sábado, 19 de julho de 2014

A moralidade deve estar acima da justiça?


Diz José Pacheco Pereira neste artigo de opinião:

A história mais recente e que me fez escrever este artigo foi a desfaçatez do truque que o Ministério da Educação usou para marcar os exames aos professores com três dias úteis de pré-aviso, caindo do céu da surpresa no fim de Julho, com grande estrondo. Na verdade, são teoricamente cinco dias, o mínimo exigido por lei, mas só teoricamente. O truque foi pré-assinar um despacho em segredo, no quinto dia divulgá-lo no Diário da República a contar do dia da sua assinatura, para que na prática faltassem, após o anúncio ser conhecido, apenas três dias úteis até ao exame, 17, 18, e 21 de Julho. Professores que já estavam a receber o subsídio de desemprego, que já estavam de férias, e que não sabiam que iam ter um exame para que é suposto prepararem-se, cai-lhes em cima uma data que é já praticamente amanhã. Nem o gado é suposto ser tratado assim, mesmo quando vai para o abate.

Porquê esta rapidez? A resposta é muito simples: para evitar que os sindicatos pudessem apresentar um pré-aviso de greve no prazo exigido pela lei — ou seja, o Governo faz um truque descarado e sem vergonha para contornar uma lei da República, que permite o exercício de um direito.

Pode-se ter o ponto de vista que se quiser sobre os exames exigidos a professores que já tinham as qualificações necessárias para ensinar e, nalguns casos, já ensinavam há vários anos. Esta é outra questão e sobre ela não me pronuncio. O Governo pode até ter razão em querer os exames e os professores não ter ao recusá-los. Aqui posso ser agnóstico sobre essa matéria. Não é sobre isto que escrevo, mas sobre o pequeno truque, habilidade, esperteza e os seus efeitos de dissolução social como norma de governação.

Esta prova, exigida em 18 de Dezembro aos professores contratados com menos de 5 anos de serviço, requer que se saiba ler, interpretar textos e escrever com correcção gramatical. Também é preciso saber interpretar informação contida em tabelas e gráficos. São conhecimentos que é suposto terem sido adquiridos e capacidades que é suposto terem sido desenvolvidas por qualquer pessoa que tenha a aspiração de ser professor num País que se pretende com futuro.

Mas há pessoas a trabalhar numa sala de aula sem terem estes requisitos? Há. E alguns, já pertencem aos quadros dos agrupamentos. Tiveram acesso e foram admitidos nos concursos para professores porque são sempre concursos documentais, ou seja, exigem apenas diplomas que atestem as habilitações exigidas por lei.

Não estão nas salas de aula a ensinar porque não têm qualificações para o fazer.

Estão a entreter alunos. Sabem relacionar-se bem com miúdos e graúdos, o que é muito fácil, basta concordar com tudo o que dizem e fazem. No final aprovam todos os alunos, portanto nunca são alvo de queixas por parte dos respectivos pais que nem sonham o tempo que os filhos estão a desperdiçar na escola.

Este é o estado a que chegámos. E não é só no ensino. São bem conhecidos dois casos na política: José Sócrates e Miguel Relvas. O primeiro arrecadou uma licenciatura em Engenharia Civil, na defunta universidade Independente, nunca reconhecida pela Ordem dos Engenheiros que exige um exame aos diplomados por universidades de qualidade duvidosa se quiserem ser considerados engenheiros. O outro aldrabou uma licenciatura em Ciência Política na universidade Lusófona, com a cumplicidade do então reitor.

Há alunos que não conseguem obter boas classificações nos exames nacionais correspondentes às provas de ingresso exigidas nas instituições de ensino superior público e, apesar das classificações do ensino secundário estarem inflacionadas, ficam com uma nota de candidatura que não lhes permite entrar nas vagas disponibilizadas.
Então vão arranjar um diploma às universidades privadas tipo Lusófona. Um diploma obtido com muita festa, pouco estudo e, sobretudo, recheado com uma gorda nota. De fazer arregalar os olhos a quem teve de estudar no duro em universidades públicas, menos pródigas nas notas, e que tem ficado para trás na lista ordenada de candidatos do concurso nacional para professores — uma minoria desprezada num país que, há décadas, deixou de se orientar pelo princípio do mérito.

Mesmo os cursos em Educação das universidades púlicas só têm disciplinas mais exigentes na licenciatura, os mestrados oscilam entre três e quatro semestres e são preenchidos com cadeiras de Pedagogia, Psicologia, Sociologia e Didácticas.
No ensino politécnico público, responsável pela formação dos educadores de infância e dos professores dos 1º e 2º ciclos, os cursos têm de ser facilitados por causa do percurso inicial escolhido pelos alunos:
“É possível, neste momento, um professor do 2º ciclo fazer todo o seu percurso tendo reprovado a Matemática no 9.º ano de escolaridade, tendo passado o secundário sem ter Matemática. E depois ir para uma licenciatura em Educação e ir ensinar Português e Matemática aos alunos do 2.º ciclo”, revelou recentemente o ministro Nuno Crato.

Cursos fáceis que permitem o acesso a emprego bem remunerado — 1282 euros é a remuneração do professor contratado. Mesmo deslocados da residência, a pagar casa e deslocações é vantajoso numa perspectiva meramente financeira porque, quando não conseguem colocação em escolas públicas, apenas logram trabalhar como escriturários em empresas privadas que lhes pagam 500 euros. "Acaba por ser mais lucrativo trabalhar no ensino público, mesmo que seja ano sim, ano não", disse-me uma vez uma colega, "e não tenho de carregar caixas de fruta nos camiões quando faltar pessoal".

Para separar o trigo do joio, as melhores empresas do sector privado fazem testes aos candidatos a um emprego nas suas organizações. É isto que o Ministério da Educação e Ciência (MEC) quer fazer aos professores que precisa de contratar com a prova de avaliação de conhecimentos e capacidades (PACC).
Mas os sindicatos opõem-se. Enorme foi a procura dos cursos em Educação e descomunais as expectativas criadas. Profundos os sonhos desfeitos com a PACC. Os piores professores são, obviamente, os seus sócios mais fiéis.

Em 18 de Dezembro houve greves, boicotes, lágrimas e vidros de salas de aula partidos a pontapé por professores desesperados que tinham de fazer uma prova de avaliação de conhecimentos e capacidades.
Houve docentes que confessaram sentir dificuldade em resolver a prova que consideraram extensa e a exigir muito raciocínio. Mas duas boas alunas do 12º ano fizeram a PACC com um sorriso nos lábios.

Para evitar a repetição destes acontecimentos e conseguir contratar os melhores professores, o MEC marcou a nova data de realização da PACC para a próxima terça, 22 de Julho — Despacho 9316-A/2014 —, e só divulgou a notícia na manhã da passada quinta-feira, mas dentro do prazo legal.

Pacheco Pereira acha, porém, que o MEC perdeu a moralidade porque, ao reduzir o prazo de marcação da prova ao mínimo, evitou que os sindicatos "pudessem apresentar um pré-aviso de greve no prazo exigido pela lei". Nem uma palavra sobre o valor moral da sugestão dos sindicalistas para que os professores vigilantes faltem sob o pretexto de uma consulta médica ou um furo num pneu. E ainda vem dar força à mobilização da Fenprof no terreno, atirando a responsabilidade de eventuais incidentes para cima dos governantes.
Logo, para ter moralidade, o MEC devia baixar os braços, contratar candidatos sem qualificações, como tem sido feito até agora, e mandar para o desemprego quem estudou e se qualificou numa instituição de ensino superior prestigiada. Batemos no fundo.


sexta-feira, 18 de julho de 2014

Governo aprova concessão a privados da Metro do Porto e STCP


O Conselho de Ministros aprovou nesta quinta-feira a concessão da Metro do Porto e da STCP a privados, prevista desde Novembro de 2011.
A Metro do Porto já estava concessionada a privados, mas o contrato termina a 31 de Dezembro deste ano.




“A decisão do Conselho de Ministros aponta para o arranque deste processo já em Julho”, referiu o ministro da Economia Pires de Lima, no briefing com jornalistas, acrescentando que as concessões da Metro de Lisboa e da Carris vão avançar “dentro de dois meses”.

O secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, explicou que o prazo da concessão vai variar entre sete e dez anos, os privados vão gerir estas empresas mas os activos e as dívidas ficam no Estado e “não haverá nenhuma subida de tarifas”, para além da correspondente à inflação.
Pires de Lima prevê que a concessão traga uma redução de custos para o Estado de 85 milhões de euros, no próximo ano, e o fim do pagamento de indemnizações compensatórias já a partir de 2015.

Será agora lançado um concurso público internacional para concretizar a operação.

