domingo, 20 de setembro de 2015

Se o Reino Unido saísse da União Europeia seria uma calamidade para todos


Foi o último Governador de Hong-Kong e comissário europeu responsável pela política externa. Presidiu à BBC e é o reitor da Universidade de Oxford. Conservador, europeísta convicto, Chris Patten preside aos Arrábida Meetings, um encontro anual lançado pela Fundação Oriente, em 1994, para debater a situação do mundo.


Miguel Manso


Em mais uma entrevista ao Público diz que não está pessimista sobre o futuro da Europa, mas se o Reino Unido saísse da União Europeia, seria uma calamidade.

PÚBLICO: Estive a reler a entrevista que me deu há quatro anos, a propósito de uma conferência em Lisboa cujo título era “A Europa ainda conta?” Hoje, um dos pontos do debate aqui [nos Arrábida Meetings] foi sobre o declínio da Europa. Nestes quatro anos, dá ideia de que tudo o que podia correr mal, correu. Está pessimista?
Chris Patten: Não sou pessimista. É verdade que a Europa enfrentou desafios muito difíceis nos últimos quatro anos. Em primeiro lugar, houve a crise da zona euro que foi sendo resolvida até um certo ponto e que agora se centrou na relação com a Grécia. Em segundo lugar, enfrentamos problemas na nossa fronteira leste com o revanchismo da Rússia. Em terceiro lugar, estamos a enfrentar um novo problema com as migrações a partir da Ásia e de África, que se traduz numa vaga de refugiados, mas também de imigrantes económicos, e que representa uma crise verdadeiramente existencial para a Europa, na medida em que questiona os nossos valores. Mas, reconhecendo tudo isto, a Europa ainda pode reclamar a melhor qualidade de vida do mundo, prossegue uma política ambiental que é a mais avançada, o Mercado Único continua a funcionar bastante bem. Por isso, digo que a Europa ainda está a sair-se muito bem. A questão é que enfrentamos hoje um mundo muito mais incerto do que nos anteriores cinquenta anos, depois da II Guerra Mundial, e temos de assumir a nossa responsabilidade na tentativa de criar uma ordem mundial mais estável.

O problema europeu é que a Europa tem de contar com novas potências, a Rússia é uma ameaça complicada, o Estado Islâmico não se vê como pode ser combatido, a guerra na Síria provoca esta vaga gigantesca de refugiados. O que considerávamos certo hoje deixa de o seu amanhã.
Deixe-me colocar as coisas de outra maneira. Houve dois períodos no último par de séculos que registaram uma extraordinária estabilidade na ordem internacional: o período seguinte ao Congresso de Viena e o período que se seguiu à II Guerra. Tivemos, depois da guerra, uma ordem assente em regras no domínio económico e político. Agora, há fracturas e ninguém sabe como substituir a velha ordem. Alguém recordou aqui o velho adágio espanhol: o caminho faz-se caminhando. Temos de descobrir nós próprios um novo caminho, construído na esperança de que os nossos velhos valores consigam reestabelecer a estabilidade entre países e entre continentes. As coisas ficaram mais complicadas com a emergência de novas potências e porque os problemas maiores não vêm dos Estados mais fortes mas dos Estados falhados. Ainda não encontrámos uma forma satisfatória de incentivar a cooperação internacional para resolver os problemas desses Estados.

Vamos desistir de encontrar? Não. Mas não é fácil. Fico muito satisfeito por termos em Angela Merkel uma líder europeia muito forte. Creio que é muito injustamente criticada, sendo ela na realidade uma europeísta generosa. O que está a fazer face às vagas migratórias revela uma compreensão profunda do que são os valores europeus fundamentais. Por isso, não estou pessimista quando à possibilidade de avançarmos no bom sentido. Preocupa-me o facto de não termos ainda uma ideia sobre o que é preciso fazer para construir essa nova ordem que sucederá à que tivemos depois da II Guerra.

O seu país arrisca-se a sair da União Europeia, o que seria uma situação bastante grave para a Europa...
E seria uma calamidade para nós. Seria a primeira vez na História moderna que o Reino Unido escolheria fazer parte da segunda divisão. Não creio que isso vá acontecer. Penso que precisamos de uma reavaliação da liderança americana. A América é a única superpotência e o único país que conta em qualquer parte do mundo e precisa de cooperar com uma Europa forte e confiante.

Com o Reino Unido...
Com o Reino Unido. Espero que votemos com sensatez no referendo e que Cameron, que conta com uma economia mais forte do que as economias continentais, seja capaz de de fazer com que o Reino Unido seja uma parte inteira da União Europeia. Ajudando a negociar um acordo de comércio com os EUA (TTIP), capaz de garantir a realização completa do Mercado Único, contribuindo, graças à nossa capacidade militar, para uma estratégia mais positiva em relação à Rússia.

A Rússia vai ser ainda mais perigosa nos próximos anos. Não se esqueça de que a última vez que o preço do petróleo caiu cerca de 50 por cento, a União Soviética desapareceu. A actual queda abrupta do preço do petróleo aumentou imenso a pressão sobre a Rússia, cuja economia vai contrair este ano 3,5 por cento ou mais, o que terá efeito sobre o bem-estar das pessoas e um efeito ainda maior nos magnatas que rodeiam Putin. O perigo é que, nessas circunstâncias, ele acabe por cometer um erro de cálculo, deixando-se arrastar para uma aventura política nacionalista.

Para além do risco de um cálculo errado da Rússia, mantêm-se problemas reais no Paquistão, que estivemos a discutir aqui. E a China vai atravessar um período difícil, com o seu crescimento económico a cair. Se acrescentarmos outros problemas imediatos, como a falta de um governo na Líbia, facilitando migrações através do seu território, os refugiados no Afeganistão e os que emigram da Eritreia ou da Somália, percebemos que as soluções não são fáceis.

Por isso, estava a questioná-lo sobre o papel do seu país. Cameron manteve um discurso muito duro contra mais imigração. Esta rejeição é bastante contrária ao espírito de abertura que é tradicional no seu país.
Em primeiro lugar, não estamos a fechar a porta, muito longe disso. Graças ao sucesso da economia estamos a criar mais empregos do que qualquer outra economia europeia, mas temos um problema com o Estado de bem-estar. Muitos dos empregos criados são de baixos salários e nós temos um welfare que dá às pessoas com salários baixos uma série de benefícios. E isso torna-se muito atractivo para búlgaros ou romenos, criando um problema real. Mas isso nunca nos impediu de receber centenas de milhares de europeus que ajudaram a fortalecer a nossa economia. Os polacos são um exemplo disso.

Creio que os imigrantes económicos de Calais e os refugiados da Síria são casos diferentes. No caso da Síria, como sabe, o Governo britânico é, de muito longe, o maior contribuinte para a assistência aos campos de refugiados. Creio que contribuímos com mais do que a Alemanha, França, Itália e Espanha juntas. Em segundo lugar, creio que Cameron pensa que, se formos buscar as pessoas aos campos [fora da Europa], isso leva-as a perceber que essa é a sua melhor oportunidade de chegarem de forma segura. É uma questão de avaliação e, mesmo assim, vamos receber 20 mil e gastar muito dinheiro. E devemos fazê-lo, porque se trata de uma crise mundial, não é apenas uma crise europeia.

Mas há um fenómeno que estamos a enfrentar, que é semelhante a Donald Trump nos Estados Unidos ou o Syriza na Grécia...

Jeremy Corbyn.
Exactamente. É aquilo a que eu chamo de fenómeno “parem o mundo, quero sair”. É um voto louco ou romântico no passado, e está a afectar muitas democracias. Poderia imaginar Trump como Presidente dos Estados Unidos? Ou Corbyn como primeiro-ministro?

Parece impossível, de facto. Mas se ganhar, será o próximo líder do Labour [a entrevista foi feita no dia das eleições].
Vai ganhar e isso não é uma boa notícia para o Governo. Há colegas meus no Partido Conservador que estão felizes porque terão uma oposição fraca. Não creio que seja assim. Um conservador à velha maneira, como eu, entende que os governos precisam de uma oposição forte e responsável. Sem isso, tende-se a cometer erros desnecessários, fica-se arrogante, pensa-se que se pode fazer tudo. Com Corbyn, o problema é que ele pensa que tudo o que acontece de mal no mundo é por culpa dos americanos, é contra o poder nuclear britânico e uma defesa forte, pensa que o dinheiro nasce nas árvores e que não são precisas finanças equilibradas.

E não vai ajudar Cameron a ganhar o referendo porque a sua posição sobre a União Europeia é bastante ambígua.
Ninguém sabe exactamente o que pensa. O principal argumento para que o Reino Unido fique na União Europeia é muito simples: como qualquer outro país da União, nós não somos tão importantes como fomos há 20 anos, há 50, há 100. Quando decidimos candidatar-nos à Comunidade Europeia eramos membros da EFTA, pensávamos que conseguiríamos encontrar uma alternativa ao Mercado Comum que respeitava os nossos interesses económicos, que não fazia exigências politicas. Nesses dias, o Reino Unido representava 8 por cento do comércio mundial. E, mesmo assim, considerámos que a EFTA não era suficiente. Hoje representamos 3,4 por cento do comércio mundial e pensamos que podemos desenvencilhar-nos sozinhos. É uma loucura.

Os americanos dizem que é uma loucura, os chineses, os indianos, os japoneses. Alguns dos meus colegas da ala direita do Partido Conservador respondem-me: os americanos não sabem quais são os nossos interesses. Não gosto do facto de nos termos colocado nesta posição, mas vamos ter de lidar com ela.

O problema é que a paisagem política europeia, incluindo no seu país, está a mudar, abrindo espaço aos movimentos nacionalistas, xenófobos, radicais. E isso não ajuda muito.
As pessoas esqueceram-se de que somos, todos, uma comunidade de minorias. Porque é que sou um cidadão britânico? Porque os meus tetravós emigraram da Irlanda durante a Grande Fome e fixaram-se na Inglaterra. Nesses tempos, também eram olhados como gente perigosa e, ainda por cima, católica. Ao longo dos séculos, demos abrigo a huguenotes, judeus, fugidos da Europa de Leste, irlandeses, mais recentemente das Caraíbas, do continente asiático. Não temos uma identidade única. Somos uma mistura. E o que conseguimos fazer de uma forma notável foi integrar toda essa gente. Uma das minhas filhas é casada com um rapaz muito simpático das Caraíbas. Três dos meus cinco netos têm esta dupla origem.

Voltando ao início, pensa que o declínio europeu não será tão rápido nem tão inevitável?

Se outros grandes países aumentarem o seu rendimento per capita, seremos mais pobres em termos agregados. Mas, em termos de riqueza per capita, não é a mesma coisa. A China tem hoje o mesmo rendimento per capita que a Jamaica. A China vai ser tão rica como a Europa? Vai levar muito tempo.

Um dos temas que debateram foi a relação entre China, Japão e Índia. O que devemos esperar de Xi Jinping? E daquela demonstração recente de poderio militar?
Há duas grandes mudanças. A primeira é que o crescimento espectacular dos últimos vinte anos não vai continuar. Se acreditarmos em Larry Summers, será de 4 ou 5 por cento este ano. O FMI prevê à volta dos seis por cento. Só esse facto tem consequências para nós todos e não só para a China.

