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segunda-feira, 20 de abril de 2015

O jornal Público perdeu as estribeiras


Martin Richard, de oito anos, morreu no atentado da maratona de Boston, em Abril de 2013. A sua irmã, Jane, então com sete anos, perdeu a perna esquerda. O irmão Henry, de nove, assistiu a um terror que nunca conseguirá esquecer. A mãe, Denise, ficou cega de um olho e o pai, Bill, foi atingido por estilhaços numa perna e a onda de choque provocada pela explosão perfurou-lhe os tímpanos.
Foi junto desta família que Djhokhar Tsarnaev deixou a sua mochila com o engenho explosivo. Mesmo assim, Bill e Denise Richard pediram para que Djhokhar não fosse condenado à pena de morte.

Até o Partido Comunista Português sempre restringiu as suas acções armadas a objectivos militares, ou a instalações da PIDE, acções que realizava de noite para minimizar a perda de vidas humanas. A sabotagem da base aérea de Tancos que destruiu 13 aviões e helicópteros, numa madrugada de Março de 1971, é um exemplo do modo como o seu braço armado — a ARA — actuava.

Ao contrário do assalto ao paquete Santa Maria, durante uma viagem regular até Miami com cerca de 612 passageiros, em Janeiro de 1961, que foi um crime à mão armada contra uma tripulação desarmada de que resultou o sequestro dos passageiros durante onze dias, vários feridos e um morto.


Que a deputada bloquista Mariana Mortágua considere um indivíduo que participou neste crime como um herói, demonstra carência de valores éticos, mas sempre se trata do seu pai.

Que o Bloco de Esquerda não se afaste desta exaltação de um criminoso com as mãos sujas de sangue feita por uma sua deputada, só demonstra que não dá valor à vida humana e, em consequência, não merece o voto das pessoas de bom carácter.

Agora, espantosamente, que o jornal Público venha enaltecer na capa e num artigo a vida de um indivíduo que participou num crime de sangue é um delírio. Será que há jornalistas neste jornal que não são capazes de distinguir entre uma acção política e um acto terrorista? Por favor, belisquem-me e façam-me acordar porque estou a ter um pesadelo!


terça-feira, 7 de abril de 2015

In Memoriam Tolentino de Nóbrega


Sem uma imprensa livre não há democracia. Se há, numa região de Portugal, pressões e coacções contra jornalistas, restrições ao acesso às fontes de informação, não há democracia plena, há défice democrático."
Tolentino de Nóbrega


Nasceu no concelho de Machico, na Madeira, em 1952. Licenciou-se na Escola Superior de Artes Plásticas da Madeira e ao longo da sua vida leccionou Geometria Descritiva na escola secundária herdeira da antiga Escola Industrial do Funchal.

Tolentino de Nóbrega começou a actividade de jornalista aos 20 anos, como colaborador no jornal Comércio do Funchal. Presenciou o 25 de Abril, o início da autonomia e toda a história recente da Madeira. Entre 1974 e 1993 integrou a redacção do Diário de Notícias do Funchal. Foi colaborador do Público desde a fundação, em 1990, entrando para o quadro dois anos depois.

O jornalista Vicente Jorge Silva lembra "o papel histórico único" do colega e “grande amigo” dos tempos em que juntos fizeram o Comércio do Funchal, como "representante do que é mais nobre no jornalismo — a capacidade de contar a realidade com tanta verdade quanto for possível e sem depender da versão oficial que se quer impor às pessoas".
Foi alvo de atentados da FLAMA (Frente de Libertação da Madeira), que defendia a independência da região no período pós-25 de Abril, e “sofreu muito ao longo do período jardinista”.
A doença impossibilitou-o de cobrir as primeiras eleições na Madeira sem Alberto João Jardim. Uma impossibilidade que, lembra Vicente Jorge Silva, se abateu sobre quem era "um exemplo absolutamente admirável de resistência ao regime paraditatorial que existiu durante 40 anos na Madeira" e uma pessoa portadora de um "heroísmo quixotesco" numa ilha pequena em que quase todos se curvavam perante "um ditadorzeco".


quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

As tramóias do socratismo na comunicação social


Um artigo de opinião que foca um triângulo perigoso: um primeiro-ministro socialista — José Sócrates — que incentiva o seu advogado — Daniel Proença de Carvalho — a comprar um grupo de comunicação social (dono do DN, do JN e da TSF) de que se torna presidente do conselho de administração e nomeia um amigo — Afonso Camões — para o cargo de presidente do conselho de administração da agência de notícias Lusa e, via Proença, para o cargo de director do JN.

A comunicação social permite controlar a mente do povo: daí o controlo da comunicação social ser um objectivo das ideologias extremistas, tanto de direita como de esquerda, mas nunca de um partido democrático de centro-esquerda como pretende ser o PS. A ler atentamente:


"Proença tem de se explicar
JOÃO MIGUEL TAVARES 20/01/2015 - 01:24

José Sócrates processou 14 jornalistas (repito: 14) do Correio da Manhã, tendo como advogado o mesmo Proença de Carvalho que actualmente manda no DN, no JN e na TSF.

Se eu ainda sei ler português, diria que o director do Jornal de Notícias, Afonso Camões, admitiu ontem em editorial que em Maio de 2014 avisou José Sócrates de que estava a ser investigado pela justiça. As palavras de Camões são estas: “Dizem que o avisei que ia ser detido. E que terá sido em Maio, quando eu integrava a comitiva do presidente da República à China e a Macau. Ora, se o avisei, e se foi em Maio, eu era administrador e presidente da Agência Lusa. Logo, não estava jornalista, muito menos director do nosso Jornal de Notícias. E, pelos vistos, nem sequer havia processo. É verdade: disse-me um jornalista do grupo empresarial da Coisa [o Correio da Manhã] que a prisão de Sócrates estava iminente.”

Se eu ainda sei ler português, o resultado de Afonso Camões afirmar que soube em Maio da investigação, de não desmentir que avisou Sócrates, e de denunciar que foi alvo de escutas, só pode ser este: Afonso Camões está a admitir que alertou José Sócrates e a supor que isso ficou registado na investigação. E esta admissão, quer ele queira, quer não, é muito mais relevante do que as suas queixas (justas, sem dúvida) a propósito de uma nova violação do segredo de justiça. Mais: esta admissão, quer ele queira, quer não, acaba por credibilizar a história que o seu odiado Correio da Manhã publicou na sexta-feira e no sábado, e que o jornal i entretanto já garantiu ter confirmado junto das suas próprias fontes. Uma história tão grave que convinha não ser alegremente ignorada pelo resto da comunicação social, como foi durante tanto tempo ignorada a história de Paris e da Octapharma. Uma história que, mais uma vez, tem Daniel Proença de Carvalho como protagonista.

Porque o problema vai muito além de Afonso Camões, que no citado editorial afirmou ter “mais de 40 anos” de amizade com José Sócrates. Eu diria que tão longa amizade o deveria ter desaconselhado de aceitar, em Março de 2009, o cargo de presidente do Conselho de Administração da Agência Lusa — mas isso se calhar sou eu que sou muito puritano. Só que entre o meu excesso de puritanismo e a absoluta mixórdia de interesses há-de existir um ponto de equilíbrio. E é nesse exacto ponto que Proença de Carvalho começa a perder o pé, e que começa a dever-nos uma boa explicação.

O Correio da Manhã afirma que Sócrates incentivou — havendo escutas que o confirmam — Proença de Carvalho a negociar a compra da Controlinveste, da qual o advogado acabaria por se tornar presidente do conselho de administração. Além disso, via Proença, Sócrates teria tido algum papel na escolha de Afonso Camões para dirigir o JN e na tentativa de pressionar a ERC, via Carlos Magno, para deliberar contra o Correio da Manhã devido às notícias de Paris e da Octapharma, como efectivamente veio a acontecer em Fevereiro de 2014.

Proença declarou ao i que, “por dever deontológico”, não pode falar das “entidades” que patrocina ou patrocinou “enquanto advogado”. Só que o problema já não está nos patrocinados, mas no patrocinador. Na sequência das referidas notícias, José Sócrates processou 14 jornalistas (repito: 14) do Correio da Manhã, tendo como advogado o mesmo Proença de Carvalho que actualmente manda no DN, no JN e na TSF. O mesmo Proença de Carvalho que desta vez não aceitou representar Sócrates, apesar de ter sido para o seu escritório que o motorista ligou ao ser preso. O mundo de Sócrates está a desmoronar-se — e é demasiado tarde para Proença simplesmente virar costas enquanto assobia para o lado."


