O circuito fechado de televisão de um centro comercial em Jingzhou, na província chinesa de Hubei, mostra como um acidente trágico ocorrido numa das escadas rolantes, em 26 de Julho de 2015, poderia ter sido evitado.
Duas funcionárias inspeccionam as escadas rolantes do centro comercial, após trabalhos de manutenção, e verificam que, no topo da escada ascendente, o painel intermédio do pavimento está solto (10:05:55).
Afastam-se, passado um par de minutos regressam e acabam por ficar junto do painel problemático — ou não foi possível ou não foram autorizadas a desligar o equipamento e ninguém se lembrou de cortar o acesso à escada.
Entretanto, um casal com uma criança pela mão aproxima-se da base da escada e, enquanto o pai aguarda, a mãe vai passear o filho pelas escadas. A meio da subida é avisada do problema no painel e ergue a criança do degrau. Todavia, quando chega ao topo, assenta os dois pés justamente no painel solto e este cai (10:10:11). Mais de 4 minutos tinham passado desde que o perigo fora detectado.
Sentindo-se arrastada pelos degraus rolantes para o interior da escada, Xiang Liujuan empurra o filho que é agarrado por uma das funcionárias (10:10:14). Esta tenta libertar também a jovem, segurando-lhe a mão e puxando-a com força para fora do mecanismo (10:10:16). Em vão, a escada rolante só pára 6 segundos depois.
Na China há graves falhas de segurança porque o regime totalitário não incentiva, bem pelo contrário, o respeito pela vida humana. Esta é mais uma razão porque receio tanto a influência chinesa na Europa e, em particular, em Portugal.
Os alunos de 15 anos de Xangai ultrapassaram os estudantes de todos os 65 países participantes — os 34 países membros da OCDE e 31 países parceiros — em Matemática, Ciência e Leitura, de acordo com o Programa Internacional de Avaliação do Aluno (PISA) em 2009 e 2012, superando-se a si próprios entre as duas avaliações.
É certo que a China não participou como país, apenas os territórios de Xangai, Hong-Kong e Macau. Mesmo assim, qualquer um desses territórios ficou muito à frente de Portugal. Mas não chega, diz o autor do artigo — repleto de informação relevante — que a seguir transcrevemos com a devida vénia.
Tempo dos pais que andam a educar os filhos para príncipes, mas sem a concomitante preparação e sentido de responsabilidade, dos professores que andam a inventar sucesso nas reuniões de avaliação, mas fogem da prova de avaliação de conhecimentos e capacidades, e da sociedade portuguesa que anda a exigir mais bem-estar, mas recusa mudar do sistema da cunha para o princípio do mérito, lerem atentamente este artigo, reflectirem sobre o conteúdo e acordarem para a realidade mundial:
Em termos de qualidade e de sustentabilidade do modelo de crescimento, a China tem um longo caminho pela frente.
Nos últimos 35 anos, o forte e sustentado crescimento da produção — média superior a 9,5% em termos anuais — conduziu a uma transformação milagrosa de uma economia rural e planificada para uma superpotência económica mundial. De facto, segundo os cálculos mais recentes do Banco Mundial relativos ao poder de compra dos rendimentos agregados, a China está próxima de ultrapassar os Estados Unidos da América (EUA) como a maior economia mundial. Mas, em termos de qualidade e de sustentabilidade do modelo de crescimento, a China tem um longo caminho pela frente.
Apesar do seu notável crescimento, os 10.057 dólares (ajustados ao poder de compra) de rendimento per capita da China, em 2011, estão na posição 99 em termos mundiais — cerca de um quinto do rendimento per capita dos Estados Unidos, que é de 49.782 dólares. E alcançar o estatuto de país com elevados rendimentos não é um feito fácil. De facto, muitos países tentaram e falharam, deixando-os na chamada armadilha dos rendimentos médios, na qual os níveis de rendimentos per capita estagnaram antes de cruzarem o limiar dos elevados rendimentos.
Um capital humano forte é essencial para permitir à China escapar a este destino. Mas a actual força de trabalho chinesa não tem as capacidades necessárias para apoiar as indústrias de alta tecnologia e de elevado valor. Alterar isto vai exigir uma reforma educativa ampla que aumente e melhore as oportunidades para as crianças, enquanto fortalecem as competências para os adultos.
De facto, durante as últimas quatro décadas, a qualidade da força de trabalho na China melhorou substancialmente, o que é reflectido em ganhos impressionantes no sucesso escolar. As taxas brutas de matrículas ao nível primário ultrapassaram os 100% desde a década de 1990, enquanto as taxas de matrículas ao nível do secundário e do ensino superior atingiram os 87% e os 24%, respectivamente, em 2012. Em 2010, mais de 70% dos cidadãos chineses com idades entre os 15 e os 64 anos receberam educação ao nível do secundário, o que compara com os cerca de 20% em 1970.
Além disso, os estudantes chineses apresentam bons desempenhos em testes internacionais comparáveis. Jovens de 15 anos em Xangai ultrapassaram estudantes de 65 países, incluindo 34 países da OCDE, em matemática, ciência e leitura, de acordo com o Programa Internacional de Avaliação de Aluno (PISA) em 2009 e 2012.
A China beneficiou também do rápido crescimento do emprego, com mais de sete milhões de trabalhadores a entrarem para o mercado de trabalho, todos os anos, desde 1990. Isto, em conjunto com uma grande reafectação dos trabalhadores das áreas rurais para as áreas urbanas, acabou por apoiar as indústrias transformadoras de trabalho intensivo, o que impulsionou o crescimento económico da China.
Mas a vantagem demográfica da China está a diminuir rapidamente devido às baixas taxas de fertilidade e ao envelhecimento da população. De acordo com a Organização das Nações Unidas, em 2030 a população activa chinesa (dos 15 aos 59 anos de idade) vai diminuir em 67 milhões de pessoas, tendo em conta os níveis de 2010.
Além disso, o ensino superior na China deixa muito a desejar, com os inquéritos aos empregadores a revelarem que os diplomados do ensino secundário e universitário frequentemente têm faltas de conhecimentos técnicos necessários e de competências sociais. Por exemplo, em 2013, mais de um terço das empresas chinesas que responderam ao inquérito afirmaram terem tido dificuldades em recrutar trabalhadores qualificados, com 61% a atribuírem isso à escassez de competências de empregabilidade em geral. Assim, como é que pode a China esperar alcançar a diversidade de exportações e modernização tecnológica que precisa para promover-se na cadeia de valor mundial?
Claramente, a China precisa de reformar as suas instituições de ensino superior, incluindo os programas de formação técnicos e vocacionais. Ao mesmo tempo, tem de aumentar as oportunidades para que qualquer pessoa com talento possa ter acesso a um ensino secundário e superior de qualidade, reduzindo deste modo, e substancialmente, as disparidades na acessibilidade e qualidade no ensino superior pelas regiões e pelos grupos sociais. E aos filhos de migrantes nas áreas urbanas têm de lhes ser garantido acesso total ao sistema educativo. Tais esforços para reduzir as disparidades educacionais ajudariam a abordar o desequilíbrio de rendimentos — uma ameaça significativa para o crescimento económico futuro da China.
Tudo isto vai exigir um aumento do investimento público na educação. Actualmente, o investimento público da China em educação, em percentagem do PIB, está abaixo dos padrões internacionais em todos os níveis, mas especialmente no ensino secundário e superior.
Os desafios educacionais na China também se estendem à qualidade. Um ensino inadequado é o principal motor do crescimento do desemprego na China entre os diplomados do ensino secundário e superior, para não falar na diminuição do seu prémio salarial. Isto pode ser solucionado através de um melhor financiamento, de um recrutamento mais efectivo e uma política de compensações e com administrações escolares mais descentralizadas no que diz respeito à tomada de decisões.
