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sábado, 8 de agosto de 2015

Os cartazes da campanha do PS


Os cartazes da campanha de António Costa para as legislativas 2015 estão a revelar-se um monumental fiasco.

A polémica em redor dos cartazes do PS começou com um outdoor onde o partido anuncia que “é tempo de confiança”, mostrando a imagem de uma mulher a virar a página de um céu carregado de nuvens negras.




Inspirado nos cartazes de igrejas evangélicas, não só foi ridicularizado nas redes sociais mas também recebeu críticas negativas no interior do próprio partido. E despertou a criatividade dos humoristas para irem buscar os fantasmas que assombram os corredores socialistas, a começar pelo líder António José Seguro, afastado por uma golpada dos socratistas,



e pelo próprio José Sócrates:



António Costa também não foi esquecido:




Mas o pior estava para vir com a nova série de cartazes.





Eu não estou desempregada desde 2012. Não me podem envolver desta maneira. Aqueles dados são mentira”, diz Maria João Pinto, a jovem de 29 anos cuja fotografia aparece neste cartaz do PS associada à frase “Estou desempregada desde 2012″.

Estou revoltadíssima”, desabafa, esclarecendo que, desde 2012, já esteve desempregada e também já trabalhou. Mas não esteve desempregada desde 2012, nem estava quando, na quinta-feira da semana passada, tirou as fotografias para a campanha eleitoral do PS. Tinha suspendido o subsídio de desemprego — que recebia apenas desde 2014 — para poder abrir actividade e passar recibos à Junta de Freguesia de Arroios onde prestava serviço na área da comunicação.

Na manhã desse dia 30 de Julho, último dia em que esteve na Junta, foi chamada ao gabinete da presidente Margarida Martins, ex-líder da Abraço e candidata independente nas listas do PS, que lhe pediu para tirar “uma foto para a campanha do António Costa”.
Apanhada de surpresa, tanto pelo pedido como pelo aparecimento do fotógrafo logo a seguir ao almoço, deixou-se fotografar, pensando tratar-se de uma fotografia para usar em cartazes com muitas caras, e esperou pelo pedido de autorização para a utilização da foto: “Foi uma autorização para uma fotografia, mas pensei que haveria o processo a seguir.

Os comentários dos amigos na sua página do Facebook, onde tem publicadas poucas fotos do rosto, alertaram-na para o facto de que tinha a cara espalhada pelo país.

Questionada se a autorização verbal não levaria a pressupor que estava disposta a ceder os direitos de imagem, reitera que não assinou o documento necessário para que o PS pudesse usar a sua fotografia: “Não foi um consentimento. Foi-me tirada uma fotografia, mas nunca pensei que não haveria o passo a seguir que era dizerem-me para o que era e pedirem-me para assinar um papel de cedência de imagem.
Explica que não autorizou a utilização dada à fotografia, nem nunca autorizaria se soubesse como seria utilizada, justificando: “Eu não me exponho e eles expõem-me em outdoors gigantes” e ainda por cima com “uma frase falsa.”

Dois outros cartazes também têm fotografias de trabalhadores da mesma Junta cuja vida não corresponde à história pela qual dão a cara nos cartazes.



Francisco Garcês, o jovem que neste cartaz diz ter sido “obrigado” a emigrar em 2012, mora em Lisboa e trabalha na mesma Junta de Freguesia de Arroios.




Adelaide, a senhora que diz estar “desempregada há 5 anos sem qualquer subsídio ou apoio” neste cartaz, também trabalha na mesma Junta de Freguesia de Arroios através de um programa do Centro de Emprego.

No entanto, o mais caricato neste cartaz do partido socialista da campanha das legislativas 2015 é que refere uma situação de desemprego ocorrida há 5 anos, portanto em 2010 quando o país era gerido pelo... governo socialista de José Sócrates. Um verdadeiro tiro nos pés da equipa de António Costa!


*





Os cartazes onde as histórias contadas não correspondiam às pessoas foram zurzidos em todo o espectro político. Depois de ter ensaiado, em vão, outras saídas, o PS acabou por pedir desculpas públicas, em especial às pessoas implicadas em cartazes do partido que não deram autorização para a sua cara ser usada naquela campanha.

Agora só falta António Costa pedir desculpa pelo governo socialista de José Sócrates ter imposto cortes aos salários da função pública em Janeiro de 2011 e igualmente pretender cortar as pensões em 2012.

A opinião dos outros:


Luis Marques
Javali profissional, Manchester 07/08/2015 23:24
É nos pequenos pormenores que se vê o que realmente valem as organizações e partidos. Num país com 600 mil desempregados, não conseguiria o PS arranjar algum que quisesse dar a cara, contar a sua história? Num país com milhares de pessoas com falsos recibos verdes, não seria possível encontrar algum disponível?
O PS ao proceder desta forma, ao utilizar caras que não têm qualquer correspondência com a realidade descrita, gozam com quem vive essas situações na pele e só demonstram o desprezo que têm pela população portuguesa e a facilidade com que mentem e tentam enganar os portugueses.
O PS está muito preocupado com os desempregados? Até pode estar, mas aparentemente tem mais que fazer que procurar e falar com eles. Já vi candidatos a associações de estudantes de secundárias menos amadores.

MCA
Cidadã da finis terræ 07:52
Precisamos mesmo, como país, de estoirar dinheiro em campanhas eleitorais? É tudo uma mentira pegada, jogos de cintura, lixo nas ruas, sorrisos plásticos, braços no ar bem ensaiados e cronometrados...
Já estamos todos fartos disso. Parem de fazer de todos os cidadãos parvos.

Aliocha
08:23
Que vergonha! Isto assim é o descrédito total! O PS só perde com este tipo de campanha. Como votar num partido que engana às escancaras? O que não enganará, depois, nos bastidores?
Por mim, já tinham acabado as campanhas de folclore na caça ao voto. Já que desperdiçam dinheiro, ao menos sejam inteligentes!


domingo, 28 de setembro de 2014

Eleições primárias PS: Costa ganha e Seguro demite-se de secretário-geral


António Costa venceu as eleições primárias para candidato do PS a primeiro-ministro, com os resultados provisórios a indicarem que recebeu 65% dos votos.

António José Seguro anunciou demissão do cargo de secretário-geral. O líder parlamentar do PS e apoiante de Seguro, Alberto Martins, também apresentou a demissão do cargo.

Havia 243 mil inscritos: 93 mil militantes e 150 mil simpatizantes. Em Lisboa, a taxa de participação superou os 70% e no concelho do Porto ficou acima dos 65%.



*

Quem acompanhou a campanha eleitoral apercebeu-se que o combate foi renhido e que os militantes do PS estavam divididos entre os dois candidatos, talvez até a maioria apoiasse António José Seguro, enquanto António Costa recebia o apoio dos socialistas afectos a José Sócrates e ao ex-presidente da República Mário Soares e até de sociais-democratas como o genro de Cavaco Silva.
É óbvio que muitos dos que agora se disseram simpatizantes socialistas, foram inscrever-se nos cadernos eleitorais a mando dos partidos que iam perder deputados se a alteração da lei eleitoral para a assembleia da República proposta por Seguro fosse aprovada.

Em apoio a Costa formou-se um cortejo de políticos largamente beneficiados com a legislação, emanada de governos socialistas e de parlamentos onde o PS era maioritário, que concedeu subvenções vitalícias, distribuiu benesses e bloqueou a justiça com os recursos intermináveis e as prescrições: o antigo secretário-geral Ferro Rodrigues, compadre de Dias Loureiro, o administrador que desviou dezenas de milhões de euros do BPN, os ex-presidentes Jorge Sampaio e Mário Soares — este senhor arrecadou milhões de euros à sombra das suas fundações e estava furioso com o corte de 30% imposto pelo actual governo.
Nunca estes senhores permitirão que o número de deputados diminua de 230 para 181 e que os eleitores possam escolher, dentro do partido em que vão votar, o deputado que preferem como foi proposto por Seguro. E muito menos aceitam que deixe de haver promiscuidade entre a política e os negócios como também propôs António José Seguro.

Três anos e meio depois de levarem o País à bancarrota, os socratistas apoderam-se, de novo, do aparelho partidário do PS. Deixaram taxas de juro de 6,7% a 10 anos e agora o País recebe empréstimos a 3,9% com maturidade de 15 anos. Há dinheiro fresco nos cofres do Estado e aí estão eles a revoltearem à volta dele, tal como os tubarões são atraídos pelo sangue, prontos para regressarem a cargos no Estado que lhes permita sacarem-no para as suas contas offshores.

Venceram os socratistas. Venceu a partidocracia. Venceu o político que conseguiu transformar a Praça de Espanha num imenso lago depois de alguns minutos de chuva intensa, que deixou meia Lisboa ficar submersa e atirou as culpas para cima do Instituto do Mar e da Atmosfera.
Venceram os compadrios, os contratos a favor dos produtores de energia eléctrica e as PPPs. Venceram os interesses instalados depois do 25 de Abril que devoraram grande parte das 866 toneladas de ouro deixadas pela ditadura, dos 55 mil milhões de euros doados a Portugal pelos países da União Europeia e dos mais de 160 mil milhões que o país pediu emprestado aos mercados financeiros.

No entanto, a eleição de Costa vai obrigar muitos eleitores, que anularam os boletins de voto nos últimos actos eleitorais porque não se reviam em Passos Coelho e detestavam Paulo Portas, a ir votar numa provável coligação PSD/CDS nas eleições legislativas do Outono de 2015. Antes que Costa afunde o país. Há muito eleitor semi-analfabeto, diplomado pelo programa Novas Oportunidades. Mas nem todos os portugueses pensam que o dinheiro cai do céu, nem todos esqueceram a bancarrota que os socratistas infligiram ao País em Abril de 2011.


sábado, 27 de setembro de 2014

A partidocracia vai empurrar o país para um desastre


Na véspera das eleições primárias no PS, há quem não acredite que os partidos políticos portuguesas se conseguem regenerar. Não vão conseguir eliminar nem as clientelas, nem a corrupção que exaurem as finanças nacionais, restando-nos o desastre:


"O regime e os partidos

VASCO PULIDO VALENTE 27/09/2014 - 01:45

A campanha das primárias não serviu, como Seguro julga, para “democratizar” a eleição de um putativo chefe, serviu principalmente para nos mostrar o partido por dentro; o ódio fraternal que é a força motora daquela agremiação de ressentimentos.