Entre os comentários do fórum do Público, considero serem motivo de reflexão estes:

Luis Marques
IT Consultant, Manchester 20/01/2015 09:36
Proença de Carvalho é um homem e peras! Consegue ter tempo para ser administrador do JN, DN, TSF e ainda o moço de recados da Câmargo e Correia na Cimpor. Os dias dele devem ter umas 32 horas...

OldVic
20/01/2015 09:38
Quando tudo isto se esclarecer vamos precisar de uma enciclopédia para relatar os meandros destas questões. Talvez se possa usá-la no futuro como exemplo dos perigos de uma sociedade civil distraída e complacente.

Pedro M Areias
Mecânico de Motociclos 20/01/2015 14:52
João Miguel Tavares: Não leve a mal, mas já reparou no sítio em que está? O "polvo" Italiano é uma brincadeira de crianças comparado com Portugal das 'famílias'. Quando der por ela nem no Mac-Donalds arranja emprego. E atenção: sim, aconteceu comigo.

Albino Brás
20/01/2015 15:51
O ódio visceral de JMT tolda-lhe o raciocínio e pretende fazer o mesmo com o dos leitores. Mistura tudo. Se há escutas de Sócrates a convencer alguém, primeiro é preciso que existam, que sejam públicas e que digam exatamente o que o articulista pretende, e alguém que escreve, como JMT, tem sempre que ter cuidado com o que escreve.
Porque é que Proença tem que dar explicações do que fez como advogado ou como empresário? Porque JMT assim o entende? Tenha juízo. Parece que com a raiva que escreve o que está a desmoronar é o seu mundo. Tenha cuidado que, tal como nos desenhos animados, ainda lhe cai algum pedaço do céu na cabeça.
  • gomesdacosta
    20/01/2015 16:10
    Ao ler as suas ameaças veladas lembrei-me irresistivelmente daquela boutade: "quem se mete com o PS, leva". Essa mentalidade do "tenha cuidadinho com o que diz" é uma velha mania herdada directamente do Estado Novo para algum PSD e o PS em geral. Nem o Asterix vos vale...
  • Cassiano Pacheco da Cunha
    20/01/2015 18:33
    Este deve ser o mauzão cá do burgo... Que medo!

Luisa Marques
21/01/2015 06:22
JMT pode saber ler português mas só lê o que lhe convém! Se queria ser imparcial tinha citado também a parte em que Afonso Camões diz 'preto no branco' que quem o informou (sobre a prisão iminente de Sócrates) lhe disse também de onde tinha vindo a notícia...
Excerto do editorial de Afonso Camões sobre o ter (ou não) avisado Sócrates:
"É verdade: disse-me um jornalista do grupo empresarial da Coisa que a prisão de Sócrates estava iminente. Esse mensageiro cometeu um erro: quando se tem uma informação relevante, o primeiro dever de cidadão de um jornalista livre, pesados os seus direitos e responsabilidades, é para com os seus leitores. Ele deveria ter publicado a informação, que lhe veio, disse-me depois, por um seu camarada, diretamente da investigação, liderada pelo juiz Carlos Alexandre e pelo procurador Rosário Teixeira. Erro maior, criminoso, é ser verdade essa possibilidade: que a fuga de informação veio dos agentes da justiça, ou seja, de onde menos podemos admitir que se cometam crimes de violação do segredo de justiça."
Então isso não é grave? Violar o segredo de justiça não é grave JMT?
  • OldVic
    21/01/2015 07:52
    Está a dar como certa uma afirmação de uma parte interessada. Será prudente?


sábado, 13 de setembro de 2014

Linha da Frente da RTP1 - "Ricardo Salgado: O Ex-Dono Disto Tudo"


O programa Linha da Frente passou neste sábado uma reportagem do jornalista Jorge Almeida sobre o percurso profissional de Ricardo Espírito Santo Salgado e a falência do BES. Intitulada "Ricardo Salgado: O Ex-Dono Disto Tudo", é obrigatório vê-la:


13 Set 2014


A reportagem intercala uma sucessão de testemunhos de políticos, banqueiros e trabalhadores do BES com fotografias e vídeos de Ricardo Salgado e dos que contribuíram para o desenlace: o parceiro de negócios Pedro Queiroz Pereira que foi entregar um dossier com dados comprometedores ao Banco de Portugal, o primo José Maria Ricciardi que tentou arrebatar a liderança e o governador do Banco de Portugal Carlos Costa que dividiu o BES, acusando a anterior administração de desenvolver um esquema de financiamento fraudulento entre empresas do Grupo Espírito Santo nos últimos dias em que esteve em funções.

O ex-presidente da República Mário Soares começa por declarar sobre uma fotografia icónica de Ricardo Salgado e uma banda sonora de filme de suspense: “Muitas pessoas em Portugal já perceberam que foi uma grande asneira ter arranjado este sarilho todo”.
De seguida Miguel Veiga, antigo administrador da Tranquilidade, classifica a acusação de ilegalidades de Carlos Costa como “uma afirmação tendenciosa, prematura e injustificada”.
E o banqueiro espanhol Jaime Carvalhal completa o trio, falando em "tragédia para a família, para os accionistas e para Portugal" e revela-se preocupado com o futuro da economia portuguesa.

Dado o mote, seguem-se outros testemunhos que oscilam da incredulidade à surpresa, da preocupação ao mais requintado elogio ao personagem principal.

Carlos Silva, trabalhador do BES e secretário-geral da UGT, confidencia que “as pessoas ficaram com um género de orfandade”.
Miguel Veiga reaparece para definir Salgado como “um homem com mão de ferro em luva de veludo”.
Murteira Nabo diz que poucas decisões importantes do País ligadas ao financiamento não passavam pelo BES.
O primo Michael de Mello fala de um José Maria Ricciardi “muito impulsivo” que retirou o tema da sucessão do conselho superior do grupo, fórum onde devia ter sido discutido, e levou-o para o exterior.

No meio deste coro de encómios, apenas destoam as jornalistas Maria João Babo e Maria João Gago do Jornal de Negócios que têm dúvidas de que Ricardo Salgado desconhecesse as irregularidades que estavam a ocorrer no BES Angola. A segunda recorda que na primeira quinzena de Julho as perdas do BES aumentaram 1500 milhões de euros e questiona se o banqueiro tinha consciência de que o banco estava descontrolado.

Eduardo Catroga considera “exagerada a imputação de responsabilidades a nível de grupo apenas ao doutor Ricardo Salgado”.
Mais à frente, Soares antecipa: “Eu estou convencido que ele não disse ainda a última palavra. E quando o disser, as coisas vão ficar de outra maneira”. E para que não restem dúvidas sobre quem são os maus da fita, no fim esclarece: “Não se podia pôr um banco daqueles na situação em que estava. Fizeram-no por incompetência. O actual governo quis atirar tudo ao charco, mas depois arrependeu-se”.
Outro banqueiro espanhol Emilio Ybarra confessa surpresa e declara que via o BES e a filial de Espanha como bancos que funcionavam correctamente.

No final, ouve-se a voz off dizer: “Ricardo Salgado tem pela frente a maior batalha da sua vida: limpar o nome da sua família e provar, no banco dos réus, a sua inocência”.


*


As técnicas de lavagem ao cérebro desenvolvidas e aplicadas com êxito pelos regimes comunistas começaram a ser usadas pela defesa de Ricardo Salgado. Daqui a uns meses vamos vestir t-shirts com os olhos lupinos de Ricardo Salgado — o Che que se cuide —, repudiar a "intrometida" supervisão do Banco de Portugal e defender um Regresso ao Passado.

Será que o juiz Carlos Alexandre se impressiona? Não, porque sabe que mais de metade dos 16 milhões de acções do BES nunca poderia ser 40% do lote de acções posto à venda. Só os ignorantes se deixam manipular.


sábado, 23 de março de 2013

O diabo veste Armani


O Negócios é um jornal posicionado na área socialista que procura dar uma informação económica e financeira isenta. Tem produzido infografias sobre vários temas — Eleições, Anatomia do apoio financeiro a Portugal, Sobrecustos da política energética, Poder de compra nos municípios, ... — muitas das quais republicámos, com a devida vénia, neste blogue. Também muitos artigos do seu director, subdirectora, jornalistas e articulistas foram aqui reproduzidos.