Finalmente, apesar de alguns dados sugerirem que existe um excesso de oferta nos licenciados das universidades na China, as actuais alterações demográficas e sectoriais significam que a China vai deparar-se com um défice de abastecimento de 24 milhões de licenciados altamente qualificados ou de escolas de formação profissional até 2020. Para colmatar esta lacuna, a China tem de melhorar os seus programas de formação profissional e técnicos.
Para assegurar que a força de trabalho cumpre com as exigências das rápidas alterações económicas e tecnológicas, a China tem de construir um sistema educativo de alta qualidade. Sem isso, a China pode não conseguir ser a primeira economia mundial por muito tempo.
Lee Jong-Wha é professor de economia e director do Asiatic Research Institute na Universidade da Coreia, e é também conselheiro para os assuntos económicos internacionais do antigo presidente sul-coreano Lee Myung-bak.
May 21
Sob os aplausos dos presidentes Vladimir Putin e Xi Jinping, os responsáveis pelas empresas estatais russa Gazprom e chinesa China National Petroleum Corp (CNPC) assinaram, em Xangai, um acordo pelo qual a Rússia vai fornecer 38 mil milhões de metros cúbicos por ano à China, a partir de 2018, durante 30 anos.
O gás será transportado através de um novo gasoduto ligando os campos de gás da Sibéria aos principais centros da China.
Este negócio irá cobrir uma parte importante das necessidades energéticas chinesas, que atingiram 170 mil milhões de metros cúbicos no ano passado, mas representa apenas 25% dos mais de 160 mil milhões comprados pelos países da União Europeia nesse ano.
Quanto ao preço por mil metros cúbicos, ficou no segredo dos deuses. No entanto, a estação de televisão Russia Today estima, e os analistas concordam, que o preço final rondará os 350 dólares (255 euros) por mil metros cúbicos, não muito longe do valor médio pago pelos países da União Europeia que é 380 dólares (277 euros).
Embora a União Europeia (UE) continue a ser o mercado mais importante para o gás russo, este negócio permite à Rússia diversificar os destinos das suas exportações depois do arrefecimento das relações entre Moscovo e a UE causado pelo golpe de estado na Ucrânia.
A China tinha a possibilidade de lançar um projecto de gás em Sichuan ou de importar gás natural liquefeito dos Estados Unidos, de modo que o acordo foi considerado na Rússia como uma enorme vitória política do presidente Vladimir Putin.
Este admitiu que as negociações foram difíceis e descreveu-o como um contrato histórico: "É, de facto, um acontecimento histórico para o sector do gás da Rússia e da União Soviética. É o maior contrato da história do sector do gás da antiga URSS".
A Gazprom planeia construir uma nova fábrica de gás natural liquefeito (GNL) perto de Vladivostok, na costa do Pacífico, mas não tem a infra-estrutura necessária para fornecer o gás. O gasoduto para a China vem resolver o problema, posicionando o terminal de Vladivostok perto dos principais compradores de GNL do Japão e da Coreia do Sul, bem como do mercado em crescimento na costa leste da China.
*
Quem não ficou propriamente radiante com o acordo foi o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, devido ao peso do gás russo nas compras de energia dos países da UE.
Tanto mais que, no início da semana passada, Vladimir Putin escreveu a alguns líderes europeus, sublinhando não ter recebido nenhuma proposta concreta para o pagamento da dívida da Ucrânia à Rússia pelo fornecimento de gás. Trata-se de uma dívida de 3,5 mil milhões de dólares da Ucrânia à Gazprom e a empresa está a exigir que aquele país efectue o pré-pagamento de 1,6 mil milhões de dólares pelo fornecimento de Junho.
Se não houvesse avanços, alertou Putin, as torneiras do gás russo iriam fechar-se em 1 de Junho, com o consequente corte no fornecimento para os países-membros da UE que recebem gás pelos gasodutos que atravessam o território ucraniano, o que corresponde a metade do gás fornecido à UE.
"Enquanto decorrerem as negociações a três [UE, Ucrânia e Rússia], o fornecimento de gás não deve ser interrompido. Conto com a Rússia para manter esse compromisso", escreveu Durão Barroso em resposta.
"A Malaysia Airlines lamenta profundamente ter de assumir, sem margem para dúvidas, que o voo MH370 está perdido e que ninguém a bordo sobreviveu. Tal como ouvirão na próxima hora do primeiro-ministro da Malásia, temos de aceitar que todas as provas sugerem que o avião caiu no sul do oceano Índico."
Foi esta a mensagem que a Malaysia Airlines enviou hoje às famílias dos 227 passageiros e 12 tripulantes do voo MH370 desaparecido no passado dia 8 de Março, quando seguia de Kuala Lumpur para Pequim. A companhia aérea teve a sensibilidade de fazer contactos pessoais ou por telefone, mas a alguns familiares foi enviado um SMS.
A notícia foi um golpe terrível para as famílias dos 153 passageiros chineses, ao destruir a esperança a que muitos se tinham agarrado de que o avião havia sido sequestrado e levado para algum local remoto onde os passageiros poderiam ainda estar vivos, dando lugar a actos de desespero.
March 24
Pouco depois, pelas 22:00 (14:00 em Lisboa), o primeiro-ministro da Malásia, Najib Razak, comunicava em conferência de imprensa:
"Esta noite, falei com representantes do Air Accidents Investigation Branch (AAIB) [Departamento de Investigação de Acidentes Aéreos] do Reino Unido. Informaram-me que a Inmarsat, a empresa britânica que fornece dados de satélite e que indicou a existência dos corredores norte e sul, tem estado a fazer novos cálculos a partir dos seus dados. Usando um tipo de análise nunca antes utilizado numa investigação deste género, eles conseguiram fazer luz sobre a rota do MH370.
Com base nesta nova análise, a Inmarsat e a AAIB concluíram que o MH370 voou ao longo do corredor sul, e que a sua última posição foi a meio do oceano Índico, a oeste de Perth [Austrália].
É um local remoto, longe de qualquer sítio onde seja possível aterrar. Por isso, é com profunda tristeza e pesar que, de acordo com estas novas informações, somos obrigados a concluir que o voo MH370 acabou no sul do oceano Índico.
Amanhã daremos uma conferência de imprensa com mais pormenores. Entretanto, iremos informando sobre novos desenvolvimentos, mal eles existam. Partilhamos esta informação num espírito de transparência e de respeito pelas famílias — dois princípios que sempre regeram a nossa investigação.
A Malaysia Airlines já falou com as famílias dos passageiros e da tripulação sobre este desenvolvimento. Para eles, as últimas semanas foram dilacerantes; sei que estas novas notícias ainda são mais duras. Peço aos media que respeitem a sua privacidade e que lhes dêem o espaço de que precisam neste momento difícil."
Chris McLaughlin, vice-presidente da Inmarsat confirmou que a empresa passou os últimos seis dias a rever os dados do voo 370, em estreita colaboração com a Boeing e outros peritos envolvidos na investigação e concluiu que o avião deve ter voado para o sul: "A nossa série de medidas dos sinais recaem sobre a pista sul já prevista, após a provável última curva". Acrescentou que esta análise admitiu a hipótese de que o avião manteve aproximadamente a mesma velocidade e a mesma direcção nas últimas horas de voo, tendo sido submetida à AAIB. "O que ainda não se pode dizer é o que aconteceu no final, quando o avião ficou sem combustível. Não temos nenhuma maneira de saber se se despenhou ou planou", concluiu.
Portanto começa a tomar forma a ideia de que o Boeing 777 voou cerca de sete horas com o piloto automático, emitindo sinais para um satélite de hora a hora, o último dos quais foi recebido às 8:11. E só se desestabilizou quando o combustível se esgotou.
