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segunda-feira, 26 de maio de 2014

Breve análise dos resultados das europeias 2014


Terminada a contagem dos votos, observemos os resultados das europeias 2014:

3.092 freguesias apuradas de 3.092 freguesias (12 votações não realizadas)
60 consulados apurados de 71 (11 por apurar com 481 votantes)



Duas formações políticas perdem centenas de milhar de votos em relação às europeias 2009:
  • o BE perde mais de 200 mil votos e desce para quinto lugar;
  • a coligação PSD-CDS perde mais de 500 mil votos.

Em sentido ascendente temos
  • o PCP que ganha quase 40 mil votos;
  • o Livre e o PAN, partidos que concorreram pela primeira vez ao parlamento europeu, conseguem ultrapassar a fasquia dos 50 mil votos que dá subvenção anual;
  • o PS que ganha quase 90 mil votos;
  • mas a subida verdadeiramente espectacular é a do Partido da Terra, até agora um pequeno partido, que consegue conquistar mais de 200 mil votos e é catapultado para o quarto lugar, ficando acima do BE.

Quanto aos mandatos, um dos derrotados destas eleições
  • é o Bloco de Esquerda que perde mais de 6% dos votos, e não só para o Livre, e perde também 2 eurodeputados, um dos quais regressa ao PCP;
  • o outro é a coligação PSD-CDS, que desce mais de 12% e perde 3 eurodeputados.

Ganham eurodeputados
  • o PCP que, com mais 2% de votos, consegue recuperar o eurodeputado perdido em 2009.
  • o PS, com quase mais 5% dos votos, ganha apenas 1 eurodeputado;
  • mas é o Partido da Terra que, com a notável subida de 6,5%, recebe a fatia de leão com 2 eurodeputados.



O PS foi o vencedor destas eleições com 31,47% dos votos, apenas 3,76 pontos percentuais acima da coligação que suporta o Governo.
Se este desnível é tudo o que os socialistas conseguem oito dias depois do fim do programa de assistência económica e financeira externa, um tipo de programa sempre associado a gravosas medidas de austeridade, então não só é pouco provável que António José Seguro tenha uma vitória expressiva em Setembro do próximo ano, como bem pode preparar-se para uma derrota. Aliás são os próprios socialistas a dizer que a vitória do PS soube a pouco.

Mesmo na hipótese de uma vitória dos socialistas nas eleições legislativas de 2015, a ascensão meteórica do Movimento o Partido da Terra (MPT) veio alterar o xadrez político nacional: o País tanto poderá vir a ter um governo de bloco central PS-PSD, como um governo PS-MPT ou até PSD-MPT.


26 Mai, 2014, 13:35


Seguro está completamente bloqueado pelas clientelas do partido, com Mário Soares à cabeça, ávidos de subsídios ou cargos nas administrações públicas.
Tudo vai estar nas mãos de Passos Coelho e Marinho e Pinto, que obviamente vai ser o líder do MPT, e irá depender das propostas ousadas que estes homens sejam capazes de apresentar ao eleitorado.
Basta um par de propostas arrojadas, mas facilmente exequíveis e que mostrem vontade de mudança, como seja a alteração da lei eleitoral diminuindo o número de deputados da assembleia da República para 180, ou a eliminação dos vereadores sem pelouro nas câmaras municipais ou a abertura das listas de candidatos permitindo aos eleitores a escolha dos deputados.

Passos Coelho talvez quisesse fazer estas propostas mas está condicionado pelo poder local, como se viu no ano passado com a questão dos dinossauros autárquicos.
Pelo contrário, não estando o Partido da Terra refém de deputados nem do poder local, Marinho e Pinto, se quiser, poderá avançar propostas políticas fracturantes e esvaziar não só os votos brancos/nulos, mas também os dos outros partidos.