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Nestes comentários discute-se as vantagens e alguns perigos da concessão das empresas de transportes:

vinha2100
17/07/2014 15:31
As concessões (não estou a falar de privatizações), quando enquadrados num regime de serviço público adequado e com um tempo de concessão limitado, podem ser uma resposta aos crónicos défices, às dívidas e ao serviço inadequado de muitas das empresas públicas de transporte. Sem dúvida um desafio ao Estado regulador e fiscalizador, para que faça dessas concessões peças úteis ao serviço dos cidadãos.
  • Berna
    17/07/2014 15:48
    "um tempo de concessão limitado podem ser uma resposta aos crónicos défices". Mas a História recente vem demonstrar que tal não tem sido bem feito, porque o Estado não o sabe fazer bem. É levado, deixa-se levar e ninguém é responsabilizado no final. E não é só cá em Portugal. Inglaterra, Espanha e Grécia, juntamente com Portugal, são quem mais segue este modelo e também têm tido sérios problemas.
  • João Pimentel Ferreira
    A Haia 17/07/2014 16:20
    Caro Berna, depende de quem faz o contrato. O caso das PPP rodoviárias são um assalto ao contribuinte, mas a PPP da Fertagus, por exemplo, é um sucesso. Veja o que diz o Tribunal de Contas sobre a mesma. Que é um sucesso, tem custo zero para o contribuinte e presta serviço público.
  • Berna
    17/07/2014 19:01
    Caro João, a Fertagus pode ser considerada um sucesso, mas é só desde 2011, ou seja, desde a ultima renegociação. Este caso tem três períodos 1999-2004, 2005-2010 e a partir de 2010. Os anteriores foram desastrosos para o Estado. É bom termos conseguido dar a volta a um destes contratos, mas é um no meio de muitos...

João Pimentel Ferreira
A Haia 17/07/2014 16:18
É uma solução de congratular, aliás prática em quase todos os paíse do norte da Europa, onde os transportes públicos são de excelência. Uma gestão por privados, por norma, nunca vai atrás de populismos fáceis e de "esquemas" como foi o caso durante o governo Sócrates em que as empresas se endividaram juntos dos bancos de forma assustadora. A CP paga mais de juros, do que salários.
Uma gestão privada é também mais eficaz no combate à guerrilha sindical grevista que prejudica centenas de milhar de utilizadores. É uma concessão da gestão, não é uma privatização. O dono das empresas continua a ser o Estado.
  • PedroSousa
    17/07/2014 17:29
    Claro! O que vem do norte da Europa só pode ser bom! Provincialismo do portuguesinho... Quando as empresas derem barraca, o Estado lá irá meter o nosso dinheirinho em proveito dos "privados"... Quanto à referência de que as greves são melhor combatidas pela gestão privada é para rir... melhor mesmo seria chamar as forças especiais! Aí é que íamos ver um verdadeiro "combate" a esses sindicalistas terroristas! lol
  • Berna
    17/07/2014 18:11
    Não sei a que Paises do Norte se refere, porque Países como Alemanha, Noruega, Finlândia poderão fazê-lo pontualmente, mas não o fazem com regularidade. Não tenho dúvidas que a iniciativa privada é bastante melhor a conduzir os negócios do que o estado. Por isso deve ser acarinhada a sua iniciativa.
    Não deixa de ser verdade que, pelo facto da iniciativa privada ser melhor, numa negociação com o Estado, vai levar a melhor, tal como aconteceu com as PPP. O fito dos privados é, naturalmente, maximizar os seus proveitos, nem que para isso "coma" o estado. Não acredito na vantagem destas negociações e o Estado vai sair a perder. Recordo que a primeira revisão ao contrato PPP da Lusoponte aconteceu no próprio dia em que esse contrato foi assinado (é fantástico como o Estado não sabe fazer as coisas).
  • João Pimentel Ferreira
    A Haia 17/07/2014 18:22
    A experiência mostra-nos, com muita pena minha, que a gestão pública dos transportes públicos foi um assalto ao contribuinte, com vários esquemas pelo meio, como swaps e endividamentos astronómicos. A culpa não é dos trabalhadores, é dos gestores públicos, mas acredite que um privado nunca tinha deixado as coisas chegarem a esse ponto. Veja o caso da Fertagus.
  • patu
    17/07/2014 18:48
    A questão é que em Portugal, nessas coisas, os "privados" são subsidiados pelo público. Ou seja, pagamos duas vezes: directamente aos privados e através dos impostos.
  • João Pimentel Ferreira
    A Haia 18/07/2014 11:01
    Caros Berna, Patu e Pedro,
    A Suécia ou a Holanda já têm este sistema há muitos anos e têm excelentes transportes públicos. Os transportes são públicos, mas geridos por privados. Não se paga duas vezes, pelo contrário, por norma paga-se menos, porque o Estado já injectava todos os anos milhões nos transportes públicos. Não conheço o contrato, mas o Estado costuma pagar ao privado um certo valor por passageiro, ponto final; que se "for bem feito" por parte do Estado, o interesse público fica a ganhar duas vezes, em melhor serviço e menos custos para os contribuintes.
    Vejam o caso da Fertagus, que fica a zero euros aos contribuintes e presta serviço público, e o que o Tribunal de Contas disse sobre esta PPP. Mas há PPP muito ruinosas, como o Metro Sul do Tejo, onde o Estado paga mesmo que vá vazio.

Jardineira
17/07/2014 22:29
Ora, com negócios assim vale a pena trabalhar para o Estado! Mantendo as tarifas e entregando o negócio a outrém sem que este tenha prejuízo, claramente todos nós sairemos a perder. Não duvido da capacidade operacional dos privados, mas será o Estado assim tão incapaz de ter mão na sua própria casa?
Quanto aos défices das várias empresas, desde quando é que os transportes públicos foram feitos para dar dinheiro? Sobretudo quando há passes sociais e para estudantes, e carreiras em horário nocturno e para locais menos populosos. O Metro do Porto saiu caríssimo muito devido às dificuldades de o implementar no centro da cidade. O problema geral foi que os vários governos, em vez de assumirem os custos e porem os gestores na linha, limitaram-se a permitir sucessivos empréstimos junto da banca.
  • João Pimentel Ferreira
    A Haia 18/07/2014 11:04
    O Estado é incapaz de ter mão na sua pópria casa sim, e a prova factual é que, desde o 25 de abril, o país tem défice orçamental. Entristece-me muito dizê-lo, porque sou um homem de esquerda, mas prefiro um político de direita sério que ponha as contas em dia, a um sofista populista da esquerda que prometa mundos e fundos e leve o país à falência. Veja o que se passa agora no PS!


quinta-feira, 17 de julho de 2014

Quem abateu o voo MH17 da Malaysia Airlines?


A Malaysia Airlines foi notificada pelo controlo de tráfego aéreo ucraniano que perdeu o contacto com o voo MH17 às 14:15 GMT, a cerca de 50 km da fronteira com a Rússia.
O voo MH17 tinha saído de Amesterdão, pelas 10:14 GMT desta quinta-feira, com destino a Kuala Lumpur.




O ministério do Interior ucraniano disse logo que o avião tinha sido abatido por um míssil terra-ar Buk dos rebeldes e não havia sobreviventes. Os separatistas pró-russos disseram que não comentam até examinarem o local da queda.

Sabemos que os separatistas pró-russos abateram dois aviões militares ucranianos esta semana — um avião de carga Antonov An-26 na segunda-feira, uma perda que as forças ucranianas confirmaram, e um caça Sukhoi Su-25 na quarta-feira. Portanto têm mísseis terra-ar que lhes permitem abater aviões.

Mas este avião voava a 10 km de altitude. Só um sistema de mísseis altamente sofisticado, guiado por radar, pode atingir uma aeronave a tal altitude.

O avião vinha da região oeste da Ucrânia e despenhou-se na região de Donetsk, na margem leste do rio Dnieper, onde as tropas do governo ucraniano combatem os separatistas pró-russos, num local situado a 50 km da fronteira com a Rússia. Não chegou a entrar no espaço aéreo russo.


Quem abateu o voo MH17 da Malaysia Airlines?



Separatista pró-russo junto dos destroços do Boeing 777 da Malaysia Airlines, perto de Grabovo, na região de Donetsk, 17 de Julho de 2014.
Maxim Zmeyev/REUTERS


Um elemento da equipa de socorro revolve os destroços do avião que levava 295 pessoas a bordo. Não há sobreviventes.
Maxim Zmeyev/REUTERS


Um elemento da equipa de socorro caminha no local onde o avião se despenhou.
Maxim Zmeyev/REUTERS


Concurso de acesso ao Ensino Superior Público 2014


A candidatura ao ensino superior público é feita anualmente através de um concurso nacional organizado pela Direcção-Geral do Ensino Superior (DGES).
O concurso nacional realiza-se no final do ano lectivo e organiza-se em três fases, nos termos do calendário anualmente aprovado.

Hoje vai iniciar-se o Concurso de acesso ao Ensino Superior Público 2014 onde podes encontrar toda a informação relevante. Destacamos:

Candidatura online
A DGES disponibilizou uma página Candidatura ao Ensino Superior 2014 para acelerar o acesso aos serviços mais procurados, com as seguintes funcionalidades:


De AFuncionalidade
Fevereiro Final da candidaturaPedir atribuição de senha
Maio Final da candidaturaConsulta das provas de ingresso realizadas em anos anteriores que podem ser utilizadas na candidatura de 2014
17 Julho 8 AgostoCandidatura ao Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior de 2014 - 1ª fase
8 Setembro 19 SetembroCandidatura ao Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior de 2014 - 2ª fase
2 Outubro 6 OutubroCandidatura ao Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior de 2014 - 3ª fase


Para aceder às funcionalidades da candidatura on-line precisas fazer o Pedido de senha para a candidatura online 2014 e entregar a confirmação na tua escola ou no GAES da tua área de residência.

