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domingo, 12 de julho de 2015

Quem não se sente, não é filho de boa gente


Após análise à proposta de reformas do governo grego em troca de um terceiro resgate, um documento elaborado no Ministério das Finanças alemão apontou duas vias: ou condições mais rigorosas a vincularem o governo grego às suas novas promessas ou uma saída temporária do euro.


O ministro das Finanças alemão Wolfgang Schäuble chega à reunião do Eurogrupo de 11 de Julho, em Bruxelas, Bélgica.
Reuters/Francois Lenoir

Após analisarem a proposta de reformas do governo grego, de 9 de Julho, em troca de um empréstimo de três anos, o relatório dos funcionários do Ministério das Finanças alemão conclui que o plano carece de "áreas de reforma importantes e primordiais" e acrescenta: "Precisamos de uma solução melhor e sustentável."

Referido pela primeira vez pelo semanário bávaro Frankfurter Allgemeine Sonntagszeitung e, entretanto, posto a circular nas redes sociais, o documento aponta duas vias: ou condições mais rigorosas a vincularem o governo grego às suas novas promessas ou ter algumas das suas dívidas anuladas e sair do euro durante 5 anos para reestruturar a dívida e fazer reformas estruturais.




O documento cita três coisas que a Grécia poderia fazer para melhorar a sua proposta "rápida e significativamente", com o apoio do parlamento, no sentido de implementarem o terceiro programa com sucesso, garantindo o acesso aos mercados no final:
  • Transferir activos gregos no valor de 50 mil milhões de euros para um fundo externo como a Instituição para o Crescimento no Luxemburgo, para serem privatizados e diminuirem a dívida nacional. Fontes da Zona Euro disseram que Schäuble lançou esta ideia na reunião do Eurogrupo de ontem.
  • Reformar e despolitizar a administração pública, sob a supervisão da Comissão Europeia, para apropriada implementação do programa.
  • Legislar sobre cortes automáticos nos gastos do governo, caso as metas do défice orçamental não sejam alcançadas.
Isto significa que o risco de não concluírem o novo programa do MEE fica com a Grécia, não com os restantes países da Zona Euro.

A alternativa a um plano credível de Atenas, escreveram os autores do documento, era: "Oferecer negociações rápidas à Grécia para uma saída da Zona Euro, com possível reestruturação da dívida, se necessário num formato similar ao Clube de Paris durante, pelo menos, os próximos cinco anos."

O Clube de Paris é um fórum para a reestruturação de dívidas soberanas. O documento nota que isto permitiria aos governos da Zona Euro fazerem writeoffs do valor nominal das dívidas gregas — algo que não é permitido desde que Atenas está também no euro.

Finaliza o documento, dizendo que a Grécia permaneceria na União Europeia e receberia assistência técnica e humanitária, durante o período fora do euro.

Schäuble já havia dito na sexta-feira que a Grécia precisava de um haircut da dívida, mas tais reduções são ilegais dentro da Zona Euro. Nada disse, porém, sobre a solução do enigma.

A ideia de uma saída temporária está em ressonância com as declarações de Hans-Peter Friedrich, vice-líder parlamentar dos conservadores e membro da União Social Cristã (CSU), o partido da Baviera aliado da União Democrática Cristã (CDU) de Angela Merkel.
"O que é necessário é reestruturar e fortalecer a economia grega na sua própria moeda", tinha dito Friedrich ao diário alemão Die Welt.

Os comentários de Friedrich e agora o documento do Ministério das Finanças alemão põem em relevo o dilema da chanceler Angela Merkel.

Fontes do governo de coligação direita/esquerda disseram que o documento foi elaborado após discussões entre Merkel, o vice-chanceler de esquerda Sigmar Gabriel e o ministro das Finanças, Wolfgang Schäuble. Sublinharam que a opção escolhida para a Grécia foi fazer reformas e manter-se no euro.

Mas, para tal, o governo de Tsipras terá de vincular-se mais estreitamente às reformas que propôs na passada quinta-feira e terá sido isso que o ministro das Finanças alemão disse aos seus colegas do Eurogrupo este sábado. Schaeuble não falou de grexit neste Eurogrupo, tendo antes destacado a necessidade de o Governo de Tsipras fazer mais para que possam ser iniciadas as negociações para um terceiro resgate à Grécia.

A chanceler está entalada entre a feroz oposição interna, que a acusa de ser suave com Atenas, e a intensa pressão internacional para conceder a reestruturação da dívida da Grécia num acordo para manter o país no euro, se os gregos entregassem reformas convincentes.

O ministro dos Negócios Estrangeiros luxemburguês, Jean Asselborn, já discordou em entrevista ao jornal alemão Süddeutsche Zeitung, a ser publicada amanhã, segunda-feira:
"Seria fatal para a reputação da Alemanha na UE e no mundo, se Berlim não aproveitar agora a oportunidade que existe com a oferta grega de reformas."
Asselborn já tinha declarado na notícia que antecede essa entrevista: "Se a Alemanha empurra para uma Grexit, vai provocar um conflito profundo com a França. Isso seria uma catástrofe para a Europa."

No entanto, não é a Alemanha que está a adoptar a posição mais dura contra o terceiro resgate à Grécia.

O Governo da Finlândia disse 'não' à proposta grega e pretende que a Grécia saía do euro. O partido Verdadeiros Finlandeses ameaçou desfazer a coligação, se a Finlândia aprovasse um terceiro resgate à Grécia. O parlamento finlandês, que terá de pronunciar-se sobre um novo resgate à Grécia, terá mandatado o Governo para bloquear um acordo com resgate no Eurogrupo.

Mesmo assim, poderá ser alcançado um acordo no Eurogrupo sem o apoio da Finlândia. Os pedidos de resgate ao MEE são decididos por unanimidade entre os ministros das Finanças, mas esta regra pode ser substituída por uma maioria qualificada de 85%, se a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu considerarem que é necessária uma decisão urgente.

A reunião do Eurogrupo terminou ontem à meia-noite sem se obter um acordo, mas prosseguiu na manhã deste domingo.

12 Jul, 2015, 13:40

À saída da reunião de hoje, terminada há pouco, o ministro das Finanças luxemburguês, Pierre Gramegna, declarava: "Todas as opções estão em aberto".

