terça-feira, 23 de maio de 2017

Terror em Manchester


Ontem à noite, pelas 22:35, ocorreu uma explosão em Manchester no final de um espectáculo da cantora pop norte-americana Ariana Grande que decorreu na Manchester Arena.

A polícia de Manchester apenas quantificou o número de vítimas já na madrugada desta terça-feira — 19 vítimas mortais e cerca de 50 feridos —, informando no tweet que estavam a tratar a situação como um "incidente terrorista" até prova em contrário:



O ataque foi perpetrado no átrio de entrada da Manchester Arena, estando cerca de 21 mil pessoas nas imediações quando ocorreu a explosão que envolveu um dispositivo caseiro cheio de porcas e parafusos. O grupo terrorista Estado Islâmico já reivindicou o ataque.

Várias zonas ficaram interditas, afectando os transportes na cidade. A estação de comboios de Vitória, que comunica com a Arena, foi encerrada.




A polícia de Manchester actualizou o número de vítimas, esta manhã, subindo para 22 mortos e 59 feridos.

"Temos estado a tratar isto como um incidente terrorista e acreditamos, nesta etapa, que o ataque foi conduzido por um homem. A prioridade é estabelecer se actuou sozinho ou como parte de uma rede.

O atacante, podemos confirmar, morreu na arena. Acreditamos que o atacante carregava consigo um dispositivo explosivo improvisado, que detonou, causando esta atrocidade
”, afirma o comunicado da polícia, em que as autoridades pedem às pessoas para não especular.

A nossa prioridade é trabalhar com os serviços secretos britânicos e de contra-terrorismo para encontrar mais detalhes sobre o indivíduo que conduziu este ataque”, acrescentam as autoridades.



Entretanto a comunicação social começou a divulgar a identidade de algumas vítimas, entre as quais uma criança de 8 anos, e do bombista suicida. Chama-se Salman Abedi e tem 22 anos. A polícia de Manchester confirmou, com reticências:



Nascido em Manchester em 1994, Salman Abedi é o segundo mais novo dos quatro filhos de um casal de refugiados líbios que vieram para o Reino Unido para escapar ao regime do coronel Muammar Gaddafi.

Abedi frequentou a escola local e foi para a universidade de Salford, em 2014, onde estudou gestão antes de desistir. Usava vestes islâmicas e costumava rezar numa mesquita local que, no passado, foi acusada de angariação de fundos para os jihadistas.

O irmão mais velho, Ismail Abedi, foi professor na escola do Corão da mesquita de Didsbury. Segundo o imã, Salman havia-lhe mostrado recentemente "o rosto do ódio" quando deu uma palestra alertando para os perigos do chamado Estado Islâmico.

A mãe, Samia Tabbal, de 50 anos, e o pai, Ramadan Abedi, um agente de segurança, nasceram em Trípoli mas terão emigrado, primeiro para Londres e, mais tarde, para a zona de Whalley Range, no sul de Manchester.

Pensa-se que, em 2011, após a derrota de Gaddafi, os pais retornaram para a Líbia, mas as viagens que Salman Abedi fez para o país de origem da família estão agora a ser objecto de investigação.

Alguns dissidentes de Gaddafi que eram membros do Grupo Islâmico Líbio de Combate (LIFG), entretanto ilegalizado, viveram nas proximidades dos Abedi em Whalley Range.

Entre eles, encontrava-se Abd al-Baset Azzouz, pai de quatro filhos, que deixou Manchester para dirigir uma rede terrorista na Líbia supervisionada por Ayman al-Zawahiri, o sucessor de Osama bin Laden na liderança da Al-Qaeda. Azzouz, 48 anos, especialista em bombas, foi acusado de dirigir uma rede da Al-Qaeda no leste da Líbia, em 2014.

Outro membro da comunidade líbia em Manchester, Salah Aboaoba, disse ter angariado fundos para o LIFG, em 2011, justamente na mesquita de Didsbury. Na época, o porta-voz da mesquita negou veementemente a reivindicação: "Esta é a primeira vez que ouço falar do LIFG. Não conheço Salah".

Agora, Mohammed Saeed El-Saeiti, o imã da mesquita de Didsbury, apontou Salman Abedi como um extremista perigoso: "Salman mostrou-me o rosto de ódio depois do meu discurso sobre o Ísis (...) Não é uma surpresa para mim".

A polícia atacou a casa da família às 11:30 desta manhã. De acordo com moradores da rua, 2 helicópteros e pelo menos 30 polícias camuflados, com equipamentos anti-motim e escudos, participaram no ataque.
Removeram a cerca de madeira entre duas propriedades. Colaram uma tira preta na porta e provocaram uma explosão. A porta soltou-se das dobradiças e as janelas tremeram. O ataque durou 90 segundos.

"Não os vi trazer ninguém para fora da casa. Acredito que estava vazia”, disse um vizinho.


*


Depois dos movimentos da Primavera árabe derrubarem os governantes da Tunísia e do Egipto para elegerem regimes islâmicos, começou uma revolta na Líbia, em 17 de Fevereiro de 2011, mas o ditador líbio Muammar Kadhafi resistiu.

Dez dias depois, foi criado um Conselho Nacional de Transição para administrar as áreas da Líbia sob controle dos rebeldes, prontamente reconhecido pela França, em 10 de Março, como o representante legítimo do povo líbio.

As forças pró-Gaddaffi responderam militarmente aos ataques rebeldes na Líbia ocidental — a cidade de Zawiya, a 48 km de Tripoli, foi bombardeada por aviões da força aérea e conquistada por tanques do exército — e lançaram um contra-ataque ao longo da costa na direcção leste, até Benghazi, o centro da rebelião.

Tanto o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, como o Conselho de Direitos Humanos da ONU condenaram estas acções militares, sob a acusação de violarem o direito internacional, tendo este último organismo expulsado a Líbia, atitude incentivada pela própria delegação da Líbia na ONU.

Em 17 de Março, o Conselho de Segurança da ONU aprovou a Resolução 1973 com 10 votos a favor dos membros permanentes Estados Unidos, França e Reino Unido e, ainda, da Bósnia-Herzegovina, Colômbia, Gabão, Líbano, Nigéria, África do Sul e Portugal e 5 abstenções dos restantes membros (Rússia e China, membros permanentes, e ainda Índia, Brasil e Alemanha).
Esta resolução sancionou o estabelecimento de uma zona de exclusão aérea e o uso de "todos os meios necessários" para proteger os civis dentro da Líbia.

Dois dias depois, a NATO começou a destruir as defesas aéreas da Líbia quando jactos militares franceses entraram no espaço aéreo da Líbia e atacaram alvos considerados inimigos.
Em seguida, entraram em acção as forças americanas. Mais de 8000 militares americanos foram destacados para a área em navios de guerra e aviões. A ofensiva aérea americana incluiu vôos de bombardeiros B-2 Stealth, cada bombardeiro armado com dezasseis bombas de 0,9 tonelada, saindo e retornando à base no Missouri, Estados Unidos.

Em 22 de Agosto, os rebeldes entraram em Trípoli e ocuparam a Praça Verde, rebaptizada Praça dos Mártires em homenagem aos seus mortos. Os últimos combates ocorreram na cidade de Syrte, onde Gaddafi foi capturado e morto em 20 de Outubro de 2011. Pelo menos 30 mil líbios morreram na guerra civil.

A seguir começou a segunda guerra civil da Líbia, agora entre as milícias armadas dos diferentes grupos rebeldes, o mais poderoso dos quais é o Estado Islâmico.

Passado algum tempo, formaram-se as máfias líbias que enchem embarcações frágeis com imigrantes, oriundos de países africanos a sul do Saará, e enviam-nos para Itália. Iniciava-se a invasão islâmica da Europa pelo corredor ocidental.

Quem foram os políticos responsáveis pelo Conselho de Segurança da ONU ter sido favorável à intervenção militar na Líbia que não só desestabilizou este país, como também a União Europeia?
Em 2011, a França era presidida por Nicolas Sarkozy.
No Reino Unido governava o primeiro-ministro David Cameron.
A presidência dos Estados Unidos estava nas mãos de Barack Obama e na Secretaria de Estado pontuava Hillary Clinton.

Quantas mais crianças e jovens vão ter de morrer até conseguirmos perceber que o pior tipo de ditadura é o terror promovido pelo fanatismo islâmico?


domingo, 9 de abril de 2017

Humor alcoólico


Peça em três actos

Acto I

Cenário: algures na Europa do Norte

Época: início da Primavera de 2017, pouco antes de 19 de Março

Personagem: Jeroen Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo (conselho dos ministros das Finanças da zona euro)

"Na crise do euro, os países do norte da zona euro mostraram-se solidários para com os países em crise. Como social-democrata, considero a solidariedade da maior importância. Mas quem a exige [solidariedade] também tem obrigações. Eu não posso gastar o meu dinheiro todo em álcool e mulheres e pedir-lhe, de seguida, a sua ajuda. Este princípio é válido a nível pessoal, local, nacional e até a nível europeu", diz Dijsselbloem.

Acto II

Cenário: Washington/Lisboa

Época: pouco depois de 19 de Março de 2017

Personagem: ministro dos Negócios Estrangeiros/primeiro-ministro

"São declarações muito infelizes e, do ponto de vista português, absolutamente inaceitáveis", diz o ministro dos Negócios Estrangeiros Augusto Santos Silva.

"Pelos vistos, o presidente do Eurogrupo continua, passados estes anos todos, sem compreender o que verdadeiramente se passou. O que se passou com países como Portugal, Espanha ou Irlanda não foi termos gasto dinheiro a mais. O que aconteceu foi que nós, como outros países vulneráveis, sofremos os efeitos negativos da maior crise mundial desde os tempos da grande depressão e as consequências da Europa e a sua união económica e monetária não estar suficientemente habilitada com os instrumentos que nos permitissem responder a todos aos choques que enfrentamos", explicou.