Mas “A paixão de Sócrates” não é um artigo isento. É um panegírico ao indivíduo que deu despachos prejudiciais a zonas ambientais protegidas — caso Freeport —, nomeou gestores para empresas públicas que alinharam em negociatas ruinosas — processo Face Oculta —, despejou computadores sobre a sociedade portuguesa muitos dos quais foram parar à prateleira, outros ao caixote do lixo, atirou para as escolas quadros interactivos que são usados como ecrãs de projecção, assaltou um banco, o BCP, colocando-o nas mãos de correligionários, que agora teve de ser capitalizado com dinheiro do empréstimo concedido pela troika e nacionalizou outro, o BPN, um pequeno banco falido com imparidades de 600 milhões, em 2008, que acabou por custar 3000 milhões aos contribuintes em 2011.
É um louvor a quem assinou os contratos com os produtores de energia que vão tornar dolorosa a factura da EDP nos próximos anos, fez as Parcerias Público-Privadas cujas rendas vão pesar, a partir deste ano de 2013, nos parcos orçamentos familiares, contraiu empréstimos com taxas de juro de 6,7% num País sem crescimento económico, duplicou a dívida pública em seis anos e que desviou, através da mãe e de um tio materno, centenas de milhões de euros para offshores à custa dos quais leva uma vida de luxo em Paris há quase dois anos.

Só o acordo de cavalheiros que existe entre PS e PSD e impede de prender ministros, secretários de Estado ou líderes parlamentares desses partidos que cometerem crimes, como Isaltino de Morais, Dias Loureiro, Duarte Lima, Oliveira e Costa, Armando Vara, José Sócrates, ... , pode permitir que este último, o primeiro-ministro que mais mentiu e endividou este país, se encontre em liberdade.

Passos Coelho também mentiu sobre os cortes salariais para chegar ao poder? Claro que mentiu! Sem mentir ninguém ganha eleições num País analfabeto funcional, com 300 mil diplomados nas “Novas Oportunidades” e com licenciaturas compradas em universidades privadas.
Alguém acredita que o líder do PS que for a eleições em 2015 — seja Seguro, António Costa ou outro — vai ganhar eleições sem mentir?
A questão é a responsabilidade de Sócrates no endividamento com altas taxas de juro e na assinatura de contratos ruinosos para o Estado.

Um populista que tem seguidores apesar de ter arrastado o País para uma situação de bancarrota, é um colosso na opinião do director do Negócios. Confrontemos datas:

"Fundada em 1995, a Cofina é uma das principais empresas de media portuguesas.
Actualmente a empresa detém um portfolio de 5 jornais e 9 revistas em Portugal, sendo caracterizada pelo crescimento sustentado da rentabilidade, quer por via orgânica, quer através de aquisições.
"

Guterres chegou ao poder em 1995 e, com um pequeno interregno, os socialistas mantiveram-se no poder durante 12 anos. E Sócrates favoreceu a comunicação social pois, sendo um indivíduo com uma reduzida preparação económico-financeira, só podia ganhar eleições graças à propaganda dos media.
Compreendemos a gratidão de um novo grupo da comunicação social que nasceu e cresceu à sombra do socialismo. Mesmo assim, este artigo é indesculpável e desacredita o Negócios.

Hitler teve o povo do seu lado e deixou a Alemanha em ruínas. Mas os alemães aprenderam a lição.
Mussolini criou um sonho que entusiasmou os italianos e deixou a Itália na miséria. O resultado das recentes eleições que deram o segundo lugar a um depravado Berlusconi, que criou um império da televisão explorando a ignorância e a amoralidade de uma população a quem vendeu programas de baixo nível cultural, evidencia que os italianos não aprenderam a lição.
Serão os portugueses como os italianos ou como os alemães? Mais de 200 reacções ao artigo são uma resposta inequívoca. Registamos algumas:


Trazanda
22 Março 2013
A usar paquistaneses para compor cenários, Luíses para lhe ajeitarem o cabelo, cenários de fundo pagos a peso de ouro e por aí fora, é natural que tivesse ficado como colosso! Esse colosso estamos todos nós a pagar com língua de palmo!

VLAD TEPES
22 Março 2013
Colosso? Já andas a beijar o ku à criatura para te encaixarem num pseudo governo súcia? Sócrates esteve metido em tudo o que foi trafulhice: Freeport, Face Oculta, PPP, ... Deixou o país falido, sem futuro e com uma dívida mastodôntica. Tem mais de 200 milhões em contas offshore.

Colosso e carismático?
22 Março 2013
Caro Pedro, você chama ao Pinócrates colosso e carismático, como se este regresso tivesse sido por sua iniciativa e mérito.
É difícil acreditar que você, uma pessoa tão bem informada, muito melhor do que qualquer dos leitores do Negócios, não esteja a ver mais este expediente baixo do inefável Relvas. Será que é tão difícil “ver” que o Relvas, na sua sagacidade pulha, que lhe é tão peculiar, mais não procurou do que instrumentalizar o ódio — não é exagerada a palavra — e o ressentimento que o ex-PM desperta na maioria dos Portugueses para imaginar uma estratégica mudança de alvo dos fortes ataques de que o Governo estava a ser o destinatário, para o novo alvo, o Pinócrates?
Poder-se-á perguntar se o ex-PM ganhará alguma coisa com esse sacrifício. Ganha, porque irá tentar, uma vez mais, enganar os Portugueses com as suas patranhas — não todos, acrescente-se — e branquear a sua imagem. Eu disse que irá tentar. Não disse que irá conseguir, porque este povo, apesar de ter sido metaforizado por Rafael Bordalo Pinheiro, entre outras gravuras soberbas, num burro com albarda, suportando em cima de si todos a choldra de parasitas do país, desde o rei a fidalgos falidos e por um clero tresandando a estearina, apesar disso, parece estar a passar, actualmente, por uma fase de abertura das suas mentes e mais liberto do temor e hipocrisia católicos. Nestes termos, não se antevê que o descanso para o escroque do Pinócrates seja muito.

