sexta-feira, 9 de março de 2012

Banhistas salvam golfinhos presos em praia do Brasil





Aproximadamente três dezenas de golfinhos encalharam na praia de Arraial do Cabo, perto do Rio de Janeiro, Brasil, cerca das 8:00 da manhã de 05 de Março de 2012. Oo funcionários municipais da limpeza e os banhistas mobilizaram-se conseguindo devolver ao mar estes mamíferos marinhos em escassos minutos.

O arrojamento destes golfinhos (Delphinus capensis) está a ser investigado por especialistas em fauna marinha brasileiros e americanos porque é considerado um acontecimento “extremamente raro”. Um deles, Salvatore Siciliano, disse ao jornal Diário de Pernambuco que, normalmente, apenas dois ou três encalham por ano, geralmente quando estão doentes. Supõe que os animais estavam a fugir de um predador ou estavam desorientados por causa de algum ruído.

Salvatore Siciliano aplaudiu a atitude dos banhistas mas esclareceu que a forma pela qual as pessoas pegaram nos animais foi inadequada. Arrastar os golfinhos pela cauda pode causar lesões sérias, até a morte. E explicou qual é o procedimento correcto:
"Primeiro, as pessoas devem comunicar o que aconteceu aos órgãos responsáveis. Depois, é preciso manter os golfinhos molhados e protegidos do sol, para não desidratarem. Além disso, é importante evitar confusão, barulho e isolar a área."


quarta-feira, 7 de março de 2012

"Onde é que uma reforma de 3 ou 4 mil euros é milionária?"


Na apresentação de resultados de 2011, ano em que os lucros da Jerónimo Martins aumentaram 21%, atingindo 340 milhões de euros, Alexandre Soares dos Santos defendeu os seus pontos de vista com a frontalidade habitual:

"O segundo ponto muito importante é que se acabe de uma vez por todas com esta mania nacional dos salários dos ricos, dos salários dos quadros, e coitadinhos de nós que temos de viver com mil euros por mês, ou menos, porque é isso que Deus Nosso Senhor decidiu há uns milhares de anos. Não é nada disso.
Temos de ter políticas salariais onde as pessoas que trabalham numa companhia, sejam quadros ou não, sintam que o produto do trabalho também vai para eles. As companhias têm de ter políticas de remuneração que demonstrem coerência desde a maior responsabilidade até à menor responsabilidade. Todos nós na empresa, vocês nos vossos jornais não são quadros nem deixam de o ser, são responsáveis. A senhora é responsável por chegar à RTP e passar a mensagem que ouviu e não aquela que vai criar. Se todos nós cumprirmos isso, sentimo-nos motivados. E se vir que o seu trabalho é razoavelmente remunerado, quer mais. Todos nós temos o direito e o desejo de viver melhor.
Em Portugal não existe isso. Repare: chamam reformas milionárias às de um tipo qualquer que trabalhou toda a vida e tem uma reforma de três ou quatro mil euros. Onde é que isto é milionário? E andou toda a vida a descontar para essa reforma. Ele não está a roubar ninguém! Está a ter a reforma que o Estado disse que teria se descontasse.
Temos de incentivar as pessoas a mais e a melhor. Temos de nos deixar desta porcaria de populismos, que temos de andar de autocarro, e essas coisas. Cada um anda como quiser. Porque é que um ministro tem de viajar de classe económica? Não é isso o que interessa a este país. O que interessa é que os governantes usem o dinheiro dos nossos impostos a nosso favor."




*

Notícias que falem em pensões, desencadeiam sempre fóruns com uma centena de comentários. Eis uma amostra representativa das várias tendências:


dfviegas 07 Março 2012 - 14:14
3000€ é demais
3000€ de reforma é demais quando os descontos devidos foram por um valor muito menor, e esse direito de reforma é devido aos últimos 5 anos de trabalho.
3000€ de reforma é muito quando os políticos se reformaram com 8 anos de parlamento e não descontaram o devido tempo para terem direito à ela.
Voar em executiva é muito quando o Estado não tem dinheiro para pagar salários e para isso tem de roubar os subsídios de Natal e férias.
Ter carros de alta cilindrada é muito quando tem de se cortar em metade dos subsídios de Natal de todos os trabalhadores para pagar essas mordomias.

Meireles 07 Março 2012 - 14:17
Problema antigo
Portugal tem um problema tremendo por resolver, que é o de tudo ter sido nivelado por baixo. Talvez resquícios de um “xuxialismo” (que comeu tudo e não deixou nada) cujos dirigentes, sem nada fazer de útil, comeram, beberam e passearam toda a vida.
Em Portugal vive-se o momento do "tiro ao rico". E isto é tão mais ridículo, quanto é o facto do tipo que ganha 500 euros, achar que o que ganha 600 é rico e deve ser abatido.
Com esta palermice de mentalidade, não tarda que fiquemos como uma espécie de Albânia do Ocidente.
Todos os tipos que dão emprego a milhares de pessoas são hoje objecto de um ódio incompreensível. Voltamos ao PREC, mas pior, mais ressabiado.

Teófilo Cubillas 07 Março 2012 - 14:22
Ironia
Não me importava nada de ter como patrões as pessoas que aqui destilam ódio contra o Soares dos Santos.
Mas é assim a vida. Só chegam a patrões os Soares dos Santos, Belmiros, Nabeiros e semelhantes.
Quem me dera ser empregado destes "treinadores de bancada". Não duvido que, se tivessem supermercados, pagariam 5.000 euros mensais aos operadores de caixa. Que pena não passarem da teoria à prática...

josedomingos 07 Março 2012 - 14:22
Convém que desçamos à terra do real
Oh senhor Alexandre Soares dos Santos, o senhor é, sem dúvida, um respeitável empresário de sucesso, mas terá de fazer algum esforço e descer ao país real.
Ao país das reformas de miséria — isto não são lugares-comuns, nem choradeiras, mas simplesmente factos pungentes — e ao país da fome, no sentido mais literal do termo.
O planeta em que o senhor Alexandre Soares dos Santos vive e se movimenta é diferente, muito diferente do de muitas centenas de milhares de portugueses, que vivem na pobreza.
Muitos deles na tal pobreza envergonhada, que é a pior de todas, sendo, em variadíssimos casos, por uma gestão ruinosa das suas vidas e dos seus orçamentos familiares, sendo que muitos outros foram apanhados nas malhas implacáveis da crise e do desemprego.
Quem sou eu para emendar o senhor Alexandre Soares dos Santos, empresário que respeito, mas será curial que não argumente de um modo tão ligeiro, face a algumas realidades que são trágicas.
Sei que o faz, a partir das coordenadas racionais da sua vida de empresário, que prova que a visão daquilo que é antigo se pode bater com igual êxito e vencer muitas miragens modernas; e sei também, porque conheço, que trata humanamente os colaboradores das suas lojas, mesmo os mais subalternos; porém, convém, por vezes, que desçamos à terra do real, a que sei que não é alheio, mas de que não saboreia o sabor amargo.

desempregado 07 Março 2012 - 14:28
Coitadinhos!
Sr. Alexandre Soares, não se trata de achar muito ou pouco, trata-se de olhar para a desgraça de salários/reformas que estão à sua volta e imperar o bom senso!
Eu, hoje, após 20 anos a trabalhar fiquei sem emprego porque a minha Empresa não consegue aguentar a crise.
Eu, que sempre paguei impostos, nunca pedi subsídio algum, vou agora ser humilhado e tratado como coitado pelos serviços do IEFP e SS.
Eu, pai de família, vou ficar em casa a olhar para as paredes.
Eu também merecia estar noutra situação e com melhor situação económica, mas para enriquecer alguns, outros têm que viver com menos.
Já agora, dê o exemplo e pague mais que 500€ aos seus funcionários e faça contratos justos com os seus fornecedores. Ah, e volte a pagar IRC em Portugal!

João Campos 07 Março 2012 - 14:29
Concordo com Alexandre Soares dos Santos
Quem tem qualificações, capacidade de trabalho e oportunidades de trabalho deve ser bem remunerado. O país está a ficar cheio de demagogos e de populistas, e a "malta" vai atrás desse discurso. Se não tivermos capacidade para remunerar bem os quadros, eles acabam por emigrar, e aí vamos ficar muito mais pobres. "When you pay peanuts, you get monkeys!"

Anonimo 07 Março 2012 - 14:31
Resposta
Uma reforma de 3000 euros é milionária num país com um salário médio abaixo dos 800 euros. Países muito mais ricos e com salários médios muito superiores e sem problemas orçamentais, como a Suíça, optam pelo plafonamento das pensões no limite superior.
Nós sabemos que o que interessa ao Sr. é que os governantes usem os nossos impostos a SEU favor. Mas infelizmente não os usam a favor de quem os paga. Pela minha parte já deixei há muito de ir à porcaria das suas mercearias rascas e caras.