Em segundo lugar, eles tiveram uma forma de liderança colectiva, mas agora, pela primeira vez desde Mao, escolheram um imperador. Deng Xiao Ping quis evitar o risco de um novo grande líder. Xi é diferente, mas também tem um papel muito difícil a desempenhar. A não ser que o Partido Comunista alivie o seu controlo sobre a economia, vai ser muito difícil controlar o Estado. Temos, todos, interesse em que a China consiga este novo equilíbrio. Mil e trezentos milhões de pessoas é muito. Vimos como a queda das acções da bolsa de Xangai teve repercussão em toda a parte. Precisamos que a China se dê bem.

Mas o que estamos também a ver é uma política externa muito mais assertiva ou agressiva...
Assertiva!

Assertiva. Relativamente aos seus vizinhos e com o Japão.
Mas isso tem sido, em alguma medida, contraproducente. Quanto mais assertiva a China é com os seus vizinhos, mais os seus vizinhos dirão: “Queremos que os americanos fiquem por cá.” É fascinante ver até que ponto os vietnamitas querem melhorar a sua relação com os Estados Unidos. O que desejo é que a China não caia na tentação de usar o nacionalismo como substituto para a crescente melhoria da vida das pessoas.


sábado, 22 de agosto de 2015

A invasão da União Europeia acelera


O número de imigrantes a entrar de modo ilegal na União Europeia, em Julho, foi três vezes maior que no mesmo período do ano passado. E pela primeira vez ultrapassou os 100 mil imigrantes num único mês.

A Frontex, a agência de controlo de fronteiras da União Europeia, registou 107.500 chegadas irregulares em Julho, que ultrapassaram o recorde anterior de mais de 70 mil, em Junho.
A maioria destes imigrantes, quase metade, chegou às ilhas gregas do mar Egeu, perto da costa turca, em fuga da guerra na Síria.




Até Julho já chegaram à União Europeia cerca de 340 mil imigrantes, muito mais do que os 280 mil chegados ao longo de todo o ano 2014.
Agora a fronteira com mais passagens é a grega, levando a Grécia a receber, este ano, mais imigrantes do que a Itália, que tem melhores condições de acolhimento, e obrigando Atenas a pedir ajuda urgente à União Europeia.

Embora a Grécia e a Itália sejam os principais pontos de entrada dos imigrantes que chegam por mar, estes países não são o destino final desejado. Na verdade, o País mais pretendido por estes imigrantes é a Alemanha que, no ano passado, recebeu 203 mil pedidos de asilo e este ano terá de lidar com 800 mil, segundo o ministro do Interior alemão, Thomas de Maizière.




A União Europeia desde 2013


Imigrantes num comboio na Macedónia, em direcção à fronteira da Sérvia com a Hungria. O governo húngaro está a construir um muro de 4 m de altura e 175 km de extensão para tentar deter os imigrantes.
AFP/Dimitar Dilkoff


Desde 19 de Junho, cerca de 42 mil pessoas entraram na Macedónia, a maioria homens, mas 5752 são mulheres e 7000 crianças, das quais 600 não vêm acompanhadas pelos pais.
REUTERS/Alkis Konstantinidis


Refugiados sírios atrás de arame farpado enquanto esperam para atravessar a fronteira da Grécia com a Macedónia
REUTERS/Yannis Behrakis


Migrantes tentam atravessar a fronteira da Grécia com a Macedónia
REUTERS/Alexandros Avramidis


Um migrante reza num acampamento junto da linha férrea
REUTERS/Alkis Konstantinidis


REUTERS/Yannis Behrakis


Criança entre imigrantes na ilha de Kos, Grécia
AFP/Bulent Kilic


Um imigrante recolhido por uma lancha europeia agradece a sua salvação a Alá
REUTERS/Darrin Zammit Lupi


Imigrantes no mar Egeu, Grécia
REUTERS/Alkis Konstantinidis

Migrantes romperam as barreiras policiais na fronteira da Macedónia, obrigando a polícia a usar gás lacrimogéneo e granadas de atordoamento para fazer recuar a multidão.

O aumento de migrantes na cidade fronteiriça de Gevgelija, na Macedónia, testou a paciência do governo conservador macedónio que enfrenta uma eleição em Abril e há anos vê frustrados os seus esforços para aderir à União Europeia e à NATO por causa de uma disputa com a Grécia sobre o nome "Macedónia", porque também é assim chamada a região Norte grega.

O governo criticou a Grécia, enquanto membro da UE, por deixar passar os migrantes através do território e, em alguns casos, até auxiliar essa passagem, fretando navios para trazê-los das ilhas gregas para o continente.

Cerca de 600 migrantes foram autorizados a apertarem-se num comboio que partiu ao amanhecer de Gevgelija para o norte do país, a caminho da fronteira com a Sérvia. Mas muitos mais continuaram a chegar do lado grego, convergindo para uma tira caótica da fronteira onde há elementos da Cruz Vermelha mas poucos sinais de uma ajuda organizada.


August 22, 2015, 6:14am EDT

Ontem, a polícia da Macedónia usou gás lacrimogéneo e granadas de atordoamento para fazer recuar multidões furiosas, no mais recente surto de uma crise migratória que está a trazer os conflitos do Médio Oriente para as costas da Europa.

Alguns haviam passado a noite ao ar livre, do lado grego da fronteira, com pouca ou nenhuma comida e água, depois de, na quinta-feira, a Macedónia ter declarado o estado de emergência e selado as fronteiras para os imigrantes, muitos deles refugiados da guerra na Síria e outros conflitos no Médio Oriente.

Apareceram alguns comerciantes gregos a vender sanduíches e bebidas em roullotes para os que podiam pagar. Um homem com um gerador cobrava 1,5 euros para carregar telefones móveis.


August 22, 2015, 9:18am EDT

Cansada, irritada e molhada pela chuva, uma parte da multidão forçou as barreiras da polícia macedónica, enquanto outros corriam vários quilómetros através do campo aberto. Houve pessoas que caíram e ficaram feridas. Algumas crianças pequenas foram separadas dos pais.

"Nesta Europa, os animais estão a dormir em camas e nós dormimos à chuva", protestou Fatima Hamido, uma mulher síria de 23 anos, ao entrar na Macedónia. "Eu estive a enregelar durante quatro dias à chuva, sem nada para comer."

Saeed, com 32 anos, também da Síria, foi mais longe: "Sabemos que isto não foi a Macedónia, nem a polícia macedónica. Foi a União Europeia. Por favor, diga a Bruxelas que estamos a chegar, não importa como."


August 22, 2015, 2:51pm EDT


Ao cair da noite deste sábado, vários milhares de migrantes tinham cruzado a fronteira, aglomerando-se em Gevgelija para onde estão a convergir autocarros provenientes de toda a Macedónia e donde partem comboios em sucessão rápida para a fronteira com a Sérvia.


*


Podemos distinguir no intenso fluxo migratório para a União Europeia duas grandes componentes, uma formada por refugiados sírios e outra por populações oriundas da África subsaariana.

A guerra na Síria teve início em 16 de Março de 2011 com o intuito de derrubar o regime não democrático do presidente Bashar al-Assad porque era aliado de Moscovo.
Atiçada por países islâmicos da região — Turquia, Arábia Saudita e Qatar —, dois dos quais também são ditaduras, com o beneplácito do Reino Unido, da França e dos Estados Unidos, a guerra destruiu cidades, causou milhares de mortos e criou milhões de refugiados.

Para identificarmos todos os responsáveis, vale a pena recordar estas palavras ditas, em recente entrevista, por Bashar al-Assad, um oftalmologista educado em Inglaterra nos valores da cultura ocidental que estava a desenvolver a economia do País desde que assumiu a presidência da Síria no ano 2000:

"A Síria não está acabada, nem é um Estado falhado. Mas se quiser falar de algo diferente, como referiu na sua questão, que foi a invasão ilegal do nosso espaço aéreo, por aviões da aliança internacional, e por terroristas apoiados por países da região... Isto é uma falha do sistema internacional. Este sistema internacional que tem sido representado pelas Nações Unidas e pelo Conselho de Segurança que devia resolver os problemas e proteger a soberania de vários países e evitar a guerra, falhou nesse propósito. O que temos agora é umas Nações Unidas falhadas pois não conseguiram proteger os cidadãos internacionais de países como a Síria, Líbia, Iémen e outros países.
(...)
A solução é política, mas sentarmo-nos com alguém ou com uma parte que não tenha influência no terreno, isso será falar apenas por falar. É verdade. Não escolhemos a outra parte em Genebra. Foi escolhida pelo Ocidente, pela Turquia, pela Arábia Saudita e pelo Qatar. Não dialogámos com a oposição síria. Tem razão. Se queremos dialogar, tem de ser com a oposição síria, com parceiros sírios, com pessoas que representam os sírios na Síria e não pessoas que representam outros países."

Agora a Turquia, um candidato à União Europeia que viu barrado o acesso aos fundos comunitários pelo correcto argumento alemão do incumprimento dos direitos humanos naquele país, está a empurrar os refugiados sírios para a Alemanha, ajudando, de caminho, a desestabilizar um país seu arqui-inimigo — a Grécia — e a pôr em polvorosa um outro em conflito com os gregos e situado na região instável dos Balcãs — a Macedónia.

Já a componente migratória da África setentrional e subsaariana contém em si a ameaça de ser proveniente de países dominados pelo Islão onde estão infiltrados elementos altamente perigosos do mais violento movimento terrorista actual — o Estado Islâmico.




Mundo islâmico, por percentagem da população (Pew Research Center, 2014). Nos países coloridos a cinzento a percentagem de muçulmanos é quase nula.


A invasão dos bárbaros provocou a queda do Império Romano do Ocidente, em 476, e a invasão otomana destruiu, em 1453, a sua extensão oriental, o Império Bizantino. A História mostra-nos que acontecimentos semelhantes podem repetir-se em épocas sucessivas.

Sem dúvida que este fluxo migratório com crescimento exponencial é o mais grave problema que a União Europeia está a enfrentar e o único capaz de fazer implodir a construção europeia. Veja-se a proposta de realização de um referendo no Reino Unido sobre a permanência na União motivada, sobretudo, pela relutância dos britânicos em receber mais imigrantes ilegais. Aliás, uma das razões porque a imigração descontrolada é tão protegida pelos partidos da extrema-esquerda é que vêem nela o mais poderoso aliado para a conquista do poder.

