sábado, 14 de março de 2020

Um apelo dramático


Acabei de ler o artigo de opinião mais dramático até agora publicado sobre a COVID-19 em português. Foi escrito por um profissional de saúde profundamente conhecedor do que se está a passar nos hospitais italianos e da grave crise de recursos materiais e humanos por que passam os hospitais portugueses.
Como este blogue é sobretudo lido por descendentes de portugueses que enveredaram pela diáspora e, por isso, necessitam da tradução rápida acessível no canto superior direito, tomei a liberdade de copiar integralmente o texto, com as devidas vénias a quem teve a hombridade de escrever e ao jornal Público que foi capaz de publicar:


Estamos em guerra, senhor primeiro-ministro, por isso temos de usar tudo para defender o nosso país, que está à mercê dum inimigo sem igual. O maior que alguma vez tivemos de enfrentar nas nossas vidas.

Fausto J. Pinto
14 de Março de 2020, 20:58

Vivemos tempos únicos, em que subitamente, aquilo que era adquirido como conquistado, ou seja, a contenção das grandes pandemias que assolaram o mundo, há um século, foi deitado por terra com a crise resultante da pandemia pelo coronavírus covid-19. Numa fase inicial o mundo encarou o problema como sendo um problema chinês, mas rapidamente se percebeu que, mais tarde ou mais cedo, iríamos ter uma disseminação global. E finalmente temos a pandemia, declarada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), na passada quarta-feira. E o que era aparentemente um problema sobretudo chinês passou a ser um problema do mundo.

O director-geral da OMS pediu, muito claramente, aos países para fazerem tudo para conter esta tragédia. Mas, embora seja uma pandemia, não chega ao mesmo tempo a todos e isso cria uma janela de oportunidade gigantesca para os países que ainda não tiveram o embate maior. É aqui que Portugal ainda pode minimizar a dimensão do inevitável. Mas o tempo escasseia.

Hoje já temos 169 casos confirmados, com 12 doentes em cuidados intensivos. Estes casos foram resultado de contactos nas últimas duas semanas, o que significa que os números vão começar a crescer de forma muito significativa nos próximos dias, prevendo-se um pico daqui a cerca de duas a três semanas.

Este é pois o momento de actuar com toda a força. Como se fosse o Dia D, em que temos de jogar tudo para minimizar a força do inimigo. Infelizmente as armas que temos para este inimigo são muito escassas ou nenhumas, pois ainda não há nem tratamento específico, nem vacina. Na passada quinta-feira, V. Exa. anunciou medidas que vão ao encontro daquilo que muitos de nós propúnhamos, nomeadamente encerramento de escolas e outros estabelecimentos, bem como algumas medidas restritivas que anunciou. Mas, senhor primeiro-ministro, a dimensão do problema que enfrentamos exige muito mais.

Podia fazer uma longa narrativa justificando o que lhe vou pedir, mas transcrevo resumidamente as palavras dum médico italiano com grande responsabilidade e que está agora a viver a catástrofe em Itália: “Retiraram-se os ventiladores das salas de operações para montar novas áreas de cuidados intensivos. Usa-se todo o tipo de máquina que permita ventilar. Compraram-se novos ventiladores. Mas não chega. Deixámos de ventilar os doentes com mais comorbilidades e os idosos. É uma morte difícil. Em solidão. Sem ventilação. Com morfina e midazolam. O desmame dos que sobrevivem é demorado.”

Contam com quatro semanas de ocupação da Unidade de Cuidados Intensivos. A mortalidade é difícil de definir por causa dos que não chegam a ventilação invasiva. Estão a criar hospitais sujos e hospitais limpos. Pioram os cuidados aos não covid. Burnout entre os profissionais. Necessidade de apoio psicológico diário. Nenhum profissional se aproxima menos de um metro de outro. Têm teams próprios para intubação. Procuram intubar por fibroscopia. O essencial é os profissionais serem capazes de se despir de emoções. Diz que só tough guys aguentam a linha da frente.

Tem muitos anestesistas envolvidos. Este colega avisa para a necessidade de nos prepararmos psicologicamente. De não contar com as autoridades, mas sim com a nossa capacidade de inventar soluções. Deseja-nos muita coragem e muita força. Diz que as nossas vidas nunca serão iguais depois disto. Não sabe a que distância estão do pico, mas assinala que só as medidas de precaução na sociedade podem ajudar. E tem que ser a sério. Mais as medidas drásticas no hospital.

E este é o momento para Portugal tomar medidas ainda mais firmes, que nos defendam e minimizem a destruição que o inimigo, que já está entre nós, vai provocar.

Senhor primeiro-ministro, este é o momento de mostrar coragem e fazer o que tem de fazer que é decretar quarentena obrigatória, estado de emergência, porque é de uma emergência que estamos a falar. Fechar fronteiras, bares, cafés, restaurantes, casas de espectáculo, praias, tudo, excepto naturalmente os serviços essenciais, como os serviços de saúde. E estes terão de receber um reforço financeiro tão grande quanto o possa fazer. Estamos em guerra, senhor primeiro-ministro, por isso temos de usar tudo para defender o nosso país, que está à mercê dum inimigo sem igual. O maior que alguma vez tivemos de enfrentar nas nossas vidas.

Faça-o agora, quando ainda há uma pequena janela, do que daqui a uns dias quando já não tiver alternativa, mas for tarde de mais. Se agir agora, Portugal vai-lhe ficar grato para sempre, se agir tarde demais nunca lhe perdoará. E não pode dizer que não foi avisado.

Senhor primeiro-ministro, não perca mais tempo, pela sua e pela nossa saúde.


Cardiologista, Director da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e Presidente do Conselho de Escolas Médicas Portuguesas (CEMP); director do Serviço de Cardiologia e Departamento Coração e Vasos do Centro Hospitalar Lisboa Norte.


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Alguns comentários ao artigo mostram que muitas pessoas já se aperceberam da situação caótica e de penúria em que se encontra o Sistema Nacional de Saúde português (o negrito é meu):

Ricardo Santos.888436 Iniciante
Ate que enfim, passado um mês temos um artigo de opinião com bom senso. Fechem tudo já.

Joao Iniciante
Absolutamente de acordo. Só discordo com "é este o momento" pois em meu entender já deveria ter sido há semanas, mas é melhor tarde que nunca.

Jcampos.876517 Iniciante
Fechar, informar, explicar. Temos uma população pouco escolarizada. Isso também se paga.

mzeabranches Iniciante
Esperemos que este apelo seja ouvido pelos responsáveis políticos e pela população em geral!

jacekm.885207 Iniciante
Eu sou polaco, moro em Portugal. Meu país fechou as fronteiras, discotecas e bares. Você tem que fazer o mesmo.

Boris Vian Influente
Pois foi. Essa leviandade irresponsável de pensar 'inicialmente como sendo um problema chinês... e agora, é como está no sub-título "Estamos em guerra". Uma guerra Invisível!

newsbypublic.882951 Iniciante
Muito obrigado, Sr. Prof. Fausto Pinto, pelo seu testemunho e lucidez. É incompreensível que, neste momento sem paralelo, os factores económicos estejam num patamar superior em relação ao direito e ao valor da Vida. Da Vida de cada um de Nós. As medidas têm sido tomadas, de forma tardia e hesitante, como por exemplo, o "controle pontual" de fronteiras. Ou há um controle eficaz ou esta atitude de "controle pontual" é meramente demagógica. Bares a encerrar às 21 horas? E a que hora é que podem abrir? Quantas pessoas/dia e em que condições irão frequentar os bares, etc? António Costa não aprendeu com a tragédia de Pedrogão Grande. Não há destino. Houve negligência criminosa que ficou impune. Nos Hospitais quando tiverem que decidir quem irá ter acesso a um ventilador será dramático. M. C

newsbypublic.882951 Iniciante
António Costa, Mário Centeno e outros membros do governo são moralmente responsáveis pelo desinvestimento crescente no SNS. Em notícias publicadas em outros media, é revelada a escassez de ventiladores no SNS, independentemente da situação actual e premente da covid-19. Já faltavam ventiladores, logo os cuidados de saúde há muito que estavam comprometidos. É importante realçar este facto. No cenário excepcional causado pela covid-19 que irá atingir a sociedade portuguesa, de forma mais ou menos traumática, as decisões nos Hospitais, tendo em conta o relato de um médico italiano são tomadas, de acordo com a idade e as condições de saúde de cada um. À partida, os idosos, os doentes oncológicos ou com outras patologias crónicas são mais vulneráveis. Com o que é que vão poder contar? M. C

JJ Influente
É por este motivo que em países como Portugal não se pode actuar só com medidas de sensibilização. Por respeito até com os próprios profissionais de saúde que vão atravessar semanas ou meses no tratamento dos infectados o governo já deveria ter decretado estado de emergência nacional e fecho de fronteiras. Tristeza de país.

