segunda-feira, 18 de junho de 2012

O drama grego - I


Decorreram ontem na Grécia as segundas eleições legislativas deste ano. Comecemos pelos resultados nacionais divulgados hoje no sítio na Internet do Ministério do Interior:


Partidos políticos/totais
__________________________
Nova Democracia
Syriza
PASOK
Gregos Independentes
Aurora Dourada
Esquerda Democrática
KKE
partidos fora do parlamento
__________________________
votantes em partidos
nulos/brancos
__________________________
votantes
abstenção
__________________________
9.950.976 eleitores inscritos


_________











_________
62,47 %
37,53 %
_________
100,00 %


__________
29,37 %







__________
99,01%
0,99 %
__________
100,00 %





_________
29,66 %
26,89 %
12,28 %
7,51 %
6,92 %
6,26 %
4,50 %
5,98 %
_________
100,00%







deputados
_________
129
71
33
20
18
17
12

_________
300








Comparando o mapa interactivo destas eleições com o das eleições de 6 de Maio passado, vê-se que o partido conservador Nova Democracia continua a ser o mais votado em quase todos os distritos. O Syriza alargou a sua influência, já são quinze os distritos onde é o partido mais votado, e o PASOK desapareceu do mapa.






██ Nova Democracia
██ Syriza
██ PASOK
██ Gregos Independentes
██ Aurora Dourada
██ Esquerda Democrática
██ KKE






Vejamos a transformação do parlamento entre as eleições legislativas de Maio e as de ontem:

Parlamento
__________________________________
Nova Democracia (centro direita)
Syriza (esquerda radical)
PASOK (socialistas)
Gregos Independentes (direita)
Aurora Dourada (neonazi)
Esquerda Democrática
KKE (comunistas)
__________________________________
total

6 Mai
_________
18,85 %
16,78 %
13,18 %
10,60 %
6,97 %
6,11 %
8,48 %
_________
80,97 %

deputados
_________
108
52
41
33
26
21
19
_________
300

17 Jun
_________
29,66 %
26,89 %
12,28 %
7,51 %
6,92 %
6,26 %
4,50 %
_________
94,02

deputados
_________
129
71
33
20
18
17
12
_________
300

variação
________
+21
+19
-8
-13
-8
-4
-7
________



Os únicos partidos que assinaram o memorando — a Nova Democracia e o PASOK —, e que têm alternado no poder desde 1974, vão ser obrigados a coligarem-se para obterem uma maioria absoluta de 162 deputados no parlamento.

O Syriza, que falhou a vitória que várias sondagens vaticinavam mas ficou por perto, já recusou participar num governo de unidade nacional proposto pelo líder do PASOK, Evangelos Venizelos, e continua a atacar as medidas de austeridade inerentes ao plano de assistência financeira da troika. Por outras palavras, mantém a defesa da política de "Sol na eira e chuva no nabal", que continua a encontrar eco na sociedade grega.

Os pequenos partidos nascidos da recessão perdem o apoio do eleitorado. Os dois que tinham entrado no parlamento em Maio — os Gregos Independentes e a Esquerda Democrática — mantêm-se, mas vêem diminuir o número de deputados. Sobretudo o primeiro, que viu fugir os votos para a Nova Democracia, partido de que foi uma dissidência.

Sendo verdade que, desta vez, os gregos decidiram votar pelo seguro — antes o pouco que as medidas de austeridade deixam que a queda no caos — também é notório que a sociedade helénica está profundamente dividida. Mesmo assim, ouviu-se o suspiro de alívio soltado pelos restantes países da Zona Euro que já reabriram os braços à Grécia.

Contados os votos, vai seguir-se o drama da formação do governo.


Cartoon publicado no jornal "Ekathimerini"


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