Se as lideranças políticas fossem fortes
22 Março 2013
Na mentalidade fascista de alguns Portugueses nenhum líder político é forte para ser líder!
Líder de quê? Da escumalha partidária que saqueia Portugal? Fortes ou fracos os bandidos incompetentes lá ganharam os congressos do partido, com ou sem maioria lá ganharam as eleições, e com ou sem intenção lá conseguiram enterrar Portugal neste pântano Europeu. Portugal não precisa de líderes (como dizia o Vasco ... chapéus há muitos, seu palerma), Portugal precisa de bons estrategas, que consigam planear a economia Portuguesa a longo prazo.
Long-term economy planning, sim, o antigo regime fazia isso:
  • reduzir a dívida externa
  • diminuir as importações produzindo em Portugal
  • modernizar os transportes em Portugal (estradas, metro, ponte sobre o Tejo)
  • reduzir o analfabetismo (eu estudei em uma escola primária construída no tempo do Salazar)
  • produção de energia eléctrica construindo muitas barragens
  • instalar gás canalizado na grande Lisboa
  • construir centrais nucleares (reactor de Sacavém foi o primeiro passo)
  • criar escolas e universidades para ensinar electrónica (Universidade de Aveiro, Escolas Industriais Fonseca Benevides e Machado de Castro) para cativar investimento estrangeiro nessa área (Seagate, Texas Instruments, Timex, Standard Eléctrica, Philips, Grundig, etc.)
  • a expansão do porto de Leixões
  • construção do complexo de Sines
  • fábricas de armamento e manutenção de aeronaves (Braço de prata, OGMA).
Pedro, não sabe o bom que é ser velhote, ter visto um Portugal pujante e dinâmico, com uma população com confiança no futuro, ver famílias com 5, 10, 20 filhos e nenhum passava fome (mas eram pobres porque não tinham smart phones), filhos que faziam a quarta classe ou o nono ano em liceus e iam trabalhar, com muitos jovens a trabalhar e estudar de noite em escolas técnicas, e muitos que não gostavam, ou não podiam estudar, e emigravam para França, EUA, Alemanha e passados dois ou três anos vinham cheios de dinheiro para construir bonitas vivendas na sua terra natal e traziam moeda forte para melhorar a economia de Portugal. A maioria desses emigrantes recebe reformas do estrangeiro e continua a injectar divisas nas economia de Portugal.
Agora Portugal está moribundo e não tem qualquer interesse estratégico para investir, porque depois do 25 de Abril de 74, a escumalha política do PS, PSD e CDS-PP começou a destruir as tradições que tínhamos e Portugal perdeu o rumo. Acabaram com o benchmarking das Universidades quando deixaram criar demasiadas universidades privadas. O sector privado e o Estado abandonaram a ciência e a tecnologia e a juventude fugiu de cursos científicos tirados na Academia militar, na Universidade de Coimbra, na Universidade Técnica de Lisboa e na Universidade do Porto para estudar em áreas de parasitagem social — direito, economia, relações internacionais, ...
Na minha juventude quando decidi ir para a universidade, as médias para entrar nas públicas eram: Medicina perto de 20 valores, engenharias acima dos 14, letras 11, e economia 10! Nos anos 90 (no tempo do Cavaco) as médias para entrar em economia dispararam para perto dos 20 porque Portugal deixou de produzir e poupar, para gastar e endividar-se, e eram necessários muitos economistas para gerirem a nossa terceira bancarrota.
Sim, foram precisos muitos economistas para gerir as dezenas de bancos privados que se criaram, mas foi triste ver esses bancos a falir, e os contribuintes terem que os salvar. Foi triste ver a Fabrica Braço de Prata ser encerrada para construir a Expo98 (e ver a austríaca Glock a tornar-se a empresa líder mundial no fabrico de armas ligeiras), foi triste ver as OGMA a morrer (e ver a brasileira Embraer tornar-se em líder mundial em aeronáutica), foi triste ver a CASAL falir porque tinha motociclos muito melhores que a Piaggio (e ver agora a Piaggio produzir as famosas Aprilia), foi triste ver os maiores e melhores estaleiros navais da Europa — Lisnave e Setenave — desaparecerem (e ver a Noruega a florescer nessa área e tornar-se líder mundial em plataformas para extracção de petróleo).
Coisas que gostei de ver depois do 25 de Abril: gostei de ver o projecto da barragem do Alqueva ser implementado, de Portugal ter construído ETAR’s e aterros sanitários, gostei de ver Portugal como grande produtor de energia eléctrica verde (no oceano, geotérmica, barragens, eólicas, etc), gostei de ver o FCP a ganhar fama mundial como o Benfica o fez nos anos 60, gostei de ver empresas de I&D criadas por spin-offs das universidades públicas (software, micro-electrónica, comunicações ópticas, etc.).
Sim, o Sócrates endividou muito Portugal, mas ao menos tinha menos desemprego, e também nos deixou infra-estruturas úteis. Na minha opinião, de todos os primeiros ministros que governaram Portugal depois do 25 de Abril, o Sócrates foi o melhor. Não pensem que sou xuxa! Eu faço parte do 40% do eleitorado (abstenção) que não gosta das soluções PS/PSD/PP, emigrei para Inglaterra e nunca beneficiei de qualquer benesse do PS ou PSD. Gostem ou não, esta é a minha opinião. Agora que vivo e trabalho neste bonito, mas muito chuvoso país, gosto de comparar o pessoal que aqui vive (um povo que nunca teve ditadores) com os Portugueses, para melhor compreender por que Portugal tem imensos problemas. Vejo agora que os Portugueses gostam de soluções fáceis e que os bodes expiatórios funcionam na perfeição para se limparem de todas as culpas.
Bodes expiatórios? Sim, no meu último emprego em Portugal vi isso: tínhamos as vendas a cair e o patrão mudou de chefes no departamento comercial tentando culpabilizar os seus subordinados. Mas as vendas continuaram a cair e ele teve que despedir metade dos seus empregados e eu emigrei antes disso. A culpa não é toda do governo anterior, lembrem-se que o Sócrates não foi o responsável pela falência da Islândia, da Irlanda, da Grécia, do Chipre. Lembrem-se que os EUA, Andorra, Inglaterra têm dívidas gigantes e que os chineses andam a comprar ouro feitos malucos! Este capitalismo anda muito doente, a globalização é um desafio único na nossa história e dizer que o Sócrates é o nosso Hitler é enterrar a cabeça na areia. O Sócrates era um apaixonado por Portugal e teve um percurso muito parecido com o Hitler, que fez muitas coisas boas mas governou muito mal!

Tozé
22 Março 2013
Um colosso de 200 mil milhões de dívida e um carisma criado por pseudo jornalistas e afins...

Anónimo
22 Março 2013
Continua a glorificação do bandido. Como é possível a comunicação social continuar a preparar o terreno para o regresso do criminoso ao lugar do crime? Ao longo de 6 anos tiveram, como nunca, n oportunidades para jornalismo de investigação a sério, tantas foram as trafulhices e patifarias. O que se viu? Nem uma.
Enquanto lhe quiserem dar palco, o homem aproveita, mas o povo não é parvo nem esquecido. Pior que a comunicação social, só a justiça que branqueou todas as piratarias.
Deviam era remetê-lo ao esquecimento. E não venham com a questão do pluralismo de opiniões. Em termos públicos, tem de haver um mínimo de padrões morais para as pessoas emitirem opinião. Porque não abrir o palco a pedófilos, barões da droga, chefes de gangs ou genocidas? É como o comentário do Sr. David Dinis a dizer que o Sócrates é o político mais completo que conheceu — viu poucos grandes políticos como Churchill, Adenauer, De Gaulle. Só se for o mais completo em corrupção, aldrabice, irrealismo e irresponsabilidade, virtudes próprias dessa classe (nem todos).

Manuel Pinto
22 Março 2013
Podemos chamar-lhe tudo, até paixão, porém a governação destes últimos 40 anos de "gloriosos democratas" atirou um país que vivia de cabeça levantada, para um pântano, de onde não sabemos sair. O último líder, que nos empurrou mais para o fundo, está a chegar para, com a protecção de um canal público de televisão e a coberto da tal pluralidade, dar-nos lições de como se governa, mesmo não conseguindo passar a imagem de sabedor e sério. O país EM ESTADO crítico, insiste na PALHAÇADA. Tem à frente do canal público de televisão um director de programas que só pode ser uma anedota. Os seus superiores são farinha do mesmo saco.

Anónimo
22 Março 2013
Não sei se lhe chamaria colosso, mas certamente é um fenómeno a estudar. A petição on-line para evitar que vá para a RTP conseguiu a proeza de gerar 100.000 assinaturas em cerca de 24 horas. Parece-me algo inédito em Portugal. Isso não é notícia?

Anónimo
22 Março 2013
Um colosso também para o JdN que recebia publicidade desproporcionada de certos grupos a troco de "boa imprensa" ao governo. Estes grupos por sua vez acertavam as contas entre amigos nas PPP´s. País de retardados. Vão passar fome.

Cidadão independente
22 Março 2013
Gente sem carácter. Gente sem um pingo de vergonha. Gente oportunista. Foi isto que nos legou a nossa querida democracia. Falência financeira e económica e falência de valores, foi a que o país chegou. Os mais fracos à mercê dos poderosos. Os novos homens fortes da TV paga por nós, não têm mais imaginação do que recrutar um homem que é um dos principais coveiros do país?

Os Portugueses clamam por Justiça
22 Março 2013
A toada geral dos comentários aqui deixados é de repulsa, indignação e nojo pela vinda deste escroque corrupto. Porém, não se fala, não se reivindica, como devíamos, até porque a opinião pública tem um peso que não é possível descartar, não se exige da parte da Procuradoria-Geral da República (que para isso é paga pelos contribuintes) que cite este canalha a tribunal para responder por todos os seus crimes — e são vários e de grande monta —, a fim de que seja punido e — NÃO ESQUECENDO — que seja obrigado a devolver tudo o que roubou (diz-se que só em paraísos fiscais tem 200 milhões de euros), assim como os prejuízos colossais que provocou no erário público (o dinheiro dos contribuintes) com as negociatas sórdidas, nomeadamente as Parcerias Público-Privadas, em que o Estado (o nosso bolso) foi sempre prejudicado e as grandes construtoras foram as beneficiadas, designadamente a Mota Engil gerida pelo seu comparsa de partido, Jorge Coelho.
A Procuradoria-geral da República não pode eximir-se a cumprir a sua missão de punir os grandes crimes de colarinho branco em que este senhor José Sócrates foi personagem habitual. A par da agilização de outros processos já constituídos em que este cavalheiro é igualmente das principais personagens, como seja o Processo Freeport e o Face Oculta.

Anónimo
22 Março 2013
Como já algumas pessoas referiram, Sócrates nunca iria para comentador na RTP sem a autorização ou concordância do governo.
E o que vai fazer em 25 minutos? Seguramente não se vai defender, nem se justificar, vai fazer comentário político, numa altura em que o governo já sabe que não vai durar muito.
E o que vai dizer? Vai falar da Europa, da falta de rumo da Europa, blá, blá, blá. Não ataca o governo (porque apanhava de volta), não vai falar do passado (porque seria criticado todos as semanas) e abafa o líder Seguro mostrando um discurso mais forte e incisivo.
Objectivo disto tudo? Tentar desestabilizar a liderança de Seguro (depois da tentativa falhada com António Costa), para criar condições que outro líder apareça no PS, dentro da linha dos interesses onde está o governo e uma parte do PS, tudo a bem das corporações que realmente governam o país. Seguro é um não alinhado e não interessa que chegue ao governo (e não estou a dizer que Seguro é bom líder porque não é).

