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terça-feira, 3 de março de 2015

A proposta de fusão entre o BPI e o BCP lançada por Isabel dos Santos


A Santoro, detida pela empresária angolana Isabel dos Santos, enviou ontem à noite uma carta às administrações do BCP e BPI a propor a fusão entre os dois bancos.



A carta com a proposta de fusão do BCP e BPI, enviada aos presidentes executivos destes bancos e também ao presidente executivo do CaixaBank, Gonzalo Gortázar, é a resposta da empresária angolana à oferta pública de aquisição (OPA) lançada ao BPI, em 17 de Fevereiro, pelo banco catalão que é o principal accionista com uma participação de 44,1% (mas um poder de voto de 20%).

Isabel dos Santos, através da Santoro, é a segunda maior accionista do BPI com uma participação de 18,6%, mas o seu voto é determinante para o CaixaBank conseguir a desblindagem dos estatutos que limita os direitos de voto a 20%, impedindo os espanhóis de controlar o banco mesmo depois da OPA.

Já no BCP, o maior dos accionistas é Angola com uma participação de 19,44%, através da empresa pública Sonangol, tendo ainda outra participação de 2,45% através da Interoceânico, uma empresa privada de capitais angolanos.


Estrutura accionista do Millennium BCP




Num cenário de fusão o Negócios estima que os angolanos passariam a deter 21% do novo banco BCP+BPI, sendo 13,52% da Sonangol, 5,76% de Isabel dos Santos e 1,81% da Interoceânico, enquanto os espanhóis do CaixaBank ficariam com uma posição de 13,44%. Portanto convém à empresária angolana opor-se à oferta pública de aquisição lançada pelos espanhóis do CaixaBank ao BPI e promover, em alternativa, uma fusão entre as duas instituições financeiras portuguesas.

A carta, assinada pelo administrador da Santoro e vogal do conselho de administração do BPI, Mário Silva, procura convencer os destinatários, destacando seis razões pelas quais a fusão entre o BPI e o BCP será um "processo virtuoso de criação de valor":

  1. Um banco privado em quatro geografias
    "Conduziria à constituição de um banco privado com sede em Portugal, com posições de referência em quatro geografias — Portugal, Angola, Moçambique e Polónia";

    O BCP e o BPI estão na lista dos cinco maiores bancos portugueses. Juntos, criam o maior banco português por activos.

    A nível internacional, o BPI detém 50,1% do Banco do Fomento de Angola.

    Por sua vez, o BCP tem também 50,1% do capital do Millennium Angola, onde a Sonangol possui uma participação de 29,9%. Em Moçambique, possui o Millennium Bim, em parceria com aquele Estado africano. Na Polónia, detém 65,5% do capital do Bank Millennium.

  2. Uma ponte entre os mundos europeu e lusófono
    "Reforçaria a interligação e suporte ao desenvolvimento de relações empresariais e de negócio, quer ao nível dos mercados de língua portuguesa, quer ao nível do mercado ibérico e europeu, beneficiando da singular capacidade de Portugal para, por via das relações privilegiadas com Angola e Moçambique, fazer estes países beneficiar do acesso facilitado ao mercado europeu e consolidar os fluxos de negócio europeus para esses dois países e seus parceiros no continente africano";

  3. Um forte posicionamento
    "Levaria à constituição de uma instituição com um forte posicionamento em todos os sectores bancários em Portugal";

    Em termos de depósitos, a liderança nacional pertenceria ainda à Caixa Geral de Depósitos. No entanto, uma instituição financeira BCP+BPI seria o líder nacional no crédito.

  4. Reforço de capacidades
    "Geraria um reforço de capacidades e de capital da entidade resultante, sendo possível perspectivar o reforço da capacidade de financiar o tecido empresarial";

    Uma operação de fusão entre o BPI e o BCP criaria uma entidade com uma capitalização bolsista de 6,5 mil milhões de euros. Ou seja, esta instituição seria a quarta maior cotada da bolsa nacional, superada apenas pela EDP, Galp Energia e Jerónimo Martins.

