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quarta-feira, 11 de março de 2015

A entrevista de António Costa à RTP


A estação de televisão pública decidiu fazer uma série de entrevistas a todos os líderes partidários. O primeiro entrevistado foi António Costa, líder do PS, com a entrevista a ser conduzida por Fátima Campos Ferreira:

11 Mar, 2015, 22:33


António Costa começou por ser confrontado com a recente declaração polémica que fez perante investidores chineses – a quem agradeceu o contributo para que Portugal esteja agora melhor do que há quatro anos –, tendo dito que "não é por achar que este Governo é péssimo que deixo de achar que o meu país é fantástico".
"Não me expressei de forma correcta nessa intervenção que fiz, mas também ninguém tem dúvidas de que faço oposição ao Governo", esclareceu.

No programa de recuperação económica de António Costa, a primeira prioridade é a estabilização dos rendimentos para que “as pessoas saibam qual é o salário ou a pensão que vão receber no mês seguinte”. Promete, em consequência, a reposição integral dos salários da função pública e a reposição integral das pensões que serão pagos com a receita resultante do aumento da actividade económica que vai conseguir pelas vias enunciadas nas outras prioridades e também com um aumento do salário mínimo nacional.

A segunda prioridade é assegurar melhores condições de capitalização das empresas que diz ser possível conseguir “melhorando a procura interna, pois pensar que vamos crescer só com as exportações é uma ilusão”, criando um instrumento de capitalização — um banco de fomento —, mobilizando fundos comunitários e “reorientando o investimento que tem sido atraído pelos vistos Gold e tem sido alocado essencialmente à compra de casas para o investimento produtivo num fundo gerido pelo Estado”.

A terceira prioridade de Costa é o desemprego. Propõe um programa de integração dos jovens licenciados nas empresas com "recursos disponibilizados pela União Europeia ao nível da Garantia Jovem" e, para absorver a mão-de-obra pouco qualificada, propõe a redução da taxa do IVA na restauração para 13% e a reanimação do sector da construção civil através da reabilitação urbana que pensa financiar com “verbas de eficiência energética” e uma “pequena parte das reservas do fundo da estabilização financeira da Segurança Social“.

Sobre a questão da Grécia, António Costa considera que "a atitude do Governo é incompreensível (...) Em vez de, com inteligência, ter procurado beneficiar a economia portuguesa com uma maior flexibilização da austeridade, foi agravar e prosseguir a martirização dos gregos, agravando a austeridade dos outros".
"Precisamos de reforçar a política de coesão para que o euro gere prosperidade para todos. Sabemos hoje que uma crise no euro prejudica mais uns do que outros, temos de corrigir isso", afirmou.
"Não podemos olhar para a Europa e para realidade política como se fosse tudo finanças públicas. Estamos hoje rodeados de factores de instabilidade gravíssimos na Europa e é inaceitável e perigoso haver uma lógica como se houvesse bipolarização entre gregos de um lado e alemães do outro. Temos é de nos unir todos em defesa da Europa", defendeu o líder socialista.
"Esta radicalização austeritária tem vindo a promover os extremismos", referiu ainda, dando como exemplo o caso da esquerda na Grécia da direita em França.

No final, António Costa justificou a forma intempestiva como reagiu às perguntas de uma jornalista que o questionara no meio da rua, vinda “detrás de um carro”, sobre o caso da carreira contributiva do actual primeiro-ministro, Passos Coelho, dizendo que tem uma “reacção quase visceral à política de casos”.

Sobre o caso Sócrates, Costa reiterou que o PS respeita “a separação de poderes, o funcionamento do sistema de Justiça e a garantia de presunção de inocência”, acrescentando que, como “camarada e amigo”, deseja o melhor ao ex-primeiro-ministro.

O líder socialista disse que não está preocupado pelo facto do PS não ter subido nas sondagens acima do resultado obtido por António José Seguro porque considera que “está numa maratona e não numa corrida de 100 metros”. Negou estar parado, tendo dito que "no final deste mês temos economistas que nos apresentarão um estudo macroeconómico do país para os próximos quatro anos" e comprometeu-se a apresentar o programa de Governo no próximo dia 6 de Junho.


