sábado, 1 de julho de 2017

Tragédia em Pedrógão Grande - II. A Protecção Civil


Desde que o governo António Costa tomou posse, a estrutura de topo da Autoridade Nacional da Protecção Civil (ANPC) sofreu uma transformação radical, sendo substituídos quase todos os membros (seis em sete), desde o presidente ao comandante nacional e adjuntos.

Seguiram-se as mudanças na cadeia descendente que afectaram 20 dos 36 comandantes distritais (CODIS), ocorrendo alterações em 17 desses cargos nos dois meses anteriores aos incêndios, ou com a entrada de novos elementos ou com a mudança de posição de alguns membros da ANPC mais experientes.





Desconhece-se quem comandou as operações a cada hora do incêndio de Pedrógão Grande. Contudo, o PÚBLICO avança que o primeiro homem a assumir o cargo de comandante das operações de socorro (COS) foi o comandante dos bombeiros de Pedrógão Grande, Augusto Arnaut, logo que recebeu o alerta pelas 14:43.

Às 17:08, foi substituído pelo 2.º comandante operacional distrital (CODIS) de Leiria, Mário Cerol, um homem novo no comando, advogado, comandante dos bombeiros de Alcobaça, porque o 1.º CODIS Sérgio Gomes estava hospitalizado.
No entanto, Cerol fora escolhido para substituir Luís Lopes, afastado pelo CONAC, apenas em Fevereiro deste ano. Além disso tem ligações ao PS como mandatário da candidatura autárquica do partido em 2009.

A partir daqui, há um vazio na fita do tempo do comando de operações. Por volta das 22:00 é o 2º comandante nacional (CONAC), Albino Tavares, a assumir o comando. Na nomeação em Diário da República deste militar da GNR, que só desde Janeiro faz parte da estrutura da ANPC, apenas consta que Albino Tavares tem um "Curso de Primeira Intervenção em Incêndios Florestais" e "vários cursos do Mecanismo Comunitário de Protecção Civil".

Os comandantes dos bombeiros da zona queixam-se de que não conheciam o homem no comando das operações e que este não conhecia a zona, além de que em situações complexas era o comandante nacional quem assumia o comando nos anos anteriores. Desta vez tal não sucedeu: Rui Esteves seguiu para a sede da ANPC, em Carnaxide, no dia 17 Junho, só voltando dias depois ao teatro de operações.

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De toda esta narração, sobressai a irresponsabilidade da ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, por ter permitido o assalto aos cargos cimeiros da Protecção Civil escassos meses antes do começo da época de incêndios florestais de 2017.


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