"Está manifesto que o senhor Djisselbloem não tem nenhumas condições para permanecer à frente do Eurogrupo", acrescentou.

"Numa Europa a sério, o senhor Dijsselbloem já estava demitido neste momento. Não é possível que quem tem uma visão xenófoba, racista e sexista possa exercer funções de presidência de um organismo como o Eurogrupo", reforçou o primeiro-ministro António Costa, acrescentando: "[Portugal] não tem lições a receber do senhor Dijsselbloem em coisa nenhuma".

"A Europa faz-se com aqueles que acreditam na igualdade dos povos, aqueles que se respeitam uns aos outros, aqueles que admiram um esforço extraordinário de países do norte da Europa que tiveram depois da guerra e que também respeitam o esforço dos países do sul da Europa, que têm feito nos últimos anos para conseguirem corrigir as situações das suas finanças públicas", rematou António Costa.

Acto III



Cenário: Hotel Pueblo Camino Real, Los Álamos, Torremolinos

Época: Páscoa de 2017, pouco antes de 8 de Abril

Personagens: cerca de 800 estudantes portugueses finalistas do 12º ano de escolaridade, polícias espanhóis, dois agentes da PSP destacados para Torremolinos, dono do hotel, secretário de Estado das Comunidades.

Os estudantes portugueses pagaram cerca de 650 euros pela viagem com estadia de 7 noites. Deitam-se às 6h, passam a manhã a dormir e não deixam limpar os quartos. Depois de dois dias de bebedeira, encontram o bar fechado. Alguns começam a cometer actos de vandalismo no hotel. A polícia é chamada repetidas vezes para controlar os distúrbios. Os estudantes acabam por ser expulsos do hotel horas antes do fim da estadia.

Os jovens destruíram azulejos, lançaram colchões pelas janelas, esvaziaram extintores nos corredores do hotel e até atiraram um televisor para uma banheira”, narra o jornal espanhol El País, citando a polícia local.

Os desacatos no hotel provocaram danos de milhares de euros”, diz a polícia espanhola.
O comportamento [dos estudantes expulsos] extrapolou o aceitável”, reconhece fonte da direcção nacional da PSP.

"Nunca havíamos passado por nada igual", desabafa o dono do hotel que avalia os prejuízos em 50 mil euros.

A agência que organizou a viagem tinha seguro, mas o hotel entende que o seguro não é suficiente para cobrir os danos”, diz o secretário de Estado das Comunidades José Luís Carneiro.

"O Diretor é uma pessoa super arrogante, fomos mal servidos no que toca a refeições, estivemos lá 6 noites e não mudaram as toalhas de banho, não limparam quartos nem mudaram as camas. As funcionárias eram mal humoradas, foi prometido bar aberto e cortaram o álcool no 3º dia. Fomos mal tratados e insultados.", diz a estudante Sofia Marinho.

"Este hotel aproveitou o facto de sermos jovens e estarmos numa viagem de finalistas para nos tratar como animais. Não nos mudavam as toalhas de banho nem os lençóis, entravam no nosso quarto de manhã cedo a gritar para nos levantarmos porque queriam limpar e se não nos levantássemos acabavam por não limpar nesse dia, a comida era extremamente repetitiva, principalmente à base de fritos. Não me senti de maneira nenhuma num hotel de quatro estrelas e apesar de termos pago, o bar aberto foi-nos retirado e os horários não cumpridos", acrescenta a estudante Inês Sousa.

"O hotel não cumpriu com o que estava acordado. O bar aberto estava incluído nas condições da estadia e foi cancelado durante um dia inteiro e depois durante alguns dias após as 20h”, reclama um estudante não identificado, especificando:
No segundo dia não foi permitida a venda de bebidas alcoólicas e foi também a partir desse dia que foi colocado um segurança à entrada do hotel para revistar qualquer finalista que entrasse com bebidas".

Cai o pano.


Bartoon, jornal Público


Entrevista de Francisco Veloso, futuro director da Imperial College Business School


Há duas escolas portuguesas de economia e gestão de nível internacional — a Nova School of Business & Economics, da Universidade Nova de Lisboa, e a Católica Lisbon School of Business & Economics, da Universidade Católica Portuguesa.

O director da segunda, Francisco Veloso, vai dirigir a Imperial College Business School, em Londres, Reino Unido, a partir do próximo ano lectivo.
Nesta entrevista ao Negócios, mostra preocupação com o corte do investimento público, o crescimento da dívida pública, bem como o impacto que a retirada dos estímulos do Banco Central Europeu terá numa economia como a portuguesa, ainda com problemas estruturais. Receia que o Governo de António Costa tenha de tomar medidas que vão pôr em causa a actual solução governativa.

O que é para si, neste momento, capital em Portugal?
Não posso deixar de responder alinhado com os meus próprios interesses — mas não só, porque é algo em que acredito muito —, que é a continuada aposta no empreendedorismo e nas novas empresas como instrumento de transformação da nossa economia. É absolutamente crítico para levarmos Portugal de onde está para onde todos gostaríamos que estivesse. Esta é uma dinâmica que já existe, mas tem de continuar e ser amplificada, para ter ainda mais impacto no país.

Como é que avalia a evolução de Portugal em termos económicos e financeiros, considerando a execução orçamental de 2016 e as perspectivas para 2017?
Estamos a evoluir lentamente e com algumas dificuldades. Aquilo que eu sinto, e talvez em função do arranjo de forças que suporta este Governo, é alguma quase esquizofrenia em algumas situações. Este Governo tem feito imenso por esta questão do empreendedorismo e da capitalização das empresas que são dois aspectos fundamentais, como eu referi. É algo meritório, têm existido medidas, instrumentos e actividade nesse sentido.

No entanto...
No entanto, quando olhamos para os 2,1% do défice, e de facto é um bom resultado, mas ele foi feito à custa de um enorme corte no investimento público, que é algo que é preocupante a nível das perspectivas de crescimento a médio prazo. E foi feito a um nível que não está a resolver a montanha de dívida que nós temos aí para resolver. Ou seja, é uma evolução que resulta destes equilíbrios de forças associados à estrutura política que suporta o Governo.
Mas acho que nós temos uma série de reformas estruturais e de evolução nas próprias funções do Estado que não está a acontecer, nem vai acontecer provavelmente nos próximos tempos, e que limita o nosso potencial de resolução dos problemas. Não houve grande evolução no défice estrutural. Essencialmente as coisas ficaram iguais, ou seja, a nossa capacidade de estruturalmente resolvermos os problemas do Estado não evoluiu significativamente. Nesse sentido estamos num compasso de espera, à espera que o crescimento evolua, mas o crescimento dificilmente irá evoluir com pouca capacidade de financiamento e muita dívida. E isso significa que vamos continuar num ritmo de evolução, e os indicadores para o futuro assim o indicam, relativamente lento. E isso não é bom para o desenvolvimento a médio prazo do país, que precisava de uma dinâmica e de uma robustez de crescimento bastante maior do que aquela a que temos conseguido chegar até agora.

Concorda com a visão do ministro das Finanças de que as agências de rating estão a ser injustas com Portugal?
Não consigo perfilhar dessa perspectiva. Se nós tivéssemos reduzido de uma forma visível, em alguns pontos percentuais, a nossa dívida, acho que as agências de rating teriam olhado já de uma forma possivelmente diferente. E isso tem exactamente a ver com as decisões que são feitas. E eles próprios também sabem fazer contas. Porque uma coisa é nós obtermos um determinado tipo de objectivo, e isso tem mérito. Até porque tem implicações claras, por exemplo, nos procedimentos por défices excessivos, na possibilidade de aplicação de coimas da União europeia. Tem, de facto, relevância real obtermos esse tipo de resultados.
Mas basta falar com qualquer pessoa que esteja no mercado financeiro, eles também fazem as contas e sabem como é que se chegou a este tipo de resultado e portanto sabem que há factores estruturais que não estão a ser solucionados com o nível de afinco que talvez fosse necessário para mudar o outlook destes investidores internacionais.
E depois há aqui uma questão a pairar sobre tudo isto, e também sobre as agências de rating — e eu acho que só nessa altura é que as coisas vão começar a dissipar-se um bocadinho — que é: quando o BCE começar a retirar os estímulos e começar-se a ver o que é que vai acontecer ao nosso mercado de dívida secundária. Está toda a gente à espera disso. Não são só as agências de rating. Se nós olharmos para a evolução das taxas de juro do mercado secundário da nossa dívida, têm crescido alegremente ao longo deste último ano e não sentiram de todo um alívio naquela semana da confirmação do défice de 2,1%.

A prova de fogo vai ser a retirada dos estímulos do BCE?
Vai ser muito importante. Não quero dizer com isto que esteja aqui a vaticinar cataclismos, mas certamente vai ter algum impacto e a questão é vermos até onde é que esse impacto vai. É diferente os juros subirem para 4,5% ou de repente passarem os 5%.

Mas com os dados que existem actualmente, considera que é possível Portugal aguentar esse impacto?
Vai ser uma das provas de fogo deste Governo. Acho que as taxas de juro vão subir um valor importante e vai ser necessário tomar algumas medidas em termos de contenção de despesa, que vão pôr à prova a estrutura deste Governo. Começa a haver pressões especulativas no sentido de dizer "não vão conseguir", todos os fundos especuladores vão começar a entrar sobre essa perspectiva. Vai começar a haver pressão para que o Governo demonstre que mesmo que isso aconteça será capaz de contrapor com algumas medidas, nomeadamente criar uma almofada. Isso vai criar uma prova de fogo ao actual Governo e à actual solução governativa. A capacidade ou incapacidade que exista por parte do Governo de dar uma resposta firme e convincente a essa situação é que, quanto a mim, vai ter um impacto mais significativo a médio prazo sobre o que vai acontecer à nossa situação económica, e a possibilidade ou não de virmos a ter um problema maior. E um problema maior significa a possibilidade de um novo resgate ou algo como isso.