A notícia do Público deu origem a um fórum, tanto na página do Facebook como no jornal on-line, de que destacamos:

João Pinho
Árabia Saudita, Emirados e Qatar partilham a mesma cultura e religião, por qual razão não pedem eles asilo a esses países? Com a riqueza do petróleo já dava para cobrir as necessidades dos refugiados, não entendo o porquê de ser a Europa envelhecida e a atravessar uma grave crise económica a resolver os problemas de todos os refugiados. Devia de haver maior solidariedade dos países árabes ricos, não pode ser só a Europa.
19 de Agosto às 14:17
  • Marco Praça
    Esses países só os querem para trabalhar de sol a sol. A Europa, mesmo envelhecida e decadente, continua a ser vista como um espaço privilegiado.
    19 de Agosto às 14:23
  • Claudio Gomes
    É verdade, sim, mas na Europa quem pensa assim é considerado um fascista. Vivemos numa ditadura onde as elites apátridas e traidoras não pedem licença aos seus contribuintes e permitem a invasão.
    A Arábia Saudita não quer os seus irmãos refugiados, nem lhes dá um tostão, mas farta-se de financiar mesquitas na Europa. Isto é o projecto da tão ansiada Eurábia que as elites do golfo pretendem na Europa, sabendo que neste espaço já não existem Napoleões, nem Churchills ou De Gaules, têm caminho aberto.
    Uma das consequências da política de portas abertas é a Suécia, que já é o segundo pais do mundo com mais violações, só ultrapassada pelo Lesotho. Será um país do 3º mundo por volta de 2030 caso a invasão, perdão, "politicas de acolhimento", continue. Triste Europa a deixar-se morrer assim.
    19 de Agosto às 16:47
  • Filipe Nuno Inácio
    Pois eu, que sou emigrante e vivo a 6000 km do meu país, não me considero na obrigação de abrigar essa gente, especialmente porque nem sequer me pedem para entrar, pelo contrário, exigem-no!
    Eu emigrei respeitando as leis do país de acolhimento, pedi visto e passei por um caro e moroso processo, porque é que esta cambada de "humanitários" da treta pensa que temos a obrigação de acolher estes penetras?
    E se alguém me vem com a velha treta da "Europa colonizadora e exploradora dos coitadinhos dos africanos e afins" aviso já que a minha resposta vai ser: "Vai-te fod*r meu apátrida de m*rda, traidor ranhoso que envergonhas a minha bandeira, relegando os nossos antepassados que tanta coragem tiveram para enfrentar o desconhecido e que, mal ou bem, contribuíram para fazer do mundo em que vivemos o que ele é, com todos os defeitos e virtudes! Se não gostas de cá andar, tens bom remédio, põe-te a andar!"
    19 de Agosto às 17:38
  • Claudio Gomes
    @Filipe inacio — Brilhante! Concordo consigo em tudo e ainda me lembro quando muitos portugueses foram expulsos do Canadá porque estavam ilegais e aí ninguém teve pena, mas nada disso irá ser feito na Europa pois nela habitam duas forças de bloqueio com tentáculos terríveis:

    1. Capitalistas — que os querem por forma a que se explore e se pague baixos salários devido à abundância de mão de obra desqualificada e disposta a tudo por uns cobres e por forma a estes continuarem a lucrar e a aumentar impérios económicos.

    2. Esquerdistas — alimentados pelos partidos do suposto "protesto" que criam exércitos de rua, repetem a mentira tantas vezes de modo a parecer verdade e fazem muito barulho. Controlam a comunicação social, dizem que são supostos amantes do multiculturalismo, da diversidade e do "legalize" mas depois vivem longe dos guettos que se criam com as suas políticas, onde se dá o pão mas não se dá a educação e cujo objectivo final é óbvio — aumentarem o seu eleitorado e manterem o seu poder em todas as suas esferas.

    Enquanto estas duas forças não forem derrotadas, a invasão continuará e não auguro bom futuro para este povo e para os que vierem a seguir.
    19 de Agosto às 17:55

Marcelo De Andrade Rebelo
Estamos a assistir ao início de um grande projecto da Arábia Saudita que é a Islamização da Europa. Aproveitam das políticas "humanistas" da esquerda e do centro-direita, mas em breve seremos nós a fugir ou a submeter-nos à cultura deles. Precisamos desesperadamente de um Charles de Gaulle ou de um Churchill.
20 de Agosto às 05:29

Incompetente
Cadeia de Évora 19/08/2015 17:46
Quase 1 milhão de pessoas inseridas à força numa sociedade de valores completamente diferentes... Nenhum país aguenta isto. Estes fluxos migratórios para a Europa central são uma bomba relógio social.

BO
19/08/2015 18:08
Só há um forma de resolver este problema, é na origem! Mas, para isso, os 'países' que estão na origem destes refugiados teriam que ser considerados Estados Falhados e ocupados pela ONU as décadas que fossem precisas até formarem elites civilizadas capazes de os governar, se é que alguma vez foram, ou serão, países dignos desse nome...
  • Luis Simões
    19/08/2015 19:07
    Em que planeta é que vive? Em Marte?
  • Gota
    Um dia despertarão. Esperemos que não seja da pior maneira possível...
    20/08/2015 10:53

    Pois... digno, digno é o caro BO! Francamente!
  • BO
    20/08/2015 10:59
    Sim, e foi isso que fizemos aqui em Marte, a ONU cá do sítio ocupou os Estados Falhados que desde que se tornaram independentes nunca foram outra coisa senão tiranias desprezíveis ou terras sem lei.
    Aí no vosso planeta, os terráqueos, humanóides menos desenvolvidos que nós, ainda acreditam no Pai Natal e na soberania desses povozecos de trazer por casa, soberania essa que nunca foi comprovada já que desde a independência não tiveram nenhuma evolução civilizacional, antes regressão!
    Mas deixa lá, talvez daqui a umas décadas ou alguns séculos vocês, terráqueos, desenvolvam a inteligência o suficiente para chegar à mesma conclusão. Entretanto esses povos continuarão a ser miseráveis e a morrer que nem tordos, mas orgulhosamente soberanos...
  • Gota
    Um dia despertarão. Esperemos que não seja da pior maneira possível...
    20/08/2015 11:29

    Com essa conversa de total desrespeito pelos seus semelhantes, vou acabar por convencer-me de que o caro BO, além de não ser desenvolvido, nem sequer é humanóide, é homúnculo e ainda por cima falhado!
  • BO
    20/08/2015 11:41
    Fico sempre sensibilizado quando alguém toma as dores de outros cujas realidades desconhece e dispara insultos e ataques pessoais, apesar de não ter a mínima ideia do que fala.
    É uma das vantagens da democracia, poder ofender e insultar quem tem opiniões com as quais não se concorda. E nem é preciso apresentar qualquer argumento ou contrapor com ideias, basta mesmo partir para o insulto e o ataque pessoal mais soez! Curiosamente, se eu responder na mesma moeda, sou expulso...
  • Gota
    Um dia despertarão. Esperemos que não seja da pior maneira possível...
    20/08/2015 12:11

    Coitadinho do Sr. BO, que não ofende ninguém! O Sr. BO tem o direito de apelidar de "falhados" de "povozecos", de "miseráveis", entre outras coisas menos óbvias mas igualmente denegridoras a pessoas cujo único crime é serem vítimas da megalomania do império estado-unidense, império este que se dedica a espalhar a miséria e o sofrimento pelo mundo inteiro. Mas não, o Sr. BO não ofende ninguém! Mas ofende-se, claro está, se alguém o tratar da mesma forma que ele trata os seus semelhantes! Coitadinho do Sr. BO, é um incompreendido...
  • BO
    20/08/2015 12:38
    Eu não a estou a ofender a si, certo? Mas a Gota pretende sempre ofender-me a mim, certo?
    1. Chamar os povos e os Estados em causa, que a Gota desconhece mas eu não, de falhados, miseráveis e outros encómios, não são ofensas, são verdades!
    2. Se a verdade em relação a esses Estados e povos, que a Gota desconhece mas eu não, a incomoda, pode sempre tentar ofender o mensageiro, claro. É para isso que serve a democracia. Se fossemos uma ditadura não me ofenderia por eu dizer coisas verdadeiras que lhe fossem desagradáveis, aí mandar-me-ia torturar ou eliminar...
    3. Eu não me queixo das pretensas ofensas que ignorantes me possam fazer, queixo-me de não poder responder-lhes na mesma moeda sem ser expulso. É que até aqui uns são filhos e outros enteados, como é timbre da Tugolândia...
  • Gota
    Um dia despertarão. Esperemos que não seja da pior maneira possível...
    20/08/2015 12:55

    Não me está a ofender a mim directamente. mas indirectamente está. Fala daquelas pessoas que apenas sobrevivem e que fogem aos horrores da guerra de uma maneira aviltante. O caro não é melhor do que essas pessoas. É igual a elas. E se quer que o respeitem, dê-se ao respeito não desrespeitando inocentes que nem sequer se podem defender. Coitadinho do Sr. BO, que nunca ofende ninguém!
  • jojoratazana
    Contra ratos e ratazanas e Cryptos Sociais Fascistas. 20/08/2015 13:40
    Caro Bo, pode sempre defender as suas ideias, sem ser ofensivo. Está num fórum. De livre opinião, não de livre ofensa.


segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Maria de Belém vai candidatar-se à Presidência da República

LUSA/Miguel A. Lopes


De manhã, no Palácio de Justiça, em Lisboa, aonde foi entregar as listas de candidatos por Lisboa às legislativas de 4 de Outubro, António Costa tinha sublinhado: "Temos um calendário de prioridades e aquilo que neste momento nos empolga são as eleições legislativas. Acho que estarmos aqui todos, e a doutora Maria de Belém, é um bom sinal de que o que nos está a concentrar a todos são mesmo as eleições legislativas."
Ao seu lado, Maria de Belém explicou a sua presença, assim: "Estou aqui para integrar, como membro suplente, as listas para deputados."

Mais tarde, Maria de Belém assumia o propósito de entrar na corrida presidencial de 2016 em nota enviada à agência Lusa:
Comuniquei ao Secretário Geral do Partido Socialista a intenção de me candidatar à Presidência da República.

A prioridade para o Partido Socialista, neste momento, são as eleições legislativas, como sempre afirmei.

No entanto, para evitar especulações e pelo respeito que me merecem as muitas pessoas que me têm manifestado o seu apoio, entendi dever divulgar a minha decisão.

Apresentarei publicamente a minha candidatura após as eleições legislativas de 4 de Outubro.

Maria de Belém Roseira nasceu no Porto, tem 66 anos, é jurista e integrou os dois governos liderados por António Guterres como ministra da Saúde (1995-1999) e na pasta da Igualdade criada propositadamente para ela no segundo governo (1999-2001). Foi presidente do PS entre 2011 e 2014.

Confrontado com o anúncio da candidatura de Maria de Belém à Presidência da República, António Sampaio da Nóvoa disse estar "surpreendido com muito agrado", mas garantiu que continuará na corrida mesmo que o PS venha a apoiar a sua antiga presidente.

"Posso garantir até uma outra coisa, posso garantir que vou ganhar, que esta candidatura tem uma dinâmica de vitória muito forte, tem uma dinâmica de vitória que sinto nas pessoas, no que me têm dito e na maneira como têm estado com esta candidatura, e eu estou absolutamente convicto de que os portugueses querem a partir de 2016 um presidente de um tipo novo e estou convencido de que essa decisão vai recair na escolha da minha candidatura e da minha pessoa como presidente da República", acrescentou Nóvoa.

Até agora, só o Livre/Tempo de Avançar é que apoia oficialmente Sampaio da Nóvoa, depois de um referendo interno realizado no final de Junho.