A Monarquia caiu por causa da impopularidade da dinastia? Não. D. Luís era um rei popular e D. Carlos até certo ponto também, porque o público, e principalmente o povo urbano, o sabia anticlerical, bom copo e bom garfo e, além disso, apesar da gordura, um notório femeeiro.

Claro que D. Carlos cometeu um desastroso erro quando tentou reformar a monarquia, sem uma organização de massas, com o único e solitário apoio de uma elite de Lisboa e de alguns palacianos que o país detestava. Mas no “5 de Outubro”, se o exército não resistiu aos militantes da Carbonária, foi porque não estava disposto a defender os partidos que sustentavam o regime: o partido regenerador e o partido progressista. Na essência, as queixas não variavam do que se diz do PS e do PSD: programaticamente não se distinguiam, tinham caído na pior corrupção, só pensavam no poder e nas suas clientelas. O exército, que talvez não se importasse de sustentar o rei, não queria sustentar aquilo.

Por isso, a partir de 1910, falharam sempre as tentativas de restauração. Voltar atrás, muito bem. Excepto aos “rotativos” (o que se chama agora o “arco da governação”). Só que, tirando os “rotativos” não existia nada. Basta imaginar este nosso Portugal de 2014 sem o PS e o PSD. Qual deles seria capaz de inspirar um país exausto e desesperado? E uma coligação seria um centro de intriga mercenária e estúpida. Dada a inutilidade prática da extrema-esquerda e do CDS, começaria por deslizar para um caos relativamente manso e tarde ou cedo chegaria às mãos de um homem forte qualquer.

O episódio da “Tecnoforma”, qualquer que seja o seu fim, impedirá Passos Coelho de readquirir o respeito do cidadão comum e, por isso, em última análise, a sua presente autoridade sobre o partido. Se o PSD perder as legislativas de 2015, ficará por força à mercê das luzes de meia dúzia de autarcas, que, além de não se interessarem pelo país, vêem tudo pela fresta dos seus negócios locais. Do lado do PS, a campanha das primárias não serviu, como Seguro julga, para “democratizar” a eleição de um putativo chefe, serviu principalmente para nos mostrar o partido por dentro; o ódio fraternal que é a força motora daquela agremiação de ressentimentos. O partido não ganhará a famigerada “maioria absoluta”, que por aí apregoa, e o seu destino não irá além de uma coligação impotente, que, com ou sem o PSD, consumará o desastre."


terça-feira, 23 de setembro de 2014

Debate primárias PS na RTP


Decorreu esta noite o último dos três debates televisivos entre o secretário-geral do PS, António José Seguro, e o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, no âmbito das eleições primárias socialistas do próximo domingo que escolherão o candidato socialista a primeiro-ministro nas eleições legislativas de 2015.


23 Set, 2014


Prioridades e estratégias para o País

Como primeira prioridade assim que chegue ao Governo, Seguro elegeu "o emprego porque há mais de um milhão de portugueses que querem trabalhar e não conseguem". Para isso, a ideia do secretário-geral é lançar um "programa de reindustrialização ".
Costa, por seu turno, disse que a sua prioridade é lançar "lançar um programa de recuperação económica e social e resolver o problema da asfixia do financiamento às empresas".

Sobre os cortes nos salários da função pública e nas pensões não há diferenças

Os candidatos foram depois desafiados e explicar se pensam repor os cortes aos pensionistas. "É necessário repor os rendimentos dos pensionistas e dos funcionários públicos", disse Seguro, "mas não se faz no dia seguinte, não vendemos ilusões, consideramos que é possível com a recuperação da nossa economia".
O autarca de Lisboa sublinhou ser "possível e necessário fazer a reposição das pensões e a estabilização dos rendimentos". Mais, "é fundamental para o crescimento da economia", sendo portanto um factor indutor de crescimento e não uma consequência deste.

A convergência levou o moderador do debate a considerar que não havia distinção entre os candidatos.
Costa brincou com a situação: "Não temos de nos distinguir em tudo, temos a mesma cor da gravata, temos o mesmo clube de futebol, somos do mesmo partido".
Seguro aproveitou para argumentar que isso "só prova que esta crise não se justificava porque não há diferenças nas questões fundamentais".

Avançar agora é fácil

O debate aqueceu quando António José Seguro disse que os socialistas gostariam que na cadeira de António Costa estivesse Passos Coelho e de ver um debate na perspectiva de eleições antecipadas. Costa reafirmou que "o secretário-geral do PS teve todas as oportunidades ao longo destes três anos para afirmar a sua liderança, conduzir o partido, e os resultados foram o que foram. Estamos hoje aqui porque é necessário que o PS mude para fortalecer o PS e o PS poder corresponder ao que os portugueses anseiam", acrescentou Costa, tendo começado a exibir sondagens que lhe são favoráveis.

"A sondagem do EXPRESSO dá o líder do PS com a maior popularidade, portanto desfaz essas sondagens. O PS construiu um projecto ao longo destes três anos, com milhares de contributos de socialistas e independentes, ganhou as duas eleições, ganhou as autárquicas e as europeias e infligiu à direita a maior derrota que já teve", respondeu-lhe Seguro. "Mais, o PS enfrentou uma maioria, um Governo, um Presidente de direita, um presidente da Comissão Europeia de direita e um memorando. E tu só vens disputar a liderança do PS porque terminou o memorando. Um memorando que não negociei, não assinei, mas honrei. Tu eras o número dois da direcção que subscreveu o memorando. Agora é fácil fazer oposição. Os portugueses sabem fazer a diferença entre um líder que nos momentos mais difíceis avançou, não se refugiou, teve coragem".

Costa ripostou: "Deves estar desde pequeno a sonhar ser secretário-geral do PS. Para mim os cargos são uma missão. Há três anos entendi que havia dois quadros disponíveis, um deles que eu achava melhor — o Francisco Assis que apoiei —, não se justificava que me interpusesse". Além disso, "nessa altura tinha a câmara de Lisboa numa situação financeira muito difícil, tinha um Plano Director Municipal para fazer. O difícil começa agora. Fácil foi fazer oposição era quando estava cá a troika", afirmou. "Já deste a cara em alguma eleição? Não aceito essas lições", acrescentou ainda o autarca.

Seguro contestou que foi "candidato várias vezes quer como deputado quer para Assembleias Municipais". "Estou convencido que nesta campanha houve uma mais-valia: os portugueses começaram a conhecer-te melhor", atirou o líder do PS. "Coragem de avançar nos momentos difíceis teve o Assis e tive eu", concluiu.

Redução de deputados

O tema da redução dos deputados de 230 para 181 também provocou controvérsia. "É uma desonra para o PS. Primeiro pela oportunidade, quem quer fazer uma reforma séria do sistema eleitoral não o propõe mudar em ano de eleições. (...) 25% da representação do interior desaparecia, o PCP perdia um terço da representação e o Bloco de Esquerda perdia metade. O hábito de ganhar na secretaria é um mau hábito. É uma lei má, que não honra a história do PS", defendeu Costa.

Seguro classificou Costa como o candidato do status quo e os seus argumentos de "absurdos". "É falsa esta ideia de que os pequenos partidos vão ser trucidados e anulados; há um reforço da proporcionalidade. Se há redução de deputados, todos os círculos contribuem, mas não perdem o seu peso proporcional; perde mais Lisboa que tem 47 deputados. E se for criado um círculo nacional que recolhe todos os votos perdidos, ainda se reforça mais a proporcionalidade". Seguro também acusou Costa de não se preocupar com o interior, porque "quando era ministro da Administração Interna, defendia a redução de todas as freguesias com menos de mil eleitores".

Costa procurou manipular a questão: "O que Seguro chama de absurdo chama-se matemática. Se se for criar um círculo de compensação, o efeito que tem é agravar a sub-representação do interior e a redução do interior em vez de ser de 25% é superior". E acusou Seguro de ser co-responsável da reforma das freguesias, que cortou 1165 destas estruturas: "Se temos esta reforma absurda que temos é porque o PS não assumiu as suas responsabilidades. Teve medo, pôs-se à margem, e deixou o Governo fazer o disparate que fez."

"Somos contra uma reorganização a régua e esquadro, nós apresentamos sempre uma proposta pela positiva", declarou Seguro.
"Não apresentaste proposta nenhuma. Tu é que não tiveste iniciativa", acusou Costa, iniciando uma troca de palavras que tornou quase inaudível o que cada um dizia. O secretário-geral do PS haveria de concluir com um "não ajudes a direita, não ajudes o Governo".

Promiscuidade entre política e negócios

O debate azedou quando o moderador, o jornalista João Adelino Faria, pediu a Seguro para dar exemplos do PS ligado aos interesses e negócios que apoia António Costa.

"Vou dar-lhe um exemplo: Nuno Godinho de Matos, fundador do PS e apoiante de António Costa. Foi até há pouco tempo administrador do BES, apoiou no ano passado o candidato do PSD à Câmara de Oeiras e foi advogado da Ferrostaal no negócio dos submarinos. No outro dia deu uma entrevista e perguntado porque estava na administração do BES, disse que entrava mudo e saía calado, estava lá por razões políticas. Estamos a falar do porta-voz dos fundadores que apoiam o António Costa", respondeu Seguro. "Há um partido invisível na sociedade portuguesa (...). A conclusão é uma promiscuidade total entre o sistema financeiro, os negócios, a política e os outros partidos".