*


Sobre a primeira prioridade de António Costa, registamos a sua promessa de reposição integral dos salários da função pública. Não esquecemos que foram os primeiros cortes salariais na função pública da história da democracia e começaram a ser aplicados em Janeiro de 2011 pelo governo do seu "camarada e amigo" José Sócrates.
Registamos também a promessa de reposição integral das pensões mais elevadas porque as pensões inferiores a 4611 euros por mês já estão a ser pagas integralmente pelo actual governo, desde Janeiro de 2015, em cumprimento de uma decisão do Tribunal Constitucional. Não esquecemos que o pedido de assistência financeira à troika BCE/CE/FMI, em Abril de 2011, derivou do facto das oposições terem reprovado o PEC 4 cuja medida de austeridade mais gravosa, a implementar em Janeiro de 2012, era justamente... o corte das pensões.

Quanto à segunda prioridade, a capitalização das empresas, tenciona ir buscar o financiamento aos vistos Gold — mais uma argolada de Costa pois está a reconhecer, implicitamente, mérito ao achado de Portas — “esquecendo” que já abrangem o investimento produtivo. O problema é que os chineses não estão interessados em criar empresas, querem é comprar casa em Portugal para poderem entrar e circular na União Europeia.

Finalmente a terceira prioridade, combater o desemprego, fez-me lembrar a promessa dos 150.000 empregos de José Sócrates, em 2005. A reabilitação urbana é uma boa ideia proposta por todos os políticos que tem um senão, o enorme financiamento que exige. Ir buscar uma “parte das reservas do fundo da estabilização financeira da Segurança Social”, ainda que pequena, vai pôr em risco o pagamento das actuais pensões e requer mais reduções nas futuras pensões...

Quanto à sua “reacção visceral à política de casos”, poder-se-á classificar como uma óptima reacção de autodefesa face aos inúmeros episódios em que está envolvido, alguns bem gravosos, — o caso mais famoso é "A cobertura descoberta", aprofundado aqui, e o último ocorreu na passada segunda-feira quando entregou no Tribunal Constitucional, com 46 dias de atraso em relação ao prazo legal, a sua declaração de rendimentos — que fazem do “distraído” Passos Coelho um menino de coro.

Enfim, um chorrilho de promessas para atrair os votos dos incautos. No entanto, António Costa só conseguirá enganar aquela parte da população que era analfabeta no domínio económico e financeiro e nada aprendeu com as medidas de austeridade que começaram a ser implementadas em Janeiro de 2011 pelo governo socialista de José Sócrates.


quarta-feira, 4 de março de 2015

A entrevista de Bashar al-Assad à RTP


Completam-se quatro anos de guerra na Síria no próximo dia 16 de Março. Atiçada do exterior, a guerra destruiu cidades, causou milhares de mortos e criou milhões de refugiados.

Desde Março de 1971 que a Síria é governada pela família al-Assad. O presidente Bashar al-Assad, que nunca manifestou interesse pela política e só abandonou a carreira de oftalmologista em Londres depois da morte do irmão mais velho, continua a resistir, dominando Damasco e uma parte do país.

Nesta curta entrevista à RTP, conduzida por Paulo Dentinho, o presidente sírio expõe serenamente uma visão da guerra diferente daquela que estamos habituados a ver na comunicação social portuguesa:

04 Mar, 2015, 22:31


"A Síria não está acabada, nem é um Estado falhado. Mas se quiser falar de algo diferente, como referiu na sua questão, que foi a invasão ilegal do nosso espaço aéreo, por aviões da aliança internacional, e por terroristas apoiados por países da região... Isto é uma falha do sistema internacional. Este sistema internacional que tem sido representado pelas Nações Unidas e pelo Conselho de Segurança que devia resolver os problemas e proteger a soberania de vários países e evitar a guerra, falhou nesse propósito. O que temos agora é umas Nações Unidas falhadas pois não conseguiram proteger os cidadãos internacionais de países como a Síria, Líbia, Iémen e outros países.
(...)
A solução é política, mas sentarmo-nos com alguém ou com uma parte que não tenha influência no terreno, isso será falar apenas por falar. É verdade. Não escolhemos a outra parte em Genebra. Foi escolhida pelo Ocidente, pela Turquia, pela Arábia Saudita e pelo Qatar. Não dialogámos com a oposição síria. Tem razão. Se queremos dialogar, tem de ser com a oposição síria, com parceiros sírios, com pessoas que representam os sírios na Síria e não pessoas que representam outros países."