Francis Obikwello 07 Março 2012 - 14:32
Gente podre
Ainda dizem que o comunismo não deixou marcas na sociedade portuguesa. Pode dizer-se que hoje em dia prevalece um sentimento mesquinho de inveja numa significativa camada da população.
Foi passada sub-repticiamente a mensagem de que, se estamos na situação que estamos, deve-se aos "ricaços portugueses" que exploram indecentemente os pobres dos trabalhadores. Embora possa parecer estranho, quem me dera a mim que em Portugal houvesse 1000 tipos como o Soares dos Santos.
Convençam-se de uma coisa: quantas mais pessoas geradoras de riqueza um País tiver, melhor vivem as pessoas. A igualdade não existe. Tirem isso da vossa cabeça.
Experimentem juntar 5 pessoas e dêem a cada uma mil euros. Vejam o que sucede passado 1 ano. Uns terão multiplicado o dinheiro, outros terão o mesmo dinheiro, outros menos e outros ainda estarão na miséria.

janjos 07 Março 2012 - 14:45
Reformas de miseráveis
Concordo em parte com ele, mas será o que aqui disse se aplica nas empresas dele? Quanto vão receber os seus colaboradores sobre os resultados obtidos de mais 21% em ano de crise? Como é a sua tabela salarial? Gestores bem pagos e os restantes a prazo e com salário mínimo? Se for como o pagamento dos impostos que em vez de os pagar na totalidade em Portugal os passa para Holanda...
Sim, ele que não venha meter os dedos nos olhos dos portugueses porque deixa menos dinheiro em Portugal. O ignorante vem com a mesma cantilena de nos enganar.
Claro que as reformas só são milionárias porque são comparadas com as de pessoas que descontaram 30 anos e como ficaram desempregadas tiveram que meter a reforma e nem o equivalente ao salário mínimo recebem. A grande maioria reformada aos 65 anos recebe abaixo do salário mínimo e ele em tempo de crise aumenta os lucros em 21%.
E a maioria dos portugueses quanto ganham? Estes homens têm que desenvolver o país e dar emprego mas acordem pois não levam o dinheiro para a cova.

abelavida 07 Março 2012 - 15:01
Carreira contributiva versus reforma
A questão é tão simples como isto: tem de haver uma efectiva relação entre a carreira contributiva e a reforma.
Foram feitos ajustes nesse sentido mas só para as gerações futuras. Muitos casos do passado e presente continuam a sobrecarregar a segurança social de forma injusta.
Mas grave são as regalias de reforma dadas a políticos e afins.
Também não discordo que, tal como em outros países, exista um valor de reforma máximo pago pelo Estado. Esse valor deveria ser indexado ao salário mínimo. Poderia ser, por exemplo, 6 salários mínimos.

bcarlos 07 Março 2012 - 15:36
Atenção, para ganhar 3000 ou 4000 euros de reforma, é porque também fez descontos para isso
Esta esquerda que existe em Portugal que é contra tudo, mas que em alguns casos são meninos de bem armados em "esquerda caviar", é que nos quer fazer crer que as pessoas que descontaram para a Seg. Social sobre valores altos e pagaram altos impostos (ou seja, ajudaram na educação deles), não têm direito a ganhar 3000 ou 4000 euros de reforma.
Mas para pagar subsídios a torto e a direito e a quem não se devia pagar, aí estão eles na primeira fila a apoiar.
É por estas e por outras que o País está como está!

ACarvalho 07 Março 2012 - 15:37
13.500 colaboradores
O Pingo Doce tem 13.500 colaboradores.
Os senhores aí a mandar filetes quantos colaboradores têm? Quantos empregos criaram?
Por favor...

SwedishChef 07 Março 2012 - 15:39
Não meto os pés no Pingo Doce há mais de 8 meses
Este Sr. e os Belmiros passam a vida nas notícias como se fossem os heróis.
Mas afinal o que é a distribuição? É sobretudo emprego manual, pouco qualificado e mal pago. É esmagar as margens e asfixiar os fornecedores/produtores nacionais. É a falência dos pequenos negócios numa luta desigual. Estão no top-10 dos maiores importadores. E ainda por cima só pagam cá os impostos dos quais não podem fugir. Qual é o valor acrescentado desta gente?

António Lopes 07 Março 2012 - 15:41
Desta vez tem razão
Desta vez tenho que lhe dar razão. Vivemos um tempo sinistro onde o mérito passou a ser uma treta, afinal tanto leva o que se esforça como aquele que nada faz, é isso que querem? Será dessa forma que o País evolui? Não, obviamente! Nivelar por baixo é criminoso e levará a mais pobreza e menos riqueza para todos!
Hoje em dia parece que um pedreiro ou um médico devem ganhar o mesmo, apenas em nome da "crise", tudo porque se generalizou a mesquinhez e o apontar o dedo. Quem trabalha e tem mérito deve se recompensado por isso, só assim a sociedade evolui.

Oliveira 07 Março 2012 - 15:48
Muito bem, aplaudo!
Em nome da "crise" temos assistido ao surgimento de um discurso demagógico e populista contra "os benefícios" de alguns, esquecendo se esses "benefícios" resultaram de trabalho, esforço, anos de descontos, ... Se alguém estudou e tem formação, obviamente que deve ganhar mais; se alguém trabalha há 20 ou mais anos, obviamente que deve ganhar mais; se alguém descontou uma vida inteira de um ordenado bom, obviamente que terá uma pensão mais elevada. Caso contrário baixamos todos os braços e levamos todos o mesmo? Claro que não!
Por isso é também demagógico o discurso contra os "privilégios" da Função Pública, porque esquecem que milhares de pessoas com formação superior, com anos e anos de trabalho, não podem ser remunerados como "trolhas", sem desprimor para estes.
Uma Sociedade evolui com trabalho e recompensa do mérito, se "cortam" cegamente e não olham a cada caso, vamos mal e ninguém ficará bem no final.

Anonimo 07 Março 2012 - 16:02
Tem toda a razão
Tem razão o Sr. Soares dos Santos. Querem fazer deste país a 2ª Albânia da Europa nivelando tudo por baixo e deixar apenas uma casta de privilegiados à boa maneira da URSS.
Se uma pessoa foi obrigada a descontar durante 40 anos e pelos cálculos tem uma reforma de 2.000, 3.000 ou mais euros porque é que a não pode ter e porque é que está agora a ser roubado?
Na Suiça as reformas são menores porque criaram um tecto e por isso também não são obrigados a descontar sobre a totalidade dos vencimentos.
Aqui o mal foi não terem criado essa hipótese e permitirem que certas elites sem ter descontado os tais 40 anos tenham reformas com menos de 15 anos de desconto.

HLopes 07 Março 2012 - 16:02
Como é Triste...
É muito triste ver a estupidez, a inveja, a cegueira e a incapacidade de acrescentar valor que vai por este país. Na generalidade as pessoas estão mais interessadas em denegrir e deitar a baixo do que construir, evoluir, crescer pessoal e profissionalmente.
As invejas cegam e deixam-nos de dedo em riste a apontar tudo e todos. Em vez de contribuirmos para as soluções passamos o tempo à procura dos responsáveis dos problemas, sem que consigamos perceber que os responsáveis somos todos nós enquanto sociedade e somos todos nós enquanto sociedade que temos de resolver o nosso problema.

Anonimo 07 Março 2012 - 16:04
Porquê?
Certo. Terá razão nalgumas coisas, noutras nem por isso.
Se as horas de trabalho são as mesmas, se os preços são os mesmos, se os produtores são os mesmos, porque raio ganha, quem trabalha num supermercado "lá fora" o dobro do que ganha aqui?
Ou alguém acredita que se abrisse supermercados em Inglaterra, o Pingo Doce pagava 500 euros? E não venham dizer que a malta do Pingo Doce está de perna traçada todo o dia sem fazerem nenhum.
Porquê esta diferença?

Jolas 07 Março 2012 - 16:15
Reforma
As reformas de 3 ou 4 mil euros para quem trabalhou e descontou uma vida inteira não são de todo milionárias.
Agora para quem trabalhou apenas uns "anitos" e nunca os seus descontos justificaram um valor desses, isso sim é uma reforma milionária.

Napo£eao 07 Março 2012 - 16:20
A inveja
Em Portugal os portugueses aceitam e acham normal que os futebolistas do Benfica (essa equipa que até tem 1 português no plantel!) "ganhem" mensalmente pipas de massa. Agora se for um médico, um director ou um juiz... aqui d'el rei!

Anonimo 07 Março 2012 - 16:44
Reformas
Todas as reformas já atribuídas deveriam sofrer uma reavaliação. Deveria ser imposto um limite máximo. Há muitas injustiças, muita gente que descontou poucos anos e a quem foram atribuídos altos valores. Alguns políticos e ex-políticos sabem disso.

Apgfsilvasilva 07 Março 2012 - 16:45
Não deveria haver tectos salariais nem leis laborais
Que chorrilho de asneiras que até dói a alma!
Os trabalhadores do pingo doce da Holanda ganham mais que os portugueses porque são: dinâmicos, trabalhadores, organizados e possuem uma lei laboral que ao contrário de proteger os preguiçosos, invejosos e piegas protege os bons trabalhadores e incentiva os outros a serem melhores!
Cada um deve ganhar o que merece e não o que a lei "obriga" a pagar. O salário mínimo é a recompensa de todos pelo mau trabalho e mau carácter de alguns. Se leva a vida a ir fumar o cigarrinho e a beber a bica, na entrada do prédio do escritório, porque haverá de receber remuneração por esses tempos "mortos” que não beneficiam nem a empresa nem a saúde do trabalhador?
A corja que está sempre em greve, como se durante o resto do tempo fizesse alguma coisa, mina as empresas e reduz o salário de todos. Aquele amigo que está sempre a sussurrar ao seu ouvido em vez de trabalhar está a prejudicar a empresa e a prejudicá-lo a si. Chega de bebés chorões. chega de irresponsáveis, chega de piegas, se quiserem melhores ordenados trabalhem!
Eu quanto a mim dispenso a trampa das leis laborais e das protecções sociais e de toda essa trampa que só cria emprego para os tipos dos sindicatos, mina a confiança dos empresários, aumenta o volume do Estado, e reduz os salários de quem realmente quer trabalhar. Trabalhar, qualquer que seja a profissão, fazendo bem o que se faz ajuda a nossa realização como seres humanos.

Cheio de Comunas 07 Março 2012 - 16:52
Frustrados
A frustração e o ressabiamento da cambada comuna que aqui vem com insultos é bem demonstrativa da mentalidade reinante em 'Tugal'. Bem faz o Sr. Soares dos Santos em avançar a todo o gás na Polónia, que eles lá sabem o que é o comunismo e, à parte uns saudosistas burros, ninguém quer voltar ao passado. Embrulhem.