Norberto Iniciante
O meu maior medo é o da irracionalidade das pessoas, do pânico e do histerismo. A mente irracional é muito mais perigosa que o Coronavírus. Fecho de fronteiras, desconfiança do próximo, quebra brutal dos investimentos (sobretudo nos países emergentes) irão criar problemas muito maiores que as mortes causadas pelo Coronavírus. A emenda é pior que o soneto. Estamos em guerra com o pânico e com o histerismo. A quarentena impõe-se para pessoas com mais de 70 anos ou com outros problemas de saúde. Não para os demais. O risco de morrer em Portugal por Coronavírus mesmo que já houvessem 30.000 casos em Portugal é inferior à mortalidade esperada POR ANO de acidentes de viação (para alguém de 40-50 anos). Sugere então que se proíba andar de carro durante os próximos 50 anos? Proibir fumar e açúcar?

Nuno Araujo Iniciante
É por causa de pessoas como o Norberto que temos mesmo que declarar Estado de Emergência e obrigar as pessoas a ficarem em casa. São sempre mais espertas e mais inteligentes que os outros. Nada lhes acontece. E pouco lhes importa se estão a morrer muitas ou poucas pessoas, ou se os médicos estão já desesperados com o fluxo de doentes a chegarem ao hospital e isto ainda nem começou. Enfim...

ALRB Experiente
A probabilidade de este primeiro-ministro tomar uma medida corajosa é igual à probabilidade de uma galinha ter dentes. Este PM funciona unicamente em função da popularidade: se dá votos ele faz, nem que seja errado, se não dá votos ele não faz nem que fosse preciso que fizesse.
A única maneira de ele tomar a medida de fechar o país é ele poder dizer que a UE mandou fechar o País, ou não aparecer ninguém nos postos de trabalho (aí ele percebia que a medida seria popular). Uma última hipótese era conseguir culpar o Passos Coelho, mas essa desculpa já está muito gasta.


terça-feira, 10 de março de 2020

O que é a COVID-19 (Coronavirus Disease 2019)?


O que já se sabe sobre a doença causada pelo novo coronavírus que surgiu na China e se está a disseminar por todo o mundo?


Plataforma informática dos casos de COVID-19 do Center for Systems Science and Engineering (CSSE) da Johns Hopkins University aqui.


Vamos apoiarmo-nos na informação do Centers for Disease Control and Prevention (CDC), o principal instituto nacional de saúde pública dos Estados Unidos.
O CDC é uma agência federal dos Estados Unidos, sob tutela do Departamento de Saúde, focada no controle e prevenção de doenças, especialmente doenças infecciosas. A partir de 2013, os laboratórios de biossegurança de nível 4 do CDC contam-se entre os poucos que existem no mundo, sendo um dos dois únicos repositórios oficiais (o outro situa-se na Rússia) de varíola, uma doença erradicada em 1980 graças a uma campanha mundial de vacinação.



Esta é uma imagem do Severe Acute Respiratory Syndrome Coronavirus 2 (SARS-CoV-2) que causa uma doença chamada Coronavirus Disease 2019 (COVID-19).


Origem e disseminação do vírus

Os coronavírus são uma grande família de vírus comuns em pessoas e em muitas espécies diferentes de animais, incluindo camelos, gado, felinos e morcegos. Os coronavírus dos animais podem, raramente, infectar pessoas e depois disseminar-se entre pessoas como aconteceu com o SARS-CoV na China, em 2003, o MERS-CoV na Arábia Saudita, em 2012, e agora com este novo vírus chamado SARS-CoV-2.

Tal como o SARS-CoV e o MERS-CoV, o vírus SARS-CoV-2 também é um betacoronavírus, um tipo de vírus proveniente de morcegos. As sequências de ARN de pacientes dos EUA são semelhantes às publicadas inicialmente pela China, sugerindo uma provável emersão recente e única deste vírus a partir de um reservatório animal.

O surto iniciou-se em Wuhan, província de Hubei, na China, com o epicentro num grande mercado de marisco e animais vivos, sugerindo a disseminação de animal para pessoa. Em seguida, o número crescente de pacientes sem exposição a mercados de animais pôs em evidência a disseminação de pessoa para pessoa. Esta disseminação de pessoa para pessoa transbordou para fora de Hubei e, posteriormente, para fora da China.
Actualmente, em alguns destinos internacionais, parece ocorrer uma disseminação comunitária, ou seja, não se sabe como, ou onde, algumas pessoas infectadas tiveram contacto com o novo coronavírus.

Gravidade da doença

O quadro clínico completo da COVID-19 não é totalmente conhecido. As doenças relatadas variaram de muito leves (incluindo algumas sem sintomas relatados) a graves, incluindo casos fatais.
Um relatório elaborado na China sugere que as doenças graves ocorrem em 16% dos casos. Pessoas idosas e pessoas de todas as idades com graves problemas de saúde subjacentes — como seja doenças cardíacas, pulmonares e diabetes, por exemplo — parecem estar em maior risco de desenvolver uma COVID-19 grave.

Avaliação de risco

Surtos de novas infecções por vírus entre as pessoas são sempre uma preocupação de saúde pública. O risco destes surtos, para a generalidade das pessoas, depende das seguintes características do vírus:
  • a velocidade de disseminação entre as pessoas;
  • a gravidade da doença resultante e
  • as iniciativas clínicas, ou outras, disponíveis para controlar o impacto do vírus (por exemplo, vacinas ou medicamentos para tratar a doença).
O facto desta doença ter causado enfermidades graves, incluindo enfermidades que resultam em morte, é preocupante, especialmente porque também mostrou uma disseminação sustentada de pessoa para pessoa. São dois dos critérios de uma pandemia. À medida que a disseminação comunitária é detectada em cada vez mais países, aproximamo-nos do cumprimento do terceiro critério de pandemia — disseminação mundial do novo vírus.

Avaliação de risco em 9 de Março de 2020:

  • Para a maioria das pessoas, o risco imediato de ser exposto ao vírus que causa a COVID-19 é baixo. Não há ampla circulação do vírus na maioria das comunidades nos Estados Unidos.
    [Na maioria das comunidades, em Portugal, também não]
  • As pessoas em locais onde foi relatada disseminação comunitária contínua do vírus causador da COVID-19 têm um risco elevado de exposição.
    [Em Portugal, isto sucede nos distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Vila Real e Bragança e no concelho de Lisboa]
  • Os profissionais de saúde que cuidam de pacientes com a COVID-19 têm um risco elevado de exposição.
  • Contactos próximos com pessoas infectadas com o SARS-CoV-2 também têm um risco elevado de exposição.
  • Os viajantes que regressam de locais internacionais onde a disseminação comunitária está a ocorrer também têm um risco elevado de exposição, com o aumento do risco dependente do país/região.

Orientações de viagem

Os destinos internacionais dividem-se por três níveis de risco:
Aviso - Nível 3, Evite viagens não essenciais
Ampla transmissão comunitária
  • China
  • Irão
  • Itália
  • Coreia do Sul
Alerta - Nível 2, Precauções aprimoradas
Transmissão comunitária sustentada — precauções especiais para viajantes de alto risco
  • Japão
Atenção - Nível 1, Precauções habituais
  • Hong Kong

Viajantes provenientes de países com ampla transmissão comunitária que regressam aos Estados Unidos [Apelamos aos viajantes que regressam a Portugal para que implementem uma quarentena similar]
Fique em casa durante 14 dias a partir do momento em que deixou uma área com ampla disseminação comunitária contínua (Aviso - Nível 3) e pratique o distanciamento social.

Siga estas etapas para monitorizar a saúde e praticar o distanciamento social:
  1. Meça a temperatura com um termómetro duas vezes por dia e monitorize a febre. Observe também tosse ou dificuldade em respirar.
  2. Fique em casa e evite o contacto com outras pessoas. Não vá trabalhar ou à escola durante esse período de 14 dias [período de incubação médio]. Discuta a situação profissional com o seu empregador antes de retornar ao trabalho.
  3. Não use transporte público, táxi ou carro compartilhado durante o tempo em que pratica o distanciamento social.
  4. Evite lugares superlotados (tais como centros comerciais e cinemas) e limite as actividades em público.
  5. Mantenha distância de outras pessoas (cerca de 2 metros).

