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segunda-feira, 27 de abril de 2015

O sismo no Nepal


O Nepal foi atingido por um sismo de magnitude 7,8 na escala do Momento, no sábado dia 25 de Abril, que provocou mais de 2 mil vítimas.

A devastação deixada pelo sismo em Katmandu, a capital, ficou registada em vídeo por um drone. Palácios, templos e estátuas construídos entre os séculos XII e XVIII foram reduzidos a escombros:


Kishor Rana/Reuters 27/04/2015 - 15:51


A torre Dharahara — um minarete com 62 m de altura e nove pisos, edificado no séc. XIX — colapsou, sepultando cerca de 200 visitantes. Permitia desfrutar de uma vista panorâmica sobre o vale de Katmandu e era património mundial da UNESCO, em conjunto com as praças Durbar (do palácio real) de Katmandu, de Bhaktapur e de Patan.












O País está localizado na cordilheira dos Himalaias que se formou em resultado da colisão da placa tectónica indiana com a placa euro-asiática, há cerca de 40 milhões de anos. Oito das dez maiores montanhas do planeta, entre as quais o monte Everest que fica na fronteira com a China, estão situadas no Nepal.





Animação ampliada aqui. Clique em Motion e deslize a seta para ver o movimento das placas tectónicas nos últimos 150 milhões de anos.
Clique em Maps e seleccione Boundaries e Names para ver a posição actual das placas. O sismo no Nepal resultou do movimento — convergente (seleccione Velocity) — entre as placas indiano-australiana e euro-asiática.


quarta-feira, 15 de abril de 2015

O terramoto de Lisboa de 1755 em vídeo


Na manhã de 1 de Novembro de 1755, pelas 09:40, um terramoto sacudiu Lisboa e zonas limítrofes durante 3,5 a 6 minutos, tendo aberto fissuras de 5 m e provocado o desmoronamento da maior parte dos edifícios.

Os sobreviventes refugiaram-se no espaço vazio à beira do rio Tejo e viram a água recuar. Cerca de 40 minutos após o terramoto, porém, um maremoto engoliu a área do porto e a baixa da cidade. Cidadãos britânicos residentes em Lisboa relataram que "várias pessoas que percorriam a cavalo a grande estrada para Belém, em que um dos lados desce para o rio, asseveraram depois que as águas corriam tão depressa que eles foram forçados a galopar tão rápido quanto possível para locais mais altos com medo de serem arrastados".

Era o feriado do dia de Todos-os-Santos e as velas que os fiéis tinham acendido nas igrejas tombaram, provocando incêndios por toda a cidade. Nos locais que não foram atingidos pelo maremoto, as chamas lavraram durante cinco dias.

Não foi possível quantificar quantas pessoas morreram nesse dia, mas as estimativas apontam para um número compreendido entre 40.000 e 50.000 vítimas, tornando-o num dos terramotos mais mortíferos da história.

Os sismólogos estimam que o terramoto de Lisboa teve a magnitude 8,7 na escala do Momento, com epicentro no Oceano Atlântico a cerca de 200 km a oeste-sudoeste do Cabo de São Vicente.

Animação ampliada aqui. Clique em Motion e deslize a seta para ver o movimento das placas tectónicas nos últimos 150 milhões de anos.
Clique em Maps e seleccione Boundaries e Names para ver a posição actual das placas. O terramoto de Lisboa resultou do movimento — convergente (seleccione Velocity) — entre as placas africana e euro-asiática.


Desprezado pela aristocracia por ser oriundo da pequena nobreza, o primeiro-ministro Sebastião José de Carvalho e Melo, mais tarde agraciado com o título de Marquês de Pombal, esteve à altura do acontecimento, mandando enterrar os mortos para evitar epidemias e organizando equipas de bombeiros para combater os incêndios.
E logo encomendou ao arquitecto real, Carlos Mardel, ao engenheiro-mor do reino, Manuel da Maia, e ao arquitecto do Senado de Lisboa, Eugénio dos Santos, um plano para a reconstrução de Lisboa com grandes praças e ruas largas e rectilíneas, de tal forma que o seu novo centro, hoje conhecido por Baixa Pombalina, é uma das zonas nobres da cidade e causa admiração aos estrangeiros que nos visitam ter sido edificada no século XVIII. Os edifícios serão também os primeiros do mundo a serem projectados à prova de sismos: as gaiolas de madeira foram testadas pondo tropas a marchar para simular as vibrações sísmicas.

O primeiro-ministro não se limitou a lançar a reconstrução da cidade. Enviou um inquérito a todas as paróquias do país para apurar as características do sismo com este tipo de questões:

Em que instante começou e quanto tempo durou o sismo?
O choque foi sentido como maior numa direcção do que noutra? Exemplo, de Norte para Sul? Parece que os edifícios caíram mais para um lado do que para o outro?
O mar subiu ou baixou em primeiro lugar, e quantos palmos subiu acima do normal?

As respostas ao inquérito foram arquivadas na Torre do Tombo e permitiram aos cientistas actuais recolherem dados fiáveis para reconstituírem o fenómeno numa perspectiva científica. Dado que é a primeira iniciativa de descrição objectiva no campo da sismologia, o Marquês de Pombal é considerado um precursor desta ciência.

Quase três séculos depois, o Instituto Smithsonian, um grupo público de museus e centros de investigação nos Estados Unidos, recriou em vídeo os eventos ocorridos em Lisboa nesse longínquo dia 1 de Novembro de 1755:





quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

A fraude homeopática


Vejamos como é produzido um produto homeopático típico com a diluição 30X. Uma parte da substância activa é misturada com dez partes de água e agitada. Depois uma parte desta mistura é diluída em dez partes de água e agitada. E repete-se o processo 30 vezes. No final, 1 parte da substância activa ficou diluída em 10³⁰ partes de água.
Sabe-se, há mais de um século, que 18 g de água contêm 6x10²³ moléculas. Logo

18 g
_______
6x10²³


=


x
______
10³⁰

seria preciso tomar 3x10⁷g da solução, ou seja, 30.000 litros para ter a expectativa de ingerir uma única molécula da substância activa.

No Oscillococcinum, um produto vendido como "remédio" para a gripe, a diluição é ainda muito maior, exactamente 200C. O C significa que uma parte de extracto de fígado e coração de pato agora é misturada com cem partes de água. E repete-se a diluição 200 vezes. A conclusão é que 1 molécula do extracto de miudezas de pato fica diluída em (10²)²⁰⁰ = 10⁴⁰⁰ moléculas de água, ou seja, o algarismo 1 seguido de 400 zeros. Acontece que há cerca de 10⁸⁰ átomos no universo, de modo que a diluição do Oscillococcinum fica espantosamente abaixo do limiar de diluição do universo observável!

Portanto a homeopatia não tem base científica. Apoia-se na crença de que as moléculas de água têm memória, crença possivelmente alimentada por uma ideia errada do que é a estrutura da matéria. É o resultado de ter-se reduzido quase a zero o estudo da Matemática, Física, Química, Biologia e Geologia durante 40 anos, ter-se eliminado os exames e de dar-se diplomas a ignorantes, convencendo-os que são cultos.

Sem cultura científica suficiente para entenderem sequer o método experimental criado por Galileu Galilei — que permitiu um avanço de séculos da ciência e tecnologia ocidentais face à cultura asiática cristalizada no pensamento filosófico —, os adeptos da homeopatia fazem analogias de arrepiar os neurónios dentro de matérias das ciências exactas.
Como os filósofos nada sabem de correlações estatísticas, só há uma maneira de lhes explicar que os estudos científicos realizados com produtos homeopáticos mostram que estes actuam como placebos: é a via do humor. O artigo a seguir transcrito é uma pérola nesse campo:


"Oscillococcinum Cadabra

JOSÉ DIOGO QUINTELA, 25 de Janeiro de 2015

Tenho a casa transformada em enfermaria. Neste momento, estão internados cinco Nenucos, três Barbies (tecnicamente, uma delas é Barbie-Sereia) e um Action Man. Padecem de gripe.

A minha filha é muito atenciosa com os pacientes. Está a levar a sua função terapêutica muito a sério. A minha mulher está convencida de que a miúda vai ser médica. A mim, pela maneira como ela trata as bonecas, dá-me mais a sensação que ela vai ser homeopata. É que os remédios que ela receita são colheradas de ar e pingos de água aplicados a partir de um biberon de brincar.

Como pai preocupado com o futuro, é óbvio que estou contente. A homeopatia não é tão prestigiante quanto a medicina, mas dá mais dinheiro. E o curso é mais fácil. Só é preciso aprender a medir porções, diluí-las e sacudi-las num recipiente. No fundo, é um curso de barman em que só se usa água. Aliás, qualquer pessoa que já teve preguiça de ir à despensa buscar uma embalagem de champô nova, preferindo antes encher de água e abanar a embalagem vazia de modo a recolher refugo de champô com que lavar a cabeça, é um homeopata em potência.