Costa reagiu com irritação: "Se tu tivesses tido um décimo da agressividade que tens contra mim na oposição a este Governo, o Governo já tinha caído. Tu tratas como traidores e inimigos os teus camaradas e não foste capaz de fazer frente ao Governo. O que acabas de fazer aqui é uma coisa muito feia, querendo-me atacar a mim em função do que fazem os meus apoiantes, ainda por cima 'ad hominem'. Achas que tens o direito, sendo tu secretário-geral do PS, de diabolizar e acusar e fazer acusações genéricas sobre o universo dos milhares de militantes e simpatizantes que me apoiam? Achas que o Jorge Sampaio e o Mário Soares e me apoiam por causa dos negócios? O que é que já fizeste de concreto na vida para combater a corrupção? Eu lancei um pacote efectivo de combate à corrupção, alterei o Código Penal para apertar a malha do crime de branqueamento de capitais. É ofensivo para mim e para os milhares de simpatizantes que me apoiam. Eu não estou aqui para receber lições. Quem recorre ao insulto e cede ao populismo não tem condições para ser secretário-geral do PS."

António José Seguro ripostou, lembrando que a sua "proposta para reforçar as incompatibilidades dos titulares de cargos políticos é uma forma de combater a corrupção, introduzindo transparência ao fazer uma separação entre política e negócios". "Eu não te fiz nenhum ataque pessoal, mas um ataque ao que considero que são os teus apoiantes. Mas o que fizeste [no domingo, em entrevista ao jornal Correio da Manhã] foi inaceitável quando me tentaste associar a um político de outro partido, que está em investigação, através de uma falsidade", disse, numa alusão ao facto de Costa ter associado consultores políticos de Seguro aos do ex-presidente da Câmara de Gaia, o social-democrata Luís Filipe Menezes. "Não recebo nenhuma lição de moral tua, nenhuma", concluiu.
"Mas fazia-te falta", replicou Costa. "Nem respondo a esse tipo de argumentação", rematou Seguro.

*

Depois deste debate, os fundadores do PS vão ficar profundamente preocupados. António José Seguro tem de ser rapidamente eliminado porque está a desmascarar a promiscuidade entre os negócios e a política. É preciso convencer rapidamente os eleitores que Costa ganhou o debate e internar Seguro como lunático antes que provoque uma revolução no podre sistema político português.

Será que os militantes e os simpatizantes do PS vão deixar-se iludir e votar a favor da partidocracia? No próximo domingo saberemos a resposta.


quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Debate Primárias PS na SIC


Depois do debate da noite passada na TVI, António José Seguro e António Costa, os dois únicos candidatos às primárias do PS do próximo dia 28 de Setembro, voltaram a enfrentar-se no segundo debate.
Nesta noite, o líder do PS e o presidente da Câmara Municipal de Lisboa focaram o debate na dívida pública:

23:02 10.09.2014


António José Seguro começou por sublinhar que traz um projecto de mudança na forma de fazer política em Portugal, separando claramente os negócios da política. Sublinhou também que o Governo PSD/CDS apostou no empobrecimento do País, tanto dos activos como dos rendimentos das pessoas, para sair da crise enquanto ele defende o crescimento económico e que o motor desse crescimento deve ser um plano de reindustrialização.
António Costa defendeu também um programa de recuperação económica para dar força às empresas, diminuir o desemprego, aumentar o salário mínimo e repor pensões cortadas. Perante a insistência de Clara de Sousa em conhecer propostas concretas, Costa esquivou-se, dizendo que não se candidata apenas às primárias: "Candidato-me para disputar as legislativas daqui a um ano e portanto fixei um calendário. Agora temos as primárias onde apresento as grandes linhas de orientação programática, depois temos um congresso onde apresentarei a proposta que levarei à concertação social para termos um contrato de concertação social estratégico que mobilize o conjunto da sociedade portuguesa para resolver os nossos problemas estruturais e finalmente, antes das eleições, a apresentação de um programa de governo”.

Seguro salientou o trabalho já feito, em Maio, pelo movimento Novo Rumo donde saiu um contrato de confiança com 80 propostas concretas para um Estado com bons serviços públicos, boa escola pública, boa protecção social e bons cuidados de saúde. "É muito importante que os portugueses saibam com antecedência quais são as bases programáticas. O próximo governo tem de ser de projecto e de alternativa. Dizemos ao país, um ano antes de haver eleições, que estamos preparados para governar Portugal com cinco objectivos: criar riqueza e emprego, recuperar o rendimento dos portugueses, reformar o Estado, ter voz firme na Europa e ter capacidade para garantir as funções sociais do Estado".
Sobre a sua proposta de eleições primárias no PS, Seguro disse que o fez porque vivemos um momento histórico na vida dos portugueses: “Vivemos uma crise de confiança nas instituições da justiça, bancárias e de supervisão e, sobretudo, uma crise de confiança no sistema político e de governação. (...) É necessário tomar a iniciativa e, na sequência das eleições europeias, comprometi-me a apresentar, e fá-lo-emos até dia 15, uma lei de incompatibilidades separando política e negócios claramente e uma nova lei eleitoral que permita a todos os eleitores portugueses, não apenas ratificar as listas dos partidos, mas também escolher o seu deputado”.

Declarando que "o Seguro tem muitas vezes uma visão de que tudo gira à volta dele", Costa criticou as propostas do contrato de confiança: "Várias delas são banais, como a 76, que não é original. (...) Destas 80 propostas, só seis propostas e meia é que não constavam do programa eleitoral de 2009", afirmando que "estas ideias que aqui estão não são do Seguro, fazem parte do património histórico do PS". Também procurou desvalorizar a nova lei eleitoral que diz ter sido apresentada em 1995 quando ele era ministro dos Assuntos Parlamentares do governo Guterres.
"O contrato de confiança foi preparado por muitos milhares de portugueses. Fica-te mal apoucar esse contributo", respondeu o líder do PS. E salientou: “A economia só cresce se tiver um motor que não gripe e para isso propomos um plano de re-industrialização com três eixos. O primeiro associado aos sectores tradicionais — os têxteis, o calçado, os moldes, ... O segundo associado aos produtos endógenos, designadamente a agricultura pois temos de reduzir o défice alimentar. E o terceiro é a quarta revolução industrial, a era do digital porque temos os recursos e somos altamente competitivos: o custo da investigação e desenvolvimento é um terço do custo na Alemanha. O plano de re-industrialização que propomos é uma coisa completamente nova. Não só dizemos onde queremos chegar, mas também como queremos lá chegar”.

Sobre a questão da dívida pública, António José Seguro expôs com clareza a sua posição: "O António Costa dizia ontem que não se podia comprometer com propostas concretas. E há uma questão fundamental que diz respeito à dívida pública. Temos um problema gravíssimo com a dívida, pagamos mais de 7 mil milhões de euros de juros e não compreendo como é que um candidato que quer ser primeiro-ministro não o considera da maior relevância".
António Costa respondeu que “a moeda única produz uma assimetria no conjunto das economias. Isso não me torna eurocéptico mas euro-exigente. Não podemos continuar a ter uma posição fraca na Europa. Para mantermos uma moeda comum a todas as economias, temos de ter um reforço dos mecanismos de compensação das desigualdades. Quando se criou o mercado interno, foram criados os fundos estruturais, mas os fundos não foram reforçados quando se criou a moeda única. (...) A questão da dívida colocar-se-á no momento próprio". E deu o exemplo dos "governos francês e italiano que estão a apostar agora, com a concordância do presidente da Comissão Europeia, em reforçar a capacidade de liquidez pelo aumento dos fundos disponíveis e não pela redução da dívida".
Seguro manifestou-se surpreendido porque "esta argumentação é, em parte, a do governo português. A dívida é um problema mas não devemos discutir agora. Foi isso que António Costa fez quando apresentou o seu documento e sobre a dívida disse zero. Ora é impossível ser candidato a candidato a primeiro-ministro e não ter uma posição clara sobre a dívida. Eu sou claro e já apresentei propostas para diminuição dos juros". E acentuou: "Desde o momento em que Mario Draghi tomou decisões no BCE, as taxas de juro baixaram. Em Portugal, eu disse isso desde muito cedo, mas responderam que era impossível. Depois todos bateram palmas a Draghi. (...) A União Económica e Monetária só é económica no nome, no resto é monetária. Há uma política cambial única, há uma política monetária única e há 18 politicas orçamentais. Tem de haver uma capacidade orçamental no seio da Zona Euro. É necessária uma resposta comum, que é através da mutualização da dívida. (...) Eu sou europeísta, mas o ideal europeu está a ser traído e não gosto da Europa que vejo. A crise começou em 2008, fora da Europa, e neste momento transformou-se uma crise da União Europeia", acrescentou.

"Vejo com satisfação que partilhamos o mesmo ponto de vista sobre a natureza e origem da crise", interrompeu Costa para, de seguida, elogiar a reforma das freguesias que fez em Lisboa e enterrar Seguro que se opôs à reforma administrativa. "Nunca deixei de andar de Norte a Sul, conhecendo melhor o nosso país", respondeu António José Seguro. "Fizeste muitos quilómetros", interrompeu o autarca de Lisboa. O secretário-geral do PS continuou: "Não estive à janela do município a ver qual era a minha oportunidade". "À janela?", contrapôs Costa. "Os autarcas andam no terreno, a conhecer as pessoas, com os pés na terra!".

Questionado sobre os possíveis entendimentos políticos do PS para formação de um governo, Seguro respondeu: "Lutaremos por uma maioria absoluta e queremos criar condições para o envolvimento político de todas as forças sociais. Se não houver maioria absoluta é meu dever procurar apoio parlamentar maioritário, mas há limites: não farei acordo com quem quer desmantelar as funções sociais do Estado, com quem quer sair do euro ou fazer privatizações como as da CGD ou da TAP. Não quero ser primeiro-ministro a qualquer custo".
Costa declarou não excluir ninguém que esteja no parlamento e avançou para mais acusações a Seguro: "O PS, nas eleições europeias, ficou muito aquém do que o País necessita. O resultado deixou-o longe de uma maioria absoluta ou de uma posição forte numa coligação".
Seguro respondeu-lhe: "O António Costa julga-se um predestinado. Nós recuperámos 75% nas sondagens e se continuássemos com a mesma cadência estaríamos no limiar da maioria absoluta. O problema foi a crise que tu provocaste".