*

Nos países em que grande parte da população está refém do fundamentalismo islâmico, as revoluções apenas substituem as ditaduras seculares, defensoras de valores ocidentais, por ditaduras islâmicas que se revelaram obscurantistas e protectoras do terrorismo. Temos de reconhecer que a primavera árabe foi uma miragem e que o regime de ditadura provou ser o único que funciona na Tunísia, Líbia ou Egipto.

A Síria tem fronteira, a Norte, com a Turquia cujo território se estende até à Europa. Ditadura por ditadura, antes a de Bashar al-Assad: a paz europeia sairá reforçada e o desenvolvimento económico, social e cultural sírio só poderá acontecer, se o país for governado por alguém com uma mentalidade progressista e que reconheça valor na cultura ocidental. A Rússia de Putin entendeu essa realidade. Os Estados Unidos não. Por vezes até parece que estão interessados em ver o terrorismo islamista desestabilizar os países europeus como sucedeu com o massacre no semanário francês Charlie Hebdo, quando, na manifestação de repúdio dos governantes ocidentais na capital francesa, Barack Obama primou pela ausência.


quinta-feira, 20 de junho de 2013

Entrevista a Nuno Crato no programa "De Caras" da RTP



19 Jun 2013


Sobre o programa de Matemática do ensino básico:

"O novo programa de Matemática, no que respeita aos conteúdos, é muito semelhante ao anterior, eu diria 99% semelhante ao anterior. O que acontece é que o programa anterior não confiava nos professores e estava recheado de recomendações pedagógicas, em meu entender caducas: tudo deve ser ensinado em contexto, tudo deve ser feito a partir de problemas, tudo deve ser feito a partir de situações de aprendizagem, desprezava a abstracção, desprezava o ensino sistemático. Do aspecto dos conteúdos era aceitável mas tinha um conjunto de recomendações pedagógicas muito dirigistas sobre os professores e, em meu entender, da equipa que fez o novo programa, em desacordo com a investigação psico-pedagógica mais recente.
O novo programa dá uma grande liberdade aos professores. Tem praticamente os mesmos conteúdos mas liberta o professor de todas as recomendações pedagógicas sobre a maneira como deve ensinar. O programa foi reajustado em aspectos mínimos e libertado da canga pedagógica e ideológica que tinha.
"

Sobre o centralismo do Ministério da Educação:

"Tenho-me verdadeiramente esforçado para reduzir o centralismo e a dimensão do Ministério da Educação, mas há muito mais a fazer. Por exemplo, a duração de cada tempo lectivo estava fixada, démos liberdade às escolas para fixar essa duração."

"Os pais já têm liberdade para escolher a escola para os seus filhos. Mas se a escola já estiver cheia, há uma prioridade para os que aí residem ou trabalham."


quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Entrevista de Passos Coelho à RTP



Não convenceu.
E a partir de agora, além de Cavaco Silva, também tem António José Seguro a morder-lhe os calcanhares.
Ou corta a sério nas rendas pagas aos produtores de energia eléctrica e nas PPP, retira os subsídios às fundações, diminui o número de deputados, de vereadores, ... , ou perde o apoio do eleitorado.


quinta-feira, 6 de setembro de 2012

A nova administração da RTP


O novo conselho de administração da RTP escolhido pelo Governo já recebeu o aval da Comissão de Recrutamento e Selecção para a Administração Pública (CRESAP). Alberto da Ponte, antigo presidente da Sociedade Central de Cervejas (SCC), vai ocupar o lugar de presidente, Luiana Nunes e José Lopes de Araújo são os outros elementos, com a primeira a transitar do anterior conselho e o segundo da direcção de assuntos jurídicos da RTP.

Segundo o comunicado do Conselho de Ministros, "o estatuto remuneratório dos membros do Conselho de Administração é o determinado pela classificação da empresa, constante da Resolução do Conselho de Ministros n.º 36/2012".
Donde se conclui que Alberto da Ponte vai prescindir do regime de excepção que lhe permitiria manter a sua actual remuneração no sector privado, ao contrário do que sucedia com o anterior presidente Guilherme Costa.

Tendo a Resolução do Conselho de Ministros 16/2012 estipulado os critérios para determinação do vencimento dos gestores públicos — e a classificação das empresas públicas para esse efeito —, a posterior Resolução do Conselho de Ministros 36/2012 aprovou a RTP como uma empresa do Grupo A.
Logo o vencimento mensal bruto do seu presidente é idêntico ao do primeiro-ministro e o dos vice-presidente e vogal correspondem, respectivamente, a 90% e a 80% do vencimento mensal bruto do respectivo presidente.