Isto significa que vamos acreditar em Marinho e Pinto?
Mesmo reconhecendo que só se singra nos labirintos políticos dos países europeus do Sul explorando compadrios e trocas de favores, é preciso ser-se pessoa honrada e de carácter para se poder mudar a forma de fazer política em Portugal. Ora Marinho e Pinto apoiou a candidatura da actual bastonária da ordem dos advogados, apesar de saber que Elina Fraga tinha prejudicado clara e deliberadamente uma cliente, negligenciando o processo que lhe fora confiado e traindo a confiança nela depositada.
Portanto a resposta é não.


domingo, 25 de maio de 2014

Europeias 2014 — A reacção do Governo


O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e o vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, fizeram esta declaração conjunta:

25 Mai, 2014, 21:26


"Quero, em primeiro lugar, felicitar todos os eurodeputados eleitos nesta noite, independentemente da formação partidária por que se tenham apresentado.

Quero felicitar também todos os portugueses que entenderam que era importante ir votar nestas eleições. Infelizmente foi uma minoria que se entendeu associar a esta eleição para o parlamento europeu. Julgo que nesta fase da vida do nosso País, bem como da Europa, teria sido importante que o País tivesse tido uma mobilização maior para estas eleições.

Mas as coisas são como são e espero que todos aqueles que forem eleitos com o escrutínio desta noite possam defender Portugal e o espírito europeu em Bruxelas.

Quero também felicitar o Partido Socialista pela vitória eleitoral que teve esta noite. Não é possível em eleições haver muitos a ganhar, só há um que ganha. Foi o Partido Socialista que ganhou estas eleições e, portanto, felicito-o por essa vitória eleitoral.

A Aliança Portugal ficou evidentemente aquém das suas expectativas. Perdemos estas eleições e quero, no que me toca, reconhecer a responsabilidade política por este resultado.

Creio que, quer o nosso cabeça de lista Paulo Rangel quer, do lado do CDS-PP, o Nuno Melo, fizeram uma grande campanha e honraram-nos muito na forma como defenderam a Aliança Portugal nestas eleições.

Julgo que, a seu tempo, cada um dos partidos fará a leitura mais detalhada dos resultados destas eleições. Quero, em todo o caso, dizer desde já que nem a derrota da Aliança Portugal foi tão grande quanto se prognosticava, nem a vitória do Partido Socialista foi tão folgada quanto foi anunciado."

Passos Coelho recusou ligar o resultado destas eleições ao futuro do Governo que lidera, porque o "governo tem noção clara de qual era objecto destas eleições. Amanhã de manhã manterei, como primeiro-ministro, a minha missão de conduzir o governo até às legislativas, de modo a devolver aos portugueses expectativas legítimas que têm quanto ao futuro".

Considerou que nos últimos três anos com "grandes dificuldades construímos um horizonte de futuro para Portugal que muitos prognosticaram impossível de alcançar. A verdade é que a economia está a crescer e o desemprego a diminuir". O objectivo do Governo passa por "intensificar a recuperação" e "dar aos portugueses uma perspectiva muito real de recuperação da sua vida".

Reforçando que a "missão deste governo é levar a legislatura até ao fim" e "governar de acordo com aquilo que foi o mandato que recebemos dos portugueses", Passos Coelho comentou que as eleições europeias não são um "plebiscito em relação ao governo" e os que diziam que as legislativas eram hoje, estavam "profundamente equivocados".

"Não deixaremos de levar por diante a missão" que foi dada pelos portugueses a este Governo, considerando que a primeira foi sair do programa de ajustamento e a segunda "está ao alcance", pois passa por "devolver a esperança aos portugueses".

Ao longo do seu discurso Passos Coelho mostrou "preocupação pelo facto de forças políticas eurocépticas e manifestamente divergentes" da política europeia, terem obtido uma "expressão eleitoral tão elevada".


Paulo Portas falou a seguir.

"O Partido Socialista terá ganho com uma percentagem em volta dos 32%. Para quem pediu uma maioria absoluta e quis fazer destas eleições uma primeira volta das legislativas — com a apresentação de um programa de governo — não me parece que seja razoável qualquer triunfalismo", afirmou Portas.

"O nosso resultado é fraco? É. O resultado do PS é forte? Não me parece", acrescentou Paulo Portas que comentou ainda os números da abstenção:
"A abstenção triunfou sobre todos os candidatos destas eleições e triunfou largamente. Estes resultados incidem sobre um terço do colégio eleitoral. As pessoas que ficaram em casa devem ser respeitadas apesar de o voto constituir um dever. Quando dois terços dos eleitores ficam em casa, isso diz alguma coisa do que as instituições europeias têm que progredir".