Nas suas alegações finais, Seguro garantiu: "Os portugueses podem confiar num primeiro-ministro que não diz uma coisa antes das eleições e depois faz outra no governo. Não aumentarei a carga fiscal. Tenho um projecto de mudança de rumo para nosso país, que não pode continuar no rumo do empobrecimento. Só criando riqueza é que conseguimos combater o desemprego, garantir as funções sociais do Estado e reduzir a nossa dívida pública. Há também que mudar a forma de fazer política, não podemos misturar política com negócios. E fazer uma alteração da lei eleitoral que permita aos eleitores escolher o seu deputado porque aumenta a responsabilização e a relação entre o eleito e o eleitor. Apelo aos portugueses que se juntem a nós para concretizarmos este projecto de mudança".
Costa começou as suas alegações, saudando hipocritamente Seguro "por, depois de ter despejado ontem o seu mau ânimo, hoje não ter feito campanha com base nos ataques pessoais". Depois alertou que "não há soluções mágicas". “Temos de ter um programa de recuperação económica que inverta o ciclo da recessão. É um programa de fisioterapia centrado nas empresas, no emprego, na estabilização dos rendimentos: o aumento do salário mínimo e a garantia de que as pensões serão pagas. Para isso, precisamos de um PS mais forte e de uma liderança mais forte. O apelo que faço a todos é que até dia 12 se possam inscrever para participar nestas eleições primárias. Há que saber quem está em melhores condições de, liderando o PS, liderar esta mudança e governar Portugal", concluiu.

*

António Costa é um oportunista político que anda a engodar certos lóbis, como os ligados à cultura aos quais já prometeu a criação de um ministério da Cultura, e aos interesses políticos consubstanciados em fundações parasitas, como as da família Soares alimentadas com subsídios da câmara de Lisboa, que esperam a reposição dos subsídios cortados pelo Governo PSD/CDS. Esconde-se atrás de calendários e de chavões como “grandes linhas de orientação programática”, nunca apresentando propostas concretas para promover o crescimento económico do País que é a única via realista para diminuir a dívida pública do País.

Seguro não será um génio mas é bem intencionado e procura apresentar trabalho. Costa passou o debate a esquivar-se às perguntas que lhe foram feitas, a tentar usurpar a autoria de uma proposta de lei eleitoral por que nunca lutou e a desvalorizar o trabalho de Seguro, não recuando em falsear dados. Quando pareceu que abandonava esta táctica e ia adoptar uma atitude conciliatória, zurziu o colega à socapa. Perdeu o debate em todos os campos, sobretudo no do carácter. Representa tudo o que de pior houve na política portuguesa nos últimos 40 anos: o indivíduo que não luta por um sonho mas pelos seus mesquinhos interesses.


Debate Primárias PS na TVI


António José Seguro e António Costa, os dois candidatos às primárias do PS do próximo dia 28 de Setembro, realizaram esta noite o primeiro dos três debates acordados.


2014-09-09


Seguro começou por lembrar que António Costa foi desleal para com o líder do PS porque teve duas oportunidades para se candidatar à liderança, uma em 2011 e outra em 2013, mas preferiu recuar e assinar um acordo. Agora, na sequência de uma vitória do PS, rasgou esse acordo. "Violou uma regra e uma cultura do PS. Em 40 anos todos os líderes do PS tiveram a oportunidade de disputar as eleições legislativas. Desta vez ela é interrompida depois do PS ter obtido duas vitórias, uma nas eleições autárquicas e outra nas eleições europeias. Isto não se faz. Esta crise que o António Costa provocou ao PS é uma enorme irresponsabilidade e põe o PS, durante este tempo em que devia estar concentrado a fazer oposição ao Governo, a apresentar e a afirmar a sua alternativa, numa crise interna. Considero isto deslealdade e traição. Isto não se faz e é um sinal negativo que se dá aos portugueses, em particular aos que esperam da política, não um jogo de cadeiras e de ambições pessoais, mas que haja uma mudança no sentido dos políticos responderem aos problemas concretos dos portugueses".
Costa procurou explicar a sua atitude como um imperativo de consciência porque o PS não tem subido extraordinariamente nas votações, apesar da austeridade implementada nos últimos três anos pelo Governo PSD/CDS. Seguro respondeu-lhe, recordando a culpa de Sócrates: "Os portugueses vêem o PS como responsável. Não conseguimos mudar o passado".

O Orçamento de Estado de 2012 foi um dos pontos de discórdia no debate. António Costa disse que a abstenção do PS na votação do documento foi um dos piores momentos do partido. António José Seguro acusou Costa de, na altura, ter assumido uma posição diferente sobre esse mesmo assunto.

Questionado sobre um futuro aumento dos impostos, António José Seguro respondeu: "Não aumentarei a carga fiscal, nem surpreenderei os portugueses, como os últimos quatro primeiro-ministros", que justificaram a necessidade de subir os impostos pelas circunstâncias do momento. E fez uma promessa sob palavra de honra: "Assumirei hoje, aqui, que me demitirei se não houver outra alternativa [a aumentar impostos]. Temos de honrar a palavra. Temos de trazer isso para a política".
Já António Costa esquivou-se à pergunta de Judite de Sousa: "Não me sinto obrigado a fazê-lo neste momento", porque esta não é a altura de "apresentar as grandes linhas de programa de Governo, que não será o programa do António Costa ou do António José Seguro". Será, frisou, do PS. "Devemos ser prudentes neste momento. Se nada de anormal acontecer, as eleições serão daqui a um ano. Devemos ainda aguardar com serenidade, porque há muitas variáveis na vida politica e económica nacional e da Europa”. Deu como exemplos, a atitude do novo presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, que disse que é preciso fazer uma "leitura inteligente" do Tratado Orçamental ou as consequências da crise ucraniana.

Só quanto ao IVA da restauração é que ambos estão de acordo. Seguro voltou a prometer que o imposto irá regressar aos 13% quando, e se, for primeiro-ministro.
Costa corroborou: "Há compromissos que o PS assumiu que faço meus, como a redução do IVA da restauração". "Neste momento acho que é imprudente" dizer que é possível baixar os outros impostos. "Todos gostaríamos e eu próprio baixei o IRS e o IMI na cidade de Lisboa. Gostaria de o fazer no país, mas nenhum de nós dois está em condições de prometer", concluiu.

Concordância absoluta entre os dois num tema apenas se verificou relativamente às eleições presidenciais de 2016, com ambos a considerarem António Guterres um bom candidato presidencial socialista. Seguro apresentou três razões: "Querendo, é o socialista que o PS deve apoiar, pela sua enorme sensibilidade social, por ser um homem de diálogo (...) e pelo seu prestígio internacional".
Para Costa "se Guterres estiver disponível, será certamente um excelente Presidente. Eu votarei nele".

Nas declarações finais, Seguro disse que as prioridades do país devem ser o emprego, a sustentabilidade da Segurança Social, uma boa escola pública, um bom serviço nacional de saúde e que é preciso resolver o problema da dívida e ter boas contas públicas: "Como se resolve? Pondo a economia a crescer", só não disse como.
Já António Costa prometeu coesão social, investimento na cultura, educação e ciência e aproveitou para passar a ideia de que aquilo que está em causa "não é uma mera questão interna [do partido] e muito menos uma questão entre pessoas, mas escolha nacional sobre quem está em melhores condições para liderar o PS e para ser uma alternativa do Governo que não se distinga só pelo ritmo e pela dose".

*

Foi óbvio que António Costa pretende continuar o tipo de política que se faz em Portugal há 40 anos e que atirou o País para três bancarrotas, fazendo crescer desmesuradamente a dívida.
Seguro evoluiu bastante nos últimos meses, está mais assertivo e consciente de que é preciso começar a falar claro aos eleitores e acabar os compadrios e corrupção com origem no interior dos partidos políticos. Claramente ganhou o debate. Essa era também a opinião dos primeiros seis milhares de portugueses que responderam à sondagem da TVI no final do debate.

Os eleitores já atingiram o ponto de saturação. Alguns começam a optar por atribuir o voto a arrivistas, outros vão votar em utopias que já provaram, noutros países, que não conseguem trazer bem-estar à população e muitos passaram a anular o seu boletim de voto para mostrar o descontentamento. Esta atitude vai ameaçar o próprio regime democrático: o Estado Novo derivou de uma situação similar durante a primeira república e teve, até ao eclodir da guerra colonial nos anos 60, o apoio da maior parte dos portugueses. É tempo de mudar o modo de fazer política no nosso País e as primárias do PS podem ser um bom princípio.


sexta-feira, 4 de julho de 2014

No interior do Conselho de Estado


Nunca as reuniões do Conselho de Estado¹ tiveram consequências espectaculares na vida política nacional ou influenciaram a sociedade portuguesa. Habitualmente os conselheiros trocam opiniões, bocejam e, no final, é divulgado um comunicado inócuo proposto pelo presidente da República. Desta vez foi este
:
1 – O Presidente da República reuniu hoje o Conselho de Estado, para efeitos do artigo 145.º, alínea e), segunda parte, da Constituição, tendo como ordem de trabalhos o tema: “Situação económica, social e política, face à conclusão do Programa de Ajustamento e ao Acordo de Parceria 2014-2020 entre Portugal e a União Europeia para os Fundos Estruturais”.
2 – O Conselho de Estado analisou a actual situação social e económica portuguesa, face aos resultados do Programa de Ajustamento, concluído em 17 de Maio, e debateu as condições necessárias para que o País, nesta nova fase da vida nacional, consiga superar o desafio do crescimento económico e do emprego sustentáveis, com preservação da coesão e da justiça social, com sustentabilidade das finanças públicas e equilíbrio das contas externas e com inversão da actual tendência demográfica.
3 – Foi reconhecido pelos Conselheiros de Estado que a superação do referido desafio implica:
  • por um lado, uma voz activa de Portugal na União Europeia em prol do crescimento, do emprego e da coesão, sobretudo no processo em curso de aprofundamento da união económica, orçamental e bancária;
  • por outro lado, a utilização muito criteriosa dos fundos estruturais do Acordo de Parceria 2014-2020 entre Portugal e a União Europeia, que deverão contribuir para a obtenção de resultados positivos no debelar dos constrangimentos estruturais da economia portuguesa em matéria de competitividade, internacionalização e assimetrias regionais de desenvolvimento.
4 – Face à seriedade das exigências que o País enfrenta, o Conselho de Estado exorta todas as forças políticas e sociais, no quadro da diversidade e pluralidade democrática, a que preservem entre si as pontes de diálogo construtivo e a que empenhem os seus melhores esforços na obtenção de entendimentos quanto aos objectivos nacionais permanentes, factor decisivo da confiança e da esperança dos portugueses.
3/07/2014


Um Conselho de Estado que durou 6 horas e acabou às 23h30. Da esquerda para a direita: Luís Filipe Menezes, Luís Marques Mendes, Francisco Pinto Balsemão, Vítor Bento, Marcelo Rebelo de Sousa, Jorge Sampaio, Vasco Cordeiro, Joaquim Sousa Ribeiro, Assunção Esteves, Cavaco Silva, Passos Coelho, Faria Costa, Ramalho Eanes, João Lobo Antunes, Leonor Beleza, Bagão Félix, António José Seguro e Manuel Alegre.