Já o motivo porque o avião alterou radicalmente a trajectória de voo, depois do último contacto de voz do co-piloto com a torre de controlo pelas 1:19, permanece envolto em mistério. É que esta inversão da rota não é executada manualmente usando os controles do cockpit, é inserida num computador do cockpit antes ou depois da descolagem. A ocorrência de um incêndio a bordo pode ser uma explicação plausível.
O mistério ficará esclarecido com as gravações contidas nas caixas negras do avião e, por isso, todos os esforços se concentram na sua recuperação do fundo do oceano. O Comando do Pacífico dos Estados Unidos vai enviar um navio com um sonar capaz de detectar os pings de uma caixa negra a uma profundidade de 6 km.
*
Usando o efeito Doppler relativístico, a Inmarsat analisou pequenas variações na frequência dos sinais emitidos pelo avião e captados por um seu satélite geoestacionário sobre o oeano Índico. Esta análise permitiu inferir a trajectória do avião e calcular a localização final.
Eis uma brevíssima explicação do efeito Doppler:
Quando um seixo cai num lago, propagam-se ondas circulares à superfície da água. Nesta animação as circunferências rosa representam ondas sonoras emitidas pela sirene de um carro. Enquanto o carro está parado, as frentes das ondas são simétricas.
Quando o carro começa a mover-se, cada onda é emitida a partir de uma posição um pouco mais à esquerda do que a onda anterior. Para um observador à frente do carro, cada onda leva menos tempo a chegar até ele que a onda anterior. As ondas "acumulam-se", o tempo entre a chegada de frentes de ondas sucessivas diminui, logo a frequência aumenta (som agudo). Para um observador atrás do carro, as ondas "apartam-se", o tempo entre a chegada de sucessivas frentes de onda aumenta, logo a frequência baixa (som grave).
Em conclusão: para um observador a sirene soa mais aguda quando o carro se aproxima e mais grave quando o carro se afasta — é o efeito Doppler.
Avião em repouso. Emite pings com a frequência f.
O satélite vai receber a frequência f, esteja onde estiver.
Avião está a mover-se para a direita. Emite pings com a frequência f.
Como a fonte está em movimento, o centro de cada nova frente de onda está ligeiramente deslocado para a direita. Portanto as frentes de onda começam a acumular-se no lado direito (em frente do avião) e a apartar-se no lado esquerdo (atrás do avião). Se o satélite estiver na frente do avião vai receber uma frequência maior que f, se estiver por trás vai receber uma frequência menor que f.
Simulador do efeito Doppler
Ponha o avião S a emitir ondas electromagnéticas circulares (start emission). Depois desloque o avião (clicar e arrastar).
Observe a variação de frequência das ondas detectadas pelo satélite O.
O programa de autorizações de residência para investimento (ARI) a cidadãos estrangeiros — os vistos gold — foi criado, em Outubro de 2012, pelo então ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas. A ideia é atribuir autorizações de residência por seis anos a estrangeiros que invistam pelo menos 500 mil euros na aquisição de imobiliário, transfiram capitais no montante de, pelo menos, 1 milhão de euros ou criem, pelo menos, dez postos de trabalho.
O cidadão agora detido pediu a autorização em Julho de 2013 e o visto gold foi concedido em Janeiro deste ano, apenas um mês antes da emissão do mandado de captura pela Interpol.
Durante o processo de averiguações que antecede a concessão de um visto, a China não informou Portugal sobre as suspeitas que recaíam sobre o cidadão que terá comprado uma casa de luxo em Cascais com dinheiro proveniente de crimes cometidos no seu país.
Segundo informação oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Portugal atribuiu 772 autorizações de residência, até 19 de Março, a que corresponde um investimento no valor de 464 milhões de euros, quase totalmente aplicado na compra de imóveis. Destes vistos gold, 612 foram concedidos a cidadãos chineses não oriundos de Hong Kong, nem de Macau.
No Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) há uma lista com cerca de mais 400 cidadãos chineses à espera de obter um visto gold.
Sabe-se que o SEF já recusou o visto gold a 11 cidadãos estrangeiros por “incumprimento de requisitos”. Das candidaturas indeferidas, “cinco são relativas a investidores e seis a familiares”, uma das quais relativa ao pedido apresentado por um operacional das "tríades" chinesas — crime organizado chinês — que, desde 1990, estava referenciado na Interpol.
A procura dos vistos gold por parte de cidadãos chineses levou o director do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, Manuel Palos, a propor ao Governo, já este ano, a colocação de um inspector do SEF na China.
Para o vice-primeiro-ministro Paulo Portas, a detenção deste cidadão chinês, cuja transferência de capital foi feita através do banco BES e com recurso a uma sociedade de advogados, vem provar que o "crivo de segurança funcionou duplamente".
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Além de passarem a poder residir em Portugal, os beneficiários dos vistos gold podem circular no espaço Schengen por curtos períodos de tempo, sem necessidade de visto.
Donde se conclui que Portugal está a obter dinheiro só pelo facto de pertencer a um espaço formado por 26 países europeus* que aboliram passaporte ou qualquer outro tipo de controle de fronteira entre as fronteiras comuns, funcionando como um único país para viagens internacionais.
Mas o espaço Schengen foi criado com o objectivo de incentivar a livre circulação de mercadorias, informação, dinheiro e pessoas, proporcionando maior bem-estar aos seus cidadãos, não para fazer lavagem de dinheiro sujo.
A opinião de Portas de que o BES e certa sociedade de advogados formam um crivo de segurança, vale o que vale: registamos a notícia deste banco ter sido multado em 1,1 milhão de euros por infracções “muito graves” em Espanha. Quais? Simplesmente, duas infracções à normativa sobre prevenção de branqueamento de capitais.
Depois do caso dos submarinos, vemos Portas e o BES envolvidos, de novo, num programa de centenas de milhões. Sempre a mesma tríade, que monotonia!
* Dos vinte e oito estados-membros da União Europeia, apenas seis não fazem parte do Espaço Schengen — Bulgária, Croácia, Chipre e Roménia vão juntar-se a este espaço, mas a Irlanda e o Reino Unido escolheram opções de não participação.
A estes 22 países, somam-se 4 estados-membros da Associação Europeia de Comércio Livre (EFTA) — Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça — que aderiram ao Acordo Schengen.
Portugal conquistou 111 pontos, a melhor pontuação de sempre, nas 54ª Olimpíadas Internacionais de Matemática, que decorrem na Colômbia, tendo ficado em 36.º lugar na classificação por países, num total de 97 países participantes.
Miguel Moreira, aluno do 11.º ano na Escola Secundária Rainha D. Amélia, em Lisboa, conquistou uma medalha de ouro, tendo ficado na posição 30ª entre 528 participantes.
Miguel Santos, da secundária de Alcanena, 12.º ano, Francisco Andrade, da secundária do Padrão da Légua, 10.º ano, Luís Duarte, da secundária de Alcains, 12.º ano, e David Martins, da secundária de Mirandela, 11.º ano, conquistaram medalhas de bronze.
Nuno Santos, aluno do 10º ano do Colégio Nossa Senhora do Rosário, no Porto, recebeu uma menção honrosa.
Estes alunos e os seus professores de Matemática merecem parabéns pelo trabalho desenvolvido. As palavras finais de apreço vão para as famílias dos alunos pela sabedoria com que os educaram e que agora vêem a recompensa.
Nos resultados por países temos a assinalar o primeiro lugar da China, seguida pela Coreia do Sul, Estados Unidos da América, Rússia e Coreia do Norte.
O gráfico seguinte mostra a evolução dos quatro países melhor classificados, desde o ano 2000, e também a de Portugal. Reconhecendo à China o mérito de manter, em geral, o primeiro lugar, é preciso realçar o extraordinário desempenho da Coreia do Sul, um pequeno país com área próxima da de Portugal e o quíntuplo da população que se bate com a China, a Rússia e os Estados Unidos tendo já alcançado um primeiro lugar.