Europeias 2014 — As reacções dos partidos


Francisco Assis afirmou que o PS se tornou novamente o maior partido e a coligação PSD/CDS vai ter uma "derrota histórica". Assis reagiu assim às projecções divulgadas pelas televisões sobre os resultados das eleições europeias, que apontavam mais um mandato para os socialistas do que para a coligação:

25 Mai, 2014, 20:57

Paulo Rangel focou o seu discurso na elevada abstenção que considerou ser o ponto mais relevante nestas eleições. Criticou ainda as declarações triunfalistas do cabeça de lista do PS, Francisco Assis, considerando que as projecções de resultados não permitiam ao PS falar de "vitória estrondosa, nem de vitória histórica":

25 Mai, 2014, 21:46

João Ferreira, cabeça de lista da CDU, realçou que a sua coligação teve "um dos maiores resultados de sempre em eleições europeias" e houve "redução da expressão eleitoral" de PSD, PS e CDS-PP. Insistiu que "PSD e CDS atingem a menor percentagem de sempre juntos", numa "pesadíssima derrota destes partidos e da sua acção governativa":

25 Mai, 2014, 21:46

Conhecidas as projecções eleitorais, Marinho e Pinto, cabeça de lista do Movimento Partido da Terra, disse que entrou no processo eleitoral para "dignificar a democracia, a política e o regime", que estão "pelas ruas da amargura", tendo acrescentado que entrou nesta corrida eleitoral para "ser eleito":

25 Mai, 2014, 21:26

Para a coordenadora do BE, Catarina Martins, o partido alcançou o objectivo principal ao reeleger Marisa Matias, realçando que a direita unida terá menos de 30 por cento e que o resultado do MPT surge do voto de protesto:

Eleições europeias 2014 em directo



Direcção-Geral de Administração Interna (DGAI) — Europeias 2014


  • Portugal — Resultados globais

  • Portugal — Resultados no território nacional

    Pode escolher-se o distrito (ou região autónoma) no mapa interactivo.

  • Portugal — Resultados no estrangeiro

    Clicar na região. Depois pode escolher-se o país e até o consulado.



Divulgação dos resultados do escrutínio provisório a partir das 22:00 de dia 25.









Um dia histórico


Os europeus vão participar hoje na eleição do primeiro parlamento europeu que vai eleger o presidente da comissão europeia, um cargo que corresponderá, no futuro, ao de primeiro-ministro da União Europeia.

Embora tenhamos graves razões de queixa dos políticos portugueses, sabemos que os 21 eurodeputados que serão eleitos em Portugal vão ficar diluídos no conjunto de 751 representantes dos 28 países da União Europeia. E sonhamos com um tempo em que os portugueses conseguirão eleger eurodeputados que sejam profissionais competentes, íntegros e dignos do parlamento europeu.

Neste dia, que ficará gravado na memória dos europeus dos séculos vindouros, é com emoção que vemos a homenagem da Google à democracia europeia:







sexta-feira, 23 de maio de 2014

Uf, acabou a campanha eleitoral


Está a terminar a campanha eleitoral das eleições para o parlamento europeu. Felizmente. Já não havia pachorra para aturar tantas promessas falaciosas, tantos ataques pessoais, tanta safadeza, tanta embustice e tanta estupidez.


Começou por um eurodeputado propor a criação de mais um partido político — vão concorrer dezasseis! —, localizado entre o Bloco de Esquerda (BE) e o Partido Socialista (PS), que diz defender a presença do País na União Europeia e procurar uma aliança política com o PS. E pretende, dizemos nós, manter a sinecura do seu fundador no parlamento europeu e, se possível, arranjar emprego para alguns dos seus amigos.

Um dos piores problemas da democracia portuguesa é justamente este: a rapaziada passou a considerar a política como uma profissão. A manha nasce nas escolas com as viagens de pseudo-intercâmbio escolar a Santander, a Bruxelas, a Roma, ... , dos “clubes europeus” criados por professores enquadrados por eurodeputados. Depois cresce na adolescência com a filiação nas juventudes partidárias enquanto fingem que estudam em Lusófonas, Portucalenses e quejandas. Quando atingem a idade adulta já não querem outra coisa, senão ficar na política para o resto da vida.
Como o PS não consegue arranjar emprego para todos nas autarquias ou no governo, há que ser empreendedor. Estagia-se no BE, tenta-se obter um cargo e depois de ganhar fama cria-se um partido novo, ou então dá-se o salto para o PS.