Mas dentro do PS, e também na sociedade, há nomes sonantes por detrás da candidatura do ex-reitor da Universidade de Lisboa: Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio, os três ex-presidentes da República vivos.
No seu périplo pelo País, Nóvoa sempre foi recebido pelos líderes distritais do PS ou por presidentes de câmara socialistas, como narra o Observador:
Há muito que o ex-reitor da Universidade de Lisboa anda na estrada e tem sido sempre recebido pelos líderes distritais do PS ou por presidentes de câmara igualmente socialistas. Primeiro, fez-se acompanhar por Pita Ameixa, deputado socialista eleito pelo círculo de Beja, quando foi petiscar à feira da Ovibeja. Depois, rumou ao norte do país para almoçar com o presidente da Câmara de Fafe, o socialista Raul da Cunha. No caminho encontrou-se com Domingos Bragança em Guimarães, tomou uma breve refeição com João Azevedo em Mangualde e reuniu-se com Gil Nadais em Águeda. Tudo presidentes de câmara socialistas. Quando chegou a Paredes de Coura aproveitou para almoçar com o também autarca socialista Vítor Pereira. Neste caminho para Belém ainda houve tempo para parar, por exemplo, em Águeda, Melgaço e Viana do Castelo, outros três quartéis-generais socialistas. Tudo somado, desde que se fez à estrada, o ex-reitor já andou por 13 terras socialistas, num total de 17 apeadeiros.

Aliás, o coordenador de uma secção do concelho de Cascais esclareceu-se junto da direcção nacional sobre o que fazer durante a visita do candidato presidencial àquele concelho em Julho, tendo enviado depois aos militantes um e-mail intitulado “Definição de apoio do PS a candidaturas à Presidência da República nunca antes de Outubro”, onde a ordem era clara e vinha de cima:
Recebemos a informação institucional do PS de que tais noticias [sobre avanço de Maria de Belém] são infundadas e que o PS continua sem candidato oficial, o qual deverá ser definido no próximo mês de Outubro. Até lá, as estruturas do PS continuam a ver com muita simpatia a candidatura do Prof. Sampaio da Nóvoa e seguindo com muita atenção as diversas actividades que a candidatura deste candidato promove no País.


*


É verdade que, gerir os interesses financeiros da gentinha que se apinha dentro de cada partido político português com representação parlamentar, é um enorme pesadelo para o respectivo presidente ou secretário-geral. Exceptua-se o PCP onde os militantes sabem que o melhor modo de arranjar um tachito bem remunerado é obedecer à voz do chefe e esperar pacientemente na fila.

Mesmo assim, António Costa está a revelar uma notória incapacidade de liderança também na questão das presidenciais.
Sampaio da Nóvoa era um desconhecido fora do meio universitário. Foi uma directriz de Costa que levou as bases do PS a darem visibilidade à candidatura de Nóvoa, um apoio implícito que agora vai lançar a confusão no seio do eleitorado socialista e deixar Maria de Belém, bem mais agradável para o eleitorado do centro que o antigo simpatizante da LUAR, a concluir a corrida presidencial na segunda posição.

Mais uma vez, o candidato preferido de Mário Soares vai ficar em terceiro lugar numas eleições presidenciais — aconteceu em 2006 com a candidatura do próprio e, em 2011, com a de Fernando Nobre.

Já o PSD e o CDS estão a gerir com mais cuidado a questão espinhosa das eleições presidenciais de 2016, onde dificilmente um candidato oriundo deste espaço sairá vencedor.

Desde 2009 que a facção cavaquista do PSD tem Paulo Rangel como candidato a primeiro-ministro e agora andará a aliciar Rui Rio para as presidenciais.
Se Passos Coelho se soubesse opor aos desígnios desta facção e tivesse o golpe de asa de apoiar a candidatura suprapartidária de Henrique Neto — um empresário profundo conhecedor da economia nacional, com os pés bem assentes na terra, socialista mas ostracizado pelo aparelho do PS —, este poderia caçar votos no campo do eleitorado socialista masculino — ou não estejamos num País latino — e, reunindo a estes os votos sociais-democratas e centristas, ganhar a eleição presidencial.

A opinião dos outros:

AMLG
17:17
Esta criatura representa bem o partido. Uns janotas pendurados toda a vida no dinheiro dos portugueses. Sem que tenham feito alguma coisa útil para o País. Uns espertalhões que nós, palermas, alimentamos a palha doirada toda a vida (certamente já há 20 anos com aquelas reformas milionárias vitalícias).

Anónimo
17:48
O País enterrado há 30 anos num pântano do qual não consegue sair e, como putativos candidatos presidenciais, aparecem umas figuras que não só ajudaram ao enterro, como não expressam qualquer ideia estratégica de como o País de lá sairá. Valha-nos Santo Ambrósio!

Pitonisa
17:53
O Sampaio da Nóvoa e os que se apressaram em dar-lhe apoio podem meter o rabinho de molho! Sou simpatizante do PSD mas nas presidenciais voto em Maria de Belém porque dá mais estabilidade que o espalha-brasas do Marcelo.

Agora sim!
18:10
Esta convenceu-me de que realmente vivo numa república das bananas... Estas pessoas que vivem isoladas dentro dos partidos (sem terem vida cá fora) não têm mesmo a noção do ridículo!

surpreso1
18:11
Do banco de suplentes, para jogar à frente. Estás feito, Costa!

abelavida
18:18
Que há para comentar? Nada.
Oxalá tenhamos Rio a candidato.

Américo Silva
18:31
Sampaio da Nóvoa não convence. Ninguém o conhece, nem diz coisa com coisa. Com Maria de Belém, a esquerda caviar tem sarna e o trio bancarrota — Soares, Sampaio e Vítor Constâncio — vai dar música noutra freguesia.

mmmpinto
21:59
Bastou ver hoje as televisões, onde apareceu mais uma imagem do PS, à saída também de mais uma das suas reuniões, estando Costa ladeado por Ferro e Roseta, com uns tantos a fazer grupo, para imaginar o que espera a Nação deste "velho mobiliário"!
Quanto à Senhora que se pretende candidatar à suprema magistratura da Pátria, é melhor começar a rezar para que Deus nos proteja.

Pois é...
22:26
O Nóvoa vai ficar, apenas, com os votos do PCP, BE e LIVRE!


sábado, 8 de agosto de 2015

Os cartazes da campanha do PS


Os cartazes da campanha de António Costa para as legislativas 2015 estão a revelar-se um monumental fiasco.

A polémica em redor dos cartazes do PS começou com um outdoor onde o partido anuncia que “é tempo de confiança”, mostrando a imagem de uma mulher a virar a página de um céu carregado de nuvens negras.




Inspirado nos cartazes de igrejas evangélicas, não só foi ridicularizado nas redes sociais mas também recebeu críticas negativas no interior do próprio partido. E despertou a criatividade dos humoristas para irem buscar os fantasmas que assombram os corredores socialistas, a começar pelo líder António José Seguro, afastado por uma golpada dos socratistas,



e pelo próprio José Sócrates:



António Costa também não foi esquecido:




Mas o pior estava para vir com a nova série de cartazes.





“Eu não estou desempregada desde 2012. Não me podem envolver desta maneira. Aqueles dados são mentira”, diz Maria João Pinto, a jovem de 29 anos cuja fotografia aparece neste cartaz do PS associada à frase “Estou desempregada desde 2012″.

“Estou revoltadíssima”, desabafa, esclarecendo que, desde 2012, já esteve desempregada e também já trabalhou. Mas não esteve desempregada desde 2012, nem estava quando, na quinta-feira da semana passada, tirou as fotografias para a campanha eleitoral do PS. Tinha suspendido o subsídio de desemprego — que recebia apenas desde 2014 — para poder abrir actividade e passar recibos à Junta de Freguesia de Arroios onde prestava serviço na área da comunicação.

Na manhã desse dia 30 de Julho, último dia em que esteve na Junta, foi chamada ao gabinete da presidente Margarida Martins, ex-líder da Abraço e candidata independente nas listas do PS, que lhe pediu para tirar “uma foto para a campanha do António Costa”.
Apanhada de surpresa, tanto pelo pedido como pelo aparecimento do fotógrafo logo a seguir ao almoço, deixou-se fotografar, pensando tratar-se de uma fotografia para usar em cartazes com muitas caras, e esperou pelo pedido de autorização para a utilização da foto: “Foi uma autorização para uma fotografia, mas pensei que haveria o processo a seguir.”

Os comentários dos amigos na sua página do Facebook, onde tem publicadas poucas fotos do rosto, alertaram-na para o facto de que tinha a cara espalhada pelo país.

Questionada se a autorização verbal não levaria a pressupor que estava disposta a ceder os direitos de imagem, reitera que não assinou o documento necessário para que o PS pudesse usar a sua fotografia: “Não foi um consentimento. Foi-me tirada uma fotografia, mas nunca pensei que não haveria o passo a seguir que era dizerem-me para o que era e pedirem-me para assinar um papel de cedência de imagem.”
Explica que não autorizou a utilização dada à fotografia, nem nunca autorizaria se soubesse como seria utilizada, justificando: “Eu não me exponho e eles expõem-me em outdoors gigantes” e ainda por cima com “uma frase falsa.”

Dois outros cartazes também têm fotografias de trabalhadores da mesma Junta cuja vida não corresponde à história pela qual dão a cara nos cartazes.



Francisco Garcês, o jovem que neste cartaz diz ter sido “obrigado” a emigrar em 2012, mora em Lisboa e trabalha na mesma Junta de Freguesia de Arroios.




Adelaide, a senhora que diz estar “desempregada há 5 anos sem qualquer subsídio ou apoio” neste cartaz, também trabalha na mesma Junta de Freguesia de Arroios através de um programa do Centro de Emprego.

No entanto, o mais caricato neste cartaz do partido socialista da campanha das legislativas 2015 é que refere uma situação de desemprego ocorrida há 5 anos, portanto em 2010 quando o país era gerido pelo... governo socialista de José Sócrates. Um verdadeiro tiro nos pés da equipa de António Costa!


*





Os cartazes onde as histórias contadas não correspondiam às pessoas foram zurzidos em todo o espectro político. Depois de ter ensaiado, em vão, outras saídas, o PS acabou por pedir desculpas públicas, em especial às pessoas implicadas em cartazes do partido que não deram autorização para a sua cara ser usada naquela campanha.

Agora só falta António Costa pedir desculpa pelo governo socialista de José Sócrates ter imposto cortes aos salários da função pública em Janeiro de 2011 e igualmente pretender cortar as pensões em 2012.

A opinião dos outros:


Luis Marques
Javali profissional, Manchester 07/08/2015 23:24
É nos pequenos pormenores que se vê o que realmente valem as organizações e partidos. Num país com 600 mil desempregados, não conseguiria o PS arranjar algum que quisesse dar a cara, contar a sua história? Num país com milhares de pessoas com falsos recibos verdes, não seria possível encontrar algum disponível?
O PS ao proceder desta forma, ao utilizar caras que não têm qualquer correspondência com a realidade descrita, gozam com quem vive essas situações na pele e só demonstram o desprezo que têm pela população portuguesa e a facilidade com que mentem e tentam enganar os portugueses.
O PS está muito preocupado com os desempregados? Até pode estar, mas aparentemente tem mais que fazer que procurar e falar com eles. Já vi candidatos a associações de estudantes de secundárias menos amadores.

MCA
Cidadã da finis terræ 07:52
Precisamos mesmo, como país, de estoirar dinheiro em campanhas eleitorais? É tudo uma mentira pegada, jogos de cintura, lixo nas ruas, sorrisos plásticos, braços no ar bem ensaiados e cronometrados...
Já estamos todos fartos disso. Parem de fazer de todos os cidadãos parvos.