  5. Sinergias
    "Libertaria valor muito significativo através de captação de sinergias, quer no desenvolvimento de negócio, quer na optimização da capacidade instalada em Portugal, Angola e Moçambique, com minimização de custos sociais e económicos";

    Tanto o BCP como o BPI tiveram de reduzir o número de agências e fazer rescisões em Portugal, nos últimos anos, de forma a compensar a ajuda estatal recebida para se recapitalizarem. Isabel dos Santos diz apenas que uma fusão irá captar sinergias que vão minimizar os "custos sociais e económicos" dessa operação.

  6. Uma gestão independente
    "Garantir uma instituição financeira gerida de forma profissional e independente e alicerçada numa estrutura accionista diversificada, sólida e alinhada".

    O administrador da Santoro Finance acena com o facto de que os angolanos seriam os maiores accionistas da instituição financeira resultante da fusão, com 21% (Sonangol, Isabel dos Santos e Interoceânico), à frente do CaixaBank, com 13,44%.
Agora cabe às administrações do BPI e do BCP encetarem negociações, mas a fusão só poderá ter sucesso se obtiver a concordância do principal accionista do banco de Fernando Ulrich — o CaixaBank.


*

03 Mar, 2015, 13:29


Com a OPA do CaixaBank, é quase certo que o BPI vai conseguir comprar o Novo Banco que, deste modo, passa para a alçada dos espanhóis, dando-lhes o controlo do financiamento da economia portuguesa. A banca em Portugal fica nas mãos de quatro grandes instituições que são, por ordem dos activos, Novo Banco+BPI, CGD, BCP e Santander.

No entanto, se a fusão proposta pela filha do presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, se viesse a concretizar, seria o Santander o mais forte candidato à compra do Novo Banco, ficando a pairar sobre a economia portuguesa o mesmo assombramento. E com a banca reduzida ao BCP+BPI, Novo Banco+Santander e CGD, a concorrência bancária em Portugal transformar-se-ia numa miragem.

A oferta pública de aquisição lançada pelo CaixaBank ao BPI permitir-lhe-á controlar este banco e, através dele, adquirir o Novo Banco. Na alternativa da fusão, os angolanos passariam a ser os principais accionistas do novo BCP+BPI, com uma participação de 21%, enquanto os espanhóis do CaixaBank ficavam reduzidos a uma posição de 13,44% que não lhes daria qualquer margem de manobra.
Portanto o que convém à empresária angolana é justamente o que não interessa mesmo nada aos espanhóis, mas precisam do seu apoio para desbloquearem os estatutos do BPI e talvez estejam dispostos a subir o preço da OPA.

Para já, o presidente do CaixaBank, Isidro Fainé, desvalorizou a proposta de fusão do BPI com o BCP apresentada por Isabel dos Santos, afirmando que "o jogo ainda agora começou".
No plano estratégico 2015-2018 do banco detido pelo La Caixa, o BPI é referido poucas vezes. Numa nota é dito que os objectivos de rentabilidade para o quadriénio "são válidos se a oferta pelo BPI tiver sucesso". Ou seja, pode até nem haver fusão, nem OPA.


terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

CaixaBank lança OPA sobre BPI


O CaixaBank, um banco espanhol sediado em Barcelona, lançou às seis horas desta manhã uma oferta pública de aquisição (OPA) sobre o BPI. Oferece 1,329 euros por acção, um prémio de 27% face à cotação de ontem.

O CaixaBank (La Caixa) já é o maior accionista do BPI, detendo 44,1% do seu capital. Embora a OPA seja sobre a totalidade do capital, o CaixaBank estabelece, como critério de eficácia, a aquisição de mais de 5,9% das acções nesta oferta, para que "somado às acções da sociedade visada detidas pelo oferente na presente data, o oferente seja titular de acções representativas de mais de 50% (cinquenta por cento) do capital social da sociedade visada, após a liquidação da oferta".
É exigido que os accionistas aceitem a desblindagem dos estatutos para eliminar o limite dos direitos de voto de 20%, o que requer o apoio de 75% dos votos expressos em assembleia-geral.

No final de Junho de 2014, o capital social do Banco BPI era representado por 1457 milhões de acções ordinárias detidas por 22.166 accionistas.
Destes, 21.645 eram particulares e detinham 12,4% do capital, enquanto os restantes 521 pertenciam à classe dos investidores institucionais e das empresas e detinham os remanescentes 87,6% do capital.