Muito mais interessante do que o texto do comunicado são as propostas feitas, mas não aceites, os assuntos debatidos, mas não registados, e os argumentos apresentados pelos conselheiros. Factos que a comunicação social conseguiu trazer para fora das paredes do palácio de Belém e que nos permitem avaliar a competência, a sensatez (ou a leviandade), a compaixão dos conselheiros e os interesses defendidos.

O pagamento da dívida pública foi abordado por Jorge Sampaio que disse ser preciso "quebrar o tabu" sobre a renegociação da dívida. António José Seguro falou a seguir e defendeu a ideia, obtendo o apoio de Bagão Félix e Manuel Alegre.
A grande surpresa veio de Ramalho Eanes que não só defendeu a renegociação da dívida, como propôs mesmo a constituição de uma comissão de personalidades independentes e com credibilidade para começar a preparar as condições a serem negociadas. Para atender à intervenção do antigo presidente da República, que mostrou grande preocupação com a "injustiça social" que considera existir no país, a frase “preservação da coesão e da justiça social” ficou registada no ponto 2 do comunicado.

Em sentido contrário se pronunciaram outros conselheiros. O PÚBLICO destaca a intervenção “em tom assertivo e de forma clara” de Vítor Bento, o economista que integrou uma comissão europeia de estudo das dívidas públicas, em representação de Portugal, e que explicou as razões por que considera que não se deve renegociar a dívida neste momento:
Portugal tem prazos como nunca teve, o prazo de pagamento passou para 20 anos, o período de carência estende-se por 15 anos e os juros nunca foram tão baixos como são agora”.
Vítor Bento foi apoiado explicitamente por Leonor Beleza, Marques Mendes e Marcelo Rebelo de Sousa. Francisco Balsemão e Luís Filipe Menezes fizeram intervenções similares.
Por sua vez, o primeiro-ministro, Passos Coelho, afirmou que a mutualização da dívida vai acontecer por iniciativa da União Europeia, tendo defendido que a questão não seja objecto de uma proposta portuguesa, mas que deva ser deixada à iniciativa europeia.
Também Cavaco referiu a dívida pública na sua intervenção e lembrou aos presentes que a dívida pública ao Fundo Monetário Internacional não é negociável, devido aos estatutos desta organização.

Outros dois temas da reunião foram os fundos estruturais e a necessidade de consensos políticos.

O primeiro-ministro explicou os critérios que presidiram ao acordo com a União Europeia sobre os fundos estruturais até 2020, sendo a actuação do Governo neste domínio elogiada por todos os conselheiros. Mesmo o secretário-geral do PS reconheceu que o dossier foi bem conduzido pelo Governo de Passos Coelho, elogiou o documento elaborado pelo executivo e assumiu que, neste assunto, houve diálogo entre o Governo e o PS.

Na sua intervenção de fundo, Cavaco Silva já tinha feito questão de insistir na necessidade de consensos entre as forças político-partidárias.
No final da reunião, alertou que, se algum conselheiro não se revisse no texto, não haveria comunicado. A redacção proposta por Cavaco Silva para o ponto 4 dizia que "o Conselho de Estado apela a entendimentos interpartidários e de concertação social", mas a expressão foi imediatamente rejeitada pelo secretário-geral do PS. Face à ausência de consenso, o presidente guardou o papel no bolso.
Gerou-se então algum burburinho entre os presentes, tomando Manuel Alegre a iniciativa de propor que fossem retiradas as palavras que causavam o desacordo. A frase foi alterada para "o Conselho de Estado exorta todas as forças políticas e sociais, no quadro da diversidade e pluralidade democrática, a que preservem entre si as pontes de diálogo construtivo e a que empenhem os seus melhores esforços na obtenção de entendimentos".
Embora todos os conselheiros reconhecessem a necessidade de consensos, foi opinião generalizada que não existem actualmente condições para consensos políticos.

*

Os empréstimos do MEEF/FEEF começarão a ser pagos em 2026 e o pagamento processar-se-á ao longo dos 20 anos seguintes. Como se observava nos gráficos deste artigo e se pode confirmar no boletim mensal de Junho do IGCP que qualquer conselheiro deveria ter lido antes de entrar neste Conselho de Estado:



A maturidade dos empréstimos do MEEF será estendida por um prazo de 7 anos, em média, não se esperando que Portugal tenha de refinanciar esses empréstimos antes de 2026.
Este gráfico mostra que os empréstimos da troika têm permitido alargar os prazos de pagamento da dívida pública.


A troika emprestou quase 78 mil milhões de euros a Portugal com a TIR (juros e comissões) média de 2,8%.


Os erros da monarquia constitucional, consubstanciados na bancarrota parcial de 1892, e o caos em que se afundou a primeira República foram pagos pelos nossos pais e avós durante os 48 anos do Estado Novo.
Os políticos pós-abrilada só precisaram de 37 voltas em torno do Sol para atirarem o País para três bancarrotas — 1977, 1983-85 e 2011-14. A última foi de caixão à cova: só ao fim de 35 anos a dívida à troika estará paga.

Quanta incompetência, quanta leviandade a transparecer nas palavras de alguns conselheiros de Estado. Falam do que não sabem, mas sabem acautelar os seus interesses — é o povinho quem sai chamuscado. Primazia aos interesses pessoais ou partidários, logo se verá o resto. E votámos nós em alguns destes cavalheiros.
Esperemos que os eleitores tenham aprendido a lição, decidam controlar a politicagem e passem a desconfiar de promessas mal explicadas. E transmitam o conhecimento às gerações futuras para que estas não tenham de suportar mais bancarrotas.



Referências
  1. Pertencem ao Conselho de Estado:
    • por inerência dos cargos que desempenham, a presidente da Assembleia da República, o primeiro-ministro, o presidente do Tribunal Constitucional, o provedor de Justiça, os presidentes dos governos regionais e os antigos presidentes da República eleitos na vigência da Constituição;
    • cinco cidadãos designados pelo presidente da República: são, actualmente, João Lobo Antunes, Marcelo Rebelo de Sousa, Leonor Beleza, Vítor Bento e António Bagão Félix;
    • cinco cidadãos eleitos pelo actual parlamento: António José Seguro, Manuel Alegre, Francisco Pinto Balsemão, Luís Marques Mendes e Luís Filipe Menezes.


domingo, 22 de junho de 2014

Vacuidades


"É deste estado de descrença que temos de resgatar o país, temos de resgatar o país destas vistas curtas, temos de resgatar o país desta falta de esperança, temos de resgatar o país desta falta de futuro, temos de resgatar o país para devolver a cada portuguesa e português, às universidades, empresas e agricultores a esperança, ambição e confiança no futuro de Portugal", disse António Costa este domingo, durante o discurso de apresentação da sua candidatura à liderança do PS, no Centro de Congressos da Alfândega do Porto.

Costa frisou que "tem de haver vida" para além da visão de curto prazo em que este Governo se deixou bloquear e está a bloquear o país. "E temos de ser muito claros, mais duro do que os sacrifícios que hoje estamos a sofrer, temos de ter a noção que estamos a sofrer sem que o Governo tenha qualquer coisa para apresentar com sentido de esperança e futuro", disse.

O socialista acrescentou que é necessário olhar o país a dez anos de distância e construir uma agenda e estratégia assente na valorização dos recursos humanos, modernização do tecido empresarial e administração pública, investindo na cultura, ciência e educação e reforçando a coesão social.

*

Neste discurso, António Costa trouxe à memória o tristemente célebre "Há mais vida para além do défice" de Jorge Sampaio, uma via seguida pelos governos Sócrates que conduziram o País ao pedido de assistência financeira externa em 2011. E ficou agarrado a frases vazias e propaganda velha de quatro décadas.
Costa parece ser apenas a derradeira oportunidade de manutenção dos lugares, nas listas socialistas para as eleições legislativas de 2015, para muitos deputados da bancada escolhida há três anos por José Sócrates.
Fala em mudança. Mas até agora a única proposta concreta de mudança que fez é a de secretário-geral do PS. Tudo o resto é para manter, inclusive as listas de candidatos blindadas e a manutenção dos 230 lugares no parlamento, o limite máximo permitido pela Constituição. Mais parece o defensor dos interesses instalados na política portuguesa.

Pelo contrário, António José Seguro quer mudar o sistema eleitoral, permitindo a redução do número de deputados para 180 e a possibilidade de votação em listas abertas, em que os eleitores podem escolher um candidato fora da ordenação das listas. Já está a fazê-lo dentro do PS com as eleições primárias de Setembro e vai prosseguir para o País, se a maioria PSD-CDS aceitar a mudança da lei eleitoral, aproximando e responsabilizando os eleitos perante os eleitores.