Breve biografia
Francisco Veloso licenciou-se em Engenharia Física no Instituto Superior Técnico em 1992, fez um mestrado em Gestão no ISEG e o doutoramento no MIT (EUA).
Entrou na Universidade Católica como professor associado em 2001. Aí leccionou Inovação e Empreendedorismo, que é a sua paixão académica, e foi subindo os degraus da hierarquia, sendo o director da Católica Lisbon School of Busines & Economics, desde 2012. Percurso que fez também na Universidade Carnegie Mellon, na Pensilvânia (EUA), onde exerceu o cargo de full professor do departamento de Engenharia até 2013. A partir de Agosto vai ser o director da escola de negócios do Imperial College.
É casado e tem três filhos.


Respostas rápidas

Instituto Superior Técnico
É a minha alma mater onde eu tenho ainda muitas ligações e uma escola excelente que muito tem feito pela ciência e pela inovação em Portugal e no mundo.

Bicicleta
BTT em particular, um dos meus hóbis favoritos e algo a que dedico uma parte do meu tempo fora das minhas responsabilidades profissionais e de que muito gosto.

Açores
Um dos destinos de férias que acaba por se tornar favorito de uma forma quase orgânica. Desenvolvi uma afinidade e apreciação dos Açores como destino de férias e relaxamento para toda a família, porque é um contexto que tem agradado a toda a família de muitas idades diferentes. Gosto muito das ilhas, das paisagens, das pessoas e do ambiente.

Silicon Valley
Continua a ser a Meca do empreendedorismo, da inovação e da tecnologia. Foi também, durante muito tempo, um assunto que estudei com muita precisão para aprender muito sobre algo que é fundamental para estes processos de empreendedorismo, que são os spin-off. Esta ideia de que de boas empresas saem outras boas empresas com enorme resultado económico. Foi assim que Silicon Valley se fez.

Donald Trump
Uma grande preocupação para a América, para as universidades americanas, já tenho sentido isso, mas também um pouco por todo o mundo, porque é uma pessoa imprevisível com uma perspectiva sobre a vida e as pessoas da qual eu não partilho.

Mário Centeno

Conheci-o pela primeira quando nos cruzámos em Boston. Ele estava a acabar o seu doutoramento em Harvard, eu estava a começar o meu no MIT. É uma pessoa por quem tenho muito respeito técnico e científico e que está a procurar fazer navegar as nossas finanças num momento de equilíbrio difícil, do ponto de vista daquilo que é o arranjo parlamentar de apoio ao Governo.


sexta-feira, 7 de abril de 2017

Terrorismo na Suécia




Foi revelado pela proprietária do camião, a cervejeira Spendrups, que o veículo havia sido roubado hoje: “É um dos veículos de distribuição que faz entregas. Durante uma entrega ao restaurante Caliente, alguém entrou para dentro da cabine e fugiu com o veículo, enquanto o condutor fazia a descarga”, disse o director de comunicação da empresa, Marten Lyth.




A Drottninggatan (Rua da Rainha) é uma das principais artérias comerciais de Estocolmo, sendo na maior parte reservada aos peões, embora seja atravessada por várias ruas onde podem circular automóveis.



Depois de ter atropelado vários transeuntes, o camião embateu no edifício do centro comercial Åhléns City e começou a arder. O condutor do camião conseguiu fugir.



REUTERS/TT NEWS AGENCY








A polícia sueca já confirmou a existência de 4 mortos e 15 feridos, dos quais nove em estado grave.





REUTERS/Stringer

Com a ordem de evacuação da Estação Central dos caminhos de ferro, o encerramento do metropolitano e o serviço de autocarros suspenso, a capital sueca está praticamente sem transportes. Até a circulação na ponte de Oresund, que liga a Suécia e a Dinamarca, foi parcialmente limitada.


*


Em 14 de Julho de 2016, um tunisino de 31 anos, Mohamed Lahouaiej-Bouhlel, residente em Nice, uma cidade do sul da França, lançou um camião contra a multidão que comemorava a tomada da Bastilha na avenida marginal da cidade: 86 pessoas morreram e 434 ficaram feridas. O terrorista foi abatido a tiro pela polícia.

No final desse ano, em 19 de Dezembro, ocorreu novo atropelamento com um camião, agora num mercado de Natal em Berlim, na Alemanha. Vitimou 12 pessoas, provocando ainda 56 feridos. O condutor conseguiu fugir.

Há pouco mais de duas semanas, precisamente em 22 de Março de 2017, o britânico Adrian Russell Ajao, de 52 anos, que havia mudado o nome para Khalid Masood depois de se converter ao islão, atropelou várias pessoas na ponte de Westminster, em Londres, no Reino Unido. Depois do veículo embater no gradeamento do palácio de Westminster, sede do parlamento britânico, o condutor foi abatido por um polícia armado. O terrorista provocou 5 mortos e mais de 50 feridos.

A utilização de veículos como armas para matar pessoas nos países europeus começa a tornar-se habitual. É óbvio que a União Europeia tem de mudar a política de imigração. Há duas condições que os imigrantes que vão ser recebidos têm de cumprir: poderem ser integrados e quererem ser integrados.

Podem ser integrados os imigrantes que, durante um determinado período, aprenderem a falar e escrever a língua do país que escolheram para viver, bem como adquirirem os conhecimentos elementares de alguma profissão para poderem ocupar um posto de trabalho. Esta é a parte fácil. Difícil é querer a integração.

Querem ser integrados os imigrantes que durante o tempo de aprendizagem demonstrarem reverência pela cultura e tradições do país de acolhimento e aceitarem respeitar os direitos humanos consagrados. Como consequência, não só terão de tratar as mulheres das suas famílias como seres humanos de pleno direito não atentando contra a sua integridade física ou psicológica, mas também não lhes impor regras de vestuário que constituam uma mortalha em vida e ponham em perigo a segurança dos seus concidadãos.

Além disso é preciso que também respeitem os sistemas político-sociais dos países da União Europeia em que há a separação entre o Direito e a Religião e o regime político é a democracia contemporânea na acepção de Karl Popper que dá aos cidadãos a possibilidade de elegerem os seus governantes e de afastá-los dos cargos sem a necessidade de uma revolução.

Sem dúvida que pedir-lhes que passem de uma mentalidade medieval para o século XXI da Idade Contemporânea é obrigá-los a dar um salto de mais de meio milénio. No entanto, ninguém os constrange a aceitar. Têm a liberdade de recusar a democracia representativa dos países europeus — com separação dos poderes legislativo, executivo e judicial — e regressar aos seus países de origem para continuarem a obedecer à lei religiosa islâmica — a sharia.



A opinião dos outros:

Incompetente
Barracão nº 33 15:11
Não pode ser! Ainda há uns tempos, sobre as polémicas declarações de Donald Trump, o governo Sueco e os média desdobraram-se em comunicados e notícias a confirmar que a Suécia era um paraíso multicultural!

Pelayo
Suécia 17:07
Quem diria... a Suécia, país tão bonzinho, que não participa em acções militares em países muçulmanos, que acolhe mais refugiados do que os que pode alojar, que até retira uma pintura barroca retratando uma senhora de seios desnudados do seu parlamento para "não ofender pessoas de outras confissões religiosas"... enfim, o país que abdicou da sua identidade para moldar-se o mais possível aos imigrantes, nem esse país foi poupado. E ainda há quem julgue que o radicalismo islâmico se combate com mais festinhas na cabeça dos muçulmanos.
  • Sum Legend - Políticamente incorrecto
    18:48
    Não, isto não é na Suécia. Na Suécia não se passa nada (ou melhor, na imprensa não passa nada), está tudo bem. Não foi o que a internet disse há pouco tempo a Trump?
  • Jonas Almeida, Stony Brook NY, Marialva Beira Alta
    19:12
    Pelos factos descritos pelo Pelayo, que todos reconhecemos como sendo a referência do melhor possível, a reação da Suécia será seguida de muito perto pelo resto do mundo.
  • Sum Legend - Políticamente incorrecto
    19:31
    Jonas, a reacção da Suécia será igual à dos outros... hashtags, florzinhas, darmos todos aos mãos, somos todos Suécia, vamos todos sair à rua a bem da nossa liberdade, bla bla bla. Vão aparecer os pais, irmãos e vizinhos, todos a falar bem do indivíduo que fez isto, que nunca imaginaram que faria uma coisa destas. Por outro lado, a Suécia irá tentar fazer o que tem feito recentemente: esconder o que lá se passa e não falar muito nisto, que as pessoas têm memória curta e daqui a uma semana já ninguém se lembra...

Fernando Liz
Londres, São Petersburgo, Estocolmo... já todos sabemos o protocolo:

1) fingir que não sabemos que o atacante é muçulmano

2) fingir o choque e a surpresa quando se descobre que o atacante é muçulmano

3) tentar rapidamente de impedir de associar o sucedido com o islão dizendo: "isto não teve nada a ver com o islão; o islão é uma religião de paz; isto é um caso isolado, um lobo solitário, um doente mental, não podemos culpar uma religião inteira por isto"

4) relembrar as pessoas que "o terrorismo faz parte da vida quotidiana das grandes cidades"

5) escrever no Facebook "Je Suis ... " e depois no chão com giz, umas frases de amor e paz

6) organizar uma marcha de mãos dadas pela paz, porque é uma resposta fortíssima no combate ao terrorismo

7) relembrar que o verdadeiro perigo é a islamofobia, e não o islamoterrorismo

8) esperar mais uns meses até ao próximo atentado que nada tem a ver com o islão, que é uma religião de Pás - Pás - Pás ...

