quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Doloroso ouvir, mas verdade


Observando esta infografia



concluímos:


OE 2011 Despesas do Estado
____________________________
Prestações sociais
Salários
Outras
Juros
Investimento
____________________________

milhões €
_________
37.641
18.820
13.720
6.332
3.870
_________


Onde se podia cortar no OE 2012? Em todas as despesas, menos nos juros. E não convém diminuir o investimento.
Foi decidido cortar nas pensões (Prestações sociais) e nos salários: 14% nos montantes iguais ou superiores a mil euros e 7%, em média, nos montantes entre 485 e 1000 euros. Não há dinheiro, temos de nos conformar.

Mas os Consumos Intermédios (Outras) não só não diminuem como vão aumentar. Porquê? Porque servem para pagar serviços prestados por sociedades de advogados, por economistas e engenheiros, ou seja, o sector privado que é pago pelo orçamento do Estado.
Não se vê, nem os políticos, nem os cidadãos anónimos a falar no assunto, só Ferreira Leite aludiu de passagem, e era importante em termos de moralização da sociedade portuguesa. É falso que requeira tempo, bastava impor uma taxa de redução nesses consumos.
Vamos todos falar neste assunto.

Agora debrucemo-nos sobre os salários mínimos europeus:


██ países (4) com salário mínimo entre 123 - 278 euros
██ países (4) com salário mínimo entre 278 - 319 euros
██ países (4) com salário mínimo entre 319 - 566 euros
██ países (4) com salário mínimo entre 566 - 863 euros
██ países (6) com salário mínimo entre 863 - 1758 euros
██ países (11) que não forneceram dados ao Eurostat
Em 2011, o salário mínimo em Portugal é 485 x 14 / 12 = 565 euros. Noutros países europeus: View table


Temos uma economia esfrangalhada desde os governos Cavaco Silva, tão débil como a dos países de leste. Mas não conseguimos competir com eles por causa dos seus salários mínimos miseráveis e da boa qualificação dada por um sistema de ensino de qualidade que nós perdemos após quase quatro décadas de uma política educativa errada (construção de milhares de escolas mas má formação de professores e ausência de exames).
Daí estas afirmações da troika:

"[Portugal] tem de competir com países em que os custos laborais são muito mais baixos, e isso consegue-se de duas formas: reduzindo salários e aumentando a eficiência.
Se o sector público corta salários, é óbvio que haverá contágio e o privado irá seguir.
"

"É de uma importância crucial que estas reformas permitam alinhar a produtividade dos trabalhadores com as remunerações por estes recebidas."


4 comentários:

  1. Caro blogger, é um facto mais que provado que o país tem produtividade baixa e feriados a mais (por mim até podiam cortar o 25/4, o 10/6, o 5/10 e o 1/12!) mas não se pode, nem deve cortar custos a torto e a direito. Há que mudar as mentalidades e ver mais longe, formar melhor e se lá fora somos mesmo bons, porque não somos também cà? Deixamos partir os nossos cérebros a troco de rivalizarmos com os chineses e outros ainda mais atrasados do que nós? Se há coisa que eu não entendo é porque não apostamos forte e feio na QUALIDADE? Porque os nossos gestores são retrógados? Nem todos. Mas, quem é que fala disto, por cá?

    «(...) No mundo anglo-saxonico a moda foi sempre cortar custos a torto e a direito, mesmo sacrificando a qualidade. Há 20 anos atrás as marcas americanas também tinham sinónimo de qualidade. E quem aposta no topo de gama, tem que ter excelente qualidade e não apenas mandar fabricar em países com baixa qualidade, para subir as margens.
    .
    .
    Hoje, tirando algumas marcas mesmo de nicho de mercado, as marcas americanas perderam fulgor. Porquê? Outsourcing. Made in China. (Ou Paquistão, não interessa.) Qual o erro evidente? Quem paga 5 mil euros por uma carteira, um vestido ou 20 mil euros por um relógio, não está à espera que o produto seja fabricado nas Chinas. Sinónimo de má qualidade.
    .
    .
    As principais marcas mundiais de luxo são europeias e japonesas. (E veja-se como os japoneses lutaram imenso para desfazer a má imagem que tinha há 40 anos, como hoje tem a China.) E porquê? Porque, mesmo que façam outsourcin, têm um cuidado elevado com a origem do produto. Não é por acaso que a Louis Vuitton veio abrir fábricas em Portugal. É que além do know-how tuga, há a etiqueta made in CE. (...)»