Barrosão
22 Março 2013
Não é ele que é um colosso, são os Portugueses que ainda não são, na sua maioria, Cidadãos de corpo inteiro, nem esta democracia uma Democracia de Cidadãos. Caso contrário o senhor estaria a responder num qualquer tribunal ou teria vergonha na cara.

Juros
22 Março 2013
Enquanto o colosso esbanjou dinheiro pelo país, ninguém se queixou, todos meteram ao bolso o máximo que conseguiram. Agora estamos a pagar e com juros!

apgfsilva
22 Março 2013
Ou o homem é um colosso ou o povo é uma mer...da. Chifres mansos! Só alguém que sabe que a manada não é de gado bravio é que pode ter estes laivos de inconsciência e achar normal! Senhor jornalista, desculpe mas não sabia que ‘carismático’ era sinónimo de ‘aldrabão’.

Anónimo
22 Março 2013
O CRIMINOSO VOLTA SEMPRE AO LUGAR DO CRIME.

Carlos1908
22 Março 2013
Náuseas Portuguesas
Isto faz-me lembrar (para além da náusea inevitável) aquela máxima do mercado de capitais segundo a qual é muito mais fácil investir num dado título do que, posteriormente, vendê-lo. E isto quer o negócio se tenha revelado proveitoso ou, pelo contrário, ruinoso. Se proveitoso, o investidor apaixona-se pelo título e pelo conforto que ele lhe deu; se ruinoso, o investidor recusa-se a aceitar a realidade e insiste no erro até ser tarde de mais.
Mas vem isto a propósito do Sócrates: ora os portugueses investiram nesse perigoso ignorante (perigoso, porque inteligente) e respectiva comandita — que em 6 anos nos desbaratou dezenas de milhar de milhões — essencialmente por três ordens de razões:
  • estupidez, ignorância ou dogmatismo;
  • protecção dos seus mesquinhos interesses de capelinha;
  • pura e simples fuga à realidade, com o correspondente adiamento do inevitável e doloroso choque com a mesma.
As razões do investimento popular no camarada Sócrates são hoje ainda mais prementes: o que o povo quer, tal como o investidor falido e em desespero, é uma solução milagrosa que só vendedores de banha-da-cobra, como Passos ou Sócrates, poderão ilusoriamente criar.
Parece-me por demais evidente que os poderes instalados em Portugal se preparam sofregamente para insistir nos mesmíssimos erros: veja-se a solução milagrosa do novo terminal de contentores de Lisboa. É de bradar aos céus a insistência doentia nos mesmos esquemas de obras públicas primárias que, procurando soluções e impactos a curto prazo, nos atiram inexoravelmente para as profundezas do abismo de dívida, da baixa organização e produtividade, do empobrecimento material e, por fim, da mais completa miséria moral.
Os portugueses são, hoje, investidores políticos falidos e desesperados que continuam a recusar assumir os seus erros. Não admira, portanto, que acolham de braços abertos os seus algozes.
Há, no entanto, um pequeno pormenor que complica tudo: acabou-se o dinheiro dos outros, o facilitismo do empréstimo e a ilusão da dívida.

Gil M.
22 Março 2013
Sou um defensor acérrimo destas entrevistas. Finalmente, vamos ter explicações cabais de como se pagaram as luvas no Freeport, em que offshore estão os quase 400 milhões de euros dos seus familiares, assim como a sua proveniência, e como é que no seu certificado universitário aparece um número de telefone começado em "22" vários anos antes de haver esse indicativo.

Manuel Lopes
22 Março 2013
Pois é, um colosso com pés de barro. Costuma dizer-se que entre cegos quem tem um olho é rei. Bastaria que, em Belém, em S. Bento e pelo país fora, todos tivessem também pelo menos um olho! Bastaria, para que nunca vingassem entre nós pessoas cheias de nada, vazios por dentro como esse tal Sócrates que, impunemente, arrastou o País para a situação em que se encontra.

COCAS
22 Março 2013
Qualquer País, precisa (sempre) de POLÍTICOS e não de politiqueiros. Sócrates é um desses POLÍTICOS que aparece (infelizmente) de muitos, em muitos anos. Se dúvidas houvesse, bastou poucos meses para vermos com quem estávamos metidos em termos políticos, financeiros e morais.
Os homens medem-se pelas suas acções diárias, pela coragem em enfrentar os problemas e sobretudo pelo discernimento com que resolvem os problemas, que se lhe vão deparando. Sócrates tem essa virtude. Comete erros? Claro que os comete! A maneira como os resolve é que o distingue desta gentalha que se apoderou do poder cobardemente. Poder-se-á perguntar para quê? A resposta é dada diariamente pelos descalabros em que meteram o País e os portugueses.

O que nos distingue dos irracionais é a inteligência
22 Março 2013
Caro COCAS, abre os olhos e acorda, amigo. Lamentavelmente, tu és um daqueles que personificam e foram o modelo em que se inspirou o portentoso Rafael Bordalo Pinheiro para a genial “charge” em que ele desenha, numa gravura, o Zé Povinho com uma albarda sobre as costas, simulando um burro, e suportando todo o bando, toda a corja de oportunistas corruptos, desde o próprio rei, passando pelos parasitas fidalgos falidos, cheios de dívidas, que não abdicam da sua prosápia vazia, acabando no clero católico "perfumado" a estearina e a hipocrisia, assim como no corpo de juízes igualmente corrupto e venal.
Acorda, amigo! Estás enganado, quanto a este escroque que se chama Pinócrates, que mais não passa de um arrivista demagogo, desonesto, que lesou o erário público, pelo que todos estamos a pagar, sendo que certamente também estás. Um Pinócrates que terá de responder em tribunal e ser condenado criminalmente, além de ter de devolver ao Estado (aos contribuintes) tudo quanto roubou e proporcionou roubar, designadamente nas sórdidas negociatas das Parcerias Público-Privadas — se é que neste país existe, de facto, Procuradoria-geral da República (mantida pelos contribuintes, não se esqueça). ACORDA, AMIGO!

PM
22 Março 2013
Chamemos as coisas pelos nomes: temos falta de grandes Estadistas, alguém com coragem, descomprometido, capaz de olhar para um futuro distante e não apenas para as próximas eleições, capaz de fazer o que tem que ser feito, com consciência, sem estar preso a favores políticos. Se esse Estadista não aparece (e não deverá ser um ditador), estaremos condenados a uma longa escuridão.
Precisamos de um destino para seguir, precisamos de justiça e bom senso. Precisamos de uma cura de desintoxicação de bancos, de PPPs, de aproveitamentos políticos, de erros contínuos. Precisamos de parar e ouvir a nossa consciência individual e colectiva, caso contrário vamos parar mesmo, mas na bancarrota.

Nuno Pequito
22 Março 2013
Paixões à parte, quer Sócrates esclarecer como é que conseguiu subir a dívida pública de 62% para 108% do PIB, entre 2005 e 2011, e arruinar as finanças do País?
Teve muitas oportunidades de explicar enquanto esteve em Paris. Sócrates é um dos CAMPEÕES mundiais da dívida e da ruína das finanças públicas. Não podemos ser carrinhos a pilhas que só sabem andar às voltas e chocar contra duas paredes, a do PS e a do PSD, com a muleta CDS a ajudar. Foi o PS que deixou o País na bancarrota financeira e abriu caminho para este governo que nos leva à bancarrota económica.
Chega de maçons, chega de Sócrates, chega de asneiras. A única coisa de que temos medo é que o Povo Português, que traçou caminhos novos, que deu novos mundos ao mundo durante toda a sua vida, agora que efectivamente precisa de o fazer esteja tão estupidificado e mole que não saiba fazê-lo, que não saiba criar alternativas ao PS, PSD, CDS, PCP e BE.
Se Sócrates quiser ainda explicar alguma coisa, compre tempo de antena numa das empresas privadas de televisão, não estamos para pagar esta porcaria com o nosso dinheiro. Isto não passa de parte de um plano da ala socrática do PS para vir novamente à tona.

Anónimo
22 Março 2013
Eu propunha que a primeira entrevista ao colosso Sócrates fosse conduzida por político com responsabilidades na televisão pública, não tão colossal como aquele, mas igualmente de elevado nível intelectual: o estimável académico Miguel Relvas.

Miguel Ribeiro e Silva
23 Março 2013 02:04
Muito bem observado, muito bem escrito. No momento em que o País precisava absolutamente de encontrar alguma consensualidade para evitar o abismo, o regresso de Sócrates à ribalta é uma tragédia. É o último prego no caixão.

