sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Meneses, o dinossauro autárquico - I


A campanha eleitoral para as eleições autárquicas de 29 de Setembro ainda nem começou, mas Luís Filipe Menezes está tão seguro que vai conquistar a Câmara do Porto que já está a resolver problemas, pagando rendas e outras despesas aos munícipes portuenses.

Num dos casos, Menezes pagou a renda de casa da inquilina e liquidou a factura da luz que se encontrava em atraso. Noutro, deu dinheiro a uma idosa que se deslocou a Gaia para esta almoçar e regressar ao Porto.

A notícia espalhou-se rapidamente pelos bairros mais pobres do Porto e várias pessoas com dificuldades económicas têm-se dirigido à câmara de Gaia, presidida por Menezes, para marcar audiências com o candidato à câmara do Porto, numa tentativa de resolverem os seus problemas.

Na segunda-feira, depois do encontro com Menezes, houve quem se dirigisse ao gabinete municipal do inquilino da empresa Domus Social, no Carvalhido, para confirmar se o aluguer relativo ao mês de Agosto estava liquidado.

Ontem, duas mulheres e os respectivos filhos, que habitam a mesma casa, compareceram para a reunião que fora agendada há quinze dias com o candidato. Levavam consigo uma ordem de despejo do tribunal por rendas em atraso. O autarca não compareceu, mas foram recebidas pela sua secretária que tomou nota do caso e garantiu que, se Menezes ganhar as eleições, podem contar com uma casa da câmara.
"Ela disse-me que agora não podia fazer nada, mas garantiu-nos que, se ele ganhar, teremos uma casa", afirmou ao PÚBLICO uma das mulheres que estiveram na reunião. "Conheço pessoas a quem ele pagou a renda, a luz, e foi por isso que lá fomos e não percebemos por que é que a nós, que estamos desempregadas, adiou para Setembro".

Uma moradora, M.P., a quem Menezes pagou o aluguer da casa onde habita há mais de uma dezena de anos, elogia o candidato e aplaude as festas que tem dado aos moradores dos bairros: "Ele matou a fome a muita gente com as festas que tem feito. Ao todo, acho que já mataram 20 porcos..."

"Não são tantos. Ao todo, foram 5, um por cada festa. E as festas foram nos bairros de Aldoar, Falcão, Ramalde, Lordelo e Viso", corrigiu Ricardo Almeida, o presidente da Concelhia do PSD do Porto que nomeou Luís Filipe Menezes como candidato do partido à câmara municipal do Porto.
E Menezes foi logo para o terreno, em pré-campanha, fazer promessas. Aos moradores dos bairros sociais, prometeu baixar em 30% o valor das rendas quando ocupar a cadeira de presidente da Câmara do Porto.

Trata-se de uma variante da distribuição de cheques nos adros das igrejas feita por Fernando Ruas, presidente do município de Viseu.

No final do ano passado, Menezes foi pedir ao Governo um empréstimo de 27,8 milhões de euros para que o município de Vila Nova de Gaia pudesse pagar as dívidas aos fornecedores vencidas há mais de 90 dias. Agora, vai deixar ao seu sucessor o encargo de pagar o empréstimo.





Arquivamos alguns comentários à notícia do Público:

cisteina
Porto 10:28
Uma vergonha, um nojo para a cidade do Porto, a demagogia e o populismo deste indivíduo e da cáfila que o rodeia. Quem ler o manifesto que andou a distribuir nos bairros, no tropel de promessas ali mencionadas, logo constata que é um mentiroso. E a campanha nos bairros é uma festa, foram vários os arraiais, porcos assados distribuídos e copos com o Quim Barreiros à mistura, é só folclore.
Ele pensa que o Porto se vai deixar enganar e se vai deixar arruinar financeiramente para lhe aturar a maluqueira. Menezes, o despesista é, numa palavra, um Nero incendiário, servido por meia dúzia de mafiosos que tomaram conta do PSD e não olham a meios para atingirem fins. Terríveis e perigosos para a democracia, são maquiavélicos e maçónicos, no pior sentido destas palavras.
  • Pericles 12:11
    Estás enganada, vai mesmo dar resultado, onde há muita pobreza e miséria estes demagogos de direita crescem que nem pepinos.

antónio 14:27
Vale tudo para esta gente. Dinossauros que apenas pretendem, com os mesmos métodos de há 36 anos, perpetuar-se no poder. Não obstante a lei, aprovada para limitar mandatos, ou não teria sido redigida, querem saltar de "poleiro em poleiro", de margem para margem, e tornar a função de presidente de câmara numa profissão.
Este candidato paga rendas e despesas, o outro entrega cheques nas missas. Nem D. Corleone faria melhor. Imaginação é coisa que não falta a esta corja. Sinto-me nauseado...

Rosário Neves 15:54
Isto é fantástico! Não há mesmo vergonha! Moro em Gaia e, embora não seja simpatizante nem apoiante do PSD, sempre votei neste homem, por ser uma pessoa que fez e faz obra. Mas agora, sabendo destas notícias, só penso como fui enganada e de certeza que não voltaria a votar nesta pessoa. Brincar à caridadezinha faz-me lembrar outros tempos... e até me arrepio.

Perverso 16:21
Se isto não é andar a comprar votos... Caros portuenses, não me façam ter de viver numa cidade onde um tipo que andou metido em viagens fantasma, a endividar o país e o seu município e agora a comprar votos, seja o presidente. Não, desta bela cidade do Porto!


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