Aliocha
08:23
Que vergonha! Isto assim é o descrédito total! O PS só perde com este tipo de campanha. Como votar num partido que engana às escancaras? O que não enganará, depois, nos bastidores?
Por mim, já tinham acabado as campanhas de folclore na caça ao voto. Já que desperdiçam dinheiro, ao menos sejam inteligentes!


quinta-feira, 30 de julho de 2015

As 25 maiores fortunas portuguesas valem 15 mil milhões de euros


Parte significativa da riqueza nacional é controlada pelas 25 famílias mais ricas de Portugal.



29/07/2015 - 19:59


Um estudo efectuado pela revista Exame concluiu que o valor das 25 maiores fortunas de Portugal ascende a 14,7 mil milhões de euros, o que equivale a 8,5% do Produto Interno Bruto (PIB) português de 2014.

Nas primeiras quatro posições da lista permanecem os mesmos nomes que já figuravam em 2013: Américo Amorim, que é o homem mais rico do país, Alexandre Soares dos Santos, Belmiro de Azevedo e a família Guimarães de Mello.

A única diferença está no valor das fortunas face a 2013. Apesar de se manter à cabeça da lista, o dono da Corticeira Amorim vê a sua fortuna diminuir, assim como a família Guimarães de Mello. Em sentido ascendente seguiram as fortunas de Soares dos Santos e de Belmiro de Azevedo.

Com uma fortuna avaliada em 2,5 mil milhões de euros, a revista calcula que Américo Amorim, apesar de manter a primeira posição, perdeu 800 milhões com a queda da cotação da Galp Energia em bolsa.

Pelo contrário, tanto a fortuna de Soares dos Santos como a de Belmiro de Azevedo terão subido 100 milhões no último ano devido à valorização em bolsa das suas acções. O dono da Jerónimo Martins, que detém a cadeia de supermercados Pingo Doce, viu a riqueza atingir os 1,8 mil milhões. O fundador do grupo Sonae, que tem negócios no comércio a retalho, telecomunicações e comunicação social, aumentou a fortuna para os 1,4 mil milhões.

Já a família Guimarães de Mello, dona do Grupo José de Mello, Brisa e CUF, e com investimentos na Efacec e EDP, regista uma ligeira queda dos 1,2 mil milhões de euros calculados em 2013 para 1,18 mil milhões.

Os donos da Mota-Engil — António Mota e irmãs — saíram do top 10 devido à queda da cotação desta empresa de construção em bolsa.

Pior aconteceu com a família Espírito Santo devido ao colapso do Grupo Espírito Santo: saiu da lista. Mesmo a maior accionista do grupo, Maria do Carmo Espírito Santo Silva, que ocupava a 10.ª posição em 2013, deixou de figurar na lista da Exame.


*

Não estamos a falar de ricaços com fortunas baseadas na posse de pinturas valiosas, ferraris, herdades, castelos ou ilhas, mas de empresários que detêm acções de empresas que criaram ou expandiram. E têm forçosamente de deter um número significativo de acções dessas empresas para poderem tomar decisões de gestão. De actos gestionários incorrectos, deriva a falência das empresas com graves perdas tanto para os empresários como para os trabalhadores que vêem desaparecer os respectivos empregos.

Claro que os empresários não se distinguem apenas por uma hábil gestão que dê lucro às empresas: há os que têm consciência social e outros não, como foi referido no fórum do Público:


info
29/07/2015 21:00
É muito bom ter pessoas tão ricas em Portugal, apesar do desemprego recorde e um salário mínimo miserável. Já agora, caros ilustres e ricos personagens, quando morrerem, onde vão meter a vossa fortuna?
  • incorporeo
    Portugal 29/07/2015 21:41
    Não estou a perceber muito bem a relação que faz entre uma coisa e outra, mais a morte dos ditos.
    Já sequer se apercebeu que qualquer um destes "ricalhaços" criou, nas suas empresas, uma infinidade de postos de trabalho? E quanto aos impostos pagos pelos ditos, acha que eles ousariam sequer fugir aos impostos, com a responsabilidade social que têm aos ombros? A riqueza é distribuída: pelos salários dos trabalhadores e pelos impostos devidos ao Estado.
    Os gajos morrem mas as empresas ficam. E os postos de trabalho também. Essa é a herança que deixam. É bom ou é mau?
  • Mortiço
    29/07/2015 23:17
    A holding da Pingo Doce é sediada no Luxemburgo, o mesmo ocorrendo decerto com outras empresas dessa gente. Em consequência, por favor não fale em responsabilidade social. Portugal é dos países mais pobres da Europa e está entre aqueles em que a renda é menos equitativa.
  • tripeiro
    Neste Verão: socas, galochas ou havaianas? Consulte a Princesa Bobone 30/07/2015 00:32
    Pois é, senhor Mortiço, mas, quando aparecem medidas para tornar o sistema fiscal mais competitivo e atractivo para as empresas, lá vem o senhor a berrar que deviam era baixar o IRS e não o IRC.
    Mas concordo que esperar responsabilidade social de grupos como o Jerónimo Martins é muita areia para a camioneta de qualquer um. Só fazem aquilo a que são mesmo obrigados por lei, se pudessem não fazer nada, era o que faziam.
  • PSG
    Lisboa 30/07/2015 01:34
    Menos impostos para as empresas e toca a aumentar a TSU dos trabalhadores por conta de outrem. E para resolver o problema do desemprego, nada como acabar com o SNS e deixar a malta que andou a gastar dinheiro em viagens para a Republica Dominicana a morrer nos corredores dos hospitais. E porque não fechar as escolas? Nada melhor que ter analfabetos para poder pagar salários cada vez mais baixos, e gente sem ambições para perpetuar a exploração. Um povo pouco produtivo pelo menos serve para isso.
  • Mortiço
    30/07/2015 06:02
    Tripeiro, eu não berro. Eu escrevo.
  • incorporeo
    Portugal 30/07/2015 18:09
    Tripeiro: é óbvio que apenas fazem aquilo a que estão obrigados por lei. Eu também e acho que a maioria dos contribuintes. E nem me refiro a benefícios fiscais por conta de donativos.
    O que me quis referir foi à dimensão social que estes senhores têm, ao fazer aquilo a que estão obrigados por lei. Um patrão cumpridor além de criar postos de trabalho, dá segurança aos seus empregados, mantendo as contribuições para a SS em dia e pagando os salários contratados. Qualquer empregador tem uma responsabilidade social, a qual será tanto maior quantos mais trabalhadores tiver. Acho que é óbvio...
    Suponhamos que o Grupo Sonae entra em falência. Quantos trabalhadores irão ficar prejudicados por isso? É sobre esta responsabilidade social que me refiro.

Ruben
30/07/2015 11:25
Só ganância! O grande problema de haver tanta pobreza.
  • Enganador
    30/07/2015 15:28
    Quantas dezenas ou centenas de milhar de empregos é que estes Senhores não criaram ao longo das suas longas décadas de trabalho?
  • Ruben
    30/07/2015 16:10
    Óbvio que "dão" emprego a milhares de pessoas. Como é que eles conseguiriam tal fortuna se não conseguissem explorar as pessoas?
  • Ruben
    30/07/2015 16:22
    Talvez não me tenha expressado bem. O problema não está, como é evidente, na criação de emprego por parte destes senhores. O problema está na acumulação de riqueza. As pessoas que acumulam grande riqueza são as mais gananciosas. Querem acumular os seus bens e os dos vizinhos. E este é o grande problema, a causa da pobreza. Só existe pobreza porque existe riqueza e esta só existe porque há muita gente gananciosa.
  • incorporeo
    Portugal 30/07/2015 19:08
    O Ruben não gosta de acumular riqueza. Está no seu direito! Faz colecção de selos?
  • Ruben
    30/07/2015 19:32
    Incorporeo, faço colecção de conhecimento. É o que procuro sempre. Riqueza? A minha riqueza são os meus princípios, não os bens materiais que acumulo. Para quê ter a mais e mais se isso faz falta a outras pessoas? Não seja mais um egoísta. Pode acumular o máximo de riqueza possível, mas quando for velho vai perceber que a sua vida foi em vão. A sua casa estará cheia de coisas boas e bonitas, mas o senhor estará velho, feio e vazio.
  • incorporeo
    Portugal 30/07/2015 20:04
    Ok, Ruben, uma resposta sábia, a sua! O investimento no Conhecimento é mais valioso que ouro, e concordo com isso! Outro investimento que acho sensato fazer, pois potencia a eficácia do nosso trabalho, é em ferramentas. Se considerarmos que o Conhecimento é também uma ferramenta, estou a ser redundante. Quanto a acumular por acumular, isso é uma atitude doentia bem reconhecida.
    Não acho que estejamos a falar disso. Acumular dinheiro? Isso não tem lógica! Dinheiro parado não rende! O dinheiro investe-se em algo para gerar mais-valias. E essas mais-valias podem gerar postos de trabalho. Obviamente que toda esta riqueza estaria em nome de titulares, que são os noticiados. E não me refiro a aquisição de futilidades. Isso considero indigência, vistas curtas e novo-riquismo. É o que mais há!
  • Gota
    Um dia despertarão. Esperemos que não seja da pior maneira possível... 30/07/2015 21:44
    Caro Ruben, o seu comentário em resposta ao caro incorporeo é tão, mas tão humano, demonstra uma capacidade de compreensão tão para além do comum, que, se me permite, a partir deste momento, sou sua admiradora! Digo isto com o máximo respeito e confesso que gostaria de vir a ser como o caro Ruben mostra ser!
  • Ruben
    30/07/2015 22:56
    Senhor Incorporeo, subscrevo o seu último comentário. Cumprimentos.