    Leiam o post e os respectivos comentários e irão perceber que tipo de promotores temos no país - o anglo-saxónico, claro - há quem queira fazer de Portugal o México da Europa!
    Saudações

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  2. Peço desculpa, esqueci o link: http://blasfemias.net/2011/11/15/o-sindrome-da-moeda-fraca/#comments

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  3. Ora, nem mais! Deveria ser esta a grande aposta do país: «(...) Nós temos a oportunidade de sermos os líderes latinos do mundo. Competir contra os Itaianos e contra os franceses. Nos segmentos topo de gama. Temos que competir contra a Alemanha nos segmentos topo de gama em produtos de elecrónica, máquinas, electrodomésticos. Temos que ter móveis de alta qualidade. E esta gente deve procurar fazer bem, vender bem e não olhar apenas para os preços baixos de venda. Pelo contrário, quanto mais baratos os produtos de venda, menores as probabilidades de fazer uma marca de luxo conceituada. Uma marca de luxo é sinónimo de distinção social, não de democratização. E essa distinção consegue-se a vender bem caro para distinguir os seus clientes do resto da “populaça”. Logo, se lhes querem vender caro, também têm que lhes dar algo em troca. Produto bem feito, com poucas falhas, com atenção aos pequenos pormenores, etc. Este tipo de clientela quer usar esses objectos como forma de distinguir, mas em troca do dinheiro gasto, querem algo em troca. E não é a importar quinquilharias de países com mão-de-obra barata que farão essa satisfação a este tipo de consumidores.
    E os opinadores, na maioria das vezes uns tesos armados em pseudo-elites, nem fazem a mínima ideia da alta qualidade dos produtos feitos em Portugal, mas que infelizmente são vendidos como marcas conceituadas pelo mundo fora. Estes tesos nem reconhecem a qualidade em Portugal, porque só vêm este tipo de objectos nas montras de Paris ou Milão, mas não conhecem mesmo o produto. Por isso dizem. E vamos exportar o quê? E para onde?
    E não vai ser um euro fraco que vai ajudar a fazer marcas de luxo ou conceituadas. Quando o problema é Gestão de vendas, publicidade, branding, logistica, circuitos de distribuição e comercialização, etc. O CCz aborda muito esses temas. É voz minotitária numa terra de preguiçosos mentais, que engolem todas as patranhas vendidas pelos anglo-saxónicos, que por sua vez são dos piores exemplos na construção de marcas fortes, de gestão industrial, etc. Os japoneses e os alemães não escrevem livros, aplicam na prática os seus conhecimentos.»

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  4. Agradeço o link que, entre outras deambulações, me conduziu para dados do INE sobre as exportações portuguesas. Há, de facto, uma deriva, para produtos de maior valor acrescentado que sabemos ser da responsabilidade da Autoeuropa e de uma fábrica da Peugeot Citroën em Mangualde.
    Era óptimo para o País poder manufacturar produtos de alta qualidade para compradores exigentes, como é defendido por um dos comentadores do artigo que cita a preferência das grandes marcas alemãs de automóveis pela indústria de curtumes portuguesa.
    No entanto, não podemos tomar a árvore pela floresta:

    http://cidadelusa.blogspot.com/2011/11/mais-vale-tarde-do-que-nunca_8115.html

    O professorado tem responsabilidade nesta situação porque não soube estabelecer um limite para além do qual não se aceitava prosseguir a aula.

    http://cidadelusa.blogspot.com/2011/05/longa-vida-ao-juiz-carlos-alexandre-ii.html

    Embora envolva violência física, ainda não é um caso extremo. Estes ainda frequentam, ou pelo menos estão inscritos, nalguma escola, ao contrário da quadrilha que, recentemente, sequestrou uma miúda para colaborar em assaltos a lojas e que já são banditismo puro.

    Da centena de milhar de alunos, que as escolas básicas e secundárias lançam anualmente no mercado de trabalho com um diploma, metade não tem qualificações para aprender qualquer profissão porque nem sequer adquiriram hábitos de trabalho.

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