Como o Estatuto do Gestor Público determina que ao vencimento mensal acresce um abono de 40% para despesas de representação, o presidente do conselho de administração da RTP vai receber 4.893,03 euros por mês acrescidos de 1.957,21 euros — ao todo, Alberto da Ponte, como presidente do conselho de administração da RTP, vai receber 6.850,24 euros por mês.


O curriculum e a opção de prescindir da remuneração média dos últimos três anos do lugar de origem parecem indicar que se trata de uma boa escolha, mas não há bela sem senão:


Maria José Pombeiro 06 Setembro 2012 - 15:17
Alberto da Ponte?

Para quê? Para fazer a "limpeza de know-how" como fez na SCC? De um grupo de 6-10 Mestres Cervejeiros formados pela conceituada Universidade Católica de Louvain-La-Neuve, na Bélgica, eu fui a última resistente deste grupo a sair da SCC. Fui emprateleirada por este "senhor" que entende tanto de cerveja como eu de astronomia.

Ex-Directora da Qualidade da SCC
Maria José Pombeiro


domingo, 2 de setembro de 2012

Trabalhando para a presidência da República - II


Marcelo Rebelo de Sousa continua a cruzada anti-Relvas.
Já todos percebemos que o ministro Adjunto se precipitou no anúncio da concessão da RTP sem conhecimento do parceiro da coligação. E o Professor aproveitou logo para pedir novamente a cabeça do homem de confiança de Passos Coelho.






O conselheiro de Estado Marcelo Rebelo da Sousa continua a trabalhar para a presidência de Cavaco Silva... e para a que se segue — a dele.


sábado, 1 de setembro de 2012

Humor em Setembro


"Esquerda em peso quer proteger o “Serviço Público da RTP”, como as novelas brasileiras, as macacadas do João Baião, as galas da Catarina Furtado e o Fernando Mendes a dar máquinas de lavar

Por António Marques




PS, PCP e BE andam à beira da apoplexia porque o Governo quer vender a RTP, destruindo o serviço público de qualidade que o canal do Estado presta aos portugueses.






O Inimigo Público comparou as programações da RTP e BBC.
Às 10 da manhã, a BBC transmitia a ópera “O Anel do Nibelungo” de Richard Wagner, pela Royal Opera House e a RTP a Praça da Alegria, com Jorge Gabriel a fazer ginástica com um instrutor de fitness brasileiro.
Depois de almoço, a BBC transmitia uma exposição de Roy Lichtenstein na Tate Modern e a RTP transmitia uma novela brasileira já com alguns anitos, estrelada por uma Tônia Carrero com 25 anos.
De tarde, a BBC transmitia o novo programa de Sir David Attenborough e a RTP o Verão Total, com João Baião aos saltos e o José Malhoa a cantar “A morena do cu duro”.
À noite, a BBC transmitiu “Othello”, pela Royal Shakespeare Company e a RTP a Gala “As Melhores Bifanas de Portugal”, com o Malato e a Catarina.
A BBC e a RTP parecem gémeas."


quarta-feira, 29 de agosto de 2012

O submarino RTP


Em entrevista à TVI, António Borges, conselheiro do Governo para as privatizações, admitiu que o Governo deverá optar por encerrar a RTP2 e concessionar a gestão dos restantes canais da RTP a um grupo privado, em vez de privatizar a empresa:
"O encerramento RTP2 é quase inevitável, em qualquer dos cenários que se põem em cima da mesa, porque é um serviço que custa extraordinariamente caro para uma audiência muitíssimo limitada".

Sendo esta a solução adoptada, o operador privado que ganhar a concessão receberá os cerca de 2 mil trabalhadores da empresa e os equipamentos da RTP, mas terá liberdade para gerir a empresa, ou seja, se entender que tem funcionários a mais, pode avançar com uma redução de pessoal.

"O operador vai ficar, evidentemente, com as obrigações de cumprir o serviço público e continuar a receber pelo serviço público um apoio do Estado com a diferença que esse apoio será, seguramente, inferior aquele que a RTP recebe hoje". Poderá ser 140 milhões de euros, que é a receita da taxa audiovisual (TAV) cobrada aos portugueses nas facturas da electricidade. "A RTP tem custado 200 a 300 milhões de euros por ano ao Estado, é mais do dobro", sublinhou.
"[É a solução] mais atraente porque não se vendia a empresa, mantinha-se a propriedade do Estado e a gestão era entregue a um operador privado que, provavelmente, estará em melhores condições para gerir o negócio". "O Estado não é bom gestor, muito menos de televisão", o que explica "os montantes astronómicos que têm sido gastos todos estes anos com a RTP".