Destaques da resposta do CDC

Uma parte importante da função do CDC durante uma emergência de saúde pública é desenvolver um teste para o patógeno e equipar os laboratórios de saúde pública estaduais e locais com capacidade de teste.
  • O CDC desenvolveu um teste rRT-PCR para diagnosticar a COVID-19. O teste consiste numa Reacção em Cadeia da Polimerase com transcrição reversa (RT-PCR), em tempo real, que permite detectar pequenas quantidades do ARN viral.
    • Trata-se de uma técnica de laboratório em que ARN é convertido em ADN pela enzima Transcriptase Reversa (RT), e depois o ADN é amplificado por Reacção em Cadeia (desencadeada pela enzima) Polimerase (PCR). A reacção de amplificação é monitorizada por fluorescência durante a PCR (isto é, em tempo real), não no final como na PCR convencional. Daí chamar-se rRT-PCR.
    • Na noite de 8 de Março, 78 laboratórios de saúde pública estaduais e locais nos 50 Estados e no Distrito de Columbia foram verificados com sucesso e estão a usar os testes de diagnóstico da COVID-19.
    • Combinado com outros reagentes que o CDC adquiriu, existem kits de teste suficientes para testar mais de 75.000 pessoas.
    • Além disso, dois laboratórios do CDC estão a realizar testes para o SARS-CoV-2, podendo testar aproximadamente 350 amostras por dia.
  • O CDC também está a desenvolver um teste serológico para a COVID-19. Estes testes medem a concentração de anticorpos no sangue que são proteínas específicas produzidas em resposta às infecções. Esta resposta imunológica vai permitir detectar infectados que tiveram poucos sintomas ou foram assintomáticos.


Esta é uma foto do kit de teste laboratorial do CDC para o SARS-CoV-2. Os testes do CDC são fornecidos aos laboratórios estaduais e locais de saúde pública dos EUA, ao Departamento de Defesa e a laboratórios internacionais seleccionados.

O leitor interessado poderá encontrar informação actualizada no website da agência federal CDC.

Agora vamos ver um vídeo produzido pela empresa privada que Ryan Haynes e Shiv Gaglani começaram a construir quando eram estudantes de Medicina na Johns Hopkins University.
Fora da sala de aula, eles descobriram que as visualizações eram uma maneira mais eficaz de aprender Medicina. O que começou por ser uma ferramenta para ajudar Shiv, Ryan e os colegas transformou-se na actual Osmosis, uma plataforma abrangente que ajuda pessoas de todo o mundo a entenderem a saúde mais profundamente.

Centenas de milhares de médicos e estudantes de Medicina aprendem por vídeos de animação produzidos por esta empresa. Este narra a história da COVID-19 — causas, sintomas, diagnóstico, tratamento, patologia (seleccione as legendas em português):



  • Em 6:36 mostra-se que a perigosidade do SARS-CoV-2 é uma consequência da sua velocidade de disseminação R₀.
  • 7:40 O teste de diagnóstico consiste numa Reacção em Cadeia da Polimerase com transcrição reversa (RT-PCR), em tempo real, que permite detectar pequenas quantidades do ARN viral.
  • 7:55 O tratamento está focado em cuidados de suporte — fornecimento de líquidos, oxigénio e suporte ventilatório.
    Mas há três medicamentos eficazes em laboratório: cloroquina, um anti-malárico, ritonavir, um anti-viral usado contra o HIV, e remdesivir, um antiviral previamente usado contra o ébola.
    Este último foi administrado ao primeiro doente com COVID-19 nos Estados Unidos no 11º dia da doença, porque o seu estado clínico estava a piorar, e o doente começou a melhorar no dia seguinte. Estão a ser efectuados ensaios clínicos em larga escala na China.
  • 8:37 Como não é possível produzir uma vacina nos próximos meses, a prevenção consiste em evitar a transmissão entre pessoas ou isolar os doentes.
  • 10:37 Breve resumo
  • 11:37 Dedicatória ao Dr. Li Wenliang

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Para os negacionistas fica aqui uma imagem arrepiante dos cuidados intensivos do hospital de Cremona, na Itália, o segundo país com mais mortes por COVID-19, onde os médicos trabalham entre 12 e 14 horas por dia e dizem estar a viver num cenário de guerra:



As imagens foram captadas com câmara oculta pelo programa televisivo Piazzapulita.


quinta-feira, 5 de março de 2020

Recomendações para a COVID-19


O Estado da Califórnia, com 39,5 milhões de habitantes, tem 38 casos confirmados de Coronavirus Disease 2019 (COVID-19) e declarou ontem o estado de emergência.
Portugal, com cerca de 1/4 deste número de habitantes e um sistema nacional de saúde caótico, tem já 9 casos confirmados de pneumonia pelo novo coronavírus que parece ser de rápida propagação (tal como o vírus do sarampo), mas só a directora-geral da Saúde, Maria da Graça Freitas, está preocupada: "Estamos a ver a ponta do icebergue".





Horas antes do governador do Estado da Califórnia declarar uma emergência para todo o Estado, a cidade de Los Angeles declarou uma emergência de saúde devida ao coronavírus, alertando para a possibilidade de transmissão comunitária da doença que já causou 3.347 mortes em todo o mundo (supondo que o partido comunista chinês tem divulgado o número de mortes verídico nas diferentes províncias chinesas).

A medida ocorre depois de Los Angeles County ter confirmado seis novos casos do coronavírus e 7 no total, de acordo com a directora do Departamento de Saúde Pública desse município, Dra. Barbara Ferrer.

"Assinei uma declaração de emergência local para a cidade de Los Angeles", anunciou o prefeito Eric Garcetti, via Facebook. "Embora haja apenas alguns casos activos conhecidos de COVID-19 na região, a declaração ajuda-nos a aceder ao financiamento estadual e federal para fortalecer e apoiar os esforços para preparar a região e manter as nossas comunidades seguras".

A presidente do conselho de supervisores do município, Kathryn Barger, esclareceu que era uma reacção planeada ao vírus: "Esta não é uma resposta enraizada no pânico", disse Barger, tendo acrescentado que a declaração de emergência ajudaria as agências a coordenar a resposta e a conter o vírus num município onde vivem mais de 10 milhões de pessoas, tanto como a população portuguesa.

Por que motivo as autoridades sanitárias e administrativas do Estado da Califórnia estão tão preocupadas com a propagação da COVID-19?
É que num Estado mais a norte, o Estado de Washington, com apenas 7,5 milhões de habitantes, existem 39 casos confirmados de pneumonia pelo coronavírus, dos quais 31 em King County, o município onde está situada Seattle, a maior cidade de Washington.

Nós, portugueses, estamos a importar a doença de Itália, o país do mundo com maior número de mortes pela COVID-19 depois da China, mas os nossas políticos não estão preocupados, apenas a DGS divulga alguma informação. Chegou o momento de começarmos a procurar informação nos Estados que têm políticos competentes e não corruptos para adoptarmos as melhores práticas.

Estas são as recomendações das autoridades sanitárias de Seattle&King County:

  1. Orientação para pessoas com maior risco de doença COVID-19 grave

    A Saúde Pública [Seattle, Washington, EUA] recomenda que as pessoas com maior risco de doença grave fiquem em casa e longe de grandes grupos de pessoas, tanto quanto possível, incluindo locais públicos com muitas pessoas e grandes reuniões onde haverá contacto próximo com outras pessoas. Isto inclui salas de concerto, convenções, eventos desportivos e reuniões sociais superlotadas.

    Pessoas em maior risco incluem pessoas:
    • Acima de 60 anos de idade
    • Com problemas de saúde subjacentes, incluindo doenças cardíacas, pulmonares ou diabetes
    • Com o sistema imunitário enfraquecido
    • Grávidas

    Cuidadores de crianças com problemas de saúde subjacentes devem consultar os profissionais de saúde para saber se os filhos devem ficar em casa. Qualquer pessoa que tenha dúvidas se a sua condição de saúde a coloca em risco pelo novo coronavírus, deve consultar os seus médicos.

  2. Orientação para locais de trabalho e empresas

    Os empresários devem tomar medidas para tornar mais viável que os funcionários trabalhem de maneira a minimizar o contacto próximo com um grande número de pessoas.

    Os empresários devem:
    • Maximizar as opções de teletrabalho para o maior número possível de funcionários.
    • Instar os funcionários a ficar em casa quando estão doentes e maximizar a flexibilidade nos benefícios de baixa médica.
    • Considerar tempos de início e término instáveis para reduzir o número de pessoas que se reúnem ao mesmo tempo.

  3. Considerações sobre eventos e reuniões da comunidade

    Se puder evitar reunir grandes grupos de pessoas, adie eventos e reuniões.

    Se não puder evitar reunir grupos de pessoas:
    • Incentive qualquer pessoa que esteja doente a não comparecer.
    • Incentive aqueles que têm maior risco para o coronavírus a não comparecer.
    • Tente encontrar modos de dar às pessoas mais espaço físico para que elas não estejam em contacto próximo, o tanto quanto possível.
    • Incentive os participantes a manter bons hábitos saudáveis, como lavar as mãos com frequência.
    • Limpe as superfícies com produtos de limpeza.