info
30/07/2015 00:26
O que eu quero dizer, Incorporeo, é que, o que tem de vantagem ser rico? E muito rico? Aumenta a felicidade, proporcionalmente à fortuna? O que conta, é a obra e a herança social dessa pessoa. Ela vale 3 mil milhões enquanto viva? E quantas pessoas beneficiou, se apenas pagou um mísero salário mínimo, porque é exigido por lei? Se a obra deixada é essa, só os amigos do champanhe o lembrarão. Os outros, esquecê-lo-ão, assim que tiver a terra sobre si.
  • Gota
    Um dia despertarão. Esperemos que não seja da pior maneira possível... 30/07/2015 09:56
    Excelente comentário, caro info! Obrigada por me ajudar a consolidar a ideia de que ainda existem pessoas dotadas de humanidade. Parabéns pela sua sensibilidade!
  • Enganador
    30/07/2015 11:30
    O que é melhor, 100 000 salários mínimos ou 100 000 desempregados? Já para não dizer que, por vezes, muita gente nem o salário mínimo merece...
  • Mortiço
    30/07/2015 12:06
    E tem a certeza que a opção é essa? Imagina o que é viver com salário de fome como única perspectiva de vida?
  • Gota
    Um dia despertarão. Esperemos que não seja da pior maneira possível... 30/07/2015 14:43
    Tem toda a razão, caro Enganador. Eu, por, exemplo, conheço muitos ricos com salários milionários a quem faria muito bem recorrer à sopa dos pobres pois não merecem, com toda a certeza, nem um salário mínimo!
  • Enganador
    30/07/2015 15:25
    A Gota desta vez até tem uma gotinha de razão... Muitos ricos não merecem o dinheiro que têm, e muitos pobres mereceriam muito mais. Mas o inverso também é verdade...
    Pessoas são pessoas e deve ser criticadas ou congratuladas pelas suas acções e não simplesmente pelo dinheiro que têm ou não. Não tenho a menor duvida que alguém que controla e faz prosperar um império económico da dimensão dos destes senhores contribui muito, mas mesmo muito, para melhorar a vida no rectângulo. Quantos empregos (com salário mínimo ou superior) não criaram? Podiam fazer mais? Possivelmente. Mas também não vejo ninguém a fazer melhor.
  • Gota
    Um dia despertarão. Esperemos que não seja da pior maneira possível... 30/07/2015 16:13
    O problema, caro Enganador, não é tão linear quanto parece. Ninguém enriquece apenas às custa do seu trabalho, e estes senhores, para terem a fortuna que têm, exploraram — o termo é mesmo este — desde o desgraçado que cultiva a terra até ao consumidor final. Por exemplo, no Pingo Doce, são colocadas novas etiquetas, em produtos frescos, sobre as anteriores que definiam o prazo de validade, com novo prazo de validade!
    A criação de emprego de que o caro fala não é mais do que um dos muitos meios que esta gente tem para enriquecer à custo do trabalho, do esforço e do sacrifício de muita gente. Não há ricos sem que milhares de pobres tenham sido "atropelados" no decurso desse enriquecimento!
    PS: Obrigada pela "gotinha"! :-)
    incorporeo
    Portugal 30/07/2015 18:21
    Minha cara Gutta, que mudou para Gota, olá!
    Passemos agora às "hostilidades": que dados tem para fazer uma afirmação tão categórica e porventura tão aziada, de que, em absoluto, quem é rico foi necessariamente explorador? Resta saber o que entende por "explorador".
    Se eu tenho empregados a trabalhar para mim, pago-lhes segundo o contrato definido. Se consigo tirar mais-valias significativas do trabalho da minha empresa, o que acha que devo fazer? Aumentar os salários? Não necessariamente! Talvez investisse na expansão da empresa e na criação de mais postos de trabalho, pois os trabalhadores que contratei inicialmente não darão conta do trabalho acrescido. Onde está a injustiça? Se eu cumpro com os contratos laborais, pago os impostos devidos e crio mais postos de trabalho, onde é que errei?
    Essa, aliás, é uma falácia de "acomodado", e desculpe o termo. Um empreendedor é uma pessoa com ambições de realização, e geralmente este tipo de gente não se acomoda por muito tempo ao trabalho para um empregador: quer criar algo seu. É uma questão de atitude! Há outras pessoas que se acomodam ao seu salário e não têm mais ambições que receber o seu salário no final do mês e, com sorte, serem promovidas a um cargo de maior responsabilidade dentro da empresa. Provavelmente irão ganhar mais, como será de esperar. Estes últimos será que irão gerar grandes fortunas? Só com o salário mensal, mais uns bónus por bom desempenho? É óbvio que não! Mas têm emprego! Esta é a condição do assalariado. Que não tem mesmo nada a ver com a atitude de um empreendedor. É injusto só para quem vê de fora! ORA!
  • Gota
    Um dia despertarão. Esperemos que não seja da pior maneira possível... 30/07/2015 18:44
    Como tem passado, caríssimo incorporeo? Fazia já algum tempo que o caro não vinhas para estas bandas! Espero que esteja tudo bem consigo.
    Posto isto, abramos então as "hostilidades". O problema, a meu ver, não reside nos contratos e/ou no cumprimento dos mesmos e sim na duplicidade de critérios. Uma pessoa que tenha empregados, se for uma pessoa humana e criteriosa, jamais lhes pagará o salário de miséria que é o salário nacional. Procurará que os seus empregados tenham um salário digno que lhes permita viver e não sobreviver. Acha o caro incorporeo que alguém, nos dias de hoje, consegue viver com dignidade com um salário mínimo? Uma pessoa que emprega tem de ter essa noção. Antes do lucro deverá estar a humanidade, o respeito a todos os níveis pelo outro. Caso contrário, é exploração. Querer conseguir o máximo de lucro através dos seus empregados com SM, sabendo que não é possível viver com apenas isso, é exploração. Caríssimo, para que uma meia dúzia tenha o que não lhes faz falta, são milhares aqueles que passam a sua vida sem o mínimo de que necessitam!
  • incorporeo
    Portugal 30/07/2015 18:51
    Além do mais, quem somos nós para JULGAR o modo como certas pessoas adquiriram as fortunas que possuíam? Sem indícios fortes ou evidências comprovadas de abuso e exploração, tal exercício resulta apenas de má-fé, despeito, inveja e algum problema mal resolvido com a sua realização pessoal. Digo eu!
    Mais pertinente seria, porventura, avaliar a dimensão ética de certos negócios envolvendo empreendedores cujas fontes de rendimento são menos claras, como a filha do Zedu. Mesmo assim, são suposições sem base de sustentação, e recusar negociar com base nessa suposição é arriscado. Tão arriscado como negociar com o Demo. E, no entanto, tais negócios fazem-se! A indústria do Armamento também cria postos de trabalho. E não é o mesmo que vender amendoins da China.
  • Gota
    Um dia despertarão. Esperemos que não seja da pior maneira possível... 30/07/2015 18:55
    Eu sei que o sofrimentos dos outros não nos dói, mas, ora bolas, se eu não consigo viver com o SM, por que é que hei-de achar que os outros conseguem? Não se discute aqui a capacidade das pessoas serem empreendedoras ou não. O que está em causa é sermos incapazes de achar que, o que não é bom para nós, há-de ser bom para os outros! Eu não consigo viver com € 500. Por que carga de água o meu semelhante há-de ser diferente de mim? € 500 é um salário de miséria, e isto, meu caro incorporeo, é um facto!
    Caro incorporeo, para que quereria eu uma fortuna enorme, que jamais teria tempo de gastar por muitas vidas que tivesse, sabendo que os meus empregados passavam dificuldades todos os meses das suas longas vidas de trabalho com o SM? É uma questão de humanidade! De compreensão! Somos todos um! Na diarreia e na morte, como disse por aqui algures um belíssimo comentador, somos todos iguais! Além disso, seria bom não esquecer que tudo o que nos acompanhará na morte serão apenas as atitudes, jamais os bens. Para mim não há qualquer dúvida. Quem enriquece pagando salários de miséria é explorador e não merece a minha consideração! Tenho dito! ;-)
  • incorporeo
    Portugal 30/07/2015 19:24
    Bem, cara Gota, é, no fim de contas, uma questão de ética pessoal e de alguma solidariedade. Infelizmente não está, em absoluto, nas mãos do empreendedor, pagar aquilo considerado justo pelo colaborador. E vamos partir do princípio, algo utópico, de que todas as partes estão de boa-fé.
    A gestão de uma empresa tem destas coisas. Parece que há um grande lucro, mas há imensas despesas para pagar, e a mais-valia final é escassa. Perante todo este conjunto de factores, é preciso ter alguma racionalidade e pragmatismo. Pois de contrário a empresa vai à falência, e o colaborador, que ia ser pai no mês seguinte, vai para o desemprego. Fim da utopia!
    Acho que está uma coisa mal explicada no artigo: A riqueza pessoal de cada um dos fulanos não é líquida. Inclui também todo o património que permite a geração de riqueza. Frota automóvel, instalações, etc! Não estamos a falar daquelas figuras forretas, dos livros infantis, que guardavam debaixo do colchão a fortuna toda! Isso é patetice! Todos sabemos, ou devíamos saber, que uma riqueza parada não gera mais-valias. É até um ensinamento bíblico, através da parábola dos Talentos. A riqueza, para quem sabe gerir, gera mais riqueza. E beneficia não só o próprio como todos os que com ele participem.

Nelson Bernardo Gouveia
Arquitecto 30/07/2015 11:45
Parece-me que neste sistema para extrair um rico é necessário produzir umas dezenas de pobres.
  • incorporeo
    Portugal 30/07/2015 19:04
    Bem, essa é uma perspectiva de quem está próximo da meta final, mas nem por isso poderá ser a mais correcta. Vamos partir do princípio que todos eram pobres. Só que um deles tinha alguma capacidade de empreender. Vai daí, acabou por contratar os outros todos para fazer algo com mais-valias para o grupo. Definiu metas, objectivos, dominava a técnica do trabalho, deu instruções a cada um e cada um fez a sua parte.
    No fim, todos ganharam uma boa maquia. Os colaboradores propõem: "Dividimos por todos de forma igual." O empreendedor propõe: "Eu tive a ideia, organizei o trabalho e quero ser pago também por isso!"
    Qual acha que vai ser o desfecho da história?

Luís A.
30/07/2015 13:13
O autor faz batota para chegar ao número 8,5% da riqueza nacional. Não se pode comparar as 25 maiores fortunas, acumuladas ao longo de muitos anos, com aquilo que Portugal produz num só ano (PIB).
Para fazer a comparação de maneira honesta seria melhor somar a facturação por ano dessas 25 e comparar com o PIB. Ou então comparar o valor das 25 fortunas com o valor total de Portugal (Qual é? É possível calcular isso?).


quarta-feira, 29 de julho de 2015

Conheça a frota de veículos do Estado


A administração pública tinha, em 2014, cerca de 26 mil automóveis, com uma média de 14 anos e 181 mil quilómetros percorridos. Agora o programa para a mobilidade sustentável quer reduzir em 20% as emissões de CO₂ dos automóveis do Estado.

Segundo dados da Entidade de Serviços Partilhados da Administração Pública, cerca de metade dos carros do Estado (58%) é usada pela GNR e PSP. Um quinto (20%) está na posse das Forças Armadas.
As restantes viaturas estão adstritas aos diversos órgãos da administração pública, sendo 195 automóveis utilizados directamente pelos gabinetes dos ministros, da Presidência do Conselho de Ministros e dos representantes da República nas regiões autónomas da Madeira e dos Açores.







O Governo pretende comprar 1200 carros eléctricos até 2020, promover o teletrabalho e estimular os funcionários públicos a andarem de bicicleta.


terça-feira, 28 de julho de 2015

Falta de segurança provoca morte em escada rolante na China


O circuito fechado de televisão de um centro comercial em Jingzhou, na província chinesa de Hubei, mostra como um acidente trágico ocorrido numa das escadas rolantes, em 26 de Julho de 2015, poderia ter sido evitado.




Duas funcionárias inspeccionam as escadas rolantes do centro comercial, após trabalhos de manutenção, e verificam que, no topo da escada ascendente, o painel intermédio do pavimento está solto (10:05:55).
Afastam-se, passado um par de minutos regressam e acabam por ficar junto do painel problemático — ou não foi possível ou não foram autorizadas a desligar o equipamento e ninguém se lembrou de cortar o acesso à escada.

Entretanto, um casal com uma criança pela mão aproxima-se da base da escada e, enquanto o pai aguarda, a mãe vai passear o filho pelas escadas. A meio da subida é avisada do problema no painel e ergue a criança do degrau. Todavia, quando chega ao topo, assenta os dois pés justamente no painel solto e este cai (10:10:11). Mais de 4 minutos tinham passado desde que o perigo fora detectado.
Sentindo-se arrastada pelos degraus rolantes para o interior da escada, Xiang Liujuan empurra o filho que é agarrado por uma das funcionárias (10:10:14). Esta tenta libertar também a jovem, segurando-lhe a mão e puxando-a com força para fora do mecanismo (10:10:16). Em vão, a escada rolante só pára 6 segundos depois.