Lamenta-se o encerramento da RTP2 porque era o canal de televisão português onde se podia visionar programas de elevado nível cultural. Sendo certo que se dirigia a uma faixa do público que 38 anos de ensino facilitista não deixou crescer, não se pode ignorar que as minorias cultas precisam de ser estimuladas.

Dito isto, passemos em revista as verbas recebidas pela RTP conforme notícia publicada no jornal de um grupo da comunicação social que parece estar interessado na concessão — a Cofina.

De acordo com os dados da Direcção-Geral do Tesouro e Finanças, desde 2009, o Estado pagou 488 milhões de euros à RTP em indemnizações compensatórias, valor que inclui o IVA. E os relatórios e contas da RTP demonstram que, após devolução do IVA ao Estado, essas indemnizações ascenderam a 399 milhões de euros.

Além das indemnizações compensatórias, o Estado tem injectado dinheiro na RTP através de transferências de capital, conforme acordado no plano de saneamento financeiro da empresa pública de televisão, que atingiram 597,2 milhões de euros.
Só no corrente ano, o Estado viu-se obrigado a injectar 348,3 milhões de euros para pagar empréstimos financeiros.

Mas a RTP ainda recebe, pelo serviço público prestado, a taxa do audiovisual que os portugueses pagam mensalmente na factura da electricidade. Segundo os relatórios e contas da empresa, de 2009 a 2011 recebeu 376 milhões de euros.



RTP
________________________________
Indemnizações compensatórias (c/IVA)
Transferências de capital
Contribuições do audiovisual
________________________________
Total


2009
_________
143,1
62,4
115,3
_________



2010
_________
145,9
120,3
109,6
_________



2011
_________
109,5
66,2
151,1
_________



2012
_________
90,0
348,3
?
_________


milhões de €
Total s/IVA
___________
398,7
597,2
376,0
___________
1371,9


Se, no ano corrente, a contribuição do audiovisual atingir os 140 milhões de euros profetizados por António Borges, a RTP custou aos contribuintes, desde 2009, cerca de 1500 milhões de euros, ou seja, o equivalente a três submarinos.


Os comentários a esta notícia revelam que os funcionários da RTP não vão poder contar com a solidariedade dos contribuintes:

Roedor 24 Agosto 2012 - 12:51
Para que serve a RTP?
Sorvedouro de impostos para quê?
Serve para garantir alguma isenção na informação? Pelo contrário, tem sido manipulada pelos sucessivos governos.
Por mim, podem/devem privatizá-la ou encerrá-la. Não é nenhum drama. São menos tachos a distribuir.
Só lamento a perda de empregos mas na situação em que estamos não vejo alternativas.

Corrupção 24 Agosto 2012 - 13:02
O mesmo orçamento de Estado...
... serve para pagar os prejuízos das empresas públicas que são geridas de forma danosa, mas não dá para pagar os subsídios aos reformados e aos funcionários públicos.
E os maus gestores ainda recebem remunerações milionárias, mais viatura, mais despesas de representação e outras benesses.
É assim na RTP, nas Estradas de Portugal, etc.
E estes sugadores de dinheiro são mantidos para dar tachos aos amigos, pagos em "ouro".

Mario Dias 24 Agosto 2012 - 13:45
É um desastre financeiro
Como é possível deixar que este tipo de situações aconteça num País que se diz democrático?
Pagar ordenados superiores aos das empresas privadas, e facturar à totalidade dos Portugueses, mesmo àqueles que nunca ligam a televisão nos canais dito públicos.
A democracia, a meu ver, tem neste caso um grande defeito.
Entreguem esse fardo financeiro a quem deixará de facturar uma factura tão dolorosa a todos os Portugueses.

Carlos Gomes 24 Agosto 2012 - 14:35
Contra o despesismo... Privatizar, privatizar!
Alguém ainda precisa de mais provas de que as empresas públicas servem em primeiro lugar a incompetência e os compadrios?
Quanto menos Estado, melhor!

Luís 24 Agosto 2012 - 14:40
Para Carlos,
As empresas públicas estão parasitadas pelos partidos, que as sugam até ao tutano. Livrando-nos do PSD/PS as empresas públicas e as privadas começam logo a produzir 10x mais do que hoje produzem, pois ficam desparasitadas.
O PSD e o PS são os únicos responsáveis pela gestão do bem público nos últimos 38 anos, que tão mal tem sido gerido.