Também o ministro das Finanças belga, Johan Van Overtveldt, opinou que ainda era insuficiente o que se alcançou na reunião dos ministros das Finanças da Zona Euro, apesar de ter-se conseguido acordo em 90% dos assuntos.

Para o ministro das Finanças da Áustria, a decisão final cabe ao parlamento grego que vai votar amanhã, segunda-feira, se aceita o acordo alinhavado no Eurogrupo. Hans Jörg Schelling acrescentou, que apenas "quando todas as condições [acordadas] estiverem cumpridas, será negociado um novo programa de resgate. Nunca antes".

Consta que nesse esboço de acordo estará um terceiro resgate à Grécia de 86 mil milhões de euros. No texto, sugere-se que, em caso de desacordo, deverá ser oferecida à Grécia a saída temporária do euro e, nesse quadro, a possibilidade de reestruturação da sua dívida.

Agora a discussão do acordo passou para as mãos dos chefes de Estado ou de Governo da Zona Euro, cuja cimeira já está a decorrer.


*


Os dados do problema grego são os seguintes:

  • 61% do eleitorado grego disse ‘não’ a medidas de austeridade no referendo de 5 de Junho;
  • 17 deputados do Syriza/Anel faltaram à votação no parlamento grego, abstiveram-se ou votaram contra as propostas de reformas — a maioria não calendarizada, nem quantificada, sublinhe-se — apresentadas em Bruxelas.

O governo da coligação Syriza/Anel ficou com o apoio parlamentar reduzido a 145 deputados na madrugada de sábado, perdendo por seis votos a maioria absoluta. É óbvio que o governo liderado por Tsipras, mesmo que tivesse intenção de implementar o pacote de austeridade, não tem apoio nem do eleitorado, nem do parlamento grego para cumprir o programa associado a um terceiro resgate.

Fazer um governo de unidade nacional com a Nova Democracia e o Pasok não está nos planos de Tsipras porque teria menos lugares de ministros, ministros suplentes e vice-ministros (mais uma peculiaridade grega) para distribuir pelo Syriza e pelo Anel, os partidos que formam o actual governo helénico.

Se o terceiro resgate à Grécia for aceite na cimeira de hoje dos chefes de Estado ou de Governo da Zona Euro, então há cinco Estados-membros — os três Estados Bálticos, Eslováquia e Portugal — que têm de receber imediatamente chorudos empréstimos do MEE, nas condições que forem concedidas aos gregos.

Para quê? Para estes cinco países poderem subir os respectivos salários mínimos e complementos sociais para idosos, de imediato, de modo a passarem a usufruir valores idênticos aos que forem fixados para os gregos, com os custos inerentes a serem suportados pelos restantes 13 países do euro, obviamente.

Esta medida é da maior justiça social: os salários mínimos da Estónia, Letónia, Lituânia, Eslováquia e Portugal são, respectivamente, € 390, € 360, € 300, € 380 e € 589. O grego é muito superior: € 684.

Além disso, estes países não devem ser obrigados a suportar um provável futuro calote grego. E mais: estes cinco países devem arrogar-se o direito de não pagar esses benévolos empréstimos, se os gregos não pagarem. Quem não se sente, não é filho de boa gente.


A opinião dos outros:

Ana Maria Cerdeira Queiroz @ Facebook

06:26
Claro, como sempre este sr. diz 'não' porque a Grécia agora tem um Governo que não é da sua cor com políticos que não despem as calças por isso têm de sair do euro. Bom era que todos os que estão dependentes destes alemães lhes virassem as costas e os deixassem sozinhos na UE, sempre queria ver o que faziam.

Ó maria queiroz, deves ser das que gosta de viver
10:27
com o guito dos outros. É muito bonito gastar à grande sem pensar em pagar. Além de que a Alemanha já provou a nível mundial ser produtora de grande qualidade em tudo que faz. Se não venderem a gentinha do teu tipo, vendem a pessoas sérias. Paga as tuas dívidas e não critiques quem é melhor que tu.

Criador de Touros
14:45
Schäuble é hoje a única referência europeia, a seguir vem Draghi, mas como é socialista, está submetido às pressões que aí andam da Internacional Socialista. Portanto Schäuble é a única referência de sensatez!
15:04
Quando o socialista francês Hollande diz que fará todos os possíveis para manter a Grécia no Euro, quer dizer — digo eu — que ele quer os gregos na Europa, nem que seja para os gregos darem cabo da Europa, como têm feito até aqui. É tolo o François.


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

O programa de Governo de Alexis Tsipras


O programa de Governo anunciado pelo primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, foi copiado do programa de Tessalónica que o Syriza apresentou aos eleitores gregos. Grande parte das medidas carece de quantificação realista e é rara a calendarização.

Vejamos um resumo:

  • Restaurar o limiar do IRS de 12.000 euros por ano. Quem ganhar menos fica isento do pagamento de impostos — o tecto de isenção actual é 5000 euros.

  • Substituir o imposto unificado sobre os imóveis (ENFIA) por um novo imposto dirigido aos grandes proprietários (Igreja Ortodoxa também?)

  • Restaurar o salário mínimo universal — valor actual 586 euros (510 euros para menores de vinte e cinco anos) — de 751 euros até 2016.

  • Restituir o subsídio de Natal aos pensionistas que recebem menos de 700 euros por mês: vão receber um 13º cheque mensal.

  • Restaurar as convenções colectivas seguindo recomendações do conselho da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

  • Prolongar a proibição actual de penhoras sobre a primeira habitação.

  • Suspender das privatizações, mas as concessões podem ser alargadas quando forem de interesse nacional.

  • Alterar a legislação para permitir ao Fundo Helénico de Estabilização Financeira (HFSF) exercer o pleno direito de voto, sem restrições, na gestão de bancos recapitalizados.

  • Introduzir um novo sistema fiscal "estável, simples e justo" — em particular, eliminando o imposto especial na electricidade — e combater a evasão fiscal e a corrupção.

  • Introduzir uma reforma global do sector público grego.

  • Vender metade da frota automóvel — 7500 veículos, incluindo um carro de 700 mil euros — e um dos 3 jactos do governo.

  • Reduzir os orçamentos do Parlamento em 30% e o de segurança em 40%.

  • Não aceitar mais empréstimos sem garantia.