Na classe dos investidores institucionais e das empresas havia 3 accionistas que eram titulares de participações qualificadas, ou seja, detinham posições superiores a dois por cento do capital do banco. Um deles é, obviamente, o próprio CaixaBank. Os outros são a empresária angolana Isabel dos Santos, filha do presidente de Angola, que é detentora de 18,6%, e a seguradora Allianz com 8,4%.





Apesar do oferente prever continuar a apoiar a equipa de gestão do BPI liderada por Fernando Ulrich, esta fica, em consequência do anúncio preliminar do lançamento da oferta, com os poderes limitados.

Na verdade, segundo o Código de Valores Mobiliários, "a partir do momento em que tome conhecimento da decisão de lançamento de oferta pública de aquisição que incida sobre mais de um terço dos valores mobiliários da respectiva categoria e até ao apuramento do resultado ou até à cessação, em momento anterior, do respectivo processo, o órgão de administração da sociedade visada não pode praticar actos susceptíveis de alterar de modo relevante a situação patrimonial da sociedade visada que não se reconduzam à gestão normal da sociedade e que possam afectar de modo significativo os objectivos anunciados pelo oferente".

Assim, qualquer decisão que a gestão da empresa queira tomar tem de ser submetida à assembleia-geral de accionistas.

*


Nos últimos 15 anos foram várias as operações e especulações em torno do BPI nunca concretizadas.

O ano 2000 começou com um anúncio de fusão entre o BES e o BPI (18 de Janeiro). A operação seria realizada através da troca de 692 novas acções do BPI por cada 100 acções existentes do BES. Nos meses seguintes, transpareceram desentendimentos entre Ricardo Salgado e a equipa de gestão do BPI e, no final de Março, a fusão caiu por terra.

A 13 de Março de 2006, o BCP anunciou o lançamento de uma OPA sobre o BPI, oferecendo então 5,70 euros por acção, o que consubstanciava um prémio de 19% face à cotação dessa época.
O BPI considerou que se tratava de uma OPA "hostil", o que levou o então presidente executivo do BCP, Paulo Teixeira Pinto, a revelar que o seu banco havia tentedo previamente realizar uma fusão com o BPI.
Teixeira Pinto elevou a oferta, em 24 de Abril do ano seguinte, para 7,00 euros. No entanto, os responsáveis do BPI continuaram a considerar a oferta "totalmente inaceitável" e a OPA foi cancelada um mês depois.

Durante a vigência desta OPA, o BPI fez alterações aos seus estatutos, tendo elevado o limite de blindagem de 12,5% para 17,50%, o que acabou por ditar um reforço do poder do espanhol La Caixa e do brasileiro Itaú. O La Caixa reforçou a posição no capital do BPI para mais de 20%, em Agosto de 2006, e já detinha 25% em Janeiro de 2007.

Cinco meses depois do falhanço da OPA, a 25 de Outubro, o BPI contra-atacou, apresentando uma proposta de fusão com o BCP. Exactamente um mês depois foi anunciado que as negociações entre os dois bancos haviam cessado.

Nova alteração estatutária ocorreu em Abril de 2009, elevando o limite de votos para os actuais 20%.
Em 2012, o Itaú vendeu a sua posição de 18,87% ao La Caixa que, na altura, ficou com quase 49% do capital do banco já liderado por Fernando Ulrich. No entanto, a blindagem dos direitos de voto a 20% permitiu que não fosse obrigado a lançar uma OPA. Em seguida, o CaixaBank alienou uma parte das acções a Isabel dos Santos, descendo a sua posição para os actuais 44,1%.

No final de 2014, o BPI mostrou interesse na compra do Novo Banco, a instituição criada após o colapso do BES e que ficou com os activos e passivos saudáveis.
Em 30 de Janeiro, aquando da apresentação dos resultados de 2014, o presidente executivo do CaixaBank, Gonzalo Gortázar, demonstrou apoio ao BPI nesta intenção: "Cabe ao BPI analisar e estudar a possibilidade de comprar o Novo Banco, tal como o Caixabank o faz em Espanha noutras operações, em que para umas avança e para outras não."

Estando 12,4% do capital do BPI na mão de particulares, só será preciso parte destes venderem as acções para que o CaixaBank adquira os almejados 50% do banco português. Algo fácil de conseguir, apesar do preço oferecido ser a média das cotações dos últimos seis meses conforme exigido pela legislação. O BPI era quase espanhol, se a OPA superar todos os obstáculos e chegar ao mercado, vai ficar totalmente na posse de nuestros hermanos. E o Novo Banco — o bom BES — muito provavelmente também.