  4. Orientação para escolas

    A Saúde Pública não está a recomendar o encerramento de escolas no momento, a menos que haja um caso confirmado na escola. A razão pela qual não estamos a recomendar o encerramento de escola é que as crianças não demonstraram ser um grupo de alto risco para doenças graves causadas por este vírus. Além disso, quando algumas escolas fecharam brevemente durante a pandemia de gripe H1N1, descobrimos que muitas crianças ainda se reuniam em grupos e ainda tinham exposição umas às outras. Tanto quanto possível, as crianças devem poder continuar com a educação e actividades normais.

    Saúde pública — a Seattle&King County também respeita as decisões de cada escola individual sobre o encerramento ou adiamento de actividades, pois cada escola conhece melhor as necessidades da comunidade.

    Algumas crianças têm problemas de saúde subjacentes, como sejam sistemas imunitários debilitados, que as colocam em maior risco. Cuidadores de crianças com problemas de saúde subjacentes devem consultar os profissionais de saúde para saber se os filhos devem ficar em casa.

  5. Para pessoas doentes

    Fique em casa quando estiver doente. Não saia em público quando estiver doente.

    Evite cenários médicos em geral, a menos que seja necessário. Se estiver doente, ligue para o consultório médico antes de entrar.

  6. Para o público em geral

    • Mesmo se não estiver doente, evite visitar hospitais, instituições de cuidados continuados ou asilos, na medida do possível. Se precisar visitar uma dessas instalações, limite o tempo e mantenha-se a 1,8 metros de distância dos pacientes.

    • Não vá à urgência, a menos que seja essencial. As salas de urgência precisam de ser capazes de atender as pessoas com necessidades mais críticas. Se tiver sintomas como tosse, febre ou outros problemas respiratórios, entre em contacto primeiro com o seu médico.

    • Fique em casa quando estiver doente.

    • Pratique excelentes hábitos de higiene pessoal, incluindo lavar as mãos com água e sabão com frequência, tossir num lenço de papel ou cotovelo e evite tocar nos olhos, nariz ou boca.

    • Fique longe de pessoas doentes, especialmente se estiver em maior risco para o coronavírus.

    • Limpe superfícies e objectos tocados com frequência (como maçanetas e interruptores de luz). Produtos de limpeza doméstica habituais são eficazes.

    • Evite tocar nos olhos, nariz e boca, a não ser depois de lavar as mãos.

    • Descanse bastante, beba bastantes líquidos, coma alimentos saudáveis ​​e domine o stress para manter a imunidade forte.

    • Mantenha-se informado. As informações estão a mudar com frequência.


terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

In Memoriam Laura Ferreira




27 de Setembro de 1965 - 25 de Fevereiro de 2020


Laura Maria Garcês Ferreira nasceu em Bissau numa família profundamente ligada a Cabo Verde e à Guiné-Bissau. Na verdade, embora ambos os progenitores fossem filhos de portugueses, o pai, Tomás Ferreira, era filho de uma cabo-verdiana, e a mãe, Domitília Garcês, era filha de uma guineense.

Como o pai era funcionário da administração pública portuguesa na Guiné-Bissau, Laura Ferreira também viveu em Teixeira Pinto (actual Canchungo).
Depois do 25 de Abril a família foi viver para o Mindelo, em Cabo Verde, e em 1978 para Coimbra, onde Laura estudou no Liceu José Falcão. Mais tarde, a família fixou-se no Cacém, perto de Lisboa. Laura matriculou-se em Medicina na Universidade de Lisboa, mas no segundo ano passou para o curso de Fisioterapia cuja licenciatura concluiu.

No início da década de 2000 começou a trabalhar como fisioterapeuta no Centro de Educação para o Cidadão Deficiente (CECD) em Mira Sintra. Vários anos depois passou a desempenhar as funções de coordenadora no Centro de Medicina e de Reabilitação.

Teve duas filhas, Teresa, de 24 anos, nascida num primeiro casamento, e Júlia, de 12, nascida no casamento de 2004 com Pedro Passos Coelho.

Em Janeiro de 2015, o então primeiro ministro confirmou publicamente que Laura sofria de uma doença oncológica, depois de esta ter surgido sem cabelo numa viagem oficial a Cabo Verde.

Posteriormente, em Maio desse ano, foi publicada uma biografia autorizada de Pedro Passos Coelho onde é narrado o contexto em que a doença apareceu: "No Verão de 2014, Laura sofreu uma lesão de trabalho, que não passou como devia. Os meses foram passando e a mobilidade foi ficando limitada, cimentando-se a suspeita de que podia ser algo mais sério. Confirmou-se o pior cenário. Foi-lhe diagnosticado um osteossarcoma, um tumor ósseo agressivo que a forçou, e força ainda, a várias sessões de quimioterapia pré e pós-operatória".
A seguir acrescenta-se que, em Fevereiro de 2015, Laura foi submetida a uma cirurgia para extracção do tumor na tíbia e no fémur, tendo recebido uma prótese no joelho.

Nesta biografia há um parágrafo onde a própria Laura revela as suas preocupações: "Ter a consciência da morte é duro. Mas é uma coisa real. Há momentos em que tive paz de espírito e em que pensei: 'É assim mesmo'. Olho ao espelho e penso que este corpo vai deixar de existir. Tenho muito medo de morrer, mas depois há um lado que se levanta e diz: 'Não, tens o teu marido, tens as tuas filhas e a tua família'. Eu tenho que viver! Tenho tanta coisa para fazer".

A sua luta contra o osteossarcoma no joelho, diagnosticado em Novembro de 2014, durou mais de um ano, tendo terminado os tratamentos de quimioterapia no Outono de 2015.

No entanto, em Março de 2017, quando a família pensava que Laura já estava livre da doença, exames de rotina mostraram que tinham surgido metástases do cancro ósseo nos pulmões, obrigando-a a regressar aos tratamentos no Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa.

Em Dezembro de 2019, o seu estado de saúde agravou-se e teve de ser internada no IPO de Lisboa, sempre contando com o apoio incondicional de Pedro Passos Coelho que passava os dias e até pernoitava no hospital de forma a acompanhar a esposa em permanência.

Ontem à noite, Laura entrou novamente na urgência do IPO, onde morreu esta madrugada. Viveu e morreu com dignidade.



Laura com os pais


Laura com o marido, as filhas Júlia e Teresa e outra criança, em 2011


O sorriso lindo de Laura


Laura com o marido em 2016


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Tolerância à morte provocada - III


Neste P24 do jornal Público, dois médicos debatem a eutanásia:

  • Bruno Maia, médico especialista em Neurologia e Medicina Intensiva e coordenador hospitalar de Doação no Centro Hospitalar de Lisboa Central, e
  • José Diogo Martins, vice-presidente da Associação dos Médicos Católicos Portugueses, assistente hospitalar graduado de Cardiologia Pediátrica, mestre em Educação Médica pela Universidade Católica Portuguesa e doutor em Medicina pela NOVA Medical School.




Quem é Miguel Ricou, o autor do estudo em que o médico Bruno Maia se apoia para afirmar que a maioria dos médicos portugueses apoiam a legalização da eutanásia? Eis o seu currículo:
Miguel Ricou nasceu no Porto no dia 03 de outubro de 1972. É Doutorado pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra na área de Psicologia Clínica. É Mestre em Bioética pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e Licenciado em Psicologia Clínica pelo Instituto Superior de Ciências da Saúde-Norte. Desde que se licenciou em 1997 que tem desenvolvido investigação na área da ética e da bioética, com especial ênfase na ética profissional, tendo dedicado grande parte do seu tempo ao estudo dos Princípios Éticos dos Psicólogos Portugueses. É membro da Associação Portuguesa de Bioética, da qual é vogal da Assembleia Geral desde 2002. Foi o primeiro Presidente do Conselho Jurisdicional da Ordem dos Psicólogos Portugueses. Fez parte da Comissão responsável pela elaboração do Código Deontológico dos Psicólogos Portugueses. É o representante Português no Board of Ethics da EFPA (European Federation of Psychologists’ Associations).

Para além da sua atividade clínica, é Professor Auxiliar na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, integrando o Departamento de Ciências Sociais e da Saúde. É ainda docente no Doutorado em Bioética FMUP/CFM e no Mestrado em Bioética e no Mestrado em Cuidados Paliativos da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. É também responsável pela Unidade Curricular de “Psicopatologia” da Licenciatura em Psicologia da Universidade Portucalense Infante D. Henrique.

