sábado, 17 de junho de 2017

Fogo destrói bloco de apartamentos em Londres


A torre Grenfell, um bloco de apartamentos de habitação social com 24 andares situado em North Kensington, Londres, foi engolido pelas chamas depois da eclosão de um incêndio pouco antes da 01:00 de quarta-feira.




Wednesday 14 June 2017 15.20 BST


Os socorros chegaram seis minutos depois das inúmeras chamadas telefónicas. Estiveram a combater o incêndio 200 bombeiros com 40 carros.
Em incêndios de edifícios altos, plataformas aéreas podem ser usadas para permitir que os bombeiros trabalhem fora do prédio. Mas os veículos da plataforma aérea da Brigada dos Bombeiros de Londres só podem atingir alturas de cerca de 32 m, limitando o combate aos incêndios a apenas uma dezena de andares.



Construída em 1974, a torre Grenfell tinha 120 apartamentos com um ou dois quartos a partir do 4º andar.
Fora alvo de uma remodelação, em 2016, que lhe acrescentou mais 7 apartamentos com três ou quatro quartos nos pisos inferiores, onde também estavam localizados um infantário e um clube de boxe. Sobre o betão das fachadas foi aplicado um revestimento que tornava o edifício mais ecológico.
Poderiam estar entre 400 e 600 pessoas dentro do edifício quando o incêndio eclodiu.







A torre Grenfell fazia parte do Lancaster West Estate, um complexo de habitação social de quase 1000 casas no burgo (freguesia) real de Kensington e Chelsea que é onde ocorre o maior intervalo de salários da população residente:





O incêndio começou num apartamento do 4º andar, sendo notória a rapidez com que as chamas se propagaram ao longo das quatro fachadas da torre, bem ilustrada nestas imagens:




Tanta rapidez levantou suspeitas sobre se o revestimento em alumínio colocado nas fachadas, para melhorar a eficiência energética do edifício aquando da remodelação, teria um núcleo de polietileno, um plástico altamente inflamável. Suspeita-se também que a cavidade entre a parede e o revestimento provocou o efeito chaminé, incentivando a propagação do fogo.




Surgiu, então, à superfície uma litania de falhas do Conselho de Kensington e Chelsea, o proprietário dos apartamentos, e a Kensington and Chelsea Tenant Management Organisation (KCTMO), a organização de gestão de inquilinos de Kensington e Chelsea que era paga para gerir a propriedade.

Imediatamente o sub-empreiteiro da remodelação veio lamentar o trágico incêndio e lembrar que a KCTMO havia adjudicado a obra à Rydon Maintenance em nome do conselho.

Por sua vez, a empresa contratada para realizar a remodelação de 10 milhões de libras mudou a sua declaração sobre a tragédia. Primeiro, a Rydon divulgou uma declaração dizendo que cumpriu todos os "regulamentos de incêndio e padrões de segurança e saúde" durante a remodelação de 2016. No entanto, numa declaração posterior omitiu esta linha e simplesmente disse que a empresa "cumpriu todos os regulamentos de construção necessários".

Impotentes, as pessoas que observavam o incêndio foram gravando vídeos que documentam a tragédia:




Já foram identificadas algumas vítimas mortais, existindo, obviamente, inúmeros desaparecidos, diariamente actualizados. Estima-se, pelo menos, 58 mortos.

Há outras causas para o elevado número de vítimas além da alta velocidade de propagação das chamas pelo revestimento das fachadas. A construção do bloco de apartamentos não cumpria as actuais normas de segurança e a remodelação nada corrigiu: não existiam aspersores, nem escapatórias de incêndio, e duvida-se que as portas corta-fogo funcionassem pois não foi realizada qualquer inspecção.

A difusão de fumos para a única escada do edifício não só impediu completamente o contacto visual entre os membros das famílias que tentaram sair dos seus apartamentos, levando-os a perderem-se, como provocou o desmaio dos mais frágeis.
Entre os desaparecidos está Rania Ibrahim que vivia com as duas filhas de três e cinco anos de idade num apartamento no 23º andar. Neste vídeo angustiante que enviou à melhor amiga, pode ser vista a pedir ajuda no patamar cheio de fumo antes de voltar para casa. Depois olha para a rua, começa a rezar e, no final, diz em árabe: "Peço perdão a todos, adeus":



14 June 2017 • 9:30pm


As regras de segurança em caso de fogo impostas pela empresa gestora KCTMO, incitando os inquilinos a permanecerem nos respectivos apartamentos, também contribuíram para a morte dos mais respeitadores.


Quando algumas pessoas receberam ordem de evacuação dos bombeiros já era demasiado tarde, estavam prestes a desmaiar por inalação de monóxido de carbono. Tudo o que se encontrava dentro dos apartamentos, inclusive os tabiques que separavam as divisões, foi carbonizado (excepto os metais). Como se vê neste vídeo que mostra o resto de um apartamento T1 e outro T2:



18 June 2017 • 8:56pm






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