  • Criar uma comissão para perceber o que levou a Grécia à beira da falência e para investigar os responsáveis pelo estado do país.

Durante o discurso no parlamento grego, no domingo, Alexis Tsipras prometeu que o Governo irá reabrir a televisão pública ERT (encerrada em 2013 por ser despesista).

Prometeu também eliminar o imposto especial na electricidade que foi criado pela dificuldade do Governo anterior em fazer a colecta fiscal, sempre muito baixa porque os gregos pressupõem alguma flexibilidade ou mudança nas regras, sobretudo em vésperas de eleições, que lhes permita pagar menos.

Prometeu ainda investigar “listas com grandes depósitos”. Referia-se, certamente, a listas como a enviada em 2010 por Christine Lagarde, então ministra das Finanças de França, ao seu homólogo grego, que continha os nomes de mais de 2000 gregos com contas na filial suíça do britânico HSBC, por isso suspeitos de evasão fiscal.
A lista foi perdida, houve nomes que desapareceram na cópia que circulou e o jornalista que a revelou foi duas vezes julgado por esse facto. No final, apenas Giorgios Papaconstantinou, ministro das Finanças do governo socialista (2009-2012), está a ser julgado.


*


Que um partido de um país do Sul da Europa ganhe eleições e pretenda cumprir as promessas feitas, é uma atitude digna de louvor. A questão é se esse partido devia ter feito determinadas promessas que só pode cumprir com o dinheiro dos outros Estados-membros da Zona Euro.

Vamos por partes. Manter a proibição actual de penhoras sobre a primeira habitação, introduzir um novo sistema fiscal "simples e justo", combater a evasão fiscal e a corrupção, cortar o orçamento do parlamento grego em 30%, vender metade de uma frota de 7500 automóveis e um dos 3 jactos do governo, de acordo.
Até se podia melhorar. Por que não diminuir o número de deputados? 300 deputados é obviamente demais. Por que não vender os 3 jactos do governo? Porventura os outros governos da Zona Euro têm jactos privativos?

Claro que a moralização política é uma boa medida. No entanto, há outros problemas de fundo.
A evasão fiscal é um deles e atravessa a sociedade grega de alto a baixo. O imposto especial na electricidade foi criado pelo Governo anterior face à dificuldade em fazer a colecta fiscal, tradicionalmente de valor baixo, mas que atinge níveis reduzidíssimos na época das eleições porque os gregos estão habituados a alguma flexibilidade que lhes permita pagar menos.
Outro problema de fundo é a cleptocracia e não é exclusivo da Grécia. Os países mediterrânicos são especialistas na cunha, no compadrio, no nepotismo e na corrupção. Na Alemanha houve condenações relativas ao negócio de venda de dois submarinos a Portugal, mas no nosso País nem uma até agora. Por cá o mérito não é louvado e há alguma predisposição mental para a corrupção que só é vista como má quando são os outros a fazer, se for o cidadão anónimo é percebida com um direito. Não vale a pena culpar o sistema: o sistema somos nós.

Quanto ao salário mínimo de 751 euros pago 14 vezes por ano — o que dá uma média de 876,17 euros mensais —, há que olhar para os salários mínimos no contexto europeu:



Solidariedade para com a Grécia? Entre empréstimos e garantias, a exposição portuguesa à Grécia é 1100 milhões de euros. E não desembolsámos mais porque Portugal teve de pedir assistência financeira em Maio de 2011.
No que respeita aos países europeus, a minha solidariedade, em primeiro lugar vai para a Lituânia, a Roménia, a Bulgária, o Montenegro, a Sérvia, a Albânia e a Macedónia que têm, em 2015, um salário mínimo nacional inferior a 300 euros. A seguir vai para os meus compatriotas que ganham o salário mínimo nacional que, apesar do aumento deste ano, continua a ser inferior ao grego.



Em 2015, o salário mínimo em Portugal é 505 x 14 / 12 = 589,17 euros. Noutros países europeus: Table


A notícia buliu com os comentadores do Público. Um deles resolveu medir a solidariedade para com a Grécia, tendo inquirido quem estava disposto a pagar mais um imposto para anular a dívida pública grega. A resposta foi... Bem, o melhor é ler:


vinha2100
08/02/2015 22:28
O problema da Grécia é não ter dinheiro para pagar ao merceeiro, e achar que são os vizinhos que lhe devem pagar as contas. Na sua embriaguez, acha que não tem responsabilidades pela sua indigência.
Por que deveria ser a Grécia privilegiada na ajuda, quando há tantos países em África e na Ásia onde as pessoas vivem com menos de um décimo dos rendimentos da Grécia? Se Portugal e a Irlanda puderam ajustar as suas contas, por que não pode a Grécia? Por que são o contribuintes portugueses, alemães ou irlandeses a pagar a prodigalidade da Grécia? Quando se convencerão os gregos que têm responsabilidades na própria desgraça? Quando se convencerão que têm que pagar impostos e reformar aos 65 anos?
  • tripeiro
    08/02/2015 22:33
    Oh meu amigo, porque apareceu com verdades tão inconvenientes para estragar a noite de domingo da nossa brigada vermelha? Isso não se faz!
  • Luis Marques
    IT Consultant, Manchester 08/02/2015 22:36
    Os Gregos estão a jogar o jogo do coitadinho, a esquerda gosta muito dessas vítimas mas para o centro/direito isso não cola. Vamos ver.
  • Marco Oliveira
    08/02/2015 22:46
    E lembrar que foi o único país que votou contra a entrada de Portugal no euro, achando que Portugal não tinha condições para entrar para a moeda única...
  • oliveira
    08/02/2015 23:00
    sempre um coitadinho, se á paises na africa com menos possibilidade de compra não os ajude com dinheiro como fizeram aos países de que se queixa, ajudeos com encomendas para que gerem riqueza e não com empréstimos, quer-lhes fazer o mesmo que á Grécia LOL, quem deu o dinheiro para que os países europeus estejam bem foi a grécia e outros que lhes encomendaram bens ,carros eletrodomésticos etc , e que fizeram com que gerassem superavites , aviam de ir ajudar outros que não lhes deram nada a ganhar porquê ? acha que merecem mais ? a Grécia não se endividou e vendeu tudo o que tinha para que esse dinheiro engordasse as contas dos outros países europeus e os tonasse ricos , comeram-lhes a carne ? comam o resto , não será ? se vires um homem com fome não lhe dez dinheiro , dá-lhe trabalho !
  • jojoratazana
    09/02/2015 00:15
    "Oh meu amigo, porque apareceu com verdades tão inconvenientes para estragar a noite de domingo da nossa brigada vermelha?" Nada dá mais gosto, que ler afirmações de um convencido, futilidades.
  • Manuel Caetano
    09/02/2015 00:33
    Ao alinhar na tese da “culpa dos gregos” o que o vinha2100 faz é ocultar e branquear “alguns gregos” (os gregos do “arco da (des)governação”, os gregos da “economia de casino”, os gregos da especulação financeira, os gregos dos paraísos fiscais, os gregos da fuga aos impostos…), os verdadeiros responsáveis pelo descalabro da Grécia. Desmascarou-se, meu caro. Provavelmente nunca andou mascarado eu, na minha ingenuidade, é que o imaginei uma pessoa diferente. Vivendo e aprendendo - Mea culpa!
  • tripeiro
    09/02/2015 00:43
    Senhor Manuel Caetano, para o exterior não há os gregos da classe A, os gregos da classe B, o povo, o governo ou os oligarcas, há sim o Estado Grego e as suas responsabilidades e compromissos que não desaparecem só porque foi eleito um novo governo com promessas que dependem do dinheiro dos outros! Quem elegeu o governo A ou o governo B foram, pasme-se, os gregos! Se houve gregos que roubaram, outros que especularam e outros que jogaram no casino, se há uma densidade anormal de cegos ou de paralíticos que só existem ou existiam para sacar mais um subsidiozito, se só existem meia dúzia de piscinas declaradas quando elas existem aos milhares, ... , bem, tudo isso é um problema interno dos gregos.
  • Tiago
    09/02/2015 01:15
    Dizer que a Grécia chegou a este ponto (apenas) por culpa própria é ignorar tudo o que é noticia nos últimos 3 ou 4 anos. A Grécia começa a ter bastantes semelhanças com alguns países africanos, asiáticos e latinos no momento em que começou a ser fustigada por uma praga chamada FMI, da qual Bruxelas tem sido um excelente aliado. Será ou não melhor deixar a Grécia levantar-se para reunir condições de devolver "empréstimos" ou é melhor continuar no caminho que levava? Deverá continuar subsídio-dependente com juros impossíveis de manter? Quanto a "brigada vermelha" não sei se merece esse nome, mas ela parece fazer bastante mais sentido do que o extremismo do centro europeu.
  • Manuel Caetano
    09/02/2015 01:27
    Senhor tripeiro, a melhor forma de ocultar verdadeiros culpados é (sempre foi) culpar todos. A técnica é velhinha mas eficaz.
  • MCA
    Cidadã da finis terræ 09/02/2015 08:13
    Estou, desta feita, com Manuel Caetano, não esperava este comentário de vinha2100, até me parecia outro a escrever e não o nosso vinha...
  • tripeiro
    09/02/2015 09:52
    Tem toda a razão, senhor Manuel Caetano, a culpa pelo endividamento do Estado Grego é dos outros e não do Estado Grego. O meu vizinho também tem muitas culpas no cartório por muitas das asneiras que eu eventualmente faça.
    E convenhamos que culpar os outros é um óptimo alivio à nossa consciência, pelo que sim, culparei o meu vizinho com todas as minhas forças.
  • vinha2100
    09/02/2015 10:24
    Caros amigos, obrigado pelo debate independentemente das vossas posições.
    Caros Manuel e MCA, permitam-me sublinhar que eu quero uma solução para a Grécia, que seja justa para todos. Essa solução, porém, começa nos próprios gregos.
    Por ser alguém que trabalhou grande parte da vida em desenvolvimento, acredito que é preciso dar uma cana de pesca para aprender a pescar, e não o peixe. Ora a Grécia está viciada em receber, e quer mais. A pergunta que devemos fazer é o que pode a Grécia fazer por ela própria. E aí podemos ajudar. Se tivermos um amigo alcoólico, o nosso dever é dar-lhe mais dinheiro que saberemos que vai acabar em álcool, ou levá-lo aos AAs e ajudá-lo enquanto recupera?
  • MCA
    Cidadã da finis terræ 09/02/2015 12:08
    "A Grécia viciada em receber e quer mais", pode ser dito o mesmo em relação a Portugal. É a teoria que tem vingado nos países fora dos PIGS mas não sabia que encontrava no caro vinha um adepto. Acha que é esse o problema? Mas as contas mostram que a Grécia já começou até a ter excedentes. A dívida é que rola imparável e todos sabemos que quem tem pouco e quer crescer precisa de se endividar. Quem está em cima pode sempre empurrar os de baixo ainda mais para baixo, e é o que o norte da Europa tem feito ao sul. O mundo é dos que têm tudo, para os outros escravidão!
  • Manuel Caetano
    09/02/2015 13:02
    Senhor tripeiro, as nações criaram os Estados (a super-estrutura organizativa que permite a governança de uma comunidade nacional – o povo) para afirmar a sua autonomia e independência no contexto das nações mas quem gere essa super-estrutura (o Estado) são os governos. Em última análise a responsabilidade por tudo o que acontece de bom e de mau na gestão de um país (o conjunto da nação/povo, estado e governo) é sempre dos governos. Na Grécia, como em qualquer outro país do mundo, essa responsabilidade tem rostos e nomes (não é uma abstracção). Saber quem são os responsáveis nunca é irrelevante, bem pelo contrário. As questões resultantes das interacções entre a Grécia e os outros países do “projecto europeu” já outra questão.
  • vinha2100
    09/02/2015 13:31
    O que diz é verdade, MCA. Mas não deve a Grécia também ajudar-se a ela própria? A evasão fiscal bateu recordes nos últimos dois meses. O salário mínimo aumentado vai apenas mandar mais gente para a economia paralela a receber 300 e 400 euros por mês. Mais acima, eu lancei um desafio: estou disposto a contribuir com mais impostos meus para os nossos amigos gregos, para lhes dar tempo a ajustarem-se. Sei perfeitamente que quer o bem da Grécia. É possível uma solução.