Todos os dias ouço um anúncio na rádio a recomendar que faça a prevenção da gripe com o Oscillococcinum, um produto homeopático. Ora, eu não sou cientista. Logo, tenho toda a qualificação necessária para me pronunciar sobre homeopatia. E diria que a prevenção da gripe com pílulas de açúcar só funciona se o vírus influenza estiver a fazer a dieta do Paleolítico. Sem ser para evitar os hidratos de carbono, não estou a ver outra razão que levasse um vírus a não querer instalar-se em alguém só porque toma pílulas de açúcar. A empresa que o vende garante que não tem efeitos secundários. Aí já estamos de acordo. É natural que não tenha, porque para ter um efeito secundário seria necessário que tivesse, anteriormente, um efeito primário.

No entanto, a bem da verdade, tenho de reconhecer que o Oscillococcinum não é apenas açúcar. O seu ingrediente fantástico (no sentido de “estupendo” para os homeopatas; no sentido de “fictício” para as restantes pessoas) é um extracto de miudezas de pato, o que faz do Oscillococcinum uma sugestão de canja muito cara. Quando alguém toma um comprimido, há um círculo que se completa: o que começou com um pato termina num pato. Não consigo imaginar melhor definição de “holístico”.

Os homeopatas garantem que depois das 200 diluições do extracto de pato, a água retém a memória de uma molécula do ingrediente original. Até agora, não se conseguiu provar que a água tenha memória. A existir, a memória da água é igualzinha à memória do vinho: quando o bebo, no dia seguinte também não me lembro de nada.

Atenção, o meu cepticismo não é dogmático. Mudo de opinião quando me mostrarem provas irrefutáveis. E a verdade é que fui agora ao quarto da minha filha e as doentes estavam todas perfiladas para uma aula de zumba. Tudo com ar bem-disposto. Tirando o Action Man."


*

O artigo gerou no Público um fórum típico da questão homeopática. Se evitar que pessoas crédulas sejam exploradas financeiramente por impostores que pretendem lucrar com a desgraça alheia, já terá merecido a pena a transcrição:

Rodrigo Aguiar
26/01/2015 00:27
Folgo em saber que Galileu Galilei foi perseguido por defender o heliocentrismo, numa época em que as provas do geocentrismo eram irrefutaveis, ainda assim ele estava certo. Arthur Schopenhauer disse um dia "Qualquer verdade passa por três estágios: Primeiro, é ridicularizada. Segundo, é violentamente combatida. Terceiro, é aceita como óbvia e evidente." Se pesquisarmos sobre homeopatia já com o principio de que esta não funciona, realmente vamos encontra-la como compostos de água e açúcar. Mas se por outro a pesquisa for feita livre de preconceitos, talvez poderemos entender quais são os seus princípios, porque é que ela funciona e que talvez ainda estejamos longe de ter a tecnologia que nos permite confirmar cientificamente as suas propriedades.
  • Miguel Almeida
    26/01/2015 09:29
    O Rodrigo não leu o texto até ao fim. "Atenção, o meu cepticismo não é dogmático. Mudo de opinião quando me mostrarem provas irrefutáveis". Chama-se a isto método científico. Na indústria farmacêutica, o método científico traduz-se num conjunto de ensaios clínicos que demonstram a segurança e eficácia do medicamento. Onde está, então, a demonstração de que o produto faz (e faz de forma segura) aquilo que diz fazer?
  • Rui Costa
    26/01/2015 10:42
    Rodrigo, o seu comentário começa mal. Galileu Galilei não foi perseguido pela comunidade científica da época. Lembra-se de algum cientista de renome que se lhe tenha oposto? Foi perseguido, julgado e condenado por quem não percebia nada de Ciência e por quem não estava interessado em olhar para os indícios mas sim para dogmas de fé. E é precisamente isso que agora o Rodrigo propõe: que tenhamos fé na eficácia da homeopatia, relegando, para um futuro distante, a possibilidade de se descobrirem provas que a sustentem...
  • JP
    26/01/2015 18:21
    Amigo Rodrigo, o que você não percebeu é que o geocentrismo está para o heliocentrismo como os homeopáticos estão para os medicamentos a sério. Se bem que as teorias que suportavam o geocentrismo tinham um pouco mais de fundamento que as que suportam os homeopáticos. No fundo, tratam-se de dois exemplos de "má ciência", embora um deles nem ciência seja.
    A ciência evoluiu centenas de anos para que deixássemos de nos fiar apenas em ervinhas e rezas. Parece-me, portanto, muito improvável que agora apareçam provas irrefutáveis de que as ervinhas e rezas funcionam melhor que os medicamentos e técnicas médicas que desenvolvemos nos últimos anos.
  • Mac
    26/01/2015 19:10
    "Amigos" Rui e Miguel! Pelos vossos comentários já percebi que defendem a indústria farmacêutica com unhas e dentes, mas outras pessoas têm o direito de escolher o que acham ser melhor para elas. Quanto a mim estejam descansados que prefiro ir dar-vos dinheiro quando estou doente ;)
  • casmaria
    27/01/2015 18:01
    Mac, o problema das farmacêuticas é outro, e não é de ciência. A investigação farmacêutica precisa de uma mudança de paradigma urgente. A investigação à porta fechada, em competição (em vez de colaboração) e financiada por entidades enviesadas é extremamente ineficiente. Para não falar nos gastos associados de marketing, patentes e outras coisas absurdas. É uma pena que ninguém pense nos custos obscenos que as farmacêuticas cobram por novos fármacos, e prefiram exigir que os governos baixem a bolinha e paguem a estas empresas, em vez de exigir que tudo passe a genérico.