A ambição de Rui Tavares é emular Louçã e criar um novo Bloco. Mas, mesmo que o Livre nunca consiga eleger deputados, basta obter 50 mil votos nas legislativas — artigo 5 da Lei 19/2003 — para passar a receber uma subvenção anual. Isto funciona? Claro, já temos o MRPP e o PAN a viverem à custa dos impostos dos contribuintes.


No entanto, Rui Tavares é um santo quando comparado com a sua colega Joana Amaral Dias.
Nas legislativas de 2002, o BE só elegeu três deputados, que suspenderam funções ao longo da legislatura para que os três candidatos que vinham a seguir nas listas ganhassem experiência parlamentar. Assim, graças a Louçã ter suspendido funções, Joana Dias foi deputada no ano seguinte e suplente até ao fim da legislatura.
Apesar de ser a cabeça de lista do BE por Santarém, nas legislativas de 2005, a senhora aceitou com entusiasmo o convite para ser mandatária para a juventude da candidatura de Mário Soares à presidência da República, em 2006. O facto do BE ter um candidato próprio, o líder Francisco Louçã, não a perturbou.

Chegamos às legislativas de 2009 e Joana Amaral Dias é convidada para as listas do PS que precisava de retirar votos ao Bloco. O convite é divulgado na imprensa, e prontamente negado por vários dirigentes do PS, incluindo José Sócrates e Paulo Campos.
Mas a criatura vem confirmar o convite, acabando o então secretário de Estado Paulo Campos por vir a público declarar que a havia contactado para saber da sua disponibilidade para integrar as listas do partido. Só que o episódio, em vez de a lançar no Bloco, fê-la cair: a direcção excluiu-a do grupo de dirigentes.

Agora que Seguro anda a procurar apoios à esquerda e à direita, Joana Dias não se fez rogada. Com o argumento de defender uma aliança política com o PS, demitiu-se do BE, na semana passada, e foi logo discursar na Convenção "Novo Rumo" do PS, onde aproveitou para homenagear o falecido socialista Medeiros Ferreira com a citação "atenção a este rapaz, precisa de quem o trave”, uma referência ao actual primeiro-ministro que tem mais onze anos que ela.



Apesar de servir de trampolim para voos mais altos, o BE continua a conservar uns espécimes interessantes. Até há pouco tempo, a grande medida proposta pelo partido para relançar a economia portuguesa era a legalização do cultivo de cannabis, acompanhada por um calote duro e às claras na dívida pública, de modo a sermos corridos da Zona Euro e passarmos a invejar o nível de vida da Turquia.
Recentemente, o BE deu um sinal de que também cultiva o humor quando a cabeça de lista do partido, que é suposto ir ser eleita para o parlamento europeu para defender os interesses do País na Europa, propôs durante a campanha eleitoral uma nova medida de grande alcance económico: incluir o surf nos currículos escolares.





Sobre o PCP há que fazer este reparo: ainda não reparou que, em todos os países — excepto Cuba e a Coreia do Norte — onde o comunismo foi implantado, o regime implodiu, mais ou menos fragorosamente, dando lugar a um capitalismo selvagem.
O erro está na hipótese de que as pessoas são todas iguais. As oportunidades que a sociedade tem de proporcionar às pessoas é que devem ser iguais. Depois, uns aproveitam para desenvolver as suas capacidades, outros preferem folgar. No final terão o correspondente retorno e a sociedade permanece estratificada.


Não se pense que nas cúpulas dos grandes partidos houve mais dignidade. Excluído por Passos Coelho da lista dos verosímeis candidatos presidenciáveis por ser cata-vento, epíteto que, convenhamos, lhe assenta como uma luva, Marcelo Rebelo de Sousa ofendeu-se, disse retirar-se da corrida, mas logo de seguida apareceu no congresso do PSD e agora usou a lábia de advogado para fazer campanha pela pobríssima lista da coligação PSD-CDS.