vinha2100
09/02/2015 11:06
Eu, como Português estou disposto a contribuir para a Grécia, que é um País amigo. Estou disposto a pagar mais impostos para isso. Quem mais está?
  • tripeiro
    09/02/2015 11:24
    Enquanto os gregos não se convencerem que nada pode ficar como dantes, tendo, eventualmente, que substituir bifes por latas de conserva, não estou nada disposto a financiá-los.
  • Daniel Blum
    09/02/2015 11:26
    Eu, como Alemão também estou. Só não vai mudar o problema no médio ou longo prazo. A Grécia tem que fazer as reformas estruturais. Eu estou disposto de dar suporte a um governo grego que faz tais reformas.
  • ana cristina
    consultora, Lisboa 09/02/2015 11:37
    O problema em passar a esponja sobre a dívida grega não está em conseguir encher o cestinho das esmolas. Parece-me que está é no facto de ninguém mais querer emprestar dinheiro a ninguém.
  • Luis Martins
    Lisboa 09/02/2015 11:50
    Caro vinha2100, eu sou um Português escravizado por impostos e não estou disposto a pagar mais impostos para alimentar países como Portugal ou Grécia que são governados por gatunos e corruptos. Portanto não estou mais disponível para continuar a ser roubado e em 2016 irei deslocalizar a minha empresa, o meu salário e o pagamento de impostos para longe da zona euro.
  • José
    09/02/2015 12:09
    Caro vinha2100, a questão não deve ser colocada nesses termos. A Grécia deverá resolver os seus problemas com o sistema financeiro. Houve "negócios" entre os bancos e o Estado grego. Esse negócio para ser honesto deveria ter um risco assumido em igualdade pelas partes. Os bancos deveriam estudar e assumir a viabilidade dos seus negócios e o Estado grego as perspectivas de pagamento. Se o negócio correu mal a responsabilidade deve ser repartida, porque houve erros de avaliação, coisa que nunca acontece por parte dos bancos. Não é legítimo fazer as populações pagar os erros de avaliação dos bancos que atualmente nada assumem. A desigualdade de poder das partes perante um negócio não é tolerável.
  • vinha2100
    09/02/2015 13:25
    Caros amigos, muito obrigado. Acho que exprimi mais claramente o que pensava.
  • tripeiro
    09/02/2015 15:23
    Esperava uma romaria da brigada vermelha a este post a atropelarem-se uns aos outros a ver quem ajudava melhor e mais depressa, mas qual quê, nem só um "unzinho". Ah, já percebi, altruísmo só com o dinheiro dos outros.
  • vinha2100
    09/02/2015 19:46
    Caro tripeiro, descobriu-me a careca, eh, eh, eh. Um grande abraço!
  • MCA
    Cidadã da finis terræ 09/02/2015 21:33
    Caro vinha, sim, prefiro pagar mais impostos para os países periféricos ficarem melhor e menos juros para quem já tem a carteira a transbordar.
  • vinha2100
    10/02/2015 08:42
    Absolutamente de acordo, MCA.

DNG - A TAP é Portugal no mundo.
Lisboa. 09/02/2015 11:55
Choca a miséria moral e a intelectualidade monocelular dos que reduzem a questão Grega ao emprestar ou não emprestar dinheiro. Evidência um mundo duro, egoísta, sem condescendência, incapaz de problematizar, de olhar o outro. É um mundo redutor que comprime a realidade a conceitos menores. Desgraçadamente sem complexidade ao sabor de uma moral fascizante sem qualquer dor perante as consequências. Diria selvagem. E quantos desta cor, desta raça, vegetam neste espaço dizendo barbaridades sem coração, sem humanismo, sem a razoabilidade? É o português ressabiado tipo PSD que quer ordem e sossego, refém do seu conforto cobarde, instalado, que não olha aos destroços sociais da crise, desta imensa crise de valores que assola esta Europa perdida.
  • Andrade
    09/02/2015 12:14
    Antes de colar egoísmos a ideologias e espingardar contra quem tem opinião diferente, convinha responder aos seguintes factos. Se é uma questão de coração, existem mais de 150 países a ajudar antes de chegar a vez da Grécia. Acontece que em todos esses países, incluindo a Grécia, existem muitas pessoas a viver melhor do que muitas de quem quer exigir dinheiro, basicamente uma solidariedade dos mais pobres para com os mais ricos. Pode esquecer os países mais pobres e exigir a pessoas mais pobres que ajudem pessoas mais ricas, mas não precisa de insultar quem assim não pensa.
  • DNG - A TAP é Portugal no mundo.
    Lisboa. 09/02/2015 12:25
    Resposta que não passa de uma tentativa de dissolução do problema, relativização para baixo. Quem pensa assim não resolve nada, não se mexe para nada. O que aqui se discute é o problema concreto da Grécia e não, a pretexto do mundo imundo em que se vive, não fazer nada por ela. É o exemplo negativo pantanoso que usa o mal maior para não fazer nada pelo mal menor. É para seu conforto que diz essas vulgaridades. Já desmontadas!
  • ana cristina
    consultora, Lisboa 09/02/2015 12:38
    O Andrade tem razão. Se é caridade, há outras prioridades. Só que não é uma questão de emprestar ou não, perdoar compromissos ou não. A questão é que os gregos, tal como os portugueses, têm de encontrar forma de viver bem sem ter de andar a mendigar.
  • DNG - A TAP é Portugal no mundo.
    Lisboa. 09/02/2015 12:42
    O senhor acha este comentário um insulto? E o insulto encapotado na indiferença daqueles que acham justo 25.000 gregos a dormir nas ruas de Atenas, as centenas de milhar sem luz em casa, aqueles que ficam sem saúde após 2 meses de desemprego e outras variantes de miséria moral que impuseram aos gregos em nome do ajustamento. A Grécia pode não ser um país bombardeado dentro do significado clássico do termo, mas é um país destroçado pela forma geopolítica actual de guerrear os Estados, de os enfraquecer e dominar pela agiotagem internacional dos mercados e dos usurários que com eles colaboram.
  • DNG - A TAP é Portugal no mundo.
    Lisboa. 09/02/2015 12:48
    Sem problemas pensei no Oldvic e no Tripeiro quando escrevi este comentário, e para meu desgosto em si também Cristina. Francamente não a percebo. Todos acham que os Gregos devem ser mais rigorosos mas, o que se esconde atrás desse julgamento é o pretexto menor para justificar uma enorme selvajaria. Quero lá saber se não concorda comigo!
  • Andrade
    09/02/2015 13:22
    Uma opinião solta pode ser resultado de precipitação ou até pensada e sem qualquer razão de suporte, quando as opiniões se dividem alguma razão estará do outro lado. Se o DNG para conseguir ter razão acrescenta ao que os outros dizem o que não está lá e esquece parte do que está, no que me diz respeito, a partir daí conversar é tempo perdido.
  • DNG - A TAP é Portugal no mundo.
    Lisboa. 9/02/2015 13:26
    Obviamente Andrade, tempo perdido...
  • ana cristina
    consultora, lisboa 09/02/2015 13:52
    Discutir ideias nunca é tempo perdido. Se nos sentimos incompreendidos, explicamo-nos melhor.
  • tripeiro
    09/02/2015 15:26
    Se o nosso estimado DNG está certíssimo quando afirma que o cidadão 44 deve ter tratamento privilegiado em relação a qualquer outro cidadão, porque não pode também estar certíssimo sobre qualquer outro assunto?
  • DNG - A TAP é Portugal no mundo.
    Lisboa. 09/02/2015 16:11
    Quem é Tripeiro? Tripeiro é um famoso intelectual das terras do "carágo", popularucho que consagra a famosa e deliciosa dobrada que, reduz subprime, Ninja, derivados tóxicos, dívida soberana, ajustamento, deflação, recessão, Grexit, mercados, democracia, Hedge Funds, imparidades bancárias, à simples relação entre dois vizinhos em que um empresta umas patacas ao outro e é considerado devedor. É complexa a perturbante capacidade de reduzir de Tripeiro...
  • tripeiro
    09/02/2015 16:28
    Sim, DNG, quem diria que o princípio devedor/credor é tão simples e anda o DNG a complicá-lo com a sua habitual profundidade superficial.