Pedro Ferreira
26/01/2015 20:20
A malta quer provas visiveis, demonstrações... A tecnologia evolui, e obviamente que ainda tem muito para evoluir, por tanto ate la ainda só ha evidências, factos de que a homeopatia de facto resulta. Mesmo quem acusa a homeopatia de ser placebo, não prefere ser tratada com placebo do que com drogas? Mas não é placebo, e o que não entendo é todo este ataque à homeopatia, quando ha ensaios clínicos com resultados altamente favoráveis para a homeopatia, muitos deles duplo-cego, é so pesquisarem. A Homeopatia tem-se aguentado tão bem exatamente pela sua eficácia e ensaios clínicos. Fica mesmo só a faltar, e estou seguro de que vai acontecer, conseguirem o que voces querem, as tais provas. Mas sinceramente também nao me rala muito isso, funciona e isso é que importa... saúde.
  • SFMarinheiro
    27/01/2015 00:07
    A "malta" são os cientistas. Aqueles chatos que exigem evidências claras, resultantes de estudos publicados e descritos para que possam ser avaliados por todos. Por muito que o diga, não há um só, um estudo só que mostre qualquer superioridade da homeopatia em relação a placebo. O que é claro, visto que ambos são apenas placebos.
    Preferir placebos a medicamentos é o mesmo que preferir beber um copo de água em vez de almoçar e pagar a água a preço de caviar. E se se aguenta, é só porque há quem ganhe (muito) dinheiro com isso, enganando e enganando-se.
  • André Duarte
    27/01/2015 15:26
    Mas isso é mentira. Não há espaço para debate no que toca a factos, e o facto é que não existe nenhum ensaio que mostre eficácia da homeopática acima do placebo. Acho que o senhor não percebe sequer do que um placebo se trata. Dizer que um medicamento tem uma eficácia equivalente a um placebo quer apenas dizer que em testes, metade do grupo recebeu comprimidos de açúcar (o placebo), e outra metade preparações homeopáticas, sem saber qual está a tomar, e em ambos surtiram o mesmo efeito, provando que o "medicamento" não passa de um embuste. Não se trata de desculpar a eficácia dos homeopáticos com um suposto "efeito placebo", como se fosse batota, que é o que dá a entender que o senhor acha que isto se trata.
    A Homeopatia tem-se aguentado bem, sem dúvida, à base de crédulos e do desespero das pessoas quando confrontadas com um prognóstico negro. Sabe o que é que também se tem aguentado bem? Os cogumelos do tempo, o professor Bambo, e a Maya. Se diz que existem estudos, então mostre-os, pois enquanto que eu encontro às centenas deles, de prestigiados grupos, a dizer que a homeopatia não tem eficácia, não encontro um único a favor.
  • Pedro Ferreira
    27/01/2015 22:31
    PubMed é um banco de dados que possibilita a pesquisa bibliográfica em mais de 17 milhões de referências de artigos médicos publicados em cerca de 3.800 revistas científicas. Ha bem mais ensaios clínicos com o remédios homeopáticos. Sou aluno de medicina homeopática, e é pena todas estas guerras que existem entre medicinas diferentes, devido a interesses. Há muito estudo de volta da homeopatia, e não é falado porque simplesmente encobrem e nao interessa a muita gente que tem muito poder na medicina...
  • casmaria
    27/01/2015 23:42
    O problema não são os interesses, mas sim o facto de os estudos não serem reprodutíveis fora dos círculos de revistas homeopáticas. No mesmo PubMed (e Google Scholar) há estudos que demonstram isso mesmo. Mais: o facto de estar publicado em revista, não significa verdade cientifica, pois a reprodutibilidade é essencial.
    Os interesses das farmacêuticas são outros bem mais rentáveis: garantir que o sistema de patentes e copyright não muda e que os governos e as pessoas não se lembrem de exigir a passagem imediata a genérico de medicamentos novos com eficácia comprovada (como o Sofosbuvir, de combate à Hepatite C, por exemplo).
  • Pedro Ferreira
    28/01/2015 10:09
    Casmaria, obviamente que ha ensaios clinicos com resultados favoraveis e outros pouco favoraveis, é para isso que existem, se formos a ver a quantidade de farmacos alopaticos com maus resultados nao saíamos daqui. Mas queriam resultados positivos que mostram a eficacia da homeopatia e aqui encontram muitos. O pubmed não é baseado em revistas homeopáticas, engloba um mundo de medicinas, principalmente alopática. Quanto aos interesses nao me referia a farmacêuticas, as farmacêuticas não precisam de se chatear com a homeopatia. Tenho médicos na familia, e amigos farmaceuticos, sei do que estou a falar, e do porquê de tanta demora na regulamentação da lei das medicinas não convencionais, que está muito relacionado com o tema. Cumprimentos
  • casmaria
    28/01/2015 11:27
    A demora tem a haver com o que eu disse. A Homeopatia não está provada cientificamente, e os estudos positivos que fala, a maior parte não podem ser reproduzidos e/ou têm controlos (negativos e positivos) deficientes, ou mesmo inexistentes. É por isso que dificilmente são aprovados em revistas de alto impacto. E convém lembrar (e explicar para quem não sabe) que o PubMed indexa revistas científicas, independentemente do seu impacto ou qualidade dos artigos (que é responsabilidade dos autores e editores dessas revistas). Por essa razão, há lá muito lixo.
  • José Cid Adão
    28/01/2015 12:46
    Pedro, aconselho-o a não desistir dos seus estudos em homeopatia. Em primeiro lugar, porque qualquer remédio homeopático que invente vai ter o mesmo efeito que qualquer outro que já exista. Todos os homeopatas são, por isso, autoridades no seu campo. Segundo, porque como alguém dizia, nunca ninguém perdeu dinheiro por subestimar a inteligência das pessoas.
  • Pedro Ferreira
    28/01/2015 14:23
    Casmaria, você de facto nao esta minimamente dentro do assunto da regulamentação das medicinas não convencionais, se voce estivesse certo a naturopatia por exemplo ja estava regulamentada, mas insiste em argumentar como se percebesse muito disto... Não vale a pena continuar a discussao consigo porque acho que simplesmente é do contra e de ideias fixas. Vim aqui para a uma discussao saudavel, que se tornou numa tentativa de competiçao de conhecimentos.
    Caro Jose Cid, " ... qualquer remédio homeopático que invente vai ter o mesmo efeito que qualquer outro que já exista", esta so pode ser mesmo a sua opinião, porque fundamento não tem nenhum. Cumprimentos
  • casmaria
    28/01/2015 15:14
    Pedro Ferreira, a acupuntura, por exemplo, já é aceite pela comunidade científica, porque foram feitos estudos como deve ser sobre os seus efeitos, assim como têm sido isolados vários princípios ativos com aplicação clínica, cuja origem é de plantas usadas em medicina tradicional. Estamos a falar de Homeopatia. E já agora aquilo que eu falei do PubMed, aplica-se a qualquer tema lá indexado, qualquer um.
  • Pedro Ferreira
    28/01/2015 16:16
    Ok Casmaria, mantenha a sua que eu mantenho a minha...
  • André Duarte
    28/01/2015 19:32
    Eis o que encontrei na pubmed (/pubmed/12492603): Um estudo de estudos que mostra que aglomerando os resultados de centenas de estudos ao longo dos anos, não existem diferenças estatisticamente relevantes entre a homeopatia e o grupo de controlo. Naturalmente que encontrará artigos a mostrarem evidências a favor, tal como nos anos 50 encontrava estudos que mostravam conclusivamente os efeitos benéficos do tabaco. Agora sabemos bem quem financiava os laboratórios que chegavam a essas conclusões (as companhias de tabaco). De igual modo, se nos restringirmos a laboratórios independentes de renome, então e que nem conseguimos encontrar um único estudo conclusivo a favor. Claro que as companhias que vendem água e açúcar a 10€ a caixa têm interesse em que pareça haver estudos a seu favor...
  • André Duarte
    28/01/2015 19:55
    Outra coisa: diz-me que "estuda" homeopatia. Fui ver à internet quão diluído é o fígado de pato no Oscillococcinum. Aqui vai o número: 10﹣⁴⁰⁰ grama! O senhor faz a mais pequena, a mais ténue, a mais débil ideia do que isto significa? Olhe que eu não. Nos meus estudos estou habituado ao infinitesimal, mas este número escapa qualquer tentativa humana de o caracterizar. É 0,00...(400 zeros)...001 grama. É um trilionésimo de um trilionésimo de (repetir 33 vezes) de um trilionésimo de grama.
    Sabe quantos grãos de pó cabem daqui ao Sol? 150.000.000.000.000.000, uns míseros 15 zeros.
    Sabe quantos átomos há no universo? 10⁵³ (1 com 53 zeros à frente).
    Quantos volumes de Planck (o limite teórico da "resolução" no Universo, 10﹣¹⁰⁵ m³, tão pequeno que não vale a pena imaginar; as células mais pequenas do nosso corpo têm meros 10﹣¹⁸ m³) existem no universo? 10¹⁸⁵, um número incompreensível e, no entanto, é totalmente nulo face à inefavelmente enorme diluição do fígado neste "medicamento".
    Epá e o senhor vem dizer que vende algo mais que açúcar? É fisicamente impossível que os homeopáticos sejam mais eficazes que um placebo, porque eles são literalmente um placebo! E os estudos comprovam isso mesmo. Portanto assuma uma vez por todas que vende banha da cobra que todos os que compraram juram a pés juntos que faz maravilhas...
  • Pedro Ferreira
    28/01/2015 22:27
    Que grande testamento André Duarte. No PubMed como ja disse ha ensaios clinicos com bons e maus resultados ate na alopatia, agora essa mania da perseguição de que os resultados sao manipulados é uma estupidez, entao isso tambem serve para a alopatia. Outro ponto, a Homeopatia funciona em varias potências ou diluições, não só em potencias que ultrapassam o numero de avogadro, a partir da 12ª centesimal é que os cientistas nao conseguem encontrar nenhuma molecula da materia mãe em causa (por enquanto), abaixo disso conseguem e aí ha prova cientifica obviamente.
    Mas ha uma grande tendência de quem nao percebe nada de homeopatia a generalizar e dizer que a homeopatia é so agua e açucar, ou alcool (ou seja, todos voces pensam que não ha medicamentos abaixo dos 12ch ou 12k). Encontra muitos medicamentos homeopaticos a venda com diluiçoes abaixo dos 12, e ate decimais. Aqui também aproveitamento da industria farmaceutica. O objetivo da homeopatia é fazer um tratamento holistico, precisamos de mais informações da pessoa, do seu historial clinico para lhe receitar-mos o medicamento ideal. Ir a farmacia e comprar um produto homeopatico para um sintoma é meramente paliativo. Este ultimo ja é influencia tambem dos medicos que se especializam em homeopatia. Um bom homeopata de raiz é muito pouco provavel que receite Oscillococcinum ou outro comercial.


quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Celebrando o 25º aniversário do Hubble com os Pilares da Criação


Para comemorar os 25 anos (1990-2015) de exploração do Universo a partir da órbita em torno da Terra, as câmaras do Telescópio Espacial Hubble foram usadas para revisitar a sua imagem mais icónica. O resultado é esta visão mais nítida e ampla da região designada por Pilares da Criação, fotografada pelo Hubble, pela primeira vez, há vinte anos:



2014 Hubble WFC3/UVIS Image of M16
Nome do objecto: M16, Nebulosa da Águia, NGC 6611
Constelação: Serpente
Distância: 6500 anos-luz
Crédito: NASA, ESA e equipa do Hubble Heritage
Data da exposição: Setembro de 2014
Tempo de exposição: 30,5 horas
Cores: A imagem é composta por exposições distintas captadas pela Wide Field Camera 3 (WFC3) do Telescópio Espacial Hubble. Foram usados vários filtros para amostrar diversos comprimentos de onda na banda do visível. A cor resulta da atribuição de um matiz (cor) diferente a cada imagem monocromática associada a um filtro individual.
Fonte: Hubblesite.org

2015-01


São três estruturas altaneiras onde estão a formar-se estrelas. Com uma altura de 5 anos-luz, estes pilares de gás hidrogénio frio misturado com poeiras estão situados na Nebulosa da Águia (M16), a cerca de 6500 anos-luz de distância da Terra e na direcção da constelação da Serpente.