Vamos interpretá-lo:

Nome: Miguel Ricou
Data de nascimento: dia 03 de outubro de 1972

Licenciatura: Psicologia Clínica
Instituição de ensino: Instituto Superior de Ciências da Saúde-Norte
O Instituto Universitário de Ciências da Saúde (IUCS) é uma instituição de Ensino Superior Privado Português que ministra cursos superiores na área da Saúde e teve reconhecimento de interesse público no D.R. nº 76, 1ª Série de 20 de abril de 2015.

O Instituto Universitário de Ciências da Saúde resulta da alteração de interesse público do Instituto Superior de Ciências da Saúde-Norte homologado por despacho do Ministério da Educação publicado no D.R. nº 181, I Série (Decreto-Lei nº 250/89 de 8 de Agosto de 1989), tendo-lhe sido atribuída esta designação pela Portaria 906/93 de 20 de Setembro de 1993 (D.R. nº 221, I Série B).

O IUCS é tutelado pela CESPU - Cooperativa de Ensino Superior, Politécnico e Universitário, crl.
Mestrado: Bioética
Instituição de ensino: Faculdade de Medicina da Universidade do Porto

Doutoramento: Psicologia Clínica
Instituição de ensino: Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra

Actividades profissionais:
  1. Psicólogo clínico
  2. Docência: professor auxiliar do Departamento de Ciências Sociais e da Saúde da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) nos
    • Mestrado em Bioética da FMUP
    • Mestrado em Cuidados Paliativos da FMUP
    • Doutorado em Bioética da FMUP/CFM (Conselho Federal de Medicina), Brasília, Brasil
  3. Docência: professor da Universidade Portucalense na
    • Unidade Curricular de “Psicopatologia” da Licenciatura em Psicologia

Repare-se na diferença abissal entre as condições exigidas na candidatura ao IUCS e as exigidas na FMUP:

Psicologia
Instituto Universitário de Ciências da Saúde

___________________________________________
Provas de Ingresso
Uma das seguintes provas:
02 Biologia e Geologia
06 Filosofia
07 Física e Química
18 Português

Classificações Mínimas
Nota de candidatura: 95 pontos
Provas de ingresso: 95 pontos

Fórmula de Cálculo
Média do secundário: 65%
Provas de ingresso: 35%
___________________________________________


Medicina
Universidade do Porto

______________________________
Provas de Ingresso

02 Biologia e Geologia

07 Física e Química
16 Matemática

Classificações Mínimas
Nota de candidatura: 140 pontos
Provas de ingresso: 140 pontos

Fórmula de Cálculo
Média do secundário: 50%
Provas de ingresso: 50%
______________________________


Pergunto:
Miguel Ricou é um psicólogo? Sim.
É um médico? Não.

Portanto um psicólogo com 47 anos, fundador e coordenador da plataforma "Wish to Die", sem qualquer possibilidade de se candidatar ao curso de Medicina e sem qualquer formação em Medicina, graças a uma incursão na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto para tirar um mestrado em Bioética, converte-se no professor, não só de Bioética, mas também de Cuidados Paliativos, dos futuros médicos que estão em formação nessa mesma Faculdade de Medicina.




Ora é num inquérito realizado sob coordenação deste sorridente psicólogo que Bruno Maia, 37 anos, candidato em 5º lugar nas listas do Bloco de Esquerda pelo Porto nas eleições legislativas de Outubro de 2019 (não eleito: escolher Distrito do Porto) e médico apoiante da legalização da cannabis e da eutanásia, se baseia para afirmar que a maioria dos médicos portugueses apoiam a legalização da eutanásia.

Corre-se o Facebook da plataforma "Europeia" (por que não, "Internacional"?) "Wish to Die" e vemos um grupo de jovens sorridentes psicólogos que, sob a coordenação de um candidato a médico frustrado, se preparam para estudar e debater a eutanásia, permitindo uma legislação em conformidade com o melhor interesse dos doentes, sublinha o jornal Observador, um interesse que eles vão saber definir, obviamente.


****
*



Proclamam estes adeptos encapotados da legalização da eutanásia que há dois modos de analisar a questão: o arcaico, tradicional, fora de moda que se apoia em convicções religiosas e defende a inviolabilidade da vida e o outro, o moderno, o futuro, que centra a decisão no doente, tem compaixão, respeita a liberdade de escolha do doente e orienta essa escolha no sentido da defesa dos interesses do doente.

Profunda hipocrisia! O doente sabe que tem uma doença incurável, por isso é um ser humano em sofrimento psicológico e, muitas vezes, também em sofrimento físico a quem políticos incompetentes ou corruptos bloquearam todas as vias de sobrevivência — não só lhe impedem o acesso a uma rede de cuidados paliativos na fase terminal, mas também lhe adiam o mais elementar direito a consultas, cirurgias e tratamentos na fase inicial quando os vai pedir a um delapidado e caótico sistema nacional de saúde — deixando apenas livre uma única saída, a mais económica, a mais egoísta, a desumana, aquela que trata o doente como um assassino e o empurra subtilmente para a injecção letal.

Um comentário à notícia do Observador a merecer reflexão:

Amora Bruegas
17/12/2017
Ingenuidade ou cinismo?

O autor da iniciativa, embora aparente ter boas intenções (e deles está o inferno cheio!), avança com uma ideia do tipo "Solução Final" que visa eliminar um problema social e económico, na semelhança do que fizeram outros socialistas há algumas décadas. A ideia não sendo nova (e tão do agrado de socialistas), é sinistra e pretende beneficiar alguns pela matança de outros Seres humanos indefesos.
É bom que tenhamos os olhos e a mente bem abertos para não pactuar com a criação de mais campos de extermínio.


sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Tolerância à morte provocada - II


Já sabemos que o parlamento vai aprovar uma lei sobre a "despenalização da morte medicamente assistida", o eufemismo criado pela esquerda para ludibriar, em primeiro lugar os doentes e os idosos, mas também globalmente a sociedade portuguesa sobre a legalização da eutanásia.

Na verdade, em Portugal, a morte assistida não está tipificada como crime com esse nome, mas a sua prática é punida por três artigos do Código Penal:
  • homicídio privilegiado (artigo 133.º),
  • homicídio a pedido da vítima (artigo 134.º) e
  • incitamento ou ajuda ao suicídio (artigo 135.º).
Portanto basta eliminar meia dúzia de palavras do Código Penal para que os executores da eutanásia bem como os incitadores ou ajudantes do suicídio não precisem de prestar contas à Justiça portuguesa.


No entanto, essa lei será promulgada pelo presidente da República? Sabe-se que Marcelo Rebelo de Sousa não só não é apologista da eutanásia, como também já traçou a solução humana que preconiza, prestando cuidados em regime de voluntariado a doentes oncológicos na fase terminal.

Que fará então o presidente da República?
  • Pode querer convocar um referendo. Mas só o poderia fazer se chegasse a Belém uma proposta da assembleia da República ou do Conselho de Ministros. Algo que só democratas fariam, o que o criptocomunista Costa não é, nem a maioria socialista que domina o parlamento.
  • Pode exercer o direito de veto à lei (artigo 136.º da CRP). Mas a lei volta ao parlamento e será imediatamente confirmada.
  • Pode requerer a apreciação preventiva da constitucionalidade da lei ao Tribunal Constitucional (artigo 278.º da CRP). Este tribunal, porém, está há muitos anos nas mãos dos socialistas. Ah! Mas Marcelo é insigne especialista em Direito Administrativo.

Recordam-se de António Domingues, o gestor que tinha sido convidado por Mário Centeno para a presidência executiva da Caixa Geral de Depósitos, mas foi obrigado a pedir a demissão, concretizada em 31 de Dezembro de 2016, por não querer apresentar a declaração de rendimentos?
António Costa admitira que Centeno libertasse Domingues dessa obrigação mas Marcelo interveio com um argumento administrativista e o medíocre jurista Costa teve de recuar.

Ora a Constituição da República Portuguesa (CRP) contém um artigo sobre o Direito à vida (artigo 24.º) — A vida humana é inviolável.
Se Marcelo for capaz de esgrimir argumentos constitucionalistas a que os juízes do Tribunal Constitucional não consigam dar a volta, a lei da legalização da eutanásia cozinhada pelos deputados poderá ser declarada inconstitucional.


Resta pensarmos no que acontecerá ao parlamento após as eleições legislativas de 2023.

Rui Rio votou a favor de todos os projectos de "despenalização da morte medicamente assistida".
André Ventura votou contra todos os projectos.