No entanto, Portugal ficou atrás de muitos países europeus — Reino Unido, Ucrânia, Itália, França, Bielorrússia, Hungria, Roménia, Países Baixos, Alemanha, Croácia, Sérvia e Eslováquia — alguns dos quais nunca dispuseram dos recursos financeiros que foram canalizados para a educação no nosso País sem produzirem resultados perceptíveis.
Não podemos fingir que tudo está bem com os resultados dos nossos alunos quando vemos equipas de países com um nível de vida muito inferior ao nosso, como sejam o Vietname, o Irão, a Tailândia, o México, a Turquia, a Indonésia e a Índia, a ultrapassarem a equipa portuguesa.
As consolas de jogos, os telemóveis, o Facebook não produzem resultados, servem apenas para desperdiçar tempo e recursos financeiros, há que ter consciência desse facto e alertar os pais dos nossos alunos.
Grande também é a responsabilidade dos directores das escolas que preferem criar grupos de compadrio que os apoiem na manutenção no cargo em vez de investirem nos resultados dos alunos das suas escolas.
Compare-se os salários mínimos dos países europeus mencionados para não haver dúvidas. Os professores, os pais e os alunos têm um longo caminho a percorrer até Portugal conseguir apresentar resultados compatíveis com o bem-estar que as famílias portuguesas ainda desfrutam.
Este documentário de pouco mais de cinquenta minutos não esconde a propaganda, o belicismo e a censura do regime norte-coreano, nem as dificuldades e frustrações por que passou o realizador do filme, mas procura lançar uma ponte entre as democracias ocidentais e a ditadura comunista da Coreia do Norte.
Damos a palavra a Chrystian Cohen, o cineasta:
A Coreia do Norte está algures entre uma União Soviética congelada no tempo, em 1930, e uma visão futurista e negra da sociedade... como se imaginava na década de 70.
"Terra dos sussurros" convida-o a visitar o destino de viagem, indiscutivelmente, mais exclusivo e isolado do mundo — não para criticar, mas para observar e escutar. Além dos destaques habituais, tais como Pyongyang ou Arirang, este documentário privilegiado e individual mostra zonas como Chongjin ou Wonson, ainda praticamente desconhecidos até mesmo para o google ou a wikipedia. Aí, tentei perfurar a omnipresente 'mitologia nacional" e, tanto quanto possível, conectar com as pessoas — como a empregada de mesa hipnotizada por um computador portátil de ecrã táctil, ou um guia turístico cautelosamente fascinado pela cultura pop moderna.
Compare-se a atitude deste cineasta com a de um jornalista da BBC que visitou a Coreia do Norte à socapa numa viagem organizada por estudantes da prestigiada London School of Economics que sabiam e não sabiam — só a hipocrisia consegue violar o princípio da não contradição — que ele não era aluno de doutoramento.
No final, perguntamos: Por que razão as crianças, os jovens e os operários norte-coreanos têm de trabalhar tanto e usufruir de tão pouco?
Por que razão os operários chineses da Foxconn Technology, um dos maiores fabricantes mundiais de electrónica, e um importante fornecedor dos ipads, iphones e computadores da Apple, trabalham 40 horas por semana e recebem apenas 2500 yuan renminbi mensais, ou seja, 308 euros mensais?
Enquanto os alunos portugueses dispõem de toda a parafernália electrónica — telemóveis, consolas de jogos, smartphones, tablets, calculadoras, computadores — que o País não sabe projectar, nem produz, tem de importar gastando divisas, e são, em geral, pouco estudiosos, muito conversadores e passam as aulas a brincar e a criticar, não respeitando as instruções dos professores.
E, pasme-se: alguns pais ainda pensam que os filhos deviam ter direito a mais tempo para se divertirem, melhores classificações e passagem automática de ciclo sem serem submetidos a exames nacionais porque ficam traumatizados.
Se os norte-coreanos sem disporem de tecnologia são capazes de produzir os jogos Arirang, onde simulam ecrãs gigantescos pondo vinte mil pessoas a movimentar em síncrono placas coloridas, como é dito no documentário, imagine-se o que fariam se pudessem dispor de tecnologia electrónica e computacional avançada.
No ano passado, os lucros da EDP foram superiores a mil milhões de euros, mas menos 10% do que em 2011, e o preço da electricidade subiu para os consumidores.
Contudo a crise não tocou nos rendimentos do Conselho de Administração Executivo da EDP, nem do seu Conselho Geral e de Supervisão.
António Mexia, presidente executivo, recebeu 3,1 milhões de euros de remunerações e prémios, como previsto aqui.
Eduardo Catroga, que preside ao Conselho Geral e de Supervisão, recebeu 430 mil euros.
No total, os membros dos conselhos de administração e supervisão receberam 18 milhões de euros.
Como a EDP é uma empresa privada, são os seus accionistas que aprovam as remunerações dos administradores, que são propostas pela comissão de vencimentos do Conselho Geral e de Supervisão. Este órgão é formado por 23 membros e a China Three Gorges (CTG), o maior accionista da EDP, está representada por 4 elementos, um dos quais, Guangjing Cao, é o vice-presidente.
Recorde-se que a China é um país governado pelo partido comunista chinês e todos os bancos e empresas nacionais pertencem ao Estado.
A japonesa Talaris tenciona fechar até Junho a fábrica de Torres Vedras, única na Europa a produzir máquinas multibanco (ATM).
Adquirida em 2012 pela multinacional japonesa Glory, teve em 2011 um volume de negócios de 26 milhões de euros e resultados líquidos de 429 mil euros (1,4 milhões de euros em 2010).
Dos 834 ATM fabricados, 700 foram exportados. Recentemente ganhou o concurso para assegurar o serviço de manutenção para a Caixa Geral de Depósitos durante três a cinco anos.
A empresa, que tem 200 trabalhadores espalhados pelo país — a maioria a fazer manutenção dos ATM —, pretende encerrar as instalações em Sintra e transferir para a fábrica de Torres Vedras a logística e a manutenção.
Nesta reestruturação tenciona encerrar a linha de produção que emprega 20 trabalhadores, e transferi-la para a China onde a mão-de-obra é mais barata, e passar o departamento de recursos humanos e o departamento financeiro para Espanha. O resultado, em termos de emprego, é um despedimento colectivo de 37 trabalhadores.
A Talaris alega que dentro de alguns anos a crise vai ter reflexos na produção de máquinas multibanco para o mercado nacional. Contrapõe o Sindicato das Indústrias Eléctricas do Sul e Ilhas (SIESI) que "a empresa está a usar a facilidade que existe em Portugal para fazer despedimentos colectivos para se deslocalizar".
*
A questão é que o partido comunista que governa a China paga, em 2013, o salário mínimo de 180 euros em Shenzhen (noutros municípios ou províncias o salário mínimo ainda é mais baixo) para atrair investimentos estrangeiros e, obviamente, está a ser bem sucedido.
Se em Portugal se dificultar o despedimento colectivo, as empresas vão para a falência e saem igualmente de cá. Além de que o País não consegue captar investimento estrangeiro desde finais dos anos 90, com a consequente ausência de crescimento económico há uma década.
Pode concluir-se que o futuro dos trabalhadores portugueses vai ser auferir os salários de miséria dos chineses? Nas linhas de montagem de produtos, vai ser.
Mas se a geração que actualmente frequenta a escola trabalhar afincadamente e terminar a escolaridade obrigatória muito, mas mesmo muito mais qualificada que a geração dos seus pais, estes jovens podem tornar-se técnicos especializados, ou até projectistas, e aspirar a salários mais elevados.
Quem projecta produtos tecnologicamente avançados no mundo?