Nuno 07 Março 2012 - 16:54
Capitalista
Este sistema social e especialmente a Segurança Social dão-me náuseas. Vivemos num país onde todos tentam viver à custa dos demais mas só quem é apanhado é vilipendiado na praça pública. Sempre à boca pequena, porque não temos coragem de mudar o país e de nos mudarmos a nós mesmos.
Metemos todos no mesmo saco, onde o denominador comum é o dinheiro que ganham, não o seu mérito. O mérito não reconhecemos nunca porque a nossa mesquinhez é tudo o que nos resta. Foi o que sempre tivemos. A nossa sociedade está podre.

guardaabel 07 Março 2012 - 16:57
Os canalhas
Belmiro de Azevedo (Grupo Sonae) e Soares dos Santos (Grupo Jerónimo Martins) são responsáveis pelo encerramento de dezenas de milhares de pequenos negócios familiares, as estratégias agressivas das suas grandes superfícies são alimentadas pelo estrangulamento das pequenas e médias empresas do sector agro-alimentar, impõem-lhes baixos preços e ainda alimentam os seus planos de investimento à custa de prazos de pagamentos aos fornecedores próximos do absurdo. São estes os dois senhores que agora defendem os pequenos investimentos?
Compreende-se a sua preocupação com o aumento no consumo, só que no Pingo Doce até os amendoins da marca branca são importados da China, aliás, fala-se por aí muito mal das lojas chinesas mas ninguém diz que os maiores “comerciantes chineses” deste país são precisamente Belmiro de Azevedo e Soares dos Santos.
Não deixa de ser curioso ver os grandes empresários, monopolistas ou oligopolistas nos sectores em que investem, virem agora defender que “small is beautiful”. É evidente que não lhes interessa investimentos em tecnologia que signifiquem uma aposta no longo prazo ou em grandes projectos que impliquem a importação de tecnologia. Para eles é mais lucrativo importar tudo da China, desde amendoins a camisas baratas, do que importar a tecnologia do TGV de um país europeu, para eles é estrategicamente mais interessante apoiar pequenos investimentos de mão-de-obra barata que vá comprar aos seus hipermercados do que investir em empresas tecnológicas cujos quadros tenha padrões de exigência acima do oferecido pelos hipermercados Continente.
Isto significa aplicar ao país a lógica da cantina da grande fazenda africana, onde os trabalhadores mal recebiam os ordenados iam pagar as dívidas do mês anterior e comprar a crédito para o mês seguinte. Se Belmiro conseguisse converter o país numa imensa cantina colonial asseguraria ao grupo SONAE a possibilidade de continuar a crescer segundo um modelo de mão-de-obra pouco qualificada, seria a cantina de um país transformado numa imensa fazenda colonial.

BURRO IO 07 Março 2012 - 17:00
P’ro apgfsilvasilva
Sabe, eu até concordo consigo, desde que haja honestidade e vontade para tal. Creio que ainda não crescemos suficiente para tal. Existe muitos incompetentes a ganhar muito acima do salário mínimo e da razoabilidade dos salários portugueses. Existe também muitos ladrões muito bem colocados e remunerados e que falam em competitividade para distrair dos roubos e corrupções que grassam por aí. As estatísticas são feitas à medida de quem as pede.
Provavelmente na Holanda o escrutínio é maior e melhor, a população está melhor informada. Por aqui quanto menos souberem, melhor. A transparência não existe, por isso em vez de ofender quem trabalha, comece primeiro a exigir a quem de direito.

apgfsilvasilva 07 Março 2012 - 17:15
Obrigado, Sr. Soares dos Santos
Gostava de saber onde o guardaabel faz as compras! Não deve ser na mercearia da Felisberta onde o mesmo produto custa dez vezes mais que no pingo doce! Os mercados, caso não saiba, tendem a ajustar-se à procura e se a mercearia da esquina fechou é porque não era competitiva. Já a Dra. Manuela Ferreira Leite dizia que era incompreensível tantas empresas darem prejuízo durante tantos anos e continuarem abertas.
Eu cá sou liberal defendo o pingo doce ou outro qualquer que me permita comer e beber e ainda poupar uns troquinhos!
Já agora, o que me preocupa não são as mentalidades capitalistas nem as comunistas, nem as benfiquistas, nem as portistas, nem as cristãs, nem as budistas, quem realmente me preocupa são as mentalidades que nos coíbem de pensarmos por nós próprios e que nos sugam a vontade. Devo dizer que a maior parte de nós só precisa de um sofá e de uma televisão para ficar dormente.


rmopf2005 07 Março 2012 - 17:22
Para os comunas

A CIGARRA E A FORMIGA
(Versões alemã e portuguesa)

Versão alemã
A formiga trabalha durante todo o Verão debaixo de Sol. Constrói a sua casa e enche-a de provisões para o Inverno.
A cigarra acha que a formiga é burra, ri, vai para a praia, bebe umas bejecas, dá umas quecas, vai ao Rock in Rio e deixa o tempo passar.
Quando chega o Inverno a formiga está quentinha e bem alimentada. A cigarra está cheia de frio, não tem casa nem comida e morre de fome.
FIM

Versão portuguesa
A formiga trabalha durante todo o Verão debaixo de Sol. Constrói a sua casa e enche-a de provisões para o Inverno.
A cigarra acha que a formiga é burra, ri, vai para a praia, bebe umas bejecas, dá umas quecas, vai ao Rock in Rio e deixa o tempo passar.
Quando chega o Inverno a formiga está quentinha e bem alimentada. A cigarra, cheia de frio, organiza uma conferência de imprensa e pergunta porque é que a formiga tem o direito de estar quentinha e bem alimentada enquanto as pobres cigarras, que não tiveram sorte na vida, têm fome e frio.

A televisão organiza emissões em directo que mostram a cigarra a tremer de frio e esfomeada ao mesmo tempo que exibem vídeos da formiga em casa, toda quentinha, a comer o seu jantar com uma mesa cheia de coisas boas à sua frente.
A opinião pública ‘tuga’ escandaliza-se porque não é justo que uns passem fome enquanto outros vivem no bem bom. As associações anti-pobreza manifestam-se diante da casa da formiga. Os jornalistas organizam entrevistas e mesas redondas com montes de comentadores que comentam a forma injusta como a formiga enriqueceu à custa da cigarra e exigem ao Governo que aumente os impostos da formiga para contribuir para a solidariedade social. A CGTP, o PCP, o BE, os Verdes, a Geração à Rasca, os Indignados e a ala esquerda do PS, com a Helena Roseta e a Ana Gomes à frente e o apoio implícito do Mário Soares, organizam manifestações diante da casa da formiga. Os funcionários públicos e os transportes decidem fazer uma greve de solidariedade de uma hora por dia (os transportes à hora de ponta) de duração ilimitada. Fernando Rosas escreve um livro que demonstra as ligações da formiga com os nazis de Auschwitz.

Para responder às sondagens o Governo faz passar uma lei sobre a igualdade económica e outra de anti-discriminação (esta com efeitos retroactivos ao princípio do Verão). Os impostos da formiga são aumentados sete vezes e simultaneamente é multada por não ter dado emprego à cigarra. A casa da formiga é confiscada pelas Finanças porque a formiga não tem dinheiro que chegue para pagar os impostos e a multa. A formiga abandona Portugal e vai instalar-se na Suíça onde, passado pouco tempo, começa a contribuir para o desenvolvimento da economia local.

A televisão faz uma reportagem sobre a cigarra, agora instalada na casa da formiga e a comer os bens que aquela teve de deixar para trás. Embora a Primavera ainda venha longe já conseguiu dar cabo de todas as provisões organizando umas "parties" com os amigos e umas "raves" com os artistas e escritores progressistas que duram até de madrugada. Sérgio Godinho compõe a canção de protesto "Formiga fascista, inimiga do artista".
A antiga casa da formiga deteriora-se rapidamente porque a cigarra está-se catando para a sua conservação. Em vez disso queixa-se que o Governo não faz nada para manter a casa como deve ser. É nomeada uma comissão de inquérito para averiguar as causas da decrepitude da casa da formiga. O custo da comissão (interpartidária mais parceiros sociais) vai para o Orçamento de Estado: são 3 milhões de euros por ano. Enquanto a comissão prepara a primeira reunião para daí a três meses a cigarra morre de overdose. Rui Tavares comenta no Público a incapacidade do Governo para corrigir o problema da desigualdade social e para evitar as causas que levaram a cigarra à depressão e ao suicídio.

A casa da formiga, ao abandono, é ocupada por um bando de baratas, imigrantes ilegais, que há já dois anos que foram intimadas a sair do País mas que decidiram cá ficar, dedicando-se ao tráfego da droga e a aterrorizar a vizinhança. Ana Gomes, um pouco a despropósito afirma que as carências da integração social se devem à compra dos submarinos, faz uma relação que só ela entende entre as baratas ilegais e os voos da CIA e aproveita para insultar Paulo Portas.
Entretanto o Governo felicita-se pela diversidade cultural do País e pela sua aptidão para integrar harmoniosamente as diferenças sociais e as contribuições das diversas comunidades que nele encontraram uma vida melhor.

A formiga, entretanto, refez a vida na Suíça e está quase milionária...
FIM


mferrer0 07 Março 2012 - 18:25
É sim...
É milionária porque exagerada em relação aos anos de trabalho e em relação aos descontos que fizeram para a CGA. O senhor, como privado e magnata, não precisa da sua reforma. Se, no entanto, observasse a reforma que os políticos auferem, e a que lhes seria devida, veria que eles se banqueteiam com dinheiro que não é deles.

dantaspt 07 Março 2012 - 18:38
Ao apgfsilvasilva
O teu comentário só merece uma resposta, tão estúpida como o teu comentário. Que tal acabar com as leis, e ser a lei do mais forte, se não me pagas o que mereço, dou-te um tiro. Tu vais para o cemitério, eu continuo a minha vida descansado, sabendo que um gatuno está a fazer tijolo.
Mas o teu comentário faz-me lembrar alguém que há uns anos disse algo parecido: "cada um tem o emprego que quer". Isso seria verdade, se não fosse uma barriga para alimentar e não houvesse quase 2 milhões de barrigas dispostas a ir trabalhar por uma simples tigela de sopa.
Só uma ignorância sem limites pode fazer aquele comentário. Gostava de saber onde tem andado desde o dia que começou a ter consciência de estar vivo.

rmopf2005 07 Março 2012 - 18:54
Objectivo das empresas
Para os comunas que ainda se doem do Sr. Alexandre Soares dos Santos ter mudado a sede para a Holanda, só tenho a dizer o seguinte: o objectivo das empresas é dar lucro para os donos/accionistas. Não é pagar impostos, que depois são desperdiçados para alimentar com RSI a preguiça de pessoas de 20 anos.
Como sempre disse, acabar o RSI. Quem tem alguma deficiência física vai para a reforma por invalidez, quem tem bracinhos para trabalhar que se mexa.
Não pode ser as pessoas que trabalham a pagar quem não quer trabalhar.