O Guia da Candidatura 2014 permite consultar os pares instituição/curso organizados por diversos critérios. Por exemplo,
  • por instituição e curso, podes ver o número de vagas. Clicando no curso, acedes às condições exigidas, estatísticas (médias dos colocados, nota do último colocado, ... , em 2011, 2012 ou 2013, na 1ª fase ou na 2ª fase) e empregabilidade desse curso.
    A empregabilidade está na informação estatística disponibilizada pela Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência no Portal Infocursos, uma plataforma online que permite aos candidatos ao ensino superior escolherem melhor a formação superior, como explicámos aqui.


Guias
O Guia da candidatura ao Ensino Superior Público 2014 em versão PDF é extenso mas permite perceber rapidamente, através das classificações mínimas e da fórmula de cálculo da nota de candidatura, o grau de exigência de cada instituição do ensino superior público.


quarta-feira, 16 de julho de 2014

25 mil milhões de euros da UE para desenvolver a economia até 2020


O Governo português e a Comissão Europeia fecharam hoje, em Bruxelas, o acordo de parceria sobre o novo quadro comunitário de apoio que vai vigorar até 2020, sucedendo ao actual Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN).

Portugal vai receber 21 mil milhões de euros no novo QREN — o Portugal 2020 — aos quais se somam cerca de 4 mil milhões de euros do Fundo Europeu Agrícola de Desenvolvimento Rural. Destes 25 mil milhões, mais de 6 mil milhões de euros serão dados às pequenas e médias empresas (PME).





As negociações foram lideradas, do lado da Comissão Europeia, pelo presidente Durão Barroso e pelo comissário com a pasta da política regional, Johannes Hahn e, do lado português, pelo ministro adjunto e do Desenvolvimento Regional, Miguel Poiares Maduro.

A base de negociação foi a proposta que o Governo entregou à Comissão Europeia, no final de Janeiro.
Muitos foram os obstáculos colocados por Bruxelas, nomeadamente quanto à conclusão de troços de estrada mais pequenos, porque não queria aplicar financiamento do novo QREN em mais infra-estruturas de estradas. Também foi de difícil aceitação que os fundos estruturais fossem usados na conclusão da rede secundária de rega do Alqueva — o bloco de rega Roxo/Sado.
Segue-se a fase de apresentação dos programas operacionais respectivos, que se prolonga até Janeiro de 2015.

O acordo foi concluído, poucas horas antes de um Conselho Europeu extraordinário, com a presença do primeiro-ministro. No final, Passos Coelho afirmou que noutros quadros comunitários “não foi tudo mau, como é evidente, mas desperdiçámos muitas oportunidades que agora não queremos desperdiçar. (...) Agora, estes cerca de 25,3 mil milhões de euros para os próximos anos serão decisivos para tornar mais robusta a recuperação económica do país, mas, sobretudo, para lhe dar sustentabilidade para os próximos anos. Estou certo de que saberemos aproveitar bem estes fundos e que conseguiremos aplicar os incentivos positivos que agora ficaram acordados para que as portuguesas e os portugueses possam, nos próximos sete anos, conhecer um tempo de maior crescimento da sua economia e de sustentabilidade no emprego”.

O ainda presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, disse que a verba que Portugal vai receber é uma “alavanca decisiva para a criação de emprego, para o investimento reprodutivo e para um crescimento económico sustentável do país”, tendo considerado que é “mais uma prova da solidariedade europeia para com Portugal”.

A execução do actual QREN estende-se até Junho de 2015. No primeiro trimestre deste ano, Portugal apresentava uma taxa de execução de 75,5%, num total de 16,2 mil milhões de euros de despesa validada pela Comissão Europeia.

*

Todos os países pagam contribuições obrigatórias para a UE, mas são muito reduzidas no caso do nosso País. Estas verbas do QREN podiam, portanto, ser muito úteis para financiar o crescimento da economia portuguesa.

No passado, as verbas do QREN foram usadas, em grande parte, para aumentar o património dos políticos, sobretudo dos autarcas, e dos que vivem à sombra deles. Se nada mudar, parte dos 25 mil milhões dados pela União Europeia a Portugal até 2020 vai cair nas mãos desta gente e servir para aumentar as suas fortunas pessoais.

Note-se que qualquer empresário pode candidatar-se a estas verbas desde que apresente um projecto bem estruturado e viável. O problema é a falta de qualificações de empresários e trabalhadores das PME que obstam ao aparecimento de candidaturas de qualidade.

Esperamos, pelo menos, que os portugueses tenham aprendido alguma coisa com os sacrifícios que tiveram de fazer desde o início de 2011, sejam mais rigorosos, a começar por si próprios, e denunciem as irregularidades que descobrirem. Só assim poderemos acalentar a esperança de que estas verbas sejam usadas, efectivamente, para promover o desenvolvimento económico do País.


Câmara de Lisboa vende património para contrariar aumento da dívida


Na sequência de notícias alarmantes surgidas nas últimas semanas sobre a situação financeira do município de Lisboa, o vereador das Finanças veio ontem assegurar, num encontro com jornalistas, que “a situação financeira da câmara é sólida, mas comporta riscos, elementos futuros que têm de ser geridos e acautelados”.



O principal risco é a diminuição das receitas estruturais, que Fernando Medina diz ascender a cerca de 154 milhões de euros, entre 2010 e 2014.
Para tal, contribuirão a redução da derrama e a extinção do Imposto Municipal sobre as Transmissões onerosas de imóveis (IMT), não tendo a reforma do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) provocado o aumento esperado.
A extinção do IMT anunciada pelo Governo, que custará à câmara 60 milhões de euros por ano, “é uma péssima decisão” na opinião de Medina. “É uma determinação legal que tem de ser alterada, e a nossa expectativa é que isso aconteça já no próximo Orçamento do Estado”, acrescenta.

Do lado da despesa, Fernando Medina admitiu que “neste momento o serviço da dívida tem riscos de subida”, que procurou justificar com o acordo estabelecido para resolução do litígio com a Bragaparques, que vai custar pelo menos 101 milhões de euros ao município, e o “processo de integração na câmara de todo o processo relativo à extinção da EPUL [Empresa Pública de Urbanização de Lisboa]”.

Para o vereador das Finanças a alienação de património é “a forma de mais rapidamente se gerir a situação da dívida”, nomeadamente a venda dos terrenos da antiga Feira Popular, em Entrecampos, mas não irão ser feitas vendas “sob pressão”.
O autarca socialista estima que a alienação de activos poderá render cerca de 55 milhões de euros em 2014. Vai ser feita para “tentar reganhar capacidade de investimento” porque a nova Lei das Finanças baixou de 179 para 18 milhões de euros o montante de nova dívida que pode ser contraída pelo município de Lisboa. “A nova lei veio reduzir drasticamente os limites de endividamento, criando dificuldades ao investimento. Foi uma lei mais troikista do que a troika”, lamentou.
Também o Fundo de Apoio Municipal (FAM) que o Governo criou para apoiar os municípios com dificuldades financeiras lhe mereceu críticas porque a contribuição de Lisboa vai ser de 15 a 20 milhões de euros: “É uma má decisão, de alto risco para com municípios que se encontram em boa situação e que têm feito um grande esforço para ter as contas em ordem”. O FAM será financiado em partes iguais pelo Estado e pelos municípios, que terão de contribuir, em média, com 0,7% das suas receitas anuais.

Outra via é o aumento de taxas municipais que, no fim de 2013, António Costa anunciou que iria ocorrer de forma “estrutural” e será debatida durante a discussão do orçamento camarário para 2015. Até lá, de acordo com Fernando Medina, a única alteração a ter lugar será a “adaptação do sistema de taxas da área dos resíduos e do saneamento”.

No fim de Junho a câmara aprovou, com os votos contra de toda a oposição, o Relatório de Gestão e as Demonstrações Financeiras de 2013, tendo a baixa taxa de execução do plano de actividades sido um dos aspectos mais criticados. Fernando Medina procurou justificar com o facto de que, em 2013, vigorou um orçamento transposto do ano anterior que tinha “quase 300 milhões de euros a mais de receitas”.

O vereador das Finanças reconheceu que, como vêm alertando os vereadores da oposição, o passivo da Câmara de Lisboa aumentou de 2012 para 2013: “É inequívoco que contabilisticamente aumentou. É verdade que invertemos o ciclo da descida”, mas o acréscimo de 1285 para 1420 milhões de euros deve-se, em grande parte, a “um aumento das provisões para processos judiciais”, cerca de 50,5 milhões de euros.
Mas ainda houve 22,5 milhões relativos à assunção de dívida da EPUL, 22,8 milhões devidos à Parque Expo, 17,8 milhões relacionados com a aquisição do Convento do Desagravo à Estamo e 5,7 milhões referentes a um empréstimo da Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU) de Lisboa Ocidental.

No entanto, o autarca socialista realçou que, entre 2007 e 2013, a dívida do município “caiu de 965 milhões para 544, uma redução de 421 milhões de euros”. E Medina garante: “A diminuição da dívida foi muito para além do memorando de entendimento com o Governo”, em que o Estado reconhecia dever quase 300 milhões de euros ao município por causa dos terrenos do aeroporto, pois houve “175 milhões de euros” abatidos à dívida que não foram abonados por esse negócio.