*

Actualização em 8 de Abril

Um homem detido de madrugada em Märsta, uma pequena localidade a norte de Estocolmo, é suspeito de “homicídios de natureza terrorista”, disse a polícia sueca.

Segundo o diário sueco Aftonbladet, trata-se do homem cuja imagem tinha sido difundida pelas autoridades policiais. Tem 39 anos, sendo natural do Uzbequistão. Esta república, que fez parte da antiga União Soviética, fica situada na Ásia Central e 90% da sua população é muçulmana.


8 April 2017 • 1:11pm


Brexit Means Brexit

8 Apr 2017 12:25AM
I sense another candle lit vigil
Flowers laid at the scene for the unfortunate victims
A service of remembrance in the local cathedral
Snowflakes marching through the streets muttering 'je suis something or other'

And incompetence by the politicians as they continue to allow unlimited immigration of these barbaric Islamic murderers

(Pressinto mais uma vigília iluminada por velas
Flores colocadas no cenário para as infelizes vítimas
Um serviço em memória na catedral local
Flocos de neve marchando através das ruas, murmurando 'je suis alguma coisa ou outra'

E a incompetência dos políticos que continuam a permitir a imigração ilimitada destes bárbaros assassinos islâmicos)

John Fogarty
8 Apr 2017 12:45AM
Addio Sweden. You have already committed demographic suicide.

(Addio Suécia. Vocês já cometeram suicídio demográfico.)

peter nixon
8 Apr 2017 3:53AM
'Sweden has reinforced its borders with immediate effect'.

Great idea — let's reinforce the borders — with the terrorists inside.

('A Suécia reforçou as suas fronteiras com efeitos imediatos'.

Grande ideia — vamos reforçar as fronteiras — com os terroristas dentro.)

Simon Coulter
8 Apr 2017 10:04AM
Hijacked civilian planes as weapons in a complex terror operation with appalling consequences give way to smaller scale but deeply damaging attacks in city centres which are virtually random using any vehicle that can be acquired to mow down ordinary people in public places - each one self-motivated based on widely disseminated standing instructions to all would be Jihadists.

There is no answer other than vigilance. We must not have our lives closed down by these people.
  • Dun Roamin
    8 Apr 2017 10:32AM
    @Simon Coulter There is an answer additional to vigilance - expose and challenge the murderous theofascist teachings that give rise to such actions rather than pretending Mohammedanism is compatible with western liberal democratic values.
  • Bill Smith
    8 Apr 2017 11:01AM
    @Dun Roamin @Simon Coulter You sound exactly like an Agent Provocateurs Dun - but from which side?
  • Dun Roamin
    8 Apr 2017 1:53PM
    Bill you live in a strange world if telling the truth is regarded as being a provocation. Possibly you are unaware that Mohammedanism is the only world faith that teaches its followers that killing unbelievers is 'good'. It is the pretence that Mohammedanism must be tolerated and its adherents embraced by the liberal western culture that it seeks to destroy and replace is the falsity and provocation. Do Jews, Jainists, Hindus, Buddhist, Taoists, Christians threaten our society and kill innocents?

(Simon Coulter
8 Apr 2017 10:04AM
Aviões civis sequestrados como armas numa operação terrorista complexa, com consequências terríveis, dão lugar a ataques de menor escala, mas profundamente prejudiciais, em centros de cidades que são praticamente aleatórios, usando qualquer veículo que pode ser adquirido para esquartejar pessoas comuns em lugares públicos — cada um auto-motivado por instruções permanentes amplamente disseminadas para todos que seriam jihadistas.

Não há outra resposta além da vigilância. Não devemos ter as nossas vidas enclausuradas por estas pessoas.
  • Dun Roamin
    8 Apr 2017 10:32AM
    @Simon Coulter Há uma resposta adicional à vigilância — expor e desafiar os ensinamentos teofascistas assassinos que dão origem a tais acções ao invés de fingir que o maometismo é compatível com os valores democráticos liberais ocidentais.
  • Bill Smith
    8 Apr 2017 11:01AM
    @Dun Roamin @Simon Coulter Vocês soam exactamente como um Agente Provocador — mas de que lado?
  • Dun Roamin
    8 Apr 2017 1:53PM
    Bill, você vive num mundo estranho se dizer a verdade for considerado como sendo uma provocação. Talvez você não saiba que o maometismo é a única fé do mundo que ensina aos seus seguidores que matar infiéis é "bom". A pretensão de que o maometismo deve ser tolerado e os seus adeptos abraçados pela cultura ocidental liberal que procura destruir e substituir é que é a falsidade e a provocação. Judeus, Jansenistas, Hindus, Budistas, Taoístas, Cristãos ameaçam a nossa sociedade e matam inocentes?)


domingo, 26 de março de 2017

Comboio Alfa Pendular renovado


A CP está a renovar os 10 comboios Alfa Pendular até 2019, tendo apresentado o primeiro comboio remodelado na passada sexta-feira. Trata-se da renovação de meia vida que consiste em substituir toda a parte mecânica e aproveita-se para modernizar os interiores.





Dizem que o novo visual foi escolhido pelos clientes da CP. A nível exterior, na pintura e sinalética, passou a usar-se o verde dos campos, o negro e o cinzento prateado da água dos rios a reflectir a luz do sol.

O interior foi profundamente alterado. Na carruagem Conforto há novos bancos em pele. A carruagem bar e os WC’s estão mais modernos. A sinalética foi redesenhada, havendo também novos sistemas de iluminação. As condições de acesso Wi-Fi e às redes de comunicações móveis melhoraram e todos os bancos passaram a ter tomadas eléctricas individuais.


terça-feira, 14 de março de 2017

Rocha Andrade e as transferências para offshores


A comissão de inquérito do Parlamento Europeu aos Panama Papers vai pedir informações ao secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Fernando Rocha Andrade, sobre as transferências para offshores não processadas no sistema central do fisco português, em especial as relacionadas com o Panamá.

Na audição do passado dia 1 de Março no parlamento, o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Fernando Rocha Andrade, afirmou que 97,7% de todas as transferências para o Panamá, em 2014, não haviam sido processadas pelo sistema informático central do fisco. Não identificou, porém, as instituições financeiras que realizaram as transferências ocultas, invocando o sigilo bancário.

Imediatamente Nuno Melo, eurodeputado do CDS, entregou um requerimento na comissão de inquérito do Parlamento Europeu aos Panama Papers (PANA) solicitando que o governante esclareça sobre “as datas concretas, beneficiários e operações relativas às transferências para o Panamá”, envie todos os documentos na posse do Governo sobre estes fluxos financeiros e explicite quais são as entidades financeiras envolvidas.
Nuno Melo pretende saber, também, se “essas operações foram legais ou ilegais” e por que motivo as declarações não foram transferidas para o sistema central do fisco.

Tendo a comissão aceite o requerimento, aguarda-se agora os esclarecimentos de Rocha Andrade.

O Público guardou em arquivo as estatísticas das transferências para offshores entre 2011 e 2014, divulgadas no Portal das Finanças em Abril de 2016.
Comparando com as estatísticas, já corrigidas com os valores das transferências ocultas, publicadas no mesmo Portal em Dezembro de 2016, o Público elaborou esta infografia com as transferências ocultas em vermelho (clicar em cada ano):





Portanto mais de um quarto do valor das transferências ocultas entre 2011 e 2014 teve como destino o Panamá — exactamente 2610 milhões de euros. Em segundo lugar surge Hong Kong com 2029 milhões de euros.


*


Dois dias depois de noticiar que, entre 2012 e 2014, houve transferências ocultas de 7800 milhões para o Panamá através do BES, o jornal Público dá aos seus leitores um valor profundamente inferior — agora foram apenas 2610 milhões de euros para o Panamá e através de toda a banca.

Embora a primeira versão se tenha baseado em fontes doutro órgão de comunicação social, era preciso informar os leitores que o Portal das Finanças divulgou, em Dezembro de 2016, documentos excel com os valores das transferências totais dos ordenantes com NIF’s 45 e 71 (os multimilionários) e dos outros ordenantes.
Além disso, o jornalista do Público que escreveu a notícia resumida neste post havia guardado as estatísticas publicadas na fonte oficial, em Abril de 2016, por ordem de Rocha Andrade. Portanto era possível calcular o valor das transferências ocultas para o Panamá através de toda a banca.

Então a fonte do Jornal Económico é falsa? Só sabemos que Hong Kong foi o segundo destino das transferências ocultas — exactamente 2029 milhões de euros —, além de que os socialistas sempre protegeram Ricardo Salgado. Em vésperas da medida de resolução aplicada ao BES, o presidente executivo fez transferências vultuosas que poderão ter ajudado o Haitong International Holdings Limited, com sede em Hong Kong, a comprar o Banco Espírito Santo de Investimento (BESI) presidido por José Maria Ricciardi.

Este comentário significa que acredito nas estatísticas mandadas publicar por Rocha Andrade? Não, mas são importantes porque é a versão oficial. Não acredito por duas razões.

Por um lado, Rocha Andrade tutela a Autoridade Tributária com quem a Galp está em litígio judicial e não teve pudor em viajar para França, por ocasião do Euro 2016, a convite da petrolífera portuguesa, acto que mereceu este comentário ao constitucionalista Jorge Miranda: “É inadmissível. É uma falta de ética espantosa. [Fernando Rocha Andrade] devia demitir-se (...) É espantoso que ao fim de 40 anos de democracia ainda exista um caso destes”.

Por outro lado, os documentos em excel divulgados no Portal das Finanças, acima ligados, permitem calcular como valor total das transferências para offshores, em 2015, exactamente 8885 milhões de euros, mais do dobro dos valores totais das transferências, publicadas por ordem de Rocha Andrade, em qualquer um dos anos de 2012 a 2014 (neste ano foi aplicada uma medida de resolução ao BES, o maior banco privado português!) e que estão correctamente inseridos na infografia (confirmei).