Anonimo 07 Março 2012 - 19:10
rmopf2005
E o objectivo das empresas é apenas o que interessa? Eu digo não. E porquê? Porque a empresa serve, ou deve servir, como qualquer outra coisa que existe na sociedade/humanidade para ajudar no florescimento e melhoria de todos.
Se estou a falar de comunismo? Claro que não, portanto parem com desculpas bazofiadas. Estou apenas a dizer que uma empresa tem responsabilidade social. Ponto. Se deve ser santa casa? Não. Se deve ser não social? Não.
O pior é que, de um lado, estão uns que querem tudo, mesmo que não precisem, e do outro, os que querem coisas sem trabalhar. Parem de puxar a brasa à vossa sardinha e trabalhem em parceria. Sabem o que é parceria? Tudo, menos situação de escravo e esclavagista!

rmopf2005 07 Março 2012 - 19:25
Para o Sr. anonimo das 19:10
Parceria? Mega lol, o povo só vê mesmo para o lado que lhe interessa!
Pois então vamos à parceria. Se a empresa definha porque não recebe dos clientes e precisa pagar os impostos a tempo e horas onde está a parceria dos funcionários? Um patrão pode ficar sem casa, sem carro, sem os móveis da casa, mas o funcionário não perde nada porque também não arrisca nada.
Paga-se pouco aos funcionários em Portugal porque:
  1. As empresas são roubadas pela ganância em impostos do Estado, alguma dúvida?
  2. Pagam-se os ordenados dos incompetentes que a lei não permite despedir.
  3. O empresário tem de ganhar para o risco do negócio, ou algum comuna duvida que existe risco? Se não se pagar às finanças, até nos vêm buscar a casa.
Portanto é de louvar a coragem de abrir uma empresa em Portugal.


Lusoponte recebeu portagens de Agosto a dobrar


As compensações a pagar pelo Estado à Lusoponte foram contratualizados supondo que os utentes nunca pagariam portagem na Ponte 25 de Abril durante o mês de Agosto.
Contudo, no ano passado, o governo de Passos Coelho decretou o fim da isenção.
Portanto era necessário pagar essa receita inesperada à Lusoponte mas deduzi-la no pagamento fixado por contrato, entendeu a empresa pública Estradas de Portugal.
Quem não concordou foi o secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Silva Monteiro, que três semanas depois lavrava despacho a ordenar um pagamento extra de 4,4 milhões de euros à Lusoponte.

Resumindo e concluindo, a Lusoponte de Ferreira do Amaral, ex-ministro de Cavaco Silva, arrecadou as portagens pagas pelos utentes e a compensação paga habitualmente pelo Estado. Ou seja, recebeu a dobrar.

Bem esteve hoje Francisco Louçã ao denunciar a história no parlamento:



A Secretaria de Estado das Obras Públicas, Transportes e Comunicações tentou agora justificar com uma minudência legal:

"Em 30 de Setembro de 2011, a EP – Estradas de Portugal, SA decidiu unilateralmente deduzir o valor de portagens cobradas pela Lusoponte na Ponte 25 de Abril em Agosto de 2011 ao pagamento devido nessa data. Tal procedimento não tinha suporte legal uma vez que esta Concessão tem o risco de tráfego transferido para o parceiro privado, pertencendo-lhe integralmente essa receita.
O Despacho do senhor secretário de Estado das Obras Públicas, Transportes e Comunicações datado de 21 de Novembro de 2011 visou repor a legalidade na relação entre o Estado e a Lusoponte.
"
"[No porvir o Governo vai] promover a assinatura de um novo Acordo de Reequilíbrio Financeiro o qual regulará esta matéria e permitirá, com base legal, deduzir nos próximos pagamentos de eventuais compensações o valor cobrado pela Lusoponte em Agosto de 2011 e que havia sido compensado anteriormente".


Para autorizar a Lusoponte a cobrar portagens não foi necessário rever o contrato?
Valha-nos Santa Troika que exige uma auditoria às PPP!


segunda-feira, 5 de março de 2012

Álvaro Santos Pereira resiste e mantém a pasta da Economia


Depois da polémica da gestão dos fundos nacionais e comunitários, quando muita gente já festejava a demissão de Álvaro Santos Pereira, eis o ministro, que não era político mas professor de Economia numa universidade do Canadá, a despejar-lhes um balde de água fria com este discurso frontal:





"Num momento como o que vivemos em que todos somos postos à prova, este é o momento de agir. Agir para rapidamente sair da situação de emergência nacional em que nos encontramos. Foi o que eu e a minha equipa fizemos nos últimos meses. E o trabalho não tem sido pouco. Nos últimos seis meses de 2011 pusemos em prática mais de um terço das medidas que constam do memorando de entendimento, ou seja, até Dezembro, uma em cada três medidas foram postas em prática pelas nossas equipas.
Entendemos que agir não é sinónimo de anúncios espampanantes e ostensivas actuações mediáticas. Assumimos esta tarefa com um plano claro, que não é surpresa para ninguém, e que em pouco mais de oito meses tem sido seguido à risca. Tanto eu como os meus secretários de Estado estamos a cumprir, não estamos a anunciar. Esse tempo acabou há oito meses.

Eu e a minha equipa, bem como todo o Governo, temos uma estratégia, uma lógica e uma visão muito clara do que queremos para Portugal. Menos Estado na economia, mais e melhor regulação, o ministério da Economia a cumprir o seu papel de remover obstáculos ao crescimento e ao normal funcionamento dos mercados. A criar condições para aqueles que são o verdadeiro motor da economia portuguesa que são os empresários e os trabalhadores focados no objectivo traçado. Sem ceder a cortinas de fumo criadas pela oposição que vêem assim uma forma de branquear as políticas desastrosas que conduziram o País à situação que estamos hoje a corrigir. E também sem ceder a pressões dos interesses instalados que apostam no ruído mediático para tentar que os seus sectores continuem protegidos.

O Governo está empenhado em combater o principal problema da economia nacional: o défice externo. E esse problema, combate-se promovendo as exportações, diminuindo as importações, promovendo a poupança interna e fazendo com que tenhamos cada vez empresas mais competitivas, mais inovadoras.

Quem viveu no estrangeiro consegue apreciar melhor o nosso País. Nós esquecemos o quão maravilhoso ele é. Não é só pelo clima, é pelas pessoas e pela gastronomia. E essencialmente porque nós, em período de dificuldades não baixamos os braços. Unimo-nos e vamos à luta. É exactamente o que estamos a fazer. Perante o memorando de entendimento que é exigente, fazemos questão de o cumprir à letra, para mostrar que somos capazes de sair da situação actual e tudo faremos para ser um caso de sucesso."


A caixa de Pandora das PPP - I


O Boletim Informativo do 4º trimestre de 2011 sobre as Parcerias Público-Privadas e Concessões, publicado no mês passado pela Direcção Geral do Tesouro e Finanças, refere que, em 2011, os encargos líquidos ascenderam a 1822,6 milhões de euros quando estava previsto que fossem 1542,0 milhões de euros.
Houve, portanto, uma derrapagem de 280,6 milhões de euros.


Segundo o Decreto-Lei 86/2003 entende-se por parceria público-privada (PPP) os contratos pelos quais entidades privadas, designadas por parceiros privados, se obrigam perante um parceiro público a desenvolver uma actividade tendente à satisfação de uma necessidade colectiva, e em que o financiamento e a responsabilidade pelo investimento e pela exploração incumbem ao parceiro privado.

Podemos apreciar a evolução do investimento acumulado nas PPP no gráfico 6.1 do referido boletim, sendo absolutamente criminoso o investimento contratado em 2010 já que foi o ano da escalada das taxas de juro das obrigações da dívida pública, o que obrigou Portugal a pedir assistência financeira externa um ano depois.
Pelo gráfico 1.3 conclui-se que, do investimento total de 16 mil milhões de euros, a fatia de leão de 79% foi para o sector rodoviário.








Regressemos agora aos valores de 2011. O quadro 3.1.2. não só confirma os valores apresentados no início para os encargos líquidos previstos e ocorridos donde se calcula a derrapagem de 280,6 milhões de euros, como também revela que a responsabilidade recai no sector rodoviário. Resultado expectável pois o gráfico 3.1.1. mostra que o sector pesou 83% nos encargos com as PPP em 2011.











Mas como puderam acontecer tais derrapagens? Simplesmente porque a legislação permitia:

O primeiro governo Sócrates, através do Decreto-Lei 141/2006, introduziu a possibilidade de haver um acréscimo dos encargos previstos para o parceiro público ou para o Estado quando o valor não exceder, em termos acumulados anuais, 1 milhão de euros.
E admite mesmo valores superiores com despacho prévio de concordância dos ministros das Finanças e da tutela do sector, a emitir no prazo de 30 dias, findo o qual se presume tacitamente emitido!

Com base nesta legislação permissiva os governos socialistas de José Sócrates contratualizaram dezenas de PPP, a maioria com uma duração igual ou superior a 30 anos. Eis a lista nos sectores rodoviário e ferroviário:





*


Um conjunto de questões sobre as PPP's que o deputado do CDS-PP, Hélder Amaral, enviou ao Ministério da Economia e Emprego:

"Esta derrapagem de 280,6 milhões de euros estava dentro da margem de erro prevista pelo Governo?",

Qual o impacto desta derrapagem no défice orçamental de 2011?