No encontro com jornalistas estiveram também presentes administradores das cinco empresas municipais — EGEAC, Emel, EPUL, Gebalis e SRU —, cada um dos quais fez uma breve apresentação sobre as suas contas relativas ao ano de 2013. A EGEAC teve um resultado líquido de cerca de 1,577 milhões de euros, a Emel de 2,218 milhões de euros, a Gebalis de 556 mil euros e a SRU Lisboa Ocidental de 601 euros. Já a EPUL teve um resultado negativo de 7,4 milhões de euros.

No final, Fernando Medina concluiu que, com excepção da EPUL cujo encerramento deverá estar concluído até 31 de Dezembro, “as empresas estão sólidas e, mais do que tudo, têm modelos de financiamento adequados”. A Gebalis é “a única empresa que ainda tem uma dívida com algum significado, de cerca de 21 milhões de euros”, mas na próxima reunião camarária vai ser discutida uma proposta para reestruturar essa dívida, alargando-a por um período de 15 anos.

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Este comentário à notícia do Público diz tudo:

Jorge Costa
Engenheiro 16:38
O Socialismo no seu melhor! O Povo tem de acordar para estes palhaços! Depois de receberem 260 M€ por contrapartidas no Aeroporto de Lisboa, fizeram uma fita pois não queriam abater na dívida da CML.
Agora têm de vender património e aumentar taxas para fazer face a compromissos. Eu já vi este filme... A tralha socrática no seu melhor!
Melhor do que isto só mesmo elevar o chefe — o António Costa — a primeiro-ministro! Nós merecemos o País onde vivemos. Até quando? Acordem!


segunda-feira, 14 de julho de 2014

Os resultados dos exames nacionais 2014


Actualização: resultados de 2015 aqui.

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Os quadros seguintes apresentam as médias obtidas nos exames nacionais de 2014, bem como do ano anterior, e foram elaborados a partir da informação divulgada pelo Júri Nacional de Exames.
Remetemos os encarregados de educação que desejam conhecer os resultados dos seus educandos para o sítio na Internet do respectivo agrupamento de escolas/escola não agrupada.

Começamos pelos resultados dos exames nacionais do Ensino Básico - 3º ciclo, hoje divulgados pelo Júri Nacional de Exames (JNE):




O quadro seguinte foi elaborado a partir dos resultados dos exames do Ensino Secundário - 1ª Fase divulgados em 11 de Julho:



O leitor pode consultar os enunciados e os critérios de classificação dos exames nacionais de 2014 aqui.

O Júri Nacional de Exames (JNE) divulgou também dois estudos sobre a distribuição das classificações dos exames:

Aqueles quadros apresentam as classificações médias dos exames realizados pelos alunos internos, ou seja, os que frequentam as aulas durante o ano lectivo inteiro e obtêm aproveitamento para ir a exame.
Mas há alguns alunos que anulam a matrícula por terem baixo aproveitamento, ou frequentam cursos profissionais, ou estudam por sua conta e risco. Todos estes alunos são externos ao sistema de ensino e autopropõem-se a exame. Este facto aumenta a importância dos estudos divulgados para o ensino secundário porque podemos comparar os resultados dos examinandos internos e externos.

Do comunicado de hoje do Ministério da Educação e Ciência, ainda destacamos as seguintes informações:
Na 1.ª chamada das provas finais do 3.º ciclo de 2014, a qual é obrigatória para todos os alunos, foram realizadas 195 596 provas, referentes às disciplinas de Português (91), de Matemática (92) e de Português Língua Não Materna (93 e 94). Salienta-se uma diminuição significativa da taxa de reprovação das disciplinas de Português e de Matemática em, respetivamente, 3 e 4 pontos percentuais, relativamente ao ano transacto.

A média das classificações da 1.ª chamada das provas finais de ciclo dos alunos internos é, na disciplina de Português, de 56% (desvio padrão de 16) e, na disciplina de Matemática, de 53% (desvio padrão de 23), sendo ambos os resultados superiores ao ponto de corte de aprovação dos 50%.

Em termos gerais, estas classificações evidenciam uma subida significativa em comparação com os resultados do ano anterior, observando-se uma variação de 7 e 9 pontos percentuais, respetivamente, nas provas de Português (91) e de Matemática (92).

Na prova de Português (91), observou-se que 69% dos alunos obtiveram uma classificação igual ou superior a 50%, sendo que 53% dos alunos obtiveram classificação igual ou superior a 50% na prova de Matemática (92).

No processo de classificação das provas finais do 3.º ciclo estiveram envolvidos 5154 professores classificadores do 3.º ciclo do ensino básico, cujo trabalho contribuiu para o cumprimento dos prazos previstos para a afixação das pautas.

Na totalidade das provas finais do 3.º ciclo do ensino básico estiveram ainda envolvidos cerca de 10 000 docentes vigilantes e pertencentes aos secretariados de exames das escolas, cujo papel e desempenho foi fundamental para que a 1.ª chamada tenha decorrido sem problemas de maior e um baixo número de ocorrências graves.

As provas finais do 3.º ciclo foram realizadas em 1259 escolas localizadas em Portugal continental, nas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, e nas escolas no estrangeiro com currículo português.

Do comunicado de 11 de Julho do Ministério da Educação e Ciência, destacámos as seguintes informações:
Os exames finais nacionais do ensino secundário foram realizados em 644 escolas em Portugal Continental e nas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, bem como nas escolas no estrangeiro com currículo português.

Nesta 1.ª fase dos exames finais nacionais, obrigatória para todos os alunos, foram registadas 350 543 inscrições, tendo sido realizadas 321 955 provas, o que corresponde a cerca de 92% das inscrições.

Entre as 23 disciplinas sujeitas a exame nacional, a que registou um maior número de provas realizadas foi a de Português (639), com 70 953 provas, logo seguida pela de Biologia e Geologia (702), com 51 953 provas e de Física e Química A (635), com 50 863 provas.

No processo de classificação das provas estiveram envolvidos cerca de 7000 docentes pertencentes à Bolsa de Professores Classificadores do ensino secundário, cujo esforço e profissionalismo permitiram o cumprimento dos prazos previstos para a afixação das pautas. Na totalidade das provas dos exames nacionais do ensino secundário estiveram ainda envolvidos cerca de 10 000 docentes vigilantes e pertencentes aos secretariados de exames das escolas, cujo papel e desempenho foi determinante para que esta 1.ª fase tenha decorrido sem problemas relevantes e com um baixo número de ocorrências graves.

As classificações da 1.ª Fase dos exames finais nacionais evidenciam, na generalidade, uma melhoria relativamente aos anos anteriores.

Relativamente aos alunos internos podemos referir que se verificam médias das classificações inferiores a 95 pontos em três disciplinas, Física e Química A (715), Matemática A (635) e Matemática B (735), com 92 pontos, no caso das duas primeiras, e 93 pontos no caso da última.

Globalmente registou-se um aumento da classificação média em treze disciplinas e uma redução nas restantes. Tendo em consideração as disciplinas com um número de alunos internos superior a 2500, aquelas em que é possível estabelecer comparações estatisticamente mais significativas, destaca-se:

  • A subida da classificação média nas disciplinas de Biologia e Geologia (702) (26 pontos), Português A (18 pontos), Física e Química A (715) (11 pontos) e Geografia (719) (11 pontos).
  • A diminuição da classificação média nas disciplinas de Economia A (712) (9 pontos), História e Cultura das Artes (724) (7 pontos), História A (623) (7 pontos) e Matemática A (635) (5 pontos).

Com exceção da disciplina de Alemão (501), os alunos internos obtêm classificações mais elevadas do que as alcançadas pelos alunos autopropostos, à semelhança dos anos anteriores. As diferenças mais significativas observam-se nas disciplinas de Geometria Descritiva A (708) e de Matemática A (635), respetivamente com 45 e 44 pontos. Pelo contrário, verifica-se nas disciplinas de Física e Química A (715) e de Biologia e Geologia (702) a diferença mais baixa entre os resultados dos alunos internos e dos autopropostos, respetivamente com 9 e 6 pontos, situação justificada pelo facto de nestas disciplinas a percentagem de alunos que realizam o exame para melhoria de classificação ser habitualmente muito elevado, contribuindo para uma melhoria dos resultados globais dos alunos autopropostos.

Quanto à percentagem de provas com classificação superior ou igual a 95 pontos, destacamos as disciplinas de Geografia A (719), Português (639) e Biologia e Geologia (702) com, respetivamente, 67,5%, 67% e 62% de provas com classificação acima de 95 pontos. Em contrapartida, às disciplinas de Matemática A (635), Física e Química A (715) e Economia A (712), observam-se os números mais baixos de classificações inferiores a 95 pontos com, respetivamente, 35%, 41% e 47% das provas.

Relativamente às taxas de reprovação pode salientar-se a diminuição significativa da taxa de reprovação das disciplinas de Biologia e Geologia (702) e de Física e Química A (715) em, respetivamente, 8 e 5 pontos percentuais. Em contrapartida, observa-se um aumento desta taxa de, respetivamente, 4 e 3 pontos percentuais nas disciplinas de História A (623) e de Economia A (712).