Nos Estados Unidos, e na indústria da informação, a Apple, a Hewlett-Packard, a Intel, a Microsoft, a Cisco, a Xerox, a Boston Dynamics, a aeroespacial Boeing, a produtora de maquinaria Caterpillar, na indústria automóvel, a General Motors e a Ford. O Canadá desenvolveu tecnologias extractivas e agora vem explorar concessões mineiras portuguesas.
Na Europa, temos a Finlândia com a Nokia, a Dinamarca com a Vestas — durante o governo Sócrates fomos o maior comprador das suas turbinas eólicas que vamos ter de pagar por meio de rendas elevadas aos produtores de energia eléctrica —, temos a França com as construtoras de automóveis, Renault, e de aviões, Airbus. Temos na Alemanha, e na indústria automóvel, a Volkswagen, a BMW, a Daimler, a Audi, na indústria eléctrica, a Siemens, a Bosch, a Miele, a gigante farmacêutica Bayer. No norte de Itália, a Fiat.
Na Ásia, o Japão com a indústria automóvel — Toyota, Nissan, Mitsubishi, Honda —, da informação — Fujitsu, Sony, Toshiba, Casio —, da fotografia e imagem — Canon, Nikon —. E a pequena Coreia do Sul, do tamanho de Portugal, tem um gigante na indústria automóvel, a Hyundai, e outro gigante na informação, a Samsung, que se bate no campo da inovação com a americana Apple.
Os portugueses especializaram-se em usar os produtos de alta tecnologia projectados nestes países e produzidos pelos trabalhadores chineses.
Acordar de um sonho é sempre doloroso. Mas se não quisermos continuar a empobrecer, é preciso acordar depressa e dar passos de gigante.
O preço base do iPhone nos Estados Unidos ronda os 499 dólares. A China exporta-o por 135 dólares. E destes 135 dólares, os chineses pagam 112 dólares à Coreia — pelo ecrã —, a Taiwan e ao Japão — pelos componentes e chips. Resumindo, quem mais fica a ganhar são os Estados Unidos e não quem exporta o produto, neste caso a China.
Este exemplo foi dado pelo economista e professor Augusto Mateus para explicar o que acontece em Portugal:
"Portugal anda a fazer um pouco de China. Portugal é mais China do que pensamos", sustentou o economista, recorrendo aos dados do estudo "Exportação, valor e crescimento" que lhe foi encomendado pela Caixa Geral de Depósitos.
É na forte componente da importação dos bens exportados que reside um dos principais problemas da economia nacional pois "o que faz a competitividade de uma empresa é o que vende sem ser comprado", asseverou Mateus.
correcções 22 Setembro 2012 - 01:18
Pelos dados da iSuppli...
... o custo total de componentes, também conhecido por Bill Of Materials (BOM), para o iPhone 5 de 16GB é de 199 USD, acrescentando os custos de produção fica em 207 USD.
Não entendo como é que a China o pode estar a exportar a 135 USD.
Anonimo 22 Setembro 2012 - 11:18 A Verdade
(...)
Se ler, o Dr. A. Mateus diz que o preço de venda é de 499 dólares, o que não se compara com os 649 dólares do iPhone 5. Logo estará a referir-se, no exemplo apontado, a um modelo anterior e não ao actual.
Mas o que interessa não é o modelo Apple em causa, mas sim esta questão das exportações de importações. E aqui o diagnóstico foi na "mouche". O nosso principal problema, enquanto povo, é sermos comerciantes e não empreendedores. Infelizmente.
Finalmente, e para todos os que criticam tão ferozmente os economistas, lembro que a Economia é a única ciência que não dispõe de um laboratório para testar as suas teses/experiências, etc.
Nota: não sou economista.
Micas 22 Setembro 2012 - 12:56 Exportar o quê?
O nosso problema é que em Portugal não há lugar para Steve Jobs. Se o homem tivesse nascido por aqui nunca passaria de pirata informático. Este país é um paraíso é para os Catrogas.
Anonimo 22 Setembro 2012 - 13:09 Reconfortante
Os velhos compagnons de route do grande desastre económico nacional continuam a estudar a matéria.
homemdoleme 22 Setembro 2012 - 13:14 Que parvoíce pegada
O que importa nas exportações ou nas vendas é que se compre bem e se venda melhor. Como fazem os americanos que "compram" o iPhone produzido na China e o exportam para todo o mundo.
Não percebo esta obsessão de querer simplificar tudo a um tipo de negócio/empresa. A combinação de vários tipos de modelo de negócios e tipos de empresas e apoio às empresas (baixos impostos, desburocratização, etc) é que leva ao sucesso. Pelo contrário, Augusto Mateus faz processos de candidaturas a subsídios da UE, o que são processos inversos, subjectivos e, nalguns casos, algo corruptos.
oam 22 Setembro 2012 - 15:14 Mais estudos milionários!
A Caixa está falida e cobre o buraco com dinheiro vindo do BCE que depois os portugueses, não a Caixa, paga com juros usurários. E, no entanto, o regabofe dos estudos milionários continua!
Já agora, quando é que o adiantado mental Augusto Mateus devolve o que ganhou com o seu famoso estudo que conduziu ao aeromoscas de Beja? Já que não pede desculpa, então devolva o dinheiro!
Creek 22 Setembro 2012 - 18:39
"Portugal é mais China do que pensamos"
Quem alguma vez trabalhou numa indústria multinacional, em Portugal, sabe perfeitamente que, para além da mão-de-obra, pouco mais valor acrescentado existe.
E mesmo quando há incorporação de componentes nacionais, também estes possuem matéria-prima importada.
Sempre assim foi e não vejo que mereça grandes estudos. Um país que não tem matérias-primas, nem produz equipamentos industriais, tem de se limitar à transformação e montagem. O importante é que o faça de forma competitiva.
Anonimo 23 Setembro 2012 - 10:38 USA ganham?
Sobre este artigo e a respectiva sustentação de Augusto Mateus, ficam as seguintes questões:
Quem detém a maior parte da dívida dos USA? Parece que os chineses têm uma grande parte.
Qual a economia, mesmo ganhando pouco, que tem maior taxa de crescimento e aforramento? Parece que a China tem dinheiro para usar e abusar. Não são os chineses que compram o capital das empresas em Portugal?
Em Economia aquilo que parece não é. Isto porque, por muito pouco que se ganhe ao abordar a questão pelo lado operacional, estamos a incrementar valor a quem dele precisa — o ser humano.
O grande problema actual, contra aquilo que sempre defendi, é que o capitalismo selvagem acaba por retirar ao povo para colocar nas mãos de poucos. Em Portugal existe um problema enorme. Temos excesso de intervenção do Estado, aliás é o maior cancro da Economia portuguesa, e isso compromete a competitividade e o emprego. Aqui sim, vocês políticos e economistas deveriam batalhar para alterar o status quo, mas como isso afecta a manjedoura de onde todos comem, nada fazem para inverter o ciclo. Este estudo é mais um de cartilha...
surpreso 23 Setembro 2012 - 12:26 Sabichão...
... nas suas habituais masturbações inúteis. Nem que se ganhe 5% é mais-valia, quando não há alternativas.
O desemprego subiu para os 14% (35% nos jovens). Nada que surpreenda: com o PIB em queda, acelerado pelo programa de ajustamento, e a crónica incapacidade da economia para criar empregos, o desemprego só tem um destino: upa, upa.
No meio disto como reage a classe política? Com a estupidez habitual: "a culpa é tua"; "não, é tua"; "eu bem avisei"... Esquecendo-se que o problema do desemprego é antigo (sobe há dez anos) e que só não acordámos para ele mais cedo por causa dos quick fixes: mudanças na forma de contabilizar o desemprego; criação de programas para tirar, temporariamente, desempregados das listas; atribuição de incentivos ("programas de formação") às empresas para não despedir…
A falta de profundidade do debate é confrangedora: não se analisa a relação entre baixa escolaridade e desemprego (também entre os jovens); não se analisa a relação entre desempregados e "canudos" na área das Humanidades; não se pergunta se o IEFP identifica as necessidades das empresas, por região, criando cursos específicos para lhes responder… E como se isto não bastasse, o Governo alinha no desnorte, criando uma "comissão" para analisar o problema.