Esculpidos pela radiação ultravioleta de alta energia e erodidos pelos ventos ionizantes oriundos do aglomerado de estrelas jovens e massivas da M16, estes pilares cósmicos serão fatalmente destruídos.

"A neblina azulada fantasmagórica em torno dos bordos densos dos pilares é matéria que aquece e se evapora no espaço. Apanhámos esses pilares num momento muito especial e efémero da sua evolução", explicou Paul Scowen da Universidade Estatal do Arizona que, com o astrónomo Jeff Hester, obteve a imagem de 1995.
"Estes pilares representam um processo activo muito dinâmico. O gás não está a ser passivamente aquecido e a afastar-se suavemente para o espaço. Na realidade, os pilares gasosos estão a ser ionizados (um processo pelo qual electrões são arrancados dos átomos) e aquecidos pela radiação oriunda de estrelas de grande massa. E em seguida estão a ser erodidos pelos ventos intensos das estrelas (barragem de partículas carregadas) que actuam como jactos de areia sobre os topos destes pilares".

As primeiras características detectadas pelos astrónomos Paul Scowen e Jeff Hester em 1995 foram as flâmulas de gás que pareciam flutuar para fora dos pilares. Os astrónomos tinham debatido anteriormente o efeito que estrelas próximas e de grande massa teriam sobre o gás circundante de berçários de estrelas.
"Há apenas uma coisa que pode iluminar uma vizinhança como esta: estrelas massivas que emitem radiação ultravioleta suficientemente potente para ionizar e fazer brilhar as nuvens de gás", continua Scowen. "As regiões nebulosas de formação de estrelas, como a M16, são anúncios de néon interestelares que dizem: 'Acabámos de fazer aqui um punhado de estrelas de grande massa.' Foi a primeira vez que obtivemos evidência observacional de que o processo erosivo, não só a radiação mas também a remoção mecânica do gás das colunas, estava realmente a ser visto."

O ambiente turbulento de formação de estrelas dentro da M16, cujos pormenores espectaculares foram captados neste instantâneo Hubble em luz visível, é provavelmente semelhante ao ambiente onde nasceu o nosso Sol. Há evidência de que o sistema solar em formação foi temperado com estilhaços radioactivos provenientes de uma supernova nas proximidades. Isto significa que o nosso Sol fazia parte de um aglomerado que incluiu estrelas com massa suficiente para produzir radiação ionizante de alta energia, como se vê na Nebulosa da Águia.
"Essa é a única forma que a nebulosa, da qual o Sol nasceu, podia ter sido exposta a uma supernova tão rapidamente, no curto período de tempo que representa, porque as supernovas só provêm de estrelas de grande massa, e essas estrelas só vivem algumas dezenas de milhões de anos", explicou Scowen. "Isto significa que, quando olha para o ambiente da Nebulosa da Águia ou de outras regiões de formação de estrelas, está a olhar exactamente para o tipo de ambiente em que o nosso Sol se formou.", conclui o astrónomo.



Hubble Revisits the Famous
Comparação da imagem de 1995 (à esquerda) com a imagem actual (à direita) que foi captada com filtros na banda do visível e representada em azul, verde e vermelho.

2014 Hubble WFC3/UVIS Image of M16 (Cropped)
Os pilares são banhados por radiação ultravioleta oriunda de um aglomerado de estrelas jovens e massivas situadas fora da parte superior da imagem. Observam-se flâmulas de gás saindo dos pilares à medida que esta radiação intensa aquece e faz evaporar o gás. As regiões mais densas dos pilares sombreiam a matéria abaixo delas, protegendo-a desta potente radiação que é ionizante.
As cores na imagem realçam a luz emitida pelos átomos ionizados. A emissão do oxigénio está representada em azul, as emissões do hidrogénio e do nitrogénio estão representadas em verde, e a do enxofre em vermelho.

2014 Hubble WFC3/IR Image of M16 (Cropped)
Outra imagem dos Pilares da Criação. Captada com filtros na banda do infravermelho, está representada em azul e amarelo.
A radiação infravermelha consegue atravessar algumas das poeiras, permitindo ver através dos pilares, e até mesmo através da parede posterior da cavidade da nebulosa. Os filtros usados pelos astrónomos isolam a luz das estrelas recém-nascidas que são invisíveis na imagem anterior. Deste modo, os astrónomos podem ver as próximas gerações de estrelas assim que começam a emergir no berçário.
Esta imagem mostra que a razão por que existem os pilares é que os topos são muito densos e sombreiam o gás debaixo deles, criando as longas estruturas em forma de pilar. Já o gás entre os pilares foi soprado pelos ventos ionizantes oriundos do aglomerado central de estrelas situado acima dos pilares.




sexta-feira, 15 de agosto de 2014

100º aniversário do canal do Panamá


A primeira tentativa de construir um canal para ligar o oceano Atlântico ao oceano Pacífico começou em 1881 quando uma empresa francesa liderada por Ferdinand de Lesseps, construtor do canal do Suez, iniciou as escavações no istmo do Panamá.

Confrontado com os difíceis problemas de engenharia colocados pela geologia e hidrologia da região, com a malária, a febre amarela e outras doenças relacionadas com o clima tropical e a selva do Panamá e altamente pressionado pelos pequenos aforradores que haviam enterrado as poupanças no financiamento da obra, Lesseps foi obrigado a desistir da construção de um canal ao nível do mar, tendo contratado, em 1887, o engenheiro Gustave Eiffel para planear um canal de eclusas.
Demasiado tarde, as obras tiveram de parar em 1889 quando a empresa faliu. Com o aprofundar do escândalo, Ferdinand de Lesseps passou de herói do Suez a arguido num processo de corrupção que envolveu bancos, deputados, ministros e até a comunicação social.

Em 1894, foi criada uma nova empresa francesa para gerir os activos e terminar a construção do canal. Não logrando obter financiamento, nem dos investidores privados, nem do Estado, as escavações voltaram a parar em 1898 e a empresa procurou vender os activos por 109 milhões de dólares aos Estados Unidos. Depois da comissão americana que visitou as obras ter proposto, em 1901, a construção de um canal inter-oceânico na Nicarágua, os Estados Unidos conseguiram concertar a compra dos direitos e das instalações aos franceses por 40 milhões de dólares.

Faltava resolver o problema da concessão com a Colômbia, país ao qual pertencia a província do Panamá e cujo senado recusou um tratado com os Estados Unidos. O apoio americano a separatistas panamianos deu origem à nova República do Panamá, em Novembro de 1903, com a qual estabeleceram um tratado, em Fevereiro de 1904, que lhes conferia direitos absolutos e eternos sobre a zona do canal. Dois meses mais tarde completaram a compra das acções e dos activos da nova empresa francesa que deu uma indemnização de 10% da receita aos obrigacionistas da antiga empresa de Lesseps, ficando os accionistas a ver navios.

Os franceses haviam escavado 23 milhões de metros cúbicos de terra, gasto 287 milhões de dólares e sacrificado a vida de 20 mil trabalhadores.

Retomadas as obras em 1904, os americanos tiveram de retirar mais 183 milhões de metros cúbicos, sobretudo, no corte Culebra cuja escavação foi uma epopeia. Mesmo recorrendo a comportas e barragens para resolver os problemas de engenharia, beneficiando de uma organização do trabalho adequada e dispondo de equipamento tecnologicamente mais avançado, os custos ascenderam a 386 milhões de dólares e, por doenças e acidentes, morreram mais de 5 mil trabalhadores. Muito menos, porém, que no tempo dos franceses porque já havia sido estabelecida a relação da malária e da febre amarela com os mosquitos que propagam estas doenças e foi criada uma rede sanitária à volta das instalações.

Em cada extremidade do canal foi construído um sistema de comportas para elevar os navios até ao lago Gatún, um lago artificial criado 26 metros acima do nível do mar para reduzir o trabalho de escavação do canal. Cada comporta tem 33,5 metros de largura. Finalmente o canal foi inaugurado em 15 de Agosto de 1914.

Inauguração do canal do Panamá no dia 15 de Agosto de 1914: o SS_Ancon percorre o canal.