José
09/02/2015 13:13
A grande diferença entre este governo Grego e o nosso é que o governo Grego pensa (e bem) que as negociações entre Estados e sistema financeiro devem ser feitas ao mesmo nível. Enquanto o nosso governo pensa que o sistema financeiro se deve colocar num plano superior e o Estado português, que representa, num plano inferior, como mero cumpridor de ordens e regras ditadas pelo primeiro.
  • DNG - A TAP é Portugal no mundo.
    Lisboa. 09/02/2015 13:28
    Por isso o exemplo grego é tão perigoso politicamente para eles... é que a Grécia é governada por patriotas!
  • José
    09/02/2015 13:32
    Ora nem mais, DNG, essa é a grande, enorme, diferença.
  • vinha2100
    09/02/2015 13:36
    A grande diferença é antes que a Grécia vai acabar por sair do euro e Portugal não, se não se põe um pouco de água na fervura.
    O ideal seria encontrar uma solução em que o peso da dívida grega fosse aliviado (aumentar os prazos da dívida, que já são bastante extensos, e reduzir os juros, o que significa na prática uma redução dos encargos com a dívida), e dar algum dinheiro aos gregos para fazerem a ponte, em contrapartida a um efectivo combate à evasão fiscal e à corrupção e um equilíbrio das contas públicos. O último, infelizmente, não é muito compatível com grandes liberalidades, mas uma política de investimentos mais ambiciosa, ajudada pela Europa, poderia criar crescimento e emprego.
  • ana cristina
    consultora, Lisboa 09/02/2015 13:46
    O que está realmente em jogo quando se está numa comunidade de Estados é a competência dos governantes. Um governante português tem uma missão: gerir bem e negociar bem os interesses do seu pais (patriotismo, se quiserem....). só que negociar bem é sempre, como todos sabemos e poucos praticam, pensar no interesse do todo. A Merkel não é boa nisso. Anda a lixar a Europa no curto prazo e vai lixar-se no longo prazo. Os governantes portugueses que abrem mão dos nossos interesses fazem-nos por falta de competência e lixam o país e a coesão da Europa simultaneamente. Neste jogo comunitário cada um tem de saber ganhar e fazer ganhar o todo. Não há alternativa. Enquanto houver burricalhos (portugueses, luxemburgueses, alemães ou o que for) a lixarem-se e/ou a lixarem os outros, só perdemos.
  • José
    09/02/2015 13:55
    Eu não sou capaz de aceitar a subserviência do poder político ao financeiro. Corrijo, e atrevo-me até a dizer, é mais que subserviência é mesmo promiscuidade. Os poderes políticos na UE não estão a defender convenientemente os interesses públicos, estão a subverter o regime democrático, atacando os europeus em benefício dos interesses económicos e financeiros.
  • ana cristina
    consultora, Lisboa 09/02/2015 14:04
    José, ao poder financeiro, não. Mas à aritmética, sim.
  • José
    09/02/2015 14:25
    Cara ana, vou dizer-lhe uma coisa de uma forma muito simplista e que talvez não saiba, como quase ninguém sabe e os políticos escondem. É assim:
    É impossível, repito, impossível, todos os Estados-membros da UE pertencentes ao euro terem em simultâneo as suas contas equilibradas. É uma questão matemática. Logo nunca haverá paz nesta UE. Os grandes vão sempre endividar os pequenos. Antes, tal equilíbrio era conseguido com a ajuda das flutuações cambiais o que agora não é possível. Desta forma dentro da UE o cenário é negro para as economias mais frágeis como a nossa.
  • luamar
    09/02/2015 15:03
    Caro José, estou quase tentado a concordar consigo. Mas ainda sonho com uma Europa solidária: mais federalismo com um orçamento único para os 18 estados do euro e com a criação dos eurobonds. A partir dessa altura e desde que haja controlo sobre os gastos dos países tudo melhorará e o EURO será a moeda principal do mundo.
  • José
    09/02/2015 15:25
    Meu caro os projetos federalistas não me convencem, geram totalitarismos. A força da Europa nunca será a comunidade de Estados. Está precisamente nas diferenças culturais e geográficas, na afirmação e respeito pelas soberanias. A Europa deve caminhar no sentido da cooperação entre Estados independentes e não em criar um super Estado esmagador e triturador da matriz cultural europeia, subjugando os mais pequenos, reduzindo-os a pó. É como misturar peixes grandes e pequenos num mesmo viveiro, os grandes devoram os pequenos, não falha.
  • luamar
    09/02/2015 15:45
    Existem muitos países compostos por Estados federais: Brasil, E.U.A. etc. O que é preciso é saber respeitar as diferenças. Uma Europa grande, em todos os sentidos, seria um Bem para o mundo e para os europeus.