Pelo meio nenhum político questionou coisas preocupantes: o salário mínimo atrapalha mais do que ajuda? O facto de o salário mínimo estar próximo do subsídio de desemprego quer dizer algo? Por que há cada vez mais portugueses cujo salário médio está próximo do salário mínimo? A ausência de investimento das empresas (aquilo que cria emprego!) não tem nada a ver com o aumento vertiginoso da carga fiscal nos últimos dez anos? E os salários, estão em linha com a produtividade? "
Continuo à espera que os papagaios do reino percebam que é preciso que o PIB cresça e é preciso criar emprego, mas nem todo o tipo de crescimento do PIB nos serve e nem todo o tipo de emprego é desejável. Algum tipo de emprego pode ser bom para o desempregado, numa perspectiva de curto prazo, mas é mau para a economia portuguesa e para a maioria dos portugueses no médio e longo prazos.
Em tempos, Silva Lopes falou na questão dos bens transaccionáveis, mas parece que já esqueceu o tema. A idade não perdoa. Victor Bento, em dado momento, também focou a mesma questão e falou em incentivos que jogaram em Portugal a favor dos bens não transaccionáveis contra os bens e serviços transaccionáveis, mas VB, desde que se encostou mais a Cavaco Silva, entrou na sua curva de senilidade e de irrelevância.
Pois bem, o nosso desequilíbrio externo, decorrente de um desequilíbrio estrutural criado na economia portuguesa em favor dos bens e serviços não transaccionáveis e contra os transaccionáveis, é a origem e o motor da nossa trajectória de empobrecimento.
Por isso temos de canalizar todos os nossos esforços e recursos escassos para actividades que contribuam para corrigir tal desequilíbrio.
Qualquer novo investimento, qualquer criação de um novo posto de trabalho deve ser auditado à luz do seu contributo ou impacto no desequilíbrio externo.
Por exemplo, vi recentemente na TV um apontamento em que aparecia alguém a falar no excelente negócio das unhas de gel. Uma dama fazia uma formação na coisa, montava um gabinete e começava a facturar à grande resolvendo, assim, o seu problema pessoal.
Qual o impacto que este tipo de actividade tem no nosso desequilíbrio externo? Negativo. E não falo no facto de pessoas (mulheres) com unhas de gel, se calhar não quererem fazer a limpeza da casa para não estragar as unhas!
É negativo, a menos que esse gabinete de unhas de gel se destine especialmente a turistas estrangeiros, ou seja, que o serviço seja vendido a estrangeiros. Se for um serviço virado para residentes, a prestadora de serviços vai ter um rendimento e aumentar o seu consumo mas vai contribuir para o aumento das importações. E provavelmente os produtos ou materiais que usa na sua actividade também são importados.
Contrariamente, se essa pessoa, em vez de fazer unhas de gel, fosse produzir feijão, também resolvia o seu problema pessoal. Mas produzindo feijão em terra disponível, que é o que por aí há mais, contribuía para reduzir importações — substituição de importações por produção interna — e, assim, eu poderia encontrar nos supermercados feijão verde produzido em Portugal, em vez de importado de Marrocos."
A Foxconn tem sede em Taiwan, mas o seu complexo industrial — conhecido como Foxconn City — está localizado em Shenzen, na província de Guangdong, no sudeste da China. Ali trabalham mais de um milhão de pessoas, em condições que o jornal The New York Timesdescreveu como "severas".
(...)
Este aumento salarial é o segundo em menos de dois anos e inclui também uma compensação pelo facto de a empresa ter cortado no número de horas extraordinárias para reduzir a carga horária semanal, o que teria também como resultado uma diminuição no rendimento mensal dos trabalhadores. Com efeitos a partir de 1 de Fevereiro, o acréscimo nos ordenados significa que os operários passam a ganhar entre 216 euros e 300 euros por mês."
Embora vendendo 40% da REN nesta operação de privatização, o Governo limitava a 25% a parcela a que cada concorrente se podia candidatar. Além disso, o Estado mantém ainda 11,1% da REN, a alienar quando as condições do mercado forem mais favoráveis.
Na conferência de imprensa após o Conselho de Ministros, a secretária de Estado do Tesouro, Maria Luís Albuquerque, explicou que a chinesa State Grid pagará 2,90 euros por acção, num valor global de 387,15 milhões de euros, enquanto a Oman Oil pagará 2,56 euros por acção, num total de 205,06 milhões de euros.
Portanto o Estado vai receber 592 milhões de euros pela privatização da concessionária portuguesa das redes de transporte de energia eléctrica e de gás natural.
A privatização foi um "jackpot" para a EDP e para o Estado. Porque traz aquilo de que ambos mais carecem: capital. O capital sem pátria, que preferíamos que fosse nosso, mas nosso não há. Há este, é pegar ou largar. Nós pegámos. A dependência tornou-nos pragmáticos: andamos a aprender com os angolanos. Mas a China é outra coisa: é um potentado. E quanto a proselitismos, basta olhar para a Zona Euro. O dinheiro chinês é o mesmo dinheiro que a União Europeia e o FMI foram mendigar há semanas para alavancar o Fundo de Estabilização da Zona Euro. Foi um vexame: a senhora Lagarde e o senhor Regling levaram tampa. Portugal fechou negócio. A diferença não é o espaço geográfico, é ser capital para investimento em vez de capital para pedinte.
É claro que os chineses são um problema, mesmo para quem não tem consciência. Não são uma democracia. Não respeitam direitos humanos. Nem ambientais. Mas a Europa hipotecou a consciência quando se tornou frágil. Olhai para Espanha: prepara-se para vender 10% da Repsol a chineses, a russos ou ao Qatar. Pois é: o país dos "campeões nacionais" está de rastos, com construtoras como a Sacyr a vender-se para pagar dívidas e bancos como o Santander a precisarem de aumentos de capital gigantes para tapar os buracos abertos pelos seus apregoados sucessos.
Sempre esperámos a ascensão dos BRIC. Nunca esperámos que ela acontecesse em simultâneo com o declínio acelerado da Europa e a erosão lenta dos Estados Unidos: a quebra do mundo ocidental. E agora, por muito que nos custe, e custa, vamos pedir dinheiro a países pobres onde há muitos ricos. Países de petróleo, da abundância de recursos naturais, países como a China. Que não é uma democracia. Que emergirá como nova potência mundial para uma nova bipolaridade. Sem disparar um único tiro.
A Three Gorges capitaliza e financia a EDP, salvando-a de uma dívida preocupante em tempo de maus "ratings". Mais: a China traz fábricas, financia bancos, anuncia participar na solução do BCP. Mas nós, sobretudo, selámos uma aliança. Não com o Diabo. Não com qualquer anjo. Passos Coelho foi corajoso — e temerário.
É preciso garantir que tudo o que foi anunciado será cumprido — há razões para ser céptico em relação aos chineses. Se for, seguiremos no lastro. Para África, inclusive. E para o Brasil. É esse o nosso "interesse": o "mercado de língua portuguesa", de que falava o primeiro-ministro há dias. A PT vale pelo Brasil, a EDP vale pelo Brasil e pelas renováveis, a TAP vale pelo Brasil e África, a Galp vale pelo Brasil e Moçambique, o BPI vale por Angola. É o nosso factor competitivo, foi o nosso destino, a solução de escape enquanto falidos.
Os chineses investem em ciclos longos e actuam em rede. Percebemo-los mal e vamos ter de aprender a dialogar com eles, ou seremos enganados. Mas agora, numa galeria longínqua em Pequim, já nos olham como chinesinhos, seus aliados.