O CaixaBank em 2012 chegou a deter 49% do BPI e acabou por reduzir para os actuais 44,1%. Qual o motivo desta súbita paixão?
Se recordarmos que o Novo Banco herdou do BES a obrigação de financiar as pequenas e médias empresas portuguesas que são o cerne da nossa economia, temos de concluir que tanto o Novo Banco como o desenvolvimento da economia lusa vão ficar nas mãos dos espanhóis.

No séc. XV, o nosso D. João II e os reis católicos não alcançaram fazer a gestão única dos dois reinos com o casamento dos primogénitos, nem tão pouco o primo Manuel o conseguiu ao desposar a relutante viúva do príncipe D. Afonso que pretendia enveredar pela vida religiosa. Um matrimónio entre o Caixabank e a “eterna noiva” BPI pode criar um grande banco ibérico composto pelo actual terceiro maior banco espanhol, pelo BPI e pelo Novo Banco, atingindo o objectivo de unificar os dois países ao nível da banca.
Se tal vier a acontecer, fico como aquelas mães de noivas que não sabem se hão-de festejar ou chorar. Mal por mal, antes um casamento com os espanhóis do que com os angolanos. É que já temos corrupção quanto baste.



Actualização em 18 de Junho

O CaixaBank desistiu da OPA sobre as acções do BPI, anunciada no passado dia 17 de Fevereiro.

A informação já foi remetida pelo BPI à CMVM:
O CaixaBank informa que o seu Conselho de Administração decidiu apresentar junto da CMVM a desistência do registo da sua oferta pública de aquisição sobre as acções do BPI anunciada no passado dia 17 de Fevereiro, atento o facto de não se ter verificado o preenchimento da condição de eliminação do limite à contagem de votos emitidos por um accionista estabelecido nos estatutos do BPI, uma vez que a Assembleia Geral do BPI deliberou ontem não eliminar a referida limitação estatutária.

O CaixaBank iniciará a partir deste momento uma fase de análise das alternativas estratégicas disponíveis relativamente à sua participação no BPI, tendo em conta os objectivos do seu Plano Estratégico 2015-2018.

Barcelona, 18 de Junho de 2015

O CaixaBank é o maior accionista do BPI, detendo 44,1% do seu capital, mas tem apenas 20% dos votos devido à blindagem dos estatutos deste banco.
Era necessária a aprovação por 75% dos votos expressos em assembleia-geral para que houvesse uma alteração de estatutos, mas apenas 52% deram o seu aval. A desistência do CaixaBank é, portanto, uma consequência da manutenção dos limites de voto.


terça-feira, 16 de setembro de 2014

Os seis mandamentos dos bancos


Diz um provérbio português que “Casa arrombada, trancas à porta”. Depois da falência do BES, economistas e banqueiros estão a propor que os bancos adoptem regras para evitar uma réplica.

Artur Santos Silva, presidente do BPI, sugeriu quatro mandamentos para os bancos:

  1. Os bancos devem estar proibidos de conceder crédito a accionistas de referência.
  2. Proibir de colocar instrumentos de dívida e acções de accionistas de referência.
  3. Proibir de colocar instrumentos de mercado de capital do próprio emissor, o banco.
    Se tem um bom produto ele será colocado por outros intermediários financeiros e não por ele próprio.
  4. Operações com bancos filiais devem ser estreitamente acompanhadas pelos supervisores.
    Se um banco tem bancos filiais, todo o relacionamento financeiro tem que ser estreitamente acompanhado — a tragédia que é o financiamento do BES a Angola. Um relacionamento do banco mãe com outras filiais tem que estreitamente acompanhado pelos supervisores e tem que haver regras muito claras até onde pode ir o apoio financeiro que se concede a essas instituições.