Carlos Gomes 24 Agosto 2012 - 14:47
Caro Luís,
Estou totalmente de acordo consigo. O problema é que o PSD e PS, que não são confiáveis, são os únicos partidos com capacidade de governação. Os outros são de fugir, oscilando entre a incompetência e a demagogia. Como a classe política é o pior que temos em Portugal, quanto menos Estado melhor.

Maria das tetas secas 24 Agosto 2012 - 14:55
Cruelmente, o povo a passar fome, e a RTP casa pornográfica, continua no seu gamanço legalizado, com o apadrinhamento dos políticos e dos media
(...)
Até um pastor com a 4ª classe sabe como gerir essa chularia. O Relvas não fodde, nem sai de cima, virou uma bola de trapos dos media.
Já se sabe que o PS é defensor da corrupção do poder local e central. Agora tu ganhaste as eleições dizendo que ias privatizar a RTP e fundir municípios e freguesias do tempo em que andávamos de mula...
Tudo tretas, já passou mais de um ano e não fizeste nada, viraste apenas um alvo dos media, que se sentem acossados.

Sois todos uns pulhas, tenho nojo dos impostos e taxas via EDP andarem a sustentar essa casa de puutas... E depois querem que paguemos impostos. Seus f.d.p. Deviam estar a reduzir 50% da carga fiscal para atrair investimento, aumentar o consumo, aumentar o emprego.

Os Xuxas que defendem a manutenção da Porno TV que a paguem.
E eu até estava a pensar começar a passar facturas nos meus negócios, mas isto vai ser treta e vão continuar a sugar os contribuintes.
Ver salários por mês das Porno Stars (com 10% destes valores já eram muito bem pagas):

______________________
Catarina Furtado
Fernando Mendes
Malato
Jorge Gabriel
João Baião
Sílvia Alberto
Sónia Araújo
Nuno Santos
José Rodrigues dos Santos
Carlos Daniel
J. Adelino de Faria
Tânia Ribas
Fátima Ferreira
Maria Elisa
______________________
Total

___________
30.000€
20.000€
20.000€
18.000€
15.000€
15.000€
14.000€
14.000€
13.000€
12.000€
12.000€
10.000€
10.000€
7.000€
___________
280.000€

NB: para além disto ainda ganham em publicidade, filmes, festas, livros, etc.


RTP2, sempre! 24 Agosto 2012 - 15:11
E no futuro?
Vamos pagar menos na factura eléctrica quando o saque estiver consumado? Vamos ter direito aos filmes de qualidade, séries de qualidade, documentários excepcionais, como passam na RTP2? Ou ficamos reduzidos à programação de atrasados mentais tipo TVI/SIC/RTP1?

ZÉ POVO 24 Agosto 2012 - 21:02
Façam as contas
A RTP custa por ano ao Estado, além da taxa incluída na factura da electricidade, 250 milhões de euros por ano.
Isto representa um quarto de um vencimento de todos os funcionários públicos e reformados.
Eu pergunto se os contribuintes estão dispostos a manter esta situação, tirando o benefício de ver o Preço Certo, as novelas brasileiras, a Volta à França, etc. Se não querem concessioná-la, fechem-na ou ofereçam-na aos trabalhadores com o passivo incluído. Já estou farto de pagar todos os meses para tantos peditórios.

Joao Matos 24 Agosto 2012 - 21:21
Só rir
Mas que serviço público? A RTP só faz programas da treta. As vedetas são pagas a peso de ouro. Mas alguém liga ao Malato, ao Baião, ao Gabriel e Cª Lda.?
Já aqui disse e repito, a RTP gasta um milhão de euros por dia. Com o país assim, vamos continuar com esta palhaçada?

*

Como era expectável, os funcionários da RTP receberam hoje o apoio dos partidos políticos da oposição:

Carlos Zorrinho, líder da bancada do PS, considerou "completamente inadequada" a solução de fechar a RTP2 e concessionar a RTP1, no final de um encontro com a Comissão de Trabalhadores e o Conselho de Redacção da RTP.
E deixou a promessa que, mesmo que ela passe no crivo do chefe de Estado, os socialistas voltarão a criar uma empresa pública logo que regressem ao poder:
"O PS, uma vez tendo o poder e mandato para isso, reporá aquilo em que acredita e sempre acreditou, ou seja, garantirá a existência de um serviço público prestado por uma empresa com propriedade pública".

