domingo, 5 de agosto de 2012

É necessário alguém com rasgo político para dar a volta a isto


Anonimo 03 Agosto 2012 - 18:48

Meu Caro,

Parece que também a sua inteligência está em crise. Deixe-se de tretas e dessas partes gagas da Bíblia e vamos ao que interessa.

O grande problema é que o sistema financeiro ocidental, que é o sangue da nossa vida e da nossa civilização, entrou em colapso e só ainda respira porque está ligado às máquinas. Com o poder político (democrático e legitimado pelo voto popular) demissionário das suas funções e responsabilidades, colocando-se numa posição de subserviência e servilismo perante o poder económico-financeiro, este de há muito entrou em processo de auto destruição. Agora é necessário alguém com rasgo político para dar a volta ao texto.
O que a nacionalização do BPN nos veio dizer, é que afinal, economicamente, financeiramente, politicamente, socialmente, tudo mente, é possível nacionalizar um banco em democracia. Creio que o negócio do dinheiro, da banca, isto é, o sistema financeiro é demasiado sério e crítico para estar em mãos de privados. Infelizmente os nossos políticos são o que são. E não me refiro apenas aos portugueses. É uma autêntica bárbarie estar a pedir milhões para resgatar a banca espanhola e pôr os contribuintes a pagar. O mesmo se passando em Portugal.

Este actual governo é o melhor que já tivemos em Portugal depois de Salazar. Mas ainda não é o governo que o País precisa. Com isto não quero dizer que temos que voltar a ter um governo de ditadura. Não acho uma impossibilidade termos um Estado Democrático baseado na soberania do voto popular mas que seja ao mesmo tempo um Estado credível, rigoroso, que tenha à frente das suas instituições pessoas sérias, honestas e, já agora, competentes e que tenha um sistema de Justiça que funcione.

É necessário a reforma do Estado, sim. Tornando-o mais pequeno mas a mandar mais e mais forte. Sempre entendi que o poder é um exercício de elite. Não de elite de privilégios e mordomias mas, sim, a elite dos que são mais capazes, sábios, sérios e honestos (muito parecido com aquilo que temos tido...).
Podia-se começar, por exemplo, pela redução do nº de deputados para 180 conforme está na Constituição que diz que o nº de deputados pode ser de 180 a 230. Se está lá 180 é porque constitucionalmente aquilo também funciona bem com 180 deputados.

Mudando de agulha. Devemos estar atentos à China e aprender algumas coisas com eles. Os problemas que tivémos na nossa banca, os chineses resolviam à nascença com 2 ou 3 fuzilamentos. E não estou a falar em sentido figurado. Idem para problemas na nossa Justiça e no nosso Estado de Direito no qual o Direito se acha acima da verdade. Se não queremos utilizar a via chinesa, temos que inventar uma nossa para resolver estes e outros problemas. Caso contrário estamos condenados e não há resgate que nos salve.


2 comentários:

  1. Respostas
    1. Eu também.
      É um daqueles casos em que o comentário suplanta o artigo comentado.

      Por causa da PIDE, da guerra colonial e da inexistência de pluripartidarismo andámos todos a criticar o Salazar sem conseguirmos enxergar as qualidades — défices públicos zero e freio no poder económico-financeiro com uma regulação severa.

      Em 1974 abrimos a caixa de Pandora, políticos e gestores saltaram cá para fora, multiplicaram-se e quando acordámos do sonho já eles eram os donos da democracia.

      Este governo, olhando para os 10 mil milhões da dívida das autarquias, exige a diminuição do número de freguesias, segundo claros critérios de população, sugere a medo a fusão de municípios e logo o pessoal dos partidos políticos vem bramar para a comunicação social que são imprescindíveis.
      Nas rendas dos produtores de energia eléctrica o Mexia conseguiu correr com o secretário de Estado da Energia e pôr no lugar dele uma marionete que teve de somar as reduções até 2020 para conseguir anunciar uma poupança da ordem do milhar de milhão.
      Nas PPP parece que conseguem cortar mil milhões mas metade vem do contrato da concessão de Pinhel Interior porque a auto-estrada... ainda não estava construída.
      E por aí fora...

      Assim não não há resgate que nos salve!

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