Parece que Rui Rio não conhece a mentalidade actual da sociedade portuguesa muito imbuída de ganância. Se Marcelo falhar, vai haver inúmeros casos de doentes e idosos que não pediram a eutanásia mas que vão ser mortos graças a consultas médicas que nunca existiram e ao consentimento que nunca deram.
Continua a ser o mesmo ingénuo que o habilidoso Costa driblou na questão dos professores e, recentemente, na questão do IVA da electricidade. Acredito que só votou contra o orçamento do Estado porque estava em jogo a sua eleição para a presidência do PSD.
É um economista inteligente e culto que presidiu a Câmara Municipal do Porto durante 12 anos sem nunca bajular o poderoso presidente do Futebol Clube do Porto e sem que fosse possível detectar qualquer laivo de nepotismo ou corrupção, mas tem estes deslizes imperdoáveis. Se conseguir manter-se como presidente do PSD depois das eleições autárquicas de 2021, poderá captar o eleitorado de centro esquerda e tornar-se no líder socialista do parlamento.

André Ventura tem uma costela futebolística profundamente irritante mas que lhe pode trazer o voto do eleitorado que tem sobre os ombros uma bola de futebol. Se a esses votos juntarmos os dos eleitores genuinamente humanistas, por não haver mais nenhum político em quem possam confiar, André Ventura poderá converter-se no líder conservador desse mesmo parlamento.


quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Tolerância à morte provocada - I


Num país onde morrem doentes, com pulseira amarela, em salas de espera dos hospitais depois de meia dúzia de horas à espera de uma consulta de urgência;

Que não tem uma rede mínima de cuidados continuados e paliativos;

Em que os dois partidos com mais deputados na assembleia da República (PS e PSD têm 187 deputados em 230) não fizeram qualquer menção à eutanásia nos seus programas ou nas campanhas para as recentes eleições legislativas de Outubro de 2019;

Quando o parlamento inicia a legalização da eutanásia — basta eliminar meia dúzia de palavras no Código Penal, daí o eufemismo "despenalização da morte medicamente assistida" — sem inquirir a opinião dos eleitores em referendo,

pergunto:

Ao doente que está em sofrimento físico ou psicológico, perguntamos se deseja uma injecção letal?
Ao alentejano que vive sozinho num ermo e decide enforcar-se numa árvore, devemos oferecer uma corda?
À jovem citadina que se sentou no parapeito da varanda, virada para a rua, podemos dar um empurrão?

Hoje os senhores deputados portugueses já responderam afirmativamente à primeira pergunta. Os cinco projectos apresentados no parlamento foram todos aprovados com a seguinte votação:

O do PS recebeu 127 votos a favor, 86 votos contra e 10 abstenções.
O do BE recolheu 124 votos a favor, 85 votos contra e 14 abstenções.
O do PAN recebeu 121 votos a favor, 86 votos contra e 16 abstenções.
O do PEV recebeu 114 votos a favor, 86 votos contra e 23 abstenções.
O da IL recolheu 114 votos favoráveis, 85 contra e 24 abstenções.

Com o decorrer do tempo também haverão de responder afirmativamente às outras duas questões. Basta recordar os maus exemplos dos Países Baixos e da Bélgica, pioneiros na legalização da eutanásia, cujas leis têm evoluído no sentido de permitirem, entre outras disposições, a autorização de familiares ou a eutanásia de menores de idade.

Nas próximas ressonâncias magnéticas, o frio provocado pela injecção automática do contraste vai ser mais arrepiante para os doentes que se relembrarem desta aprovação.

O período terminal das doenças ontológicas dura, em média, 90 dias, o tratamento dos doentes custa cerca de 200 euros por dia em salários de médicos, enfermeiros, cozinheiros, lavandaria (os analgésicos têm um custo insignificante) e ocorrem cerca de 30.000 mortes de doentes oncológicos por ano.
Portanto os políticos socialistas acabam de ganhar muito acima de 500 milhões de euros por ano — que vão dissipar por incompetência e corrupção — e, subsequentemente, a sociedade Portuguesa vai prosseguir na rota da desumanização.

Não há aqui qualquer inovação. O projecto eutanásia foi iniciado por Adolf Hitler em Setembro de 1939 e terminou em Agosto de 1941, porém continuou encapotadamente até ao fim do regime do Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei (Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães), mais conhecido por Partido Nazi, em 1945.

O projecto começou quando Hitler instruiu o seu médico pessoal, Karl Brandt, para avaliar uma petição enviada por um casal pedindo o "assassinato por misericórdia" de seu filho cego e com deficiências físicas e de desenvolvimento. A criança chamava-se Gerhard Kretschmar e foi morta em Julho de 1939. Hitler instruiu Brandt para proceder da mesma maneira em todos os casos semelhantes. Os casos eram avaliados por um painel de médicos, sendo necessário que três dessem a sua aprovação antes que uma criança pudesse ser morta.
As autoridades enganavam os pais ou responsáveis, principalmente em áreas católicas onde os pais geralmente não cooperavam, dizendo-lhes que os filhos iam ser enviados para centros onde receberiam tratamento melhorado. As crianças eram aí mantidas para "avaliação" durante algumas semanas e depois mortas por injecção letal.

Posteriormente o projecto foi estendido a adultos mas usando o método de envenenamento por monóxido de carbono.
Estima-se em 275.000 o número de pessoas que foram mortas em hospitais psiquiátricos na Alemanha, na Áustria e em outros países europeus. Cerca da metade das pessoas mortas foram retiradas de asilos administrados por igrejas, geralmente com a aprovação das autoridades protestantes ou católicas dessas instituições. Entre as razões sugeridas para os assassinatos estão incluídas a eugenia, a higiene racial e a economia de dinheiro.

No Verão de 1941, surgiram protestos contra estes assassinatos que foram liderados pelo bispo de Münster, Clemens von Galen, cuja intervenção levou ao "movimento de protesto mais forte, mais explícito e generalizado contra qualquer política desde o início do Terceiro Reich".


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A história deste ex-médico é paradigmática, mas há sempre quem diga não:

Ricardo Oliveira
O facto de os médicos (que não deviam poder estar envolvidos) desenvolverem uma tolerância à morte provocada está a ser totalmente descurado. A primeira morte custa, a segunda custa menos, a terceira volta a custar pela contínua luta moral interna de cada pessoa. A quarta volta a custar menos, a quinta já não custa muito. A sexta foi um pouco indiferente e a sétima... a sétima não deixou qualquer sentimento. "Estranho", terá pensado o médico, “não senti nada”.
No dia a seguir, a oitava foi executada entre duas dentadas num croissant misto. "Isto não demora nada", terá pensado o médico.
No meio de este turbilhão de mortandade, onde encontrará o médico carrasco lugar e forças para motivar o doente a ficar, apesar da dor e sofrimento? O país das maravilhas existe na cabeça da esquerda... mesmo quando o primeiro ministro não se chama Alice.

fernando fernandes
Josef Mengele, o Anjo (como era apelidado, esqueçamos que era anjo da morte), também apoiava as pessoas.
Fugiu para o Brasil. Nunca foi julgado.
Este médico dedica-se a matar. Estranha forma de viver e se alimentar.
Os médicos deviam estar fora disto. Pagamos para se formarem, para nos ajudarem a viver.
Qualquer químico serve para cumprir estas leis que vão ser aprovadas.
Até mesmo um dos parlamentares/deputados o pode administrar.

Carlitos Sousa
Diferença entre Joseph Goebbels e Philip Nietschke?
Goebbels era menos dissimulado.

Com certeza que Philip Nietschke cobra para prestar os seus serviços mórbidos.


sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Crisântemos para Li Wenliang


Tinha 33 anos, era casado, com um filho de 5 anos, e estava à espera de outro. Trabalhava como médico oftalmologista no Hospital Central de Wuhan, na província de Hubei, China.

Em 30 de Dezembro de 2019, viu um relatório de um paciente com resultado positivo de alto nível de confiança para os testes de coronavírus SARS, um tipo de vírus agressivo.
À tarde, alertou o grupo privado do WeChat dos colegas da sua escola médica de que "havia 7 casos confirmados de SARS no mercado de Huanan", tendo compartilhado o relatório e o resultado da tomografia computadorizada do paciente. Passada uma hora, acrescentou: "Foi confirmado que são infecções por coronavírus, mas o vírus exacto está a ser subtipado".
Pediu aos colegas para prevenirem familiares e amigos. O alerta acabou por envolver um grupo de oito médicos e ganhou dimensão nas redes sociais. A sua identidade foi divulgada.

Imediatamente Li Wenliang foi admoestado pelo supervisor do hospital. Em 3 de Janeiro de 2020, as autoridades policiais de Wuhan interrogaram e censuraram o médico por "fazer comentários falsos na Internet", obrigaram-no a assinar uma carta de advertência prometendo não voltar a fazê-lo e avisaram-no que, se não cumprisse, seria processado. Na China, a divulgação de boatos é punida com pena de prisão de três anos.