A notícia no Negócios mereceu estes comentários:

Anónimo
22 Junho 2014 - 21:18
Costa quer um ps forte para resgatar o País do resgate que o ps pediu e obrigou o País. Porque da bancarrota que ps criou, e da qual o Costa se orgulha, o País já foi resgatado, agora já podem trabalhar para a 4ª bancarrota da história do ps.

Anónimo
22 Junho 2014 - 21:40
Este costa encontrou na câmara de Lisboa um trampolim para saltar para 1º ministro ou para a presidência da República, mas não faz a mínima ideia o que é governar um país. É duvidoso que saiba como se governa uma casa. O Sampaio também utilizou o mesmo estratagema e depois revelou-se a maior nulidade que a história deste país já produziu.
Estes homens movidos pelo ego causam danos aos países que têm que ser pagos por várias gerações. Porque sabem que vão ficar impunes rodeados de mordomias, quais Monarcas reformados.

PR1967
22 Junho 2014 - 22:19
António Costa é cada vez mais uma decepção.
Além de oportunista, é alguém que não demonstra qualquer ideia e irá fazer todas as piruetas pelo poder.
Agora cola-se à esquerda.
Se ganhar, o partido encosta-se à direita.
Se for primeiro ministro, ajoelha-se perante a troika.
Um traste!


sábado, 31 de maio de 2014

Entrevista de António José Seguro na TVI


No final da reunião da comissão nacional do Partido Socialista, em que propôs uma revolução no sistema eleitoral do partido e também do País, António José Seguro, secretário-geral do PS, foi entrevistado por Judite Sousa no Jornal das 8 da TVI.
Nessa entrevista voltou a defender a realização de eleições primárias, proposta na sua intervenção naquela reunião, como uma forma de diminuir a abstenção e atrair, para o PS, o eleitorado que vota em branco/nulo ou faz voto de protesto:



31/05/2014 - 23:26



Habituem-se, porque isto mudou


Este sábado de manhã, na reunião da comissão nacional do PS, no Vimeiro, aconteceu algo de inesperado. Os barões do PS estavam à espera que lhes fosse oferecido o partido numa bandeja, mas enganaram-se.


31 Mai, 2014, 21:51


Numa intervenção de 40 minutos, António José Seguro começou por fazer a análise dos resultados eleitorais das europeias. Num estilo audaz, com alguns laivos de ironia, começou por reafirmar as suas declarações de domingo: "O PS ganhou as eleições. Repito para que ninguém tenha dúvidas."

Depois analisou o contexto político dos últimos três anos sem rodeios. Desde José Sócrates que "iniciou as doses de austeridade", em 2011, aos partidos da esquerda radical que "consideram que [o PS] é o terceiro partido da troika", passando pela "Comissão Europeia, BCE e FMI [onde] alinharam todos no discurso favorável ao Governo". Tudo isso realça o significado da vitória do PS.

Por último, vieram as farpas para Costa. Directamente, medindo os resultados eleitorais de ambos:: "[A percentagem obtida agora nas europeias foi] muito acima do que tu, António Costa, tiveste na primeira eleição para a CML. Ficaste abaixo dos 30%."
"Acham isto pouco? Acham que isto é uma vitoriazeca? António Vitorino sabem por quanto é que ganhou? 0,5%. Só que na altura havia solidariedade dentro do PS."
As palmas dos membros da comissão nacional sublinhavam a concordância com a análise de António José Seguro.

Com a assistência ao rubro, Seguro recordava que nunca assinou ou sequer negociou o memorando da troika e que conseguiu "limitar o crescimento da esquerda": "O PCP, o BE e o Livre não ultrapassaram os 20%. O PS andou bem em relação ao eleitorado da esquerda."

Mas, para Seguro, "o melhor indicador não vem das eleições". Vem do avanço para a liderança de António Costa: "A disponibilidade que manifestou na terça-feira não a manifestou há três anos, quando o PS tinha 28% dos votos."

A seguir, Seguro passou para o campo das propostas. O que faltou foi "congregar os votos de descontentamento em relação ao sistema político e ao sistema partidário. Os votos brancos e em Marinho e Pinto atingiram 15%", lembrou Seguro.

É para estes que propõe a reforma do sistema político. É para os "desiludidos e os desencantados" com a política que apresenta a reforma da lei eleitoral, com a "redução do número de deputados para 180" e a possibilidade de votação em listas abertas, em que os eleitores podem escolher um candidato fora da ordenação das listas.
"Vamos abrir o sistema político", disse Seguro, com estas medidas que tenciona apresentar até 15 de Setembro. Como se sabe, terão a oposição do CDS e do BE porque diminui a expressão dos partidos mais pequenos, aliás o CDS era conhecido como o partido do taxi quando tinha apenas quatro deputados. Além de que os aparelhos partidários deixam de controlar os lugares elegíveis nas listas.

Seguro quer também aumentar as "incompatibilidades dos deputados, mas também de outros cargos públicos" e levar a cabo uma "separação nítida entre política e negócios", prometendo estudar uma forma de impedir que os deputados possam acumular com a advocacia.
Mais uma medida que vai mexer com os interesses instalados e terá uma tremenda oposição do PSD e do CDS. Seguro sabe-o, mas garantiu: "Irei até ao fim".

"O PS tem dois grandes adversários políticos. Um deles é a coligação PSD-CDS, que já vencemos. O outro é a indiferença e até a repulsa em relação ao sistema político", reforçou. Cilindrados, alguns apoiantes de Costa titubeavam que este era um discurso "demagógico e populista".

Imparável, Seguro continuou, salientando agora o problema interno: "[Apesar das vitórias do PS,] o Governo está descansadinho, calminho. O PS ensarilhou-se durante uma semana. Passou para a opinião pública que foram os derrotados."
E, olhando para o presidente da Câmara de Lisboa: "Já disse ao António Costa e volto a dizer-lhe olhos nos olhos: foi uma irresponsabilidade provocada por ti."

"Podíamos estar hoje aqui a comemorar a nossa vitória", lamentou o secretário-geral. "Estive uma semana em silêncio para defender o PS. Mas chegou a altura de me defender e dizer tudo o que penso."
E deu uma analogia: "Imaginem que sou um munícipe de Lisboa. Estou descontente com a recolha do lixo em Lisboa. Se não te importas, marcamos uma reunião para tu te demitires e marcarmos eleições. Mas depois concorremos os dois", provocando a risada na sala.

"No ano passado disse: 'Vamos a jogo.' O António Costa teve duas possibilidades. Teríamos com certeza tido uma disputa normal, entre camaradas. O ano passado, quando percebi que havia um movimento — visível, porque houve sempre um movimento oculto —, antecipei o meu mandato. Fiquei conhecido por 'qual é a pressa?'", continuou Seguro.
Agora é diferente: "Não me demito de secretário-geral do PS. Na minha consciência não encontro uma razão para me demitir", declarou António José Seguro, levando a sala à apoteose.

Mas há o avanço de Costa: "Não ignoro que temos um problema. Já não é só um problema interno. Agiríamos mal se não enfrentássemos esse problema".
Daí a "sugestão política inovadora", inspirada numa ideia de Francisco Assis e Álvaro Beleza, e que está em vigor nos Estados Unidos, em França no PS francês e, em Portugal, no Livre: eleições primárias.

Esta promessa "Abrir aos eleitores do PS a escolha do candidato do PS a primeiro-ministro" é para concretizar de imediato:
"Convocarei a comissão política para a semana, quer para marcar os congressos federativos, quer para iniciar este processo, novo para o PS. Àqueles que durante a semana disseram: 'O Seguro não quer o congresso porque tem medo', aqui respondo. Não tenho medo e não me escondo."

*

A reunião da comissão nacional mostrou um António Costa bloqueado na ideia do congresso extraordinário, sem capacidade de sequer enfrentar uma mudança, quanto mais de propô-la.
Atordoado com a intervenção de António José Seguro e incapaz de entender o que se está a passar na Europa — a França e a Alemanha enveredaram por eleições primárias para reforçar a democracia —, andou a recolher assinaturas (75 entre os 297 presentes) para a comissão nacional reunir, de novo, daqui a quinze dias, para pedir a convocação do congresso.
Entrada de leão e saída de sendeiro.

Costa e apoiantes revelaram-se um grupo de políticos apostados na conquista do poder para usufruto do poder, acérrimos defensores dos interesses instalados na sociedade portuguesa e sem uma ideia para mudar o caduco sistema eleitoral português. Como é que esta gente quer mudar o País?


31 Mai, 2014, 20:50


Ontem Marinho e Pinto interpretava a atitude do grupo de Costa, a quem chamava os barões do PS, como motivada pelo receio de que Seguro seja primeiro-ministro em 2015, deixando-os afastados do poder durante os anos seguintes.

Na verdade, António José Seguro passou os seis anos do consulado de José Sócrates marginalizado na última fila do parlamento. Era a pessoa ideal para dirigir o PS durante o governo da coligação PSD-CDS porque ia permitir aos eleitores esquecerem os erros e crimes de gestão cometidos pelos socratistas.

Agora, a cerca de um ano das legislativas, os barões do PS vinham reclamar o poder dentro do partido, com um discurso vazio de ideias, mas cheio de palavras sonoras como esperança, projecto e mudança.
Depois, apoiados numa tremenda máquina de propaganda, já a funcionar no terreno, tencionavam convencer o incauto eleitorado português a restituir-lhes o poder.

Esqueceram um pequeno pormenor: eles não mudaram, mas estes três anos de sacrifícios mudaram o País.

