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Mensagem do Ano Novo 2015 do Presidente da República


Na sua última mensagem de Ano Novo com plenos poderes, Cavaco Silva defendeu os partidos políticos mas advertiu contra os perigos do populismo, um aviso sobre os novos movimentos políticos que tentam explorar a insatisfação dos eleitores com a classe política com promessas demagógicas, defendendo que Portugal não pode regressar ao início de 2011 quando o governo de José Sócrates cortou os salários na função pública e teve de pedir ajuda externa.
Terminou a mensagem apelando à esperança num futuro melhor, responsabilizando os agentes políticos pela preparação de compromissos pós-eleitorais:




"Boa noite.

Desejo a todos um Feliz Ano de 2015.

Os meus votos dirigem-se a todos os Portugueses, quer aos que residem no nosso País, quer aos que se fixaram no estrangeiro.

Saúdo também os cidadãos de outros países que escolheram Portugal como lugar de residência ou de trabalho. Orgulhamo-nos que tenham decidido viver em Portugal, uma terra aberta e plural, onde todos são recebidos com hospitalidade e sem quaisquer discriminações.

A todos, desejo um Bom Ano Novo.

Portugueses,

Em 2014, celebrámos os 40 anos do 25 de Abril, a revolução que nos trouxe a liberdade e a democracia.

Uma democracia consolidada exige o pluralismo e a diversidade de opiniões. Os regimes democráticos pressupõem também a capacidade das diversas forças políticas encontrarem as soluções que melhor sirvam o interesse nacional.

Actualmente, é consensual que só através de uma estratégia orientada para a competitividade das exportações, para a atracção de investimento e para a criação de emprego será possível vencermos os desafios do futuro.
Uma estratégia acompanhada do controlo das contas públicas e do endividamento externo.

Portugal tem ainda um longo caminho a percorrer. Esse caminho deve ser feito em conjunto, com abertura e diálogo entre as diversas forças partidárias, contando com o contributo dos agentes económicos e dos parceiros sociais e unindo os Portugueses, como foi possível fazer em momentos decisivos da nossa democracia.

O ano de 2015 será um ano de escolhas decisivas para o futuro do País. Os Portugueses irão ser chamados a pronunciar-se através do exercício do direito de voto.

É essencial participar activamente nas eleições. Só assim podemos esperar — e até exigir — que os agentes políticos actuem com responsabilidade, elevação e sentido cívico, colocando o interesse nacional acima dos interesses partidários.

É fundamental evitar crispações e conflitos artificiais que têm afectado a confiança dos cidadãos nas nossas instituições e, em particular, na classe política.

Ao fim de quarenta anos de democracia, devemos desenvolver uma cultura política mais esclarecida e mais esclarecedora.
As forças partidárias devem ser claras nas suas propostas, por forma a que os cidadãos possam avaliar as suas implicações.

Rejeito em absoluto uma ideia demagógica e populista, que alguns pretendem incutir na opinião pública, segundo a qual os partidos e os seus dirigentes se alheiam dos interesses do país e das aspirações dos cidadãos.

Devemos recusar o populismo e fazer um esforço de pedagogia democrática, tendo presente que os partidos políticos são essenciais para a qualidade da democracia e para a expressão do pluralismo de opiniões.

Mas esse esforço de pedagogia democrática só pode ser feito através da força do exemplo. Os partidos e os agentes políticos têm de demonstrar, pela sua conduta, que são um exemplo de transparência, de responsabilidade e de civismo para os Portugueses.

Há que ser cuidadoso nas promessas eleitorais que se fazem e que, não podendo depois ser cumpridas, acentuam perigosamente a desconfiança dos cidadãos em relação à classe política e às instituições.
Há que evitar promessas demagógicas e sem realismo.

Devo ser claro: é errado pensar que os problemas que o País enfrenta podem ser resolvidos num clima de facilidades.
Tal como os outros países da Zona Euro, Portugal está sujeito às exigências de disciplina orçamental e de sustentabilidade da dívida pública. Nem os países de maior dimensão conseguem eximir-se ao seu cumprimento, como se viu recentemente.
Portugal não pode regredir para uma situação semelhante àquela a que chegou em princípios de 2011, em que foi obrigado a recorrer a auxílio externo de emergência.

Só o rigor e a transparência na condução da política nacional permitirão a melhoria continuada das condições de vida das pessoas. O combate à corrupção é uma obrigação de todos.

No ano que terminou foram ainda muitos os Portugueses que viveram momentos particularmente difíceis, mas surgiram sinais de esperança.
Não nos podemos deixar abater pelo desânimo nem cultivar o pessimismo. Devemos olhar o futuro com confiança renovada.

Portugal concluiu a execução do programa de ajustamento subscrito em 2011 com as instituições internacionais sem necessidade de solicitar assistência financeira adicional.
A economia está a crescer, a competitividade melhorou, o investimento iniciou uma trajectória de recuperação e o desemprego diminuiu.