李文亮的训诫书.png
Carta emitida por 武汉市公安局武昌分局中南路街派出所
Foto por 李文亮醫生 - 新冠肺炎“吹哨人”李文亮:真相最重要
(in zh-hans) 财新网. 财新传媒 (2020-02-07).
Recuperada em 2020-02-07. "李文亮的训诫书。第二个落款时间2019年应为2020年,李文亮称此系笔误。受访者提供", Domínio público, ver aqui.
A carta de advertência emitida pelo Departamento de Polícia de Wuhan ordenando-lhe que parasse de "espalhar boatos" sobre o SARS, assinada pelo médico e dois polícias. Em 31 de Janeiro, Li fez o upload para sua conta Sina Weibo que, na China, corresponde ao Twitter. A Wikipedia mostra a tradução em inglês que nos esclarece sobre a mentalidade da polícia chinesa.



Em 8 de Janeiro, teve de examinar um paciente que sofria de glaucoma agudo e desenvolveu febre no dia seguinte. Era um lojista do mercado de peixe e animais selvagens de Huanan que tinha uma alta carga de vírus. O médico começou com febre e tosse em 10 de Janeiro. No dia 12 foi internado nos cuidados intensivos, onde iniciou a quarentena, sendo realizados sucessivos testes para o coronavírus até que resultou positivo em 30 de Janeiro.

Em 31 de Janeiro, o médico publicou uma mensagem sobre a sua experiência com as autoridades que se tornou viral. Além de fazer o upload da carta de advertência, escreveu no Weibo: "Estava febril em 11 de Janeiro e fui hospitalizado no dia seguinte. Nessa altura, o governo ainda insistia que não havia transmissão humano para humano e disse que ninguém da equipe médica tinha sido infectado. Fiquei confuso.”
A China só tinha reconhecido a gravidade do surto epidémico em 20 de Janeiro e subsequentemente implementado o encerramento de Wuhan que tem 11 milhões de habitantes e é a capital da província de Hubei.
As pessoas começaram a questionar por que motivo todos os médicos que deram o primeiro alerta foram silenciados pelas autoridades.

No final da tarde de 6 de Fevereiro o médico teve uma paragem cardíaca. Vários jornais estatais chineses (Diário Popular, Global Times e Notícias de Pequim) noticiaram que os batimentos cardíacos de Li Wenliang tinham parado às 21:30.

"Lamentamos muito a perda de qualquer trabalhador da linha de frente comprometido em cuidar de doentes [...] devemos celebrar a sua vida e lamentar a morte com os seus colegas", disse (video 11:16-12:10) Michael Ryan, director do programa de emergências em saúde da Organização Mundial da Saúde (WHO), ainda no dia 6.


Nas duas horas posteriores ao anúncio da morte de Li Wenliang pelos jornais oficiais chineses, muitos posts relativos ao acontecimento foram eliminados na Internet.

Pelas 00:38 de 7 de Fevereiro, o Hospital Central Wuhan divulgou uma declaração na conta oficial no Weibo contradizendo os relatos da sua morte: "No processo de combate ao coronavírus, o oftalmologista do nosso hospital, Li Wenliang, infelizmente foi infectado. Actualmente está em estado crítico e estamos a fazer o possível para resgatá-lo."

A WHO reformulou o tweet:



Após o hospital divulgar que o médico estava a ser tratado com oxigenação por membrana extracorpórea (ECMO), as mensagens dos chineses revelavam esperança. "Esta noite não dormimos, mas Li tem de acordar", era a frase que dominava no Weibo, relata uma jornalista do South Morning Post, de Hong Kong:



No entanto, pelas 03:48, o hospital confirmava o falecimento: "O oftalmologista Li Wenliang do hospital, infelizmente infectado na luta contra a epidemia de pneumonia da nova infecção por coronavírus, faleceu depois de todos os nossos esforços pelas 2:58 de 7 de fevereiro de 2020. Lamentamos profundamente a sua morte.”.

Foi cremado antes que os pais o pudessem ver uma última vez.




A morte do médico desencadeou uma onda de sofrimento e revolta nas redes sociais, que rapidamente se converteu na exigência de liberdade de expressão, prontamente bloqueada pela censura.

Como as autoridades policiais acusaram o médico de ser um "whistleblower" o que, literalmente, significa "soprador de apito", então os cidadãos de Wuhan começaram espontaneamente a organizar actividades como "Eu apitei para Wuhan hoje à noite", em que todos mantiveram as luzes apagadas nas suas casas por cinco minutos e depois tocaram apitos e lançaram purpurinas pelas janelas por mais cinco minutos.




Mas a mais bela homenagem realizada pelos seus concidadãos foi a deposição de crisântemos e outras flores à porta do Hospital Central de Wuhan, onde Li Wenliang trabalhou e morreu:



O memorial à porta do Hospital Central de Wuhan, uma cidade onde a incompetência, a opacidade e o secretismo das autoridades deixaram alastrar o surto epidémico que obriga os 11 milhões de habitantes a andarem pelas ruas com máscara cirúrgica:



O surto epidémico do novo coronavírus já causou mais casos confirmados e mortes que o surto de Síndrome Respiratória Aguda Severa (SARS) ocorrido no Sul da China, entre Novembro de 2002 e Julho de 2003, que causou 8098 casos confirmados e 774 mortes em 17 países. Parece estar a transformar-se numa pandemia.


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________________________________________________
"Aqueles que tornam impossível a revolução pacífica,
tornarão inevitável a revolução violenta
.
"

John F. Kennedy, Address on the First Anniversary of the Alliance for Progress,
proferido na Casa Branca, Washington D.C., 13 Março 1962.



JJG
Do you hear the people sing?
R.I.P Doctor Li Wenliang
  • 张佳乐
    永远记得李文亮医生 永远!

    (Zhang Jiale
    Lembre-se o Dr. Li Wenliang para sempre!)

  • 凌滄海
    相信這次疫情結束後
    中共政權會出問題
    讓更多中國人認識自己的國家(真夠諷刺)
    願李文亮醫生的血不要白

    (Ling Canghai
    Eu acredito que depois da epidemia acabar
    Problemas com o regime PCC
    Deixe mais chineses conhecerem o país deles (é irónico)
    Que o sangue do Dr. Li Wenliang não corra em vão)

Kon
When there was a million people on the streets of Hong Kong.
  • verri123
    I don't get it, what's happening in hong kong?

  • Casey Chiu
    verri123 long story short: Basically, under the One Country Two Systems, China is not allowed to f*ck with Hong Kong and must let HK be of high autonomy and democracy. But the government would like to pass an extradition bill, which means people in HK might be extradited to mainland China (which everyone knows, has less transparency and democracy). HK people thinks this violates the One Country Two Systems rule and thus 1.03 millions of citizens took the streets on 9/6. Yet, the government only suspends the bill, but not to revoke it permanently. Citizens especially students are of course furious and thus we protested. The police forces used weapons like tear gas, pepper sprays and bullets against the unarmed protestors (even if they are armed, they only have umbrellas...). This angers the people even more and so we took the streets again on 16/6. This of course is a very brief timeline of what happened. If you wanna know more, you can search related news on the Internet.

    (Casey Chiu
    verri123 resumo da longa história: Basicamente, sob Um País, Dois Sistemas, a China não tem permissão para brincar com Hong Kong e deve deixar HK com autonomia e democracia elevadas. Mas o governo gostaria de aprovar uma lei de extradição, o que significa que as pessoas em Hong Kong podem ser extraditadas para a China continental (que todos sabem, tem menos transparência e democracia). O povo de Hong Kong acha que isso viola a regra Um País, Dois Sistemas e, portanto, 1,03 milhões de cidadãos saíram às ruas em 9/6. No entanto, o governo apenas suspende a lei, mas não a revoga permanentemente. Os cidadãos, especialmente os estudantes, ficam furiosos e, portanto, protestámos. As forças policiais usavam armas como gás lacrimogéneo, spray de pimenta e balas contra os manifestantes desarmados (mesmo que estejam armados, só têm guarda-chuvas...). Isso irrita ainda mais o povo e, por isso, voltámos às ruas em 16/6. É claro que este é um cronograma muito breve do que aconteceu. Se quiser saber mais, pode pesquisar notícias relacionadas na Internet.)


sábado, 5 de outubro de 2019

Sabe como se converte os votos em deputados?


A campanha eleitoral terminou. Resta a ameaça dos socialistas de processarem Joaquim Gustavo Elias por difamação, porém, vai ser esquecida na noite de domingo.
Em primeiro lugar porque é verdade que António Costa meteu férias no rescaldo dos incêndios de Pedrógão Grande e do roubo do armamento de Tancos.
Por outro lado, a última coisa que o primeiro-ministro quer, durante o governo da geringonça 2.0, é ter de ouvir a comunicação social recordar os 115 mortos dos trágicos incêndios de 2017 sempre que noticiasse mais uma audiência do processo.