vinha2100
09/02/2015 14:55
Há um cenário que me ocorreu que poucos estão a considerar. Poderá Tsipras, tendo a oposição de mais de 70% dos gregos à saída do euro, estar a dramatizar o conflito com os parceiros europeus, fazendo exigências impossíveis de satisfazer, de forma a que seja precipitada uma crise bancária e financeira que determine a saída do euro e, em última análise, da União Europeia? Poderá isto fazer parte da estratégia de uma corrente radical europeia?
Gostaria de pensar que não. Porque se for o caso, uma saída do euro e da União Europeia acarretará uma argentinização da Grécia. Terá os seus amigos... Nunca vimos ideólogos preocuparem-se muito com a real situação do povo.
  • DNG - A TAP é Portugal no mundo.
    Lisboa. 09/02/2015 15:30
    Uma espécie de chantagem aos contrário... Mas, pense bem e veja se não se trata apenas de um extremo formado pelo outro extremo. Afinal de que forma os gregos podem sem mais humilhados? O Grexit é mau para eles mas é péssimo para a nossa reputação moral. Uma Europa com uma visão mais larga do que os interesses escondidos no Euro enquadra e reforma a Grécia sem a derrotar.
  • Luis Marques
    IT Consultant, Manchester 09/02/2015 16:07
    Os gregos não estão a ser humilhados. Os gregos estão apenas a ter as consequências das suas escolhas do passado. Essas histórias da humilhação, da vitimização, dos pobres gregos não colam...
  • luamar
    09/02/2015 16:48
    Caro Luís Marques, foi por não se ligar às histórias de humilhação dos povos que Hitler chegou ao poder através de eleições. Deixem andar, não façam nada que há outros pequenos Hitler, espalhados pela Europa, à espera da sua oportunidade.



quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Divergência de mentalidades


09 Out, 2013, 14:12

Num encontro do "grupo de Arraiolos", formado pelos presidentes não executivos dos estados-membros da União Europeia, que decorreu em Cracóvia, na Polónia, Cavaco Silva defendeu a solidariedade dos países do norte e centro da Europa para com os países do sul, pedindo taxas de juro nos empréstimos similares à dos países do norte e centro da Europa que não se endividaram excessivamente:
“Chamo a atenção para a necessidade de encetar uma séria reflexão sobre estes acontecimentos [morte de mais de 300 emigrantes africanos ao largo da ilha de Lampedusa]. Deveríamos melhorar, reforçar a cooperação com os nossos vizinhos do sul para lidar com esta tragédia humana que afecta todos os países europeus.
(...)
Esta crise não é apenas uma crise económica e financeira, é também uma crise de confiança. Na minha opinião, o principal objectivo da União Europeia deverá focar-se no crescimento e no emprego e no pleno funcionamento da união económica e monetária. A meu ver, é imperativo reduzir os excessivos custos de empréstimos para as pequenas e médias empresas nalguns estados-membros, tal como Portugal; são muito mais elevados do que noutros países europeus.”


09 Out, 2013, 20:58

Resposta de Toomas Hendrik Ilves, presidente da Estónia, país da Zona Euro:
“Se aceitamos as regras, cumprimo-las, não gastamos mais do que ganhamos, não pedimos emprestado mais do que podemos pagar.
Claro que a solidariedade é um princípio fundamental que temos aqui, mas os eleitores nacionais, pelo menos em países como o meu, não aguentam muito tempo pagar voluntariamente pela prodigalidade dos outros.
”




Salários mínimos nos países da União Europeia. Os países europeus de leste, como a Estónia, têm os menores salários mínimos.


segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Ou construímos os Estados Unidos da Europa, ou nada!


"Temos de construir agora a união política, que não conseguimos alcançar em 1990, e isso significa uma união orçamental", disse o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schaeuble, na conferência anual do partido Democrático Cristão.


Schaeuble não concorda que o Banco Central Europeu (BCE) financie os países endividados, preconizando que os governos devem confiar no fundo de resgate europeu até que tenham os orçamentos dos seus países sob controlo, pois "demasiada liquidez global poderia conduzir a uma bolha".
"Se queremos ter uma moeda única, temos de defendê-la. É da nossa responsabilidade assegurar que a moeda única e a União Europeia continuam a ser estáveis."
Sobre a Grécia:
"O país tem de decidir se consegue suportar os encargos [de continuar com o seu programa de ajustamento económico, ou não]. E se a Grécia estiver pronta para fazê-lo, nós iremos ajudá-la a ganhar o tempo necessário."

Também hoje no congresso do partido Democrático Cristão, Angela Merkel disse que "era hora de formar uma união política na Europa para enviar uma mensagem aos detentores de obrigações europeias de que as intenções dos líderes da Zona Euro são sérias relativamente a quererem terminar a crise da dívida soberana".
Acrescentou que queria preservar o euro com todos os actuais estados membros, "mas isso requer uma mudança fundamental em toda a nossa política". O partido votou no sentido de permitir que um país possa sair da Zona Euro, defendendo um movimento que não é permitido pelas actuais regras do euro.

*

Cabe agora ao cidadão luso comparar os salários mínimos dos países da Europa ocidental com os do leste (de que fazia parte a antiga república democrática alemã, hoje com o nível de vida ocidental) e lembrar-se que estes países estão a trabalhar denodadamente para poderem entrar na Zona Euro.
Se Portugal funcionasse como os países do centro da Europa todos seríamos beneficiados: em 2011, o salário mínimo na Irlanda é 1461 euros (x12 meses), ou seja, a classe média portuguesa tem um rendimento análogo à classe baixa irlandesa.
Mas esses elevados rendimentos exigem a opção entre o 'dolce far niente' dos passeios aos centros comerciais e à praia ou o rigor da organização alemã do trabalho, entre o critério de avaliação do compadrio ou o do mérito.
A escolha é nossa.