É preciso criar condições políticas para que esta tendência se reforce no ano que agora começa.

Os fundos europeus colocados à disposição do País são um trunfo que não podemos desperdiçar. A utilização destes fundos será eficaz se reforçar o crescimento da produção, a criação de emprego e a coesão social e territorial.

A situação das famílias atingidas pelo desemprego e pela pobreza e a correcção das desigualdades sociais devem merecer particular atenção da parte de todos os agentes políticos.

Seja qual for o resultado eleitoral, o tempo subsequente à realização de eleições será marcado por exigências de compromisso e de diálogo.
Este espírito de abertura não poderá ser prejudicado por excessos cometidos na luta política que antecede o sufrágio.

Em devido tempo, chamei a atenção do País para preparamos o período pós-troika.

Agora, interpelo os Portugueses — e, em especial, os agentes políticos — a prepararem o período pós-eleitoral.
Não é só no dia a seguir às eleições que se constroem soluções governativas estáveis, sólidas e consistentes, capazes de assegurar o crescimento económico e dar esperança aos Portugueses.
O período pós-eleições deve corresponder à consolidação de um tempo de confiança no nosso País, quer no plano interno, quer no plano internacional.

Existem razões de esperança no futuro. Mas a esperança não se proclama com meras palavras. A esperança constrói-se com sentido de interesse nacional, com atitudes e gestos concretos que contribuam efectivamente para resolver os problemas reais do País.

Para se construir um país melhor no futuro, a esperança tem de ser semeada no presente.

A todos os Portugueses, e às suas famílias, renovo os votos de um Bom Ano de 2015, feito de paz e de esperança."



*

Uma mensagem adequada à realidade política portuguesa — os nossos líderes políticos estão há 40 anos a colocar os interesses partidários acima do interesse nacional, enriquecendo vergonhosamente — que, se fosse posta em prática, poria o País no rumo da prosperidade, mas que apetece comentar recordando um genuíno provérbio luso: "Bem prega frei Tomás, faz o que ele diz e não o que ele faz."


Feliz Ano Novo 2015


Para festejar a chegada do Ano Novo 2015, o Google criou um logotipo especial — um Doodle — que aqui recordamos:






14:31 31.12.2014
As ilhas Kiribati foram o primeiro país a entrar em 2015, eram 10:00 de 31 de Dezembro de 2014 em Lisboa.
Na Nova Zelândia, outro dos primeiros países a dar as boas-vindas ao Ano Novo, a cidade de Auckland festejou a chegada do ano 2015 com fogo-de-artifício quando eram 11 horas em Lisboa.
Como habitualmente, a festa mais deslumbrante fez-se duas horas depois em Sydney, na Austrália.


AFP/Saeed KHAN

Fogos de artifício iluminam a Opera House e a Harbour Bridge durante a festa para iniciar 2015, em Sidney, na Austrália.
REUTERS/Jason Reed

31 Dez, 2014, 14:25
A festa em Sydney, na Austrália, com uma temperatura de 23º C.


Largada de balões durante as festas de Ano Novo 2015 em Tóquio, Japão.
REUTERS/Thomas Peter


Festa de fim de ano organizada pelo Estado, na Coreia do Norte.
REUTERS/KCNA

31 Dez, 2014, 21:28
Milhões de pessoas festejaram o início de 2015 na Oceania e na Ásia, da Nova Zelândia e Austrália, passando pelo Japão e Coreia do Norte, até Hong-Kong, Xangai e Pequim, na China.


A entrada no novo ano em Moscovo, Rússia.
AFP PHOTO/DMITRY SEREBRYAKOV


Fogos de artifício iluminam o céu sobre o Arco do Triunfo na Avenida dos Campos Elísios, durante as celebrações do Ano Novo, em Paris, França.
REUTERS/Christian Hartmann


Festejos em Londres, Reino Unido.
REUTERS/SUZANNE PLUNKETT

01 Jan, 2015, 20:35
O espectáculo da noite de fim de ano no Funchal, na ilha da Madeira, Portugal.


Festejos na praia de Copacabana, Rio de Janeiro, Brasil.
REUTERS/MAURO PIMENTEL


Folgazões atiram confetes sobre a Times Square durante as celebrações do Ano Novo 2015, em Nova Iorque, EUA.
REUTERS/Keith Bedford


Espectáculo do início de 2015 na Times Square, Nova Iorque, EUA.
EUAREUTERS/CARLO ALLEGRI

01 Jan, 2015, 15:02
Em todo o mundo muitos espectáculos e fogos de artifício assinalaram a chegada de 2015. De Tóquio, Pyongyang e Pequim, passando pelo Dubai, Moscovo, Paris e Londres, até ao Rio de Janeiro e Nova Iorque, milhões de pessoas celebraram a entrada em 2015.