Portanto aproveitemos este sábado de reflexão antes do dia das eleições legislativas 2019 para percebermos como é feito o apuramento dos resultados eleitorais, quer nas eleições presidenciais, quer nas eleições legislativas.

Depois de uma campanha eleitoral tão tensa, será um prazer visionar este vídeo bem humorado, mas rigoroso, da responsabilidade do parlamento português:





Como vê, caro leitor, a Matemática é fundamental até para converter votos em deputados e não tem que ser um assunto enfadonho.


sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Uma campanha eleitoral lamentável - II


Já foi identificado o idoso que criticou António Costa, na arruada de Lisboa, por ter metido férias no rescaldo dos incêndios de Pedrógão Grande em 2017. Miguel Coelho, autarca do PS, escreveu no Facebook:





O website do CDS-PP lista Joaquim Gustavo Pinto dos Santos Elias como candidato, em 2001, à assembleia da (antiga) Freguesia de São José, no concelho de Lisboa, na condição de independente. Um seu filho militante do CDS-PP, chamado José dos Santos Elias, foi o cabeça de lista.




Entretanto o CDS-PP divulgou um comunicado confirmando que o idoso foi um antigo autarca do partido, mas negando ter tido qualquer participação no incidente e condenando a irascibilidade de António Costa:
(...)

3. Confirmamos que há anos o senhor foi autarca do CDS numa Junta de Freguesia. Esclarecemos que a sua actuação não teve qualquer ligação, instrução ou articulação com o partido, que a ela é completamente alheio. Não criámos qualquer situação, não tivemos qualquer conhecimento nem fomos coniventes.

4. Rejeitamos e repudiamos qualquer acto de agressão, física ou verbal, em qualquer circunstância e mais ainda em período de campanha eleitoral, como de resto foi referido pela Presidente do CDS durante a campanha, ela própria alvo de vários ataques verbais e um também físico.

5. Se algum partido ou líder quer desculpar uma atitude menos reflectida, não procure no CDS uma justificação para o que é injustificável. Depois de uma atitude desproporcionada, António Costa decidiu acusar sem provas e de forma absolutamente reprovável um partido político fundador da democracia. Não vale tudo em campanha eleitoral. Nós honramos a herança que recebemos dos fundadores do nosso partido.


*

Esperava-se que a campanha eleitoral das eleições legislativas de 6 de Outubro fosse um espaço onde tanto os líderes como os especialistas em áreas primordiais dos maiores partidos políticos identificassem os problemas do País, apresentassem soluções e defendessem as suas propostas.
Não foi isso que sucedeu porque o superministro das Finanças, autor de políticas de ausência de investimento público num período de crescimento económico mundial e de cativações no sector da saúde altamente controversas, recusou participar nesse debate.

Contudo, pior que a inexistência de debate, foi o clima de tensão criado pelo partido socialista quando, após o primeiro confronto do seu líder e primeiro-ministro com o líder do maior partido da oposição, começou a cair nas sondagens e apercebeu-se que não conseguiria obter a tão ambicionada maioria absoluta.
Aliás, António Costa não só foi incapaz de sofrear o desvario dos militantes do seu partido, como ele próprio se desequilibra e reage com fúria a uma crítica pertinente — a questão das suas férias no rescaldo dos incêndios de Pedrógão Grande — na sua última arruada.

Chegamos ao fim da campanha eleitoral com uma bipolarização entre a esquerda e a direita numa altura em que a época das vacas gordas se aproxima do fim e algumas nuvens começam a aparecer no horizonte económico mundial. E impõe-se uma pergunta: será António Costa capaz de segurar o leme de um governo no meio de uma tempestade?


Uma campanha eleitoral lamentável


A campanha eleitoral para as eleições legislativas de 2019, que hoje chega ao fim, decorreu num clima pouco democrático.

O primeiro caso foi a recusa de Mário Centeno, ministro das Finanças, para debater o cenário macroeconómico do programa do PSD com Álvaro Almeida, professor da Faculdade de Economia da Universidade do Porto e co-autor da parte económico-financeira desse programa, sendo grave ter ocultado os números correspondentes no programa socialista.

Depois, no parlamento, PS, BE e PCP uniram-se para rejeitar que a reunião da comissão permanente pedida pelo PSD para debater o encobrimento do roubo de armamento em Tancos se realizasse antes das eleições.

Finalmente, há a lamentar dois episódios violentos em arruadas. O primeiro ocorreu anteontem quando Assunção Cristas, líder do CDS-PP, foi empurrada por uma mulher numa arruada, no Porto, mas reagiu calmamente:




Atitude bem diferente teve António Costa, hoje, numa arruada em Lisboa. Quando um homem o criticou, lembrando que Costa tinha estado de férias durante os incêndios de Pedrógão Grande, o primeiro-ministro exaltou-se:




Neste vídeo pode assistir-se a toda a conversa, vendo-se António Costa a gritar repetidamente "É mentira":



Depois prossegue a arruada, mas vira-se para trás enfurecido e ainda chama "mentiroso" ao idoso que o questiona, sendo travado pela sua comitiva.

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Dá a sensação que estamos a reviver o clima de tensão que existiu durante o ano 1975, naquele período que ficou conhecido como o PREC (Processo Revolucionário Em Curso) quando o país esteve à beira de resvalar para uma ditadura de esquerda.


sexta-feira, 26 de julho de 2019

As golas anti-fumo inflamáveis e a irritação do ministro


Os incêndios rurais que ocorreram em Junho e Outubro de 2017 provocaram, pelo menos, 115 mortes.

O ministério da Administração Interna decidiu desenvolver o programa "Aldeia Segura, Pessoas Seguras" para prevenção dos incêndios rurais em que foram distribuídos kits de emergência às populações das aldeias envolvidas nesta actividade.

A contratação da "Foxtrot Aventura" para o fornecimento dos 15 mil kits de auto-protecção foi feita sob orientação do Governo, com o secretário de Estado da Protecção Civil, José Artur Neves, a liderar o processo. À Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil (ANEPC) só coube pagar 328 mil euros pelos kits e distribuí-los por cerca de 1600 povoações.

Entretanto, o Jornal de Notícias descobriu que estes kits de auto-protecção das populações contêm golas anti-fumo fabricadas com material inflamável e sem tratamento anti-carbonização, não tendo a eficácia que deveriam ter — evitar inalações de fumos através de um efeito de filtro.
As 70 mil golas custaram 125 mil euros, mas outros equipamentos, como coletes reflectores, também são compostos por materiais combustíveis.

A Foxtrot, empresa de Fafe dedicada ao turismo de natureza, garantiu ter entendido que o objectivo da Protecção Civil era merchandising e que esta entidade não referiu que os equipamentos "seriam usados em cenários que envolvem fogo".
A própria Protecção Civil concorda que os equipamentos não passam de um "estímulo à implementação local dos programas" e que não são um "equipamento de protecção individual".

Em declarações à RTP, a segunda comandante nacional da Protecção Civil, Patrícia Gaspar, acrescentou que as golas anti-fumo destinam-se apenas a movimentos rápidos de retirada de pessoas em caso de incêndio e que a sua segurança não está em causa:
"Quero passar uma mensagem de tranquilidade junto das aldeias, é que estes equipamentos servem sobretudo para uma protecção temporária, num movimento que se espera que seja rápido e não, nunca, para enfrentar um incêndio florestal".

Quando confrontado com esta notícia, o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, sublinhou a importância do programa que está em curso, mas assegurou que a distribuição das golas anti-fumo não põe em causa, nem o programa, nem a segurança das pessoas. O ministro classifica a notícia como "verdadeiramente irresponsável e alarmista", acrescentando que revela "desconhecimento de questões técnicas que a Autoridade Nacional de Protecção Civil já esclareceu".

Questionado, então, pelos jornalistas sobre o objectivo da distribuição destas golas anti-fumo com material inflamável, bem como o que as populações devem fazer com elas, Eduardo Cabrita recusou-se a responder e irritou-se:


26.07.2019 às 14h33


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O ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, é um jurista competente mas a preocupação em defender a família socialista impede-o de perceber que o seu secretário de Estado da Protecção Civil, José Artur Neves, cometeu um erro com consequências graves para as pessoas que utilizassem os kits durante um incêndio. Como responsável máximo da Administração Interna, cabia ao ministro ter a humildade de pedir desculpa.

Depois deveria pedir a realização de um inquérito para apurar os responsáveis por este erro crasso de entregar às populações materiais inflamáveis e determinar um processo disciplinar porque no âmbito da Protecção Civil está em causa a segurança e a vida das populações e apenas pessoas muito competentes devem ser escolhidas.

Infelizmente o seu fanatismo ideológico não lhe permite discernir o erro cometido por funcionários do seu ministério e implementar as acções subsequentes que a correcção desse erro exigiria a um político com letra maiúscula.