Angela Merkel deve ter aprendido ontem uma lição. Isto não está a acontecer a Portugal, está a acontecer à Europa, paralisada nas suas pequenas ordenanças. E nós? Nós estamos a ver se nos salvamos, desesperadamente procurando fora da Europa o que a Europa não nos consegue providenciar. Portugal não se vendeu porque não se vende o que não se tem. Bem-vindos ao mundo novo, ele é pouco admirável mas segue em lentas translações. Correr riscos é melhor do que morrer devagar."
A CTG vai investir 800 milhões de euros na aquisição de participações minoritárias nas empresas da EDP e garantiu uma linha de 2 mil milhões de euros do China Development Bank para financiar a EDP.
Além destes 2,8 mil milhões de euros de investimentos em 2012, a CTG comprometeu-se a investir mais 1,2 mil milhões de euros, entre 2013 e 2015, na compra de posições minoritárias (34% a 49%) em projectos de renováveis da EDP.
Este reforço de liquidez vai cobrir as necessidades de financiamento da empresa até finais de 2015. E servirá também para reduzir o nível de endividamento da EDP, que passará do rácio actual superior a quatro vezes o EBITDA, para menos de três vezes.
O conflito de interesses na parceria é “mínimo”, uma vez que a empresa chinesa não está presente nos mercados da EDP.
Nos principais mercados (Europa, Estados Unidos e América Latina) a EDP poderá continuar a investir sozinha, tendo a CTG o direito de preferência se a empresa portuguesa pretender um parceiro. Já no mercado asiático, onde a CTG está presente, as posições invertem-se.
Ao vencer a privatização da EDP, após um investimento de 2,7 mil milhões de euros, a CTG passa a deter 23,15% da eléctrica portuguesa, tornando-se na sua maior accionista.
Qualquer dos quatro concorrentes seleccionados tinha financiamento garantido.
A alemã E.ON, a única empresa privada no concurso, dispunha de uma liquidez de sete mil milhões de euros.
As brasileiras Eletrobras e Cemig, ambas empresas estatais, tinham o suporte financeiro de um banco também estatal, o Banco Nacional de Desenvolvimento Económico Social (BNDES), que tem disponibilizado linhas de financiamento para diversos sectores da economia brasileira.
E a China Three Gorges tinha por detrás o poder financeiro do China Development Bank (CDB).
A E.ON ofereceu 2,537 mil milhões de euros por 21,35% da EDP. A China Three Gorges vai pagar 2,693 mil milhões.
Mas não foi apenas uma centena e meia de milhões entre as duas propostas que ditou o vencedor. No âmbito da privatização da EDP, o CDB não só emitiu uma carta de "compromisso incondicional" de financiamento à China Three Gorges, como também estava disponível para financiar a própria EDP: "Oferecemos um montante elevado, a longo prazo e com uma taxa muito competitiva", assegurou Hengyue Wu, líder da representação do CDB em Portugal. E acrescentou:
"Além da entrada da China Three Gorges na EDP, também podemos financiar as empresas chinesas que queiram entrar nas outras privatizações em Portugal. E não só podemos financiar as aquisições como também os investimentos e as linhas de crédito para resolver os problemas de liquidez.
Acreditamos que o sucesso da aquisição da EDP pela China Three Gorges possa influenciar o interesse de outras empresas chinesas noutras empresas que serão privatizadas. Actualmente temos empréstimos em curso nos países europeus de 11 mil milhões de euros, em sectores como o petrolífero, a indústria química, aeronáutica, transporte marítimo, telecomunicações e energias renováveis. Portanto temos uma base de sucesso para financiar a EDP.” São 10 mil milhões de dólares (7,5 mil milhões de euros) que o CDB se comprometeu disponibilizar à economia portuguesa, cerca de 10% do programa de assistência da troika a Portugal.
O banco, aliás, já abriu linhas de financiamentos a outros países de língua portuguesa — 6 mil milhões de dólares a Angola e 10 mil milhões de dólares ao Brasil.
*
Mas que não restem dúvidas, a transformação que a China vai operar em Portugal estender-se-á muito para lá do impacto económico desta colossal linha de financiamento.
Na China estuda-se e trabalha-se. Não há Estado social. A defesa dos direitos humanos dá direito a prisão. A corrupção é punida com a pena de morte.
Não vai ocorrer apenas uma entrada impressionante de meios financeiros. É a penetração de empresários chineses no tecido empresarial português. É a organização chinesa do trabalho que vai ser imposta às empresas financiadas. É a exigência de mão-de-obra qualificada.
Quando chegam ao mundo ocidental, as nossas línguas de tipo fonético constituem um obstáculo terrível para as crianças chinesas porque o chinês é uma linguagem de tipo simbólico como a da Matemática. As famílias chinesas, porém, valorizam o ensino e a cultura e incentivam as suas crianças a vencer essa dificuldade. Não só não há indisciplina nem abandono escolar, como também aparecem sempre alunos chineses nos quadros de honra das escolas portuguesas.
Por isso, não deixa de ser irónico que a degradação da qualidade do ensino português promovida por sindicatos ligados ao PCP vá ser combatida justamente pela maior ditadura comunista mundial.
E convém não esquecer que o salário mínimo da província de Pequim — o maior salário mínimo da China — subiu este ano para... 150 euros.
Barragem de Three Gorges na cidade de Yichang, província de Hubei.
O Three Gorges Project (TGP) na bacia hidrográfica do rio Yangtze é um projecto estratégico da China Three Gorges para controle de inundações, geração de energia e melhoria de navegação. É o projecto de construção do maior complexo hidroeléctrico do mundo.
Com o nível normal da albufeira em 175 m, a capacidade total de armazenamento do reservatório de 39,3 mil milhões m3 e capacidade de armazenamento de controle da inundação do reservatório de 22,15 mil milhões m3, a barragem irá aumentar a eficácia do dique Jingjiang do valor actual de uma vez em 10 anos para uma vez em 100 anos.
A capacidade total instalada do TGP é 18,2 GW, com a produção média anual de 84,7 TWh.
A Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva (MLGTS) vai prestar serviços jurídicos ao Estado e à sua cliente EDP, com uma equipa liderada pelo advogado Nuno Galvão Teles.
As quatro empresas estrangeiras candidatas à compra seleccionadas pelo Estado português para a fase final do concurso são a alemã E.On, as brasileiras Eletrobras e Cemig e a China Three Gorges.
O escritório de Lisboa da sociedade de advogados Linklaters, multinacional de origem britânica, assessora a E.On, sendo a equipa dirigida pelo advogado Jorge Bleck.
A Pereira, Sáragga Leal, Oliveira Martins e Júdice (PLMJ) vai prestar serviços jurídicos à brasileira Eletrobras, estando o sócio Jorge de Brito Pereira à frente da equipa.
A Cuatrecasas, Gonçalves Pereira, através do sócio Diogo Leónidas, vai assessorar a Cemig, a outra empresa brasileira candidata ao capital público da EDP.
A Serra Lopes e Cortes Martins, em colaboração com a firma norte-americana Skadden Arps, é o quinto jogador: vai dar apoio jurídico à China Three Gorges, a empresa que está a construir o mega projecto hidroeléctrico chinês que inclui, entre outras, a barragem das Três Gargantas. O advogado Luís Cortes Martins, sócio do escritório português, lidera a equipa que assessora a empresa chinesa.
Quando é que as dezenas de milhares de idiotas, que hoje foram para a avenida da Liberdade gritar ‘Não ao roubo dos subsídios’, começam a perceber que o estilo de vida europeu está a acabar, o mundo está a mudar e quem vai decidir o nosso futuro é a China comunista?
Barack Obama, Presidente dos Estados Unidos “Eles vão ter em nós um parceiro forte, mas os líderes europeus compreendem que, em última análise, o mais importante é que a Europa dê um sinal forte de que apoia o euro.”