    O economista Miguel Cadilhe acrescentou mais dois:

  5. O CFO nas empresas cotadas devia ter um limite ao número de mandatos.
    Numa sociedade, o CFO é tão importante e tão susceptível de perder a sua independência que é melhor que ele ao fim de dois mandatos não possa continuar. O facto de se saber que tem um tempo limitado à sua frente evita muita coisa.
  6. Mudança na forma de remunerar os ROC e os auditores externos, ou ambos, para não dependerem da sociedade que os contrata.
    As empresas cotadas pagavam uma contribuição à CMVM, que depois contrataria estes profissionais. Não haveria qualquer dependência remuneratória desses profissionais relativamente à empresa submetida aos exames.


segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Novo Banco: Vítor Bento despede-se dos trabalhadores


Vítor Bento, presidente executivo do Novo Banco, despediu-se hoje dos colaboradores numa mensagem em que explica o trabalho feito pela equipa e as razões da sua demissão:


Entrei no então BES, juntamente com os Drs. José Honório e João Moreira Rato, a 14 de Julho, numa envolvente muito complexa e cheia de incertezas e perante uma situação que se afigurava com um futuro muito difícil, empenhados na recuperação do Banco e do seu prestígio. O que pressupunha, entre outras coisas, um razoável horizonte temporal para o efeito. Era esse o desafio profissional que tinha pela frente.

As coisas precipitaram-se muito rapidamente e o Banco acabou objecto de uma medida de resolução, que correspondeu ao que as autoridades consideraram ser, dentro das circunstâncias, a que melhor protegeria o Banco, os seus clientes e o seu futuro.

Aceitámos fazer a transição para o novo regime, para assegurar que a mesma não teria nenhum efeito desestabilizador no Banco e no sistema financeiro e porque na altura não era ainda claro que não fosse possível prosseguir o projecto de médio prazo com que iniciáramos esta missão. A rápida evolução das circunstâncias, e o enquadramento legal da situação do Banco, resultante da medida de resolução, acabaram por mostrar que o desafio profissional que tínhamos pela frente tinha mudado substancialmente.

Lançámos, com apoio da McKinsey, a elaboração de um plano de sustentabilidade, pusemos em curso a mudança de marca (por imperativo regulamentar), criámos as condições para a "normalização" do funcionamento interno e externo do Banco, definimos objectivos para o último trimestre e lançámos o processo orçamental para 2015, entre várias outras coisas. Está praticamente concluído o balanço de abertura do Banco, não auditado, mas que permitirá um diálogo mais sólido com as várias contrapartes dos negócios do Banco e com as agências de rating. E entretanto, foi já encetado um processo para a rápida venda do Banco, gerido pelo Fundo de Resolução e pelo Banco de Portugal.

Por essas razões, entendemos ser agora oportuno passar o testemunho a uma outra equipa de gestão mais alinhada com o projecto escolhido pelo accionista.

O novo CEO é uma pessoa muito experiente no sector e um profissional reconhecido e estou certo de que será o garante da preservação desse valor. Os elementos que o acompanham na renovação da equipa são também profissionais reconhecidamente competentes.

Estou convicto de que esta mudança ocorre no momento mais oportuno para o efeito, e uma vez que estão praticamente resolvidas as questões mais complexas e desgastantes da transição do regime do Banco, será favorável pois que, libertando a nova equipa daquele desgaste, lhe permitirá dar um novo impulso à actividade do Banco.

Em 4 de Julho, foi tornado público que Vítor Bento fora convidado por Ricardo Espírito Santo Salgado para assumir a liderança do BES. Assumiu funções a 14 de Julho, tendo escolhido para administradores José Honório e José Moreira Rato, presidente do IGCP. Moreira Rato, que preparou as emissões da dívida pública nos mercados financeiros nos últimos três anos, tendo conseguido baixar a taxa de juro para cerca de metade, foi escolhido para administrador financeiro.
No domingo 3 de Agosto o BES foi dividido em dois bancos, tendo a equipa de Vítor Bento passado a liderar o Novo Banco.

O banco foi capitalizado com 4,9 mil milhões de euros do Fundo de Resolução, criado em 2012 para ajudar os bancos que passem por dificuldades e sustentado com as contribuições da própria banca. Como o Fundo é recente e ainda não dispunha daquela quantia, o Estado teve de emprestar-lhe 4,4 mil milhões provenientes de fundos da Troika, mas garantidos pelos nove bancos que integram o referido Fundo.