Em 1977, foi assinado um novo tratado com o Panamá que aboliu gradualmente os direitos absolutos adquiridos pelos Estados Unidos da América em 1903, com o canal a passar para o controle total do Panamá em 1 de Janeiro de 2000.
O canal continua a ser crucial para os Estados Unidos da América, não só em termos do comércio entre a costa leste e oeste, mas também numa perspectiva de estratégia militar. É considerado pela Sociedade Americana dos Engenheiros Civis como uma das sete maravilhas do mundo moderno.

Esta infografia do Público mostra o trajecto dos navios ao longo do canal, os três conjuntos de comportas actuais e a nova faixa de comportas que está em construção e deve ser inaugurada em 2015:




segunda-feira, 24 de março de 2014

Voo da Malaysian Airlines despenhou-se e não há sobreviventes


"A Malaysia Airlines lamenta profundamente ter de assumir, sem margem para dúvidas, que o voo MH370 está perdido e que ninguém a bordo sobreviveu. Tal como ouvirão na próxima hora do primeiro-ministro da Malásia, temos de aceitar que todas as provas sugerem que o avião caiu no sul do oceano Índico."

Foi esta a mensagem que a Malaysia Airlines enviou hoje às famílias dos 227 passageiros e 12 tripulantes do voo MH370 desaparecido no passado dia 8 de Março, quando seguia de Kuala Lumpur para Pequim. A companhia aérea teve a sensibilidade de fazer contactos pessoais ou por telefone, mas a alguns familiares foi enviado um SMS.
A notícia foi um golpe terrível para as famílias dos 153 passageiros chineses, ao destruir a esperança a que muitos se tinham agarrado de que o avião havia sido sequestrado e levado para algum local remoto onde os passageiros poderiam ainda estar vivos, dando lugar a actos de desespero.


March 24

Pouco depois, pelas 22:00 (14:00 em Lisboa), o primeiro-ministro da Malásia, Najib Razak, comunicava em conferência de imprensa:

"Esta noite, falei com representantes do Air Accidents Investigation Branch (AAIB) [Departamento de Investigação de Acidentes Aéreos] do Reino Unido. Informaram-me que a Inmarsat, a empresa britânica que fornece dados de satélite e que indicou a existência dos corredores norte e sul, tem estado a fazer novos cálculos a partir dos seus dados. Usando um tipo de análise nunca antes utilizado numa investigação deste género, eles conseguiram fazer luz sobre a rota do MH370.

Com base nesta nova análise, a Inmarsat e a AAIB concluíram que o MH370 voou ao longo do corredor sul, e que a sua última posição foi a meio do oceano Índico, a oeste de Perth [Austrália].

É um local remoto, longe de qualquer sítio onde seja possível aterrar. Por isso, é com profunda tristeza e pesar que, de acordo com estas novas informações, somos obrigados a concluir que o voo MH370 acabou no sul do oceano Índico.

Amanhã daremos uma conferência de imprensa com mais pormenores. Entretanto, iremos informando sobre novos desenvolvimentos, mal eles existam. Partilhamos esta informação num espírito de transparência e de respeito pelas famílias — dois princípios que sempre regeram a nossa investigação.

A Malaysia Airlines já falou com as famílias dos passageiros e da tripulação sobre este desenvolvimento. Para eles, as últimas semanas foram dilacerantes; sei que estas novas notícias ainda são mais duras. Peço aos media que respeitem a sua privacidade e que lhes dêem o espaço de que precisam neste momento difícil."


Chris McLaughlin, vice-presidente da Inmarsat confirmou que a empresa passou os últimos seis dias a rever os dados do voo 370, em estreita colaboração com a Boeing e outros peritos envolvidos na investigação e concluiu que o avião deve ter voado para o sul: "A nossa série de medidas dos sinais recaem sobre a pista sul já prevista, após a provável última curva". Acrescentou que esta análise admitiu a hipótese de que o avião manteve aproximadamente a mesma velocidade e a mesma direcção nas últimas horas de voo, tendo sido submetida à AAIB. "O que ainda não se pode dizer é o que aconteceu no final, quando o avião ficou sem combustível. Não temos nenhuma maneira de saber se se despenhou ou planou", concluiu.

Portanto começa a tomar forma a ideia de que o Boeing 777 voou cerca de sete horas com o piloto automático, emitindo sinais para um satélite de hora a hora, o último dos quais foi recebido às 8:11. E só se desestabilizou quando o combustível se esgotou.

Já o motivo porque o avião alterou radicalmente a trajectória de voo, depois do último contacto de voz do co-piloto com a torre de controlo pelas 1:19, permanece envolto em mistério. É que esta inversão da rota não é executada manualmente usando os controles do cockpit, é inserida num computador do cockpit antes ou depois da descolagem. A ocorrência de um incêndio a bordo pode ser uma explicação plausível.
O mistério ficará esclarecido com as gravações contidas nas caixas negras do avião e, por isso, todos os esforços se concentram na sua recuperação do fundo do oceano. O Comando do Pacífico dos Estados Unidos vai enviar um navio com um sonar capaz de detectar os pings de uma caixa negra a uma profundidade de 6 km.


*


Usando o efeito Doppler relativístico, a Inmarsat analisou pequenas variações na frequência dos sinais emitidos pelo avião e captados por um seu satélite geoestacionário sobre o oeano Índico. Esta análise permitiu inferir a trajectória do avião e calcular a localização final.
Eis uma brevíssima explicação do efeito Doppler:


Quando um seixo cai num lago, propagam-se ondas circulares à superfície da água. Nesta animação as circunferências rosa representam ondas sonoras emitidas pela sirene de um carro. Enquanto o carro está parado, as frentes das ondas são simétricas.

Quando o carro começa a mover-se, cada onda é emitida a partir de uma posição um pouco mais à esquerda do que a onda anterior. Para um observador à frente do carro, cada onda leva menos tempo a chegar até ele que a onda anterior. As ondas "acumulam-se", o tempo entre a chegada de frentes de ondas sucessivas diminui, logo a frequência aumenta (som agudo). Para um observador atrás do carro, as ondas "apartam-se", o tempo entre a chegada de sucessivas frentes de onda aumenta, logo a frequência baixa (som grave).
Em conclusão: para um observador a sirene soa mais aguda quando o carro se aproxima e mais grave quando o carro se afasta — é o efeito Doppler.






Avião em repouso. Emite pings com a frequência f.
O satélite vai receber a frequência f, esteja onde estiver.


Avião está a mover-se para a direita. Emite pings com a frequência f.
Como a fonte está em movimento, o centro de cada nova frente de onda está ligeiramente deslocado para a direita. Portanto as frentes de onda começam a acumular-se no lado direito (em frente do avião) e a apartar-se no lado esquerdo (atrás do avião). Se o satélite estiver na frente do avião vai receber uma frequência maior que f, se estiver por trás vai receber uma frequência menor que f.





Simulador do efeito Doppler
Ponha o avião S a emitir ondas electromagnéticas circulares (start emission). Depois desloque o avião (clicar e arrastar).
Observe a variação de frequência das ondas detectadas pelo satélite O.



quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Técnica de imagem permite ver vírus artificial a tentar invadir célula


Investigadores da Universidade de Princeton conseguiram fazer um vídeo em 3D de uma partícula semelhante a um vírus a tentar invadir e infectar uma célula.
A técnica de imagem que desenvolveram pode ajudar os cientistas a aprender mais sobre o modo de administrar medicamentos através de nanopartículas — que são aproximadamente do tamanho dos vírus — assim como o modo de prevenir a ocorrência de infecções virais.


"O desafio na representação destes eventos é que tanto os vírus como as nanopartículas são pequenos e rápidos enquanto as células são relativamente grandes e quase imóveis", disse Kevin Welsher, um investigador pós-doutorado do Departamento de Química da Universidade de Princeton. "Isso torna muito difícil capturar estas interacções [entre vírus e células]."

O problema pode ser comparado com a filmagem de um colibri a voar num jardim. Se focarmos a câmara no colibri, o fundo fica desfocado. Focando no fundo, é o pássaro que vai ficar desfocado.

Os investigadores resolveram o problema usando duas câmaras, uma que focou o vírus artificial e o seguiu fielmente, e outra que filmou a célula e o meio ambiente. Depois juntaram as duas imagens, obtendo um nível de resolução sem precedentes no movimento de partículas nanométricas (um nanómetro é um milionésimo de milímetro e aproximadamente 1000 vezes menor que a espessura de um cabelo humano).
Até agora para ver partículas desta dimensão com uma resolução semelhante era preciso usar uma técnica chamada microscopia electrónica que requer a morte da célula.

"O que Kevin fez de realmente diferente, foi capturar uma imagem tridimensional de uma partícula do tamanho de um vírus a atacar uma célula viva enquanto que, em microscopia electrónica, a imagem é bidimensional e as células estão mortas", explicou Haw Yang, professor associado de Química e orientador de Welsher. "Isto dá-nos um nível de compreensão completamente novo".