No PS, Seguro prometeu tudo no "Contrato de confiança": não fazer despedimentos na função pública, eliminar os cortes nas pensões, reduzir gradualmente a sobretaxa de IRS e não aumentar impostos.
Há quarenta anos a palavra “fascista” era ignorada em Portugal. No dia 25 de Abril de 1974 surgiu repentinamente e converteu-se num impropério muito usado na época para atacar as pessoas que detestávamos. Em fins de 2011 foi o termo “nazi” que virou o insulto da moda e agora foi aproveitado por Alegre para atacar Rangel, o cabeça de lista da coligação PSD-CDS que chamou ao PS, o “vírus socialista” que necessitava ser combatido com a “vacina” consubstanciada no voto na coligação.
E que dizer da lista de candidatos do PS, que é o mais importante em qualquer eleição? Bem, com excepção de dois ou três nomes, é uma caixinha de horrores onde há de tudo, desde negócios obscuros a bancarroteiros.

*

“Mas então em quem vamos votar?”, perguntará o leitor. Em Outubro de 1973, também fizemos essa pergunta e chegámos à conclusão que a única atitude admissível, quando as eleições não são livres, é a abstenção.
Agora, porém, são livres. Portanto temos de ir votar.

Não em branco, porque não estamos num país do Norte ou centro da Europa e pode haver mesas de voto onde um português desenrascado se lembre de pôr uma cruz nestes boletins de voto depois das urnas serem abertas.

Começamos por desenhar uma cruz no quadrado correspondente ao partido ou coligação onde desejamos votar. Como se pode ver, o boletim de voto tem imenso espaço. E há tantos recados que gostaríamos de mandar aos partidos, que podemos escrevemos alguns. Por exemplo:

Caros Senhores,
  • Alterem a lei eleitoral para a assembleia da República, reduzindo o número de deputados para 180
  • Façam listas abertas para podermos escolher pessoas
  • Reunam autarquias (tal como foi feito com cerca de mil freguesias)
  • Eliminem os vereadores sem pelouro nas câmaras municipais
Custando cada vereador mais de 50.000 euros por ano e havendo 3 vereadores sem pelouro, em média, no universo das 308 autarquias (ver Detalhes), obtemos uma poupança anual de cerca de 46 milhões de euros:

50.000 x 308 x 3 = 46.200.000

Fica o voto anulado? Temos pena.

Não estamos sozinhos, há boa gente que já assumiu esta decisão.


segunda-feira, 12 de maio de 2014

As enganadoras campanhas eleitorais


Começou hoje a campanha eleitoral para o parlamento europeu e os nossos políticos brindaram-nos logo com uma prenda naquele domínio em que são mestres — a impostura.

Desta vez, foi o PS. Sob o lema da "inovação", este partido diz ter escolhido uma selfie dos candidatos socialistas às europeias para os cartazes que espalhou pelo País.

Só há um pequeno problema, o retrato que o PS apresenta como "a primeira selfie ao serviço da política", não o é, porque a figura central, o cabeça de lista Fernando Assis, claramente não é o autor da fotografia, condição sine qua non neste tipo de retrato.

E ainda um pormenorzito nada despiciendo: o CM detectou que as imagens de, pelo menos, três candidatos — Liliana Rodrigues, Fernando Moniz e Ricardo Serrão dos Santos — foram directamente retiradas da página oficial da candidatura socialista e colocadas na pseudo-selfie através do efeito de sobreposição do programa de edição e manipulação de imagem Photoshop.





Veio-me à memória o tratamento de imagem que sofriam as fotografias dos líderes políticos caídos em desgraça durante a época soviética. Onde estes tiravam, os nossos queridos políticos acrescentam.

Já a direcção de campanha do PS não vê "nada de extraordinário na utilização de ferramentas informáticas como o Photoshop", como os três candidatos não puderam comparecer à sessão fotográfica "o PS fez questão de os acrescentar na elaboração do cartaz".
Nesta linha de argumentação, quando o PS for governo, se não tiver boas notícias para dar aos portugueses, poderá inventá-las.


Entretanto o PSD anda a acenar com um aumento do salário mínimo nacional mas adia as negociações com os parceiros sociais para depois de 25 de Maio.

E o PCP acusa o PS de não ter saída para a austeridade mas esquece-se de apresentar uma solução credível.