Na China há graves falhas de segurança porque o regime totalitário não incentiva, bem pelo contrário, o respeito pela vida humana. Esta é mais uma razão porque receio tanto a influência chinesa na Europa e, em particular, em Portugal.


domingo, 26 de julho de 2015

Entrevista de António Vitorino ao Público


O socialista e antigo comissário europeu António Vitorino diz, em entrevista ao jornal Público, que não pode haver união monetária sem convergência económica, nem partilha de risco sem partilha de soberania.
Embora faça algumas críticas à Alemanha e ainda mais à França, reconhece a importância do eixo franco-alemão na construção europeia e espera que o Reino Unido não saia da União. Critica duramente a estratégia do governo do Syriza nas recentes negociações dentro do Eurogrupo. Critica os governos nacionais que não fizeram reformas estruturais na devida época para melhorarem a competitividade e defende a presença de Portugal no núcleo duro europeu que é o euro.

Eis uma entrevista que é obrigatório ler:


"Estive a reler as entrevistas que me deu ao longo desta crise. Numa delas, em Dezembro de 2011, diz o seguinte: “Temos de ajudar a Alemanha a ultrapassar o seu momento unipolar”. E acrescenta: “No fundamental, a Alemanha tem razão, falta-lhe aprender a ter razão.” A Alemanha aprendeu alguma coisa?
Subscrevo essas afirmações mas confesso que cheguei à conclusão de que o processo de aprendizagem da Alemanha é mais lento do que esperava.

O que já se criticava à Alemanha naquela altura ainda se critica hoje?
Exactamente. Por duas razões. Não emergiram contrapesos no contexto europeu, e ajudar a Alemanha a ultrapassar o seu momento unipolar é também encontrar parceiros que contrabalancem o seu peso, sendo que contrabalançar é no sentido de convergir. Há uma segunda razão que continua presente: creio que a Alemanha ainda está prisioneira da narrativa que construiu há quatro anos e da qual ainda não se conseguiu libertar. E é esse o grande salto que vai ter de se pedir à Alemanha: abandonar a ideia de que tudo se resumiu a uns países perdulários que viviam acima das suas posses e centrar a atenção nos desequilíbrios internos da zona euro em termos de competitividade a fim de encontrar as soluções que permitam responder a três questões.

Primeira, relançar o investimento que permita o crescimento económico. Em segundo lugar, definir reformas adaptadas a cada país e não um modelo único, isto é, não se trata de fazer de todos os países pequenas e médias Alemanhas. É preciso compreender que o combate aos desequilíbrios exige reformas estruturais inteligentes, adaptadas aos défices de competitividade de cada país, que são diferentes. Os problemas de competitividade portugueses não são os mesmos da França, mas a França também tem problemas de competitividade, como os tem a Itália. O terceiro elemento é melhorar a qualidade das instituições europeias que são responsáveis pela gestão da moeda única.

Mas justamente as instituições europeias, à excepção do BCE e com particular evidência para a Comissão, têm vindo a enfraquecer, comparadas com o poder do Conselho Europeu e, dentro dele, da Alemanha. Vimos isso agora com a crise grega.
Penso que Jean-Claude Juncker fez um esforço para recentrar o papel da Comissão e isso é positivo. Em segundo lugar, mesmo o tão vilipendiado Tratado Orçamental, que é um tratado intergovernamental exterior à União, atribui às instituições comuns um papel central — à Comissão, ao Tribunal de Justiça e ao Parlamento Europeu. A UEM sempre esteve “a cavalo” entre o pilar comunitário e o pilar intergovernamental e a crise avolumou o pilar intergovernamental. O MEE [Mecanismo Europeu de Estabilidade] e o Tratado Orçamental são tratados intergovernamentais. O que temos de garantir é que essa evolução intergovernamental possa convergir para a plena integração destes mecanismos no quadro da União Europeia e, para isso, as instituições têm de estar preparadas do ponto de vista também da legitimidade democrática, para assumirem novas responsabilidades.

A nova crise grega, com todas as suas reviravoltas, veio demonstrar que a Alemanha — voltamos sempre à Alemanha — não aprendeu grande coisa em matéria de resgates. O terceiro resgate à Grécia, mais uma vez, parece não incluir nada que permita à economia grega respirar.
Diria que a mais recente crise grega — não digo a última porque não será a última — demonstra os limites da gestão em modo de urgência: soluções ad hoc a que já se chama de “lista da lavandaria”, com reformas que envolvem os horários das padarias ou dos centros comerciais. Isso não resolve o problema de fundo nem vai obter os resultados pretendidos. Só vai agravar a recessão e tornar ainda mais difícil a situação da Grécia. Mas isso também é da responsabilidade do Governo grego e da maneira como actuou nas negociações

Aos ziguezagues.
Claramente. Mas o aspecto mais pernicioso desta recente crise grega é que desviou o debate europeu daquilo que é a questão central: as reformas de fundo da UEM. Retrocedemos e passámos outra vez a gerir isto de forma atrabiliária, porque tínhamos um elefante na sala chamado Grécia.

Que, de alguma maneira, também se podia prever.
E que estou a prever que vá voltar. O Grexit não desapareceu. Foi apenas escondido. Quando voltar, voltará sempre com maior gravidade. Falta uma visão a prazo da sustentabilidade da zona euro que tem a ver com a convergência das economias, com a necessidade de dinamizar o investimento e de criar um quadro regulatório europeu que permita apostar nos sectores de crescimento económico futuro, como a energia ou a economia digital. Só com um pacote destes a nível europeu, que implica também reformas estruturais a nível nacional, será possível encontrar uma solução de sustentabilidade duradoura para a zona euro.

Porque é que a Alemanha não consegue ou não quer perceber isso?
Creio que a Alemanha ainda não se fixou num modelo global. Por muito criticável que seja a ultima proposta do Presidente francês — e é muito criticável...

A ideia de que o euro precisa de um núcleo duro composto pelos fundadores e de um governo económico.
A ideia de um governo económico para a zona euro é muito antiga em França. Estava em cima da mesa em Maastricht em 1991. Mas, ao menos, esta iniciativa francesa, que manifestamente não é convergente com Berlim, poderá ter a virtude de levar a Alemanha a clarificar a sua visão de conjunto. Para os que andam sempre dizer que a Alemanha manda em tudo, talvez devessem reflectir sobre o facto de que esta é uma das áreas onde há falta de Alemanha, onde a Alemanha ainda não assumiu a sua responsabilidade.

Mas a falta de Alemanha ou Alemanha a mais acaba por afectar toda a gente.
Acho injusto dizer que a União Europeia só faz o que a Alemanha quer. Não corresponde à realidade, que é mais sofisticada e mais complexa, se quiser. É verdade que iniciativas europeias que não tenham o beneplácito de Berlim têm pouca probabilidade de sobreviver. Mas isso faz parte da dinâmica da negociação. Não há um diktat alemão, isso é uma enorme injustiça. Há um filtro. A Alemanha é um filtro e a ultrapassagem desse filtro exige negociação. Mas isso exige que todos tenham ideias claras do que querem, obrigando a Alemanha a ter as suas e a trazê-las para a mesa, confrontando-as com as dos outros.

E se alguma crítica pode ser feita à Alemanha — e pode — é que a maneira como a Alemanha geriu esta sucessão de crises afectou a sua imagem política como um país capaz de ouvir os outros. Perdeu nessa frente.

Esta crise grega teve duas particularidades que gostava que comentasse. É a primeira vez que um governo é liderado por um partido que não faz parte do mainstream europeu. Mas esse mesmo partido teve de render-se perante uma realidade que descobriu ser incontornável. Esta experiência para o resto da Europa significa o quê?
O Governo grego cometeu um erro colossal de cálculo na estratégia negocial que seguiu. Conseguiu isolar-se, alienar potenciais aliados e seguiu uma estratégia negocial de alto risco, baseada num pressuposto que se verificou errado: esticando a corda, a Europa cede porque ninguém estará disposto a dar o salto no desconhecido que é deixar um país abandonar a zona euro. Algumas ideias do Syriza, à partida, nem eram más. Por exemplo, a questão de indexar o pagamento da dívida ao crescimento do Produto. É uma tese defensável, razoável até. Desapareceu rapidamente do radar da negociação.

Não há a disponibilidade do outro lado?
A política significa também a conjugação de vontades e a probabilidade de haver uma conjugação de vontade para resolver o problema da dívida neste momento era muito pequena. A estratégia seguida foi totalmente errada. E isso não quer dizer que é por ser um governo de extrema-esquerda. Se fosse de extrema-direita ou de centro estaria igualmente destinada ao malogro. Além disso, o Governo grego prestou um mau serviço à causa europeia ao tentar criar a ideia de que podia usar a sua democracia nacional contra a União Europeia. E esse é um erro de princípio, porque a partilha de soberania não é usar as soberanias e as legitimidades democráticas de cada um contra os outros.

Era previsível que um Governo com as características do Syriza assinasse um acordo que nega tudo aquilo que defendeu? Humilhação é um sentimento muito pouco recomendável.
Aquilo que foi manifestamente uma humilhação grega é um erro que levaremos muito anos a apagar. A humilhação não se dilui nem desaparece. Os chineses dizem que só há vitória quando quem perde também tem alguma coisa a ganhar. E uma das razões para que isso acontecesse resulta de se ter mantido a negociação ao nível técnico e não político, entregue aos ministros das Finanças.

Sobretudo o ministro das Finanças alemão, que apresentou pela primeira vez a hipótese concreta de um Grexit.
Que não está prevista nos tratados. O facto de haver, pela primeira vez, uma instância da União, o Eurogrupo, que permite, ainda que entre parêntesis rectos, a saída de um país, é um sinal político extremamente preocupante, com que nós, como os espanhóis ou outros, nos devíamos preocupar.

Conhece Wolfgang Schäuble há muito tempo, era a braço-direito de Kohl. Como interpreta o comportamento intransigente que assumiu?
Não tenho dúvidas de que Schäuble é um europeísta convicto e que até considera que a zona euro deve ser o núcleo de integração aprofundada da União Europeia. O que a sua atitude deixou no ar — e isso é que é preocupante — é até que ponto o compromisso alemão com o euro significa manter a zona euro na sua composição actual ou se há margem de manobra — vou utilizar uma expressão forte que talvez não devesse utilizar — para a purificação do euro.

Nas actuais circunstâncias pode ser uma ideia muito perigosa.
Sim. Jacques Delors disse há uns meses que o futuro da União Europeia deve ser construído na lógica das cooperações reforçadas, embora não sendo uma cooperação reforçada, onde os países que partilham a moeda única dão um salto na partilha de soberania e na partilha do risco: são os dois elementos fundamentais da UEM. Não há partilha de risco sem partilha de soberania. E isto tudo tem de ter uma forte legitimidade democrática, porque se trata de um salto significativo na integração europeia. Ora bem, a questão é saber entre que partes esta partilha se vai fazer. Delors defende que esse núcleo é a zona euro na sua composição actual. Mas há outra proposta, dos preguiçosos, que é escovar da zona euro os menos desenvolvidos e fazer um euro forte. Há aqui uma parte escondida: esse euro forte só para alguns sofreria uma valorização cambial tal que retirava parte das suas vantagens competitivas. Contra isso, devemos contrapor que estamos dispostos a aceitar novas partilhas de soberania na zona euro, mas também do risco.