No mesmo sentido se pronunciou Catarina Martins, previsível futura porta-voz do BE:
"O Bloco de Esquerda opõe-se a qualquer plano, seja ele de concessão ou de privatização do serviço público de rádio e de televisão”.

Inopinadamente, porém, foi de Marcelo Rebelo de Sousa que os funcionários da RTP receberam um apoio excepcional com este admirável escalpelo de dezanove minutos (07:20 a 26:10) no domingo, no Jornal das 8 da TVI:


Muito resumidamente:

O serviço público de rádio e televisão exigido na Constituição encontra-se concessionado a uma empresa pública gerida com capitais do Estado, mas nada impede que seja concessionado a uma empresa privada.

Esclarecido o aspecto legal, pôs várias questões:
  • A lei que irá regular a concessão vai ter de definir o que é o serviço público, mas não será fácil. Por isso convém que o presidente da República a mande passar pelo crivo do Tribunal Constitucional, se não os cidadãos recusam-se a pagar a contribuição audiovisual e vão para tribunal.
  • A argumento da despesa cai por quatro razões: durante um ano de governo podiam ter sido cortados os salários, os carros, as ajudas de custo, ... , diminuindo drasticamente as despesas na RTP; as indemnizações compensatórias têm sido reduzidas; a troika, que corta ferozmente as despesas do Estado, não incluiu a privatização da RTP no memorando; era possível privatizar a RTP1, o grande sorvedouro de dinheiro, e manter os outros canais para cumprir o serviço público, o que exigiria menos dinheiro aos portugueses do que a concessão.
  • É preciso saber quanto o governo vai cobrar ao concessionário. É que além dos 140 milhões de euros da taxa do audiovisual, serão dadas ao concessionário outras verbas muito avultadas — 6 minutos de publicidade, as transmissões dos jogos de futebol da liga portuguesa, da selecção e do campeonato do mundo já compradas, a possibilidade do despedimento de pessoal, ... — que não foram mencionadas por António Borges.
  • É inaceitável que a concessão possa ser dada a uma empresa estrangeira, portanto é previsível que seja entregue a um grupo português de comunicação social. Na eventualidade de aparecerem como administradores dessa empresa personalidades ligadas ao PSD ou CDS — António Carrapatoso, por exemplo — temos o serviço público de rádio e televisão convertido, durante os 15 ou 20 anos da concessão, num submarino de uma corrente político-ideológica no seio da sociedade.
E terminou sibilinamente:
"Não basta à mulher de César ser honesta, tem de parecer honesta”.


terça-feira, 24 de julho de 2012

"O Pólo Norton"


"Pedro Santos Guerreiro - psg@negocios.pt


A geração que construiu os grupos económicos a partir dos anos 80 está a entregar o poder. Sonae, Jerónimo ou Impresa são agora lideradas por gente de 40 anos. Quase sempre, as famílias escolhem entre os seus filhos. Balsemão não escolheu nem filhos nem afilhado: Pedro Norton é o novo presidente executivo da Impresa.

Mais do que uma sucessão, é uma transição geracional. Doravante dir-se-á que a escolha de Pedro Norton era a óbvia. Não era. Na Sonae Belmiro escolheu Paulo, na Jerónimo Alexandre escolheu Pedro, no grupo Amorim Américo escolhe Paula, na Bial Luís escolheu António. Sobre todas estas sucessões, pelo que representam, aqui se escreveu. Uma lista que prosseguiu sempre mantendo os apelidos. Isso não faz destes casos meras banalidades. Mas faz da Impresa uma excepção.

Pedro Norton será o presidente executivo da Impresa, grupo concorrente da Cofina, a que pertence o Negócios. Tem pela frente muita água pela barba. Porque o grupo Impresa tem uma dívida colossal. Porque a comunicação social vive a sua própria recessão, com quebras dramáticas no mercado de publicidade, mudanças radicais no consumo de informação, operações descapitalizadas e franco-atiradores que compram ou querem comprar jornais sem saberem geri-los ou respeitá-los, apenas por um poder que reconhecem mas não entendem.

Primeiro, a colher de chá: Pinto Balsemão é o último grande jornalista dono de jornais, o que lhe assegura o respeito e admiração de toda a classe. Porque ele pertence à tribo: é um jornalista. E porque deixa um império de comunicação social que, digam o que disserem (e há o que dizer), vive disso: de jornalismo.

