quinta-feira, 12 de julho de 2012

Amigos, amigos, negócios à parte


Os médicos têm visto os seus rendimentos a diminuírem drasticamente e decidiram levar a cabo uma greve de dois dias com enorme sucesso.
Ontem fizeram uma manifestação frente ao Ministério da Saúde, a que se juntaram os representantes dos enfermeiros. Estes propuseram aos sindicatos dos médicos uma greve conjunta em "defesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS)" que era o objectivo divulgado pelos médicos.

Hoje, os enfermeiros receberam a resposta: "Apelos a uma actuação sinérgica no futuro imediato só poderão ter do Sindicato Independente dos Médicos uma resposta: não, obrigado".
E à TSF o presidente do SIM esclareceu: "Os médicos estão solidários com os enfermeiros. No nosso ponto de vista, estamos neste momento concentrados naquilo que foi a greve, que está a ser a greve dos médicos. Questões políticas mais gerais, no nosso ponto de vista, neste momento, não fazem qualquer sentido. Têm a nossa solidariedade, mas os médicos não gostam de fazer greve, não querem fazer greve por sistema".

Nem precisam.
A Ordem dos Médicos sempre pugnou pela qualidade do ensino da medicina, não só nunca deixando a licenciatura em Medicina cair nas mãos das universidades privadas, mas também restringindo-a às universidades públicas portuguesas mais conceituadas a nível internacional.
Pelo contrário, escolas superiores de enfermagem há aos pontapés no ensino superior privado.
Como resultado há falta de médicos e superabundância de enfermeiros apesar da fortíssima emigração destes profissionais.
Pelas leis da oferta e da procura, estão os médicos em posição de força nas negociações com o ministro Paulo Macedo e os enfermeiros desunham-se por arranjar emprego, tentando desempenhar algumas funções do domínio médico, por exemplo, na prescrição de medicamentos, mas sem sucesso.

Este discernimento não tiveram os professores formados em exigentes universidades públicas que se deixaram ultrapassar por licenciados em universidades privadas com classificações inflacionadas.
Sem se aperceberem deste erro, depois deixaram entrar na sua carreira os educadores de infância e os antigos professores das escolas do magistério primário, transformadas nas escolas superiores de educação (ESE) do ensino superior politécnico onde aqueles se licenciaram em meia dúzia de meses.
Agora o dinheiro acabou: têm as carreiras congeladas e os salários em contínua degradação. A falta que faz uma Ordem dos Professores capaz de defender a qualidade do ensino público.


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