'Beijo e corrida' na superfície da célula
Este filme 3D mostra imagens reais de um vírus artificial (ponto vermelho) a aproximar-se de uma célula (verde com núcleo castanho). A cor da partícula representa a sua velocidade, com o vermelho a indicar movimento rápido e o azul a indicar que a partícula está a mover-se mais lentamente.
Vê-se o vírus artificial a percorrer rapidamente uma trajectória errática até que aterra na superfície da célula e parece procurar um ponto de entrada, depois descola novamente (noutros casos desliza para o interior da célula).


Além de observarem as tropelias do vírus artificial, os investigadores podem usar esta técnica de imagem para mapear a superfície celular que é acidentada, com proteínas a sobressair da superfície. Seguindo o movimento da partícula sobre a superfície da célula, os investigadores conseguiram mapear as saliências, tal como um cego pode usar os dedos para construir uma imagem do rosto de uma pessoa.
"Seguir o movimento da partícula permitiu-nos traçar estruturas muito finas com uma precisão de 10 nanómetros que normalmente só se obtém com um microscópio electrónico", sublinhou Welsher.

A tecnologia tem benefícios potenciais quer na descoberta de medicamentos quer na investigação científica fundamental. "Acreditamos que vai ter impacto no estudo do modo como as nanopartículas podem fornecer medicamentos às células, podendo levar a novas terapias antivirais", disse Yang. "Na investigação fundamental, há uma série de questões que podem agora ser exploradas, por exemplo, o modo como um receptor da superfície da célula interage com um vírus ou com um fármaco".

Esta investigação fundamental pode levar à descoberta de novas estratégias que impeçam os vírus de entrar nas células. "Se entendermos o que está a acontecer com o vírus antes de chegar às células, então podemos pensar em formas de prevenir completamente a infecção. É como desviar mísseis antes que cheguem ao alvo, em vez de tentar controlar os danos após o ataque", acrescentou Welsher.


Para criar o vírus artificial, os investigadores revestiram uma minúscula bola de poliestireno com pedaços de semicondutores que emitem luz, permitindo a detecção da partícula por uma câmara de vídeo. Em seguida, a partícula foi cravejada com fragmentos de proteínas conhecidos como péptidos Tat, provenientes do vírus HIV-1, que ajudam a partícula a ligar-se às células vivas e penetrar nelas. A espessura da partícula final era aproximadamente 100 nanómetros.

Os investigadores soltaram estes vírus artificiais numa cultura de células da pele chamadas fibroblastos. Uma câmara seguiu a partícula enquanto um segundo sistema de imagem tirava fotos da célula usando uma técnica designada microscopia de varredura a laser que consiste em capturar várias imagens, cada uma num plano focal ligeiramente diferente, e combiná-las para fazer uma imagem tridimensional.

A pesquisa foi apoiada pelo Departamento de Energia dos EUA e pela Universidade de Princeton e deu origem a um artigo publicado na revista Nature Nanotechnology.


terça-feira, 8 de outubro de 2013

Nobel da Física 2013 para os teóricos do bosão de Higgs



"Os conceitos básicos do bosão de Higgs", lição de David Barney e Steven Goldfarb, físicos do CERN


À entrada do centro de controle do Laboratório Europeu de Física das Partículas (CERN) está uma pedra onde foi gravada a representação matemática do Modelo Padrão da física das partículas, incluindo o mecanismo de Brout-Englert-Higgs.

A pedra do Modelo Padrão no CERN

A linha superior descreve as forças: a electromagnética e as nucleares forte e fraca. A segunda linha descreve como essas forças actuam sobre as partículas fundamentais da matéria, ou seja, sobre os quarks e os leptões. A terceira linha descreve como essas partículas obtêm a massa do bosão de Higgs e a quarta linha permite ao bosão de Higgs actuar.

O mecanismo de Brout-Englert-Higgs foi proposto pela primeira vez em 1964, em dois artigos publicados de forma independente, o primeiro pelos físicos belgas Robert Brout (falecido em 2011) e François Englert, e o segundo pelo físico britânico Peter Higgs. Explica como a força nuclear fraca é muito mais fraca do que a força electromagnética e ficou conhecido como o mecanismo que confere massa às partículas fundamentais. Peter Higgs sublinhou que o mecanismo exigia a existência de uma partícula nunca vista, a que hoje chamamos o bosão de Higgs.

Muitas experiências no CERN e noutros laboratórios já tinham verificado pormenorizadamente as duas primeiras linhas. O Large Hadron Collider (LHC) do CERN permitiu verificar que o bosão de Higgs existe e actua conforme previsto nas duas últimas linhas, confirmando a teoria.

Simulação de uma colisão de protões na qual é produzido um bosão de Higgs


Passado um ano sobre esse memorável acontecimento, são consagrados os físicos que desenvolveram o trabalho teórico sobre o bosão de Higgs: o Prémio Nobel de Física 2013 foi atribuído conjuntamente a François Englert e Peter W. Higgs "pela descoberta teórica de um mecanismo que contribui para a compreensão da origem da massa das partículas subatómicas, e que recentemente foi confirmado através da descoberta da partícula fundamental prevista, pelas experiências ATLAS e CMS no Large Hadron Collider do CERN".

François Englert (esquerda) e Peter Higgs no CERN, durante o anúncio da descoberta do bosão de Higgs, em 4 de Julho de 2012.

E o CERN festejou:
"Estou felicíssimo que o prémio Nobel deste ano tenha ido para a física das partículas", diz o director-geral do CERN Rolf Heuer. "A descoberta do bosão de Higgs no CERN, no ano passado, que valida o mecanismo de Brout-Englert-Higgs, marca o culminar de décadas de esforço intelectual de muitas pessoas no mundo."


Foi no CERN que, em 1990, Tim Berners-Lee criou os dois softwares essenciais — o editor-navegador para produzir e ler o hipertexto dos documentos HTML guardados em computadores da Internet, chamado WorldWideWeb, e o programa para enviar a informação, chamado servidor — que geraram a Web.
São estes investigadores que projectam e constroem os mais avançados detectores de partículas do mundo que têm permitido desenvolver a imagiologia, revolucionando os meios de diagnóstico em medicina.


sexta-feira, 19 de julho de 2013

O Presidente da República nas Ilhas Selvagens


As Ilhas Selvagens são um pequeno arquipélago de Portugal, localizado no Oceano Atlântico. Geograficamente, constituem um sub-arquipélago do arquipélago da Madeira e a fronteira Sul de Portugal. Administrativamente, fazem parte do concelho do Funchal, Região Autónoma da Madeira.
























A chegada do Presidente da República, Cavaco Silva, às ilhas Selvagens, proporcionou-nos esta visão esplendorosa da ilha Selvagem Pequena:


18 Jul, 2013, 14:14


Realçando a importância geo-estratégica daquele sub-arquipélago da Madeira, Cavaco Silva acompanhou na ilha Selvagem Pequena e no mar as missões científicas que aí decorrem, tendo anilhado uma cagarra:


18 Jul, 2013, 20:41


A entrevista concedida à RTP na ilha Selvagem Grande:


18 Jul, 2013, 20:45

Sobre os adversários do compromisso de salvação nacional:

"Os jornalistas sabem, melhor do que eu, que existem adversários deste compromisso de salvação nacional e, sendo os veículos de contacto com a população, podem fazer essa divulgação. Entendo que não devo acrescentar mais nada."

Sobre o que fará se não houver acordo:

"Se eu quisesse o falhanço das negociações, teria anunciado na comunicação ao País no dia 10 de Julho o que faria nessa situação. Mas era um erro que não poderia cometer, seria um erro grave da parte do Presidente da República. Esta é a solução melhor para o País, é esta que está sobre a mesa e é sobre esta que os partidos têm de tomar posição.
Os partidos estão a ter uma atitude extremamente responsável, só posso congratular-me com o comportamento dos partidos. Estão à altura das circunstâncias, estão a discutir de forma correcta, de forma leal, penso eu, cada um com as suas posições, é uma negociação muita complexa, eu não faço parte da negociação mas, se eles fixaram oito dias, é porque pensam que é possível chegar a uma decisão nesse prazo."

Sobre a reformulação governamental que criava o cargo de vice-primeiro-ministro para Paulo Portas:

"Não tomei posição sobre essa hipótese que foi muito referida na comunicação social. Seria um erro tomar posição sobre essa proposta porque poderia conduzir imediatamente a um falhanço das negociações, isto é, poderia impedir que se alcançase aquilo que é, claramente, o melhor para Portugal."