Em tempo de campanha eleitoral são todos bons rapazes.


quarta-feira, 26 de março de 2014

Lista do PS para as eleições europeias


A lista apresentada por António José Seguro à Comissão Política Nacional do PS, e por esta aprovada, tem estes nomes nos lugares elegíveis:
  1. Francisco de Assis
  2. Maria João Rodrigues
  3. Carlos Zorrinho
  4. Elisa Ferreira
  5. Ricardo Serrão Santos
  6. Ana Gomes
  7. Pedro Silva Pereira
  8. Liliana Rodrigues
  9. Manuel dos Santos
  10. Maria Amélia Antunes
Resto da lista aqui.

  • Maria João Rodrigues foi ministra do Emprego de António Guterres e actualmente é consultora da Comissão Europeia.
  • Ricardo Serrão Santos é um professor do departamento de Oceanografia e Pescas da universidade dos Açores.
  • Elisa Ferreira e Ana Gomes são deputadas do parlamento europeu.
  • Liliana Rodrigues é uma professora auxiliar do departamento de Ciências da Educação da universidade da Madeira.
  • Maria Amélia Antunes foi presidente da câmara do Montijo, tendo envolvido esta câmara num negócio obscuro de compra de um terreno.

Nos primeiro, terceiro, e sétimo lugares temos políticos ligados aos governos de José Sócrates:
  • Francisco de Assis foi o líder parlamentar do PS entre 2009 e 2011.
  • Zorrinho coordenou o Plano Tecnológico 2005-2009 que despejou computadores à toa na administração pública e na sociedade, em particular os "magalhães" dados aos alunos do 1º ciclo, tendo incentivado alunos a agredirem professores, e dissipou o erário público na subsidiação das energias renováveis como secretário de Estado da Energia e da Inovação no segundo governo, onde se celebrizou pela aquisição de um Audi de 86 mil euros.
  • Silva Pereira foi o ministro da Presidência dos dois governos.
Conduziram o País à bancarrota, agora vão ser premiados com salários milionários no parlamento europeu. O crime compensa.


sábado, 8 de março de 2014

Vamos suportar Rangel e Assis até 25 de Maio


O Público partilhou no Facebook um artigo de opinião que se ajusta que nem uma luva ao pensamento luso e avalia correctamente a politicagem que pulula nos partidos políticos portugueses. Vamos suportar estes senhores até 25 de Maio. Depois o advogado Paulo Rangel e o professor de Filosofia Francisco de Assis seguem para as suas sinecuras em Bruxelas.
Eis o artigo:


"Deus nos proteja
VASCO PULIDO VALENTE 08/03/2014 - 01:15

Não gosto nem do sr. Rangel, nem do sr. Assis. Bem sei que há eleições para o Parlamento Europeu e que tanto um como o outro não conseguem pensar em mais nada. Mas são os dois símbolos perfeitos de tudo o que a política portuguesa tem de mais triste e desprezível: o fanatismo de partido, ou, se preferem, para usar a nojenta linguagem do meio, o “amor à camisola”.

Ora o “amor à camisola” não me parece qualificação bastante ou recomendável para representar Portugal na União numa altura de crise para a própria União e para o país. Quinta-feira, na televisão, o sr. Rangel e o sr. Assis desceram à mais baixa zaragata a propósito das duas seitas que representam e que, para eles, parecem resumir o mundo. Sem vestígio de inteligência ou dignidade gritaram durante quase uma hora com o único propósito de mostrar que eram “combativos”, como as “bases” querem, muitíssimo capazes de arranjar votos.

Nenhum percebeu o sofisma em que assenta este comportamento aberrante. Só 14% do eleitorado acredita nos partidos. Pior ainda: mesmo esses 14% não serão com certeza determinados pelo espectáculo de injúria e de cólera encenada e falsa que lhes oferecem os candidatos, venham eles de onde vierem. De resto, o sr. Rangel e o sr. Assis não trouxeram à conversa o mais vago argumento compreensível, convincente e novo. Com uma persistência que demonstra a vacuidade das suas tribunícias cabeças, repetiram a ladainha da praxe. O sr. Rangel acusou o PS da bancarrota nacional e de trazer a troika para Portugal; e o sr. Assis passou a culpa da presente miséria para o deliberado “neo-liberalismo” do Governo. Não falharam um lugar-comum e, depois, discutiram o “consenso”.