Actualização

Decidiu também o Instituto de Avaliação Educativa (IAVE) divulgar um comunicado sobre Resultados dos Exames Nacionais Ensino Secundário 2014 − 1.ª Fase, onde realça, a respeito da média da disciplina Matemática A, as profundas diferenças entre o grupo de alunos internos e o grupo de autopropostos:
(...)
Considera-se também relevante desmistificar o quadro de alarme social criado em torno da chamada «quebra histórica dos resultados na disciplina de Matemática A». Este cenário, aliás já observado em 2013, em torno de uma alegada quebra acentuada nos resultados, situação que a análise factual dos mesmos se encarregou de desmentir, é, em 2014, também completamente desprovido de qualquer relação com a realidade.

Como atrás referido, na disciplina de Matemática A observou-se uma descida de 5 pontos (0,5 valores em 20). Variações desta amplitude são estatisticamente irrelevantes e sem qualquer significado, ou seja, nem permitem inferir a existência de uma prova com acrescido grau de dificuldade, de uma prova mal concebida, sem validade de conteúdo ou, muito menos, uma qualquer regressão na capacidade global dos alunos avaliados, por comparação com anos anteriores.

No entanto, muito desse «alarme» foi alicerçado na divulgação de uma média total de 7,8 valores. Este indicador, que resulta do cálculo da média dos resultados do total de alunos, internos e autopropostos, revela-se inadequado para caracterizar o desempenho da população de alunos em análise, pelo que a sua divulgação é desprovida de sentido. Os alunos internos são os que completaram o seu percurso escolar regular, frequentaram as aulas até ao final do ano letivo e obtiveram uma classificação final que legitimou a sua presença no exame: ou seja, tiveram o aval dos respetivos professores para a realização do exame final. Os alunos autopropostos, ou a sua larga maioria, a avaliar pelos resultados, são os que, antecipando a sua reprovação em sede de avaliação interna, optam por anular a matrícula: ou seja, muito provavelmente, não teriam, no final do ano letivo, o aval dos seus professores para a realização do exame.

Os números falam por si: a média dos alunos internos foi 92 pontos; a dos alunos autopropostos não foi além de 48 pontos. Esta situação, com maior ou menor amplitude na diferença de resultados, é transversal à totalidade das disciplinas com mais de 2500 alunos internos sujeitos a exame nacional e é recorrente de ano para ano.
(...)


domingo, 13 de julho de 2014

Passos avisa que contribuintes não podem suportar erros dos bancos


O primeiro-ministro Passos Coelho mandou um recado ao Grupo Espírito Santo, sem se referir directamente a situação deste grupo, de que não pode contar com o dinheiro dos contribuintes para resolver os problemas financeiros provenientes de investimentos errados:


11 Jul, 2014, 20:26

"Uma das regras essenciais é que o Estado não intervenha no sentido de proteger determinados sectores ou determinados investidores porque esse é o primeiro elemento que gera a desconfiança de todos os outros.

Os investidores sabem que a dívida pública portuguesa não será chamada a resolver esses problemas, que nós não utilizamos instrumentos públicos para resolver problemas de natureza privada e que, portanto, todos aqueles que estão a pensar, não na conjuntura, nas no médio e no longo prazo podem investir em Portugal com confiança de que o Estado não intervirá, senão para garantir a real concorrência e a fairness dos negócios.
Significa isto, portanto, que os contribuintes portugueses não serão chamados a suportar perdas privadas e que os privados, quando fazem maus negócios, têm de suportar as consequências dos maus negócios que fazem."


13 Jul, 2014, 10:36

"Cada vez mais os bancos olham ao mérito dos projectos, e aqueles que não olham pagam um preço por isso. As empresas que olham mais aos amigos do que à competência, pagam um preço por isso. Mas esse preço não pode ser imposto à sociedade como um todo e muito menos aos contribuintes.

Por essa razão, quando aqueles têm problemas, não porque estamos a passar tempos difíceis, mas porque decidiram mal, deram crédito a quem não deviam, trabalharam com quem não era competente, esses têm de resolver os seus problemas. E é quando lhes damos a oportunidade de os resolver, que damos confiança aos que querem investir correctamente para poderem fazê-lo sem desconfiarem de que alguém, no meio do processo, vai fazer a batota de levar o bom projecto que tinham para aqueles que têm mais meios financeiros para os poderem concretizar, como tantas vezes aconteceu na história do nosso País."

*

Se for rigorosamente cumprido, este contribuinte agradece.


sexta-feira, 11 de julho de 2014

Banco Espírito Santo esclarece exposição ao Grupo Espírito Santo


A Espírito Santo Financial Group (ESFG), a maior accionista do Banco Espírito Santo, solicitou ontem a suspensão da cotação na bolsa de Lisboa.
Face à queda das bolsas europeias e à subida dos juros dos títulos da dívida pública de Portugal, consideradas como uma consequência do desconhecimento da solidez financeira do Banco Espírito Santo (BES), a CMVM decidiu suspender a negociação das suas acções pelas 12:32 de ontem e exigiu um esclarecimento ao banco sobre a sua exposição ao Grupo Espírito Santo (GES).

O comunicado do banco surgiu pouco antes da meia-noite e começa logo por esclarecer que tem uma almofada de capital de 2100 milhões de euros:

O Banco Espírito Santo detinha em 31 de Março de 2014, em base consolidada e considerando o montante do aumento de capital realizado em Junho, um buffer de capital de 2.1 mil milhões de euros acima do rácio mínimo regulamentar Common Equity Tier I (8%).

Depois dos membros da família Espírito Santo — Ricardo Salgado, José Manuel Espírito Santo e José Maria Ricciardi — e do representante do Crédit Agricole (Stanislas Ribes), se declararem impedidos de tomar decisões sobre a ESFG e o GES,
Os membros que renunciaram às funções de Administradores do BES, mas que ainda não tenham sido substituídos, declaram-se impedidos de participar na discussão e/ou deliberações de questões relativas ao Grupo ESFG e ao Grupo Espírito Santo. Mais se informa que tais membros serão substituídos após a assinatura das contas de 30 de junho, o que se prevê ocorrer até 28 do corrente mês de julho.

O Banco Espírito Santo compromete-se a não aumentar a exposição total ao Grupo Espírito Santo.
surge a informação exigida pela CMVM:


Exposição directa do BES ao Grupo Espírito Santo



Portanto o banco apresentava em 30 de Junho uma exposição directa de 1183 milhões de euros às empresas do GES.
O comunicado faz questão de sublinhar que, neste total, está uma exposição de 858,1 milhões de euros à ESFG — holding da área financeira do GES — e bancos subsidiários e 224,3 milhões de euros à Rioforte — holding da área não financeira do GES — e suas subsidiárias.

Adicionalmente, e não referida no quadro anterior, existe uma exposição de 297 milhões de euros à ESCOM que, segundo informação do GES, terá sido vendida embora o processo ainda não esteja concluído.

O banco detalha também a exposição que os seus clientes de retalho têm ao GES, que totaliza 853 milhões de euros:
O montante de títulos de dívida emitidos por entidades do Grupo Espírito Santo e detidos diretamente pelos clientes de retalho do Grupo BES, à data de 30 de junho, era o seguinte:
- Papel comercial emitido pela Espírito Santo International: 255 milhões de euros;
- Papel comercial emitido pela Rioforte: 342 milhões de euros;
- Papel comercial emitido por subsidiárias da Rioforte (ES Saúde e ES Property): 44 milhões de euros;
- Papel comercial e obrigações emitidas pela ESFG e suas subsidiárias: 212 milhões de euros.
Recorda ainda que a ESFG emitiu uma garantia incondicional e irrevogável no montante de 700 milhões de euros para que a Espírito Santo International possa cumprir os compromissos relativos à dívida emitida e colocada através do Grupo BES junto dos seus clientes de retalho. Esta garantia abrange actualmente instrumentos de dívida emitidos por outras entidades do Grupo Espirito Santo, nomeadamente a Rioforte.

Mas o BES não tem responsabilidade pelos títulos de dívida emitidos por empresas do GES e detidos directamente por clientes institucionais, que ascendem a 2011 milhões de euros:
O montante de títulos de dívida emitidos por empresas do Grupo Espírito Santo detido diretamente por clientes institucionais e em custódia no Grupo BES, a 30 de junho de 2014 era como segue:
- Emitidos pela Espírito Santo International: 511 milhões de euros
- Emitidos pela Rioforte e subsidiárias: 1.5 mil milhões de euros.
Estes investidores são considerados investidores qualificados de acordo com os critérios legais aplicáveis, e portanto com maior capacidade de avaliação de risco.

A estrutura accionista do BES é actualmente a seguinte:


Notas: Participação da BlackRock anunciada em 8 de Julho de 2014, participação da Baupost anunciada em 10 de Julho de 2014, restantes participações qualificadas à data de 17 de Junho de 2014.


*


Nada é dito neste comunicado sobre os quase 900 milhões de euros que, em Abril, a Portugal Telecom (PT) aplicou em papel comercial da Rioforte — dívida que vence nos próximos dias 15 e 17 de Julho e está a atirar a cotação da PT para mínimos históricos — mas devem estar englobados nos 1,5 mil milhões detidos pelos clientes institucionais.

Como a almofada de capital do BES — 2100 milhões de euros — é superior à soma da exposição directa (1183 milhões de euros) com a exposição dos clientes de retalho (853 milhões de euros) ao Grupo Espírito Santo, certamente as acções do banco vão voltar hoje a ser negociadas em bolsa.