Agora, a colher de rícino: Balsemão sai de cena depois de batalhas infernais que não desejaria ao seu maior inimigo. Depois de ter ganho muito dinheiro com o seu amigo João Rendeiro, perdeu quase 40 milhões... com o seu amigo João Rendeiro. Dentro de casa, tinha a Ongoing, com quem teve um grande amor e depois uma grande guerra, quase um parricídio. O projecto de poder da Ongoing falhou, em abono do ar que respiramos, mas é conveniente admitir que a história está a ser contada por quem a venceu: muitas críticas de falta de resultados da Impresa estavam absolutamente correctos. Como se não bastasse, ainda se descobriram relatórios miseráveis sobre a vida de Balsemão e manobras canalhas de uma espécie de contra-espionagem alucinada.

Pela frente está uma batalha chamada privatização da RTP. E a capitalização da Impresa. O que Balsemão mostrou nos últimos dois anos foi uma notável capacidade de sobrevivência. Poder. Com novas alianças, negou-se ao declínio. À aliança de sempre do BPI juntou-se o apoio do BES e uma parceria com os angolanos da Sonangol, que agora dominam o BCP. Na política, o rei número 1 do PSD bate-se contra o valete de ocasião, Miguel Relvas. A história ainda não acabou.

A sucessão na Impresa não é, portanto, a reforma de Francisco Pinto Balsemão. Mas é ocasião para salientar um projecto que resiste contra aqueles que, comprando jornais, querem comprar o jornalismo. E esse não é assunto de grupos económicos, é um assunto de democracia.

Essa é a principal responsabilidade de Pedro Norton, garantir as condições de gestão que a Impresa falhou no passado que garantam a sustentabilidade financeira da empresa, para satisfazer os accionistas e resguardar as condições de independência e liberdade de imprensa. Num país em traficâncias, isso é muito mais difícil do que parece.

Pedro Norton assume que a Impresa é o seu projecto de sonho. Não é jornalista, nem financeiro e cita filmes de Max Ophüls, o que diz mais dele do que um "curriculum vitae". E assim se sucede um senador."


quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Entrevista de Passos Coelho à RTP



2011-09-20 23:02:08


Pedro Passos Coelho, nesta sua primeira grande entrevista enquanto Primeiro-Ministro, respondeu a perguntas do jornalista Vítor Gonçalves sobre as medidas de austeridade e o buraco financeiro escondido na Madeira.

O chefe do Governo revelou que não vai participar na campanha do candidato social-democrata Alberto João Jardim às eleições regionais da Madeira de 9 de Outubro e garantiu que "o Governo de Portugal tem de assegurar, em primeiro lugar, que todo o trabalho que vai ser feito de avaliação da real situação da Madeira não será objecto de olhares partidários, mas de olhares de Estado".

Lembrou que o Governo foi obrigado a criar uma sobretaxa extraordinária em 2011 porque encontrou um buraco colossal de 2 mil milhões de euros. No entanto, reiterou que o objectivo é reduzir os défices através de cortes nas despesas e não do aumento de impostos. Acontece, porém, que os cortes nas despesas não podem ser cegos e levam algum tempo a produzir efeito.

Sobre o IVA, disse que o Governo vai fazer "uma reclassificação de bens e de serviços, de produtos que hoje estão taxados ou à taxa intermédia ou à taxa reduzida" que poderá levar à eliminação da taxa intermédia.
No entanto, "não está prevista qualquer eventualidade de agravamento da taxa normal do IVA", que é actualmente 23%, e esclareceu que a redução da Taxa Social Única (TSU) terá "de ser financiada com a reestruturação do IVA".

Quanto ao TVG, "está suspenso". "Como envolve um compromisso, quer com União Europeia, quer com Espanha, teremos de renegociar esse projecto. (...) Se optarmos por uma linha de velocidade elevada, até 250 km/h, podemos ter uma linha moderna, de ligação a Madrid, que custa quatro vezes menos e não tem os encargos e prejuízos do TVG. Temos interesse em poder levar as mercadorias, não só das empresas portuguesas mas também a partir de Sines, que é um porto que tem uma importância estratégica fundamental para Portugal, ao nível da península ibérica e mesmo de toda a Europa. Precisamos de levar mercadorias a partir desse porto, por caminho de ferro, para toda a Europa."