terça-feira, 22 de maio de 2012

O desacordo ortográfico


O Presidente da República assinou o decreto que pôs em vigor o acordo ortográfico, mas confessa ter dificuldade em entender as regras do dito acordo.


22.05.2012 22:37


"Angola e Moçambique não assinaram o acordo ortográfico. E Angola discorda violentamente do acordo porque considera que um dos factores determinantes, depois da guerra civil, para unir uma nação que estava dividida, que tem vários povos e etnias, foi a língua portuguesa tal como ensinada nas escolas", lembra Miguel Sousa Tavares.
Os brasileiros não conhecem, nem querem conhecer as regras do acordo ortográfico.

Afinal quem é que percebe e defende este acordo?

"A verdade histórica é que alguns senhores em Portugal resolveram propor aos brasileiros que nós começássemos a escrever parte da nossa ortografia como eles. Portanto isto foi um acto colonial ao contrário, nasceu daqui, nasceu do país que é a pátria desta língua. Sem que ninguém perceba, foi feito de emboscada", acrescenta Miguel Sousa Tavares.


*

Lamentavelmente não repararam na semelhança ortográfica que ainda existe entre muitas palavras das línguas portuguesa, espanhola, francesa e inglesa, nas três primeiras porque derivam do latim, na última porque se enriqueceu com imensos vocábulos latinos:

Línguas
__________________
língua portuguesa
língua espanhola
língua francesa
língua inglesa
__________________


________
acção
acción
action
action
________


____________
perspectiva
perspectiva
perspective
perspective
____________


__________
adopção
adopción
adoption
adoption
__________


__________
afecto
afecto
affection
affection
__________


__________
reactivar
reactivar
réactiver
reactivate
__________


_______
actual
actual
actuel
actuel
_______


Aqueles senhores estão a complicar desnecessariamente a vida dos alunos portugueses, o que já levou a associação de estudantes do IST a rejeitar oficialmente o acordo.

Aliás na educação os prejuízos, em tempo e dinheiro, são enormes. Todos os documentos são feitos no Word e os correctores automáticos sublinham dezenas de vocábulos a ondulado vermelho, obrigando os docentes a longas horas de revisão dos textos.

Nas bibliotecas dos agrupamentos de escolas do ensino básico e secundário, os dicionários — português, português-inglês, inglês-português, português-francês, ... —, são centenas por cada agrupamento, foram deitados fora e comprados novos dicionários. Agora falta deitar para o lixo as dezenas de milhar de outros livros...
Mas Portugal é um país rico, não é verdade?

É lamentável que os portugueses não defendam a nossa língua materna, bem como a cultura portuguesa. Ao contrário dos ingleses que não se abaixam perante a dimensão dos Estados Unidos da América e não deixam que a sua língua se degrade.
Qualquer falante em Inglês conseguirá entender o conteúdo de um livro inglês escrito no séc. XVIII, mas será difícil para um português ler as obras dos insignes escritores portugueses do séc. XIX. Fica convidado, caro leitor, a fazer a experiência aqui.


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