sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Passos Coelho escolheu Carlos Moedas para comissário europeu


Pedro Passos Coelho comunicou na noite de quinta-feira ao recém-eleito presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, que já convidou Carlos Moedas, até aqui seu secretário de Estado Adjunto, para ser o próximo comissário europeu português na equipa que vai iniciar funções no dia 1 de Novembro:
O Primeiro-Ministro Pedro Passos Coelho comunicou ao Presidente eleito da Comissão Europeia Jean Claude Juncker, que vai indicar o nome do Engenheiro Carlos Moedas para integrar o elenco da próxima Comissão Europeia.





Na cimeira de 16 de Julho, em Bruxelas, onde foram abordados os nomes dos membros da futura Comissão Europeia, Carlos Moedas terá sido o nome apresentado por Passos Coelho. Mas nessa altura Juncker, recém-eleito pelo Parlamento Europeu, surpreendeu o primeiro-ministro ao dizer-lhe que gostaria de ter no seu executivo comunitário, Maria Luís Albuquerque. O primeiro-ministro português dispôs-se a reflectir nessa opção.

Nos últimos dias, os contactos telefónicos de Passos Coelho com Juncker foram intensos. Como não lhe foi revelado qual a pasta que seria entregue a Portugal, embora o futuro presidente da Comissão Europeia garantisse sempre que seria bem posicionada, Passos regressou à sua opção inicial. Até porque não convinha a ministra das Finanças sair do Governo a um ano das eleições legislativas.

Conselheiro de Passos desde os tempos da oposição — pertenceu à equipa que esteve a negociar o último Orçamento de Sócrates —, Carlos Moedas é um dos elementos do Governo em quem o primeiro-ministro mais confia.

Desde 2011, teve a missão de acompanhar as sucessivas negociações do memorando com a troika, sendo, em conjunto com o Ministério das Finanças, a ponte de ligação entre o Governo e os representantes da UE/BCE/FMI no controlo da execução técnica das medidas acordadas.

Ainda sem saber a pasta que pode ocupar, Carlos Moedas terá agora que enfrentar uma audição no Parlamento Europeu, exame onde nem todos os candidatos a comissários europeus têm passado. Se for aceite, tomará posse no início de Novembro nas novas funções.

A reacção do líder do PS, António José Seguro, não se fez esperar:
O PS discorda desta escolha porque esta era a oportunidade de o país escolher uma personalidade com resultados europeus, com prestígio europeu, com peso político para que pudéssemos obter um pelouro na comissão europeia que pudesse defender os interesses nacionais.
O engenheiro Carlos Moedas não corresponde a nenhum dos itens deste perfil — o do prestígio político europeu, o de reconhecimento pelos seus pares, o do trabalho europeu. Aliás, não se lhe conhece uma ideia nem nenhuma proposta, nem nenhum pensamento sobre as questões europeias.


Questionado pelos jornalistas sobre a sua preferência pela eurodeputada Maria João Rodrigues para a comissão, Seguro respondeu que “é um dos nomes que se insere num conjunto de personalidades que o país tem com prestígio, com provas dadas, com reconhecimento. Desse ponto de vista, compare os perfis, compare a qualidade da competência, as provas dadas e sobretudo a prioridade que a professora Maria João Rodrigues tem dado sobre o que deve ser a prioridade da Europa.

Maria João Rodrigues é licenciada em Sociologia pelo ISCTE e doutorada em Economia pela Universidade da Sorbonne, em Paris, uma escola que não consegue aceder aos QS MBA Rankings em qualquer especialização, ao contrário da prestigiada escola de negócios francesa INSEAD ou das americanas Harvard e Stanford. Foi ministra para a Qualificação e Emprego do governo Guterres, de Outubro de 1995 a Novembro de 1997, quando o ministério foi dividido em partes entregues a outros ministros. Foi consultora da Comissão Europeia em 2005 e agora tinha a ambição de ser escolhida para a Comissão Europeia.

O social-democrata Eduardo Catroga, com quem Carlos Moedas trabalhou durante as negociações do Orçamento do Estado de 2011, resume numa frase o perfil do ainda secretário de Estado:
Tem formação de engenheiro, de gestão, tem experiência no sector público e privado, e uma polivalência que se adapta a vários tipos de funções desde a área do desenvolvimento regional à área dos assuntos económicos, à área da concorrência. Está em boas condições para ser um óptimo comissário porque reúne valências que fazem dele não já uma promessa, mas um executivo de alto gabarito.


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