O Banco de Portugal já tinha reiterado esta quinta-feira: "A situação de solvabilidade do BES é sólida, tendo sido significativamente reforçada com o recente aumento de capital".

Sobre a garantia de 700 milhões de euros emitida pela ESFG para proteger os pequenos clientes do BES, temos de dar os parabéns ao governador do Banco de Portugal Carlos Costa. O seu a seu dono.
E, pelos vistos, a situação financeira do BES é sólida por obra de um aumento de capital providencial. Folgam os bolsos dos portugueses.


quarta-feira, 9 de julho de 2014

Um jogo inesquecível


Aconteceu no estádio Mineirão, em Belo Horizonte, nas meias-finais do Mundial 2014.


2-0, por Klose, aos 23 min


O Brasil tinha 11 jogadores em campo.
A Alemanha tinha 1 equipa. Uma entidade organizada, disciplinada e treinada.

O resultado foi o triunfo da Alemanha por um memorável 7 — 1.


09 Jul, 2014, 09:51

Uma interessante análise do jogo aqui.


segunda-feira, 7 de julho de 2014

A municipalização das escolas


O Ministério da Educação e Ciência (MEC) tem vindo a negociar com os autarcas de vários concelhos do país uma proposta de descentralização de competências na área do ensino básico e secundário.

Esta proposta vai permitir aos municípios intervirem na definição da oferta curricular das escolas, dentro dos limites estabelecidos a nível nacional, assumirem responsabilidades pelo pessoal não docente e, nalguns casos, até terão “a competência de recrutamento de pessoal docente para projectos específicos de base local”.
Além do MEC, já intervieram na negociação o ministério de Poiares Maduro, a secretaria de Estado da Administração Local e os autarcas dos municípios de Abrantes, Águeda, Cascais, Famalicão, Matosinhos, Óbidos e Oliveira do Bairro, entre outros.

Uma das inovações desta municipalização do ensino não superior é o chamado "factor de eficiência” que premeia as câmaras que trabalhem com um número de docentes inferior ao considerado necessário para o respectivo universo escolar. Consiste na partilha equitativa do diferencial do custo entre o ministério e a câmara.

Vejamos um exemplo. Suponhamos o caso de um município em que o número de docentes seja 400, mas onde a autarquia consiga pôr as escolas a funcionar com 399 docentes. Suponhamos ainda que o docente “a mais” custa 25 mil euros por ano ao ministério, valor estimado para um professor dos quadros em início de carreira¹. Então a câmara passaria a receber um “prémio” de 12.500 euros por ano lectivo.

Este prémio de metade do diferencial do custo aplicar-se-ia apenas quando a diferença no número de docentes for menor ou igual a 5% dos docentes considerados necessários e os resultados nos exames nacionais não tenham piorado relativamente ao ano anterior.
Pelo contrário, quando o número de docentes em serviço seja 5% maior do que o número considerado necessário, haverá uma “análise detalhada” por parte de uma comissão de acompanhamento.
Portanto o objectivo é ligar a componente de financiamento “à boa gestão dos recursos docentes”.

Trata-se de uma aritmética que “permitirá aos municípios trocar professores em troca de dinheiro”, na opinião de Manuel Pereira, presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), que acrescenta: “A Educação é um bem fundamental do país, deve continuar nas mãos do Governo. Acho perigosa qualquer experiência que atire isto para as mãos dos autarcas, alguns dos quais, como sabemos, se regem por interesses partidários mais do que pelo superior interesse do município”.
Quanto aos restantes pontos da proposta, Manuel Pereira concluiu, após uma leitura transversal, que “mais do que descentralizar, o que está em causa é retirar autonomia às escolas para as entregar aos municípios”.

Na reunião desta segunda-feira com a Federação Nacional de Educação (FNE), o processo de transferência de competências na área da educação para os municípios foi discutido.

Questionado, à saída da reunião sobre a possibilidade das autarquias serem monetariamente recompensadas caso consigam gerir as escolas com menos docentes, Nuno Crato afirmou:
“Eu sei o que vai acontecer no meu mandato e o que está em causa no meu mandato é, no próximo ano lectivo, haver uma transferência de competências para os municípios que não inclui a gestão dos salários e a contratação de professores. Não inclui. Continuará a ser feita pela administração central. E o que está em causa em linhas gerais é um maior envolvimento local na melhoria da educação, é só isto. Não vale a pena especularmos”.

Questionado sobre a possibilidade da gestão de recursos docentes alguma vez passar para as câmaras, respondeu: “Não sei o que vai acontecer no século XXII, sei o que vai acontecer para o ano”.

Crato explicou que a transferência de competências para os municípios na área da educação é ainda “um pré-projecto-piloto” em “fase de discussão” com “uma dezena de municípios”.
“Após esta discussão serão esclarecidas quais são as formas de colaboração que existirão para essa transferência de competências para municípios. Mas não está em causa salários dos professores, contratação de professores, gestão da carreira docente, nada disso está em causa. Portanto, não há que haver qualquer preocupação no que se refere aos professores, que continuam a ser funcionários da administração central”, sublinhou.

O ministro apelou ainda à calma em relação a este projecto de descentralização de competências:
“Temos de olhar para todos estes assuntos com a maior tranquilidade. Está em cima da mesa um conjunto de ideias para uma transferência de competências para os municípios, com vista a que haja um maior envolvimento das populações locais através dos seus municípios e delas próprias na melhoria da qualidade do ensino.
Estamos a conversar com os municípios e registamos o interesse da FNE em ser parceira deste acordo, ou seja, em envolver-se também nessa discussão. Mas, como dissemos à FNE, é cedo, porque estamos ainda a conversar com os municípios e conversaremos com outros parceiros a partir do momento em que estejam mais delineadas as posições que vão ser tomadas
”.


*


Diz o presidente da ANDE, e com razão, que o objectivo é retirar autonomia às escolas para as entregar aos municípios. Também é verdade que muitos autarcas se regem mais por interesses partidários do que pelo superior interesse do município, até podia ter usado o termo caciquismo local.

Começamos pela questão da autonomia das escolas. Poucos são os directores das escolas que não usaram essa autonomia para criar um grupo de compadrio que lhes permite manterem-se no poder, cumulando de privilégios esses professores. E preterindo os melhores docentes que têm hesitado em tomar a decisão de concorrer para outras escolas para não se afastarem da residência, além de recearem dar um salto no escuro por desconhecimento da qualidade da gestão e do comportamento dos alunos nessas escolas. Medo que agora já não se justifica porque podem consultar o ranking das escolas.
Nuno Crato já tentou levar os directores a valorizarem os docentes de acordo com os resultados obtidos pelos seus alunos nos exames nacionais através do Despacho normativo 13-A/2012. Continuando os directores a pôr em primeiro lugar a garantia de serem eleitos, por causa dos enormes benefícios financeiros que a condição acarreta, há que tentar a gestão dos docentes pelos municípios.

Passemos à questão do caciquismo local que é praticado por todos os partidos políticos com excepção do Bloco de Esquerda porque não tem nem sequer uma presidência de câmara.
Caciquismo que floresce mercê da cultura de subserviência existente na nossa sociedade com tão bons resultados financeiros para quem a pratica a nível local quanto piores são as execuções orçamentais das autarquias. E a maioria dos munícipes pratica-a, embora se tenham que pôr em fila de espera e muitos aí se mantenham por toda a vida, pouco ou nada lucrando, sem perceber que foram ludibriados por uma minoria de conterrâneos que se abarbataram com benesses.

O fenómeno tem a ver com o nível cultural da população. Poucas pessoas se dispuseram a estudar no ensino nocturno. Mas quando apareceu o programa Novas Oportunidades, os que tinham frequentado o 6º ano de escolaridade foram buscar o diploma do 9º ano e os que haviam frequentado o 7º ano, ou o 8º ano, acharam normal receberem um diploma do 12º sem nunca terem feito um exame nacional. Sabem ler e escrever minimamente, mas têm grandes dificuldades de interpretação e a cultura humanística e científica anda pelas ruas da amargura.
No entanto, as famílias desfrutam de um nível de bem-estar de classe média-baixa, ou até mesmo de classe média, se ambos os elementos do casal estiverem empregados. Graças a uma moeda forte — o euro — que permite importar toda a gama de electrodomésticos e automóveis e ainda smartphones, computadores e televisores de plasma.
Como é que vão entender que, num País onde as exportações variam entre o azeite, as conservas e o calçado, os filhos não poderão aceder ao nível de vida dinamarquês ou alemão? Como é que vão entender que são necessárias qualificações a sério para atrair investidores que criem emprego bem remunerado?

Naturalmente, os presidentes de câmara e os vereadores que compraram licenciaturas em universidades privadas tipo Lusófona tendem a orientar os filhos pelo caminho do facilitismo porque lhes podem garantir um emprego na autarquia ou nas empresas municipais. Se a contratação de professores passar para a administração local é mais uns milhares de empregos que esta espécie de autarcas vai entregar a filhos, sobrinhos, irmãos, mulheres, amantes e amigos. O autarca português típico é um crápula. Que ninguém tenha ilusões.

Nuno Crato ignora o nepotismo que grassa nas autarquias? Claro que não.