*

Reparem nestes comentários à notícia no Público:

vitor pereira
31/05/2014 16:39
O sr. seguro não pode andar a fazer comparações com eleições atrasadas para camara,quando as circunstancias eram outras. Você não tem nível nem categoria para levar o PS a ganhar as legislativas com maioria! Tem muito paleio, parece um "papagaio" até parece a cassete do PCP... O António Costa tem catagoria para ganharmos!
  • Horácio Barata
    31/05/2014 16:56
    Não sou militante nem simpatizante do PS, mas acho que António Seguro tem razão! O que está a provocar esta agitação dentro do PS é a "irmandade socrática" que quer voltar ao poder dentro do PS e se possível voltar ao poder para acabar com o resto.

tripeiro
31/05/2014 16:50
Oh homem, não sejas cobarde nem aldrabão! Ninguém disse para te demitires, apenas te lançaram um desafio para uma disputa eleitoral!
  • ContraCorrente
    31/05/2014 17:05
    Meu caro amigo tripeiro, o Secretário-Geral do PS avançou com uma disputa eleitoral onde todos podem escolher o candidato a Primeiro-Ministro. Até os abstencionistas e os que votaram nulo ou branco poderão escolher o candidato do PS a Primeiro-Ministro de Portugal.
    E vai apresentar iniciativa legislativa para permitir que o eleitorado possa votar no nome da pessoa que querem ver como seu deputado.
    Isto são propostas que têm em conta a voz do povo que com o seu silêncio gritou bem alto, mas António Costa ouve pelos ouvidos já surdos do velho cacique da Fundação Mário Soares.
    Seguro foi sensato, determinado, inovador, corajoso, enquanto que Costa só quer usurpar o lugar que Seguro conquistou e dignificou com umas boas vitórias eleitorais apesar do contrapeso da herança Socratista.

Jose
31/05/2014 19:19
Pela primeira vez aparece uma proposta que abre aos portugueses o poder que os partidos institucionais vêm mantendo, com resultados desastrosos e o afastamento dos eleitores dos eleitos. António José Seguro é o primeiro líder a procurar entender a realidade e propor uma solução. Realmente o PS comprometido mais com a velha elite e com as políticas da Troika não terá sucesso.
Nas próximas eleições a configuração da AR vai mudar muito. Com o MPT ao centro e o Livre à esquerda do PS e o PSD/CDS mais pequeno, a governabilidade vai carecer de muito jogo de cintura e alianças nunca vistas.
Esta proposta de António José Seguro a abrir o seu compromisso com os portugueses do PS, ou não, pode posicioná-lo para as soluções descomprometidas da ideia antiga, e agora impossível, "PS sozinho". Visão política?

Alfredo Simões
31/05/2014 22:04
Talvez o secretário-geral do PS António José Seguro não tenha conseguido mostrar liderança suficiente, talvez tenha andado a repetir uma cassete com pouco crédito para os decepcionados com os políticos, mas a atitude de António Costa não é limpa e também não inspira confiança em quem espera ver pessoas honradas à frente dos desígnios do nosso país.

Luis Neves
31/05/2014 23:20
Não vejo que o resultado do PS em relação ao PSD tivesse sido mau. Não pensem que os 66,6% dos que não votaram são votos do PS ou do PSD. Os 66,6% são do maior partido português.
Justamente do partido que defende o nosso país, que questiona as razões de não ter havido um referendo à entrada na Europa, que se interroga sobre as negociações com a Europa, que olha para a Europa pensando "Que futuro a Europa dará?", que se interroga porque razão os casos que envolvem políticos levam 10 anos a serem investigados e outros são arquivados...
Meus caros senhores da política: não há só uma razão. Há várias e será bom que, desta vez, não entrem no faz de conta.


terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

"O PS vai pagar caro os erros do actual primeiro-ministro"


Henrique Neto foi deputado do PS na VII legislatura (1995-1999), durante o primeiro governo de António Guterres, e é uma das vozes mais críticas, no interior do partido, da governação de José Sócrates e da falta de debate no partido.

Eis um excerto da sua entrevista de ontem ao jornal i:
Discutir, por exemplo, o número de deputados como um grande objectivo é ridículo. Do ponto de vista do custo é ridículo e o problema não é haver 230 deputados ou 180 deputados.
O problema é os deputados estarem lá e não fazerem nenhum. Não terem ideias, não terem propostas nem capacidade crítica. O problema é serem escolhidos pelas direcções partidárias em vez de serem escolhidos pelos eleitores, ou pelo menos pelos militantes dos partidos.


Os registos das sessões da Assembleia da República mostram que Henrique Neto cumpriu o seu dever de deputado, defendendo o desenvolvimento do distrito que o elegeu, em vez dos interesses partidários, e confrontando o governo de Guterres:

"22 DE JUNHO DE 1996
O Sr. Henrique Neto (PS): — Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, Sr. Secretário de Estado: Os Deputados do PS, eleitos pelo distrito de Leiria, pretendem, através desta pergunta ao Governo, defender o sistema ferroviário como uma forma moderna de transporte de pessoas e mercadorias e reivindicam, concretamente, a modernização da linha do Oeste, nomeadamente a sua electrificação e a construção da via dupla.
 As gentes do distrito de Leiria, na sua sabedoria simples, não compreendem e sentem-se revoltadas com o desamparo e o abandono a que a linha do Oeste foi votada. É que consideram que o comboio é a forma de transporte que melhor corresponde às suas necessidades, por razões de preço, de comodidade, de defesa do ambiente e, finalmente, porque coabitam diariamente com as notícias dos mortos e estropiados resultantes de acidentes nas estradas do distrito. 
Neste século, o distrito de Leiria cresceu e desenvolveu-se ao longo da via férrea que foi o eixo essencial do seu progresso e que atravessa o centro de quase todos os concelhos do distrito. É esta autêntica rede vital para o distrito de Leiria que se deixou morrer aos poucos até ao colapso actual: carruagens em que chove, horários «surrealistas» e não cumpridos, estações degradadas e ao abandono e um tempo de chegada variável, isto é, em que acontece tudo o que pode acontecer. Como transporte de mercadorias, a linha do Oeste limita-se a transportar cimento e já vai longe o tempo em que era o meio de transporte preferido para toneladas de vidro, de madeira e de combustíveis. Entretanto, apenas na Marinha Grande de hoje, três empresas vidreiras produzem 1300 toneladas de garrafas por dia, ou seja, entre 3 e 4 milhões de garrafas, o que significa dezenas de camiões diários a congestionar as estradas do País e da Europa.
 Recentemente, o distrito de Leiria foi atravessado pela auto-estrada, que é, supostamente, a nova via fundamental do distrito. Só que a A1 não tem ligação moderna a nenhuma sede de concelho, a nenhuma zona industrial, a nenhum porto de mar, a nada com interesse económico que exista no distrito. A auto-estrada A1 foi criada para ligar Lisboa ao Porto, ponto final!
 Esta «arrogância» da nova auto-estrada é um contraponto chocante à humanidade decadente representada pela velha linha do Oeste, mas é principalmente a arrogância de uma política de obras públicas desintegrada de qualquer estratégia de desenvolvimento, obras que representam apenas custos, sem contribuir significativamente para a criação de riqueza e competitividade da nossa economia. 
Por outro lado, representa o modelo típico. dos países subdesenvolvidos, porque em vez de se fazer a manutenção e a modernização dos equipamentos existentes, deixam-se ao abandono e fazem-se novos. Por esta e por outras é que somos pobres! 
Por nós, o caminho de ferro será o grande meio de transporte do século XXI, e para que tal aconteça nem sequer é necessário pensarmos nos novos supercondutores ou em comboios que circulam a 600 ou 800 km/hora. Basta ver o que acontece na Europa. O que é moderno é poder chegar a Lisboa numa hora, com todo o conforto e segurança, a ler o jornal ou a tomar o pequeno almoço, em vez de se gastar a mesma hora nos engarrafamentos das zonas urbanas das duas cidades.
 Modernidade é ainda antecipar a linha do Oeste como uma extensão do sistema de transportes da grande Lisboa do futuro, quando for uma rotina ir à praia a S. Martinho, à Nazaré, ou almoçar em Óbidos, a partir de qualquer ponto da Área Metropolitana de Lisboa, em apenas 45 minutos; modernidade é a criação de uma rede de transportes que sirva os cidadãos com conforto, bem como as empresas e a economia, em que o objectivo essencial seja promover a qualidade de vida das pessoas e a competitividade das empresas portuguesas no mundo.
O Sr. Presidente (João Amaral): — Queira concluir, Sr. Deputado.
O Orador: — Termino, Sr. Presidente, com uma pergunta simples: o que pensa o Governo fazer relativamente à linha do Oeste?
O Sr. Presidente (João Amaral): — Para responder, tem a palavra o Sr. Secretário de Estado dos Transportes.
O Sr. Secretário de Estado dos Transportes (Guilhermino Rodrigues): — Sr. Presidente, Sr. Deputado Henrique Neto, antes de responder à questão que me colocou, gostaria de enquadrar a intervenção que o Governo pensa fazer na linha do Oeste com alguma reflexão, ou seja, enquadrar a estratégia que vamos seguir com o que se tem passado nos últimos anos. 
Com efeito, ao longo dos últimos anos, tem havido uma quebra substancial do tráfego de passageiros na linha do Oeste, quebra essa que, nos últimos cinco anos, atinge os 12%. Esta situação deve-se, certamente, ao aumento da competitividade da rodovia em relação ao caminho de ferro. 
Por outro lado, relativamente ao tráfego de mercadorias na linha do Oeste, aí sim, verifica-se um aumento substancial, situado na ordem dos 40%.
 Ainda no que diz respeito aos passageiros, ao longo de toda a linha, há uma distribuição muito desequilibrada da procura, ou seja, existem tráfegos com alguma intensidade entre Lisboa e Torres Vedras e tráfegos relativamente diminutos entre Torres Vedras e Figueira da Foz. Pelo contrário, ao nível das mercadorias, os tráfegos crescem, fundamentalmente, entre Torres Vedras e a Figueira da Foz.
 Existem, portanto, duas estratégias de intervenção para a linha do Oeste: por um lado, nos troços entre Lisboa e Torres Vedras, será feita uma melhoria substancial ao nível do tráfego de passageiros, através da duplicação e electrificação da via, prevendo-se um investimento de 10 milhões de contos até ao ano 2000; por outro lado, nos troços entre Torres Vedras e Figueira da Foz, os investimentos serão destinados, muito mais, a potenciar esta linha como transporte de mercadorias, ou seja, entende-se que todo o desenvolvimento desta região pode ter como suporte o caminho de ferro e uma boa acessibilidade a este. Assim, está em estudo a sua ligação ao porto da Figueira da Foz e, ao mesmo tempo, vai tentar-se melhorar a sua inserção na Rede Ferroviária Nacional principal, isto é, a linha do Norte. Neste troço, estão em causa investimentos no valor de 2,7 milhões de contos, precisamente por causa do crescimento que se tem verificado, nos últimos anos, ao nível do tráfego de mercadorias, designadamente nas áreas do papel e das madeiras, bem como dos cimentos e dos cereais. No fundo, os investimentos serão canalizados, fundamentalmente, para criar uma maior acessibilidade à Rede Ferroviária Nacional e à zona portuária.
O Sr. Presidente (João Amaral): — Para pedir esclarecimentos ao Sr. Secretário de Estado dos Transportes, para além do Sr. Deputado Henrique Neto, inscreveram-se os Srs. Deputados Nuno Abecasis e Roleira Marinho. Tem a palavra o Sr. Deputado Henrique Neto, por dois minutos.
O Sr. Henrique Neto (PS): — Sr. Presidente, Sr. Secretário de Estado dos Transportes, devo confessar que o que me diz não é muito animador. A minha avó, que era uma senhora relativamente sábia, costumava dizer que só fica feito aquilo que se faz! Sei que é uma evidência, mas por vezes esquecemo-nos disso. O Sr. Secretário de Estado falou de algumas dificuldades, dificuldades essas que são conhecidas e que resultam do facto de não ter existido nenhum estudo sério sobre o que pode representar uma linha férrea moderna naquela região. A linha do Oeste é essencial para as pessoas do distrito de Leiria, mas é evidente que, em presença da degradação da via, as pessoas não a utilizam — faço o caminho entre a Marinha Grande e Lisboa três a quatro vezes por semana e, se existisse um caminho de ferro razoavelmente moderno, a última coisa que me passaria pela cabeça era vir de automóvel! É evidente que, como eu, há dezenas ou centenas de milhares de pessoas que também o fariam, pessoas essas que, sendo normalmente oriundas das classes médias ou médias-altas, são as que melhor podem pagar estes serviços. Portanto, do meu ponto de vista, a situação actual não serve de exemplo para coisa nenhuma. Penso que deve ser feito um estudo sério sobre esta questão que nos permita saber, para começar, quais as pessoas, as classes sociais que se deslocariam a Lisboa, à Figueira da Foz, às Caldas da Rainha ou a Torres Vedras, utilizando a via férrea, e quais as empresas com grandes movimentos de cargas que poderiam usar o caminho de ferro para o efeito. Posso dizer que, por exemplo, na garrafaria de que já falei existe o desejo de poder fazer o transporte das garrafas por caminho de ferro, porque seria um meio mais eficaz, mais barato, que não congestionaria as estradas e envolveria uma gestão e uma logística mais simples. 
A questão do desequilíbrio da procura é evidente, Sr. Secretário de Estado, porque as pessoas das classes médias, que possuem automóvel ou podem recorrer a outras alternativas, não utilizam a linha do Oeste, que é pré-histórica! Só as pessoas que não tem qualquer alternativa — e são muito poucas — é que o fazem.
 Creio que não podemos encarar este problema da linha férrea com uma lógica do passado, antes temos de perguntar qual vai ser a forma de transporte privilegiada do futuro e em que medida uma linha férrea moderna pode servir não só os habitantes da Área Metropolitana de Lisboa, que «passa a vida na ponte», sem alternativas de transporte para outros locais, como também todas as pessoas da região Oeste, da Alta Estremadura.
O Sr. Presidente (João Amaral): — Tem a palavra o Sr. Deputado Nuno Abecasis, que dispõe de um minuto para formular a sua pergunta.
O Sr. Nuno Abecasis (CDS-PP): — Sr. Presidente, Sr. Secretário de Estado dos Transportes, penso que a pergunta que o Sr. Deputado Henrique Neto aqui nos trouxe foi bastante oportuna, até porque é dificilmente explicável que se fale, com grande insistência, da necessidade de criar um corredor de transporte pesado entre Loures e Lisboa — que não se sabe muito bem por onde é que poderá penetrar em Lisboa... —, e nunca tenha ocorrido a ninguém que a linha do Oeste seria uma excelente alternativa, principalmente se fosse possível fazer a ligação de Loures não directamente a Lisboa, mas aumentando o hinterland da Linha do Oeste. Sr. Secretário de Estado, esta é uma ideia que pode ser criadora.
 De facto, também penso como o Sr. Deputado Henrique Neto: no dia em que circularem nos carris da linha do Oeste carros de bois vai ver que não passa lá ninguém! E o que se tem feito até agora é aproximar as carruagens dos carros de bois.
O Sr. Henrique Neto (PS): — É verdade!
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Na entrevista de ontem o empresário defende que a única solução para o país passa pelo próximo congresso dos socialistas substituir José Sócrates por António José Seguro.
O ex-deputado alerta que, se reeleger José Sócrates, "o PS vai pagar caro os erros do actual primeiro-ministro" e corre o risco de ser empurrado para a oposição durante muitos anos.