Como pretende o Governo travar este “crescimento insustentável” com as PPP, que entre 2010 e 2011 aumentaram 695,1 milhões de euros? (ver gráfico 3.1.2.)

"Que hipóteses tem o Governo actualmente à sua disposição para defender os interesses do Estado nesta matéria e aliviar o peso que paira sobre as gerações futuras?"

Ficamos à espera das respostas.


Conforme exigido no memorando com a equipa técnica da Troika, o governo de Passos Coelho lançou um concurso público internacional para a realização de auditoria às PPP.
Até ao fim do mês de Janeiro, data limite para a apresentação de candidaturas a esse trabalho de auditoria, cinco entidades entregaram as suas propostas, encontrando-se as mesmas em fase de apreciação.

Ficamos a aguardar a decisão. E depois o resultado da auditoria. Porque é preciso controlar a boceta de Pandora das PPP.


domingo, 4 de março de 2012

Magistrados devem declarar pertença a associações secretas




O director do Centro de Estudos Judiciários (CEJ), Pedro Barbas Homem, defendeu no IX Congresso do Ministério Público que os magistrados devem fazer um registo de interesses sobre a participação em associações públicas ou secretas.

Nomeado em Setembro pela ministra Paula Teixeira da Cruz para director do organismo onde decorre a formação dos magistrados, quer judiciais quer do Ministério, Público, Barbas Homem sustentou que os magistrados prestam um serviço público e, portanto, devem declarar a "participação em organizações mais públicas ou menos públicas e até secretas", considerando que o "registo de interesses é uma questão de transparência que é necessária numa sociedade democrática".

O director do CEJ assumiu esta posição quando questionado pela procuradora Joana Marques Vidal, presidente da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, irmã do procurador João Marques Vidal, responsável pela acusação do processo Face Oculta e filha de José Marques Vidal, magistrado de carreira e antigo director da Polícia Judiciária.

Sem nunca mencionar a Maçonaria, uma organização secreta a que pertencem alguns magistrados que ocupam altos cargos da Justiça, Barbas Homem, acrescentou que esse registo é uma exigência ética da profissão pois "devia ser um direito dos arguidos saber quem são as pessoas que os estão a julgar ou a acusar".


Actualização
Decididamente no nosso país onde há luz, aparece a sombra. Aqui se foca o outro lado da luz no congresso dos magistrados:


quinta-feira, 1 de março de 2012

A safe house de António Costa, ou o paradigma da hipocrisia


Quarenta associações da Mouraria pretendem lutar contra a pobreza na zona e, sob a égide da câmara municipal de Lisboa, criaram um Programa de Desenvolvimento Comunitário da Mouraria (PDCM) cujos objectivos são a revitalização do tecido económico do bairro, a melhoria da qualidade de vida dos idosos, a promoção do acesso à saúde e à cidadania junto de populações vulneráveis e a promoção do fado.
Dispõem de 1 milhão de euros para aplicar em 2012 e 2013.

Nas populações vulneráveis incluem-se as prostitutas e os toxicodependentes.

Para combater a droga no bairro, pretendem criar o espaço 'Drop In', onde os toxicodependentes poderiam consumir drogas.
"Um espaço para consumir droga?" interroga-se o leitor. Pois, mas seriam... acompanhados.

Relativamente à prostituição no bairro, este ano vão receber uma verba reduzida da autarquia "para organizarem um trabalho com as mulheres de rua e procurarem formas alternativas de vida com elas, e também para juntarem as mulheres numa cooperativa", explicou João Meneses, o coordenador do PDCM.
"A ideia também é perceber se faria sentido criar um projecto dessa natureza [bordel] com elas. Se elas achassem que sim, em 2013 avançaríamos para encontrar um imóvel devoluto, que podia ser utilizado por elas para o efeito. (...)
O projecto não está debatido ainda em termos jurídicos, mas se fosse uma cooperativa de mulheres não configuraria lenocínio, porque não haveria a figura do capitalista, ou do empresário. Não haveria exploração do trabalho sexual, haveria sim um trabalho feito em condições de saúde e higiene e que é gerido pelas próprias e para as próprias.
"

O projecto chama-se 'Safe House' e, se for aprovado pela autarquia, esta cede, em 2013, um imóvel para instalar o bordel.
"O quê?", vocifera o leitor, "Vão criar um bordel com o dinheiro dos meus impostos?" Calma, amigo. A proposta para a criação deste espaço veio da Obra Social das Irmãs Oblatas e... do Grupo de Activistas sobre o Tratamento do VIH/SIDA (GAT).

Sobre a legalidade dessa 'safe house', o presidente da câmara de Lisboa, António Costa, disse ontem que isso "está a ser estudado”.
E confirmou que a 'safe house' foi proposta pela Obra Social das Irmãs Oblatas, que há vários anos lidam com o problema da prostituição na zona do Intendente e pretendem abrir um espaço "onde possa ser garantida a segurança física e psíquica das profissionais do sexo".

Hoje, António Costa voltou a pronunciar-se sobre o assunto, dizendo:
"Não me vou pronunciar isoladamente sobre esta proposta ou aquela. O plano há-de ser um conjunto de acções integradas, que visam complementar a acção física sobre o espaço público com a acção de reabilitação do edificado e com o desenvolvimento social da Mouraria.
Não vou antecipar análises sobre esta ou aquela medida isoladamente, por muito 'sexy' que possa ser o título de alguma das propostas.
As Irmãs Oblatas prestam à cidade de Lisboa um trabalho precioso junto de um sector da sociedade muito difícil, muito marginalizado, para o qual a sociedade olha com enorme hipocrisia, que é a prostituição.
(...)
Eu respeito muito o trabalho que as instituições fazem no terreno. Este plano que está a ser desenvolvido parte da recolha de um conjunto de propostas de todas estas instituições. Umas agradam-me mais, outras agradam-me menos, mas seria uma irresponsabilidade ignorar aquilo que é a mais-valia que estas associações têm no terreno.
(...)
Não devemos fingir que essa realidade
[prostituição] não existe na cidade de Lisboa. Existe, naquele bairro, e não é possível intervir naquele bairro sem olhar para essa realidade, e devemos fazê-lo.”

Entre os vereadores, Helena Roseta manifestou desconhecer a ideia da criação do lupanar, o vereador comunista Ruben de Carvalho considera-a "pouco assisada", embora concorde com a casa-refúgio para prestar assistência às prostitutas e o vereador do CDS-PP António Carlos Monteiro defende a colocação de câmaras de videovigilância no Intendente, dizendo que "o resto é procurar esconder o problema da prostituição dentro de portas, em vez de resolvê-lo".


Confuso? Nada melhor que ouvir mais algumas pessoas:



Indignado 29 Fevereiro 2012 - 10:52
Incrível
É incrível como num tão curto espaço de tempo se pode ler tanta barbaridade como a que algumas pessoas escrevem! É fantástico ver como é mais relevante criticar a figura do político (através de comentários injuriosos às senhoras suas mães, e não estou a defender os políticos mas sim as suas mães) do que tentar olhar para o que uma solução destas poderá trazer como benefício à cidade ou mesmo ao país.
Será difícil de ver que uma solução destas pode afastar quem se prostitui de quem as obriga a trabalhar? Será difícil de ver que trará segurança a quem vende e a quem compra serviços? Será difícil de ver que é possível criar um regime de contribuições deixando de ser mais uns chulos da classe trabalhadora? Será difícil de ver as oportunidades de negócio que tal iniciativa poderá trazer, por exemplo, ao turismo? Basta ver quantas pessoas voam todos os anos para a Holanda com o propósito de visitar o Red Light District.
Realmente mesmo quando alguém tenta arranjar uma solução para as coisas a primeira resposta do Português é: "Isso não serve!" ou " ’Tá’ tudo doido!"

ebotelho 29 Fevereiro 2012 - 11:08
Estamos a voltar ao fascismo
Estamos mesmo a voltar ao tempo de quando a prostituição era legal, o tempo da outra senhora, o tempo dos 'Ballets Rose'. A direita tenta ganhar dinheiro com tudo, até com a mais infame das explorações sobre o ser humano. Qualquer dia os desempregados têm que aceitar esta submissão indigna, sob pena de perderem o subsídio de desemprego. Ainda vamos ver algum político a incentivar os jovens a prostituírem-se, como solução para se resolver a crise.
Ainda há quem tenha a lata de defender que é para livrar as prostitutas dos proxenetas. Se o proxenetismo é crime, porque é que esses empresários do sexo mantém-se em liberdade? Porque é que a comunicação social, a imprensa publica todos os dias milhares de anúncios sobre esta actividade indigna e desumana? Srs. Políticos, tenham coragem e juízo para atacar os problemas e os crimes associados a estes problemas pela frente, não por detrás, como se fossem uns vermes fascistas!

Carlos Borges 29 Fevereiro 2012 - 11:11
Oh ebotelho,
A Câmara de Lisboa é de esquerda!
Informe-se primeiro antes de comentar aquilo que não sabe, com a sua ignorância.

pedro 29 Fevereiro 2012 - 11:18
Fascismo?
Caro ebotelho,
A prostituição em Portugal é legal. O que é ilegal é o lenocínio ou ser chulo.
Sinceramente acho que já é tempo de pôr ordem nisso. Prefiro ter bordéis do que ter as mulheres na rua ou na beira das estradas.
Só não concordo que a Câmara empate dinheiro nisso. Isto não tem nada de fascismo, é a coisa mais racional a fazer.