Anónimo
23 Março 2013 10:52
Portugal é um país de eleitores desmiolados, olham para os líderes partidários e para os partidos como olham para os clubes de futebol, com a mesma paixão, o que lhes interessa é que o seu partido ganhe eleições e haja uns empregos, não lhes interessa se tem gente competente e honesta para gerir os destinos do país e o bem estar dos cidadãos.
O editorialista também acha que o homem que mais contribuiu para a bancarrota de Portugal, é o máximo como político. Na maior parte dos países, Sócrates certamente teria de justificar num tribunal o esbanjamento e delapidação dos nossos impostos presentes e futuros, mas nós não estamos na Islândia e é pena.

Anónimo
23 Março 2013 11:28
Discordo totalmente com esta opinião! O homem é de facto muito carismático, sem dúvida! Mas líder, não!
Líder é ter a capacidade, não de ser consensual, mas de unir e não dividir. É primar pelo exemplo e não ser o exemplo de um falhanço completo. É ser capaz de mobilizar em torno de um objectivo comum e não ser o expoente máximo do caminho que não se quer seguir. De facto Sócrates desperta ódios e paixões, não como um líder mas como um chefe, alguém que está no topo de uma hierarquia.
Sócrates só tem espaço porque, de facto, há falta de liderança na oposição. Mas o problema é que o ódio a Sócrates é maior que a adoração. E neste momento Sócrates representa o passado, o falhanço de um regime, de políticas erradas, de despesismo e demagogia. Saiba o poder vigente aproveitar isso e Sócrates cairá do alto da sua arrogância às mãos do povo!

Victor Duarte
23 Março 2013 11:49
Este "menino" Pedro Santos Guerreiro é o retrato e (mau) exemplo vivo da comunicação social em Portugal. O "menino" preocupa-se, e muito, com tudo o que envolve NÚMEROS (dinheiro, audiências e shows). Do resto, que é o mais importante, as PESSOAS, nada!
Aqui vai um poema dedicado a este "menino" e a outros tais como ele:

Ligo a rádio, a televisão, leio os jornais
e todos os dias, me aparecem os tais...
Eles são comentadores ou jornalistas, redactores, analistas
e economistas bem-falantes, educados e garbosos
só falam de números e mais números
são homens e mulheres muito talentosos.
Mas essa habilidade não nos acrescenta um vintém,
deviam-na usar para ajudar alguém.
Falam, debatem e discutem as previsões
apresentando números de milhares de milhões.
O IMI, o IRS e o IRC são estudados e debatidos,
usam termos e palavras para ficarmos desentendidos.
Argumentam como vai ficar a inflação,
questionam se vai, ou não, haver contracção,
refutam que se deva fazer renegociação.
Os credores riem... Mas o POVO NÃO!
Estou cansado da lengalenga,
não quero saber se estas coisas são más ou boas.
Faço apenas uma pergunta: E as PESSOAS? E as PESSOAS?

Anónimo
23 Março 2013 11:50
Foi Sócrates que abriu a porta à troika, logo colocou o país nas mãos de estrangeiros, por motivo de, no seu próprio reinado, na altura com a cumplicidade da maioria de esquerda na AR, a dívida portuguesa ter duplicado.
Como poderá Sócrates explicar o dinheiro que enterrou no BPN, por exemplo? O contribuinte não pagava, lembram-se? O Problema da UE são as dívidas soberanas, é o que vai ficar para a história. O desemprego é a consequência. Quem entender que a causa do problema é a dívida, não o desemprego, não acreditará em Sócrates. Mais fácil distribuir do que cortar.
Ora em tempos de vacas magras, sem margem para estoirar a "massa", aparecerem os políticos tipo "pai natal", dá para desconfiar! Vem aí melhores dias, a prova são os mercados, com os juros da dívida soberana em tendência de baixa, no fundo, são os mercados a anteciparem melhores dias. Sócrates e a máquina PS não entrariam num barco a afundar-se, por tradição fogem como Guterres e o próprio Sócrates indo para Paris... Vêm aí melhores dias, aposto!

Anónimo
23 Março 2013 12:18
Sócrates foi igualzinho a Soares, tiveram tudo para ser brilhantes mas não quiseram. São carismáticos, trouxeram novas formas ao seu tempo de fazer política dizendo às pessoas, não o que eles pensam, mas o que elas querem ouvir, usando as alianças a seu prazer e abusando das mentiras para ganhar votos, o problema do dois foi o mesmo: a meio esqueceram-se de governar o país! Por isso vai acontecer com Sócrates o que aconteceu com Soares, de derrota em derrota até ao descrédito total! O que a vaidade trás, a vaidade leva!

Anónimo
23 Março 2013 19:13
Com muita dose de imaginação até poderei estar de acordo. Sem isso não consigo vislumbrar no engenheiro Sócrates nada do que é referido. Devo ter andado muito distraído estes anos todos.
Num pormenor estou de acordo, este mito Sócrates só existe porque há falta de pessoas de referência na política portuguesa, caso contrário este senhor já estaria no anonimato há muito tempo. Mesmo assim só com a ajuda dos boys do jornalismo é que poderá fazer cócegas a alguém.
De uma vez por todas, se os portugueses querem fazer alguma coisa do país, têm que acabar com os chico-espertos que andam por aí à solta, tanto na política como no jornalismo, o resto irá a reboque. Estou farto de ouvir os fazedores de ideias baratas. Todos são muito inteligentes quando não estão no poleiro, vão para lá ficam bloqueados e é ver quem faz mais asneiras. Triste de um país que só de sentir o respirar do engenheiro(?) já estremece.

Manel
23 Março 2013
Pessoalmente, nada tenho contra Sócrates. Como Alexandre Soares dos Santos disse, é muito inteligente, é convincente na forma como contacta, é mentiroso, é desonesto e é, acrescento eu, um político na má acepção da palavra.
Este texto poderia ser escrito por toda a gente, mas nunca por um economista, director de um jornal económico. Podia aparecer na Caras, no Expresso, na Visão, no Crime, mas neste jornal dá uma péssima imagem do rigor de um director. Tenho a certeza que o director do Economist nunca escreveria o que o director deste jornal escreveu sobre um homem que mentiu e afundou descaradamente o país. O futuro mostrará quem tem razão, Seguro à parte.


sábado, 20 de outubro de 2012

Uma resposta frontal - I


A polícia judiciária está a investigar um caso que envolve banqueiros portugueses e dois antigos quadros do banco suíço de investimento UBS, Michel Canals e Nicolas Figueiredo, detidos em Maio por suspeita de terem cometido fraude fiscal e branqueamento de capitais através da Akoya, a sociedade suíça de gestão de fortunas que haviam criado — é o processo Monte Branco.

Numa notícia do semanário Expresso sobre essa investigação, citando fontes judiciais não identificadas, referem-se escutas de conversas de certa pessoa cuja identidade o jornal desconhece, mas não tem dúvida que o outro interlocutor é Passos Coelho.
Observe-se a reacção do primeiro-ministro a um pedido de comentário sobre a notícia:





"Tenho muita dificuldade em fazer comentários sobre matérias que desconheço. Se aquilo que esse jornal hoje refere tem aderência à realidade, significa que houve uma quebra no segredo de justiça. É preciso saber o que se passou para essa ilegalidade ter acontecido, quem é responsável por o segredo de justiça ter sido quebrado e como é que o jornal tem mais informação do que eu, porque eu não tenho nenhuma.

Em segundo lugar, estou muito consciente das minhas conversas privadas ou telefónicas e não tenho nenhum receio, nem sobre a operação que é descrita nessa notícia do jornal, nem sobre qualquer outra matéria, que qualquer coisa que tenha dito, seja ao telefone, seja em privado, venha ao conhecimento público.
Se a notícia tem fundamento e foi enviado para o Supremo Tribunal de Justiça um pedido de validação de uma escuta em que apareço, qualquer que seja a conversa, desde já afirmo que tenho todo o prazer que essas escutas sejam publicamente reveladas.
"

*

A frontalidade da resposta de Passos parece indiciar que houve um objectivo difamatório na elaboração da notícia. Quanta imundície vai pela justiça e pela comunicação social...


terça-feira, 24 de julho de 2012

"O Pólo Norton"


"Pedro Santos Guerreiro - psg@negocios.pt


A geração que construiu os grupos económicos a partir dos anos 80 está a entregar o poder. Sonae, Jerónimo ou Impresa são agora lideradas por gente de 40 anos. Quase sempre, as famílias escolhem entre os seus filhos. Balsemão não escolheu nem filhos nem afilhado: Pedro Norton é o novo presidente executivo da Impresa.

Mais do que uma sucessão, é uma transição geracional. Doravante dir-se-á que a escolha de Pedro Norton era a óbvia. Não era. Na Sonae Belmiro escolheu Paulo, na Jerónimo Alexandre escolheu Pedro, no grupo Amorim Américo escolhe Paula, na Bial Luís escolheu António. Sobre todas estas sucessões, pelo que representam, aqui se escreveu. Uma lista que prosseguiu sempre mantendo os apelidos. Isso não faz destes casos meras banalidades. Mas faz da Impresa uma excepção.