Mais uma vez, o problema é que a Alemanha não quer partilhar o risco.
É esse o debate que está em cima da mesa. Somos, por vezes, precipitados nas críticas que fazemos à Alemanha, mas a verdade é que a chanceler disse ao longo destes últimos cinco anos duas coisas muito importantes. Avançou com a proposta dos chamados contractual arranjements para efeito do combate aos desequilíbrios de competitividade em cada país. A sua ideia não foi aceite mas convém não esquecer que foi ela que a fez.

E que pode pôr de novo na mesa.
Com outros contornos, com outra configuração, mas que é a resposta ao problema real dos desequilíbrios de competitividade e dos problemas de divergência, que se agravaram com a moeda única. A segunda coisa que a chanceler disse — e disse-o pela primeira vez — foi que, excluindo um haircut, estava disponível para discutir a dívida a nível europeu. Não é uma questão que se possa tratar caso a caso. Já hoje as condições de financiamento da Grécia são melhores que as de Portugal, da Espanha e da Irlanda. E acho que devem ser melhores. A Grécia sofreu um tremor de terra de grau 10 da escala de Richter, do ponto de vista económico. Mas dito isto, não creio que a solução para o stock da dívida europeia seja a salamização da dívida, caso a caso. Tem de haver uma lógica europeia.

Ainda se lembra do relatório Schauble-Lamers, apresentado em 1994, que já previa uma core Europe, mais integrada do que o resto. A França não quis. Há aqui também uma eterna dificuldade francesa face à integração. Hollande fez tudo para evitar o Grexit, mas agora vem com um núcleo duro de fundadores.
Isso corresponde à posição tradicional da França...

A defesa do governo económico, mas não a ideia dos fundadores.
Sim, mas uma coisa não pode ser lida sem a outra, na minha opinião. Discordo da criação de instituições apenas dedicadas à zona euro. Já há o Eurogrupo. É preciso garantir que a UEM é uma política da União e que as tensões entre zona euro e o grande mercado interno têm de ser geridas por instituições comuns, sob pena de criarmos uma espécie de apartheid. Isso seria inaceitável, porque poria em causa os fundamentos do Mercado Interno, que é o grande elemento aglutinador da integração europeia. Mas esta é a posição tradicional de França. O que é novo na proposta de Hollande é que, mesmo na zona euro, deveria haver um núcleo duro de integração que envolveria apenas os seis países fundadores.

Mas de onde é que vem uma ideia que já não tem nada a ver com a Europa actual?
Sempre achei que, para haver aprofundamento, tinha de haver um motor, que só poderia ser o eixo franco-alemão. Mas o documento apresentado em Maio por Merkel e Hollande para a reforma da zona euro é decepcionante, na medida em que se baseia em menores denominadores comuns. Não é um motor propulsor.

Quanto ao núcleo dos seis fundadores, não só não há um racional económico como cria um problema político para resolver outro. O problema que quer resolver é a fractura Norte-Sul, porque inclui um país do Sul, a Itália. Do ponto de vista político, cria um outro problema: se a questão central da sustentabilidade do euro é o aprofundamento da integração e a resposta à divergência económica, então deixar de fora os países que estão a fazer um trajecto de convergência mais bem-sucedido, é criar um novo problema político. São os casos da Irlanda, que deve crescer a 3,5% para o ano, ou da Espanha que deve crescer a 3 por cento ou da Áustria com uma situação económica bastante confortável, ou a própria Finlândia que, estando hoje em recessão, continua a ser um Triplo A.

Ninguém vai aceitar essa proposta.
Tenho a convicção sincera de que acabará por se desvanecer. Mas como não acredito em bruxas, embora elas existam, então convém deixar já clara a posição de cada um sobre esta matéria. E tenho uma enorme expectativa sobre a maneira como a Alemanha vai reagir.

A lógica da Alemanha não tem sido essa.
Antes pelo contrário, tem sido no sentido de garantir instituições comuns e de ser o mais inclusiva possível. O interesse da Alemanha, fundado ou não — não quero entrar nesse debate —, ao apresentar o caso português ou o irlandês como casos de sucesso, joga contra essa lógica francesa.

O eixo Paris-Berlim continua a ser fundamental mesmo com o desequilíbrio que tem hoje?
Para bem do projecto europeu, tem de ser recuperado. Sempre disse que o motor do projecto europeu era o eixo franco-alemão, mas também sempre recorri à imagem dos três mosqueteiros que eram quatro. Temos o eixo franco-alemão e temos o Reino Unido. E o Reino Unido é parte integrante do eixo franco-alemão, por paradoxal que possa parecer. É o moderador externo, digamos assim, dos equilíbrios internos desse eixo. E como nós vamos estar confrontados com uma questão seriíssima, atinente ao Reino Unido...

Questão muito mais grave do que a Grécia...
É verdade, e espero que não saiam. Mas é manifesto que, tendo de tratar da questão britânica, isso vai ser um enorme desafio ao eixo franco-alemão.

A Alemanha quer o Reino Unido dentro, a França parece querê-lo fora, embora, depois, também queira uma relação especial com ele no que toca à defesa.
A relação franco-britânica é a mais antiga e tensa relação europeia. Mas são os únicos que têm uma concepção global de política externa, que são membros permanentes do Conselho de Segurança, que são as duas potências militares e nucleares europeias. De alguma forma, a repulsa entre eles vem de serem tão parecidos.

A minha ideia é esta: como a questão do Reino Unido vai estar em cima da mesa este ano, uma parte importante da solução não é apenas a concepção franco-alemã sobre o futuro da zona euro, é também sobre o futuro da União Europeia, no seu conjunto e com o Reino Unido a bordo.

Quando o euro nasceu foi olhado como uma forma de amarrar a Alemanha à União. Kohl ofereceu a Mitterrand o que de mais preciso tinha a Alemanha nessa altura, que era o marco. Hoje os resultados não são os que esperaríamos. Muita gente diz que o euro não uniu, antes dividiu.
Há uma mais-valia acrescentada com a moeda única, há. O euro é uma moeda de referência nas trocas internacionais? É. É uma moeda de reserva das economias emergentes? É. É, aliás, um dos poucos domínios em que a Europa dá cartas à escala mundial ou tem, pelo menos, os instrumentos para um protagonismo global. Mas é evidente que, nestes últimos 10 anos, houve países que beneficiaram mais da moeda única do que outros. A Alemanha à cabeça, permitindo-lhe criar um excedente da balança externa de 7%, e isso constitui um mérito da moeda única em benefício da Alemanha. Mas a questão não é tanto Norte-Sul mas centro-periferias. E o risco que existe na Europa é criar a ideia de que há ganhadores permanentes e perdedores permanentes. Essa é que é a verdadeira factura.

Mas isso não é percebido assim pelos alemães.
É verdade. Mas a crise veio pôr a nu que uma união monetária exige que haja convergência económica. Parte dos problemas da divergência resultam de opções tomadas pelos governos nacionais, que não aproveitaram em devido tempo a oportunidade da moeda única para fazerem as reformas necessárias para melhorarem a competitividade. O que está agora em cima da mesa é como é que se acrescenta esse pilar económico, fazendo-o num período de recessão económica e de menor crescimento à escala global, de relativa pujança, por enquanto, das economias emergentes...

Que, elas próprias, já estiveram bem melhores.
Sim. O problema é que a Europa não foi considerada como um refúgio alternativo para a retracção dos investimentos nos mercados emergentes. Esse papel voltou a ser dos Estados Unidos, com a retoma da economia americana. Temos de ser suficientemente humildes para perceber que o papel da Europa no mundo está ameaçado e que exige soluções tanto do ponto de vista económico, como da sustentabilidade da moeda comum, como da garantia da coesão social, afectada por esta crise, como da construção de uma política externa, de segurança e de defesa que reponha a Europa como um player global.

Donald Tusk disse recentemente que o maior risco de contágio não é financeiro, é político. As consequências políticas desta crise podem ser ainda mais devastadoras do que as económicas?
Tem toda a razão e basta olhar para a Grécia. O PASOK desapareceu, a Nova Democracia entrou em crise. Esta crise dividiu o próprio Syriza e, aparentemente, ainda é a partir do Syriza que se poderá construir no futuro alguma coisa — pelo menos com uma facção do Syriza. Mas se o Syriza soçobrar nos braços desta crise, o que resta é a Aurora Dourada. Não é esta a Europa que queremos.

E não é só a Grécia. Olha-se para a maioria dos países do euro e vê-se como os sistemas partidários estão a ser postos à prova. Às vezes a única excepção parece a nossa...
E a Alemanha. Prestem lá essa homenagem à chanceler. Se tivéssemos uma Marine Le Pen alemã...

A Europa acabava...
Ora bem. E mesmo a França é factor de enorme preocupação.

O centro-esquerda não consegue encontrar o seu espaço, que seria fundamental para criar uma alternativa dentro do consenso europeu.
A alternativa que a social-democracia representava há vinte anos atrás, que era globalização económica, crescimento e redistribuição mais justa, confrontou-se com um problema central que foi subavaliado e que é a desregulação da globalização. O modelo fazia sentido na teoria, mas faltava-lhe esse instrumento fundamental. Isso teve consequências sobre a mobilidade acrescida do capital, a diminuição da capacidade de tributação dos Estados e, consequentemente, da arrecadação do volume de impostos necessário para a redistribuição, acabando por gerar um aumento das desigualdades. Das desigualdades entre países, à escala global, e dentro dos países, incluindo também os países com economias desenvolvidas, o que é uma má novidade. É esse o desafio a que o centro-esquerda tem de responder. Não é fácil.

O seu optimismo é realista?
É. Eu sou defensor de soluções realista. E nada do que lhe disse nesta conversa é impossível. Porque há uma coisa que eu sei: a implosão deste projecto é uma catástrofe global, para todos, a começar pelos europeus e para aqueles que estão hoje na posição mais confortável da integração europeia. Leia-se Alemanha. Seria absurdo do ponto de vista histórico que a Alemanha pudesse suicidar-se através do processo europeu.

Qual é a Europa que nos convém, admitindo que a anterior não voltará.
Não voltará. Temos que aprender a viver numa Europa muito diferente daquela a que estávamos habituados e temos de redefinir duas coisas. O que é o nosso interesse nacional e como é que estribamos o consenso interno para estarmos nessa Europa. Não há modelos alternativos, há modelos complementares, seja o espaço transatlântico, seja o espaço lusófono, que são valores acrescentados para podermos negociar a nossa presença na Europa. Mas essa presença no núcleo duro europeu, que é o euro, continua a ser a ancoragem que melhor nos serve. Mas temos de perceber que, mudando as condições, também temos de redefinir os nossos objectivos. Estas questões têm a ver com as nossas escolhas internas. Em segundo lugar, termos de definir a maneira como gerimos as nossas alianças no plano europeu.

Em que sentido?
Vou dizer algo abstracto. Portugal é um exemplo de que, sempre que soube defender o seu interesse nacional encontrando soluções que potenciavam o interesse europeu, ganhou."


*


Este comentário faz a avaliação perfeita da entrevista e do entrevistado:

Pecas
Político de Bancada, Lisboa 26/07/2015 09:09
1) Excelente entrevista. António Vitorino é um oásis de inteligência no deserto socialista.
2) Para perceber a "rendição" da Grécia é preciso ler o Financial Times e ficar perplexo com a incompetência do governo grego no seu ousado plano para a saída do euro (o Observador tem um bom resumo)