Angela Merkel, chanceler da Alemanha “Quase nenhum país aqui presente disse que está preparado para apoiar o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF).”
Nicolas Sarkozy, Presidente de França “Nunca quisemos mudar governos, nem na Grécia nem em Itália. Não é esse o nosso papel; não é essa a nossa ideia de democracia, mas é evidente que há regras na União Europeia e quem se auto-excluir do cumprimento dessas regras, estará a excluir-se da Europa.”
David Cameron, primeiro-ministro do Reino Unido “Cada dia de crise na Zona Euro é um dia com efeitos arrepiantes no resto da economia mundial, incluindo a economia britânica. Não vou fazer de conta que todos os problemas da Zona Euro foram resolvidos. Não foram.” “Nós, tal como o resto do mundo, precisamos que a Zona Euro resolva os seus problemas.”
José Manuel Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia “Vejo esta situação como uma prova de quão importante é o processo de reformas em Itália para o próprio país e para a Zona Euro como um todo.”
Julia Gillard, primeira-ministra da Austrália “A Europa precisa de pôr a sua própria casa em ordem.”
Stephen Harper, primeiro-ministro do Canadá “Não vemos nenhuma razão para que o Canadá — ou, com franqueza, qualquer outro país — contribua para este apoio financeiro [ao FEEF].”
Jun Azumi, ministro das Finanças do Japão “A crise na Europa está a causar uma crise global sistémica, incluindo na Ásia. Em vez da criação de um novo quadro de funcionamento global, toda a gente está à espera de que o Fundo Monetário Internacional se torne mais pró-activo.”
Numa reunião de emergência com o primeiro-ministro grego George Papandreou, os líderes da Alemanha e da França disseram hoje à Grécia que não receberia nem mais um centavo da ajuda europeia até decidir se quer ficar na Zona Euro. Esclareceram, ainda, que salvar o euro passou a ser mais importante do que resgatar a Grécia.
Papandreou indignou os parceiros europeus e provocou ontem o pânico nos mercados financeiros ao anunciar na segunda-feira à tarde que a Grécia iria referendar o segundo plano de resgate de 130 mil milhões de euros negociado com os líderes da Zona Euro na passada quinta-feira.
Depois de um jantar, que Merkel classificou como "duro e difícil" na véspera da cimeira do G20 em Cannes, Papandreou disse que o plebiscito pode ocorrer em 4 de Dezembro, clarificando o objectivo: "Não é o momento de indicar as palavras exactas mas, na essência, não é apenas a questão do programa, é saber se queremos permanecer na Zona Euro." Apesar das sondagens revelarem que a maioria dos gregos, cansados de dois anos de austeridade crescente, consideram o pacote de resgate como um mau negócio para a Grécia, Papandreou espera mais apoio da população que do parlamento: "Acredito que os cidadãos gregos são sábios e capazes de tomar a decisão certa em benefício do nosso país." No entanto, em toda a imprensa grega, mesmo nos jornais tradicionalmente defensores do governo, é quase unânime a condenação de Papandreou. O Eleftherotypia, um jornal de centro-esquerda, chama-lhe "O Senhor do Caos" e o Ethnos, outro jornal pró-governo, classificou o referendo como "suicida".
Os líderes da UE também já reagiram à carta de Papandreou, dizendo que queria negociar os detalhes do segundo pacote antes do referendo. A UE e o FMI endereçaram uma mensagem à Grécia informando que não receberia, até à votação do referendo, a parcela urgente de € 8 mil milhões prometida para este mês, porque os credores oficiais queriam ter certeza de que Atenas iria cumprir o programa de austeridade. Segundo diz Papandreou, a Grécia tem dinheiro suficiente para continuar a funcionar até meados de Dezembro, momento em que vai precisar de resgatar um empréstimo superior a € 6 mil milhões.
Sarkozy e Merkel já anunciaram que os ministros das finanças da Zona Euro vão reunir-se na próxima segunda-feira para acelerar decisões sobre a alavancagem do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF), a porta corta-fogo que pretende proteger os membros fracos que existam entre as 17 nações da Zona Euro. Depois do caos nos mercados desencadeado pelo anúncio do referendo grego, o FEEF foi forçado a adiar o plano para levantar 3 mil milhões de euros no mercado obrigacionista. Se Papandreou perder o referendo e a Grécia entrar em falência desordenada, os bancos europeus perdem muito mais do que os 50% da dívida soberana grega já acordados e entram em risco países com economias muito maiores, como a Itália e a Espanha, que o fundo não tem meios para socorrer.
A dúvida sobre a capacidade europeia em conter a crise da dívida colocou a Itália na linha de fogo dos investidores. O prémio de risco dos títulos italianos sobre as obrigações alemãs atingiu hoje novo máximo, apesar do Banco Central Europeu (BCE) ter ido ao mercado secundário comprar dívida soberana italiana. Enquanto o primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi realizava uma reunião de emergência do gabinete para criar medidas no orçamento que acalmem os mercados, no parlamento pedia-se a sua demissão. O ministro das Finanças da Irlanda acredita que o BCE será forçado a prometer "uma muralha de dinheiro" para comprar títulos, algo que incomodou muitos políticos. Apesar disso, o BCE é, neste momento, o único baluarte europeu contra os ataques dos mercados.
Por isso, os membros asiáticos do G20 estão a pressionar a Europa para enfrentar a crise antes que provoque danos graves na economia mundial. O ministro das Finanças chinês, Zhu Guangyao, manifestou a indisponibilidade de Pequim em investir mais no FEEF e o colega japonês Jun Azumi acrescentou que "todos estamos confusos". O presidente sul-coreano Lee Myung-bak disse esperar rapidez e ousadia da parte do G20 na contenção da crise, antes que transborde para o resto do mundo.
O homem que quis disciplinar os gregos, por um lado, e, por outro, obter mais benesses para a Grécia pregando um valente susto à banca europeia e ao eixo franco-alemão — a estratégia Jerónimo/Louçã — corre o risco de atirar os gregos para fora da Zona Euro. Desta vez o cavalo de Tróia falhou a sua missão.
Num momento da História do nosso País, em que cada sector da sociedade luta para puxar a brasa à sua sardinha, recordamos aqui duas histórias:
História de egoísmo Uma menina de 2 anos entrou numa rua interior de um mercado grossista e foi atropelada por uma carrinha. O motorista parou e depois recomeçou a andar esmagando a criança uma segunda vez com a roda traseira. Passaram, sucessivamente, dois jovens e um motociclista que, ao depararem com a criança caída na rua numa poça de sangue, desviaram-se e continuaram o seu percurso. Passou outro motorista que nem sequer desviou o camião e voltou a atropelar a criança. Passou uma mãe com uma criança pela mão. Passaram mais sete condutores de veículos. Foram 18 pessoas que viram a criança a mexer-se, a sangrar e a chorar, desviaram-se e prosseguiram o seu caminho. Apareceu, então, uma humilde recolectora de lixo de 58 anos que retirou a criança da rua e foi procurar socorro. Passados oito dias Yue Yue faleceu no hospital.
História de amor Amor de uma mulher que recusou o tempo de vida que uma quimioterapia lhe ofereceria para conservar a vida do feto que se desenvolvia dentro de si. Amor dos irmãos e cunhada que não a abandonaram. Amor dos médicos que salvaram a vida da criança por uma cesariana in extremis aos cinco meses de gestação e prolongaram a vida da mãe tanto quanto o avanço da ciência o permite. Amor das enfermeiras que ultrapassaram o obstáculo da distância entre as unidades do hospital onde cada uma lutava pela sobrevivência e conseguiram que a mãe olhasse a filha num único e derradeiro encontro três dias antes do fim. Amor dos tios que estão a criar Dottie como se fosse sua filha.