██ países (4) com salário mínimo entre 123 - 278 euros
██ países (4) com salário mínimo entre 278 - 319 euros
██ países (4) com salário mínimo entre 319 - 566 euros
██ países (4) com salário mínimo entre 566 - 863 euros
██ países (6) com salário mínimo entre 863 - 1758 euros
██ países (11) que não forneceram dados ao Eurostat
Em 2011, o salário mínimo em Portugal é 485 x 14 / 12 = 565 euros. Noutros países europeus: Table

Países\tempo
________________
Bélgica
Bulgária
República Checa
Estónia
Espanha
França
Grécia
Croácia
Hungria
Irlanda
Lituânia
Luxemburgo
Letónia
Malta
Países Baixos
Polónia
Portugal
Roménia
Eslovénia
Eslováquia
Turquia
Reino Unido
EUA
________________

2000
_________
1095.89
34.26
110.79
89.48
495.60
1049.49
542.69
-
100.12
-
107.05
1191.13
85.02
505.05
1092.00
161.11
371.27
24.53
373.35
94.34
201.60
952.23
888.58
_________

2005
_________
1210.00
76.69
235.85
171.92
598.50
1286.09
667.68
-
231.74
1183.00
144.81
1466.77
114.63
555.06
1264.80
207.86
437.15
78.70
490.07
167.76
266.15
1134.67
655.36
_________

2010
_________
1387.50
122.71
302.19
278.02
738.85
1343.77
862.82
385.48
271.80
1461.85
231.70
1682.76
253.77
659.92
1407.60
320.87
554.17
141.63
597.43
307.70
338.33
1076.46
872.32
_________

2011
_________
1415.24
122.71
319.22
278.02
748.30
1365.00
862.82
381.15
280.63
1461.85
231.70
1757.56
281.93
664.95
1424.40
348.68
565.83
157.20
748.10
317.00
384.89
1138.54
940.48
_________

Nota: a lei do salário mínimo deixou de ser cumprida na Grécia.


domingo, 13 de março de 2011

Contributo para os movimentos de cidadãos - I


A austeridade é necessária mas não é suficiente. É preciso avançar com medidas que realmente diminuam a despesa do Estado e desencadeiem o crescimento da economia.

Dizer que se corta x aqui e y acolá de nada serve: houve uma redução salarial de 5% na função pública mas a Síntese da Execução Orçamental de Fevereiro mostra, na pág. 36, que as despesas com pessoal cresceram 4,9%, levando a despesa efectiva a subir 0,9%, em Janeiro.
Por outro lado é preciso atacar as causas profundas da falta de competitividade da nossa economia que são a reduzida qualificação de 65% da população, em especial, de grande parte do tecido empresarial, e a mentalidade da cunha em vez da cultura do mérito.
É preciso mexer em quatro domínios — educação, justiça, saúde, imigração — e obrigar os partidos políticos a atrair gente competente e honesta que ponha os interesses do país acima dos interesses partidários.

  • Educação: eliminar o lobby do “eduquês” responsável pelas reduzidas competências dos alunos à saída da escolaridade obrigatória. Os técnicos do “eduquês” custam 934 M€, ou seja, 14% da despesa orçamentada no OE 2011 (pág. 78) para o ministério da Educação que é 6532 M€.
  • Justiça: eliminar as baias aos juízes.
  • Saúde: exigir responsabilidade social.
  • Imigração: 15 M€ só para sustentar o Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural, I. P. e o programa Escolhas — OE 2011, pág. 68. Impossível avaliar o montante das prestações sociais e os vencimentos dos docentes que dão a formação básica aos imigrantes, mas é elevado. A situação financeira do país doravante só permite imigração qualificada em domínios carenciados.

Assinar petições para a Assembleia da República não adianta porque o destino é sempre o arquivo. É preciso procurar outras vias: os cidadãos podem associar-se em movimentos e propor projectos de leis através da iniciativa legislativa de cidadãos consignada na Lei 17/2003.


██ países (4) com salário mínimo entre 123 - 278 euros
██ países (4) com salário mínimo entre 278 - 319 euros
██ países (4) com salário mínimo entre 319 - 566 euros
██ países (4) com salário mínimo entre 566 - 863 euros
██ países (6) com salário mínimo entre 863 - 1758 euros
██ países (11) que não forneceram dados ao Eurostat (em geral, não fixam salário mínimo)
Em 2011, o salário mínimo em Portugal é 485 x 14 / 12 = 565 euros. Noutros países europeus: View table

Países\tempo
________________
Bélgica
Bulgária
República Checa
Estónia
Espanha
França
Grécia
Croácia
Hungria
Irlanda
Lituânia
Luxemburgo
Letónia
Malta
Países Baixos
Polónia
Portugal
Roménia
Eslovénia
Eslováquia
Turquia
Reino Unido
EUA
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2000
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1095.89
34.26
110.79
89.48
495.60
1049.49
542.69
-
100.12
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107.05
1191.13
85.02
505.05
1092.00
161.11
371.27
24.53
373.35
94.34
201.60
952.23
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2005
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1210.00
76.69
235.85
171.92
598.50
1286.09
667.68
-
231.74
1183.00
144.81
1466.77
114.63
555.06
1264.80
207.86
437.15
78.70
490.07
167.76
266.15
1134.67
655.36
_________

2010
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1387.50
122.71
302.19
278.02
738.85
1343.77
862.82
385.48
271.80
1461.85
231.70
1682.76
253.77
659.92
1407.60
320.87
554.17
141.63
597.43
307.70
338.33
1076.46
872.32
_________

2011
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1415.24
122.71
319.22
278.02
748.30
1365.00
862.82
381.15
280.63
1461.85
231.70
1757.56
281.93
664.95
1424.40
348.68
565.83
157.20
748.10
317.00
384.89
1138.54
940.48
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Quase todos usufruímos de subsídios do Estado, nem que seja o abono de família, o subsídio de refeição ou a senha de presença por participar na assembleia de freguesia. Por isso clamamos contra os políticos mas temos medo de fazer reformas e acabamos por aceitar todas as mordomias que os políticos se atribuem, para preservarmos esses minúsculos privilégios.
É um erro. Se Portugal funcionasse como os países do centro da Europa todos seríamos beneficiados: em 2011, o salário mínimo na Irlanda é 1461 euros (x12 meses), ou seja, a classe média portuguesa tem um rendimento análogo à classe baixa irlandesa.