sábado, 26 de março de 2011

PSD propõe disciplina de "Educação Financeira"


O PSD entregou no Parlamento um projecto em que recomenda ao Governo que promova a literacia financeira como "instrumento de estímulo à poupança e contributo para a diminuição do endividamento das famílias".

Eis um projecto que merece aplauso. Aliás é preciso ir mais longe: dar ferramentas aos alunos para projectarem uma empresa.

Quando se pergunta a um aluno que esteja a findar a escolaridade obrigatória (9º ano) que profissão vai escolher, diz que não sabe mas vai procurar um emprego no funcionalismo público ou ligar-se a um partido político.
E a maioria dos formandos dos cursos Novas Oportunidades, actual Educação e Formação de Adultos, são pessoas dependentes do Rendimento Social de Inserção.

Para estimular uma mentalidade de empreendorismo é absolutamente necessária a inclusão de uma disciplina de Gestão no curriculum do 3º ciclo, nos cursos profissionais (Ensino Secundário) e na Educação e Formação de Adultos.

No entanto, o sucesso desta medida dependerá do modo como for implementada. Criar uma empresa só pode ser ensinado por docentes ligados a empresas, não é por licenciados em Gestão, sem experiência, que se limitarão a debitar teorias lidas em manuais.
De projectos enfiados em arquivadores estão as prateleiras das arrecadações das escolas a abarrotar.


3 comentários:

  1. Li o seu comentário ao artigo de Helena Garrido, com o qual concordo [seu comentário], daí que tenha decidido visitar o seu espaço, já inserido nos meus favoritos.
    Relativamente a este post, gostaria de chamar a atenção para algo que não tem merecido a expectável atenção política há décadas: Porque é que a crónica e elevada desistência da escola ainda se mantém, apesar da propaganda mediática dizer o contrário - 37%! Dá que pensar!

    «Just 28% of the Portuguese population between 25 and 64 has completed high school. The figure is 85% in Germany, 91% in the Czech Republic and 89% in the U.S.»

    Recomendo a leitura de todo o artigo «A Nation of Dropouts Shakes Europe, Charles Forelle, Wall Street Journal»
    http://ur1.ca/3p60j

    - Será que para nos inteirarmos dos números reais (todos eles) temos de recorrer a fontes externas?!

    - Para quando uma reforma séria na Educação (do básico ao superior)?!

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  2. Agradeço as suas palavras de estímulo.
    Ser estudante antes do 25 A, por que tanto ansiávamos, e iniciar a docência no caos que se seguiu nas escolas foi um choque tremendo, só mitigado pela esperança de estar a ajudar na construção de uma sociedade nova.
    Mas a ilusão tem limites e a experiência adquirida deve levar as pessoas a adequarem o seu comportamento à realidade.

    Se me permite, deixo aqui um link para “A Nation of Dropouts Shakes Europe” para facilitar a leitura a quem ouse aventurar-se por estas bandas.

    As crianças e os adolescentes revelam uma enorme diversidade de aptidões e a escola tem de saber responder. Não adianta procurar transformar um jovem com vocação para cozinheiro em programador informático, o que é preciso é consciencializá-lo que, com o turismo em declínio na Europa, ou é um génio na cozinha ou arrisca-se a ficar desempregado. E criar vias que exigem menos estudo que a informática, como a agricultura ou as pescas.

    Tem de ser traçado um rumo para o país, que passa por elucidar os eleitores acerca da nossa situação económico-financeira.
    A escola está a preparar alunos para irem viver à sombra do RSI ou para o desemprego devido à escolha de cursos pouco adequados às necessidades das empresas.
    Chocou-me ver Paulo Azevedo e Mira Amaral no átrio do edifício central do IST a pedirem aos finalistas de engenharia para irem trabalhar para as suas empresas, tal é a falta de engenheiros electrotécnicos, de telecomunicações e informáticos.

    Uma reforma séria na Educação (do básico ao superior, como muito bem pormenoriza) é condição necessária para a sobrevivência do país. Ainda conservo a esperança de assistir durante a minha vida profissional.

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  3. Totalmente de acordo.
    Permita-me este desabafo (deduzo que sejamos da mesma geração, com vivências, ideais e valores em vias de extinção) - também senti o mesmo. Naquela época acreditámos, ou aceitámos tacitamente que tudo iria mudar para melhor, seria apenas uma questão de tempo... e vontade política.
    Porém, há medida que o tempo fluía e as frustrações se acumulavam, fomos perdendo energia e de certa forma adaptámo-nos à realidade do país que tínhamos e temos - um país à deriva, consumista, envelhecido, com baixo nível cultural e baixa auto-estima, em perigo de se auto-renovar, arrogante e individualista internamente, subserviente ao exterior... enfim, social e humanamente irresponsável ao ponto de despudoradamente colocar em perigo, não apenas a nossa soberania, como também o bem-estar das actuais e futuras gerações.

    Numa Europa também ela fragilizada por elevadas taxas de desemprego devido à deslocalização do tecido produtivo para Oriente, o nosso país, atafulhado de clientelas várias [com cerca de 639 fundações (que ninguém sabe ao certo para que servem), 349 Institutos, inúmeras Direcções Regionais/Gerais, Governos Civis, Reguladores, Inspecções, Fundos, Missões, Conselhos, PPP… enfim, um cem número de órgãos parasitários que nos sufoca em despesa supérflua, impostos e taxas], conseguirá enfrentar os inúmeros desafios que a própria tecnologia e a fuga de cérebros vem impondo na globalidade a todos os países?

    Descurámos a mais-valia turismo; Transformámos terras férteis em betão; Entregámos as pescas a terceiros e limitámo-nos a meros importadores e produtores de burocracia; Saberemos aproveitar a actual e grave crise que atravessamos para reavaliarmos a nossa existência? Saberemos o que realmente queremos?

    Conseguiremos mudar as nossas mentalidades, enquanto cidadãos ao ponto de exigirmos da classe política (que nos tem desgovernado ao longo de décadas), a transparência, o rigor e a liderança que necessitamos e/ou queremos?

    Talvez consigamos sobreviver se apostarmos forte na Educação, na mudança de mentalidades e se recuperarmos os valores que entretanto perdemos… mas, precisamos desesperadamente já de liderança e de coesão. E onde é que elas estão?

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