Pedro Norton será o presidente executivo da Impresa, grupo concorrente da Cofina, a que pertence o Negócios. Tem pela frente muita água pela barba. Porque o grupo Impresa tem uma dívida colossal. Porque a comunicação social vive a sua própria recessão, com quebras dramáticas no mercado de publicidade, mudanças radicais no consumo de informação, operações descapitalizadas e franco-atiradores que compram ou querem comprar jornais sem saberem geri-los ou respeitá-los, apenas por um poder que reconhecem mas não entendem.

Primeiro, a colher de chá: Pinto Balsemão é o último grande jornalista dono de jornais, o que lhe assegura o respeito e admiração de toda a classe. Porque ele pertence à tribo: é um jornalista. E porque deixa um império de comunicação social que, digam o que disserem (e há o que dizer), vive disso: de jornalismo.

Agora, a colher de rícino: Balsemão sai de cena depois de batalhas infernais que não desejaria ao seu maior inimigo. Depois de ter ganho muito dinheiro com o seu amigo João Rendeiro, perdeu quase 40 milhões... com o seu amigo João Rendeiro. Dentro de casa, tinha a Ongoing, com quem teve um grande amor e depois uma grande guerra, quase um parricídio. O projecto de poder da Ongoing falhou, em abono do ar que respiramos, mas é conveniente admitir que a história está a ser contada por quem a venceu: muitas críticas de falta de resultados da Impresa estavam absolutamente correctos. Como se não bastasse, ainda se descobriram relatórios miseráveis sobre a vida de Balsemão e manobras canalhas de uma espécie de contra-espionagem alucinada.

Pela frente está uma batalha chamada privatização da RTP. E a capitalização da Impresa. O que Balsemão mostrou nos últimos dois anos foi uma notável capacidade de sobrevivência. Poder. Com novas alianças, negou-se ao declínio. À aliança de sempre do BPI juntou-se o apoio do BES e uma parceria com os angolanos da Sonangol, que agora dominam o BCP. Na política, o rei número 1 do PSD bate-se contra o valete de ocasião, Miguel Relvas. A história ainda não acabou.

A sucessão na Impresa não é, portanto, a reforma de Francisco Pinto Balsemão. Mas é ocasião para salientar um projecto que resiste contra aqueles que, comprando jornais, querem comprar o jornalismo. E esse não é assunto de grupos económicos, é um assunto de democracia.

Essa é a principal responsabilidade de Pedro Norton, garantir as condições de gestão que a Impresa falhou no passado que garantam a sustentabilidade financeira da empresa, para satisfazer os accionistas e resguardar as condições de independência e liberdade de imprensa. Num país em traficâncias, isso é muito mais difícil do que parece.

Pedro Norton assume que a Impresa é o seu projecto de sonho. Não é jornalista, nem financeiro e cita filmes de Max Ophüls, o que diz mais dele do que um "curriculum vitae". E assim se sucede um senador."


sexta-feira, 25 de maio de 2012

A prepotência dos nossos políticos - III


Esta é a última versão do "Caso Público" divulgada pela direcção do jornal. O colorido do texto é nosso.
Sugerimos-lhe, caro leitor, que compare com a versão de ontem.



"A pressão de Relvas e a política de não a denunciar

A meio da tarde de quarta-feira, 16 de Maio, o ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, telefonou à editora de Política do PÚBLICO, Leonete Botelho, e disse-lhe que as perguntas enviadas naquele dia pela jornalista Maria José Oliveira — que há meses investiga o caso das secretas — eram "pidescas", que se sentia "perseguido pelo PÚBLICO" e que iria fazer uma queixa à ERC, iria processar o jornal, iria dizer aos ministros que não voltassem a falar com o PÚBLICO e iria divulgar na internet que a autora da notícia vive com um homem de um partido da oposição, nomeando o partido — o que neste esclarecimento se considera desnecessário.

O PÚBLICO considera inaceitável esta pressão sobre jornalistas vinda de um membro de um governo democrático.

Como faz por regra, a editora informou a sua colega sobre o conteúdo do telefonema e, mais tarde, por vontade da jornalista visada, as duas comunicaram o incidente à directora do jornal. Nessa tarde, o ministro Relvas ligara à directora três ou quatro vezes, sem que tivesse sido estabelecido contacto. Ocupada a fazer entrevistas agendadas, a directora não atendera o telefone.

Houve mais dois telefonemas do ministro para o jornal nesse dia. Um para a editora, no qual o ministro reiterou as ameaças, acrescentando que as concretizaria se a notícia que estava em preparação para o online fosse publicada, e outro para a directora, no qual o assunto não foi abordado. Não tinha havido tempo para reunir a direcção e tomar uma decisão.

Uma vez informada, a directora não considerou que as ameaças do ministro viessem a ser postas em prática. É nossa tradição não denunciar as pressões que nos são feitas — e foram muitas e muito concretas ao longo de 22 anos. É assim em Portugal e não só. Faz parte do jornalismo independente ter uma armadura contra as tentativas de pressão. Leonete Botelho, a editora que recebeu o telefonema, fez uma avaliação semelhante.

Em momento algum nos sentimos intimidados e em nenhum momento o telefonema do ministro Relvas alterou o trabalho que estava a ser feito. Continuaremos a investigar o caso das secretas e as ligações entre os serviços de informação e o poder político.

O telefonema do ministro foi objecto de reflexão e debate internos. Deveria o jornal ignorar o telefonema ou protestar formalmente? E, se sim, de que forma? Por telefone, por escrito, numa audiência com o ministro? Há quem considere, dentro e fora do jornal — incluindo os jornalistas eleitos para o Conselho de Redacção — que a direcção do PÚBLICO deveria ter denunciado publicamente a pressão, e logo no próprio dia. Essa não foi a nossa opção. Depois de uma reflexão colegial, a directora telefonou na sexta-feira ao ministro para lhe apresentar um protesto formal do jornal, dizendo-lhe que é inaceitável um ministro fazer este tipo de telefonemas a um jornalista. Na nossa percepção, o telefonema tinha — como têm todas as pressões — o objectivo de condicionar e perturbar o trabalho que estava a ser feito. A seguir, o ministro telefonou a Leonete Botelho a pedir desculpa pelo telefonema.

Na véspera, a directora conversou com o advogado do jornal, Francisco Teixeira da Mota. Numa primeira avaliação jurídica, o nosso advogado ressalvou que o crime de ameaça implica uma ameaça credível contra a vida, a integridade física, a liberdade pessoal e os bens patrimoniais — e que este não era o caso. Neste primeiro contacto, Teixeira da Mota distinguiu claramente a questão jurídica da questão ética e política, e sublinhou a diferença entre ameaçar divulgar um dado da vida privada que é "íntimo", "desconhecido", "secreto" ou "embaraçoso", e divulgar um dado que, sendo "pessoal", é de fácil acesso público, sendo que, no seu entender, os jornalistas têm que aceitar um maior grau de exposição e escrutínio do que os cidadãos comuns. Francisco Teixeira da Mota não viu consistência na frase do ministro que justificasse uma actuação legal. Uma semana depois, a sua avaliação mantém-se.


A notícia que não saiu

Na quarta-feira, 16 de Maio, publicámos na edição impressa uma notícia de Maria José Oliveira de página inteira com o título "Relvas recebeu sms e emails de Jorge Silva Carvalho com propostas para as secretas". O lead da notícia (que republicamos hoje) é sobre a contradição de Relvas tornada evidente na sua audição, na véspera, na Assembleia da República. Na semana anterior o ministro dissera não ter "ideia" de ter recebido sms e clippings de Jorge Silva Carvalho; agora, no Parlamento, Relvas dissera que sim, que recebera sms e clippings de Silva Carvalho todos os dias.

Mais à frente, lia-se que o ministro dissera que até se "lembrava" que o "primeiro clipping era: 'Bush visita México. Fonte: Reuters'"; e que a última visita de George W. Bush ao México, segundo a Reuters, foi em 2007. Relvas, no entanto, dissera que só conhecera Silva Carvalho em 2010. Na primeira página, o título foi "Relvas confirma ter recebido propostas para as secretas".


Notícia publicada na edição impressa do dia 16 de Maio


Por volta da hora de almoço, Maria José Oliveira propõe ao editor do online do turno da manhã, Victor Ferreira, escrever sobre "uma incongruência" que as declarações do ministro tinham revelado, referindo-se ao hiato 2007-2010.

