terça-feira, 4 de julho de 2017

Humor militar


O Exército divulgou na quinta-feira, dia 29 de Junho, que dois paiolins dos Paióis Nacionais de Tancos tinham sido assaltados, havendo o furto de armamento de guerra.
Em entrevista à SIC, o chefe do Estado-Maior do Exército, general Rovisco Duarte, declarou que "estes roubos podem acontecer em qualquer país e em qualquer Exército, desde que haja vontades e capacidades":


01.07.2017 16h07


No entanto, a dimensão e gravidade do furto não era conhecida até que o jornal El Español publicou, na madrugada de 2 de Julho, a lista do material roubado.







A lista dos materiais desaparecidos (pdf) — 1450 munições de 9 milímetros, 18 granadas de gás lacrimogéneo, 150 granadas de mão ofensivas, 44 granadas foguete anti-carro, além de 22 bobinas de fio utilizado para activação por tracção, 102 unidades de carga explosiva, 264 unidades de explosivo plástico, ... — permite concluir que os ladrões entraram nas instalações com um veículo pesado, uma camioneta, pelo menos, pois só os lança-granadas pesam mais de 100 kg. Além do tempo e do pessoal necessário para transportar todos os equipamentos, vigiar e deixar o local sem alarme.

O assalto à base militar de Tancos está a gerar preocupação a nível mundial, com embaixadas de vários países da NATO, como a Espanha e os Estados Unidos da América, e forças anti-terroristas europeias a pedirem informações sobre a localização do armamento roubado e sobre as diligências feitas pelas autoridades portuguesas para encontrar o material.

A Corifa, uma empresa de Ourém, diz que efectuou obras de reparação em dez paióis, um paiolim e em 900 dos 2500 metros da vedação exterior da base de Tancos há um mês, mas... já se sabia que seria necessária nova reparação e foi anunciado novo concurso no Diário da República. Os ladrões anteciparam-se.

A estratégia de António Costa de desvalorizar a gravidade da situação deu azo à criatividade dos humoristas nacionais e estrangeiros:



Bartoon de 3 de Julho de 2017 do jornal Público


O jornal espanhol El País dedicou hoje este artigo ao roubo, donde destacamos:
Como se mostra, as deficiências da base de Tancos não eram segredo. Os assaltantes, mais de uma dúzia, tinham lido no Diário da República de 19 de Junho o anúncio de um concurso para a reparação no lado norte, leste e sul da cerca da base no valor de 316.000 euros. Em caso de dúvida, os ladrões não entraram pelo oeste.

Chegaram num camião, esburacaram a vedação e seguiram em direcção aos vinte paióis, mas só visitaram aqueles que tinham o material que necessitavam (1500 balas, 150 granadas, 40 lança-granadas, explosivos, fusíveis, conectores, ...), deixando tudo o resto. Encontrar iogurtes no frigorífico lá de casa, seguramente, levaria mais tempo.
Levavam uma lista de compras em que tudo era grátis. Carregaram à mão caixas pesadas, andando 500 metros para a frente e para trás e, concluída a tarefa, saíram como haviam chegado. Nem um tiro, nem um "alto", nem um "ai"!

Se depois de conhecer o Exército que toma conta de Tancos, o Índice Global de Paz para 2018 não der o primeiro prémio a Portugal, será uma injustiça a exigir pegar em armas.



Bartoon de 4 de Julho de 2017 do jornal Público



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