Pela dignificação da vida política e fomento de transparência no Estado Português
A situação orçamental de Portugal tem melhorado mais rapidamente do que o inicialmente previsto e o rácio da dívida pública face ao PIB começará a descer este ano, apesar de ser a partir de um nível muito elevado. O défice orçamental foi reduzido em um ponto percentual do PIB acima do que estava previsto no ano passado, sinalizando assim o forte empenho do Governo na via da consolidação orçamental.
O país irá concluir em breve o seu programa de assistência da UE/FMI, sem a necessidade de uma linha de crédito cautelar por parte do Mecanismo Europeu de Estabilidade. Portugal reconquistou o acesso aos mercados da dívida pública e, além do mais, o Governo conseguiu criar uma almofada financeira considerável.
A retoma económica em Portugal está a ganhar dinâmica, com sinais de crescimento das exportações, continuando estas a ter um forte desempenho. A Moody’s está convicta de que o crescimento económico será sustentado no médio prazo, porque as autoridades portuguesas implementaram uma vasta gama de reformas estruturais.
A revisão do rating para um possível upgrade reflecte a convicção da Moody’s de que a qualidade do crédito de Portugal pode melhorar ainda mais no curto prazo no caso de a agência concluir que Portugal conseguirá reduzir claramente o seu rácio bastante elevado da dívida pública (actualmente perto dos 130% do PIB), nos próximos anos. Durante este processo de revisão, a Moody’s avaliará as próximas decisões do Tribunal Constitucional de Portugal no que respeita a medidas-chave do Orçamento do Estado para 2014. A Moody’s considera que estas decisões são importantes, porque as medidas contestadas dizem respeito a itens-chave da despesa do Governo no que toca às pensões e salários da função pública. No entender da Moody’s, alcançar e manter baixos défices orçamentais no médio prazo é difícil sem se tocar nestas áreas-chave da despesa. Além disso, a agência pretende avaliar o plano orçamental de médio prazo recentemente apresentado pelo Governo e procurará esclarecer-se sobre a possibilidade de poder haver um consenso alargado quanto à necessidade de manter políticas orçamentais rigorosas para lá da actual legislatura.
Dados do banco central Português, o Banco de Portugal, indicam que a dívida bruta pública e do sector privado não financeiro ainda estava num muito alto 445% do PIB no final do ano de 2013, uma queda de apenas 0,5% face ao ano anterior e ainda 22% acima dos níveis anteriores à crise de 2008. Consideramos esta dívida como muito alta, especialmente tendo em conta a contracção contínua do crédito de Portugal e a inflação negativa actual. Apesar da recente recuperação do mercado de trabalho, espera-se que o rácio do emprego como percentagem da população residente permanecerá deprimido a cerca de 43% para os próximos três anos, em comparação com mais de 49% em 2007-2008. Pensamos que a baixa taxa de emprego — a par com um perfil demográfico desfavorável — poderá restringir o potencial de crescimento da economia no médio a longo prazo.
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