O editor diz que se houvesse matéria relevante que demonstrasse que o ministro tinha entrado em contradições publicaria o texto e diz também à colega que se devia ouvir as explicações do ministro sobre essas "contradições". A jornalista informa o editor que vai enviar perguntas por escrito ao ministro. Às 15h27 Maria José Oliveira envia um email ao gabinete de Miguel Relvas com uma pergunta. Pede ao gabinete do ministro para que a resposta seja enviada até às 16h. É este pedido que leva o membro do Governo a sentir-se pressionado, segundo afirmou ontem, após ter sido ouvido na ERC. Às 16h01, Maria José Oliveira recebe a resposta do ministro, por escrito, dizendo que já prestara todos os esclarecimentos sobre aquele assunto na Comissão de Assuntos Constitucionais, no dia anterior. A jornalista escreve uma notícia, que envia para o online (clique aqui para consultar uma imagem desse texto).


O texto refere de novo a questão do hiato, que não tinha saído na véspera na edição online, e incluía o seguinte parágrafo: "O PÚBLICO questionou, por escrito, Miguel Relvas sobre em que altura recebeu a mensagem que citou na audição parlamentar, referente à visita de Bush ao México. A resposta foi: 'Todos os esclarecimentos sobre este assunto foram oportunamente prestados em sede própria, ou seja, na 1ª comissão'."

A editora interina do online do turno da tarde, Joana Gorjão Henriques, não identifica informação nova e apresenta o problema à directora. Em conjunto, concluem que o texto não introduz elementos novos, para além da resposta do ministro àquela questão, e que isso não justifica a publicação.

É nesta altura que a editora de Política, Leonete Botelho, e Maria José Oliveira se dirigem à directora para a informar, a pedido da autora da notícia, sobre o telefonema do ministro, no qual Relvas ameaçara fazer uma revelação sobre a vida privada da jornalista. As três analisaram em seguida que passos dar quanto à notícia e fica decidido que Maria José Oliveira vai enviar novas perguntas a Miguel Relvas sobre as contradições que a jornalista identificara. É sugerido que se pode ver de novo a transmissão da audição no Parlamento e tentar perceber que contradições existem e questionar o ministro quanto a elas.

Às 17h15, Maria José Oliveira envia três novas perguntas ao ministro e no minuto seguinte recebe do seu assessor a mesma resposta do email anterior, com o acrescento de que o ministro só conhecera Silva Carvalho quando era secretário-geral do PSD.

Posteriormente, é enviada aos editores do online uma notícia com o título "Relvas não esclarece incongruências das suas declarações na AR" (clique aqui para consultar uma imagem desse texto)


A notícia aponta como incongruência o facto de o ministro ter apagado as mensagens electrónicas recebidas de Silva Carvalho, mas lembrar-se de parte do conteúdo das mensagens apagadas, e refere as restantes perguntas que tinham sido feitas entretanto ao governante.

A notícia volta a ser avaliada pela editora interina do online, que mantém as dúvidas e coloca o caso ao director-adjunto Miguel Gaspar, que estava a fechar a edição impressa nessa noite.

O director-adjunto mantém a avaliação de que não existem elementos novos e que as respostas do ministro, por si só, não justificam a publicação. Acrescenta que se deveria fazer uma análise da audição parlamentar, no dia seguinte, na qual as inconsistências pudessem ser tratadas num espaço mais alargado e com os elementos de contextualização indispensáveis a uma melhor compreensão. Essa posição é contestada pela jornalista, que mantém que havia matéria noticiosa relevante e levou o caso ao Conselho de Redacção."


****
*

As mentiras do ministro Relvas sobre o seu relacionamento com Jorge Silva Carvalho metem-se pelos olhos dentro.
Que a jornalista Maria José Oliveira se deixou converter numa marioneta do partido do homem com quem dorme na cama, também é evidente.

Os partidos políticos portugueses tornaram-se antros de impostura e, para os que alternam no poder, até de corrupção. Qualquer pessoa competente e honesta é devorada pelas máquinas partidárias, sendo a mentira e a hipocrisia a única via para ascender à liderança.
Depois há jornalistas que querem desenvolver campanhas partidárias em jornais de grande audiência, porque já ninguém presta atenção à imprensa tendenciosa dos partidos.

No próximo ano vão decorrer eleições autárquicas e os partidos da oposição já andam em campanha eleitoral contra o ministro que quer morigerar o poder local. Seria bom que os eleitores mostrassem que estão conscientes desta sórdida realidade e dessem um sinal. Por exemplo, anulando massivamente os boletins de voto relativos às assembleias municipais e às juntas de freguesia.


domingo, 13 de março de 2011

Os movimentos de cidadãos não têm dono


Sob o título “Reportagem: um enorme e pacífico protesto contra o Governo”, um jornalista, que esteve envolvido no caso das escutas a Belém, procurou canalizar o descontentamento manifestado no protesto plurigeracional de 12 de Março integralmente contra o governo.
Vã se revelou essa tentativa de pôr um movimento de cidadãos ao serviço do seu amo, que deseja mandar também em São Bento: um quarto de século depois, há uma nova geração mais culta, logo mais difícil de manobrar pela comunicação social, como se poderá concluir pela leitura dos comentários à notícia.

Aqui se tira o chapéu a Mariano Gago e equipa que sabiam quão subversivo (e perigoso) era definir como primeira prioridade de um futuro governo a disseminação da Internet pelos estudantes e ousaram fazê-lo.


andré, lisboa. 12.03.2011 22:47
...
Nunca fiz um comentário em jornais on-line. mas não posso deixar passar o que foi dito nesta reportagem.
  1. Embora a iniciativa se chame geração à rasca já foi mais que debatido, e dito pelos próprios organizadores, que esta manifestação não era geracional.
  2. A manifestação não juntou milhares de pessoas contra o governo. Juntou-as contra as políticas que foram desenvolvidas em Portugal e que reforçaram a precariedade de todos nós. Ou seja, não só contra este governo, mas contra todos os anteriores que contribuíram para a actual situação, como contra a oposição que, no parlamento e fora dele, ou não pode ou não soube criar as condições necessárias para que a qualidade de vida de todos nós fosse um objectivo cumprido ou a cumprir.
  3. Ainda assim, mais do que uma manifestação contra alguma instituição ou órgão em concreto, este foi um acontecimento que mostrou que há portugueses descontentes e que são capazes de se manifestar e mobilizar.

Bruno, Lisboa. 13.03.2011 02:32
Contra o Governo?
O protesto não foi contra o governo. Foi contra o desgoverno. E a culpa não é do PS, mas sim do PS, do PSD, do PCP, do CDS, do BE e de todos os outros que compõem este sistema político.
Os mesmos que, de fininho, se tentaram associar ou "simpatizar" com este protesto, como se não fizessem parte do problema. Que continuam a brincar às políticas como se de um vicioso jogo de xadrez se tratasse e nem se preocupam em legislar e resolver alguma coisa — o que deveria ser a função deles!
Este protesto não apresenta soluções e apresenta uma única reivindicação: classe política, esta é a nossa geração, estes são os nossos problemas, agora façam aquilo que é o vosso trabalho e resolvam-nos! É para isso que vos pagam!

Nuno Rebelo, Cascais. 13.03.2011 04:01
Importa-se de voltar a escrever?
Eu nem quero acreditar no que estou a ler. Que interpretação abusiva vem a ser esta? Acaso Luciano Alvarez desceu da rua Viriato pela Fontes Pereira de Melo até à Avenida da Liberdade para ver in loco do que tratava a manifestação?
Eu estive lá, não para manifestar o desagrado para com o governo, mas por outros motivos relacionados com o manifesto da manifestação. E como eu muitos outros que lá estiveram não foram para gritar contra o governo.
Nem o jornal oficial de um partido da oposição teria a leviandade e o oportunismo de dar este título a uma notícia sobre a manifestação.

Joaquim Silva. 13.03.2011 10:28 Via Facebook
Que Público quer atingir este Público?
Mais uma vez, lamentável. Informem-se, senhores jornalistas, se não querem correr o risco de vir a ser os últimos a saber.
Há uma miríade de organizações on-line, umas com mais membros, outras com menos, umas constituindo núcleos restritos de organizações mais vastas, outras quase «intimistas» reunindo um punhado de pessoas com características mais específicas. Há quem esteja em vários grupos ao mesmo tempo, poucos são o que não estão pelo menos em duas páginas.
Para que conste: todos ou quase todos estivemos na rua ontem. E já agora: o objectivo que nos era comum a todos não é castigar este governo específico, mas acabar com um Regime que ao longo de mais de três décadas tem revelado um profundo desprezo pela sociedade civil.
Acreditem, ou não, se nos sentíssemos representados nesta «espécie de democracia», já teríamos dado conta!