Sobre um governo de iniciativa presidencial:

"É um plano que está totalmente excluído porque, com a revisão constitucional de 1982, os governos deixaram de responder politicamente perante o Presidente da República. Ora se um governo que passa na Assembleia, mesmo partindo da hipótese que passava na Assembleia, não responde perante o Presidente da República e só responde perante a Assembleia da República, então não faz qualquer sentido governos de iniciativa presidencial."

Sobre as críticas ao compromisso de salvação nacional:

"Essas pessoas não fizeram uma análise completa da situação de emergência que o País atravessa. Como os portugueses sabem, pondero muito bem as coisas, não decido de ânimo leve, procuro obter o máximo de informação no País e no estrangeiro, e quando chego a uma solução é porque estou absolutamente convencido que é o melhor para o interesse nacional. Estou convencido e creio que a maioria dos partidos está convencida que esta é a melhor solução para o interesse nacional e a prova disso é que os partidos estão a negociar para tentar chegar à solução que propus."

Sobre a economia do mar, onde "Portugal é um gigante em termos de recursos naturais, mas um anão na forma de os explorar":

"Alguma coisa tem vindo a mudar em Portugal no que se refere aos assuntos do mar. Como Portugal tem uma zona costeira muito longa, cerca de 2000 km, vários municípios dessa zona costeira colocam como uma prioridade a exploração do mar. Por outro lado, em muitas universidades existem centros de investigação voltados para o mar.
Tem sido mais difícil atrair os investidores para o mar e, nesse sentido, têm sido estabelecidos contactos com clusters do mar que existem noutros países, como seja na Noruega e na Finlândia, numa tentativa de atrair empresários estrangeiros para Portugal para ajudar à economia do mar. O governo apresentou uma estratégia para o mar, hoje ouvi uma exposição muito clara e espero que produza resultados.
O mar vai ser um recurso de importância para os diferentes países do mundo durante o séc. XXI e Portugal que tem um mar imenso, a zona económica exclusiva coloca Portugal entre os dez países com maiores recursos marítimos e ainda se pode alargar para a plataforma continental. Nós retiramos apenas 2,5% do PIB de actividades do mar, é muito pouco comparado até com países que quase não têm contacto com o mar.
Temos que nos reencontrar com e mar. Com toda a nossa tradição histórica de ligação ao mar, é surpreendente que não tenhamos transportes marítimos ligando as várias partes do mundo, que a marinha de recreio não tenha maior desenvolvimento. Estamos a ter sucesso no caso dos portos. Podemos fazer mais em termos da energia offshore, já existe alguns projectos que estão a ser testados de eólicas no mar e também alguns testes com a energia das ondas, mas temos muito trabalho a fazer. Por isso não vou perder o entusiasmo chamando a atenção dos portugueses, dos políticos, dos agentes económicos para a importância do mar como uma vertente de desenvolvimento do nosso País."


A subida ao topo da Selvagem Grande foi um caminho difícil. Permitiu, em conversa informal com os jornalistas, uma analogia com a situação do País:


19 Jul, 2013, 13:27


*

Quem realizou a revisão constitucional de 1982? O PSD era liderado por Francisco Balsemão e o PS por Mário Soares. Soares incompatibilizara-se com o então Presidente da República Ramalho Eanes por causa dos governos de cidadãos de reconhecida competência, não filiados em partidos políticos, que este promovera ao aperceber-se que os partidos estavam a favorecer interesses próprios em detrimento dos interesses nacionais. O coveiro de Portugal assegurou-se que o País se tornava numa coutada dos partidos políticos e que, mesmo que fosse imperioso, a Constituição não mais permitiria um governo de iniciativa presidencial.

Cavaco Silva não está isento de culpas sobre a situação económica e financeira actual do País. Além disso, muitas vezes seguiu caminhos tortuosos na gestão das suas finanças familiares, não se distinguindo do comum dos portugueses e esquecendo-se que, pelas funções que desempenhava, deveria ter sido uma referência ética.
Mas temos de elogiar a inteligência política e comportamento de Estado que revelou durante esta visita às Ilhas Selvagens, a fronteira Sul de Portugal. Recorde-se que Espanha tem insistido para que o limite de 200 milhas náuticas da Zona Económica Exclusiva (ZEE) se faça ignorando as Ilhas Selvagens, que considera ilhéus, enquanto Portugal insiste na sua classificação como ilhas, o que amplia a ZEE portuguesa para 1.727.408 km² colocando Portugal entre os dez países com maiores recursos marítimos.
Ainda podemos alargar a ZEE se for aceite a proposta de alargamento da plataforma, entregue na Comissão de Limites da Plataforma Continental da ONU:





A opinião dos outros:

GATUNOS 18 Julho 2013 - 20:49
Esta múmia está é a querer sacudir a água do capote pois é um dos maiores responsáveis deste regime que tem posto Portugal em bancarrotas. Estes partidos políticos paridos no 25 de Abril são 100% culpados por terem arruinado Portugal e terem assassinado a independência e soberania de Portugal.

fmelosousa 10:13
Os partidos são o espelho do povinho que temos. Se temos maus líderes, é porque temos maus eleitores. Em Portugal, quando se diz a verdade, a populaça vai à rua berrar por prestações sociais e cantar grândolas. Está tudo em negação. Não aprendem, e o país continua em decadência.

jcemp 11:12
Caso não saibam, as Ilhas Selvagens têm sido objecto de pretensões soberanas por parte de Espanha. Esta viagem, que pode ter custado 160.000 euros, mais não é do que uma manifestação de soberania de Portugal sobre aquelas. Com isto, temos a maior ZEE dos países da zona euro o que pode trazer benefícios muito superiores aos 160.000 gastos.
Muitos comentadores políticos têm de começar a pensar outside the box e não dizer disparates para captar público pouco informado e que não se preocupa em informar-se.


quinta-feira, 2 de maio de 2013

Explosão solar


Ocorreu uma ejecção de massa coronal, exactamente no bordo do Sol, em 1 de Maio de 2013, formando uma onda gigantesca. Estas ejecções podem disparar mais de um milhar de milhão de toneladas de partículas no espaço a velocidades superiores a um milhão de quilómetros por hora.
Habitualmente interferem com as redes de telecomunicações, perturbando gravemente as comunicações, o que não sucedeu desta vez porque a ejecção não foi dirigida para a Terra.

Este vídeo foi obtido com radiação no ultravioleta extremo pelo Solar Dynamics Observatory (SDO), da NASA, e abrange cerca de duas horas e meia de filmagem.


sexta-feira, 15 de março de 2013

Falemos de robots


No dia em que milhares de alunos do 12º ano partem para as estâncias turísticas espanholas — numa demonstração trivial de que as respectivas famílias aguentam mais austeridade —, onde se vão preparar para os exames de Junho próximo com uma semana de noitadas bem regadas a álcool e outras drogas nas discotecas, procuremos sublimar esta atitude irracional falando de robots.

*

Os investigadores do AIST (Institute of Advanced Industrial Science and Technology) projectaram e construíram um andróide feminino, o HRP-4C, em colaboração com a Kawada Industries e a Kokoro Co. O robot japonês usa um modelo de controle de pêndulo invertido para manter o equilíbrio.
Na segunda parte do vídeo de uma experiência, realizada em Julho de 2010, podemos ver o HRP-4C de perfil e observar como consegue atravessar uma rua capaz de fazer perder o equilíbrio a qualquer outro robot.



Não é tão impressionante como o BigDog da Boston Dynamics, mas é ainda muito raro ver um humanóide andar fora do laboratório.
O HRP-4C atraiu multidões no stand da Yamaha Motors que desenvolveu o software do sintetizador Vocaloid que lhe permite cantar:





O BigDog 'todo-o-terreno' da Boston Dynamics é um robot com um sistema de equilíbrio excepcional que lhe permite subir pela floresta, manter o equilíbrio ao ser empurrado e ao deslizar sobre o gelo, viajar através da neve e da lama, correr 5 milhas por hora e trepar sobre os escombros.




Mais recentemente o robot americano adquiriu a capacidade de lançar blocos com cerca de 20 kg.

A Boston Dynamics desenvolveu também a Cheetah, o robot mais rápido do mundo, que atinge a velocidade de 28,3 milhas por hora, o que é superior à maior velocidade conseguida pelo campeão olímpico Usain Bolt numa corrida de 20 metros.
Este robot tem uma traseira articulada que se flexiona para a frente e para trás em cada passo, aumentando a velocidade a cada passada tal como faz a chita, o felino que lhe deu o nome.





Outra via está a ser seguida pelo professor Hiroshi Ishiguro, director do Laboratório de Robótica Inteligente da Universidade de Osaka, no Japão.
O professor Ishiguro procura fazer um robot o mais semelhante possível a um ser humano vivo e capaz de interagir com as pessoas para que possa desempenhar serviços de guia ou de companhia.
Os robots já construídos — os Geminoids — têm uma aparência realista e conseguem realizar movimentos faciais.