Durante todo o espectáculo não se viu uma sombra de educação genuína, de pensamento original, ou, pelo menos, de responsabilidade política. Qualquer assunto servia (por exemplo: a manifestação da polícia), para voltar à sopa requentada da querela entre o PS e o PSD. É mais do que evidente que o sr. Rangel e o sr. Assis não percebem que o português comum verdadeiramente não se interessa por essa repugnante guerra e que, não parando de falar dela, os facciosos de serviço lhe estão na prática a mentir. Não apareceu até agora uma exposição séria sobre o estado de Portugal, sobre os quatro anos de troika ou sobre o futuro da Europa. E pretendem eles que o país lhes dê uma sinecura em Bruxelas, bem protegidos do desespero e da miséria indígena, em nome dos méritos do PS e do PSD... Deus nos proteja."



E um comentário que subscrevemos:

Eraumavez
08/03/2014 23:20
Dado o estado financeiro do país, dado que se reconhece que a classe política é inteiramente responsável por essa situação, apetece-me dizer que se justificaria muito mais hoje uma intervenção militar que no 25 de Abril. Apetece-me dizer também que Salazar tinha muita razão ao dizer que a democracia em Portugal não ia funcionar. Apetece-me também dizer que Salazar tinha muita razão ao dizer que os portugueses não tinham capacidade para escolher dirigentes políticos. Apetece-me gritar que entre fascistas honestos e democratas ladrões, venha o diabo e escolha.


domingo, 2 de março de 2014

PSD e CDS criam coligação Aliança Portugal para as eleições europeias


Além do cargo de vice-primeiro-ministro e da criação de mais ministérios para alojar políticos do CDS, outra exigência de Paulo Portas, aquando da sua demissão "irrevogável" em Julho de 2013, foi uma coligação às eleições para o parlamento europeu de 25 de Maio de 2014.


01 Mar, 2014, 13:26


Paulo Rangel será o cabeça de lista da coligação Aliança Portugal e Nuno Melo, o rapazinho da universidade Portucalense que encabeçou a lista do CDS em 2009, vai ter o 4º lugar. Também pertence a este partido o 8º lugar.

Reunindo as listas do PSD e do CDS de 2009, conclui-se que os centristas elegeram os 4.º e 9.º eurodeputados. Como Portugal vai perder um representante no Parlamento Europeu, passando de 22 para 21 eurodeputados, o golpe baixo de Portas vai permitir ao CDS manter os dois eurodeputados europeus que ganhou em 2009. As perdas, que o exercício do poder sob o programa de assistência económica e financeira vai acarretar aos partidos do governo, vão cair exclusivamente sobre o PSD.

Portas vai poder ufanar-se de não perder eurodeputados, tal como fez nas eleições autárquicas, em que uma política finória de alianças locais permitiu ao CDS aumentar o número de câmaras e mandatos, mesmo perdendo votos.

Como o País tem um governo PSD-CDS, provavelmente os resultados destas eleições serão:
  • PS obterá 9 ou 10 eurodeputados
  • coligação PSD-CDS terá 9 ou 8 eurodeputados
  • PCP manterá 2 eurodeputados
  • BE ficará com 1 eurodeputado

Portanto vamos apenas registar a lista de candidatos que poderão ser eleitos:
  1. Paulo Castro Rangel
  2. Fernando Ruas
  3. Sofia Ribeiro, sindicalista indicada pelo PSD/Açores
  4. João Nuno Teixeira de Melo
  5. Carlos Maximiano de Almeida Coelho
  6. Cláudia Aguiar, indicada pelo PSD/Madeira
  7. José Manuel Ferreira Fernandes
  8. Ana Clara de Matos Silva, indicada pelo CDS
  9. José Mendes Bota

Deixámos para o fim uma observação a respeito do nome da coligação PSD-CDS: é uma arrogância uma coligação usurpar o nome do nosso País. Portugal é de todos os portugueses não é de um conjunto de partidos políticos, seja qual for, e muito menos da gentinha que se apoderou dos partidos políticos portugueses.