Sobre a queda de Vítor Bento, a entrada de Eduardo Stock da Cunha e os interesses que se desenham no horizonte, e que vão do BPI de Ulrich ao Santander Portugal, passando pelo BIC Angola ligado a Mira Amaral, o OJE faz uma análise profunda que é imprescindível ler aqui.
Se o Novo Banco for vendido ao BIC Angola por uma quantia irrisória, mesmo que seja superior aos valores propostos pelos outros bancos, os contribuintes serão gravemente lesados. Os eleitores não vão tolerar mais uma negociata de Paulo Portas e Passos Coelho pode ter a certeza que o PSD vai perder as eleições legislativas do Outono de 2015.

Para quem tinha dúvidas, Vítor Bento acaba de esclarecer que é um economista e gestor capaz de se adaptar a circunstâncias profissionais muito difíceis, porém, impõe a si próprio determinadas fronteiras para além das quais não se deixa arrastar. Não é um político à portuguesa. Alguém, portanto, cuja opinião nos deve merecer respeito e consideração.


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

CGD apresenta prejuízos de 488 milhões de euros


A CGD apresentou um resultado líquido negativo de 488,4 milhões de euros.

"Os Resultados do Grupo Caixa Geral de Depósitos em 2011 foram fortemente penalizados pela difícil envolvente económica e financeira, que conduziu ao registo, como custo do exercício, de provisões e imparidades no montante global de 1 674,6 milhões de euros. Assim, as imparidades relativas a títulos totalizaram 613,1 milhões, destinando‐se este último montante a fazer face sobretudo à desvalorização verificada nas participações detidas pela CGD na PT, BCP, Brisa e ZON, no montante de 349 milhões de euros, e à exposição à dívida grega (133 milhões), na sua maior parte detida pelas seguradoras do Grupo. Por seu turno, o montante de imparidade do crédito ascendeu a 827,4 milhões de euros."

Em 31 de Dezembro de 2011, o rácio de transformação medido pela razão entre o crédito líquido e os depósitos de clientes foi 122,2%, situando‐se já próximo dos valores fixados para 2014 no âmbito do Programa de Assistência Económica e Financeira (120%), e o rácio de capital core tier 1 ascendia a 9,4%.

O financiamento da CGD junto do BCE cifrou‐se em 9 mil milhões no final de Dezembro de 2011.


****
*

Portanto, em 2011, os cinco principais bancos a operar em Portugal tiveram prejuízos superiores a 1,5 mil milhões de euros, assim distribuídos:


____________________________

____________________________
imparidades
das quais
——para crédito
——para títulos
———dos quais
————dívida grega
————dívida portuguesa
————PT, BCP, Brisa e ZON

transferência fundo pensões

resultado líquido
rácio core tier 1
rácio créditos/depósitos
financiamento junto do BCE
____________________________
* líquido de impostos


_________
BCP
_________


270,5*


345,7*
90,9*


117,0*

-786,2
9,4%
145%
12,7 mil
_________



_________
CGD
_________
1 674,6

827,4
613,1

133,0

349,0



-488,4
9,4%
122,2%
9,0 mil
_________



_________
BPI
_________





338,9*



70,9*

-203,9
9,5%
109%
1,8 mil
_________



_________
BES
_________
848,3

600,6
73,3





76*

-108,8
9,2%
141%
8,7 mil
_________


milhões €
__________
Sant. Totta
__________











64,1
11,7%
139,5%
3,75 mil
__________




sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Banca portuguesa apresenta prejuízos




1. O BCP registou um resultado líquido negativo de 786,2 milhões de euros em 2011, o prejuízo mais elevado na banca portuguesa.

"O resultado líquido de 2011 inclui o impacto do reforço de dotações para imparidade do crédito na sequência do Programa Especial de Inspecções, realizado no âmbito do Programa de Assistência Económica e Financeira estabelecido com as autoridades portuguesas e efectuado aos maiores grupos bancários portugueses, no montante de 270,5 milhões de euros líquido de impostos, o reconhecimento de imparidade relativa ao restante goodwill do Millennium bank na Grécia, de 147,1 milhões de euros (valor igual ao montante reconhecido em 2010), o reconhecimento contabilístico de perdas por imparidade de títulos da dívida pública grega, no valor de 345,7 milhões de euros líquido de impostos, e a contabilização em custos com o pessoal dos encargos associados à transferência parcial das responsabilidades com pensões relativas a reformados e pensionistas para a Segurança Social, de 117,0 milhões de euros líquido de impostos.
Adicionalmente, o resultado líquido de 2011 reflecte o registo de perdas associadas a títulos da dívida pública portuguesa, de 90,9 milhões de euros líquido de impostos (13,2 milhões de euros líquido de impostos em 2010)."