ZPMKS 29 Fevereiro 2012 - 11:53
Ridículo
Só pode haver aqui interesses escondidos. Aguardo para saber qual a renda que estes bons samaritanos vão cobrar a estas senhoras.
Não está aqui em causa o drama que é a prostituição e que as mulheres, que se vêem obrigadas a fazer, têm que viver.
É contudo triste e sintomático que o melhor destino que a câmara municipal e o seu plano tenham a oferecer a estas pessoas necessitadas e à sua cidade seja a cedência de um espaço para criação de um bordel.
Como é que é possível indignarmo-nos com o plano de ajustamento da troika, o desemprego, emprego precário, etc. e depois assistirmos impassíveis a estas indignidades? Não seria preferível a Câmara disponibilizar edifícios para habitação a estas senhoras? Se calhar dessa forma, algumas nem teriam de recorrer à prostituição e poderiam ter uma vida melhor, mais digna e desempenhar um papel de maior valor acrescentado à sociedade e à economia do país.

francisco gomes 29 Fevereiro 2012 - 12:10
Negação
Não acredito que as irmãs Oblatas sejam signatárias de tal proposta, quando muito desejam é ajudar essas pessoas a sair de tal vida. Acabaram com a escravatura e querem voltar a instituí-la com tal atitude. É só para ultrapassarem o BE. Já agora o presidente da Câmara deve ceder as instalações da câmara para tal efeito.
Basta de manobras de diversão, pois quem não tem capacidade para gerir e criar soluções lança estas atoardas.

Indignado 29 Fevereiro 2012 - 12:05
Caro ZPMKS,
Acho que DAR é a palavra que nós portugueses melhor conhecemos.
Coitadinhos daqueles que estão desempregados anos a fio e já rejeitaram ofertas de trabalho, seja por que motivo for. Vamos dar-lhes uma casa e uns rendimentos!
Coitadinhos dos que vivem dos rendimentos sociais sem que nunca tenham descontado e têm mais rendimentos dos biscates que fazem sem passar recibo. Vamos dar-lhes mais umas migalhas para viver!
Vamos a isso... O bom do contribuinte suporta! De qualquer das formas já está habituado a dar o corpo ao manifesto.

CJPC 29 Fevereiro 2012 - 12:15
Já vamos aí... ainda chegaremos mais longe
Estamos a desembocar no tal socialismo de miséria e mais uma vez a velha receita: "a mais antiga profissão".
É claro que agora aparecem os tais argumentos a favor: para evitar os chulos, para tirar as raparigas da rua e das estradas... Mas não é garantido que os chulos não passem a ser outros. Devem ter em conta que não são só as meninas que precisam de bordel; os meninos também querem os mesmos direitos!
Mas a questão básica permanece: que sociedade construímos depois de Abril?

Carlos Março, Queluz. 01.03.2012 19:27
Louvor à legalização da prostituição
Finalmente um bordel legal em Lisboa! Acho muito bem! Sempre que frequento bordéis sinto-me incomodado por não poder reclamar quando o sexo oral não é bem feito, ou quando as minhas prostitutas habituais estão a atender outro cliente. Assim será muito mais agradável usar prostitutas em Lisboa. Com mais condições, mais higiene, porque eu gosto de fazer sexo em lugares limpos.
Espero que estas medidas levem também os preços a baixar, porque com a crise pagar cinquenta euros por serviço completo é muito caro. Proponho à presidência da câmara a abertura de um drive-in de sexo oral na almirante reis, que iria impulsionar muito a nossa economia e o nosso turismo, onde as nossas filhas e namoradas poderiam vender o corpo a turistas da comunidade europeia e ajudar a pagar a nossa dívida. Parabéns!

Anónimo 29 Fevereiro 2012 - 23:23
Falar fino
Antigamente, para falar "fino", chamava-se bordel a uma casa de putas. Doravante, passará a ser uma Safe House. Deve ser do acordo ortográfico feito pelos socialistas...

JDMT2010 01 Março 2012 - 10:55
O "apoio" esquerdo
Apoiar a prostituição... apoiar os drogados... apoiar o aborto... apoiar os delinquentes... Mas por que raio a esquerda não começa por apoiar quem está neste mundo por bem, quem é sério e tem vontade de trabalhar?
Para além disso não se combate o mal com o mal, combate-se o mal com o bem, tentando arranjar emprego ou outra solução digna para toda essa pobre gente.


Os desequilíbrios macroeconómicos na Europa


Até agora, Bruxelas limitava-se a vigiar os desequilíbrios orçamentais. A crise económica e financeira global, desencadeada nos EUA com o problema do subprime e a falência do Lehman Brothers, veio mostrar aos países europeus que não basta terem as contas públicas em ordem.
A partir de agora, os desequilíbrios macroeconómicos também vão passar a ser vigiados. Esta infografia do Negócios contém as fotografias da Europa à luz de cada um dos 10 critérios do Procedimento dos Desequilíbrios Excessivos e não apenas do orçamental.





Nota: há um lapso no texto do critério 'crédito ao sector privado'.


quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

O seu município é gerido de forma eficiente?


O Anuário Financeiro dos Municípios, uma publicação elaborada por especialistas em contabilidade e apoiada pela Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas (OTOC), divulga desde 2005 uma lista dos municípios ordenados por nível de eficiência financeira.

A ordenação é obtida através de um índice composto por 15 indicadores que avaliam a dívida por habitante, liquidez, endividamento líquido por habitante, resultado operacional por habitante, peso dos custos com pessoal nos custos operacionais, diminuição dos passivos financeiros e das dívidas de curto prazo, prazo médio de pagamento a fornecedores e o rigor com que orçamentam despesas e receitas, entre outros.

O Negócios publicou os dados referentes a 2010 e compara-os com os do ano anterior, ressaltando que, na maioria dos casos, mantém-se o bom desempenho financeiro. Mas também há casos de municípios que, no período de um ano, saltaram do fundo do ranking para os lugares de topo.





A divulgação deste quadro de honra dos municípios é da maior importância pois há 70 a 100 municípios que, segundo João Carvalho das Neves, professor do ISEG, Universidade Técnica de Lisboa, e coordenador do anuário financeiro, necessitam de um plano de resgate. Um excerto da entrevista:


Como se explica um aumento do endividamento líquido com as restrições que existem?
Pois, o problema é que apesar da Lei não permitir que o endividamento líquido ultrapasse os 125% de receitas do ano anterior, há quem não cumpra. São cerca de 70 casos.

No actual contexto, é de esperar que corrijam o excesso de dívida?
Não será fácil, sendo certo que há alguns municípios que têm feito esse esforço. Destaco o caso de Lisboa, que tem uma dívida muito grande — é um município que tem 5% da população e tem 12% da dívida global dos municípios, de mil milhões de euros — mas tem feito um esforço significativo para a reduzir.

Quantos municípios diria que estão muito debilitados?
Em 70 a 100 municípios seria necessária uma maior intervenção do Governo. O Governo tem de actuar sobretudo na questão das dívidas a fornecedores. Aliás, não é por acaso que hoje foi noticiado que o Governo pediu um levantamento das dívidas aos municípios.

Acha que devia haver uma linha de crédito?
É imprescindível que haja um plano de resgate, chamemos-lhe assim.


terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Grécia sob especial acompanhamento


Quando a Alemanha propôs a presença contínua de um responsável europeu em Atenas para definir a política orçamental da Grécia, várias vozes se manifestaram contra inviabilizando-a.
Mas a permanente incapacidade dos políticos gregos para aplicarem as medidas acordadas no programa de assistência económica e financeira e controlarem a execução orçamental grega começa a obrigar os governantes dos outros países da Zona Euro a modificarem as suas posições.

Foi o que fez Jean-Claude Juncker, primeiro-ministro luxemburguês e presidente do Eurogrupo que reúne os ministros das Finanças dos países do euro, ao defender a criação de um comissário europeu, directamente ligado ao Comissário Europeu dos Assuntos Económicos para acompanhar, a partir de Bruxelas, a aplicação das reformas na economia helénica.
"Apoio a ideia de designar um comissário da União Europeia para desenvolver a estrutura económica da Grécia", declarou Juncker, em entrevista ao jornal alemão Die Welt.
"[O Governo helénico não tem sido capaz], é por isso que temos de ser nós a encarregarmo-nos da implementação".

Nada que possa surpreender, pois o FMI já havia decidido retirar Poul Thomsen das missões do fundo em Portugal, colocando-o a acompanhar em exclusividade o programa de assistência à Grécia.

Questionado sobre a hipótese de Portugal vir a precisar de um segundo empréstimo, Junker apontou as grandes diferenças entre ambos os países: "O Estado português é um Estado que funciona e que tem uma administração que funciona. Não se pode dizer o mesmo da Grécia".


Portugal aprovado no exame trimestral da troika


"Declaração da CE, do BCE e do FMI sobre a terceira missão de avaliação em Portugal

Equipas da Comissão Europeia (CE), do Banco Central Europeu (BCE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI) estiveram em Lisboa de 15 a 27 de Fevereiro para a terceira avaliação trimestral do programa económico de Portugal.

O programa está no bom caminho, mas subsistem alguns desafios. As políticas estão, em geral, a ser executadas como planeado e o ajustamento económico está em curso. A importante correcção orçamental em 2011 e o orçamento rigoroso para 2012, designadamente, reforçaram a credibilidade da estratégia de consolidação orçamental de Portugal, de impacto imediato. As reformas do sector financeiro e os esforços de desalavancagem estão a avançar, ao mesmo tempo que estão a ser tomadas medidas para assegurar as necessidades de crédito das empresas com boas perspectivas de crescimento. As reformas para aumentar a competitividade, o crescimento e o emprego têm também vindo a registar progressos, apesar de muitas delas continuarem a aguardar uma implementação integral. O amplo consenso político e social subjacente ao programa constitui um elemento fundamental.

Em perspectiva, a economia portuguesa continuará a enfrentar dificuldades. Em 2012, o crescimento das importações dos parceiros comerciais continuará a desacelerar, enquanto a procura interna vai sofrer ajustamentos e o desemprego e as falências vão aumentar. Em consequência, prevê-se que em 2012 o PIB diminua 3,25%, após uma diminuição de 1,5% em 2011. Em 2013, deverá registar-se uma pequena recuperação, apoiada sobretudo no investimento privado e nas exportações. Prossegue o ajustamento externo.