Não, não foi por receio de que os socialistas ganhassem as eleições porque todas as sondagens mostravam que a coligação Passos/Portas não estava muito longe da maioria absoluta.

Mesmo em Novembro, depois da aceitação do governo Costa no parlamento, os documentos assinados com comunistas e bloquistas e as primeiras medidas tomadas demonstravam que Costa havia comprado barato o apoio da extrema-esquerda.
No caso do PCP foi pela cedência dos transportes públicos, essenciais para este partido paralisar Lisboa e Porto quando quiser. O apoio do BE foi obtido com a anulação dos exames finais dos 4º e 6º anos, indispensável não só para manter a ignorância dos filhos dos portugueses que não têm vaga em escolas públicas de qualidade, ou não podem pagar colégios privados, mas também para aliviar a carga de trabalho sobre o professorado que votou em massa nos bloquistas.


domingo, 12 de março de 2017

Paulo Núncio e as transferências para offshores


O ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais Paulo Núncio teve ligações profissionais com offshores para os quais foram feitas posteriormente transferências financeiras cujas declarações entraram no sistema informático do fisco mas não foram inspeccionadas.

Paulo Núncio foi, entre 1997 e 2007, advogado especialista em Direito Fiscal da MLGTS Madeira Management & Investment SA, uma empresa da sociedade de advogados Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva & Associados, que prestava, e continua a prestar, serviços de assessoria jurídica às empresas sediadas no Centro Internacional de Negócios da Madeira (CINM).
Era, então, o responsável pelo escritório daquela empresa no Funchal e, segundo o Público, esteve ligado ao registo de cerca de 120 novas sociedades na zona franca da Madeira.

Nessa época vigorava o regime I do CINM que, além da Zona Franca Industrial, do Registo Internacional de Navios e dos Serviços Internacionais, tinha ainda uma quarta componente — Serviços Financeiros — extinta posteriormente.
Este regime permitia aos bancos instalarem uma sucursal offshore na ilha, o que tornava difícil seguir o rasto das transferências financeiras.

Paulo Núncio saiu da Madeira, em 2007, já o CINM se regia pelo regime II por imposição da OCDE, para vir trabalhar nos escritórios em Lisboa da Garrigues, uma sociedade de advocacia sediada em Espanha, e aí se manteve até Paulo Portas o ter convidado para integrar o governo em 2011.

A Garriges teve como cliente, desde 2008 até Dezembro de 2010, a petrolífera estatal venezuelana PDVSA que, segundo o Jornal Económico, fez uma parte "significativa" das transferências de 7,8 mil milhões para o Panamá através do BES, entre 2012 e 2014, que não foram inspeccionadas pela Autoridade Tributária.
Durante o governo de Passos Coelho e Paulo Portas, as transferências financeiras ocultas para paraísos fiscais atingiram, na totalidade dos offshores e da banca, 9,7 mil milhões de euros.


*


A questão é que, enquanto tutelou a Autoridade Tributária, Paulo Núncio nunca deu ordem para que fossem publicadas as estatísticas referentes às transferências financeiras para offshores, como era habitual, justificando esta atitude ao ex-director do fisco Azevedo Pereira pelo facto de esses dados conterem também os benefícios fiscais concedidos a empresas do CINM.
Não foi, porém, esta a justificação apresentada recentemente por Núncio no parlamento, onde apenas disse que tinha dúvidas se a publicação seria produtiva porque beneficiava o infractor. E, como devia saber, "à mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta".

Além disso, o CINM foi recentemente alvo da investigação Money Island da iniciativa de um consórcio de jornalistas liderado pelas estações alemã ARD e austríaca ORF, sobre a questão da fuga ao fisco nos últimos 19 anos na Madeira.

No entanto, os socialistas já tinham conhecimento há vários anos que as transferências financeiras para paraísos fiscais não estavam a ser publicadas entre 2012 e 2014.
Se guardaram esse conhecimento e só agora o divulgaram, foi para afastar a atenção dos portugueses de dois factos muito mais graves ocorridos na Caixa Geral de Depósitos — os SMS de Mário Centeno sobre a obrigação da entrega da declaração de património pelos gestores e a recapitalização de 4900 milhões de euros, dos quais 2500 milhões vão cair inteiramente e com mão pesada no bolso dos contribuintes, visto que se trata do banco público.

É óbvio que, se as imparidades no banco público não tivessem sido da responsabilidade do Partido Socialista, nem Passos Coelho exigia uma comissão de inquérito no parlamento, nem comunistas e bloquistas se afanavam a lutar contra as averiguações para sustentar a todo o custo o governo Costa.

Finalmente, não podemos esquecer que a Venezuela é governada, desde 1998, pelo Partido Socialista Unido de Venezuela, um partido da extrema-esquerda que, apesar das enormes reservas petrolíferas do país, desestabilizou a economia nacional deixando criar uma superinflação e uma depressão económica que mergulhou a população venezuelana na pobreza.

Pois foi este governo, aplaudido pelos comunistas e bloquistas portugueses, que permitiu à petrolífera estatal PDVSA não só usar os serviços da Garriges, desde 2008 até Dezembro de 2010, mas também ordenar que receitas da venda de petróleo, depositadas no BES, fossem transferidas para offshores no Panamá, entre 2012 e 2014.
Nesta época, o presidente executivo do BES ainda era Ricardo Espírito Santo Salgado que sempre desfrutou de amplo apoio entre os socialistas, a começar por Mário Soares, mesmo depois de serem conhecidas as transferências realizadas a favor das empresas do Grupo Espírito Santo que, segundo o Jornal Económico, são outra parcela "significativa" das transferências de 7,8 mil milhões para o Panamá através do BES realizadas entre 2012 e 2014.


Outras opiniões lidas no Público:

ana cristina
12.03.2017 12:28
Eu voto a favor da publicação da lista completa de deputados da assembleia da república e governantes que trabalharam para sociedades de advocacia com clientes que fizeram transferências para offshores com indicação dos nomes dos clientes e das datas.

João Sousa
12.03.2017 16:15
Ele fez algo ilegal? Não. As offshores são legais? São. Qual é afinal o problema? Se as offshores são o demónio, então que tal proibir as transferências para lá? Hipocrisias.
  • antero.seguro
    12.03.2017 17:11
    Já sabemos que ele não fez nada de ilegal. Credo. O que ele fez foi andar cá fora a construir artimanhas legais para depois passar para o outro lado e tentar apagar rastos. Isto já sabemos que não é uma ilegalidade, é sim uma esperteza saloia que, claro, só pode defendida por pessoas que pensam como ele.

Carlos Rocha
12.03.2017 16:18
Era o trabalho dele. Trabalhava para a "Zona Franca da Madeira". Julgo que é uma instituição legalizada e de acordo com as leis Portuguesas, não se trata de uma empresa malvada e clandestina.
Para a geringonça e seus apoiantes, incluindo alguns jornalistas ignorantes e sem capacidade de raciocínio lógico, os governantes (só os da coligação PSD/CDS) deviam ser recrutados no desemprego, ao qual deviam regressar depois de cessarem funções. Esta questão do recrutamento dos governantes não se põe em relação à geringonça porque nunca trabalharam, têm todos origem na Assembleia da República ou repartições públicas...

DD
12.03.2017 18:16
A ilha da Madeira é, de longe, o local mais corrupto em Portugal. Isso é sabido e aceite pelos próprios madeirenses que são coniventes e prezam a corrupção reinante. Se Portugal já se considera corrupto, a Madeira é três vezes mais. Gostava de ver os continentais de direito a meterem esta ilha na ordem. A terem coragem de o fazer! Porque também é território integralmente vosso.


*


Correcção em 14 de Março

Este artigo baseou-se numa notícia do Público resumida no primeiro parágrafo e com link. Por sua vez, essa notícia reformulou informação veiculada no Jornal Económico incorrecta ou mesmo falsa.

Corrigimos a seguir a informação relativa aos sucessivos regimes fiscais do CINM:

Regime I: constante do artigo 33.º do Estatuto dos Benefícios Fiscais (EBF), consubstanciava-se num conjunto de benefícios fiscais, dos quais se destacava uma isenção de Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas (IRC), aplicáveis aos quatro sectores de actividade aludidos. A admissão de entidades ocorreu até 31 de Dezembro de 2000 e o conjunto de benefícios produziu efeitos até 31 de Dezembro de 2011.

Regime II: vigorou, em termos de admissão de licenciamento de entidades, durante o período de 2003-2006 e os beneficiários admitidos até essa data continuaram a usufruir dos auxílios concedidos até 31 de Dezembro de 2011, data de produção de efeitos do anterior regime. O sector dos Serviços Financeiros deixou de ter benefícios.

Regime III: foi aplicado às entidades que se licenciaram para operar no CINM no período entre 1 de Janeiro de 2007 e 31 de Dezembro de 2014.

Regime IV: o actual regime, acordado com a Comissão Europeia, estará em vigor para todas as entidades instaladas no CINM entre 2015 e 2020, com produção de efeitos até 2027, encontrando-se regulamentado no artigo 36º-A do EBF.

*

Portanto, mesmo as empresas registadas no Centro Internacional de Negócios da Madeira (CINM) até ao fim de 2000 deixaram de usufruir dos benefícios fiscais do regime I a partir de 31 de Dezembro de 2011.
Obviamente a Madeira não ia aparecer nas estatísticas das transferências para offshores entre 2012 e 2014. Ou Núncio esteve a gozar o ex-director do fisco, ou este esteve a fazer-nos de parvos.


sábado, 7 de janeiro de 2017

É tempo de acordar


A taxa de juro dos títulos de dívida pública a 10 anos atingiu, na passada quinta-feira, os 4%. É tempo dos portugueses acordarem. Fazemos o alerta aqui, transcrevendo este artigo de opinião do Público:


"Já posso crispar-me outra vez?