Já tentou seduzir os directores das escolas dando horas suplementares àquelas onde os alunos tivessem melhores resultados nos exames nacionais, mas não obteve grande sucesso.
Já tentou seleccionar os melhores professores através de uma prova de avaliação de conhecimentos e de capacidades (PACC), mas a FENPROF inviabilizou esta via. Os pais não foram capazes de apoiar o ministro porque os poucos sócios das associações de pais estão muito focados nas lucrativas actividades de enriquecimento curricular do 1º ciclo e pouco interessados na mobilização dos pais em defesa da qualidade do ensino. Nem sequer os reitores das universidades públicas, demasiado virados para dentro das suas instituições de ensino devido aos cortes de verbas, foram capazes de apoiar a PACC.

Agora Crato vai jogar no tabuleiro da democracia. Os eleitores votam num candidato local incompetente e desonesto que não sabe, ou não quer, contratar os melhores professores para as escolas do concelho? Serão os filhos quem vai sofrer as consequências. Se não adquirirem conhecimentos nem desenvolverem capacidades, não terão acesso a um emprego bem remunerado e, mesmo que emigrem para países do norte e centro da Zona Euro, vão trabalhar em limpezas ou na construção civil e ocupar o lugar mais baixo da pirâmide social.
Mais cedo ou mais tarde, concelho a concelho, pais e avós irão ser obrigados a lutar para conseguirem os melhores professores para as suas crianças e adolescentes. A maioria dos eleitores continua a votar na lista errada num dado concelho? As famílias mais esclarecidas tomam a decisão de matricular os filhos numa escola de um concelho limítrofe bem posicionada no ranking das escolas. E os professores mais competentes passam a preencher o boletim de concurso pelo mesmo critério, se quiserem ser estimados por directores, pais e alunos.

Este tipo de movimentações vai aumentar a desigualdade social entre concelhos vizinhos? Vai. Lenta, muito lenta é a mudança da mentalidade de um povo. Mas os eleitores hão-de deixar de alinhar com o compadrio, o clientelismo, o nepotismo e a corrupção ao nível local. Hão-de aprender a escolher autarcas competentes e honestos. Pode levar o tempo de duas, três ou mais gerações, mas os eleitores hão-de acabar por perceber que o caciquismo não traz prosperidade para as suas terras nem dá futuro aos seus filhos.



Referências
  1. Um professor dos quadros em início de carreira tem um salário bruto de 1418,60 euros e recebe um subsídio de alimentação no valor de 4,27 euros por dia útil de trabalho durante 11 meses:

    1418,6 x 14 meses x (1 + 0,2375 segurança social) + 85 x 11 meses =

    = 24.577 + 935

    = 25.512 euros


sexta-feira, 4 de julho de 2014

No interior do Conselho de Estado


Nunca as reuniões do Conselho de Estado¹ tiveram consequências espectaculares na vida política nacional ou influenciaram a sociedade portuguesa. Habitualmente os conselheiros trocam opiniões, bocejam e, no final, é divulgado um comunicado inócuo proposto pelo presidente da República. Desta vez foi este
:
1 – O Presidente da República reuniu hoje o Conselho de Estado, para efeitos do artigo 145.º, alínea e), segunda parte, da Constituição, tendo como ordem de trabalhos o tema: “Situação económica, social e política, face à conclusão do Programa de Ajustamento e ao Acordo de Parceria 2014-2020 entre Portugal e a União Europeia para os Fundos Estruturais”.
2 – O Conselho de Estado analisou a actual situação social e económica portuguesa, face aos resultados do Programa de Ajustamento, concluído em 17 de Maio, e debateu as condições necessárias para que o País, nesta nova fase da vida nacional, consiga superar o desafio do crescimento económico e do emprego sustentáveis, com preservação da coesão e da justiça social, com sustentabilidade das finanças públicas e equilíbrio das contas externas e com inversão da actual tendência demográfica.
3 – Foi reconhecido pelos Conselheiros de Estado que a superação do referido desafio implica:
  • por um lado, uma voz activa de Portugal na União Europeia em prol do crescimento, do emprego e da coesão, sobretudo no processo em curso de aprofundamento da união económica, orçamental e bancária;
  • por outro lado, a utilização muito criteriosa dos fundos estruturais do Acordo de Parceria 2014-2020 entre Portugal e a União Europeia, que deverão contribuir para a obtenção de resultados positivos no debelar dos constrangimentos estruturais da economia portuguesa em matéria de competitividade, internacionalização e assimetrias regionais de desenvolvimento.
4 – Face à seriedade das exigências que o País enfrenta, o Conselho de Estado exorta todas as forças políticas e sociais, no quadro da diversidade e pluralidade democrática, a que preservem entre si as pontes de diálogo construtivo e a que empenhem os seus melhores esforços na obtenção de entendimentos quanto aos objectivos nacionais permanentes, factor decisivo da confiança e da esperança dos portugueses.
3/07/2014


Um Conselho de Estado que durou 6 horas e acabou às 23h30. Da esquerda para a direita: Luís Filipe Menezes, Luís Marques Mendes, Francisco Pinto Balsemão, Vítor Bento, Marcelo Rebelo de Sousa, Jorge Sampaio, Vasco Cordeiro, Joaquim Sousa Ribeiro, Assunção Esteves, Cavaco Silva, Passos Coelho, Faria Costa, Ramalho Eanes, João Lobo Antunes, Leonor Beleza, Bagão Félix, António José Seguro e Manuel Alegre.


Muito mais interessante do que o texto do comunicado são as propostas feitas, mas não aceites, os assuntos debatidos, mas não registados, e os argumentos apresentados pelos conselheiros. Factos que a comunicação social conseguiu trazer para fora das paredes do palácio de Belém e que nos permitem avaliar a competência, a sensatez (ou a leviandade), a compaixão dos conselheiros e os interesses defendidos.

O pagamento da dívida pública foi abordado por Jorge Sampaio que disse ser preciso "quebrar o tabu" sobre a renegociação da dívida. António José Seguro falou a seguir e defendeu a ideia, obtendo o apoio de Bagão Félix e Manuel Alegre.
A grande surpresa veio de Ramalho Eanes que não só defendeu a renegociação da dívida, como propôs mesmo a constituição de uma comissão de personalidades independentes e com credibilidade para começar a preparar as condições a serem negociadas. Para atender à intervenção do antigo presidente da República, que mostrou grande preocupação com a "injustiça social" que considera existir no país, a frase “preservação da coesão e da justiça social” ficou registada no ponto 2 do comunicado.

Em sentido contrário se pronunciaram outros conselheiros. O PÚBLICO destaca a intervenção “em tom assertivo e de forma clara” de Vítor Bento, o economista que integrou uma comissão europeia de estudo das dívidas públicas, em representação de Portugal, e que explicou as razões por que considera que não se deve renegociar a dívida neste momento:
“Portugal tem prazos como nunca teve, o prazo de pagamento passou para 20 anos, o período de carência estende-se por 15 anos e os juros nunca foram tão baixos como são agora”.
Vítor Bento foi apoiado explicitamente por Leonor Beleza, Marques Mendes e Marcelo Rebelo de Sousa. Francisco Balsemão e Luís Filipe Menezes fizeram intervenções similares.
Por sua vez, o primeiro-ministro, Passos Coelho, afirmou que a mutualização da dívida vai acontecer por iniciativa da União Europeia, tendo defendido que a questão não seja objecto de uma proposta portuguesa, mas que deva ser deixada à iniciativa europeia.
Também Cavaco referiu a dívida pública na sua intervenção e lembrou aos presentes que a dívida pública ao Fundo Monetário Internacional não é negociável, devido aos estatutos desta organização.

Outros dois temas da reunião foram os fundos estruturais e a necessidade de consensos políticos.

O primeiro-ministro explicou os critérios que presidiram ao acordo com a União Europeia sobre os fundos estruturais até 2020, sendo a actuação do Governo neste domínio elogiada por todos os conselheiros. Mesmo o secretário-geral do PS reconheceu que o dossier foi bem conduzido pelo Governo de Passos Coelho, elogiou o documento elaborado pelo executivo e assumiu que, neste assunto, houve diálogo entre o Governo e o PS.

Na sua intervenção de fundo, Cavaco Silva já tinha feito questão de insistir na necessidade de consensos entre as forças político-partidárias.
No final da reunião, alertou que, se algum conselheiro não se revisse no texto, não haveria comunicado. A redacção proposta por Cavaco Silva para o ponto 4 dizia que "o Conselho de Estado apela a entendimentos interpartidários e de concertação social", mas a expressão foi imediatamente rejeitada pelo secretário-geral do PS. Face à ausência de consenso, o presidente guardou o papel no bolso.
Gerou-se então algum burburinho entre os presentes, tomando Manuel Alegre a iniciativa de propor que fossem retiradas as palavras que causavam o desacordo. A frase foi alterada para "o Conselho de Estado exorta todas as forças políticas e sociais, no quadro da diversidade e pluralidade democrática, a que preservem entre si as pontes de diálogo construtivo e a que empenhem os seus melhores esforços na obtenção de entendimentos".
Embora todos os conselheiros reconhecessem a necessidade de consensos, foi opinião generalizada que não existem actualmente condições para consensos políticos.