A meta estabelecida para o défice orçamental de 2012 permanece exequível. Prevê-se que a meta de um défice de 4,5 % do PIB seja cumprida com as medidas actuais, desde que não se venha a concretizar uma revisão em baixa das perspectivas económicas. Para conter os riscos orçamentais, o Governo terá de reforçar as medidas para evitar a acumulação de pagamentos em atraso e vai aplicar uma estratégia para a liquidação dos pagamentos em atraso existentes. O Governo acordou igualmente um programa de ajustamento com a Região Autónoma da Madeira e prosseguirá a reforma das empresas públicas, o reforço da administração fiscal e a racionalização da administração pública.

Registaram-se mais progressos em matéria de protecção e de desalavancagem ordenada do sistema bancário. As regras para a concessão de capital público aos bancos foram clarificadas e estão a ser ultimados planos para assegurar que as reservas de capital dos bancos cumpram os objectivos estabelecidos para Junho de 2012. Espera-se que, na sequência das recentes decisões de política monetária tomadas pelo BCE, os problemas de liquidez dos bancos continuem a diminuir. Além disso, as autoridades estão a considerar uma série de medidas para atenuar os problemas de financiamento de empresas sólidas, nomeadamente medidas adequadas para desincentivar a perpetuação de empréstimos duvidosos, que não deverão pôr em risco as finanças públicas. A evolução da situação será objecto de uma análise atenta para assegurar que a inevitável desalavancagem não prive de crédito as empresas dinâmicas.

Estão a ser levadas a cabo várias reformas estruturais potenciadoras do crescimento. O recente acordo tripartido sobre as reformas do mercado de trabalho sublinha a capacidade de Portugal para tomar medidas de reforma arrojadas no contexto do diálogo social. As reformas estão também a progredir positivamente no que diz respeito ao desbloqueamento do sistema judicial, à promoção da concorrência, à privatização das empresas viáveis e ao fomento de um mercado de arrendamento habitacional eficaz.

No entanto, são necessários esforços adicionais para recuperar o atraso de Portugal em matéria de reforma estrutural dos sectores dos serviços de rede e serviços protegidos. Obstáculos de longa data à entrada de firmas no mercado e a existência de margens excessivas de retorno asfixiam o dinamismo económico. Os elevados preços dos bens não transaccionáveis daí resultantes não só reduzem a competitividade externa, como também geram encargos socialmente injustos para consumidores e contribuintes. Os primeiros êxitos das reformas incluem medidas para assegurar condições de equidade no sector das telecomunicações e passos significativos para reduzir as altas margens de retorno nos mercados da energia, em particular da electricidade. Tanto o ritmo como o âmbito destes esforços de reforma devem ser intensificados.

Em resumo, Portugal tem vindo a registrar progressos positivos no sentido de ajustar os seus desequilíbrios económicos. A execução determinada das reformas continua a ser fundamental para assegurar a recuperação económica e sustentabilidade orçamental. Estes esforços serão apoiados por um reforço do quadro de política económica da UE. Além disso, desde que as autoridades continuem a apostar numa execução rigorosa do programa, os Estados-Membros da zona euro declararam que estão prontos a apoiar Portugal até que o país consiga regressar ao mercado.


O programa do Governo é apoiado por empréstimos da União Europeia, no montante de 52 mil milhões de euros, e do FMI, ao abrigo do Mecanismo Alargado de Financiamento, no montante de 26 mil milhões de euros. A aprovação das conclusões da presente avaliação permitirá o pagamento de 14,9 mil milhões de euros (9,7 mil milhões da UE e 5,2 mil milhões do FMI). Estes pagamentos poderão ter lugar em Abril, dependendo da aprovação do Conselho de Administração do FMI, do ECOFIN e do Eurogrupo. A missão conjunta para a próxima avaliação do programa está prevista para Maio de 2012."


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Paul Krugman em Lisboa


Paul Krugman, prémio Nobel da Economia 2008, que está em Lisboa para receber o doutoramento honoris causa pela Universidade de Lisboa, Universidade Técnica de Lisboa e Universidade Nova de Lisboa, é um keynesiano, ou seja, um economista que preconiza políticas de investimento para ultrapassar situações de depressão económica, condenando medidas de austeridade. É considerado um homem de esquerda.
Ouçamos, portanto, o que disse hoje numa conferência de imprensa na Universidade de Lisboa:



"A Irlanda não é um sucesso. É o primeiro ponto. As pessoas dizem que a Irlanda é um sucesso mas até agora não teve um crescimento especial e não regressou aos mercados. Não queiram ser a Irlanda.
A minha visão de Portugal é que está em muito melhor forma que a Grécia, mas é um fraco elogio. Não penso que parecerá uma catástrofe mas, na melhor das hipóteses, será um muito longo e doloroso ajustamento. Não será uma história feliz, mas talvez não seja um desastre."

"A situação não é tão má como a da Grécia, mas a verdade é que, nos mercados, Portugal é visto como o segundo país mais arriscado, portanto há muita pressão. A Grécia vai obviamente entrar em default e provavelmente sair do euro. Veremos em relação a Portugal. Espero que não, mas é a pressão. Se se fizer um ranking Portugal está na posição seguinte, não está na mesma categoria mas a situação não é boa.
Quanto à Zona Euro, é muito pouco o que o Governo de cada país pode fazer, não há muito espaço de manobra. A única coisa que o governo de Portugal, Espanha ou Irlanda podem fazer é microajustamentos ou a extrema opção de sair do euro. Já a Alemanha e o BCE podem fazer uma grande diferença. A Alemanha pode deixar de seguir uma política de austeridade ao mesmo tempo que os países da Europa do Sul estão a tentar seguir uma política de austeridade. A Alemanha devia mudar para uma política orçamental expansionista, acompanhada de uma política de 'dinheiro fácil' por parte do BCE. Isso poderia possibilitar o ajustamento. O que é preciso é uma política expansionista, mesmo inflaccionista, no núcleo europeu para permitir aos países da periferia europeia sobreviverem."

"[Em Portugal] era necessária alguma austeridade. Não poderiam continuar como se não houvesse restrições. Há alguns ajustamentos a serem feitos na frente de custos. Há algumas boas notícias no comércio [externo]. Portugal está a fazer tudo o que lhe pediram em termos de ajustamentos.
Questões como "O que acontece se as políticas funcionarem menos bem?", especialmente se o crescimento for menor que as projecções e o défice orçamental for maior. Esse é um ponto em que apelo a todos os intervenientes para não pedirem mais austeridade, o que não melhoraria o que é fundamental e aumentaria o sofrimento, portanto, é um ponto em que é preciso dizer: "Muito bem... temos um trilho, vai funcionar ou não". Mais austeridade não ajuda."

"[Sobre a permanência de Portugal no euro] diria 75%, penso eu... É uma questão de probabilidades, ninguém sabe ao certo. Prevejo, com alguma certeza, que a Grécia vai deixar o Euro neste momento. Acredito que Portugal talvez consiga manter-se, mas não tenho 100% de certeza. Depende muito como as coisas se coadunem nos próximos dois ou três anos. O governo não pode fazer nada radical, mas é preciso recusar os pedidos de mais austeridade. Percebo que têm de fazer o que estão a fazer. A austeridade é necessária mas não se deve ir mais longe."

"Não é agradável, mas é o que tem de acontecer. Portugal tem de descer os salários em relação ao núcleo da Zona Euro. Muitas pessoas questionam porque é que insisto nos salários. Infelizmente, Portugal tem um défice externo muito elevado e tem de aumentar a competitividade, o que passa por baixar os salários."
Seria preferível subir os salários dos alemães — de modo a estimular o consumo no país e, consequentemente, as outras economias do euro — do que descer os vencimentos nacionais. “Mas, em última instância vai ter de ser à custa dos salários dos portugueses”.

Questionado porque é que tomava a Alemanha como referência, uma vez que a maior economia europeia não é um dos concorrentes directos de Portugal no mercado internacional, Krugman defendeu que a referência deve ser o “núcleo da Zona Euro” e não a China. "Portugal não precisa de baixar os salários para o nível dos chineses".



No discurso da sessão solene:

"Ficámos mais estúpidos (...) Fomos menos que úteis (durante a crise). Foi difícil aceitar o falhanço da profissão".

Para Krugman, a crise mostrou que grande parte do conhecimento acumulado pela profissão desde a Grande Depressão tinha sido esquecido por uma grande franja da academia. E deu como exemplos as contribuições de Irving Fisher, que explicou o impacto da deflação numa crise, e de John Maynard Keynes, que mostrou como uma economia pode permanecer muito tempo a funcionar abaixo do seu potencial.

"Claramente, ninguém poderia ter previsto uma crise financeira em 2008. Mas a profissão devia estar preparada para dar uma resposta à crise. Tínhamos os instrumentos e muito conhecimento acumulado. Devíamos ter falado a uma só voz. Não o fizemos".

Por causa disto várias economias sofreram "consequências muito negativas" de políticas de austeridade e preocupações exageradas com a subida da inflação. Quem tinha "estudado macroeconomia e história económica", sabia que a inflação e juros não iriam subir como temiam muitos analistas.

"E era nesta situação que o mundo mais precisava de economistas. Foi para estes momentos que a profissão de economista foi criada. Não estivemos à altura".

"Não há alternativa a pelo menos alguma austeridade. O papel da austeridade é dar um sinal aos credores que o dinheiro que está a ser emprestado não é usado para 'dar festas'".

No entanto, cortes de despesa profundos podem reduzir a actividade económica, arrastando consigo os impostos, a um ponto tal que o rácio défice/PIB acabe mesmo por ficar pior.

"É difícil aos Governos da periferia lutarem contra esta pressão (de responder com mais austeridade a derrapagens), mas esse argumento deve ser levado aos credores. Eles (credores) não estão a ajudar."

É o caso dos médicos medievais que "sangravam os doentes e quando eles ficavam piores, faziam-nos sangrar ainda mais". "Mais pedidos de austeridade são destrutivos".



Na entrevista ao Negócios e à RTP:



Acredita que esta receita de austeridade vai recuperar a economia portuguesa?
"Penso que a minha previsão optimista é que após quatro ou cinco anos de sofrimento, Portugal voltará ao rumo certo. Se tudo correr bem. (...) Não posso aconselhar a esquecerem a austeridade, mas por outro lado, não será decerto uma via rápida de regresso a uma economia decente."