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António José Seguro é um licenciado em Relações Internacionais por uma universidade privada irrelevante que se profissionalizou na política: secretário-geral da Juventude Socialista, entre 1990 e 1994 e deputado à Assembleia da República, eurodeputado ou membro do governo a partir de 1991. Talvez seja o melhor que por lá se consegue encontrar... Vejamos a opinão de alguns comentadores da notícia:

abx 08 Fevereiro 2011
O PS?
O PS vai pagar? Eu quero que o PS se dane. Estou preocupado é com Portugal e os portugueses. Comecem a pensar pela própria cabeça e estabeleçam paralelismos com a I República.

ABemDaNacao 08 Fevereiro 2011
Uma chapelada ao Henrique Neto!
Que seguramente não pertence à geração "tão parva que eu sou".
Para mal dos nossos pecados, quase tudo o que este senhor diz é a mais crua verdade. Apenas não concordo quando diz que o que o José Sócrates faz é quase sempre errado. Eu diria que é exactamente ao contrário, é quase sempre certo, mas não genuinamente na lógica do beneficio dos cidadãos, da sociedade e da economia.
Sabemos que a democracia ainda é o melhor dos sistemas mas não é um sistema perfeito. A pergunta que fica para reflexão é: como podemos prevenir que líderes com este tipo de perfil e padrão de valores possam chegar a ocupar as posições de PM ou de PR (no caso actual, infelizmente, não muito diferente, embora em estilo algo distanciado do outro)?

HectorX 08 Fevereiro 2011
PS e oposição interna
É importante que se conheça que há vozes internas que pensam e propõem alterações no PS. Este partido está tomado pelo "aparelho" e dificilmente Assis, Lelos, Almeidas, etc e associados em simbiose e que se aproveitam das regalias do partido e do Estado vão permitir alterações. Seja como for, parece também ser estranho que apenas agora, na desgraça, apareçam os "coveiros" e infelizmente num tom pessoalista e fulanizado o que, para pessoas sérias, parece tratar-se de vendita. Temos muitos que querem fazer política, e poucos que tenham qualificação, e tal passa transversalmente por todos os partidos.

Olisipone 08 Fevereiro 2011
Mediocridade e servilismo
Pelos comentários se vê que há aqui muitos adeptos do Sócrates e muita gente desonesta, que se deve ter estado a servir bem nestes anos de desgoverno PS e que continua a tentar aproveitar-se.

Manelze 08 Fevereiro 2011
Sem partido, clube ou religião
E não gosto do Socas nem com molho de tomate. Parece-me aquele sujeito que está nas feiras a vender aquelas pomadas que dão para todas as doenças. Estou nas tintas para o PS, BE, PSD, PCP. São todos tão iguais que só se nota diferença no fato de macaco que albergam quando estão à manjedoura. Estou nas tintas para as ditaduras internas de cada partido. Ninguém anda lá por obrigação.
Mas, uma coisa é certa. A senhora Merkel está a ditar as ordens e o Socas está a cumpri-las na íntegra. Portugal parece um animal de matilha, "tem que ter um líder". Que Portugal tenha proveitos.

Observador-JF 08 Fevereiro 2011
É tempo de clarificar posições
Não concordo com tudo o que Sócrates tem feito, mas temos que reconhecer, primeiro, que ele tem feito muita coisa, e muita coisa boa, e tem demonstrado muita coragem e determinação na governação do País.
As oposições dos outros partidos, se acham que sabem e podem fazer melhor, devem apresentar a tal anunciada moção de censura o mais breve possível.
As oposições internas no seio do PS, se existem, que avancem e vão a votos já para o mês que vem.
Se uns e outros o não fizerem, e até por uma questão patriótica, deixem governar quem foi eleito para o fazer. E não dificultem ainda mais a governação nestes tempos de crise internacional em que vivemos.

ABemDaNacao 08 Fevereiro 2011
Não concordo com a tese de que mais vale ...
... termos um ditador manipulador que nos conduziu até onde hoje estamos, porque fala bem e fica bem no boneco, do que termos sabe-se lá o quê.
Certo que a situação actual não começa com o PS de Sócrates, começa bem lá mais atrás, com o Sr. que hoje se instalou em Belém.
Espero que os Portugueses abram bem os olhinhos e que não se ponham com maiorias absolutas, que degeneram no que se sabe, mas sim que obriguem os partidos a encontrar compromissos e equilíbrios na AR. Parece-me a única via para refrear a sofreguidão, voracidade, agressividade e intolerância de quem está dentro e para além dos aparelhos partidários, a qual está, aliás, bem retratada em alguns dos comentários aqui deixados...

partidocracia 08 Fevereiro 2011 - 22:53
Vencedores antecipados
Os partidos nunca deviam ter o poder de impor aos eleitores a ordem pela qual os lugares de deputado são atribuídos aos membros da lista.