*

Os empréstimos do MEEF/FEEF começarão a ser pagos em 2026 e o pagamento processar-se-á ao longo dos 20 anos seguintes. Como se observava nos gráficos deste artigo e se pode confirmar no boletim mensal de Junho do IGCP que qualquer conselheiro deveria ter lido antes de entrar neste Conselho de Estado:



A maturidade dos empréstimos do MEEF será estendida por um prazo de 7 anos, em média, não se esperando que Portugal tenha de refinanciar esses empréstimos antes de 2026.
Este gráfico mostra que os empréstimos da troika têm permitido alargar os prazos de pagamento da dívida pública.


A troika emprestou quase 78 mil milhões de euros a Portugal com a TIR (juros e comissões) média de 2,8%.


Os erros da monarquia constitucional, consubstanciados na bancarrota parcial de 1892, e o caos em que se afundou a primeira República foram pagos pelos nossos pais e avós durante os 48 anos do Estado Novo.
Os políticos pós-abrilada só precisaram de 37 voltas em torno do Sol para atirarem o País para três bancarrotas — 1977, 1983-85 e 2011-14. A última foi de caixão à cova: só ao fim de 35 anos a dívida à troika estará paga.

Quanta incompetência, quanta leviandade a transparecer nas palavras de alguns conselheiros de Estado. Falam do que não sabem, mas sabem acautelar os seus interesses — é o povinho quem sai chamuscado. Primazia aos interesses pessoais ou partidários, logo se verá o resto. E votámos nós em alguns destes cavalheiros.
Esperemos que os eleitores tenham aprendido a lição, decidam controlar a politicagem e passem a desconfiar de promessas mal explicadas. E transmitam o conhecimento às gerações futuras para que estas não tenham de suportar mais bancarrotas.



Referências
  1. Pertencem ao Conselho de Estado:
    • por inerência dos cargos que desempenham, a presidente da Assembleia da República, o primeiro-ministro, o presidente do Tribunal Constitucional, o provedor de Justiça, os presidentes dos governos regionais e os antigos presidentes da República eleitos na vigência da Constituição;
    • cinco cidadãos designados pelo presidente da República: são, actualmente, João Lobo Antunes, Marcelo Rebelo de Sousa, Leonor Beleza, Vítor Bento e António Bagão Félix;
    • cinco cidadãos eleitos pelo actual parlamento: António José Seguro, Manuel Alegre, Francisco Pinto Balsemão, Luís Marques Mendes e Luís Filipe Menezes.


terça-feira, 1 de julho de 2014

O aumento de capital do BCP


Está a decorrer um aumento de capital no Millennium bcp acompanhado por uma enorme especulação fomentada tanto pela banca como pelos pequenos accionistas que jogam nas bolsas. Os aventureiros experientes estão a ganhar muito dinheiro, enquanto os inexperientes arriscam-se a perder quantias avultadas.
Como docente de Matemática sempre trabalhei em sala de aula de acordo com um código de ética e vou justificar as afirmações do parágrafo anterior usando conteúdos do 7º ano de escolaridade.

A regra do aumento de capital é a seguinte:

Cada conjunto de 4 acções dava direitos de subscrição de 7 novas acções ao preço de 0,065 euros cada uma, ficando o accionista com 11 acções depois do aumento de capital.

Para simplificar o cálculo, pensamos que

1 acção dava um direito para comprar 1,75 novas acções ao preço de 0,065 euros, ficando o accionista com 2,75 acções.

Na sessão de bolsa de hoje, 1 de Julho, as acções já iam negociar sem direitos e, portanto, era esperada uma cotação X bastante inferior aos 0,1909 euros do fecho anterior. Na verdade

0,1909*1 + 0,065*1,75 =

0,1909 + 0,11375 =

0,30465 =

X =

X*2,75

X*2,75

X*2,75

0,1108 euros

valendo o direito destacado da acção 0,1909 — 0,1108 = 0,0801 euros se os accionistas preferirem vender os direitos em bolsa, em vez de usá-los para subscrever novas acções.
A cotação de abertura hoje foi 0,1151 euros. Até aqui tudo bem.




Ao longo da sessão a cotação foi subindo e muita gente aventurou-se no intraday animando essa subida. Repentinamente, nos minutos finais, foi transaccionado 1 milhar de milhão de acções¹, mais que todas as acções transaccionadas durante a sessão, ao preço de 0,1406 euros, levando a cotação a subir a pique. Só fundos de investimento têm capacidade de investir um montante superior a 140 milhões de euros. Isto significa que a cotação Y de fecho de ontem — acção com direito — deveria ter sido

Y + 0,065*1,75 =

Y + 0,11375 =

Y =

0,1406*2,75

0,38665

0,2729 euros

Uma subida vertiginosa de 43% da mesma acção é, obviamente, pura especulação.
Poderá manter-se durante uns dias e alastrar para os direitos que serão negociados em bolsa entre 4 e 14 de Julho, ou poderá esfumar-se já no decorrer desta semana. Mas, inexoravelmente, a cotação das acções vai cair com fragor num futuro próximo. E a dos direitos vai acompanhar porque

Y + 0,065*1,75 =

Y — X =

direito =

X*2,75

X*1,75 — 0,065*1,75

(X — 0,065)*1,75



Referências
  1. Em comunicado divulgado no dia 7 de Julho pela CMVM, o BCP informa que, na sequência de transacções efectuadas nos dois primeiros dias deste mês, a BlackRock passou a deter 1.005.912.628 acções do banco.
    A BlackRock é a maior gestora de activos do mundo.


A teia Espírito Santo


A atrofia económica do País deve-se ao emaranhado de interesses em que estão enredados banqueiros, empresários, políticos e comunicação social. Há uma teia, porém, que envolve todas as outras. Este artigo de opinião do Público permite-nos seguir alguns dos seus fios:


"Marcelo, Miguel, o BES e nós

JOÃO MIGUEL TAVARES 01/07/2014 - 01:24

É destes pequenos segredos que vive o regime que nos trouxe até aqui.


Pergunta do milhão de euros: como é possível que um caso com a dimensão do BES só se conheça agora? Como é possível que nós, gente dos jornais e da comunicação social, tenhamos tido ao longo dos anos notícia de tantas pontas soltas — basta ver o número de casos em que o banco esteve envolvido —, mas ninguém tenha sido capaz de unir as várias pontas e perceber aquilo que realmente se estava a passar?

A resposta é óbvia: porque a família Espírito Santo é demasiado grande e o país demasiado pequeno. Enquanto a família esteve unida, formou um bloco inexpugnável, pela simples razão de que o seu longo braço chegava a todo o lado, incluindo partidos (alguém já ouviu António José Seguro, sempre tão lesto a dar palpites sobre tudo, comentar o caso BES?), comunicação social (quem não se recorda do corte de relações com o grupo Impresa em 2005, na sequência de notícias sobre o envolvimento do BES no caso Mensalão?) e até aos próprios comentadores, por via das relações pessoais que Ricardo Salgado mantém com gente tão influente quanto Marcelo Rebelo de Sousa ou Miguel Sousa Tavares.

Ora, ninguém à face da terra possui uma independência inexpugnável. Isso não significa que todos tenhamos um preço — significa apenas que somos condicionados por relações de amizade ou de sangue e que nesse campo uma família de 300 membros, que há décadas se move na alta sociedade portuguesa como peixe na água, acaba por chegar a quase toda a gente que interessa. O próprio Sousa Tavares referiu essas ligações há um ano, numa entrevista à Sábado: “O Ricardo Salgado é sogro da minha filha e avô de netos meus. Além disso, somos amigos há muitos anos, porque eu fui casado com uma prima direita dele. Nunca o critiquei e nunca o elogiei, porque acho que não se fala da família em público.” Pode apontar-se a Miguel Sousa Tavares muita coisa — eu já o fiz —, mas não falta de independência ou coragem. Simplesmente, quando o caso BES atinge esta dimensão, o silêncio de alguém com a sua importância torna-se efectivamente um favor a Salgado. Não há como fugir a isso.

Mas se Sousa Tavares não fala sobre o tema e já justificou porquê, o mais influente comentador português — Marcelo Rebelo de Sousa — necessita urgentemente de aproveitar algum do seu tempo dominical para fazer a sua declaração de interesses em relação aos Espírito Santo. E essa declaração é tanto mais premente quanto nas últimas semanas tem vindo a defender a solução Morais Pires, considerando até que a impressionante queda das acções do BES na passada semana era coisa “inevitável”, visto estarmos perante “um novo ciclo”. Que essa queda tenha acontecido exactamente por não estarmos perante um novo ciclo parece não ter passado pela sua cabeça, habitualmente tão veloz e atenta.

Não admira, pois, que Nicolau Santos tenha chamado a atenção no Expresso para o facto de Marcelo e Ricardo Salgado já terem passado juntos “várias vezes férias no Mediterrâneo”. E já agora — acrescento eu — que Rita Amaral Cabral, há longuíssimos anos companheira de Marcelo, como é público, seja actualmente administradora não executiva do BES, e, entre 2008 e 2012, um dos três membros da comissão de vencimentos do banco. Marcelo, como todos sabemos, nunca teve quaisquer problemas em criticar aqueles que lhe são próximos. Mas há factos que devem ser verbalizados — porque é precisamente destes pequenos segredos que vive o regime que nos trouxe até aqui."