O Geminoid-DK é um andróide baseado no Professor Henrik Scharfe da Aalborg University, na Dinamarca.


Outro andróide, conhecido como Geminoid F, desenvolvido na Universidade de Osaka com a ajuda da Kokoro Co.


Reunião, em Março de 2011, no ATR (Advanced Telecommunications Research Institute) com o professor Hiroshi Ishiguro, criador dos Geminoids, o Professor Henrik Scharfe, uma anónima e os respectivos clones andróides.


domingo, 13 de janeiro de 2013

In Memoriam Aaron Swartz




Aaron Swartz
8 de Novembro de 1986 - 11 de Janeiro de 2013


Aaron Swartz foi um dos elementos do Grupo de Trabalho RSS-DEV que desenvolveu o RSS-1.0. Fazemos eco destas palavras da declaração da sua família:

"A curiosidade insaciável, criatividade e brilho de Aaron, a sua empatia reflexiva e capacidade para o amor altruísta e ilimitado, a recusa em aceitar a injustiça como inevitável, estes dons tornaram o mundo, e as nossas vidas, muito mais brilhantes. Estamos gratos pelo tempo em que estivemos com ele, por aqueles que o amavam e se conservaram leais, e por todos os que continuam o seu trabalho por um mundo melhor.

O compromisso de Aaron para com a justiça social era profundo e definiu a sua vida. Ele foi determinante para a derrota de um projecto de lei de censura da Internet, lutou por um sistema político mais democrático, aberto e responsável; e ajudou a criar, construir e preservar uma série estonteante de projectos académicos que estenderam o alcance e a acessibilidade do conhecimento humano. Ele usou as suas capacidades prodigiosas como programador informático, não para enriquecer, mas para tornar a Internet e o mundo um lugar mais justo e melhor. A sua escrita profundamente humana tocou mentes e corações ao longo de gerações e continentes. Ele ganhou a amizade de milhares e o respeito e apoio de mais alguns milhões de pessoas.

A morte de Aaron, não é apenas uma tragédia pessoal, é o produto de um sistema de justiça repleto de intimidação e exagero persecutório. As decisões tomadas por funcionários no Ministério Público do Massachusetts, EUA, e no MIT contribuiram para a sua morte. O Ministério Público dos EUA seguiu uma matriz excepcionalmente dura de acusações, conduzindo potencialmente a mais de 30 anos de prisão, para punir um suposto crime que não teve vítimas. Entretanto, e ao contrário do JSTOR, o MIT recusou-se a defender os princípios mais estimados por Aaron e pela sua comunidade.

Hoje, sofremos pelo homem extraordinário e insubstituível que perdemos."


segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Rios transmontanos têm mexilhões de água doce


Nas águas cristalinas dos rios transmontanos há mexilhões de água doce. Não têm valor gastronómico mas filtram a água dos rios, purificando-a.
Vivem nos rios Tua e Tuela, tornando Portugal no único país europeu que ainda não foi invadido pelo mexilhão-zebra oriundo do mar Cáspio que está a destruir as populações autóctones. A sedimentação provocada pela construção de barragens nos rios também os mata.



Fizeram as delícias de mais de 100 especialistas de 20 países que vieram a Bragança debater o tema no primeiro congresso europeu sobre os bivalves de água doce.
Que pena não sabermos aproveitar aos nossos recursos naturais. Um bem haja ao Instituto Politécnico de Bragança por permitir a divulgação destas imagens paradisíacas do Parque Natural de Montesinho.


domingo, 26 de agosto de 2012

Os americanos chegaram à Lua?


Os projectos de pesquisa subjacentes às viagens espaciais tripuladas, ou não tripuladas, para outros planetas do sistema solar empreendidos por russos e norte-americanos e a investigação realizada no Laboratório Europeu de Física das Partículas (CERN) fizeram progredir extraordinariamente o conhecimento científico no domínio da Física, Química, Biologia, Medicina e Engenharias — Electrotecnia, Computadores e Telecomunicações —, pondo à disposição das populações dos países mais desenvolvidos medicamentos, materiais e máquinas que permitiram elevar a qualidade de vida nestas sociedades a um nível completamente imprevisível há meio século.
A Web, por exemplo, é uma das pontas deste icebergue.

Infelizmente muitas pessoas no nosso País, e noutros países europeus meridionais, não só ignoram a existência destas pesquisas como pensam que o governo tem o dever de lhes proporcionar o acesso a todos os avanços tecnológicos daí resultantes quase gratuitamente, não sentindo qualquer dever de contribuírem, por sua vez, para um progresso futuro através do estudo, projecto ou produção de novos aparelhos.
Por vezes até se chega ao absurdo de exigir que alguns dos países que se destacam nesta investigação — Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul, Alemanha, França, ... —, lhes propiciem meios financeiros para poderem importar e usufruir esses dispositivos, indo desenterrar prejuízos causados na segunda guerra mundial ou invocando as receitas obtidas na venda desses produtos, esquecendo que existem outros mercados no planeta Terra.

Esta reflexão vem a propósito do seguinte comentário a uma das notícias relativas à morte de Neil Armstrong:

Anónimo, Portogal. 26.08.2012 17:29
Ridiculo
A NASA ter falseado muitas imagens de forma amadora, que serão aquela nódoa para aquela empresa. Ainda hoje tenho dúvida de que tenham lá ido.


Começamos pela frase que o comentador gostava de ter escrito:
Anónimo, Portugal. 26.08.2012 17:29
Ridículo
A NASA tem falseado muitas imagens de forma amadora, que serão uma nódoa para aquela empresa. Ainda hoje tenho dúvida de que tenham lá ido.

Dizer que a NASA falseou as imagens obtidas na Lua é semelhante a declarar como fraude esta fotografia de fraca qualidade da expedição do explorador norueguês Roald Amundsen tirada no Pólo Sul em 14 de Dezembro de 1911:

File:Aan de Zuidpool - p1913-160.jpg


Atente-se agora neste excerto de uma entrevista de Armstrong - pág. 84:
BRINKLEY: Houve alguma coisa na sua caminhada lunar e recolha de rochas e afins que o surpreendeu durante o tempo em que esteve na Lua, como, "Eu não esperava encontrar isto", ou "Eu não esperava que parecesse assim"? Ou, incluído nisto, a vista do resto do espaço, na Lua, deve ter sido uma experiência incrível.

ARMSTRONG: Fiquei surpreendido com uma série de coisas, e não tenho a certeza, não posso recordar todas agora. Fiquei surpreendido com a proximidade aparente do horizonte. Fiquei surpreendido com a trajectória da poeira que se chuta com a bota e que, mesmo que a lógica devesse ter-me dito que não devia haver, não houvesse poeira quando se pontapeia. Nunca se obteve lá uma nuvem de poeira. Isso é um resultado de se ter uma atmosfera, e quando não se tem uma atmosfera, não se tem quaisquer nuvens de poeira.
Estava absolutamente emudecido quando desliguei o motor de foguete e as partículas que estavam a sair radialmente a partir da parte inferior do motor caíram no caminho ao longo do horizonte, quando desliguei o motor apenas correram ao longo do horizonte e instantaneamente desapareceram, imagine, tal como se tivesse sido desligado há uma semana. Foi notável. Nunca tinha visto tal coisa. Nunca tinha visto nada parecido. E a lógica diz, que sim, que é esse o modo que deveria ser lá, mas não tinha pensado nisto e fiquei surpreendido.

São observações que não se inventam. Se puserem as pessoas a pensar naquilo que as rodeia, terá sido bem empregue o tempo gasto a escrever este artigo.


Neil Armstrong on the moon
Panorama Aldrin do local de pouso do módulo lunar Eagle com o comandante da missão Neil Armstrong sobre a superfície lunar.
Imagem: NASA


sábado, 25 de agosto de 2012

In Memoriam Neil Armstrong

(5 de Agosto de 1930 – 25 de Agosto de 2012)


É um pequeno passo para (um) homem, um salto gigante para a humanidade.

Neil Armstrong, mar da Tranquilidade, Lua, 20 de Julho de 1969
(quando se tornou a primeira pessoa a pisar outro planeta).


Apollo 11 astronauts trained on Earth to take individual photographs in succession in order to create a series of frames that could be assembled into panoramic images. This frame from Aldrin's panorama of the Apollo 11 landing site is the only good picture of mission commander Neil Armstrong on the lunar surface.
Na superfície lunar
Os astronautas da Apollo 11 treinaram na Terra para tirar fotos individuais em sucessão, com a finalidade de criar uma série de quadros que podiam ser montados em imagens panorâmicas. Este quadro do panorama Aldrin do local de pouso do Eagle é a única boa foto do comandante da missão Neil Armstrong sobre a superfície lunar.
Imagem: NASA