Se o primeiro-ministro português lhe pedisse alguns conselhos para impulsionar a economia o que lhe diria?
"Há muito pouco espaço de manobra. O primeiro-ministro de Portugal pode tentar... Penso que mais austeridade não será produtivo. Mas ele não pode abdicar simplesmente da austeridade, não há receitas mágicas para estimular a economia, excepto abandonar o Euro e essa é uma opção nuclear. Não se faz, a não ser que não haja alternativa. E Portugal não está nesse ponto. É, sobretudo, uma questão de persistência. Odeio dizer, mas dada a realidade da situação, não sei que boas opções há."

E a Sra. Merkel que opções tem?
"A nação alemã tem muitas opções. Não sei se a Sra. Merkel terá opções face á política interna. A Alemanha adoptou políticas de austeridade, juntamente com as políticas de austeridade da Europa do Sul. Isso é uma catástrofe. A Alemanha não devia estar a adoptar políticas de austeridade. A Alemanha devia dar ao Banco Central Europeu luz verde para uma expansão monetária muito mais agressiva. Se tivéssemos políticas muito mais expansionistas na Europa do Norte, tanto a nível orçamental como monetário, então a situação de países como Portugal seria muito mais fácil."

(...)

Temos de reduzir os salários para aumentar a competitividade?
"É aqui que as pessoas me perguntam como posso defender os cortes salariais — sou visto como um amigo dos trabalhadores e espero sê-lo — mas Portugal tem de ser mais competitivo em relação ao resto da Zona Euro. Se conseguirem tirar ganhos de produtividade de um chapéu, seria óptimo. Mas, na prática, significa que, no mínimo, os salários portugueses têm de crescer mais lentamente que os salários no resto da Europa, será necessário algum abrandamento. De uma forma ou de outra, terá de haver um ajuste substancial."

Teremos de renegociar a dívida?
"Penso que acabará por ter de haver algum perdão da dívida. Não tenho a certeza disso, não é um caso tão esmagador como o da Grécia. Mas a dívida é muito elevada e irá aumentar, em parte porque a economia vai crescer lentamente numa dinâmica deflacionária. Penso, pois, que terá de haver perdão... (...) Teremos muito mais informação dentro de um ou dois anos quando virmos a que ponto o crescimento das exportações que houve no ano passado, irá continuar. Mas poderá acontecer algo. Penso que os mercados estão a subvalorizar Portugal. As taxas de juro a dez anos parecem elevadas se levarmos em conta os dados económicos. Portugal não está pior que a Irlanda a nível desses dados."

Confia na recuperação da Irlanda?
"Ouvimos todos a dizer que a Irlanda está a recuperar. (...) A Irlanda está numa profunda depressão, com um desemprego muito elevado. Fez alguns progressos na redução de salários, mas não tanto como seria desejável."

(...)

Vamos precisar de um segundo resgate?
"A troika diz que Portugal volta aos mercados em 2013 o que me parece absolutamente optimista. Mas não sei se resgate é o termo certo. Usamo-lo, mas neste caso referimo-nos essencialmente a um programa de empréstimos. Portugal terá, provavelmente, de confiar em fontes oficiais para empréstimos para muito tempo."

A que ponto será importante o incumprimento português?
"Não é de todo improvável. Apostaria muito mais numa redução da dívida. Talvez possa ser estruturada como um acordo voluntário. Nesse caso, talvez possam evitar o incumprimento técnico. Mas tudo aponta para que Portugal não consiga pagar a totalidade do valor da dívida."

O Sr. Draghi diz que a Europa está a dividir-se em duas partes. É uma ameaça para a Europa. Concorda com isso?
"(...) Temos uma situação em que cerca de 1/3 da Europa vive uma depressão com elevado desemprego, economias em retracção, um cenário muito mau. A solução seria uma forte recuperação europeia para toda a zona. De certo modo, poderemos dizer que se isso perturbar Mario Draghi, ele deverá fazer um enorme programa de quantitative easing, colocar a Europa na recuperação e conseguir uma situação em que países como Portugal consigam ajustar os seus custos e preços, não através da deflação, mas simplesmente tendo aumentos mais lentos que o núcleo. Penso que Draghi, tal como Merkel, opere num ambiente político. Não pode pressionar demais o seu governo. É essa a solução. Se não querem que se concretize essa divisão da Europa, então precisam de uma expansão nos países nucleares. E, infelizmente, parece não ser isso que estão a fazer."

O euro sobreviverá?
"Todos os líderes europeus percebem a catástrofe política que seria, se o euro fracassasse. (...) As pressões económicas são muito fortes, há grandes pressões sobre o euro. Por outro lado, têm de pensar que os lideres europeus tudo farão para o salvar. Quem vencerá? Não sei. (...) É uma situação em que Europa criou uma armadilha para si própria. A questão é saber se encontra a vontade política e a disponibilidade de fazer algo pouco ortodoxo para sair dessa armadilha."

Pensa que devemos sair do euro?
"Não aconselharia o actual governo a fazê-lo, embora pense que pode vir a acontecer. Mas não podemos fazê-lo sem tentarmos alternativas primeiro. A alternativa é, essencialmente, a desvalorização interna. Uma queda gradual nos custos relativos, tornar os custos mais competitivos para uma suficiente retoma das exportações que permita a recuperação económica mesmo sem essa bolha de crédito. É uma coisa terrível, mas o problema é que abandonar o euro é algo incrivelmente desestabilizador. Ao tentarmos fazê-lo, teremos uma crise bancária imediata, uma crise jurídica com todas estas dívidas sem que ninguém saiba o que fazer com elas, é algo profundamente desestabilizador. De certo modo, sou um pouco fatalista nisto. Há que fazer este jogo, pelo menos durante algum tempo."

O euro é o problema para a economia portuguesa?
"Em larga medida, o euro é o problema. Estão numa armadilha de que é difícil escaparem. A melhor solução é os maiores países fazerem com que o euro funcione melhor, com uma política muito mais expansionista. Se Portugal nunca tivesse entrado no euro, se pudessem voltar atrás e não fazer nada disto, desvalorizaríamos o escudo e os problemas seriam muito mais fáceis. Mas, infelizmente, isso não é opção. Não temos uma máquina do tempo, não podemos voltar atrás e não o fazer, o que torna tudo muito mais difícil. Veja-se que o grande caso de sucesso nesta história é a Islândia. Houve muitas coisas que correram bem na Islândia mas a melhor é nunca ter entrado no euro, o que permitiu que, em termos relativos, se baixassem os salários em 25% num dia apenas deixando cair a coroa."

(...)

Apoia políticas expansionistas para melhorar a economia, mas para tal precisamos de dinheiro que não temos. Que outras opções podemos pôr em cima da mesa?
"Muito poucas. As pessoas com opções estão em Berlim e em Frankfurt. Não estão cá. De certa forma, a nível da capacidade concreta de afectar o destino, o primeiro-ministro é um pouco como o governador de Nova Jérsia, nos EUA. Não tem assim tanta influência. Sem moeda própria, não há assim tanto espaço de manobra neste país."

(...)

Mais um Óscar ao amor


Apagadas as luzes da ribalta, recordamos a atribuição de um Óscar a William Joyce e Brandon Oldenburg por este filme de animação:





Os fantásticos livros voadores do Sr. Morris Lessmore é um cântico ao amor eterno entre os seres humanos e os livros, veículos por excelência do conhecimento, amor imperecível porque renovado em cada geração.
É a sublimação de uma perda — Mary Joyce aos 18 anos —, metamorfoseada numa pequena obra-prima.


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A esquerda e os australopitecos


"Anonimo 22 Fevereiro 2012 - 23:54
Vistas curtas, quem as tem?

Creio que ninguém tem dúvidas que a maioria das pessoas e cidadãos dos países da UE, incluindo o nosso Portugal, são a favor de políticas económicas mais equilibradas, leis claras que fomentem a economia de mercado e a iniciativa privada, mas que os Estados tenham um forte papel regulador e punitivo dos prevaricadores. Ou seja, uma Justiça que funcione e desencoraje os abusos e as vigarices como aquelas que nos conduziram a esta crise.

Mas então porquê as pessoas votam sempre nos políticos de "vistas curtas"?
Vejamos o caso de Portugal. Enquanto tivermos uma esquerda maluquinha e débil mental como o BE, PCP e parte do PS, a direita retrógrada e conservadora, onde se inclui a outra parte do PS, aquela parte que chega ao poder, a direita retrógrada e conservadora, dizia eu, bem pode dormir descansada. O poder, os privilégios e mordomias que detém nunca estarão ameaçados. Porque o povo, as pessoas, preferem a direita retrógrada e conservadora à esquerda maluquinha e débil mental.

Esta esquerda maluquinha e débil mental já devia ter feito um momento de auto-reflexão: mas então nós que damos a vida pelas pessoas/trabalhadores, damos o peito às balas para defender os direitos dos trabalhadores, esgadanhamo-nos para os defender e, chega o dia das eleições, só nos dão 9, 10, 10,5%? E votam na direita retrógrada e conservadora para o poder?
Oh meus maluquinhos e débeis mentais: é que as pessoas acham que as vossas propostas totalitárias e da foice e do martelo, devem ser boas mas é para os porcos! Não para as pessoas enquanto seres pensantes, de vontade própria, de iniciativa e criatividade que não podem ser limitados ou condicionados por nenhuma orientação de ordem política seja ela qual for. Por isso as pessoas não têm alternativa senão continuar a votar na direita retrógrada e conservadora.

Enquanto tivermos um BE e um PCP a reivindicar o comunismo brandindo a foice e o martelo, a direita retrógrada e conservadora bem pode dormir descansada que o poder nunca lhe há-de fugir das mãos! Quem afinal tem as vistas curtas que não lhes deixam avançar com novas propostas, novos estilos, novas ideias para irem de encontro às aspirações das pessoas? Olhar para os políticos do BE e do PCP e muitos do PS é o mesmo que olhar para os australopitecos da política."