O rácio de transformação de depósitos em crédito caiu de 164%, em 2010, para 145% a 31 de Dezembro de 2011. Recorde-se que o memorando de entendimento da troika exige que, no final de 2014, este rácio seja igual ou inferior a 120%.
O banco fechou com um rácio core tier one de 9,4%, acima do valor
9% exigido pelo Banco de Portugal e pela troika para 2011.

A exposição do banco ao BCE reduziu para 12,7 mil milhões de euros em 31 de dezembro de 2011.


2. O BPI apresentou um resultado líquido negativo de 203,9 milhões de euros.

"O resultado de 2011 foi penalizado por factores não recorrentes que geraram um impacto global negativo de 427 M.€ antes de impostos, a que correspondem 320 M.€ após impostos.
Os principais impactos extraordinários negativos (líquidos de impostos) resultaram da transferência parcial das responsabilidades e activos do fundo pensões para a Segurança Social nos termos do acordo estabelecido com o Estado no final de Dezembro (-71 M.€); do reconhecimento de imparidades na conta de resultados correspondentes a menos valias latentes na exposição à dívida soberana grega (-339 M.€) e de dotações para reformas antecipadas (-28 M.€)."

Em 31 de Dezembro de 2011, o rácio de transformação de depósitos em crédito do BPI é de 109%, pelo que o Banco cumpre já o rácio máximo de 120% exigível em 2014, e tinha o rácio de capital core tier 1 de 9,5%.

O recurso líquido ao BCE ascendia a 1,8 mil milhões, valor inferior ao limite máximo exigível aos bancos portugueses no final de 2014 ("10x as reservas mínimas de caixa").


3. O BES obteve um resultado líquido negativo de 108,8 milhões de euros.

Este resultado foi "determinado pelos seguintes factores principais:
  • o desenvolvimento do processo de desalavancagem financeira, baseado na intensificação da captação de depósitos e na redução da carteira de crédito, teve reflexos ao nível do resultado financeiro que registou um crescimento de apenas 1,5%;
  • o reforço das imparidades, necessário face ao agravamento da conjuntura económica, situou-se em 848,3M€ montante que representa um aumento de 314,7M€ (+59%) em relação ao exercício de 2010; as dotações para crédito, no montante de 600,6M€, registaram um acréscimo de 248,8M€ (+70,7%);
  • a contabilização de encargos de natureza extraordinária no total de 378,3M€ (líquido de impostos: 275,4M€): transferência para a Segurança Social das responsabilidades com pensões, que levou ao apuramento de um prejuízo de 107M€ (76M€ líquido de imposto); perdas na participação na BES Vida de 193,3M€ (líquido de impostos: 144M€); e prejuízos na venda de créditos internacionais que originou uma perda de 78M€ (líquido de impostos: 55,4M€);"

Houve uma melhoria expressiva do rácio Crédito/Depósitos que passou de 165% (Dez,2010) para 141%, mas além dos 120% exigíveis em 2014. O rácio Core Tier I passou para 9,2% (Dez,2010: 7,9%).

O Grupo BES tinha, em 31/12/11, uma posição líquida devedora junto do BCE de cerca de 8,7 mil milhões de euros.


4. Ao contrário dos restantes grandes bancos portugueses, o Santander Totta conseguiu registar um lucro de 64,1 milhões de euros.

Foi registada uma menos valia na venda de activos de 80,8 milhões de euros que António Vieira Monteiro, actual presidente executivo do banco, explicou ficar a dever-se, em grande parte, à venda de dívida pública portuguesa.

Grande parte da desalavancagem foi feita em 2011. O rácio de transformação de crédito sobre depósitos, que era de 184,7%, em 2010, caiu para 139,5%, no final de 2011.
Apresentou um core tier one de 11,7%, superando largamente as exigências do Banco de Portugal para o final deste ano.

Em relação ao financiamento junto do Banco Central Europeu (BCE), este situou-se em 3,75 mil milhões de euros, no final de 2011, o que compara com os 47,5 mil milhões de euros do sector bancário.