João Miguel Tavares
7 de Janeiro de 2017, 7:20

Nós estamos há um ano a gostar de ser enganados pelos actuais governantes. Garantem que é possível safarmo-nos assim, com um regoverno cheio de reversões e falho de reformas.

O Presidente da República ficou desgostoso por os portugueses terem elegido “geringonça” como palavra do ano. Ele teria optado por “descrispação”. É uma escolha surpreendente de Marcelo, desde logo porque a palavra não existe. Porto Editora, Houaiss, Aurélio, Academia – nenhum dicionário cá de casa a reconhece. Mas o que em Cavaco seria ignorância, em Marcelo é imaginação, e “descrispação” está em linha com a bonita mensagem que nos deixou na passagem do ano, quando elogiou o “clima menos tenso, menos dividido, menos negativo cá dentro e uma imagem mais confiável lá fora”.

Estamos mais descrispados, de facto, e descrispámo-nos graças a um trabalho conjunto de Marcelo e António Costa, um a dar beijos e abraços, o outro a distribuir sorrisos, numa autêntica suruba de afectos. O resultado de tanta energia positiva está à vista. Clima menos tenso? Confere. Menos dividido? Confere. Menos negativo? Confere. Uma imagem mais confiável lá fora? Não confere. Ups, há qualquer coisa que falha nesta narrativa. Ninguém pode sinceramente dizer que o país está em 2017 com uma imagem “mais confiável lá fora”, e a prova disso é que os juros a 10 anos da nossa dívida não param de crescer. Acabámos de passar a barreira psicológica dos 4%, e nada indica que fiquem por aí. E é neste ponto preciso que a história da descrispação e do clima menos tenso, menos dividido e menos negativo se revela aquilo que realmente é: uma autêntica e descabelada fraude.

Desta fraude, nem António Costa, nem Marcelo Rebelo de Sousa, devem ser considerados inocentes no dia em que o diabo chegar — porque ele, acreditem, não vai falhar à chamada. Nós estamos há um ano a gostar de ser enganados pelos actuais governantes. Garantem que é possível safarmo-nos assim, com um regoverno cheio de reversões e falho de reformas. Muitos acreditam nisso. Mas não é possível. Quando falo em “fraude” não estou a dizer que a descrispação não exista. Pelo contrário: ela existe. Estou a dizer que não deveria existir, tendo em conta o estado lastimável em que Portugal se encontra e a sua dependência total de decisões sobre as quais não tem qualquer controlo — seja o fim do programa de compra de dívida do BCE, seja a subida de juros nos EUA. O primeiro-ministro e o Presidente da República uniram as mãos para anestesiar o país: um colocou a máscara e o outro abriu o oxigénio.

Portugal, contudo, não deixa de estar deitado na mesa de operações, dependente, incapaz de tomar decisões difíceis, semi-comatoso. Ninguém está a fazer nada por ele. A esta anestesia sem intervenção cirúrgica tem-se chamado “descrispação”. Mas serve para muito pouco e está longe de ser qualquer coisa próxima de uma cura. É mesmo só um entorpecimento momentâneo, que nos distrai e alivia. Uma bebedeira de facilidades. Uma alienação dos problemas que nunca deixaram de existir. Eles permanecem lá todos, e nem sequer estão adormecidos — o simples passar do tempo agrava os seus efeitos.

Agora que os juros chegaram aos 4% que alegadamente assustam as agências de rating, e António Costa se vê obrigado a reafirmar a sua confiança no país a partir da Índia, convinha começar a substituir o optimismo descerebrado pelo realismo lúcido, e admitir que a “descrispação” é apenas um novo nome para uma velha prática: adiar ao máximo a resolução dos problemas difíceis. Querem um conselho, caros leitores? Vejam se se apressam a crisparem-se outra vez, porque nada de bom aguarda este país."


*


Com uma maioria de esquerda na assembleia da República a reverter em poucos meses os cortes de rendimentos ao funcionalismo público e aos pensionistas e um governo a aumentar o salário mínimo nacional com redução da taxa social única e a pagar prejuízos dos lesados do BES, uma voz lúcida na presidência da República seria abafada pela berraria dos manifestantes da CGTP transportados gratuitamente para Lisboa nos autocarros das autarquias comunistas da área metropolitana da capital e do Alentejo.

Ciente das dificuldades por que a população passou em consequência do resgate financeiro de Maio de 2011 e prevendo a enorme adesão que esta política de presentes de Natal do governo Costa ia desencadear nos portugueses, Marcelo Rebelo de Sousa adoptou uma estratégia com duas componentes.

Por um lado, aproximou-se das pessoas anónimas, que são quem decide o resultado das eleições nos países de regime democrático, e ganhou o afecto delas.
Por outro, relacionou-se impecável e lealmente com o actual primeiro-ministro, e usou a sua sapiência multidisciplinar — que se estende do Direito à Economia e Finanças, passando pelo domínio das línguas inglesa e alemã — para avalizar, em Bruxelas e em Berlim, um governo de competência e ética duvidosas.

Esta estratégia tem sido um sucesso, permitindo a Marcelo — constitucionalmente um chefe de Estado sem poderes, excepto o de dissolver a assembleia da República, o que seria improfícuo em tempo de distribuição de dinheiro pela população — tornar-se no presidente mais poderoso de que há memória.
Um veto presidencial a um decreto-lei do governo Costa ou a uma lei da assembleia da República, que vindo de Cavaco Silva apenas servia para a maioria parlamentar de esquerda escarnecer do presidente, passou, vindo de Marcelo, a implicar a revisão do diploma pelo governo, acatando as observações do presidente, antes de regressar ao parlamento.

Esta conjuntura não vai eternizar-se, infelizmente, para mal dos nossos bolsos, quer sejamos trabalhadores do sector público ou privado, quer sejamos pensionistas.

O crescimento anémico da economia não compensa o tremendo aumento da despesa pública. Em consequência, o Banco Central Europeu está a diminuir as compras de dívida pública portuguesa e, os juros da dívida já ultrapassaram 4%. A fasquia ainda está longe dos 7% atingidos no final de 2010, mas o trilho que a despesa pública voltou a percorrer pode conduzir a outro resgate.

A subida do salário mínimo nacional de 530 para 557 euros, neste ano 2017, será feita à custa da descida da taxa social única (TSU) paga pela entidade patronal de 23,75% para 22,5% para todos os trabalhadores que, entre Outubro e Dezembro do ano passado, tenham auferido uma remuneração base entre aqueles valores.
Como a TSU é a contribuição que suporta a Segurança Social, o governo Costa está a pôr em risco, no futuro, o pagamento das pensões e dos subsídios de desemprego.

Muitos portugueses, demasiados, não têm cultura suficiente para perceber estes riscos, limitando-se a avaliar a acção governativa através do rendimento que recebem mensalmente.
Marcelo passa a maior parte do tempo a elogiar a acção do governo Costa, enfiando, no meio do discurso, advertências subtis em que as pessoas possivelmente não reparam. Quando os portugueses tiverem de enfrentar a realidade, o choque vai ser doloroso.


Outras opiniões:

liteira.de.spam
09:19
Os juros não estão apenas relacionados com confiança mas também com especulação. A taxa de juro decorre do preço de mercado, que por sua vez decorre da procura e as razões que influenciam a procura não são objectivas. As razões mais relevantes são a liquidez, risco, inflação esperada, riqueza, custo de oportunidade. Uma das razões será certamente o seguinte facto (Reuters, 3 Jan):
"The European Central Bank bought far fewer Portuguese government bonds last month than its rules dictate, reducing its support for a country where government borrowing costs are rising and the economic outlook is uncertain. [..] The reduction in ECB purchases has never been as marked as in December, when the ECB bought 726 million euros worth — 40 percent less than it should have according to its own rules."
  • ana cristina
    10:19
    Já não via aqui o liteira.de.spam desde a última vez que os juros estiveram a 7%, quando também foi necessário dar explicações técnicas que ninguém percebe para justificar o inaceitável. Mau sinal.
  • liteira.de.spam
    10:33
    Tenho comentado com frequência. Se não via, é porque anda distraída tal como quando os juros baixaram e confundiu a intervenção do BCE com resultados da governação de Passos Coelho. É cada vez mais evidente a fraca governação de Passos Coelho — BES, CGD, BANIF, o "TINA"... enfim.
  • jmbmarte
    11:39
    Tiro no pé: Liteira, ao avançar a causa — a Europa sustenta-nos menos do que deveria —, adianta (por pura genialidade argumentativa) a causa da causa: a Europa não nos sustenta como devia porque a nossa governação é excessivamente subsidiodependente e a nossa economia não oferece a ninguém a mínima garantia.
    Tudo isto está na citação com que patetamente queria inculpar o BCE. Está lá preto no branco que o BCE apenas reage à geringonça económica e nacional portuguesa, e que não é ela que está em falta, é que 'its own rules' são inaplicáveis a países inviáveis como o nosso. É exactamente por não querer especular que o BCE atribui estes juros realistas à nossa especulação-geringonça. Por favor, Liteira, continue a fornecer munições inteligentes teleguiadas ao (seu) inimigo, que agradece.

jmbmarte
11:28
O abençoado regresso de Fra Diavolo! Em princípio, um fala-barato patológico é, enquanto hiperactivo, o oposto de um... activo: e eis o PR: confere. Quanto mais fala (depois do fogo 2016), menos faz (antes dele em 2017): era o que eu dizia a JMT, e este não ouviu. Podemos, pois, recrispar? Podemos: a par de fra Diavolo, soltam-se os diabretes de barrete de guizos, confirmando a crispação geringonçada: são as marchas populares dos manjericos do PC para desmantelar as estruturas democráticas e europeias: fim do euro, da Europa e da Nato, regresso a Putin como padroeiro dos neo-com (neo-comunas). Crispy crispy, o país está estaladiço para o célebre pequeno-almoço. Pela boca morre o peixe, marcelete.

