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sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Metas Curriculares do Ensino Básico - II


O Ministério da Educação e Ciência acaba de publicar no portal do Governo as Metas Curriculares do Ensino Básico para as disciplinas Matemática, Português, Tecnologias da Informação e Comunicação, Educação Visual e Educação Tecnológica.

Divulgadas em 28 de Junho passado, as propostas de metas curriculares foram sujeitas a discussão pública que se prolongou até ao dia 23 de Julho.
Diz o comunicado do ministério que durante este período foram recebidos 178 contributos, dos quais 90 provenientes de sociedades científicas, associações de professores e outras entidades e 88 de professores e outros interessados.


Em primeiro lugar, em relação às Metas Curriculares de Matemática hoje publicadas, reconhecemos que esses contributos foram usados para melhorar o excelente instrumento de trabalho que a proposta já consubstanciava.

Há, porém, uma ideia fundamental em Matemática que não foi considerada. Está exposta com enorme clareza nos livros de José Sebastião e Silva, notável professor catedrático de Análise Infinitesimal da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e figura ímpar das matemáticas portuguesas do séc. XX a quem se deve, entre outros contributos, uma axiomática para a teoria das distribuições finitas.

É a seguinte: as fracções não são números mas, sim, representações de números.
Aliás esses números — os números racionais — podem, também, ser representados por pontos de uma semi-recta, por figuras geométricas, ... , por dízimas finitas ou infinitas periódicas nos sistemas de numeração binário, decimal, hexadecimal, ... , e por uma infinidade de expressões designatórias.

Esta ideia deve estar muito clara na mente de qualquer professor de Matemática e ser transmitida subtilmente aos alunos desde a mais tenra idade mas não foi considerada nestas metas.


Em segundo lugar, a discussão das metas curriculares revelou que se passa algo muito grave na classe docente portuguesa que não é possível ignorar.

No ano escolar que começa no próximo dia 1 de Setembro vai ocorrer o quase completo desaparecimento dos professores contratados e sabe-se que 15.309 docentes dos quadros de zona pedagógica e até dos quadros de agrupamento/escola não agrupada foram obrigados a participar no concurso de mobilidade porque os directores das escolas onde leccionavam calcularam (mal, pois 1550 já foram repescados) que esses docentes ficariam sem turmas.

No entanto, há 103.861 docentes nos quadros. Portanto 88.552 docentes sempre tiveram a certeza que conservariam os seus lugares nas escolas onde leccionavam e, destes, apenas 88 — repetimos, apenas 88 docentes — se dignaram reflectir sobre os conteúdos que leccionam e enviar contributos para melhorar as metas em discussão.


quinta-feira, 28 de junho de 2012

Metas Curriculares do Ensino Básico - I


O Ministério da Educação e Ciência apresentou hoje a proposta de Metas Curriculares do Ensino Básico para as disciplinas Matemática, Português, Tecnologias da Informação e Comunicação, Educação Visual e Educação Tecnológica, que foram publicadas no portal do governo por esta ordem.

Os programas de cada disciplina e as metas constituem as referências fundamentais do ensino, pois estas clarificam, dentre os conteúdos programáticos, os conhecimentos a adquirir e especificam as capacidades a desenvolver pelos alunos nos diferentes anos de escolaridade.

Sendo um documento normativo de utilização obrigatória a partir do ano lectivo 2013/2014, as metas terão no próximo ano lectivo um carácter indicativo, embora sejam fortemente recomendadas. São um apoio na planificação do ensino e na preparação de aulas, cabendo ao professor a escolha das estratégias e metodologias a seguir.

As metas ficam em consulta pública até 23 de Julho. Os contributos deverão ser enviados para o endereço de e-mail:
metas.curriculares@mec.gov.pt
No início de Agosto será divulgada a versão final destes documentos, com a integração dos contributos entretanto recebidos.


Aqui incorporamos as primeiras cinquenta páginas das metas de Matemática para leitura (clique na seta para ampliar) porque não correm em alguns browsers:


Assim que começamos a leitura o que salta à vista é a concisão e o rigor da linguagem, algo que havia desaparecido dos textos sobre Matemática emanados do ministério desde há cerca de 40 anos. Os trapaceiros sumiram, dando lugar aos professores de Matemática que elaboraram este documento. As metas de Matemática serão uma revolução mais profunda que a provocada no ensino pelo primeiro governo Sócrates com o choque tecnológico, que foi ainda mais responsável pela aposentação antecipada de muitos docentes do que a indisciplina que grassava em muitas escolas — e vai continuar a grassar, se os directores não apoiarem os professores na aplicação do Estatuto do Aluno e Ética Escolar. Sejamos muito claros: a maioria das metas de Matemática propostas para o 1º ciclo não são actualmente atingidas nem sequer no final do 2º ciclo. E não vale a pena os docentes dos 1º e 2º ciclos agarrarem-se desesperadamente a acções de formação: é tempo de começarem a olhar para o Instituto Superior Técnico e para as melhores universidades públicas deste País — Porto, Lisboa, Coimbra, ... — e prepararem-se para fazer reciclagem a sério.
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Actualização: metas definitivas divulgadas em 3 de Agosto de 2012.