terça-feira, 16 de abril de 2019

Uma visita à Catedral de Notre-Dame de Paris


Recordemos os tempos áureos da Catedral de Notre-Dame de Paris numa visita gravada em directo por uma equipa do jornal Le Monde, em Março de 2017.

Começamos por identificar algumas partes notáveis da catedral:

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Plano da catedral de Notre-Dame de Paris pelo arquitecto Viollet-le-Duc, 1856.
Da esquerda para a direita, identifica-se a fachada oeste com os três portais, segue a nave principal flanqueada pelas naves laterais duplas, o transepto (nave transversal) com os portais norte e sul e, finalmente, o coro e a abside rodeados pelo duplo deambulatório.


Notre Dame de Paris 2013-07-24
Fachada oeste da Catedral de Notre-Dame de Paris em 2013.
Apresenta, de baixo para cima, o piso dos três portais, a galeria dos reis, o piso da rosácea oeste e, no topo, um último piso de colunatas coroado pela galeria das Quimeras (animais nos ângulos da balaustrada), ligando as duas torres.
Por Peter Haas, CC BY-SA 3.0.


Notre-Dame de Paris 2009.jpg
Fachada sul da Catedral de Notre-Dame de Paris em 2009.
Distingue-se, da esquerda para a direita, os arcobotantes da nave, a rosácea sul do transepto e, finalmente, os arcobotantes do coro. O braço sul do transepto é encimado por um frontão ricamente decorado e perfurado por uma clarabóia que iluminava o seu sótão.
Por Zuffe - Trabalho pessoal, CC BY-SA 3.0.


Notre-Dame tsj.JPG
Fachada norte da Catedral de Notre-Dame de Paris em 2013.
Da esquerda para a direita, vê-se os arcobotantes do coro, o braço norte do transepto e os arcobotantes da nave. A rosácea norte é encimada por um frontão semelhante ao do braço sul do transepto, mas com uma clarabóia diferente, bem como três óculos.
Por Jean-Christophe Windland — Trabalho pessoal, CC BY-SA 4.0.


Agora já podemos ver o vídeo da visita:




Num trajecto nunca acessível aos outros visitantes da catedral, Philippe Villeneuve, arquitecto-chefe dos Monuments Historiques, inicia a visita no terraço coroado pela galeria das Quimeras e situado entre os dois campanários (04:00 a 05:00). Estes são os passos seguintes:

  • Travessia do sótão no sentido oeste-leste até chegarem à base da flecha. O corredor transversal seguia, à esquerda, para a clarabóia do braço norte do transepto (19:45 a 20:13). Viram à direita para a clarabóia sul (21:10 a 21:55).
  • Descem a escada para o terraço das janelas altas, sob os arcobotantes do coro, e percorrem-no integralmente no sentido directo. Villeneuve explica como as forças exercidas pela abóbada e pelos arcobotantes se equilibram (25:06 a 26:27).
  • Descem a escada do braço norte do transepto para entrarem na tribuna do coro. Villeneuve chama a atenção para o belo pavimento marmóreo do coro, para uma abóbada sexpartida de ogivas (42:00 a 42:35) e para os vitrais medievos das rosáceas norte e sul do transepto. Percorrem a tribuna no sentido retrógrado e observam a rosácea sul (47:43 a 48:22).
  • Sobem duas escadas do braço sul do transepto para entrar na galeria sob a rosácea sul. Na frente está a magnífica rosácea norte (50:30 a 51:15).

A parte emocionante é o percurso efectuado sobre as abóbadas da nave e sob o tecto da Catedral (9:00 a 22:00), através da sua famosa estrutura em madeira — la charpente — feita de grossos barrotes extraídos de cerca de dois mil carvalhos que cresciam à volta de Paris, por isso considerada, numa visão romântica, “a floresta de Notre-Dame”. Madeiros com mais de 800 anos que no passado dia 15 de Abril foram reduzidos a cinzas.

No entanto, as abelhas (50:00) sobreviveram.


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Rosácea norte da catedral de Notre-Dame de Paris, uma obra-prima da arquitectura gótica.
Por Krzysztof Mizera - Trabalho pessoal, CC BY-SA 4.0.


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