Liberal
11:37
No fundo vivemos de novo o clássico do homem que se atira do alto do precipício, e que, a meio caminho durante a queda diz "até agora tudo bem". Mas não concordo com a existência de uma "descrispação", analfabeta ou erudita, a haver tal coisa ela resumir-se-á aos sectores que estão de novo a mamar o "oxigénio". São poucos, e sabemos bem quais são.

João Borges
12:04
Parte do país vive agradado com a situação, uns porque voltaram à mama, outros porque são governados pelos da sua "cor", outros porque odeiam a "direita" e preferem levar no lombo pela esquerda que, assim, dói um pouco menos. Essa, mesma, parte do país está pouco interessada em reformas e sacrifícios. O que pretende é ir vivendo que os amanhãs irão (desen)cantar qualquer coisa!


domingo, 25 de dezembro de 2016

In Memoriam Alexandrov Ensemble


Um avião, que partiu de Moscovo com 92 pessoas, caiu no Mar Negro dois minutos depois de descolar do aeroporto de Sochi, na Rússia, onde aterrara para reabastecer de combustível.

A bordo seguiam 64 elementos — cantores, músicos da orquestra e bailarinos — do famoso Alexandrov Ensemble que iam actuar na festa de Ano Novo de uma base aérea de Latakia, província do litoral da Síria.

Os destroços do avião foram encontrados a 1,5km de Sochi, a uma profundidade entre 50 e 70m. Não há sobreviventes.

REUTERS/Stringer
AFP PHOTO / Jacques Demarthon

Fundado em 1928 pelo compositor Alexander Vasilyevich Alexandrov, o Alexandrov Ensemble chamou-se inicialmente Coro do Exército Vermelho, tendo começado com 12 soldados artistas — um octeto vocal, um acordeonista, dois bailarinos e um recitador.
Cinco anos depois já contava com 300 elementos, reunindo um coro exclusivamente masculino, uma orquestra e um conjunto de bailarinos. Posteriormente foi reduzido para cerca de 80 artistas. A partir dos anos noventa passou a incorporar elementos femininos.

Alexander Alexandrov dirigiu o coro durante 18 anos. Sucedeu~lhe o filho, Boris Alexandrov, que conduziu o coro entre 1946 e 1987. O actual director, Valery Khalilov, seguia a bordo do avião que caiu no Mar Negro. Apenas três dos cantores do coro não seguiam a bordo.

O repertório actual continha mais de duas mil obras entre canções folclóricas, música sacra e trechos de óperas, sendo as interpretações musicais acompanhadas por danças e acrobacias. Em algumas das peças que executavam, o coro era dividido em contratenores, primeiros tenores, segundos tenores, barítonos, primeiros baixos, segundos baixos e baixos profundos.



Concurso Eurovisão da Canção 2009, Moscovo


Kalinka (Калинка), canção do folclore russo escrita em 1860 por Ivan Larionov.
Maestro: Igor Raevskiy
Solista: Vadim Ananyev (não embarcou no avião)


O último concerto no Teatro Bolshoi, em Moscovo


*
Pessoas colocam velas num cais de Sochi, Rússia, para homenagear os passageiros e tripulantes do avião Tu-154 militar russo que caiu no Mar Negro.
REUTERS/Maxim Shemetov


segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

António Guterres prestou juramento como secretário-geral da ONU


Em 13 de Outubro de 2016, o antigo primeiro-ministro português António Guterres foi nomeado pela Assembleia Geral como o nono Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) para um mandato que vai iniciar-se em 1 de Janeiro de 2017 e termina em 31 de Dezembro de 2021.

Hoje, António Guterres prestou juramento e, em seguida, discursou perante a Assembleia.




"Eu, António Guterres, juro solenemente exercer com toda a lealdade, discernimento e confiança as funções que me são confiadas como Secretário-Geral das Nações Unidas, desempenhar as minhas funções e regrar o meu comportamento tendo em vista o interesse exclusivo das Nações Unidas, e não procurar nem aceitar instruções, em relação ao desempenho das minhas funções, de qualquer governo ou outra autoridade externa à organização."

Arquivamos também a versão integral do seu discurso onde prometeu reformar as Nações Unidas e apostar na prevenção de conflitos:



No discurso fez várias observações e críticas:

O estado actual do mundo

“O fim da Guerra Fria não foi o fim da história (...). Os conflitos tornaram-se mais complexos e interligados do que antes. Produziram horríveis violações da lei humanitária internacional e abusos dos direitos humanos. As pessoas foram forçadas a deixar as suas casas numa escala que não era vista há décadas. E uma nova ameaça emergiu, o terrorismo global.”

Modo de funcionamento interno da ONU

“Temos de nos focar mais em resultados e menos no processo, mais nas pessoas e menos na burocracia”

“Tenho a sensação de que as regras orçamentais da ONU servem mais para impedir do que para permitir as nossas funções (...) Não é possível demorar nove meses para deslocar um funcionário para o terreno.”

A globalização deixou para trás cidadãos que se sentem excluídos

“[A globalização trouxe progresso, mas também fez aumentar as desigualdades.] Muita gente ficou para trás, incluindo nos países desenvolvidos",
“Um pouco por todo o lado, eleitores tendem a rejeitar status quo e tudo o que os governos propõem”, disse, lembrando, sem enumerar, os referendos no Reino Unido e em Itália. “Perderam confiança não só nos governos mas também em instituições globais como as Nações Unidas. É tempo de reconstruir a relação entre as pessoas e os líderes”.

“Está na altura de os líderes globais e da ONU ouvirem as necessidades das pessoas.”

Os conflitos

“Os desafios estão a ultrapassar a nossa capacidade para responder.”
“[A maior falha da comunidade internacional é] a incapacidade de prevenir crises”. Assim, o passo “[Ajudar a resolver os conflitos existentes] na Síria, no Iémen, no Sudão do Sul, o conflito israelo-palestiniano (...) [com] mediação, arbitragem e diplomacia criativa”.
“Estou pronto para me envolver pessoalmente na resolução de conflitos onde isso possa trazer valor acrescentado.”

Paridade de género

“Temos de ter paridade [entre homens e mulheres] o mais cedo possível na ONU”

Os escândalos na ONU

“A ONU não fez o suficiente para prevenir e responder aos crimes horríveis de violência sexual e exploração cometidos sob a bandeira da ONU contra aqueles que é suposto protegermos”

A religião

“(...) paz, segurança, respeito, direitos humanos, tolerância, solidariedade. Todas as grandes religiões defendem estes princípios (...). Mas as ameaças a estes valores são muitas vezes baseadas no medo”.

“Temos de deixar de ter medo uns dos outros e ter confiança.”

“A minha confiança nas Nações Unidas será dirigida para inspirar essas confianças, enquanto faço o meu melhor para servir a nossa humanidade comum", concluiu.


*


António Guterres ganhou as eleições legislativas de 1995 depois de uma campanha que teve como lema “A paixão pela Educação”. Na tutela dessa pasta foi empossado o independente Marçal Grilo que assinou de cruz todos os diplomas que a sua secretária de Estado Ana Benavente lhe pôs na frente.

O objectivo político desta socialista era desvalorizar a competência dos professores — propunha-se entregar a formação dos professores do 7º ao 9º ano nas mãos do ensino superior politécnico.
Em contrapartida, gerou dezenas de milhar de vagas para novos docentes ao criar uma profusão de áreas curriculares não disciplinares — Área Projecto, Estudo Acompanhado e Educação Cívica —, portanto sem conteúdos programáticos, que não tiveram impacto significativo na melhoria da disciplina e dos resultados dos alunos, mas contribuíram para o posterior descontrolo dos défices públicos.

Depois de uma década a gerir o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), esperamos que António Guterres tenha aprendido a escolher melhor os colaboradores, sendo menos subserviente para com as poderosas influências que se movem nos bastidores da ONU.

Se souber gerir o processo de paz na Síria conservando Bashar al-Assad, após a guerra civil financiada pela Arábia Saudita, pelo Qatar e pela Turquia com o apoio político e logístico dos Estados Unidos, Reino Unido e França, pode travar a imigração muçulmana para os países europeus.

Não é tão difícil como parece, começa a construir-se uma via. O Reino Unido está a braços com o problema do Brexit. A França deverá virar à direita nas eleições legislativas de 2017. E é a China, não a Rússia, que tem surripiado o emprego aos Estados Unidos, portanto o presidente eleito Donald Trump, cujo objectivo é aumentar o emprego e promover o crescimento económico americano, não pretende hostilizar Putin. Basta transformar num aliado, pelo menos neste domínio, o novo presidente americano.

Se tiver coragem em singrar esta via, António Guterres pode resolver o problema dos refugiados sírios e tornar mais seguros os países da União Europeia. Sairá dignificado e dignificará Portugal.


terça-feira, 15 de novembro de 2016

O IMI não afecta o património imobiliário dos partidos políticos


Os partidos políticos estão isentos do pagamento de IMI mas têm de comunicar o valor do seu património imobiliário ao Tribunal Constitucional.

Depois do governo de António Costa ter criado um imposto adicional ao IMI, foi divulgado que os imóveis para habitação dos partidos políticos não só não serão atingidos pelo novo imposto, como todo o património imobiliário que possuem está isento do pagamento do IMI.

São, porém, obrigados a comunicar o valor desse património ao Tribunal Constitucional. Em 2015, o total foi de 30,2 milhões de euros.

O PCP lidera o ranking do património imobiliário dos partidos, detendo metade desse valor, cerca de 15 milhões de euros. Em segundo lugar está o PS com 7,038 milhões de euros, segue-se PSD (6,185 milhões de euros), Bloco de Esquerda (1,468 milhões) e CDS (581 mil euros).

Se lhes fosse aplicada a taxa de 0,4% — a mais usada pelas autarquias —, o Estado receberia mais 121 mil euros de receita com o IMI.


*


Recordemos que, no Verão, o governo Costa já tinha alterado a percentagem de um dos parâmetros que determinam o valor patrimonial tributário de uma habitação — a localização e operacionalidade relativas.
Trata-se de um dos vinte e três elementos que compõem o valor do coeficiente de qualidade e conforto (Cq) que aparece no valor patrimonial tributário de um imóvel. Diz respeito à exposição solar e à paisagem que se pode desfrutar na habitação e a sua alteração concede às câmaras municipais o direito de solicitarem nova avaliação para subir a percentagem atribuída de 5% para 20%.

Sendo conhecido que as receitas do IMI duplicaram entre 2004 e 2015 e que certos partidos políticos portugueses adoram propagandear que o esforço tributário deve ser distribuído por todos, está a parecer-me que esses partidos, justamente os que detêm maior património imobiliário, revelam um estranho conceito de justiça fiscal.


*


Actualização em 28 de Novembro

Durante a aprovação do orçamento de Estado para 2017, na especialidade, os partidos de esquerda — PS, BE e PCP — aprovaram esta tarde, com votos contra do PSD e CDS, o imposto adicional ao IMI (AIMI) para imóveis acima dos 600 mil euros. Ficam isentos os edifícios licenciados para comércio, serviços, indústria ou turismo.

A proposta do CDS para acabar com a isenção de pagamento do IMI para o património imobiliário dos partidos políticos contou com o voto favorável do BE, mas foi chumbada pelo PS e pelo PCP, graças à abstenção do PSD.


sábado, 12 de novembro de 2016

António Domingues tem salário superior aos reguladores nacional e internacionais


O presidente do conselho de administração da Caixa Geral de Depósitos (CGD) aufere um salário fixo superior ao regulador financeiro nacional e até aos internacionais.

A remuneração fixa anual de 423 mil euros de António Domingues, presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD), além de ser o salário mais alto da história do banco público é também superior ao salário de Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, a entidade reguladora financeira nacional, que recebe apenas 217 mil euros.
E Carlos Costa já é um afortunado em relação à sua homóloga norte-americana Janet Yellen, presidente do Federal Reserve System (FDE), o banco central dos Estados Unidos da América, que ganha o equivalente a 180 mil euros.

Até o regulador europeu, o Banco Central Europeu (BCE), que tem a função complexa de conduzir a política monetária da Zona Euro e regular as instituições financeiras de 19 países dentro da União Europeia, vê o seu presidente Mario Draghi receber 386 mil euros, portanto menos que Domingues.




Domingues tentou justificar os elevados salários dos actuais gestores do banco público afirmando que foram calculados usando a mediana das remunerações dos administradores da banca.

Um especialista em políticas de remuneração e gestão de recursos humanos na consultora PricewaterhouseCoopers, João Oliveira Santos, diz que a mediana do que se paga no mercado é um referencial transparente, mas é preciso atender aos conceitos. Estamos a falar da mediana de quê?
A Caixa segue as regras de governo das sociedades bancárias, das mais exigentes entre todos os sectores, que a obriga a ter uma comissão de remunerações, a quem compete garantir que os salários estão alinhados com os objectivos da instituição e com o mercado. Só que mercados, há muitos.
João Oliveira Santos diz que, para calcular a mediana, "é preciso ter em atenção o país e a dimensão da empresa, porque uma grande empresa em Portugal não o é na Europa, e a tentação dos gestores em causa própria é compararem-se com os congéneres internacionais". Se não, teremos "jogadores a jogar na segunda distrital e a compararem-se com a primeira divisão de um país estrangeiro".

Esta afirmação significa que a mediana deve ser calculada apenas com base nas remunerações das outras entidades financeiras a operar em Portugal — BCP, Novo Banco e BPI — e sem instituições estrangeiras à mistura, como o Santander, porque a comparação com a banca internacional vai inflacionar os montantes a pagar, como explicaram ao Negócios dois outros especialistas que preferiram não ser identificados.




Portanto a mediana é um bom referencial desde que atenda à dimensão da empresa, mas também à competência para o cargo.
Ora o BCE considerou que faltam competências a 3 gestores executivos da CGD que têm de ser adquiridas com cursos no INSEAD. "Não precisam de receber o que recebem gestores no BCP e no Novo Banco", considera Paulo Soares de Pinho, professor na Nova School of Business and Economics.

Remuneração variável

De notar que estamos a falar da remuneração fixa mas a remuneração total ainda tem outra componente — a remuneração variável. Há, porém, absoluta opacidade sobre os parâmetros do desempenho que, habitualmente, estão na base do cálculo da remuneração variável e que deveriam ter sido exigidos aos gestores da CGD pelo primeiro-ministro António Costa.

"Ninguém conhece os 'key performance indicators' fixados à equipa de gestão da CGD. Há um pacote de remuneração variável de 50% do fixo sem terem sido divulgados os KPI, ou seja, o que o Estado quer para a CGD. Os accionistas têm direito a conhecer os objectivos com que a gestão da CGD se comprometeu. É pôr a CGD a dar lucros, o EBITDA atingir dado limite, é consoante o número de depósitos?", diz um gestor do sector bancário que preferiu não ser identificado. Trata-se de obrigações de transparência, mas também de "medidas de bom senso que mostravam respeito pelo accionista".

*


Também não podemos esquecer que vivemos num país que tem um salário mínimo anual de 7420 euros, um dos mais pequenos da União Europeia. Os salários astronómicos dos actuais gestores do banco público vêm aumentar ainda mais a enorme desigualdade salarial que se criou em Portugal após 25 de Abril de 1974.

Contudo, mais espantoso que o valor elevadíssimo do salário fixo de Domingues, em termos dos reguladores nacional e internacionais, é que este montante foi fixado por António Costa, um primeiro-ministro oriundo do Partido Socialista (PS) que perdeu as eleições legislativas de Outubro de 2015.
E temos de recordar que Costa está à frente de um governo minoritário que se mantém no poder graças ao apoio parlamentar dos dois partidos da extrema-esquerda, o Partido Comunista Português (PCP) e o Bloco de Esquerda (BE). Até parece que a esquerda passou a defender o capitalismo selvagem.
Costa está a tratar os accionistas do banco público, que são todos os contribuintes portugueses, como analfabetos financeiros e completos idiotas.

No teatro de dissimulação que é a política à portuguesa, apenas o Presidente da República diz claramente o que pensa da situação na CGD e exige transparência e moralidade.
Como Marcelo Rebelo de Sousa é filho de um governador colonial de Moçambique que depois foi ministro do ditador Salazar, só podemos concluir que a nossa democracia padece de grave enfermidade.


Arquivamos aqui alguns comentários relevantes publicados no artigo do Negócios:

cliente da caixa ha mais de 42 anos
À pala da caixa muitos inteligentíssimos ficaram ricos. A caixa é o reformatório de ex-políticos.
Só neste País, e com esta democracia, acontece isto. Salazar faz muita falta.

gaspar
Um absoluto vómito, os banqueiros e os políticos. Julgam-se donos de tudo e todos. Quem autorizou o PM, que deve gerir o dinheiro dos impostos, a pagar 60 salários mínimos a um gestor bancário?
60! Nem nos países mais desiguais. Espero que o PM seja "preso".

Anónimo
Verdadeiramente lastimável todo o processo de nomeação da nova Administração da CGD. António Costa evidenciou muita falta de responsabilidade política e ética.

Classic
Um bom artigo, completo com princípio, meio e fim. Sem tirar conclusões é certo, mas o tema dificilmente o permite.
Sobre os salários dou apenas uma achega. Ao irem para estes cargos estes CEO apresentam-se como vítimas que não podem ser prejudicados em termos remuneratórios face ao que ganhavam. Isto não leva em conta que colocar no curriculum ser presidente da CGD por X anos é só por si garantia de empregabilidade para a vida e já nem falo dos conhecimentos e network que se ganha numa presidência duma CGD. Só mesmo o poder colocar no curriculo: CEO da CGD de xxxx a xxxx.
Como tal, se pudéssemos colocar hipoteticamente 2 carreiras em paralelo, sem e com a passagem pela CGD, veríamos que a passagem por lá iria trazer benefícios tais, que irem para lá de borla nem era mau negócio!
Mais um bom artigo para o Negócios fazer: o trajecto dos ex-CEO da CGD e ver se após tiveram muitos desgostos profissionais ou desemprego. Suspeito que não.

O Domingues tem de ser afastado da CGD
Independentemente destas divisões, este homem com ar de quem lhe deve e não lhe pagam, já não inspira confiança nenhuma nos clientes. Já há alguns que, se esta "palhaçada" continuar, retirarão os depósitos da CGD. E é bem feito. O Centeno, com riso de tótó, tem culpas no cartório, deu um tiro nele!

Joao22
E bom saber que há dinheiro nosso para esbanjar. O salário deste Senhor D. em relação a outros praticados no mercado (sendo verídicos os números aqui apresentados) demonstra um profundo desconhecimento e o rumo incerto das políticas governamentais e orçamentais apresentadas pelo actual governo. Penso que cedo ou tarde pagaremos a incompetência actual.

Anónimo
Não é uma questão de salário. Qual é o currículo do Domingues e da sua equipa para justificar isto? O BPI perde dinheiro e depende do BFA. Três administradores têm de aprender sobre a banca. O Domingues e o Pedro Durão Leitão não querem declarar rendimentos. Uma vergonha monumental.